UOL Prime #128: O negócio bilionário por trás dos leilões de luxo do agro
Neste episódio do UOL Prime, a repórter Adriana Negreiros conta o que viu ao mergulhar em um universo pouco conhecido da maioria dos brasileiros: o mercado de leilões de cavalos de elite.
No interior de Goiás, milhares de convidados chegaram de jatinho para participar daquele que os organizadores chamam de o maior leilão de cavalos do mundo. Em três dias, o evento movimentou R$ 257 milhões, reuniu empresários, artistas, influenciadores e transformou uma fazenda em uma réplica de uma cidade do Texas.
A conversa revela como a genética animal virou um negócio multimilionário e como o agronegócio vem construindo seus próprios símbolos de status, poder e prestígio.
José Roberto Toledo
Adriana Negreiros
- Leilão de cavalos de elite no agroMercado de leilões de cavalos de elite · Cavalos Quarto de Milha · Genética animal como negócio multimilionário · Símbolos de status e prestígio no agronegócio · JBJ Agropecuária · José Batista Júnior (Júnior Friboi) · Fabrício Batista · Inferno 66
- Mercado de Carne de Cavalo e Jumento no BrasilCrescimento exponencial do faturamento · Valorização da genética e linhagem · Cavalos como reprodutores (garanhões) · Comercialização de sêmen de cavalos · Preço de cavalos milionários · Facilidades de pagamento em leilões · Critérios de valorização (cor, pelagem, olhos)
- Cenário e produção do leilão em NazárioRéplica de cidade do Texas (Fort Worth) · Investimento em cidade cenográfica · Superprodução com shows e buffet · Chegada de convidados de jatinho · Público abastado e influenciadores · Cátia Aveiro · Roberto Justus · Gusttavo Lima
- Investimentos InternacionaisCriação de cultura em torno dos cavalos Quarto de Milha · Tentativa de internacionalizar a marca JBJ Ranch · Festa exuberante como propaganda · Presença de estrangeiros no evento
Hoje a gente vai viajar, a gente vai sair dos Estados Unidos, do Texas até Goiás, de avião, melhor dizendo, de jatinho, e vamos levar de carona alguns cavalos milionários. Claro que não são os cavalos que são milionários, mas eles são vendidos por preços milionários e a genética deles poderia ser medida em gramas de ouro. Tudo isso para contar a história daquilo que os patrocinadores dos organizadores chamam de o maior leilão de cavalos do mundo.
E não acontece lá no Texas, não. Acontece lá em Nazário, pertinho de Goiânia, onde a repórter Adriana Negreiros do UOL foi conhecer Em pessoa, pessoalmente, como diria o outro, esse que é, segundo os organizadores, o maior leilão e que reuniu nada menos do que 3.500 convidados, muitos deles chegando lá de jatinho, estacionando o seu jatinho na pista de pouso particular da fazenda e pagando até R$88 milhões por uma cavalgadura.
Pois bem, vamos nos debruçar nessa história de como o agronegócio criou seus próprios ícones, seus cenários e a sua própria cultura, por que não dizer, né? Muito bem-vinda de volta ao Uol Prime, Adriana Negreiros.
Muito obrigada, Toledo, sempre um prazer vir aqui.
Eu sou José Roberto Toledo e este é o Uol Prime. Toda semana a gente conversa com os melhores repórteres sobre as melhores reportagens do UOL. Adriana, vamos começar do começo. Como é que você decidiu ir até o interior de Goiás para conhecer uma réplica de Fort Worth, no Texas, onde estava servindo de cenário para esse que é, segundo os organizadores, o maior leilão de cavalos do mundo?
Boa noite. Vimos a notícia de que haveria um leilão de cavalos milionários em Nazário, que é uma pequena cidade de 9 mil habitantes que que fica a cerca de 70 km de Goiânia. E achamos que aquele era uma história muito surpreendente, porque os valores que se anunciavam para as vendas dos cavalos, que são os cavalos quartos de milha, né, os organizadores dizem que é o maior leilão nessa categoria específica de cavalos. Aí os valores eram muito astronômicos, muito surpreendentes, e achamos que era uma oportunidade de contar uma história interessante do ponto de vista da economia e também do comportamento, já que não era um leilão apenas por si só, mas também uma grande festa que seria promovida em torno da venda dos cavalos.
