A História do Ocultismo Ocidental & Maik Baguncinha Apronta nos Comentários | MFC 608
Links:
Canal jorge Uesu falando do Maik https://www.instagram.com/reels/DZYcFzzqUSI/
Na live de hoje do Mundo Freak, vamos mergulhar na longa e fascinante história do ocultismo ocidental, um conjunto de tradições esotéricas, filosóficas e espirituais que atravessa séculos e ajudou a moldar parte do imaginário do Ocidente.A conversa começa nas origens mais antigas desse pensamento, passando por Alexandria, pelo hermetismo, por Hermes Trismegisto, pelo gnosticismo, pelo neoplatonismo e pelas formas como esse conhecimento sobreviveu, foi codificado e transformado ao longo da Idade Média. A pauta também entra em temas como alquimia, cabala, grimórios medievais e a ideia de que o ocultismo sempre esteve ligado à busca por uma gnose, um conhecimento interior e transformador.Ao longo da live, a gente avança para o Renascimento, quando magia, filosofia e ciência ainda caminhavam lado a lado, e passa por figuras fundamentais como John Dee, além do surgimento de tradições e estruturas como rosacrucianismo, maçonaria, Éliphas Lévi, Helena Blavatsky e a Golden Dawn, que ajudaram a organizar o ocultismo moderno.Na reta final, o papo chega ao século XX com nomes incontornáveis como Aleister Crowley, Jack Parsons e Anton LaVey, mostrando como o ocultismo saiu dos círculos iniciáticos e passou a dialogar com contracultura, mídia, ciência, espiritualidade alternativa e cultura pop.Se você gosta de história do esoterismo, magia cerimonial, sociedades secretas, alquimia, hermetismo, cabala, Crowley, satanismo moderno, mistérios históricos e da relação entre ocultismo e cultura contemporânea, essa live é para você.▶ Assista e participa no chat: qual fase da história do ocultismo mais te intriga, Antiguidade, Renascimento, sociedades secretas ou século XX?As Duas Vidas de Rudolf: https://open.spotify.com/show/3okz3u1rW9O0Lz3fdfmqZiApoie o Mundo Freak: https://apoia.se/confidencialRafael Jacauna Autor (Instagram): https://www.instagram.com/rafaeljacaunaautor/Lynda MD: http://lyndamd.com.brAnuncie com a Paratopia: https://www.instagram.com/paratopiapodcast/Edição: https://www.instagram.com/instadogrmachado/#MundoFreak#LiveMundoFreak#Ocultismo#OcultismoOcidental#Hermetismo#Alquimia#Cabala#AleisterCrowley#SociedadesSecretas#Esoterismo
- Koji Kondo· CulturaOrigem judaica da Cabala · Cabala Hermética · Cabala Cristã · Cabala Luriânica · Isaac Luria · Marsílio Ficino · Pico della Mirandola · Qlipha
- Hermetismo e Hermes TrismegistoDeus grego Hermes · Hermes Trismegisto · Corpus Hermeticum · Tábua de Esmeralda · Lei do 'assim na terra como no céu' · Sincretismo religioso em Alexandria
- Ocultismo e MisticismoMagia, filosofia e ciência · John Dee · Rosacrucianismo · Maçonaria · Éliphas Lévi · Helena Blavatsky · Golden Dawn
- Nerdice e Cultura PopAleister Crowley · Jack Parsons · Anton LaVey · Contracultura · Mídia · Espiritualidade alternativa · Cultura pop
- Distinção entre Feitiçaria e FéMagia como prática espiritual do outro · Porosidade entre magia, religião e ciência na antiguidade · Distinção medieval entre sagrado e não sagrado · Ocultismo como saber pulverizado
- Magia FiccaoJohn Dee · Rainha Elizabeth I · Edward Kelley · Magia Enoquiana · Alfabeto Enoquiano · Espelho negro de obsidiana
- Conexões entre ufologia e ocultismoSuposto avistamento OVNI · Mike Baguncinha · Análise de vídeos e áudios · Influenciadores digitais · Redes sociais e viralização · Jorge Uezu · Luciano Tigre
Voz A:You have one new message.
Rafael Jacauna:Ring, ring, ring, ring.
— Anúncios inseridos dinamicamente —
Marcos Keller:Woo!
— Anúncios inseridos dinamicamente —
Marcos Keller:Rated PG. Study and play.
Rafael Jacauna:Play!
— Anúncios inseridos dinamicamente —
Marcos Keller:Learn more at windows.com/studentoffer. While supplies last.
Andrei Fernandes:Ends June 30th.
Marcos Keller:Terms at aka.ms/collegepc.
Andrei Fernandes:Boas noites, queridos ouvintes! Como vocês estão, meus caros? Eu sou Andrei Fernandes e hoje vamos falar de magia, que há muito tempo que a gente não fala sobre isso. E hoje falaremos sobre a história da magia ocidental, tudo aquilo que vocês, que eles não querem que vocês saibam. E para me ajudar, temos aqui Frater Jakauna, para me ajudar, irmão de Maçonaria.
Rafael Jacauna:Olha, eu não entendo muito dessas seitas aí não, desses grupos, dessa gangue magística, mas tô aqui para aprender com o Mestre Keller, que eu já gravo há mais de 10 anos, não aprendi tanto não, porque minha memória é fraca.
Andrei Fernandes:Exatamente, exatamente.
Marcos Keller:Então, nosso queridíssimo Marcos Keller, magia é aquilo que acontece quando você me marca, me chama, a gente se encontra depois de ter mandado aquele foguinho. E ó, ela nasce. Aprendi isso com o Andrei, hein?
Andrei Fernandes:Como é que é? Como é que é a história aí?
Marcos Keller:Quem sabe sabe.
Andrei Fernandes:Entendi, entendi. Isso aí é o off do Magicano. Gente, hoje vamos falar sobre ocultismo. Afinal de contas, o que que ele tem a ver? Mas existe todo aquele papo doido lá que vocês já sabem. Logo depois da vinheta e a gente já volta.
Marcos Keller:Além do que conhece por tempo e espaço, o contato com o algo além. Não conte para ninguém. E nunca olhe para trás. Mundo Freak Confidencial.
Andrei Fernandes:Vamos lá, galera, chegamos aqui em mais um Mundo Freak Confidencial e hoje temos o quê? Um papo muito da hora aqui para vocês. Mas antes da gente começar, tem um recadinho bem rapidinho. Primeiramente, agradecer a você que tá nos assistindo. Vocês é o que fazem esse podcast acontecer. E enquanto eu tô conversando aqui, eu queria, Rafael, qual é a importância do financiamento coletivo do Mundo Freak?
Rafael Jacauna:A importância do financiamento coletivo do Mundo Freak é pagar aqui os custos de produção, né? Toda essa produção maravilhosa, muito bem organizada e pronta na hora que você chega aqui. Só é possível através do seu apoio.
Andrei Fernandes:Perfeito, perfeito, perfeito. E, Rafael Jacauna, você sabe qual o link para você apoiar na campanha do Mundo Freak?
Rafael Jacauna:É o www.apoia.se.com.br/mundofreak. É isso? Não sei.
Andrei Fernandes:600 episódios, Rafael.
Marcos Keller:Apoia.se/confidencial.
Andrei Fernandes:Cara, o Keller não grava até Tem 500 episódios.
Rafael Jacauna:Olha só, eu não tem 3 minutos que eu falei o seguinte: eu gravo com Kelly há 10 anos e não aprendi nada de magia ainda porque tem memória ruim. Aí você me pergunta sobre o site do Apoia.se.
Marcos Keller:Tá bom, você só conhece há 10 anos também, certo?
Andrei Fernandes:Vamos lá, é apoia.se, não tem .com.br, apoia.se. É tipo, tem aquela brincadeira do apoia-se, né, conhece, né? Apoia.se. Barra confidencial, porque é secreto. Ninguém pode saber, por isso que a gente é pobre, que ninguém sabe de quê.
Marcos Keller:Eu tenho uma pergunta, eu tenho uma pergunta. Vocês acham que envelheceu bem essa ideia do apoia.se, tipo a galera do Jogabilidade, jogabili.de, tá ligado? Acho que envelheceu bem, cara.
Andrei Fernandes:Eu acho que ficou brega, eu acho que ficou brega.
Rafael Jacauna:O tempo, eu não sei.
Marcos Keller:Então, o .com, sabe o .com? Tem o fim? Então tem uma galera que começou a procurar outros domínios com esse fim, mas que completasse a palavra. Então o Apoia.se chama Apoia.se, só que aí o site deles é apoia.se, pra fazer uma brincadeirinha, entendeu? Só que eu acho que envelheceu meio mais ou menos, sacou? Era uma puta, sei lá, mas tipo assim, deve ter sido uma puta ideia um tempo. Hoje em dia a gente já tá meio, porra, Cintura baixa, manja, calça com bolso na lateral, aquelas calça cargo, é um bagulho que envelhece meio mais ou menos, sabe?
Rafael Jacauna:Envelhece meio, mas assim, Kelly, sinceramente, não que eu seja o cara mais atento do mundo, vocês acabaram de ver que grava 10, mais 10 anos, não sei o apoia-se ainda, mas assim, nunca nem reparei nem pensei sobre isso, isso passou por mim como O Vento da Manhã completamente, tipo, apoia esse ponto SE. Nunca perguntei, eu tive qualquer curiosidade de saber por quê, tirando agora que eu acabei de perguntar.
Andrei Fernandes:Perfeito, é isso que a gente espera de você, Rafael. Um grande, um grande, né, pessoa que percebe as coisas.
Rafael Jacauna:Meu grau de percepção foi baixo hoje.
Andrei Fernandes:Perfeito, perfeito. E também temos que lembrar o quê? Que os episódios a gente tem um grande apoio que é da galera da linda Mídias Digitais. O que que é linda, gente? Diferente do Rafael, que não guarda as coisas, eu sei que o ouvinte que não é linda, que é rústico, seria muito arrombado dessa parte, cara, seria muito arrombado.
Marcos Keller:Isso é algo que eu esperaria de uma galera aqui do chat, né? Abraço, sabe quem.
Andrei Fernandes:Agora, pô, Então, para você que tem um pequeno negócio, para você que tem um pequeno empreendimento, seja produto ou serviço, você quer se aparecer na internet, dá uma contratada aí, dá uma conversada com a Linda, com ylindamd.com.br. Ou, cara, se você por acaso se perder no link, qualquer dúvida que você tenha com relação ao GK, vai lá no nosso, lá no @mundofreak, dá uma perguntada. Mas a Linda é uma pequena agência que é especializada nos pequenos produtores E que, poxa, tá fazendo toda a parte de internet, são eles que estão fazendo para gente, né? Então aquelas imagens bonitas, os posts, tanto do Mundo Freak quanto o Magicando, são eles que estão ajudando aí a gente. Beleza? Então dê uma olhada lá no trabalho deles. Inclusive, @paratopia também, nossa produtora de podcast, vem fazer nosso podcast. Ó, camisetas Mundo Freak para terminar aqui agora para vocês. As camisetas estão de volta lá na Uma Penca. Umapenca.com/mundofreak. Eu sei que é muito link, e todos esses links vão estar aonde? Aí, para você clicar no post desse episódio, tanto na locadora vermelha quanto na locadora de música suíço, eco, verde, e todos os agregadores de podcast. Beleza? E podemos começar aqui. Ah, e antes de mais nada, hein, Rafael falou isso em off, mas eu vou ressaltar, hein, os recadinhos desse episódio. Vai ser versão de colecionador, porque a gente vai distribuir, expor em todo mundo.
Rafael Jacauna:Não, não, não, o Andrei já me censurou, ele não vai estar muito— já fui advertido pelo advogado, já mandou mensagem aqui no WhatsApp.
Andrei Fernandes:A gente vai encerrar—
Rafael Jacauna:não se atreva. Advogado mandou no WhatsApp.
Andrei Fernandes:A gente vai encerrar esse assunto Mike.Leão, tá? E vai ser a última vez que eu vou querer falar desse negócio. Então escuta os recadinhos e vamos voltar agora Por quê? Para o tema de hoje, que tá, cara, extremamente exotérico. Então vamos lá, Marcos Keller, você é o nosso grande especialista com relação ao cultivo, né? A gente grava o quê, há mais de 10 anos? Para Seu Desespero, né? Você está aqui nesse pacto. E a gente já falou através da história do Mundo Freak vários conceitos e chegamos a conclusões que eu acho que a gente pode passar um pouco a bola. Vou dar um pequeno resumo aqui. Se você discordar de mim, fique à vontade. Mas o que primeiro é, toda vez que a gente começa a tratar sobre o assunto magia, a gente perde pelo menos uns 40 minutos na definição do que que é magia. Eu acho que a gente já passou por isso. Inclusive tem um livro que eu ia citar o autor, só que acabei de esquecer o nome do autor, um autor de Magia do Caos e tal. Ele fala, cara, um monte de gente perde tempo para definir o que é magia, sendo que quando você pergunta para uma criança, a criança sabe exatamente o que que é magia. Então, por que que a gente perde tanto tempo tentando buscar a definição, né, com relação a isso? Mas eu acho que é importante, pelo menos antropologicamente, é a gente definir algo que também a gente já definiu no passado, que é: existe um conceito que o que eu faço é religião, o que eu faço espiritualidade, o que eu faço é sagrado, o que o outro faz é magia barra feitiçaria, magia negra, o que que seja. Isso é uma grande conclusão. Então, a grande verdade, né, que a espiritualidade existe desde os nossos antepassados, e magia costuma ser a prática espiritual do outro. E eu acho que até aqui é um bom resumo dessa conclusão de 600 episódios, estou correto?
Marcos Keller:Sim, sim, é bom, é um bom termo. É que assim, ele vai valer, né, existe um recorte histórico daquilo que está pensando como magia, até mais ou menos ali até o período próximo da Idade Média, até Roma mais ou menos, você tem uma situação ali que, até a queda de Roma, que é muito porosa a relação entre magia, religião, ciência, é meio que quase tudo a mesma coisa, manja? Isso é uma crítica que eu já falei para muita gente, que não tem como você entender também algumas coisas da filosofia antiga se você não entender que essa magia-religião ela é porosa, não é separada, é tudo a mesma parada, é tudo a mesma ligação. O que acontece quando você chega na Idade Média é que começa a ter essa questão de que aquilo que eu faço sagrado, aquilo que o outro faz não é. Tanto é que a primeira filosofia, a primeira forma de pensar da Igreja Católica Apostólica Romana medieval vai ser a patrística, que é a defesa dos pais da Igreja, Santo Agostinho, aonde ele vai definir, mano, uma série de coisas. Só para a galera que tá acompanhando a gente ter uma ideia, ele tava fazendo algumas defesas, ele precisava defender a fé porque a fé cristã era muito pequena ainda. Tinha, sei lá, 400 anos que Cristo tinha morrido, tinha desaparecido, ido pro céu, ou "Heike mi parta", e ele tava olhando pra essa parada e tinha muita gente que tinha mais cultura do que os cristãos tinham. Então você tinha os filósofos pré-socráticos, você tinha os egípcios, você tinha uma galera em volta ali que tinha muito mais conhecimento científico, muito mais conhecimento pra discutir. Você tinha os neoplatônicos, perdão, falei pré-socráticos. Os neoplatônicos, que era uma escola de filosofia muito famosa, e o cristianismo apanhava porque era uma religião de plebeu, uma religião do pobre, uma religião dos simples, senhoras, velhinhos, crianças. Não pode esquecer que os seguidores de Jesus Cristo, eles eram— o mais inteligente ali era um cobrador de impostos, né? O resto era um pescador, pô, era o seu Zé da padaria, o seu João pedreiro, o seu Joaquim pescador, era uma galera simples, né? E aí você começa a ter essa definição, e quando você tem essa definição, É muito importante quando você quer definir alguma coisa, você falar o que você não é. Então você faz muito essa acusação do outro, tá ligado? Eu vou acusar o outro daquilo que eu não quero ser. E aí é onde você tem essa distinção que você tá levantando agora, André, essa coisa de falar que magia é aquilo que tá no outro, né? Ela surge aí e aí ela se estende. Só que a magia não acaba, isso é uma coisa importante pra falar. A magia ela não se encerra. O que acontece é que você vai ter os templos, A religião, religião principal vai ser o cristianismo. Você vai logo ter os templos. A ciência, que vai ser as escolas, universidades, também associadas ao cristianismo. E a magia vai pra onde? Ela fica relegada ao privado, às práticas particulares, à casa. Você não vai ter uma Hogwarts, você não vai ter essas grandes coisas. Então ela vai ficar relegada ao privado, ao individual. Então você ainda vai ter ensinamentos dentro de famílias, você ainda vai ter algumas trocas dentro de pequenos grupos, dentro de guildas, dentro de agrupamentos menores. Mas você não vai ter isso como uma coisa tão forte, tão externa, tão exposta como já tinha sido algumas práticas mágicas no período greco-romano, né?
Andrei Fernandes:Fica relegado ao oculto, você diria?
Marcos Keller:Ao ocultismo? Fica hoje relegado ao oculto, àquilo que começa a ficar ocultado da visão, né? Aquilo que não está mais tão visível, não está na superfície mais.
Rafael Jacauna:Mas você explicou um pouco desse estar oculto, mas isso tinha principalmente conotação de um medo porque a religião de repente não aceitaria, ou porque também as pessoas culturalmente não aceitariam que alguém tivesse fazendo práticas magísticas ou práticas que pudessem pedir algo negativo ou positivo, porque isso era ocultado necessariamente assim? Eu sei que deve ter vários momentos, mas por exemplo, nesse momento que você tá falando no início, O ocultismo, essa magia era oculta por medo de perseguição do Estado, porque o Estado tinha sua religião e não aceitava, ou mais dos vizinhos, de, ah, lá tá fazendo magia contra mim, tá querendo me atacar, ou era um misto das duas coisas, por exemplo?
Marcos Keller:Cara, também vai variar de tempos para tempos, né, daquilo que a gente tá levantando. A difusão desse termo ocultismo que a gente costuma utilizar, ela é mais recente. Ela é uma difusão do século 18, 19, assim, ela é muito mais recente. Se eu não me engano, o Agrippa escreve o Occulta Philosophia, que é a filosofia oculta, no século 16, acho que é 16. Então ali é onde se cria a ideia das ciências ocultas, manja? A ideia do quê? Existe um tipo de saber que não está se ensinando na universidade, não se ensina na igreja, não sei nenhum lugar. É um saber que ele tá pulverizado, né? E esse saber é popular. E o Agrippa, para quem não sabe, ele é um médico, né, que ele rodou diversos locais da Europa e ele acumulava esses conhecimentos, ele escrevia as coisas, ele juntava as coisas e tal. E aí depois do Agrippa vai ter o Eliphas Levi, que vai—
Andrei Fernandes:Isso é muito interessante porque esse é o contexto do final da Idade Média para o início da Idade Moderna, nesse resgate que vem a cavalo junto com a ideia de Renascimento, que é o quê? Você vai resgatar os textos gregos e junto disso vem esses outros textos em conjunto que a galera se tornam textos proibidos, meio tabus, etc. E uma galera muito específica começou a estudar esses textos. Mas eu queria muito só dar uma pequena pausa para voltar um pouco ali na antiguidade, né? A gente não tem como falar, porque assim, gente, quando a gente pensa no cristianismo, a gente pensa no todo, porque a gente nasceu cristão. Cristianismo é tudo na nossa sociedade, né? O que que é o não querer, tipo, sei lá, o feiticeiro, quem faz magia, etc. e tal, a gente associa com o não cristão. Mas conforme a gente vai observando e olhando para trás, até para reforçar um pouco essa questão de que magia é sempre do outro, eu vou dar um exemplo aí para você. Para o grego antigo, o grego ele tinha uma prática esotérica muito clara, né? Ele trabalhava muito com essas questões do oráculo, né? Oráculo de Delfos, trabalhava muito com essa questão do sacrifício, né? Então você vê até na mitologia, né? Ah, sacrifique o melhor boi para Poseidon, né? Você tinha muito dessa prática. E olha que interessante, eles tinham muito preconceito com uma galera de fora da Grécia que praticava magia, principalmente persas e outras culturas ali ao redor, que eles chamavam de goéis, que eram feiticeiros e encantadores de magias estranhas, que praticavam uma tal de goetheia, que depois vai ser associado à magia goética, né, a evocação demoníaca, que vai ter a ver com o cultismo, etc. Isso é um grande exemplo de como é que a gente vê do tipo, o que eu faço na magia, né, o que aquele cara faz que é estranho, que fala uma língua esquisita, que trabalha com conceito ético diferente do meu, é errado, é diferente, é proibido, é mal visto, né. Então a gente também depois vai acabar caminhando no conceito de, né, alta magia, baixa magia, e por aí vai, né. Mas voltando um pouco disso, né, a gente associa muito essa ideia de Idade Média como Idade das Trevas, que a gente sabe que é conceito muito defasado. A gente tá com dois historiadores que podem até explicar um pouco melhor isso e tal. E como eu tava falando, é, a gente teve esse período em que no final da Idade Média, início da Era Moderna, que vai compor esse período do Renascimento, você vai ter esse resgate de textos e tradições greco-romanas, como na arquitetura, como nas artes. Isso aí você estudou na sua escola. E o que que acontece? Muitos textos de crenças e tradições, vamos dizer assim, que se tornaram proibidas, vem a partir daí. Inclusive, boa parte disso graças aos árabes, né, Keller? Que os árabes preservaram muitos dos textos que a igreja não quis preservar. Então, se você hoje pratica alguma magia fora cristianismo, assim, no Brasil, cristão faz magia, tá, gente? Cristã, tudo um bando de macumbeira. A gente vai falar isso daqui a pouco.
Rafael Jacauna:Mas Andrei, por exemplo, como, o que que a pessoa fala sobre, sei lá, a pessoa quer casar e aí coloca, sei lá, qual o nome daquele santo que coloca de cabeça para baixo no copo?
