Episódios de Ciência Suja

MESACAST - Whey e creatina: provavelmente você não precisa

14 de maio de 20261h2min
0:00 / 1:02:36

Assista à versão em vídeo aqui: https://youtu.be/uHQM6Rd0OrQ?si=HRSWlv-QsjavdG1F 

A venda de suplementos em farmácias movimentou R$ 723 milhões em 2024. E proteína, barrinhas proteicas e creatina respondem por 90% desse valor. O problema: para a maioria das pessoas, whey e creatina farão pouca ou nenhuma diferença para o físico. 

Neste episódio, os pesquisadores Hamilton Roschel e Lorella Barbi revelam como os benefícios divulgados desses suplementos são, na realidade, mais marketing do que ciência. E reforçam no que cada um de nós realmente deveria focar para aumentar a performance e tirar o melhor dos exercícios físicos. 

O Ciência Suja tem apoio do Instituto Serrapilheira, que promove a ciência e a divulgação científica no Brasil. 

Siga o Ciência Suja nas redes sociais e apoie o podcast via financiamento coletivo. Apoiadores têm acesso antecipado aos episódios, entre outros benefícios exclusivos. Você encontra os links e mais informações no nosso site: www.cienciasuja.com.br

Participantes neste episódio3
C

Clóia Pinheiro

HostProdutora do podcast
H

Hamilton Roschel

ConvidadoNutricionista, fisiologista clínico de exercício, professor da Universidade de São Paulo e diretor do Centro de Medicina do Estilo de Vida da Faculdade de Medicina da USP
L

Lorella Barbi

ConvidadoNutricionista e cientista
Assuntos5
  • Uso de creatinaMecanismo de ação da creatina no fornecimento de energia · Benefícios comprovados em atividades de alta intensidade e curta duração · Limitações e baixa relevância para o indivíduo comum · Alegações de benefícios em outras áreas (menopausa, cérebro, depressão) · Placêbo e flutuações de desempenho natural
  • Equilíbrio AlimentarDefinição e origem do nutricionismo · Consequências do nutricionismo (empobrecimento da dieta, preferência por ultraprocessados) · Perda da dimensão cultural e social da alimentação · Marketing da indústria wellness e o glamour dos suplementos
  • Ingestão de proteínaRecomendações gerais de consumo de proteína · Variações na demanda por proteína (idade, sexo, estilo de vida) · Riscos do excesso de proteína · Importância de um profissional qualificado para orientação
  • Alimentação Saudável e SuplementosVulnerabilidade e marketing direcionado a mulheres na menopausa · A percepção de suplementos como soluções naturais e sem risco · Crescente oferta de suplementos para sintomas da meia-idade
  • Alimentos UltraprocessadosO papel dos ultraprocessados em contextos de vulnerabilidade social · Dificuldade em combater o argumento da conveniência · Alternativas práticas e acessíveis para lanches proteicos · Comida de verdade como privilégio
Transcrição170 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

O Ciência Suja tem o selo da Rádio Guarda-Chuva. Jornalismo para quem gosta de ouvir.

Olá, sejam bem-vindos. Está começando mais um MesaCast do Ciência Suja. Eu sou a Colé Pinheiro, sou produtora do podcast e hoje fazendo as vezes de apresentador aqui para falar de um tema que me fascina muito, que são os suplementos do Mundo Fitness, com destaque para a whey e creatina.

Como boa mãe fitness, eu já caí no papinho das duas. E se você treina como eu, provavelmente também já tomou ou pensou em tomar Whey ou Creatina.

esses dois suplementos em especial se tornaram um item da cesta básica, maromber, ou de quem quer ser maromba, e eles também movimentam um mercado muito grande. Segundo uma reportagem da Veja Saúde, onde eu também trabalho, e aliás lá a gente fala muito sobre esse assunto, a venda de suplementos em farmácias movimentou mais de 700 milhões de reais em 2024. E...

Whey, barrinha de proteína e creatina respondem por 90% desse valor. E assim, a gente está falando só de farmácia, então não de supermercado, mercado livre, loja de suplementos, etc. Para vocês terem ideia, só um fabricante brasileiro de creatina, que eu pesquisei antes do episódio, investiu recentemente 100 milhões de reais numa fábrica para alcançar uma receita de 1 bilhão de faturamento em 2030.

Mas será que tem tanta gente assim precisando tomar creatina? Então é aí que tá, na verdade não. Até dá pra dizer que ela é um dos poucos suplementos com benefício demonstrado pela ciência. Mas é um benefício muito específico em atletas de altíssima performance.

Na vida real, na minha, na sua, faz muito mais diferença fazer outras coisas, que também são muito mais difíceis de fazer. Só que aí o cabra gasta 90 reais no potinho de creatina, que na verdade a gente nem sabe se tem creatina mesmo, em vez de se preocupar com outras coisas, tipo dormir melhor, comer bem. E ele espera que isso vai fazer ele ganhar mais músculo.

Mas calma, que muitas pessoas mais entendidas do que eu vão explicar mais sobre isso nesse episódio. Antes eu vou só fazer um comentáriozinho breve sobre o Whey, esse sim o líder do mercado, né, dos suplementos. A história do Whey tá muito ligada à história da evolução tecnológica da indústria dos alimentos. Isso porque ele surgiu ainda nos anos 70 como uma ideia da indústria pra aproveitar o soro do leite que era desperdiçado na fabricação do queijo.

Então ele é ultraprocessado, essa classe de produtos que explodiu e é criada para aproveitar ao máximo cada partezinha do alimento em natura. E aí, depois disso, ele passou a ser usado pelos fisiculturistas e atletas e nos anos 90 começou esse marketing mais pesado em cima dele.

Nos anos 2000, com a explosão do culto ao corpo nas redes sociais, essa ideia do wellness de você ser cada vez mais fitness e mais saudável, o whey caiu de vez na boca do povo. Junto com esse discurso de que a gente precisa de menos carbo, mais proteína, controlar nossos macros, enfim, a gente está falando cada vez menos de comida e mais de nutriente. E justamente nessa época em que a comida parece cada vez menos com comida. Coincidência? Vamos descobrir nesse episódio.

E assim, o whey até é uma boa fonte de proteínas e ele tem seu valor em alguns cenários. Só que o que os dados mostram é que a gente já consome o tanto de proteína que precisa. E aí não é uma questão de quanto mais proteína, mais músculo. Na verdade, o corpo usa quanto precisa e o resto ou é desperdiçado ou se acumula para gerar problemas mais para frente. Ou seja, melhor seria você garantir seus graça e ovos ou ovos normais no café da manhã. E suas proteínas nas outras refeições.

Pode ser que você esteja começando a ficar com raiva de mim ouvindo eu falar sobre essas coisas. Mas calma, eu já estive no seu lugar. Eu passei por essas etapas do luto. E quem abriu os meus olhos para tudo isso foi a ciência. Mais especificamente, uma jornalista que trabalha comigo, a Ingrid Luisa, que se debruçou sobre esse assunto e fez matérias muito esclarecedoras que fizeram eu parar de tomar o whey e creatina.

E é isso que a gente vai tentar fazer aqui hoje. A gente vai entender o que diz a ciência sobre o whey e a creatina e quem realmente se beneficia deles. Então segura seu scoop e a sua coqueteleira e vem comigo. Agora sim, vamos aos nossos convidados. A gente está aqui com a Lorela Barbie. Ela é nutricionista e cientista. Ela é mestre em divulgação das ciências pela Universidade de Lisboa, em Portugal.

