Cafezinho 741 - Quanto vale sua hora de trabalho?
Dois profissionais podem ter idade, formação, experiência e profissão semelhantes e, ainda assim, receber valores muito diferentes pelo mesmo tipo de trabalho simplesmente porque atuam em lugares diferentes. A partir do estudo de Michael Clemens, Claudio Montenegro e Lant Pritchett sobre o place premium, este Cafezinho investiga quanto do valor produzido por uma pessoa depende dela própria e quanto depende do ambiente em que trabalha. Infraestrutura, organização, regras e desperdícios ajudam a entender por que trabalhar muitas horas não significa necessariamente produzir muito — e por que essa questão deveria entrar na discussão brasileira sobre jornada de trabalho.
Host: Luciano Pires - @lucianopires – lucianopires.com.br
Takeaways
• O valor de uma hora de trabalho não depende apenas da capacidade individual, mas também das condições oferecidas pelo ambiente em que o trabalho acontece.
• Produtividade não significa trabalhar mais depressa ou por mais tempo, mas conseguir produzir mais valor com a mesma quantidade de horas.
• Antes de discutir apenas a duração da jornada de trabalho, é preciso observar quanto tempo é desperdiçado com infraestrutura deficiente, burocracia, falhas de organização e obstáculos que não geram valor.
Capítulos
O prêmio do lugar
O mesmo profissional, outro valor
Quando o ambiente interfere no trabalho
O que produtividade realmente significa
O tempo perdido lutando contra o sistema
A discussão sobre a escala 6x1
Quanto vale cada hora trabalhada?
Links relevantes
• Mundo Café Brasil: https://mundocafebrasil.com
• Livraria Café Brasil: https://livrariacafebrasil.com.br
See omnystudio.com/listener for privacy information.
- Valor da Hora de Trabalho· NegociosPlace Premium·Michael Clemens·Claudio Montenegro·Guilherme Calvão
- Gestão e Produtividade· NegociosProdutividade vs. Ocupação·Valor gerado pelo trabalho
- Desperdício de Tempo no Trabalho· NegociosInfraestrutura deficiente·Burocracia e regras tributárias·Falhas de organização
É o caminhoneiro que ficou parado porque tem buraco na estrada, tem algum rolo qualquer. É o empresário que ficou um tempão decifrando uma regra tributária que ninguém consegue entender. É o vendedor que fica lá esperando, ó, o sistema aqui tá lento, né? É o funcionário que sai correndo atrás de 4 autorizações para resolver uma porcaria de um problema muito simples. Tudo isso consome trabalho, só que não produz valor. Bom dia, boa tarde, boa noite.
Meu nome é Luciano Pires e este é o seu Cafezinho. Imagine dois homens trabalhando exatamente na mesma profissão. Eles têm a mesma idade aproximada, a mesma escolaridade, mesma experiência, mesma origem, só que um trabalha no país onde nasceu, Brasil, e o outro cruza as fronteiras e vai fazer praticamente a mesma coisa que ele faz aqui no Brasil, mas mas lá nos Estados Unidos. E agora vem a parte curiosa, cara. Em alguns casos, o segundo, aquele que foi para lá, passa a ganhar 3, 4, 5, até 7 vezes mais que o que ficou aqui.
E ele não ficou mais inteligente quando cruzou a alfândega, não. Ele não recebeu um cérebro novo no aeroporto. Ele não ganhou 20 anos de experiência enquanto tava voando até lá. Nada disso. É o mesmo sujeito. A única coisa que ele fez foi mudar de lugar. Em 2008, os economistas Michael Clemens, Claudio Montenegro e Lance Pritchett estudaram esse tema, estudaram esse fenômeno, né, e deram a ele um nome muito interessante. O nome é Place Premium.
Place Premium, o prêmio do lugar. E essa ideia, ela mexe com uma convicção que a gente carrega sem até nem perceber direito, né, é a convicção de que o valor profissional está quase todo dentro da pessoa. É a formação, é a inteligência, é a disciplina, esforço, talento. Não é isso que a gente pensa? É claro, tudo isso importa, importa muito, mas não explica tudo não. Você quer ver? Pensa aí num pedreiro muito experiente numa obra.
Ele tá trabalhando lá, o material chega na hora, as ferramentas funcionam direitinho, o projeto tá muito bem definido, alguém organiza, organizou o serviço todo. Antes de começar, na outra obra, esse mesmo pedreiro passa a manhã inteira esperando o cimento que não chegou, divide a furadeira com outros dois, refaz uma parede inteirinha porque alguém mudou o projeto e perde horas e horas tentando resolver um problema que nem deveria existir.