Muito bom. Eu vou agora debulhar todo o meu conhecimento equíno aqui, porque quarto de milha lá na Grande Matão, de onde eu venho, é uma raça que não é muito comum, mas é uma raça usada principalmente em rodeios e tem algumas corridas de quarto de milha. Me corrija se eu tiver errado. O nome quarto de milha vem da distância que esses cavalos são capazes de correr Porque depois disso eles começam a cansar, mas nesse quarto de milha eles são imbatíveis. É por aí?
Olha, não que eu tenha exatamente uma grande autoridade em cavalos, mas pelo que aprendi após essa imersão nesse universo, os cavalos quarto de milha se caracterizam por nesse trecho específico, nesse quarto de milha, serem imbatíveis.
O nome popular de um quarto de milha é 400 metros. Eles são muito, são meio marombados, né? Não de que, obviamente, tomem aditivos, mas que eles são muito musculosos, né? Me impressionam, né?
O Quarto de Milha é o cavalo do faroeste, dos filmes de cowboy, e eles são realmente atléticos, musculosos, tem um porte elegante, e pelo menos os que eu conheci são muito bonitos, tem uma pelagem muito bem cuidada, e também aqueles que eu conheci lá em Nazário, muitos deles tinham olhos azuis, que é algo que é muito valorizado entre os criadores.
E por que que um cavalo americano, o nome Quarto de Milha já indica quarter mile horse, já indica de onde Vem dos Estados Unidos. E por que que esse cavalo americano faz tanto sucesso no interior de Goiás?
Pois é, talvez eu deva contar isso, a gênese da JBJ Ranch, que é uma empresa que faz parte da JBJ Agropecuária, que é uma empresa do José Batista Júnior, conhecido popularmente como Júnior Friboi. E como é que começou essa história? Em determinado momento ali por volta de 2021, em plena pandemia, o Fabrício Batista, que é o filho do Júnior Friboi, e o Júnior Friboi, só para a gente situar, é o irmão do Joesley e do Wesley Batista.
Donos da maior, do maior açougue do mundo, ou maior frigorífico do mundo.
Exatamente. Então a gente está falando de uma família que tem aí toda uma relação com agropecuária. E na pandemia, o Fabrício Batista chegou para o pai, para o Júnior Friboi, e disse: papai, eu tô pensando em comprar uma égua. Havia um diretor da empresa que queria vender uma égua. Pensando em comprar uma égua para as crianças ali montarem, né, pandemia, então a gente queria respirar ar puro, ar não contaminado, né? Isso ele me contou, né, nessa viagem que fez.
Enquanto as pessoas têm comprado carros para circular pela cidade, mas agora não faz muito sentido, é melhor comprar um cavalo para respirar o ar puro e tudo mais. E a resposta do Junífero Iboi foi: mas você quer isso para lazer ou para negócio? Porque se for para lazer eu não apoio, mas se for para negócio, sim. O Fabrício então pensou ali e disse: não, tudo bem, vamos fazer um negócio. E eles chegaram à conclusão de que seria um bom negócio investir nos cavalos, porque já havia um leilão feito aqui em São Paulo de cavalos quartos de milha que faturou em torno de R$6 milhões na edição mais recente até então.
Pensaram: bom, a gente pode então investir e quem sabe faturar o dobro disso. E fizeram investimento e fizeram o primeiro leilão de cavalos quartos de milha e faturaram R$9 milhões na primeira edição. Na segunda edição faturaram R$18 milhões, na terceira faturaram R$50 milhões, e esse número foi aumentando até chegar exponencialmente, exponencialmente gradualmente até chegar a 257 milhões nessa última edição.
257 milhões de reais.
