LIVREMENTE | Ep 87 - Objectivos de ano novo
5 Estratégias para organizar as suas resoluções de ano novo.Um abraço estóico,Ivandro Soares MonteiroSponsors@eme_saude@bom_dia_oficial #drivandro #psicologia #comportamento #emesaude #filosofia #autoconhecimento #anonovo #resoluções
Ivandro Soares Monteiro
- A importância de definir objetivos de Ano Novo de forma eficazconsistência·falha em cumprir planos
- O primeiro pilar para alcançar objetivos: o compromisso com o propósitovínculo pessoal·hábito de leitura
- A clareza do objetivo como segundo pilar para a concretizaçãoespecificidade do objetivo·biografias·Barack Obama·Phil Knight
- O desafio e a complexidade como fatores motivacionais para o objetivograu de dificuldade·etapas do processo·mitologia grega
- A importância do feedback e do registro para aumentar a consciência do progressoregistro de tempo·hábitos de leitura
- Recomendação de livros e autores para o desenvolvimento pessoalCarl Sagan·Contacto·Interstellar·Joseph Campbell·O Poder dos Mitos·António Damásio·O Erro de Descartes
Ora, muito boa noite, meus estoicos seguidores! Bem-vindos ao nosso episódio número 87, este nosso primeiro episódio de 2023. Espero que tenham tido bom ano, espero que tenham tido boas festas, e hoje vai ser o nosso primeiro episódio do ano 2023 com um formato dentro daquilo que nós temos vindo a fazer desde janeiro de 2021. Portanto, está a fazer precisamente agora em 2023, 2 anos em que as nossas terças-feiras a esta hora têm sido para levarmos ciência com metáforas e exemplos, ora individualmente, ora com convidados, a cada um de vocês.
Espero que tenha sido útil e e que esteja a ser útil. Nós temos vindo a crescer e foi agora em dezembro de 2000, foi presente de Natal basicamente, que recebi a notícia de que passámos os 6000 seguidores e portanto muito obrigado pela confiança e por estarem a seguir este canal e espero que este ano possamos continuar juntos a levar estas estas ferramentas e esta partilha de informação sustentada para que vos sirva e consigamos cada um de nós sermos mais inteiros para funcionarmos uns com os outros.
O meu nome é Ivandro Sousa Monteiro, eu sou psicólogo clínico, sou professor universitário e com a pandemia foi quando decidi criar este projeto online, por forma que pudesse dar aqui um contributo, tendo em conta o que fui vendo na prática clínica com os meus clientes a propósito das perturbações de ansiedade que surgiam e com este crescimento das inseguranças e dos problemas sociais que vão surgindo, também ligado às redes sociais e ao tempo que se passa no online, para nós conseguirmos dar aqui algumas ferramentas de uma forma, de uma forma generalizada para que possa ser útil a gerir melhor os vossos comportamentos.
O tema de hoje, aliás, outra coisa, este projeto conta com o apoio e o patrocínio dos sponsors da M-Saúde, clínica médica de consultoria comportamental, de saúde mental e palestras e eventos, e também do Jornal da Diáspora Portuguesa, o jornal mais antigo da diáspora o jornal Bom Dia. À medida que eu vou estando a falar e vou vendo aqui os vossos comentários, vou tentando ver. Boa noite, Diamantino. Boa noite, Ana. Boa noite, Goretti.
Boa noite, Paula. Fábio, o nosso colega psiquiatra da equipa da M Saúde, também está aqui. Inês, bem-vinda. Fernanda. Rute Rocha, conteúdo fantástico. Muito obrigado, Rute. E portanto, o que está aqui agora merece mais umas coisinhas que eu agora trouxe para nós podermos estar aqui também a ter aqui alguns momentos de bom humor. Quem me conhece sabe que uma melhor forma de nós conseguirmos lidar com as coisas mais duras e mais que nos fazem sofrer, o humor é sempre um uma ferramenta muito importante e portanto faz parte da minha natureza também termos este lado mais, mais bem-humorado.
E espero que isso traga também aqui alguma cor para alguns assuntos sérios que temos vindo a trabalhar ao longo do tempo. O tema de hoje é um tema sobre os objetivos de Ano Novo e o desafio aqui é pensar ou é fazer-vos pensar se realmente os objetivos que vocês definiram na passagem de ano são objetivos de facto novos para o ano 2023 ou se são os velhos objetivos de 2022 para ver se executam no ano 2023. E isto porquê? Porque a maior parte das pessoas, portanto, e isso tem a ver com o que diz a literatura científica, a maior parte dos estudos mostram que nós, por regra, não conseguimos ser consistentes e manter os comportamentos alinhados com os objetivos que nós definimos.
