Origens #10 - 10/05/2026
Série: Origens - Série de mensagens em Gênesis 1-11
Texto base: Gênesis 9
- Aliança noética e o sinal do arco-írisEstabelecimento da aliança · Abrangência da aliança · Sinal da aliança: arco-íris · Garantia divina da aliança · Jesus como base da aliança
- O Plano de Deus para a HumanidadeBênção e multiplicação · Mudança na fonte de alimentação · Proibição de comer sangue · Santidade da vida humana
- Concupiscência e pecado originalEmbriaguez e nudez de Noé · Ato de Cam e maldição de Canaã · Interpretação da maldição de Canaã · O pecado desembarcou com a arca · Morte como consequência do pecado
Bom dia pessoal, nós estamos quase chegando ao final dessa série Origens e nessa série nós estamos estudando os 11 primeiros capítulos do livro de Gênesis, que é o primeiro livro da Bíblia e desde o capítulo 6 nós temos acompanhado a história de Noé. Como nós temos visto a história sobre a arca de Noé e o dilúvio.
Não é uma historinha infantil bonitinha, mas é o relato terrível do julgamento de Deus contra o pecado e a maldade humana. Gênesis 7, versículo 22, diz assim, Tudo o que havia em terra seca e tinha nas narinas o fôlego de vida, morreu.
Todos os seres vivos foram exterminados da face da terra, tanto os homens como os animais, grandes os animais pequenos que se movem rente ao chão e as aves do céu foram exterminadas da terra. Só restaram Noé e aqueles que com ele estavam na arca.
Porém, em meio a todo esse sofrimento causado pelo dilúvio, o que nós encontramos também é que essa história é uma história que revela a graça de Deus e a esperança para a humanidade. Na semana passada, nós ouvimos sobre o fim do dilúvio e como a esperança de Noé e de sua família começou a ser renovada quando ele soltou uma pomba e como a esperança de Deus.
E essa pomba não voltou mais, indicando que ela havia encontrado local para repousar. Então nós vimos como Noé e sua família, juntamente com todos os animais, saíram da arca. Uma boa notícia depois de um ano de sofrimento. Hoje nós chegamos à décima pregação, é a penúltima pregação da série. E nós vamos olhar para o capítulo 9.
Eu dividi o capítulo em três partes da seguinte forma. Primeira parte, do versículo 1 até o 7, nós vamos ver as instruções de Deus para o ser humano no novo mundo. Na segunda parte, que vai do versículo 8 até o 17, nós vamos ver a aliança noética e o sinal da aliança. E na terceira parte, do versículo 18 até o 29, que é o final.
Nós vemos a realidade humana e a presença do pecado no novo mundo. Antes da gente entrar no texto de hoje, eu queria convidar vocês para orar comigo. Senhor Deus, nós te louvamos hoje de manhã.
clamamos pela presença do Senhor e rogamos, Pai, não nos abandone agora na hora da exposição da Tua Palavra. Nós necessitamos da presença do Espírito Santo do Senhor para poder tornar viva essa Palavra, de forma que corações sejam transformados e que nós possamos ser edificados pela Palavra do Senhor, que é viva, Deus. Então, vem graciosamente sobre nós e, ao abrirmos a Tua Palavra, que o Senhor conceda favor.
de clareza na exposição, clareza no entendimento e transformação real nas nossas vidas, Pai. A nossa oração, Pai, em nome de Jesus. Amém. Primeira parte, então, Gênesis 9, do 1 até o 7. As instruções de Deus para o ser humano no novo mundo. Acompanhe comigo, Gênesis 9, versículo 1. Deus abençoou Noé e seus filhos, dizendo-lhes,
Sejam férteis, multipliquem-se e encham a terra. Todos os animais da terra tremerão de medo diante de vocês. Os animais selvagens, as aves do céu, as criaturas que se movem rente ao chão e os peixes do mar. Eles estão entregues em suas mãos. Tudo que vive e se move servirá de alimento para vocês. Assim como lhes dei os vegetais, agora lhes dou todas as coisas.
mas não como um carne com sangue, que é vida. A todo aquele que derramar sangue, tanto homem como animal, pedirei contas, e a cada um pedirei contas da vida do seu próximo. Quem derramar sangue do homem, pelo homem seu sangue será derramado, porque a imagem de Deus foi o homem criado. Mas vocês sejam férteis e multipliquem-se, espalhem-se pela terra e proliferem nela.
