Rev. Renan Vianna | A beleza do evangelho dentro de casa
Renan Vianna
Renan Vianna
- A beleza do evangelho no casamentoSubmissão feminina na perspectiva bíblica · O poder do testemunho visível da esposa · A verdadeira beleza interior da mulher · Aparício Saraiva e sua história · Responsabilidade sacrificial do marido · O padrão de Cristo para os homens
- A história de Mônica de IponaCasamento com Patrício, um pagão de temperamento difícil · A perseverança de Mônica em sua fé · A conversão de Patrício · A influência de Mônica na conversão de seu filho Agostinho
- Livro de Jonas, Capítulo 3Exortação às esposas sobre submissão e beleza interior · Exortação aos maridos sobre honra e discernimento · A relação entre comportamento e orações ouvidas
- O Evangelho como transformador de estruturas sociaisO Evangelho não revoga estruturas, mas ensina a viver nelas redentivamente · A dignidade feminina validada pelo apóstolo Pedro · A beleza do Evangelho dentro de casa
Meus irmãos, por gentileza, abram a Bíblia de vocês na primeira carta do apóstolo Pedro, no capítulo de número 3. Nós estamos dando sequência a uma série expositiva em que eu me propus a expor toda a primeira carta de 1 Pedro, já tive o privilégio de expor aqui na igreja a primeira e a segunda carta de Paulo aos Tessalonicenses e nós estamos dando andamento.
a sequência do texto em 1 Pedro. Semana passada nós vimos o capítulo 2, dos versos 18 a 25. Então hoje nós vamos adentrar no capítulo 3, no primeiro porção de texto que aparece aí na sua Bíblia, nos versos de 1 até o número 7. Diz assim a palavra de Deus, acompanha aí comigo.
Igualmente vocês, esposas, estejam sujeitas, cada uma seu próprio marido, para que se ele ainda não obedece a palavra, seja ganho sem palavra alguma, por meio da conduta da sua esposa, ao observar o comportamento honesto e cheio de temor que vocês têm. Que a beleza de vocês não seja exterior, como tranças nos cabelos, joias de ouro e vestidos finos.
mas que ela esteja no ser interior, uma beleza permanente de um espírito manso e tranquilo, que é de grande valor diante de Deus. Pois foi assim também que no passado costumavam-se enfeitar as santas mulheres que esperavam em Deus, estando cada qual sujeita ao seu próprio marido. Foi o que fez Sara, que obedeceu a Abraão, chamando-o de Senhor.
da qual vocês se tornaram filhas, praticando o bem e não temendo perturbação alguma. Maridos, vocês igualmente vivam a vida comum do lar com discernimento, dando honra à esposa por ser a parte mais frágil e por ser co-herdeira da mesma graça da vida. Agindo assim, as orações de vocês...
não serão interrompidas. Só até aqui. Feche seus olhos mais uma vez. Senhor Deus Pai, muito obrigado por esse momento de instrução na Tua Palavra. Que nós possamos sair daqui transformados, coração e mente iluminados pelo Teu Santo Espírito. E que possamos sair daqui praticantes da Palavra. Em nome de Jesus. Amém.
Você conhece a história de Mônica de Ipona? No século IV, em uma pequenininha cidade do norte da África, vivia uma mulher chamada Mônica. Mônica de Ipona. Ela era cristã, piedosa. Mas o seu casamento estava muito longe de ser fácil. Mônica casou-se com o Patrício.
Este, um oficial romano que vivia em Tagaste, no norte da África. Ele era pagão e era conhecido pelo seu temperamento difícil, explosivo e, pior ainda, indiferente às coisas de Deus. Patrício não compartilhava da fé de Mônica, não demonstrava qualquer interesse espiritual e, em muitos momentos, tornava o ambiente do lar um ambiente...
Pesado. Imagina viver todos os dias dentro de casa, da sua própria casa, e se sentir espiritualmente sozinho ou sozinha. Imagine amar a Cristo, mas dividir a vida com alguém que não ama. Imagine ainda orar e parecer que essa situação não muda de jeito nenhum. Mônica era uma mulher muito piedosa.
