Episódios de Mundo Freak Confidencial

Quem tem medo de Satanismo | MFC 602

06 de maio de 20262h7min
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Na live de hoje do Mundo Freak, vamos encarar um tema cercado de medo, caricatura, sensacionalismo e muita desinformação: o satanismo. A proposta da conversa não é repetir os clichês mais fáceis, mas entender de onde vêm essas imagens, como elas foram sendo construídas ao longo do tempo e por que tanta coisa diferente acaba sendo jogada no mesmo balaio quando esse assunto aparece.Ao longo da live, a pauta passa pelas origens e pela filosofia do satanismo, pelas leituras simbólicas e culturais da figura de Satã, pelo peso que o cristianismo exerceu na forma como o Ocidente traduziu outras crenças e também pelo modo como cinema, televisão, literatura e redes de desinformação ajudaram a fabricar uma ideia muito específica, e muitas vezes distorcida, do que seria o “mal”. Além disso, a conversa entra em temas mais espinhosos, como o pânico satânico, acusações sem base, crimes associados de forma oportunista ao ocultismo e até vertentes anti-cósmicas e misantrópicas mais obscuras, mostrando como é importante separar mito, moralismo, fantasia e realidade.Se você gosta de história das religiões, ocultismo, cultura pop, pânico moral, demonologia, teorias sociais e discussões que fogem do raso sem abrir mão da curiosidade, essa live é para você. Como sempre no Mundo Freak, a ideia aqui é trocar medo automático por contexto, e histeria pronta por conversa boa.Apoie o Mundo Freak: https://apoia.se/confidencialCurso Andrei: https://magickando.com.br/2026/03/31/a-jornada-do-louco-formacao-em-taro-rider-waite/Rafael Jacauna Autor (Instagram): https://www.instagram.com/rafaeljacaunaautor/Lynda MD: http://lyndamd.com.brAnuncie com a Paratopia: https://www.instagram.com/paratopiapodcast/#MundoFreak#LiveMundoFreak#Satanismo#PanicoSatanico#Ocultismo#HistoriaDasReligioes#Demonologia#Conspiracoes#CulturaPop

Assuntos1
  • Satanismo e LuciferianismoFarsa do Paládio (Paladismo) · Léo Taxil e sua conversão falsa · Albert Pike e a adoração a Lúcifer · Diana Vulgan (personagem criada) · Edward White e a Golden Dawn · Papa Leão XIII e a encíclica Humano Genus · Iluminados da Baviera (Illuminati) · Hellfire Clubs · Francis Dashwood e a Ordem dos Frades de São Francisco de Whitcomb · Alistair Crowley e a Teologia de Thlema · Anton LaVey e a Igreja de Satã · Zina LaVey e o Templo de Set · Pânico Satânico nos anos 80 · Casos de abuso infantil e satanismo · Casos de West Memphis Three · Bruxas de Guaratuba · Aceleracionismo · Baphomet
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Longos dias e belas noites, queridos ouvintes. Está começando mais um Mundo Freak Confidencial. E hoje estamos aqui com uma pauta, um tema educativo. Porque aparentemente os nossos ouvintes desaprenderam o que é satanismo. E para me ajudar temos aqui ele, o demônio em pessoa, Rafael Jacauna.

É o demônio! É, galera, eu tenho certeza que essa pauta aqui vai trazer pra muita... É porque, Andrei, muita gente entrou numa rotatividade de novas bolhas, né? Que é muito bom o podcast, ao mesmo tempo que traz essa galera que descobriu semana passada que o Kelly é de esquerda.

Vocês são de esquerda? Então, quando a pessoa pergunta isso, é porque ela não tem ideia de quem é o demônio. Então, falando de esquerda, logo o canhoto, logo o satã. Está tudo aí. Só não vê quem não quer. E temos aqui a nossa capirotóloga Tupaguerra.

Olá, pessoas. Então, pelo jeito estava faltando a gente falar de satanismo. Eu estou feliz, porque os ouvintes mais jovens vão saber disso, mas a pauta veio igual ela vinha em 2016, 2017. Então, estou super feliz. Vintage. Estou me sentindo numa gravação vintage. Para de falar esse negócio, que aí no comentário fala Ah, vocês conseguem fazer. É só que vou fazer.

Não, acabou. Acabou essa história aí. A gente tá aqui pra deixar tristeza no coração dos nostálgicos. E temos aqui o nosso queridíssimo Marcos Keller.

Saudações senhoras e senhores, estamos aqui pra falar sobre essa pauta vintage mesmo, que é bem algo que se discutiria ali aos 5, 6 anos atrás, no mínimo. Eu concordo com vocês. Satanismo, a gente já, inclusive, aqui no Mundo Freak, a gente já falou bastante sobre o diabo, a origem do diabo, o demônio, o mal. A gente já falou sobre essa pauta. É sempre bom falar de novo.

Então, mas eu acho que a gente nunca tratou desse tema com a profundidade que a gente vai tratar hoje, porque hoje a gente vai falar sobre algo que é correlato ali, paralelo, que é, afinal de contas, existem pessoas que cultuam o Satã, afinal de contas, a gente tem aí essa questão aí do caso Epstein, que abalou as redes sociais. Marcos Kélias, você está fazendo barulho. Esse não é louco. Você está fazendo...

gente, a questão toda é que por causa do caso Epstein nós temos mais uma vez as nossas conspirações, teorias da conspiração sobre Satã novamente, afinal de contas os poderosos fazem rituais satânicos para se manter no poder é isso que a gente vai falar no Mundo Freak de hoje, logo depois da vinheta e a gente já volta

Além do que conhece por tempo e espaço. O contato com algo além. Não conte para ninguém e nunca olhe para trás. Mundo Free Confidencial. E voltamos aqui. Já vou colocar aqui a musiquinha para a gente já entrar no clima. Clima de horror. Vamos de clima de horror aqui?

é bom que agora quando a gente fica em silêncio com a vinheta, porque realmente está passando a vinheta, né? a gente sempre fez isso, a gente sempre ficava em silêncio um tempo, por motivo nenhum exatamente e teve gente que reclamou ué André, mas não ia tocar a vinheta agora? não ia ter comentários, recadinhos? agora, vocês estão vendo como a salsicha é feita

Exato. Antes da gente ir para o tema, queria puxar aqui meu queridíssimo Rafael Jacauna, só para a gente dar os recadinhos da paróquia. Primeiramente, agradecer aí a audiência e aceitação dos nossos ouvintes, essa mudança de formato. Sei que não é algo que todo mundo aprovou.

Mas é isso aí, é do jogo. Nem sempre a gente vai gostar das coisas que mudam. Mas, pô, agradeço demais a sua audiência, a sua paciência, o seu apoio. Lembrando a todo mundo, Fui Confidencial. Ele está no ar graças ao apoio de diversos colaboradores no mundo todo. Então, se você estiver com o seu coração quentinho, vai lá no apoia.se barra confidencial.

O link vai estar aí no descritivo pra vocês acessarem. É como se fosse uma pequena mensalidade e com isso, como se fosse uma revista, vai se assinando mensalmente uma revista, né? E com isso você ajuda a gente pra caramba. Já já eu vou instalar aqui o Pix Recorrente também, se você quiser uma outra alternativa aí também pra apoiar, Live Pix, esse negócio, tem que ser por... Gente, tem que ser... Calma. Eu sou millennial, essas coisas de live, é um negócio muito de geração Z pra mim. Tá bom?

E aproveitando, aproveitando, vamos falar sobre Satanás. Estava eu no LendaCast na semana passada, né? Que na verdade vai ser daqui a algumas semanas, já que esse episódio vai sair mais pra frente. No qual a gente foi chamado pra falar sobre demônios.

Eu não sei porque eu fui chamado, a Tupá sabe porque ela tem um doutorado, que inclusive, para quem não sabe, como agora o Rafael falou bem, a gente tem essa audiência rotativa, que às vezes não conhece nosso trabalho de longo prazo, nem o que nossos participantes fazem, mas doutora Tupá é doutora, inclusive, e é uma demonóloga no rolê.

de, justamente, religião, manuscritos antigos, principalmente focados em demônios, né? Especificamente ali dos manuscritos do Mar Morto, mas é claro que o seu conhecimento ultrapassa barreiras. O nosso querido Marcos Keller, ele só não é teólogo por falta de informação, mas ele é um grande... Ele já foi ver esse tio diabo, ele bateu na portinha. Na verdade, eu abandonei teologia, hein? Bem lembrado.

Mas eu amei o... A pessoa só não é teóloga porque ele falta formação. A gente pode falar isso sobre todas as pessoas que não são teólogas, né?

Porque assim, né? É tipo design, né? O que você quer dizer é, Rafael, Andrei, Rafael, Kelly, Tupá, são professores de história. A partir daí, eles têm várias outras formações. Alguns mais, outros menos. E o Kelly só faltou um diploma em teologia, mas o caminho é esse. Isso.

Perfeito. Mas a questão toda é que o senhor Rafael Jacauna, também professor de história, o único que não entende porra nenhuma aqui sou eu. E com isso, a gente vai começar o episódio de hoje. Eu citei o LendaCast justamente porque esse assunto tá bastante fresco na memória e como eu falei anteriormente, nós já temos...

episódios sobre satã, sobre diabos, sobre demônios, etc e tal. Se você quiser ouvir a origem do mal, a nossa perspectiva sobre o mal, você dá uma olhada lá, porque hoje a gente falando sobre satanismo, a gente vai focar justamente nessa cultura de culto a essa suposta entidade, né? Se é que existe ou não. Eu, como uma pessoa não cristã,

Eu não acredito no diabo, seja bíblico ou seja não bíblico, certo? E eu acho que eu parto do pressuposto que para acreditar no diabo, ou você é cristão, ou você faz parte de alguma espécie de seita, que pelo menos é inspirada em textos sagrados em alguma maneira. Estou errado, gente? Não.

Eu vejo bem assim. Eu acho que se você acredita efetivamente, para você acreditar que existe um diabo, você tem que acreditar que existe um Deus e provavelmente você está seguindo a perspectiva dessas religiões do livro. Eu não vou dizer só o cristianismo, mas você precisa estar ali dentro daquele grupinho mais ali, porque outras religiões vão pensar o mundo de outra forma. Perfeito.

Concordo com a tua pai e discordo do Andrei. Como você faz isso? Porque eu acho que sim, se você acredita teologicamente numa questão de fé na figura do diabo, ele, querendo ou não, pertence a uma cosmologia, a uma mitologia que vai estar associada aos roleis hebraicos, vai estar associada ao cristianismo, vai estar associada...

uma versão meio vai estar associada a algumas linhas muçulmanas e por aí vai por...

como uma figura política, como uma figura simbólica. Então, não necessariamente uma figura de fé, mas como uma figura de oposição, de inspiração, saca? Meio que gostar do livro, mas não um livro sagrado. Talvez uma coisa dos quadrinhos, uma coisa da revisão do capeta, uma coisa meio simbólica mesmo, mais do que uma coisa real. O que me faz com acordar com a Tupá, que é preciso você ter fé no livro, e ficar na espiritualidade do capeta.

Eu concordo com o seu ponto, Keller. E eu acho que é interessante, então, pensar que também existe muita gente que é culturalmente cristão, culturalmente, né, de uma região onde se acredita, onde essa é o principal substrato cultural e daí você acaba estando presente nesse tipo de crença.

Tupac, eu quero os colegas na mesa. Eu vou na mesma linha do que vocês e acho que o que a Tupac começou a comentar sobre pessoas não necessariamente são cristãs, mas são culturalmente cristãs e está nesse ponto do cinema, da literatura que é influenciada aqui, por exemplo, no Brasil.

por muitos países que tem essa construção cristã e passam essa concepção pros seus filmes, pros seus desenhos pra sua literatura e aí a gente consome, tanto que quando você consome por exemplo, obras em japonês tipo anime, tudo no japonês é rei demônio

Tudo, qualquer coisa, eles usam o termo rei demônio e não quer dizer a mesma coisa, mas aqui no ocidente, sempre a pessoa vai pensar no capitão. Tudo bem que depois de um tempo, a cultura japonesa vai se apropriar desse formato que a gente consome muito na América, na Europa, e vai falar assim...

Vai embora. Mas, originalmente, tem outros significados. Esse tal rei demônio que eles usam mais na nossa cultura pra ser popular, pra vender, pra passar a ideia serve. Isso é interessante porque a ideia de você ter uma figura do mal, ela é comum, acho que na maioria das religiões, independente de qualquer coisa. Nas religiões, no shintoísmo, você tem figuras do submundo, você tem essas figuras que talvez sejam figuras que vão te levar. Mas, por exemplo, elas não precisam ter esse peso que vão te levar.

tão grande quanto em cristianismo e derivados, né? Porque, por exemplo, eu fico pensando nos gregos antigos, né? Hades não é uma transliteração a demônio, né? O deus Hades. E isso, inclusive, nas figuras de adaptação ocidentais, é muito engraçado, porque eles geralmente adaptam Hades como uma figura demoníaca, né? Vermelho, com fogo, com chifres, né? Ou querendo mal, né? Tramando contra o panteão.

na verdade, todos eles se tramavam contra os outros, né? Mas a gente tem essa necessidade de fazer essa transliteração com esse peso, né? Exatamente. É, eu acho que a gente mistura duas coisas, né? Só porque a gente acredita, ou você, a sua fé, acredita talvez na questão do mal, que eu vou dizer que nem todas as fés funcionam a partir dessa dicotomia de bem e mal, né?

Mas se você acredita nessa perspectiva de que tem o mal, é comum que tenha algum tipo de personificação ou algum tipo de representação. Mas nem sempre. Às vezes é tipo Hades ou outros... Eu acho que, para mim, o melhor é que tudo faz o Zul.

virando na cultura pop pra todo mundo como um demônio e ele não é um demônio quando a gente tá falando ali da Mesopotâmia e tal, ele não é um demônio ele é uma figura que controla os ventos pestilentos significa que ele pode te proteger dos ventos pestilentos ou ele pode colocar os ventos pestilentos no exército do seu amiguinho quer dizer, do seu inimigo tem uns amigos aí que é foda a ideia é que e não

às vezes, né? Mas aí ele é um ser que vai muito mais te fazer um tipo de proteção e uma coisa que vai ser legal do que necessariamente um demônio. Claro que tem a piada também, a piada da teologia recorrendo à vitória também, que a gente faz. A gente faz. Porque até a gente faz. K K K K K K Tchau, tchau.

Rapaz, é... A piada ficou pro outro... Travou tudo a piada, Tupá. Deus não permitiu que a gente escutasse, não. É, não, a piada... É uma piada ruim, gente. Mas é basicamente... Você tem que ser doido pra estudar Mesopotâmia, porque até os deuses lá são demônios.

Mas é mentira. Eles não participam dessa ideia nossa. Dentro de uma perspectiva cristã, novamente eu não sou expressa. Cara, mas tem uma fala da Tupai que eu achei bem legal, que é justamente essa generalização, né? É como se o mundo inteiro tivesse se tornado cristão, tá ligado? Então a gente parte do princípio de que existe essa generalização de que vai ter essa dicotomia, bem, mal, lado bom, lado ruim. Inclusive a gente aplica isso direto, como o Jacauna mesmo puxou.

Quando você pensa o famoso Maô, o rei demônio, você parte do pressuposto que é isso. Enquanto o próprio conceito de Maô, que seria o governante do Mazoku, que é essa tribo do mal, que não sei se esse mal é a melhor tradução, seria uma tribo ruim, uma tribo de trabalho, uma tribo que ameaça a existência humana. Acho que essa é a melhor colocação. E vai ser traduzido de maneira genérica pra gente como demônio.

Por quê? Porque bad ending, todo mundo é protestante, tá ligado? É isso aí, esse é o fim do rolê. Sim, isso é interessante, né? Porque nesse conceito japonês existem diversas classes de criaturas que não são necessariamente do mal, que por exemplo tem o Oni, que aqui você pode dar como ogro para algumas...

