A morte do desejo sexual - e o grande debate sobre uso da testosterona para resgatar a libido
Moda, busca abusiva por lucro, 'impacto transformador'? Especialistas dizem o que pensam sobre popularização da terapia de reposição de testosterona.
- Terapia de reposição de testosterona (TRT)Aumento de prescrições · Diferentes formas de administração · Eficácia na libido · Uso em clínicas privadas vs NHS · Crescimento exponencial da demanda
- Clínicas privadas vs serviço públicoPreenchimento de lacunas no atendimento · Lucro abusivo · Diferenças em critérios diagnósticos · Acesso mais rápido · Questões de saúde financeira
- Relação entre testosterona e libidoComplexidade da relação · Nem todos com baixa testosterona têm baixa libido · Variação individual · Efeito placebo · Não é solução única
- Crise InstitucionalRedução de frequência em britânicos · Comparação entre décadas (1990-2010-2024) · Casais vivendo juntos · Grupos demográficos afetados · Pesquisa nacional de comportamento sexual
- Estratégias de MarketingAnúncios em metrô e pontos de ônibus · Presença em redes sociais · Frases de efeito comercial · Regulação diferente entre países · Proibição no Brasil
- Atuação de Lucia na políticaImpacto transformador relatado online · Publicações de influenciadores · Efeito demonstração · Demanda gerada por relatos de terceiros · Generalização de casos individuais
- Libido Baixa e FatoresMundo digital e conectado · Níveis de estresse elevados · Depressão e solidão · Tecnologia e desligamento · Redução do desejo sexual multifatorial
- Diagnostico MedicoNíveis de testosterona em nanomoles/litro · Diretrizes NHS vs Sociedade Britânica de Medicina · Variação entre hospitais · Dificuldade em obter leituras precisas · Hipogonadismo
- Direitos das MulheresQuantidades produzidas naturalmente menores · Transtorno do desejo sexual hipoativo · Pico na menopausa · Uso off-label · Falta de tratamentos licenciados no NHS
- Pilares da Saúde EmocionalCrescimento de pelos faciais e corporais · Acne · Ganho de peso · Alopecia · Aprofundamento da voz · Reversibilidade com redução de dosagem
- Necessidade de abordagem multifatorialAlém de medicação · Relacionamento com parceiro · Autoimagem · Estilo de vida · Discussão médica-paciente · Mudanças comportamentais
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Mais de 15 milhões de pessoas do mundo todo já usam e confiam. Afinal, quem sabe, vai de Wise. Baixe o app da Wise hoje ou visite wise.com. Termos e condições se aplicam. BBC Lê. A morte do desejo sexual e o grande debate sobre o uso da testosterona para resgatar a libido. Reportagem de Ruth Clegg, da BBC, publicada pela BBC News Brasil, em 15 de fevereiro de 2026.
lida por Sylvia Salek. Hoje, coach de fitness e de estilo de vida em Londres, Alan Reeves começou a fazer terapia de reposição de testosterona e diz que o tratamento lhe devolveu a libido. De um velho rabugento, como ele mesmo diz, ele se transformou em alguém que se sente como se tivesse voltado aos 20 anos. A sensação é fenomenal, diz ele.
Rachel Mason, uma blogueira de 37 anos que escreve sobre temas relacionados à menopausa, diz que o hormônio tem sido incrível para manter altos os seus níveis de energia, concentração e libido. Em países como o Reino Unido, onde as estatísticas apontam uma redução do apetite sexual de forma geral, as prescrições de testosterona têm crescido expressivamente.