Marcos Keller:Como é que é? Qualquer um, realizando o que você precisa, você põe qualquer um.
Rafael Jacauna:E aí a pessoa vai falar, mas isso é magia. A pessoa fala assim, não, isso aqui não é magia não, isso é que se chama como no Brasil?
Marcos Keller:Cristianismo popular, é, eles inclusive.
Rafael Jacauna:Não, tem um nome disso, simpatia. Simpatia, simpatia, a pessoa vai fazer simpatia, vai botar o olho de boi dentro de um copo com água no canto de algum local da casa, vai botar o seu santo ali que tu tá pedindo alguma coisa de cabeça para baixo até acontecer. Isso não deixa de ser magia, mas o cristão, o católico, muitos evangélicos, não, pois isso aqui é uma coisa que eu aprendi com minha avó, com minha mãe, e funciona porque funciona. 'Ah, isso aqui é simpatia, é magia.' Não, não é, é simpatia, é outra coisa. Não é magia.
Marcos Keller:Sim, mas tem isso mesmo. E o Andrei tá certo quando ele fala sobre a questão dos árabes, porque assim, a gente sempre pensa: 'Ah, mas ali o Renascimento foi uma recuperação da cultura europeia.' Sei lá, como se alguém tivesse aberto uma porta, encontrou os livros antigos, né, que tava ali guardado da Grécia antiga na Europa, né. E na verdade o que rolou foi um processo um pouco diferente. Porque o Império Romano, ele nunca caiu no Oriente, no chamado Oriente, que é ali no mundo árabe. Ele nunca caiu. Quando você tá na escola, você aprende lá Império Romano e depois você começa a aprender sobre Império Bizantino. Só que se você pegasse na mão de alguém e fosse até Bizâncio, você chegasse lá e falasse assim: "Ah, você é bizantino?" O cara falasse: "Não, eu sou romano, porra." "Tá maluco? Que bizantino? Sou romano." Então, pra eles, ali ainda continuava com essa estrutura toda de Império Romano. Então a cultura nunca se perdeu naquela região. Quando você tem as interações de mundo árabe com a região do Império Bizantino, chega uma hora que você tem a expulsão da galera, a galera volta para a Europa, você tem a retomada de Jerusalém pelo Saladino, o Saladin, você tem todo esse processo que está acontecendo ali, você tem a expansão árabe para a Península Ibérica também, que os árabes dominam toda a região de Portugal e da Espanha, Que não é incomum, eu já ouvi uma galera europeia falar isso, que eles têm o hábito de chamar portugueses e espanhóis de europeu não limpo ou não tão europeu assim, porque eles teriam sido dominados pelos árabes por muito tempo, 300 anos, 200 anos de dominação árabe. Então você teve essa conquista ali, e esses conhecimentos que eram conhecimentos já comuns na região de Bizâncio Eles voltam para a Europa e eles continuam sendo estudados pelos árabes. Então você vai ter uma porrada de árabe que se desenvolve. Tem um grande comentador de Aristóteles também, que é o Averroes, né, Averroes, que é o Ibn Rashdah, se eu não me engano o nome dele. Ele é um grande comentador de Aristóteles, ele é um árabe. A língua do conhecimento, a língua da sabedoria, quando você fala sobre o Renascimento, fim da Idade Média, ali abaixo da Idade Média, era a língua árabe, né. Inclusive você vai ter alguns tratados fantásticos sobre, sobre esoterismo, sobre magia planetária, sobre astrologia, que eles são de origem árabe, né. Então você vai ter realmente essa parada. Quando ela volta para Europa, quando ela chega na Europa novamente, você tem a Europa como esse caldeirão cultural, que ele vai ser um caldeirão cultural muito grande. Então O que a gente chama de ocultismo hoje no geral, de magia europeia, né, ou de essa tradição, né, de uma forma geral, ela é uma mistura de catolicismo oficial, catolicismo popular, de culturas de cultos agrários, de umas paradas greco-romana, tem coisa egípcia no meio também, porque os romanos e os gregos nada mais faziam do que copiar um monte de coisa dos egípcios também ali no meio, e você vai ter essa salada gigante, vai ter muita coisa dos judeus, né? A própria cabala, ela vai ter uma origem judaica. Então você vai ter uma porrada de coisa que vai se amalgamando ali e que nem sempre se conversam. Aí você precisa fazer essas coisas conversarem ao longo do trabalho, né?
Andrei Fernandes:Eu acho que isso é muito interessante, porque é como se através da história existissem pessoas-chaves que fossem como depuradores. O que que eu quero dizer com isso? Que, por exemplo, a gente tem o Agrippa, ele faz Levi, que são pensadores que vão aparecer através da história, vão pegar todo esse conhecimento e vão meio que compilar em obras meio que únicas, ou pelo menos uma coleção de obras únicas, né? E essas pessoas, elas vão aglutinando, reagindo e deglutindo, e colocando para fora de uma maneira que seja concatenável para todo mundo, que com certeza devia ter muitas contradições em vários textos de povo, que eram textos de povos diversos, que obviamente também se comunicavam. Então, por isso tem as suas semelhanças. Mas é claro que quando isso vai para a mente de alguém, que é até uma brincadeira que a gente fala lá no Magicando, principalmente o Vinícius, que é editor de livro de magia, que ele fala: você quer escrever um livro de magia? Leia 3 livros e escreva o teu. É isso, né? E essa é uma brincadeira com relação à prática do direito autoral, por exemplo, né? Mas fala muito sobre essa questão do tipo: poxa, não tem como você puxar uma fonte. De onde que é a fonte? Voz da minha cabeça? Aí geralmente a pessoa, né, dá aquela inventada: não, é, isso aqui vem de uma tradição do Ptolomeu, de Apolônio, de não sei das quantas, da Tábua Esmeralda. Então assim, isso são práticas comuns do tipo, no fim, no fim, no fim, a gente não sabe de onde veio esse conhecimento, né? Mas eles são valorizados por serem práticas muito antigas, que por haver esse resgate, né? E talvez até por ter um pouco desse distanciamento, existe talvez essa questão até meio exótica de quando você pratica, talvez ele seja mais potente, mais forte, mas ao mesmo tempo mais perigoso, por isso que ele é meio proibido, né? Então isso é algo que vai caminhando culturalmente nas tradições esotéricas até o dia de hoje, né?
Rafael Jacauna:Deixa eu perguntar uma coisa aqui para os especialistas aqui do Magicando. Você falou sobre a origem desse conhecimento místico. Vou perguntar, isso vem muito na minha cabeça quando a gente vai misturando o assunto aqui sobre ufologia. Sempre vai aparecer alguém que falou com ET, o ET mandou a planta, conversou. Quando vai falar de cristianismo, é um anjo que trouxe esse conhecimento. Aí eu pergunto para vocês, isso na magia também aparece muito. De onde vem esse conhecimento? Ah, eu fiz um ritual, e apareceu um espírito, passou uma entidade e passou, veio num sonho e contou como é que é. Isso é comum ou ficou mais comum de forma mais recente com alguns que a gente vai comentar aqui? Ou isso já era muito comum antigamente de espíritos virem, alguma coisa, contar sobre os segredos?
Marcos Keller:Cara, isso sempre teve. A ideia de que você tá se comunicando com uma coisa oculta, uma coisa que tá além, isso sempre existiu. E aí o que vai acontecer, que você vai receber uma uma, um verniz cultural, tá ligado? Se a sua cultura acredita em deuses das matas, então o que for falar com você que você não é carnal vai ser um deus da mata. Se a sua cultura acredita que é uma divindade de uma outra parada, você vai falar que é divindade. Se a sua cultura acredita que isso aqui é um rolê psicológico, você vai vestir aquilo com verniz psicológico. Se você acredita que aquilo é um rolê ufológico, você vai vestir aquilo com rolê ufológico. Por exemplo, a gente já comentou isso aqui no no mundo freek há muito tempo atrás, que se você pegar qualquer relato sobre fada da Europa medieval ou qualquer outro lugar, a diferença para questões de UFO de hoje é quase nenhuma. É muito pouca a diferença. Então você vai ter pessoa que some, mudança de tempo, luzes no espaço, percepção de tempo alterada, marca em plantação. Você vai ter isso. Você tem ideia do diabo das plantações que ele ficava riscando cortando partes da plantação e fazendo uns, arrancando pedaços dela, e não tinha visão aérea, então você não via o que que ela tava fazendo. Mas você tem o desenho de que ele fazia labirintos nas plantações, né? E pô, labirinto na plantação nada mais é do que os agroglifos que a galera fala hoje em dia. Então você sempre vai ter esse verniz cultural que vai dar uma organização para a forma como você tá acostumado a ver, né? Porém, contudo, todavia, você sempre vai ter essa ideia de que alguma coisa está sendo falada. E às vezes, é curioso pensar nisso, que às vezes até aquilo que não é correto para uma religião, a religião considera que aquilo é errado, aquilo não devia ser feito, mas funciona. Um exemplo que eu sempre gosto de dar aqui é que quando o profeta Elias, foi Elias, né? Fantasma? Vou esquecer agora. Fantasma, deixa eu perguntar aqui. Não lembro. Não vou lembrar agora, vou lembrar agora o texto bíblico específico, vou ficar faltando essa para vocês também, não vou pesquisar. Mas puxando de cabeça, o que acontece é o seguinte: o judaísmo, a religião judaica, religião dos hebreus, ela sempre foi contrária a você conversar com mortos. Morreu, morreu, meu parça, morreu, voltou para Deus e já era, não é mais um problema meu. Morreu, morreu, você que se fudeu, acabou. Não tem nada a ver, não chamo mais. E aí você tem todo momento que aquele primeiro cara que, quando Deus queria que Davi fosse rei e a galera não queria Davi, queria um cara que fosse grande, bonito e tal, escolheram Saul. Eu não me lembro quem era o profeta que apontou Saul como o cara que era rei. E quando esse profeta morre, o Saul fica perdido. Saul fica perdidaço. E aí o que ele faz? Ele vai numa feiticeira pra chamar o espírito de Saul. Perdão, pra chamar o espírito do profeta. E aí você fala: pô, mas o judaísmo sempre falou que quem vinha era o capeta, que isso era ruim, que isso não era bom, que não podia fazer. Beleza, só que o texto bíblico fala que quando a feiticeira chamou, veio o profeta e deu uma bronca no Saul, falando assim: porra, por que você tá me chamando? Falei que não é pra fazer isso aqui, é feitiçaria, isso aqui é do capeta, pô. Foi me atrapalhar lá do outro lado pra vir? Então às vezes você tem, inclusive dentro da própria religião, a ideia de que aquela prática é ruim, Mas funciona. Aquela prática não é legal, não deve ser feita, vai chamar o mal, mas pode dar certo, né? O Giba lembrou, era o Samuel, profeta Samuel.
Rafael Jacauna:Mas aí também é uma propaganda meio torta também, né? Porque fala assim, olha, tá escrito aqui na passagem, funcionou, não foi o capeta que veio ensinar coisas erradas, foi o próprio cara que ele queria conversar que veio certinho. Então, e ainda broncou ele. Aí as pessoas vão ler, vão falar assim, Funciona, funciona.
Marcos Keller:E aí o que que eles chamam ali? Chamaram aquilo de o fantasma do cara. Então você vai ter outra pessoa, outra cultura, sei lá, a galera da Blavatsky, da teosofia, fala quando você chama alguma coisa assim, você tá chamando meio que um animatrônico da pessoa, tá ligado? Você tava chamando uma xerox astral da pessoa, que não é a pessoa mesmo, é os trejeitos acumulados que vai ser animado por alguma coisa, e essa xerox vem ali. Pra trocar ideia com você. Então vai ser esse verniz cultural que vai dar esse norte. Ah, mas tem alguma coisa ali? Se tem, se não tem, né, aí já vai para um outro campo que não tem como você comprovar. Mas a questão é: sempre existiu, né, essa parada de ter uma prática espiritual ou de chamar alguma coisa, ela sempre existiu.
Rafael Jacauna:A magia também sempre me parece uma coisa que o pessoal do chat está até comentando, que é o seguinte: ah, o seu vizinho, seu vizinho da frente, vizinho do lado, o seu vizinho da outra casa ali faz magia. O problema não é ele fazer magia, o problema é que eu não faço. Eu não faço, eu tô com inveja porque ele detém aquele conhecimento. Talvez ele pudesse me ensinar, mas eu não quero aprender porque eu não tenho tempo, porque eu não tô a fim. Então eu não quero que aquele filha da puta faça, porque é mais difícil beneficiar ele.
Andrei Fernandes:Eu não quero que ele faça, por isso que é proibido. Por que aquele cara toca tão bem? Por que aquela mulher é tão bonita? Por que a plantação do cara ganha mais dinheiro que eu? Deve ser um pacto com alguma coisa, né? O cara deve ter uma prática proibida, né?
Rafael Jacauna:Então, Andrei, mas não tô nem falando nesse nível de neurose, tô falando literalmente assim: não, o seu vizinho é praticante de tal parada. E aí você olha e você meio que sente o seguinte: caraca, isso funciona, eu tenho certeza que funciona. Porque eu odeio isso, porque eu não pratico, eu não terei aquela vantagem dele. Então talvez isso de também esconder venha também disso. Por quê? Porque as pessoas em volta são invejosas, né? Sei lá, pensa assim, estou estourando exemplo aqui para cultura pop: os X-Men, eles podiam, só porque eles não podiam fazer nada, mas só pelo fato de terem poderes, os outros odiavam eles porque eles podiam fazer coisas que eu não podia, né? A intenção da XM é outra parada, tá, gente? Só tô usando o exemplo, sim, sim, que é um alfabeto doido aqui, tá? Mas a pessoa olha e fala assim: não, ele tem magia, ele tem vantagem, não pode, isso não pode. E aí o Estado também pode querer falar assim: olha, você não pode fazer magia.
Andrei Fernandes:Tem aquela coisa de como é oculto, proibido e escondido, né? É claro que o poder vai ser muito maior, o poder sempre vai ser muito maior, porque pô, eu rezo todo dia, meu vizinho reza todo dia, o cara reza todo dia, eu conheço meu vizinho, eu sei dos perrengues que ele passa. Só que aquele cara que tá isolado na floresta, que eu sempre vejo, pô, o cara tá lá descansando, tá comendo bem, e eu não sei o que que esse maluco faz. Então ele deve fazer uma coisa muito melhor que eu. Eu acho que faz, acho que a gente aplica um pouco disso para tudo nessa vida, sabe aquela coisa tipo, o cara tem o O cara tem um talento secreto, ele tem alguma coisa escondida.
Marcos Keller:Ó, vocês estão descrevendo o funcionamento do Instagram, tá ligado?
Rafael Jacauna:Que é você faz aquele recorte, uma imagem, você fala a vida dele é melhor, mas também tem o seguinte, vou dar um exemplo aqui do meu bairro onde eu moro. Pô, eu, Rafael Jacaúna, estudei muitos anos, trabalhei muito, moro aqui. E aí, pô, nunca tive carro. Às vezes quando eu falo que eu nunca tive carro, as pessoas ficam assim, caralho, tu é bandido mesmo, né? Aí a pessoa que fala isso de mim tem carro, mas o maluco mora numa casa de pau a pique, mas ele, mas ele tem carro. E aí a pessoa fala assim: pô, mas eu tenho um carro, eu tenho uma moto, não sei o quê. Falou: não, beleza, você quer. A pessoa falou assim: você deve perguntar com que eu trabalho. Eu falo: não, não. Aí outras pessoas daí fala: pô, fulano tem carro, deve ser Bolsa Família. O fulano é fodido porque o fulano tem carro. Não, aí o pessoal já vai falar: não, deve ser traficante, deve ser bandido. Geralmente aqui eu penso logo isso: o cara é um fodido, tem carro novo, zero, parece um carro zero. Ele não é magia, é ladrão mesmo.
Andrei Fernandes:Vamos lá, vamos falar um pouco dessa prática intercambiável de magia para falar um pouco dos conceitos mais antigos que a gente tem. Que é a questão do Hermetismo. Hermetismo é uma das escolas mais antigas que a gente tem de magia. É uma tradição antiga com leis, né? Não dá nem para falar que são leis rígidas, né? Até os textos, eles, né, eu não sei o quanto de textos tem aliás, né? Mas eu vou lembrar muito das leis herméticas e coisa nesse sentido. Mas o que que é o Hermetismo, gente? Tinha deus na Grécia chamado Hermes. Esse deus era o deus da velocidade, dos ladrões e também do comércio.
Marcos Keller:Mas se eu não me engano, dos médicos, porque a medicina era uma bagunça também na época. Tinha medicina que era o truque, né? Então você tinha isso também.
Andrei Fernandes:É um pouco dessa prestigiatação, né? Essa coisa da malandragem, né? E a magia também era de Hermes, né? E você vai ter esse berço cultural, a gente vai ter vários berços culturais aí na humanidade, né? Mas um grande berço cultural que mesclou diversas culturas era, por exemplo, a cidade Alexandria no Egito ptolomaico e helenístico, né? Mas pô, ele era Egito, ele era ptolomaico e ele ainda era helenístico. E ou seja, você tinha Egito, você tinha Grécia, talvez alguma coisa romana, provavelmente coisas asiáticas ali também, algum tipo de contato. Então, a partir de um sincretismo religioso Você vai ter Hermes se misturando, por exemplo, com Thoth, que era o deus da escrita, também da magia, egípcio, né? Isso. Então assim, você vai ter fusão de várias entidades e isso vai criar, por exemplo, dentro desse caldeirão de ideias, essa figura lendária chamada Hermes Trismegisto. Hermes, o três vezes grande, significa, né? Que você deve conhecer aí pelo Tábua de Esmeralda. Hauseisches, né, que nada mais é do que essa síntese, né, de Thoth com Hermes, que associa-se a essa entidade de magia e sabedoria. E ele é autor, supostamente, porque Hermes Trismegisto não é uma pessoa, é dado como essa entidade barra ser, essa figura, que ele traz para a gente, humanidade, essa ideia dos textos conhecidos como Corpus Hermeticus. E na enigmática Tábua de Esmeralda, que os ensinamentos seriam célebres por causa dos seus axiomas, né? Axioma é como se fosse uma espécie de regra, né, de funcionamento daquele conhecimento, né, do universo, né? Por exemplo, é algo que provavelmente você já viu na cultura pop em demasia aí. Por exemplo, o que está acima é como o que está abaixo, né? Assim na terra como no céu. Fala aí, Keller.
Marcos Keller:Deixa eu puxar um acréscimo também, que eu acho que é uma parada que vai ajudar a galera que tá acompanhando a gente a entender. Porque muitas vezes a gente vê alguma coisa sobre história, e a história da Europa e do geral é sempre um puta dum whitewashing, né? Você acha sempre que aquela galera... Sempre aquela... "Na Grécia só tinha grego, no Egito só tinha egípcio", né? E por aí vai. Não. Toda essa galera tava num lugar chamado Mar Mediterrâneo. O Mar Mediterrâneo, ele é um espaço de extrema troca. Tem ilha pra caramba, tem muita troca. Em cima você tem o sul da Europa, embaixo você tem o norte do continente africano. Então ela é uma área de muita troca, de muito esforço, de muita coisa. Você tem pelo menos uns 5, 6 povos enormes, assim, civilizações gigantes que tinham acesso até aqueles locais. Então você tinha a Síria, você tinha uma galera babilônica que tinha acesso àquele lugar, você tinha a galera do Oriente Médio que tinha acesso àquele espaço também, você tinha o sul da Europa com diversos povos que tinham acesso. Então é um lugar fantástico. Tem um maluco chamado Alexandre o Grande, dependendo pra quem você pergunta também. Se você perguntar pros gregos e europeus, é Alexandre o Grande. Se você perguntar pros árabes, é Iskandar o Terrível, né? Porque ele perseguiu a geral ali na região da Pérsia e por aí vai. Esse cara, ele faz, ele é o único imperador que eu passo pano porque ele faz essa conexão que o Andrei tá falando. Quando ele sai dominando toda a Europa e aos 20 e poucos anos tinha dominado todo mundo conhecido, ele faz uma conexão direta que vai da região que ele morava, né, ali na região da Grécia, passando pelo Egito, vai conquistando aquela parada toda, e ele beira a Índia, né, ele chega ali no tequinho da Índia ali em cima. E quando ele chega, não é porque ele chegou tal e acabou, não. Você começa a ter trocas culturais entre eles. Esse Alexandre, ele tinha infinitas conexões, ele vai fundando cidades chamadas Alexandria em todos os lugares, então monte de Alexandria, e cada uma das Alexandrias também tinha essa troca cultural. E ele mesmo incentivava muito a troca cultural. Ele é um cara que sempre adotava partes da cultura, adotava técnica de luta, adotava partes da roupa, casava com alguém daquela região. Então ele é um cara que adotava todas aquelas culturas.
Andrei Fernandes:A dominância dele não era uma dominância cultural, né? Ele dominava o povo, o povo ali pagava provavelmente o imposto, a cidade dominada virava Alexandria porque era cidade dele, mas o resto ele falava: galera, continua praticando as coisas aí que isso é da hora, isso é bora nós.