Portanto, nós tendemos claramente a não cumprir os nossos planos e ao fim de um mês e meio a 2 meses, por regra, já começamos a falhar bastante sobre aquilo que era o nosso objetivo na passagem de ano. Portanto, isso está errado e devemos realmente ter aqui um foco muito mais eficaz para conseguirmos orientar os nossos comportamentos. Uma coisa que é importante também e que importa aqui dizer este ano, este ano as lives vão ter um tempo menor.
Portanto, vamos estar menos tempo nas lives, principalmente quando estou sozinho e quando tenho convidados. Aqui, por regra, vamos manter aquele padrão dos 45 a 60 minutos. Nesta fase vou tentar fazer estas lives mais curtas e mais concisas, com a âncora daquilo que importa aqui transmitir. E portanto, os objetivos das resoluções de Ano Novo, por regra, a maior parte das pessoas não são consistentes. Nós tendemos claramente a falhar logo ao fim de poucas semanas, 4 a 8 semanas.
Nós já não estamos a ser capazes de manter os nossos objetivos e por isso vou-vos dar aqui algumas linhas que a literatura também nesta área do comportamento e dos nossos objetivos de final de ano ou de ano novo pode servir para realmente aumentarmos a probabilidade de conseguir. E por isso, o que é que importa quando nós definimos objetivos? Quando nós definimos um objetivo, nós definimos um rótulo. Portanto, nós temos lá uma meta lá no fundo e que, por exemplo, eu quero perder peso e vamos delinear assim uma ideia muito geral.
E quando nós dizemos eu quero perder peso, eu sei o que é que quero, mas não estou a perceber ao detalhe. Não tenho nitidez nem a clareza suficiente para perceber exatamente aquilo que quero. Então o que é que importa? Há aqui 5 pilares importantes que são estes que eu quero transmitir-vos, que têm a ver com alguma da literatura, que têm a ver com alguns colegas de estudos de 2018 que fizeram e tentaram perceber um bocadinho o que é que pode aumentar a probabilidade de nós conseguirmos de facto concretizar os nossos objetivos.
E o primeiro é, portanto, são 5. O primeiro é o compromisso. Portanto, o compromisso tem a ver com a definição de um objetivo e nós só conseguimos fazer um compromisso com alguma coisa que nós vemos bem. Se nós dizemos eu quero emagrecer, Por exemplo, e estou a pegar aqui na questão do peso, mas quero começar a ler um livro, quero começar a ler livros. Vou pegar até nos livros, que se calhar é mais neutro, porque também podem personalizar alguns aspectos ligados a algumas estratégias ligadas ao peso, e isso depende muito de cada um de nós.
Mas vamos pegar aqui num bom hábito que todos deveríamos ter com frequência, que é a capacidade de ler ou a leitura. E vamos imaginar então que nós em 2023 decidimos que eu quero passar a ler este ano. Então o compromisso com esse objetivo só existe quanto mais eu consigo criar um vínculo que faça sentido para mim. Então eu tenho que entender porquê é que eu quero de facto ter este hábito de leitura, porquê é que eu quero ler livros, porquê é que eu quero começar a ler.
E aqui a lógica mais básica que posso partilhar é que, e dou o meu exemplo, que eu gosto bastante de ler, e uma das coisas que me faz sentido é que para eu conseguir se calhar ter mais consciência da forma como penso e depois conseguir articular melhor o conhecimento para dar melhores aulas, para conseguir fazer melhores Sim, houve aqui uma interrupção na minha imagem, mas cá estamos de volta. E portanto, a melhor forma para eu conseguir perceber a importância da leitura é eu conseguir perceber que se calhar eu vou conseguir dar melhores aulas, vou conseguir articular melhor a comunicação verbal para explicar melhor as coisas às pessoas, vou perante discussões e conflitos, se calhar por causa da leitura, Vou conseguir discutir menos e conversar mais.
Portanto, eu vou melhorar a minha capacidade de argumentação perante debates e perante opiniões diferentes. Provavelmente vou amadurecer alguns pontos de vista que de outra forma não conseguiria, porque não via outras maneiras de pensar e outras lógicas que nunca me passaram pela cabeça. E isso é, se calhar, esta é a âncora que me leva a criar um vínculo com este compromisso benefício da leitura. E portanto, porquê que eu quero ler?
