Episódios de Ciência Suja

Métodos naturais: a contracepção politizada

28 de maio de 202644min
0:00 / 44:56

Os chamados “métodos naturais de contracepção” estão sendo instrumentalizados para potencializar um discurso que ataca os direitos reprodutivos e sexuais das mulheres. E isso manipulando dados científicos.

A jornalista Jéssica de Almeida mostra como uma lei local — a criação do Dia Municipal dos Métodos Naturais, em Belo Horizonte (MG) — é parte de uma estratégia maior, que vem ganhando espaço no Brasil. Este episódio é o primeiro da nossa chamada de pautas sobre as eleições de 2026. 

O Ciência Suja tem apoio do Instituto Serrapilheira, que fomenta a ciência e a divulgação científica no Brasil. 

Para participar do financiamento coletivo do Ciência Suja e conferir o material complementar do episódio, acesse o site: cienciasuja.com.br

Siga o Ciência Suja nas redes sociais. Estamos no Instagram, TikTok, Twitter, Facebook e BlueSky.

Nota da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte:

A Secretaria Municipal de Saúde informa que cabe à mulher a escolha do método contraceptivo. Nesse contexto, os profissionais de saúde devem atuar como facilitadores do processo, oferecendo informações claras, imparciais e atualizadas sobre os diferentes métodos disponíveis, incluindo eficácia, possíveis efeitos colaterais, contraindicações e modo de uso.

A Secretaria Municipal de Saúde esclarece ainda possui um protocolo de planejamento sexual e reprodutivo, que pode ser consultado no link: https://prefeitura.pbh.gov.br/sites/default/files/estrutura-de-governo/saude/2025/28-02-2025_smsa_planejamento-seuxual.pdf

Assuntos1
  • Liberdade e autonomia feminina nas escolhas reprodutivasDireitos sexuais e reprodutivos como pauta eleitoral · Discurso moralizante em campanhas eleitorais
Transcrição119 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

O Ciência Suja tem o selo da Rádio Guarda-Chuva. Jornalismo para quem gosta de ouvir. É tantas coisas que se vem discutir nesse momento, mas são coisas que deveriam ser discutidas com mais seriedade e realmente eu vou falar para vocês aqui. Aprendi muito cedo.

que o que mais previne doença é a fidelidade. Doença sexualmente transmissível é uma questão cultural de promiscuidade, de incentivo à promiscuidade e não controle de natalidade.

Essas falas são de parlamentares da Câmara de Vereadores de Belo Horizonte durante a votação de um projeto de lei para inserir o Dia Municipal dos Métodos Naturais no calendário de datas comemorativas da cidade. A galeria da Câmara estava lotada e o projeto de lei foi aprovado, com 22 votos a favor, 11 contra e 4 abstenções.

Vida, morrida, liberdade! Métodos naturais são estratégias para evitar gestação que não envolvem camisinha ou pílulas, dil, etc. Em vez disso, você observa características físicas do corpo e das secreções que indicam períodos de maior ou menor fertilidade. A gente vai detalhar essa história, mas foca no tom dos discursos que você ouviu.

O projeto de lei não proíbe e não impõe, ele apenas sugere e agora Belo Horizonte caminha para ser a cidade mais pró-vida do Brasil. Pró-vida, fidelidade, promiscuidade, vida, família, liberdade. Pois é, uma lei que traria só mais uma data comemorativa, na verdade revela um problema muito maior sobre como os direitos sexuais estão sendo atacados.

Hoje nós temos uma bancada religiosa no Congresso Nacional, que é uma bancada que tem constrangido os direitos sexuais e reprodutivos, tem impedido o avanço de projetos de lei extremamente importantes para as mulheres, tem colocado em pauta...

temas que significam grandes atrasos para as nossas conquistas ao longo dessas últimas décadas. Essa é a Ana Maria Costa, médica sanitarista e integrante do grupo temático Gênero e Saúde da Abrasco, Associação Brasileira de Saúde Coletiva.

Nos anos 80, eu fui responsável pela formulação da política de saúde integral da mulher, uma política que muda a perspectiva da compreensão da saúde da mulher e que inclui pela primeira vez o planejamento familiar como obrigação do governo.

Essa bancada religiosa que a Ana mencionou é a frente parlamentar evangélica do Congresso Nacional. Então aqui a gente saiu de BH para ir para a esfera federal. Ela é composta por 234 deputados e senadores e de fato atua menos para criar leis e mais para impedir avanços.

Tanto é que a Frente monitora cerca de 9 mil proposições consideradas nocivas para a família e a vida, como na temática das políticas de drogas, gênero e sexualidade e nos direitos reprodutivos.