da NHS Business Authority, órgão ligado ao Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido, compilados pela Care Quality Commission, apontam um aumento de 135% entre 2021 e 2024. Em 2010, pessoas entre 16 e 44 anos no país relataram fazer sexo, em média, três vezes por mês, conforme os dados compilados pela Pesquisa
Nacional de Comportamento Sexual e Estilo de Vida, realizada a cada 10 anos com mais de 10 mil entrevistas. O número é menor do que o registrado no ano de 2000, quando britânicos afirmaram fazer sexo quatro vezes por mês, e também menor do que na década de 1990, quando a média era de cinco vezes por mês. Os próximos resultados estão previstos para serem divulgados no fim deste ano, e os pesquisadores
A experiência de Alan Reeves com a diminuição da libido é apenas um exemplo de uma tendência que, segundo o pesquisador,
pesquisadores está se tornando cada vez mais comum. Ao longo dos anos, notamos uma queda em todos os grupos demográficos, diz Soazic Clifton, diretora acadêmica da pesquisa. Há menos casais vivendo juntos do que na década de 90, por exemplo, o que poderia ajudar a explicar a redução do desejo sexual. Mas quando analisamos especificamente esse grupo, houve uma diminuição. Há menos casais vivendo juntos do que na década de 90, por exemplo,
poderia ajudar a explicar a redução do desejo sexual, mas mesmo quando analisamos especificamente esse grupo, os casais, houve uma diminuição. Acrescenta. De fato, algumas das quedas mais acentuadas na frequência sexual foram observadas entre casais mais velhos. A pesquisadora afirma que é difícil dizer de maneira conclusiva por que o desejo sexual parece estar diminuindo.
que temos até agora pode realmente nos dizer com segurança porque, como população, não estamos mais fazendo sexo com tanta frequência, diz ela. Um fator destacado entre estudos sobre o tema é o mundo digital e hiperconectado no qual vivemos e do qual é difícil se desligar. Os níveis de estresse também são hoje, de forma geral, mais altos do que eram há 30 anos, o que pode contribuir,
clínico geral e terapeuta sexual. As pessoas têm tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo. Há a tecnologia, obviamente, mas também há um aumento no estresse, na depressão, na solidão. E tudo isso contribui para a redução do desejo sexual. Analisa. E há ainda a tendência de diminuição nos níveis de testosterona. Um tema que tem gerado muito interesse online e se converteu em um grande negócio.
Os níveis de testosterona nos homens estão definitivamente diminuindo, diz o professor Jeffrey Hackett, urologista e membro da Sociedade Britânica de Medicina Sexual. O aumento da obesidade, diabetes tipo 2, o número crescente de pessoas que levam vidas mais sedentárias, tudo isso reduz os níveis de testosterona. E a queda nos níveis de testosterona vai ser um fator na diminuição do nosso desejo sexual.
Diversos estudos abrangentes realizados nos últimos 20 anos que mediram os níveis de testosterona em homens sugerem que esses níveis diminuíram. Jeffrey Hackett ressalta, no entanto, que o quadro é complexo. Ter baixa testosterona aumenta a probabilidade de se ter baixa libido, mas isso não significa que todos aqueles que têm baixos níveis de testosterona terão baixo desejo sexual.
Dessa complexidade em países como o Reino Unido e nos Estados Unidos, estações de metrô, pontos de ônibus e redes sociais estão repletos de anúncios com frases de efeito como baixa libido, confusão mental, cansado, hora de verificar seus níveis de testosterona. Seu parceiro perdeu o brilho, podem ser os hormônios.
Ela pode ser administrada por vias injetáveis, gel, adesivo, implantes subcutâneos ou via oral. Mas afinal, a terapia de reposição de testosterona pode realmente oferecer uma solução milagrosa para a baixa libido? Melissa Green toma testosterona há quase um ano. Ela diz que isso não só lhe devolveu o entusiasmo pela vida, como também salvou a testosterona.
Aos 43 anos, ela afirma que sua baixa libido estava tendo um grande impacto no relacionamento. Por estar na perimenopausa, o seu médico já havia prescrito estrogênio e progesterona por meio de terapia de reposição hormonal. Mas ela diz que o profissional se recusou a verificar seus níveis de testosterona, alegando que ela não precisava de suplementação do hormônio.
