Vamos viver até os 120 anos? | Com Luana Araújo
O novo episódio do Missão Saber vai debater os avanços da ciência e da tecnologia na saúde com a médica infectologista Luana Araújo.
Apresentado por Murilo Garavello, o podcast reúne os livros que contribuem com o debate sobre saúde e longevidade.
Lista de livros do episódio:
- Homo Deus | Yuval Noah Harari | 2015
- Ikigai | Héctor García e Francesc Miralles | 2016
- A Máquina da Criação | Amy Webb e Andrew Hessel | 2022
- A Revolução dos Músculos | Gabrielle Lyon | 2023
- Eat Your Ice Cream | Ezekiel Emanuel | 2025
- A Máquina da Criação (The Genesis Machine)Amy Webb · Andrew Hessel · Biologia sintética · Biologia programável · CRISPR · Edição genética · Super bebês
- Tecnologia e Equidade em SaúdeCiência de dados · Big Data · Promoção de equidade em saúde · SUS · Dados genômicos
- Tratamentos contra o câncerCélulas T · Edição de células T · Medicina de precisão · Câncer de sangue · Mieloma múltiplo · Talidomida
- Ética e responsabilidade da IACloroquina e Ivermectina · Placibilidade biológica · Reposição de fármaco · Ministro Quiroga · Governo Bolsonaro
- O Papel da Comunicação e MídiaExcesso de informação · Separação do joio do trigo · Ansiedade e complexidade
- Evolução genética de mosquitos Anopheles darlingiE. coli · Detecção de inflamação intestinal · Transmissão de doenças · Mosquitos como vetores
- Arte e Expressão PessoalSensibilidade e empatia · Decodificar sentimentos · Conexão com o paciente · Música
- Medicina regenerativaCélulas-tronco
E aí, você tá bom? Bão também! Eu sou Murilo Garavello, diretor de conteúdo do UOL, e esse é o Missão Saber, o podcast do UOL pra quem é curioso e gosta de aprender.
No episódio de hoje eu vou falar de um assunto que interessa para todo mundo, eu acho. Será que a gente vai viver até 120 anos? Eu tenho aqui comigo hoje uma convidada especialíssima, a doutora Luana Araújo. Ela é infectologista e ela também, de uns tempos para cá, pegou uma outra missão para ela, que é ajudar a educar os brasileiros sobre saúde, sobre qualidade de vida.
É isso mesmo, Luana? Bem-vinda. Obrigada. Primeiro que eu quero dizer que esse bão, bão também, já me pega. Porque eu brinco que eu tenho o iCard. Eu não sou mineira, mas eu moro há 10 anos em Minas. Meu marido é mineiro, meu filho é mineiro. Então esse bão aí eu já me senti em casa e te agradeço. Esse bão eu nunca expliquei. Vou explicar pela primeira vez aqui. Eu sou de Piracicaba.
Mas é ali, né? Ali, cara. É, né? Está chegando ali. Está chegando ali. Mas eu acho que eu tenho um pouco do mineiro, que eu como um pouco os plurais, as palavras, né? É uma coisa meio... Como a eterna fome, né? É isso. Mas o bom, mas eu quero dizer isso, o bom já me senti em casa. Que bom. Eu sou infecto de formação, né? Médica, infectologista, epidemiologista.
E a vida foi me levando para esse lado da comunicação em saúde, para explicar essa loucura que a gente vive hoje, esse excesso de informação que é muito difícil para qualquer pessoa, inclusive para o especialista, se manter atualizado e entender relevância, separar o joio do trigo, isso tudo é muito difícil. Então, para a pessoa que não é do meio, isso pode ser ainda mais difícil, mais complexo, trazer mais ansiedade e tudo mais. E aí...