Mas no caso dos direitos sexuais e reprodutivos, essa ofensiva religiosa não está só. Ela conta com uma coalizão conservadora mais abrangente, que está ganhando mais e mais representantes no Congresso, pelo menos desde 2018, com a tsunami do Bolsonaro. Porque eu não estou na política por outra razão que não fazer valer os princípios da minha religião. Porque eu acredito que os princípios da minha religião são benéficos para o bem comum. Além de todas as reformas que a gente precisa fazer, claro,

política, leis, reforma econômica, mas o que realmente o Brasil precisa é Cristo. De lá para cá, esses grupos conservadores passaram a investir numa estratégia mais difusa e talvez por isso mais silenciosa, a ocupação do poder local. Em vez de concentrarem forças apenas em Brasília, a agenda se espalha por assembleias legislativas e câmaras municipais Brasil afora.

Um exemplo dessa atuação fica claro no documento Mapa do Aborto Legal, Direitos Reprodutivos na Encruzilhada da Informação. Ele foi lançado no ano passado pelo Artigo 19, uma ONG nascida em Londres que promove a liberdade de expressão e o acesso à informação.

e traz atividade legislativa em 111 municípios de 26 estados com foco no aborto. Nos municípios, 66% dos 91 projetos analisados tentam bloquear o acesso à informação sobre o direito ao aborto nos casos previstos em lei.

E esse é um exemplo. Outro é aquela lei na Câmara de Belo Horizonte que você ouviu no começo do episódio, o que estabelece no calendário oficial da cidade o dia municipal dos métodos naturais, sabe? Eu me comprometi a defender vida, família e liberdade. E dentro da nossa...

Esfera restrita de competência municipal são iniciativas como essa que fazem com que eu consiga avançar a nossa agenda, sobretudo naquilo que nós convencionamos chamar de guerra cultural. O negócio é que esses políticos estão deturpando a ciência para tentar justificar os seus argumentos. Escuta só o que o Sargento Jallison, vereador de BH do Partido Liberal, o PL, respondeu para as opositoras que estavam tentando barrar essa proposta.

Vou deixar só uma lembrança para as novas vereadoras, aprovado e reconhecido pela OMS, conhecimento é liberdade, viu?

Sim, a Organização Mundial da Saúde aborda alguns métodos naturais em estudos do passado e em documentos recentes sobre contracepção. Mas ela não defende essas estratégias, ou coloca elas em pé de igualdade com a camisinha, pílula anticoncepcional e por aí vai, como você vai entender melhor mais pra frente.

2026 é ano de eleição no Brasil, e a previsão é a de que os direitos sexuais e reprodutivos apareçam nas campanhas pelo país. Às vezes, acompanhados de um discurso moralizante, como o do Jorge Messias, que mesmo assim foi rejeitado pelo Senado e não conseguiu sua vaga no Supremo Tribunal Federal.

Sou totalmente contra o aborto, absolutamente. Da minha parte, não haverá qualquer tipo de ação, de ativismo em relação ao tema aborto na minha jurisdição constitucional.

Mas, às vezes, esse discurso vem com ideias que parecem científicas, que falam em eficácia, em segurança, em reconhecimento de organizações importantes de saúde. Foi esse alerta que a gente recebeu da Jéssica de Almeida, dentro de uma chamada de pautas que o Ciência Suja abriu com foco nas eleições. Diga aí, Jéssica. Oi, pessoal. Pois é. Nas últimas eleições, em 2024, a Câmara de BH viveu uma guinada conservadora.

O PL, o partido com o maior número de candidatos e políticos de extrema-direita eleitos, foi o mais votado da cidade em termos proporcionais. E tornou-se a maior bancada individual da casa. Naquele ano, eu cobri as eleições de Belo Horizonte para uma grande rede de rádio e depois disso eu segui conectada à agenda de fontes que eu construí cobrindo política.

E foi por meio delas que eu ouvi falar do pacotão Provida, um conjunto de propostas legislativas na Câmara Municipal apresentado no início de 2025 pelo vereador Úner Augusto, do PL. Uma dessas propostas, já transformada em lei, é justamente o Dia Municipal dos Métodos Naturais.

E o que essas fontes me falavam era exatamente como o discurso conservador de que mulher tem que ser recatada, de que não pode existir aborto de jeito nenhum, estava incorporando justificativas supostamente científicas, ou médicas até. A ideia é passar o recado de que, ué, se tem um método natural que funciona super bem, eu não preciso avançar a lei de aborto, e nem oferecer educação sexual e métodos contraceptivos.

É só seguir isso e também não ser promíscua. Num cenário de polarização política, de desinformação e de ataques a direitos já conquistados pelas mulheres, a gente precisa, no mínimo, debater uma forma responsável de uso da ciência nas campanhas eleitorais e no discurso político. Eu sou o Théo Ruprest. Eu sou a Meg Rodrigues. Eu sou a Jéssica de Almeida, repórter convidada do Ciência Suja, o podcast que mostra que em crimes contra a ciência, as vítimas somos todos nós.

Quando eu assumi como vereador, nós apresentamos um grupo de projetos de lei que a gente deu o nome de Pacotão Pro Vida. Uma tentativa de fazer Belo Horizonte uma cidade mais pro vida do Brasil.

