Conheça a Graphic Novel "Revisão" e o mercado dos Quadrinhos Brasileiros
No novo episódio do Programa Autores e Ideias, a jornalista Lílian Martins entrevista os quadrinistas cearenses Luís Carlos Sousa, Rodrigo Matos e Camarada Pedro, criadores da graphic novel “Revisão”, publicado pela editora Avoante.
A obra mergulha em temas profundos como família, silêncios e o papel da memória na construção das nossas identidades, mostrando a força dos quadrinhos brasileiros na literatura contemporânea.
💡 Neste episódio, você vai descobrir:
– Como é o processo criativo de uma HQ no Brasil
– Os desafios do mercado editorial de quadrinhos
– O crescimento da graphic novel na cena literária nacional
– Bastidores da produção de Revisão
Não perca! O Autores e Ideias vai ao ar todas as terças, às 20h, com reprise às sextas-feiras, às 23h, e se você prefere ouvir no seu ritmo, o podcast está disponível nas principais plataformas de streaming.
Aproveite e siga o Autores e Ideias a história da literatura que você precisa ouvir!
A LESFM apresenta Podcast Autores e Ideias com Lília Martins. Carlos é revisor de textos e procura cuidar de todo mundo, do pai doente ao marido ausente. Quando seu pai Onofre falece, Carlos tem de lidar com a herança, uma velha casa cheia de escritos inacabados.
e o retorno da mãe, Rosa, que o abandonou ainda criança. As situações o levarão a revisar o próprio passado, na esperança de talvez entender seu presente e escrever um melhor futuro. Trecho da HQ Revisão
Olá, ouvinte! Bem-vindo ao Autores e Ideias. Eu sou Lília Martins e vou estar agora na sua companhia. É muito bom ter você aqui. Sempre acompanhando o nosso programa, seja no rádio, através do site da Assembleia Legislativa do Ceará e também nas principais plataformas de streaming.
E o Autores Ideias segue no encalço dos lançamentos literários da Terra da Luz e traz até você o que de melhor acontece na cena literária do país. Desta vez o lançamento é o romance em quadrinhos Revisão, publicado pela editora Avoante, de autoria dos quadrinistas Luiz Carlos Souza, Rodrigo Matos e Camarada Pedro. Nossos entrevistados de hoje no Autores Ideias.
Deixa eu apresentar para vocês um pouquinho desse trio. Rodrigo Matos é quadrinista e ilustrador com formação em desenho e quadrinhos nos cursos do estúdio Daniel Brandão. Participa das publicações Revisão, Cangaço Overdrive Além das Raízes, Caira e o Temporal, entre outros títulos. Camarada Pedro é quadrinista, desenhista e ilustrador.
aficionado por quadrinhos desde a infância. Participou da segunda edição da Coletânia Mar, da Rede Cuca de Fortaleza, e é autor pelo coletivo Miasma. Luiz Carlos Souza é editor, roteirista, revisor e professor de roteiro em histórias e quadrinhos. É um dos organizadores e roteiristas da edição de 40 anos do Capitão Rapadura, uma edição de luxo publicada pela editora Armazém da Cultura.
Foi professor conteudista do curso HQ Ceará, da Fundação Demócrito Rocha, curso ex-vencedor do prêmio HQ Mix de 2017. Ele escreve artigos para a revista desde 2016. Publicou nas coletâneas Imaginários, volume 4, Space Opera, em quadrinhos.
e Arquivos Secretos da Segunda Guerra Mundial, ambos da editora Draco. E as obras independentes Lola, com Natália Garcia, e Cavaleiro Avante, com Rafael Dantas. Foi colaborador do podcast Roteirismos, com o grupo Iradex.
Em 2020, lançou o Lean da graphic novel Lâmina Azulada. Atualmente é consultor editorial da Editora Riso e editor da Avoante Editura. A HQ Revisão, que é tema do Autores Ideias de hoje, é vencedora do edital de cultura da Secretaria de Cultura de Fortaleza, com apoio da Lei Paulo Gustavo, e narra um drama. Um drama sobre famílias, silêncios e o papel da memória na construção das nossas identidades.
O episódio de hoje promete, tá? Uma troca potente sobre processos criativos em quadrinhos, desafios do mercado editorial para as HQs no país e, afinal de contas, o lugar dos quadrinhos na literatura contemporânea. Ficou curioso? Então aproveita que o programa está só começando e fica comigo.
Bem-vindo, meninos. É um prazer recebê-los aqui no Autores e Ideias. Obrigado, Lilian. É um prazer também. Pode falar, camarada Pedro. Obrigado, tá? Queria agradecer pelo convite. É realmente muito importante. Rodrigo. Obrigado, Lilian. Boa noite. Estou muito feliz de receber o trio aqui responsável pela revisão, porque essa graphic novel publicada pelo editor Avoante...
que é aí uma obra impulsionada pela Lei Paulo Gustavo, me deixou muito impactada, tá, gente? Assim, que trabalho bonito, que roteiro massa. E parabéns pelo trabalho das ilustrações, da concepção visual. Tá tudo muito bonito, muito caprichoso. Eu tenho certeza que você ouvinte vai ficar tão surpreendido quanto eu fiquei ao ler Revisão.
O que os leitores podem esperar dessa publicação? Quem que me responde? Luiz Carlos. Essa é uma pergunta bem engraçada de se fazer. Eu sempre espero que quem vai ler se sinta visto de alguma maneira. Tanto que o quadrinho em si, ele localiza muito bem Fortaleza.
Então, eu quero que as pessoas de Fortaleza se vejam em Fortaleza, né? Mas eu acho que a coisa mais importante, pra quem for ler a revisão, é ter atenção nas relações que se tem, né? O personagem principal, Carlos, ele é um cara que ele se dedica muito a cuidar dos outros, mas ele cuida pouco de si. E eu acho que às vezes...
A gente cai muito nesse lugar. Ou você é uma mulher, uma mãe, uma vó, uma tia, que está sempre cuidando da casa inteira. Ou você é aquele homem que também carrega a casa nas costas porque tem que sustentá-la. E às vezes a minha maior preocupação é, as pessoas estão olhando para si mesmas.
Estão dizendo os não que deveriam dizer e os sims que deveriam dizer. Porque quando a gente cuida mais dos outros do que de si, às vezes a gente perde as relações que a gente tem que são mais importantes de pessoas que querem cuidar de nós também. Muito legal. Meninos, querem complementar? Bom, acho que, pra mim, o leitor tem que se divertir na leitura, né? Tanto quanto eu me diverti desenhando.
pegando esse texto do Luiz, que foi tão bem escrito, e eu acho que consegui retratar bem. Então é isso, acho que ele conseguiu se divertir com a leitura, conseguir ler com clareza, porque essa foi a etapa que eu considerei importante, quando estava desenhando.