Oi, Lorela. Olá, bom dia. Ou boa tarde ou boa noite? Boa tarde, Brasil. Boa tarde, Itália. Bom dia, Itália. E a gente também está com a Milton Rochelle, nutricionista, fisiologista clínico de exercício, professor da Universidade de São Paulo e diretor do Centro de Medicina do Estilo de Vida da Faculdade de Medicina da USP. Oi. Olá, prazer estar aqui com vocês.

O prazer é meu, a Milton, como já falei, é uma fonte da Veja Saúde, ele vai ter bastante a crescer, ele pesquisa o assunto, e a Lorela também está sempre de olho no que se fala sobre o assunto nas redes.

Vamos começar então pelo Wei, que é o queridinho aqui do mercado. Vou direcionar a primeira pergunta para você, Hamilton. Queria que você resumisse como é que se construiu esse hype, em torno do Wei especificamente. Pois é, na verdade, eu acho que a ciência no tema, de certa forma ajudou.

Mas a má interpretação da ciência no tema talvez tenha sido o motivo desse hype todo. De uma maneira muito simplista, se a gente for tentar entender como se dá o remodelamento muscular, como é que a gente constrói músculos...

a gente passa exatamente por esse avanço da ciência, da fisiologia, da nutrição. Então, estudou-se desde os anos 90 até mais ou menos meados dos anos 2010, por aí, estudou-se muitos efeitos fisiológicos do consumo agudo de proteínas sobre o remodelamento muscular, ou sobre os mecanismos de remodelamento muscular.

O músculo é um tecido que está sempre em constante turnover. A gente usa esse termo na biologia para descrever um tecido que está constantemente sendo renovado. Então você tem esse tecido sendo degradado e reposto por novas proteínas que estão sendo sintetizadas em determinadas taxas a depender do tecido em questão. Estamos falando do músculo esquelético, estamos falando de mais ou menos 1% de taxa de renovação ao dia.

O que a gente passou a entender melhor? Que os mediadores do aumento da taxa de síntese de novas proteínas é tanto o exercício físico quanto a nutrição. E mais particularmente, quando a gente fala da nutrição, o consumo de proteínas. E quando a gente fala do consumo de proteínas, a gente está falando essencialmente dos aminoácidos essenciais contidos nessa proteína. Daí o whey, que é uma proteína que tem um perfil,

de composição de aminoácidos essenciais bastante interessante e que passou a ser utilizada não exatamente como a investigação clínica desse troço não quero saber o e especificamente o que ele tá fazendo eu quero ver a proteína então tô usando aí como modelo de limpo

laboratório que eu consigo controlar e tal, e estou vendo o que o consumo dessa proteína me causa em relação a esse remodelamento muscular. E viu-se uma resposta bastante importante nesse mecanismo agudo. Daí derivou-se uma série de outras questões que se...

que a gente pode depois discutir, com relação aí sim à fonte, será que o whey é melhor que uma outra proteína, que é pior que outra, que é melhor que uma outra? E aí passou-se sim a discutir esses efeitos agudos em função dessas manipulações. É a quantidade, é a hora do dia, é o tipo, é animal, é vegetal, é o ovo, é o whey. E na maioria dessas comparações, o whey sempre levava alguma vantagem.

de novo, eu vou insistir nisso, nesses mecanismos agudos, esses mecanismos fisiológicos agudos que não necessariamente repercutem em maior ganho ou não necessariamente têm uma relação direta com o ganho de massa muscular em caráter crônico, em estudos clínicos e tal.

Então, isso foi muito explorado pela indústria. É, fala isso, tem bastante marketing também. Sem dúvida, porque você está mostrando ali, eu sei que para eu ganhar músculo, eu preciso aumentar a taxa de síndice proteica. Olha, o whey é melhor que não sei o quê. O whey é melhor que o ovo, comparável ao ovo, mas é mais prático. O whey é melhor que a caseína, o whey é melhor que a proteína vegetal. E aí, obviamente, que se fez um marketing todo em cima disso, uma má interpretação da ciência, por quê?

que esses mecanismos agudos não guardam uma relação direta com a remodelação muscular crônica. Então, acho que esse é o grande tchê-neném aí da história.

Eu acho que a gente pode dar um passo pra trás e falar um pouco sobre proteína, na verdade, né? Que é isso, vou até passar pra Lorela, que é, se a gente for pensar sobre as proteínas em si, o que a gente tem de dado sobre consumo, a gente já consome o suficiente? Porque acho que uma das coisas que eu descobri com as apurações na Ingrid e tudo, é que na verdade parece que a gente já consome o que precisa, né? Então, em que momento a gente precisa suplementar a proteína, né?

Pronto. Bom, a gente tem algumas evidências, especialmente no caso de pessoas que não dão conta de consumir via dieta, por exemplo, dos benefícios da suplementação de proteína. Então, pessoas, por exemplo, que têm uma taxa muito grande de redução da massa muscular, idosos, pessoas que fazem exercícios muito intensos também têm algum benefício, mas de maneira geral, para a população geral, a gente até consome mais do que precisa atualmente.

E eu atribuo muito disso também a esse hype que a gente está das proteínas, onde tudo é proteinado. Antes a gente estava até falando sobre água com proteína. Então, realmente, existem alguns públicos que se beneficiam. Isso já está muito bem documentado na literatura científica. Mas a grande maioria das pessoas, incluindo eu, provavelmente as pessoas que estão aqui, podem atingir tudo o que precisam através da alimentação.

Existe um número certo de quanto a gente deve consumir por dia? E isso muda de acordo com a idade? Porque tem isso, né? Já ouvi, ah, preciso de 0.8, preciso de 1 grama por quilo. Pra vocês dois, na verdade, né? O que é o certo?

Sim, a gente vai ter, e essa mudança de demanda vai depender muito, por exemplo, do sexo biológico, da idade, do estado fisiológico que a pessoa tá, do tipo de estilo de vida que ela leva, do tipo de exercício físico que ela faz. Então, a comparação entre dois seres humanos que estejam em condições completamente diferentes não é verdadeira.

Isso é até uma outra questão que eu vejo muito, por exemplo, em posts de redes sociais, que todo mundo precisa de 1.5 de proteína. Tá, mas todo mundo é quem? Todo mundo faz exercício 12 vezes por semana ou todo mundo fica sentado em casa e não faz atividade física. Então, de fato, existem as recomendações e elas vão ser muito variáveis de acordo com o estilo de vida do próprio paciente.

E provavelmente a sua mãe já falou que você não é todo mundo. Mas acho que a Lorela foi muito precisa. Você tem a alteração da demanda por proteínas em função de uma série de fatores. Há uma recomendação geral...

que recebe algum tipo de crítica, porque ela é truncada ali em torno de 0,8, como você trouxe, 0,8 gramas de proteína por quilograma de peso. Para ninguém errar na conta, vamos pensar no sujeito de 100 quilos para ficar fácil. Esse sujeito precisaria de 80 gramas de proteína por dia, tá?

Mas isso varia em função de algumas demandas, por exemplo, idade, crianças, dependendo da fase, tem uma alteração nessa demanda para cima. Indivíduos idosos, discute-se muito, embora essa recomendação não contemple...

Essas alterações fisiológicas típicas do envelhecimento, o avançar da ciência nesse sentido, já mostrou para nós que o indivíduo idoso tem uma capacidade diminuída em responder ao estímulo anabólico, seja da nutrição, seja do exercício. De tal forma que você precisa readequar essa estimulação anabólica, por exemplo, via alimentação, aumentando a dose ou a quantidade de proteína, melhor dizendo, que ele ingere habitualmente. Então, já se...

a a a trabalha hoje embora não seja uma recomendação vigente tem um corpo de literatura suficiente para gente pensar que o indivíduo idoso pode se beneficiar mesmo numa situação basal não estão falando idoso ativo ou com uma condição clínica catabólica de uma condição ligeiramente maior um 1.2 gramas por quilo

Indivíduos engajados em programas de exercício têm uma demanda também por um aporte proteico maior, porque o exercício induz um remodelamento muscular que precisa ser sustentado por um aumento no aporte proteico também. Então, tem várias condições, condições catabólicas, marcadas por um aumento do catabolismo, uma perda de massa muscular.