Para alguns animes eles vão vir como demônios, né? Iokais, aí pô, Iokai, às vezes vão vir como demônio também. Iokai também não é uma transliteração boa, né? Akuma, né? E como eu estava falando da Grécia também, novamente, né? A gente tem figuras desgracentas.

Mas elas são, muitas vezes, deuses fazem tanto ou mais desgraças quanto qualquer criatura, né? Que são chamadas de quitônicas, né? Que são essas criaturas deuses do submundo, né? A gente tem Hades, tem Perséfone, tem a Yecate. Você tem os deuses aí, os antigos titãs, por exemplo. E que muitas vezes eles não eram cultuados mais por uma questão de temor.

Mas a grande verdade era que um deus, um olimpiano, ele poderia fazer tanto mal pra você, roubar tua esposa, um monte de coisa aí nesse lugar todo, né? Calma aí, calma aí, você tá me falando que, tipo, na cultura japonesa tem a palavra akuma, que o pessoal fala que é demônio, diabo. Aí tem a palavra oni, que o pessoal fala que é demônio, diabo. Tem a palavra qual foi a primeira que tu falou?

uma, one e o Kai, que o pessoal fala que é diabo você está me falando que o cristão médio, não só o médio, mas o cristão no geral, pega coisas que significam várias coisas diferentes e distintas e chama tudo, ah, não sei essa porra, não sei quem é essa merda, chama de demônio e aí fica... é tudo diabo ah, então tá desculpa ouvinte, mas é mais ou menos isso

Mas assim, e tem um complicador aí que é interessante, porque quando a gente olha na antiguidade, a gente já tem textos na antiguidade das pessoas reclamando.

que está se aplicando o conceito de daimon grego em coisas que não são daimons. Então, tem pensadores gregos reclamando que o conceito está sendo utilizado de um jeito errado. E daí, então, essa coisa cultural, assim, cultural no sentido de que todas as culturas fazem, né? De você tentar aplicar os seus conceitos a outras culturas e isso raramente funcionar perfeito, já era um problema na antiguidade e continua sendo.

Eu falo brincando um pouco porque, cara, isso é o primeiro capítulo da minha tese de doutorado. É tipo, gente, eu vou chamar isso aqui, não vou chamar de demônio, porque é isso, isso aqui. Passei muitos meses lendo especificamente sobre esse detalhe. Eu acho que é importantíssimo esse papo inicial, principalmente porque a gente já separa uma outra coisa. Que para um cristão médio...

olhando para a régua de baixo, assim, né? Você falar sobre outros deuses já está errado, né? Não cultuar outros deuses que não a mim. Faz parte da teologia básica aí da questão toda. É claro que vivemos numa sociedade que não é uma teocracia, então entende-se uma espécie de liberdade religiosa, mas a gente tem que entender que, então a gente já está excluindo outras religiões como o satanismo.

Existe a possibilidade de você cultuar outras religiões e a gente entende que isso não é satânico. Você pode até achar que isso não vai ser bom para a pessoa que está cultuando. Faz parte de um direito de opinião sua, naturalmente. Mas você não pode chamar de satanismo. Então a gente já tira isso aqui. Então, por exemplo, a pessoa faz um culto a Hecate.

Ou a pessoa faz um culto a Odin. Uma pessoa faz um culto, é um xintoísta, né? Que tá ali lidando com, sei lá, materasmo. Nem sei como é que funciona, mas tem culto antepassado, por exemplo, né? Se você quiser entender isso dentro da sua teologia como demônio, é uma opção sua, mas aí a gente tem que entender que a palavra demônio é muito ampla, então, né?

Então, realmente, tudo vira satanismo, porque se você não está cultuando nada que não seja Deus, então você é satânico, né? Então a gente parte de um pressuposto ilógico aqui dentro da nossa discussão, né? Então, vamos tentar entender exatamente... Inclusive, Andrei, inclusive, só para dar a catucada agora entre os cristãos... Dê a catucada.

vão ter muitos doutrinas evangélicas que vão dizer que o católico flerta muito com o demônio, porque venera santos. Tem santos como centros de culto, imagens importantes, inclusive adorar imagens, seria uma coisa demoníaca.

Isso dentro do próprio Desculpa, Tupá, rapidinho, parênteses Isso dentro do próprio catolicismo, né? A gente teve recentemente uma questão do Leão, o Papa Novo, né? Falando, galera, vocês estão cultuando muito Virgem Maria, você tem que entender que Jesus e Deus estão acima

Porque tinha uma galera que colocava ali a Virgem Maria como... E saiu notícia disso, né? Então, dentro do próprio catolicismo, é uma parada que eles estão toda hora discutindo, né? A hierarquia do que pode e o que não pode. Não que a Virgem Maria seja demônio pro católico, obviamente não é isso que eu tô falando. Mas é uma questão de interpretação também aí na questão toda, né? Mas fala, tu pá, desculpa a interrupção. É, não, imagina. Isso, inclusive, é interessante porque eu não cresci na igreja, né?

Em nenhuma delas. Então, pra mim, eu descobri relativamente recente, tem uns dois, três anos, que muita gente, especialmente nos Estados Unidos, que tem esse discurso muito forte de que católicos não são cristãos. E eu fiquei meio chocada, eu falei, como assim os católicos? A pistas.

Porque eles acreditam no Papa ou cultuam o Papa. Eu falei, eita, que vocês não entenderam nada, né, gente? E a própria ideia, né? Tipo, se você falar pra um cristão, pra um católico, que ele cultua santos, ele vai falar, não, não é um culto, é diferente. O santo e Deus estão em lugares diferentes, né? Sim. Embora tenha essa questão do Papa e... Porque...

Parece, a gente tem a impressão, que tudo está muito cristalizado já nas religiões.

E não é assim que funcionaram. E não é verdade. Essas coisas estão em constante mudança. Elas estão em constante mudança, tanto, gente, que a infalibilidade papal é de 1850, se eu não me engano. Então, até 1850, você podia questionar o que o Papa falava. A partir de então, a galera se reuniu e falou então, na real... O Papa errava durante 1800 anos. Aí depois ele não errava... Demorou pra aprender, hein? Hein, Papa? Demorou pra aprender pra caralho, hein? Eu aprendi lá.

Ou eles demoraram para perceber que na real o Papa estava certo. Então assim, mas esse exemplo é porque ele é muito fácil de prestar atenção, mas isso é uma verdade também para as igrejas evangélicas e para os cristantes. Estão existindo adaptações o tempo todo. É só porque como a gente dá a impressão e as pessoas adoram achar que a minha prática sempre foi assim.

Só que muito do que se pratica hoje em dia nas igrejas seria considerado herético há 100 anos atrás na mesma igreja. Cara, cristão só não odeia mais quem é não cristão. Mas cristão se odeia. Todo momento aí já é... Eles deram uma pausinha nos últimos anos aí porque... Porque precisa bater nos outros, né? Vocês falaram de...

Vocês falaram de santo e tal. Eu lembrei que eu cresci num mundo em que tinha uma treta gigante inclusive de maltratarem a imagem de Virgem Maria na TV. Opa, mas estou chutando santo, né? Tem. Isso, esses horrores aí. Perfeito, perfeito, perfeito.

Vamos partir, então, afinal de contas, do que é satanismo, né? A gente tem uma figura do mal, que ela é muito multifacetada e que sempre foi variando culturalmente através dos anos, apesar de não ter instagrado estar colocado, né? Mas essa força e esse poder, ele vai variando, e essa importância e a presença na sociedade vai variando através dos anos, né? Foi o nosso papo lá no Leandro da Cache.

estou passando bem rapidamente só para a gente se colocar aqui no caminho exatamente o que poderia ser e aí a gente vai ter final da idade média a gente vai ter paraíso perdido do John Milton que vai transformar esse diabo numa figura talvez um pouco mais carismática ele como um grande, talvez revolucionário incompreendido, poderíamos falar um grande rebelde

um grande rebelde, né? E a partir daí a gente tem uma abertura pra talvez tentar entender que pode, talvez, a partir daí, talvez ter algum interesse, talvez? Eu não sei se a gente tem oficialmente alguma espécie de organização, culto, sociedade secreta, nessa época aí da Idade Moderna, né? Ou seja, pós-Idade Média, que chegava a cultuar Satã de alguma maneira. Vocês historiadores, vocês... Cara...

Eu tenho um papo louco sobre isso, hein? E aí? Se a Tupac quiser falar antes, fica à vontade. Não, pode falar. Eu tô pensando aqui em algumas coisas, mas pode falar antes, porque eu tenho umas referências boas também. É, porque tem uma parada que é muito louca. A gente não tem muitos dados a respeito da era moderna de uma galera adorando o satanás. Você não tem muita estrutura sobre isso. Como a gente vai ver no pânico satânico, a partir dos anos 60, 70, 80, que é o ponto mais alto.

que você vai ter nos Estados Unidos. Mas o que acontece? No fim do século XIX, você tem um rolê que foi chamado de A Farsa do Paládio, ou Paladismo, que foi um evento que aconteceu na França e teve influência nos Estados Unidos também. Você já ouviram essa história? Não. Não. Conte, por favor. Isso aí é muito louco, cara. Então eu vou puxar pra vocês. Isso aí é talvez uma das origens do rolê do Pânico Satânico.

Manja? Numa das pesquisas que eu tava correndo atrás. Porque o que que foi isso aí? Tinha um maluco chamado Léo Táxio, o nome real dele é Gabriel Joran Paget, que ele é um maluco francês, tal, e ele era um militante anticlerical francês, naquela linha que só os franceses sabem, tá ligado? Na linha do... Se tivesse carro, queimava.

Exatamente, não. Deve ter queimado as carruagens. Exato, e francês queima carro agora. Antes era carruagem e antes disso era enforcar o último padre nas tripas do último nobre, né? Então você tinha todo um processo ali que a galera começou a fazer. E ele era um desses últimos, mano. E a vida dele era criticar e ridicularizar a igreja católica. Era uma das diversões desse maluco.

E ele... O cara... O cara era o usuário da internet muito à frente do seu tempo. Ele era o ateu de 15 anos discutindo com a avó que Jesus não nasceu no dia 25. Com a diferença que ele era dedicado. Porque o que ele faz? Ele metiu o louco nisso e chegou a fazer, inclusive, uma...

Uma editora que ele montou, tipo assim, a Liga dos Anticristãos, Anticlerical, entendeu? Ele montou uma editora com o mesmo nome. O cara, ele sabia ganhar dinheiro com o rolê do anticlericalismo. O cara, ele fundou o Brasil Paralelo lá na França. É só um dicatólico. Eu acho uma ofensa ao moço.

Mas calma que piora, gente. Calma que piora. E é muito louco essa história, porque foi um bagulho que uma hora pegou no hiperfoque e eu fui atrás de dar uma olhada. Porque o que aconteceu com esse maluco? Esse cara, por volta de 1885, ele falou publicamente que ele teve uma conversão milagrosa.

Tipo, ele acordou um dia e falou assim, o catolicismo é a parada, eu quero me redimir diante disso. E ele falou, e fiz parte da maçonaria e eu quero expor os segredos mais sombrios e obscuros da maçonaria francesa. Eita! Você morreu? Alá vem.

Então, o que você falou? A maçonaria, desde que o mundo é mundo aí, né? No satanismo. Então, mas tem um contexto também nisso aí. É, tem um contexto nisso aí, porque o que aconteceu? Um pouco antes, um pouco antes desse rolê dele falar sobre a parada da maçonaria, ele tava num ambiente muito específico.

Porque o que acontece? No ambiente em que ele estava, naquele momento em que ele estava construindo as coisas, você tinha toda uma reação também da igreja, porque o papado estava se sentindo acuado naquele período, porque você tinha a unificação italiana que tinha tomado o território do papado.

Isso aqui é no século XIX. Em 1884, 1885. Bem pra frente, sim. Em 1800, gente, isso aqui é, porra, pré-primeira guerra, tá ligado? A gente tá falando do... Pré-Crawley, assim. O Crawley já devia ter nascido, mas não tinha, não. Nasceu no meio do século... Já no meio do século XIX.

É, já tinha, já estava por aí. Final do século XIX. Nisso? É, final do século XIX. E aí, o Papa Leão chegou a publicar uma encíclica, que é a Humano Genus, que o que ele fez? Ele falou que existiam dois tipos de pessoas. O reino de Deus, que é a igreja, e o reino de Satanás, que é onde estariam os maçons, os caras que estão tirando o território da igreja, as sociedades que não têm Deus como primeiro local, e aqueles que estão contra a identificação papal.

Esse foi justamente no momento em que a Tupac começou a puxar aqui, que foi onde a galera tentou valorizar o Papa e começou com aquele rolê do Papa não fale, né? Não erra nunca. Caraca. Então temos uma posição política aí na questão toda, né? Olha que doideira.

E aí temos uma pequena queda de Lúcifer, que não é. Calma, meu ouvinte, já estamos voltando. Ai, caralho. Agora todo mundo caiu. Ou foi só eu? Fica aí a dúvida.

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Mas às vezes eu entro uns meandros e fui parar nisso. Opa, acho que voltou o André aqui. Voltei, voltei, voltei. Eu tive uma pequena queda. Live caiu, André? Tá difícil hoje, hein? Cara, caiu real aqui. O computador ficou sem internet durante cinco segundos. Mas a live caiu, tu vai reconectar? Não, não, já tá tudo certo. Tá tudo certo. Tá. Então, onde eu tava? Ah, é o Papa Leão, né?

A infabilidade papal começou aí. O que eu fico impressionado é que até isso tem uma questão política, né? A gente tava vendo em um momento que o pessoal tava questionando, claro, né? Interessante isso. Não tem tanto, porque foi um período de grandes teorias da conspiração. E você tem também nessa época já xingando a maçonaria também.

Você tem o famoso Augustin Barrué, que é o padre que via a Revolução Francesa como um cúmplão maçônico, porque tinha uma porrada de maçom na Revolução Francesa mesmo, e a Revolução Francesa acabou com parte do poder da igreja, então ele juntou esses dois. E a época do Eliphas Leve, a época de uma galera falando sobre demônio, então foi uma época de presença do sobrenatural e de fortalecimento de sociedades secretas.

Então isso teve mesmo. Sim. Posso dar um parênteses, Keller? Eu acho que é muito interessante esse contexto histórico porque ele explica muito do nosso universo de onde a gente chegou hoje nas teorias da conspiração. Por que existiam tantas seitas e ordens esotéricas e coisas ocultas? Muito dessa galera era perseguida da igreja?

Porque tinham ideais republicanos. Eles tinham ideais anticlericais e antimonárquicos. Porque era mais uma questão política do que teológica ou esotérica. Então começou a se retroalimentar uma galera. Inclusive, eu sei de uma galera dessa época que começou a usar a imagem de Satã como um objeto político anti-igreja.

não porque eles cultuavam, mas porque eles usavam como, já que eles estão perseguindo a gente, a gente é satanás mesmo. Inclusive, antes disso, final do século, aqui, 1776, é onde a gente vai ter inclusive os iluminados da Baviera.

que são os Illuminati, que vai ser a organização secreta que vai inspirar no século XX, por causa lá aí do... Enfim, do Raul, que é o autor que voltou com os Illuminati aí, como essa grande seita da conspiração e satânica e nananana. O que que eram os Illuminati da Baviera? É a galera da burguesia que era contra a igreja e a monarquia. Eram burgueses. É bom lembrar só uma coisa.

Só uma coisa rápida, é bom lembrar que nem todo mundo que era contra a igreja era necessariamente contra a monarquia. Só pra não colocar essas duas coisas necessariamente juntas. Especificamente uma galera da evolução francesa e uma galera da maçonaria desse momento que está sendo falado é atribuído isso, não quer nem dizer que os caras eram. Foi atribuído a esse grupo. Sim, sim, sim.

Eu tava, inclusive, conversando esses dias sobre a Revolução Francesa com um especialista em jacobinismo, e daí ele tava me explicando justamente essas... Ele falou que é uma galera que depois vai mudando, porque as coisas vão mudando, mas a princípio uma galera que se uniu pela Revolução Francesa, mas era, tipo, a favor da monarquia, mas monarquia constitucional. Então, é igual o mundo de hoje. Tipo assim, você tem um cara que às vezes vai votar no candidato, mas, mano, a galera tá brigando aqui.