Eu quero ler porque eu sei que vou ter um ganho substancial para o meu funcionamento e no meu dia a dia, que me vai beneficiar não só a mim, mas também a quem está à minha volta e quem vai estar em interação comigo. Portanto, o primeiro objetivo quando eu tenho um— quando fazemos aqueles desejos de Ano Novo, essa resolução de Ano Novo, eu vou passar a ler, Então o compromisso tem a ver com este vínculo, com esse compromisso, porque eu compreendo o porquê que eu estou a fazê-lo.
Portanto, isto é o compromisso. O segundo ponto é a clareza. A clareza desse objetivo. O que é que significa eu quero ler? Eu quero começar a ler porque eu acho que ler é importante. Começar a ler é ok, é um bom objetivo, mas ler o quê? Ler que assunto, que livro, que conteúdo. Portanto, é um livro de que assunto é que me interessa? Qual é o assunto que me interessa? É um livro ligado ao desenvolvimento pessoal, à história? É um livro de espionagem?
É um livro de romance? É um livro baseado em factos verídicos? É uma biografia? É um livro de ficção científica? Eu tenho que entender com clareza. Portanto, para eu ter clareza, eu tenho que ter um alvo específico. E portanto, eu quero, por exemplo, uma coisa que sempre gostei durante uma fase principalmente foi ler biografias. Como é que as pessoas que nós muitas vezes vemos como diferenciadas ou que conseguiram de facto causar diferenças e impacto no mundo pela positiva, interessa-me então perceber qual a trajetória de vida dessas pessoas.
Não para copiar, porque a cópia é sempre pior que o original, mas para eu conseguir entender como é que as pessoas, perante as suas dificuldades e os seus problemas, foram transformando essas dificuldades e esses problemas como oportunidades para conseguir chegar mais longe, como oportunidades para entenderem que a vida não é aquilo que nos acontece, Mas a vida é, acima de tudo, o que é que nós fazemos com aquilo que nos acontece.
Ou seja, nós passamos a ter muito mais controle sobre as circunstâncias da nossa vida e isso faz-nos ter muito mais domínio e muito menos, ficarmos menos sujeitos à pressão e à ansiedade de uma forma descontrolada. Portanto, o compromisso, primeiro ponto. O segundo, a clareza. E a clareza então tem que estar ligada a esta especificidade do objetivo. E portanto, neste caso, a minha especificidade é definir aqui qual é o livro ou qual é a biografia que eu quero ler.
Eu gostei bastante, por exemplo, da biografia do Barack Obama, com o livro A Audácia da Esperança. É um livro extraordinário que conta a sua trajetória. E isso, ou do Phil Knight, da Nike. E portanto, há uma série de entre outros, que nós podemos encontrar desde a Grécia Antiga até ao presente. E por isso é que importa também gostarmos de história. Uma coisa importante é que quanto mais experiência clínica fui tendo, e aliás em 2022 passei a barreira das 24.000 consultas, o que ao vermos muitas vidas e ao lidarmos com muitas experiências, nós aprendemos muito vendo certas autoestradas que depois também aprendemos a evitar precisamente por causa do que vimos.
E portanto, percebemos que nós existimos hoje, mas nós chegamos a este mundo com uma história anterior que fez com que o mundo chegasse àquilo que é hoje. E por isso, quanto mais eu entendo a história, mais eu vou aprender a respeitar o que foi para fazer evoluir o que foi e melhorar aquilo que tenho para tornarmos o mundo melhor. E é esse processo de continuidade, quase como se fôssemos estafetas numa maratona, a passar o testemunho uns aos outros ao longo das gerações atrás das gerações, séculos atrás de séculos, para fazer com que o mundo vá evoluindo constantemente para chegarmos àquilo que nós temos hoje.
E portanto, isto numa trajetória temporal, cronológica, ao longo do tempo, nós percebemos que nós estamos de facto no melhor mundo que alguma vez existiu, tendo em conta essa trajetória, porque eu só posso comparar mundos reais, que é o mundo que houve, com aquele mundo que existe. O mundo que nós queremos é o horizonte, é tal meta que nós podemos ter lá um compromisso para melhorar, mas eu não posso melhorar sem ter em conta onde estou e de onde vim.
