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Ícone da música brasileira, Sonia Santos volta aos palcos brasileiros aos 82 anos

02 de maio de 20268min
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Sonia Santos é uma das vozes mais importantes da música brasileira, que muita gente ainda está descobrindo. Uma artista de trajetória rara, com 60 anos de carreira, que atravessa televisão, samba, soul e jazz com a mesma força e identidade. A cantora e compositora que construiu uma carreira singular dividindo palcos com grandes nomes internacionais e da MPB, agora retorna ao Brasil, em maio, para apresentar o espetáculo “O Samba Mandou Me Chamar”, marcando um reencontro com o público brasileiro após anos de atuação intensa no exterior.

Radicada em Los Angeles há mais de três décadas, Sonia fez da cidade um polo de expressão afro-brasileira e consolidou-se como referência cultural. Foi na cidade californiana que concedeu uma entrevista à RFI.

Aos 82 anos e cheia de energia que transborda nas conversas e nas suas músicas, subiu ao palco em Temecula, na Califórnia, no dia 17 de abril. Nos últimos meses realizou diversas apresentações na região, na qual é reconhecida como um símbolo de resistência e a ponte entre a ancestralidade e a modernidade global, de onde vêm suas inspirações.

Ela afirma que a arte deve manter um olhar atento sobre a política para não transmitir mensagens equivocadas, motivo pelo qual acompanha de perto o tema.

“Eu gosto de programas de governo que falam principalmente em saúde, educação, arte e cultura. Então, eu fico de olho nessas coisas, procuro valorizar a minha ancestralidade e fazer com que essas figuras que realmente, vamos dizer assim, fundaram o Brasil, que elas sejam vistas, que elas sejam ouvidas, que elas sejam reconhecidas e valorizadas”, contou à RFI.

Uma lenda viva

Ícone desde os anos 1960, Sonia compartilhou palcos com nomes como Tim Maia, Jorge Ben Jor e Luiz Melodia. A projeção nacional veio na década seguinte, quando se tornou presença marcante na televisão brasileira, especialmente no Fantástico, da TV Globo. Participou de performances musicais e de trilhas de novelas.

Nos anos 1990, mudou-se para os Estados Unidos; logo no início já conquistou a Broadway e abriu shows de nomes como Ray Charles e Nancy Wilson, além de colaborações e encontros com Sérgio Mendes e outros artistas que ajudaram a projetar o reconhecimento da música brasileira, e a potência que é hoje, no exterior.

“Eu cantei num festival de artes populares na Tunísia, há uns anos. Havia 54 países representados e quando anunciaram que era música brasileira, todo mundo aplaudiu. Nós tocamos na Rússia, ginásio cheio, e o patrocinador, que era a Coca-Cola, divulgou muito 'Água de beber'. E o povo cantarolova isso (ela canta). Basta dizer que é música brasileira e uma rendição incondicional acontece", revela.

Ao lado da cantora Ana Gazzola, integrou o projeto Brazil Brazil, com o qual fez diferentes circuitos internacionais, incluindo cidades na Ásia, Europa e África. O grupo foi responsável por levar repertório brasileiro a festivais de jazz e música do mundo inteiro. Uma missão, segundo Sonia, com muito ritmo e cadência para transmitir amor ao mundo.

A artista diz que sua trajetória é guiada pela “voz do seu coração”, uma proposta de vida que a levou a circular por mais de 40 países. Para ela, “todo artista é um canal”, responsável por “transmitir coisas boas e bonitas”. Sonia parte do princípio de que “tudo é energia, força magnética” e acredita ter uma mensagem a passar para as pessoas. “Escolhi as palavras das minhas músicas nessa direção”, conta.

Samba como DNA e pioneirismo

Seu talento visionário se expressa em músicas como Poema Rítmico do Malandro (1971), que antecipou a cadência do rap anos antes do gênero ganhar força no Brasil. Sonia já experimentava com a métrica e a rima, e adiantou tendências com uma visão artística que sempre esteve décadas à frente.

Mas o samba, ah, o samba. Esse bate mais forte e constante no peito. É o eixo central de uma carreira que desafiou fronteiras. Embora tenha transitado com maestria pelo jazz e pelo blues, é na cadência do tambor que sua identidade se solidifica.

Tempos de redescoberta

Apesar dessa magnitude, o nome de Sonia Santos parece ainda escondido, esquecido do grande público, sendo muitas vezes um segredo guardado por músicos e historiadores. Por isso, o significado ainda maior desse retorno ao Brasil. Será a síntese de uma trajetória que volta ao palco de onde saiu.