E o seu desejo genuíno era o desejo de honrar a Cristo, vivendo todos os dias com um marido que não cria e que muitas vezes não facilitava em nada. Mas até aqui, nada de novo debaixo do sol, não é? Essa pode ser, inclusive, a sua história. Assim como Mônica, milhares de histórias se juntam no mesmo dilema.
Só que o que chama atenção na história de Mônica não é apenas o sofrimento que esse dilema causa. É a forma como ela viveu dentro dele. Ela não venceu o seu marido com debates teológicos. Ela não transformou o lar com confrontos constantes. E ela não tentou controlar a situação à força. Segundo os biógrafos, Mônica era conhecida por sua mansidão.
seu respeito, sua pureza de vida e, acima de tudo, a sua perseverança em Deus. Ela chorava, ela orava, ela suportava e, finalmente, ela esperava. Essa era a Mônica. Anos se passaram, não sei dizer quantos, mas muitos anos. E, ao final da vida, algo extraordinário aconteceu.
Patrício se converteu a Cristo. Essa história já seria formidável para nos encher de esperança nessa noite. Só que tem mais. O filho de Mônica. O filho de Mônica era um jovem rebelde, brilhante e intelectualmente orgulhoso. Certamente puxou muito do seu pai. Também andava errante e inquieto. Distante de Deus. Seu nome?
Agostinho de Ipona. Mônica simplesmente foi Mônica sendo a mãe de Agostinho. Ela continuou orando, chorando e vivendo uma fé consistente. Até que, pela graça de Deus, Agostinho também se converte. E se torna, na opinião deste humilde pregador, o maior teólogo da cristandade, depois do apóstolo Paulo.
O que havia na vida de Mônica que é tão difícil de replicar? Não era controle. Essa é uma tendência natural de homens e de mulheres, depois da queda, que se embatem e guerreiam na disputa dos sexos. Não era a imposição e nem era o barulho, como talvez muitas mulheres acham que irão ganhar a disputa. Caráter...
Testemunho e consistência. Virtudes essas que só são possíveis a um coração entregue ao Senhorio de Jesus. Que permite que o Espírito Santo adoce a alma e adoce a vida. Mesmo quando a vida se achega com doses amargas. Quando nós chegamos no capítulo 3 da primeira epístola de Pedro.
Encontramos exatamente isso. O poder de uma vida moldada pelo Evangelho dentro do casamento. Pedro está falando com Mônicas e também está falando com Patrícios. Ambos, homens e mulheres, precisam do poder transformador do Evangelho na rotina do lar.
E Deus, muitas vezes, escolhe transformar um lar não por meio de argumentos elaborados e expressos com pujança, mas por meio de uma vida profundamente moldada pelo Evangelho. E é isso que nós vamos ver nessa noite. E espere, tenha calma. Talvez você pense, pastor, eu não sou casado. Então essa palavra não se aplica diretamente a mim.
você está equivocado. Porque o que você vai aprender nessa noite é a vida moldada pelo Evangelho. Prosseguimos aqui no capítulo 3 com os códigos domésticos. É o que nós estamos trabalhando desde a sessão anterior. Na semana passada, nós lidamos com o primeiro desses códigos domésticos, a relação servo-senhor, que se traduz para o nosso tempo como a relação empregado-patrão, lembra?
Embora fosse diferente em um certo nível naquela cultura, você só vai entender isso melhor se você ouvir o sermão na íntegra. Ali eu desconstruo a ideia de que o cristianismo passa pano para a escravidão. Nesse trecho, a relação a ser abordada é a relação mulher-marido, nessa ordem. Como fica bastante evidente na leitura que nós acabamos de fazer.
E da mesma maneira que Pedro fez na sessão anterior, ele assim o faz agora. Ele se dirige aqui, quase que na totalidade desses sete versos no seu discurso, a posição mais inferior naquela sociedade dentro do casamento, que eram as mulheres. O distintivo aqui é que as mulheres que estão abordadas no texto são casadas.
Mas ainda assim, elas não tinham proeminência, não tinham direito de fala e a sua vida era baseada exclusivamente na pessoa do seu marido. E aqui Pedro já quebra um paradigma. Dirigir-se primeiro às mulheres nessa sociedade greco-romana era comprar uma briga. O apóstolo está validando aqui a dignidade feminina de um jeito que não fora visto antes na literatura, nos filósofos, na moralidade.
