Episódios de Lugar de Potência por Ricardo Basaglia

Reinventar para Continuar - com Eduardo Glitz | #EP235

03 de maio de 20261h5min
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Neste episódio, recebo um empreendedor que esteve no centro de uma das maiores transformações do mercado financeiro brasileiro e agora leva essa mesma inquietação para novos territórios: Eduardo Glitz.

Gaúcho de Porto Alegre, iniciou sua trajetória no chão do varejo, passando por empresas como Sonae e Walmart, antes de se tornar um dos primeiros sócios da XP Investimentos. Em 2015, no auge da carreira, tomou uma decisão incomum: sair para explorar o mundo. Foram 42 países em um ano, com intenção e método, em uma jornada que redefiniu sua forma de pensar.

De volta, cofundou o  NVA Capital, participou da criação da StartSe e tornou-se sócio conselheiro de empresas como Warren, FitBank, Conta Simples, Vortex e Y3 Munkin. Coautor do livro “Empreendedores”, hoje lidera a GBM no México, ampliando seu impacto.

Lições deste episódio:

🏠 Origem familiar, infância marcada pela escassez e os primeiros sonhos empreendedores

🛒 Passagem pelo varejo e os aprendizados sobre gestão, cliente e execução

📈 A entrada na XP e a construção da plataforma aberta de investimentos

🚀 A decisão de sair da XP, a volta ao mundo e a fundação da NVA 

🤝 Filosofia de partnership

🌎 A expansão para o México com a GBM e os desafios de liderar uma cultura diferente

👨‍👧‍👦 Como preparar os filhos para o futuro e o tripé do sucesso 

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Assuntos12
  • Entrada XP Plataforma AbertaMomento de entrada na XP · Construção da gestora de recursos (Asset) · Impacto da crise de 2008 · Criação da plataforma de fundos · Resistências e desafios
  • Expansao InternacionalOportunidade no mercado mexicano · Desafios de liderar uma cultura diferente · Adaptação de modelos de gestão
  • Sucesso profissional e vida pessoalA necessidade de trabalhar muito · A importância de amar o que faz · A disposição para tomar riscos
  • Decisão de Sair da XP e Volta ao MundoRacional para sair da XP · Jornada de 42 países · Redefinição de pensamento e valores
  • Sonhos e Aspiracoes PessoaisInfância marcada pela escassez · Sonhos de adolescência em negócios · Primeiras formas de ganhar dinheiro
  • Negócios e ParceriasCriação da NVA Capital · Filosofia de partnership · Importância de sócios e valores compartilhados
  • Minimizando Arrependimentos aos 80 AnosViver intensamente e aproveitar a vida · Conciliar carreira, família e lazer · A busca por novas experiências e aprendizados
  • Relação mãe-avó na educação infantilGeração de escassez e desafio · Importância dos valores e felicidade · Tripé do sucesso: trabalho, amor e risco
  • Tomada de DecisãoValorização da agilidade nas decisões · Confiança no instinto e na pessoa · Aprendizado com erros e correções
  • Trajetória e aprendizadoPassagem pelo varejo · Aprendizados sobre gestão, cliente e execução · Experiência em grandes empresas
  • Orientação e mentoriaContribuição em conselhos de empresas · Visão de inspirar e motivar · A importância de aprender com os outros
  • O que Define
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A gente só passou pela crise de 2008 porque todas as pessoas, os líderes ali, nós, os sócios, nenhum deles tinha plano B. Não tem aquela opção, putz, cara, se não der certo aqui, eu vou ser executivo. Se não der certo aqui, eu vou trabalhar na empresa do meu pai. Ninguém tinha plano B. Eu entrava, a gente estava de cabeça naquilo ali e não tinha opção. Eu gosto de tomar decisões rápidas. Eu me motivo, eu me encanto pela oportunidade, pela pessoa, pelo negócio.

Cara, vamos embora. E eu acho que o processo de decisão rápido é muito importante.

Ah, vai errar algumas vezes. É claro que vai errar. Mas, de alguma forma, eu entendo que vale mais a pena eu ser rápido e algumas vezes errar e corrigir no caminho do que eu ser moroso na tomada de decisão. Não existe atalho, não existe mágica. Se você acha que vai chegar lá rápido, vai se ferrar por muito tempo, vai ter que trabalhar muito, vai ter que abdicar de muita coisa. Tudo tem o seu preço na vida. Não existe atalho. Se achar que tem atalho, não vai chegar lá.

Esse podcast é um oferecimento da BMW, líder em mobilidade premium. Esse é o podcast Lugar de Potência. Lições de carreira e liderança com o maior headhunter do Brasil. Afinal, tem 1,94m. Vambora?

Hoje eu tenho o prazer de receber um empreendedor que ajudou a redesenhar o mercado financeiro brasileiro e agora foi fazer a mesma coisa no México. Ele é gaúcho de Porto Alegre, ele começou no chão do varejo Sonai Almat antes de se tornar um dos primeiros sócios da XP Investimentos, responsável pela grande transformação do mercado financeiro. Em 2015, no auge, ele decidiu sair, não para o próximo negócio, mas para o mundo. Ele foi para o Vale do Silício, viajou para 42 países em um ano, de propósito, com método.

mas voltou diferente. Desde então, ele cofundou o NVA Capital, ele foi responsável por fundar start com seus sócios, ele se tornou sócio-conselheiro da Warren, Fitbank, Conta Simples, Vortex, Y3, Munkin, é também coautor do livro Empreendedores, escrito com seus sócios, e hoje, no México, à frente da GBM, a maior plataforma de investimentos do país. Chegando antes...

enxergando o que os outros ainda não viram, construindo o que ainda não existe. Agora, o que o currículo dele não conta é que esse cara que ajudou a democratizar o acesso a investimentos para milhões de brasileiros, ele carrega uma única pergunta desde que ele saiu da XP. Como eu vou me sentir quando eu tiver 80 anos olhando para cada decisão? E essa pergunta é repetida antes de cada poça que explica boa parte do que ele fez e tudo que ainda está por vir. Eduardo Glitz, que honra ter você aqui no Lugar de Potência.

Pô, que prazer, muito obrigado pelo convite. E Glitz, como você sabe, começando sempre pelo começo, aonde a cegonha te entregou? Você vem numa família de empreendedores, de executivos, de finanças? Não, de finanças não. Como a gente comentou, eu nasci em Porto Alegre, numa família que foi muito rica, mas quando eu nasci já não era mais rica.

tinha empresa familiar, muitas posses e propriedades, mas logo depois que eu nasci, quebrou e se acabou, a empresa faliu. Então, de alguma forma, aquilo foi um aprendizado. Meu pai veio se recuperar financeiramente depois, mas tivemos anos aí muito difíceis, mas que com certeza foram muito importantes para a minha formação, para os meus valores, para o que eu penso, para os meus sonhos, para os meus desafios. Tenho certeza que isso contribuiu para ser quem eu sou.

E qual era o sonho do Glitz na adolescência? Tinha alguma relação com o que você construiu ou a vida talvez te levou para um lugar completamente diferente do que você imaginava? Cara, eu acho que a minha adolescência, sim, eu pensava muito em negócio. Então, meu pai sempre foi uma pessoa muito empreendedora e, de alguma forma, eu queria viver aquilo com ele sempre, participar. E eu me lembro quando eu tinha, talvez, 15, 16 anos e eu queria fazer administração de empresas com pós-graduação em marketing.

E daí os caras davam uma risada de mim. O que você está falando, cara? Sabe, tipo, você tem 15 anos de idade, não sabe o que você está falando. Mas, de alguma forma, eu tinha aquilo, aquele sonho, aquilo na minha cabeça. Desde aquela época que eu tentava encontrar formas de ganhar dinheiro. Eu lembro que com 15 anos eu fui para a Disney.

Aquela viagem tradicional dos adolescentes. E quando eu voltei, eu virei o vendedor daquela agência de viagens para o próximo ano, para os que iriam no próximo ano, que era a Unesul na época. Então, eu tentava encontrar formas de ganhar dinheiro e de ter algum negócio desde cedo. E ter crescido no Rio Grande do Sul moldou algo que você vê na pessoa que você é? Talvez algo na cultura gaúcha que você reconhece nas suas decisões, forma de agir?