Exatamente. É o ramo de negócios da JBJ Agropecuária que cresce mais. A JBJ Agropecuária faturou no ano passado R$6 bilhões. 10% desse faturamento é responsabilidade do negócio de cavalos e de genética.
Obviamente a JBJ cria gado, gado de corte, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Enfim, são até populares, até entre o Trump, né, a família. Esse negócio que já é 10% de todo o faturamento do grupo, especificamente da parte agropecuária, não da parte industrial, que começou agora em 2021, faz 5 anos, já é 10% desse gigante da área.
Sim, exatamente.
E foi crescendo exponencialmente o faturamento.
Foi crescendo exponencialmente.
E isso porque o preço dos cavalos aumentou ou porque o número de vendas?
Porque aumentou o volume, o volume do negócio. O que eles nos contaram é que eles passaram a investir muito em genética. Então o que acontece é, esses cavalos, embora eles sejam muito bonitos, a gente tem começado aqui o episódio falando sobre a beleza, a elegância e a musculatura dos cavalos. Não é isso que faz com que eles sejam muito valorizados, é a linhagem desses cavalos. Então Para dar um exemplo, nesse leilão do qual eu participei, né, obviamente participei como testemunha, não deu nem um lance, e felizmente não tive oportunidade.
Nesse leilão, o cavalo mais valioso, que é o Six to Six, que é um cavalo americano que vive nos Estados Unidos, ele foi negociado, a metade dele, por R$44 milhões.
Metade ideal, digamos assim, não foi serrado ao meio.
Então, eu com a minha vasta cultura equina, quando soube que ele seria negociado pela metade, o diretor financeiro da empresa, o Rodrigo Terra, disse assim: olha, não é que corta um cavalo no meio. Imagine que o cavalo é um condomínio, então é uma sociedade, vários donos compram aquele cavalo. Então a metade desse cavalo foi negociada por R$44 milhões, o que faz com que, né, por óbvio, o cavalo inteiro passa a ser avaliado em R$88 milhões.
Por que que ele é tão caro? Esse cavalo em especial, ele realmente é uma graça assim, né? Eu não vi porque ele mora nos Estados Unidos, mas ele tem a pelagem castanha, essa cor cobreada, as patas brancas, ele tem a cara também branca, muito bonito, tem uns olhos azuis que são os olhos da cor de preferência do Júnior Friboi, é um cavalo dócil, mas não é isso que faz com que ele seja tão caro, é a capacidade que ele tem de gerar descendentes, então—
É chamado reprodutor.
É um garanhão, como se fala no linguajar. Esse cavalo é um garanhão que já faturou, que já rendeu, fez render 5 milhões de dólares em descendentes, em em produção, como se fala.
Então, R$25 milhões.
Isso também sem contar o valor que ele ganha no desempenho nas corridas.
Quantos anos ele tem?
Ele tem 14 anos.
14 anos? 14 anos para cavalo é bastante ano.
É, pois é, ele já é um cavalo, um senhor, é já um senhor de meia-idade.
Exatamente. Mas então ele faturou R$25 milhões até agora em 14 anos e tá avaliado em R$88 milhões. Ou seja, ele precisaria viver até os 45 anos, o que é impossível para um cavalo, para ele se pagar, né?
É, ou ele pode ter muito do sêmen colhido, né, e inserido em matrizes. Isso tudo pode ser também negociado, né, porque o sêmen extraído dos cavalos é colocado em ampolas, e essas ampolas também são comercializadas nesse próprio leilão. Também tinha leilão de ampolas.
Quer dizer, É um negócio com valor de crescimento exponencial que pode valer tanto X quanto 1000X, depende do leilão, depende de quantas pessoas estão dispostas a ofertar. Você assistiu? Como é que é a dinâmica?
Sim, é isso, né? É como num leilão desses que a gente vê nos filmes. Alguém oferece um valor e aí se dá ali quem dá mais, quem dá mais, e outra pessoa vai e oferece um lance maior e a pessoa mais disposto a desembolsar um valor ali é quem leva, mas ela tem também uma, eles facilitam muito o negócio, porque os valores assustam, você pensa R$44 milhões, mas você parcela isso em 55 suaves prestações.