Acho que o que eu posso complementar é que, como o Luiz falou, é interessante que o leitor se sinta visto e eu acho que ele consegue até, de certa forma, se sentir abraçado. É um trabalho que ele é bem expressivo e a gente fez o máximo, apesar de ser um tema sério, que é tratado, mas tornar também a leitura leve, seja com o visual, seja adaptando o texto. Tudo para que quem leia também se sinta realmente num ambiente confortável enquanto está passando pela experiência.
O quadrinho, ele é visualmente muito lindo, tá, gente? Eu queria dar os parabéns. Obrigado. Porque impacta demais. Quando você pega a revisão, você fica... Que lindo! E a gente fez aqui um estudo de caso. Nos estúdios da Alessia FM. Porque quando eu cheguei com a revisão, todo mundo aqui na redação da rádio dizendo... Nossa, que coisa linda! Mas tá muito bonito! E eu disse, olha, gente, a história é de tirar o f...
ôlegro, tá? Parabenizar o Luiz Carlos pela densidade da temática e pela construção também das personagens. E sobre isso, o quadrinho da revisão narra um drama familiar que envolve um pai alcoólatra, o abandono materno e os conflitos de um relacionamento abusivo homoafetivo. É uma trama muito psicológica e que leva o leitor a diferentes reflexões sobre as personagens e o...
curso das próprias vidas. Conta pra gente, Luiz, como é que surgiu a ideia desse roteiro de HQ que é um roteiro que realmente surpreende. Assim, tem uma coisa engraçada quando a gente tá escrevendo, quando a gente tá produzindo uma história, certo? Muita gente pensa que e eu já ouvi isso, inclusive, de autores mais ou menos consagrados, dizer a história se escreve por si só e eu não acredito muito nisso sabe? Cada pecinha ela é milimetricamente colocada pra estar ali e aí
Então, a primeira ideia, na verdade, surgiu de como é que você pode odiar sua mãe, sabe? É uma pergunta meio abusiva, assim, cara, como é que você pode odiar sua mãe, né? E eu disse, se sua mãe não tiver, no momento que sua mãe não está, você pode odiá-la, né? Porque você não tem quem é essa figura.
E aí, a partir dessa premissa é que eu fui construindo toda a história. Qual o impacto que essa não presença materna pode causar na vida da pessoa, né? E um dos maiores impactos, conversando, porque toda história, ela meio que passa por entrevistas, né? Tem um filme, Grande Hotel Butapeste. Não gosto muito daquele diretor, mas... Mas eu gosto muito do filme. É, mas esse filme em especial, ele me chama muita atenção. E tem um momento dele que ele diz o seguinte.
Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista On
O escritor, ele é, antes de tudo, um bom ouvinte. Então, pra você poder escrever melhor, você tem que ouvir muito mundo ao seu redor, né? E quando eu tava concebendo a revisão do texto dele, deve ter uns 10 anos o texto, mais ou menos. Ou seja, ele é feito, refeito, trabalhado e retrabalhado.
Eu acho que enquanto estava fazendo o letramento, ainda mudei coisa. Ou seja, é um texto que é refinado até o máximo possível. Eu dei atenção às pessoas que tinham essa falta da mãe nas suas vidas. E uma coisa que eu percebi é que a falta que a figura materna fazia era muitas vezes da pessoa ocupar o lugar daquela mãe. Sabe? Dizer, minha mãe não está aqui, então vou ser a mãe para os meus irmãos.
Eu vou ser a mãe pro meu pai, eu vou ser a mãe, sei lá, pros meus vizinhos. A pessoa acaba pegando aquela figura e construindo o que seria uma mãe na cabeça dela e se tornando um pouco daquilo pra compensar essa falta. Então eu quis colocar isso na história. Foi uma coisa que foi milimetricamente pensada. Mas aí quando você não tem mãe, quais são os dilemas que vêm junto com isso, né? Que tipo de relações você vai construindo? Então a partir do pequeno bloquinho eu fui construindo os outros bloquinhos.
E é incrível porque a gente tem uma dimensão do trabalho que foi pensado, repensado, reconstruído para que essa história chegasse a esse ponto de refinamento que chega para nós, leitores. Então é importante esse trabalho do Luiz Carlos porque aí a gente pensa exatamente qual é o trabalho do roteirista para quadrinhos, né? Quanto esforço ele executa para que essa história chegue exatamente nesse... E...
Capricho final para nós leitores. Como é que foi o convite, Rodrigo, para que você e o Pedro participassem da publicação? Porque uma coisa é a gente pensar o roteiro, como o Luiz Carlos, né, imaginou, trazendo esses temas que não são temas fáceis nem simples de abordar. E outra coisa é vocês pensarem nessa identidade visual, de como é que vai ser essa gráfica nova. Conta para mim, Rodrigo, como é que foi.
Então, desses 10 anos do Luiz refinando o texto, eu só fui ter contato com o texto no meio de 2024. Que aí ele passou para mim algumas características de personagem, para a gente fazer folha modelo, que a gente chama, que é o personagem em vários ângulos, com várias expressões.
A partir daí a gente foi escrever o projeto no edital. Então, pra mim, a primeira parte do trabalho foi essa, de fazer folha modelo e esperar ele terminar o roteiro. Pra em seguida receber ele em mãos, ler. Tenho que ler ele todo, mais de uma vez, inclusive. E eu tenho que preparar layout de página, que é um rascunho, o primeiro rascunho de todas as páginas. Eu tinha que enviar pra ele. E a partir daí sim começar o trabalho de lápis, que a gente chama.
A gente vai refinar esse rascunho. Então eu tenho que pensar em muita coisa. Tenho que pensar em fluxo de leitura, tenho que pensar...
no espaço que eu tenho que deixar pro balão que ele vai colocar, entendeu? Então tem todo um trabalho dessa forma. E aí minha preocupação de início mesmo foi reunir referência pra deixar os personagens reconhecíveis, né? Você vê que no quadrinho, você que leu, parecem pessoas que você vê na rua realmente, né? Sim. Todos com características bem reconhecíveis, assim. Então essa foi a minha preocupação.
Que demais. Nesse momento, Pedro, tu já tava no projeto ou não? Eu acho que a primeiro momento não. O Rodrigo, ele já foi refinado muita coisa com o Luiz. Eu, em seguida, recebi o convite pra poder participar do projeto. Já tinha encontrado com o Luiz em lugares. Luiz já foi meu professor também. Ai, eu não sabia disso. Que demais. Também foi meu. Que demais, gente. É, gente, é bem junto, bem unido. Eu só tenho um cara de novo. Eu sou uma inveja.
