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Você deveria confiar em conselhos de saúde de um chatbot de IA?

02 de julho de 202610min
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A IA passou com folga em exames de proficiência em Medicina; mas até que ponto podemos confiar nela? O que dizem pesquisas com ferramentas como ChatGPT e Gemini?

Participantes neste episódio1
T

Thomas Papon

HostJornalista
Assuntos5
  • Conselhos para interagir com IAChatGPT · Gemini · Grok · Abby · Chris Whitty · Adam Mady · Margaret McCartney · Nicholas Tiller
  • IA contra desinformaçãoRespostas apresentadas com convicção · Estudo do Instituto Lundquist · Desempenho em questões de saúde
  • Chatbots oferecendo conselho médico e jurídicoPrecisão de 95% com quadro completo · Precisão de 35% com interação humana · Diagnóstico de AVC · Medicina naturopática
  • IA de imagem vs. ChatbotsBuscas no Google e NHS · Relação pessoal com chatbots
  • Desenvolvimento TecnologicoSoftware em constante alteração · Previsão de texto baseada em padrões
Transcrição4 segmentosassemblyai/universal-3-pro-async

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TPThomas Papon

Você deveria confiar em conselhos de saúde de um chatbot de inteligência artificial? Reportagem de James Gallagher, apresentador do programa Inside Health da Rádio 4 da BBC, publicada pela BBC News Brasil em 25 de abril de 2026. Lida por Thomas Pappon. De um ano para cá, Abby vem usando o ChatGPT, um dos mais conhecidos chatbots de inteligência artificial, para ajudar a cuidar da sua saúde. O apelo é claro: às vezes parece impossível conseguir um clínico geral, e a inteligência artificial está sempre pronta para responder nossas questões.

E o chatbot também já foi aprovado com folga em alguns exames de proficiência em medicina. Mas será que podemos confiar nas respostas do ChatGPT, Gemini e Grok? O uso dessas ferramentas tem alguma diferença em relação às buscas na internet, como fazíamos antes que eles existissem? Ou, como receiam alguns especialistas, estariam os chatbots fornecendo respostas erradas e colocando nossas vidas em risco? Abby é de Manchester, na Inglaterra.

Ela sofre de hipocondria e descobriu que o chatbot fornece oferece orientações mais personalizadas do que as buscas na internet, que costumam nos levar diretamente para as possibilidades mais assustadoras. Ele meio que permite resolver problemas em conjunto, ela conta. É quase como conversar com seu médico. Abby diz ter observado o lado bom e o ruim do uso de chatbots para aconselhamento de saúde. Certa vez, ela achou que estivesse com infecção urinária.

O ChatGPT examinou os sintomas e recomendou que ela procurasse um farmacêutico. E após uma rápida consulta, ela recebeu a receita de um antibiótico, o que no Reino Unido é permitido. Abby conta que o chatbot ofereceu a assistência de que ela precisava, sem a sensação de culpa de que eu estava ocupando o tempo do NHS, o serviço público de saúde do Reino Unido. E a inteligência artificial também foi uma fonte fácil de aconselhamento para alguém que enfrenta muita dificuldade em saber se precisa ou não ir ao médico.

Por outro lado, em janeiro, Abby escorregou e caiu com tudo enquanto caminhava. Ela bateu as costas em uma rocha e sentiu uma pressão absurda que começou a se espalhar das costas para o estômago. Por isso, ela buscou orientação da inteligência artificial que estava no seu celular. O ChatGPT me disse que eu havia perfurado um órgão e precisava ir ao pronto-socorro imediatamente. Ela conta: depois de ficar sentada no pronto-socorro do hospital por 3 horas, a dor começou a diminuir.

Abby percebeu que não era nada grave e foi para casa. A inteligência artificial certamente entendeu errado, diz ela. É difícil saber quantas pessoas como Abby usam chatbots em busca de assistência em questões de saúde. A popularidade da tecnologia disparou, e mesmo se você não buscar ativamente o conselho da inteligência artificial, ela irá surgir no topo das suas buscas na internet. Mas a qualidade dos conselhos fornecidos pela inteligência artificial vem preocupando o principal médico inglês.

O Chief Medical Officer, principal consultor para assuntos de saúde do governo britânico, Chris Whitty, declarou à Associação dos Jornalistas Especializados em Medicina no início desse ano que estamos em um ponto particularmente delicado porque as pessoas estão usando a inteligência artificial, mas as respostas não são suficientemente boas e muitas vezes são apresentadas com convicção, mesmo estando erradas. Os pesquisadores estão começando a desvendar os pontos positivos e as fraquezas dos chatbots.

O Laboratório do Raciocínio com Máquinas da Universidade de Oxford, no Reino Unido, reuniu uma equipe de médicos para criar cenários realistas e detalhados com questões de saúde. Eles prepararam desde problemas simples que você pode tratar em casa a situações que exigem uma consulta médica de rotina, uma visita urgente ao pronto-socorro ou até a chamada de uma ambulância. Nos casos em que os chatbots receberam o quadro completo, sua precisão foi de 95%.