Eu acho que o gaúcho é muito fechado com o seu próprio grupo. Então, de alguma forma, hoje os sócios que eu sou muito próximo são gaúchos. Então, depois a gente vai falar um pouquinho sobre o Pedro e o Marcelo, sobre a NVA. De alguma forma, eu acho que a gente acaba tendo uma afinidade maior, mas isso, obviamente, não impede de ser aberto a todos, sem nenhuma dúvida. Mas, sim, eu acho que existe uma afinidade de...

de ter crescido junto, de alguma forma, com os mesmos valores, no mesmo local. O gaúcho gosta sempre de dizer que o que é gaúcho é melhor. Então, a Guaraná de lá é melhor porque é gaúcho, a cerveja de lá é melhor porque é gaúcho, não tem nada a ver, mas, de alguma forma, é um orgulho do que constrói.

Teu primeiro emprego, varejo, Sonai, depois Walmart. O que talvez o varejo te ensinou sobre clientes, execução, pessoas que talvez o mundo financeiro não teria te dado se você não tivesse começado pelo varejo? Cara, isso foi, sem dúvida, foi muito importante para mim.

Eu, de alguma forma, sonhava ali já em trabalhar no mercado financeiro e eu não consegui. Eu tentei entrar em todos os programas de estágio, Citibank, HSBC, que existiam na época, programas trainee, não fui aprovado em nada, fui reprovado em tudo. E eu consegui uma vaga de estagiário no Sonai, que era uma empresa de supermercados que estava comprando redes de supermercados no sul do Brasil. Na época, chamava-se Rede Nacional, Rede Real, Rede Big.

E estavam se formando em uma grande empresa e eu consegui um estágio, porque um amigo meu trabalhava lá e eu consegui um estágio na área logística. Mas consegui porque precisava trabalhar. Não é que eu queria trabalhar com logística ou que eu queria trabalhar no varejo. Aquilo aconteceu.

Mas, sem nenhuma dúvida, foi muito importante. Eu acho que depois a gente pode contar um pouquinho sobre a chegada na XP, sobre esse movimento todo. E, sem dúvida, ele construiu algumas metodologias de gestão, valorizar o cliente como você mesmo disse, produto, fornecedor, rituais de gestão, coisas que quando a gente vai empreender, a gente não sabe. Então, até é uma coisa que eu sempre digo assim,

Eu não recomendo ninguém que vai empreender desde jovem, desde adolescente. Eu acho que para te empreender, você vai conseguir talvez fazer do zero ao um, ao dois. Mas se você realmente quiser crescer um negócio, você tem que, de alguma forma, ter experiência numa empresa grande, entender, como eu disse, metodologia de gestão, metas, como gerir pessoas, como dar um feedback, como fazer uma reunião que você não aprende do nada.

E já entrando agora na XP, você entrou num momento que ainda era uma pequena corretora focada em ações. Me conta um pouco mais, como é que foi essa conversa? Quem te chamou? O que foi dito? O que passou pela tua cabeça ali antes de dizer o sim? Cara, essa história talvez é a história mais incrível assim da minha vida.

eu trabalhei por seis anos no Sonai. E era muito difícil, a empresa perdia dinheiro, ambiente muito ruim, uma competitividade, politicagem, aquela coisa executiva chata, que um quer ferrar o outro. É um ambiente muito ruim. E, de alguma forma, por uma sorte do destino, o Walmart comprou o Sonai, em 2005.

E aquilo pra mim foi, poxa, agora abriu uma janela pra mim. O Walmart naquele momento era a maior empresa do mundo.

tudo vai mudar e eu vou embarcar nisso aqui de cabeça. E foi isso que eu fiz. Então, as primeiras comitivas dos americanos que chegaram lá, eu falava inglês, muita gente não falava, eu já me aproximava deles, vamos lá, como é que eu posso ajudar? E, num determinado momento, chegou as minhas férias. E eu estava tão emocionado com aquela história de Walmart que eu disse, cara, eu quero passar as férias em Bentonville, que é a sede mundial do Walmart. E eu falei para o meu chefe naquela época, ele disse, não...

bem, quer, quer, né? E montaram aquilo, mas meio que virou piada. Meu, o cara vai passar as férias e o mental viu. O cara não sabe o que é mental viu. Davam risada de mim, né? Mas, de alguma forma, eu gostava tanto daquilo, de negócio, de conhecer, que pra mim aquilo era um prazer. Então, montamos aquilo, só que nesse meio tempo eu já...

Como eu disse, eu já era apaixonado pelo mercado financeiro. Eu com dois amigos, que é o Pedro Engler e o Luiz Pedro, a gente tinha montado um clube de investimentos, porque eu investia em ações ali desde os 19 anos, 18 anos, eu já investia em ações um pouquinho, tradava, aprendia como é que fazia as coisas. E um determinado momento ali, com 22, 23 anos, amigos queriam investir comigo. Então, a gente criou esse clube de investimentos. E isso fez com que eu me aproximasse da turma que estava começando a XP.

que na época era o Marcelo, era o Rossano, era o Guilherme, o Júlio, recente a chegada. E eu me aproximei deles e aí a gente comecei a entender aquele business e no eterno momento disseram, cara, vem para cá, a gente quer montar a gestora de recursos aqui, a asset da empresa, cara, tu já tem um clube aqui, um clube de nada.

Já tem um clube aqui, tu já sabe fazer isso, tu tem habilidade comercial, quem sabe tu vem aqui fazer isso. E daí eu fiquei naquela indecisão absurda já ali, antes de viajar para Bentonville. Naquela indecisão absurda. E eu disse, não, vamos, cara, vamos, é o meu sonho, vou sair do Walmart, a maior empresa do mundo, para ir em uma salinha de 25 metros quadrados aqui para empreender no mercado financeiro, porque eu acredito que esse negócio vai dar certo.

E tá bom. Mas eu falei isso para eles, cara, mas eu já comprei a passagem, eu vou ter que ir para Bentonville.

Daí apertamos as mãos e eu disse, cara, na volta, quando eu voltar de Bentonville, eu começo aqui, está tudo certo. Daí eu vou para Bentonville.

E, cara, foi sensacional. Foi incrível aquela coisa, os rituais, as reuniões de piso, coisas que a gente ouvia falar, mas eles tinham a Saturday Morning Meeting, que era todos diretores, no sábado de manhã, uma energia, grito de guerra. Nossa, e daí chegou, faltava dois, três dias, eu fiquei duas semanas lá, dois, três dias o...

que seria o vice-presidente, o chefe do meu chefe, do meu chefe, do meu chefe, me chama, poxa, a gente está acompanhando o trabalho de vocês no Brasil e tal, e eu queria saber se tu queria vir para cá. Vim para cá trabalhar com a gente aqui na logística, naquela época da logística. Eu já tinha me tornado no Walmart, com 24 anos eu me tornei gerente, eu era gerente nacional de abastecimento.

de lojas. E deu bom, tá bom, né? Vamos pensar nisso, né? Imagina que, de alguma forma, eu, nascido em Porto Alegre, naquela época era um sonho poder trabalhar numa multinacional que está na sede em Bentonville, nos Estados Unidos, a maior empresa do mundo.

E voltei para casa com aquele sofrimento, angústia, maluca. Cara, o que eu faço na minha vida? Quer dizer, apareceu uma oportunidade que talvez não vai aparecer de novo na minha vida. Como eu disse, trabalhar nos Estados Unidos. E, ao mesmo tempo, eu apertei a mão do cara lá. Então, eu não estava mais nem naquela oportunidade. Eu apertei a mão e eu disse que eu ia. Eu tenho que honrar isso. E aconteceu. E eu fui. Foi uma decisão muito difícil.

Eu me lembro quando eu fui contar para o meu líder lá na época, o meu diretor, você está louco, mercado de ações, isso aí sobe e desce, não faz isso, é muita volatilidade. Esses dias eu, inclusive, encontrei ele, que ele é presidente hoje de outra empresa de varejo, ele, pô, que bom que você não seguiu a minha dica aquela vez.

E aí você entra ali na XP numa época para ajudar a construção de uma plataforma aberta, colocar primeiro fundo de investimento, numa época que ninguém acreditava que isso era possível. Me conta mais das resistências, do que você escutava que você teve que enfrentar para colocar de pé o que você acreditava.

Cara, acho que a primeira coisa, eu acho que até antes disso, o fato de eu ter chegado naquele grupo, e por isso que eu comentei aqui no início, da importância de muitas vezes trabalhar numa grande empresa antes de empreender. O fato de eu ter trabalhado numa grande empresa me ajudou muito quando eu cheguei lá. Porque eu sabia o que era fazer um plano de negócio, eu sabia o que era fazer uma reunião, eu sabia o que era fazer metas para as pessoas, eu sabia de alguma forma...

gerir pessoas e gerir uma empresa e que talvez muita gente que estava começando ali como empreendedor não sabia aquilo. Então, rapidamente eu consegui, na empresa inteira, começar a criar rituais, ajudar eles na construção de rituais, o que foi muito legal. Mas eu comecei...

começar a asset, a gestora do zero. A gente ainda não falava de plataforma de fundos. A XP era uma empresa 100% focada em trading. Então, se fazia curso chamado Aprenda a Investir na Bolsa de Valores. O pessoal saia de lá aprendendo a investir em ações, a comprar no home broker, comprar e vender ação, fazer day trade. Não se falava, não existia nada de fundos, não existia nada de renda fixa, seguros, nada disso.