Esse é o vereador Úner Augusto, do PL de Minas Gerais, que você já ouviu antes. Ele foi eleito em 2024 para um mandato inteiro na Câmara da Capital Mineira, mas já era vereador desde 2022. Naquele ano, o então vereador Nicolas Ferreira se candidatou para a Câmara Federal, foi eleito e o Úner assumiu como suplente. Foi ele o autor da Lei do Dia Municipal dos Métodos Naturais.

A ideia é que todo dia 7 de julho tem eventos educativos, palestras, oficinas e outras ações sobre métodos naturais de regulação da fertilidade. Eu achei interessante apresentar esse projeto de lei. Por quê? Porque muitas pessoas, sobretudo mulheres, desconhecem os métodos de regulação da fertilidade naturais. O Úner deu essa entrevista para mim no gabinete dele, no segundo andar da Câmara Municipal.

Enquanto eu esperava por ele na recepção do gabinete, eu notei uma pilha de panfletos que informava, abre aspas, estão matando bebês no útero e autoridade dos pais. Abortos sem consentimento dos pais já estão acontecendo. Na porta do gabinete tinham cartazes com palavras de ordem conservadoras.

Mas apesar da vibe de alerta para uma espécie de ofensiva abortista em curso no Brasil e da postura dura do Unir quando discurso em plenárias, tanto ele quanto o assessor que me recebeu foram muito gentis, pacíficos e tranquilos. E eu acho que parte dessa tranquilidade é que ele não estava ali defendendo valores morais para uma jornalista claramente progressista.

é que ele estava se valendo da ciência, ou do que ele achava que era ciência. Eu digo isso porque a minha esposa, ela utilizou métodos de regulação da fertilidade natural. Os dois que ela mais utilizou foram o Crayton e o Billings.

que são métodos reconhecidos pela comunidade científica, reconhecidos pela OMS, a Organização Mundial da Saúde, como métodos válidos. Então, a ideia parece simples. Oferecer mais uma opção legítima de planejamento familiar, com respaldo científico, ao ponto de ter um carimbo da OMS. Ok. Mas daí eu fui olhar mais de perto e vi que não é tão simples como parece.

O método de ovulação Billings e o método Crayton se baseiam no conhecimento do ciclo menstrual e da fertilidade. Eles são conhecidos pela ciência não como contraceptivos exatamente, mas como métodos de observação do período fértil.

Ao longo do ciclo menstrual, o corpo muda, e uma dessas mudanças está na forma, na textura e na qualidade de uma secreção produzida pelas glândulas do colo do útero, e que é super, super, super, super natural. Na maior parte do mês, ele é mais espesso, opaco, às vezes até imperceptível.

Conforme a ovulação se aproxima e a chance de engravidar aumenta, esse muco fica mais claro, mais elástico, parecido com clara de ovo. E surge também uma sensação diferente de umidade no canal vaginal. São esses sinais que os métodos como Billings e Craton ensinam a observar. Então, se bem informada, a pessoa reconheceria esses sinais de maior fertilidade e, em acordo com o parceiro, pode não fazer sexo nesses dias se não deseja ter filhos.

ou, pelo contrário, ter relações sexuais para aumentar a chance de gravidez.

Eu sei que parece um papo meio tilelê, mas existem períodos de maior fertilidade e eles realmente vêm acompanhados de mudanças no corpo. O negócio é entender se esses métodos naturais realmente são uma opção que a gente deveria estimular, principalmente como política pública. E entender a origem do Billings pode ajudar nesse sentido.

No ensino moral de algumas tradições religiosas, principalmente as cristãs, a sacralidade da união sexual seria indissociável da abertura aos filhos. Ou seja, o sexo não deve ser separado por completo da reprodução.

Então quem deseja seguir esse ensinamento de modo mais literal, busca métodos que não separam essas duas dimensões, mas que ao mesmo tempo sejam efetivos no planejamento familiar. Você não coloca uma barreira artificial, como um anticoncepcional ou até uma camisinha, mas fica de olho na fertilidade para segurar a quantidade de filhos pelo menos, entendeu?

Esse é o posicionamento oficial da Igreja Católica. Desde o Papa Pio XII, que morreu em 1958, eles incentivam a observação da fertilidade para uma sexualidade responsável. E foi justamente a partir do pedido de um sacerdote católico, o padre Maurice Katarini,

que na década de 1950, os médicos John e Evelyn Billings, da Austrália, começaram a estudar as características do muco vaginal que indicariam os períodos de maior e menor fertilidade. Outros pesquisadores, como James Brown e Eric Odeblad, avançaram nos estudos e o que então era chamado de método de ovulação para planejamento familiar virou nos anos 70 o método de ovulação Billings, o MOB, ou só Billings mesmo.