No novo espetáculo “O Samba Mandou Me Chamar”, Sonia revisita diferentes fases da própria trajetória por meio de um repertório que mistura memória e reinvenção: com clássicos como “Upa Neguinho”, “Água de Beber” e “Brasileirinho”. O show também inclui releituras que dialogam e refletem sua vivência entre Brasil e Estados Unidos e tributos a mulheres que, assim como ela, levaram a música brasileira aos palcos do mundo, como Carmen Miranda e Tânia Maria.

“Eles podem esperar de mim uma entrega total, entendeu? Estou completamente rendida às belezas do meu país. Eu amo o Brasil. Eu acho que ele não é a pátria do futuro, ele é a pátria do presente. Eu acho que definitivamente ele está chegando naquele ponto de ter o reconhecimento e o respeito mundial", conclui.

As apresentações acontecem nos dias 7 e 8 de maio de 2026, às 20h, no Teatro Raul Cortez do Sesc 14 Bis, em São Paulo.

Assuntos10
  • Legado musical de Sonia SantosPoema Rítmico do Malandro (antecipação do rap) · Identidade solidificada no samba · Repertório com clássicos e releituras · Tributos a mulheres da música brasileira (Carmen Miranda, Tânia Maria)
  • Trajetória internacional de Sonia SantosParcerias com Tim Maia, Jorge Ben Jor e Luiz Melodia · Presença na televisão brasileira (Fantástico) · Broadway e shows internacionais (Ray Charles, Nancy Wilson) · Projeto Brazil Brazil com Ana Gazola
  • Retorno de Sonia Santos ao BrasilCarreira de 60 anos · Atuação no exterior · Espetáculo "O Samba Mandou Me Chamar"
  • Proteção divina através de anjosPolo de expressão afro-brasileira · Referência cultural · Apresentações na Califórnia
  • Música Cristã BrasileiraReconhecimento em festivais internacionais · Coca-Cola como patrocinador · Música brasileira como símbolo de rendição incondicional
  • Visão política e social de Sonia SantosArte e política · Programas de governo (saúde, educação, arte, cultura) · Valorização da ancestralidade
  • Sonia Santos como canal de transmissão de mensagensArte como transmissão de coisas bonitas e boas · Música como estímulo e mensagem de amor, respeito e compreensão
  • Interior do Brasil e desenvolvimentoReconhecimento e respeito mundial
  • Apresentações futuras no Teatro Raul CortezDatas: 7 e 8 de maio de 2026 · Local: Teatro Raul Cortez, do Sesc 14B
  • Música: Coração em DesalinhoLetra e significado
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Sônia Santos é uma das vozes mais importantes da música brasileira que muita gente ainda está descobrindo. Uma artista de trajetória rara, com 60 anos de carreira.

que atravessa a televisão, samba, soul e jazz com a mesma força e identidade. A cantora e compositora, que construiu uma carreira singular, dividindo palcos com grandes nomes internacionais e da MBB, agora retorna ao Brasil em maio para apresentar o espetáculo O Samba Mandou Me Chamar, marcando o reencontro com o público brasileiro após anos de atuação intensa no exterior.

Radicada em Los Angeles há mais de três décadas, Sônia fez da cidade um polo de expressão afro-brasileira e consolidou-se como referência cultural. Foi daqui que nos deu entrevista? Aos 82 anos e cheia de energia que transborda nas conversas e nas suas músicas, subiu ao palco em Temécula, na Califórnia, no dia 17 de abril.

Nos últimos meses, realizou diversas apresentações na região, na qual é reconhecida como um símbolo de resistência e a ponte entre a ancestralidade e a modernidade global, de onde vêm suas inspirações. Eu acho que a arte tem que estar caminhando de olho vivo na política, que é para não transmitir mensagem errada.

Então, eu acompanho muito a política. Eu gosto de programas de governo que falem principalmente em saúde, educação, arte, cultura. E procuro fazer com que valorizar a minha ancestralidade e fazer com que essas figuras que realmente, vamos dizer assim, fundaram o Brasil, que elas sejam vistas.

que elas sejam ouvidas, que elas sejam reconhecidas e valorizadas, né, Cleide? Ícone desde os anos 1960, Sônia compartilhou palcos com nomes como Tim Maia, Jorge Benjor e Luiz Melodia. A projeção nacional veio na década seguinte, quando se tornou presença marcante na televisão brasileira, especialmente no Fantástico da TV Globo. Participou de performances musicais e de trilhas de novelas.