E eu era meio que o patinho feio ali que estava criando uma gestora de ações, mas não tinha tanto sex appeal, era muito mais legal comprar e vender ações do que investir num fundo de ações, que era o que a gente estava criando ali. E eu fui indo meio que apartado da empresa, criando a gestora e outro business levantando voo, o business de trading levantando voo.

Criei um fundo, depois criei outro fundo, depois criei um fundo de renda fixa, depois criei um fundo multimercado, fui montando equipe, não existia equipe de gestão, não existia analista, não existia nada. Então, fui montando toda aquela equipe, aquele time. Deu super certo, enquanto gestora. Abrimos conta pra caramba, tinha um time comercial, funcionava super bem. Mas aconteceu uma coisa que impactou muito o plano de toda a empresa, que foi a crise de 2008.

Para quem viveu aquilo, na XP, a gente em um dia demitiu metade da empresa. E não sabia se daqui a uma semana não teria que demitir mais. E a gente dizia que a gente não poderia viver de um único produto.

que ações. É que nem vender guarda-chuva, quando está chovendo, está sensacional. Se não chove, mesma coisa. 2008, o mercado desabando, muitas pessoas não sabendo se ia ter dinheiro no banco quando fossem sacar, não iam comprar ações, não iam investir em ações.

Então, ali foi um movimento, um clique muito importante. Rapidamente, eu fundei a XP Seguros. O que a gente pode fazer rápido? Então, vamos vender seguros. Eu fundei a XP Seguros e a gente foi para os Estados Unidos, ali um ano depois, a gente foi para os Estados Unidos entender o mercado lá. Então, a gente visitou feira de Charles Schwab, feira de Pershing. E daí a gente entendeu, poxa, cara, o mercado aqui é muito diferente do que a gente tem lá no Brasil.

E daí, o que eu fiz? Eu voltei com a missão de fazer essa transformação na empresa, porque eu já tinha gestora de recursos, eu já tocava a Asset, eu já tinha lá um grupo de fundos, e o que eu tinha que fazer? Eu tinha que conectar aquilo, porque naquele momento que o cliente que queria investir na gestora, ele abriu uma conta separada da corretora, separada da XP. E coincidentemente... Coincidência...

Difícil, em 2008, a gente tinha se tornado uma corretora de valores bem no momento daquela crise. Então, tinha aumentado o custo e tudo mais, porque nós tínhamos começado como uma empresa de assessoria, um agente autônomo de investimento, que chamava aqui. E, cara, aquela missão foi, bom, então, vou desenvolver com tecnologia o quê? Uma forma dos meus clientes da corretora, os clientes da XP da corretora, poderem investir diretamente nos meus fundos, que foi a plataforma de fundos. A gente encontrou uma regulação que chamava-se Por Conta e Ordem,

Então, a corretora investia, os clientes investiam na corretora, a corretora investiu nos fundos por conta e ordem do cliente, uma brecha na legislação, e a corretora passou a ofertar os meus fundos, primeiro os fundos da XP, e eu comecei a falar com o mercado, então, na época, eu me lembro que eu falei com o BTG, Sul América, BNP, poxa, eu quero criar aqui uma coisa diferente.

uma plataforma de fundos. E o pessoal, é, teve gente que já tentou, mas isso não sei se funciona, mas teve ali dois ou três caras, que foi Sul América e BNP, que acreditaram e disseram, não, tudo bem, a gente vai botar, daí botaram dois fundos de renda fixa. Então, naquele momento ali que devia ser 2010, o cliente da XP podia investir já na plataforma através dos fundos da XP, mais um fundo do BNP e da Sul América. Mas não era algo que, vamos dizer assim, que o restante dos sócios acreditava.

Eu me lembro que uma vez, logo que subiu os fundos de renda fixa na plataforma, me chamaram para uma reunião. Glitz, é o seguinte, se reduzir o nosso floating, ou seja, o dinheiro do cliente que ficar parado na conta, cara, a gente vai cortar esses teus fundos aí, cara. Esquece, entendeu? Porque a empresa vivia de trading e de floating, não vivia de vender outros produtos.

Mas, de alguma forma, eu segui naquela luta, naquela briga. Acho que eles tinham pena de mim, porque era meio que o escanteado ali, estava inventando alguma coisa que ninguém acreditava muito e, no final, acabou dando super certo e foi o que originou depois todo o conceito do business hoje, que é um conceito de assessoria, onde o cliente tem...

Obviamente, naquela época tinha só o dinheiro de trading, que era o dinheiro do cassino, que a gente chamava, que era, sei lá, 5%, 10% do patrimônio dele, para passar a ter tudo, para que a rede passe a ser uma rede de assessores, não uma rede de operadores de trading. Então, trata o cliente para entender a realidade financeira dele como um todo e oferecer produtos para atender toda a necessidade dele e passar a atacar definitivamente os bancos.

E aí, cara, você fica quase uma década na XP, você construindo algo histórico. Me conta um pouco mais desse racional de sair a hora que as coisas estão indo bem. Porque, pô, você pegou ali o pão que o diabo amassou no início, a hora que as coisas começam a ir bem, você decide sair. Me conta um pouquinho mais o que foi essa decisão.

Eu acho que as coisas começaram a ir bem ali a partir de... Em 2011, a gente recebeu o investimento da Actis, a um valuation de 500 milhões de reais na época. Então, já foi um upside importante. Em 2013, a gente recebe o primeiro investimento da General Atlantic, a um B300.

se não me engano, de valuation. Então, o negócio já tinha levantado. E eu participei de tudo isso. Naquele momento, eu passei a liderar toda a estrutura de varejo da empresa. Então, a gente tinha o sócio que tocava institucional, que era o Marcelo, o sócio que tocava o varejo, que era eu, tinha o Júlio que tocava todo mundo de finanças e tudo mais, e o Guilherme era o CEO.

Construímos conselho, primeiro conselho, organização da empresa e tudo mais. E, de alguma forma, foi um crescimento vertiginoso ali. Então, 12, 13, 14, um crescimento muito forte. E passou a deixar de ser uma empresa de empreendedores.

paixão, o meu tesão, cara, é empreendedorismo. Aí passou a ser uma empresa de executivos. Uma empresa de executivos é o quê? Alguém define o que tem que ser feito e os demais executam. E aí perde muito do prazer, da vontade, muitas das conversas. Eu saí junto com o Pedro Engler, o Marcelo tinha saído um pouco antes, o Pedro Engler, a gente saiu junto. E as nossas conversas finais foram muito isso, entendeu?

É uma decisão de, cara, eu não quero ser executivo, já tive vida de executivo, não gostei, eu gosto de ser empreendedor, de colocar as minhas ideias em prática, é claro que compartilhando com todos, mas não simplesmente executar o pensamento ou a ideia dos outros.

E aí depois de sair, ao invés de ir pro próximo negócio, eu fui viajar 42 países. Pra alguém movido por desafios de construção, ficar sem obra também é um negócio diferente. Me conta um pouco mais desse período internamente, que método que você colocou aí pra extrair o melhor dessa fase. Cara, esse ponto é muito legal porque minha mãe faleceu em 2015. Faleceu super jovem, de câncer, com 61 anos, e ela tinha tido o primeiro câncer com 40 e poucos anos. 43, 44.

E eu pensei, cara, eu não quero isso, eu preciso aproveitar a vida, eu preciso viver. E é um pouco do que a gente tinha comentado antes, eu não quero ter arrependimentos. Quando eu chegar nos 80, eu quero ter certeza que eu vivi tudo, consegui tirar o máximo que é possível dessa vida.

E eu gostava muito de viajar. E, claro, naquela vida insana de XP, incrível, mas ao mesmo tempo extremamente uma dedicação máxima, uma dedicação máxima de final de semana, de se abdicar de muita coisa. Eu disse, cara, agora eu quero, de alguma forma, viajar o mundo. Eu quero conhecer... Peguei o mapa, eu quero conhecer esse, esse, esse. Quando eu vi, tinha marcado 40 países.

Mas quando eu e o Pedro saímos, a gente se tornou sócio da Startse. E a Startse, ao mesmo tempo, a gente começou a navegar por esse mundo de startups, de empreendedorismo, voltando ao empreendedorismo, já que a gente estava virando executivo naquele momento.