Só que, mais uma vez, o apóstolo está se prestando a um trabalho de um apologeta social. Que raio seria isso? Um apologeta social. Ele está defendendo o cristianismo a partir das estruturas sociais existentes naquele tempo que não foram revogadas por Deus. Servo Senhor primeiro e agora mulher marido.
Perceba, o Evangelho não nos tira das estruturas, ele nos ensina a viver nelas de uma forma redentiva. Com isso em mente, eis aqui o tema para o sermão. A beleza do Evangelho dentro de casa. A beleza do Evangelho dentro de casa.
E a divisão do texto é muito natural e simples. Pedro se dirige às mulheres e depois aos maridos. Ele se dirige às mulheres dos versos de 1 a 6, e esse é o primeiro ponto do nosso sermão, a beleza silenciosa de uma esposa moldada pelo Evangelho, versos de 1 a 6.
E se dirige aos homens num único verso, nessa passagem, o verso de número 7, que nos dá o segundo ponto deste sermão, a responsabilidade sacrificial de um marido moldado pelo Evangelho, verso 7. Então vamos aos pontos deste sermão. Primeiro, a beleza silenciosa.
de uma esposa moldada pelo Evangelho. Acompanhe novamente aí comigo a leitura, por gentileza. Igualmente vocês, esposas, estejam sujeitas, cada uma a seu próprio marido, para que, se ele ainda não obedece a palavra, seja ganho sem palavra alguma, por meio da conduta de sua esposa, ao observar o comportamento honesto e cheio de temor que vocês têm.
Que a beleza de vocês não seja exterior, como tranças nos cabelos, joias de ouro e vestidos finos, mas que ela esteja no ser interior, uma beleza permanente de um espírito manso e tranquilo, que é de grande valor diante de Deus.
Pois foi assim também que no passado costumavam se enfeitar as santas mulheres que esperavam em Deus, estando cada qual sujeita a seu próprio marido. Foi o que fez Sara, que obedeceu a Abraão, chamando de Senhor, da qual vocês se tornaram filhas, praticando o bem e não temendo perturbação alguma.
O apóstolo Pedro se dirige às esposas, em primeiro lugar. E ele começa de um jeito que pode causar uma certa estranheza em muitas mulheres. Ele diz, estejam sujeitas, ou, em outras versões, sede submissas.
A palavra grega aqui é upotasso. A mesma palavra que o apóstolo Paulo se utiliza no texto mais consagrado sobre submissão feminina, que é o texto de Efésios, capítulo 5, verso 22, que diz, esposas, que cada uma de vocês se sujeite ao seu próprio marido.
Antes de chegar nessa palavra, nessa expressão, ele junta o pedaço anterior da carta ao que agora ele vai exortar as mulheres, as esposas e aos maridos. E ele diz, igualmente vocês. O que isso significa?
Do mesmo modo que o servo, lembra do sermão passado? O escravo da casa. Ele precisa se submeter ao seu senhor, ao seu patrão. Mesmo sendo ele mal. Mesmo sofrendo injustamente. Igualmente vocês, esposas, estejam sujeitas no mesmo espírito e na mesma mansidão. Semana passada, nós tiramos um elefante branco da sala.
Nós lidamos com o tema da escravidão na Bíblia. Mas não é que apareceu outro. Elefantes andam se reproduzindo. Só pode ser isso. Só nos resta tirar esse outro elefante branco aqui e fazemos isso lidando com um tema sensível. A submissão feminina. Permita-me tirar as pedras do caminho em primeiro lugar.
O que submissão não é na perspectiva bíblica. Submissão não é ser capacho, que literalmente é o tapete usado para limpar os pés. Não é isso que significa submissão. Não se trata de ser alvo de um tratamento abusivo e limitador. Também não é isso.
Submissão também não é uma anulação de si enquanto pessoa, ou seja, seus sonhos, projetos, interesses. Submissão não é uma bandeira machista de um livro antigo. Isso é o que pregam as feministas radicais que gritam abaixem o patriarcado, queimem a Bíblia, como se esses costumes pertencessem a um livro muito antigo e antiquado. Não é isso.