Precisa de um aporte de proteico maior para tentar compensar isso. Enfim, há várias derivações. O 0,8 é o indivíduo médio. É o todo mundo. É o todo mundo. É mais ou menos isso. Tem essa variação, sim.

Assim, na prática, como é que a gente descobre isso, de quanto a gente precisa? É um nutricionista? Sem dúvida, um profissional capacitado vai poder te ajudar nesse sentido. Então, identificar padrões ou estilos de vida desse indivíduo, ou condições clínicas.

que merecem maior atenção, vão impactar na revisão dessa recomendação. Então, não sugere-se que você faça isso por si só, que procure, sem dúvida, um profissional qualificado para isso.

E a gente já tem bastante literatura também, falando sobre as necessidades, por exemplo, de uma pessoa que é sedentária, de uma pessoa que faz determinado tipo de exercício, da idade. Então, o profissional não vai tirar isso das vozes da cabeça. A gente tá baseado sempre numa literatura por trás, que vai dizer quanto cada um vai precisar ali. Fora o ajuste que é feito em cada consulta, em cada vez que você vai ver o paciente também, né?

Deixa eu... Eu vou botar o carro na frente dos bois um pouco, mas é que eu acho que é um bom gancho, né? Porque eu fiquei pensando eu, né? Quando eu fui tomar, foi voz da minha cabeça. Sei lá, vou tomar um scoop por dia. É o que todo mundo tá fazendo. E tem algum problema, Lorela, pra saúde de fazer isso? Tipo, de fazer essa suplementação por conta própria e de repente perder a mão? Atingir grandes quantidades de proteína dentro de um nível basal normal?

É uma condição que é fácil e é difícil ao mesmo tempo. Ou seja, você precisaria de um consumo crônico muito alto, mas assim, por um longo prazo, pra conseguir ter ali problemas que são relacionados à saúde. Então, até algum tempo atrás, né, até algumas décadas atrás, a gente achava que isso poderia afetar o rim. Hoje a gente já sabe que não é tão simples assim, indivíduos que não tinham predisposição ou nenhum tipo de problema de saúde. Mas...

Todo o excesso vai depois fazer com que outra falta exista. Então, por exemplo, uma pessoa que consome muita proteína provavelmente não vai conseguir atingir outros nutrientes que são igualmente importantes através da alimentação. Porque a gente tem ali, é matemático, a gente tem um 100% para consumir. Se você consome muito de uma coisa, muito provavelmente você vai deixar...

de consumir pouco, você vai deixar de consumir outra coisa que também é igualmente importante, que vai fornecer, por exemplo, nutrientes bioativos, enfim, que são importantes também. Então, sim, como tudo, existe um problema do excesso e também da falta. Então, tem que ter ali o meio termo.

Sim, eu fiquei pensando, acho que é uma área que você estuda se não tem esse revés comportamental mesmo, né? Que é do quanto você passa a confiar naquele suplemento pra te dar uma pós-proteico e para de pensar nas outras fontes. Você vê um efeito negativo mais nesse sentido, assim, psicológico? Eu acho que pode haver sim. Na verdade, acho que tem várias camadas, né? Que a gente pode...

desembalar pensando nesse tema. Se você está falando em comportamento, você pode falar primeiro. O primeiro comportamento dessa assunção, desse efeito tão mágico assim do ei, é você atribuir essa propriedade ou uma transferência de responsabilidade que é razoavelmente comum quando você está lidando com saúde. Então o indivíduo deposita...

as fichas dele no remédio que o médico passou e não numa construção de hábitos mais saudáveis ou é aquele suplementinho de polivitamínico que eu tomo e não a revisão do meu consumo alimentar habitual.

e por aí vai então nesse caso acho que tem um pouco disso também e tem obviamente o que você trouxe antes que é essa construção mercadológica e de que o ei tem essa propriedade de construir músculos né atribui-se ao suplemento e acho que talvez seja o primeiro erro que você atribui ao suplemento e não ao nutriente porque aí na verdade

tudo isso que eu falei dessa remodelamento da síntese e tal são efeitos que podem ser atribuídos ao nutriente que nutriente a proteína o Ei é só uma fonte de proteína não é a única e nem

voltando ao que eu trouxe antes e contestando até o que eu falei antes não é necessariamente melhor do que qualquer outra então quando você tem uma ingestão proteica seja ela da onde vier de alimentos de outros suplementos ou da onde for o efeito é do nutriente proteína contido nesses alimentos tá

Mas sim, você pode, ao fazer uma ingestão aumentada ou significante de um determinado suplemento, esquecer de outros comportamentos alimentares que são mais essenciais ou até isso corromper uma certa função da alimentação, que tem um componente social, tem um componente cultural importante. Então, não é incomum, né? Você vai...

Sei lá, vai encontrar o pessoal no bar ou na pizzaria. Tem um maníaco que saca a coqueteleira porque ele tem que tomar o whey tal hora, como se aquilo tivesse alguma propriedade mágica ou se fosse... É como mesmo na academia, né? Eu acho super estranho, porque você tem que tomar um negócio... Não tem que. Eu brinquei com isso há alguns anos. Eu fiz um post meio brincadeira. Eu até parei com essas coisas. Não é, gente. A gente vai conquistar alguns haters depois desse dia.

Eu criei uma brincadeira ali com a Sociedade dos Coqueteleiros Anônimos, né? Porque o cara, ele tá na academia e todo mundo já deve ter visitado isso, assim, essa experiência. O cara sai do treino todo encharcado ali, ele corre pro... Ele não pensa em tomar banho primeiro, ele pensa em abrir o armário e começar o sambinha da coqueteleira no vestiário. Porque se ele não fizer a ingestão...

daquele suplemento imediatamente após o treino, algo muito terrível vai acontecer e vai se perder todo o efeito mágico daquele troço todo. E, de novo, essa é uma má interpretação da literatura, né? A gente sabe que o timing dessa ingestão nada tem a ver com o efeito em si. É muito mais uma...

A tentativa de uma replicação de um desenho experimental que foi feito daquele jeito por um motivo operacional da ciência muito particular e não porque é o efeito clínico que se manifesta naquela condição apenas. Então aí é uma desinformação também dos profissionais da área que prescrevem. Tem que ser depois do treino. Então se você terminou o treino, tem que tomar proteína e não sei o que. E muitas vezes acontece um outro quadro muito típico, esse cara.

Acabou o treino, ele faz o sambinha da coqueteleira dele lá imediatamente após, toma banho, vai pra casa e come 38 quilos de frango e 55 ovos da mulher lá que a gente tava falando. Os ovos da graça. E aí você tá falando, mas o sujeito já ingeriu a proteína?

E essa do jantar? E por que ele não deixou a do jantar e... Percebe? Então tem uma série de desconexões aí entre a prática individual, recomendação clínica, sustentação científica. É uma doideira mesmo.

Só para resumir o que você falou, não faz diferença o timing que você toma, é mais sobre o quanto você consome durante o dia todo. Exato. O atendimento ao aporte proteico em si é muito mais importante, ou é o fator principal, em detrimento dessas minúcias. Então, o timing, por exemplo, já foi uma preocupação muito grande. Hoje a gente já entende que isso não é necessariamente uma questão.

o exercício físico isso é uma questão interessante ele deixa o músculo mais sensível à presença do nutriente a presença da proteína seja no alimento eu tô falando sempre do nutriente porque não depende do ei do nutriente da proteína aonde ela tiver e esse aumento da sensibilidade

a presença do nutriente, ele tem uma latência muito grande, de pelo menos 24 horas. O que não quer dizer também que você vai treinar hoje e comer amanhã. Só quer dizer que você vai treinar hoje, agora, e você não precisa fazer ingestão de imediato. Você pode tomar um banho antes de ir. Você pode tomar um banho antes, por favor. Então, é nesse sentido.