Então, após o dilúvio, a criação passou por uma renovação, que eu estou chamando aqui de novo mundo. Mas tem também que chame de nova criação ou criação renovada. O título não é o mais importante aqui, mas eu vou tratar como novo mundo. Noé e sua família desembarcaram neste novo mundo, então, e de cara nós já encontramos um paralelo com a criação original.
Durante o relato da criação, nós lemos o seguinte, em Gênesis 1, versículo 28. Deus os abençoou e lhes disse, sejam férteis e multipliquem-se, encham e subjuguem a terra, dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela terra. E agora, nessa nova criação, no novo mundo, nós lemos,
Gênesis 9, 1. Deus abençoou Noé e seus filhos, dizendo-lhes, sejam férteis, multipliquem-se e encham a terra. Depois ele repete a mesma coisa no versículo 7. Eu gostei do que o Jeff disse na semana passada, de que Deus não apenas poupa Noé, mas que Ele concede vida. E é isso que nós estamos vendo aqui, quando Deus abençoou Noé e seus filhos dessa forma.
Porém, por causa da entrada do pecado no mundo, como nós já vimos em Gênesis 3, a harmonia que existia antes no Jardim do Éden, não existe mais no Novo Mundo. Versículo 2. Todos os animais da terra tremerão de medo diante de vocês. Um comentarista bíblico do século XVII, ele escreveu o seguinte. Tradução livre minha aqui.
O homem, no estado de inocência, regia ou governava por amor. O homem, caído, rege pelo medo. Então nós vemos que no novo mundo, a fonte de alimentação do ser humano é ampliada em relação à criação original. Gênesis 1, versículo 29.
Disse Deus, eis que lhes dou todas as plantas que nascem em toda a terra e produzem sementes, e todas as árvores que dão frutos com sementes. Elas servirão de alimento para vocês, e dou todos os vegetais como alimento a tudo o que tem em si fôlego de vida, a todos os grandes animais da terra, a todas as aves do céu e a todas as criaturas que se movem rente ao chão.
E agora no Novo Mundo, versículo 3, tudo que vive e se move servirá de alimento para vocês. Assim como lhes dei os vegetais, agora lhes dou todas as coisas. Então, antes da queda, tanto os homens como os animais se alimentavam apenas do que a terra produzia. Depois da queda, e agora mais especificamente após o dilúvio, a base alimentar foi alterada.
Animais passaram a se alimentar de outros animais, de forma predatória, e os homens passaram a comer carne de animais também, além dos vegetais e dos frutos que já tinham sido dados. Uma implicação bem prática para nós. Romanos 14, versículo 2, diz o seguinte. Um crê que pode comer de tudo.
Já outro cuja fé é fraca, come apenas alimentos vegetais. Aquele que come de tudo, não deve desprezar o que não come. E aquele que não come de tudo, não deve condenar aquele que come, pois Deus o aceitou. Então Paulo diz que aquele que come apenas alimentos vegetais, por questão de fé, possui a fé mais fraca.
mas não condena e proíbe qualquer pessoa de condenar essa pessoa. Provavelmente, no contexto em que Paulo escreveu isso, o mais provável é que o comer carne estivesse relacionado à origem da carne, como as carnes oferecidas a ídolos em sacrifício.
Ou então, por causa das diferenças culturais. Uma vez que cristãos judeus, que tinham os hábitos alimentares bem peculiares, passaram a viver em comunhão com cristãos gentios. Isso poderia trazer algum conflito também de cultura. Agora, se você é alguém que decidiu não comer carne por questão de fé, ou pensar que há algo errado nisso,
e que essa não é a vontade de Deus, esse versículo de Gênesis 9, pode ajudar a corrigir um erro de entendimento, e fortalecer sua fé. Agora, se você simplesmente optou por não incluir carne na sua alimentação, por decisão pessoal, por questão de saúde, tudo bem.
O que não está tudo bem é se tornar um ativista do vegetarianismo, do veganismo ou de qualquer outro ismo e condenar quem come carne. Lembre-se que foi Deus que disse, eu lhes dou todas as coisas. E isso foi no contexto de bênção e não de maldição. Deus estava abençoando a Noé e aos seus filhos.
