Cafezinho 738 - A economia da dependência
Uma plataforma vendeu filmes digitais como compra definitiva, mas depois os retirou da biblioteca dos clientes sem reembolso. O episódio parte desse caso para investigar como a propriedade está sendo substituída por licenças, assinaturas e permissões revogáveis. Bancos de automóveis, impressoras, câmeras, relógios e outros produtos continuam sob o controle de seus fabricantes mesmo depois da venda. Aos poucos, a receita recorrente transforma objetos em serviços e o consumidor descobre que pagou para ter algo que continua pertencendo, em parte, a quem vendeu.
Host: Luciano Pires - @lucianopires – lucianopires.com.br
Takeaways
• A palavra “comprar” perdeu parte de seu significado quando o acesso ao produto continua condicionado a contratos, servidores e decisões do fabricante.
• A receita recorrente incentiva empresas a transformar funções já instaladas em cobranças permanentes, mesmo quando não existe uma nova entrega ao consumidor.
• O principal custo desse modelo não está apenas nas mensalidades, mas na perda de controle sobre objetos que permanecem fisicamente com seus proprietários.
Capítulos
O filme que deixou de ser seu
Quando comprar significava possuir
O vendedor que continua dentro do produto
A assinatura que apenas evita o bloqueio
O condomínio invisível das pequenas cobranças
O preço do controle
Cercados de coisas, dependentes de permissões
Links relevantes
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- Monetização de conteúdo digitalChocumentários e Filmes Proibidos · Licença de uso · Reembolso
- Regulação de produtos e consumoBancos aquecidos por assinatura · Impressoras com cartucho bloqueado · Câmeras com armazenamento pago · O relógio inteligente como prova
Talvez o futuro não seja um mundo sem coisas, não, mas é um mundo em que a gente vai continuar cercado por elas e vai precisar pedir licença para usá-las. Bom dia, boa tarde, boa noite. Meu nome é Luciano Pires e este é o seu Cafezinho. Outro dia, uma plataforma digital avisou aos clientes que alguns filmes seriam retirados de suas bibliotecas. Só que o cliente tinha encontrado duas opções, né? Alugar por um valor menor ou então comprar por um valor maior.
Ele tinha escolhido comprar, ele pagou pela compra. O filme apareceu na sua biblioteca e ficou ali durante anos, até que a empresa decidiu remover sem reembolso, cara. E foi então que muita gente descobriu que não tinha comprado exatamente um filme, tinha comprado uma licença para assistir enquanto a plataforma mantivesse um contrato com o estúdio. A palavra usada na loja era comprar, mas a relação real tava muito mais próxima de um aluguel por tempo indeterminado.
Olha, pode parecer uma bobagem, né, uma questão pequena. Cara, é só um filme, bicho. Mas ela toca numa mudança que é muito maior. Durante muito tempo, comprar significava encerrar uma relação. Você pagava recebia o produto e o vendedor saía de cena. O livro, disco, automóvel, tudo passava a ser seu, era tua propriedade. Hoje o vendedor recebe o dinheiro e continua morando dentro daquilo que ele vendeu, cara. Ele está no software, tá no aplicativo, tá no servidor, tá na senha, tá no contrato de uso.
Ele pode liberar funções, pode bloquear recursos, ele pode decidir se o produto dentro da sua casa vai continuar funcionando ou não. Outro dia, a BMW chegou a oferecer bancos aquecidos por assinatura. Os bancos, os fios, sensores, tava tudo instalado no carro que o cara comprava, mas o proprietário não pagaria por uma peça nova, ele pagaria para que o fabricante autorizasse a passagem de eletricidade por alguma coisa que ele já tinha comprado.
Alguém tinha que apertar um botão lá para funcionar aqui, né? Impressoras Podem deixar de usar o cartucho que ainda tem tinta, cara, porque acabou o contrato, né? Câmeras gravam imagem, mas não armazenam sem pagar uma mensalidade. Tem relógios que recolhem os dados do usuário, mas só mostram parte dos dados se você pagar. A posse física já não garante o dinheiro do uso. Pode? Esse vídeo chega a você com patrocínio da Terra Desenvolvimento Agropecuário.