Entendi. Sim, e uma outra coisa também, só complementando, é que não adianta você só atribuir a hipertrofia à quantidade de proteínas que você consome. Então, se você consome proteínas suficientes, mas você consome muita bebida alcoólica, não dorme suficiente, enfim, treina muito menos do que você acha que realmente você faz ou tem os outros hábitos de vida que não correspondem também a isso...

só consumir a proteína não é suficiente. A gente já tem isso também na literatura. Então, é todo o estilo de vida do paciente. Não adianta exatamente naquilo que vocês estavam falando antes. Não adianta suplementar a whey e dormir mal. Não adianta a gente, por exemplo, atribuir todo o feito de alguma ação a uma só causa. Assim como não adianta também você dormir bem e não consumir proteína suficiente.

Então, é um conjunto... O corpo, ele sempre é feito por um conjunto de muitas... De muitos efeitos ali, né? De muitas variáveis, aliás. E todas elas são importantes também. Precisa de carbo pra fazer músculo? Sim, também, sim. Pensa nisso, porque também você vê os pratos das pessoas, né? É muita proteção.

E a gente tem até alguns estudos mostrando, por exemplo, que dietas que são majoritariamente proteicas também não são suficientes para ter ali um aumento de massa muscular significativo. Então, não é só um nutriente, é sempre o conjunto de vários.

Eu vou mudar um pouco de assunto, porque eu acho que como o próprio Hamilton começou a falar, ele tá falando de nutriente, e eu acho que a gente, e como eu também falei no começo do episódio, acho que todo esse papo de suplemento, de whey, de creatina, evoca muito essa ideia de...

de nutrientes, de você pensar no nutriente menos de comida, e a gente acho que é uma boa oportunidade da gente falar sobre o nutricionismo, né? E como a gente tem mudado a nossa visão sobre o que é comer e qual é a importância de comer. O próprio Hamilton falou sobre como às vezes a gente pode trocar uma refeição.

pra usar ali um suplemento. Então, eu queria ouvir de vocês, né? O que que... Acho que pode começar pela Lorela. O que que é o nutricionismo, né? Por que que a gente tem essa tendência hoje em dia e quais são as consequências dela, né? Pronto. Bom, nutricionismo é basicamente você reduzir um alimento a algum tipo de nutriente. Então, a gente sempre ouve que o ovo é proteína, ou banana é carboidrato, enfim. É basicamente você colocar toda a energia, todo...

Enfim, toda a definição de um alimento em algum nutriente específico e também focar só nesses nutrientes específicos, né? E isso acaba trazendo de maneira... Bom, primeiro... Desculpa. Primeiro, aconteceu porque a gente hoje tem muito mais informações do que a gente tinha, por exemplo, nos anos 80 sobre alimentação.

Isso foi muito positivo para os profissionais da área da saúde, quando a gente pensa especialmente, por exemplo, em corrigir deficiências, em observar que alimentos que têm determinado nutriente, aí consequentemente eu posso fazer o manejo disso na dieta do paciente, enfim. Só que hoje em dia isso está acontecendo de maneira muito exacerbada. Então, por exemplo, você só come se determinado alimento tiver proteína, você só come se determinado alimento tiver vitamina C, enfim.

Consequentemente, isso acaba empobrecendo a nossa alimentação, porque a gente passa a achar que uma coisa é mais saudável do que outra só porque é fonte de alguma coisa ou não. Isso, inclusive, aumenta a nossa probabilidade de ir para ultraprocessado. Porque, por exemplo, você olha uma bebida proteica e você acha que aquilo é muito melhor do que comer uma salada que tem ali fontes também de proteína, seja animal ou vegetal. Mas por aquele item ter mais proteínas, e hoje é um nutriente que está sendo falado, também a gente acaba...

colocando como se todo o benefício daquele consumo ali fosse um nutriente específico. Então, acho que o principal problema é você realmente empobrecer a questão de cultura alimentar, de consumo de alimentos diferentes, empobrecer mesmo a demanda e o recebimento de nutrientes.

Isso também foi produzido pela própria ciência, né? Acho que quando a gente começou, não sei se a César pode colocar nesses termos, mas quando a gente começou a cobrir saúde, quer dizer, eu cobro faz 15 anos, antes a gente falava muito sobre nutriente e com o tempo começou a crescer, mas essa ideia da importância do comportamento, né? Eu ia te pedir para complementar a fala da Lorela e talvez... Sim, eu acho que é uma colocação muito feliz e a gente pode até pensar que essa questão do nutricionismo, ela permeia a sociedade em...

Em sítios que a gente nem imaginava, né? Você hoje pode abrir um cardápio e você tem no cardápio escrito proteínas para descrever alimentos que são fontes de proteína. Chefes de cozinha tratam como proteína...

normalmente um alimento de origem animal, já é conceitualmente errado, mas enfim, está presente nesse nível, sua tia está chamando batata de carboidrato hoje em dia. Então, está nesse nível a discussão. E aí a gente esquece, obviamente, das outras funções culturais, da alimentação, da nutrição, coisas que...

tem se perdido com o tempo. E aí, talvez, a sua fala vai muito nesse sentido, desse resgate da alimentação, da nutrição, como um componente também cultural e que traz junto questões de saúde envolvidas. Por exemplo...

a preservação da cultura alimentar de um certo povo tem implicações muito maiores do que a gente conseguiria discutir aqui rapidamente. Mas essa redução da alimentação a um aporte de um nutriente específico, ou ao foco no nutriente específico, é pernicioso nesse sentido, porque dá margem para a exploração.

da indústria na manufatura de produtos que vão te fazer por um caminho.

se for a gente pensar sobre o aspecto nutricional, bastante incompatível com o adequado. Como a Lorela falou, você vai tender a consumir mais alimentos ultraprocessados por conta disso, porque você consegue manipular, por exemplo, um chocolate para enfiar uma proteína nele e chamar aquilo de uma barrinha proteica e o cara achar que está comendo algo que é nutricionalmente interessante. Ou você fazer um rebranding do ovo.

com algum claim de que aquele ovo tem, sei lá, é um ovo de dinossauro, sei lá, eu que com alguma propriedade intergaláctica. E você esquece que, por exemplo, a maioria das culturas arrumou, por si só, formas de você suprir o aporte proteico a partir de combinação de alimentos vegetais, por exemplo.

De uma maneira otimizada. Não é à toa que a gente consome arroz e feijão. Ninguém fez lá atrás, quando se começou, ninguém nem entendia que o perfil de aminoácidos do arroz era deficiente num determinado aminoácido, do feijão em outro, mas que juntos eles se complementavam e formavam uma proteína de excelente qualidade. Se a gente for pensar...

reducionisticamente nessa história da proteína como um conjunto de aminoácidos essenciais e tal. Se a gente for em outras civilizações, é sempre alguma combinação de algum cereal com alguma leguminosa, porque é o que normalmente acaba funcionando. Em cada região vai ter a sua. Então, é o trigo com não sei o quê, é o arroz com feijão, é o milho, dependendo de onde você for, essas combinações foram estabelecidas culturalmente.

intuitivamente, estão presentes lá, isso vai se esquecendo e vai se perdendo, então tem implicações, né, sobre o aspecto cultural em si, além do nutricional. É que comer ervilha não é tão glamuroso, né, que nem tomar um whey. Ou uma pea protein. Sim, sim, sim. Tem sentido, porque além dessa questão toda cultural do alimento, quando você está comendo um arroz com feijão, você não está comendo uma...