Já o método Crayton é uma padronização científica do Billings, com uma classificação mais detalhada do muco. A secreção que no Billings seria definida como escorregadia ou molhada, no Crayton vira 10CKLX2, por exemplo. Por causa dessas codificações complexas, o Crayton ganhou a fama de ser mais técnico que o Billings.

Então tá, tem um princípio religioso que impulsionou esses métodos, mas isso não significa que eles não tenham qualquer ciência por trás. E aqui a gente cai nessa referência que o vereador Uner e outros políticos têm feito à OMS. Aliás, curioso como a OMS é usada quando convém, né? Quando o assunto era as máscaras, o isolamento social e as vacinas na pandemia, teve muita gente do campo conservador fazendo pouco caso delas.

Bom, em 1981, a Organização Mundial da Saúde realmente publicou um estudo com Billings. Os pesquisadores basicamente ensinaram o método e acompanharam 725 voluntárias de cinco países diferentes por um ano. E sim, o método também é citado em um manual dessa organização que aborda o uso de diferentes contraceptivos voltado para tomadores de decisão.

Mas ser citado não quer dizer que você está bem na fita. Naquele estudo antigo de 81, por exemplo, a taxa de mulheres que engravidaram ficou em cerca de 20% após um ano, o que não é nada baixo. Na conclusão, a pesquisa diz o seguinte. Céticos desse método podem ter sua visão reforçada pelas tabelas de efetividade.

Já o material mais recente da OMS traz uma tabela bem interessante que compara a efetividade dos métodos contraceptivos em duas situações. No chamado uso perfeito, quando a pessoa segue tudo direitinho, e no uso típico.

O uso típico é o uso da realidade, em que às vezes a gente esquece de tomar pílula, por exemplo, ou acaba não pôndo na camisinha por alguma razão ou não observa direito os tais sinais da fertilidade. Então, com o uso perfeito sem falhas, o Billings tem uma taxa de 3 gestações por 100 mulheres em um ano de uso. A camisinha masculina tem 2 e o contraceptivo oral tem 0,3, 10 vezes menos.

Já no uso típico do cotidiano, a taxa do Billings é de 23 gestações por 100 mulheres em um ano. É o número mais alto da tabela inteira. Tirando não usar nada. E olha que tem mais de 20 opções ali. Até o coito interrompido tá melhor, com 20 gestações. A camisinha fica com 13 e as pílulas com 7.

Para se ter ideia, no capítulo dos métodos baseados na conscientização da fertilidade, aparece o seguinte recadinho em cada item da lista. Mulheres com condições que fazem a gestação ser um risco inaceitável devem ser orientadas de que esses métodos podem não ser apropriados pelas taxas relativamente mais elevadas de falha no uso típico.

É importante destacar que o Billings não é o único método de conscientização da fertilidade. Tem alguns que usam aplicativos e outros que até medem a temperatura do colo do útero, com taxas significativamente melhores. E o Creighton, aliás, nem é citado no documento do MS. Mas um ponto essencial é que esse tipo de estratégia é particularmente complicado de adotar sem erros.

Estratégias como o dispositivo intrauterino, o DIU, tem taxas de uso perfeito e de uso cotidiano praticamente idênticas, porque ele é instalado dentro do corpo da pessoa e ela não faz mais nada. As pílulas já complicam um pouco, porque é necessário tomar nos dias certos e em horários parecidos. A camisinha também tem aquela coisa de parar para pôr e tudo mais. Mas nos métodos naturais, começa que você precisa identificar sinais do muco.

ou medir a temperatura do colo do útero, ou outras coisas do tipo. E isso nem sempre é simples. Mais do que isso, situações como sangramento vaginal irregular, amamentação e doenças que elevam a temperatura corporal podem comprometer a eficácia. E você ainda por cima precisa entrar em abstinência nos dias de maior fertilidade.

Uma outra questão é a ausência de proteção contra infecções sexualmente transmissíveis. Mas aqui, claro, o único método contraceptivo eficaz é a camisinha. E adendo que o risco de contrair uma IST não desaparece nas relações estáveis, mas o uso de preservativo tende a cair. A falsa sensação de segurança e os abusos sexuais merecem um episódio à parte no tema dos direitos reprodutivos. Mais recado dado aqui, gente.

O lado bom dos métodos naturais é que eles não trazem efeitos colaterais. E, no fim das contas, dá pra usar essas coisas junto com preservativos, assim como a pílula. Então, a OMS realmente não condena o uso, mas também não defende coisa nenhuma.

O que ela faz é um dossiê de cada método anticoncepcional e depois destaca que os tomadores de decisões, os governantes, vereadores, devem considerar a situação de cada local para adotar as melhores estratégias contra as gestações indesejadas.

Do ponto de vista individual, a Ana Maria Costa, médica da Abrasco que você já ouviu antes, dá o recado. As mulheres têm que escolher que método que é o adequado e que é possível e que é o desejável para ela naquele momento de vida. Como é que ela escolhe? Tendo informações precisas, compartilhando conversas com seus profissionais, com os profissionais que a assistem e, principalmente,

dispondo de todas as alternativas de acesso às tecnologias. Os métodos naturais existem e são estudados, mas eles não deveriam ser embolados com conceitos tortos de família, religiosidade, promiscuidade, valorização da vida. Quando essas coisas ganham força, a ciência sai de cena e o debate se torna politiqueiro ou oportunista.

