Episódios de Papo de Pecuária

Análise da Relação Oferta/Demanda do Boi Gordo

27 de abril de 202621min
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Concedida ao TC News no dia 24/04/26

Participantes neste episódio2
V

Vini

Co-host
C

Caio Junqueira

ConvidadoJornalista
Assuntos1
  • Análise do mercado de boi gordoCotação do boi gordo · Demanda da China · Salvaguarda da China · Produção de carne na China · Impacto no produtor brasileiro
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Vamos falar a respeito de bois, senhoras e senhores O Caio participa com a gente uma vez por mês Sempre na última sexta-feira de cada mês Pra trazer um panorama sobre boi gordo Caio, seja muito bem-vindo, meu amigo Boa tarde pra você, tudo bem?

Fala, Vini. Boa tarde. Tudo bem? Prazer estar aqui de novo. Prazer é sempre nosso. Mês de abril. Qual é o saldo, por gentileza, para quem opera as empresas brasileiras que são diretamente ligadas ao segmento frigo, para quem está de olho aí na cotação também do gráfico do BOE, para quem está operando aí os contratos futuros do BOE Gordo, Caio, por gentileza. Como você enxergou esse mês de abril, meu amigo?

Vini, o mês de abril a gente pode dividir ele em duas etapas. O início do mês, ainda com resquício da força do mês de março, nós buscamos, o aplicativo AgroBrasil chegou a marcar máximas históricas da média do Estado de São Paulo. Nós chegamos a ter preços ao redor, se não me engano, de R$ 373, R$ 374, R$ 375, de média para dentro do Estado de São Paulo, descontando o prazo de carregamento, descontando o prazo de frigorífico que paga a vista ou a prazo, descontando taxa de DI, quer dizer...

um líquido de mais de R$ 375. Isso foi nos primeiros 10 dias de abril, um resquício ainda da força de março. Nós tivemos altas generalizadas, máximas de preços generalizadas no boi físico. Brasil afora, tivemos Pará marcando R$ 360, tivemos São Paulo marcando um preço máximo.

à vista, de R$ 380,00, Mato Grosso do Sul, de R$ 370,00, Goiás, de R$ 360,00, R$ 365,00, Minas, acho que de R$ 370,00. Então, quer dizer, nós tivemos máximas nos primeiros, primeiras semanas, primeiras duas semanas aí de um mês de abril, nós tivemos máximas históricas, Brasil afora, para cotação de boi. Na segunda semana, em diante,

O boi começou a perder um pouco de força em cima de algumas declarações sobre a possível salvaguarda da China. Possível não, sobre o efeito da salvaguarda que a China deve colocar no Brasil, venha colocar no Brasil quando o Brasil atingir aqueles 1,1 milhões de toneladas de exportação. A partir disso, a China vai colocar 50% de sobretaxa nessas mercadorias que são enviadas. Lembrando que a China é o nosso principal destino.

A sua share de exportação corresponde a um pouco mais de 60% de tudo que o Brasil exporta, então é o player mais importante que existe. Então qualquer coisa que se tem relação com o China para aumentar a demanda ou diminuir demanda, a Bolsa aqui sofre bastante. E foi isso que aconteceu já na segunda, na terceira semana do mês de abril. Então nós vimos...

praticamente um movimento de alta histórica atingindo picos ser anulado depois de algumas notícias aí, de algumas análises, que algumas casas prevêem que essa cota pode ser atingida agora em maio e algumas casas aí que a cota pode ser atingida entre junho e julho. Então tem esse barulho aí, tem um pouco de bagunça aí no meio.

nessas análises aí, isso aí acabou afetando o andar, a alta que vinha acontecendo no mercado da Bolsa e consequentemente também no mercado físico, e um sobrepõe o outro, e nós tivemos um movimento que praticamente esse movimento de baixo que nós vimos nas partidas, estamos completando provavelmente uma semana ou duas semanas aí, acho que uma semana estamos completando.

praticamente anulou o movimento de alta que nós tivemos no mês de abril, com essas recentes baixas aí de todos os vencimentos, não só do vencimento de abril, que é o vencimento de tela, que é o primeiro vencimento que a gente chama, mas também um principal vencimento da safra, que é o K, que é maio, e também na sequência dos demais vencimentos, acho que praticamente todos eles anularam a alta que a gente vinha contemplando no mês de abril.

