O país que silenciosamente vem reduzindo a jornada de trabalho para quatro dias por semana
Os trabalhadores holandeses cumprem, em média, 32,1 horas por semana, a menor carga horária da União Europeia; saiba como isso impacta a economia do país.
- Semana de 4 dias na HolandaAdoção gradual pela população · Implementação em empresas holandesas · Direito legal de solicitar redução de jornada · Comparação com outros países europeus · Impacto na qualidade de vida
- Mercado FinanceiroPIB per capita elevado · Produtividade vs jornada curta · Crescimento de produtividade nos últimos 15 anos · Desempenho econômico da Holanda · Posição na OCDE
- Carga horária média holandesa32,1 horas por semana · Menor que a média da UE (36 horas) · Proporção de trabalhadores em tempo parcial · Comparação com outros países
- Mercado de TrabalhoPressão demográfica · Redução de trabalhadores ativos · Necessidade de ampliar oferta de trabalho · Possível aumento de emigração · Sustentabilidade do modelo
- Equilíbrio Trabalho-VidaMotivação para implementação · Tempo com família e filhos · Bem-estar dos funcionários · Impacto no absenteísmo
- Mulheres na CienciaProporção de mulheres em tempo parcial · Barreiras culturais e institucionais · Acesso a creches acessíveis · Carga tributária e sistema de benefícios · Atitudes sobre trabalho feminino com filhos pequenos
- Benefícios relatados pelas empresasRedução de licenças médicas · Aumento de retenção de funcionários · Melhoria na criatividade · Melhor inspiração e energia
- Desafios de implementação nas empresasResistência inicial de investidores · Ceticismo de funcionários · Redefinição de prioridades · Redução de reuniões · Mudança de mentalidade
- Pressão dos sindicatos e recomendações oficiaisAtuação da confederação de sindicatos holandeses · Pressão por normalização legal · Direitos dos trabalhadores · Redução de desigualdade de gênero
- Aplicações práticas e implementaçãoEducação e saúde com escassez de mão de obra · Atratividade de profissões · Redução de burnout em setores críticos
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BBC Lê
Os holandeses adotaram discretamente a jornada de trabalho de quatro dias por semana. Mas qual foi o impacto da medida e como fazê-la perdurar? Seus filhos só são pequenos uma vez, afirma Gavin Arm, cofundador da Positivity Branding, uma pequena empresa com sede em Amsterdã, capital da Holanda.
E provavelmente elas fazem isso pelos filhos, explica Arm. Mas depois, quando elas ficam mais velhas, olham para trás e dizem, eu perdi essa parte da vida deles e isso é terrível, nós não queremos ser assim, acrescenta. Gavin Arm fala a reportagem num escritório aconchegante da empresa, no animado bairro The Pipe.
pela intensa gentrificação, que é o processo de transformação da população local, que é substituída gradualmente por outros perfis de renda mais alta, contribuindo para a supervalorização de um bairro ou cidade e, consequentemente, para a expulsão de antigos moradores. A empresa, fundada por ele e pelo colega Bert De Witt, presta consultoria em identidade de marca e design de embalagens.
para si e os outros funcionários. Os empregados não precisaram aceitar redução salarial nem trabalhar mais horas nos quatro dias. A carga horária semanal permanece em 32 horas ou 8 horas por dia. O equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho esteve no centro da decisão, afirma DeWitt. Ele discorda da ideia de que os funcionários agora trabalham menos pelo mesmo salário. Trata-se de trabalhar de forma mais inteligente,
não mais intensa, diz. Segundo ele, em outros países, as pessoas passam muito tempo no trabalho, mas isso não significa que trabalhem muito. Mudar a cultura e a mentalidade é o maior desafio. A jornada de quatro dias por semana já se tornou comum na Holanda há vários anos, com a adesão, inclusive, de grandes empresas. O maior sindicato do país, a Confederação dos Sindicatos Holandeses, FNV na sigla em holandês,
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Segundo Peppers, desde que a empresa adotou a semana de quatro dias, as licenças médicas diminuíram e a retenção aumentou. No entanto, ela afirma que a proposta enfrentou resistência no início. Tivemos que convencer os investidores. Nossos próprios funcionários estavam céticos no começo. Não consigo terminar meu trabalho nem em cinco dias, foi uma das reações, diz Marique Peppers.