Bim Protein só, né? Você está comendo tudo aquilo que vem no pacote também, né? Que é muito melhor do que o tal do suplemento, se você for olhar, né? Fibras e outros nutrientes que são essenciais, que não estão presentes no potinho de whey ou de qualquer proteína que você compra lá, com um monte de corante e aromatizante e um monte de aditivos que, obviamente, não tem valor nutricional qualquer.

E a gente chega muito nisso também, acho que através do marketing da indústria wellness, né? Que fala pra gente que é muito mais legal com o status você consumir tudo que você precisa em um shake só do que, por exemplo, comer arroz e feijão, que é muito menos glamuroso. Então, acho que também existe um impacto muito grande nas nossas escolhas sobre o que disseram pra gente que era importante, legal e que você tinha que fazer. Porque tá todo mundo fazendo e acho que o marketing foi muito...

Muito feliz nessa... Quando ele bota pra gente que a gente precisa consumir. Essas coisas que realmente você perde muito da matriz alimentar ali, que é essa composição dos alimentos. Você perde fibra, você perde outros nutrientes, você perde complexos de bioativos importantes. Mas é muito mais legal bater uma shake. E aí depois você vai suplementar com vitaminas e minerais, né? Exato. Você vai fazer aquele combo.

Cara, isso me lembrou uma coisa, você tava falando dos ultraprocessados, e eu lembrei que a gente fez uma matéria também recentemente de que as próprias barrinhas de proteína, acho que foi o IDEC, ou o Desrotulando, que fez um levantamento, elas também são cheias de gordura saturada. Super. Então você tá comendo proteína, mas tá levando um combo ali de coisas... Você tem que dar sabor, textura, shelf life, você tem que manipular aquilo ao último grau pra você poder...

vender aquilo do jeito como é vendido, né? As proteínas, normalmente, elas, ou os aminoácidos, principalmente aminoácidos, aminoácidos isolados, tem um gosto realmente muito, muito, muito, muito, muito, muito mesmo, mas muito ruim.

E algumas proteínas também. Por exemplo, você falava do pi, proteína de ervilha. Hoje a indústria resolveu como manipular isso suficientemente bem para você fazer um suplemento à base de proteína vegetal com sabor bem tolerável ou até mesmo...

bastante bem aceito. Mas, ela tem em si um amargor muito difícil de você tolerar, se ela foi isolada ou mal manipulada. E é muito mais barato, por exemplo, do que a própria proteína do soro do leite, o tal do whey. Então, quando você vai fazer uma barrinha, se você der uma olhadinha lá no rótulo, normalmente a principal proteína

constituinte daquela barrinha não é oi ou é proteína de soja ou é proteína de ervilha ou é uma combinação de proteínas vegetais que são mais baratas serem obtidas e o cara joga ali um uma pitada de oi põe oi no rótulo e te vende então nem isso ela tá cumprindo

que eu acho que é um argumento muito difícil de vencer que a questão da praticidade né porque eu só falar mas eu não vou parar para comer uma salada eu sei que uma salada é melhor mas eu não consigo fazer uma salada com fonte de proteína e eu tenho que ser que esse iogurte grego com então por que não e para isso né eu queria entender de vocês como a gente pode contrapor ou repensar esse argumento né da praticidade mesmo

Não é fácil. E é injusto a gente romantizar a coisa ao nível do vamos todos ter a sua horta em casa e aquela groselhada toda. Os alimentos ultraprocessados, eles cumprem um certo papel. E não é nenhuma apologia ou defesa. Mas vamos pensar. E a gente faz muito esse exercício reflexivo no centro.

que aqui nós estamos arbitrando, estamos discutindo para uma população que é privilegiada, uma parcela muito pequena da população que está ouvindo que não passa por nenhum tipo de insegurança alimentar e etc.

Mas vamos pensar como é que você discute essa história do nível de processamento para uma mãe periférica solo que tem três horas de deslocamento para o trabalho e que a vizinha ficou com os filhos depois da escola e a hora que ela chega a única coisa que ela tem tempo e dinheiro para preparar é um miojo.

De novo, nada de benefício em relação ao miojo, mas é o contexto. Então acho que a gente tem também que entender um outro lado, que é o lado de, tá, se a gente quer realmente fomentar a redução do consumo de alimentos ultraprocessados.

e criar uma cultura alimentar mais saudável na população, tem que haver políticas públicas que permitam isso, por óbvio, né? Acesso, condições mínimas para que isso possa ser realizado. Para o ponto específico que você está falando da proteína, também é igualmente compreensível...

Se a pessoa tem, por algum motivo, e eu não estou nem julgando mérito, a gente já falou que na maioria dos casos não há muito mérito, mas se há algum mérito em eu modular esse consumo de proteína a um nível que me requeira recorrer a esse tipo de alimento, é muito difícil você combater o aspecto da facilidade, da conveniência.

que os ultraprocessados trazem, né? O suplemento rico em proteína, um alimento enriquecido com proteína. Então, é realmente bastante difícil. É super ideal que você pudesse fazer o contrário, preparar, planejar, ter acesso e tudo mais. Mas é muito difícil combater o argumento da conveniência mesmo.

Mas eu acho que pensando nisso que a gente falou, de que a gente já consome níveis ideais, a pessoa poderia simplesmente tomar um leite batido com fruta e ela teria ali uma proteína do lanche. Poderia, mas a conveniência está presente também. Mas onde é que eu vou ter isso? No carro? O leite quente ali? Tudo está na jogada, né? Qualquer um vai poder criar um caso onde isso não esteja presente.

Então é uma questão mesmo. Comer comida da horta é basicamente um privilégio, né? Não é? Sim, é um privilégio porque, exatamente, tem todas essas questões. Seria muito bom, por isso que eu nem gosto do termo comida de verdade. Eu acho ele um pouco reducionista demais. Eu acho que comida da horta, por exemplo, acaba caindo melhor porque...

Você não põe ali juízo de valor na fala, porque a gente também tem essa questão de sempre demonizar os ultraprocessados de maneira geral. Quando a gente vai ouvir na imprensa sobre ultraprocessados, é sempre uma coisa muito ruim. Mas é isso, será que é a única opção de uma pessoa? Então a gente tem que começar a questionar justamente as políticas públicas em torno de ter a oferta para quem, por exemplo, não consegue levar uma marmita porque vai estragar pelo tempo de ônibus que ela fica se deslocando.

Não é tão simples quanto parece. Aí sempre surge alguém que fala, mas você pode ir no final da feira. Não, às vezes você não tem dinheiro pro seu ônibus. Então, comer comida da horta é de fato um privilégio que precisa ser levado pra mais pessoas, isso é uma certeza, também não tô advogando o favor do ultraprocessado, mas que precisa ser pensado pelo poder público justamente pra que as pessoas tenham acesso. Sem que a gente julgue quem só pode comer isso. Sim. Eu tô pensando mais, tipo assim, eu como classe média marom... Eu tô pensando mais, tipo assim,

supostamente marombeira. O que eu fiz depois de entender tudo isso foi simplesmente tirar esse ultraprocessado da minha vida, porque já estou comendo as minhas receições. Avaliou e está tudo de acordo. É isso mesmo. Não há nenhuma necessidade ou nenhuma propriedade mágica no suplemento. De novo, é um efeito do nutriente, ele pode estar e está, na maioria dos casos, presente numa alimentação típica.

bom, vamos então falar do outro nutriente protagonista que a gente acabou, o wellness na verdade também dá um outro mesa cast, né porque ela tem tanta coisa pra falar sobre a doce do wellness e esse marketing todo, mas acho que a creatina também vai puxar alguma dessas conversas

Bom, só para explicar um pouco para o ouvinte, a creatina é uma substância que o próprio corpo produz, que ela atua como uma fonte extra de energia em diversos tecidos, não só nos músculos, especialmente tecidos que demandam essa energia extra. Ela já foi muito estudada pela ciência, está sendo cada vez mais. No começo a gente se propagava muito a creatina como uma forcinha extra ali na realização de exercícios rápidos ou de esforço. A Milton vai me corrigir depois se eu estiver errada.