E eu pensei, poxa, eu quero viver, eu quero entender isso no mundo. Então, o meu programa na Volta ao Mundo foi, a cada país que eu for, eu quero entender o que está acontecendo de inovação lá, eu quero visitar aceleradores, eu quero visitar startups, co-workings, conversar com empreendedores.

Cada país que eu ia, eu tentava montar pelo menos dois dias na capital, principalmente, sempre uma agenda para entender o que estava acontecendo. Mas nesse meio tempo, eu, Pedro e o Marcelo nos juntamos. O Marcelo, como eu disse, o Marcelo Maisonave tinha saído um pouco antes, foi fundador da XP, tinha saído um pouco antes. E a gente começou, tem diversos empreendimentos que a gente foi ou primeiro investidor ou fundador, a grande maioria de fintechs.

E me conta, essa viagem, você voltou diferente de alguma forma? O que talvez morreu no Glitz que saiu do Brasil e o que nasceu aí do Glitz que voltou? Eu acho que eu voltei valorizando mais ainda...

Família, valorizando mais ainda. Amigos. Eu acho que depois a gente... O que aconteceu? A gente criou esses negócios. Participou, como eu disse, fundador de diversas empresas. Warren, Fitbank, Manc, Vortex, Conta Simples, agora o Y3, estou no conselho da G Capital. E, de alguma forma, a gente se reuniu, a gente disse, cara, a gente...

Duas coisas. A gente tem que continuar muito ativo. Então, dinheiro, não necessariamente dinheiro, como é importante hoje, vai ser importante no futuro. Mas o nosso conhecimento, a nossa capacidade de agregar, de ajudar em negócios, isso tem que se manter 100% ativo.

então enquanto eu estava dando a volta ao mundo o Marcel estava vivendo no Vale do Silício o Pedro também foi viver no Vale do Silício vamos entender esse negócio não necessariamente o que fez a gente ter sucesso no passado vai fazer a gente ter sucesso no futuro e ter dinheiro não necessariamente vai ser o suficiente

então essa foi a nossa cabeça e a partir daí a gente criou uma holding, depois que esses negócios começaram a andar e que a gente entendeu que a gente estava presente em conselhos, com grandes fundos, com grandes investidores do Vale do Silício que já estavam aportando nas nossas empresas a gente deu, cara, a gente precisa formar uma empresa nossa a gente formou a NVA porque eu puxei a NVA? Porque NVA significa novos valores né

E a nossa principal conclusão foi que a gente quer continuar fazendo negócios incríveis. A gente adora fazer isso, a gente adora participar de empreendedorismo, a gente escreveu um livro Empreendedores exatamente por isso, mas a gente quer fazer isso com prazer, com pessoas que fazem o bem, com pessoas que a gente tem prazer em trabalhar. A gente não quer se submeter ou viver situações que não são prazerosas para a gente.

Deixou dinheiro na mesa, saiu de negócios, porque, de alguma forma, a convivência com algumas pessoas não fazia um sentido ou não nos faziam bem. Então, eu acho que talvez um dos privilégios, um dos luxos que a gente se deu foi, cara, a gente vai fazer negócio com pessoas que nos fazem bem, que a gente acredita e que compartilham os mesmos valores que a gente. E, Glitz, eu conheço a tua história, cara. Tem um padrão muito claro de você sempre buscando entrar em mercados novos, antecipando...

Como é que é o processo hoje na tua cabeça? Como é que funciona? O que você está olhando? O que talvez você precise entender antes de falar não, eu vou entrar nesse mercado? Eu acho que a gente aprendeu muita coisa nesse tempo. Um aprendizado importante é que a gente tem que ser focado. É claro que...

com capacidade de gestão, capacidade de empreendedorismo e até dinheiro, a gente consegue agregar muitas empresas, muitos negócios, agregar em muitos negócios. No entanto, onde a gente consegue agregar mais é onde a gente sabe navegar, onde a gente conhece os caminhos, conhece os atalhos, conhece as pessoas que é no mercado financeiro. Então, onde eu maximizo...

As minhas habilidades, primeiro, eu tenho que estar no mercado financeiro. Então, esse é o nosso movimento. A gente segue fazendo alguns investimentos. Nós não somos uma gestora, a gente não recebe capital de terceiros, é tudo capital próprio. E é sempre, de alguma forma, no mercado financeiro. E, em segundo lugar, a gente acredita pouco em ideias e acredita muito em pessoas.

Então, acho que isso é uma frase talvez até um pouco batida, mas um bom produto não necessariamente é um bom negócio. Então, eu preciso entender como transformar um bom produto em um bom negócio. E quem vai transformar um bom produto em um bom negócio são bons empreendedores. Então, as pessoas fazem toda a diferença. A gente já entrou em negócio que era uma coisa.

Não deu certo, se transformou e hoje é sucesso enorme. Mas não era a ideia inicial. Mas o empreendedor era muito bom, ele soube mudar aquilo, a gente junto conseguiu reconstruir outra coisa. A Ipul Benefícios vale para o seu time, para a sua empresa e é aceita em qualquer lugar. Aceita que vale mais e contrate já.

E você tá falando muito de negócio, sociedades e a tua sociedade, principalmente com o Pedro e com o Marcelo, vem durando quase uma vida aí, com muito sucesso. Me conta um pouco mais, como é que vocês fazem pra poder extrair o que cada um tem de melhor, os combinados, como cuidar dessa relação? Porque é como um casamento, não tem só altos, tem altos e baixos, eu imagino.

Sim, é como um casamento. A gente realmente divide tudo, se organiza tudo, pensa muito parecido. Mas eu acho que o principal ponto é a admiração e respeito.

Então, eu admiro demais o Marcelo, eu admiro demais o Pedro. E eu sei que se eles estão à frente de alguma situação, de algum negócio nosso, tomando uma decisão, eu confio demais na decisão deles. E eu posso tentar ajudar, mas eu não vou questionar, a gente nunca nem chegou perto de ter uma discussão, uma briga ou qualquer coisa por conta de confiança. Muitas vezes...

Podia ser que eles acreditassem em um negócio e eu acreditasse menos, e eu fui. Com eles, por confiança, e vice-versa. Então, é uma relação de, sei lá, mais de 20 anos que a gente está trabalhando junto, e ela só acontece porque a gente tem valores muito parecidos, muito parecidos, de respeito, de ética, de cuidado com o ser humano, e, ao mesmo tempo, a gente se admira demais.

E aí a gente está falando, claro, de uma sociedade do núcleo de vocês três, mas boa parte dos negócios que eles foram construindo, modelo de partnership, trazendo sócios. E você é um entusiasta desse modelo. Eu queria que você trouxesse um pouco da tua visão sobre esse modelo de partnership. Cara, partnership, eu... Primeiro, eu não consigo me imaginar empreendendo sozinho.

eu dou os parabéns para aqueles que conseguem, mas eu tenho bastante convicção que é infinitamente mais difícil.

Então essa é a primeira coisa, eu acho que a sociedade é algo muito, muito importante, trocar ideia, compartilhar riscos, decisões, muito, muito importante. Mas o conceito de partnership vai muito além disso. O que é o conceito de partnership? Partnership é, eu tenho uma empresa que talvez foi fundada por uma, duas, três pessoas, essa empresa cresce e eu abro a oportunidade.

para que entrem novos sócios nesse negócio. E também saiam aqueles que não estão performando ou que no início, por exemplo, no início da empresa foram muito relevantes e agora não são mais. A partnership, primeira coisa essencial, ela é viva. Então significa entradas e saídas, significa um acordo de acionistas onde isso fica muito claro para não ter briga.

na saída ou na entrada, porque, na verdade, na entrada é muito fácil. Convidar alguém para ser sócio é uma maravilha. Mas convidar alguém para sair da sociedade ou para vender parte das suas ações, se isso não estiver muito claro, muito acordado, acaba sendo um problema. Mas qual é o conceito? Por que eu acredito demais numa partnership?