É um processo mal barato, né? Porque tem uma relação também de aluno e professor, né? Ou seja, os alunos aplicados, né? Que estão aqui agora participando. Que demais! Com certeza. Foi sensacional, assim. É um ponto que eu acho muito positivo da Avante, porque tanto eles têm autores já consolidados na casa, como eles também dispõem a oportunidade para quem está iniciando, que é o meu caso. É isso aí. Eu me tornei profissional com revisão em si. E é muito interessante essa parte do processo.
O trabalho do Rodrigo em si, ele já fala tudo o que ele quer dizer, basicamente. Meu trabalho é basicamente refinar o que ele vai apresentando. Então, nesse momento, quando a gente está... Uma das coisas que eu fiz, o Luiz, desde o começo, ele disponibiliza o roteiro, mas aí, como eu estava nessa parte de acabamento, eu queria muito ter a experiência real das coisas. Daí eu não lia o roteiro. Só quando eu precisava tirar alguma dúvida, eu esperava que todo o desenho do Rodrigo me comunicasse o que precisava ser comunicado.
E aí eu não deixava interferências, sei lá, falarem no meu trabalho, assim, coisas muito pessoais, né? Então eu tentei ao máximo refinar o que ele apresentava, da melhor forma, a minha preocupação foi que tudo ficasse legível da melhor maneira, que assim que você vê a página, você consegue consumir toda a informação sem muitos maneirismos, só do jeito que o autor quis conceber ali no momento, né?
Interessante. Uma dúvida que eu tenho sobre esse processo da construção visual dos quadrinhos é que o Carlos, o protagonista, é um personagem negro. Isso já veio para ti, Rodrigo, no roteiro do Luiz Carlos? Ou você também vai opinando nesse processo da construção e da identidade visual desses personagens? Conta para a gente.
Então, como eu disse, eu pedi referência a ele de pessoas mesmo, né, que ele tinha em mente. E ele reuniu, de todos os personagens, ele reuniu uma gama de fotos e me mandou, quando eu fui fazer essa folha modelo, né. Então, era um personagem pardo, né, mais pro negro, nas fotos lá que ele me mandou o Carlos. Mas eu também coloquei uma identidade no personagem, né. Ele não foi exatamente igual a foto que ele me mandou, então eu me rabisquei lá.
e coloquei características que eu achava que ia ficar legal né porque a foto que ele mandou, o cara lá, ele era muito imponente e o personagem no roteiro não era assim né tu vê que ele é mais acanhado, ele aceita mais a opinião dos outros né então eu tive que pegar aquela foto lá do cara imponente e dar já uma característica dele pra ficar desse jeito, entende?
Isso é muito legal, né? Porque você vê o trabalho aqui do artista completamente. Não, eu já percebi que o personagem não pode ter essa presença toda, né, Rodrigo? E aí construir esse personagem, é muito interessante isso. E eu imagino como deve ser também divertido. Porque uma coisa é a gente pensar a história. Outra coisa é quando a gente vê, né? Visualiza esse trabalho dos meninos.
Eu acho que fica muito, assim, emocionante até de você ver a ilustração, todo o trabalho dos quadrinistas. É, tem uma coisa interessante sobre fazer quadrinhos, sobre escrever quadrinhos, pra falar a verdade, né? Eu não acredito no escritor de quadrinhos que não pensa visualmente.
Eu acho que se a pessoa que se mete a escrever roteiro de quadrinhos não tiver uma concepção visual, eu acho que ali ela vai falhar em algum ponto e vai criar problemas para o resto dos artistas envolvidos. E eu costumo conceber a página já na minha cabeça visualmente, eu já vejo ela toda desenhada.
Sério? Quando tu tá fazendo a história ainda? É, quando eu tô escrevendo. E aí, parte de mim é a vontade de dizer, ok, com quem eu tô trabalhando e como que eu vou escrever o texto pra essa pessoa, né? Por exemplo, se eu tô trabalhando com o Daniel Brandão, que é um quadrinista de 30 anos de carreira. Uma referência, né? Uma grande referência.
O Daniel, às vezes, ele espera que eu coloque o mínimo de informação possível. Porque ele quer inserir muito dele ali, sabe? Ele quer que eu dê espaço pra que ele... Interessante. Se amplie, né? Se expanda na página. Mas se tem algo que ele não entende, a primeira coisa que ele diz pra mim é... Senta aqui e desenha essa página pra mim. Ah!
E aí eu tenho que rabiscar a página pra ele. Ah, eu pensei nisso daquele. Ah, eu entendi. E aí vai. Quando eu trabalho com Rafael Dantas, eu e o Rafael, a gente é muito bem alinhado. A gente já trabalhou em vários, trabalhamos em Lâmina Azulada, Miss Ride, trabalhamos em Cavaleiro Avante. E eu sempre digo que a pessoa que desenha igual o meu cérebro pensa é o Rafael Dantas, né? É um grande amigo, ele já vai direto. Então, boto informações muito condensadas que ele já sabe pra onde ele tem que ir. Eu não preciso desenhar a página pra ele.
Ele já sabe, ah, eu entendi o que o Luiz quer. E vai em frente. Quando eu fui trabalhar com o Rodrigo, eu tinha muita preocupação, porque a maior potencialidade que eu vi com o Rodrigo e com o Pedro foi a atuação dos personagens. Então você vê que o Rodrigo já diz, ah, esse personagem é muito imponente. Então eu vou colocar ele mais curvado, porque ele é muito passivo na história.
É uma preocupação... Uma sensibilidade, né, cara? É entender como a pessoa trabalha, né? E eu olhei e disse, cara, eu sei que eu preciso de uma boa atuação nesse quadrinho. Eu preciso que os personagens falem pelo rosto, pelo corpo. E eu sei que o Rodrigo faz isso muito bem. Então, ele já foi direcionando isso. Quando eu fui dando informações pra ele, a minha maior preocupação com o Rodrigo foi da espacialidade. É tipo assim, é tanto que eu acho que um dos primeiros...
conversa que a gente teve foi sobre a planta baixa das casas e a parte dos cenários que iam se repetir você tem um escritório você tem duas ou três casas que se repetem, então fiz as plantas baixas uma pra outra pra que ele pudesse saber onde localizar esses personagens gente, eu nunca imaginei que seria preciso fazer uma coisa dessa que demais e assim, eu tava preocupado com isso porque eu sabia que com o resto não precisava mais me preocupar
O Rodrigo já ia encarar os personagens da maneira como ele encarava, né? Agora eu queria só voltar uma pergunta tua, que o Carlos é um personagem negro, né? Tem uma autora, não sei se ela continua com esse nome, mas lá entre 2010 e 2020, tinha uma autora chamada Gabi Love Love 6, em que ela diz que politicamente todas as personagens dela eram mulheres e ela não faria histórias com homens.