Ah, suadíssimas, super tão suaves quanto o passo do cavalo.
Não é que você desembolsa o dinheiro ali no ato, não faz um Pix de R$44 milhões.
É, até porque um Pix nos Estados Unidos não pega muito bem, né? Agora vem cá, quantas pessoas vão, qual que é o cenário Nazário. Descreve para a gente o que que você assistiu.
Quando eu cheguei lá nessa fazenda, Fazenda Floresta, onde fica o rancho da JBJ aqui em Nazário, eu fiquei muito surpresa porque a impressão que me dava é que eu estava chegando numa cidade cenográfica no Texas, aquelas de filme de faroeste, de filme de faroeste. Mas não era uma impressão só da minha cabeça, eles realmente tinham a intenção de reproduzir lá em Nazário a cidade de Fort Worth, Que é a cidade dos cowboys, que fica no Texas.
Eles mandaram pessoas pra essa cidade pra que fotografassem os letreiros, as fachadas das lojas e um coliseu onde se dão leilões também lá nos Estados Unidos. E fizeram uma reprodução, segundo se diz, muito fiel da cidade norte-americana. E é realmente muito impressionante, porque parece mesmo que você tá chegando num parque temático norte-americano. Num daqueles cenários da Universal ou da Disney.
Engraçado, Adriana, que por acaso eu conheço Fort Worth. E eu já acho a cidade original um cenário. Então eu fico imaginando o que é o cenário do cenário. Mas enfim, então eles gastaram uma grana. Tem ideia de quanto para montar?
O investimento para esse leilão que durou 3 dias foi de R$8 milhões. Isso para montar a cidade cenográfica. E eles montam assim, com riqueza de detalhes. Então tem um estabelecimento comercial lá em Fort Worth em que há notas de dólares na fachada. E eles fizeram a mesma coisa em Nazário. Obviamente com notas de dólares falsas. As pessoas escreviam nas notas de dólares e também com efeitos de iluminação, com efeitos sonoros. Era realmente uma superprodução.
E esses R$8 milhões foram para construir essa cidade cenográfica, mas também para pagar os shows, porque eles contrataram artistas sertanejos muito populares como Paulo Fernandes, Mayara e Maraíza. E além disso, também para pagar o staff ali. Foram 3.500 convidados.
3.500 numa cidade de 9 mil habitantes?
Exatamente. Mas imagine você que eram 3.500 convidados convidados e eram 2.500 pessoas trabalhando no leilão.
Nossa, Nazária jamais será a mesma. Ô Adriana, como é que essas pessoas chegavam? Mas não responda agora não, só depois do intervalo.
Em 2021, o mega assalto de Araçatuba chocou o país.
Ai, meu Deus do céu, as pessoas estão em cima do carro!
Os criminosos levaram R$3 milhões. Até então, o crime parecia perfeito, só que o plano Era roubar 400 milhões. Alguma coisa deu errado. "Levanta o drone e vamos embora." Ninguém sabia o que de fato aconteceu naquela noite. Até agora. "Como Deus confirmou pra mim dar entrevista, eu vou ceder a entrevista pra você." "E eu só efetuei 3 disparos." Documentário Cidade Dominada já está disponível no UOL e no YouTube de UOL Prime.
Adriana, e as pessoas chegavam lá de que jeito? De aviãozinho, de ônibus, de van, de Mercedes? Como é que era?
Bom, eu cheguei no avião comercial em Goiânia e depois peguei uma van, mas o jeito é que eu fui uma exceção. Muitos dos meus convívios ali chegaram nos seus aviões próprios e pousaram na pista de pouso da fazenda lá do rancho da JBJ. Isso provocou até um pequeno congestionamento ali de carros indo buscar os convidados descendo dos seus aviões para ir aos festejos.
Que desagradável, né? Você vai de aviãozinho particular e tem que enfrentar um congestionamento no estacionamento. E me diga uma coisa, que tipo de pessoas frequentam esses eventos? São só empresários do agronegócio? Tem gente de todos os cantos?