Só que agora virou creatina pra menopausa, creatina pro cérebro, creatina contra depressão. Gente, nas minhas incursões pelo submundo eu já vi até creatina inalatória pra tratar autismo. Assim, coisa de louco. Ela virou realmente uma vedete ali, né? Então eu vou passar a bola pro Hamilton, que eu sei que já estudou muito sobre o assunto. O que a ciência já sabe sobre o que a creatina faz e qual é a magnitude do seu efeito? Eu acho que é tudo sobre isso, né?

A gente sabe bastante coisa, viu? Nosso grupo em particular, a gente estuda creatina há mais tempo do que eu gostaria de admitir no ar. Revela uma série de coisas. Mas há pelo menos mais de 25 anos. Então, acho que tem bastante coisa que pode ser dita sobre ela, mas talvez a principal...

é que, como você já aludiu na sua fala, não é para todo mundo. E mesmo os efeitos comprovados, aos quais eu vou mencionar já já, eles são, seria uma boa palavra para dizer, sejam justificáveis em contextos também muito específicos.

A creatina é uma substância nitrogenada, a gente produz no nosso organismo, ela ocorre naturalmente em alguns alimentos, ela faz parte da nossa vida normal e está, como você já falou, muito envolvida com o fornecimento de energia. Ela participa de uma das vias de fornecimento de energia que estão muito ligadas a uma velocidade de ressíntese de ATP muito elevada.

Traduz, traduz. ATP, todo mundo vai lembrar do ATP do colégio. Lembra que a gente falava da moeda corrente de energia no corpo, é o ATP e tal. E quando você gasta um ATP, você precisa repolo. Há vários mecanismos para isso. Um deles é esse do qual a creatina participa.

E é um mecanismo que está muito ligado a uma taxa de fornecimento de energia muito elevada, mas que tem também uma autonomia muito curta. Ou seja, é muito utilizado em atividades que têm uma altíssima demanda energética, mas que, pelo mesmo vez, têm uma duração também muito curta. Se você for pensar em uma atividade de muito alta intensidade, é uma atividade a qual você não consegue manter por muito tempo.

Então, é desse mecanismo de fornecimento de energia para essas condições, melhor dizendo, que a creatina participa, fornecendo energia para atividades de altíssima intensidade e de curta duração. Isso já dá uma certa ideia de que, em condições, esse troço vai ser interessante. Para os indivíduos que têm alguma dependência qualquer na vida de atividades de alta intensidade e curta duração.

E talvez os melhores exemplos aqui fossem os atletas de atividades com essa característica, que não é, por exemplo, um maratonista. O maratonista vai correr 42.195 metros, numa intensidade absoluta, para qualquer um de nós, altíssima, mas relativa, nem tanto. E da qual a creatina não participa.

mas se a gente for pensar num atleta que corre 100 metros, num atleta que faz salto em distância, num atleta que faz um arremesso de dardo, em modalidades coletivas, onde as ações determinantes da modalidade são sempre de alta intensidade. Então vamos pensar, sei lá. Futebol americano.

Futebol americano, futebol normal, basquete, vôlei, handball, todas essas... Ah, mas o jogo dura tanto tempo. Ok, mas as ações que definem o jogo são sempre de alta. Se eu não correr para chutar a bola forte, ou se eu não saltar mais alto que o zagueiro para cabecear, eu não faço gol. E vice-versa, se o zagueiro não saltar mais alto que eu...

Ele não tira a bola. Então, todas as ações são de altíssima intensidade. E ali, né? Acabou. Aí a bola sai, todo mundo dá aquela descansada, volta ao jogo, etc. Então, essas são as situações onde a creatina, entre aspas, brilha.

Mas brilha quanto? Brilha muito pouco. Tem um efeito super comprovado de aumento da capacidade de se exercitar em alta intensidade, mas é um benefício que gira ali na ordem de mais ou menos 3, 4% de melhora. Que para esse indivíduo, atleta que depende desse desempenho, é algo significativo. Mas que para o indivíduo comum...

é muito pouco significativo. Por quê? Se eu for pegar o desempenho de um atleta...

super experimentado, numa determinada... Vamos pegar no salto. Então, o cara vai fazer lá, eu quero ver a variação de desempenho dele numa determinada atividade. Ela tende a ser baixa. Ele é razoavelmente reprodutível no desempenho que ele consegue produzir. Se eu pedir para você fazer a mesma atividade, ora se vai saltar X, ora se vai saltar Y, ora Z e por aí vai. Vai variar bastante. E, normalmente, esta variação no desempenho do indivíduo amador que a seteれたれたれたれたれたれたれたれた

é maior do que o tamanho de efeito que o próprio suplemento pode induzir. Isso em número mesmo. Em número, em número. A variação de desempenho de força do indivíduo é maior que 5%, tipicamente. Se o tamanho de efeito para a força é da ordem de 3, o que é o efeito que eu estou vendo? Está dentro da variação, está dentro do erro.

Em época de eleição é bom falar de margem de erro. Está dentro da margem de erro. Então, qual o sentido de eu usar esse troço? Nem sei se está fazendo bem para mim, não, porque eu posso tomar e desempenhar pior, porque está, de novo, dentro da minha variação de erro. Então, tem contextos muito específicos.

Mas você também falou de uma série de outros benefícios que têm sido explorados ou potencialmente experimentados. E todos eles giram em torno da mesma temática. É só uma forma de você colocar o assunto. Então, por que se fala de...

creatina na menopausa, porque ela tem algum efeito específico sobre a menopausa? Não. Porque a gente sabe que exercício é importante para a mulher durante essa fase, é importante para qualquer um durante a vida inteira, mas que pode ter benefícios bastante marcados nessa condição.

Então a creatina, como se percebe, é uma forma de você dar a volta para falar da mesma coisa. Mas, desculpa te interromper, mas e essa história de que o cérebro é um desses órgãos que demandam essa energia extra e que a creatina poderia dar uma...

Um up ali no funcionamento. Essa é uma outra conjectura que se faz a respeito da creatina. Então, uma delas está restrita a esse desempenho físico, e aí todos eles vão girar em torno do mesmo tema e fazer alguma alusão a isso. Então, creatina no envelhecimento. Por quê? Porque vai permitir o idoso treinar melhor. Será que ele está nesse nível onde o desempenho dele é limitado pelo aporte energético?

Muito difícil de dizer. Qual que é o outro claim? É o lance da função cognitiva. A maior parte da creatina está estocada no músculo esquelético, 95%. O resto está espalhadinho em alguns órgãos, dentre eles o cérebro. A gente sabe que há diminuição na razão ATP-ADP. Acho que eu forcei, né? Há uma diminuição.

Nada mais. Eu pensei e falei, ops, há uma diminuição, por exemplo, da quantidade de energia disponível no cérebro em algumas condições, como, por exemplo, em situações de privação de sono.

E aí especula assim, ah, e se eu enfiar a creatina para dentro? Essa creatina vai parar no cérebro, porque ela também está estocada no cérebro. Logo, vai repor essa energia. Logo, percebe que tem uma série de premissas que estão sendo assumidas sem terem sido necessariamente verificadas a extensão. Então, a creatina, tem creatina no cérebro? Tem. Creatina, suplementação de creatina aumenta a creatina no cérebro?