A vida me deu essa oportunidade de começar a falar com as pessoas mais diretamente e cá estou eu. É isso. Isso tem a ver com a CPI da Covid? Porque eu acho que muita gente começou a conhecer a doutora Luana lá para junho. Foi junho de 2021, né? Foi 2 de junho de 2021. Acho que é um desses dias que você... É, um desses que você não tem como. Você sabe que o período da pandemia, não sei para as pessoas que assistem a gente, mas o período da pandemia, ele é meio...
nublado, assim, né? Eu trabalhei tanto que, se você me perguntar como é que foi o meu aniversário de 2021, eu não vou lembrar. Mas o 2 de junho, pra mim, ele é um marcador pessoal e profissional, porque foi isso. Eu ocupava uma... Bom, vamos lá, né? Vamos contar a história inteira, né? Sou médica, infectologista somos poucos, então é uma especialidade popular.
epidemiologista menos ainda e eu trabalhava com saúde global. Então você praticamente conhece ali, o meio ele é pequeno, então você acaba conhecendo muita gente e eu trabalhava fora do país, eu trabalhava ali no começo da pandemia com quatro países diferentes ao mesmo tempo.
ajudando a fortalecer os sistemas de saúde para lidar com essas crises sanitárias. Foi esse o começo da história. E eu, enfim, acabei recebendo esse convite para ocupar a Secretaria de Combate à Covid-19. Na época, o ministro Quiroga. Isso.
no governo bolsonaro 2021 exato é e é importante lembrar que naquela época a gente tinha é a princípio notificados e a gente sempre revê isso historicamente porque esses números tendem a ser maiores inclusive mas a época notificada a gente tinha 4 mil óbitos ao dia por corrente
E eu falo sobre isso porque é muito importante a gente lembrar que isso aconteceu, porque dá uma certa sensação de uma coisa distante e pouco importante nesse momento, ou de talvez a gente...
vulgarize esse momento, mas a gente não pode fazer isso. Primeiro, por respeito às vítimas, às pessoas, aos familiares. Segundo, porque são os aprendizados. Não é o tópico da nossa conversa, mas nós vamos passar por outras pandemias. Certamente, é uma questão de quando, não uma questão de se vamos. Porque se a gente não mudar toda a forma de funcionamento, tanto pessoal quanto coletiva, a gente se expõe cada vez mais a riscos importantes nesse sentido.
Então, a gente precisa lembrar e aprender e manter esse aprendizado fresco para não repetir os mesmos erros. Então, tudo isso para dizer que a gente estava num contexto que foi o pior contexto da pandemia, quando houve essa mudança importante ministerial, saía um general, entrava um médico, então havia uma esperança nesse sentido.
de melhor condução e foi nesse contexto que eu recebo o convite para fazer isso, para participar dessa história. Mas também durei muito pouco, porque é isso. Você chegou a sumir, foram dez, dez dias? Eu fui apresentada publicamente, então, publicamente foram dez dias, eu ainda fiquei mais uns dias antes disso, eu trabalhei já sem essa apresentação pública, longe dos olhos, sem ter cargo, longe dos olhos públicos.
na tentativa de começar a organizar as coisas. Mas é isso, também fiquei pouco tempo porque existe uma questão que é uma conduta ética. Eu não posso ir contra aquilo que a gente já sabe que o corpo de evidências mostra ser positivo ou ser negativo. Você precisa ter uma orientação. Então, naquela época, toda a área de conhecimento publicou sobre Covid, inclusive engenharia automotiva.
Todo mundo publicou. Então imagina o volume de coisas e todo esse volume de conteúdo, de conhecimento, foi disponibilizado gratuitamente para as pessoas. Então todo mundo foi invadido por trocentos artigos ao mesmo tempo, todos os dias. E era preciso você conseguir começar a separar essas coisas e a entender o que as evidências diziam e a fortalecer, ter uma base mais sólida para poder tomar decisões.