E por isso é que nós temos que perceber isto num contínuo que encaixe connosco. E é por isso que o compromisso é fundamental, com esse objetivo, da tal resolução que vocês fizeram quando comeram a passa na passagem de ano, a uva passa ou a uva normal, porque eu acho que muita gente agora está a comer muitas uvas na passagem de ano porque não gostam de uvas passas. Depois, portanto, compromisso, clareza. Terceiro, desafiante, ou seja, o objetivo que seja desafiante.
O objetivo desafiante tem a ver com o grau de dificuldade. Se o objetivo é demasiado fácil, nós tendemos a— ou seja, não faz um contraste suficiente com a necessidade de ação que nos motive para nós executarmos o comportamento. Portanto, se eu não tenho um desafio suficiente que me faça pensar o suficiente para eu querer me mexer e aprender mais do que aquilo que sei, provavelmente nós não sentimos isso, não sentimos esse objetivo como algo desafiante.
E é por isso que quando nós vamos, por exemplo, escolher um livro para ler, eu vou para a biblioteca e posso ficar a olhar para os livros disponíveis e vou folheando o índice, vou vendo o tipo de texto que está escrito, e pelo índice e pelo tipo de texto eu posso tentar— tentar não, vou tentando experienciar essa pequena interação com o índice, com o texto, se me cativa. E se a leitura e o tema me cativa o suficiente para me desafiar o conhecimento que tenho, então assumindo que eu sei muito pouco em relação ao que existe, porque é uma ideia que gostei de ouvir, já não sei muito bem onde, mas o conceito é este: Eu trocava todo o meu conhecimento por 1% daquilo que eu não sei, daquilo que eu não conheço, que não sei.
E portanto, porquê? Porque o conhecimento no mundo é tão vasto, é tão vasto em tantas áreas e em tantas partes que nós temos sempre uma, temos tanta informação e tanto conhecimento que podemos absorver, que importa nunca assumirmos que sabemos as coisas ou que sabemos tudo. E é por isso que nós precisamos conversar uns com os outros, precisamos interagir mais em debates com opiniões diferentes e não termos, como hoje nós vemos nas redes sociais e no mundo em geral, esta visão dicotómica de que o mundo é certo e errado, de que há os que estão no grupo certo e no grupo errado, de que há noite e dia, ou seja, os contrastes permanentes.
E a vida não é certo e errado, não é preto e branco, não é noite e dia, não tem esta visão dicotómica para funcionarmos em conjunto. É muito mais complexo do que isso. E portanto, a complexidade tem que ser desafiante o suficiente para nem ser muito simples que não nos apeteça nesse desafio do objetivo, nem seja demasiado complexo para desistirmos. E portanto, compromisso, clareza e desafio. O quarto ponto, a complexidade, ou seja, a complexidade para nós chegarmos a esse objetivo.
Ou seja, tem a ver com os graus ou as etapas que eu preciso atravessar para conseguir chegar a esse objetivo. Por exemplo, se eu quero entender a mitologia grega ou uma enciclopédia grega de como é que, quais são os contos e toda a mitologia associada à história, eu não vou conseguir fazê-lo de forma eficaz se eles já não tiveram o hábito de ir entendendo a complexidade da leitura metafórica. Ou seja, eu, o que vai acontecer se eu não tiver hábito de leitura nenhum, é que eu tenho que ler coisas simples, desafiantes o suficiente, mas simples ao mesmo tempo, para manter a atenção e a curiosidade para eu continuar a ler.
Porque se eu entro em temas com tom— imaginem o nível fácil, moderado e avançado. Se eu quero entrar em leituras demasiado avançadas quando não tenho o hábito de ler textos ou com alguma moderação, alguma moderada dificuldade, ou não tenho o hábito sequer de leitura, eu quando pego num livro que me dizem que é bom mas é complexo, nós não vamos querer ler. E depois cometemos outro erro, que é tirar uma conclusão de que eu não sou talhado para ler porque tentei ler este livro e não deu.
Então eu percuzei o processo errado, ou seja, eu não compreendi a complexidade do processo para chegar a esse objetivo. Eu abdico da falha temporária e tiro uma conclusão de valor permanente da minha incapacidade, quando o processo é que foi errado, não o objetivo estava certo. Mas eu abdiquei do objetivo por causa do processo errado. E portanto, isto é que é a complexidade de termos um objetivo bem definido, em que percebemos as etapas para conseguir chegar a esse objetivo.