Acrescenta.
do país, isso é, por habitante, está entre os mais altos da Europa e figura próximo ao topo entre os membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, ao CDE conhecida como Clube dos Países Ricos. Esse desempenho desafia a premissa de que países ricos precisam de jornadas longas para se manter competitivos. Mas a realidade da semana de quatro dias na Holanda é tão bem sucedida para a economia quanto
sugerem as manchetes da imprensa? É verdade que a Holanda tem alta produtividade e trabalha menos horas, afirma Daniela Glocker, economista responsável pela Holanda na OCDE. Mas o que vimos nos últimos 15 anos é que ela, a produtividade, não cresceu. Glocker acrescenta. Então, se os holandeses quiserem manter sua qualidade de vida, terão de aumentar a produtividade ou ampliar a oferta de trabalho.
que os trabalhadores atuais precisarão produzir mais bens e serviços por dia de trabalho ou que o país terá de ampliar o número de pessoas no mercado, possivelmente com maior imigração. A Holanda tem a maior proporção de trabalhadores em tempo parcial entre os países da OCDE. Quase metade dos empregados trabalha menos que a jornada integral. Salários mais altos e a forma como os impostos holandeses incidem sobre a faixa intermediária de renda,
tornam menos atraente trabalhar horas extras, levando famílias a trocar renda por tempo livre. Uma análise do próprio governo aponta que 3 em cada 4 mulheres e 1 em cada 4 homens trabalham menos de 35 horas por semana. Sindicatos argumentam que um dia a menos pode beneficiar a energia, a produtividade e a sociedade,
A OCDE, no entanto, alerta que esse modelo enfrenta pressões crescentes. Como a maioria dos países, a Holanda tem que lidar com o envelhecimento da população. À medida que mais pessoas se aposentam, menos permanecem na força de trabalho.
poucos trabalhadores. O que vemos é que a Holanda enfrenta restrições por todos os lados. A forma de aliviar isso é expandir a oferta de trabalho, afirma Nicolas Ghosn. Uma forma de ampliar a oferta de trabalho seria aumentar a participação de mulheres holandesas em jornadas integrais. Embora a taxa de emprego feminino seja elevada, mais da metade das mulheres no país trabalha em tempo parcial, cerca de três vezes a média da
O acesso a creches a preços acessíveis continua sendo um entrave importante e a elevada carga tributária sobre a renda, aliada à complexidade do sistema de benefícios, pode desestimular o aumento da jornada, especialmente entre os chamados segundos provedores de renda familiar. Peter Hein van Mulligen, do Escritório Central de Estatísticas da Holanda, aponta para um conservadorismo institucionalizado,
fundamente enraizado na sociedade holandesa, que atua como barreira à participação feminina. Um estudo de 2024 apontou que um em cada três holandeses considera que mães com filhos pequenos de até três anos não deveriam trabalhar mais do que um dia por semana, e quase 80% afirmam que três dias semanais seriam o máximo. Entre os pais, os percentuais são, respectivamente, 5% e 29%,
De volta a Positivity Branding.
uma forma de tornar essas profissões mais atrativas e elevar novamente a produtividade, diz ele. Seu sócio, Gavin Arm, resume sua visão sobre o modelo. Você está mais feliz? Está aproveitando mais a vida? É disso que se trata. Você ouviu a reportagem O País que Silenciosamente Vem Reduzindo a Jornada de Trabalho para Quatro Dias por Semana, publicada pela BBC News Brasil em 12 de fevereiro de 2026. Música