E claro que o contexto de crise faz o que duraria anos, né? Foi comprimido, então processos que naturalmente precisam ser mais lentos. Isso, mas assim, houve um esforço direcionado pelo mundo inteiro nesse sentido. Então a gente foi conseguindo construir um corpo de evidências mais sólido e mais rápido, eventualmente, do que em outros momentos da história.
e isso já tava muito claro então assim quando eu assumi ele já era muito claro que cloroquina não funcionava era muito claro que ver metina não funcionava então você não pode apostar com a vida das pessoas numa direção que você sabe que não é
positiva. Isso é antiético, isso é contra todos os juramentos profissionais que eu fiz. Eu acho que tem um ponto importante para colocar, que é muito comum na ciência que coisas que inicialmente parecem que vão funcionar, quando você vai progredindo e fazendo as etapas necessárias, elas caem por terra.
Exatamente. E as pessoas muitas vezes não sabem desse processo. Então eles falam, não, mas tem um artigo, as pessoas de boa fé. Então mais ainda que era necessário, quem é do meio, clarificar o cenário. Lógico, então assim, não há uma, não há um preconceito com a fase inicial. Qualquer coisa pode funcionar, qualquer coisa, né? Você precisa ter essa tábula rasa pra começar. Mas existe um conceito chamado plausibilidade biológica. Então se tudo pode,
teoricamente, no campo mais amplo da história, o que de fato parece já ter fundamento biologicamente para funcionar ou não. Então, a cloroquina de cara não tinha plausibilidade biológica, sabe? Entendi. Mas ainda assim, no desespero, ela foi testada, gastou-se um dinheiro absurdo para isso, e desde o começo já se mostrou que aquilo não era um caminho promissor.
Assim como a Ivermectina. E isso chama reposicionamento de fármaco, né? Quer dizer, ao invés de você gastar um tempo e energia e tecnologia pra descobrir uma coisa nova, você tenta ver lá no seu hall de coisas que já existem se alguma coisa pode funcionar ali. Tem toda a lógica do mundo fazer isso, né? Claro, porque a solução já tá pronta, mas claro que também mesmo tem gente que quer ganhar dinheiro de qualquer jeito, né? Exatamente. E foi o que acabou acontecendo ali, né? Com o apoio...
político o que é dramático trágico é beirando criminoso para mim que enfim é então eu não tinha como compactuar com uma história dessa e foi isso então mas você foi chamada para para depor como que
É, eu saí da mesma forma quase que a francesa como eu entrei, só que aí quando descobriram que isso tinha acontecido, e uma pessoa com o currículo que eu tenho, que modéstia à parte é um currículo bastante forte, as pessoas começaram a pensar como, pô, mas nesse momento em que a gente está tão dramático, tão trágico, uma pessoa que ocupou esse lugar que era importante, com esse currículo, por que que saiu? Então, foi assim que eu acabei sendo chamada para depor ali na CPI.
E aí você deu um depoimento muito corajoso, muito claro, muito firme, né? Ela falou frases muito interessantes, assim, né? Acreditar na cloroquina é como... De que borda da terra plana a gente vai pular, né? Que é a que torna muito compreensível para as pessoas, né? Eu acho que o infectologista tem uma vantagem, sabe? Nós somos, ou devemos ser sempre, especialistas que falam, que dialogam muito com o paciente.
O tratamento de uma doença infecciosa, ele pode ser orientado pelo infectologista, mas ele é suportado a longo prazo, com suas dúvidas e dificuldades e vitórias pelo paciente. E essa costuma ser uma relação de longo prazo. Então a gente precisa saber falar com as pessoas. Então quando eu cheguei ali, eu entendi...