Porque o empreendedor, seja ele na fase inicial do negócio, seja rampando, seja no negócio já consolidado, ele tem duas coisas muito importantes. Ele tem medo.

ele tem risco, ele sempre tem medo de quebrar. O empreendedor morre de medo. É uma crise, é isso, aquilo, é um processo. Morrem de medo de quebrar. Isso é muito bom porque, de alguma forma, faz com que ele se proteja, que ele se movimente, que ele pense como é que aquilo não aconteça. Mas isso é um medo constante do empreendedor. Então, ele tem um risco das coisas darem errada. Isso faz parte do cérebro.

mas ao mesmo tempo eu tenho benefício se as coisas dão certo, eu enquanto empreendedor. Se eu tenho um empregado, ele vai sofrer pouco se as coisas derem errado, ele vai ganhar um pouco a mais se as coisas derem certo. Então é muito difícil ele pensar como eu. Então a partnership, ela parte do conceito que eu vou convidar essa pessoa para ser minha sócia, no risco e no benefício.

isso muda tudo, não é porque as pessoas têm uma cabeça ruim ou não são bons profissionais, mas no momento que você coloca ela no risco.

e tu coloca ela no benefício, ela muda o chip, que a gente diz, a cabeça dela. Incentiva o modelo a comportamento. Exatamente. Então, muda o chip. É do cérebro, não é porque a pessoa era um mal profissional. Não. Só que no meio disso, então, o que eu tenho que pensar? Eu sou, por exemplo, eu sou o fundador da empresa. O que eu tenho? Como eu disse, eu tenho risco, eu tenho benefício, eu tenho uma coisa no meio disso tudo, que é informação.

eu sei para onde eu quero levar a empresa, eu sei quanto eu estou dando de lucro, prejuízo, os meus custos, onde estão os meus problemas.

Então, a partnership é isso. Eu envolver, isso passa por rituais de gestão, rituais de entrada, rituais de saída. Mas é eu transformar um executivo em um empreendedor com risco, benefício e informação. Isso é mágico. Então, sei lá, eu preciso abrir uma filial na China. Se eu mandar um executivo recebendo um salário, é uma coisa. Se eu dizer, cara... Porque se eu mandar isso, eu vou ter que controlar ele. Eu vou dizer, cara, você está gastando muito? Quem sabe gastar menos? Eu preciso controlar.

aquele método de gestão antigo que a gente chama planejamento e controle então planejo

a turma executa e eu fico controlando todo dia se estão gastando muito, se estão gastando pouco, se estão executando, fico cobrando a turma. Quando eu alinho o risco, o benefício, a informação, ele está pensando que nem eu. Eu consegui criar uma cópia minha lá e eu consigo, com isso a empresa cresce num ritmo muito mais acelerado. A gente viveu isso na XP, eu aprendi isso na XP, a gente construiu isso.

Então a gente foi aprendendo, foi melhorando os conceitos, o funcionamento. E hoje, em todas as nossas empresas, é uma coisa que a gente incentiva muito a implantação. E quando a gente implanta, é game changer total. É muito relevante. E, Cleit, o que você olha na hora de contratar um talento? E o que você olha depois para chamar ele para ser sócio? Você olha a mesma coisa? Muda o olhar? Me conta um pouco mais.

Eu acho assim, eu sou um cara que o que me dá prazer é de alguma forma envolver pessoas em um sonho. Inspirar as pessoas, motivar elas, mostrar onde a gente pode chegar, qual é o nosso caminho pra chegar lá. Se tu quer fazer cinco, eu mostro como dá pra fazer dez. E quando eu vou conversar com alguém, o que eu quero é isso, eu quero contar o que eu tô fazendo.

eu tento, antes de ouvir, eu tento falar, e não porque eu quero me antecipar, mas porque eu quero que ele entenda o que a gente está construindo aqui, eu quero ver se o olho dele vai brilhar para aquilo, se ele vai me dizer, nossa senhora, é isso mesmo, por causa disso, disso, disso, eu adoro, é isso que eu quero, nossa, brilhou.

pra mim isso, o mais importante é a vontade, não é o conhecimento técnico conhecimento técnico que a gente vai dar um jeito mas ele ter o brilho no olho pelo teu negócio, quer dizer tu acredita que eu, enquanto líder desse negócio, com a tua ajuda a gente consegue ir mais longe ah, consegue ir mais longe por causa disso, disso, daquilo poxa, então, de alguma forma é um movimento importante

E aí, Glitz, tem uma parte interessante aqui que quando a gente se conheceu, eu me lembro, há quase 10 anos, foi um café lá contigo que alguém nos apresentou e aí foi quase duas horas naquele café. E eu me lembro que antes da gente terminar, você já me fazia um convite para fazer parte de um conselho. A gente ali...

junto não, Baza. Vamos, você vai ajudar. E a gente já saiu de lá com conexão que abriu várias oportunidades. E aí o ponto que eu quero trazer dessa pergunta, me conta, você sempre é ágil, assim, cara, na tomada de decisão, convite, cara, você escuta o instinto que eu lembro que saiu daquele café, eu adorei o cara, mas já me fez convite, puta que animal. É isso, eu gosto de tomar decisões rápidas.

e eu acho que é um pouco de motivação minha, eu me motivo eu me encanto pela oportunidade pela pessoa, pelo negócio cara, vamos embora e eu acho que o processo de decisão rápido é muito importante

Isso vale para negócio, vale para tomar decisão, sei lá, em investimentos. Mas, ah, vai errar algumas vezes. É claro que vai errar. Mas, de alguma forma, eu entendo que vale mais a pena eu ser rápido e algumas vezes errar e corrigir no caminho do que eu...

ser moroso na tomada de decisão. Já que a gente falou de conselho, Glitz, hoje você está no conselho de várias empresas, negócios diferentes. Me conta um pouco o processo mental para você dar o alt-tab em tantos negócios diferentes, em momentos diferentes e poder entregar o teu melhor em cada um desses conselhos.

acho que eu consigo agregar de diversas formas nos conselhos, mas, de alguma forma, o que eu mais gosto de fazer é, de alguma forma, mostrar para as pessoas o quanto é possível fazer mais. Então, hoje mesmo, a gente estava numa discussão de budget e tudo mais, então, pô, budget é 100. Mas por que não dá para fazer 200?

maluco, o cara tá maluco, como 200. A primeira reação é dizer, cara, o cara tá vindo de fora, não tá no dia a dia que não tem a menor noção, tá aqui dando pitaco, né? Mas aí, tá, mas vamos pensar juntos aqui. Se tu conseguir contratar mais X pessoas, se a gente investir um em marketing, investir duas vezes em marketing. Se a gente ter esse auxílio aqui, será que dá pra fazer 200? Ah, não, daí dá.

Então, de alguma forma, eu consegui mudar esse racional. Eu lembro que a gente dizia na época se a gente quiser ir para a Lua hoje, a gente consegue.

Precisa. Bom, eu vou tentar descobrir quem já foi pra Lua. Eu vou chamar o cara aqui, vou botar lá no LinkedIn, NASA, papapá. Vou chamar o cara aqui, vamos conversar. Cara, o que a gente precisa fazer? Ah, precisa de dinheiro, tá bom, vamos captar recurso. Vamos chamar esse e esse cara que já foram. Vamos formar o time, vamos criar um sonho grande. Cara, a gente vai pra Lua por causa disso, disso, disso. É possível, né? Então isso demonstra o quanto nada é impossível.

talvez o livro mais importante da minha vida que eu comecei a ler devia ter 18, 19, 20 anos de idade é o livro do Amir Klink chama-se 100 dias entre céu e mar imagina que o Amir Klink na década de 80 ele foi dito como louco ele disse que ele ia atravessar o oceano atlântico num barco a remo saindo lá da África

pra vir aqui pra Paranabaia, num barco a remo. Mas ele não era louco. Ele ficou anos e anos planejando aquilo. Ele estudou os ventos, ele estudou o barco. Ele sabia que ele ia ter onda e que o barco ia virar. Então ele não podia ter um barco que não virasse. Ele tinha que ter um barco que virasse e resistisse à virada. Então tudo ele foi detalhando, ele foi planejando.

se envolveu com as melhores pessoas e ali ele tinha um plano muito claro. Então, quando tem um plano muito claro, tudo é possível. Envolvendo as pessoas certas, os esforços corretos, é possível chegar lá. Então, isso talvez seja uma das coisas que eu mais gosto. É tentar mostrar para as pessoas, incentivar as pessoas a mudar o seu racional para tentar ir muito mais longe.

Já que a gente falou em sonho, Gritz, me conta essa decisão de ir para o México, cara. Você já tinha uma carreira, uma reputação estabelecida aqui no Brasil. Como é que entra o México nessa jogada? Cara, isso foi muito legal. Ali em 2020, antes da pandemia, nos procuraram, uma empresa do México chamada GBM.

procurou eu, Pedro e o Marcelo para entender o case XP e perguntar se a gente queria ser consultor deles no México, se apresentaram. Putz, cara, a gente é empreendedor, não quer ser consultor, não é uma coisa que nos atrai. Conversa vai, conversa vem, façam como vocês quiserem, mas a gente quer ouvir vocês, quer a ajuda de vocês. E contaram um pouquinho da história que é a maior instituição financeira independente do México.