é bem controverso tá mais puxadinho para o não do que para o aumento então tem estudos na literatura sobre essa temática estudos nossos inclusive que não mostra alteração no conteúdo de creatina de fosforil creatina que é uma forma específica dessa creatina como ela armazenada no tecido cerebral

E a maior parte da literatura aponta para nenhum efeito sobre a função cognitiva, principalmente em situação normal, que é a maioria das pessoas. Agora, imaginar que se você dormiu mal, você vai jogar vim, que é o preconizado nesses dois artigos, com bastante limitação.

20 gramas de creatina e você resolve, de uma vez, e você resolve esse problema. Nossas três já são impossíveis de tomar, imagina, 20. Pois é. Então, assim, tem se forçado muito a barra, nesse sentido. E tem se forçado muito a barra porque aí tem também um certo incentivo da indústria, né?

E você sabe disso melhor que eu. Recentemente houve esse novo boom de creatina na mídia. Já tinha se esquecido dela, ela apareceu muito forte há algum tempo, depois ela, ah, tá bom, já sabemos o que é, agora voltou como se ela resolvesse todo tipo de problema.

do osso, que também não há nenhuma demonstração razoável de que ela tem algum efeito sobre o metabolismo nosso, a função cognitiva, que também padece do mesmo mal. Então, o que a gente sabe com muito bom grau de certeza é que ela influencia positivamente o desempenho físico de alta intensidade e curta duração, mas que isso é relevante em situações muito, muito, muito específicas. Não é o cara que vai na academia...

fazer o treininho dele no fim do dia, se ele tomou ou não tomou creatina, que ele vai treinar melhor ou não, que ele vai ficar maior ou não. Isso é uma bobagem que se vende, que está por aí, né? Nesse neoliberalismo maluco que medeia a vida de todo mundo, como se o indivíduo tivesse essa história, né? Do empreendedor de si, ele tem que melhorar, tem que usar os produtos de melhoramento humano, e a creatina é um deles, e entra nessa loucura aí.

Não tem muita coisa pra falar sobre isso, mas sim, né? Sim, existe uma outra questão também, que acho que é interessante pra quem tá ouvindo e vendo a gente saber, que é sobre plausibilidade biológica. E isso norteia muitas das alegações da creatina e também de outros nutrientes, outros suplementos, enfim.

Que basicamente é a pessoa usar um conhecimento científico que a gente tem em biologia para assumir que outra coisa é verdadeira. Então, por exemplo, uma das coisas mais comuns que a gente tem é que se você tomar vitamina C, você vai prevenir e curar gripes e resfriados. Isso porque a gente já tem algumas evidências mostrando que vitamina C vai atuar no sistema imunológico. Mas entre a vitamina C atuar no sistema imunológico, lá dentro do processo oxidativo,

E ela ser suplementada melhorando o gripe é uma hipótese que todas as testagens já mostraram que não, mas que tem ali, parece ser científico. E os estudos em creatina que a gente tem hoje, eles são muito pautados nisso. Então, eu vi também complementando sobre a questão cerebral, que basicamente, como a creatina ajuda nessa questão energética, e o cérebro é um órgão que usa muita energia, logo...

fazer a suplementação de creatina vai fazer com que o seu cérebro tenha um boost ali, vai fazer com que ele melhore o seu desempenho. Mas quando a gente vai para as testagens, como o Hamilton falou, a gente não tem nenhum tipo de evidência que mostre, por exemplo, que isso seja verdadeiro. Então, é muito importante que a gente também aprenda a diferenciar o que parece ciência do que realmente é. Porque uma coisa é ter um caminho que parece lógico, outra coisa é na testagem a gente ter aquele efeito sendo observado na vida, né?

bom você complementar isso e eu já ia te perguntar também em relação aos relatos pessoais porque quando eu puxo esse papo da creatina com muitos dos meus colegas e amigos que tomam a resposta que eu escuto é sempre ah, mas eu tomo e eu sinto a diferença então, como você explica isso? explica isso, ciência não expliquem isso, cientistas bom

A gente tem uma série de coisas que explicariam isso, né? Porque o ser humano não é simplesmente biológico, a gente também é o que a gente pensa que é. Então, acho que a primeira coisa é efeito placebo. Então, como tem muita gente falando, por exemplo, olha, isso é bom, isso aumenta a força, isso melhora a sua vida, isso faz coisas maravilhosas. Quando você começa a consumir, a gente começa a induzir realmente o pensamento de que isso seja uma verdade.

E acho que se junta também um pouquinho com fatores que podem ter alguma diferença. Como, por exemplo, quando você inicia, talvez, a creatina, você vai ter ali um aumento de peso. Isso vai dar a sensação de que você está muscularmente mais... Muscularmente, enfim. Muscularmente mais desenvolvido. E isso dá uma sensação de que talvez você esteja desempenhando ali melhor. Então, acho que é uma junção entre aquilo que a gente induz e aquilo que...

E um pouquinho do que a gente sente de verdade. Mas com certeza a maioria das pessoas que está sentindo não está sentindo verdadeiramente.

sentindo o velastão elas estão sentindo mas não é o efeito da criativa isso, exatamente vamos invalidar o sentimento do amigo é, sim, os sentimentos são verdadeiros eu queria até pedir desculpas pro ouvinte pra eu estar me inserindo tanto nessa narrativa porque realmente foram coisas que eu aprendi na prática e depois com o trabalho e eu passei por esse preço de consumir e depois com o trabalho de consumir

E, cara, uma explicação que você deu, que você já falou aqui, mas eu quero que você fale um pouco mais sobre isso, que realmente mudou minha vida é essa questão da flutuação de desempenho natural. Comecei a pensar, cara, eu sou uma mãe de um bebê que está dormindo duas horas por noite. O que adianta eu estar tomando esse negócio aqui? Porque isso abriu minha cabeça. Então eu queria que você elaborasse um pouco mais isso para as pessoas, de como esses outros fatores são muito mais importantes do que você vai tomar chegando em casa.

Ou logo no armário, se você for lá da gangue da Coquitelet. Nesse sentido, a gente pode considerar, numa analogia que tipicamente é feita e que a gente também faz no nosso grupo, é de que suplementos ergogênicos em si, quaisquer que sejam eles, e vamos pensar só naqueles que têm a sua eficácia demonstrada.

Qualquer um deles, eles seriam, de novo nessa analogia meio típica que se faz, a cerejinha do bolo. E só valeriam, ou só valem a pena serem discutidos numa rotina do indivíduo, se todas as outras etapas forem atendidas. Você não faz um bolo com a cereja, sem antes pensar na massa e nos outros tantos ingredientes que vão lá.

num planejamento alimentar adequado visando o desempenho físico e vamos pensar aqui no desempenho mesmo não estou falando exatamente no seu caso então vamos extrapolar para alguém mais caricato

Não adianta eu pegar um atleta que não tem uma nutrição de base suficiente e tentar consertar isso com um suplemento A, B ou C. Então, seria uma etapa final no processo todo de planejamento alimentar do indivíduo que pode, em determinados contextos, oferecer alguma vantagem competitiva ou alguma vantagem fisiológica de interesse.

Para o indivíduo comum, isso se perde muito mais facilmente. Então, tá. Se eu nem me alimentar direito, eu me alimento. Se eu estou dormindo duas horas por noite, ainda tenho que amamentar, e isso tem uma demanda energética aumentada sobre o meu corpo, a qual eu não estou dando conta, e isso está me consumindo, porque você não vai deixar de produzir, a princípio, né? Você não vai deixar de produzir o leite, mas você vai se autoconsumir para isso.

