Episódios de UOL Prime

UOL Prime #125: Os bastidores de encontros de empresários e políticos brasileiros nos EUA

04 de junho de 202625min
0:00 / 25:07

Todo ano, em maio, empresários brasileiros viajam aos Estados Unidos para falar sobre o Brasil e gastar em dólar. É a chamada Brazil Week, série de eventos públicos, painéis e jantares que reúne políticos, investidores e banqueiros durante uma semana em Nova York.

A ideia é juntar política e dinheiro para vender o país aos estrangeiros, embora os eventos hoje sejam majoritariamente frequentados por brasileiros e realizados em português.

É sobre os bastidores da Brazil Week que o apresentador do podcast UOL Prime José Roberto de Toledo conversa com a colunista do UOL Carla Araújo. A jornalista esteve no evento este ano a convite do Grupo Lide, com a também colunista Thais Bilenky.

Participantes neste episódio3
J

José Roberto de Toledo

HostJornalista
C

Carla Araújo

ConvidadoColunista
T

Thais Bilenky

ConvidadoJornalista
Assuntos4
  • Impacto da quebra do Banco Master no FGCRelação com políticos · Daniel Vorcaro · Cláudio Castro · Banco Master · Jantares milionários em Nova York
  • Brasil Week em Nova YorkBastidores e participantes · Grupo LIDE · Grupo Esfera · João Doria · João Camargo
  • Rede de contatos políticos e judiciaisDiferenças entre Nova York e Brasília · Status e prestígio · Segurança e acesso a autoridades · Michel Temer · Eduardo Leite
  • Arthur Elias· EsportesOrigens políticas em Alagoas · Relação entre os três poderes · Protagonismo do Congresso
Transcrição33 segmentosassemblyai/universal-3-pro-async

José Roberto de Toledo:Poderosos endinheirados brasileiros têm uma característica peculiar. Muitas vezes eles precisam sair do Brasil e ir para os Estados Unidos, mais especificamente para Nova York, para saber o que eles pensam e dizem sobre o Brasil. É curioso, né? Porque o evento acontece no exterior mas basicamente reúne brasileiros. Foi o que aconteceu neste mês de maio, como vem acontecendo há 7 anos em seguida, com a chamada Brazil Week, onde de novo endinheirados, empresários, investidores, políticos, economistas, representantes do governo, do Congresso e do Judiciário vão falar sobre o Brasil. E durante esse período eles se hospedam em hotéis de luxo, frequentam restaurantes estrelados e durante uma semana usufruem das facilidades e comodidades da cidade de Nova York. A cobertura de imprensa sempre desses eventos, porque muitas vezes tem notícia, coisas que não são ditas no Brasil acabam sendo ditas em Nova York. E é sobre isso que a gente vai conversar com a jornalista e colunista do UOL, Carla Araújo, que esteve lá em Nova York fazendo a cobertura jornalística da Brasil Week agora em maio. Muito bem-vinda de volta ao UOL Prime, Carla Araújo.

Carla Araújo:Muito obrigada por estar aqui, é um prazer estar aqui e ainda representando a colega brilhante Thaís Bilenk, que também estava comigo lá em Nova York. Mas tô com a missão aqui de representar e contar um pouquinho os bastidores dessa história pra vocês.

José Roberto de Toledo:Então você é duas hoje, né, Carla?

Carla Araújo:Nossa, muita responsabilidade.

José Roberto de Toledo:Vamos ter que pagar cachê dobrado pra Carla aqui hoje. Eu sou José Roberto Toledo e esse é o UOL Prime. Toda semana a gente conversa com os melhores repórteres sobre as melhores reportagens do UOL. Carla, Conta pra gente um pouquinho a história dessa Brasil Week, que não é a única, né? Tem vários eventos parecidos, alguns mais específicos, como por exemplo o Gilmar Paluza Chamado, que acontece em Portugal, mas é mais sobre a área jurídica e tal. Essa Brasil Week existe desde quando? Quem inventou? Quem promove? Quem paga? Quem vai?