Então, no versículo 4, agora sim, nós encontramos uma proibição em relação aos alimentos. Versículo 4. Mas não como carne com sangue, que é vida. Em Atos 15, durante o concílio de Jerusalém, nós vemos Tiago, que era um dos líderes da igreja em Jerusalém.
defendendo que essa instrução deveria ser obedecida também pelos gentios, ou seja, aqueles que não eram judeus estavam se convertendo ao caminho de Jesus.
Atos 15, versículo 19 diz, Portanto, julgo que não devemos pôr dificuldades aos gentios que estão se convertendo a Deus. Ao contrário, devemos escrever a eles dizendo-lhes que se abstenham de comida contaminada pelos ídolos, da imoralidade sexual, da carne de animais estrangulados e do sangue.
Existem algumas interpretações quanto ao motivo dessa proibição, algumas argumentam-se simplesmente por questões sanitárias que não existiam antigamente, que hoje existem, mas o que o texto nos permite falar com segurança é que o sangue é a representação da vida. Daí a proibição.
Isso faz sentido porque o versículo seguinte reforça a ideia da santidade da vida. Versículo 5. A todo aquele que derramar sangue, tanto o homem como o animal, pedirei contas. A cada um pedirei contas da vida do seu próximo. Quem derramar sangue do homem pelo homem, seu sangue será derramado. Porque a imagem de Deus foi o homem criado. Mais um paralelo.
com o início da criação. Em Gênesis 1, 27, nós lemos, Criou Deus o homem, a sua imagem, a imagem de Deus o criou. Homem e mulher os criou. É agora que em Gênesis 9 nós vemos a repetição de que o homem foi criado à imagem de Deus e por isso o autor, que é Moisés, destaca a santidade da vida e a consequência de se tirar uma vida.
Vejam que a vida humana é tão preciosa que Deus diz que até os animais serão responsabilizados se eles tirarem uma vida humana. Agora, quando nós olhamos para a sociedade hoje, nós observamos que os animais, especialmente pets, têm recebido uma atenção muito grande.
viraram agenda de campanha política e tem movimentado um mercado de muito dinheiro atualmente. Isso é só informação, não é julgamento. Vocês sabiam que existe um movimento chamado Movimento pela Extinção Humana Voluntária? Tem até uma sigla em inglês que acho que é vehement.
O discurso deles é o seguinte, que eles estão preocupados com a deterioração da vida na terra. Então, com esse discurso de preocuparem com a vida da terra, dos animais e tudo, eles propõem que o ser humano pare de se reproduzir. Simplesmente não reproduzam mais.
O problema é que esse tipo de visão desconsidera completamente, primeiro, que existe um Deus, e segundo, que nós fomos criados à imagem desse Deus. E quando Deus, ou o que Ele diz, não faz mais diferença na sociedade, nós chegamos ao ponto de ouvir absurdos como esse, e absurdos como um que eu ouvi ano passado, conversando com uma pessoa.
Conversando com ela, ela estava falando que se ela tivesse que decidir, na hora, estar dirigindo um carro, se ela precisasse desviar para um lado para salvar uma pessoa, ou desviar para o outro para salvar um animal, ela decidiria, optaria por matar a pessoa para salvar o animal. E sabe o que é o mais chocante? É uma pessoa boa.
É uma pessoa de boa criação, de boa família, de boa instrução, super tranquila, é uma pessoa considerada pessoa de paz. Isso é chocante. Porém, a bênção de Deus está na instrução de multiplicação. E Ele reforça a santidade da vida, porque nós fomos feitos a sua imagem e semelhança.
Segunda parte, Gênesis 9, de 8 a 17. A aliança noética e o sinal da aliança. Acompanhe comigo o versículo 8. Então disse Deus a Noé e a seus filhos que estavam com ele.
Vou estabelecer a minha aliança com vocês e com seus futuros descendentes e com todo ser vivo que está com vocês. As aves, os rebanhos domésticos e os animais selvagens. Todos os que saíram da arca com vocês. Todos os seres vivos da terra. Estabeleça uma aliança com vocês. Nunca mais será ceifada nenhuma forma de vida pelas águas de um dilúvio. Nunca mais haverá dilúvio para destruir a terra.
E Deus prosseguiu, este é o sinal da aliança que estou fazendo entre mim e vocês e com todos os seres vivos que estão com vocês. Para todas as gerações futuras, o meu arco que coloquei nas nuvens, será o sinal da minha aliança com a terra. Quando eu trouxer nuvens sobre a terra e nelas apareceu o arco-íris, então me lembrarei da minha aliança com vocês e com os seres vivos de todas as espécies.