Eles foram incríveis, de verdade, quase perfeitos, conta o pesquisador Adam Mady. Mas a história foi muito diferente quando 1.300 pessoas foram instruídas a iniciar conversas com um chatbot em busca de diagnóstico e aconselhamento. A interação entre o ser humano e a inteligência artificial fez tudo sair dos trilhos. A precisão caiu para 35%, ou seja, as pessoas recebiam diagnóstico ou assistência errada em dois terços das consultas.

Para Adam Mady, quando pessoas falam, elas compartilham as informações gradualmente, esquecem coisas e ficam distraídas. Um cenário descreveu sintomas de um AVC causando sangramento cerebral, conhecido como hemorragia subaracnoide. É um caso de emergência que pode levar à morte e requer tratamento hospitalar urgente. Mas diferenças sutis na forma de descrição dos sintomas para o ChatGPT daram orientações totalmente diferentes.

Uma delas sugeriu repouso em um quarto escuro. Um grande sangramento cerebral não pode ser tratado com repouso na cama. Adam Madi afirma que a maioria dos participantes do estudo que fizeram uma busca tradicional na internet foram conduzidos para o website do NHS, o sistema público de saúde da Grã-Bretanha, e foram mais bem informados. A clínica geral Margaret McCartney, de Glasgow, na Escócia, afirma que existem diferenças importantes entre os chatbots, que resumem as informações, e os dados que pesquisamos por nós mesmos.

Parece que você tem um relacionamento pessoal com um chatbot, enquanto com uma busca no Google você entra em um site e há vários pontos ali que dizem a você se a informação é mais ou menos confiável. Explica ela. Mas com um chatbot, parece que você está recebendo esse conselho motivador preparado para você, o que provavelmente altera a forma de interpretação daquilo que está sendo informado. Outra análise do Instituto Lundquist de Inovação Biomédica na Califórnia, nos Estados Unidos, demonstrou que os chatbots de inteligência artificial podem também fornecer desinformação.

Eles usaram uma técnica deliberadamente desafiadora. As questões foram expressas de uma forma que convidava a desinformação para verificar o grau de robustez das inteligências artificiais. Gemini, Deepseek, MetaAI, ChatGPT e Grok foram testados com questões sobre câncer, vacinas, células-tronco, nutrição e desempenho esportivo, e mais da metade das respostas foram consideradas problemáticas de alguma forma. Questionado sobre quais técnicas de medicina alternativa podem tratar câncer com sucesso, em vez de responder nenhuma, um dos chatbots respondeu: naturopatia.

A medicina naturopática se concentra no uso de terapias naturais, como remédios à base de ervas, nutrição e homeopatia, para tratar doenças. O pesquisador Nicholas Tiller explica que os chatbots são projetados para fornecer respostas muito confiantes e impositivas, que transmitem um senso de credibilidade. Por isso, o usuário considera que eles devem saber do que estão falando. Uma crítica feita a todos esses estudos é o rápido desenvolvimento da tecnologia.

Isso significa que o software que alimenta os chatbots já se alterou no momento da publicação da pesquisa. Mas Nicholas Tiller afirma que existe uma questão fundamental com a tecnologia projetada para prever texto com base em patrões de linguagem e que agora está sendo utilizada pelo público para conselhos relativos à saúde. Ele acredita que devemos evitar os chatbots para assistência médica, a menos que tenhamos o conhecimento necessário para saber quando a inteligência artificial está fornecendo respostas erradas.

Se você fizer uma pergunta a qualquer pessoa na rua e ela fornecer uma resposta muito confiante, você irá simplesmente acreditar nela? questiona Thiller. Você iria pelo menos verificar? acrescenta. A companhia OpenAI, responsável pelo ChatGPT usado por Abby, afirmou em declaração: Sabemos que as pessoas recorrem ao ChatGPT em busca de informações de saúde e levamos a sério a necessidade de fazer com que as respostas sejam as mais confiáveis e seguras possíveis.

Trabalhamos com médicos para testar e melhorar nossos modelos, que agora apresentam desempenho robusto em avaliações de assistência à saúde reais. Mesmo com essas melhorias, o ChatGPT deverá ser usado para informação e educação, não para substituir a assistência médica profissional. ABE ainda usa chatbots de inteligência artificial, mas recomenda analisar tudo com cautela. E também lembra que às vezes ele entende errado as coisas.

Eu não confiaria em tudo o que ele disser como a verdade absoluta, conclui. Você ouviu a reportagem Você Deveria Confiar em Conselhos de Saúde de um Chatbot de Inteligência Artificial, publicada pela BBC News Brasil em 25 de abril de 2026.

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