Desse lado de cá, do outro lado de lá, né? A gente olha pra trás e a gente acha que existe uma linha do ponto A até o ponto B que liga tudo de uma maneira orquestrada, né? Por isso que as ideias da conspiração pegam pra caralho. Porque quando a gente olha pra trás, parece uma linha reta. Só que, na verdade, todos esses processos históricos, eles nascem do caos.

Eles nascem de um caldeirão de pessoas diferentes lutando. E quando muitas dessas pessoas, às vezes, notam uma possibilidade e os astros se aliam para aquela coisa acontecer, aí aquilo acontece. Aí cai monarquia, cai isso, cai aquilo. Só que são várias desses merda. Um avião não cai por causa de uma pessoa. O avião cai por causa de várias coisas que estão acontecendo. Acho que isso é importante. E o outro parênteses é...

Bom lembrar que não tem nenhum problema, tecnicamente, um católico, um evangélico, participar da maçonaria. A única coisa que o maçom não gosta é de ateu. Você precisa acreditar num Deus único, numa força cósmica, num Deus universal. Então é natural. Exatamente. Então não tem nenhum tipo de discrepância. É claro que o católico pode não gostar do maçom, porque, enfim, quem que o cristão gosta também, né? Mas, de qualquer maneira, o maçom, no geral, ele pode ser de qualquer religião, né? Tendo um Deus ali, tá de boa.

Beleza. Só um segundo. Calma aí.

Pronto. Então, só pra recapitular essa parte, lembrar vocês que a gente tava falando sobre o contexto. O contexto foi ofensiva da igreja, o Papa Leão publicando a parada lá, falando bem de Satanás, reino de Jesus, reino de Deus do lado, essa cultura do complô, que é o que a gente tava falando agora, e o fascínio pelo ocultismo que tinha surgido ali. Estava na moda novamente essa discussão, até porque tava sendo redescoberto alguns materiais, algumas coisas... Lembra que é o Papa Leão que não é esse Papa Leão, é outro Papa Leão.

Ah, é, o Leon 13, né? É, 13, é o 13. E aí, o que que acontece? Esse maluco, que a gente tava falando agora, que é o Leo Taxil, que não era o nome dele, não dele é Gabriel Joran Paget, o Leo Taxil, ele fala o seguinte, sou anticlerical, totalmente, e aí, de repente, ele vai ao público e fala assim, me converti, Deus é bom, entendi as coisas, e agora eu vou denunciar.

E aí ele vai publicamente falando, ó, eu participei de uma sociedade secreta maçônica chamada de Paládia, ou Paládio ou Paladismo, dependendo do que você procurar. E ele fala, existe uma religião satânica global que tem sede em Charleston, nos Estados Unidos, e tem um maçom chamado Albert Pike, que ele adora Lúcifer e tá tentando dominar o mundo, e junto dele tá os maçons e tá os judeus, porque tem que ter um pouco de antissemitismo também, nesse período aqui era o tempero do rolê.

Era o antissemitismo, né? E aí ele levanta e fala, faz ritual bizarro, fala de um invoca demônio que tem forma de jacaré e toca piano, tem uma serpente demônio que o rabo da chicotada escreve profecia nas costas de uma alta sacerdotisa, que ele criou, inclusive.

Uma sacerdotisa chamada Diana Vulgan. Vulgan, que era uma suma sacerdotisa e tal. Ele criou essas porra toda, fez livro em nome da Diana, denunciando, vendeu livro pra católico pra caramba, porque os caras falaram, olha aqui, olha o que tá acontecendo e tal. Ele passou 12 anos nesse rolê.

ele passou 12 anos falando sobre essas questões. Quem é o cara que vai desmascarar ele? Vocês nem acreditam. O cara que junta todos os pontos pra desmascarar ele é o Edward White, da Golden Dawn. Meu Deus! Que é o autor do livro, que vai ser o tarô da Pamela e do White.

É ele que se junta. E o Heider, que é o editor. O White, ele já era cheio de pegar a coisa francesa, porque ele era um grande tradutor de papos, né, e por aí vai. Ele pega a coisa francesa e ele trabalha. E ele vai desmascarando ponto a ponto, falando eu sou maçom, eu sou da Golden Dawn, e isso aqui é tudo farsa. E aí, o que acontece? Os livros desse maluco, o Taxi Hill, eles tinham se tornado best-seller, assim, porque ele mesmo que tinha montado a editora.

E aí, ele foi jogando, tal. E tinha gente que escrevia obra falando que essa tal de Diana Vulgan tava divulgando as coisas também, e foi abençoando ela, falando, ó, Deus abençoa muito a sua vida por você tá divulgando como as coisas são horríveis e por aí. E aí, quando o Edward White denunciou isso, começou a ficar nesse, né, nesse povo falando sobre esse cara ser falso, ele marcou uma conferência em 1897, onde ele falou, agora eu vou apresentar a Diana Vulgan ao vivo.

E aí todo mundo se juntou, juntou padres, juntou uma galera, juntou um monte de coisa. E isso foi feito na Sociedade de Geografia de Paris, esse evento. E aí ele subiu no palco e falou assim, Então, gente, é uma farsa. Há 12 anos eu tô brincando e tô ridicularizando a credulidade da igreja. Esses caras acreditam em qualquer coisa que a gente produz. Vem de livro pra caramba, Diana não existe, porra nenhuma existe, Paládio não existe, não há limite pra estupidez humana. É isso aí. É nóis. Tava desolido. Caralho!

essa, tá ligado? Ele meteu essa. E aí o que que foi? Depois vai ter gente falando que não, não é isso e tal, e todo o rolê da citação luciferiana, que é um outro bagulho clássico que a galera fala, que fala que sim, lucifer é Deus e tal, tal, tal, tudo isso ele inventou, falando que era parte da doutrina secreta maçônica, e depois ele falou ao público, ó, maçom não faz nada disso, não tem nada a ver, eu nem conheço maçom, não tem nada a ver com essa parada.

Só que ficou, entendeu? Muita gente não pegou a desculpa dele do foi mal, tava doidão, né? Tava só de zoeira aqui com vocês. Hoje em dia, inclusive, existe esse debate, né? Que às vezes a sátira ele alimenta o material que está sendo satirizado, né? A gente tem vários... A gente vai falar já já do Crowley, né? Enfim, vira, né? Você vira que é uma caricatura, né? A caricatura que tem essa coisa da crítica...

se perde e vira um material pra ser seguido, né? Isso é muito doido, né? É tipo a galera hoje da Palantira, a galera dos anos 80, da ficção científica, falando galera, acho que não é legal a inteligência artificial ter liberdade e autoridade pra fazer certas coisas, hein? Aí o cara dos Tay Bros, lê aquilo e fala, olha, eu acho que eu vou colocar o nome da Miad e sei lá, de Skynet, saca? A galera hoje em dia é essa, né?

Então, muito bom. Deixa eu te falar uma última parada. E o Léo, ele fez essas junções todas falando sobre maçonaria, e diz a lenda que toda uma leva de pessoas entraram na maçonaria achando que o que ele tava falando sobre maçonaria era real. Que triste. Tem até alguns teóricos que vão falar que a maçonaria nem fazia uso da figura do Baphomet como ela vai fazer atualmente. Como uma figura simbólica. Isso era 1800, Keller? 1800. Então eu vou trazer um negócio de ânimo.

por um outro maluco. E aí tem uma galera que fala que não fazia parte, não sei o quê, e ele meio que, na zoeira, definiu um monte de coisa que hoje a gente tem como verdade, que até os caras que participam do rolê tem como verdade.

E detalhe, isso é tão comum que eu não vou citar nomes aqui para evitar qualquer implicação no processo contra o podcast, mas tem gente que está me ouvindo que sabe dessa história porque isso é conspiratório demais. Um rapaz até morreu recentemente, que era um desses que diziam que eram ex-maçom.

que entrou para a igreja, escreveu o livro, falou, o outro que veio do outro país, falando que era satanista, depois virou judeu, porque... Então, assim, histórias do tipo, só para falar da recente, a gente pode falar de uns quatro que fala, que sustenta esse tipo de história.

atrai galera, atrai gente. Mas é exatamente, é isso que a estupidez dessas teorias da conspiração, elas levam, é porque isso é popular. As pessoas querem acreditar que existe esse grupo, esse vai ser o grande resumo do podcast, né? Vai acreditar que existe esse grupo do mal, né? Que tá aí dominando tudo. Se não pra acreditar, mas pra quem quer entrar?

O que mais tem aí é esses e-mails de entre para a maçonaria, faça isso, faça aquilo. Ou pessoas que procuram a gente, por exemplo, ver no SEO ali um episódio de como fazer um pacto, que eu faço de brincadeira o título do episódio, e a galera vem me procurar querendo fazer pacto. Como se isso existisse. Então isso é muito, muito doido. Exatamente, exatamente. A Tupá queria puxar um negócio antes, eu acho que eu vou puxar um pouquinho antes também. Pode falar, Tupá.

Você vai para 1700 ou você vai para antes? Eu acho que eu vou um pouquinho antes. É porque, na verdade, eu vou puxar um pouco do papo. Então, deixa eu introduzir que aí você fala. Porque eu vou puxar um clube muito parecido com o que o Keller falou, mas de outra localidade. Eu sei qual que você está falando, que foi uma das minhas referências também, mas eu vou só dar um pequeno parênteses antes. O que acontece? Lá no Leandrach, como eu estava falando, a gente falou um pouquinho sobre Goetia, né?

Goétia era uma prática que os gregos, tinha um outro nome, os gregos, na verdade, os gregos antigos, os helênicos, eles falavam que os outros bruxos, aqueles que não faziam sacrifícios e roliam para os deuses helênicos, eles praticavam a goés, que seria uma espécie de magia baixa.

ou magia negra, né, pro grego, né, e tinha uma prática que era parecida com o nome de Goethe e tal, isso ficou morto durante uns anos e tal, final da Idade Média, o pessoal ressuscita isso com uma série de práticas, né, começou um pouco dessa coisa do, achando livros, né, tem uma galera, inclusive, do Oriente Médio, que preservou muita literatura esotérica, né, uma galera que precisa agradecer aí hoje.

essa galera aí do outro lado, porque deu uma boa preservada nisso, né? E aí, falando sobre sátira, eu tinha até notado, teve um brother ali no século XIV, século XV, que ele lançou uma tal de pseudo-monarquia da Emônion, que nada mais era do que uma grande sátira que ele colocava demônios numa hierarquia monárquica, né? Então eram demônios que eram barões, eram demônios que eram reis, eram demônios que eram imperadores, eram demônios que eram duques, né?

E ele vai fazer meio que uma lista de 60 demônios, e ele vai fazer meio que uma lista de 60 demônios, né?

E alguém vai pegar esse material de sátira, né? É claro que ele pegava também outras entidades, né? De outros deuses também, entidades que existiram, né? Você vai ter Baal, por exemplo, né? Que é Suméria. Você vai ter várias entidades aí. Suméria não, desculpa. Acho que é uma entidade que é de Canã. Enfim, depois me corrija aí. Isso aí eu posso errar, é porque eu não tenho diploma. Eu tenho só um podcast. Eu posso falar com o que você tem.

Mas a ideia geral é que isso vai virar depois material esotérico, o que é muito engraçado, como que também, ao mesmo tempo em que o cristão acredita em muita bobagem, esotérico também acredita em muita bobagem. E eu não estou falando aqui que é ruim a pessoa que está fazendo coética, que é uma parada que não funciona. O meu ponto é, porque eu acho que tudo funciona, porque tudo é inventado, mas enfim, está tudo certo. Mas a questão toda é...

Sátira tem uma irônica tendência a se tornar uma realidade se ela fica popular o suficiente. E isso é muito doido, né? Mas a gente está falando... Se em teoria tem um livro aí, que é lá do século XV até o século XVII, mais ou menos vai surgir essa coisa da Goétia, que explica como você fazer uma invocação demoníaca, é porque alguém praticava. Será que isso não entraria, talvez, numa espécie de...

Ah, eu vou... É porque eu sei que a lógica é diferente porque a ideia geral da prática é que você é tão brother de Deus que você consegue evocar e torturar um demônio pra ele fazer o que você quer porque você é brother de Deus, porque o demônio seria apenas uma ferramenta de Deus, então já não entra na prática. Mas aí a gente tá falando sobre uma prática de evocar demônio, né? Isso é bem interessante também, né? Quando a gente para pra analisar.

Pois é, essa lógica, eu acho interessante essa lógica porque ela se insere muito dentro do contexto, no mesmo contexto cristão, né? Tipo, não é o mais aceitado e aceito, e aceitado é foda, mas não é o mais aceito, mas o que todo mundo pratica, mas ele tá dentro da lógica, ele não tá na lógica de servir o demônio. Sim.

E essa coisa da sátira é interessante porque boa parte dos clubes e dos grupos e etc. Que vão falar de satanismo. Vão fazer isso de forma satírica ao longo do tempo, né? Eu queria trazer pra gente os clubes. Os Hellfire Clubs. Ou os clubes do Fogo do Inferno. Que...

São clubes muito interessantes ali do século XVIII, então a gente está falando de 1700 e pouquinho, que vão surgir especialmente na Grã-Bretanha e na Irlanda. E é muito interessante, eles são clubes de pessoas ricas, considerados uns libertinos e arruaceiros e etc. E antes que as pessoas falem, ah, meu Deus, é o Epstein de novo, calma. A lógica é um pouco diferente aqui.

E eles eram clubes, então eram pessoas, eram muito comuns, acho que essa parte do clube é importante, vou só fazer um parênteses rápido, que a gente não tem essa prática tanto no Brasil, mas na Inglaterra até hoje eles têm essa prática. Então, na universidade, você não vai para o CEA, não tem centro acadêmico, não tem coisa, tem clubes. Aí tem o clube de fazer bolo, tem o clube de quem gosta de metal, tem o clube de... E é assim que as pessoas socializam e fazem amigos.

que é uma coisa um tanto estranha para a gente. Mas lá em 1770, então o primeiro desses clubes foi um clube de 1718, que foi fundado pelo Philip Wharton, que era o primeiro duque de Wharton, que é um lugar, e ele pegou os amigos dele e fez um clube. Uma das coisas muito diferentes do clube dele, eles se encontravam num pub, era que ele aceitava mulheres.

Então ele aceitava homens e mulheres, o que era... Começou a lacração. Começou a lacração. Começou a lacração, ele aceitava homens e mulheres, teoricamente, na mesma coisa. E eles faziam isso porque eles queriam fazer uma sátira desses clubes de cavaleiros que existiam e que não deixavam mulheres entrar e tal.

E daí eles começam a dizer que o presidente do clube, porque eles queriam fazer uma sátira da religião e também da moralidade da época, e eles vão dizer que é o próprio demônio, que é o presidente do clube, que todos eles são demoninhos. Todos eles são demoninhos. E eles faziam, então, muito do...

eles faziam muita coisa satírica mesmo. Então eles faziam missas ao contrário, faziam comidas do tipo, ah, vou comer uma torta do Santo Espírito, umas coisas assim. E eles faziam também muito encontro na casa das pessoas, porque às vezes as mulheres não podiam ir para a taverna. Aí eles se encontravam nas casas, porque daí todo mundo podia ir.

E, claro, também tinha uma coisa de todo mundo se fantasiava, tem teorias de que a galera se fantasiava de personagens bíblicos pra ir pro clube, pros dias de encontro do clube. E, claro que...

É, muito bom. E claro que os inimigos políticos desse cara vão falar que, na verdade, eles estavam praticando impiedades horripilantes nesse clube e que vão falar no parlamento dizendo que ele vai precisar fechar o clube e tal. O clube dele dura bem pouco, a prova que tenha durado só até 1722, então a gente está falando aqui uns 3, 4 anos só de rolê.