O tema continua valendo para nós hoje. E submissão feminina não é a submissão de uma mulher para com todo homem. Não é. A mulher só deve ser submissa a três homens. Três homens, pastor? Essa conta está certa? Eu explico para vocês. Jesus, em primeiríssimo lugar, meio óbvio, mas eu aposto que você estava se esquecendo.
o seu pai, de uma maneira condicional, enquanto viver debaixo das regras de um lar governado pelo seu pai, porque depois que a mulher se casa, ela deve submissão a um terceiro homem, seu marido. Então, uma mulher não deve submissão a um outro homem que não sejam esses três. Fique tranquila. Isso resolve muito do dilema dessa questão.
E o que seria submissão bíblica em termos simples? É estar sujeita à liderança do seu marido. Simples assim, mas muito difícil de ser vivido em várias realidades.
No mais ideal dos casos e cenários, essa liderança masculina é amorosa, ela é sacrificial, ela é graciosa, tornando muito mais fácil uma esposa se submeter de maneira voluntária ao seu marido.
Kev DeYoung, no maravilhoso livro, recém-lançado em português, livro esse que também faz parte do currículo da nossa classe, do nosso curso de teologia da família, Homens e Mulheres na Igreja, é o nome do livro. Ele resume bem a submissão na vida real, no chão de fábrica, com três palavras, apoiar, respeitar e seguir.
Esposas, apoiem seus maridos, respeitem seus maridos e sigam a liderança dos seus maridos. Mas o apóstolo Pedro mostra uma submissão num cenário mais complicado. Quando este marido não é o exemplo de Cristo em casa. Ao contrário disso, nem fé ele tem. Essa mulher então está desobrigada da submissão?
de modo algum, argumenta o apóstolo. E ele faz isso apontando para o propósito evangelístico, no verso 1, o poder do testemunho visível, no segundo verso, a verdadeira beleza, nos versos 3 e 4, e o exemplo das santas mulheres, nos versos 5 e 6.
O propósito evangelístico está explicado aqui no texto, bem explícito. Para que se ele ainda não obedece a palavra, seja ganho sem palavra alguma. Olha só que interessante. Eu sei que nós não somos muito adeptos daquele slogan, ganhe as pessoas para Jesus e se preciso for, utilize palavras. Não, nós utilizamos palavras para pregar o evangelho. Mas Pedro está mostrando um outro caminho aqui dentro de casa, sem palavra alguma.
Por meio de quê? Por meio do procedimento de sua esposa. Pedro entendia muito bem aquela cultura. A esposa não poderia instruir o seu marido. E a acusação da sociedade já estava armada aqui, ela já estava pronta.
A mulher convertida vai perverter a ordem social, porque será contrária à religião e aos costumes do seu marido. O seu marido vai ficar mal falado pelos cantos, porque não governa a sua própria casa, já que perdeu a esposa para uma nova religião. Enfim, Pedro está usando aqui toda a prudência e a sabedoria bíblica para casos como esse. Continuem submissas aos maridos e a sabedoria bíblica.
para que eles sejam ganhos, sem discussões teológicas acaloradas, sem imposições ou chantagem, sem rachar o lar, sem colocar os filhos contra. É muito interessante que o apóstolo aqui não resolve algumas questões que a gente gostaria que ele resolvesse e isso tornaria a vida desse pastor aqui muito mais fácil. Por exemplo.
ele não ordena a esposa que frequente o culto cristão, a revelia do seu marido. E nem lhe dá permissão para ficar em casa e adorar sozinha, no seu íntimo. Ele apenas a instrui a se submeter às vontades do marido, deixando todas as particularidades dessa questão estritamente entre mulher e marido. Entre marido e mulher.
Karen Jobs, falei dela semana passada, comentarista bíblica, excelentíssima no comentário de 1 Pedro, ela nos ajuda aqui. Ela diz o seguinte, a esposa cristã não deve se submeter às expectativas de qualquer homem, ou dos homens em geral, mas as de seu marido. Pedro abre a porta para transformação social, ao deixar que seu marido e mulher
decidam a maneira específica como a submissão da esposa deve ser expressa. Então não adianta muito perguntar para nós pastores, pastor, meu esposo não quer que eu frequente a igreja, o que eu faço? Isso é algo que você vai precisar dialogar com ele. Nesse assunto ele tem mais autoridade bíblica por ser o seu marido do que eu, pastor, do que nós, pastores.