Marcos Keller:E ele é o único maluco que acumulou ao mesmo tempo o título de rei, imperador, faraó e o escambau. E ele juntou essa galera toda. Inclusive, nota aqui do professor de filosofia, né? O mestre dele foi o Aristóteles, né? E muito provavelmente o Aristóteles tava tentando ver, enquanto ensinava ele, se aquela ideia do Platão do rei filósofo era uma boa. É provável que se o Alexandre tivesse sobrevivido, ele teria esse diferencial mesmo. De ser um rei, que é pensar, filosofar sobre o que é ser rei, sobre esse controle todo. Mas não deu tempo, porque todas as outras ideias do Platão, o Aristóteles foi meio que contrário. Ele tava provavelmente testando no Alexandre um pouco disso. Mas enfim, fez essa conexão. Ah, então o que acontece? O que acontece é que esse Egito que o Andrei falou, ele é um Egito que vai beber muito no rolê do helenismo. Helenismo é como os gregos chamavam, os gregos chamavam de Hellens. De, ele não falava eu sou grego, eu sou Helen, né, eu sou um Heleno, esse era o nome. Então é a cultura grega misturada com a cultura egípcia e por aí vai. E pode parecer estranho para quem tá acompanhando a gente aqui falar assim, ah, como assim um deus que é um amálgama? Cara, tem um deus que ele é muito da hora, ele chama Bes. Bes, ele é um deus que ele é baixinho, tem um baita de um bigolão, um membro avantajado, uma cara de leão, e ele é todo feinho. Ele é um deus do lar, É um deus egípcio do lar. Na cultura egípcia, já grega também, né, desse Egito ptolomaico, porque quando o Alexandre morre, Ptolomeu fica, um dos generais dele governa o Egito, já tinha a ideia de você misturar deuses. Então tem uma imagem que eu acho maravilhosa, pode pesquisar aí vocês, vocês quiserem, chamado Bes Pantheos, Pantheos de todos os deuses, Pantheos, que é a mistura de Bes com asa de Hórus e não sei mais o quê, tipo, é ele juntando tudo. Então, e a bengona, né, porque ele sempre tem uma bela de uma vantajada do membro. Então ele juntava essa parada toda, ele misturava isso tudo. Isso era uma forma de você agradar todo mundo também, você entendeu? Então aqui, ó, nesse deus ele tem tudo aquilo que a gente representa, ele tem tudo aquilo que a gente gosta. E o Hermes Trismegisto também era isso, porque provavelmente para esses gregos, para esses egípcios, Não é tão importante a figura do deus, o importante é o significado. E o Hermes Trismegisto usava o quê? A palavra, o conhecimento, aquilo que está trazendo, né? E o deus do conhecimento é o que importa para mim. Não é nem tanto a divindade pelo nome, mas pelo que ela representa. Que é diferente para a gente hoje. Hoje a gente se preocupa mais com o nome do que qualquer representação. Ah, Jesus é amor. Não, meu Jesus usa rifle M16 e o barulho da águia gritando e a bandeira dos Estados Unidos nas costas. Nas costas. Então não é mais o significado, é a imagem específica daquele, daquela divindade específica que a gente pensa hoje. Mas nessa época não, era pelo significado daquela divindade. Então aí o Hermes Trismegisto faz todo sentido, entende? Perdão, Andrei.
Andrei Fernandes:Não, mas é isso aí, né? E eu ia falar justamente, né, isso tem muito a ver com o neoplatonismo que a gente tava falando, que é um pouco de você pegar essas ideias platônicas, né? Vou dar um exemplo básico de conceitual aqui, né? O Platão tinha um pouco, eu dando aula aqui com o professor de filosofia do meu lado, né? Platão, ele tinha essa ideia de mundo das ideias, que seria um mundo perfeito. Isso vai ser chupinhado para basicamente tudo que a gente conhece de metafísica.
Marcos Keller:Sim, todo cristianismo vai ser isso aí. E porque Platão era rei, né? Platão era o grande pensador, tá ligado? Então tudo que você pensava, falar sobre Platão era ganhar disputa. Você vai discutir com alguém, você citava Platão, ninguém criticava, porque Platão era o cara, entendeu? Era o nome. Inclusive, o cristianismo vai ter muito de Platão por causa do Santo Agostinho, lá na patrística, que eu falei depois. Porque a forma que os cristãos encontraram de ganhar as discussões e as disputas dos sábios pagões da época era citar Platão. Ele era o exódio da conversa, entendeu? Se eu cito Platão, eu ganhei.
Rafael Jacauna:E vou trazer uma curiosidade que muita gente sabe, mas muita gente não sabe. Platão era bom de porrada também. Se fosse chamar ele para porrada, ele batia nas pessoas, porque ele era forte pra caralho. Falando sério, platis é costa larga, provavelmente. Ele era um grande lutador de pancras. Não, e ele fundou academias de luta em Atenas.
Andrei Fernandes:Então fica aí. E outra curiosidade, a família Gracie— sacanagem— é descendente direto Então é que isso aí ninguém sabe. Mas por que que a gente tá falando de neoplatonismo? Porque isso vai contaminar culturalmente toda a ideia ocidental, principalmente dentro dessas tradições mágicas, né? Então, por exemplo, isso vai contaminar cristão, que vai basear o cristianismo em volta desse neoplatonismo. Isso vai influenciar o povo judeu, principalmente com as ideias de cabala. Deles também com essa coisa da emanação única, né, uno, né, de algo de humano. E o que que é Kabbalah? Kabbalah é um sistema místico filosófico do povo judeu, extremamente secreto e estudado, né. Você só pode ser, né, o rabino de já coroa, já não sei quantos anos, e você, só homens podem estudar Kabbalah, etc. E aí o ocultista médio falou: caralho, que da hora esse negócio, essas bolinha aqui, hein. E aí pegou para ele, fez o—
Marcos Keller:quase isso, você pulou um ponto importante. Quem falou isso primeiro foi os cristãos. Os cristãos que olharam para Kabbalah e falaram assim: é isso, é isso aqui que vai ajudar a gente a entender Jesus. E aí foi onde são eles os primeiros a recolher essa parada. Tem até um ponto aqui que é importante para falar, que o hermetismo— acho que a principal lei do hermetismo é essa que o Andrei também já que você citou, que a ideia de que você tem, que existe uma conexão entre aquilo que é supra macro da realidade e aquilo que é micro do que você tá fazendo. Então existe uma conexão que ela é invisível entre elas. Inclusive tem gente que teoriza que quando Isaac Newton descobre, abre aspas, a fórmula, né, as leis da gravidade, ele na verdade tava tentando entender um pouco mais sobre conceitos herméticos, porque ele é um notório ocultista. Então ele tinha muito querendo entender essa coisa: como que o pequeno influencia o macro, como que o macro influencia o micro. Então a ideia do Hermetismo é: tudo assim em cima como embaixo, assim embaixo como em cima. Essa é uma das principais ideias que a gente vai precisar entender. Então quer dizer que o pequeno consegue pegar de cima, consegue mudar em cima, e o de cima consegue influenciar o pequeno. Né, então ponto. Lembra disso aqui que eu acho que é legal. Quando a gente fala sobre o rolê da cabala, é importante lembrar que a cabala ela é de origem judaica, mas ela é formulada já na Europa. Ela não é formulada no, né, no Êxodo, lá atrás, no período em que os judeus ocupavam a Palestina, estavam naquela região e tal. Não eram, não é dessa época. A cabala ela é construída Já lá pelo século 12, né, a gente vai ter alguma coisa dela sendo construída mais ou menos por ali. Então você vai ter já essa estrutura dela. Acho que o primeiro cara cabalista que vai ser muito famoso vai ser um maluco chamado Isaac, o Cego. Ele vai ser o primeiro cabalista judeu que vai ser muito reconhecido. E depois dele, o cara mais importante que vai ter vai ser um mano chamado Isaac Luria, da cabala luriana, que é muito importante. Essa cabala judaica Só que ela já é um judaico que tá na Europa há muito tempo, já é século XII, e os judeus teriam saído da região deles já há... pode botar mil anos aí que já não tem mais judeu na Palestina. Então, só pra tentar levantar essa questão. E aí o que acontece? Quando você tem o Renascimento, você tem a descoberta desse misticismo antigo, os cristãos na Europa reconhecem umas paradas. Tem um cara chamado Marsílio Ficino, Marsílio Ficino, que é um cara que tá na Europa. Ele é o primeiro cara a traduzir algumas coisas de hermetismo. Então ele vai traduzir o Corpus Hermeticum lá em 1400 e alguma coisa, 1470, quase 1500. Ele vai traduzir o Corpus Hermeticum pela primeira vez. Quando ele traduz o Corpus Hermeticum, ele produz essa parada, solta, e isso muda o mundo, tá ligado? Isso muda tudo. Porque ele tava na época traduzindo coisas do Platão, e quando ele traduz esse, ele encontra ali o segredo. Ele fala: nossa, isso aqui mostra o poder, isso aqui mostra o divino, isso aqui mostra a parada toda. Ao mesmo tempo, mais ou menos na mesma época, você vai ter um outro maluco chamado Giovanni di Mirandola, ou Pico della Mirandola, que também é um cara muito famoso. Ele é um cara que vai ler tanto o Corpus Hermeticum, que tinha sido lançado mais ou menos na época dele, quanto ele vai ter acesso a algumas coisas cabalistas dos judeus. E é ali que ele vai tentar criar a chamada Cabala Cristã. E quando ele cria a Cabala Cristã, ele tá criando uma parada não pra ser mágica, mas ele tá criando uma coisa pra tentar, junto com as ideias judaicas, validar a divindade de Cristo. Né, falar, provar que Jesus é sagrado. Esse é o rolê. E aí ele vai criar essa parada. Então vai ter a primeira associação: Jesus, esse cara importante, né? E aí, onde vai? O John Dee, por exemplo, que é o mago da Rainha Elizabeth, ele é desse, mais ou menos desse período. Ele tem essa influência, ele vai ter essa influência desses caras aqui, tanto do Pico della Mirandola quanto do Marsílio Ficino, muito provavelmente. E aí talvez você queira falar um pouquinho do D também, que é bem legal.
Andrei Fernandes:Não, eu acho que isso também vai— a gente abre um parênteses incrível, que é algo que talvez possa explodir cabeça de quem nunca ouviu falar de nada desses papos aí, que é o seguinte: magia, quando a gente pensa, a gente traça— claro que magia é uma coisa bem ampla, a gente não tá falando de magia chinesa, japonesa, o que seja, né? Quando a gente traça esse recorte do ocultismo, a gente descobre que na verdade a magia é algo extremamente cristão. E em algum momento é cristão no sentido do tipo vai se basear em textos do cristianismo e do judaísmo, né? E claro, vai ser considerado proibido, né, por diversos países em diversas épocas, etc., né? Mas a maioria dos ocultistas, eles eram cristãos, e se não eram no momento estavam escrevendo sobre, eles já tinham sido. Cristãos, ou padres, sacerdotes, ou pessoas muito estudiosas. Primeiro porque naquela época quem sabia ler e escrever provavelmente devia ser sacerdócio, né? Ninguém, nenhum plebeu ali, né, que tá ali tentando sobreviver ia estar muito preocupado com cabala e essas paradas, né? Então você tem uma confluência muito importante entre cristianismo. E aí é onde que a igreja começa a ficar puta, talvez, né? Então, pô, se a gente fala que a cabala é algo que nasce com uma cabala cristã, né, quer dizer, essa cabala é para ele chegar na cabala hermética, né, era cabaleira dos judeus, continua sendo, né, que a gente continua estudando, né. E aí você vai ter uma proposta de cabala cristã e depois isso vai se transmutar na cabala do que hoje é conhecido como ocultismo. Você fala, pô, cadê a cabala cristã? Porque os judeus existem, né. O que que aconteceu? Muito provavelmente foi uma ideia rejeitada. E então isso acho que Tem uma coisa na Europa também chamada de antissemitismo, né, que é muito importante, é um aspecto cultural muito importante.
Marcos Keller:Isso aí é um ponto que é bem legal, cara, porque assim, a Europa ela sempre foi antissemita com isso. É um brasileiro vai entender isso aqui que eu vou falar daqui a pouquinho, porque a Europa ela sempre foi antissemita com o judeu enquanto pessoa, enquanto real, enquanto a estrutura de conhecimento judaico eles não negavam tanto. É mais ou menos essa galera que vai no terreiro e ama o cigano do terreiro. Ai, meu cigano! Mas se vê um cigano real, aí ele rechaça, né? Então o problema é que é de carne e osso. Se fosse só de papel e de ideia, aí fechou, aí eu aceitava mais. Mas só para ajudar a refletir essa questão, o pior é que ainda tem cabalista cristão hoje. Hoje em dia ainda tem. Você tem uma ordem inteira chamada Ordem Martinista, por exemplo, que é uma ordem que trabalha com o com a cabala cristã. E você tem um autor chamado Carlos Soares, que morreu agora, década de 80, que ele era de origem judaica, se converte ao cristianismo e escreve alguns livros como A Cifra do Gênesis, que é um livro de cabalismo cristão. É uma linha que existe assim, só que não é, não é magística, não tem essas coisas de magia. A hora que a magia entra nisso vai ser quando você junta a cabala com hermetismo. Na hora que cabala e hermetismo se encontra e se choca, você cria uma outra parada chamada cabala hermética. E ali é onde a galera começa a ver o código da Matrix, tá ligado? Só os milênios.
Andrei Fernandes:Isso que você falou, eu acho que é perfeito. Eu acho que exemplifica talvez o que é a coluna vertebral desse episódio, que é a cabala. Que hoje, quando a gente fala de ocultismo ocidental A gente está falando sobre um alfabeto simbólico e crenças e escolas de tradição diversas, cara. Você pode ir do Kardec, eu não tô falando que Kardec é magia ou ocultismo, mas tem influência naturalmente, né, toda essa parada metafísica, na verdade, né. Você pode ir para o cristão mais cristão ortodoxo até o cara mais, né, cristianismo popular, você vai lidar direto com lidar com diversas frentes. Só você vai lidar com Blavatsky, você vai lidar com galera da Golden Dawn, que a galera da Inglaterra, você vai lidar com os cabalistas franceses, etc. Todo mundo vai olhar para essa parada e vai ficar tipo, sabe o Keanu Reeves no Matrix que ele fala, é isso? Porque literalmente esse efeito do tipo, cara, estamos entendendo as regras do universo., né? Então você vai pegar todos aqueles axiomas de Hermes Trismegisto, assim em cima como embaixo, regras de polaridade de gênero, regras de comutação. Por exemplo, vou dar um exemplo de como isso afeta nossa cultura. Simpatia, que ela, que ela, Rafael, citou o você colocar o santinho dentro d'água. Isso é uma simpatia. O que que é uma simpatia? É algo que se une por semelhante. O porquê que isso significa? Porque existe essa crença de que se o mundo é criado por Deus e assim como em cima como tá embaixo, o reflexo de um pequeno ato ou ação reproduzindo todo consegue influenciar esse todo, que vai conseguir me influenciar de volta. Então, por exemplo, se eu sequestrar o santo, colocar debaixo d'água, como santo é o santo, então ele não vai restar nada que não dar aquilo que eu quero. Ou então, por exemplo, antigamente Né, quando vai até hoje em dia, são conceitos até hoje em dia. Por exemplo, se por exemplo eu pego um pedaço de noz e eu abro ali a casca da noz, eu vejo que a noz por dentro ela parece um pequeno cerebrozinho. Na cabeça do cara 500 anos atrás, ele vai olhar para aquilo e vai falar: se isso tem um formato de um cérebro, pessoas morriam e pessoas eram abertas, as pessoas sabiam como era um cérebro há 500 anos atrás. O que que a cabeça da pessoa vai pensar? Como o mundo todo é feito por Deus, tudo funciona através da mesma lógica, se eu eu comer uma noz, eu vou me curar de um mal de cabeça. Isso para tudo, gente. Vinho para questões de sangue, ou frutas vermelhas para questões de sangue. Ou, por exemplo, cara, magia amorosa. Você pega, cara, abre aí Revista Capricho, feitiço de Capricho Ocultista, coloca aí no Google magia amorosa amarração ou adoçamento. Cara, você vai usar a maçã. Por que a maçã? Porque a maçã lembra o coração. E vai ainda falar, tem que ser a maçã mais vermelha.
Marcos Keller:E aí você vai pegar, pode falar, e aí você vai pegar o quê?
Andrei Fernandes:Você vai colocar mel, que o mel adoça, o mel deixa mais suave, deixa mais gostoso. Conserva, conserva. Você vai pegar a canela, porque a canela é fogo, ela tem aquela picância, então ela dá o tesão, ela é um pau.
Rafael Jacauna:Então calma aí, calma aí, calma aí, você tá falando que quando você lê aquela na internet falando conquiste seu amor, pega peça íntima, mergulha no mel, faça algum procedimento.
Andrei Fernandes:É daí que vem, é isso aí.
Marcos Keller:É assim, ela é uma popularização de um conhecimento hermético, né? E às vezes até cabalista. Por exemplo, Santo Antônio no copo. Santo Antônio é o santo de quê? Quem me lembra do que que é o Santo Antônio?
Andrei Fernandes:Vocês lembram? Casamenteiro.
Marcos Keller:Santo casamenteiro. Então, ó, vamos lá.
Rafael Jacauna:Santo Antônio, legal.
Andrei Fernandes:Não, e o pessoal ainda dá dica que ele não é um bom santo para você fazer isso, porque como ele é um santo casamenteiro, vai fazer você casar com qualquer pessoa. Tem um outro santo que ele é o mais indicado, inclusive, né?
Marcos Keller:E tem mais detalhe, tem mais detalhe, a galera esquece. Ele também é santo protetor das causas perdidas. Aí tem um outro detalhe. Que que eu tô dizendo? Eu tô colocando o copo, água dentro do hermetismo, dentro dessa parada popular, ela tá associada à emoção. Eu tô enfiando Santo Antônio muita emoção, tô falando: eu quero um parceiro, uma parceira. Senão você vai ficar imerso nessa emoção, e ele é um santo, ele não casa, ele não pode, não pode ter essas emoções todas e tal. Então, para além de uma tortura do santo, você também tá realizando ali uma coligação dessas questões. Tipo, ele resolve causa perdida e eu quero uma questão emocional. Então você vai trabalhar junto com Gente, você aí que joga truco, os símbolos, os naipes do truco, eles são símbolos dos elementos a partir do hermetismo e a partir dos rolês herméticos. Então você vai ter paus para fogo, você vai ter espadas para ar, você vai ter copas para água, que é o coração. Às vezes inclusive copas não é um coração, é uma taça em alguns baralhos mais antigos, né? E você vai ter moedas ou ouros para terra. Então você tem esses elementos todos que estão refletidos ali. Isso é muito louco, porque vai funcionar a partir dessa forma de aproximação mesmo, né? E a Cabala Hermética, ela vai ser justamente isso. Eu queria só tirar uma dúvida, que é uma coisa interessante, que eu acho que foi aqui no chat. Eu não vou encontrar agora. Galera que tá ao vivo, pode, né? A gente ainda acompanha você pelo chat aqui de vez em quando. Não vou lembrar quem foi, mas falou, fez uma pergunta da origem do termo do hermeticamente fechado. Né? E porque o hermetismo, ele tem uma parte prática que é alquimia. E você tinha toda uma técnica que era chamado selo de Hermes, o selo de Hermes Trismegisto, que é uma técnica para você fechar com cera completamente uma, alguma coisa, para você fazer um processo alquímico. Então daí vem o termo hermeticamente fechado, era a forma de fechar algo de maneira mais precisa. E tem diversas coisas que vem do ocultismo para a gente hoje em dia, você não percebe. Outro exemplo: banho-maria. Maria era uma famosa alquimista que era hermética e que ela utilizava a técnica para transferência mais lenta de calor entre duas coisas, a técnica de você ter uma panela de água no meio. Isso era o banho-maria, você entende? Então você tem uma série de coisas que vai ter dessa origem. A ideia dessa lei da atração, ah, eu vou pensar porque eu vou chamar vai fazer tal coisa, isso também é cabala hermética rasa, mais rasa possível, que a ideia de que você vai chamar essas questões, você vai chamar esses poderes para cá, né. As cores, foi o Roberto que falou isso aí, boa, Roberto. As cores dos chakras, né, que você tem também, são todas cores que vão ser colocadas também pela galera que estuda essas questões herméticas. Quando a cabala e o hermetismo se encontram, cara, ali acontece um desenvolvimento que é monstruoso para você entender como que tudo funciona. Por quê? Porque quando a cabala e o hermetismo se encontra dentro da Europa, você tem uma galera que não tem problema nenhum em fazer coisas, porque os judeus não fazem magia. Fazer magia é mazit, cabala mazit, é errado, não podia fazer. Porque funciona, como o Jacob já deixou bem claro aqui para gente ao analisar a história do Saul e Samuel. É porque funciona, então eles não fazem, né, uma forma errada. Os cabalistas cristãos não estavam preocupados com isso, eles estavam preocupados em provar o cristianismo, entender o cristianismo, entender a Bíblia. Não era isso. Mas quando cai esse bagulho na mão dos pagãos, da Golden Dawn, na mão de uns europeus com tempo e dinheiro no bolso e muito senso artístico, esses caras falam: "Não, agora é com nós." E aonde inclusive a cabala vai perder um monte de coisa judaica, ela vai ter alguns nomes ainda, mas ela vai perder toda a estrutura. A cabala hermética não é cabala judaica, não é assim como a cabala cristã não é cabala judaica e não é cabala hermética. Cada um um caminho próprio que utilizou estruturas dos outros. E ali, meu bom, ali é perder de vista. Pra você ter uma ideia, até o conceito que a gente tem hoje popular de que o seu anjo da guarda vai te proteger, isso é cultista. Isso é esotérico, isso vem da ideia de que você tem um anjo da guarda, que é você mesmo, que tá no centro da árvore da cabala, que é o intíferet, que é o centro da árvore. Então tem diversas coisas que a gente faz hoje que nada mais é do que o ocultismo cultural aí que tá espalhado e se alastrando pela humanidade.
Rafael Jacauna:Não, tá me dizendo, calma aí, você tá me dizendo então que na Bíblia não tem dizendo que cada pessoa na Terra tem um anjo da guarda?
Marcos Keller:Lugar nenhum.
Rafael Jacauna:Que absurdo, que absurdo, cara. Tá ficando maluco.
Andrei Fernandes:Eu tenho, eu teria muito receio de encontrar qualquer anjo bíblico. Se tivesse um comigo, eu tava fodido.
Rafael Jacauna:Olha, pelo que eu vejo de comentários do YouTube, principalmente no YouTube, tem muita gente que tá ouvindo agora e escrevendo comentário assim: vocês estão maluco, eu vou botar a parte da Bíblia aqui que fala que cada um de nós temos um anjo da guarda. 'Você não sabe de nada.' E aí o pessoal tá escrevendo agora dizendo assim: 'Depois eu coloco aqui, agora esqueci.' Mas fica aí, fica aí.