E eu achei isso incrível. Achei isso incrível. E aí, politicamente, eu disse, cara, eu acho que eu quero que a maioria dos meus personagens sejam não brancos. Então, sempre tento conceber histórias como personagens não brancos.
e esse direcionamento leva a história também para alguns lugares, o Carlos por ser um homem negro, ele tem algumas preocupações, alguns posicionamentos, que um homem branco eu acho que não teria, novamente aquela parte, você está escutando as pessoas certas, você está se escutando na direção correta,
Então eu tive essa preocupação também de, por ele ser um personagem não branco, que tipo de coisa cairia na cabeça dele com o maior peso? Que demais. Que questões sociais envolvem a não branquitude dele, né? Que demais, cara. E é um posicionamento completamente político. Sim, e é uma questão social, né? Pra gente trabalhar essas temáticas. E eu acho isso formidável.
E quando a gente estava pensando sobre todos os temas de revisão, a gente tem que falar sobre o racismo estrutural, né? Tem que trazer isso também para dentro de uma das temáticas da obra. Uma curiosidade nesse trabalho envolvendo o Rodrigo e o Pedro, que eu tenho...
Era se vocês trabalharam juntos, Pedro, ou se cada um desenvolveu a sua parte separadamente. Explica pra gente, também pros ouvintes, entenderem um pouquinho desse trabalho do arte finalista, que eu acho que é um tema interessante. Bom, a gente, o Rodrigo, conforme ele vai fazendo as páginas, né, a gente vai...
interligando ali o que a gente vai fazendo, né? Ele vai terminando uma página, colocando ali num drive compartilhado, aí eu vou e busco, né? Tudo, cada um no seu lugar, mas buscando sempre manter a comunicação, né? O Rodrigo, ele é um cara muito fácil de trabalhar com ele, né? Qualquer momento ele responde ali, ele é muito acessível. E aí eu tinha muito essa preocupação de...
se ia estar ou não fiel com o que ele queria mostrar, né? Então, assim, pelo menos uma vez na semana, depois de um número X de páginas, eu ia lá no privado e perguntava, mano, o que é que tu tá achando? Tu acha que tá legal? É isso que tu tá querendo? Então, eu vejo que quando a gente vê mais de fora, né? Por exemplo, antes de eu...
exercer essa função, né? Essa primeira vez especificamente ela. A gente quando vê, pensa que é cobrir. É basicamente isso. E não é. E aí a gente começa a ver que eu acho que um bom arte finalista, ele também precisa ser um bom desenhista. Ele precisa entender um pouco de valores, muito no caso. Ele precisa...
redesenhar algumas coisas, ele precisa reinterpretar o que o artista tá passando pra ele sempre potencializando o que o artista tá buscando passar. É basicamente isso. Então, cada textura, cada... Por exemplo, um detalhe que eu acabei atrasando algumas coisas por conta disso. Mas um detalhe que eu acho muito interessante é que, por exemplo, os pelos do braço do Carlos, né, o protagonista, tanto ele quanto o pai dele, eles são feitos um por um.
Então, tipo, eu fiz questão que fosse assim, porque eu acho que é algo entre ele e o pai dele em si, que a gente vê durante a trama, é um detalhe muito específico entre os dois, que ele casa. Eu acho que é como, sabe quando você tem um pai que, sei lá, ele tem muito pelo na canela?
E aí você também tem isso. Então, tipo, cada detalhezinho seja de expressão, seja os próprios pelinhos, sejam alguns detalhes de cenário. Tudo que o arte finalista faz é em função de fazer o artista brilhar da melhor forma, né? Como se ele estivesse embelezando e realmente potencializando o que o artista tá se propondo a dizer, né?
Que demais, gente, que demais. Para a gente poder entender esse trabalho que foi feito em revisão e, claro, a junção desses três artistas aqui, conversando com a gente no Autores e Ideias. E, já que a gente está falando dos três artistas, cada um tem uma identidade artística própria.
Quais foram os maiores desafios em equilibrar essas diferenças estéticas dentro de uma mesma publicação? É possível terminar a HQ sem perder a amizade? Cara, você só perdeu a amizade comigo depois de trabalhar comigo. Eu vou ficar muito chateado.
É porque vocês estão sendo muito tranquilos aqui. Eu tô achando que vocês estão escondendo o jogo pra gente. Não, é legal essa pergunta pelo seguinte. A gente... Eu acho que é um daqueles tabus da arte, né? Muito artista junto. Sempre vai ter treta. Vai querer sobressair o outro.
E assim, eu faço de tudo pra que não tenha treta. Sabe? Eu faço de tudo pra que não tenha confusão. Porque eu acho que é aquela história. Não só assumo a posição de roteirista. Eu assumo um pouco a posição de gestor. Como o quadrinho sai pela voante mesmo, a gente teve co-edição da Beck Cunha. O Daniel também fez uma consultoria editorial do trabalho, o Daniel Brandão. Então, assim... E então... Mas ainda como editor-chefe, quem tá trabalhando sou eu. É uma obra minha.
Que uma vez na mão deles, dos artistas, eu saio do lugar de roteirista e ocupo o lugar de editor-chefe. E uma vez no lugar de editor-chefe, eu acho que eu tenho que agir como gestor. E a gestão é todo mundo trabalhar bem, todo mundo trabalhar feliz. E ninguém se matar.
então assim é sempre tentar encontrar a melhor maneira né e prever falhas quando eu chamei o Rodrigo a primeira vez acho que uma das primeiras perguntas que eu fiz ao Rodrigo foi Rodrigo você tem como assumir completo ou você precisa de uma ajuda?
Que já foi prever uma dificuldade que a gente vinha até por conta do prazo apertado, tendo em vista que era um edital. E aí o Rodrigo, cara, vou precisar de ajuda. Aí eu, tá, pois eu vou chamar uma outra pessoa. Foi quando eu fiz o convite ao Pedro. Então, no lugar de gestor, eu acho que é minha obrigação não deixar as pessoas com raiva umas das outras. E escolher uma equipe, inclusive, que possa trabalhar junto. É isso. Que possa ter esse entrosamento. Então, a gente não é só bonzinho. Eu faço de tudo pra que todo mundo fique bem.
aquela tia do jardim de infância que diz, não brinque com não brinque com coleguinhas Rodrigo, como é que foi essa experiência de trabalhar aí com o Luiz Carlos e o camarada Pedro como o Luiz disse acho que tirando o prazo
Não tem problema se é o quarto trabalho que eu já faço com ele. Já trabalhou em Arquivos Secrestres da Segunda Guerra Mundial, acho que Cairo Temporal foi o que escreveu também, não foi? Teve um trabalho recente do Capitão Rapadeira também, que foi com ele e teve a revisão. Só que assim, como era muita página, aí teve essa questão de ele perguntar se eu queria ajuda ou não. E como o prazo era apertado, foi seis meses, se não me engano, de produção.