Nunca mais as águas se tornarão um dilúvio para destruir a terra de toda forma de vida. Toda vez que o arco-íris estiver nas nuvens, olharei para ele e me lembrarei da aliança eterna entre Deus e todos os seres vivos de todas as espécies que vivem na terra. Concluindo, disse Deus a Noé, esse é o sinal da aliança que estabeleci entre mim e toda forma de vida que há sobre a terra.
Aqui nessa segunda parte eu quero responder a quatro perguntas. Qual é a aliança? Com quem é feita a aliança? Qual é o sinal da aliança? E qual é a garantia da aliança? Primeira pergunta então, qual é a aliança? Nós encontramos a resposta no versículo 11. Versículo 11 diz.
Estabeleço uma aliança com vocês, dois pontos. Qual que é a aliança? Nunca mais será ceifada nenhuma forma de vida pelas águas de um dilúvio. Nunca mais haverá dilúvio para destruir a terra. Essa é a aliança. Segunda pergunta. Com quem é feita a aliança?
Apesar de receber o nome de aliança noética na teologia, o que nós vemos é que a aliança não foi apenas com Noé. Versículo 8.
Então disse Deus a Noé e a seus filhos que estavam com ele, vou estabelecer a minha aliança com vocês e com seus futuros descendentes e com todo ser vivo que está com vocês. As aves, os rebanhos domésticos, os animais selvagens, todos os que saíram da arca com vocês, todos os seres vivos da terra. Em outras palavras, Deus faz essa aliança com toda a terra.
E essa aliança é a base da graça comum. O que é a graça comum? É o favor imerecido de Deus com toda a humanidade, tanto com os que creem nele, quanto com os que não creem. É a forma como Ele preserva a vida na terra após o dilúvio, sem que nós recebamos imediatamente a consequência imediata do pecado. Essa é a graça comum.
E essa aliança está em vigor até os dias de hoje, ou seja, todos nós somos beneficiados por essa aliança. Terceira pergunta, qual é o sinal da aliança? Versículo 12. Este é o sinal da aliança que estou fazendo entre mim e vocês e com todos os seres vivos que estão com vocês para todas as gerações futuras. O meu arco que coloquei nas nuvens.
será o sinal da minha aliança com a terra. O arco é o sinal da aliança. E a palavra hebraica para arco aparece mais de 70 vezes no Antigo Testamento e é usada para se referir ao arco para atirar flechas, ou seja, é um instrumento de guerra.
Quando Deus então diz que colocou seu arco nas nuvens, isso é uma declaração de que seu instrumento de guerra estava sendo colocado de lado. É a vitória da graça sobre o julgamento. A humanidade, por causa do pecado, merecia o julgamento. Mas por causa da aliança noética, recebeu a graça comum.
E por fim, a quarta pergunta, qual é a garantia da aliança? Primeiro, Deus é quem inicia e Deus é quem estabelece a aliança. A aliança é unilateral, vem apenas da parte de Deus e é incondicional, ou seja, Deus vai manter a aliança independentemente do que nós façamos ou deixemos de fazer.
Três vezes Deus repete que nunca mais haverá outro dilúvio para destruir a terra. E nós já vimos, quando algo é repetido três vezes na Bíblia, isso significa uma certeza absoluta, ou seja, Deus realmente queria enfatizar o que Ele estava falando, de forma que o povo pudesse não apenas confiar, mas descansar nele também. E uma outra garantia da aliança está no fato de que o arco de Deus,
O arco-íris aponta para o próprio céu e não para a terra. Conseguem ver para quem que isso aponta? Isaías 53, versículo 5.
Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões. Foi esmagado por causa das nossas iniquidades. O castigo que nos trouxe paz estava sobre ele. E pelas suas feridas fomos curados. Na semana passada nós vimos que Noé construiu um altar e ofereceu um holocausto ao Senhor.
O Senhor então sentiu o aroma agradável e decidiu não mais amaldiçoar a terra por causa do homem. Então o que nós vemos é que a aliança no novo mundo foi estabelecida com base em um sacrifício propiciatório, ou seja, um sacrifício substitutivo, de substituição.
Não o sacrifício oferecido por Noé, mas o sacrifício final e definitivo para o qual ele apontava. Ou seja, o sacrifício do próprio Filho de Deus. Jesus é a base da aliança noética. Ou seja, Jesus é a base da graça comum.
