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Perrengue - A arte 🇧🇷 brasileira de rir do Sufoco

28 de abril de 20269min
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Uma das palavras mais utilizadas por nós brasileiros é Perrengue. Ela começou como uma gíria, mas se difundiu de tal forma que hoje está totalmente inserida em nosso vocabulário. Neste episódio, falaremos sobre ela.

A princípio, a palavra mais utilizada era Sufoco. Ainda a utilizamos, porém a colocamos em um patamar emocional mais pesado que o perrengue, pois o verbo "sufocar", por si só, tem um significado denso, pesado… Poeticamente, a palavra "sufoco" pode soar como um adjetivo para uma paixão que não te deixa respirar ou para um relacionamento conturbado e repleto de ciúmes.

Inclusive, uma das minhas músicas antigas preferidas se chama justamente Sufoco, da cantora Alcione.

A letra começa assim:

"Não sei se vou aturar / Esses seus abusos / Não sei se vou suportar / Os seus absurdos / Você vai embora / Por aí afora / Distribuindo sonhos / Os carinhos que você me prometeu / Você me desama / Mas depois reclama / Quando os seus desejos / Já bem cansados / Desagradam os meus / Não posso mais alimentar / A esse amor tão louco / Que sufoco…"

É perceptível que ela sabe que o relacionamento lhe faz mal, mas insiste por estar obcecada. Algo curioso é que, se essa música fosse lançada hoje em dia, ela se chamaria Perrengue, já que os brasileiros a usam também como desilusão amorosa, então, no final da música, trocaríamos o Que sufoco!, por Que perrengue!

Para continuar, acesse:

Participantes neste episódio1
R

Rafael Fischmann

Host
Assuntos6
  • Bromobil - van de viagemCristo Redentor · Torre Eiffel
  • Significado de perrengue
  • Desafios do cotidianoTransporte público · Emprego e chefes mal-humorados
  • Sufoco e suas conotaçõesRelações amorosas · Música Sufoco de Alcione
  • Resiliência e empatia
  • Perrengue chique
Transcrição27 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

E aí, beleza? Meu nome é Rafael. Bem-vindo ao meu podcast. Episódio de hoje, Perrengue, a arte brasileira de rir do sufoco. Uma das palavras mais utilizadas por nós brasileiros atualmente é perrengue. Ela começou como uma gíria, mas se difundiu de tal forma que hoje está totalmente inserida em nosso vocabulário.

Neste episódio, falaremos sobre ela. A princípio, a palavra mais utilizada era sufoco. Ainda a utilizamos, porém a colocamos em um patamar emocional mais pesado que o perrengue, pois o verbo sufocar, por si só, tem um significado denso.

Pesado. Poeticamente, a palavra sufoco pode soar como um adjetivo para uma paixão que não te deixa respirar ou para um relacionamento conturbado e repleto de ciúmes. Inclusive, uma das minhas músicas antigas preferidas...

se chama justamente Sufoco, da cantora Alcione. A letra começa assim. Não sei se vou aturar esses seus abusos. Não sei se vou suportar os seus absurdos. Você vai embora por aí a fora distribuindo sonhos.

Os carinhos que você me prometeu. Você me desama, mas depois reclama. Quando seus desejos, já bem cansados, desagradam os meus. Não posso mais alimentar a esse amor tão louco. Que sufoco! É perceptível que ela sabe que o relacionamento lhe faz mal. Mas insiste por estar obcecada.

Algo curioso é que se essa música fosse lançada hoje em dia, ela se chamaria perrengue, já que os brasileiros a usam também como desilusão amorosa. Então no final da música trocaríamos o que sufoco por que perrengue? Uma forma clássica de usá-lo é na expressão perrengue chique.

Trata-se de passar por uma situação incômoda, mas causada por algo caro. Por exemplo, ficar na fila em frente a uma loja por quatro horas para comprar um novo iPhone. Ou pagar caríssimo em um show e ter que voltar para casa em um metrô lotadíssimo. Isso é os perrengues chiques, os percalços que enfrentamos mesmo tendo desembolsado muito dinheiro.

Claro que o perrengue pode ser usado em um tom mais sério, mas quase sempre vem acompanhado de humor. O Brasil é um país que, culturalmente, ri da própria desgraça, ou melhor, dos perrengues causados por ela. O verdadeiro perrengue, porém, é enfrentar todos os dias o transporte público lotado apenas para chegar ao trabalho e ganhar um salário de sobrevivência.

e ter que aguentar calado clientes e chefes mal-humorados ou ignorantes, porque você precisa do emprego e precisa engolir seco diante de tantas dificuldades. Temos até um ditado que percorre as redes sociais, que quando postamos a foto de uma viagem ou as pessoas pensam que tudo está a mil maravilhas. Então a gente sempre acaba dizendo que é uma viagem ou as pessoas pensam que tudo está a milagre.

Quem me vê nesse lugar lindo nem imagina o perrengue que passei para chegar até lá. Ou seja, essa frase pode se referir tanto às dificuldades logísticas do trajeto para chegar até esse local, quanto aos perrengues da vida que você terá que vencer para poder realizar aquela viagem.

E como esquecer o perrengue de viagem? Ficar horas na fila da imigração quando é uma viagem internacional, pegar metrôs lotados para chegar ao ponto turístico dos sonhos, ou ter uma dor de barriga súbita e correr para o primeiro restaurante sem nem olhar o preço, apenas para usar o banheiro.