Carla Araújo:Então, Toledo, na verdade, o João Doria, que é presidente do Grupo LIDE, ele é um dos precursores, digamos assim, dessa Semana do Brasil em Nova York. Ela começou há mais de 15 anos, na verdade, quando era Só a questão do Person of the Year. E aí tinha ali algumas autoridades que participavam de eventos pequenos, menores. De 7 anos pra cá, essa Brasil Week de fato passou a existir e se consolidar. E aí, além do LIDE, que é um grupo que sempre fez esse encontro de empresários, né, tinha aquela coisa aqui de Comandatuba, no litoral baiano também tinha alguns outros eventos, tem o Grupo Esfera, do empresário João Camargo, que passou a também ter eventos importantes na Brasil Week, além de várias outras agências de investimentos, políticos. Então, Nova York começou a receber um número cada vez maior de brasileiros em maio, vinha num crescente. E aí, o que a gente identificou? Eu estive lá em 2024, a cidade praticamente fala português em alguns lugares, é bem curioso. E aí depois a gente teve agora esse ano, em 2026, e a gente percebeu algumas diferenças, Toledo, principalmente em relação à classe política. Os empresários, investidores, eles talvez em maior número continuam frequentando Nova York, mas a classe política, e principalmente no caso agora a gente está em ano eleitoral, né, os pré-candidatos, digamos assim, eles acabaram deixando um pouco de lado, e alguns personagens que eram muito comuns, como por exemplo Ciro Nogueira, que estava em todos os eventos em Nova York normalmente, e outros políticos que de alguma forma acabaram sendo envolvidos com o escândalo do Banco Master e do ex-banqueiro Daniel Vorcato acabaram, digamos assim, rariando. Então, a classe política nesse ano a gente pode perceber que teve um impacto do Master. Quero que temia agora o ministro Gilmar Mendes no Gilmar Paluza garantindo que não vai ter esse impacto lá. Mas em Nova Iorque esse ano deu para sentir. E ao mesmo tempo a gente estava lá, só para concluir, na semana que estourou o escândalo envolvendo o Dark Horse, quando foi ali revelado o envolvimento do Flávio com áudios do Daniel Vorcato, foi no meio dessa semana. Então foi curioso a gente também conseguir ver um pouquinho como é que os investidores brasileiros, e poucos, a Belen que teve a oportunidade de ir em locais em que haviam alguns investidores e algumas casas de investimento dos Estados Unidos, mas eu acabei indo em eventos praticamente para brasileiros. Mas obviamente a campanha eleitoral é um dos temas que acaba surgindo quando cai em ano eleitoral. E esse distanciamento, digamos assim, de alguns políticos por conta do "votar caro" Ficou bastante evidente, tô lendo.

José Roberto de Toledo:Quer dizer, alguns políticos temem o efeito rebote que participar dessa semana pode ter sobre a campanha eleitoral contra eles, né? Vamos falar sobre isso mais adiante, porque teve um episódio que você vai poder nos contar mais em detalhes envolvendo políticos e o Vôr Caro. Mas deixa eu só entender uma coisa, você falou, mas eu quero ter certeza que é isso mesmo, quer dizer, na maioria dos eventos, sejam eles em restaurantes 3 estrelas, em hotéis de luxo, em centros de convenções, seja lá onde for, é um bando de brasileiro falando português para outro bando de brasileiro, é isso?

Carla Araújo:Exatamente. Acho que majoritariamente, 98%, arriscaria dizer, é brasileiro falando em português para brasileiro. É curioso até que a gente anda nas ruas de Nova York, né, porque às vezes tem um evento aqui perto, outro restaurante ali, E às vezes você tá atravessando um farol ali na 5ª Avenida, aí eu tava às vezes com uma assessora, um colega, falava: "Ah, aquele ali é o CEO de tal empresa." E aí você cruzava pessoas e ouvia o português na cidade. Claro, Nova York é uma cidade que abrange o mundo todo, mas você ia em determinados cartões postais, digamos assim, e você cruzava com empresários brasileiros que estavam ali pra vários eventos, né. E aí, assim como acontece com o Fórum de Lisboa, você tem os eventos oficiais de cada organização. O LIDE tem um, o Esfera tem outro, outras agências e bancos têm outros, jornais, alguns veículos de imprensa também fazem ali algumas conversas com empresários e investidores. E o Dória, terminando o evento do LIDE, ele fala sobre o Supremo Tribunal Federal, sobre as críticas que a classe política estava fazendo em relação ao Supremo Tribunal Federal, e aí ele faz uma sugestão, Toledo, é curioso, ele fala assim: "Olha, inclusive eu indico que os ministros se unam, de repente saiam do Brasil para deixar a pressão de lado e conseguirem conversar, chegar num entendimento, como a instituição pode reagir e etc. e tal. Então esse distanciamento, digamos, do Brasil faz com que essas autoridades de certa forma relaxem. Aonde, digamos, mora o perigo, digamos assim, são para além dessas agendas oficiais, digamos, sérias, onde investidores ou autoridades ou empresários brasileiros conversam, sobre negócios, tem aqueles famosos convescotes, né? Aí às vezes vai para um restaurante à noite, toma um whisky, um vinho bom, e ali, aí nessa hora, é a hora que eles realmente não querem jornalistas, né, Toledo? Porque ali eles querem realmente passar despercebido falando de Brasil, às vezes em rooftops em Nova York, bebendo vinhos e whiskies sem poderem ser incomodados.