Nossa! Aí eu pedi ajuda a ele e fui atrás do Pedro. Então é isso aí. Se não for essa questão do prazo, pra mim... Foi tranquilo. E eu quis deixar o mais fácil possível pro Pedro, né? Porque assim, esse preto que você vê na página daqui é todo dele. Ele recebe de mim todo colorido. Eu boto rosa, boto azul, entendeu? O traço todo bonitinho, mas colorido. Aí ele pega e dá esse refinamento pra ficar o preto bonito da impressão.
Que demais. Cara, eu realmente... É porque realmente parece que a gente tá tudo ok, mas é porque tá tudo ok mesmo. Eu acho que o Luiz foi muito assertivo com a equipe. Muito mesmo. Ele pegou o pessoal que a gente tava alinhado desde o começo. Ele sabia que a gente queria muito. Como a gente bem entende, né? Tipo, trabalhar com pessoas não é fácil em qualquer área. Então, ele pegou pessoas bem alinhadas com o que a gente queria fazer.
bem dispostas, e é muito interessante esse ponto que ele menciona sobre prever certas situações que podem ser difíceis durante o processo, né? A profissão de quadrinista é um trabalho muito isolado, ele é um trabalho muito sozinho, então é importante, tipo, ele tá supervisionando pra ver se a gente tá tudo bem, supervisionando caso alguém tenha um problema, por exemplo, num computador, uma situação em casa, tudo isso ele tomou muito cuidado e aí foi muito confortável de fazer. A gente realmente, não sei, a gente se dá muito bem, eu acho.
Que bom, gente. Isso está transparecendo aqui durante a entrevista. E eu acho que também é um dos sucessos para a edição também ter ficado com esse primor que a gente recebe. Bom, o título Revisão é uma referência ao trabalho do protagonista, Carlos, que é revisor e vive os dramas de trabalhar numa editora que também se equilibra para continuar suas atividades.
Mas também revisão sugere um olhar para o passado, para revisar a própria vida e criar um presente e um futuro bem diferentes. Explica para a gente, Luiz Carlos, esse significado simbólico de revisão na HQ. Uma coisa interessante é que eu sou revisou.
E também é Carlos. E também sou Carlos. Quando a gente fala em revisar o passado, é porque as memórias da gente, elas sempre são muito sacanas, sabe? A memória é um negócio maledeto. Ela não é confiável em nenhuma memória. Então, a melhor maneira de você encontrar um entremeio das suas memórias é você revendo as relações e as memórias em comum.
que você tem com essas relações, né? E aí é possível você fazer a revisão. Onde é que os extremos foram para os lugares errados? Não existe uma extrema na língua portuguesa. Onde é que as vírgulas foram colocadas do jeito errado? Onde é que existem os pontos finais? O que para você foi um ponto final, para o outro não foi? Então, a ideia de revisão não é só olhar para o passado, mas é olhar para aquilo que você construiu com as relações que te formaram até agora.
A gente nunca é um texto realmente completo, mas somos um texto que já tem de ser revisado depois de um tempo. A gente tem que olhar para a nossa infância, tem que olhar para a nossa adolescência, tem que olhar para o começo da vida adulta e entender como foi que chegamos até aqui. Eu escuto muito da minha geração dizendo...
Por que eu estou tão cansado? E eu me pergunto. E a maioria gosta de dizer, a culpa é do capitalismo. Sim, também. Mas quais foram os momentos no seu passado que te levaram a esse cansaço? A essa escolha do hoje, né? Exatamente. E muitas delas têm a ver, não necessariamente, com escolhas que você fez.
mas com escolhas que você teve de fazer, tendo em vista as relações que você construiu. Então, a ideia do quadrinho é realmente você olhar para as relações que você teve, inclusive aquelas que foram silenciadas de alguma maneira. Eu me lembro que em um instante do texto, eu estava namorando com uma moça, e a gente estava falando sobre as questões envolvendo o passado, né? E eu me lembro dela falar abertamente assim, eu não quero olhar para o meu passado.
Aí eu digo, ok, mas isso quer dizer que esse problema aqui do seu presente vai continuamente retornar. Então, você tem que repensar, você tem que revisar o seu passado. E saber onde foi dado um ponto final quando não deveria ter sido dado. Onde foi deixado uma reticência quando deveria ter sido um ponto final.
Tem uma parte do quadrinho, vou dar um spoiler, tá, gente? Tem uma parte do quadrinho que me impressionou muito, né? Dentro de toda a densidade do personagem, que ele diz, eu me tornei a minha mãe.
ele se viu depois de todo aquele encontro, que ele disse assim, puxa vida, a relação que eu vivo hoje com o companheiro dele, ele percebeu a toxicidade da relação tal qual a relação que a mãe vivia com o pai. E eu só vou parar por aqui, tá? Pra não entregar mais spoiler da narrativa. Mas quantas vezes a gente...
sem se perceber, repete comportamentos familiares, né? Isso me deixou muito impactada, que eu digo assim, cara, como eu cheguei nesse momento, assim, duro da história, isso me fez refletir, dizer assim, nossa...
Quantas vezes a gente reproduz comportamentos que a gente não quer, que a gente não aceita, mas que parece que foram ali fruto desse condicionamento, né? Das relações familiares, das pessoas com que a gente convive. Tem uma frase que diz que você é fruto das cinco pessoas que você mais convive, né?
Então você acaba ali, se você convive com alguém que é muito reclamão, ou alguém que fica muito falando o hipocondríaco da família, que fala muito sobre morte, sobre doença, sobre remédio. Então você acaba que você reproduz esses comportamentos também, né? Do hipocondríaco, do reclamão.
Eu tô dando essas situações assim que são bem extremas. Mas olhe pras pessoas que você mais convive no seu dia a dia. Se você não tem ali um pouquinho de cada uma delas. Então quando o Luiz falou sobre esse roteiro e pensou sobre essas questões. Que acerto cara né. Obrigado. Que acerto. E quando eu tava lendo que eu cheguei nessa parte eu fiquei uau. Né. Que plot twist da história que faz a gente pensar também nessa.
Nessa história da revisão, né? A revisão aqui, ela é muito simbólica. Demais, né? Completamente. O Daniel Brandão, ele costuma dizer uma coisa. A gente não consegue fugir dos nossos pais. A gente são os dois vetores. Ou vamos diretamente na direção deles, ou vamos diametralmente opostos à mesma estrada deles, né? Eu acho que revisão, ele meio que casa um pouco com essa ideia. O quão mais ele quis fugir da mãe dele, mais ele foi na direção dela, né?