Então, depois do intervalo, a Jéssica volta para mostrar como a contracepção e os direitos reprodutivos têm sido instrumentalizados para alavancar o conservadorismo.

o Ciência Suja tem apoio do Instituto Serrapilheira, que valoriza a ciência e a comunicação científica no Brasil. Obrigado mesmo por estarem conosco desde o começo do projeto, gente. Eu queria aproveitar e agradecer a todos os nossos assinantes do financiamento coletivo, em particular o Henrique Vogan, o Wagner Fiel, o Marcos Souza, a Raquel Barbosa Sintra e outros apoiadores da categoria Paladinos da Ciência.

Nossa base de apoiadores tem crescido aos poucos, agora que a gente está com a produção recorrente, mas ainda precisamos avançar bastante para tocar o barco aqui e seguir contratando jornalistas como a Jéssica para fazer essas investigações, inclusive a partir de diferentes pontos do país. Então, que tal buscar pelo Ciência Suja na Apoia-se, Patreon ou na Aurelo e assinar um dos nossos planos? Tem newsletter, acesso antecipado a episódios, sorteio de livros...

E quando eu falo ainda resgatam, é porque esse discurso faz, nossa, décadas que está circulando na política brasileira e é um discurso que colou.

A professora Luciana Panck, do Departamento de Comunicação da Universidade Federal do Paraná, é uma das principais pesquisadoras de comunicação política no Brasil. Há mais de 20 anos ela estuda como os discursos políticos são construídos e como eles ganham força, principalmente em momentos de disputa eleitoral. A questão não é ser pró-vida, a questão é ser contra o aborto, só que isso não é dito.

Isso não está sendo dito, mas está ali nesse discurso. E as religiões, especialmente pentecostais, religiões um pouco mais também conservadoras, no papel submisso da mulher e tudo, essas religiões vão entrar com tudo, defendendo esse tipo de PL.

A Luciana me contou que os direitos sexuais e reprodutivos eram inicialmente relacionados a grupo que ela chama de progressistas, ou de esquerda. O foco estava na promoção de decisões livres e informadas sobre sexualidade e reprodução no Brasil. Havia uma ação panfletária de grupos religiosos e debates que transbordavam julgamento moral, é claro, mas nada que realmente ameaçasse os avanços legislativos que vinham ocorrendo no campo da saúde.

Mas com a ascensão recente da extrema-direita nas políticas e nas redes sociais, e uma influência legislativa cada vez maior de nomes ligados à Igreja, os direitos reprodutivos foram incorporados também aos discursos de grupos conservadores. Se a gente olhar para a última década, principalmente,

Temas como gênero e sexualidade viraram componentes centrais da disputa política no país. E segundo a Luciana Panck, pseudociência e religião estão se misturando para ganhar espaço em câmaras municipais e outros espaços de poder. Ela falou que cada vez mais a gente ouve palavras como estudos indicam, pesquisa tal, afirma que... mas sempre sem saber onde estão esses trabalhos e se eles realmente são bons.

E essas palavras, quando elas são ditas de uma maneira que parece que ela estudou, que ela entende daquele assunto, que ela tem essa autoridade, vai gerar, é muito provável que gere confiança. Só que essa confiança vai vir...

quando tiver também o contato emocional. Então a ciência contribui para essa autoridade, para esse apelo à racionalidade, e aí vem o coração e a fé. Os filhos que mandam é Deus. Existe, por isso que eu falei que não está associado em momento nenhum da religião.

Porque há religiões que dizem, justamente, os filhos são mandados por Deus. E se vier 10, 10. E se a mulher sofrer violência, se ela for contaminada por alguma IST, é tudo designio divino, que a mulher tem que obedecer o homem. Isso é o aspecto emocional que ele é.

Então, validado, ele é fortalecido por esse discurso psionicientífico. Ou seja, os discursos pró-vida, que antes se ancoravam na argumentação religiosa e puramente emocional, agora estão ganhando um verniz científico, que acaba colando com muita gente.

E tem um exemplo extravagante disso. A partir de dados científicos, a igreja concebe a vida humana desde o momento em que o espermatozoide fecunda o óvulo. Ali já tem todo um programa genético, a identidade humana já está pronta e é a mesma identidade que vai ser para todos sempre. Ali há um ser humano desde a concepção.

E a igreja defende a vida humana, não só com dados de fé, mas com dados científicos. Isso aí foi dito em outubro de 2023 por um sacerdote da Diocese de Osasco, na Câmara Municipal da cidade, que também tem uma frente parlamentar em defesa da vida e da família para chamar de sua. Mas possivelmente você já ouviu em outros lugares versões desse argumento. Pois é, isso vem sendo fabricado, inclusive, com a ajuda das redes sociais.