Incomum ao fato de que todas são pessoas, digamos assim, bem abastadas, né? Vamos dizer, além de empresários do agronegócio, havia também influenciadores, como por por exemplo, a Cátia Aveiro, que é irmã do Cristiano Ronaldo, jogador português, ela tava lá. O empresário Roberto Justus foi um dos que foi a esse leilão junto com a esposa Ana Paula Sibe. Há também cantores, o Gustavo Lima esteve lá também para negociar uma égua que ele havia comprado numa ocasião que ele disse que inclusive saiu devendo, numa das primeiras ocasiões em que ele foi ao leilão, gastou mais do que previa, quem nunca, né?
Lógico, você vai lá, se entusiasma dando um lance, mais, dou mais.
Exato, alguém facilita 55 vezes, quem nunca Caiu nesse, né? E aí ele disse que saiu devendo nessa ocasião, mas isso não o impediu de agora vender a égua e doar o dinheiro para um hospital da região.
Opa! O cavalo serve para disputar alguns páreos, né? Corrida que não chegam somar toda premiação, jamais vai chegar no preço do cavalo. E alguns são usados para rodeio, né? Essa é uma raça de cavalo que eventualmente— mas fora isso é decorativo.
É decorativo e o investimento em genética, né? Sim. É isso, né?
Você tem que criar uma linhagem e você vai aprimorando, né? Aqui ficou de olho azul, aqui ficou de olho verde, não esquece olho verde, só quero olho azul, entendi. Agora, não é assim, é uma coisa que não tem uma tabela, né? Não tem um preço, não. Esse cavalo dessa raça, com esse peso, com essa idade, filho de fulano e Beltrano, vale tanto. Não, pode valer X ou 1000X, depende do leilão.
Sim, é, não tem a tabela FIP dos quartos de milha. Digamos que os critérios podem ser muito subjetivos, mas aí você Você falou dos olhos, eu achei até interessante, uma curiosidade que me disseram, né, nessa minha imersão nesse universo, que os olhos azuis e os pedidos sobre as cores da pelagem, isso é muito uma característica dos compradores brasileiros, que fazem questão de determinar as características físicas dos animais. Os norte-americanos não se importam tanto com isso.
Eu confesso para você que anos acompanhando esse mercado, nunca tinha ouvido falar de que o preço do cavalo ia ser dado pela cor do olho. A primeira vez, geralmente se o cavalo é rápido, se o cavalo é lento, ne, esse cavalo.
Não que defina, né, mas isso é um, digamos assim, um plus.
Se o grande, né, organizador do maior leilão do mundo valoriza olho azul, vai custar mais caro olho azul, né? Não tem como não custar. Agora, qual que é a impressão que você ficou ao assistir tudo isso? Porque não é todo dia que você vai no leilão, né, que tem um cavalo vendido a R$88 milhões. É um negócio que tomou corpo por si só ou ele é uma complementação desse mundo agro, faz parte da cultura local? Qual que é a imagem global que você ficou desse evento, dessa sua experiência, digamos assim?
Então, eu fiquei um pouco estupefata, confesso, porque de fato é um mundo à parte. Fiquei muito impressionada com o investimento que se faz para uma festa que dura 3 dias, mas parece que há ali uma tentativa de se criar uma cultura em torno dos quartos de milha. A Georgia Batista, que é a esposa do Fabrício Batista, que vem quem ia ser o CEO da JBJ Ranch, me disse que também é uma tentativa de internacionalizar a marca a partir dos cavalos.
Porque se faz uma festa muito exuberante com artistas e com um buffet ali que serve de ceviche de lagosta, bacalhau, obviamente também churrasco de carne bovina, de uma maneira tal que não há em nenhum outro lugar do mundo festa parecida. E que isso enche os olhos dos estrangeiros e que acaba por ser uma espécie de uma propaganda do negócio maior que é a JBJ Agropecuária.