Muito bom. Tem alguma referência que vocês utilizaram, ou literária ou artística, que tem influenciado na direção, na criação de revisão? Vocês usaram alguma referência? Vocês pensaram nisso? Ou não? Ou não usaram nada?
Porque pode ser que eu não tenha percebido e não estou trazendo aqui para a entrevista. Assim, eu gosto muito da literatura da década de 30 brasileira, né? Então, assim, Raquel de Queiroz, Dora Doralina, é um dos livros que eu acho mais incríveis na minha vida, sabe? E eu acho que eu bebi dessa fonte algumas vezes antes de entregar o roteiro finalizado. Interessante.
Memórias da Infância do Graciliano Ramos que é um livro incrível e mexeu também comigo eu queria na verdade ter uma referência pequena, acho que pouca gente vai saber que é uma referência ao Ziraldo que o Ziraldo condenava o pequeno príncipe
Ele era um dos maiores críticos do Pequeno Príncipe. Ele dizia que era um livro que ensinava culpa pras crianças. E eu me lembro de ter lido Pequeno Príncipe e ter me sentido muito culpado, sabe? Quando eu ouvi uma entrevista do Ziraldo falando isso, eu disse, cara, em algum momento eu tenho que escrever sobre isso. Porque realmente... Que legal! Então, assim, uma homenagem ao grande mestre Ziraldo, né? Dentro do quadrinho. Mas é uma homenagem bem sutil, né? Não sei, se eu fosse parar pra caçar todas as referências, eu ia me perder.
aqui, mas... Mas olha, essas que você já entregou pra gente, aqui tá de bom tamanho, pra gente entender e pensar nessa criação de revisão. Gostei muito. Menino, vocês têm referências também de identidades visuais, o que vocês pensaram? Não, acho que o meu é o de sempre, né? Eu sempre tenho três artistas, acho que o quatro que eu sigo, que são três estrangeiros e tal.
Eu queria aproveitar... Quer responder essa daí? Pode dizer, Rodrigo. Eu queria perguntar pra vocês qual era a parte preferida de você ir no quadrinho. Porque você falou em revisão passado, em olhar pro passado, né? E aí tem uma parte no começo que ele tá ajudando o pai dele lá bêbado, né? No prólogo, em que ele vai pegar o ônibus. Não sei se tu se lembra dessa parte. Sim. E aí não tinha naquela parte que era a Praça da Estação.
Foi o que eu coloquei. A antiga Praça da Estação. Ah, que legal. Porque eu me lembro que...
Toda vida, quando eu era criança, no começo do ano, eu ia com os meus pais para a missa na catedral junto com meus irmãos. E aí eu peguei essa parte do roteiro, que estava só descrito que era para pegar o ônibus, e eu coloquei a Praça da Estação lá, porque eu me lembrava dessa parte da minha infância. Então, essa é a minha parte preferida do quadrinho, eu queria saber de vocês.
Que demais! E lembrando que hoje essa praça não existe mais em Fortaleza. Foi reformada, né? Hoje é a Estação das Artes e é uma forma também da gente fazer uma alusão, um espaço da cidade, né? Dentro desse ano de 300 anos. Pô, que legal, Rodrigo! Mas não fujo da minha pergunta. Quais são as suas referências aí que você disse? São quatro.
Isso, são artistas de fora, né? O Brian Bolland, tem o Garcia Lopes, Stan Drake e tem o Dave Gibbons. São quatro quadrinhos famosão aí de fora. Que legal, que legal. Camarada Pedro, referências? Cara, os meus principais, eu gosto muito de mangá no geral, né? Eu acho um trabalho impecável de acabamento. Adoro também, gente. Aqui é um ambiente seguro, sem críticas. Não.
É que eu adoro o acabamento deles e é muito preto e branco, né? Eu curto pra caramba. Então, acho que... Gosto muito dos estrangeiros, né? Takehika Inoue, Naoki Urasawa. Acho que tem muita expressividade no trabalho. E aí foi fundamental. E uma coisa que o Luiz prega com frequência é que a gente, quando vai fazer algo, a gente conheça quem veio antes da gente. Então, acho que o autor mais próximo que eu vi de... Serviu de base, com certeza, foi o próprio Rafael Dantas. Eu sempre fazia com o Miss Rádio do lado. Ah!
É um trabalho deles que eu acho um trabalho de acabamento muito bonito, no geral. Muito polido, é bem suficiente para o que está apresentando. Que legal. É bom que a gente pega aqui e anota todas essas referências também para você. Quer complementar, Luiz? Não, gostei da pergunta do Rodrigo. Qual foi a nossa parte preferida e tal. Sim, podem falar, podem falar. Só vou complementar as referências também. Assunto de família do Will Eisner, que é um dos meus quadrinhos favoritos. É incrível.
Mas enfim, legal tu ter falado essa questão da praça da estação porque quando tu entregou eu fiquei impressionado. Caramba, ele lembra da praça da estação. Com detalhes, né? Foi bem detalhado.
Mas assim, a parte que eu mais gosto, é por incrível que pareça, não tem nada a ver com o texto. Tem a ver com o desenho. Que são dois momentos, assim, que eu acho belíssimos. Que eu abro, quando eu abro, eu olho e digo, caramba, que foi um acerto imenso do Rodrigo e do Pedro. Que é o momento em que ele tá nas escadas, logo depois que ele sai do próprio apartamento. E ele tá meio que tentando segurar o choro. E tentando manter o choro.
E ele se aperta como se estivesse quase tendo um ataque do coração. Eu acho ali a arte fantástica. Muito bonito.
Caramba, que acerto imenso. Eu me arrepio todinho só de lembrar. Massa! E tem um outro momento que é quando ele retorna à casa. Ele já é adulto, ele retorna à casa e ele vai passando pelos cômodos. Eu acho aquela sequência de quadros a coisa mais linda do mundo, assim. Eu fico impressionado. Às vezes eu pego e olho e digo, pô, fui eu que escrevi isso aqui mesmo, sabe?
Então são dois momentos que eu, tipo, me não orgulho do trabalho, de verdade, assim. Bonito. Camarada Pedro. Eu acho que... É porque esse eu acho que vou dar um spoiler sem querer. Mas tem uma cena que o Carlos, ele vai revisar um texto. Bem, mais ou menos, na metade. Que aí, como eu evitei ler parte do roteiro pra consumir o material que era visual... Quando eu li, eu fiquei muito abismado, cara. Ah!