Com todo respeito, que eu não estava falando para aquelas pessoas que estavam ali, porque ali não tinha nenhum especialista, não tinha os questionamentos ali, inclusive, grande parte deles eram de um...
um desconhecimento muito grande e com um viés político muito grande. Então a minha ideia ali foi, bom, não adianta eu falar para essas pessoas, eu preciso falar para quem está ouvindo. Então acho que essa foi uma grande oportunidade de esclarecer conceitos, de mostrar que a ciência não podia estar sob a égide da política. Toda vez que isso aconteceu na história da humanidade, a gente teve...
né implicações gravíssimas secundárias a isso então era mais acho que foi um espaço para essa para essa compreensão para esse diálogo né para falar com as pessoas e eu a a talvez pelo histórico de trabalhar ao redor do mundo de já ter tido né experiências com vários várias esferas de governo também não me sentir intimidada por aquela situação pelo contrário
Deu para perceber. O depoimento dela foi um sucesso. Ela começou a dar muitas entrevistas, né? E virou uma figura pública, talvez, né? Virou uma comunicadora que as pessoas começaram a procurar. Com todos os ônus e os bônus disso, né?
muito pouquinho dos dois para a gente, o bônus e bônus. Eu acho que o bônus maior foi exatamente poder exercer essa atividade de comunicação que talvez antes fosse restrita mais a grupos específicos ou a pacientes no nível individual como médica, para uma coisa mais coletiva. E a comunicação ou a informação e os seus correlatos contrastantes, desinformação e tudo mais, hoje a gente entende que são determinantes de saúde.
Então, se a pessoa consegue ter acesso a uma informação clara, transparente, ética, verdadeira, ela está na frente de uma outra em termos de saúde, de uma outra que não consegue ter esse acesso.
Então, enfim, isso depois teve várias repercussões na minha vida. Uma dessas foi o fato de eu acabar falando de fato muito naquela época, principalmente, para veículos diferentes, com muita... Enfim, era um momento que isso era muito necessário naquela temática.
Por outro lado, como cientista e como mulher e como musicista que sou, a gente falou sobre isso, né? É, tem uma coisa muito interessante, ela é pianista. Eu sou. Então vamos fazer esse parênteses, acho que é interessante. A arte sempre fez parte da vida e eu comecei muito cedo, com dois anos, e eu estudei, fui para a Áustria, enfim, fiquei lá bastante tempo antes de fazer medicina.
o que eu acho que fez total diferença no meu exercício médico e faz até hoje porque eu acho que a arte te ensina a ter contato com seus sentimentos e com os sentimentos das outras pessoas e a valorizar essa sensibilidade o que na parte técnica do exercício tanto da medicina da saúde pública se traduz em empatia
Mas isso, eu já vi muito médico dizer que se você se envolve muito, você pode acabar sendo emocionalmente não tão apto. Mas não é envolver. Eu tô fazendo o advogado do diabo. Não, você tá certo, mas não é envolver. É decodificar.
Então você conseguir se colocar no... Bom, eu sou infectologista, eu ensino as pessoas que elas podem fazer o que elas quiserem, mas elas têm que lavar as mãos antes e depois de tocar as coisas. É mais ou menos isso. Você consegue acessar ali o paciente ou aquela pessoa com quem você está conversando de uma forma muito mais próxima. Eu consigo interpretar, eu acho que a música, a arte me deu essa capacidade de...
me aproximar e interpretar e sentir o que a pessoa sente, mas ter também a capacidade de me dissociar daquilo quando eu preciso voltar a ser eu. Eu lembrei de um documentário sensacional, fazendo outro parênteses aqui, essa conversa é sempre cheia de parênteses, né? Não é documentário não, é uma série da Amazon, chama Doc, que é um médico italiano.
que ele sofre um atentado e ele perde 15 anos da memória dele. E ele é um médico que, na vida dele, que ele esqueceu, ele tinha virado uma pessoa muito fria, chefe da enfermaria, do corpo clínico do hospital.
mas ele, antigamente, ele era o médico mais empático deste planeta, ele ficava amigo de todos os pacientes, e ele descobria sempre umas doenças super raras por pegar detalhes, tal, então é uma história, fica a dica, eu adorei, assim, eu não conheço esse não, às vezes todo episódio tem um casuzinho, ele tem traços meio, ele é um super herói, assim, sabe, mas é muito bonitinho, é muito legal, é italiana.