Tem 40 anos, muito focado em clientes funcionais, líder no mercado institucional de bolsa. De cada 10 contas abertas na bolsa, 9 são da GBM. Começaram a contar toda aquela história. Então, vamos embora.

E, de alguma forma, a gente começou a entender que isso aqui é muito parecido com o que a gente viveu lá em 2006, 2007. Dinheiro concentrado nos bancos, não existe educação financeira e não existiu lá uma XP. O mercado brasileiro mudou porque existiu uma XP, porque a gente foi lá, criou uma plataforma aberta de investimentos, criou a profissão do assessor e isso mudou o mercado como um todo. Hoje existem centenas de...

escritório de assessoria, existem centenas de gestores independentes para vender seus fundos, que antes não existiam, não tinha como vender fundo, porque tinha que vender só para banco. Esse mercado todo mudou e a gente chegou lá e disse, cara, é igual, é tudo igual. Isso aqui é igual. A gente concluiu que tudo que a gente pergunta se é igual ao Brasil, 95% é igual.

isso aqui me parece uma oportunidade, só que a gente já errou bastante, e é ótimo errar, porque a gente aprende, a gente já errou bastante com os trinitas XP, acho que a gente vai conseguir fazer isso aqui. Então, aceitamos a proposta de ser consultor e dizer como é que constrói uma rede de assessoria, como é que constrói uma plataforma de produtos, e de alguma forma aqueles caras...

super abertos, pessoas incríveis, empreendedores, é uma empresa familiar, empreendedores com muito sangue no olho, muita vontade de fazer, foram executando aquilo, foram executando, foram executando, criamos lá, a gente, eu não comentei, o Pedro Engler, meu sócio, ele criou no Brasil a Expert, a gente foi em 2010, a gente foi para os Estados Unidos, viu a feira da Charles Schwab lá e disse, não tem tempo de fazer isso aqui no Brasil.

Mais uma vez, ninguém acreditou. O Pedro foi lá, fez a primeira feira, e hoje é história, né? Acho que todo mundo conhece o que é expert. E a gente fez a mesma coisa lá, já criamos a Pioneiros, está no seu terceiro ano. Então, a gente foi meio que replicando a história que a gente construiu no Brasil. A gente começou a construir no México e foi dando muito certo. O SoftBank investiu lá. Um ano depois, o SoftBank entrou. E no final de 2024...

Terminou a Pioneiros lá, que é em setembro. E fui jantar com o controlador da empresa lá, o sócio controlador da família. E, cara, uma pressão enorme para eu ser o CEO da empresa. Cara, tu já fez essa história no Brasil. Eu conheço a tua história. Vocês...

Tenho certeza que tu vindo pra cá como se ou tu vai mudar a história do México, já mudou a história do Brasil, tu vai ser a única pessoa que vai fazer isso em dois países. Me vendeu o sonho, né? Que nem eu tento vender pra muitas pessoas, ele me vendeu. E, de alguma forma, eu acreditei.

sentir que aquilo era uma oportunidade, eu disse, tá bom, mas por um ano, eu tenho família no Brasil, eu tenho filhos, eu não posso, eu te faço como tu quiser, pode ir e voltar, não tem problema, eu consigo no máximo uma semana por mês, tá tudo bem, como tu acreditar, mas eu te quero liderando esse negócio.

E daí estou lá, já estou no segundo ano e está sendo incrível, está sendo, tipo, empresa crescendo 60%, 70% ao ano. É realmente viver tudo de novo. Já estou levando algumas pessoas que trabalharam comigo, já estou levando para lá e estão encantados também com a oportunidade. Então está sendo muito legal. E Glitz, não só você conhecia o mercado brasileiro, como você tinha o teu modelo de gestão que funcionava muito bem com os brasileiros.

Me conta o que é igual ao liderar mexicanos e o que você teve que adaptar, teve que fazer diferente para funcionar na cultura lá. A cultura é diferente. A cultura é uma cultura menos empreendedora. É uma cultura onde as pessoas tendem a fazer mais o que você manda. Então, diz para fazer assim. Não, então tá bom, senhor. Eu vou fazer assim. Questiona um pouco. Então, o meu desafio hoje lá é...

fazer com que apareça o empreendedor que existe em cada uma das pessoas. Eu não quero dizer como você vai fazer isso ou aquilo. Eu quero que você faça da forma que você acha melhor. E daí, claro, tem que alinhar uns incentivos, tem que criar um modelo de metas, tem que criar um modelo de partnership, tem que criar um modelo de bônus que, de alguma forma, começou a movimentar e foi uma diferença enorme no ritmo.

de crescimento da empresa. Hoje eu estou lá tocando tudo o que a gente chama de varejo, que são os canais de distribuição, B2B, B2C, private, todos os produtos. Acabei pedindo para não pegar o que a gente chama de tecnologia, finanças, tem outros sócios que toca isso. Mas, poxa, está dando super certo.

Você se envolve com as histórias, experiências e aprendizados que eu compartilho aqui em cada episódio? Então pense no efeito transformador dessas lições aplicadas na sua equipe. Conheça mais sobre a minha palestra Lugar de Potência acessando o link na descrição do episódio. Não só inspire, mas revolucione o potencial do seu time. E Glitz, à medida que você foi crescendo, patrimônio, reputação, influência...

é natural que alguns relacionamentos vão ficando para trás. Não por briga, não é traição, alguma coisa errada, mas porque as vidas vão mudando, os interesses vão mudando. Me conta um pouco como você processa esse tipo de transformação das relações que vão ficando, as que vão construindo. Como é isso para você estar sempre acessando novos mundos? Eu gosto muito de aprender.

eu não sou uma pessoa de falar muito. Eu gosto de falar com a equipe, gosto de falar com os meus sócios, gosto de inspirar as pessoas, mas não sou aquela pessoa que gosta de fazer network. Ah, vou num evento para fazer network. Eu não tenho muita paciência para isso. Eu sou uma pessoa muito objetiva, muito racional. Mas adoro ficar meia hora, uma hora, ouvindo uma pessoa que...

pensa como eu, que vai me agregar, que vai fazer eu pensar diferente, que vai me ajudar a crescer, que vai me ajudar na tomada de decisão. Então, claro, a gente acaba no decorrer da vida, a gente vai tendo, felizmente, a oportunidade de se aproximar cada vez mais de pessoas que de alguma forma vão te agregar.

muito, e eu tenho muito prazer em fazer isso. Eu acho que não só através de pessoas, a gente comentou pouco aqui, mas eu não sei quantas vezes eu fui para o Vale do Silício, talvez entre 15 e 20 vezes. Para a China eu fui muitas vezes também, exatamente para chegar lá e tentar de alguma forma antecipar.

entender o que está acontecendo aqui e como é que eu trago isso para o Brasil, como é que eu ajudo no conselho, como é que eu ajudo na gestão, como é que eu antecipo o que vai acontecer nesse mercado, nesse produto. Então, aprender de alguma forma direto na fonte, seja com pessoas, seja através de viagens, de visitas, e que foi muito do que eu fiz também na Volta ao Mundo, me dá muito prazer. Eu me lembro que na Volta ao Mundo eu fui para a China, isso era em 2016.

E eu me lembro que eu voltei e eu falei pro meu sócio, cara, a gente tem que ir pra lá. É uma loucura. Vocês não estão entendendo. As pessoas pagam tudo com o celular. Eles só saem com o celular na rua. Eles entram no prédio de trabalho com o celular. Eles pagam com o celular.

Ninguém tinha a menor ideia que aquilo era possível. Hoje, obviamente, eu faço a ponte aérea aqui, eu só pego meu celular, ninguém me leva a carteira. Mas então, de alguma forma, poder entender aquilo e antecipar foi muito legal. Consegui ajudar muitas empresas. Tive a oportunidade de participar do conselho do Bradesco, contar um pouquinho sobre China, para os conselheiros de outras grandes empresas. Isso realmente foi muito gratificante para mim.