E, eventualmente, ele vai virar da maçonaria. Olha aí, tá tudo conectado. Claro. Mas é importante entender também que a maçonaria... Eu já tô vendo. É coisa dessa vida rica. Andrei, eu já tô vendo alguém comentando assim nesse podcast.

Ficaram três horas falando que o demônio não existe e acabaram comprovando que ele existe. Ah, se eu for falar isso, dizendo que daí a pessoa não prestou atenção, né? Que a gente tá aqui dizendo que o pessoal não acreditava do demônio e nem... Eles só não acreditavam também em Deus. E daí, por isso, eles faziam sátiras, né?

E daí o outro clube que é muito famoso é do Francis Dashwood, que era o Earl de Sandwich. Ou seja, o cara do lugar que inventou o sanduíche, gente. E essa é, obviamente, a coisa mais importante que veio daquela região. E até onde a gente sabe, é o clube dele que vai começar a usar a coisa Faça o que Tu Queres.

né, é faça que tu voudras, enfim ele que começa isso e isso vai que teoricamente é associado com Rabelais e daí isso depois o Alessandro Krolli vai usar também e vai até o Lavey, né, o Lavey é totalmente libertário uma ideologia libertária, né

Só pra acrescentar uma parada nessa fala da Tupá, quem tiver um tempo, dá uma olhada num retrato, porque assim, o Dashwood, o nome dele é Francis Dashwood, ele brincava que ele tinha uma ordem religiosa baseada no São Francisco de Assis. Tem uma ilustração, eu acho que na Wikipédia tem essa imagem, vocês podem procurar.

Vai estar na Wikipedia, eu acho, esse quadro, que é ele de... Cara, de Francisco de Assis, que é muito legal. Aí ele de Frade, tipo assim, ele tá olhando pra um livro, o livro é um livro pornográfico, tem uma mulher pelada, tem coisa de ouro, é uma perversão, assim, meio que copiando o estilo de pintura do Renascimento. Então é muito da hora também essa ilustração, pra você ver que os caras tinham tempo, mano. Os caras tinham tempo, nada é sagrado, tá ligado? E é isso aí.

Ele falava que eles eram da Ordem dos Frades de São Francisco de Whitcomb. Porque era justamente como ele era Francis e fazia referência. Dele a gente sabe um pouco mais das coisas. A gente sabe inclusive o nome do pub que eles se encontravam. E o clube dele dura um bom tempo. Fica uns 16 anos pelo menos. Tem um monte de gente conhecida.

E esse cara era conhecido por fazer as paradas, assim, do tipo, uma vez ele foi numa coisa oficial da corte, vestido como, em São Petersburgo, vestido como se ele fosse o rei da Suécia, que era inimigo dos russos na época, assim. E por que ele fez isso? Porque ele era rico e não ligava para as consequências, né? Excêntrico, excêntrico.

excêntrico, era isso. Se ele fosse pobre, rodava, né? Total, total.

Então, assim, o clube dele vai durar um bom tempo, assim, e depois, o clube dele dura possivelmente até 1766, aí depois do século XIX a gente vai ter uns revivals, até onde a gente sabe é possível que eles ficassem fazendo paródias de músicas da igreja, cantando com coisas obscenas, ele fazia uma mistura de absolutamente tudo e colocava, ele era rico, né gente, então ele tinha um jardinzão.

Onde ele colocava deusas, tipo Daphne, Flora, Priapu, Vênus, Dionísio. Ele ia misturando absolutamente tudo que ele encontrava, assim. E daí você tem vários outros momentos da história que você vai ter outras galeras tentando coisar. Inclusive, recentemente, no Bagulhos e Sinistros, né? No Stranger Things, eles fizeram uma referência. Hum, Firefly Club, perfeito.

Hellfire Club, exatamente. É uma referência a essa tradição aqui. Que vai ser importante também pra... E daí é o tipo de coisa que alimenta a conspiração, né? Porque é exatamente o que o Andrei tava falando também. Mas existiu um clube que se chamava o Clube do Fogo do Inferno.

Existiu. Ah, então eles adoravam o demônio. Não porque eles não levavam isso a sério o suficiente, né? Então, ah, mas eles eram ricos e daí você vai alimentando essa coisa. E era muito mais um encontro de artistas fazendo...

coisas do tipo, sei lá, dando... Depois ele vai dar um presente pro rei com um desenho da amante do rei em público, pra todo mundo ver. Ele ficava fazendo essas coisas, gente. E eu acho que é interessante também colocar que eram figuras também progressistas.

pro que o limite do tempo deles permitia, provavelmente. Então, porra, eram clubes que aceitavam mulheres, tinham discussões políticas pra além da igreja, né? O que já mostra também um pouco como isso não mudou muito, né? Qualquer coisa mais pra frentex, né? Alguma coisa, sei lá, mulheres podem votar, a mulher pode descritar. Tu vê que propriedade da mulher é uma coisa importante, né? O problema é a mulher. É um problema grande, né? Pra essa galera, né?

E aí você vai confundir isso com, ah, está praticando satanismo, né? Contra a vontade de Deus, né? Isso tudo vai se misturar nesse caldeirão de reacionarismo, né?

Sim. E é bem isso, assim, né? Essa coisa desses clubes, eles eram clubes de debate político. É muito mais provável que era divertido, mas que era muito menos divertido do que a nossa imaginação fala. E boa parte do tempo eles estavam filosofando com os brothers, assim, tipo...

Nesse caso, com homens e mulheres, todo mundo sentado bebendo vinho e teorizando sobre a vida do que qualquer outra coisa. Sim. Tupá, e aquilo que eu comento, boas conspirações, elas se inspiram em coisas que aconteceram. É aquela mistura de 20% real, 80% maluquice, 40% real, 60% maluquice. Porque quando a pessoa vai pesquisar por alto...

ela vem encontrar referência. Ela, caraca, se isso aqui é verdade, o restante também deve ser. Então, se a pessoa for pesquisar alguma coisa, alguma palavra, algum termo, algum momento, ela vai achar aquilo ali. E ela não vai a fundo. Ela vai ler um artigo, vai ler um parágrafo e vai falar assim, então isso existiu, porque tem na internet. Eu li no livro, eu peguei a referência. E aí, daí pra frente, é só pra trás.

Perfeito, perfeito, né? E aí você vai ter essas pessoas muito inteligentes que vai notar isso, que dá pra ganhar uma boa grana dessa galera e vai colocar a lenha nessa fogueira, né? Tem uns caras aí que vão em podcast que são líderes em fazer isso, né? Pegam 90% da história de fato e das coisas que acontecem, mas deixa aqueles 10% pra não. Mas e se a gente for pra esse caminho, né?

E, enfim, também, né, é aquilo, né? Todo dia sai de casa um otário, né? E tem mais um ponto também, Andrei, que eu acho que era legal lembrar, que, assim...

O mundo era um pouco menor também, algum tempo atrás. Você tinha um pouco menos de seres humanos, você tinha um pouco menos de pessoas com acesso, você tinha bem menos pessoas com acesso à leitura, você tinha bem menos realização. Porque eu acho que uma coisa que muitas vezes acontece também, é a galera perceber algumas ligações que elas são muito curiosas, mas elas também não necessariamente são improváveis. Vou dar um exemplo, você tinha falado sobre Goetia, agora há pouco.

O Caraguete é um livro Que pra quem não conhece ele Chamado de A Chave Menor de Salomão Onde você teria 72 demônios descritos E uma das coisas mais loucas dele É que ele copila uma série de paradas E é base diversa Desses satanismos que a gente tem hoje Todos eles vão referir a esse material

E aí muitas vezes você pega um material e tem alguns nomes que estão associados à Goetia que são nomes que você vai ver em outros locais associados a outras coisas. Tipo, você vai ver o McGregor Mother, você vai ver o Crawley associado a isso, que são pessoas associadas à Golden Dawn. E aí você pesquisa um pouco mais sei lá, de Wicca, você vai ver novamente o nome do Crawley ligado à Wicca em determinado momento.

E aí você pesquisa alguma outra parada lá de esoterismo, e você vai ver o nome do McGregor Mathers. Então você fala, nossa, todo mundo, essa sociedade secreta, esse grupo. Não, cara, é porque eram os mesmos cinco caras que tinham dinheiro pra publicar livro, que tinham acesso aos lugares, tá ligado? Que conheciam os contatos. Então eram os mesmos grupos que estavam ali também. Outras pessoas, ah, outras pessoas não estavam fazendo isso?

Tava, mas nem todo mundo escreveu. Mas nem todo mundo foi e escreveram sobre ele. Mas nem todo mundo foi acreditado.

Mas tinham outras pessoas fazendo Mas meio que esses são aqueles que foram documentados Inclusive, pra acrescentar nessa curiosidade Você citou Goethe E você citou Pseudomonarquia, né? O Pseudomonarquia da Emonium Ele é do Weiner Do Johann Weiner Que era discípulo do Agrippa Que é um grande, Cornelius Agrippa É um grande alquimista E aí você fala, caraca, então eles estão todos ligados E tal, tal K

Cara, é porque, novamente, era o cara que era alfabetizado, era o cara que tinha tempo pra escrever, né? E se ele escreveu dois ou três livros e esse livro só ficou guardado, já virou um livro centenário, tá ligado? Então você tem algumas coisas assim que, às vezes, são só uma sucessão de acasos muito curiosos que acabam funcionando. Mas pra colar com o que o meu colega aqui está falando, com o que o meu amigo Andrei disse, às vezes não. Às vezes é mesmo uma sociedade secreta.

Para imitar a galera do podcast. Às vezes é mesmo uma galera... Se você se tornar apoiador do Mundo Freak, você vai saber de toda essa verdade. Que acesso. Não, então. E a gente também citou uma outra parada aqui, que foi bafomé, né?

E é importante a gente salientar que a gente teve o primeiro pânico satânico da história, talvez a gente possa falar da perseguição dos templários, né? A gente está falando aí do século século XIII ou século XIV, que a gente vai ter o rei bonitão lá, o rei Luiz, não sei das quantas.

que ele vai perseguir os templários e durante as torturas, o que é dito, o que está ali nas súmulas, enfim, nos testemunhos, é que mediante tortura os templários que viviam na Idade Média, porque eles faziam esse translado da Europa para as cruzadas e tal.

falavam de um tal de Baphomet, e é aí que, pela primeira vez, a gente escuta a palavra desse demônio chamado Baphomet, que Baphomet seria um demônio cultuado pelos templários. E alguns historiadores e linguistas vão atribuir, na verdade, a uma corruptela da palavra maomé. O francês teria entendido errado a palavra maomé.

que seria cultuado pelos templários que moravam lá, o que é super comum, falando de um processo histórico de 200, 300 anos, a galera ia para lá morar, criava descendentes, é óbvio que eles assimilavam alguma coisa cultural, talvez até se tornaram praticantes do Maomé, porque era tudo a mesma coisa, os textos sagrados, etc. A historiadora rindo da afirmação absurda. Vai!

continua Andrei está numa sala escura, cuidado e olha que interessante Baphomet vai ser um desses grandes demônios de teoria da conspiração que vai ser assimilado pelos esotéricos como uma entidade real que na verdade é uma grande iconografia

do mundo material, enfim, que ali pode ficar melhor. Pra acrescentar o caminho novamente, ó. Então, o nome surge com os Cavaleiros Templários, né, a ideia do nome com uma coputela. Vai ser ressuscitada a figura dele ali e vai dar a imagem clássica e andrógina pelo Eliphas Levy. Vai ser comentado o material do Levy, vai ser traduzido pelo Edward White, que era parte da Golden Dawn na Inglaterra.

O Taxil vai utilizar o Baphomet falando que ele tá associado aos maçons na França. O Crowley, que tem ligação tanto com a maçonaria ou com a galera francesa, quanto com a galera inglesa, vai incorporar a Telema como um símbolo divino e por aí vai.

O Lavey vai ressuscitar a figura e o que ele sabe do Crowley pra poder colocar como símbolo oficial da igreja de Satan dele. E, depois disso, inspirado nele, a galera do templo satânico, que a gente deve falar sobre ele em algum momento aqui, que é uma galera que não acredita... Aliás, fica na dúvida, né? Mas muito provavelmente eles não são teístas, eles não acreditam no Satanás. Boa parte deles não acreditam no Satanás como uma entidade, mas sim pra fazer um ativismo político.

né, vão fazer aquela estátua famosa que tá o Bafomeca a gente quer a crencinha, né dizer que quer colocar em praça pública já que tem Jesus, quanto é canto e olha que louco, de novo mesmos nomes, mesmas pessoas tá ligado, pra você falar que é uma conspiração que tá atravessando séculos e na verdade é tudo um bando de maluco causando você entendeu

É toda a galera pegando esses malucos. O Templário que foi acusado, que falou o nome porque alguém entendeu errado. O Eliphas Leve que ressuscita o nome e cria uma imagem pra falar sobre um conceito que ele tinha. O Crowley que tava de zoeira, o Taxil que tava de zoeira, o Lavey que tá de zoeira e o Tempo Satânico que tá de zoeira. E o resto do mundo olhando pra aquilo e falando assim, ah lá.

Alá. Alá. Alá, satanás. Tá ligado? Então é muito louco isso. Muito louco. Preocupante também. Sim. Eu acho que a gente chega... Eu acho que a gente quer... Falar, Topar, que eu vou puxar pra frente. Não, não. Só ia dizer que o Keller fez um resumo ótimo. Foi muito bom. E agora a gente chega no século XX com a Lista Cláudia. Vocês estão falando isso porque vocês recebem dinheiro.

Por favor, por favor, eu não tenho dinheiro. Por isso que vocês estão fazendo isso. Inclusive nessa do dinheiro... Informação que vocês estão plantando nesse momento. Eu quero depósito de dinheiro na minha conta, inclusive. Estou esperando, gente. Inclusive essa parte do dinheiro, eu preciso comentar uma coisa interessante que foi uma vez, numa conferência, um colega meu que era muito acusado de receber dinheiro do Vaticano. E ele falou, cara...

Como um acadêmico de uma área que tem pouca grana e que tá tentando pós-doc e tal, eu até queria receber dinheiro do Vaticano. Eles não dão dinheiro fácil, senão... Se fosse só pra fazer os trabalhos e apresentar e ganhar dinheiro, seria muito mais fácil nessa vida. Não precisa nem de muito dinheiro pra me corromper. Uns 5 milhão, já tô vendido já, gente. Não precisa nem de muita coisa não. 5 milhões? Tá vendendo o cara, hein?

Eu moro em Bel forrocho. Bel forrocho. 500 mil já tá ótimo, né, Rafael? Já tá... Nossa. Tá, e aí a gente chega... A gente chega então aqui no Alistair Crowley no século XX. Quem é Alistair Crowley? Se você colocar satanista no Google, é capaz que ele apareça. Porque durante o século XX ele ficou conhecido como o maior satanista do mundo, né, Rafael?

O vídeo... Cara, isso é das antigas. Um vídeo que eu vi, acho que foi o primeiro vídeo que eu vi falar de Crowley na minha vida. Deveria ter, sei lá, uns 20 anos. Isso já tem uns 20 anos. Foi lá o homem mais maligno do mundo. E aquela foto dele fazendo assim, ó. Põe nessa posição assim, com o chapéu redondo. O maior cara de otário, né? É. O homem mais maligno do mundo. Caraca, tu vi aquele vídeo ali, tu saia como caralho, meu irmão! SANTO NEMO!

E os Beatles cultuavam ele, né? Aí mostra a capa do Sgt. Peters. É, esse vídeo aí, pra quem é das antigas, vai lembrar.

Cara, o Crowley, ele é uma daquelas coisas que encaixa tudo que o Keller falou há cinco minutos atrás. Ele é aquele cara que adorava uma sacanagem, em todos os sentidos que essa palavra permite de flexibilidade. A questão toda é que ele nasce como essa pessoa de posses, um dã de inglês, que ele recebe da família uma educação extremamente rígida e religiosa. E como eu sempre falo, isso é a fórmula perfeita para tu criar um satanista, ou pelo menos alguém que fala muito mal da religião.