É um ponto muito visto em pesquisas sobre descriminalização do aborto. Nós temos visto que há...

argumentação contrária à descriminalização, ela passou por uma evolução no discurso nos últimos anos. E isso acaba aparecendo também em outras pautas relacionadas a direitos sexuais e direitos reprodutivos. Essa é a Luciane Belin, jornalista e pesquisadora do NetLab, um laboratório da Universidade Federal do Rio de Janeiro que estuda desinformação na internet.

Ela pesquisa gênero, misoginia e direitos sexuais reprodutivos, especialmente nessa interface com o mundo digital. Quando se olha para projetos de lei, decretos e proposições legislativas, o que a gente enxerga é que a retórica moral...

E a retórica pró-vida vem dando lugar a uma linguagem pelo menos mais formal, mais especializada, que recorre a termos e a uma linguagem mais parecida com a científica. Como você sabe, o Ciência Suja tem uma parceria com o NetLab, onde a Luciane trabalha. Então a Jéssica pediu para ver se seria possível fazer um pequeno levantamento sobre como aquele papo de métodos naturais, de Billings, Crayton e afins,

está circulando nas redes sociais. E a Luciane, para a nossa alegria, fez isso, com exclusividade.

Nós buscamos em grupos de WhatsApp do Telegram e nesses espaços, que são grupos políticos que a gente monitora no NetLab, a gente não encontrou nada. Então, acho que vale dizer que esse assunto ainda não está circulando com tanta intensidade em grupos de WhatsApp e Telegram. Então, pelo visto, os métodos naturais, particularmente, estão ainda nos primeiros passos quando a gente fala em repercussão. Mas tem um ponto bem interessante aqui.

Então, nós também fizemos buscas exploratórias com diferentes palavras-chave, como método de ovulação Billings, modelo de ovulação natural, métodos naturais contraceptivos, a gente fez algumas combinações diferentes de palavras-chave. E no Facebook e Instagram, considerando conteúdos orgânicos, nós identificamos principalmente posts de paróquias e dioceses divulgando eventos sobre método Mob em igrejas.

E o discurso, segundo a Luciane, está caminhando para conclusões perigosas. E aí, nesses posts sobre religião, é um discurso de que esse método natural é um método eficaz e condizente com a fé católica. Então, dando a entender que os outros métodos contraceptivos não são condizentes com a fé católica ou com a fé cristã.

Na votação para aquele Dia dos Métodos Naturais de Belo Horizonte, a vereadora e economista Luisa Dulce, do Partido dos Trabalhadores, foi contra a proposta. E ela também vai nessa linha da Luciane de como discursos desse tipo podem trazer repercussões reais.

isso incide sobre a vida das mulheres. E principalmente sobre a vida de mulheres mais pobres da cidade, que às vezes são aquelas que têm menos informação, que já são muito alvo de gravidezes indesejadas. Então, se você diz para essas meninas e para os seus parceiros que não precisa usar camisinha, você pode usar outro tipo de método, você está colocando a vida dessa pessoa em risco?

E esse risco não é hipotético. A estimativa sobre o impacto de gestações indesejadas para a saúde, para a vida daquelas pessoas e para o sistema público. No Brasil, cada caso desses custa mais de R$ 2 mil aos cofres públicos, o que chegaria a R$ 4,1 bilhões por ano.

E olha que essa estimativa é de 2018, da professora Carolina Salles Vieira, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da USP, em entrevistas para Veja Saúde e BBC. Segundo essas matérias, 75% das adolescentes que engravidam deixam os estudos e isso afeta a renda, a autonomia e por aí vai. Essas gestações também favorecem o aborto inseguro, já que o Brasil só permite essa prática em situações específicas e mesmo aí há problemas.

Um estudo indica que em 2016, 500 mil abortos ilegais teriam sido feitos, e aí o risco de problemas para a saúde aumenta. Ah, e sabe aquela história de que as pílulas elevam o risco de trombose? Então, verdade. A probabilidade fica entre 3 e 5 vezes maior mesmo, embora o risco absoluto seja bem baixo, 0,05%.

Só que a gestação em si também favorece a trombose, e com mais força. Ela aumenta de 5 a 10 vezes a chance desse problema. Então é meio que o dobro, né? Isso não é uma defesa irrestrita aos contraceptivos orais, que têm efeitos negativos e até contraindicações em certos casos. Mas é só para dizer que a falha de um método natural também traz problemas, e eles não são pequenos. Então esse discurso traz consequências.

Não! Não acredito! Essa intenção! Essa agulha! Não! Quero continuar vivo! Vai doer, eu sei! Vai doer muito! Não façam isso! Vocês também vão sofrer! Por Deus, eu imploro!

