Rastro de brasa
Episódio 75
Poemas calientes, versos em brasa, corpos em fogo. Teu corpo é um livro de páginas rudes e lentas, papel grosso que eu decido rasgar com os olhos. Antes mesmo de encostar, minhas mãos se movem como marcadores de brasa subindo a parede do teu abdômen, escrevendo desejos em cada relevo de músculo tensionado. Começo na base escura do teu pescoço, onde o pulso vibra rápido, assustado, um animal acuado sobre a pele quente que eu quero morder até deixar a marca dos meus dentes da frente.
Subo sem pressa, arrastando os lábios pelo contorno tenso do teu rosto. Tua barba curta e mal feita arranha minha boca, fura minha língua, incita o corte. Um atrito bruto que arrepia, quebra o silêncio do quarto. Você prende o fôlego, entrega o peso, enquanto eu desenho um rastro de brasa em um solo que pelo resto da noite é só meu.