Andrei Fernandes:Perfeitamente, perfeitamente, cara. E aí a gente vai ter esse processo. O Keller citou magistralmente aí a Golden Dawn. Mas antes da gente ir para Golden Dawn, porque a Golden Dawn a gente tá falando já de final do século 19, tá, gente? É uma, foi uma ordem esotérica inglesa que surgiu ali, cara, foi realmente, eles estavam fechando ali o século 19 para entrar no século 20, deu um bando de merda, acharam os textos que o pessoal tava praticando no táxi, deu um que saiu no jornal, e era só uma galera rica que tava ali fazendo seu clubinho, tipo uma maçonaria, que inclusive acho que dá para falar que a Golden Dawn era uma, era uma organização que foi inspirada, porque muitos dali eram maçons inclusive, né. A gente pode até falar um pouquinho porque Maçonaria entrou novamente em alta aí, né? Sempre, cara, toda vez que o pessoal, os civis estão falando de Maçonaria, eu sei que tá dando merda em algum lugar, eu sei que tem alguma merda acontecendo, né? Porque geralmente quando a galera deixa quieta é porque a paz está reinando, senão ferrou, né? Mas é muito interessante que século 19 você vai ter essa galera que vão ser artistas, políticos, aristocratas, burgueses, que vão se juntar para tratar dessa origem do universo. Vai ter uma galera ali que vai entrar, vai, alguém vai entrar em contato, os famosos mestres secretos. Que sabe aquilo que o Rafael perguntou no início do, pô, da onde que vem esses conhecimentos? Então essa galera, um trio de pessoas ali, daqui a pouco vou pegar os nomes aqui para vocês, chegou e falou, Rafael, Você não vai, cara, você não tem ideia, você não tem ideia. Mestres secretos do Oriente entraram em contato comigo, me enviaram textos, e a gente vai criar uma ordem esotérica a partir de agora. O que que você falaria para mim?
Voz A:Ready to soundtrack your summer? With Red Bull Summer All Day Play, you choose a playlist that fits your summer vibe the best. Are you a festival fanatic, a deep-end DJ, a road dog, or a trail mixer? Just add a song to your chosen playlist and put your summer on track. Red Bull Summer All Day Play. Red Bull gives you wings. Visit redbull.com/brightsummerahead to learn more. See you this summer. This episode is brought to you by Prime. What if you had one more chance with the one that got away? Sam.
Rafael Jacauna:You came home.
Voz A:Based on the bestselling novel from Carly Fortune, Every Year After follows childhood friends Sam and Percy as they reunite in the dreamy, nostalgic lakeside town of Berry's Bay. Love can be hard to find, so if you're lucky enough to find that person, never let go. A second chance at first love. Every Year After, now streaming only on Prime.
Rafael Jacauna:Dá dinheiro agora.
Andrei Fernandes:Não, porque aí tem que dar dinheiro, então tipo assim Qual é a tua conta bancária? Aí tu tá dentro, aí tá de boa.
Marcos Keller:Você sabe o que é mais louco? Tem uma imagem que eu acho maravilhosa, que inclusive Andrei depois se quiser colocar no post, quem não quiser pesquisa aí: mestres secretos Blavatsky foto, que é aquela foto da Blavatsky que ela fala que teve a visitação dos mestres secretos em volta dela, né? E cara, é uns desenhos de papelão maravilhosos assim, sabe? Que ela fala que manifestou e tal. E tal.
Andrei Fernandes:Tem toda uma história. Tem uma pequena variação, que são os mestres ascensionados, mas é o conceito.
Marcos Keller:Ah, perdão.
Andrei Fernandes:Que tem uma galera da luz violeta, da luz violenta, é a galera toda do Doreen.
Rafael Jacauna:Não me leve a mal, por favor, não quero chatear ninguém aqui, mas esse papo de eu tenho segredo, tem um segredo oculto, eu sei um negócio e ninguém sabe, é muito papo que a gente vê no YouTube de muitos anos 'Coisa que seu professor de história nunca te contou, dá click, dá play aqui no meu livro, no meu vídeo. Coisas que você não aprende na escola, coisas que não querem que você descubra.' E aí a pessoa dá lá, compra o curso, investe um tempo, dá um dinheiro, e aí no final sai com aquele conhecimento oculto, secreto. Não tô dizendo que todas são assim, provavelmente muitas delas que acho que duram até hoje de fato trazem algum conhecimento secreto, de fato. Mas quantas mais existiram que duraram muito pouco, né? A gente jamais nem saberá, cara.
Marcos Keller:Pouquíssimos segredos duraram ao período da internet assim, tá ligado? Pouquíssimos segredos perduraram desse jeito. Mas o que o Andrei tá puxando é legal, porque você tinha toda essa ideia de que você tinha os mestres secretos, por exemplo, a Golden Dawn, que aí tem disputas, né? Tinha gente que falava que eram seres humanos verdadeiros que se ensinavam à distância. E vai ter a galera tipo o McGregor Mathers, que vai virar um pica da Golden Dawn, vai ser uma das lideranças mais importantes da Golden Dawn, que ele vai falar que não, que são entidades evoluídas do astral que regem a ordem do outro lado, assim, tá ligado? Eles são—
Andrei Fernandes:sabe essa ideia de Ashtar Sheran e Jesus Cristo são líderes da orbe, da orbe terrestre? Eles são espíritos evoluídos, super Cara, o Kardecismo, sem brincadeira, gente, o que sobrou de Kardec deve ter sido 20% Kardecismo. O resto é só essa porra toda de Blavatsky, não sei das quantas. Tem um tal de Rousseau, não, qual é o nome dele, que um cara também que ficou bastante conhecido. Eu acho que eu provavelmente tô errando o nome dele, que também ficou bastante conhecido, se misturou com o Kardecismo. E é engraçado que quando a gente pega e espreme esse limão, é a crença média do brasileiro, é essa. É anjo guardião, é anjo da guarda, é, são mestres universais que cuidam do cosmo e não deixa a gente jogar bomba atômica por causa do Chico Xavier.
Rafael Jacauna:O Andrei, mas tu parar para pensar sobre o assunto, o pessoal cristão, evangélico, né, por aí vai, o que ganhou a mídia, o que é popular, a imagem do inferno, do céu, dos anjos, é tudo, sei lá, descritor do século 15, século 16. É de filme, não tem. Parece que o pessoal pega a Bíblia e fala que não. Parece que, cara, tem gente que quando fala do inferno descreve o D&D, pô, tá ligado? Não tem a imagem que a pessoa tem sobre o que é um demônio, o círculo do inferno, as torturas. Todo cara tirou lá do Dante Alighieri, sabe? Não tem muito A referência das pessoas são assim, elas nem acham. A maioria das pessoas já teve gente que chegou na minha cara e falou assim: isso está na Bíblia. Você tava falando de Dante Alighieri, pô, várias vezes. Eu tava descrevendo o círculo do inferno, tava falando que tava na Bíblia, pô.
Marcos Keller:Eu já falei para vocês que eu já fui em culto convidado tal, que o pastor pregou John Milton. Ele literalmente pregou Divina Comédia, mas assim, literalmente citando passagens, falando como que o diabo caiu, que era inveja, que não sei o quê, blá blá blá, da humanidade, tal tal tal tal tal. 100% João Wilson.
Andrei Fernandes:Um secretário dos Estados Unidos, daqui a pouco tempo, citou uma passagem bíblica que era Senhor dos Anéis.
Marcos Keller:Foi, foi, foi, foi. Não, ele citou umas passagens bíblicas que é do— que ele fala que ele é católico, né, que ele lê a Bíblia, escambau, que é para puxar essa galera. E ele citou uma passagem bíblica que não existe, do Tarantino, do Pulp Fiction. Ah, verdade, como a situação do Pulp Fiction, né? Não teve, não tem, cara. Então assim, tá ligado? Tipo, e é isso, velho. Aí você me fala assim: ah, não, mas se é inventado essas paradas, então não vale. Não vale, só saiba que é inventado, entendeu? Porque no fim das contas a gente inventou tudo também, né?
Andrei Fernandes:Então é uma discussão que, por exemplo, toda vez que a Tupá tá aqui, infelizmente ela não teve como estar aqui hoje, por exemplo, né? Ela sempre fala do conceito dos pseud epígrafos, por exemplo. Tempo, porque o que que acontece? Na antiguidade não existia essa parada de você, não tinha papel, tu tinha no máximo um couro tratado para guardar alguma coisa, coisa super importante. O egípcio é o que tinha coisa melhorzinha, que era o papiro, né? Olha lá, também não sobreviveu muita coisa. Mas o que que você tinha antes disso? Você tinha tradição oral, e aquilo, brother, é confiança. O cara falou que falou, e essa tradição ela vai evoluindo. E é claro que existe uma tradição que ela vai ser passada por aí. Aí quando vai chegar no papel, vai chegar ali no couro do boi, da cabra, você vai ter ali, não, beleza, agora a gente solidifica esse conhecimento e o que tá escrito é o que é, né? Só que essa questão, o que tá escrito é o que vem da tradição oral. Então, por exemplo, às vezes as pessoas ficam surpresas quando a gente fala, cara, quem escreveu a Bíblia não foram os 12 lá, os 12 escolhidos de Jesus, não foram eles que escreveram ali o Novo Testamento, foram provavelmente os discípulos deles foram escritos décadas depois. Às vezes algum deles inclusive já tinha morrido. Por quê? Porque eles só conseguiram escrever quando eles tiveram como escrever aquele negócio, quando eles sentaram para colocar aquilo. Então isso é normal. Só que quando ele vai escrever, ele não vai colocar Rafael Jacauna, discípulo de José. O que que ele vai colocar? A tradição é José. Então José é o autor, né? Isso não é um demérito daquilo que tá sendo falado. Tanto é que muitas das coisas que são utilizadas na Golden Dawn são coisas de autores que já existiram, foram compilados, são conhecimentos reais. Só que isso era utilizado para o quê? Para legitimar aquele conhecimento. Então, por exemplo, se você for pegar Eliphas Levi, com aquela capa bafométrica que todo mundo já deve ter visto numa rodoviária, livraria de, né, o, o, esqueci o nome do livro, Dogma Ritual de Alta Magia, por exemplo. Ali ele já faz associação com cabala, com tarô, com conceitos alquímicos, né? Você já tem, você já tem. Só que a Golden Dawn, ela vai pegar tudo isso e, para além de resumir de uma maneira que fica mais concatenável para um cara do final do século 19, início do século 20, vai dar um pouco daquele ar pop. Porque essas pessoas eram importantes culturalmente para influenciar culturalmente a maneira, a cultura que eles estavam inseridos, né? Então, por exemplo, você vai ter o Edward Waite, você vai, você vai ter diversos autores, né, inclusive vários conhecidíssimos, né? A gente vai ter o Conan Doyle, né, não necessariamente da Golden Dawn, mas que também vão ser de ordens semelhantes, às vezes até de Maçonaria. Você vai ter o Conan Doyle, você vai ter o cara lá do Alice no País das Maravilhas, sempre falo Peter Carroll, mas não é Peter Carroll, é o outro Carroll. Você vai ter um monte dessa galera que vai ter, vai ter o do 007.
Marcos Keller:Sim, o Ian Fleming que vai estar associado. Você vai ter o mano do Drácula, o Bram Stoker, né? A gente não pode esquecer que a Pamela Smith, que desenhou o tarô Rider-Waite-Smith, ela chegou a ilustrar coisas pro Bram Stoker, de livros e contos do Bram Stoker, porque eles eram irmãos de ordem, né? Você vai ter uma galera ali, vai ter a Florence Farr, que era uma atriz famosa, que inclusive tá retratada no tarô também da Pamela, talvez elas tiveram um lance. O poeta, o Butler, o Yates, né? Ele também tava ligado a isso. Tinha uma galera, cara, que era só tipo a nata artística assim, que se envolvia com aquilo porque tinha tempo livre, né? Porque queria discutir essas coisas que não são físicas, né? Era um grande DCM, tá ligado? Galera juntava, galera da universidade, né?
Andrei Fernandes:Tá todo mundo ali, né? Então, ouvinte, quando a sua mãe falou que Coisa da cultura pop é coisa do diabo, ela tava certa. Essa galera toda aí era de sociedade secreta, era ocultista. Cuidado, você fica pro corte.
Marcos Keller:Não, calma, tinha também, mas não era tanto assim quanto a gente gostaria de pensar. Não chega a ser um de olhos bem fechados, outra galera. Isso aí, infelizmente, outra galera. É que eu queria puxar uma parada aqui. Você citou alguns caras que são realmente muito importantes. Tem um que a gente citou muito pouco, que a gente falou por cima, né, do Agrippa, né. O Agrippa, ele foi o primeiro cara a fazer oculta filosófica, oculta filosofia, que é essa junção de algumas coisas, de aproximações, né, de Hermetismo e Cabala. Depois você vai ter um outro maluco chamado Kischer também, que vai ser muito importante para poder traduzir algumas coisas da Cabala, os nomes de Deus e tal. Inclusive, você aí que tá me acompanhando, Tem um nome de um anjo que tá errado no mundo inteiro, que é o nome do Kicher, porque foi um erro de impressão. Ele imprimiu, a impressão vazou, todo mundo no planeta Terra chama o anjo errado, todo mundo que faz essa magia, e diz que vem esse anjo mesmo. Os cara chamam o anjo errado. Quem consertou essa desgraça foi o Grola, eu e um outro parça, mais uma galera de um grupo que encontrou esse erro. Não fui eu que encontrei esse erro, né?
Andrei Fernandes:Foi um rato.
Marcos Keller:É Rê e É, a letra Rê e a letra É em hebraico, Rê e É, elas são muito parecidas, é só um cortinho. E aí, um anjo, sei lá, Rê, Rê, e aí o cara, o que aconteceu é que você, o nome não muda quando você pronuncia, mas a escrita dele muda, porque Rê e É tem uma pronúncia parecida.
Andrei Fernandes:Isso é importante, né? Escrita é importante demais.
Rafael Jacauna:É lógico, você tá, mas se o anjo aparece, supostamente quer dizer que ele acostumou com o nome errado, que ele falou, é o filho "Putz, esse cara vem andar aí com Y." Aí eu respondo, "cara, e dá." Exato, você vai lá e você responde, porque você é um cara legal.
Marcos Keller:Se fosse demônio, talvez você desse um tapa na cara, passasse a mão na bunda e dá um problema pro Constantino. Mas como é um anjo, aí tá suave. Mas o que eu queria puxar era o Eliphas Levi que você citou, que o Levi, ou Levi, normalmente pronuncia Levi, ele é o cara que vai fazer mesmo essa amarração. O dogma ritual da alta magia é onde ele vai ser o a primeira grande amarração do ocultismo. Você vai ter um ocultismo antes do Lévi, que é tudo solto, bagunçado, tudo muito louco, e você vai ter um ocultismo pós-Lévi, que é em cima desse que a Cabala Hermética e a Golden Dawn vão se firmar. Tudo vai ser firmado em cima desse. E até engraçado que eu falei aqui do tarô do Rider-Waite-Smith, que é esse tarô mais famoso, gente, o tarô que você vê toda hora aí é o Rider-Waite-Smith, que o White, ele é o principal tradutor para inglês do Lévi. Que é francês. Então todos os livros em inglês que você encontrar do Lévy, quem traduziu foi o White. Inclusive quem desenhou a carta do Carro inteira, perfeita, pela primeira vez do tarô foi o Lévy. O White só falou assim para a Pamela: copia, faz igual. E a Pamela transcreve a carta do Carro, né? E o próprio Diabo também, ele usa o Baphomet do Lévy, tirando a bengalona, porque senão ninguém ia imprimir. Aquilo, né? A grande benga e tirando as tetas, né? Ele tira algumas coisas, ela tira algumas coisas que é para poder ficar mais acessível a imagem, né? Para época. Então a espinha dorsal, né, desse esoterismo que vai ter, vai ser a figura do Lévi-Strauss e depois a Golden Dawn, que vai ampliar isso a níveis, né, absurdos, inclusive com Aleister Crowley participando e por aí vai. Só mais um comentário, você falou dos pseudo epígrafes, Tem um livro muito importante, muito importante para quem é hermético, que é um livro chamado Kybalion. O Kybalion, ele é um livro muito bom que por muito tempo a galera falava: nossa, que é um conhecimento ancestral que veio para gente. Os Três Iniciados são os autores. Três Iniciados é um segredo que trouxe para gente uma coisa muito antiga e muito secreta e muito especial. Cara, muito provavelmente Foi escrito também no século 19, o Caibalion. Hoje em dia a gente sabe que ele provavelmente foi escrito por um cara chamado William T. Atkinson. Ele foi o cara que escreveu provavelmente ou sozinho ou com a ajuda de um outro cara chamado Paul Foster Casey, que fundou uma ordem também chamada BOTA, uma ordem, outra ordem secreta. Ou eles escreveram juntos, eles dois são os 3 iniciados, ou tem um terceiro que ninguém conhece, mas com certeza o William T. Atkinson escreveu o Caibalion. Então o que que ele fez? Ele pegou todas aquelas impressões, aquela sensação que ele tinha sobre Hermetismo, que tava muito solto ainda, leu algumas coisas e resumiu isso num livrinho desse tamanho, que é um livrinho muito bom. É um livro muito legal para você dar uma olhada.
Andrei Fernandes:Ele é o Hermeticus e por aí vai. Ele é o Hermetician for Kids, né?
Marcos Keller:Ele que popularizou.
Andrei Fernandes:Toda vez que fala de Hermetismo, a pessoa geralmente ela não vai te indicar o Corpus Hermeticus lá do século 14. Ele vai te mandar o Kybalion, que é muito mais recente, né, muito mais ordenado, é que é bem, é bem pequenininho o livro, né. Então dá para ler assim, é como se fosse um manual de bolso hermetista, né, que você vai ter um pouco desses conceitos e tal, né. Isso é muito importante você não citar. Mas falando de Golden Dawn, quando você quer, quando você, e aí fica a dica para ouvinte que quer aprender sobre ocultismo, quando você quer aprender magia Cara, é principalmente você vai jogar na internet ocultismo, magia, etc., 90% vai ser essa grande tradição do ocultismo ocidental, né? Então você vai, vai ter astrologia, você vai ter cabala, você vai ter tarô, você vai ter letras hebraicas, você vai ter a tradição do Alamur. Vamos lá, exatamente, que vai desembocar no ocultismo mais pop possível, etc. E sabe, Rafael Jacona, Quem está dando um curso de cabala e magia planetária, você não vai descobrir.
Rafael Jacauna:Que susto! Você disse quem tá dando curso?
Marcos Keller:Sabe quem tá dando? Rafael Jacaúna. Você sabe quem tá dando, Rafael Jacaúna?
Rafael Jacauna:Do nada, você? Sei de nada não. Cada um sabe da sua vida.
Marcos Keller:Se sou eu, não me avisaram. Se fui eu, fiquei demente.
Rafael Jacauna:Que absurdo, que absurdo.
Andrei Fernandes:Diga, quem tá dando, Andrei? Aí a pessoa já se acusa ali, né? Você nem tava querendo nada, mas ganhou o quê?
Rafael Jacauna:Deixa o João quieto, Andrei. Deixa o João quieto. Quem tá dando, Andrei? Fala comigo.
Andrei Fernandes:Quem está dando é meu queridíssimo Marcos Kelleck, está aqui com a gente dando o curso lá no Brasil.
Marcos Keller:Caraca, eu tô dando? Descobrimos quem tá dando. Sou eu, gente, vou distribuir, hein?
Andrei Fernandes:Vai distribuir conhecimento. Conhecimento está no ar a partir de hoje, né? Já está à venda. Vou deixar no link aí para vocês. Eu não queria dar no recadinho porque eu queria, eu queria fazer uma armadilha para ouvinte, né? Queria falar a importância desse conhecimento. Se você quer aprender, praticar as mágicas, se você quiser, ou já sabe, mas você quer concatenar ainda mais, fazer todas as correlações, desenvolver aí o seu saber, o seu conhecimento metafísico. Eu tô vendendo o curso, mas quem tem que vender é o homem aqui, né? Fala aí, Kelly, que que a pessoa vai aprender contigo, cara?