Ainda é possível! Isso que você ouviu é o trecho de uma encenação dramática de um feto tentando sobreviver a um aborto. E ela aconteceu no plenário do Senado Federal em 2024. O vídeo circulou bastante pela internet naquela época. Essa história, embora trágica, dolorosa...

É um chamado à reflexão, para que todos compreendam a seriedade e as consequências do aborto. E para que as vidas dos inocentes sejam protegidas e valorizadas acima de tudo. E é para isso que o senador Girão luta e trabalha. Eu sou Niede Gagenari, contadora de histórias.

A Niedia foi convidada pelo senador Eduardo Girão, do Partido Novo Cearense, e narrou um texto fictício com várias inverdades científicas e uma estratégia de apelo emocional. A performance ocorreu durante uma sessão temática sobre o PL 1904, que propõe equiparar o aborto após 22 semanas ao crime de homicídio.

Essa performance foi amplamente repudiada, é claro, né? E gerou um debate sobre o uso do plenário do Senado para uma encenação dessas. Mas mais do que o sensacionalismo, esse caso aí levanta a discussão sobre o desprezo com evidências científicas de qualidade que alguns senadores têm e o efeito disso no SUS.

Quem trouxe isso para a gente foi a historiadora Poliana Valente, professora da Universidade do Estado de Minas Gerais, a UMG. O SUS é pautado pela essência e pela evidência técnica. A substituição desse critério por crenças religiosas pode acarretar na incorporação de terapias sem comprovação científica ou a rejeição de tratamentos eficazes.

A Poliana tem mestrado e doutorado na área de História das Ciências e atua como pesquisadora colaboradora da Fiocruz Minas. Segundo ela, qualquer movimentação aparentemente simbólica e local, como o Dia dos Métodos Naturais, intensifica esse cenário.

E pode criar também precedentes para que outras denominações, outras ideologias, reivindiquem reconhecimento e financiamento público. Tudo bem que a articulação municipal não desmonta regras nacionais do SUS, que são definidas no plano federal.

Mas há consequências práticas no município também, como falta de encaminhamento adequado de pacientes, falta de divulgação de informações realmente baseadas na ciência sobre planejamento familiar, ausência de campanhas sobre métodos hormonais ou de barreira, dificuldade de encontrar serviços aos quais temos direito. Eu vejo com bastante preocupação e essa ausência da base técnica e do debate político qualificado.

traz riscos imediatos e a longo prazo, gerando insegurança sanitária, esse avanço de formulações políticas baseadas na ideologia e na desinformação, o que pode aumentar o efeito das desigualdades, inclusive, no cuidado e na gestão dos direitos reprodutivos das mulheres.

Então, o que esperar para essas eleições? A Jéssica conversou com especialistas sobre isso também. É, e eu queria voltar para a Câmara Municipal de BH, que aprovou o Dia dos Métodos Naturais. Naquele momento, o argumento parecia simples. Uma escolha, um método, um direito. Mas a gente viu que não é só isso. Eu fiquei imaginando que, em ano eleitoral, os discursos saem do plenário e entram nas campanhas.

Para entender melhor esse fenômeno, fui conversar com a Marlise Matos, professora do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais. Ela é coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher, o NEPEN. Eu não tenho nenhuma dúvida.

que toda discussão em torno da saúde sexual e da saúde reprodutiva será politizado e retornará como uma pauta sensível, uma pauta fortemente tensionada no processo eleitoral de 2026.

Para a Marlise, a gente tem que estar sempre com as orelhas em pé. A história nos mostra que esse movimento será orquestrado, que a gente precisa estar preparada com muita desinformação e em tempos de inteligência artificial, o que é mais grave ainda. A Marlise, inclusive, ampliou o diagnóstico e contou que esse movimento para restringir direitos sexuais e reprodutivos...

está dentro de um momento político global que está sendo chamado de desdemocratização. O VDEM, Variedades da Democracia, é um dos principais índices de qualidade da democracia global. Ele é produzido pela Universidade de Gotemburgo, na Suécia, e produz relatórios anuais com dados abrangentes.

De acordo com o relatório VDEM de 2025, mais de dois terços da população mundial viviam sob alguma forma de autocracia em 2024. Por trás desse dado tem o fato de que cerca de um terço da população mundial vive na Índia, classificada como autocracia eleitoral, e na China, chamada de autocracia fechada.

Agora pensa, em 2024, só 28% da população mundial, ou 2,3 bilhões de pessoas, viviam em democracias. É quase metade em relação aos quase 4 bilhões de pessoas em 2016, por exemplo.

Então, nesse contexto geral, Jéssica, em que a gente está vendo um avanço crescente, dessa retórica da direita, da extrema direita, da nova direita, seja lá o nome que você queira dar. E eles estão sendo tão eficazes que eles estão conquistando países inteiros. Eles estão se expandindo no mundo inteiro.