Mas a ideia geral é que ele vai começar a se enveredar por essas questões de ocultismo, principalmente porque toda essa galera, ou artista, ou muito rica, eles tinham acesso a grupos, né? Maçonaria, às vezes grupos esotéricos. E o que estava acontecendo era Golden Dawn, que Keller também citou. O que é Golden Dawn? A gente tem episódios sobre Golden Dawn aí no podcast, só procurar no canal. Temos episódios, inclusive, sobre templários, temos dois episódios. A gente tem...

Cara, tudo que a gente tá falando daqui a gente já falou antes em algum momento, né? Mas a ideia geral é que a gente vai ter na Golden Dawn, né? Como esse epicentro da cultura da magia ocidental, né? São eles que vão querer fazer essas correlações de tarot com Kabbalah, com astrologia e essas coisas. Eles tinham tempo, dinheiro e acesso ao mundo todo por causa do Império Britânico, tá ligado? Então, olha só.

E a Lister Crowley, ele fez parte, e como a Lister Crowley, tudo que ele toca, acaba dando questões, né? O Golden Dawn acaba logo depois, né? Mas a questão toda é que depois ele vai criar, né? Vai ser responsável por profetizar para alguns, criar por outros, né? As leis de Telemann, né? E etc, etc. Mas a grande questão é que durante o século XX, ele adorava sacanear o conservadorismo inglês.

da época. E ele era um excelente marqueteiro. Então ele, por exemplo, ele falava que ele tinha como prática o sacrifício de crianças. Só que o sacrifício de... Isso saia nos jornais, tá, gente? Não tinha rede social, mas essa porra toda saia nos jornais. E aí o que que acontece? Ele... Quando ele falava sobre isso, na verdade, ele falava que era, na verdade, o ato de masturbação.

que ele estava matando milhares de crianças durante aquele processo, né? Então, ele gostava de se colocar nessa pecha, né? Tanto que quando ele morre, né? Ou pelo menos, né? Ele não morre na primeira vez. Ele finge que morreu. Ele manda uma fake news. Ah, é, tem isso, né? Os jornais, eles falam, né? Que morreu a pessoa mais perversa do mundo. Com a participação do Fernando Pessoa. Nunca se esquece. É, exatamente. A pessoa participou desse episódio.

O Fernando Pessoa que perdeu a oportunidade de ter um Fernando Cachorro pra ele. Exatamente. O grande astrólogo aí, Fernando Pessoa. A amizade dele começou porque Fernando Pessoa fez uma crítica a uma leitura de jornal. Ele corrigiu o mapa, um bagulho astral que o Crowley fez igual a bunda. Fernando Pessoa falou nananana.

E também ele era conhecido como a besta porque era o apelido que a mãe dele dava, mas tipo, sabe o que? Mãe, fala, ô, satanás, sai daí, né? Era o que a mãe dele chamava. Era literalmente isso, gente. E ele assumiu pra ele essa...

essa alcunha da besta 666. Então ele gostava desse marketing em cima dele. E é claro que dá pra falar que, se você considera o cultismo satanismo, magia satanismo, você talvez consiga encaixar dessa maneira mais ampla. Mas ele não era um cara que cultuava satã. Ele não era um cara que cultuava o demônio ou que sacrificava...

crianças, até onde a gente sabe, talvez indianos, ele tem um caso de homicídio aí, mas não sei qual o contexto aí, foi crime, eu acho, não foi religioso a prática. Mas daí não era por ser satanista, era por ser inglês na época imperial. Exatamente, exatamente.

Mas é importante a gente chegar nele, porque toda vez que a gente vai falar sobre satanismo, ou ocultismo, etc, ele vai ser uma base muito fundamental da maneira como as pessoas encaram o que são essas coisas e da maneira como você pratica essas coisas. Isso é muito engraçado como ele é esse eixo.

no século XX do ocultismo, que vai nascer um monte de coisa através dele, Magia do Caos, Telema, cara, tanta coisa, os Beatles vão resgatar e por aí vai, mais pra frente vai ter um monte de gente que vai falar muito sobre o assunto e tal, mas é esse cara que não dá pra gente não citar num episódio de satanismo, mesmo não dando pra considerar ele um satanista. Uma outra parada que tem um livro muito legal do Alistair Crowley chamado Confissões, né?

que logo no começo os editores dele escrevem o seguinte, não com a autorização dele, mas os editores escrevem logo no começo que ele jamais participou de sabás, não era um bruxo, no quesito como é chamado de bruxaria, as missas que ele fazia não eram as missas negras, satânicas, que foram popularizadas por causa do textil e de outra galera no passado da Europa, e o que ele fazia era mais uma...

Uma paródia, um psicodrama, tá ligado? Mais do que qualquer coisa, seria uma parada mais nesse sentido. E ele invocava forças, mas na ideia de uma paródia, não uma parada da missa católica, como era a ideia da missa negra, uma contramissa, né? Isso é da hora de levantar também. E tem um outro canto que eu acho que é importante.

que é uma das pessoas que vai ajudar pra ficar a fama do Crowley, ficar uma coisa tão pesada, vai ser um maluco chamado Somerset Mugger, que ele é um escritor, muito famoso, assim, na Inglaterra, e ele tem um livro chamado O Magista, não lembro se é The Magician, em inglês, que tem um personagem principal chamado Oliver Haddo, que é um escrotíssimo ser humano, assim, né, um cara terrível, e é um... um...

Faz sentido. É, é. O Crowley é um ser humano um pouco complexo, né? Sim, sim, sim, sim. O Crowley não era o cara que falava faça tudo é da lei? Quando o cara faz uma paródia sobre ele, ele quer processar? É... É... Tô dizendo. Eu conheço liberal assim até hoje em dia. Pode fazer tudo. Como fala mal, eu vou processar. Entendi. Tá aí hipocrisia.

Tá aí, tá aí. Cara, e o... Agora você tá voltando. Tá voltando. Venha para a luz, Marcos Casar. Venha, venha, venha, venha, venha. Então vamos lá. Crowley morre ali mais ou menos pra segunda metade do século XX, né? Deixando aí esse espólio esotérico, místico, de fama, enfim, em vários sentidos. E nós vamos ter o quê nos Estados Unidos?

A contracultura. O que é contracultura? A gente tem um cenário pós-guerra, que a gente olha para trás e fala, galera, eu acho que a gente deu uma exagerada. Eu acho que a gente pegou pesado. E vai começar aí um reflexo cultural, porque tem muita gente que teoriza que isso é pendular. Nós temos momentos da sociedade mais conservadora e nós temos momentos da... ...dada...

da cultura mais liberal, por assim dizer, né? Num sentido bem amplo da palavra, né? Mais progressista e tal. E aí você vai ter a contracultura nos Estados Unidos, né? Vocês vão ter os escritores beatniks, você vai ter o movimento hippie, você vai ter o rock, né? Se tornando...

essa coisa dos jovens, né? Esses movimentos antiguerra que vão estar aí. E a gente está falando de uma janela entre a década de 50 e década de 70, que vai culminar no conservadorismo dos anos 80 e pânico satânico, mas a gente vai falar dele já já. Toda vez, André, que eu vejo falando sobre contracultura, sobre o rock ser essa coisa, contracultura, aí você que está me ouvindo agora está pensando calma assim, gente, mas tem tanto conservador, tem tanto roqueiro conservador hoje em dia no Brasil, é, né?

É porque é pendular. Nem todo mundo entendeu, né, gente? Mas... Então... Eu acho que uma coisa que é interessante também de entender nesse processo de contracultura, e que vai ser fundamental para o pânico satânico, é entender que para muita gente que achava que os valores da família e de Deus e etc...

que estavam sendo ameaçados nesse período. Então você tem muita gente procurando o que seriam os grandes causadores, qualquer coincidência, não é coincidência, mas o que seriam os causadores da cultura, oi?

Mas então você teria as pessoas, muita gente buscando, o que seriam os grandes pessoas terríveis causadores do mal, causadores dessa cultura, da sociedade estar dando errado. E a gente tem aqui um outro fator que é importante, que é a guerra do Vietnã.

E a volta dos veteranos de guerra do Vietnã para os Estados Unidos, que assim como em todas as guerras, quando você pega os soldados veteranos e tenta colocá-los de volta na sociedade, 100% das vezes dá errado.

Por motivos de as pessoas tão traumatizadas e existem vários estudos demonstrando que matar seres humanos é ruim pra cabeça de seres humanos. Então, essas pessoas vão ficar muito desajustadas nessa sociedade. É tanto que hoje em dia você tem várias associações nos Estados Unidos de veteranos.

justamente pra cuidar dessa área. Isso é um problema social real nos Estados Unidos, né? A galera volta bitoladaça da guerra. O próprio... O Rambo, né? O primeiro Rambo, o livro, né? Fala sobre isso, né? O Rambo é um veterano da guerra que não se encaixa e ele pira, né? Tanto que aí você tem os policiais e militares indo atrás... O Rambo é o vilão no primeiro filme, né? Aí depois ele vai virar esse herói, etc. Olha como é que as coisas são. Interessante, né?

Tem números oficiais, só pra gente não se aprofundar, mas pra jogar um dado aqui, que se aproxima a guerra do Iraque, por exemplo, os Estados Unidos participou aí e tal, cerca de 7 mil americanos morreram, porém, em consequências de traumas, coisa de 30 mil tiraram a própria vida depois que voltaram pros Estados Unidos. Olha isso. A retirada da própria vida matou mais do que a arma do inimigo. Então fica aí a referência.

Matou bem mais a idade, né? É, e há uma coisa que, né, assim, a gente... Isso aconteceu em outras guerras também, né? A gente não tá falando só desse, né, do Vietnã, embora, assim, mas a Primeira Guerra Mundial tem essa consequência, a primeira vez que tá numa escala tão industrial esse problema, e a gente vai, então, vai ter um mundo que vai tá muito...

desestruturado, uma crise econômica também, que vai ser importante aqui para a gente entender esse processo, e tudo isso vai se somando, né, eu acho que é interessante a gente lembrar que, quando a gente fala das coisas que acontecem desse jeito, não é porque tinha veteranos de guerra que teve o pânico satânico, não é porque todos esses fatores vão se somando para criar o pânico satânico efetivamente.

Perfeito, perfeito. E aí a gente vai, talvez, encarar, mais recentemente, esse satanismo moderno, se dá pra colocar dessa forma, né? Como sendo esse grande marketing criado por um cara chamado Anton Lavey, em 1966.

Ele raspa a cabeça e declara a fundação da igreja de Satã em São Francisco. E a gente tem que entender quem é esse cara. Esse cara é um artista circense, muito bom de marketing, e ele tem uma história maravilhosa, né? Ele falava que ele tocava piano na igreja aos domingos, só que no sábado, no dia anterior, ele via os mesmos caras que frequentavam a igreja domingo de manhã, no sábado estava lá no puteiro, e ele tocava o piano tanto no puteiro quanto...

Como ele ficou indignado com isso, segundo ele, ele cria essa igreja de satã como uma espécie de comentário político, do tipo já que você pode criar uma igreja e tudo vale, então eu vou criar aqui uma igreja de satã, que aliás, se você pegar, por exemplo, os mandamentos dessa igreja de satã do Antônio Lavei, você provavelmente vai concordar com muita coisa do que tem ali. Sobre respeito, sobre liberdades individuais, sobre várias dessas coisas, né?

Claro que também vai seguir por um caminho, às vezes, meio esquisito, meio anarco-capitalista também, mas...

A ideia geral é que a Igreja de Satã não é uma igreja de rituais. Ela, na verdade, é uma grande paródia da Igreja Católica, em que Anton LaVey é uma espécie de Papa. E é claro que nesse caldeirão cultural e de contracultura, e de polêmicas, e de conservadorismo, e de disputa de narrativa...

você vai, o Anto Laverne vai ser um cara que vai atrair muitos jovens, vai atrair muito ateu, né? É uma igreja de ateus, né? O ateísmo não como uma forma de cultuar satã, porque aqui ele enxerga o satã como, na verdade, como uma figura simbólica de liberdade. Do tipo, a igreja vai te castrar. Aqui você pode ser quem você é de verdade, né? Como eu falei, não existe qualquer tipo de ritualística, misticismo. Muitas, vão ter, claro, outras escolas que vão se basear no Laverne, e aí sim vai usar alguma coisa mista.

mas no geral o Anton LaVey ele é um grande ateuzão que vai fazer esse comentário, mas que vai criar essa caricatura, né, do satanista de capa preta, né, com bigodinho, com cavanhaque, né, com aquele olhar misterioso, é bem isso, né

Perfeito, perfeito. É isso mesmo. E é importante fazer uma distinção, espero que vocês estejam me ouvindo bem, que eu acho que você estava dando uma falhada. Sim, você estava indo e voltando. É importante só fazer uma distinção, que tem muita gente que pensa ainda o rolê do LaVey como uma coisa teúrgica, no sentido de acreditar mesmo que existe uma divindade satanás e por aí vai.

E na real, não é isso, viu? O que ele fez foi essa grande paródia, e ele descobriu que essa paródia dava dinheiro, entende? E aí o que ele faz? Ele começa a retirar dinheiro pra construir o tempo, pra fazer as coisas dele nesse sentido. Quem vai fazer uma parada teúrgica vai ser a filha dele, né? A Zina Lavey, que depois vai romper com o pai, dizendo que tudo aquilo é um grande culto à personalidade, por aí vai, e ela deixa de ser porta-voz da igreja, mais ou menos ali em 1990.

se eu não me engano, que ela larga essa parada, e aí quando ela rompe, ela monta o templo de Sete, que aí sim ela tá querendo fazer uma espécie de satanismo, que acredita numa entidade satã, só que não é satã, né? Ela chama de Sete, e aí ela começa a construir uma série de coisas, pensa nisso e faz toda uma religião New Age misturada com budismo tibetano e tantra.

pra fazer o rolê dela. Então, só pra lembrar que é esse Temple of Set, que é o Templo de Set, que vai ter uma crença numa divindade que não seria nem um mal, né? Não é exatamente o mal satã. Por isso chama Set. Templo de Set, que é o deus egípcio. E também não é uma religião egípcia, tá, gente? Não é porque o cara tá usando o Set lá que ele tá respeitando a mitologia egípcia, né? No caso da Zina. Mas a igreja de satã, a igreja do Lavei...

ela era exatamente esse grande esse grande rompimento essa brincadeira com o cristianismo no geral que vai ser a inspiração, que a gente vai falar depois pro templo de satã perfeito essa imagem que o André falou, que o Olavê vai trazer lembra muito pra quem conhece do Jolê também, o Toninho

O grande Toninho do Diabo americano. Exatamente. Cada geração tem o seu, cada país tem o que merece. Olha aí. E uma coisa que eu acho que é interessante também de pensar nesse grande caldeirão do pânico satânico dos anos 80, né?

é que a gente tem um outro elemento tecnológico que vai ser muito importante para o Pânico Satânico, que é o videocassete. Fazer uma propaganda rápida, eu tenho um vídeo só sobre isso lá no meu podcast, vídeo barra áudio, enfim, que é justamente essa ideia de que, a partir do momento em que as pessoas podem começar a rever os filmes em casa, e a gente está falando final dos anos 70, anos 80, um filme que antes, para os jovens,

Até pra mim, eu cresci num mundo em que existiam locadoras de vídeo, então eu podia alugar um vídeo e assistir ele várias vezes. Mas antes dos anos 80, nem isso era possível. As pessoas, se você quisesse rever um filme, você tinha que esperar que ele passasse de novo no cinema.

E, eventualmente, com a TV a cabo, você começa a ter também, né, a TV por assinatura, você começa a ter essa possibilidade de ver filmes também. Enfim, mas isso vai alimentar muito a imaginação das pessoas do que seria esse satanismo mítico, e daí junta com toda essa galera de plaveio, se aproveitando disso também e tal.

E um outro fator muito importante são os documentários que vão ser feitos pelos programas, os canais de TV mesmo, porque eles vão utilizar trechos de filme como exemplo do que seriam os rituais. E isso vai criar uma bagunça enorme na cabeça das pessoas, porque o que é filme e o que é realidade. Então, a gente diz, ah, não, mas eu vi um documentário na TV que mostrava que o ritual é assim. E daí, na verdade, era um filme.