É comum, né? Mulheres em fase de amamentação Perderem peso se não fizer um ajuste E tal O que a creatina tem a ver Com esse rolê todo? A cereja não vai virar a farinha de trigo Não tem como Acho que é uma reflexão ótima Para o nosso encerramento Mas eu queria fazer mais uma pergunta Para a Lorela e pedir desculpas Não está no roteiro, mas é que a gente ficou falando E fiquei pensando E agora

que é o quanto essas coisas saíram da academia pra virarem coisas que tentam compensar esses outros aspectos da vida mesmo. É tipo, você falou do neoliberalismo, a gente tem uma rotina super corrida, a gente ainda tem que treinar, isso toma bronca do médico e todo mundo tá treinando, e você vê nas redes sociais, você precisa treinar. E isso também tá se extrapolando para quem busca mais saúde no geral, o público de meia idade, o cara que vai meia hora na academia. E eu vejo esse novo público crescendo também, talvez seja tema...

esse episódio que a mulher na menopausa mulher de meia-idade EA creatina e o e e tantas outras alegações que a gente tá vendo nas redes para esta mulher que tá na menopausa ou na perimenopausa que tá buscando uma vida mais saudável né porque isso comentasse um pouco da participação desses suplementos e ou das alegações sobre isso para esse público específico meia-idade né certo bom meia-idade na crise dos 40 anos 70 por cento dos nossos ouvintes

E aí

Eu não sei se eles saíram da academia ou se eles foram introduzidos também ali, porque foi uma coisa que deu certo. Mas de maneira geral, eu acho que todo sofrimento e toda vulnerabilidade é um campo muito fértil pra você enfiar necessidades. Então, quando a gente tem, por exemplo, mulheres que estão, especialmente as mulheres na menopausa, que já têm mais intensificados e também... Aplicados não é a palavra, mas já sentem ali na pele os sintomas, como é o caso da maioria das mulheres que estão na menopausa.

Eu acho que a gente busca não ter sintomas. A gente busca, por exemplo, qualidade de vida. A gente busca uma vida que seja tranquila. E aí, quando vem uma pessoa te falando olha, veja bem, você está esquecendo coisas pela menopausa, mas eu tenho a solução que é a creatina. Obviamente que você vai tentar experimentar aquilo ainda mais porque a gente tem na ideia de que uma coisa que é natural, entre aspas, ou uma coisa que é um suplemento não vai causar nenhum tipo de risco. E aí, nem estou considerando contaminações por metais pesados e outras coisas mais. Mas assim...

Então, a gente pensa que tudo que é natural ou suplemento não vai te causar nenhum tipo de problema. Então, ao invés de, por exemplo, você tomar algum tipo de medicamento, você fala, não, isso aqui é tranquilo, eu posso tomar e pronto. E isso a gente tem para todas as outras áreas da menopausa. Então, a gente tem suplementos que não acabam mais e que cada consulta que eu atendo de uma mulher na menopausa, eu descubro um novo, uma planta nova, uma folha nova, enfim, coisa assim. Mas eu acho que tudo isso vem muito e a gente tem...

relativamente poucos estudos sobre essas questões, agora que a gente tá, é um campo que tá em ascensão de número de estudos, por exemplo, de melhora de sintomas pra pessoas da meia-idade. E eu acho que vem muito realmente da vulnerabilidade dessas pessoas que estão ali passando por uma fase de vida onde talvez elas não tenham mais a produção que elas tinham, elas não tenham mais a memória ou a vitalidade que elas tinham.

E quando vem alguém oferecendo, olha, veja esse suplemento que vai melhorar seu fogacho. Olha, veja isso aqui que vai fazer você dormir melhor. Eu acho que isso acaba também incentivando a pessoa a consumir essas coisas por uma questão de precisar sair daquele sintoma mesmo. Não sei se era mais ou menos isso. Sim, eu acho que é isso. Acho que é um público bem vulnerável e já também tem os hormônios, né? Enfim, mas aí a gente vai encerrar, porque a gente já deu nosso tempo aqui.

E a gente já fez também várias produções aqui no Ciência Suja explicando como os hormônios também acabam sendo oferecidos dentro desse contexto, né? De ter mais saúde, de ter mais disposição, de serem um up ali, né? Pra quem tá passando por períodos de estresse, enfim.

Mas é isso, gente. O papo tá muito bom. Eu já peguei ideia pros três episódios narrativos aqui, a gente conversando de coisas que eu acho que a gente tem que elaborar melhor. Mas, por enquanto, vamos ficar nisso. Obrigada pela participação de vocês dois. Foi muito bacana mesmo. Alguma outra consideração? Alguma coisa que eu não perguntei? Que vocês acham que…

se a gente, se você fizer essa pergunta a gente fica aqui até a hora. É, não, cheio, então cheio. Mas obrigada mesmo pela participação de vocês, entrevisto vocês para os próximos apurações. Bom, pessoal, esse foi mais um MesaCast do Ciência Suja, podcast que mostra que em crimes contra a ciência, as vítimas somos todos nós.

Eu espero que vocês ainda gostem da gente depois de tudo isso. E pensem bem antes de consumir suplementos. Bom, gente, mas é isso. Muito obrigada pela participação de vocês. Foi muito bacana conversar com vocês hoje. Obrigado, foi um prazer estar aqui. Como fã do programa, participar dele é um privilégio. Obrigado pelo convite.

Obrigada pelo convite. Convido todos a discutirem ciência nas próprias vidas e tentar colocar em prática. Obrigada pelo convite. Obrigada, Clóia. Obrigada, Pedro. E até a próxima. Antes de encerrar, eu queria só lembrar vocês que o Ciência Suja tem um programa de financiamento coletivo. Você pode apoiar de várias maneiras, pela Aurelo, pelo Patreon, pelo Apoia-se, pelo Pix Recorrente. E esse apoio de vocês é muito importante para a gente continuar fazendo reportagens especiais.

e chamadas, como a chamada de eleições de ciência, que está rolando e vai começar a sair. O primeiro episódio vai ao ar no dia 27, sobre um tema bem importante. Então fique de olho e apoie a gente, se puder. Lembrando que o Ciência Suja faz parte da Rádio Guarda-Chuva, uma rede de podcast de jornalismo para quem gosta de ouvir. E hoje a gente vai recomendar um dos parceiros dessa rede, que é a Rádio Escafandro.

um podcast muito bacana feito pelo Tomás Chiaverini ele fez recentemente dois episódios sobre um tema que a gente abordou no Ciência Suja que é a hipermedicalização do sofrimento mental será que a gente está mesmo vivendo uma epidemia de transtornos ou que a gente está medicalizando demais

Coisas que não são necessariamente doenças. A Sociedade Tarja Preta é o tema dos episódios 155 e 156. Então fica a dica aí pra quem quiser escutar. Esse episódio foi gravado no estúdio Banca de Podcasts, que é da Luciana Onken. A captação do som é do Benetiepo e o vídeo é da Jéssica Sacol.

Esse episódio foi produzido e apresentado por mim, Clóia Pinheiro. A edição é do Felipe Barbosa, com apoio do Banca Podcast. O podcast Ciência Suja tem apoio do Instituto Serrapilheira. Obrigada, Serrapilheira, por mais essa. E se você ainda não segue a gente pelas redes, siga. Além das plataformas de áudio, a gente está no YouTube, Instagram, TikTok, X, Blue Sky. E também temos um canal no WhatsApp.

Lembrando que os apoiadores também recebem uma newsletter eventualmente. Então é isso, gente. Valeu demais e até a próxima. Nove reportagens.

Anunciantes2

Instituto Serrapilheira

external

Rádio Guarda-Chuva

external