O Brasil, inclusive, é descrito pelo VDEM como uma democracia eleitoral que passou por uma ligeira, mas notável subida nos níveis de autocracia até 2022, 2023. Essa autocratização brasileira recente começou com a eleição de Jair Bolsonaro em 2018, marcada por ataques ao STF e governadores da oposição, seguiu com as tentativas dele de controlar e ridicularizar internacionalmente o sistema brasileiro a partir de 2021, e aí

E, por fim, com as manifestações violentas estimuladas por Bolsonaro entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023, quando ele foi derrotado nas urnas. E em momentos de declínio democrático e avanço autoritário, os direitos não são retirados todos de uma vez, né? O controle sobre a reprodução, a sexualidade e a autonomia feminina costuma ser um dos primeiros alvos.

Quer exemplos? Propostas como a PEC 181 para tornar o aborto crime desde a concepção e os debates entre o limite de tempo para aborto legal em casos de estupro. Inclusive com a anuência do Conselho Federal de Medicina, o CFM. A questão da sexualidade é uma tecnologia de poder, então ela vai ser sempre tensionada, especialmente em momentos de crise.

que é o ciclo do capitalismo. Então, sempre vai ser... Acho que a gente tem a Simone de Beauvoir aí falando que bastou uma crise que os nossos direitos vão ser os primeiros a serem, não só das mulheres, mas acho que de qualquer grupo que sofre muitas opressões. Essa é a Ilana Ambroje. Eu sou médica, trabalho na ANIS, Instituto de Bioética, como pesquisadora.

e tenho doutorado em bioética, ética aplicada e saúde coletiva. Nesse processo lento e gradual de desdemocratização de autoinfluência religiosa nas esferas de poder, é preciso ter muita atenção, porque o retrocesso não precisa vir com uma grande ruptura. Ele pode chegar aos poucos, com várias ações pequenas somadas.

E o Estado, ele tem essa... a sua institucionalidade, mas ele também é feito por nós, né? Ele também somos nós. Então, esse trabalho de a gente estar sempre atento, pautando para não normalizar, para não minimizar esse tipo de...

Diria de ataque a direitos sexuais reprodutivos, de ataque à ciência. O Dia dos Métodos Naturais foi pautado pela Câmara Municipal de BH. Mas ele não fala só sobre a cidade que eu vivo ou só sobre as Belo Horizontinas. Esse e outros exemplos precisam ser vistos e enfrentados com esse olhar muito mais amplo, nacional ou global até.

A gente procurou a Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte para uma posição sobre o Dia dos Métodos Naturais. E a Secretaria informou em nota que cabe à mulher a escolha do método contraceptivo. Mas ela também afirmou que é um dever dos profissionais de saúde atuarem como...

facilitadores do processo, oferecendo informações claras, imparciais e atualizadas sobre os diferentes métodos disponíveis, incluindo eficácia, possíveis efeitos colaterais, contraindicações e modo de uso.

A nota completa está no nosso site. Lá no ciênciasuja.com.br, na descrição do episódio e nas nossas redes sociais, a gente também deixou vários materiais complementares do episódio. E antes de partir para os créditos, eu queria lembrar que o Ciência Suja é um feliz membro da Rádio Guarda-Chuva, que reúne podcasts independentes de jornalismo muito bacanas.

Tem programa para todo gosto e perfil. Então, dessa vez eu queria sugerir para você acessar as redes sociais e o site da Rádio Guarda-Chuva e experimentar um novo. Que tal? Depois você volta aqui ou nas nossas redes sociais e conta o que achou.

Este episódio do Ciência Suja foi apresentado por mim, Maggie Rodrigues, pelo Théo Rupresti e também pela Jéssica de Almeida, que fez toda a apuração e o roteiro também. Muito obrigada por mandar a pauta e tocar ela tão bem aqui com a gente, Jéssica. Foi um prazer fazer jornalismo com vocês, pessoal. Contem comigo pra tudo e até a próxima. As vozes complementares do episódio são do Felipe Barbosa. A gravação minha e do Théo aconteceu no estúdio Tirano Som.

Já a Jéssica gravou de casa com o apoio do Felipe Barbosa. A edição do texto foi feita por mim, com o apoio de toda a equipe. A edição de som, mixagem, trilhas originais e a masterização são do Felipe Barbosa. Nesse episódio, você ouviu áudios da Câmara Municipal de Belo Horizonte, CNN, TV Câmara Osasco, Câmara Notícias, Rádio Itatiaia e Inteligência Limitada.

A Mayla Tanferri e o Guilherme Henrique fizeram a arte de capa e o nosso projeto gráfico. O nosso site foi desenvolvido pelo Estúdio Barbatana. Lá você tem mais informações sobre como consegue ajudar a gente a seguir com Ciência Suja e os bônus que recebe ao participar do financiamento coletivo.

Você encontra mais informações nas nossas redes sociais, que são tocadas pelo Pedro Belo. O Ciência Suja está no Instagram, Facebook, TikTok, Twitter e Blue Sky. Nova Reportagens

Anunciantes1

Instituto Serrapilheira

external