Caio, ao longo dessa semana, a gente chegou a falar aqui no programa sobre essa questão da cota que a China estabeleceu, e a nossa audiência teve uma dúvida, que é a capacidade que a China tem de ela produzir a carne bovina para o consumo da sua população. A nossa audiência duvida dessa capacidade. Então, assim, a China vai colocar essa sobretaxa, mas se ela não comprar essa carne, se ela não importar isso, ela tem condição de tratar por conta própria dessa demanda interna?

Ela tem condição de produzir isso? O quanto você tem familiaridade com esse tema?

Quanto você pode ajudar a nossa audiência em relação a esse questionamento, por favor, Caio?

Ô, Vini, primeiro a gente precisa levar em consideração qual é o hábito, qual é o principal hábito alimentar do chinês. É a carne de boi, é a carne de frango, é a carne de porco. Onde que se encaixa a carne vermelha, no caso de boi, dentro do hábito alimentar da China? Ela está lá embaixo, ela está no início, ela está na base ali do início de um novo hábito. Então a gente sabe que hábitos alimentares demoram décadas para ser mudado, você vê o Brasil, o hábito alimentar é carne, é a carne de boi.

Então por mais que a gente vá em restaurante japonês, que a gente coma um pouco mais de...

de peixe, o brasileiro não se alimenta todos os dias de peixe. Acho que é mais ou menos essa mesma correlação que a gente pode ter com o hábito alimentar da China. Então esse é um ponto que a gente deve levar em consideração. O hábito alimentar da China, ele é vinculado à carne de boi? Não, não é. Quais são os principais alimentos, né, cara? Quais são os principais fonte de proteína que o chinês consome? Primeiro, longe do segundo, porco.

Segundo, frango. Depois, lá embaixo, acho que aí sim pode ser que venha a carne de boi. Então, assim, eles não são...

entre aspas, tão dependentes assim dessa proteína vermelha. Então o fato do chinês ficar sem comer o que eu não acredito da carne de boi, não vai mudar tanto assim no dia a dia dele. Tanto é também que a carne de boi lá é uma fonte de proteína extremamente cara, que não são todos os chineses que têm esse benefício de se alimentar dessa carne. Então assim, respondendo essa pergunta, eu acho que eu não tenho medo nenhum de afirmar que sim, eles podem ficar

ou com essa carne um pouco mais cara, ou até, eventualmente, ficar com muito menos disponibilidade dessa carne de boi lá dentro. Eu acredito nisso. Outro fato que a gente precisa levar em consideração é o fato de o que a China produz para alimentar essa população gigantesca dela. A principal fonte de proteína vermelha é o porco, que é produzido lá dentro também.

E o governo chinês vem lidando com praticamente um motim que vem acontecendo, não é esse ano, não é de ontem para hoje, mas já vem acontecendo um motim lá dentro dos produtores chineses de porco, que a carne lá está muito barata. E se a gente pegar um gráfico histórico até, o aplicativo Oco Brasil tem esse gráfico, mas eu esqueci de disponibilizar para vocês, um gráfico histórico da cotação de porco lá na China, ele está no vale.

Ele agora, recentemente, com essas novas notícias de febre afritosa, que também pega em porco, ali nas...

nas redondezas, nas divisas, mais na Rússia, isso aí sim pode afetar realmente, ter um abate mais massivo na parte de suíno ali, e a gente pode ser que aí sim você tenha uma alta na carne deles que realmente faça diferença no dia a dia deles. Mas o fato é que o porco lá estava muito barato, e a China, essa salvaguarda que a China fez, ela tem muito mais a ver.

como a salvaguarda que tenta, entre aspas, salvar o produtor de porco lá, do que beneficiar ou atingir um produtor, ou o Brasil aqui nesse caso, importando menos carne. Então essas mexidas do tabuleiro lá, acho que tem muito mais a ver com o preço de porco lá, do que com o preço de carne nossa. É óbvio que o efeito nosso aqui é o preço da carne, é o preço do boi, é o preço da rouba, mas eu acho que o foco lá dessa mexida no tabuleiro lá da China, tem muito mais a ver com o preço do suíno lá dentro.

Então respondendo essa pergunta, eu acho que sim, acho que a China tem condição sim de dar uma...

de colocar essa salvaguarda e mesmo assim isso aí não ter grandes malefícios lá dentro da população de modo geral. É, eu peço atenção aqui da nossa audiência para a explicação bastante detalhada do Caio, porque às vezes a gente observa um tipo de taxa em um determinado segmento, pensando que o país que está colocando essa taxa, e no caso a gente está falando aqui da China, no mercado de boi, quer beneficiar o pecuarista de boi, quer beneficiar o produtor de boi na China.