José Roberto de Toledo:Chegaremos lá. Agora Me tira uma dúvida: quem paga? Porque eu imagino que essas pessoas, ou pelo menos os que vão falar, os palestrantes, tenham suas viagens pagas pelos organizadores, né? E os organizadores obviamente não vão tirar do próprio bolso, vai ter patrocinador que vai pagar por isso. Quem que banca essa festança?

Carla Araújo:Olha, para ser bastante correto, inclusive, eu fui a convite do Lidy, né? Então é setor sucroalcooleiro, é setor de energia. São vários empresários que patrocinam os painéis, assim como no caso do Esfera também tem bastante empresários que patrocinam, mas são empresas, tanto o Lidico como Esfera, para ficar nessas duas, é um modo de negócio mesmo, né, fazer esses encontros, fazer essas promoções de eventos. Então basicamente é o empresariado que tenta fazer essas conversas de aproximação longe de alguns holofotes, ou no mínimo, digamos assim, tentar limitar um pouco esses holofotes. E lá tem uma coisa muito de luxo e ostentação em alguns locais, né? No jantar do Esfera, em que eu e a Belen, que a gente tava junto, é no hotel, né? Um hotel que chama Cipriani Broadway, que fica ali bem em frente ao touro, né, de Wall Street, que você tem aquela lenda que você passa a mão ali no touro e tem prosperidade. E são carrões chegando na porta. Vestidos maravilhosos, é todo um status mesmo. Muito curioso, Toledo, que é um limiar, assim, diria, para não faltar o respeito com ninguém, mas é um limiar para não ser algo brega chique, sabe? Porque é uma ostentação assim curiosa de se ver. E os mesmos empresários, em 2024 acho que eu via mais, porque em 2024 a cúpula do Congresso foi, tinha um monte de ministro, tinha muito constrangimento, não tinha work hard, não tinha constrangimento, exatamente. O Tiziano tinha.

José Roberto de Toledo:Agora, o Cipriani, só para ficar, é um hotel famosíssimo de Veneza, dono do mesmo grupo que é dono do Harry's Bar, famoso, tornado famoso aí por escritores, etc., que exportou a marca, né, para outras partes do mundo. Agora, você mora em Brasília, trabalha em Brasília, cobre o poder em Brasília. Por acaso é diferente o que se diz em Nova York sobre o Brasil sobre o que se diz nos restaurantes de Brasília depois de um whisky ou dois?

Carla Araújo:Mais ou menos, acho que é mais ou menos a mesma coisa, Toledo. E aí eu acho que também tem muito da relação das fontes que a gente conhece e conversa. Eu acho que assim, tem eventos aqui em Brasília que esse "converscote" também acaba acontecendo. Vou lembrar um exemplo que me veio na cabeça agora recentemente, a festa da posse do ministro Cássio Nunes Marques no TSE. Foi uma festa regada a uísque, que tava lá o procurador Paulo Gonê e o diretor da Polícia Federal. Enfim, você vê personagens bebendo juntos que talvez institucionalmente deveriam manter um certo filtro ali, né? É mais ou menos a mesma coisa. A diferença, eu acho que ali em Nova York aproxima mais com o empresariado. Aqui em Brasília você tem o empresariado, mas é um ou outro que vem, né, com foco específico. Lá eram muitos empresários. Então assim, o empresariado estava forte em Nova York mesmo, de fato. De vários setores. E aí, com a preocupação eleitoral, nas rodas de conversa era muita gente falando já sobre eleição, precificando, né, uma reeleição do presidente Lula ou uma suposta eleição do Flávio Bolsonaro. Enfim, mais ou menos a mesma coisa, as conversas regadas aí a vinhos e whisky, like, ó.