Vai ser o grande momento em que você vai ter aquelas grandes TVs de... Aqueles grandes canais de notícia, né? Que precisavam arrumar tema pra ficar passando 24 horas por dia. Essas CNNs da vida, né? Ao vivo, etc. Persecção de casa. Não, pior que pior que... Também, né? Mas pensa assim, né? Você precisa também dar notícia pra estar alimentando também esse ciclo. Então, olha só. Você tem grandes filmes de cinema, como o Exorcista, que vão voltar pro VHS, né? E vão entrar na cabeça do pessoal, que não teve oportunidade de ir no cinema,

voltando, você vai ter o sensacionalismo da TV a cabo, com esses documentários e as notícias, você vai ter uma galera muito assustada, principalmente década de 60, começa a pegar essas religiões asiáticas, né, muito do budismo, né, começa a aparecer um monte dessa coisa, os americanos, tudo pirando porque voltou da guerra, então assim, cara, tem alguma coisa de errado acontecendo nos Estados Unidos, os Estados Unidos estão saindo do controle. Então, quando eu vejo...

no Blue Sky, no Instagram, seja lá onde for, no YouTube que tu esteja assistindo, o pessoal fala, ah, o menino do jornalismo morreu, ah, não sei o que, não sei o que lá. Gente, hoje pode estar mais descarado porque a gente está mais exposto, mas nessas épocas...

viaja pra época que você quiser. O jornalismo via o que tava grande no boca a boca, nas notícias, e reproduzia, pesava a mão em muitas questões. Então, se o satanismo valia atenção, se o Lavey, se o Crowley tinha notícia, cometeram um crime ao jornalista.

Se eu botar aqui a coisa do demônio na capa, isso vai vender que é uma maravilha. Então essas reações jornalísticas de acusar o crime, uma ação, o mistério de ser pacto, de ser bruxaria, de ser satanismo, isso vende hoje e vende na época. Então isso não era só uma característica jornalística atual por causa do clique.

Antes ainda vem... Então, assim, é muito natural, não é correto, nunca foi. Mas isso aí é uma reação do seu momento da notícia. Ele dá a notícia e escreve sobre. E aí se inventa, o jornalista pesa a mão. E aí, por sua vez, contamina a polícia, contamina os investigadores. Os investigadores vão investigar nessa direção também e pronto. Aí o crime já se torna uma maluquice. É, porque os investigadores são cristãos, né? Um deles tem uma... Na época não tinha uma...

uma pesquisa muito avançada nas áreas das ciências, você vai ter o nascimento da ciência forense, etc, e você vai ter, por exemplo, a gente está pensando, toda vez que a gente pensa em ciência forense, a gente pensa lá, se açaí, que é aquelas coisas super incríveis, mas tem que lembrar que esses são grupos muito selecionados e de elite, que não vai ser o cara que provavelmente é o delegado capial do interior dos Estados Unidos, lá do Michigan, que vai pegar um monte de policial crente,

que vai atrás de um monte de gente que cultuava coisas alternativas, jogava RPG e coisas nesse sentido, e aí você vai criar essas construções de narrativa para você perseguir pessoas diversas. Para não deixar também fazer uma pequena citação aqui, você tem um livro que foi muito sucesso na época, na década de 80, chamada Michelle Remembers, Michelle se lembra, que era um psicanalista que ele fazia sessões de hipnose.

que a ideia geral é que ela pegava uma pessoa, a Michelle aqui, no caso, e ele vai fazer essa tal da terapia de recuperação de memória e que ela vai começar a descrever abusos de rituais satânicos que contribuem ainda mais, porque se eu não me engano, inclusive isso vira filme, vira documentário, etc.

Então você vai começar, inclusive, a estabelecer o mito geral de como essas coisas funcionam. Então você vai ter grupos de poderosos, organizações extremamente sistematizadas de abuso, envolvendo pessoas de autoridade na política, professores, cientistas, artistas que vão estar participando disso e secretamente vão estar pegando crianças e pegando adolescentes e virgens e vão sacrificar em rituais e vão cometer canibalismo e vão ter aqueles hobbies sinistros. Obrigado.

baseados em sociedades esotéricas, por exemplo. Então, aqui nos anos 70 e 80, é onde a gente vai criar essa capa do que é esse satanismo moderno, influenciado por esse caldeirão cultural. Acho que é mais ou menos isso. Sim. E é bem interessante, porque eu já imagino alguém comentando. Muito bom que a gente passou o episódio todo imaginando os comentários. A pessoa fala, é isso que eu estou comentando.

Mas tem muita gente que vai dizer, tipo, olha, então vocês estão provando que existia, porque olha aí o que vocês estão falando, tem esse livro, tem não sei o quê, tem... O fato é que já foi reconhecido mais de uma vez que a gente chama de pânico satânico porque a gente sabe que não aconteceu.

Tiveram investigações muito extensivas e inclusive um treinamento depois foi desenvolvido. Existe uma cartilha do FBI desenvolvida para treinar os policiais para eles saberem reconhecer o que seria uma questão de pânico satânico. A gente sabe hoje em dia também que memórias podem ser implantadas.

Ah, não, não estou falando de ficção científica, estou falando de, muitas vezes, a gente pensa a memória como uma coisa, como se o nosso cérebro tivesse essa ideia de guardar momentos. E o nosso cérebro não está interessado, até onde as pesquisas mostram, em guardar momentos, ele está muito mais interessado.

muitas vezes em guardar sensações e inventar momentos do passado. Então, tenho certeza que quem está ouvindo aqui já brigou com alguém da família, falando, não, aquele dia aconteceu de tal jeito, não, aconteceu de tal jeito. Porque a memória não funciona desse jeito. Olha que doido, Tupá. Esse livro, assim, é tudo desmentido, tá? As informações desse livro, né? Os promotores usaram o livro como guia para preparar casos contra supostos satanistas.

Você tem o Pazder, que é o autor, ele relatou que estava gastando um terço do seu tempo prestando consultoria em casos de abuso sexual infantil, que tinha muito dinheiro, e você tinha seminários de treinamento por assistentes sociais que a gente estava com o abuso de tal satânico como elemento importante do abuso sexual infantil. Então olha como você atrela o abuso sexual infantil.

ao satanismo como sendo uma coisa às vezes quase indissociável, dependendo. Olha como é que a gente está chegando aqui no Epstein. Dentro dessa narrativa, né?

E isso é muito importante, esse fator aí, a questão do abuso, porque a gente também está falando dos anos 70 e os anos 80 como um momento em que está se começando a falar mais abertamente sobre abuso infantil. Quando você está se falando mais das teorias e esse tipo de coisa está sendo denunciada com mais veemência, esse tipo de coisa está sendo...

abertamente questionado na mídia e tal. Então isso tudo vai se misturar. E é muito louco porque às vezes a gente pensa tipo, ah não, isso é bom. A gente tem que parar de achar fatos históricos como necessariamente bons ou ruins. Eles têm consequências boas e ruins. Então é ótimo que a gente esteja falando mais abertamente sobre essas questões difíceis. A gente constrói o que a gente hoje, né?

Sim, mas a gente tem que ter muito cuidado em achar que isso só vai trazer coisas boas para o mundo. E não, isso vai trazer... Inclusive, eu diria que é uma forma de abuso também você fazer uma criança lembrar uma coisa que não aconteceu com ela e colocar ela num tribunal para falar sobre esse fato. Então, você tem um imaginário que vai ser misturado e a gente... K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K

Ah, mas nos abstent... Cara, calma. Porque normalmente, justamente quando a gente... O Ivan fala muito disso também. Quando a gente começa a misturar muito e colocar uma justificativa religiosa de um culto ou de uma seita religiosa, a gente está perdendo de verdade os verdadeiros criminosos que estão lá por trás, que estão usando essa fachada para distrair todo mundo enquanto eles estão cometendo os crimes reais ali do lado.

Não à toa, é. Quantos satanistas abusaram de crianças nos últimos anos e quantos pastores denunciando o satanismo abusaram de crianças nos últimos anos, né? E obviamente que isso não é uma generalização, né, pra todos os evangélicos, pelo contrário, né? Se todo cristão fosse maluco, não existia mais país, não existia mais um terço do planeta, né? Mas a gente vê como isso sendo um padrão, né? A pessoa que acusa, geralmente, tem alguma coisa pra esconder aí dentro desse processo aí, né? Não é incomum.

quantos satanistas a gente conhece que praticou homicídio né, tipo tem processado, denunciado, etc condenado diga Kelly pronto pra sentir a energia de Nescau? então entre no jogo com Ana Castelli e Pedro Sampaio o maior feat do ano se preparar igual eu nunca vi você vai gostar mais que como brasileiro chama a galera e dá o play que eu quero ver você jogar

E se prepara que esse hit não vai sair da sua cabeça. Vem, que é agora ou nunca. Nescau. Energia que dá jogo. Quer dizer alguma coisa, Keller?

Eu vou, Andrei, eu só tô te ouvindo, tá? Eu não tô conseguindo ouvir direito minha topana e o jacaúna, então se eu cortar eles, me perdoa. Prometo que eu vou fazer aqui um diretão. Só pra colaborar com algumas questões, né? Que é pra gente não achar também...

que o fruto do acaso que a gente estava conversando desde o começo, ele sempre é uma questão que vai colaborar pra construção disso tudo. Mas quando a gente chega nos Estados Unidos, a gente não pode esquecer que também tem uma galera, como foi muito bem falado aqui pelos meus colegas de mesa, que tá enfrentando um país que tá em frangalhos por diversos motivos, por causa da galera do Vietnã, por causa...

da Guerra Fria, por causa de uma série de questões, por causa da perseguição aos fantasmas do comunismo dentro do país, e a teologia da prosperidade, perdão, a teologia da libertação na América Latina, fazendo sucesso. Então, é importante entender também...

que o pensamento teológico, e aqui eu estou puxando para as igrejas fundamentalistas cristãs, que você vai ter muito forte nos Estados Unidos e também na Inglaterra, mais ou menos nesse período, como essa galera desenvolve uma espécie de tecnologia para poder lidar com essas questões, para poder criar pensamento, como se fosse think tanks mesmo, criar pensamentos que se opõem ou que ajudam a lidar no mundo político.

Então você vai ter o pânico satânico, que vai falar que está tendo essa perda de valores, esse direito das minorias, essa secularização do mundo, e eles vão criar toda uma teologia de guerra espiritual, que a todo momento está acontecendo uma guerra espiritual, o satanás, o lápis caiu no chão porque o satanás está tentando, por aí vai.

E isso vai procurar inimigos ocultos, mas procurar inimigos ocultos também faz com que você tenha que eleger pessoas de um suposto caráter para proteger criança e a família. Isso também vai acontecer na teologia da prosperidade, onde o inimigo começa a ser a pobreza, a falta de recurso, e vai ter o demônio da pobreza e você tem que apoiar políticas de livre mercado.

Uma ação. A teologia do domínio, que é uma outra questão muito importante, que vai pegar fortemente no Brasil, que é falar que a sociedade está sob controle de uma secularização, que você não tem certeza quem são, são pessoas que não são boas, então você tem que conquistar essas pessoas, o sistema é secular, existe um deep state, o estado profundo que é secular, ele é maligno, por isso você tem que votar em boas pessoas para ocupar posições de poder em todas as esferas.

Então você vai ter isso, você precisa de pastores, padres, outras pessoas dentro do governo que possivelmente, na verdade, era um governo laico. Então só para entender que tem realmente essas reações, existe toda uma tentativa dessa construção.

E normalmente, produtos culturais vão ser utilizados para catalisar, como por exemplo, Michelle Remembers, que o Andrei citou. Tem um outro livro, que é um livro teológico, chamado The Satan Seller, que fala um ex-satanista falando segredos ocultos. Você vai ter um outro, que é o Satan is Alive and Well on Planet Earth.

onde ele vai falar sobre essa guerra espiritual que está acontecendo por trás. Aí você vai ter filmes com o bebê de Rosemary, que se eu não me engano, ele teve participação do LaVey, inclusive, como consultor. E você vai ter diversos elementos. Quadrinhos que vão ser criminalizados nesse meio do caminho também. Você vai ter o Comic Code Authority, que vai criminalizar diversos tipos de quadrinhos. Você vai ter.

Também o Dungeons & Dragons, que vai ser o famoso jogo de RPG que também vai ser um grande vilão juvenil, dizendo que ele vai ser um manual de treinamento satânico induzindo ao mal. Então você tem uma série de coisas ali que são realmente utilizadas como tecnologias de influência social também, por uma sociedade que entendeu essa mecânica.

esse ponto político que a gente já percebeu que tem uma pitada de brincadeira, tem uma pitada de acaso, mas também tem oportunista pra caramba que entende que isso aqui funciona. Ô Andrei, Andrei, beleza? Eu já contei isso num programa há um tempo atrás, mas já entraram na minha casa quando eu tava jogando RPG com meus amigos pra tirar o demônio da gente.

Portão adentro. Os evangélicos, meus vizinhos aqui, entraram com bíblia na mão, uma meia dúzia. E aí minha mãe deu vassourada em todo mundo. Olha o pessoal que eu me mandava com um demônio. Sua mãe é a melhor pessoa. Aí minha mãe, que porra é essa que... Não, seu filho é o demônio. É o RPG. Minha mãe, sai daqui você e deixa os meninos. Enfim, momentos.

Muito bom, parabéns pra sua mãe. Pra explicar mais ou menos o que é pânico satânico e por que esse termo está sendo tão utilizado ultimamente, principalmente por causa do Epstein, né? Pânico satânico são esses movimentos culturais reacionários que você vai criar sensacionalismo através de coisas muito populares, né? É claro que pânico satânico ele é uma...

Ele é um subgrupo do pânico moral. O que é pânico moral? Pô, você vai ver aquele teu pastor falando dos desenhos da Disney. E vai falar, ó, aqui no céu de Rei Leão está escrita a palavra sexo. Por que a Disney teria interesse em fazer esse tipo de coisa? Aí eles vão inventar qualquer história. Mas a ideia geral é capturar você pelo medo. E a gente está lidando, o pânico satânico só pega em uma sociedade que provavelmente está extremamente fragilizada, está num embate cultural tremendo.

com uma falta de identidade, e que precisa, e muitas vezes também em crises econômicas, e precisa de uma espécie de culpado moral pra explicar do porquê que isso acontece, né? E o pânico, e assim, gente, eu poderia até falar um monte de coisa de pânico moral aqui, mas em algum momento vai pegar em você uma coisa que você acredita. Então, pra gente deixar só no resumo da ópera, seria esses movimentos...

culturais conservadores, que vão pegar, por exemplo, a quarta temporada de Stranger Things, cara, isso é muito mal redigido, dirigido e executado, sim, mas tem aquele momento ali do Hell's Fire Club, com a criançada sendo perseguida.

Porque está acontecendo desaparecimento de crianças, uma série de crimes. Quem é que está fazendo isso? Ao invés de você fazer uma pesquisa séria, científica, indo atrás, e é uma pesquisa que tem que ser demorada, com cuidado, você tem as pessoas querendo uma resposta rápida.

para se sentirem mais seguras, para se sentirem melhores, né? E aí, como todo mundo já está sabendo, né? Já está querendo pegar um culpado já que já não gosta, né? Geralmente é o outro. Aí vai pegar um imigrante, ou vai pegar alguém de uma religião diferente, alternativa, ou vai pegar alguém de contracultura, vai pegar o hippie, vai pegar alguém nesse sentido. Um exemplo é o caso dos três de West Memphis, né? De 93.