Imagina, mas eu acho que isso é super interessante, porque eu acho que é um mito, assim, de que o profissional de saúde, não só o médico, mas que o profissional de saúde, ele tem que ser frio para ser um bom profissional, para ser um profissional técnico. Na verdade, não. Na verdade, ele precisa ser técnico. O que significa que ele tem que saber acessar o paciente no seu contexto geral, mas ele também precisa aprender a voltar para o centro.
De achar que agora que tem cada vez mais inteligência artificial, detectando coisas, apontando resultado de exame com precisão absurda, talvez essa capacidade do médico de se conectar com o paciente seja um ingrediente mais importante que a máquina talvez tenha. É que é a humanidade, né? É a humanidade. Mas a máquina já está aprendendo a fazer isso. Está aprendendo a copiar, assim, né? Exatamente. E aí quando o humano não é capaz de exercer a sua humanidade,
Ele perde da máquina. Ele vai perder da máquina de lavada em todos os níveis. Se ele não estudar piano a vida inteira, ele tá fudido. Eu não disse isso. Mas a gente precisa entender o que nos faz diferentes. Então, eu sempre honrei muito a minha história com a música. Honro ainda, ela não acabou. A essa se apresenta ou é mais... Eu agora não consigo, dentro desse contexto que a gente tá agora. Mas eu...
Eu sempre, inclusive nesse período de exposição, eu sempre deixei muito clara essa minha relação com a música. Eu canto para o meu filho, eu, sabe, eu apresento os instrumentos para ele. Eu, se tiver a oportunidade de voltar, de tocar, de fazer, eu faço. Eu não tenho essa dificuldade. Eu não vejo incompatibilidade alguma com a minha capacidade técnica científica de fazer essa outra função. Tem só um problema de tempo, né? O dia tem só 24 horas. É um pequeno detalhe que é esse.
Mas que eu tenho ignorado. A gente tenta ignorar. Não sei se ficou muito sucesso, mas eu tenho tentado ignorar. Bom, vamos voltar para o rumo da nossa prosa aqui. Eu acho que é legal dizer que a Luana tem um site, né? Isso. Parceiro do UOL. E a gente vai produzir cada vez mais conteúdos, está no forno. E a Luana também trabalha no Einstein, né? E você lida com tecnologia no Einstein?
É, eu acho que a tecnologia sempre fez parte de tudo que... Bom, eu sou uma millennial, né? A gente se apaixonou por tecnologia ao longo da vida. Então, a gente chegou num ponto da ciência em que a tecnologia invadiu esse processo como um todo e talvez a saúde tenha sido a última fronteira da invasão tecnológica.
E hoje eu tenho a oportunidade de trabalhar com ciência de dados, com todo esse processo e as suas tecnologias correladas, Big Data e outras coisas, aplicadas à promoção de equidade em saúde. E como funciona isso? Equidade em saúde é a primeira coisa que a gente tem que esclarecer para quem ouve. Equidade é um conceito que inclusive é um dos pilares do SUS, do nosso SUS. É acesso.
Não, ele é, vou tentar explicar de uma maneira bem simples, é a ideia de você dar a cada pessoa aquilo que ela de fato precisa para que ela alcance resultados os melhores possíveis que a gente tiver. Então, por exemplo, se eu estou falando de uma campanha de vacinação e eu peço as pessoas para elas irem aos postos de saúde, às unidades básicas para se vacinarem.