Todavia, minha irmã, acalme o seu coração. Se você entender que isso não é uma posição de inferioridade, mas é uma missão dentro do casamento, você vai adocicar a sua relação. E pelas suas atitudes, mesmo sem palavra alguma, Deus a usará para que seu marido seja ganho na causa de Cristo.
Algumas histórias aqui, nessa comunidade de fé, nessa igreja local, que eu conheço particularmente, foram exatamente assim. Mulheres perseverantes que oraram e seus maridos se converteram. Então fique firme. Nem todo argumento ganha pessoas. Mas uma vida consistente, sim. Uma vida consistente no evangelho. Pedro aponta, na sequência, o poder do testemunho visível no verso 2.
O procedimento da esposa deve ser um honesto comportamento cheio de temor. Esse é o poder do testemunho. Ser consistente com a fé que você tem. Demonstrar o seu amor a Deus em toda e qualquer oportunidade. Orar nas ocasiões e mostrar ao seu cônjuge que a oração tem poder em Cristo Jesus.
Ter domínio próprio. Mas já já a gente fala mais disso. E mostrar-se confiante em Deus em todo o tempo. Ah, minhas irmãs. Se vocês aplicarem isso na vida de vocês, o lar será harmônico na graça do Senhor Jesus. Esse comportamento honesto, cheio de temor, vai abalar as estruturas do seu marido em algum momento.
Ele dirá, como que essa mulher pode ficar firme mesmo depois disso ou daquilo, desse episódio, dessa ocasião? Como essa mulher pode amar tanto alguém que ela não vê e nem pode conversar fisicamente? As santas pulgas que farão seu marido coçar a cabeça e se perguntar se não existe algo mais nessa vida. Se a vida não é mais do que simplesmente trabalhar, ganhar dinheiro, sustentar a casa.
As chances são enormes que, pelo seu comportamento, ele acabe se defrontando com a palavra de Deus e seja transformado. Pedro, então, diz aqui sobre a verdadeira beleza. Verso 4.
em que ele contrasta a beleza das mulheres daquele tempo, daquela cultura, em que todos esses apetrechos, joias finas, vestidos, eram vistos como instrumento de sedução e o uso dos cosméticos, sim, as mulheres já se maquiavam nessa época, como tentativa de enganar. Essa era a cultura.
para o qual o apóstolo Pedro estava escrevendo. Ao sair de casa sem os adornos, sem os apetrechos, provavelmente a mulher estaria declarando ali uma posição e uma intenção. A intenção de comparecer ao culto, ao culto cristão, e não a um encontro amoroso. Pedro está combatendo uma cultura e os seus usos inadequados.
Então, fique tranquila. O texto não está condenando a academia, não está condenando o salão de beleza, não está condenando a clínica de estética. Fique tranquila, minhas irmãs. Mas essa é apenas a primeira camada do texto.
A segunda é que a verdadeira beleza feminina, ela não é exterior, ela é interior. Ela não está no seu corpo, nas suas roupas, nas suas joias, mas sim um espírito manso e tranquilo. O que diz o texto é de grande valor diante de Deus. Bingo!
diante de Deus e de todo homem sensato. Essa é a qualidade que homens no mundo inteiro buscam em suas parceiras, mansidão e tranquilidade. Desde o Antigo Testamento, lá em Provérbios, capítulo 27, versos 15 e 16, se ensina que a mulher é richosa. O que é a mulher é richosa? A mulher é briguenta.
Ela é como uma goteira em um dia chuvoso. Fica pingando, pingando, atormentando, atormentando. E toda e qualquer situação ela já está pronta para o barraco. Ela não trata o seu marido bem. E por isso, irá perdê-lo na fé. E me ouça com atenção, minhas irmãs que estão aqui presentes nessa noite. Mesmo que o seu marido for crente, sentado aí do seu lado, se você for richosa...