E Glitz, você é um cara sempre antenado com tendências, toda transformação que vem acontecendo no mundo. Qual que é o teu framework como pai? Como é que você quer preparar teus filhos para um mundo que a gente mal sabe o que vem pela frente? Cara, a gente é do IPO, né? E no IPO teve uma pesquisa recente que falou que a maior angústia dos pais é essa, né? Como eu preparo os meus filhos?

e coincidentemente ontem eu estava no almoço eu, Pedro e Marcelo, mais o Vitor que é nosso sócio agora, e o Vitor Knewitz e o Vinícius e o almoço inteiro foi isso como eu preparo os meus filhos, porque de alguma forma a gente chegou aqui porque a gente teve escassez

Eu tive escassez na minha infância, na minha adolescência. Eu sonhava em ter um tênis que eu não podia ter. Eu sonhava em fazer uma viagem que eu não podia fazer. Eu sonhava em fazer diversas coisas que eu não podia fazer. E isso a gente não comentou. E eu tive o privilégio de estudar numa escola incrível. A prioridade dos meus pais sempre foi a educação. O mais importante pra eles é a educação. E eu convivia com pessoas com famílias muito ricas. E aquilo era uma inspiração pra mim.

eu não tinha nem de longe a condição deles mas eu sonhava com aquilo e como é que a gente faz hoje para os nossos filhos sonharem com isso, a gente tem que gerar escassez para eles, mas quão desafiador é isso a gente tem que fazer com que eles tenham comprometimento a gente tem que fazer com que eles estudem o que eles querem a gente tem que fazer com que eles sejam unicamente felizes então não tem uma resposta para isso hoje mas o que eu faço hoje, eu tento

fazer com que meus filhos se sintam constantemente desafiados, que eles tenham prazer no desafio, que, obviamente, eu tenho que gerar uma escassez, sim, eles têm que conseguir sonhar com alguma coisa, eles não podem ter tudo o que eles querem, mas eu acho que o principal ponto está em valores e fazer com que eles tenham prazer em se sentir desafiados, porque eu acho que muitas pessoas hoje, talvez o meu maior prazer em trabalhar esteja relacionado ao desafio.

e que eu acho que muitas vezes também tem muita relação com o esporte. Então, se eu vou jogar uma partida de tênis, se eu vou jogar uma partida de futebol, meu desafio é ganhar aquilo ali. E eu acho que se eles conseguirem sentir isso através do trabalho, eles vão ter sucesso. Glit, você fala muito sobre minimizar arrependimento aos 80 anos. Quando você faz esse exercício hoje, como é que está o teu framework para minimizar esses arrependimentos?

Então, o fato de trabalhar no México foi essa, né? Eu precisava viver aquilo, ter essa oportunidade, mas, ao mesmo tempo, eu não posso abrir mão de estar com a minha família, de conseguir, com uma certa frequência, levar e buscar os meus filhos na escola, participar das atividades. Ao mesmo tempo, eu quero viajar, eu quero viver com os meus amigos. Então, é aquilo que a gente falou nisso, a agenda acaba ficando um pouco louca.

pela vontade de fazer tudo. Eu acho que uma das principais características que eu tenho é essa ansiedade, e que às vezes é positiva, às vezes até estressante, de conseguir fazer tudo, de viver tudo.

Às vezes a gente consegue, às vezes não consegue, mas hoje eu acho que viajar, eu já consegui viajar bastante, mas tenho muito prazer em viajar, adoro esquiar, quero viajar muito com os meus filhos, quero viajar muito com a minha esposa, quero poder comer vinho, tomar vinho, que eu sou apaixonado, então semana que vem eu tenho uma viagem de vinho com meus amigos, inclusive a gente vai pra Borgonha mais uma vez. Então conseguir conciliar tudo isso é um desafio, mas no final vale a pena.

Afinal, a gente tem história pra contar e não se arrepende. Eglides, chegamos agora no momento Headhunter. Qual que é a pergunta que você sempre faz nas entrevistas pra contratar alguém pro seu time? Sabe que uma vez eu tava tentando entrar numa empresa? Procter & Gamble.

E não passei três vezes. Mais uma que você foi gongada. Eu até não contei. No Sonai, eu fui também duas vezes. Não passei no exame para virar gerente. Tive que ter um canetaço para virar gerente. E eu me lembro que eu aprendi com esses caras uma pergunta que eu gosto muito. Que, de alguma forma, define para mim a pessoa. Eu peço que ele me ordene. O que é mais importante para ele? De um, dois e três. Carreira, dinheiro e qualidade de vida.

E ali eu consigo transcorrer sobre aquilo, eu consigo entender se pra ele agora o importante é a qualidade de vida. Putz, mas eu preciso que tu dedique de corpo e alma aqui, meu amigo. Tu tem que ter tesão por ganhar dinheiro, tem que ter tesão por crescer. Então, de alguma forma, ali eu consigo...

evoluir a conversa com ele nessa ordem, pedindo que ele ordene, eu já consigo aprofundar em cada um dos temas no que é importante para ele, o que ele valoriza. Eu gosto também de pessoas que estão dispostas a fazer o que tem que fazer para dar certo.

então, cara, vai até o final, não é que não vai dar certo, não vai dar certo, é só tentar de novo, tentar de novo, tentar de novo, o erro é sempre um aprendizado, o erro para mim é um aprendizado, mas é mais importante você errar, porque ali você aprendeu como não fazer e você vai subindo os degraus. Me conta mais, que tipo de pessoa não dá certo trabalhando com você? Eu me lembro que na época da XP, na crise de 2008,

A gente só passou pela crise de 2008 porque todas as pessoas, os líderes ali, nós, os sócios, nenhum deles tinha plano B.

Não tem aquela opção, putz, cara, se não der certo aqui, eu vou ser executivo. Se não der certo aqui, eu vou trabalhar na empresa do meu pai. Ninguém tinha plano B. Eu entrava, a gente estava de cabeça naquilo ali, não tinha opção, né? Então, eu quero pessoas que estejam efetivamente de cabeça, né? Que a prioridade não seja a qualidade de vida, mesmo que seja importante balancear. Mas isso não é a prioridade. A prioridade é o dar certo, é entrar de cabeça. Porque hoje...

se fala essa história trabalha muito, trabalha no final de semana não existe trabalhar ou não trabalhar hoje, quem tá afim de fazer o negócio dar certo vai estar constantemente pensando vai estar numa festa de casamento e de repente tu vai chegar no canto, vai tomar a tua cerveja, o teu vinho tu vai estar pensando, putz, isso, e amanhã isso e esse negócio, será que eu vou conseguir fechar esse negócio alguém que tá constantemente pensando porque tá ficcionado por aquilo, tem uma coisa que

Eu gosto de dizer assim, às vezes, o que precisa para ter sucesso? Qual é o segredo do sucesso? Às vezes, algumas perguntas. E eu, de alguma forma, tentei criar para mim o que eu acredito que é o sucesso. E para mim, ele é um tripé. E um tripé significa que se um está fora, não tem como. Então, eu não vou dizer que um é mais importante. É um tripé. E é um tripé que é trabalho, amor pelo que faz e risco.

Por quê? Cara, pra dar certo em qualquer coisa, você tem que trabalhar muito. Então, o sucesso não acontece por acaso. Não vai trabalhar na média e vai ter sucesso. Não existe, porque o sucesso é uma coisa fora da curva. A grande maioria não tem sucesso. Então, pra te fazer alguma coisa fora da curva, você tem que trabalhar e se dedicar de uma forma fora da curva. Só que tu não vai conseguir te dedicar de verdade fora da curva se tu não amar aquilo que tu faz.

Não tem como. Tu vai conseguir por alguns meses, mas se tu não gosta daquilo, tu não vai estar na festa de casamento pensando no teu negócio porque tu não gosta daquilo. Então, trabalhar de verdade, só vai conseguir trabalhar de verdade se tu amar. E não adianta tu fazer nada disso se tu estiver disposto a tomar risco, a arriscar, a mudar de emprego, a construir o teu negócio, a começar uma filial nova.

Fazer esse investimento, o risco é muito importante. Só que você só vai conseguir arriscar se você estiver seguro que você gosta daquilo e consegue trabalhar. Então, você reduz muito o seu risco quando trabalha pra caramba, quando você acredita naquilo, você reduz o seu risco. Então, pra mim, é um tripé. Se juntar esses três, a chance de dar certo é muito grande. E quando as pessoas não gostam de você, normalmente, qual é o motivo? Sou muito direto, muito...

papo reto. Hoje eu estava numa reunião de conselho e alguém falou alguma coisa. Daí eu falei, não, cara, isso não foi feito porque faltou isso, isso e isso. Daí uma outra pessoa falou, só estava esperando o Glitz ser direto nisso e dizer a verdade. Então, de alguma forma, eu tento ser direto e nem sempre agrada as pessoas. O que você gostaria de perguntar para o Baza? O que você vai fazer daqui para frente?

para quando chegar nos 80 anos, não ter nenhum arrependimento? Cara, que baita pergunta. Eu acho que eu estou fazendo, cara. E para mim é interessante. Deixa eu voltar um elemento que eu acho que responde muito disso. Quando eu tinha 20 e poucos anos de idade...