Marcos Keller:O curso, ele tá gigante assim, ele tem muito conteúdo bacana, tá muito legal. A gente tem uma rápida história de como a cabala se forma, que é também um pouco da história do esoterismo, né, como a gente já viu aqui. Então vou fazer a distinção entre cabala judaica, cabala cristã e a cabala hermética, que é o foco principal do que nós estamos trabalhando, né. E aí você vai conhecer todas as esferas da cabala, que é esse conhecimento clássico, tudo aquilo que liga elas e como aprender a fazer as coisas como esses caras faziam. Ah, mas eu não sou muito fã, não sou muito prático, não sei o quê. Mais do que isso, é uma puta ferramenta de criatividade também, porque ela vai ter muitas ferramentas de coligações, ferramentas de imaginação, ferramenta de imaginação ativa, né. Outro cara que a gente esquece também, que é um grande esotérico, né, no mundo que a gente tem no geral, era o próprio Jung, né. O Jung, o Carl Gustav Jung, o psicanalista discípulo do Freud, ele era, ele tem a maior biblioteca de alquimia da Europa por muito tempo. Ele estudava muito alquimia porque ele entendia alquimia como uma proto-psicologia também, que é esse hermetismo. Então você tem diversos, diversos conhecimentos muito bacanas que a gente tá tratando, e tem alguns diferenciais nesse curso, Andrei, que também foi levantado, que é muito legal, porque nós temos tanto essa parte histórica que pretendo falar logo no primeiro dia. No segundo dia a gente já vai— no primeiro dia ainda a gente vai entrar já no lore de explorar Cabala, entender como que a Cabala pensava o mal, qual que é a origem disso. Acho que foi o Martucelli aqui, Martucelli, grande desenhista inclusive, que tá aqui no chat também, que ele falou sobre a Banda Thériault, né, que tem toda uma outra Cabala com a Cabala do Mal, uma Cabala vazia que chama Qlipha, que a gente vai falar um pouco sobre ela também. Não vou aprofundar muito porque o foco o tema não é esse, mas você vai sair com os conhecimentos básicos sobre o tema também, também vai ter isso. E tem um diferencial que é essa parte prática. Eu separei uma série de clássicos assim, ritos de grimórios antigos adaptados para serem realizados, algumas técnicas cabalísticas antigas, e tem um roteiro inteiro de desenvolvimento magístico, inteiro, todo, todo, todo, todo, que dá para você passar aí, sei lá, 2, 3 anos fazendo, que ele é inspirado no roteiro da Golden também, né, mais simplificado, porque a gente não tá no século 19. Não somos dandis nem da elite britânica que tem acesso ao mundo inteiro. Então você pega os conceitos dele, adapta da melhor maneira possível, né, e ficou muito bacana. Você tem aí, sem brincadeira, rito e coisa para você trabalhar por, ao menos, se você for rápido, tiver muito tempo livre, ao menos uns 2 aninhos a 3 aninhos, inclusive fazendo tudo aqueles passos de desenvolvimento magístico, de criação de arma mágica, de exercício de meditação e uma série de outras coisas nesse sentido. Fora muito material de suporte. E se eu tiver tempo, já fica aqui falando para geral, hein, e se eu tiver tempo, se a gente conseguir cobrir esse conteúdo, eu preparei também um conteúdo extra que talvez eu faça inclusive fora do horário, depois assim da aula, alguma coisa desse tipo, ou pelo menos dá um toque para galera sobre as últimas coisas que vamos falar dos de cabala hoje. Porque existe um— Platão falava disso, já que a gente estava citando ele, que o problema quando você escreve uma coisa é que aquilo vira meio que a regra por muito tempo, né? Você para de desenvolver. E tem muita gente que estuda como se fosse o supra-sumo do conhecimento cabalístico a cabala do século 19, que faz quase 200 anos aí, 120 e tantos anos que foi escrita, foi desenvolvida. Então aqui tem algumas coisas que eu separei também que são, que ao meu ver, são o próximo ponto da cabala, pra onde que essa coisa está se desenvolvendo. E aí é muito doido, porque vai entrar um pouco de magia do caos, vai entrar coisa do Peter Carroll também, que ele tem alguns trabalhos que eu acho que são fantásticos, vai entrar coisa de outras pessoas que estão desenvolvendo esse trampo também, mas você tem um trabalho de exploração interna de muito tempo, muito tempo, e a sensação que dá de conhecer cabala é Neo vem do código da Matrix, porque você entende outra coisa. Se você conhece Kabbalah e assiste, sei lá, Hora da Aventura, você tá vendo outro desenho, tá ligado? Se você conhece Kabbalah e tá lendo um determinado livro, você tá vendo outra parada. Eu tô relendo agora, peguei para reler o primeiro livro e tô lendo outros do Dungeon Crawler Car. Não sei se vocês já viram esse livro, é um livro muito bacana, muito divertido, cara. Eu tô lendo o livro e enquanto eu tô lendo o livro eu tô falando: "Mano, isso aqui é uma horde conversando sobre todos os conceitos alquímicos e os conceitos do Demiurgo da gnose enquanto eu tô lendo Doom John Crawler Car." Porque ele dá essa impressão pra você de que você tá vendo parte do código da Matrix também. Eu tô muito orgulhoso desse conteúdo e fico muito feliz pela galera da Paratopia, toda essa galera linda que produz tanto no Magicando quanto no Mundo do Freak, tem convidado para estar nesse trabalho com vocês.
Andrei Fernandes:Pô, perfeito, perfeito. Então, galera, vai estar aí no descritivo, já joguei aqui no chat o link para vocês adquirirem o curso. É um curso intenso, mas é para todos os públicos, mesmo quem nunca rabiscou uma coisinha pode tirar lá suas dúvidas e tal. A única questão é que vai ser aquele final de semana intensivaço, saca?
Rafael Jacauna:Olha, eu queria fazer muita pergunta, mas eu tenho medo do André falar assim: porra, cara, fala, rapaz. Kelle, nesse curso você disse que vai ter ritual para fazer durante muito tempo. Você pode dar uns dois exemplos do que esses rituais vão trazer assim, que a pessoa poderia fazer? Porque vai pedir alguma coisa, vai atrair alguma energia específica. Dois exemplos assim para pessoa que não sabe nada do rolê, fala assim: pô, tá aí, quero entrar no rolê, mas o que que esse ritual vai, vai, para que eu vou fazer, para que ele vai servir?
Marcos Keller:Ó, você vai ter tanto ritos clássicos como, por exemplo, questões do dia da semana. Você sabia, por exemplo, que caso, né, ouvinte esteja acompanhando a gente aqui não conhece, o nome segunda, terça, quarta, quinta, sexta-feira, ele não é original. Antigamente o nome dos dias da semana era o nome de divindades romanas.
Rafael Jacauna:Ah, pensei que era dos Vingadores.
Marcos Keller:Não, não é, infelizmente é o nome de divindades romanas. E por que que tinha esses dias? Porque eram as principais divindades onde você fazia sabatia, ou adoração, ou pedido para mudança da sua vida. Então, o que que você faz? A cada dia da semana correspondente, você fazia um trabalho com determinada entidade, energia daquele deus, para modificar coisa na sua vida. Então, por exemplo, Jesus é um deus solar. Solar, o sol, você cultua ele no domingo. As missas aconteciam na primeira hora do sol do domingo. Aí depois, uma hora teve relógio, não dava mais para fazer isso, né? Então começou a marcar para de manhã cedo, 7, 8 horas da manhã, as missas. Mas Jesus é uma entidade solar, você cultua o sol na primeira hora, assim que o sol nasce no domingo. Por isso que o domingo em inglês é chamado de Sunday, o dia do sol. Então você tem aquele culto naquele dia específico. Outra coisa, você tem, por exemplo, o culto à lua, ao inconsciente, Nas segundas-feiras, ele é o Monday, o dia da lua. E é muito engraçado que o pecado da lua é a preguiça. E o que você mais sente na segunda-feira? Tá ligado? O que você mais sente desenvolvendo naquele momento? Então você tem aqui alguns pontos que são coisas para você entender mais do porquê que a gente trabalha com essas questões e o que fazer. Na lua, por exemplo, na segunda-feira, um dia para você trabalhar sonho, emoção, intuição. No domingo é um dia para você trabalhar sobre sucesso, sobre iluminação, sobre autocuidado, sobre se desenvolver. Essa era a ideia para você trabalhar nesses dias. Ah, mas eu não quero isso, eu quero trabalhar com uma outra parada. Tem exercício de meditação também, de concentração, para você desenvolver. E tem, né, os hard, pesadão, que é você fazer o rito como eles propõem para você mudar coisa no mundo. Então, desde amaldiçoar o coleguinha a abençoar o coleguinha. Também temos esse tipo de trabalho aqui.
Andrei Fernandes:Mas é claro que você vai abençoar sempre, né, ouvinte? Você que vai fazer o curso.
Rafael Jacauna:Essa é aquela magia que vai fazer seu vizinho ir na sua casa, que ele tá cafona de você. Tem que fazer no oculto. Se ele souber que você tá amaldiçoando ele, vai ficar ruim.
Marcos Keller:E só para falar sobre uma, duas outras coisas já, que eu acho que é bem legal também, que tá no curso, é que tem esse roteiro de desenvolvimento prático aonde eu proponho que você comece na esfera de Malkuth, que é a esfera mais baixa da Cabala, mais próxima da gente, que é a Terra mesmo, o próprio planeta Terra. E ali tem algumas dicas do que você pode fazer para se desenvolver. Então, por exemplo, uma das dicas que tem aqui, que é bem simples, bem simples: pesquise e liste 5 ervas e plantas mais comuns na sua área de residência e procure entender quais são as funções medicinais e magísticas dela. Então é todo um trabalho de conexão com a Terra, tá ligado? Com o lugar que você mora. Então vai ter outras paradas também. Medite sobre determinado assunto, conheça mais sobre isso aqui. Então você tem uma série de passos para você desenvolver até você falar assim: "OK, completei Malkuth." Entende? "Me fechei, me compreendi com a questão da Terra." E tu vai subindo. E você vai subindo, e você vai desenvolvendo até chegar ao topo dela com diversas coisas. E aqui vai ter o dia também. Tem um específico em Marte que é Geburah. Que é faça algo para um inimigo. Tá aqui, né? Tem alguém que não gosta de você e tal, faça algo para acertar esse inimigo ou para deixar claro tua posição, né, diante das coisas. Tem essa parada também. Então você tem todo um passo a passo, né? E aqui, cara, assim, se você conhece o Alan Moore, você já leu Prometeia e tal, outras coisas, você vai entender muito disso. E se der tempo, que aquilo que eu não prometo porque já é um outro assunto, A gente vai chegar inclusive no Cthulhu. Olha que loucura! Aí sim dá para chegar no Cthulhu, que não é o Cthulhu, Cthulhu, Cthulhu, mas é uma forma de falar. Não precisava dessa parte, mas para entender segredo— mas é o Cthulhu, tá? Chama.
Andrei Fernandes:E é isso.
Marcos Keller:Mas para entender esse segredo aí, só no curso mesmo, porque tem todo mundo.
Andrei Fernandes:E aí você vai ver a noite Lovecraft pelado lá de você.
Marcos Keller:Mas que delícia! Você vai entender porque que ele é love e craft.
Andrei Fernandes:Vamos voltar aqui, senhor Marcos Keller. Um dos aspectos, voltando um pouquinho no tempo rapidamente, uma coisa que a gente esqueceu de falar, a gente esqueceu de falar do John Dee, né? Você chegou até a citar o John Dee. Ele foi esse cara do século, aí deixa eu abrir a pauta rapidinho, século 17, século 16, ele é século 16, né? 1527 a 1608, né? Ele era um polímata. Polímata é essa palavra que diz que a pessoa entende tudo, é o entendidão. Parece até o pessoal dos comentários aqui, pessoal, tem todos os vídeos. Não, sacanagem. O polímata, né, é essa pessoa, a construção da pessoa erudita, né. E o dia ele era matemático, astrônomo, geógrafo e um renomado conselheiro da Rainha Elizabeth I. Então isso é muito interessante. Sabe aquela coisa do meio rasputim da cabeça? Que você tinha o rei e você tinha o conselheiro do rei, era um pouco essa figura do John Dee, principalmente porque ele era uma espécie de astrólogo da rainha, né. Naturalmente, depois ele acaba por tretas políticas, ele acaba afastado, mas ele que vai estender diversas áreas de influência na formulação da base ideológica inclusive do Império Britânico, né. Ele inclusive vai formular uma magia angelical, porque aí você vai esquecer o seu anjo da guarda, Aqui a gente tá falando de anjo que dá medo, né, que são os anjos bíblicos, né. Ele vai desenvolver um sistema mágico, uma tradição mágica chamada de enoquiano. Lembra dos livros de Enoque? Então, que que ele fazia? Ele chegava para o brother dele, o Edward Kelley, não Keller, que tá aqui com a gente, ou pode ser coisa aí, tem coisa aí, tem coisa aí. O Edward Kelley era médium.
Marcos Keller:Tal qual o John Dee, perto do Kelley, fica perto com suas esposas aí.
Andrei Fernandes:É, tem uma fofoca aí que é foda, né? Rolou um troca-troca de esposa aí, diz que o anjo mandou. O anjo falou: "Amor, vem cá, tenho um papo aí para te dar aí, mas foi o anjo que mandou, né?
Rafael Jacauna:Vai lá e adultera." Uma vez eu vi essa reportagem na TV, vai lá e adultera, tá na Bíblia. Essa matéria aí.
Andrei Fernandes:Quem nunca, né? Com licença, sua esposa está solteira? Mas a questão é que o Dee, ele era o inteligentão, né? Ele era o cara do, né, do sistema. O Eduardo Kelly era o médium, né? O que dá uma dinâmica muito interessante dentro de um processo mágico que eles faziam, que era o John Dee ali se humilhando para Deus. Como eu falei, mano, ah, o cara é satânico. Não, mano, os cara são tão brother de Deus que ele fala com anjo, com demônio. Essa grande questão, esse é o grande pulo do gato, né? Então, de onde ele fazia os ritos, né? O Edward Kelley usava um espelho negro de obsidiana para receber as mensagens, né? E eles começaram a entrar em contato com essas consciências inteligentes que hoje, né, que lá para eles atribuíram-se a ideia de anjos, né, com todo um alfabeto. Então você tem o alfabeto enoquiano, que inclusive até no Evangelion tem, né? Tem uma parte da abertura ali que tem uma parte do alfabeto enoquiano, inclusive, né? Muito interessante quando você passa a entender um pouco disso. Essa ideia é um pouco da língua dos anjos, né? Que depois, séculos depois, vai, vai, enfim, vai dar outras questões aí nesse sentido, né? Mas a gente precisava falar aí do John Dee porque ele foi também um cara muito importante aí para o esoterismo, né? Alquimista, etc., né?
Marcos Keller:E aí, só para deixar mais uma outra coisa curiosa, Jaca, tudo que o John Dee fala sobre os angeluquianos é muito um MST também, para caramba, para caramba. E rapaz, que você tem uma ideia, tipo assim, os angeluquianos eles se organizam em locais que são tipo umas pirâmides assim também, tá ligado? Uma pirâmide meio de patamar e tal, tem todo um rolê desse. E um dos caras que foi muito fã de trabalhar com enokiano, muito fã, foi um mano chamado Jack Parsons. O Jack Parsons trabalhou muito com enokiano, e o Jack Parsons, ele é conhecido por outras coisas. Por exemplo, Jack Parsons foi um cara muito importante para trabalhar com foguetes, foi fundador da Jet Propulsion, né, que ajudou a trampar com engenharia de foguete, que vai auxiliar também.
Rafael Jacauna:Agora a gente sabe de onde veio o conhecimento dele.
Marcos Keller:É, inclusive, e ele não tinha formação na área, tá?
Andrei Fernandes:Ele foi um dos discípulos do Aleister Crowley, inclusive, né, que a gente nem citou. A gente conseguiu falar de magia ocidental e nem citou Crowley ainda, né? Mas acho que dá para encerrar com ele porque a gente já tem vários episódios sobre, sobre o homem, etc. Mas o Jack Parsons, ele foi um dos discípulos aí do Crowley, né? Ele era um telemita de mão cheia. Inclusive saiu uma série dele, não lembro agora qual foi o canal, que é uma série americana sobre a vida dele, né, se eu não me engano duas temporadas e tal, né? Ele lidava com essa questão da engenharia, da produção. Exatamente, é o nome da série. Ele inclusive morreu queimado com combustível de foguete depois de realizar um ritual de evocação de fogo, de elemento do fogo. Assim, bem interessante assim a história de vida dele, né, com ritos de Bábalon, né, que seria a Mulher Escarlate, que algumas vão falar, né, que a Bábalon, etc., né. E eu acho que assim, autores estão perdendo muito porque É uma das coisas que vai encostar um pouquinho. Olha só onde que eu vou puxar: David Lynch, em sua terceira temporada de Twin Peaks. Não sei se todo mundo aqui já assistiu. Ele liga Jack Parsons a essas questões e vai ligar com a bomba atômica, vai ligar com Mulher Escarlate, vai ligar com a besta do Apocalipse, vai ligar com um monte de coisa. Diria eu que quando a galera começar a sentar para estudar ocultismo, para estudar OVNI, Acho que talvez tem muita gente que acredita que Jack Parsons foi que abriu, na década de 50, 60, ali, o portal que começou a aparecer os discos voadores. Muita gente inclusive vai atribuir essa—
Marcos Keller:esse foi ele que derrubou o véu que fazia com que essas coisas não conseguisse manifestar como elas são. Por isso que você via como fada, como essas paradas. E aí foi ele que rasgou o véu principal, permitindo que entrasse.
Andrei Fernandes:Essa é a pira do Perfeito, perfeito, né? Então, é, o Parsons aí, ele é um cara muito pouco conhecido assim, né? Mas enfim, a gente também já tem um episódio sobre ele no Mundo Freak, tá? Procura aí na busca que a gente já falou bastante sobre ele. Mas não tem como a gente não terminar esse episódio sem falar do Crowley. Mas antes de falar do Crowley, vamos falar do século 18, que a gente tem a ideia da sociedade secreta, né, Keller? Porque assim, sociedade secreta sempre existiram, só que eu acho que no século 17, século 18, existiam caldeirão na Europa que é muito interessante. Por que que a gente tem, você vai lembrar, Rafael, você como professor de história, e um evento, mas 5 pessoas participaram, chamado Revolução Francesa, uma galerinha. E assim, o pessoal não decide acordar num dia e falar: ou, quem é esse otário que tá mandando em mim? Porque a gente tá falando aí de séculos de monarquia, né? A ideia geral é que existia esse grande caldeirão de ideias filosóficas e políticas, né, falando: pô, Esse negócio de monarquia não tá com nada não, né? Principalmente é influenciado pela burguesia, né? Que hoje inclusive é o nosso sistema hoje, né? O capitalismo, né? Não é que ele nasce aí, mas enfim, né? Os burgueses mandam a partir de hoje. Quem tem o dinheiro manda a partir daí, etc. e tal, né? E você tem aí o surgimento ou a importância de várias sociedades secretas até um pouco mais antigas, mas que vão ganhar um caráter político aqui. E é por isso que elas também vão ser perseguidas. Nem toda sociedade secreta eram sociedades secretas esotéricas mágicas, mas muitas esotéricas eram. Então assim, e a maioria delas tinham conceitos filosóficos e políticos de ideais republicanos, que era o quê? É conceito que vão influenciar como é a gente, é a nossa democracia hoje.
Marcos Keller:Libertad, igualitar, fraternitar, né? Eram, são igualdade, igualdade, fraternidade, era direito e pala de muitas das sociedades, inclusive dessa maçonaria ou maçonarias parecidas na França.
Andrei Fernandes:Inclusive os Illuminati, os Iluminados da Baviera, a gente tá falando aí de uma galera do século 17, né, que em teoria foi uma sociedade que foi perseguida, durou pouquíssimos anos, tipo uns 10 anos só, mas que a influência deles num sentido cultural, né, a gente tem até hoje a galera achando que os Illuminati chegam a gente. Uma outra galera que também influenciou para caralho foi a Rosa Cruz, que é um pouquinho antes, até século 16, que foi fundada supostamente por um tal de Christian Rosenkreutz. Lembra que eu falei daquela questão do mestre secreto, que a galera às vezes inventa um passado meio milagroso? Meio que esse Christian Rosenkreutz, ele nunca existiu. Ele é uma espécie de amálgama conceitual dos valores e filosofias desse grupo, né? A Rosa Cruz é tipo uma Maçonaria do bem.
Rafael Jacauna:É uma Maçonaria do mal?
Marcos Keller:Nunca dissemos isso.
Andrei Fernandes:Ninguém nunca falou isso.
Rafael Jacauna:Você falou que a Rosa Cruz é Maçonaria do bem, né?
Marcos Keller:E a Maçonaria neutra? E a Maçonaria quase do bem? E a Maçonaria 70% do bem? As 99% do bem?
Rafael Jacauna:Você tá muito preto no branco.
Andrei Fernandes:Então, então você teve vários textos que foram do nada, se acordava ali no século 16, recebia um panfleto. Falava assim, ou tem esse brother aqui que tá falando sobre esses valores. Então é fundada uma grande loja em Londres em 1717 com— ah não, desculpa, que eu já tô indo um pouquinho para Maçonaria, que vai ter muito a ver com— porque o DNA da Rosa Cruz ele vai se assimilar muito com a origem também da Maçonaria, né, que vai ser um pouquinho mais, né, mas é um pouquinho mais para frente, né. Mas a ideia é que a Rosa Cruz ela vai pegar essa filosofia hermético-cristã. Então, Rosa Cruz, eles são essencialmente cristãos, tá? Só que eles são o cristão esotérico. Inclusive, talvez uma das maneiras mais fáceis de você começar a praticar, estudar hermetismo, às vezes é com Rosa Cruz, que eles são bem abertos, né? Dá para você, né, ir lá estudar e etc., né? É relativamente seguro assim, não é uma galera que você precisa, né, é que vai encher tanto seu saco, né?
Rafael Jacauna:E mais para frente, cuidado com essas recomendações aí.
Andrei Fernandes:Não, pô, mas é, pô, todo mundo fala que eles são mais good guys assim, né? E aí a gente vai ter a Maçonaria, que vai ganhar proeminência um pouco depois, né, aí 1700, né, principalmente com a fundação da Grande Loja de Londres. Que a história da Maçonaria é muito interessante, né? Em teoria, elas são as antigas guildas de pedreiros que tinham os segredos de como construir os castelos, as paradas. Então era como se fosse uma espécie de sindicato um sindicato de pedreiros que ele vai ganhando força porque eles se unem. Porque, pô, o cara construiu o teu castelo, para você não ter o segredo vazado, a galera guardava esse conhecimento, né?
Marcos Keller:E aí vai se misturar com todo esse caldeirão cultural, esotérico, e também vai ser seguido pela, pela mística principal que vai ter sobre eles também, Jaca, é que quando eles— isso é o lore do maçom, Os maçons falam que quando você tem a perseguição aos Templários, os Templários, eles fogem e a Ordem, ela some muito rápido, ela desaparece muito rápido e diversas lideranças da Ordem, algumas são presas, outras são mortas, perseguidas, mas muita gente da Ordem desaparece. E aí se conta que, como os Templários estavam associados a essas construções, tal, tal, tal, também algumas ordens esotéricas meio que incorporam os Templários. Então eles teriam se incorporado na Maçonaria, se incorporado na— que é a versão da Carvoaria, né? Tem um outro nome também que os caras fazem essa salada.