E briguenta. Infelizmente a vida os encaminhará para o divórcio. E depois tem que chamar nós, pastores, para apagar incêndio. E torcer por um milagre para que esse homem não vá embora de casa. Cultive a mansidão e a tranquilidade. Seja leve com a vida. Seja leve com as coisas de casa.
Se o seu marido deixa aquela toalha molhada na cama toda vez, ao invés de esculhambá-lo por isso, recolha a toalha, espere a raiva passar e com jeitinho, com carinho, converse com ele. A sua vida vai ser mil vezes mais fácil. Acredite em mim.
E se não for por ele, faça para Deus. Afinal, é de grande valor diante de Deus. Que você seja mansa e tranquila. Não seja briguenta. Não seja richosa. Pronta para o combate. Seja mansa e tranquila. Essa é a verdadeira beleza feminina. Por fim, nessa parte dedicada às esposas.
Pedro aponta o exemplo das santas mulheres nos versos 5 e 6. A personagem aqui escolhida é Sara. Em Gênesis 18, 12, Sara refere-se a Abraão como seu senhor. É aqui que Pedro está tirando a referência nessa passagem. E é engraçado que o relato de Gênesis nos mostra Abraão obedecendo a Sara, o contrário, em três ocasiões. Você pode ler isso lá em Gênesis 16, duas ocasiões, e no capítulo 21.
Mas o certo aqui é que a obediência de Sara a Abraão tinha já se tornado um elemento da tradição judaica, em que Sara é vista como uma mulher virtuosa, e mulheres virtuosas se submetem aos seus maridos. Talvez o paradigma da obediência de Sara seja aquele episódio para lá de controverso. Em Gênesis, capítulo 12.
quando ela coopera com uma artimanha enganosa na corte de Faraó por falta de sabedoria de Abraão. Se você não se lembra, é aquele episódio em que Abraão disse para Sara fingir ou falar que a sua irmã, com medo de os egípcios os matarem, uma vez que Sara era muito bonita, diz as Escrituras. E apesar da injustiça e dessa situação, desse ambiente hostil, ela ainda assim resolveu ser submissa.
Pode ser que essa seja a referência direta à Sara como modelo aqui no texto, mas nós não podemos concluir. De um modo ou de outro, a instrução continua para vocês, minhas irmãs.
Sigam o exemplo de Sara. Continuem confiantes em Deus, tal como as santas mulheres que esperavam em Deus, estando submissas aos seus próprios maridos. Continuem praticando o bem dentro e fora de casa, sem temer perturbação alguma. Sigam o exemplo de mulheres piedosas.
e de como elas lidam com o seu casamento. Cole em irmãs mais experientes, tire as suas dúvidas, converse sobre os seus anseios, promovam um discipulado entre vocês. Se você ainda é uma adolescente e vai casar-se futuramente, converse com as suas líderes, deixe que essa edificação das mulheres mais instruídas e experientes, discipulando as mais novas, transforme a sua vida.
Essa é a recomendação do apóstolo Paulo, lá na carta a Tito, dizendo qual é o verdadeiro ministério feminino na igreja. É o discipulado entre vocês, minhas irmãs. Muita coisa dita para vocês, né, mulheres?
você vai ficar com a sensação de que Pedro economizou palavras aqui para os homens com um único verso nessa passagem. Mas ele diz coisas profundas que deixam qualquer homem pensativo por muitos dias. Vamos ao segundo ponto. A responsabilidade sacrificial de um marido moldado pelo evangelho. Verso 7.
Pedro fala agora diretamente aos maridos. Menos palavras, mas grande peso. Maridos, vocês igualmente vivam a vida comum do lar com discernimento, dando honra à esposa por ser a parte mais frágil e por ser co-herdeira da mesma graça da vida. Agindo assim, as orações de vocês não serão interrompidas. A vida com discernimento é nada mais do que a vida com entendimento.
O que isso significa aqui no texto? Significa conhecer a sua esposa. Ser sensível com as suas causas e questões. Ser sensível com os seus sonhos. É não agir com ignorância emocional ou espiritual.