José Roberto de Toledo:Agora, esses grupos que organizam o evento, né, são especializados naquilo que eles em português chamam de networking, né, ou seja, colocar em contato pessoas que têm interesses afins, muitas vezes do empresariado com quem tá no poder, né, seja no Congresso, no Executivo, no Legislativo e no Judiciário também, né. Outras pessoas chamam isso de lobby, mas o nome não importa. O fato de ser no exterior garante que o evento tenha mais sucesso, ou seja, mais pessoas compareçam. Ou seja, a gente mudou de patamar. Aquilo que antigamente, como você mencionou, era lá naquele hotel resort em Comandatuba, no litoral da Bahia. Agora, para você reunir as mesmas pessoas, você tem que pagar uma classe executiva para Nova York. Mas não responda já, só depois do intervalo.

Thais Bilenky:Eu sou Thaís Bilencki, sou jornalista há mais de 15 anos. Poucas vezes na vida vi uma figura crescer tanto em tão pouco tempo e perdurar no poder intacto como Arthur Lira. E quis entender como é que essa escalada aconteceu, passo a passo. Para isso, fui atrás das origens dele em Alagoas. Essa é a casa do Lira?

Carla Araújo:Isso, do Arthur Lira.

Thais Bilenky:Bati na porta da casa do pai dele, na Barra de São Miguel, e fui para Junqueiro, cidade onde a família inteira se lançou na política.

José Roberto de Toledo:Aqui está o seio da nossa família, aqui está o berço da nossa política.

Thais Bilenky:Nessa série de 5 episódios, a gente mergulha nos anos mais recentes da política brasileira para descobrir quem é o homem que ajudou a remodelar a cena nacional e a relação entre os três poderes.

José Roberto de Toledo:O Congresso, o Parlamento, está dando todas as oportunidades para o governo se estruturar de uma maneira racional. É importante frisar que todos têm que entender que o Congresso Brasileiro conquistou o maior protagonismo.

Thais Bilenky:Lira: Os Atalhos do Poder, um podcast original do UOL Prime, disponível no YouTube do UOL Prime e no seu tocador de áudio favorito.

José Roberto de Toledo:Voltando, Carla, tô cobrando aqui a resposta. Precisa cada vez ir mais longe?

Carla Araújo:Olha, talvez, Toledo, porque se a gente pegar o exemplo do Grupo LIDE, que é do Dória, além de Nova York, me recordei agora, ele tem a edição de Londres também, né? Há uma edição de Londres que a última, no ano passado, se não me engano, também acabou levando a cúpula do Congresso para lá e foi bastante prestigiada, digamos assim. Eu acho que mistura Essa questão do prestígio. E é bem similar ao Foro de Lisboa no sentido de status, assim, você começa a conversar com as fontes e aí ela já pergunta assim: "Você vai pra Nova York? Você vai estar aí semana que vem em Nova York?" Como se fosse um status você estar mesmo de fato lá. "Ah, você não vai? Você não vai estar em Nova York? Nossa, você não vai estar em Lisboa?" O que que você vai perder tanto? Pelo menos esse status de largada, digamos assim, pra um político e pra um empresário. Então estar em Nova York nessa semana virou quase que uma tradição. É curioso, a gente encontra Várias das mesmas pessoas ali. Eu fui 2 anos, né? E assim, várias dessas pessoas estavam também no ano que eu fui e costumam ir desde sempre, né? As pessoas têm essa frequência e meio que a ideia é criar um calendário mesmo com uma marca. Olha, no mês de maio ali, depois do Dia das Mães, é a Semana do Brasil em Nova York. Quem é importante está lá. É mais ou menos assim que eles tentam embalar. E isso acaba pegando, porque é como se uma pessoa cobrasse da outra: "Ah, Toledo, você vai naquele evento?" "Bom, se você não vai naquele evento, você não foi convidado para aquele evento, você tá embaixo." É mais ou menos por aí. Então tem bastante status nisso.

José Roberto de Toledo:Vocês foram lá, participaram dos eventos, ouviram as pessoas, elas estão mais descontraídas? Porque esse é o argumento, né? Você precisa tirá-los do seu ambiente de trabalho, colocá-los num cenário diferente para que as conversas rendam com mais fluência e sem os obstáculos das formalidades do poder. Isso é visível ou é propaganda?