Andrei Fernandes:É um negócio meio carbonara?
Marcos Keller:Não, não é carbonara. É carbonara.
Andrei Fernandes:Carbonara, sim.
Marcos Keller:Ordem Carbonara. Faz uma massa, um tal.
Rafael Jacauna:Você tá falando, como assim? Uma é Maçonaria porque fazia—
Andrei Fernandes:porque mexia com pedra.
Rafael Jacauna:Outra é carbonara porque fazia macarrão?
Marcos Keller:Não, porque fazia umas paradas envolvendo com carvão e tal.
Andrei Fernandes:Lenha, né?
Marcos Keller:Tinha uns rolês desses, lenha. Eram tipo lenhadores. E aí eles falam que essas ordens abraçaram os Templários e outras galera perseguidas, e os conhecimentos foram incorporados na ordem. E aí o lore fala que essa galera se encontrou no grande incêndio de Londres. Quando Londres pega fogo inteira e ela tem que ser reconstruída, é chamado todas essas ordens de construtores. E aí a galera se junta e fala: "Peraí, isso aqui que você tá falando, esse conhecimento, esse aperto de mão, essa ideia..." E aí é onde eles fundam as ordens, como ordens mais menos secretas, e já com local, né, com os alojamentos, que são os lodges, as lojas, né.
Andrei Fernandes:Não é que vai vender livrinho, tá ligado, é porque é loja que vem de lodge, de alojamento, não de loja de vender coisa, né. Inclusive Black Lodge, né, do próprio Twin Peaks, que eu acabei citando aqui, é disso, né, é a ideia geral dessa conceituação. E agora para a gente ir, cara, citando bem rapidamente, porque de fato a gente já fez muitos episódios sobre a Aleister Crowley aqui no Mundo Freak. Dá uma procurada aí sobre Telema, Telema ou Crowley, que a gente tem pelo menos um episódio.
Marcos Keller:Temos um programa muito bom também falando sobre ocultismo, a cultura pop, diversos temas nesse sentido. Tem aquele David Bowie que eu gostei muito de gravar muito tempo atrás, quando ele morreu, teve com Salimena, tem um também que alguém tava citando aqui sobre as ordens associadas ao o nazismo, por exemplo, nós fizemos um programa sobre, tem um programa aqui que deve estar no ar ainda, se não caiu, que fala sobre esses, os nazifascistas tal, e as ordens. Então tem bastante coisa legal aí para dar uma olhada.
Andrei Fernandes:Exatamente, né? Mas Alistair Crowley, ele vai ser esse cara que ele vai definir o que é o ocultismo do século 20, né? Ele é um cara que ele participa da Golden Dawn, treteiro de mão cheia. Inclusive, um dos motivos de que acabou Golden Dawn é por causa dele, né? Ele era um cara extremamente performático.
Rafael Jacauna:Rapidinho, André, agora perguntar um negócio pro Kelly, porque, né, a gente tem muitos ouvintes novos. Tu tá falando que essa galera da magia é a galera contra-direita, pessoal esquerdista?
Andrei Fernandes:Não, calma aí, calma aí, calma aí.
Rafael Jacauna:Não, você tava falando do nazifascista, não sei o quê, e jogou no ar.
Marcos Keller:Então você vai ter uma, existe, por exemplo, a cidade de Tule, né, Tule que é uma sociedade que ela era esotérica, ocultista, e ela era de arianos, paga pau do nazismo, essa galera aí. Então, e até o Himmler, né, o Heinrich Himmler, que era um dos escalões do top 5 lá do nazifascismo, ele era muito fã de ocultismo geral, né. Então você vai ter esse, vai ter a Ordem dos Germanos, você tem algumas ordens que estão ali em volta, e tem toda uma galera que é ideária desses pensamentos, que essa galera não morreu não, tá? Diversos dos caras que são ideólogos desse pensamento ainda estão por aí. Inclusive tem uma porrada de brasileiro citando um cuzão chamado Júlio Zevola, que tem até associado a esse, a essa galera também, e ele tá por aqui ainda. Essas ideias, elas estão zanzando pelo mundo. Então nesse programa a gente traz um pouco esses conhecimentos assim.
Andrei Fernandes:Mas assim, eu vou dizer que o raciocínio do Rafael não está tão errado, Sabe aquele conceito, Rafael, do tipo aquele teu tio que na década de 80 votava no PT, participava de manifestação, direta já, etc. e tal, e hoje é bolsonarista doente? É mais ou menos. Se você aplicar isso na lógica das sociedades secretas, era mais ou menos um pouco disso. Muitas delas eram progressistas no sentido muito datado de progressismo, né? Claro que hoje em dia devem ter muitas ideias racistas ainda, etc. e tal, mas existia essa questão desse ideário republicano de igualdade. Você existia essa coisa de todos os povos, né, serem iguais. Você tinha um pouco dessas ideias, né? E é claro que hoje todas elas são conservadoras, né? Que se você vive o suficiente, você vai virar, ou você morre progressista ou se torna conservador, né?
Marcos Keller:Mas não tem. E até outra coisa também, não tem como a gente aplicar 100% da nossa visão, né? Todo mundo é que sabe, ouvinte deveria saber. Não tem como a gente aplicar a visão política daqui, por exemplo, ao século 19 na Inglaterra. Não tem como, né, pô? Claro, claro. É que nem esses analistas de geopolítica brasileiro que fala assim: "Olha, os países democráticos: Estados Unidos, Inglaterra e França." Mano, vai tomar no cu, caralho. Não tem nada a ver, mano. Um tem rei, o outro tem um semiditador, o outro, os cara, o presidente fala, faz uma coisa que eles não gostam, o maluco bota uma guilhotina na frente do Palácio Presidencial. Não é a mesma democracia, tá ligado? Não é a mesma coisa, você tem estruturas democráticas distintas. Então tem essa linha também que a gente precisa deixar claro para o ouvinte aqui. Ah, sabe o que eu lembrei também? Jacão não vai gostar. Que assim como se diz que foi o Parsons que invocou os ET, porque ele faz em Roswell acontece em 47, ele faz o rito de quebra da realidade lá de Babylon em 46, acho que é isso. O Parsons. Então no ano seguinte começa a aparecer as paradas. Tem a ideia de que quando Crowley termina, o Aleister Crowley termina de fazer o Abramelin, que é um ritual gigante de 2 anos assim para fazer, ele faz em menos, mas é uns 2 anos, e ele faz num lugar que é o Castelo de Boleskine, que é uma casa chique que ele tem que fica de frente para o Lago Ness. E no ano seguinte você teve o aparecimento de Nessie.
Andrei Fernandes:É, rapaz, é isso aí, cara. É muito legal você ser maluco. Pena que os malucos hoje ficaram muito malucos, até para quem é maluco não ficou maluco divertido, né? Ficou um maluco perigoso assim, maluco que você não pode discordar muito, né? Mas eu adoro, adoro essas especulações, né? E aí a gente vai ter com Alistair Crowley, né? Ele vai morrer ali em 1947, bem 2 anos depois que a Segunda Guerra Mundial acaba. Ele é participativo da guerra, né, ele acaba se tornando um espião da coroa britânica, inclusive, né, inclusive com guerras mágicas. A gente também chega a falar isso no episódio dele, em que você tinha, né, já que hoje em dia você tem essa coisa de guerra espiritual, na época da Segunda Guerra também tinha a Batalha pela Bretanha, né, famosa, galera de lá mandando coisa, etc., né. Enfim, o Aleister Crowley, ele vai ganhar uma popularidade como a besta do A besta meia-meia, né? Porque ele gosta dessa publicidade, mesmo que negativa. Ele gostava de brincar com, sabe, essas coisas do tipo essa galera meio tonta que vai comprar qualquer ideia da mídia de satanismo, etc. Ele vai gostar muito de flertar com essas ideias. Mas a grande verdade é que o Crowley, ele tem uma importância de duas maneiras. Primeiro, porque ele vai estabelecer muito da ponte que vai falar, que vai misturar um pouco de psicologia, vai misturar um pouco com essa essa ideia geral de ocultismo moderno, né, que vai acabar indo para magia do caos. E também ele vai ser um cara que ele vai revelar muitos segredos de sociedade secreta. Então ele é um cara meio eixo do que a gente tem hoje de ocultismo, graças a ele. Não à toa ele é muito famoso dentro do esoterismo, né, mas é também um cara muito polêmico, né. Enfim, falamos bastante naquele, naquele episódio, né. Ele vai ter vários.
Marcos Keller:Mais uma curiosidade para você, seu Jacauna: a Guerra Mágica, ela foi tão importante foi travada entre essas ordens, né? Você tinha as ordens nazistas e as ordens britânicas também travando. Mas além da conta que quem aconselhou o Churchill a começar a fazer o V de Vitória, que vai virar todo símbolo da paz nos anos seguintes à guerra, foi o Crowley, que é um símbolo mágico que ele consagrou a Apophis Typhon, são duas entidades de guerra para combater a suástica nazista e outros símbolos que você tinha ali na ideia, né? Então você tem todas as histórias. Tem gente que fala que é só porque o Churchill gostava de segurar o charuto.
Andrei Fernandes:Ficou tipo aquele teu amigo de balada que fica depois de bêbado, fica com copo. É, exatamente, fica na forma de Playmobil assim, de Lego, né? Com formato copo.
Marcos Keller:Ele era do charuto, né?
Rafael Jacauna:Tá que nem, pô, já que você falou isso, você tá que nem lá no Protesto, protesto não. Ciro Gomes falando lá para a galera lá no Ceará, pô, é alguém assim fez assim na plateia, né, ele falou assim, ó, você tá preso, tá preso, tá fazendo símbolo de facção, tá preso. Aí alguém falou do lado dele assim, não, é C de Ciro. Aí ele, ah, desculpa, irmão, é C de Ciro, então tá tudo bem, caralho.
Andrei Fernandes:Ciro Gomes, né, what happens Ai, galera, é, bem, a gente vai só para citar um finalzinho, né, o que que se sucedeu, ou continua aí até hoje, né. Você vai ter principalmente no século 20 também muito do resgate da bruxaria e de religiões de neopaganismo, né. Então principalmente com os novos avanços, principalmente depois da egiptomania ali do século 17, século 18, século 19, você vai ter esses estudos antropológicos e enfim, das grandes civilizações, eles vão se aproximar mais do que realmente eles praticavam. E tem uma galera que vai se inspirar nisso para criar novos cultos também, né. Você vai ter gente que pratica dentro de ordens esotéricas que existem inclusive até hoje. A gente citou Maçonaria, Rosa Cruz. Maçonaria tem menos, né, são mais um tiozão rico que gosta de fazer churrasco, né. Mas Rosa Cruz ainda tem bastante coisa, né. Você tem o Martinismo, você tem, enfim, você tem algumas dessas ordens. Você tem a galera de Telema, né. Você vai ter grandes ordens esotéricas na Astronargento, você vai ter, enfim, a O.T.O., né, não necessariamente no mesmo formato e formulação, né. Algumas delas acabaram, depois foram reformuladas por outras pessoas. E você vai ter a ideia de magia do caos, que é um pouco— Rafael, pensa nesse suco de século 20, pensa Bauman.
Rafael Jacauna:A magia do caos é a magia que eu mais gosto, porque eu não sei fazer, mas não interessa também.
Andrei Fernandes:Não é exatamente isso, mas Por que que tá essa bagunça, magia do caos? Mas dá a entender o porquê, né?
Marcos Keller:Mas a grande questão é que você sabe que é muito louco, André, que a galera faz essas paradas de magia do caos, mas tipo assim, para fazer o curso, né, essa última parte e tal, teve muita coisa do Peter Carroll, que é o criador da magia do caos como a gente conhece hoje, é dele, né? Ele fala que é anterior e atribui isso ao Austin Osman Spare, que é um outro mago do século 19, 19, 20, mas que ele é o cara que formula isso. Mano, cabalista de mão cheia, tá ligado? Todo rolê de magia de cor dele, essas paradas todas, é cabala. Uma das últimas obras que ele fez antes de morrer, que é o Epoch, ele cria uma forma cabala dele, tá ligado? Então, cabalistaço. Você vê que mesmo, né, você não foge disso. Ai, mas eu não gosto disso, eu sou o mago do caos, o pai da magia do caos. Acho que isso é importante, né?
Andrei Fernandes:Então, perfeito, perfeito, perfeito, perfeito, né? É que eu cito o século 20 justamente porque esse foi o o século do relativismo, né? A gente, e assim, eu atribuo isso muito, até alguns acadêmicos que vão associar isso também às questões da Segunda Guerra Mundial. A Primeira e Segunda Guerra Mundial, eles foram tão traumáticos para a humanidade no geral que a gente como sociedade ocidental começou a se perguntar, assim, ocidental entre aspas, né? Mas a gente como sociedade como um todo passou a se perguntar, cara, talvez Deus não exista, né? Tipo, Que valores distorcidos. Talvez seja interessante, ao invés da gente pegar um valor que alguém vai introjetar na gente, tipo um cristianismo, a gente talvez possa relativizar. E aí você vai ter muitas conquistas sociais graças aos pensamentos, você sai um pouco dessa, desse ideário meio, meio, meio, meio estabelecido, né, meio sólido. E aí você vai ter, por exemplo, né, o século 20, a gente vai ter as lutas de causas sociais. Das questões dos homossexuais, a questão do feminismo, da questão dos negros. Você vai ter a psicologia, a gente vai ter uma grande revolução na psicologia no século 20, a gente vai ter uma grande revolução na física do século 20. É tão doido século 20 que ele vai mudar tudo. Ele, o século 20, se tivesse uma carta tarô, seria com certeza a Torre. Ele representa essa grande ruptura que a gente tem com o nosso passado. Então nada mais justo do que nascer um tipo novo de magia que é a tal magia do caos, que ele vai entender que esses processos mágicos não são processos porque existe um Deus e entidade. Talvez esses processos talvez sejam todos psicológicos, e talvez se a gente tirar um pouco dessa árvore de Natal simbólica e a gente construir os nossos próprios símbolos, vai funcionar da mesma maneira. E é como essa galera vai defender. Então, por exemplo, a gente tem um Alan Moore, né, como sendo— eu sempre desse exemplo lá no Magicando, né, que ele vai criar uma divindade que não existe no sentido assim, nenhuma existe, né, irmão? Todas foram inventadas.
Marcos Keller:Mas a ideia geral é que ele vai inventar a própria divindade assumidamente criativa, né?
Andrei Fernandes:Assumidamente. Aí não vai receber de um mestre ascensionado, não. Ele vai definir que recebeu aí da imatéria, vai criar. E ele fala, cara, a melhor maneira de você cultuar uma divindade é uma divindade que você faz, você consegue fazer do seu jeito. Isso É um grande resumo do que é o esoterismo do século 20, de você— é um grande depende. Todas as verdades, elas se dissolvem, se diluem, e a partir daí a gente tem essa grande crise de identidade, né, do século 20, século 21, que estamos aí até hoje, nossa geração, né. Mas de certa maneira nos obriga a pensar um pouco mais no que a gente quer, no que que a gente está praticando, se talvez a gente não pode pegar aquilo e modificar, que tu vai falar, autonomia, qual que é a sua autonomia nisso tudo, né, que não é mais tão fechados.
Marcos Keller:Inclusive são coisas que eu levei muito em conta também quando a gente tava pensando Porque é preciso você ter esse espaço de autonomia, tá ligado? Ensinar as técnicas, você trabalha essa sua autonomia. Até porque nós não somos mais as mesmas pessoas e todo conhecimento evolui, cara. Todo conhecimento se desenvolve, não tem como. Não dá para você ficar apegado naquele passado, porque mesmo quem se apega ao passado não se apega ao passado em si, se apega à sua visão de hoje sobre esse passado imaginário. E aí que você vira um conservador, né? Você vira esse atrasado pedaço aí. Você vira o reacionário, que é o cara que tem um passado imaginário, né, que ele tá atrás.
Andrei Fernandes:Aí não dá, é um passado idílico, né? Não é o passado que a pessoa morria com 45 anos de tifoide, e tipo assim, e 40% dos bebês morriam. Era um passado do tipo, pô, nossa, todo mundo conseguia uma terra, era fácil, né? Tinha uma mulher para fazer tudo em casa, né? E aí, né, enfim, era sociedade, era diferente, etc., né? As pessoas só vão olhar esse lado idílico, né, e não vão olhar para as coisas muito ruins que existiam, principalmente para as outras pessoas que não, o cara, o homem branco, etc., etc. Enfim, né. Mas aí a gente vai ter aí no século 21 esse despejo do século 20, é o que a história que a gente tem hoje. E no século 21, diria eu, a gente tem um grande renascimento do ocultismo, cara. Se você entrar no TikTok, existe algoritmos inteiros só para bruxaria, só para Umbanda, só para macumba, só para magia. Cara, tem, tem algoritmo de Telemita, tem algoritmo de galera das esotéricas hardcore, tem o algoritmo do espiritismo. Então assim, a gente tem todo um renascer, porque tem essa ideia errada antropológica de que é datado, né, não é antropologia de hoje, bem dizer, né, a gente tá falando de uma antropologia datada do século 19, de que a religião mataria a magia e a ciência mataria a religião. Quando na verdade todas elas estão aí, né, junto com a pessoa.
Marcos Keller:Cada um do seu jeito, batendo um no outro, às vezes se encontrando. Hoje eu vi, um amigo meu mandou uma página do Instagram de uma página de coach evangélico, tá ligado? Tipo coach evangélico, milhão, não sei o quê. E ele tava falando sobre o Timothy Leary. Timothy Leary é um desses psicólogos LSD, magia, caos. Ele era muito amigo do Robert Wilson, que também é outro autor que vai mexer com esses quânticos, essas paradas todas, e tá relacionado à magia do caos também. E a página falou bem dele assim, do Timothy Leary, o homem que foi perseguido pela sua forma de ver psicologia. Magia no talo, tá ligado? A página divulgando. Eu falei, pode, né? Por que não?
Andrei Fernandes:É aquele livro lá, A Nova Inquisição, né? Enfim, tenho ele aqui, ainda não li. Mas enfim, acho que é isso, né? Acho que a gente deliniou muito bem, muito bem assim, né? É um resumo, né, gente?
Marcos Keller:Pelo amor de Deus, não tem como, né?
Andrei Fernandes:Exato, né? Mas é uma delineação que assim, que você vê como esses processos vão acontecendo ao redor do mundo. E não importa, gente, porque no fundo isso é humano. Essas mudanças só fazem da gente, tipo, não faz sentido a gente só aplicar uma coisa de 2000 anos atrás. A gente vai aplicar uma coisa de 2000 anos atrás, mas vai daquela mexidinha para ser com a carinha de hoje, né? Porque o ser humano é isso, e não tem problema, e é funcional, né? Nós não somos máquinas que pensam em 01 e tecnocráticos, e que não, a gente é dominado por valores, por símbolos, né? E a magia, ela vai entrar justamente nessas frestas da nossa consciência ou da nossa inconsciência, né? Se bem que hoje em dia tem gente que fala que não acredita em consciência, né?
Rafael Jacauna:Você tá me falando então que a magia, que algo que deveria ter uma suposta fórmula imutável, empedrada, vidrada, ela pode ser adaptada de acordo com o tempo das pessoas? Pô, quando falo isso sobre estudar comunismo, comunista fica puto comigo.
Marcos Keller:Não entendi a coligação.
Andrei Fernandes:Pois é, vamos embora, vamos embora.
Rafael Jacauna:Não, esquece, esquece, esquece, porque esse programa aqui não Programa de esquerda, é um programa.
Andrei Fernandes:Já vai ter muita gente adiando a gente por esse programa, principalmente depois de comentar, Rafael. Você não precisa puxar mais ódio para gente. Não precisa. Daqui a pouco a gente vai falar sobre o esoterismo comunista.
Marcos Keller:Dito isso, temos esoterismo comunista, que é o meu querido Benjamin, Walter Benjamin.
Rafael Jacauna:Fiquem à vontade.
Marcos Keller:Sim, aí ele é muito amigo, muito amigo de um cara chamado Gerson Scholem, que é o cara que recupera a cabala judaica no século 20. Rapaz, É o Gerson Schullen, que vai atrás do corpo do Walter Benjamin, que era comunista, tal, tal, tal.
Rafael Jacauna:Achei que era o cara que fez a Lei de Gerson.
Marcos Keller:Nossa Senhora, tão bom quanto.
Andrei Fernandes:Boa, galera, boa. Então é, é, mas, cara, antes da gente encerrar, você quer dar um jabá das coisas, etc.? A gente vai ter um momento de comentário, você está convidado a participar com a gente, né? Vamos embora, vamos embora, vamos embora.
Rafael Jacauna:Eu não vou xingar ninguém porque eu já tô me puxando de orelha.
Andrei Fernandes:Não, você só não pode receber esse processo, Rafael. Aí você realmente não pode. Se for para receber o processo, segura o botão de mutar, Andrei.
Marcos Keller:Segura o botão de mutar. Você viu que ele fez alguma coisa?
Andrei Fernandes:Tô entrando no túnel. O Keller, fala aí, você tem um jabá para fazer? Onde é que o pessoal te encontra? Você trabalha com vídeos de filosofia, inclusive?
Marcos Keller:De vez em quando, é quando eu lembro de gravar, tá? Tem. Então você me encontra lá no Instagram, no eu sou o senhor Cob Keller, K-O-B Keller. Keller é K-I-2-L-Z-E-R. Você me encontra aqui no Mundo Freak a cada solstício e em alguns episódios passados também, só olhar para trás. E você me encontra lá no Magicando quase todas as semanas, a cada 15 dias que a gente grava, né, lá no Magicando, que já teve participação de Rafael Jacquin há 1 ano, que Andrei Fernandes está lá hosteando a cada 15 dias também. Então nós estamos por lá. É uma forma de você nos encontrar. E me encontra por aí também, como sou professor. Você me encontra inclusive falando de educação lá no Marco 43, que é um outro podcast também só falando sobre educação.