Se eu fizer um quiz aqui entre nós, homens casados, perguntando qual é a comida favorita da sua esposa, o lugar que ela mais gosta de sair nessa cidade, qual que é o sonho dela nesse momento, você gabaritaria esse teste? Espero que sim. Espero que sim. Depois eu vou ver com a Karine se eu gabaritei o teste, tá? E eu falo para os irmãos. Deus colocou uma preciosidade.
ao seu lado. Porque quem encontra uma esposa, encontra uma bênção da parte de Deus, diz Provérbios, capítulo 18, verso 22. Então trate de conhecê-la, trate de amá-la de verdade, de amá-la mais do que você ama a si mesmo. E isso significa levar em consideração muito mais as prioridades dela do que as suas.
Mesmo que isso signifique pegar o seu controle remoto, desligar a bendita televisão na hora do jogo do seu time, aquele jogo de libertadores, e conversar com ela quando ela se achegar do seu lado, se aninhar do seu lado querendo carinho, querendo prosear. Você vai ter coragem de desligar a televisão? É isso que é requerido de nós, homens, que ela seja uma prioridade da nossa vida no lar.
É conversar com ela, é dar o carinho e a atenção necessária. Se você não quer isso de jeito nenhum, você nem deveria ter casado. Você ainda é um menino tentando descobrir a vida. Não negligencie a espiritualidade de vocês.
Lidere a sua casa, lidere essa mulher e os seus filhos com a palavra. Todo dia é dia de devocional. Toda refeição tem oração. Todos os dias a sua esposa e os seus filhos serão a sua prioridade. E eu não estou dizendo aqui de sair de casa para ganhar dinheiro. Isso é o básico.
Isso é a sua obrigação. Eu estou falando de estar disponível para eles inteiro, mesmo cansado, mesmo depois do expediente, mesmo quebrado por alguma circunstância da vida. Parece que o sarrafo aumentou aqui para nós homens, não é? Mas esse é exatamente o padrão de Cristo, que morreu pela igreja.
Assim, nós homens morremos para nós mesmos, para que as nossas esposas e os nossos filhos frutifiquem no evangelho. Dando honra à esposa. Honre a sua esposa. No contexto da antiguidade, isso aqui era algo revolucionário. A mulher era simplesmente um instrumento social. Ela não tinha primazia da honra do seu marido.
já que a sua posição social era uma posição de inferioridade. O evangelho rasga esses paradigmas e muda a história, elevando aqui, dignificando o valor da mulher e colocando ela como o alvo da honra do seu marido, tal como Cristo adornou a igreja, a embelezou, a honrou, está às portas do seu triunfal casamento. Honre a sua esposa com palavras, fale bem dela em público, nunca mal.
Seja cavaleiro, priorize os seus sonhos. Seja um patrocinador dos sonhos da sua esposa. E, claro, aqui com equilíbrio e discernimento. Se ela inventar nessa altura do campeonato que ela quer ser uma astronauta da NASA, é seu dever tirá-la do mundo da Lua, tá bom? Mas com equilíbrio e discernimento, seja um patrocinador dos sonhos da sua esposa. Faça isso por ser ela a parte mais frágil.
e por ser corredeira da mesma graça da vida. Olha ele aí, o filhote de elefante branco na sala de novo. O que significa ser a parte mais frágil? Acalme-se, minha irmã. Pedro não é um machista, não é um misógino. Pedro só está apontando para a simples biologia aqui. A mulher é a parte fisicamente mais frágil.
Pedro não está falando de memória, não está falando de atenção e nem está falando de emoções. Embora alguns subjuguem vocês, minhas irmãs, dizendo que mulheres são mais instáveis emocionalmente. Pedro não está dizendo nada disso. O texto está nos dizendo que a mulher é a parte mais frágil pela sua fragilidade biológica mesmo. O homem tem mais força.
E nesse caso, aqui também específico, a posição na sociedade dos direitos, da autonomia. Então a exortação de Pedro aqui é muito clara. Preste atenção. Extremo cuidado com a violência física. O simples ato de apertar o braço da sua esposa para intimidá-la, já é subjugá-la e desonrá-la. Mais do que isso, nós estamos falando de denúncia, de cadeia.