Carla Araújo:É visível. Até se a gente parar para pensar em esquemas de segurança, sabe? Por exemplo, duas autoridades que eu conversei lá, que estavam no evento que eu participei do LIDE na terça de manhã, se não me engano, o ex-presidente Michel Temer e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, para fazer o quebra-queixo que a gente diz, né, que é aquela entrevista que ficam os jornalistas em volta ali após a fala deles, um esquema de segurança muito menor do que aqui, um ou outro assessor, né? Tem, claro, o ex-presidente Michel Temer tem à sua disposição uma equipe de segurança, mas você não vê, não tem a mesma dificuldade de acesso que você tem aqui no Brasil, por exemplo, numa agenda que o Temer faça ou o Eduardo Leite, tô usando esses dois exemplos, ou qualquer outro político que faça aqui uma agenda, Há uma restrição maior para o jornalista conversar. E aí às vezes é ali, você naquela sala, "Ah, presidente, governador", você toma um cafezinho com ele com mais naturalidade. Parece que baixa-se a guarda, né, um pouco, tanto da segurança quanto dessas autoridades, pelo fato da gente estar longe e pelo fato de ter um assédio menor, limitado. Não é um número enorme de jornalistas, porque são poucos jornalistas brasileiros que ou foram convidados, né, e estão ali, ou as empresas bancaram, mas enfim, ainda assim com um número reduzido se a gente comparar num Congresso Nacional, quando sai o Hugo Motta do salão do presidente, vai ter um número infinito de jornalistas com um número infinito de segurança, ele vai ter uma conversa mais tranquila, digamos assim. E lá esse ambiente acaba permitindo essa aproximação um pouco maior. Isso eu tô falando do lado dos jornalistas, imagine então do lado dos empresários que participam com essas autoridades de jantares fechados para imprensa. E aí sim, os relatos que a gente colhe, tanto de um lado quanto de outro, é de que as conversas fluem com mais naturalidade e com a guarda baixa nesse sentido. Que é até um personagem que a gente fala aí na nossa matéria que a gente fez, o governador de Santa Catarina: "Ah, no Brasil as pessoas não têm tempo de nos ouvir, aí a gente vai até Nova York que aí a gente consegue falar com um ou outro empresário ou banqueiro ou enfim quem a gente quer falar lá, a gente consegue ter tempo." tempo e conseguem conversar.

José Roberto de Toledo:Muito bem, bom, você me convenceu de que a Semana Brasil Week é essencial para o sucesso da economia brasileira. Agora, às vezes dá ruim, né? E vocês contam um caso de 2024 que na época talvez não tenha chamado tanta atenção, mas passados 2 anos, nova perspectiva se abate sobre a cena e mudou também o que que ela significa. Conta para a gente o que foi o jantar dourado de 2024 na Brasil Week.

Carla Araújo:Na verdade, o que acontece, esse ano, como a gente fala na matéria, diminuiu um pouco o número de políticos, né, de empresários não. Mas a gente teve agora, né, recentemente, a revelação da Polícia Federal de um diálogo entre Borcaro e Cláudio Castro que exemplifica bastante o que é e como são essas relações ali em Nova York e como a ostentação acaba fazendo com que a classe política, de certa forma, se aproxime do empresariado ou dos banqueiros ou dos investidores. A Polícia Federal trouxe à tona na semana passada, depois que já tinha, então, portanto, acabado a Brasil Week, mas trouxe revelações de conversas do Daniel Alvorcar com o Cláudio Castro, oferecendo ali jantares milionários, né, era um jantar de mais de $13 mil, era Enfim, aí tem uma troca de diálogos curiosa que o Forcaro fala pro interlocutor do restaurante: "Pede aquela carne de ouro ou alguma especial pra ele ir." E aí ele troca mensagens com Cláudio Castro na linha dizendo assim: "Olha, é extremamente exclusivo, vão só 10 pessoas, um jantar maravilhoso." O Cláudio Castro acena e diz: "Então eu vou." E no dia seguinte, como mostrou a Polícia Federal, o Cláudio Castro vai lá e libera portas da Rio Previdência libera um valor de contrato alto para o então Banco Master, que acabou sendo um prejuízo para os aposentados do Rio de Janeiro. Então você vê que a Polícia Federal agora revela que lá em 2024, em jantares regados a ouro, foi ali que, pelo menos é o que mostram as investigações, uma das falcatruas que vieram de Daniel Vaccaro foram operadas, digamos assim, num restaurante chique com carne de ouro, jantar milionário, vinhos caríssimos, no modus operandi que Daniel Porcaro sabia usar muito bem. E aí, mais uma curiosidade, em 2024 ele tava no auge, inclusive ele foi a personalidade do ano, ovacionada por políticos de direita e esquerda. Tava Tarcísio de Freitas, tava uma série de políticos ali em 2024. Pegou um checão de investimento, personal, personagem do ano. Ele era, e é muito curioso, Toledo, porque eu tava no jantar do Esfera que ele é homenageado E foi aquela coisa assim: "Nossa, mas quem é o Daniel Porcaro?" Ainda tinham algumas pessoas mais inocentes, digamos assim, que ainda não tinham a dimensão que hoje a gente tem de como ele operava. E ele operou, e operou bastante em Nova York também. Aí você volta nos capítulos e fala: "Ah, agora faz sentido". Porque é fácil a gente olhar com as lentes de hoje, mas olhar que era... Ele usava essa estrutura, esse jeito de ser de Nova York, e conseguiu fechar muitos negócios.