E as diretrizes do Serviço Nacional de Saúde Britânico, o NHS, indicam que a testosterona pode ser prescrita para mulheres com transtorno do desejo sexual hipoativo, caracterizado por pouco ou nenhum desejo sexual. O problema pode afetar mulheres de qualquer idade, mas tende a atingir o pico por volta da menopausa.
seus níveis estavam baixos. Depois de levar os resultados ao clínico geral, ela agora recebe testosterona pelo sistema de saúde britânico em um pequeno complemento por meio de uma receita particular. Isso me devolveu a vida. De certa forma, eu sinto que eu voltei aos meus 20 anos. Tenho mais energia, me sinto mais alerta e meu desejo sexual voltou, diz. Enquanto algumas pessoas são efusivas sobre o impacto da testosterona na libido, outras dizem
que ela teve efeitos menos desejáveis. Cheryl O'Malley fez terapia de reposição de testosterona por um ano. Ela diz que, embora possa ter ajudado a recuperar parte da energia que havia perdido durante a menopausa, ela também aumentou demais o seu desejo sexual e a deixou com sentimentos intensos de raiva. Eu estava muito excitada, eu queria fazer sexo com meu marido, mas, ao mesmo tempo, eu o odiava. E é aí que você percebe que não está bem, que não sou eu.
controle, disse. Rachel Mason diz que quando publica postagens sobre a terapia de reposição, percebe que muitas mulheres têm medo de começar a terapia de reposição de testosterona porque temem se tornar masculinas, desenvolver pelos faciais, de se perderem. Ela diz que tem uma parte particularmente mais peluda no pulso, onde aplica o gel de testosterona diariamente, mas que os benefícios que obtém com o hormônio valem a pena.
Além do aumento de pelos no corpo, a reposição pode causar uma série de outros efeitos colaterais. Para as mulheres, os efeitos mais comuns são crescimento excessivo de pelos, acne e ganho de peso, que são geralmente reversíveis com uma redução da dosagem ou interrupção do tratamento. Alopecia e engrossamento da voz são raros.
ereções dolorosas e prolongadas, calvície e alterações de humor. Também pode levar à diminuição da produção de espermatozoides, o que pode afetar a fertilidade. Existem tratamentos que podem ajudar, mas recomenda-se aconselhamento médico. Alguns médicos clínicos gerais e especialistas do NHS disseram à BBC que clínicas privadas estão lucrando com a venda da reposição de testosterona,
como uma solução rápida para um problema complexo. Paula Briggs, que é consultora do NHS em saúde sexual e reprodutiva, descreve isso como uma mina de ouro em que muitas pessoas acabam pagando muito dinheiro por algo de que não precisam. Está fora de controle. A indústria do bem-estar criou essa lacuna no mercado que está usando a seu favor. É abusivo, opina. Clínicas privadas, no entanto, afirmam que estão melhorando a vida das pessoas,
ao oferecer um serviço que a saúde pública não consegue oferecer. Jeff Foster, clínico geral do NHS e diretor médico da VOI, que é uma clínica multimilionária especializada em saúde masculina, afirma que o setor privado está preenchendo uma lacuna no atendimento. No momento, o NHS não está preparado para diagnosticar ou tratar os milhares de homens que podem ter baixa testosterona, diz.
Ele afirma que viu a demanda crescer exponencialmente nos últimos anos. Ele diz que alguns dos seus pacientes fizeram exames no NHS e foram informados de que não tinham níveis baixos de testosterona e que então decidiram procurar tratamento particular. Só porque o nível de testosterona deles pode estar um pouco acima do limite estabelecido pelo NHS,
que a reposição não possa ajudá-los. Não é uma questão preto no branco, é mais complexo do que isso, diz. Para os homens, a testosterona começa a diminuir em cerca de 1% entre os 30 e 40 anos. O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido aponta a tendência como uma parte normal do envelhecimento. Alan Reeves recebeu inicialmente terapia de reposição de testosterona pelo NHS.