Tome cuidado. Nunca seja vencido pela raiva momentânea, meu irmão. Estou falando para vocês, homens. Não soque a parede. Não parta para cima da sua esposa. Jamais faça alguma coisa dessas. No calor da discussão, se retire de campo.
Esfria sua cabeça e volte mais tarde para uma conversa sensata. Não estou dizendo que é fácil. Estou dizendo que é necessário. Eu não. A palavra de Deus. A consequência espiritual aqui é muito, muito séria. Se você desonrar sua esposa, agredi-la com atitudes, palavras, ou mesmo fisicamente, as suas orações não passarão do teto.
Serão interrompidas, não terão efeito algum, não valerão de nada. O marido que trata mal a sua esposa tem a sua vida espiritual completamente afetada. E depois não adianta perguntar, Deus, por que as coisas não estão dando certo para mim? A resposta está aqui. As suas orações não passarão do teto. Conserte isso. Resolva o seu relacionamento, peça perdão. Esse é o seu papel enquanto homem.
O desfecho talvez deixe um gosto amargo na boca de alguns. Mas pense pelo lado positivo dessa questão. Agindo com honra e graça com a sua esposa, as suas orações serão ouvidas. Melhorou assim? Então trate com honra a sua esposa e Deus escutará as suas orações. Mas sabe o que não somente melhora o texto, mas ele amarra todo esse texto? Cristo Jesus.
Talvez você pense se tratar de mudanças que você precisa fazer e algumas são difíceis. E sim, você precisa dessas mudanças na sua vida. Mas se eu te jogar em um oceano sem o equipamento adequado, você não vai sobreviver. E aqui é a mesma coisa. Se você não for vestido com o evangelho de Cristo, você vai nadar, nadar e vai, no máximo, morrer na praia.
Cristo e a sua poderosa mensagem do evangelho nos diz que é sobre ele, sobre o que ele já fez em nosso favor. Isso significa que as suas forças para lutar, para mudar a história do seu casamento,
Seja você mulher ou homem, esposa ou marido, na verdade são doadas por aquele que já lutou e já venceu em nosso lugar. Você tem alguém a quem recorrer 24 horas por dia, clamando por força, por ajuda. Jesus de Nazaré, ele é especialista em consertar histórias, como ele fez comigo e com você, já que morreu no nosso lugar.
Tirou todo o escrito de dívida. E ele pode fazer isso na sua história hoje ainda. Ou pode fazer isso na sua história mais uma vez. Basta que você se entregue verdadeiramente a ele. Que você confesse que não é pela sua força de vontade. É por aquilo que Jesus já fez. E aí você vai descobrir que o Espírito Santo vai te capacitar para viver essa vida.
Só Cristo pode oferecer tamanha alegria, meus irmãos. Na cruz ele comprou o seu povo. Pela sua vida obediente, a sua morte vicária de cruz.
Eu e você, nós podemos ser maridos e esposas, filhos e filhas, servos e patrões, irmãos e irmãs, com a expectativa de alguém que está moldando as nossas histórias. Agarre-se a isso com esperança. Jesus é especialista em casamento. Ele pode transformar o seu. O seu primeiro milagre, não à toa, foi em um casamento.
Pra quê? Pra nos mostrar que o seu poder atua no matrimônio. Confie que Deus pode converter o seu marido, minha irmã, sem acesso à história. Confie que Deus pode te transformar num líder amoroso, meu irmão. Feche seus olhos, vamos orar. Senhor Deus Pai, muito obrigado pela tua palavra que fala conosco.
desde que ela haja durante alguns dias, Senhor, no nosso coração, para que ela frutifique para o resto das nossas vidas. Espírito Santo, sonde o nosso coração enquanto maridos e esposas. As esposas, que o Senhor dê a verdadeira beleza, a mansidão e a tranquilidade aos maridos.
que o Senhor dê a liderança sacrificial dentro do lar. E que juntos, como famílias unidas no Evangelho, nos tornando igreja, povo do Senhor, nós avancemos numa sociedade cada vez mais corruptível. Que a gente possa dar bom testemunho e que as pessoas sejam ganhas para aquilo que Jesus já fez em nosso lugar.
Nós oramos em nome de Jesus. Amém.