E por último, o quinto e último ponto, que é o feedback. Ou seja, feedback é ter uma espécie de registo ou de espelho ou de reflexo que me permita ir aumentando a consciência do que eu já superei entre o ponto em que eu estava no início do ano, quando eu defini esse objetivo, e no final do ano. E portanto, eu para conseguir fazer este processo, e vamos imaginar que tenho um livro que tem 12 capítulos em que eu já percebi e já consegui organizar melhor, que realmente aquele livro encaixa com aquilo que faz sentido para mim ler.
Eu tenho aqueles 12 capítulos e vou perceber e percebo pela forma como já sinto pela leitura que fiz e pela organização que fiz em relação ao compromisso, à clareza, ao desafio e à complexidade, que se calhar eu consigo ler um capítulo por mês. E se eu conseguir ler um capítulo por mês, eu no final do ano tenho o livro que eu queria ler, está lido. A questão é que para ler um capítulo por mês eu tenho que perceber quanto é que eu consigo organizar de tempo de leitura.
E aqui há um problema, que as pessoas muitas vezes dizem, ah, mas eu não tenho tempo para ler. Mas se vocês forem aqui, por exemplo, ao Instagram e vocês forem ao vosso perfil, há uma zona que vocês clicam lá no cantinho onde tem uns 3 pintinhas no canto superior direito, em que vocês podem ver onde é que gastaram o vosso tempo. E vocês veem a semana inteira onde é que vocês estão, quanto tempo é que vocês estão a gastar, por exemplo, no Instagram.
Mas podem fazer isso noutros programas. Até há apps que vos permitem dizer quanto tempo vocês gastam em cada aplicação. Isto permite-me, por exemplo, vejo isso em algumas consultas com algumas pessoas que nesta altura do início do ano querem consulta de desenvolvimento pessoal para organizar os seus objetivos e as resoluções de Ano Novo, e que eu vejo com eles, portanto, a pessoa partilha o telemóvel e vamos ver isso em conjunto, porque a pessoa tem que ser transparente e verdadeira consigo própria.
Porque se nós não somos honestos connosco, nunca vamos conseguir funcionar melhor com o mundo. E por isso a pessoa começa a perceber que eu gasto 2 horas por dia na internet, ou eu estou 3 horas por dia na internet, ou estou 1 hora e meia por dia na internet. E se nós retirarmos que seja 30 minutos por dia para a leitura, se calhar já temos o tempo que dizemos que não temos. Outra coisa também que acontece aqui é que se nós não temos hábitos de leitura, e nós dizemos que vamos passar a ler 30 minutos diários, se eu nunca em 30 ou 40 ou 50 anos de vida, se eu nunca criei hábitos de leitura, e isto é mais difícil nos jovens, e portanto aos jovens que nos estão a ouvir, percebam, por exemplo, no compromisso e no desafio, qual é o tempo mínimo que vocês acham que são capazes de ler o livro.
E se o tempo mínimo sejam 12 minutos, por exemplo, Eu acho que será que eu consigo ler 12 minutos todos os dias durante 30 dias, durante todo o mês? E se eu chegar à conclusão que 12 minutos por dia, apesar de eu saber o bem que me fazia, não consigo cumprir, eu não vou conseguir motivar para repetir o comportamento se eu estou frustrado porque falhei ontem. Então eu se calhar prefiro ter o objetivo de ler 3 vezes por semana 10 minutos o que me dá meia hora por semana.
Mas uma semana, 30 minutos. Segunda semana, outra vez 10, 10, 10, dá outros 30 minutos. Ou seja, eu li 1 hora em 15 dias, mas nos outros 15 dias eu li outra hora. No final do mês eu li apenas 2 horas, mas eu passei uma mensagem a mim próprio que foi: eu cumpri o mês de leitura que eu disse que eu ia ler. E quando eu achar que 10 minutos é fácil, 3 vezes à semana, E se calhar já consigo passar para 40 minutos, ou então aumento mais um dia para fazer esses 10 minutos.
Então chega uma altura, já consigo ler 6 dias seguidos 10 minutos e ponho 10 minutos com cronómetro. E o que é que vai acontecer? Surpreendentemente, nós, como temos o processo bem estruturado para o objetivo que nós queremos, o objetivo torna-se o resultado e eu consigo efetivamente concretizar aquilo que eu disse que eu ia fazer. Portanto, estes 5 pontos, e é aquilo que a literatura também recomenda em termos de organização pessoal, é nós conseguirmos organizar as nossas resoluções de Ano Novo ancorada nestes 5 pontos: o compromisso, a clareza, o desafio, a complexidade e o feedback ou o espelho destes objetivos que nós definimos.