é algumas pessoas vão conseguir entrar na unidade a qualquer momento do dia outras não conseguem e elas estão trabalhando elas precisariam de um horário estendido é outras não tem acessibilidade porque estão na cadeira de rodas e a entrada para a unidade não tem uma rampa então veja que cada pessoa para conseguir alcançar aquele objetivo que é de se vacinar e ter a proteção elas precisam de estratégias diferentes para poder exercer o seu direito à saúde
Então equidade é quando você reconhece isso e você trabalha para sanar o que cada um precisa para poder chegar naquele resultado. É diferente de igualdade. Igualdade você oferece a mesma coisa para todo mundo. Sim. E nem sempre você vai conseguir fazer com que essas pessoas cheguem aonde você quer. Onde elas precisam, onde elas merecem, enfim. Então equidade é esse conceito. Então a ideia aqui é você usar... Aqui é bom. E aí
toda essa capacidade de interpretar dados, de coletar dados e interpretar esses dados de uma forma massiva, como a gente nunca conseguiu antes historicamente, de modo a perceber essas iniquidades que às vezes a gente não percebe.
Me dá um exemplo prático, uma descoberta que você fez, ou uma ação, ou alguma... Eu acho que existem muitos exemplos nesse sentido, mas, por exemplo, a gente conseguir identificar uma população, ou trabalhar pensando numa população específica, e coletar dados, por exemplo, genômicos do lugar onde ela vive.
trabalhar com essa quantidade de dados enorme e tentar ver como é que este ambiente onde ela vive impacta de fato a saúde que ela tem, a qualidade do ar. Hoje a gente consegue trabalhar com uma quantidade de dados que é muito grande. Então, coisas que antigamente a gente só conseguia fazer de uma maneira mais restrita e a nível individual, no máximo, num nível coletivo.
razoável, hoje a gente consegue falar em populações, então eu consigo estudar a população brasileira, ou a população do estado de São Paulo. E isso é muito diferente, isso traz pra gente uma visão de conjunto que a gente nunca foi capaz de compreender, nem de enxergar. Veja, eu acho que não tinha maneira de ter uma convidada mais adequada pra discutir o que a gente vai discutir hoje, porque...
Essa história da gente viver 120 anos tem muito a ver com tecnologia, né? E aí a gente entra no primeiro livro do episódio, que se chama A Máquina da Criação. Em inglês o título é The Genesis Machine, da Amy Webb e do Andrew Hessel.
É um livro que foi feito em 2022 e eu acho que a gente, antes de falar dele, precisa falar de quem fez, que é a Amy Webb. Eu vou contar um pouquinho da trajetória dela, que eu acho que é bacana. A Forbes diz que ela é uma das cinco mulheres que estão mudando o mundo.
A Thinkers50 disse em 2025, anualmente ela faz uma lista das 50 pessoas mais influentes do mundo na área da gestão. A Amy Webb é a terceira, foi a terceira. Em 2020 ela foi eleita pela BBC uma das 100 maiores mulheres do mundo.
E ela faz um trabalho de ponta para você saber o que está acontecendo hoje em todas as áreas da ciência. E é muito interessante, eu me identifico muito com o trabalho dela. A primeira vez que eu vi uma palestra da Amy Webb foi em 2010, em Washington. Era um evento da Online News Association.
Eu fui lá porque o Walt tava disputando um prêmio, tava perdendo, mas foi ótimo. E ela fez uma palestra 10 coisas, 10 tendências do mundo do jornalismo na época. Porque ela é jornalista. Ela fez a faculdade em
indiana. Primeiro ela estudou economia e também teoria de jogos e ciência política. E depois ela fez um mestrado em Colômbia de jornalismo. Ela trabalhou no Wall Street Journal. Ela trabalhou na Newsweek.
E ela fundou faz 20 anos o Future Today Institute, que hoje chama Future Today Strategy Group, que ela cresceu pra caramba, né? E ela todos os anos ela faz, ela lança, dá uma olhada. Isso aqui é um livro grossíssimo.
tem 317 páginas, ela lançava todos os anos tendências, e esse ano ela mudou para convergências, né? E ela faz uma apresentação incrível no South by Southwest, que é um dos eventos de tecnologia mais importantes do mundo, ela é a maior estrela do South by Southwest, e ela lança essas tendências, né? E então...