Porém, enquanto é verdade que Deus prometeu que nunca mais as águas se tornariam um dilúvio para destruir a terra, o apóstolo Pedro também nos lembra do julgamento final, não mais com água, mas com fogo.
2 Pedro 3, versículo 10, na N.A. diz assim, Porém, o dia do Senhor virá como um ladrão. Naquele dia, os céus passarão com grande estrondo, e os elementos se desfarão pelo fogo. Também a terra e as obras que nela existem desaparecerão. Então, Jesus é a base da aliança noética.
E Jesus é também a base da nova aliança, que nós lembramos semana passada ao participar da ceia. A implicação disso é que Ele é a nossa única esperança no julgamento vindouro. E esse julgamento vai acontecer...
porque Deus é um Deus santo e Ele é um Deus justo. E como nós veremos agora na terceira parte, o pecado entrou na arca com Noé e sua família, o pecado desembarcou no novo mundo, junto com Noé e sua família, e o pecado tem um preço que precisa ser pago.
Terceira parte então, Gênesis 9, do 18 ao 29. A realidade humana e o pecado no novo mundo. Versículo 18. Os filhos de Noé que saíram da arca foram Sem, Cam e Jafé. Cam é o pai de Canaã.
Esses foram os três filhos de Noé. A partir deles, toda a terra foi povoada. Noé, que era agricultor, foi o primeiro a plantar uma vinha. Bebeu do vinho, embriagou-se e ficou nu dentro da sua tenda. Cam, pai de Canaã, viu a nudez do pai e foi contar aos dois irmãos, que estavam do lado de fora.
Mas Sem e Jafé pegaram a capa, levantaram-na sobre os ombros, e andando de costas para não verem a nudez do pai, cobriram-no. Quando Noé acordou do efeito do vinho, e descobriu o que seu filho caçula lhe havia feito, disse, Maldito seja Canaã, escravo de escravos será para os seus irmãos.
Diz-se ainda, Bendito seja o Senhor, o Deus de Sem, e seja Canaã seu escravo. Amplie, Deus, o território de Jafé, habite ele nas tendas de Sem, e seja Canaã seu escravo. Depois do dilúvio, Noé viveu 350 anos, viveu ao todo 950 anos e morreu.
Está tudo bem se você achar que esse texto é estranho, eu também acho. Mas desde já eu adianto, não será possível explorar todos os detalhes, todos os nuances desse texto, primeiro por questão de tempo, e segundo porque o meu conhecimento é muito limitado para isso. Mas vamos ver o que nós conseguimos extrair desse texto aqui.
Primeira coisa a observar é que toda a humanidade descende dos três filhos de Noé e de suas esposas. É que diz o versículo 19. Isso significa cada um de nós. Em seguida nós vemos o relato de que Noé se embriagou, ficou nu. Seu filho Can agiu de uma maneira que não deveria ter agido. Então depois de acordar...
Noé amaldiçoou o neto. Eu falei, o texto é estranho. Existem muitas teorias, muitas interpretações sobre essa passagem, mas muitas delas ficam no campo da especulação. Eu, pessoalmente, não quero ir além do que o texto está narrando, eu prefiro ficar com uma interpretação mais conservadora desse texto.
O versículo que gera mais polêmica e diferentes interpretações é o versículo 22, que diz, Can, pai de Canaã, viu a nudez do pai e foi contar aos dois irmãos, que estavam do lado de fora. A polêmica principal é em relação ao significado da expressão, viu a nudez do pai. Existem muitas teorias diferentes para interpretar esse versículo. Mas o que eu entendo aqui?
Em Gênesis 2, antes da queda, nós lemos o seguinte, Gênesis 2, versículo 25. O homem e sua mulher viviam nus e não sentiam vergonha. Após a queda, depois que Adão e Eva desobedeceram a Deus, nós lemos o seguinte, no capítulo 3, versículo 7. Os olhos dos dois, de Adão e Eva, se abriram e perceberam que estavam nus.
Então juntaram folhas de figueira para cobrir-se. Então após a queda, o estar nu diante de outra pessoa passou a ser associado à vergonha. Primeiro Adão e Eva se cobriram com folhas de figueira para cobrir essa vergonha. E depois o próprio Deus fez a mesma coisa.