Se você é produtor rural, pense comigo, negócio Negócio que não mede, não controla e não compara não é negócio, é tentativa. A Terra Desenvolvimento Agropecuário entra justamente aí, ajudando você a transformar a fazenda num sistema gerenciável. Com diagnóstico de desempenho, controles claros e planejamento estratégico, você passa a saber onde está ganhando, onde está perdendo e o que precisa ser ajustado para aumentar a margem.
O benefício é simples: Decisões melhores, menos risco, mais previsibilidade e mais lucro ao longo do tempo. Terra Desenvolvimento Agropecuário. Gestão profissional para quem trata a fazenda como empresa. Acesse terradesenvolvimento.com.br. Olha, não tem nada de errado com assinaturas, cara. Um jornal precisa produzir uma nova edição, né? Um serviço de streaming tem que manter os servidores e tem que renovar o seu catálogo. É normal você assinar por algo que precisa ser produzido.
O problema começa quando a assinatura deixa de financiar uma nova entrega e passa só a impedir que alguma coisa que já existe seja desligada. Você entendeu a diferença? A empresa vende o objeto, mas conserva a chave. Esse modelo é muito atraente para os negócios, cara. Uma venda termina depois de feita, uma assinatura continua, continua, continua. Ela traz uma receita previsível. Transforma o consumidor numa fonte permanente de pagamentos.
Todo mundo quer esse modelo de negócio. Aos poucos, os fabricantes começam a olhar para cada parte do produto e perguntar: vem cá, será que isso aqui não pode virar uma mensalidade, hein? E o resultado é uma vida cheia de pequenas cobranças. R$14 aqui, R$29,90 ali, R$30 ali. Separadamente, cara, parece insignificante, né? Mas juntas elas formam uma espécie de condomínio invisível. Você já perdeu o controle? Só que o custo mais importante não tá na fatura, não, tá no controle.
Quanto mais inteligentes ficam os objetos, maior é a capacidade dos fabricantes de governar esses objetos depois que vender para você. Nós usamos os produtos, mas eles também observam como é que nós usamos, né? A gente nunca teve acesso a tanta coisa e talvez nunca tenhamos possuído tão poucas coisas. No episódio completo dessa semana do Café Brasil eu mostro por que que a economia passou a desejar tanto as receitas recorrentes, as assinaturas, e o que que a gente perde quando comprar deixa de significar possuir.
Procure por A Vida por Assinatura no podcast Café Brasil. Olha, talvez o futuro não seja um mundo sem coisas não, mas é um mundo em que a gente vai continuar cercado por elas e vai precisar pedir licença para usá-las. Parece pouco, cara? Isso é uma diferença brutal. Você aprende a usar alguma nova, um produto, uma invenção, um software, um aplicativo. O aplicativo aprende como é que você funciona, ele molda você, cria uma dependência.
Em determinado momento ele fala: agora você tem que pagar para continuar usando. Cara, isso vira a vida da gente de ponta-cabeça. Quantas assinaturas você paga hoje aí que você nem sabe que tá pagando, hein? Dá uma olhada, você vai tomar um susto. Bom, vem para cá, mundocafébrasil.com. Aqui tem assinatura também. Eu vendo uma assinatura também, mas eu tô constantemente, toda semana, alimentando esse lugar aqui de conteúdo, conteúdo, conteúdo, e sempre produzindo mais, mais e mais, né?
Não, você não tá comprando um produto que eu vou liberar você para usar, não. Você tá comprando um processo, um processo que alimenta de conhecimento o tempo todo para você, ó, ficar esperto. É aquilo que eu sempre digo, né, cara? Eu sei que todo mundo quer me fazer de otário. A minha luta é para que quando eu tiver que ser um otário Eu seja um otário consciente. Vem para cá, mundocafebrasil.com, torne-se um assinante. Aqui a gente vai aprender como é que são as armadilhas do dia a dia.
E vem, esse cafezinho chega a você com apoio de Terra Desenvolvimento Agropecuário, gestão profissional para quem trata fazenda como empresa.
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