Andrei Fernandes:Perfeito, perfeito, perfeito. Então vamos mudar aqui o clima, porque agora chegou a hora, galera. Já vou puxar, aproveitando que o Marcos Kelly aqui tá com vontade com a gente.
Marcos Keller:Aí, ó, tô pedindo o link do curso aqui pelo curso.
Andrei Fernandes:Colocar aqui enquanto a galera tá pedindo. Já vou perguntar, vou pedir, vou chamar você. Você acompanhou o nosso digníssimo Mike Leão, Mike Bagunceiro do Paraná?
Marcos Keller:Eu acompanhei enquanto todo mundo tava gostando dele, enquanto Matando Mateus Agri tava fazendo vídeo apoiando, enquanto a galera tava ali na dúvida. Aí eu sei que teve a queda, né? Subiu tal qual foguete e tal qual Jack Parsons, foi torrado Pelo calor desta rabo de foguete, perto demais do sol, né, cara?
Andrei Fernandes:Então, antes de qualquer, antes da gente qualquer coisa, eu, eu vou admitir para ouvinte que eu fiquei meio puto com alguns comentários, mas eu vou entender que a gente tá num momento idiosincrático para o mundo freak, que é estamos caindo no algoritmo do YouTube.
Rafael Jacauna:Então tem muita gente nova que não conhece nosso trabalho, estamos subindo no algoritmo do YouTube.
Marcos Keller:Não, perfeito, o que é, tal qual foguete sendo queimado pelo fogo da raba.
Andrei Fernandes:É isso, perfeitamente, né? A questão toda é que nós tivemos alguns comentários que acharam injusto a maneira como a gente tratou o caso, né? Principalmente algumas falas, etc., né? Eu sinto que, reescutando uns trechos, eu acho que a gente foi mundo freak, gente. A gente brincou com que a gente podia ter brincado e a gente considerou as possibilidades tanto de que aquilo era real quanto as possibilidades de aquilo não ser real. Só que aí eu vi algumas pessoas relativizando algumas questões que eu acho que elas são inegociáveis para mim. E eu entendo se o ouvinte ele não compartilha dos meus valores, tá tudo certo. Então, por exemplo, teve pessoas que falaram: Andrei, eu acho que vocês descredibilizaram o Mike. Só que, gente, você descredibiliza alguém que tem crédito. O Mike, ele é alguém que eu não conheço. Não existe essa aqui. Uma coisa é uma vítima, pô. Uma pessoa foi atacada, foi, sei lá, sofreu uma agressão. Eu não vou ficar aqui falando que a pessoa está mentindo, que, pô, eu estaria revitimizando uma pessoa. Ele não é uma vítima, ele é uma testemunha. Ele está testemunhando algo. E eu acho que é maduro a gente considerar possibilidade. E ninguém no episódio falou que ele é mentiroso. Consideramos essa possibilidade remotamente. Remotamente.
Rafael Jacauna:Inclusive, Andrei, inclusive eu fui um dos que falei o seguinte: eu acho que ele fez de boa fé. Eu não necessariamente eu disse que eu acreditava que ele tinha visto ET, mas eu disse que provavelmente aquilo ali foi de boa fé. Isso, ele não criou factoid, ele não inventou, né? Então isso me deixou bem, bem bolado.
Marcos Keller:E considerou que ele pudesse estar enganado, mas na crença de que estava correto.
Rafael Jacauna:Exatamente. Exatamente.
Marcos Keller:Acreditando no que ele tinha a mão.
Andrei Fernandes:É claro que a gente teve, né, os nossos deboches de brincadeira, né? Tipo, eu fiquei chamando ele de Mike Baguncinha do Paraná o episódio todo.
Rafael Jacauna:Fiquei, né?
Andrei Fernandes:Mas tem um elemento muito freak, tipo, a gente—
Marcos Keller:mas a postura dele também, ela é divertida. Ele não tá ali como, né, um cientista, um cara que tá— não, pô, ele tava numa coisa meio 'Gente, olha o que tá acontecendo, tô com medo, se divertindo. Olha os animal, olha os animal em pânico, os animal suave, de boa.' Aí ele filma o cavalo, o cavalo ali pastando normal assim.
Andrei Fernandes:O cavalo sendo um cavalo.
Rafael Jacauna:Mas acho que é assim, pessoal, assim, no comentário, vocês não viram os vídeos dele? É assim, gente, o cara gravou 3 horas de vídeo, de stories, 3, 4 horas. Eu, na moral, ouvi papo de 3 horas. Eu terminei, eu tava fazendo live no domingo Me mandaram ver um pedacinho em live, depois eu fiquei tipo até uma hora da manhã assistindo uma hora e meia de stories dele, 2 horas. Não acordava no outro dia 7:50 para dar aula, mas eu fiquei assistindo até uma hora da manhã enquanto tava escrevendo.
Voz A:This episode is brought to you by Redfin. You're listening to a podcast, which means you're probably multitasking, maybe even scrolling home listings on Redfin. Saving homes without expecting to get them. But Redfin isn't just built for endless browsing. It's built to help you find and own a home. With agents who close twice as many deals, when you find the one, you've got a real shot at getting it. Get started at redfin.com. Own the dream. This episode is brought to you by Palmolive. Family time isn't just the big moments. It's weeknight dinners. Sitting around the table, everyone talking all at once. So when the plates are empty and the sink is full, use Palmolive Ultra. Palmolive's most powerful formula removes up to 99.9% of grease, leaving your dishes sparkling clean. And the new convenient pump makes cleaning even easier, so you can spend less time tackling dishes and more time together. Shop now at palmolive.com.
Rafael Jacauna:É isso aí, pessoal, nos comentários, né, Andrei? Se emocionou furiosamente como se a gente tivesse falando mal da mãe da pessoa que comentou, pô.
Andrei Fernandes:Então, mas é isso que eu ia puxar. Vou até puxar o Keller, que aí é o nosso professor de filosofia, que talvez ele possa me elucidar, que é o seguinte: eu não sou um cara que sigo influenciadores. Alguma, assim, se a gente flexibilizar o termo, né, talvez algumas pessoas acham que a gente é influenciador, mas, por exemplo, eu não fico postando o meu dia a dia num sentido de Ah, o que eu tô almoçando de café da manhã. O Mike, ele é um influenciador, né? Ele fala sobre a vida do campo dele. Não é o que eu faço nas minhas redes sociais. As minhas redes sociais são um misto de pessoal e profissional, divulgo coisas aqui do canal, etc. Eu particularmente não sigo influenciadores, eu não acho graça, mas eu também não vou fazer do tipo que, como se você, ouvinte que gosta, está errado. Tá tudo bem, é sua forma de entretenimento, de você, não vou ficar te julgando e tal. É claro, se for uma virgínia da vida, talvez eu te julgue um pouco. Pô, eu não vou ficar julgando a maneira como você consome na internet. Só que aí, por isso que eu vou puxar o Keller nesse sentido. O que eu senti é que muitas das pessoas que se ofenderam— e eu não vou falar que eu ofendi, porque eu não ofendi, não— muitas das pessoas que se sentiram ofendidas com algumas coisas que a gente falou são pessoas que são fãs do cara, do tipo: eu vou comprar tudo que o cara falar.
Rafael Jacauna:E aí, não gravou recentemente no perfil dele um vídeo sobre esse tipo de coisa? 'Não estou te ofendendo, mas pode ser você também.' Então assim, calma, pessoal.
Marcos Keller:Exatamente. Porque o que acontece, cara, é que assim, realmente o rolê de influenciador, ele vai muito para o afeto. E afeto, você não pensa que nem votar, cara. A galera não— 'Ai, por que que não vota com a razão?' Porque votar é campo dos afetos, mano. O cara vota naquilo que afetivamente é colocado para ele. E o influenciador também é isso. Agora, gente, 'Ah, mas tem que ter credibilidade para o influenciador.' Se o influenciador quer ter credibilidade, ele coloca esse conteúdo num meio de credibilidade, tá ligado? Eu não, gente, não faz sentido você dar credibilidade para o médico porque ele faz vídeo no YouTube. Não faz sentido você dar credibilidade. No YouTube até faz mais porque o vídeo é mais longo, ele pode falar mais coisa. Mas não faz sentido você dar credibilidade para um médico porque ele faz reels de 30 segundos. Não é aí que funciona assim. Ah, mas eu gosto dele. Exato. Ah, mas eu gosto dele. Então beleza, gosto é teu, você gosto dele. Você seja fiel ao seu gosto, não tem problema nenhum, mas eu não tenho que ser, entendeu? É o outro campo, cara. O campo do afeto é outro campo, realmente.
Andrei Fernandes:Perfeito. E muitos dos argumentos, eu sentia que a pessoa não tinha consciência de que amava o cara a ponto de ficar batendo na gente, defendendo o cara. Mas todos os argumentos, tipo, ah, mas ele não fez propaganda para bet, ele usa o dinheiro para ajudar os animais. Inclusive, eu vi até alguns comentários falando Não importa nem se ele tiver mentindo, porque se for por uma boa causa, tá tudo bem. E eu fico pensando, cara, aí não, né? Tipo, aí nada justifica nada, né? Tipo, quer dizer então que se o cara tem alguma espécie de valor moral, é no sentido tipo assim, pô, eu não vou fazer uma propaganda de algo que vai foder literalmente as pessoas, é no sentido de a vida dessas pessoas, não significa que eu, cara, eu não conheço o trabalho dele como Animais E de boa, nem você conhece, você não conhece esse cara até esse caso, você não sabe o que ele faz. E eu não tô tirando, eu não tô falando que ele é ruim ou que ele faz alguma coisa de errado. O que eu estou falando é que essa, você precisa considerar essa possibilidade. E aqui no Mundo Freak a gente vai considerar todas as possibilidades de maneira respeitosa. Tanto é que ninguém no episódio tratou ele como um mentiroso, a maioria foi como o Rafael falou, cara, ele pode estar só enganado. Aí eu falei, por exemplo, pô, ele decidiu filmar a própria cara do que o céu. Aí a pessoa justificava, ai Andrei, mas ele não é especialista em filmagem. Tudo bem, meu caralho, mas eu preciso apontar isso na hora de gravar o podcast. Eu não posso simplesmente reproduzir, senão tu vê a história do cara, pô. Você não veio aqui ver uma análise de alguém que tá, pô. E aí o pessoal falou, pô, Andrei, você tá arrogante agora. Você é arrogante. Fala, cara, 15 anos que eu trato só com essas porra desse tema. Aí a pessoa fala, mas tem, e os áudios? Eu falo, cara, há 15 anos Eu trabalho com podcast que é só áudio, tratando áudio, cara. Você não pode simplesmente separar o áudio de algo que você não sabe o que é. A ferramenta vai fazer qualquer coisa. Você fala: nossa, tá muito estranho. Mas tu conhece o que é de áudio, seu filho da puta? Aí, por exemplo, teve muita gente fazendo análise do tipo: pô, o que ele pode estar escutando pelo que ele tá reproduzindo com a boca? O que que poderia ter sido? Um bambuzal com vento. Que aliás, já deve— que aliás, Rafael já deve ter escutado como é que é um bambuzal quando bate o vento. É um barulho que as pessoas falam que até algo meio assustador, principalmente durante a noite, que fica uma bateção muito doida. Eu falo, pô, isso é uma excelente teoria. Eu não sei se o Mike, ele é alguém que foi morar naquele ano na fazenda, não sei se ele mora a vida toda na fazenda, eu não sei se ele conhece tudo da região, eu não sei, gente. Eu preciso considerar a possibilidade, porque a última vai ter que ser alienígena. Se a gente conseguir descartar tudo, aí a gente pode brincar e fantasiar, né? Mas mesmo assim, a gente, a gente, pô, deu crédito para muita coisa.
Marcos Keller:E tem uma outra parada que assim, é legal para caramba no sentido de entretenimento, e é legal para caramba no sentido de tá discutindo de uma nova maneira ufologia. E é legal também para você perceber como todo mundo que discute ufologia deu uma amadurecida no Brasil. Isso é bom, isso é bem legal, isso é bem legal. Se você comparar com outros casos do passado, é bem legal como madureceu. Só que também tem um ponto, cara, de todos os casos ufológicos a gente tem registrado no Brasil, esse é um dos mais fracos, gente, tá ligado? É um dos mais, dos mais não ufológicos que tem, né? Quer ler?
Rafael Jacauna:Eu fui assistir alguns canais, né, já tinha, já tinham me mandado vários vídeos. Eu não tava sem tempo aí ontem, live, falei pro pessoal, vou fazer um live aqui só sobre esse assunto, me manda aí teus links aí. Mandei vários vídeos com o pessoal. Aí tem um canal no YouTube chamado Na Lata, e o cara foi lá. E aí o Mike não estava em casa porque ele foi em São Paulo gravar Domingo Legal, gravar algumas propagandas e tal. Tudo bem, do jogo e tal, eu também faria isso, certo? Ele, e aí os pais dele estavam lá, e os pais dele, cara, bem bravos com o cara. O cara saiu de perto da casa, tava na rua, aí os pais foram brigar e tal, e o cara tava filmando a suposta nave. E aí a mãe dele brigando com o cara, discutindo com o cara, tal, tal, ela falando algumas paradas, não, porque aquilo ali não existia, aquelas luzes são novas e não sei o quê. Só que o cara tava com o dono da pousada no telefone. E aí o dono da pousada falou assim: olha, fala para ela que a gente conhece o Mike, ele vem aqui de vez em quando na nossa pousada, e se ela tiver mentindo, ela vai ter que provar. Aí ela foi, falou assim: 'Não, não tô falando que tá mentindo, não. Eu sei que o Mike conhece vocês, eu sei, não precisa. Não, foi mal entendido. Eu disse para ele'— a mãe falando no vídeo— 'eu disse para ele que eu acho que desmataram uma parte do matagal e a gente começou a ver as lâmpadas, porque não dava para ver antes.' É, mudou bastante, né? Quando o cara falou 'você vai ter que provar isso aí que tá falando', aí a moça falando— a mãe dele— 'não, não, não disse nada disso'. A mãe dele tava 15 minutos no vídeo dizendo que Era tudo verdade, que não sei o quê. Quando ela viu que a pessoa no telefone escutou, falou assim: olha, se você falar que a gente tá mentindo, você vai ter que provar, porque a gente conhece o Mike, ele vem aqui na nossa pousada. Aí a mãe mudou de postura completa. Eu já tava bolado com o cara, já tava vendo várias coisas, vários vídeos, várias pessoas indo lá, vários canais. Quando eu vi esse específico, meu Deus do céu, meu Deus, não, pô, é o fim da picada assim. E aí, quando eu vi os comentários da galera do programa, eu vi o seguinte: a maioria da galera mais emocionada comentou em cima, assim, no máximo no dia seguinte que a gente postou.
Andrei Fernandes:É porque a gente gravou muito rápido esse episódio. Sim, muito rápido. Casou do cara fazer esses vídeos na segunda, terça-feira à noite a gente já tava gravando.
Rafael Jacauna:É, não, isso foi domingo, segunda-feira, terça-feira a gente gravou. Então muita gente comentou na quarta. Isso ainda tava muito quente, não tinha Dado tempo da galera ter ido no local, de feito as paradas, a maioria dos comentários foi no dia seguinte que a gente postou o programa. Eu queria saber onde tá a cara de muita galera que chegou no comentário xingando a gente a rodo depois que começou a ver isso, sabe? Eu fico imaginando a pessoa que, pô, você, nossa, seu programa horrível, vocês não acreditam no cara aí, é tudo verdade, que não sei o quê. Quero saber o que tá a cara de você hoje. Será que ainda tá defendendo? Não sei, eu fico curioso, né? Porque se eu chego num programa, comento com raiva desse tipo, eu iria lá e apagaria meu comentário de vergonha.
Andrei Fernandes:Não, mas isso é interessante porque eu acho que esse caso ele é para a gente lúdico, para exemplificar o que que se tornou as redes sociais. E isso eu falei do início podcast, eu falei, eu não queria estar gravando esse episódio Porque para mim isso é um circo, isso está como circo, isso vai morrer como um circo. Independente do que apareceu ali, a chance era baixa de ser um OVNI, do que a gente comentou ali. Mas eu falei, bom, vamos dar o crédito aqui pela questão toda. Mas tudo isso aqui é um grande circo, e foi exatamente isso que aconteceu. Então, por exemplo, tem gente colocando, ah, mas o apresentador Luciano Tigre, ele foi no local de luz e só tem mato lá. Eles mesmos admitem depois que ele errou o local. Que ele tinha ido nessa primeira vez.
Marcos Keller:E é difícil, viu? Mato não é exatamente para ponta ali, chega lá, tá ligado? Se você tiver uma área de mata que é mais complexa, não é exatamente um caminho feito. Às vezes tem que fazer esse caminho e tal, ou você pode olhar para um lado, achar que você tá ali, mas é mais para outro lado, entendeu?
Rafael Jacauna:E aí, e aí tem vídeo dele, acho que foi gravado ontem, hoje, zombando das pessoas que falam, que fazem vídeo dizendo que ele tá mentindo porque ele tá fazendo muita propaganda. E ele tá ganhando dinheiro com isso e tal. Me mandaram esse vídeo, ele falou: você deve estar muito triste que eu tenho mais de 2 milhões de seguidores e vocês estão falando que eu menti, mas continue falando de mim que eu vou ganhar mais seguidores. Então assim, é o tipo de coisa que a gente vai botar essa pedra aqui. Última vez que a gente tá comentando justamente por causa disso, porque não vale a pena assim, porque não tem nada nesse caso, é só ficar brigando com maluco na internet. E aí foi que eu comentei, pessoal da live, gente, Sou um produtor de conteúdo, tô lá com meus 15 mil seguidores, 20 mil seguidores, 10 mil seguidores, não sei quanto ele tinha. Se eu faço isso, pô, vejo a propaganda no YouTube sobre o filme do Spielberg, vejo aqueles sons, aquelas imagens, bolo o negócio, de repente fala com GPT da vida, me ajuda, e eu faço todo um roteiro de dia falando que tô vendo coisas e falando que os animais estão 'Ah, sim.' E aí chega a noite, eu filmo um negócio que eu já conhecia das luzes, pô, um bagulho bomba. E aí ele some um pouco, espera 30 horas, 48 horas, aparece: 'Gente, eu, eu desculpa aí quem acreditou, eu fiz isso aqui, aquilo ali é uma pousada, que não sei o quê, tal, tal, tal. Eu fiz uma cena para ser engraçado, para viralizar mesmo, mas eu não quis enganar ninguém, que não sei o quê.' Meu irmão, tava perdoadaço assim, cara. É um rolê, entendeu? Beleza. Agora, até hoje ele ainda, até pelo menos ontem, ele tava sustentando.
Andrei Fernandes:Não, eu vi mesmo, e passou a nave, e aquilo ali com um tom conspiratório. Ah, e é porque assim, tentaram invadir a casa dele. Isso a gente tem que rechaçar, obviamente, né? Teve, teve muita gente maltratou ele também, tá? Não significa que ele tá, que ele tá certo.
Rafael Jacauna:Eu também já não sei, porque ele não acredita mais nada.
Andrei Fernandes:O Garoto Lobo, tudo bem, ele vai falar, tá tudo certo. Mas a gente precisa falar isso, né? Por exemplo, ele tá acusando pessoas de terem matado os animais.
Marcos Keller:Só falar isso: não invadam a casa das pessoas nem matem os animais delas, viu, gente?
Andrei Fernandes:Ele não mostra o que aconteceu. Ele, em teoria, ele tem câmeras na fazenda, ele queimou o HD com as câmeras. É um negócio que parece, não sei se é um surto psicótico, não sei o que que ele tá passando. Ne, que começa a ser afastado de, de, porque aparece uma nota ali da assessoria que tá cuidando dele falando que ele vai se afastar das redes sociais. Aí o pessoal investigou e disse que essa assessoria nem existe, ele deve ter só metido louco meu para subir da internet. Enfim, eu não, gente, eu não sei quem matou os animais dele, quem poderia ter matado. Depois eu ouvi falar que essa cabra já estava doente, que ele já tinha mostrado essa cabra doente em vídeos, em dias anteriores. Tá, então assim, ele não mostra nada, ele não fala quem matou, ele não fala o que que ele viu, ele não fala matou como, matou com o quê, ele só fica chorando. Então assim, gente, é muito difícil porque a gente, claro, e essa questão, as pessoas elas acreditam na imagem do cara que é o inocente do campo. Galera, pelo amor de Deus, aquele bigode Fred Mercury, aquele cara muito inteligente, vamos lá, né, é um cara, é o cara do campo que pô, no mínimo ele pode até ser simples, Mas, cara, ele não vai ser esse jovem do campo, ai meu Deus do céu, eu não sei nem falar com a câmera.
Rafael Jacauna:Porra, gente, é que eu comentei também no programa, e aí entra muito do preconceito da pessoa. A pessoa mora no campo, deve ser uma pessoa tola, deve ser um bobo. Pessoal, esquece essa parada, pô. O cara pode ter nascido no campo, na cidade, qualquer lugar, ele pode ser malandro, tá? Ele pode ser. Todos nós estamos na suposição.