Capítulo 3, versículo 21. O Senhor Deus fez roupas de pele e com elas vestiu Adão e sua mulher. Cobrir a vergonha, então, passou a ser uma resposta apropriada no estado caído da humanidade. Então, cobrir a vergonha passou a ser uma resposta apropriada no estado caído da humanidade.
Quando Kahn viu a nudez do pai, ao invés de cobrir a nudez dele, qual foi a resposta dele? Numa atitude de humilhação e de exposição da vergonha do pai, ele decidiu ir contar aos irmãos. Ou seja, ele não apenas não cobriu a nudez de uma pessoa, mas expôs essa nudez e fez isso com o próprio pai.
Can não honrou o próprio pai. Mais tarde, Deus daria os dez mandamentos ao povo de Israel, através de Moisés, e o quinto mandamento trata justamente disso. Êxodo 20, versículo 12. Honra teu pai e tua mãe, a fim de que tenhas vida longa na terra que o Senhor, o teu Deus, te dá.
Versículo 23, mas sem Jafé pegaram a capa, levantaram-no sobre os ombros e andando de costas para não verem a nudez do Pai, cobriram-no. Provérbios 10, versículo 12 diz assim, o ódio provoca dissensão, mas o amor cobre todos os pecados.
E o apóstolo Pedro depois repete a mesma ideia, 1 Pedro 4, versículo 8, na NAA, diz, Acima de tudo, porém, tenham muito amor uns para com os outros, porque o amor cobre a multidão de pecados. E trazendo para os dias atuais, numa sociedade em que a exposição, não apenas do corpo, mas de forma geral, não apenas do corpo.
e a humilhação do outro não apenas é praticada, mas também celebrada e até monetizada, eu fiquei me perguntando, qual que tem sido a nossa postura como cristãos, diante de situações como essa, quando nós vemos alguém sendo exposto e humilhado?
Será que nós temos sentado na roda dos zombadores e reforçado a humilhação? E vejam que nós nem precisamos estar presentes na cena. Com o celular na mão, nós temos o poder de reforçar essa cultura de exposição e de humilhação. O amor cobre.
O amor cobre. Noé, então, amaldiçoou Canaã, filho de Cã, e abençoou Sem e Jafé. Notem que Noé não amaldiçoou o filho Cã, que o desonrou, mas amaldiçoou o filho dele.
Os demais filhos de Kham, que são mencionados no capítulo 10, que nós veremos na semana que vem, não foram amaldiçoados. E por que isso é importante? Quando nós estudamos a dispersão dos povos, nós vemos que a maior parte da África parece ter vindo principalmente dos filhos de Kushi, que também era um dos filhos de Kham.
Porém, existe uma linha de interpretação perversa que tenta argumentar que Cã, o filho de Noé, é quem foi amaldiçoado e, consequentemente, todos os seus filhos. E esse argumento já foi utilizado para justificar a escravidão dos povos africanos e até mesmo o racismo. E essa interpretação, infelizmente, ainda está dentro de igrejas.
Como eu disse, essa linha de interpretação é perversa, ela é maligna. O texto é claro ao dizer que Canaã é quem foi amaldiçoado por Noé. Através do profeta Isaías, Deus disse o seguinte, Isaías 46, versículo 9.
Eu sou Deus e não há nenhum outro. Eu sou Deus e não há nenhum como eu. Desde o início faço conhecido o fim. Desde os tempos remotos, o que ainda virá. Digo, meu propósito permanecerá em pé e farei tudo o que me agrada.
O entendimento então é o de que a fala de Noé amaldiçoando Canaã foi um julgamento profético de Deus através de Noé contra o povo cananeu, o povo que veio da descendência de Canaã e não a punição a uma única pessoa.
Quando nós continuamos a leitura do livro de Gênesis, nós vemos que o povo cananeu estava associado a todo tipo de iniquidade, injustiça e corrupção. Por quê? Porque eles não andavam com Deus. Os habitantes de Sodoma e Gomorra, por exemplo, são descendentes de Canaã.
Gênesis 13, 13 diz, por exemplo, que os homens de Sodoma eram extremamente perversos e pecadores contra o Senhor. Se você não conhece a história do que aconteceu com essas cidades, leia depois Gênesis 18 e 19. E aqui entra um detalhe importante. Lembre-se que Moisés escreveu Gênesis.
para o povo israelita, poucos anos antes deles tomarem posse da terra prometida, que era qual? A terra prometida era justamente a região de Canaã. Então assim como Deus usou Noé para trazer um julgamento profético,
contra Canaã, através de palavras, Deus agora iria usar o povo de Israel, seu próprio povo, os descendentes de cem, de quem viria o prometido, descendente ou semente da mulher, que o Jardim se lembrou, para executar o juízo, contra o povo cananeu, que ele já havia determinado antes.
