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Os benefícios para o cérebro da dieta rica em fibras

30 de junho de 202610min
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Para especialista em microbiologia intestinal, aumentar consumo de fibras é uma das mudanças alimentares mais impactantes que podemos fazer para nossa saúde cognitiva.

Participantes neste episódio5
C

Cristiano Ronaldo

ConvidadoFootball icon
J

John Cummings

ConvidadoProfessor emérito de gastroenterologia experimental
K

Karen Scott

ConvidadoProfessora de microbiologia intestinal
M

Mary Nee Lockland

ConvidadoProfessora clínica de medicina geriátrica
N

Natália Passarinho

Narrador
Assuntos4
  • Cinco pilares para saúde cerebralMicrobioma intestinal e eixo intestino-cérebro · Declínio cognitivo · Karen Scott · John Cummings · Ácidos graxos de cadeia curta (butirato) · Doença de Alzheimer · Mary Nee Lockland
  • Maximização de fibrasAumento do volume fecal e saciedade · Redução de índice de massa corporal e gordura abdominal · Redução do risco de mortalidade · Prevenção de doenças coronarianas, AVC, diabetes tipo 2 e câncer de cólon
  • Estratégias para aumentar consumo de fibraRecomendação diária de fibras · Consumo nos Estados Unidos · Consumo no Reino Unido · Consumo no Brasil (IBGE)
  • Fibras e saúde mentalEfeito positivo sobre a depressão · Melhora da qualidade do sono · Bem-estar e redução de problemas de saúde mental
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Os benefícios para o cérebro da dieta rica em fibras. Reportagem de Melissa Hogenboom, da BBC News, publicada pela BBC News Brasil em 1º de fevereiro de 2026. Lida por Natália Passarinho. Uma dieta rica em grãos integrais, frutas, leguminosas, nozes e sementes, todos alimentos com alto teor de fibras, pode trazer grandes benefícios tanto para o corpo quanto para o cérebro. Pesquisas emergentes mostram que as fibras potencializam o microbioma e influenciam o eixo intestino-cérebro, canal de comunicação entre o intestino e o cérebro, ajudando a retardar sintomas de declínio cognitivo.

"Aumentar o consumo de fibras é uma das mudanças alimentares mais impactantes para a saúde cognitiva", disse Karen Scott, professora de microbiologia intestinal no Rowett Institute da Universidade de Aberdeen, na Escócia. E a deficiência de fibras tem sido identificada como um dos principais fatores de risco alimentar para problemas de saúde. Ainda assim, muitas pessoas consomem menos fibras do que o recomendado, cerca de 30 gramas por dia, segundo os especialistas.

Nos Estados Unidos, cerca de 97% dos homens e 90% das mulheres não ingerem fibras suficientes. A maioria consome menos da metade da quantidade diária recomendada. No Reino Unido, mais de 90% dos adultos ficam abaixo do ideal e muitos outros países apresentam deficiências semelhantes. No Brasil, segundo uma pesquisa do IBGE sobre o consumo alimentar pessoal no país, a média da ingestão diária de fibras, que era de 20,5 gramas em 2009, caiu para 15,6 gramas em 2018.

Metade do que o recomendado pelos especialistas. Mas por que exatamente as fibras são tão benéficas e como podemos consumir mais? A fibra é um carboidrato que não pode ser facilmente decomposto pelas enzimas digestivas, por isso grande parte atravessa o intestino praticamente inalterada. Ela aumenta o volume das fezes, ajuda a manter a sensação de saciedade por mais tempo e, por ser digerida lentamente, promove uma elevação mais gradual reduzir os níveis de açúcar no sangue.

Estudos mostram que pessoas que consomem mais grãos integrais por dia apresentam menor índice de massa corporal e menos gordura abdominal do que aquelas que ingerem grãos refinados. Uma dieta rica em fibras também pode ajudar a prolongar a expectativa de vida e por isso deve ser considerada um nutriente essencial, afirmou John Cummings, professor emérito de gastroenterologia experimental da Universidade de Dundee. Na Escócia. Uma revisão da qual Cummings foi coautor constatou que indivíduos com maior consumo de fibras apresentaram risco de mortalidade 15% a 30% menor em comparação aos que consumiam menos.

A ingestão adequada de fibras reduz o risco de doença coronariana, AVC, diabetes tipo 2 e câncer de cólon, o que se traduz em 13 mortes a menos a cada 1.000 pessoas. Os maiores benefícios foram observados com a ingestão diária de 25 gramas a 29 gramas de fibras. Para atingir esse patamar, é possível incluir fibras em todas as refeições e lanches, com porções de frutas ou vegetais em cada refeição. Uma batata assada com casca, acompanhada de feijão, seguida de uma maçã, por exemplo, fornece cerca de 15,7 gramas de fibras.