Uma coisa que eu faço todos os anos, e aliás Vários de vós provavelmente fizeram o ano passado. É um workshop, um webinar prático de resoluções de Ano Novo. Este ano já executamos, já fizemos, e eu pus logo no início do ano uma caixinha aqui nos stories com a minha equipa de marketing digital para ver quem queria mais informação do evento. E portanto foi um workshop, um webinar muito, muito interessante. E provavelmente vamos repetir uma nova edição em breve.
E se gostarem destes assuntos, ou se quiserem organizar a vossa vida e o vosso, o vosso, as vossas resoluções de Ano Novo, terem um manifesto de resoluções em que eu sou uma espécie de treinador, mas vocês vão usando o PDF que vos é dado para fazerem mesmo isso e conseguirem depois organizar os vossos próprios objetivos. Não é partilhável em público, Portanto, cada um faz por si, mas é um processo orientado por mim, com princípio, meio e fim durante essas 2 horas de webinar.
Mas isso provavelmente vai ficar aqui partilhado nos próximos dias nos stories. Diz aqui agora, deixo agora uns minutinhos para terminarmos de questões e perguntas que queiram colocar ou observações. Temos aqui o Duarte. Boa noite, Duarte. A evolução motiva e a constância evolui. Exatamente, exatamente. Portanto, e isso é que nos dá prazer, é saber que nós nos superamos em relação a onde estávamos e a superação foi feita precisamente por causa dessa constância, constância que fomos tendo ao longo do tempo.
Não sei, portanto, temos aqui também a Ruta Partilhada a dizer que adora ficção científica. São ótimos livros. Por exemplo, para mim, um dos melhores livros que gosto é do Carl Sagan, que é um clássico, basicamente, estou a falhar o nome, Contacto, que depois também há o filme da Jodie Foster. Temos, entretanto, outro que por acaso aqui é um filme, que é o Interstellar, que acho que é dos filmes mais complexos, mas dos filmes mais interessantes de ficção científica.
Depois, a parte curiosa é depois, por exemplo, a mitologia grega, portanto o Poder dos Mitos, que é um livro que adoro, do Joseph Campbell, que também é um livro brilhante e ajuda-nos a entender muito de que mundo é hoje. Aqui o Duarte também, quem lê enriquece a sua base de dados. Exatamente, Duarte, é literalmente isso. A leitura ajuda-nos a perceber que o mundo é muito mais do que aquilo que conhecemos. E é preciso muita humildade para não acharmos que sabemos tudo, porque no dia em que sabemos tudo ainda ficamos pior do que éramos.
Por isso é um bocadinho esta mensagem que eu gostava muito de ter partilhado convosco. Foi um gosto ter-vos hoje aqui na nossa live. Esta live vai ficar aqui disponível no Instagram e vai também ser partilhada no meu canal do YouTube. Ah, temos aqui mais uma pergunta da Mónica Bessa. Doutor, o que é que considera sobre sentir e saber de António Damásio? Sim, recomendo os livros de António Damásio, que já são vários, são 5 ou 6 livros e são livros ótimos porque o António Damásio tenta simplificar a linguagem para chegarmos ao público em geral, em que tenta organizar e mostrar muitas vezes através da lesão cerebral, como é que funciona o cérebro normal.
E nós percebemos através dos livros do António Damásio, de uma forma muito, muito compreensível, que as emoções, os sentimentos, o estado de humor são características do nosso funcionamento que, estando saudáveis, são adaptativas e põem-nos muito mais capazes de funcionar no mundo e de funcionarmos uns com os outros. E por isso nós não podemos separar emoção de razão. E foi esse um dos primeiros focos do livro do erro de Descartes, não é?
Portanto, há muitos livros e depois até podemos ter aqui mais algumas conversas sobre leituras e sobre livros, até com escritores. Aliás, já tivemos uma que foi a Bruna Setamato, que foi uma live que nós fizemos num dos nossos episódios do Livramente. Que está disponível. Basta irem para trás e perceberem a importância da leitura e da escrita para esse efeito. Partilhem esta live com alguém que acha que possa beneficiar destas 5 estratégias que nós falamos hoje e vemo-nos na próxima semana para mais um programa Livremente.
Até lá, desejo-vos uma boa noite, com tudo de bom e um abraço estoico. Yeah, baby! Okay, yeah.