Então, como eu disse, embora Noé e sua família tenham desembarcado em um novo mundo após o dilúvio, a realidade é que o pecado desembarcou junto com eles. E isso vai ficando cada vez mais claro ao longo do livro de Gênesis e no restante da Bíblia. Uma consequência inevitável dessa realidade é a morte, como nós vemos no último versículo, nos dois últimos versículos.
Gênesis 9, 28. Depois do dilúvio, Noé viveu 350 anos. Viveu ao todo 950 anos e morreu. A morte ainda era uma realidade, porque o pecado ainda estava presente. Lembre-se, mais uma vez. Eu sou Deus e não há nenhum outro. Eu sou Deus e não há nenhum como eu.
Desde o início faço conhecido o fim, desde os tempos remotos o que ainda virá. Digo, meu propósito permanecerá em pé e farei tudo o que me agrada. O pecado e a morte não seriam derrotados na madeira da arca, mas na madeira de uma cruz.
Na cruz, Jesus teve seu sangue derramado e no sangue dele está a nossa vida. Na cruz, Jesus foi atingido pelo arco de Deus que aponta para o céu. Na cruz, Jesus foi despido e humilhado para que nós pudéssemos ser cobertos da nossa vergonha e desonra.
Na cruz Jesus recebeu a maldição que era destinada a nós, por causa do pecado. E nos deu a bênção de uma nova identidade, a identidade de filhos de Deus. Ele é aquele que sustenta todas as coisas por sua palavra poderosa. É o que diz o autor da carta aos hebreus. Ele é a base da graça comum e da aliança noética.
do tempo de paciência de Deus, em que o convite ao arrependimento ainda está em vigor. Para você que ainda não o conheceu pessoalmente, não se arrependeu e colocou sua confiança nele, este é o tempo.
A nova aliança que protege do juízo vindouro é apenas para os que se arrependem de seus pecados e creem em Jesus como única esperança de salvação. E para vocês que já o conhecem, que fazem parte da nova aliança pelo sangue de Cristo, o meu encorajamento é, perseverem.
Continuem olhando para o autor e consumador da nossa fé. Eu sei que tem muitos dentre nós que têm enfrentado tempestades severas, circunstâncias extremamente difíceis. E a verdade é que tem hora que parece que a tempestade não vai passar.
Mas lembrem-se que Deus é um Deus de alianças e que Ele mesmo é o iniciador e o sustentador da aliança. O arco-íris é o sinal da graça de Deus, mas ele só aparece após a tempestade. Nós, porém, nós não precisamos aguardar a tempestade nas nossas vidas passarem.
para lembrarmos e descansarmos na certeza de que por causa de Cristo, a nossa segurança é muito maior e muito melhor do que uma arca em meio ao dilúvio. 2 Coríntios 1, versículo 20, quero finalizar com esse versículo. Pois quantas forem as promessas feitas por Deus,
tantas tem em Cristo o sim. Feche seus olhos. Orem comigo. O Pai, nós reconhecemos.
a grandeza e a bondade do Senhor. Mas em nossa fraqueza também nós confessamos, Pai, que realmente tem hora que parece que a tempestade não vai passar. Então eu clamo, Pai, pela graça do Senhor, que é maior como nós cantamos, que essa graça nos fortaleça, Pai, dia após dia.
Que as misericórdias do Senhor que se renovam a cada manhã, sejam de fato suficientes para o mal de cada dia, Pai. E eu oro, Deus, para que a gente possa com os olhos fitos no autor e consumador da nossa fé, em fé, crer que os sofrimentos leves e momentâneos deste mundo estão produzindo para nós uma glória eterna. Que pesa mais que todos eles, Pai.
Ajuda-nos, Pai, na caminhada da perseverança. Em meio ao sofrimento, em meio às angústias, às dores, às incertezas, que sejamos fortalecidos em nossa fraqueza, pela força daquele que por nós morreu e ressuscitou. Nós precisamos de Ti, Pai. Ajuda-nos a lembrar.
das promessas do Senhor e da preciosa aliança que temos por causa do sangue derramado do nosso Redentor. No nome dele, Pai, nós oramos. Amém.