Andrei Fernandes:A Galahad aqui, ela tá fazendo umas perguntas do tipo, ó, ok, mas afinal, contestaram as luzes? Eu vou mostrar para vocês um vídeo, tá, que eu já postei ali no QG do Mundo Freak. Eu acho que esse vídeo o Rafael já deve ter visto, tá. O vídeo vai ficar cagado aí na imagem porque a gente tá de zoom e não dá para colocar direito, tá cagado aqui, tá. Já vou avisar para vocês. Então, galera, liguem aí. Eu não vou ligar o áudio, tá, mas esse vídeo eu acho que ele encerra esse caso para mim. De uma vez por todas, tá? Vou só encaixar ele aqui bonitinho e eu vou dar um refresh para ele começar do começo. Esse canal aqui é de um brother que ele tá acompanhando o caso inteiro. Bem, o caralho, Loucos Felinos, que porra de Loucos Felinos? Caralho, calma aí, gente, calma aí, gente, eu sou só um idoso de 90 anos. Ó, é o canal do Jorge Uezu. Olha a análise que ele faz. Da região e da onde é visto as luzes, sobreposto tudo, e olha no Google Maps onde tá a chácara. Foi a chácara, gente, não tem como não ser, pelo amor de Deus. Eu vou jogar esse vídeo nos links para vocês assistirem, mas sigam aí o Jorge Uezu. Sei que tá cagado aqui no vídeo aqui para vocês, mas eu vou jogar para vocês assistirem. Pô, por favor, gente, assim, não querem, querem acreditar no cara, beleza, só que a gente não vai, não, não é obrigado a acreditar, né? Eu acho que com isso a gente não quer mais falar sobre esse caso, a não ser se descer o Independence Day lá, tem que ser lá, aí eu volto a falar. Mas, gente, eu não vou mais porque esse caso ele foi muito desgastante. Se esse cara tiver sofrendo de alguma coisa psicológica, algum surto psicótico, eu não quero participar disso, como uma galera que tá brigando na internet tá querendo participar, pelo visto, tá? Então a gente vai só a partir de agora para encerrar esse episódio, ler aqui os comentários rapidamente, que a gente já falou demais, só para a gente delinear.
Marcos Keller:Só para puxar uma parada que eu queria acrescentar também para ajudar a fechar essa discussão, que eu não estive presente inclusive, que o Jaca falou sobre ele ter sumido e tal. Lembra do rolê do moleque do Acre? É, foi isso que ele fez, mano. Ele foi lá, meteu aquele louco todo, ficou famoso, sumiu, voltou e falou: gente, não, tô bem, tá tudo certo, vou lançar um livro, tá ligado?
Rafael Jacauna:Eu acho que se ele tivesse feito algo assim, ele não sumiu, ele ficou bem, bem, bem da hora e tal. E esse final foi complexo, né? Isso que o Andrei falou aqui, ele gravou Ele gravou, não, ele disse que estão cercando a casa dele, aquela coisa toda. Deve ter gente mesmo, afinal tu fala que tá uma nave na tua casa, não tem como para 2 milhões de pessoas que só seguiram ele, porque eu não segui no momento. Mas claro que as pessoas vão querer olhar por curiosidade. Agora sim, se as pessoas forem invadir, ameaçar, e ele fez uma postagem recente dizendo que tava sendo ameaçado, só que supostamente supostamente a mensagem tava em verde, que ele tirou print. Só que mensagem no WhatsApp em verde é quando você mesmo envia.
Marcos Keller:Quando você recebe, aí eu vou dar, eu vou dar um crédito, que eu acho que assim, mano, você ter, você ter, a gente, a gente que tá aqui, nós temos aí não muitos seguidores, tá ligado, nessas redes. Se você não tomar cuidado da cabeça alguma coisa ali te desbalança, tá ligado? Eu não imagino como é que esse cara tá não, velho. Esse cara não deve estar legal também não. A pressão da crítica, da dúvida, logo em cima do cara, tá surtando mesmo.
Rafael Jacauna:Mas esse que é o ponto, tá gravando propaganda e tá muito bem nas propagandas.
Andrei Fernandes:Perfeito.
Marcos Keller:Porque já que eu tô louco, é bom tá louco com grana.
Rafael Jacauna:Mas também não parece que está surtado porque está trabalhando normal. Programa de TV, tá se comportando normal, programa de TV, tá gravando propaganda, se comportando normal. Aí quando vai para casa ele fica com problema. Então assim, eu não sou médico, mas é algo estranho.
Andrei Fernandes:Minha resposta que eu acho que também vai resumir um pouco disso: a Babushka aqui comentou, tá, mas também não precisa chutar o cara, ué, é só ignorar. Não, assim, eu não tô— ninguém aqui tá chutando o cara, tá? O Rafael tem um pouco mais bolado por causa das questões ali do que ele tá falando, que ele ficou Ele tá chateado porque, pô, se sentiu enganado, ok. Mas, cara, ninguém aqui tá chutando o cara, ninguém tá falando que o cara é mau caráter, ninguém tá falando nada disso. E, cara, a gente não vai comentar, mano. Então não instala a porra do Instagram e fica gravando vídeo de escovador, cara. Mostra para tua família, não seja um influenciador. Se tu é influenciador, bicho, agora tu aguenta a parada, bicho.
Marcos Keller:Mike Baguncinha, eu vou te seguir agora, mas para ver a cabra. Tu vai filmar tirando leite, arando o campo, tá ligado? Eu quero ver a cabra.
Rafael Jacauna:A mãe dele falou que eles vão vender o sítio, a mãe falou que eles vão vender o sítio porque eles não aguentam mais viver lá. Agora não sei o que que ele vai fazer com 280 animais, mas isso a mãe falou no vídeo.
Marcos Keller:Organizar direitinho os aliens.
Andrei Fernandes:Não sei se é verdade essa questão, tipo assim, não faz sentido a gente atacar por atacar e ao mesmo tempo não faz sentido defender por defender, gente. Vocês não conhecem essa pessoa, ele não é parente de vocês, vocês não têm qualquer relação a não ser uma relação parasocial que deveria ser investigada por um terapeuta. Eu tô falando sério, porque para vocês gastarem essa energia brigando com os outros que vocês também nem me conhecem— mantém, a gente que acompanha meu trabalho há 15 anos, essas pessoas não me conhecem, não me defendam. Se aparecer notícia minha, eu já sou filha da puta, já me bloqueia. Eu não quero ninguém me defendendo, cara. Vai se foder vocês.
Marcos Keller:Enfim, e eu quero dizer mais uma coisa: se ficou ruim para o Jacauna, que sentiu enganado, imagina aquela história do cara que era peguete dele, tinha bloqueado ele em tudo porque não queria mais contato, e de repente o cara fica famoso, aparece até na TV. Imagina a vida dessa pessoa, ninguém tá falando dela. E ela que tá sofrendo, sendo obrigada a ver o cara sendo retuitado, colocado em todo lugar. Eu sou também, tá lascada.
Andrei Fernandes:Queria parar para dar uma cagada e tá ali, todo mundo sabe dele agora. Vamos lá, vamos ler aqui os comentários. Diz como é, o óculos realmente tá prejudicando também. Elis Borges: gente, vocês viram os vídeos? Ele estava muito nervoso, ligou para mãe, pediu ajuda para algum ufólogo, disse que estava com muito medo. Ele fala agora: agora sei de onde veio o barulho. Eu não entendi muito bem o comentário, mas tudo bem.
Rafael Jacauna:Vamos lá, emocionada, comentou: obrigado.
Andrei Fernandes:Tá aí, tá aí, Ligênese, que 20 km daqui da minha casa. E sim, o Mike não faria isso, ele tem uma baita reputação na região. Eu não, comigo não tem, eu não tô na região, não sei, né? Mas é, rapidamente, muita gente corrigiu, e aí tudo bem, a gente errou mesmo, né? A gente falou que era no interior do Paraná, talvez eu tenha soltado no cu do Paraná, mas não soltei, isso é mentira da oposição. É, mas na verdade seria a região metropolitana, seria como se fosse dessas cidades satélites, né, da capital. Então não é um lugar tão isolado. Mas vamos lá, gente, região de fazenda no interior, dá um desconto aí, né? Aquela discussão de se Varginha é uma cidade pequena ou grande, que me consumiu a cabeça lá no episódio de Varginha, né? Vamos lá. Eu moro no interior do Texas, Eli Borges comentou, e vejo drone noturno todas as noites. Não tem nada a ver com que ele filmou, nem barulho, nem formato. Sim. Era uma chácara. Obrigado pela—
Rafael Jacauna:não era drone mesmo, era um lampadário.
Marcos Keller:A não ser que a chácara se levante.
Andrei Fernandes:Era uma chácara. O navio Vingador. Porra, aí eu preciso conhecer. Sabe o que eu acho legal? Foi o Mike descredibilizando a chácara, falando: não, mas eles instalaram luzes para ganhar dinheiro com esse caso, porque agora todo mundo vai visitar. E quem tá afirmando que o OVNI ganha dinheiro com a situação? Não.
Rafael Jacauna:E a pessoa da chácara falou no vídeo que eu tava assistindo para mãe dele: olha, a minha chácara tá muito bem, a gente tem fila de espera para vir aqui, eu não preciso disso para ter fila de espera não. A chácara pode estar mentindo, pode, pode estar mentindo, mas assim, depois que a mulher mandou essa, a mãe afinou.
Andrei Fernandes:Não, ninguém mente. Quer dizer, todo mundo mente, menos o Mike Baguncinha. Ele é o cara incolumne, incolumne. Ele, enfim, vamos lá. É o porra, calma aí. Parece que eles não viram os vídeos, ele ficou abalado. Bizarro, cara. Desculpa, vocês não conseguem reconhecer alguém abalado?
Rafael Jacauna:Curso Wolf Mayer de interpretação, gente, pelo amor de Deus.
Andrei Fernandes:Eu acho que ele pode ter se sensibilizado. Abalado não filma vídeo de Instagram, senão no desespero. Aqui, olha, não é abalado, desesperado, gente. Aquilo ali pode ser até uma pessoa emocionada, sensibilizada, é curiosa, né, temendo alguma coisa. Pô, vou filmar, vai que, né?
Rafael Jacauna:Mas fala, Andrei. Não, Andrei, eu tenho uma filha pequena, né, já sabem disso, tal, e ela tem um livrinho daqueles infantis que mostra assim como estou me sentindo. E aí tem uma palavra e o formatinho na cara do bebê. Eu acho que tem adultos que precisam desse tipo de livrinho para saber o que quer dizer os sentimentos que eles estão sentindo, que as pessoas usam palavras completamente aleatórias para descrever coisas que não estão acontecendo. É impressionante. A balada, o que que é uma balada?
Marcos Keller:Cavalo, os animais estão nervosos.
Rafael Jacauna:Cavalo, tá, é descrição psiquiátrica de uma pessoa abalada, não sei. Tu sabe nitidamente não, porque se procurar no Google é nitidamente não é isso que o Mike estava.
Andrei Fernandes:Ele tá falando aqui, ele ficou em choque. Cara, eu acho que você nunca viu alguém em choque.
Marcos Keller:Surpreso, gente, vamos ficar com surpreso, vamos ficar com impressionado, vamos ficar convencido. Acho que é meio termo legal ali, né? Ele tava convencido que talvez tivesse alguma coisa. Ele tava, sabe, você na sua, você que na tua casa, está na sua casa Se ouvir um barulho à noite ali no quintal ou na janela, você fica assim, ó. Você tá na sua casa, não é nada, é um gato do vizinho, mas você ficou meio assim, talvez. Aí eu acho que pode até ser possível, mas realmente, mano, duvido, velho, que você tá abalado mesmo, você ia gravar vídeo. Nem lembrar que tem celular em choque.
Andrei Fernandes:Pessoas em choque geralmente ficam meio paralisadas, meio anestesiadas, sei lá, as pessoas ficam meio fora de si, não filmam, e mirando para o próprio rosto, fala Nossa, gente, olha que lindo! Como se fosse a tua tia vendo, sabe aquele vídeo da mulher vendo um arco-íris no rio e falando: é Deus, mamãe! É isso, isso não é abalado. É Deus, mamãe, não é abalado. Rafael, vai estar aí no descritivo o link para você comprar o filho, não, né, a filha, deixa aí, o livro da filha do Rafael. Não, não comprei a filha, não tá vendo. Até a placa de vídeo aumentar o preço, aí talvez aí começa com o Rafael. Vamos lá, Venâncio199: cheirinho de lorota desse influencer. Venâncio não comprou. Cláudio Júnior: eu concordo com o Jacauna, eu não sou influencer e não tenho muito interesse. Se um monte de um falou que eu nunca vi na vida que me entrevistar, eu ignoraria. Já o repórter de emissora, ai caralho, já um repórter de emissora reconhecida, mesmo sem pagamento, eu até consideraria. Em geral não dá muita atenção para ufólogo. Até infelizmente o Claudinho tem razão, né? Cristiana Oliveira 001: gente, acho que faltou um believer genuíno dessa pauta em específico. Não, vocês querem é fã de influenciador, você não querem.
Rafael Jacauna:Eu coloquei esse comentário por causa disso que a gente já tinha começado numa conversada na outra semana. Gente, ser believer, cara, olha só, tem um podcast, um amigo meu do PH Carvalho, que ele deve ser o cara mais believer que eu conheço atualmente. É assim, eu quando gravo o podcast com PH, acredite se quiser, meu irmão, eu sou o menos, o menos believer do programa, pô. Impressionante. Eu me sinto, eu me sinto ateu lá, porque lá a galera é muito believer. E o PH, com a sua sapiência mineiresca, falou: é tudo mentira. Eu falei: calma, PH, pô, calma. Dia seguinte, assim, do que ele viu, ele falou: isso é tudo mentira, né? Você conheceu, eu conheço ufologia, isso é tudo caô. E aí o PH hoje tá falando: viu, Jacaurel, eu falei para tu, falei que é tudo caô.
Andrei Fernandes:E é isso.
Rafael Jacauna:E o cara é muito belívio, o cara acredita em qualquer coisa, meu irmão.
Marcos Keller:Será, será que não rolou um tipo assim: eu realmente eu vi um bagulho, eu realmente tô impressionado, comecei impressionado, só que aí começou a ter view, começou a subir, e eu falei assim: se eu mostrar minha cabra doente, eu não vou manter isso aqui. E aí é onde também o cara talvez tenha trocado. Vou dar esse benefício da dúvida. Baguncinha. Então ele era só Mike, aí ele virou baguncinha. Quando ele falou assim, ó, tá subindo, tá subindo o número aqui.
Rafael Jacauna:A minha teoria que eu criei na minha mente, opinião minha completa, só para ser repetitivo do que eu tô falando, é que ele viu a propaganda do filme do Spielberg, fez uma gracinha, viu que o canal dele tava subindo devagarzinho, ele queria dar um impulso maneiro, aproveitar um hype E aí ele criou um roteiro, falou assim: porra, no domingo, no sábado vou fazer esse roteiro aqui, no domingo fazer esse roteiro. E aí, sei lá, na quinta-feira ele pensou nisso, escreveu um começo, meio, um fim, falou, viu, né, a luz e falou assim: porra, à noite eles acendem a luz, eu vou filmar, vai ficar show de bola, pô. E aí ele fez todo o processo, porque começa durante o dia escutando barulho estranho, fala que alguma coisa tava no teto, E negócio não sei o quê, tem hora que ele fala: nossa, tem alguma coisa ali no mato. Só que ele não filma o mato, ele filma o próprio rosto, os animais estão preocupados. Aí vai passando as horas, aí vai chegando a noite, ele já tá com engajamento alto, ele vai entrando e ele encerra com uma filmagem maravilhosa. Tem muitas horas que ele vai passando o dia todo. Então acho que ele entregou um papel do dia inteiro assim, tudo, tudo pensado. Só que Passou um dia, passou dois, ele continuou trocando, ele continuou trocando. E aí esse que é o ponto para mim, ele deveria ter dado a sumida, deixado o povo falar, ele ficado quietinho, depois ele aparecido e fala: galera, desculpa, eu fiz isso mesmo, queria brincar.
Marcos Keller:Quando o Andrei mandou esse vídeo pela primeira vez, eu falei para o Andrei, eu falei assim: acho que isso aí é publicidade, não é, cara? Porque tipo, era do filme do Spielberg mesmo que ele tava descrevendo no começo. Ele foi, eu falei lá no grupo lá, publicidade não, é público. Eu só tinha visto ele falando do barulho, né, do, isso que eu tinha olhado ali.
Rafael Jacauna:E aí, que é o tipo de linguagem alien de todo filme, mostra ali, tem isso, o, aquele outro, Charlie Sheen tem isso, filmes antigos de alien tem esse tipo de toque.
Andrei Fernandes:Ah, verdade, é o contato, né? Verdade, verdade. Eu falo, caralho, é que eu esqueci o nome, mas eu lembrava do ator. Top Gang.
Rafael Jacauna:Não é bem uma fala que ele quer super exclusiva. Tem inclusive, se ele gosta de, eu não sei se ele gosta de assunto de ufologia, vai ver que ele escuta também podcast de ufologia. Tem alguns abraços, tem alguns abraços, tem alguns podcasts de ufologia que falam de casos que já que fazem esse tipo de barulho. Então não é uma coisa que ele, nossa, nossa, ele é o primeiro a descrever essa cena. Não é, não é esse tipo de som, né? Então o problema é esse, apertou muito, esticou muita corda.
Andrei Fernandes:É publicidade do filme, não é, gente, isso aí não, não é, não tem como.
Marcos Keller:Quando eu falei isso, inclusive, que eu pensei, mas eu não sabia que ele era grande ou não, entendeu? É pelo formato de público, formato de público.
Andrei Fernandes:Exato. Ó, o Martinhago, eu não vou falar se fazer essa piada. Para ufólogos, vocês são muito céticos, kkk. Aí é meio foda, né?
Rafael Jacauna:Eu não sou ufólogo, eu sou entusiasta.
Marcos Keller:O fólogo, eu não sou ufólogo, foi para puta que me pariu de rodinha lá no cu do Rio Largado, tá ligado? Kkk. Com a porra daquela camiseta do New Order que ele tem. Para conversar com o Ribeirinho sobre a desgraça do ET que passou há 20 anos atrás. Eu não sou para isso.
Rafael Jacauna:Se tem alguém aqui que é ufólogo nesse programa, esse é o Andrei. Não, não, eu só sou entusiasta. O Andrei é ufólogo, que inclusive o Andrei tava usando coletinho, tudo.
Andrei Fernandes:Não, para, não tem colete. Não, para, pô.
Marcos Keller:Já caurei. Não vamos nem contar sobre o rolê envolvendo ufologia que nós dois estávamos e Andrei também. É verdade, caralho!
Andrei Fernandes:A gente tem que contar essa história.
Marcos Keller:Mas fechou, mas fechou.
Rafael Jacauna:Ela estava lá comigo e não me deixa mentir, cara.
Andrei Fernandes:Essa história precisa ser contada em algum momento, em algum momento. Essa aí deixaria Mike Baguncinha encabulado, essa aí.
Rafael Jacauna:Sabe, Andrei, que a gente conhece o cara que filmou tudo.
Andrei Fernandes:Vamos lá, vamos lá. Alexandre P., último da noite: Sabia que vocês fariam episódio sobre, mas não imaginei que seria tão rápido. Na época que foi comentado, uma semana atrás, né? Ele falou que ele acreditava que era um viral para o filme do Spielberg. Assim, acho que não faz muito sentido como a gente tava falando e tal, né?
Rafael Jacauna:Porque foi isso, gente, foi que eu comentei nesse comentário dele: nossa, vocês fizeram a gravação muito rápido sobre o assunto. Isso chama o novo formato, galera. Se fosse um antigo formato, a gente nem sequer gravaria, não, porque demoraria.
Andrei Fernandes:A gente já tá gravando hoje para lançar mês que vem.
Marcos Keller:Isso aí você não tem ideia.
Rafael Jacauna:E aí seria o programa que iria direto para o lixo, pô. Se a gente falasse assim, vamos gravar porque vai ser lançado daqui a 3 semanas, a gente gravaria e falaria assim, então Andrei, não lança mais não, pô, não lança mais não.
Marcos Keller:Já aconteceu, né? O Andrei, e tem Andrei e Jacauna. Eu, o Jacauna propôs a ideia dele, a minha ideia então vai ser essa, que foi um viral daqueles viral sem, bem, bem mão de vaca, porque tá acabando influencer, viu, gente? Não sei se vocês sabem, o influencer tá acabando, tá ficando só tipo assim, a verba para influencer de médio e baixo tá indo pro escambau. Só vai ter verba pra quem é muito alto nesse sentido. E aí uma agência falou assim: se nós fizermos o seguinte, vamos fazer uma escala. Esse cara vai lançar um videozinho, esse aqui vai lançar outro videozinho, esse aqui vai lançar outro videozinho, a gente termina com a Anitta lançando um videozinho, tá ligado? Vai subindo os influencers. Foi estratégia. E aí o Mike Baguncinha lançou, teve uma repercussão grande demais, a empresa falou: "Ih, toma aqui o teu, cortou, não vamos fazer porque não é desse jeito." Já foi pra outro caminho. O meu headcanon.
Andrei Fernandes:Mas, cara, isso não daria certo, sabe por quê? Eu tava vendo um vídeo do PH Santos. Não, calma, calma. O PH Santos, ele gravou um stories, um Reels, brincando. Olha, gente, que barulho é esse? Tô escutando alguma coisa. E acho que eu tô vendo um óbvio, só de brincadeira assim, mano. A galera nos comentários ficou mordida. Ó, PH, é melhor você falar de filmes, porque você está ridicularizando a pessoa. Gente, pelo amor de Deus, gente, vai arrumar um capim para lotear. A parede para pintar, a louça para lavar. Pelo amor de Deus, gente, curta seus influenciadores, não vai encher o saco dos outros.
Rafael Jacauna:Agora eu vou para fechar, vou deixar o pessoal brabo comigo agora. Eu vou conseguir. Um amigo meu comentou assim: tem gente defendendo o Mike igual o Thiago Leifert defende o Neymar.
Marcos Keller:Ai, caralho, aí realmente Nem a mãe, né? Nem a mãe defende desse jeito.
Andrei Fernandes:Gente, queria agradecer a todos vocês ficarem até aqui, essa mesa maravilhosa. E é aquilo, não olhe para trás, pois o Mike Baguncinha tá atrás de você.
Marcos Keller:You can't reason with the sun.
Rafael Jacauna:Trust us, we've tried.
— Anúncios inseridos dinamicamente —
Lynda MD
Lynda Mídias Digitais
Marcos Keller
Curso Cabala e Magia PlanetáriaParatopia
Podcast Productionumapenca.com
Camisetas Mundo Freak