Essa parte, e eu gosto muito Outro momento que é esse da casa Eu gosto muito como, por exemplo O Rodrigo teve muita atenção pra esse mesmo quadro Lá no começo, quando você chega Nessa parte da casa Elementos da primeira vez que aparece a casa Eles estão nesse mesmo Ambiente, e você vê A passagem do tempo, né, eu acho Supra suma, assim, absoluto quadrinho Ali
Que legal, que legal. Bom, estou chegando na reta final da nossa entrevista. Eu queria muito que você falasse, Luiz Carlos, sobre a Avoante Editora e que tem como um dos seus eixos editoriais a publicação também de HQs. Então, eu queria muito que você falasse sobre o trabalho da Avoante, que é a editora também que publica a revisão.
A Voante Editora é uma editora completamente cearense nesse instante. Ainda vamos expandi-la, né? Mas ela é uma editora que tem como sócios eu, a Erika Salles, que é também sócia do grupo Reboot, Comic Store. Eu arrisco dizer que é a principal loja de quadrinhos do estado. E o PH Santos, né? Que é crítico de cinema e tal.
que virou o nosso padrinho da comunicação. Ele senta, ele dá conselhos para a gente. Mas a grande arquiteta da Avoante é a Erika mesmo. Tipo assim, a gente não dá... Eu não dou um passo na Avoante sem a Erika definir a rota de tráfego da gente. E é um editor ainda jovem. Nós abrimos em 2023 com a intenção realmente de publicar os nomes daqui.
Enquanto a maioria das editoras que surgem, inclusive, elas tentam buscar nomes de fora do país, a gente está fazendo um movimento contrário. Verdade. E até meio, é um risco muito grande, eu não vou negar isso, que é pegar os nomes daqui e tentar alavancá-los, tentar levá-los para além do Estado, mas primeiro sempre trazendo uma base forte ao próprio Estado. No entanto que...
Uma vez que a gente publicou, ano passado a gente publicou Rasga Mortalha, que é um trabalho do Adams Pinto e do John Bosco. O John Bosco tem carreira internacional. O Adams já ganhou duas vezes campanhas do Catarse através do livro dele.
o Jardim dos Famintos. Então, são nomes fortes que queriam publicar quadrinhos, o Bosco, os maiores artistas do país mesmo, professor de todos nós, inclusive, a gente está aqui falando, mas foi mestre de todos nós. E uma vez projetar esse trabalho, é dizer, olha só, no Ceará a gente pode oferecer tanta qualidade quanto uma editora que publica um Brian Bolland, tá entendendo? Na vida.
Ou uma editora de mangás que publica um Takeriko Inou. E a gente possui essa qualidade editorial. Sabe? Possui essa qualidade gráfica até. O nosso material gráfico é de primeira, o papel é de qualidade. A capa de revisão, você tem encaixes de verniz ali que fazem toda a diferença e tal.
Então a gente tá nesse movimento, mas a gente entende que esse movimento é feito aos poucos. E aí vem uma questão que eu acho muito importante pro livro. O livro, ele é um elemento, quando eu falo livro, formato impresso, não necessariamente só livros, mas quadrinhos também. Ele precisa de tempo. Tempo pra ser feito, tempo pra ser consumido, tempo pra ganhar o seu público, né? E quando a voante tenta ganhar o Ceará, pra ganhar o Nordeste, pra ganhar o país, Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista Onista On
a gente entende que a gente vai tomar tempo. Então, é mais ou menos essa a simbologia da editora, né? E eu posso até dizer que esse ano vamos publicar pessoas de fora do Ceará, né? Estamos trabalhando com artistas de fora e artistas de escala nacional, apesar de serem nordestinos. Nossa preferência sempre é Ceará, Nordeste e aí Brasil.
Legal, que bacana. Ponto muito assertivo aí da Avante. Trabalho lindo. Lançamento de revisão em Fortaleza foi na Reboot. A revistaria de quadrinhos que reúne toda a moçada que é fã.
aí do universo geek, da criança ao adulto, né? Todo mundo se encontra na Reboot, aqui em Fortaleza. E o lançamento foi maravilhoso, lotado, estive lá, e com presenças, assim, de pessoas que são cearenses, mas que são reconhecidos no Brasil.
E no exterior, Geraldo Borges, Rafael Dantas, Marcos Rosado, Daniel Brandão, Raimundo Neto. Então, trabalho aí de pessoas que estavam acompanhando junto desse lançamento de revisão. Quais são os próximos passos para a HQ? Revisão, eu sempre digo que lançamos um livro e a gente passa pela turnê do livro, né? É, isso mesmo.
Então a gente, acabei de vir da Bienal de Salvador, a Bienal da Bahia, a Bienal Internacional da Bahia, acabei de vir para lá, de lá com revisão, que foi também muito bem reconhecida, foi muito bem vista, apesar do nosso espaço não ser um stand completo.
A gente estava muito bem localizado e o quadrinho pôde ser visto por muita gente. Ah, que bom. Que ficou impressionado em dizer, quer dizer que isso é produzido aqui? Quer dizer que produzimos isso aqui no Nordeste? Ou é assim? Ah, e agora a gente vai para a Feira Literária de Baturité. Nos inscrevemos também na Feira Literária de Senador Pompeu.
Pra poder aparecer com a revisão. Mas a revisão vai ter outros lançamentos em Fortaleza. Estamos vendo a possibilidade de levar até a Bessie. Inclusive, a Suzete, né? Ligou pra mim. Ela comprou a revisão. E abriu e viu que a Bessie tinha lá numa das páginas. Sim.
Aí ela diz, como é que você coloca minha biblioteca dentro do seu quadrinho e não marca o lançamento comigo? Ah, que bonito, que bonito. Você vê a minha cara da Suzete. É, tô devendo a Biblioteca Estadual de Ceará um lançamento lá. Há um outro lançamento que a gente quer fazer, que vai ser um pouco menor, que é Convinando Psicólogos, pra falar sobre essas questões dos silêncios familiares. Boa! Trazer o quadrinho também pra dentro desses âmbitos de discussão, além da história em si, né?
Quebrar um pouco essas barreiras. Vai ter um lançamento dele em Pacuti, na mostra. Sesc HQ de Pacuti. É um dos lançamentos também tão previstos. E estamos trabalhando para levá-lo também para a Bienal de São Paulo. Que vai acontecer em setembro. E estudando outros eventos para poder levar o quadrinho. Para todo mundo conhecer. Estamos aqui de dedinhos cruzados.
Quem quiser conhecer mais sobre os trabalhos de vocês, onde é que encontram as suas obras, eu quero pedir para que cada um divulgue também as suas redes sociais. A minha vocês vão encontrar como camarada, o Instagram, camarada, underline Pedro, Pedro com dois Os. Lá eu divulgo fanartes, projeto autoral, trabalho mais voltado em preto e branco, com acabamento focado nisso. Faço parte também, como a gente falou no começo, do coletivo Miasmo.