Eu me conhecia muito pouco, quase nada, e tinha muita convicção do que eu queria. Cara, eu quero ser CEO de multinacional, quero estar no meio dos executivos. Hoje, aos 46, eu me conheço bastante, eu tenho pouca convicção do que eu quero, porque é tanta coisa que eu quero testar aqui. Eu acredito muito, cada vez mais, numa vida profissional de portfólio. Cara, como você pode viver várias vidas tendo uma vida só? Se for para eu viver uma vida sequencial, e para mim, o que é viver várias vidas?

É sim, ter vários projetos, me desafiar. Sempre ter um projeto onde eu sou aspirante, eu sou iniciante. Eu acho que isso te mantém a humildade. Mentorar.

executivos, empreendedores, porque pra mim uma das belezas quando você faz a mentoria de alguém, você tá vivendo a vida daquela pessoa, você tá junto. Então pra mim acho que tem uma sede de querer viver, de conhecer, de sentir, de ser provocado. Que não tô dizendo que todo mundo precisa ser assim. Puta, aquela vida pra mim tradicional, na dinâmica, que certamente talvez eu não seria feliz.

Iglides, chegamos agora do momento, Dona Ângela. Complete a frase. Eu sou esquisito por quê? Eu sou esquisito por quê? Eu leio jornal em papel. Cara, eu também. Mas ninguém acredita. Os caras dão risada, cara. Isso não tá louco. Se eu não fizer isso, eu não vou. Porque o celular ali cruza uma notícia. Não te foca. Mas então eu vou te ensinar a melhor resposta que você cala qualquer objeção.

Quando as pessoas me perguntam, mas Baza, por que você lê jornal, suja a mão, antiquado? Eu falo assim, porque eu não quero que o meu filho me veja no celular e ache que eu estou jogando, eu estou brincando. Eu quero que ele tenha a referência do jornal, para que ele veja jornal, veja livro na minha mão e ele faça a mesma coisa. E hoje meu filho vai completar oito anos, cara. A hora ou a outra ele pega o jornal, ele lê alguma coisa e o pessoal, pô, gostei aí dessa dinâmica.

Mas no final é porque eu gosto, cara. Eu sou um pouco old school mesmo. Muito bom.

E qual foi o maior perrengue, situação engraçada que você já passou nesse mundo corporativo? Cara, eu acho que foram muitos. Tem uma situação engraçada do início da XP, que é o seguinte, quando eu montei a gestora, uma gestora, ela tem um fundo, e a gente começou com um fundo de ações chamado XP Investor. Tinha um sócio que era o Júlio, uma pessoa incrível que estava começando ali comigo aquilo.

E a gente não tinha um gestor, que é o cara que toma a decisão de onde alocar o patrimônio, onde alocar o dinheiro dos clientes. Mas, por uma sorte da vida, o pai do Júlio, era uma pessoa com uma história incrível no mercado financeiro, ele era cliente da Dynamo. E a Dynamo era uma gestora, já naquela época, muito conhecida no Rio de Janeiro. E o Júlio ia lá todos os meses para conversar com eles, para falar sobre a carteira.

E tinha uma tela que mostrava as ações, o portfólio da Dínamo. Então o Júlio voltava lá. Ó, a Dínamo trocou isso por isso. E a gente fazia a cópia da carteira. Exatamente a cópia. Trocou isso por isso. Eles me contaram isso. Mas eles não sabiam que ele olhava. E daí, cara, chegou um dia que ele voltou. Meu, tiraram a tela. Ferrou.

Agora não sei mais nada, velho. Nem tinha que contratar um analista, um gestor e começar de verdade uma gestora. E Clitos, caminhando agora para o final, o nome desse podcast é Lugar de Potência. Qual é o teu lugar de potência? Que tipo de situação ambiente pode jogar que você brilha? Cara, eu gosto de envolver pessoas. Talvez assim, a gente falou um pouco sobre rituais no início. A Walmart tinha um ritual chamado Reunião de Piso.

e grito de guerra. O que é reunião de piso? Toda segunda-feira, ou no Walmart, no caso da abertura da loja, botar todas as pessoas no piso e contar como é que foi o dia anterior, para onde a gente está indo, ou pode ser uma reunião semanal, ou pode ser uma reunião mensal, mas envolver todas as pessoas naquele negócio, e no final, tocar um grito de guerra que todo mundo sai de lá.

altamente motivado. Então, onde eu gosto mesmo é de estar envolvido com pessoas, motivando pessoas, falando para pessoas, inspirando pessoas. E me conta uma verdade que as pessoas não costumam dizer e, na sua opinião, é fundamental para se ter sucesso. Cara, não existe atalho, não existe mágica. Você vai ver nas redes sociais, tem umas...

desculpa a expressão, as babaquices hoje, cara desfilando com o relógio, desfilando com o carro importado, se exibindo, e para todo mundo achar que aquilo é fácil ou que é para qualquer um, esquece, entendeu? Não existe...

caminho fácil para o sucesso. Se você acha que vai chegar lá rápido, vai se ferrar por muito tempo, vai ter que trabalhar muito, vai ter que abdicar de muita coisa. Tudo tem o seu preço na vida. Não existe atalho. Se achar que tem atalho, não vai chegar lá. E o que você aprendeu nos últimos 12 meses? Seja em conhecimentos, habilidades, o que vem te despertando interesse?

Cara, eu aprendi a falar espanhol, cara. Tive que aprender a falar espanhol e, de alguma forma, entender cultura do México, como lidar com as pessoas. Não imaginava que, nessas alturas do campeonato, eu ia aprender mais uma língua. Então, hoje eu dou palestra em espanhol. E, curiosamente, sabe como é que eu aprendi? Duolingo, cara. Duolingo, cara. Maravilhoso, né? Duolingo! E deixa algumas dicas de fontes de conhecimento. Como é que você se mantém informado e se desenvolve? Além do Duolingo. Eu...

Leio jornal no papel, valor econômico. Gosto de Nelfi, de Brasil Journal. Leio tudo isso diariamente. Gosto de leitura.

principalmente, eu acho que 95% dos livros que eu li na minha vida são biografias de pessoas ou, às vezes, de empresas, histórias de empresas. Mas eu, de alguma forma, o que me inspira é entender as dificuldades dos outros, os sucessos dos outros, e não, muitas vezes, chegar com a...

vamos dizer assim, com a receita pronta. Entender que... E aí você entende que tudo é difícil, que não existe atalho, que não existe caminho fácil. Tem uma biografia que é linda, que vale a pena ler, que é a do Samuel Klein. Então, você entende o que aquele ser humano passou para chegar aqui. Então, muita gente pensa, putz, Casas Bahia, bilionário. Não, entende o que essa pessoa passou para chegar lá e o que muitas pessoas passam para chegar lá antes de achar que o caminho é fácil.

E me indica três pessoas bacanas pra eu convidar pra esse podcast e ter uma conversa como essa. Pedro Engler, Marcelo Maisonave, e sabe um cara que eu admiro muito, cara? E que hoje eu não tenho mais tanto contato, mas tive muito na época da XP, que é o Martins Cobar.

Da General Atlantic. Que lista. E uma pergunta que eu faço pra todo mundo que passa por aqui. O que é felicidade pra você? Felicidade pra mim é estar com os meus filhos, com a minha esposa e de alguma forma ser dono do meu tempo fazendo o que me dá prazer. Adorei, adorei, adorei. Pra gente fechar aqui, como é que as pessoas te encontram? Que projetos que vêm pela frente?

LinkedIn, Instagram, acabo não participando tanto, não gosto muito de expor a minha vida pessoal, mas LinkedIn estou à disposição, está lá. E que projetos que vem pela frente?

Cara, eu sigo muito otimista com o México. Eu acho que a gente vai revolucionar de verdade. Tem muitas empresas indo para lá, do mercado financeiro, inclusive. A gente tem o case do Nubank. Nesse dia eu estava falando com uma pessoa assim, cara, se o Nubank foi, você não precisa analisar o mercado. Pode ter certeza que ele já analisou tudo e que a oportunidade é muito grande. Então, eu estou muito otimista com o que está acontecendo lá.

Muito bom. Vites, muito obrigado mesmo, cara. Faz tempo que eu queria marcar essa conversa, pegar a tua agenda aqui em São Paulo. Tenho certeza que todo mundo que nos escutou até aqui saiu com páginas e páginas de anotações, muitos insights, muitas lições, muito aprendizado. Muito obrigado mesmo. Que bom. Estou muito feliz de estar aqui. Obrigado. Valeu. Este podcast foi editado por Felipe Mux.

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