O que o cara está dizendo aqui é que, nesse caso, o olhar do governo chinês é muito mais para o mercado do porco, para o preço do mercado do porco que está depreciado lá na China, senhoras e senhores. Então tem uma questão de você tentar ajudar um outro segmento, não necessariamente o produtor de boi. E não necessariamente também prejudicar o produtor brasileiro. Quando eu digo não necessariamente, às vezes você não tem a intenção, mas acaba prejudicando. E essa é a pergunta que chega agora aqui.

Dá audiência para você, Caio. O quanto isso impacta o nosso produtor? E se o governo brasileiro, que tem a China como um parceiro comercial importante, poderia ter feito algo na sua avaliação para que esse tipo de cota não fosse implementada? Qual é a sua opinião sobre esses dois pontos? Prejudica o produtor brasileiro? O governo brasileiro poderia ter feito algo para evitar esse tipo de taxa? Existe margem para isso, Caio?

Bom, são duas perguntas e vamos dividir. Então, a primeira, isso atrapalha o produtor brasileiro? Sim. Uma analogia muito boa que a gente pode fazer é um transatlântico, que é a China, estacionando dentro de um porto e dá uma leve encostada dentro de um navio, dentro de um iate, que seria o Brasil. Então, qualquer movimento que a China faça, e isso não está só ligado, é óbvio, ao boi, a gente sabe o peso do consumo que tem lá dentro da China, o tamanho que é a China, então qualquer movimento que ela faça lá,

ela vai realmente chacoalhar o Brasil. Ela pode tanto afundar o Brasil, que é esse caso, se ela der um chacoalhão que ela pode derrubar esse bar capô de virar o Brasil de ponta cabeça, ou ela pode engatar uma primeira, segunda e quarta marcha lá e rebocar o Brasil, que foi o que aconteceu há três, quatro anos atrás na gripe suína, que ela veio atrás da proteína e colocou e deu aquele choque de demanda que aconteceu aqui no Brasil.

Praticamente dobrou de preço em um período de seis meses. Então, respondendo essa primeira pergunta, sim.

O produtor brasileiro, a pessoa que faz o trade, que faz a gestão de uma carteira que compõe o BOE dentro dessa carteira, precisa estar muito atento. A gente pode até depois, na sequência, subir uma projeção de quando essa janela realmente vai se fechar, essa janela dessas cotas. Mas a gente precisa ficar muito atento com isso, porque vai ser o primeiro ano que essa salvaguarda vai entrar no BOE. Lembrando que nós já tivemos salvaguardas parecidas para o frango.

E elas demoraram, foram uma sequência de três anos que a China fez isso para o frango.

Então vai ser o primeiro ano com o Brasil que nós como traders, nós como corretores e nós como produtores vamos lidar com essa situação, a gente não sabe muito bem ao certo como é que isso vai acontecer, mas sim, vai ser um efeito que ao meu ver é um efeito de baixa realmente, é um efeito onde a gente tira um grande player do mercado, isso aí provavelmente vai sobrar mais carne dentro do Brasil, o Brasil vai ter que alocar esse tipo de exportação, essas cotas vão ter que ir para outro lugar, então as indústrias já estão se mexendo, mas não é uma coisa boa que pode ser que aconteça no Brasil não.

Há outra pergunta, que é sobre o governo ter se antecipado e ter feito alguma coisa para amenizar esse tipo de salvaguarda? Eu acho que não. Prefiro até que não faça, prefiro até que o Brasil tome suas dores, se organize com menos. Eu acho que quanto menos governo na economia livre, melhor.

Então eu prefiro até que o governo não haja, não entre, não tente fazer nenhuma atrapalhada, mas eu acho que isso aí fica um pouco acima, um pouco além do poder que o governo nosso, ou de qualquer outro governo, teria frente a esse tipo de situação lá, que a China está olhando realmente, ao meu ver, ela está olhando realmente aqueles produtores, aquelas pessoas que produzam, que realmente colocam aquela carne, aquela proteína mais consumida, acho que essa salvaguarda tem muito mais a ver com o porco ali, então acho que poucos governadores do Brasil teriam chance em reverter isso.