Vocês encontram com o Miasma Comics no Instagram. Logo mais a gente vai estar apresentando coisa nova. É um coletivo novo também. Mas a gente conseguiu já uma primeira edição. Graças à voante. Ela apadriou a gente e virou nossa casinha. A Miasma, na primeira publicação, a gente já juntou cerca de uns 14 artistas independentes. Pra poder fazer o que a gente mais gosta, né? Que é quadrinho. Boa. Rodrigo.
O meu é no Instagram, você pode encontrar tudo lá, né? É Rodrigo W Matos, tudo junto. E aí o próximo lançamento que eu tenho é de um quadrinho de terror, que é de um slash que se passa aqui no interior do Ceará. Chama De Leite da Morte, o nome do personagem é Leiteiro. O Luiz fez até revisão da história que eu fiz lá. Que legal! A gente vai disponibilizar de graça na internet, tá só finalizando uns detalhes do site lá pra lançar.
Que legal, massa. Já acompanha aí, Rodrigo. Diz de novo, Rodrigo. Rodrigo W. Matos, tudo junto.
No Instagram e já fica ligadinho aí nesse lançamento de terror. Hoje em dia minha obra tá toda na mão de editoras, né? Minhas antigas coletanhas estão na mão da Draco. Se você procurar o pessoal da Ultimato do Bacon, você vai conseguir encontrar a Miss Hyde, Miss Hyde, Miss Hyde Jusanguinhos e o Mosaico, que foram quadrinhos que eu publiquei com eles, quadrinhos encomendados. Mas eu acho que o grosso do meu trabalho hoje em dia tá no Avante Editora, pode procurar nas redes sociais.
A Voante Editora, inclusive, você pode comprar pelo site avoanteeditora.com.br. Dá para comprar revisão, dá para comprar lâmina azulada, dá para comprar rasga mortalha, além de todo o catálogo da Voante e de alguns parceiros nossos.
Inclusive, as edições vêm produzidas pelo Sesc, editadas pelo Raimundo Neto, no selo Desconversando deles, em que eu participei de três já. Então, assim, é onde dá pra encontrar meu trabalho. Mas se você quer ver um pouco do meu trabalho, da minha vida pessoal, você pode encontrar também no Instagram, Luiz Carlos Alçouza, que eu vou estar por lá mostrando as viagens que eu faço em função dos quadrinhos.
Então tá dada aí todas as coordenadas pra você conhecer mais o trabalho desse trio de quadrinistas que tá aqui conversando com a gente no Autores e Ideias. Pra você também seguir e acompanhar as redes sociais da Editora A Voante.
acompanhar também o trabalho que está sendo produzido e feito aqui no Ceará em quadrinhos. Então, não deixa de conferir e, claro, adquirir a sua revisão. O Luiz Carlos já divulgou aqui pra gente o site da Editora Voante.
em que você consegue comprar a revisão e aí chegar em qualquer lugar do Brasil para você na sua casa. Nossa dica também de leitura para você, leia quadrinhos, conheça o trabalho dos novos autores quadrinistas que nós temos. Revisão é a nossa dica de leitura do Autores Ideias de hoje.
Meninos, eu quero muito agradecer a gentileza de vocês terem conversado conosco, compartilhado mais com os ouvintes da Aless FM sobre fazer quadrinhos e esse trabalho que vocês realizam com tanto capricho que a gente recebe hoje com revisão. Eu quero deixar registrado, em nome de toda a emissora, o nosso muito obrigado. A gente agradece o convite demais mesmo. Primeira vez os quadrinhos levam ao rádio. Eba!
Então a gente fica muito honrado, Lili. Eu admiro muito o seu trabalho, admiro muito. Acompanho o Autores Ideias, acho super bacana. E era meio que um sonho poder vir apresentar aqui. Foi coisa boa. Eu fico muito feliz mesmo, viu? Muito, muito obrigado. Imagina, nós que agradecemos. Rodrigo? Eu também agradeço, Lili. Obrigado pela oportunidade. Foi muito legal estar aqui e poder divulgar a revisão.
Cara, eu tô completamente fascinado. É muito, é muito legal. Só tenho a agradecer mesmo pelo espaço, pela oportunidade. É muito mágico. Que bom, camarada Pedro. Conheça o trabalho dos meninos, por favor. E nos diga, através do nosso WhatsApp, 982014848, qual é a passagem de revisão que você mais gostou? Qual foi a parte dessa graphic novel que mais te impactou?
Foi a provocação do Rodrigo aqui na nossa entrevista, então eu quero ouvir de você também que está nos acompanhando. Manda um WhatsApp para a gente, 8598-2014848. Eu vou adorar falar aqui o que vocês mais gostaram de revisão. Meninos, gratidão. Informe Literário.
A nossa dica literária é conferir a programação da 7ª edição da Feira Literária do Ceará, que deve movimentar a economia criativa, o comércio local e o cenário cultural da região do Maciço de Baturité. Ao todo serão 13 municípios contemplados com a ação. Palmácia, Pacuti, Redenção, Guaramiranga, Acarapi, Baturité, Barreira, Mulugu, Aratuba, Aracoiaba, Capistrano, Ocara e Itapiúna.
A programação reúne atividades literárias formativas, debates com autoras e autores, além da feira literária que reúne expositores de todo o Estado. Participam editoras, livrarias, coletivos literários, escritoras e escritores independentes.
Toda a programação é gratuita e prossegue até o dia 9 de maio em Baturité. A Feira Literária do Ceará promove o acesso ao livro, leitura, a literatura e as bibliotecas, estimula a formação de pessoas leitoras e posiciona a cultura como vetor de transformação social e desenvolvimento sustentável. Participe!
E depois deste nosso bate-papo com os quadrinistas Luiz Carlos Souza, Rodrigo Matos e o camarada Pedro, eu desejo falar com você, que sempre está sintonizado com autores e ideias. Envie sua crítica, sugestão de entrevista e, principalmente, aquela pergunta sobre a obra literária que mais te deixou intrigado. Converse comigo, o nosso WhatsApp é 85982014848.
E o e-mail é alessfm.com.br. Você pode ouvir o nosso programa também no formato podcast. Acesse as principais plataformas de streaming e compartilhe cultura. A LESFM apresentou Podcast Autores e Ideias com Lília Martins.
O programa Autores Ideias tem produção e apresentação de Lília Martins, gravação e edição de entrevistas Gilson Lima e finalização de Nabucodonosor Queiroz. Coordenação de programação da Aless FM, radialista Alex Oliveira. Gerência Geral da Aless FM, jornalista Lúcio Filho. Coordenador do sistema Aless de Comunicação, jornalista Ilo Santiago Júnior.
Presidente da Assembleia Legislativa, deputado Romeu Aldighieri. A Alesse FM é uma emissora do sistema Alesse de Comunicação.
Sorte
Graphic Novel "Revisão"