José Roberto de Toledo:Nós estamos falando de maio de 2024, maio, 2 anos atrás. E há 2 anos todo mundo, tirando os inocentes como você mencionou, sabiam quem era Daniel Borcaro, a ponto de dar um prêmio para Daniel Borcaro, ser a personalidade do ano, certo? E depois fica claro agora que Não existe jantar de ouro grátis, né? Porque ele ia receber em troca de milhões ou bilhões do fundo de pensão dos funcionários do Rio de Janeiro, dados de mão beijada pelo governador Cláudio Castro, que até desistiu da candidatura ao Senado depois que isso foi revelado.

Carla Araújo:É exatamente esse o enredo. E é claro, como você falou, tanto sabiam quem era Daniel Porcari, ele já tinha espalhado os seus tentáculos, que ele ganha esse prêmio. A dimensão dessas relações escusas que agora a Polícia Federal tá revelando E se a gente coloca no retrovisor, a gente olha e pensa: "Olha, foi em Nova York que ele fez essas negociações." Então é claro e é evidente que nos rooftops de Nova York, para longe dos holofotes, esses empresários, esses políticos fecham negócio. Talvez o que a gente tenha que ficar em cima e olhando é colocar nossa lupa como repórter, que a gente faz isso, e a Belém, que você conhece muito bem o talento dela também, a gente continua conversando e continua olhando para ver o que vai sair eventualmente de 2026 para frente. Mas olhando para trás, teve coisa importante que acabou sendo negociada lá em Nova York, como a Polícia Federal tá mostrando aí.

José Roberto de Toledo:Para usar a frase mais gasta que existe sobre Las Vegas, o que acontece nos rooftops de Nova York fica nos rooftops de Nova York, mas você provavelmente paga a conta. Carla Araújo, muito obrigado pela sua participação aqui no All Prime, muito bem-vinda novamente. Espero No mínimo que você volte em maio de 2027 para dizer o que aconteceu na próxima, na oitava Brazil Week de Nova York. Onde as pessoas podem ler a reportagem sua e da Thaís Bilencki, que todos quererão ler?

Carla Araújo:Essa reportagem foi uma reportagem Prime, então você pode acompanhar em uol.com.br/prime.

José Roberto de Toledo:Obrigado, Carla, um abração.

Carla Araújo:Eu que agradeço, sempre um prazer estar aqui com vocês, gente. Um beijo, até uma próxima.

José Roberto de Toledo:Obrigado. Eu sou José Roberto Ledo e esse é o podcast UOL Prime. Conversei hoje com a repórter e colunista do UOL, Carla Araújo. E obrigado a você que ficou com a gente até agora. Quem assina o UOL pode acessar, ler e ouvir essa reportagem da Carla e da Thaís Bilencki, além de muitas outras reportagens investigativas lá no UOL Prime. Os assinantes também têm acesso a todo o acervo jornalístico do UOL e as reportagens e análises dos nossos colunistas exclusivos. Também conseguem aproveitar benefícios como os descontos em cinema, peças de teatro, festivais de música, e tem acesso ao All Play e muito mais. Confira lá em assine.uol.com.br. Eu sou José Roberto Toledo e faço apresentação do podcast UOL Prime. Conversei hoje com a colunista e jornalista do UOL, Carla Araújo. O roteiro é da Clara Gelstadt, a operação de vídeo é do Henrique Villarrazo. Montagem: Lucas Zacarias. Trilha sonora original: João Pedro Pinheiro. A coordenação é da Lígia Carriel e da Laura Kapliushnik. A coordenação de operações é do Danilo Esperandil e do Eduardo Bonavita. A foto de capa do podcast é da Daniela Toviansky. O podcast é um produto do UOL Prime e a gerência geral é do Irineu Machado. A supervisão é do Murilo Garavello, diretor de conteúdo do UOL. Até o próximo episódio.

Anunciantes1

Grupo Lide

external