Obrigado, muito obrigado Caio Junqueira pela sua percepção. Vamos apresentar aqui, eu mostrei algumas vezes enquanto Caio falava, para ilustrar a participação do nosso convidado, além do gráfico do BGI, BGI K26. Aliás, Caio, só para a gente confirmar, esse é o contrato agora mesmo que a gente tem que monitorar quando a gente pensa em boi gordo, BGI K26?

Sim, é o vencimento, é a próxima janela, o J é o abril, está vencendo, hoje é o primeiro dia de liquidação, lembrando que os contratos eles vencem nos últimos cinco dias úteis de cada mês, então abril, hoje, o indicador médio que sair vai começar a contar para fazer uma amostragem de cinco dias úteis, então hoje é o último dia útil que a gente tem dentro do mês de abril.

e depois do mês de abril a gente tem o vencimento K, mas o K sim, ele já é, já vem sendo, ano após ano ele é um dos meses mais bem negociados da Bolsa, porque ele é o mês que teoricamente nos mostra a safra do boi dentro do Brasil, então é o K26 que é o vencimento para maio, mas ele é o vencimento para final do mês que vem.

Obrigado, Caio. Então a gente estava ilustrando com o contrato BGIK 26 e nós também ilustramos as falas iniciais aqui do nosso Caio Junqueira com essa matéria do portal Exame. Então agora a gente vai ler um pouquinho para você que nos acompanha. Boi gordo dispara com demanda da China, mas fim de cotas ameaça preços. É o que o Caio de alguma maneira já apresentou. O texto é do César Rezende da Exame. Esse texto foi publicado no dia 15 de abril, então mais ou menos na metade do mês.

Foi justamente ali que o Caio falou sobre essa virada de preços. Vamos lá, Sandrinha.

O setor de carne bovina vive um momento de forte demanda externa, mas enfrenta crescente pressão de custos. Isso deve afetar a margem dos frigoríficos e mexer até mesmo com os preços. A avaliação é de Fernando Iglesias, analista de pecuária da Safras e Mercados, consultoria de commodities agrícolas.

Para o analista, o movimento do boi gordo está atualmente centrado em uma questão que ele denomina de superdemanda. O boi gordo é uma referência usada no setor de commodities e se refere ao bovino macho, com idade geralmente até 42 meses, que atingiu o peso e o acabamento de carcaça ideais para o abate e comercialização, comumente pesando 16 arrobas ou mais. Abrindo aspas para o analista, ele diz que há um contexto em que tanto os exportadores brasileiros quanto os importadores chineses aceleraram...

as compras para preencher a maior parcela possível da cota. Esse cenário impulsionou fortemente as negociações, resultando em um desempenho extremamente favorável nas exportações. Obrigado, Sandrinha. E para complementar, agora uma outra matéria, um outro texto, que diz o seguinte, esse olhando mais para o mercado local, para o cenário mais de curto prazo. Vamos lá.

Preço do boi gordo segue estável em 2026, mas o mercado atravessa um momento de transição que exige atenção de produtores. A matéria está dentro do portal de Otolândia, então a gente segue aqui uma região importante também para o nosso país nesse sentido. Após o feriado, feriado quando? Feriado agora.

recente dessa semana. As negociações foram retomadas com valores em acomodação e sem grandes variações no curto prazo, pensando no boi gordo, evidentemente. De acordo com a consultoria Agrifato, o cenário atual é resultado de forças opostas que influenciam diretamente a rouba. Enquanto alguns fatores sustentam os preços, outros indicam possíveis pressões que podem alterar o comportamento do mercado nas próximas semanas.

Sobre essa acomodação, Caio, a gente falava um pouquinho aqui nos bastidores da nossa TC News antes da sua participação. Por gentileza, quero te ouvir sobre essa acomodação dos preços, de alguma maneira você já tratou a respeito desse assunto, mas é a última etapa, o último tópico, antes da gente mudar de tema, Caio.