Fora os perrengues decepcionantes quando o local não é nada parecido com as fotos do Instagram. O Cristo Redentor, por exemplo, é emocionante de se ver, mesmo para quem não seja católico. Mas é impossível tirar uma foto sozinho lá em cima com ele.

Há sempre uma multidão. Quando eu fui visitá-lo, o dia estava nublado e avisaram que talvez não fosse possível vê-lo. Mas eu insisti e ao chegar ao topo, já estava chovendo e tinha um vento descomunal, uma ventania louca. O Cristo estava todo coberto pelas nuvens. Mas, apesar desse perrengue todo, foi super especial. De vez em quando, ele aparecia entre as nuvens, o que criou um clima místico e totalmente mágico.

No final, eu adorei a experiência. Talvez se fosse um sol de 40 graus, muito típico no Rio de Janeiro, não teria sido tão emocionante, tão marcante. Algo parecido também aconteceu na Torre Eiffel, em Paris. Eu escolhi a opção mais barata do ingresso, que exige que você suba até o segundo andar de escadas. São quase 700 degraus em um frio pavoroso, porque eu fui na época do frio.

Porém, ao chegar lá em cima, estava tudo lindo, o sol brilhava e a cidade inteira reslandecia. Foi uma experiência incrível, apesar do perrengue. No entanto, é claro que nem todo perrengue é positivo. Muitas vezes, eles se tornam parte esmagadora do cotidiano.

E na maioria das vezes, esses perrengues não são causados por você, mas sim pelas falhas no sistema da sua cidade, no seu ambiente de trabalho ou pela falta de empatia de outras pessoas. No final das contas, o perrengue é aquele temperinho que transforma uma simples saída de casa numa aventura digna de cinema.

Eu mesmo nunca gosto de falar que a minha viagem foi perfeita, maravilhosa. Eu sempre coloco ali um perrengue, dois, três, quatro, para a pessoa entender que qualquer lugar do mundo é um lugar normal. Não é porque você está indo para um lugar perfeito que tudo é perfeito. Isso é uma falácia total, é uma mentira. Então é para isso que serve o perrengue, né? Para que a gente possa comentar sobre os problemas ou sobre os desafios que a gente enfrenta ou o que acontece.

num país, ou numa cidade, ou num estado. Como um exemplo, se você for de carro até um outro estado e o pneu do seu carro fura no meio do nada e você não tem como consertá-lo e demora muito tempo quando você vai ligar pro seguro do carro ou quando você tenta usar o tradutor pra checar o nome das comidas no menu e acaba recebendo algo totalmente diferente. É muito bom.

essa ideia do perrengue, mas também pode ser muito complicada. Mas, no geral, em viagens, o perrengue é realmente aquela matéria-prima das melhores histórias. Existe também aquele perrengue clássico de tecnologia traidora, né? Quem nunca passou pelo sufoco de estar em uma cidade estranha e o GPS te coloca num lugar super perigoso ou a bateria do seu celular está acabando e você não tem como carregá-lo.

E você acaba tendo que decifrar os mapas, que às vezes são super complicados de entendê-los. Ou então aquele perrengue de etiqueta, quando você vai a um restaurante chique, você tenta ser sofisticado, mas você não sabe utilizar os talheres, os copos, os pratos, e acaba te atrapalhando por completo. Mas você posta uma foto lá no Instagram e coloca gratidão.

Mas brincadeiras à parte, o perrengue nos ensina algo valioso sobre resiliência. O brasileiro desenvolveu esse superpoder chamado de dar um jeitinho, que pode ser muitas vezes negativo e outras vezes muito positivo. Por exemplo, se o ônibus quebrou, a gente faz amizade na calçada enquanto espera o próximo.

do que ficar reclamando ou tirar sarro da situação, realmente. E se a chuva alagou a rua onde você mora, a gente vai fazer piada sobre pegar uma letospirose ou comprar um barquinho para chegar até o outro ponto da rua.

O perrengue, eu acredito que ele nos humaniza e que nos une pela empatia. Porque, no fundo, todo mundo está tentando equilibrar os pratos enquanto o circo pega fogo, enquanto o parquinho pega fogo, como a gente fala no Brasil. E essa capacidade de transformar o limão em uma caipirinha gelada que nos define.

Roubei a expressão do inglês americano. Então, da próxima vez que você estiver totalmente molhado pela chuva, subindo degraus infinitos em uma torre famosa, ou apertado no metrô das seis da tarde para chegar na sua casa,

Tenta dar um passo para trás e observar a cena. Talvez naquele momento exato você esteja vivendo o seu próximo grande relato de um perrengue sensacional. Afinal, o perrengue passa, mas a história continua. Fica para sempre no seu imaginário ao tentar ainda adicionar mais coisas.

para o perrengue ficar ainda mais interessante ao contá-lo, que seja para os seus amigos ou para os seus familiares, ou até mesmo como eu, que eu sempre gosto de fazer um episódio sempre contando um exemplo de um perrengue do qual eu tenha passado.

Belezinha? Muito bem, vou ficando por aqui Espero que tenha gostado desse episódio Recomendo que o escute novamente Junto com a transcrição Para que você entenda as novas Palavrinhas aprendidas Belezinha? Muito obrigado, valeu, tchau, tchau

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