Beliscar nozes e sementes também aumenta a ingestão. Um punhado de nozes, cerca de 30 gramas, contém 3,8 gramas de fibras. Esses efeitos estão diretamente ligados à relação entre as fibras e o microbioma intestinal. Quando as bactérias do intestino digerem fibras, produzem subprodutos benéficos, como os ácidos graxos de cadeia curta, acetato, propionato e butirato. Esses produtos metabólicos fornecem energia essencial para células e estão associados a reduções significativas da mortalidade, explicou Cummings.

Uma dieta rica em fibras também é considerada especialmente importante para a saúde do cérebro, explicou Karen Scott, da Universidade de Aberdeen. A presença do ácido graxo butirato ajuda a manter o revestimento do intestino, reduzindo o risco de substâncias nocivas nocivas entrarem na corrente sanguínea e afetarem o cérebro. É por isso que a microbiota intestinal pode melhorar a cognição. Quanto mais fibras você consome, mais butirato é produzido e melhor a cognição pode ser preservada, diz ela.

Um estudo de 2022 com mais de 3,7 mil adultos constatou que uma alta ingestão de fibras alimentares estava associada a um menor risco de demência entre os participantes com maior consumo. Aqueles que ingeriram menos fibras apresentaram risco aumentado. De forma semelhante, outro estudo com adultos acima de 60 anos mostrou que as dietas com maior teor de fibras estavam associadas a melhor desempenho cognitivo. Embora esses achados indiquem correlação, conexão entre duas coisas sem necessariamente uma relação de causa e efeito, um ensaio clínico randomizado mais recente com pares de gêmeos também identificou um efeito causal causal entre fibras e cognição.

Os participantes que consumiram diariamente um suplemento de fibra prebiótica apresentaram melhores resultados em testes cognitivos após 3 meses, em comparação aos que receberam placebo. Prebióticos são fibras simples que beneficiam as bactérias do intestino e podem ser consumidas na forma de suplemento. A análise de amostras de fezes mostrou que o suplemento alterou o microbioma intestinal dos participantes,, aumentando os níveis de bactérias benéficas como Bifidobacterium.

Mary Nee Lockland, professora clínica de medicina geriátrica no King's College London, na Inglaterra, liderou o estudo e afirma que os resultados indicam o potencial do uso da alimentação para fortalecer a saúde cerebral e a memória em populações mais velhas. O mais empolgante no microbioma é que ele é maleável e certos microrganismos parecem estar associados positivamente "para a saúde", diz ela. Ni Lokhlan se interessa, portanto, em compreender como o microbioma intestinal pode ser melhor aproveitado para reduzir o declínio relacionado à idade, tanto cognitivo quanto físico.

"É um recurso pouco explorado e uma área ainda pouco estudada, sobre a qual estamos aprendendo cada vez mais", afirmou, acrescentando que isso pode tornar o envelhecimento mais fácil. Pesquisas também indicam que níveis mais elevados de produção de butirato têm efeito positivo sobre a depressão, a qualidade do sono e a função cognitiva. Bactérias produtoras de butirato, por exemplo, têm sido associadas a maior bem-estar e à redução de problemas de saúde mental.

Além disso, a equipe de Karen Scott identificou recentemente que pacientes com doença de Alzheimer apresentavam maior quantidade de marcadores pró-inflamatórios em amostras fecais fecais e menor número de bactérias produtoras de butirato, além de níveis gerais mais baixos dessa substância. Isso se conecta à relação entre o butirato e o cérebro, afirmou. O estudo foi correlacional, segundo ela, mas reforça o conjunto crescente de evidências de que alterações na microbiota intestinal estão ligadas à saúde cerebral.

Pesquisas mostram que pessoas que vivem mais e com boa saúde apresentam microbiomas intestinais mais diversos. Uma dieta com diferentes tipos de fibras ajuda a estimular essa diversidade, afirmou Cummings. Como há muitas fontes, incluindo nozes, frutas, legumes e verduras, aumentar a ingestão é relativamente simples. Ampliar o consumo de alimentos de origem vegetal é um passo óbvio, especialmente leguminosas como ervilhas, feijões, lentilhas, que são ricas em fibras.

Algumas adições simples incluem bater grão-de-bico enlatado na massa de panquecas, frutas ou acrescentar ervilhas a pratos de massa. Trocar pão e macarrão brancos por versões integrais é outra mudança fácil. Para quem prefere o sabor do macarrão branco, misturar os dois tipos torna a diferença quase imperceptível. Garantir que o cereal do café da manhã seja integral também ajuda. Lanches como pipoca, maçãs, sementes e nozes aumentam ainda mais o consumo de fibras.

Já que diferentes alimentos oferecem diferentes efeitos benéficos à saúde. As fibras também podem ser encontradas em suplementos, o que é especialmente útil para pessoas com dificuldade de mastigar ou engolir, como pode ocorrer em indivíduos com doença de Parkinson. Os benefícios das fibras são tão expressivos que aumentar o consumo de fibras é realmente a coisa mais benéfica que as pessoas podem fazer pela saúde geral. Disse Karen Scott.

Você ouviu a reportagem "Os benefícios para o cérebro da dieta rica em fibras", publicada pela BBC News Brasil em 1º de fevereiro de 2026.

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