O Bini, eu acho assim, nós não tivemos, nós estamos longe de ter uma acomodação de preço no ano de 2026. A gente começa um ano com um boi valendo, nós falamos muito sobre naquela última sexta-feira, no mês passado, nós tivemos um boi que iniciou o ano ao redor de 310, 315, nós chegamos a ter agora as negociações, como eu disse no começo da entrevista.

de R$ 380 sendo registrado dentro do aplicativo Argo Brasil, agora, nas duas primeiras semanas, ou até no início da semana passada, para dentro do Estado de São Paulo, que é a praça referente. Depois deste movimento de máxima, que a gente alcançou as máximas generalizadas para a cotação do boi, para a cotação da rouba do boi gordo Brasil afora, depois deste movimento...

começou-se uma falácia, uma troca de ideias de quando seria fechado exatamente essas cotas de 1 milhão e 100 mil toneladas para exportação para a China. Então, se você puder subir o gráfico que nós mandamos, que eu mandei de manhã, nós vamos ter bem ideia do que eu estou falando sobre essas exportações de carne.

bovina do Brasil. Isso aqui está aí. Exatamente isso aí. Isso aqui retrata todo esse movimento de retração de baixa que nós tivemos nessas últimas semanas ou na última semana agora. Porque existe... A China está levando essa cota que a China está colocando para o Brasil de 50% a partir de 1,1 milhão e 100 mil toneladas. Ela é a cota que deu entrada, nós falamos um pouco disso também na última vez, que deu entrada lá no Porto Chinês. Então nós chegamos a produzir em 2025...

ao redor de 250 mil toneladas que deram entrada na China só em 2026. Então essas cotas, você vê que essa primeira barra aqui, que é a barra de janeiro, do lado esquerdo aqui do gráfico, essa cota é uma maior, porque ela contempla a exportação de meses para trás, de alguns meses para trás, que adentraram dentro da China só em 2026, mas a própria produção de janeiro de 2026 que está entrando, que deve ter entrado agora. Então você tem...

Você tem um compilado de dados que empurram essa janela sendo fechada em julho. Se eu não me engano, essa verdinha aqui estoura a cota em julho. Então o mercado vinha trabalhando com uma janela maio e junho ainda muito próximo.

com pouco deságio, a gente pode dizer, dos preços de tela, do preço do primeiro vencimento. E agora, se você olhar o painel da Bolsa, você vai ver que essa curva de preço, até agosto, se você tem mais ou menos, ela está completamente embarrigada, invertida para o preço atual do Boeing, que é justamente a expectativa do efeito dessa cota.

a ser imposta dentro do Brasil. Então esse efeito vai causar realmente esse embarrigamento, a gente não sabe quando, essa é a primeira vez que nós vamos tratar disso, não sabemos quando, muito menos, quanto que esse efeito vai bater aqui com o preço, vai chocar com o preço. Mas uma coisa que ficou muito bagunçada ao longo desse mês, que trouxe essa volatilidade extra e derrubou as cotações do BOE, foi que no início do ano, quando o Brasil teve essa...

esse aviso de sobretaxa, da salvaguarda, a ABEC tentou contornar essa situação distribuindo cotas para as indústrias exportadoras que fazem parte da ABEC. Ela tentou fazer uma reunião, tentou fazer distribuição de cotas entre essas indústrias exportadoras, de modo que a gente pudesse entregar 1,5 milhão de toneladas distribuída entre os...

entre os participantes da BIEC ao longo do ano. Não fosse uma distribuição muito grande agora para depois a gente bater essa cota e ficar sem essa distribuição. Só que nesse contexto da BIEC tentar fazer essa organização, algumas indústrias, e aí eu não sei te falar quais são, mas imagina se são indústrias menores que são habilitadas a exportar, um pouco mais rebeldes, que é o termo que se usa ali, que a gente ficou sabendo dessas reuniões, essas indústrias um pouco mais rebeldes, o que fizeram? Olha a hora, jo.

Não vou entrar nessa da BIEC, não. Ninguém vai pôr cota enquanto eu vou exportar, não. Você quer saber? Eu vou exportar quando eu precisar, quando eu quero. Sair no meio dessa reunião e meter o carne dentro do mar. E foram metendo carne dentro do mar. E essa carne, como ela demora de 40 a 55 dias para chegar na China, essa carne está navegando. Ela não deu entrada e muito menos deu saída aqui no Brasil, para a gente poder computar.

Então, esse dado foi levantado agora, ao longo do mês de maio. Então, a possibilidade...

de a gente escutar um sino lá da China, deu 80%, vocês têm mais X tonelada de carne para mandar? É grande. A possibilidade é grande, ela fica uma faca na cabeça. Então, isso que trouxe a volatilidade, isso que trouxe esse derretimento de preço e fez com que também aumentasse um pouco a oferta do boi gordo. Porque, queirona não, por mais que a gente esteja no...

num ciclo de falta de boi, quando o boi começa a subir, quando a mercadoria, de modo geral, começa a subir, quem produz essa mercadoria, ela não vende tudo de uma vez, ela vai vendendo a conta a gota, ela vai vendendo devagar. Então, esse movimento dessa nova notícia, dessa nova janela, que pode ser que chegue um pouco antes do que o previsto, caiu como bomba também para o produtor, o produtor também se antecipou em entregar esses animais.