Cara, que essa história é absurda, né? Que foram, em 1993, né? A gente tem três meninos de oito anos que foram brutalmente assassinados na cidade de West Memphis, no Arkansas. E a polícia, sob essa pressão para resolver o crime, focou em três adolescentes locais. O Damien Eccles, o Jason Belding...

e o Jesse Miss Kelly Jr. E sem evidências físicas que ligavam ele ao crime, a promotoria construiu a promotoria. Quem é a promotoria? É aquela que acusa, né? São os advogados que estão ali acusando. Eu chamo de advogado de ataque. É, tem o advogado de defesa, que é aquele que você contrata para te defender, e a promotoria é o advogado de ataque. Perfeito, né?

Ela construiu, ela desenhou como base em fatos que os adolescentes ouviam heavy metal, como Metallica Slayer, se vestiam de preto e liam livros sobre ocultismo. Então, por causa disso, imagina, uma cidade super de interior tem esses três esquisitinhos, assassinatos, e a polícia vai desenhar esse caso para culpar essas pessoas.

E eles passaram 18 anos na prisão antes de serem libertados em 2011, após novas evidências de DNA apontarem para outra pessoa. E também teve documentários que ofereceram pressão também, como o Paradise Lost, que expunham as falhas grotescas desse caso. Então, por exemplo, inclusive merecia um mundo friki especial esse caso, ele é muito interessante. O Damon...

Eccles, ele é um cara muito conhecido na cena do ocultismo. Ele tem falas ótimas, inclusive, falando sobre como o esoterismo meio que salvou ele da prisão. Foi uma parada que centrou muito a cabeça dele durante todo esse processo, pra ele não pirar ali dentro, né? Ele, inclusive, é um dos entrevistados naquela animação Midnight Gospel, né? Se eu não me engano, o quarto, o quinto episódio, é ele que é entrevistado ali, né? Muito doido. Enfim. E aí, Kelly, a Satã deixou você voltar com tudo?

Você tá conseguindo me ouvir? Sim, sim senhor. É, acho que agora eu consegui chegar, mas a parada tá difícil. Eu ouvi vocês falando aí sobre os três West Memphis, é um caso que ele é bem interessante pra você analisar a situação e é muito triste pra galera, né? E só tem uma coisa que a galera costuma falar, porque tem um determinado momento onde eles reconheceram a culpa, né? Tem um rolê que os caras reconheceram a culpa e tal.

Estados Unidos tem um rolê que se você assume a culpa, você diminui pena, dependendo da situação e tal.

Então só porque, não necessariamente porque ele foi preso e assumiu a culpa, ele é o culpado. Às vezes ele só fez isso pra reduzir de 75 anos pra 20 na prisão, sabe? Pode ser alguma coisa mais nesse sentido também. É importante pontuar, porque às vezes eu vejo uma galera utilizando esse argumento, achando que é como é aqui, né, a parte judicial, e não é exatamente assim.

Perfeito, perfeito. A gente vai ter aqui no Brasil, por exemplo, um caso clássico de pânico satânico, o caso das bruxas de Guaratuba, que foi desvendado graças ao Ivan Bisonzuki pelo caso Evandro, o podcast, que, né, só para... Acho que todo mundo conhece, mas só para a gente resumir bem para quem saiu da caderno agora, em 92 a gente tem o desaparecimento do menino Evandro Ramos Caetano, de 6 anos. Ele desaparece em Guaratuba, no Paraná. Seu corpo é encontrado dias depois, mutilado.

E a investigação rapidamente acusou sete pessoas, a esposa e a filha do prefeito, de terem sequestrado e matado o menino em um ritual de magia negra com umbandistas, né? Olha que absurdo, né? E aí depois você descobre que, na verdade, todas essas pessoas confessaram com base na tortura da polícia militar ali da região, uma conspiração meio bizarra, com gente que não gostava do prefeito, né? Que era de oposição.

E essa história, e até hoje, se bobear, tem processo rolando quase até hoje. Eu lembro que acho que no ano passado, retrasado, ainda estavam tentando reviver esse caso, mesmo depois de todo mundo inocentado. Mas teve gente que morreu na prisão por causa disso. Agora, como é que isso surge? Como é que surge essas pessoas praticando esse satanismo, de repente, na cabeça das pessoas? Você cria esse tipo de problema. E aí eu queria puxar o Keller nesse momento, porque a gente estava conversando durante o Magicando sobre o caso Epstein e tal.

E aí, enfim, ele tava fazendo umas outras pesquisas por lá, a gente gravou bastante sobre isso, né? E eu queria perguntar, Kelly, por que o que o Epstein fazia não é satanismo? E o que... Boa. Pode falar, André. Não, então, é uma pergunta. Por que o que ele fazia não é satanismo? Você estava concluindo. Ah, vocês pararam que você deu isso. É importante falar que as... Vocês ouviram tudo o que a gente falou, hein? ...do caso Epstein, que não é o que você quer ouvir, tá ligado?

E a pessoa pode falar assim, ah, tá defendendo o Epstein. E não, não é isso, tá?

A tua pá tá falando ou cortou pra mim? Não, não, pode falar, pode falar. Ah tá, então beleza. Então tem uma galera que tá defendendo o Epstein. Não cara, não é isso. Ele é cruzado todo o resto lá e por mim, né? Tá entre os seres humanos menos importantes da face da terra no sentido de moral e por aí vai. É um monstro. Porém, tem algumas coisas que é importante você entender. Porque às vezes quando se fala sobre satanismo, falando que o Epstein tava praticando satanismo.

Isso pode ser também um caso de retórico. É importante falar que às vezes você está utilizando como um símbolo. Por exemplo, não teve muito tempo...

O Sergei Lavrov, que é o ministro de relação exterior da Rússia, ele fez uma frase falando assim, olha, o caso Epstein mostra o verdadeiro rosto do Ocidente e desse estado profundo, né, que é além da compreensão e puro satanismo. Não necessariamente ele tá falando que é uma galera que cultua uma figura satânica, mas o que ele tá dizendo é que é uma coisa ruim, é uma coisa maligna, é uma coisa difícil. Só que é usado a palavra satanismo também pra causar uma reação.

E é importante lembrar também que o Epstein também tem uma outra característica, né? Muitas das coisas que estão associadas ao antissemitismo e o fato de os judeus, os semitas, eles estão ligados a uma parada satânica, tal, tal, tal, vai acabar colando no Epstein também, porque ele tem essa ascendência judaica também em alguns pontos. Então é importante você saber separar algumas dessas coisas, né? Então, o que é importante você entender como fato?

Você tem muitos documentos dos arquivos Epstein que vão falar a respeito das transações, dos crimes ou de outras coisas. Mas tem um documento específico que mostra uma solicitação bancária que fala que vai para alguém com o nome de Baal.

E aí você já lê o Baal, você já fala, pô, tá aí, ó, culto descrito na Bíblia, fala do Baal, tem sacrifício de criança, então esse cara que provavelmente tinha essa coisa, você já constrói uma história. E aí tem diversas teorias da conspiração, especialmente de conta de extrema direita, que vão utilizar a figura do Epstein, falando que ele é satânico, até pra desassociar as figuras preferidas deles de direita, que estão associadas ao Epstein de outras formas.

Então é uma forma de você olhar lá como ele é ruim, ele é inimigo, está associado ao satanás, e o cara que eu defendo não está associado a isso. Então usa como uma prova que existe uma elite global satânica que pratica rituais e sacrifícios de criança.

E não é essa parada. Muito provavelmente, sei lá, o cara escreveu Baal de zoeira, ou ele estava querendo escrever Ben, que escreveu outra coisa. Tem dezenas de explicações mundanas que podem envolver por que ele colocou Baal ali, por ser um babaca que estava colocando. Então é só para lembrar que é nesse ponto.

Ah, então você está dizendo que não tem uma conspiração global? Não. Eu acho que é bem possível de ter um grupo de pessoas ali que faziam suas próprias conspirações, seus próprios conchavos, mas dizer que isso é global não é bem isso. E dizer que está sempre associado à figura do satanismo também não é bem isso. Mas ainda tem outro ponto. A espiritualidade não vai ficar livre da parada do Epstein também. Porque você tem, por exemplo, uma figura que é o Deepak Chopra.

que ele é uma figura importantíssima nos movimentos New Age. Todo esse rolê... Gente, se você conhece alguém que fala de espiritualidade quântica, provavelmente esse cara foi influenciado, ou leu alguém que foi influenciado pelo Chopra. Pelo Depak Chopra. Que ele era esse guru, né? Do ocidente. E ele era próximo pra caramba do Epstein. Inclusive você tem um e-mail do cara falando que Deus é um construto.

Mas garotinhas não. Então ele se interessa mais por aquilo que não é um construto. Você tem o e-mail do cara me metendo essa.

Então só pra dizer que tem essa influência na espiritualidade de muitas formas, claro, através dos líderes, mas não necessariamente, sei lá, o cara tem uma sinagoga de satã porque ele tava associado Cara, vai ser o nome da minha banda essa aí Sinagoga de satã é um bom nome Real Fire Club E é isso, gente desculpa se eu peguei diretão, mas é porque tá sumindo a voz do Jacaune e da Tupá pra mim em diversos momentos K

Não, de boa, de boa. Eu acho interessante que se a gente quiser ir para um lado místico do Epstein, se dá para a gente chamar dessa forma, é algo que é seguido por várias entidades do Vale do Silício e da política, principalmente extrema-direita, que é uma espécie de... O nome é aceleracionismo, que tem a sua vertente política, que acredita que o mundo vai para caralho.

O ponto é, essas pessoas acreditam de base que o mundo está indo pôr o caralho. Pode ser por causa do aquecimento global, pode ser... Inclusive, alguns vão para um rolê espiritual, citando guerra espiritual, citando apocalipse. Então, por exemplo, para existir o apocalipse, é preciso existir um Estado de Israel.

saca? E tem uma galera da escatologia, tanto cristã quanto sionista, que vão nesse rolê do tipo, ah, vai ter que acontecer um apocalipse, porque o apocalipse vai acontecer. Não tô falando que eles estão sacrificando virgens pra acelerar o apocalipse nesse sentido. A questão toda é que quanto mais caos no mundo, quanto mais guerra no mundo, melhor.

E a questão toda é, principalmente pra essa questão dos bilionários, que era a rede e por onde que o Epstein fazia parte, pra além, é claro, que apesar de, a gente não pode ser antissemito aqui, ele não era satanista por ser judeu, nem nada nesse sentido, mas existem indícios de que ele era provavelmente ligado ao Mossad e ligado a entidades de inteligência de Israel e como um espião duplo e etc e tal. Andrei, só pra lembrar que o Netanyahu, aquele cara super confi...

que a África fala publicamente, Epstein não tem nada a ver com Israel ou Mossad, o que, na minha opinião, pode querer dizer que tem a ver, tá ligado? Não é beleza. Ele falando e eu tendo exatamente o oposto. Perfeito, perfeito, perfeito. E essa questão desse aceleracionismo é entender essa galera do Vale do Silício, que está toda ligada com o caso Epstein, eles se entendem de uma maneira muito messiânica.

Porque a maioria dessa galera do Vale do Silício, ela nasce num rescaldo de contracultura do hippie, né? O Steve Jobs, né? Ele era um hipponga da década de 80. Então, só que o que acontece? Essa galera foi se contorcendo ideologicamente pra se entender como eles fazendo parte de um grande papel de protagonismo nesse fim do mundo. Então, é uma galera que enquanto tá falando pra você, não existe aquecimento global, eles estão construindo bunker.

Enquanto você tem um Trump falando que não existe aquecimento global, ele está interessado na Groenlândia, que daqui a 50 anos já não vai ter mais gelo. Porque ele sabe que não vai ter mais gelo. Porque ele acredita no aquecimento global. Ele só precisa vender que não existe para você acreditar nas políticas para acelerar esse processo do aquecimento global. Porque eles querem estar...

no ápice, quando esse momento chegar. Gente, eu não estou falando isso de conspiração de um site de doidinho da década de 80. Você tem entrevistas com essa galera e com pessoas ligadas a essa galera no jornalismo.

Você tem matérias que falam sobre isso. Eu não estou inventando aqui como o satanista faz hipnose, regressa aí, de memória de regressas. Então, se você quiser ligar alguma espécie de misticismo, vai mais para esse lado ideológico do que necessariamente uma espécie de satanismo. Agora, eu acho que é importante salientar.

Vamos dizer, esse lance do Baal que o Keller estava falando, perfeito. Porque o que acontece? Ele estava mandando, na verdade, uma conta bancária. Sabe quando você coloca agência, conta, qual banco, qual teu nome, qual teu CPF? Ele entregou nesse código, só que ao invés de escrever banco, dois pontos, o banco dele, ele escreveu provavelmente errado o Baal na hora de escrever banco. Mas é a única citação que a gente tem a isso.

Inclusive, o Baal escrito errado, é um B-A-L ponto L, né? Tipo, não uma coisa escrita certinha, né? É.

vamos dizer, por exemplo, que eles faziam algum tipo de culto vamos dizer, que caem alguns e-mails aparece um tutorial de culto e uma foto do Bill Gates de hobby escuro do lado do Epstein, do Bill Clinton e do Trump vamos dizer que rola essa foto e com o Elon Musk batendo na porta tentando entrar querendo ser chamado

Vamos dizer que aparece essa foto. É muito mais provável que seja um grande teatro satírico do tipo, a gente está por cima da carne seca e podemos fazer o que a gente quiser, do que necessariamente uma espécie de ritual. Então, olha que doido. Porque é o que acontece, por exemplo, naquela... A gente gravou recentemente também sobre o... Rafael vai lembrar do... Ai, meu Deus, daquela galera que se reúne no meio do mato, dos milionários lá. Ah!

Ah, é, tem aqueles milionários que gostam bilionários que se encontram uma casinha provavelmente estão envolvidos essa galera toda, que tem um grupo secreto que faz rituais e eles fazem rituais, mano mas por uma entidade própria que eles cultuam que na verdade não soa como um culto de verdade, soa mais como uma grande pegadinha de faculdade Então, André, eu acho que tudo isso que você está falando K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K

Foi o que eu falei com a Pupada outra vez que a gente falou sobre o caso Epstein. Eu não duvidaria que eles tenham um rolê desse tipo. Se você é aquele que pode ser o demônio, bíblico e tal, é contigo. Mas pra mim, não custaria acreditar que eles são praticantes de magia, ou de algum tipo de magia, e aí eles têm um rolê ritualístico entre eles.

E esse rolê não necessariamente vai cultuar o demônio bíblico do cristianismo e tal. Eu não duvido que eles possam ter uma ritualística própria do rolê muito específico deles lá. Sabe por quê? Porque eu conheço um monte de gente que faz isso. E não quer dizer que essas pessoas sejam satanistas. Elas só têm um rolê magista, costume magista.

Mas aí, se você estiver falando sobre Magista, que fazem rolê Magista, você está falando da galera que te escuta. Então, assim, para mim, não é...

Não é tão difícil acreditar que eles possam ser um grupo que acredita que magia existe e tem que fazer algum ritual. Agora, isso ser o demônio bíblico é um descolamento de uma realidade. Não, o que eles faziam, o que eles faziam, porque a entidade pediu para eles fazerem. Acho que esse é o ponto total, né? Porque as pessoas vão ligar à ideia do canibalismo, as pessoas vão ligar a essa ideia da pedofilia, as pessoas vão ligar a todas essas ideias como se fosse a causa.

E o satanismo não é a causa disso. Pessoas são a causa disso. Porque pessoas são assim, né? E como eu falei anteriormente, né? Você tem mais casos desse dentro de igreja do que dentro de qualquer tipo de culto alternativo que você vai encontrar por aí. Estatisticamente falando, é o mais provável que você vai encontrar por aí. Então, como eu falei, é uma coisa muito complexa, né?

É. Mas não... É isso, gente. Não fica caindo nessa ideia de tipo ai, não, porque é o demônio que fez as pessoas fazerem e tal. Se isso é sua crença, aí é outro ponto. Mas assim, não fica dando desculpa pra gente criminosa baseado em crenças que eles nem têm. Perfeito, perfeito, perfeito. Vamos aproveitar então, vamos caminhando aqui pro encerramento desse podcast caótico.