Nos anos 1990, mudou-se para os Estados Unidos. Logo no início, já conquistou a Broadway e abriu shows para nomes como Ray Charles e Nancy Wilson. Além de colaborações com outros artistas que ajudaram a projetar o reconhecimento da música brasileira e a potência que é hoje no exterior. Eu cantei no Festival de Artes Populares.

na Tunísia, há uns anos atrás. Tinham 54 países representados. Quando anunciam que é música brasileira, todo mundo aplaude. Eu vi na Rússia, nós tocamos na Rússia, entendeu? E quando os patrocinadores, que era a Coca-Cola lá...

E eles divulgaram muito água de bebê. Para do dá, paio ba da badeia, para do dá. E o povo já fazia isso. Basta dizer que a música brasileira, para aquela rendição incondicional, acontece.

Ao lado da cantora Ana Gazola, integrou o projeto Brasil Brasil, com o qual fez diferentes circuitos internacionais, incluindo cidades na Ásia, Europa e África. O grupo foi responsável por levar repertório brasileiro a festivais de jazz e música do mundo inteiro. Uma missão, segundo Sônia, de, com muito ritmo e cadência, transmitir amor.

ao mundo. Eu vou te falar a voz do meu coração que é a proposta da minha vida. A gente já foi em vários lugares do mundo, nos 40 países. Eu entendo que todo artista é um canal, entendeu? É um canal para transmissão de preferência de coisas bonitas e de coisas boas.

E como tudo é energia, força magnética, eu sinto, eu tenho uma mensagem que é boa para as pessoas. Eu quero estimular as pessoas, porque eu acho que o mundo precisa de amor, precisa de respeito, de compreensão. Então, eu acho que a minha música, eu escolhi as palavras das minhas músicas nessa direção.

Seu talento visionário se expressa em músicas como o Poema Rítmico do Malandro, de 1971, que antecipou a cadência do rap anos antes do gênero ganhar força no Brasil. Sônia já experimentava com a métrica e a rima, e adiantou tendências como uma visão artística que sempre esteve décadas à frente.

Mas o samba, ah, o samba, esse bate mais forte e constante no peito. É o eixo central de uma carreira que desafiou fronteiras. Embora tenha transitado com maestria pelo jazz e pelo blues, é na cadência do tambor que sua identidade se solidifica. Apesar dessa magnitude, o nome de Sônia Santos parece ainda estar escondido, esquecido do grande público.

sendo muitas vezes um segredo guardado por músicos e historiadores. Por isso, o significado ainda maior desse retorno ao Brasil será a síntese de uma trajetória que volta ao palco de onde saiu. No novo espetáculo, o samba mandou me chamar...

Sônia revisita diferentes fases da própria trajetória por meio de um repertório que mistura memória e reinvenção. Com clássicos como O Paneguinho, Água de Beber e Brasileirinho, o show também inclui releituras que dialogam e refletem sua vivência entre Brasil e Estados Unidos e tributos a mulheres que, assim como ela, levaram a música brasileira aos palcos do mundo, como Carmen Miranda e Tânia Maria.

Olha, eles podem esperar de mim uma entrega total, entendeu? Eu estou completamente rendida às belezas do meu país. Eu amo o Brasil. Eu acho que ele não é a pátria do futuro, ele é a pátria do presente. Eu acho que, definitivamente, ele está chegando naquele ponto de ter o reconhecimento e o respeito mundial.

As apresentações acontecem nos dias 7 e 8 de maio de 2026, às 8 horas da noite, no Teatro Raul Cortez, do Sesc 14B. Cleide Clock, de Los Angeles, para a Rádio França Internacional.

Opa, neguinho na estrada, opa pra lá e pra cá Vixe, que coisa mais linda, opa, neguinho começou a andar Opa, neguinho na estrada, opa pra lá e pra cá Vixe, que coisa mais linda, opa, neguinho começou a andar Começou a andar, começou a andar E já começa a apanhar

Cresce neguinha abraça Cresce me ensina a cantar Eu vi de tanta desgraça Mas muito eu te posso ensinar Mas muito eu te posso ensinar Capoeira posso ensinar Ziquezira posso emprestar Valente a posso emprestar Mas liberdade só posso esperar Agora vai ver Agora vai ver Agora vai ver Riu-a-ru-pa Riu-a-ru-pa

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