Você percebe? É o mesmo pedreiro, trabalhou 8 horas nos dois casos, as mesmas 8 horas. Só que aquelas 8 horas não valeram a mesma coisa, não. Num caso ele produziu, no outro ele esperou. E aí que entra a palavra produtividade, que aqui no Brasil a gente costuma confundir com gente ocupada, gente com pressa, gente atarefada, gente estressada, né? Por falar em produtividade, esse vídeo chega até você com apoio da Terra Desenvolvimento Agropecuário.
Se você é produtor rural, pense comigo: negócio que não mede, não controla e não compara não é negócio, é tentativa. A Terra Desenvolvimento Agropecuário entra justamente aí, ajudando você a transformar a fazenda num sistema gerenciável. Com diagnóstico de desempenho, controles claros e planejamento estratégico, você passa a saber onde está ganhando, onde está perdendo e o que precisa ser ajustado para aumentar a margem. O benefício é simples: decisões melhores, menos mais previsibilidade e mais lucro ao longo do tempo.
Terra Desenvolvimento Agropecuário, gestão profissional para quem trata fazenda como empresa. Acesse terradesenvolvimento.com.br. Olha, produtividade não é trabalhar mais depressa, não, não é nem chegar em casa mais cansado, atarefado, não, cara. Produtividade é produzir mais valor na mesma hora de trabalho, né? Isso explica uma parte muito importante do nosso problema aqui no Brasil. O brasileiro, ele trabalha muito, cara, mas ele passa uma quantidade enorme do tempo lutando contra o lugar.
É o caminhoneiro que ficou parado porque tem buraco na estrada, tem algum rolo qualquer. É o empresário que ficou um tempão decifrando uma regra tributária que ninguém consegue entender. É É o vendedor que fica lá esperando, o sistema aqui tá lento, né? É o funcionário que sai correndo atrás de 4 autorizações para resolver uma porcaria de um problema muito simples. Tudo isso consome trabalho, só que não produz valor. Trabalha sem produzir valor.
E aí que a gente chega a uma discussão da escala 6 por 1. E para mim tá muito claro, é evidente que 6 dias de trabalho para 1 de descanso pesam muito na vida de milhões de pessoas. O último cálculo que eu vi era mais de 15 milhões de pessoas, né? Mas tem uma pergunta que tem que ser anterior essa mudança da jornada: quanto vale cada hora trabalhada, hein? Quando uma hora produz muito valor, você tem espaço para aumentar o salário, para investir, para reduzir preço e até para reduzir as horas de trabalho.
Mas e quando a mesma hora produz pouco? Baixíssimo valor, hein? Alguém vai ter que absorver essa diferença, e aí o bicho vai pegar. Talvez por isso o Brasil não precise apenas discutir quantas horas a gente tem de trabalhar, não, cara. Tem que ir muito mais longe, cara. A gente devia estar discutindo aqui o que é que estamos fazendo com cada hora trabalhada, quanto que a gente produz, cara. Se esse assunto te interessar, bom, é sobre ele que eu tratei no episódio 1043 do Café Brasil.
Chama-se o prêmio do lugar. Procure aí no seu aplicativo de podcast, no Spotify, ou então no mundocafebrasil.com. Vale a pena ouvir. Essa camiseta que eu botei aqui é uma homenagem àquele programa, né? Eu reclamo, mas eu resolvo. Isso aqui é um jeito de você falar: eu sou produtivo, né? Posso até achar ruim, mas sou muito produtivo. Mas esse tema é muito especial, cara, e a gente devia estar discutindo profundamente porque é que basta eu cruzar a fronteira para gerar mais valor do que eu gero aqui.
Tem algum, alguma coisa errada com esse lugar. Ouça o episódio. Se você não é assinante, você vai ouvir um pedaço do episódio, é apenas a versão expressa. Se você for assinante, vai ouvir o episódio inteirinho. E eu proponho ali uma discussão que é de explodir a cabeça, cara. Que é que tá acontecendo aqui que a gente não consegue competir com os outros que estão lá fora? É por causa da tua competência? Não, cara, é o custo do lugar.
Pensa nisso. Mundo Café Brasil é o lugar onde eu proponho que essas discussões aconteçam. Entre aqui, clique, vem ser um assinante, cara. Eu prometo que o que você vai receber aqui vai te tornar mais produtivo. Esse cafezinho chega a você com apoio de Terra Desenvolvimento Agropecuário, gestão profissional para quem trata a fazenda como empresa.