Só para entender, o 66, né, o 66, ele mora no Texas, no JBJ Ranch, ou ele pertence, tem outro dono americano?
Não, ele não mora no JBJ Ranch. Esse cavalo, o 66, é Inferno 66.
Ah, Inferno! Ah, pô, esqueci o primeiro, o nome mais importante, eu esqueci.
Agora os donos são o Fabrício Batista, o CEO da JBJ Ranch, o Domenico Lomuto, que é um empresário ítalo-americano, e um advogado chamado Antônio Frange. Do Mato Grosso. Então eles são os 3 proprietários desse cavalo, mas o cavalo fica nos Estados Unidos, continua morando lá.
Ele foi leiloado online e eles compraram, os 3, algum deles já era dono e vendeu uma parte, ou eles são os novos donos, são quem desembolsou, insinuava as prestações dos 80, os 44 milhões?
O Fabrício já tinha uma, uma cota ali, uma cota, e não sei exatamente qual era a participação dos demais, mas hoje essa é a situação.
Perfeito, muito bem. Quer dizer, você ficou com a impressão de que é mais do que o evento em si, é um investimento de marca?
É um investimento de marca. Eles têm essa intenção de internacionalizar a marca porque não havia a necessidade de promover uma festança dessa para leiloar os cavalos, mas eles fazem muita questão.
E tinha estrangeiros também?
Tinha, tinha estrangeiros. Um dos estrangeiros inclusive gravou um vídeo dizendo "Texas is here", muito entusiasmado por se sentir em casa.
Espero que o Trump não leve isso ao pé da letra. Vamos começar a invasão por Nazaré. Então, efetivamente, a impressão que você ficou é que é um negócio e que é um investimento, não é um capricho, não é uma coisa, não é um passatempo, é um negócio.
Olha, aparentemente não é, não se trata de um capricho, até pela evolução dos números, né, que começou com 9 milhões em 2021 e hoje já são 257 milhões.
Eu não conheço, aliás, nenhum ramo que tenha crescido nesse patamar.
Sim, então eu eu não consigo atribuir apenas ao capricho.
Sem dúvida nenhuma. Muito bom! E vai ter o ano que vem de novo? Não, sim, já te convidaram?
Não, não, ainda não. Eu espero ansiosamente poder voltar para saber qual será a nova cidade cenográfica a ser montada ali em Nazário.
É verdade, tá certo. É, quem sabe agora eles fazem uma reprodução de uma cidade do Velho Oeste brasileiro, né?
Quem sabe? Eu acho pouco provável.
Por que será?
Muito bom, muito obrigado!
Adriana Negreiros, e se as pessoas quiserem e quererão ler a sua reportagem, onde é que elas encontram? Elas encontram a reportagem no UOL Prime, www.uol.com.br/prime. Lembrando que quem assina o UOL tem acesso a essa e muitas outras reportagens, não só da Adriana como de todos os nossos repórteres e colunistas exclusivos, que têm acesso à íntegra do conteúdo do UOL. Os assinantes têm acesso também acesso também a todo o acervo jornalístico, a opinião e análise dos colunistas, e conseguem aproveitar descontos em shows de música, em cinemas, em peças de teatro, festivais musicais, e têm acesso ao UOL Play e muito mais.
Confira em assineuol.com.br. Obrigado, Adriana, e obrigado a você que ficou com a gente aqui até agora. Sou José Roberto de Toledo e faço a apresentação do podcast UOL Prime. Conversei hoje com a repórter e colunista do UOL, Adriana O roteiro é da Clara Reustach. A operação de vídeo é do Henrique Villarraso. A montagem do Lucas Zacarias. Trilha sonora original composta por João Pedro Pinheiro. A coordenação é da Lígia Carriel e da Laura Kapeliusznik.
Coordenação de operações Danilo Esperandil e Eduardo Bonavita. A foto de capa do podcast é da Daniela Toviansky. O podcast é um produto do All Prime e a gerência geral é do Irineu A supervisão é do Murilo Garavello, diretor de conteúdo do UOL. Até o próximo episódio.
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