Mostraram níveis de 10 e 12 nanomoles por litro. E ele recebeu um ciclo de 4 injeções com 3 semanas de intervalo entre elas. Mas após o quarto tratamento, ele foi informado de que não poderia mais continuar sem receber muitas explicações. Eu voltei a estaca zero. Foi então que eu decidi procurar um médico particular. Qual é, então, o nível saudável de testosterona para homens?
A gente tem uma organização consultada e da pesquisa. As diretrizes da Sociedade Britânica de Medicina, formuladas a partir de importantes estudos internacionais, sugerem que homens com uma taxa inferior a 12 devem ser considerados para terapia de reposição de testosterona e provavelmente apresentarão sintomas de hipogonadismo, uma condição na qual os testículos não produzem quantidade suficiente do hormônio.
As diretrizes do NHS variam entre os hospitais, mas apontam que um homem com níveis abaixo de 6 a 8 nanomoles por litro pode ter deficiência de testosterona. Nas mulheres, a testosterona começa a diminuir entre os 20 e 40 anos, estabilizando-se com a entrada na menopausa.
Existem exames disponíveis, mas é difícil obter leituras precisas, porque embora a testosterona também seja vital para as mulheres, a quantidade necessária é muito menor. E mesmo que seja prescrito, precisa ser usado off-label ou fora da bula, já que atualmente não existem tratamentos licenciados para mulheres disponíveis no Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido.
Ela diz ter observado um aumento significativo no número de pacientes que relatam precisar de testosterona porque se sentem deprimidos e sem vontade de fazer sexo.
Ela compartilha a experiência de médicos que se dizem inundados de pacientes que pedem exames de testosterona. Muitos saem com uma receita de reposição apenas para voltarem alguns meses depois e dizerem ter notado pouco impacto. Segundo ela, embora a testosterona ajude algumas pessoas, a proporção daqueles que dizem precisar de testosterona e que realmente se beneficiarão é pequena.
Ela diz ainda que a publicidade das clínicas particulares exagera em tudo.
testosterona pode ter um efeito placebo, levando os pacientes às vezes a tomar e pagar por medicamentos dos quais não precisam. Cherry O'Malley parou de tomar a testosterona. Ela diz que a raiva intensa e a excitação sexual exacerbada que sentiu durante o tratamento diminuíram. E sua libido retornou a um nível que lhe parece confortável. Eu estou aliviada, comenta. Para alguns, a medicação pode ser realmente transformadora.
Diz Ben Davis, acrescentando que se trata mais do que apenas prescrever medicamentos. Os médicos podem não ter tempo para discutir com o paciente o que está por trás da sua baixa libido. Pode ser o relacionamento com o parceiro, a forma como se vêem, ou que o sexo que praticam não mais os excita, diz. Ele afirma que existem muitos fatores que contribuem para a baixa libido e que a testosterona não é a única resposta.
faz terapia de reposição de testosterona há sete anos e recebe a prescrição de testosterona de uma clínica particular, afirma que sua vida melhorou drasticamente. Minha libido voltou de forma que no início eu queria fazer sexo todas as noites por dez noites, mas agora isso se acalmou e eu estou bem. Ainda assim, ele acredita que a testosterona não é uma solução mágica e que não faz sentido tomá-la sem fazer outras mudanças no estilo de vida.
O contrário, diz ele, é como colocar um motor de Ferrari em um carro velho. Eu caminho hoje com uma postura melhor e isso se deve, em parte, à testosterona e, em parte, a mim. Conclui. Você ouviu a reportagem A Morte do Desejo Sexual e o Grande Debate sobre o Uso da Testosterona para Resgatar a Libido, publicada pela BBC News Brasil em 15 de fevereiro de 2026. Música