Tupac Guerra, suas palavras e considerações finais O André falou assim Coloca lá na pauta As organizações Cita lá, aí eu citei Ele não falou

Eles alteraram a pauta pra botar essa porra e não se torna. Eu só preciso então deixar um momento antes do Andrei citar as organizações pra dizer que a pauta tá muito boa, muito bem feita, muito obrigada. Fiquei muito feliz com essa pauta. Copiado do Wikipédia. Eu só organizei. Deixa elogiar em paz. Obrigado.

Vamos lá então, vou pedir então para o Keller, vou pedir para você, o que acontece, você é um conhecido esotérico, ocultista, satanista, notório, deixa eu fazer uma pergunta então, porque por exemplo, existem, a partir do satanismo de Lavey, você vai ter uma galera que vai se inspirar principalmente nos anos 90, né?

Que vai ser aquela galera do anticósmico, né? Do satanismo anticósmico. Que aí sim, vai ter uma espécie de misticismo com supostas criaturas do abismo. Galera bem... Assim, ninguém conhece muito. Uma minoria da minoria da minoria desse satanismo ateu político, né? Libertado. Eu não sabia que essa porra existia. Passei a existir quando eu fiz a pauta. Então, pois é. Satanismo anticósmico. E você... É, pois é.

tu acha, Kelly? Existe algum tipo de ordem, pra não falar que não existe esse satanismo do sacrifício de criança, tu conhece alguma seita, alguma coisa que você já esbarrou que tu fala, cara, isso aqui é meio complicado mesmo, só pra gente não falar que não tem.

Tá, então aí é legal, é um bom ponto isso, Andrei, porque é capaz de alguém terminar esse programa e falar assim, ah lá, ele defendendo o satanismo, não, a gente não tá defendendo, você tá dizendo que os caras não são essa coisa organizada e assustadora, tipo, de filme que você tá acostumado a olhar, né, então é só pra deixar essa parada no ar. Então o que acontece? Existe sim essa galera que tem uma linha chamada de anticósmico, né, que seria satanismo anticósmo, que seria uma vertente muito radical, filosófica radical.

e que é nilista, e eu vou usar o termo violento, porque você vai ter algumas narrativas que é meio violenta, mas simbolicamente violenta contra eles mesmos. Por quê? É como se fosse um ativismo e uma ideia teológica de que você tem que lutar contra a própria existência. Você vai ter algumas ordens dessas ordens, acho que as duas mais famosas, que são...

estadunidenses, vão ser a Ordem Luciferiana Misanthropica a Misanthropic Lucifer Order e você vai ter a galera do Temple of the Black Light que é o Templo da Luz Negra um deles é sueco agora eu não vou lembrar qual que é obviamente, né? é sueco, tem que ser e essa galera também pode ser chamada de Corrente 218, você encontra como esse título também dentro das linhas esotéricas de cultistas, que qual que é o rolê dos caras? eles acreditam mas K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1 K1

fizeram uma releitura daquela parada da Gnose, Manja? Então a ideia dele é que o Cosmo é uma prisão.

A existência é uma prisão criada por essa entidade maligna, que a gente chama de Deus, muitas vezes, e a ideia é que você liberta isso. O objetivo final é não viver nesse mundo. Você não quer viver num mundo criado por um demiurgo. Então o que você quer? Destruir o cosmo e permitir que o caos primordial da resistência existe. Então essa galera adora uma divindade anticósmica.

E aí você tem vários nomes pra essa divindade, um vão chamar de Satã, mas tem muita gente que chama de Azerat, que seria esse... Parece o nome de vilão da DC Comics, né? Sei lá, o pai da Ravenna, manja? Mas a ideia é que existiria esse Azerat, que seria esse dragão negro, essa parada que seria essa essência, meio que uma Tiamat.

pra quem joga RPG aí, que seria essa essência maligna. E aí a ideia desses caras é fazer uma...

um caminho satânico extremo, no sentido de que vai ser muito misantrópico, ou seja, muito contra a humanidade, um desprezo total pela humanidade, normalmente citando a humanidade como gado, como uma coisa ruim e tal, e que o rolê deles é aquele desprezo, que você tem que se desprender completamente. Então, é muito comum que você tenha a ideia de sacrifício de animais, porque através da morte eu me conecto com esse outro lado.

E a ideia de que você vai contra todas as leis. Nenhuma lei, nenhuma norma é importante. Então você vai ter processos dentro da parte organizada dessas ordens, até onde a gente sabe, que você vai fazendo diversas coisas pra quebrar o conceito de lei dentro de você. Entende? E aí é muito louco.

Porque existe uma coisa meio trágica nessa parada também, né? Já teve um dos fundadores lá na Suécia, é M.L.O. que é na Suécia, a Misantropic Order of Whatever lá, ele tinha uma banda de death metal, black death, doom, dark, qualquer coisa metal.

E que ele chegou a assassinar um maluco, realizar um assassinato. Então, teve uma lista de vítimas em potencial. Você tem a associação desses caras com o movimento neonazi também, em alguns pontos. Porque eles falam que a destruição que era trazida pela proposta do nazismo era uma parada que iria adiantar esse processo do fim. Olha que interessante. Não é porque o Nédito não foi mal o suficiente, não. Pelo contrário, ele foi mal. A gente mostrou.

Ele foi mal do jeito certo, entende? Ele foi mal como deveria ser, essa é a cabeça dos caras Então novamente, é muito louco Porque eles nem acreditam exatamente no Satã Eles citam Satã ou Lúcifer Porque ele é a figura mais facilmente reconhecível Para representar a oposição A esse demiurgo E a essa estrutura E eles tem essa misantropia radical

Como exercício filosófico, tem seu valor que eu acho que é interessante, mas cara, é obviamente uma galera que precisa de ajuda, entendeu? É obviamente alguém que precisa de um amigo, precisa de um abraço, precisa tomar um sol, como todo norueguês. Como todo norueguês, tá ligado? É a ideia que vai surgir num lugar que tem inverno de 10 meses, obviamente, tá ligado? Sim.

Só para não dizer que não tem algo nessa estrutura, mas também não é organizado, não tem dinheiro, não é interessante, ninguém da elite participando disso aqui diretamente, porque a elite quer comer bem, viver bem, e tocar os aralhos, né? Então não é essa coisa gigante, né? Não, perfeito. Existe também pela internet, você encontra muito também, principalmente em algumas vertentes.

de certas religiões, como por exemplo algumas vertentes da Kimbanda que vai tratar, por exemplo, de entidades com nomes demoníacos por exemplo, e também algumas pessoas que vão cultuar uma espécie de demonolatria seria uma espécie de é...

braço do misticismo barra ocultismo, que, por exemplo, na Goiássia, como eu falei, você não trata o demônio como alguém superior a você e que você vai prestar culto ou homenagem. Pelo contrário, você tortura o símbolo do demônio para ele fazer o que você quer, né? Você é tão brada de Deus que você faz isso. Mas existe uma vertente do misticismo, de demonolatria, que você vai cultuar essas entidades em casa, de fato, como alguma coisa. Essas pessoas fazem algum tipo de sacrifício humano?

Cara, eu particularmente nunca ouvi falar, e eu e Kelly, a gente tá no meio, que Kelly tá falando que não com a cabeça, e a gente nunca ouviu falar de alguma pessoa. Pode eventualmente fazer um sacrifício animal? Sim, lembrando que tem religiões que fazem sacrifício animal de uma maneira, que fazem parte do culto da hora, que é legal, etc. Que é uma parada que se alimenta, que come o animal depois, como se fosse uma ceia de Natal, não é problemático nem nada. E vai ter otário, né? E vai ter os otários que vão matar por matar.

que não vai ter um motivo vai ser porque é legal mas só pra falar que esse tipo de coisa existe, só que como o Keller falou não existe um sistema organizado e é isso que a gente bate na tecla gente, a questão é

Se alguém matar por satã, é porque essa pessoa está muito perdida na vida, assim como as pessoas que matam por Deus, que infelizmente acaba sendo a maioria. Matar por qualquer que seja a questão, né? Mas eu acho que a ideia geral é que toda vez que a gente fala sobre satanismo, a gente tem que desassimilar uma espécie de culto, que é uma minoria da minoria da minoria do ocultismo, a crimes sexuais e a crimes hediondos.

Porque quem faz esses crimes hediondos é uma galera que pode, ou que acha que pode. E quem acha que pode é milionário, não é satanista. Satanista é só às vezes um cara que tá muito doido. Ou às vezes é um ateu, é político, um satanista político, né? Aquela pessoa que não acredita em nada, só tá fazendo um movimento de oposição ao conservadorismo, a igreja, a castração, etc. Mas a ideia geral é que quem fode as pessoas são as pessoas que na crença pessoa deles podem.

Que é isso. Só pra acrescentar uma última parada também, que é... Galera, o... A rede social é uma forma de grana, tá ligado? A rede social é uma forma de grana. E você ganha grana na rede social quando você acha um nicho disposto a pagar pelo que quer que você tá falando. Esse é o rolê das mídias sociais. Então tem muita gente que fala, ah não, mas eu vi o bruxo fulaninho da meia-noite falando que o Labubu é do capeta.

Manja, porque eu vi ele e ele falou assim, não, Labubu é do satanás, porque Labubu é pra Zuzu, Labubu tem dente, Labubu isso e aquilo. E aí você vai ver quem é que tá comentando aquilo. É só a galera que tá fechando com ele, porque é de uma religião que às vezes ele nem pertence. Então, sei lá, o cara falou que ele é o bruxo andital e Labubu é do capeta. Aí você vai ver uma porrada de crente, falando assim, estou aprendendo muito com o bruxo falando sobre as coisas e sobre não sei o que. O cara achou um nicho, velho.

O cara achou um nicho onde ele fala um minuto e meio, uma idiotice, um disparate qualquer, e uma porrada de gente que não junta Lé com Cré e passa o dia inteiro ali no TikTok, tá curtindo, divulgando, e ele tá ganhando em cima disso. E o que ele vai fazer? Vai falar mais baboseira. Então, além do Abubu, vai ser o Lili Stitt, vai ser os ursinhos carinhosos, vai ser... Tá ligado? E vai trucando, mano. E vai trucando enquanto...

E os caras vão curtindo. E errado. Quem que tá errado? O cara tá ganhando dinheiro dele, ele entendeu como é que funciona essa merda. Tá correto? Não tá, mas ele achou o caminho lá. Achou o caminho dele. Tá fazendo o esquema dele. E você tá lá batendo palma, mano.

E é muito louco que aparecem os caras falando assim, eu aprendi mais com ele do que com a igreja. Ele não está ensinando, ele está ganhando dinheiro em cima do idiota. E adivinha, você que está curtindo está sendo idiota. Mas aí o que você vai fazer? Num país onde o analfabetismo funcional é tão grande, a gente entende por que acontece. Mas de novo, não é que aquilo seja real. Ele só está metendo um disparate para ganhar a curtida.

É pela curtida, é o algoritmo que está fazendo ele falar isso e ele vai continuar falando.

É isso, gente. Não sejam enganados de graça por quem quer roubar seu dinheiro. Ah, sei lá. Se vai ser enganado, melhor você pago pra acontecer, né? Perfeito. É isso aí. Você me paga, você finge que mente, eu finge que acredito e é isso aí. Ficamos elas por elas. Fica aí a proposta. Exatamente. Dinheiro na mão, cueca no chão. Tupaguerra, considerações finais e onde o pessoal encontra você? Então, gente, eu acho que de considerações finais é muito isso.

Cara, a gente fala senso crítico, mas tenta pensar quem está te falando as coisas e qual é o interesse das pessoas por trás de falar essa coisa antes de pular de cabeça e... Ah, porque é isso. Para de arranjar desculpas para as pessoas cometerem crime. Essa é outra questão.

Cara, sabe por que eu gosto, desculpa, sabe por que eu gosto do conspirólogo? É que o conspirólogo, ele se acha muito inteligente porque ele sabe da verdadeira verdade e as pessoas estão sendo enganadas. Ele não leva um segundo pra pensar que talvez ele também esteja sendo enganado pro outro lado. E ele não para um minuto pra pensar nisso.

Para de achar que você é esperto. O conspirólogo é aquele cara. É o seguinte, você pode ter alguém que estudou próximo de você, principalmente se for parente. Quanto mais próximo de você, menos você vai acreditar. A pessoa pode ter faculdade, doutorado, mestrado, falar contigo não, cara, não é assim, porque eu já estudei isso. A pessoa vai falar contigo, mas eu vi na internet.

E aí acabou. Ele viu de alguém que ele não faz ideia de quem é. Ele não sabe qual é a intenção da pessoa. Mas ele não acredita em quem está na frente dele porque ele conhece a pessoa. Então, quanto mais longe, mais ele confia. Esse é o Cuspirolo.

E assim, gente, todo mundo pode ser enganado, tá? Quando você se acha esperto demais, é aí que você é enganado mesmo. Então, desconfie também de você mesmo. Eu acho que o historiador dos bichos que eu conheço é um dos mais desconfiados. Oi, gente desconfiada. A faculdade ensina a gente a desconfiar de todo mundo, inclusive de você mesmo.

enfim, e se você pra me encontrar por aí pra ver minhas coisas desconfiadas da vida vocês me encontram em arroba tupaguera, que é só o meu conflito pessoal e vocês me encontram no podcast Uma Tupá no Tempo, que tem nos lugares de podcast no Youtube e no Spotify, enfim, esses lugares tudo aí vocês encontram, Uma Tupá no Tempo tem episódio toda semana perfeito, perfeito, perfeito senhor Marcos Kellen, onde é que o pessoal te encontra?

Muito bom estar aqui gravando com vocês, sempre da hora. Tenho alguns dias da gravação livre, então sempre precisarem, estamos aí. E você me encontra lá no Instagram como arroba Koby Keller, K-O-B Keller, de vez em quando falando de filosofia, de vez em quando falando de coisas esotéricas e por aí vai. E eu precisava montar um perfil, um espacinho específico para trocar uma ideia sobre os rolês esotéricos com um pouco mais de abertura.

pensarei nisso para o futuro, né? Um pouco mais de facilidade para trocar essa ideia. Mas estou por lá, mando um oi, mando um salve quando precisar. E estou também no podcast vizinho, o Magicando. Sempre estamos lá. Quem não conhece, deveria conhecer, porque é isso aqui.

Mesma dose de caos, talvez um pouquinho mais. Com certeza. O Rafael Machado de Assis, fale. Eu acho que o Magicando não tem caos lá, é bem organizado. O caos é aqui, que a surpresa é mais constante, entendeu? Lá tu já sabe a linha que o pessoal vai, é mais tranquilo. O Andrei chamou de Machado de Assis, eu fico até lisonjeado, só porque no final do ano, se tudo der certo, vou lançar um livro.

Olha aí. É sobre o demônio o seu livro, Rafael? Decepcionei muitas pessoas. Não, não é sobre o demônio. Todo mundo falou, é de terror, é sobre o demônio. Eu falei, não é. O pessoal, porra, tá maluco. Eu falei, caralho, vocês esquecem que eu tenho muitas referências. Inclusive RPG. Então, é mais uma aventura. Mais uma aventura com um grupo fazendo missão de alguém aposentado que tá cansado. Sabe o que parece comigo? Nem aposentado eu sou, mas tô cansado.

Mas você conhece, você tem o substrato intelectual para saber como é que é uma pessoa cansada. Ah, tem, tem. Infelizmente. Queria não saber. Onde é que você te encontra?

Jaca Freak, Instagram, no YouTube, na Twitch, Jaca Freak. No YouTube é Hora de Jacauna, também faço lives domingo e segunda-feira, sempre à noite, sete horas da noite, domingo, sete e meia da noite, na segunda-feira. Sejam todos muito bem-vindos, gente. Eu falo essas besteiras que eu falo aqui, só que geralmente eu falo com mais espaço, a vontade, sem o André me cortar.

entendi, eu sou eu sou a igreja aqui, Rafael você não pode fazer o que você quiser não você faz o seu trabalho porque se o podcast é uma prosença, a culpa é tua isso é verdade então é isso, muito obrigado pra todos vocês ficaram até aqui, e aquilo não olhem para trás

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