Então, nós tivemos realmente um alongamento de escala, os frigoríficos são um pouco mais confortáveis em termos de composição de escala, de proporção de abate, e nós tivemos também a bolsa refletindo todo esse movimento.

Legal Caio, muito bom, bem importante a gente conseguir te ouvir Essa explicação só de quem vive o segmento Pra gente encerrar, você também preparou essa segunda imagem pra nós Nós já sabemos o que essa imagem significa Você já contou aqui, e isso é muito legal Esse detalhamento que a Agro Brasil faz Que é a empresa no qual o Caio Junqueira é sócio Mas vamos lá, vamos explicar essa imagem agora pra nossa audiência Todos os meses é uma imagem nova O que nós já conhecemos é o que significa cada uma dessas cores Que você tá vendo aí no gráfico A cor em vermelho, a cor em amarelo E ali alguns pontos em verde Com você Caio A cor em comum

Bom, Bini, aqui a gente mostra o gráfico ali de baixo, ele é a escala média a nível Brasil, né? A escala, quando ela é muito curtinha, até cinco dias ela fica com o mapa inteiro vermelho, acima de seis dias, aí até dez dias ela fica amarela e acima de onze dias, escalas de dias úteis da indústria comprar o seu animal e abater, ela fica completamente verde.

Esse gráfico aqui, esse termômetro de escala da Água do Brasil, ele sobe a cada vez que a gente tem uma coleta nova de negócio. Então, se nós tivermos 10 coletas de negócio agora, nessa última meia hora, esse gráfico torna a mudar, ele torna a mudar a cor também, torna a mudar o gráfico. A gente vinha realmente, esse gráfico vem de encontro do que eu falei, a gente vinha numa escala de abaixo extremamente curto, o mapa era inteiro vermelho, porque o frigorifo comprava hoje para bater amanhã, depois da manhã, e com esse contexto novo, com esses acontecimentos novos que aconteceram, as escalas se alongaram, ou seja, a oferta apareceu um pouco mais a nível Brasil, e as escalas estão um pouco mais confortáveis, o que dá realmente um pouco mais.

de dinâmica ou de dar um pouco mais de folga para a indústria e tentar recuar, tentar manobrar essa alta, tentar colocar novas baixas, porque ela tem dias e dias para poder trabalhar. Ela não precisa comprar o boi hoje para bater amanhã, ela tenta comprar o boi barato hoje, se ela não comprou, ela vai tentar o boi barato amanhã, ela tenta o boi barato depois da manhã, aí fica nesse cabo de guerra até que entre e que comece a entrar um pouco de boi.

Então, de modo geral, nós estamos realmente com uma escala um pouco mais confortável. Só lembrando uma coisa que a gente precisa deixar muito claro também, que a gente está entrando no período de safra de boi de capim.

E uma coisa que eu costumo dizer, que eu levo isso ao longo da minha vida, é que a gente não pode menosprezar a safra do boi para dentro do Brasil. O Brasil é um país enorme, a gente produz muito boi no Pantanal, a gente produz muito boi no Mato Grosso do Sul, no MT, no Tocantins. Então, a partir do momento que as chuvas cortam, cessam e a gente está...

entrando nesse período, o capim vai começando a amarelar, o boi pesado, ele precisa sair da pastagem, ele acaba macetando ou matando aquele capim, por causa do peso do animal. Então a gente também coincide também para um período de agora que historicamente a gente tem um pouco mais de oferta, principalmente desse animal oriundo a pasto. Então tudo, esse movimento que nós estamos vendo na bolsa, é um movimento que ele vai de encontro com tudo isso que está acontecendo.

Não é um movimento ao acaso, a uma força de um player maior que está fazendo isso, não.

Sabe muito, sabe tudo a respeito do segmento de boi, o nosso Caio Junqueira. Muito obrigado, meu amigo. Sempre excelente ter você aqui conectado ao Almoção de Negócios. Mês que vem a gente atualiza o cenário mais uma vez para o nosso operador de bolsa, para quem está aí de olho no setor. Um abraço, Caio. Ótimo restinho de mês de abril e excelente mês de maio também para você, meu parceiro. Combinado para todos. Uma boa tarde, um bom final de semana.

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