O livro, ele chama A Máquina da Criação, mas eu gosto mais do título em inglês, que é Genesis Machine, que é o homem criando vida. Eu acho que esse livro é uma loucura. Eu acho, assim, quem gosta, o tal do curioso que você identificou lá no começo, vai gostar muito desse livro, porque ela lia lá atrás uma mudança da forma como a gente enxerga a vida.
A biologia, principalmente, né? A biologia sempre foi pra gente um cenário de descobertas daquilo que já estava pronto. Continua sendo em algum grau, né? Então, assim, a gente descobre o funcionamento do corpo humano, a gente descobre como é que os órgãos funcionam, a gente descobre o DNA depois, as proteínas e tudo mais, a gente vai descobrindo aquilo que já está.
Mas quando a gente chega onde a gente está hoje, a gente entende que há uma mudança nessa relação com a biologia. A gente deixa de olhar para aquilo que já está pronto e passa a interferir nisso, a criar coisas dentro da biologia.
E é essa ideia por trás deste livro, né? E é uma ideia maluquíssima, a gente vai mostrar. Mas ela é real, né? Ela é muito real e ela tem consequências. Ela já é o nosso dia a dia. Então, assim, eu vou voltar para a minha porção médica só para explicar para as pessoas de onde ela parte, que eu acho que é bem legal. Ou o que está acontecendo agora, talvez. Bom.
Dentro das nossas células, a gente tem o nosso DNA, né? Que é ali o grande livro de instruções. Quando a gente, quando a nossa célula vai executar alguma função, ela vai lá, consulta aquele livro, é como se fosse isso. Ela abre o livro na página que ela precisa e ela tira uma cópia daquela página. Ela não muda aquilo, ela não arranca aquela página. Ela tira uma cópia daquela página. Isso se chama RNA. É a transcrição do DNA num RNA, aquela cópia.
é aquela fotocópia que ela tirou ali nada mais é do que o RNA que a gente depois da pandemia passou a falar tanto né é esse RNA ele viaja através da célula até chegar no complexo ali dentro que vai traduzir essa receita vai executar esta receita
E aí, então, esse RNA entra nessa organela ali da célula e o que sai do outro lado é uma proteína. As proteínas são os grandes tijolos da biologia. Então, tudo que a gente é, tudo que é executado dentro da gente depende dessas proteínas.
Então, executar bem uma proteína é importante. E a forma que ela tem é determinante da sua função. Então, é quase como se a gente juntasse peças de Lego, assim, e você vai fazendo e com aquilo você cria alguma coisa que vai ser importante dentro do organismo. Então, isso sempre foi assim, a gente descobriu isso, isso foi, enfim, alguns prêmios Nobel aconteceram dentro dessa descoberta.
até que a gente começa a entender que é possível criar isso, ou interferir neste processo, ou criar coisas novas. E a partir disso a gente vai abrindo um universo infinito de possibilidades de principalmente proteção ou de cura de determinadas doenças e aflicções.
Deixa eu ver se eu estou falando bobagem. Eu acho que ela traz duas coisas que são muito importantes. A primeira é que o sequenciamento do DNA, então você entender qual é esse livro, era uma coisa que era muito cara, custava milhões de dólares em 2006. Hoje custa 100 dólares. Então você consegue saber exatamente qual é esse livro de instruções. E existem máquinas que você compra para dentro da sua casa.
inclusive para já fazer isso olha só e a outra coisa que eu acho que é muito inovadora que é o CRISPR né que a tesoura que você consome uma espécie de tesoura que você consegue editar o RNA isso você é isso então é como se você pegasse aquela folha da cópia da receita e aí passasse um corretivo Olha eu entregando a idade
Me perdoe, em determinados trechos dessa receita, e aí entregar-se essa receita para ser feita. Então você consegue desligar algumas informações que estão ali e que eventualmente são responsáveis pelo surgimento, pela clínica de algumas doenças.
Então essa edição que começa a acontecer, ela é uma loucura e ela pode, assim, a gente tem repercussões não só da CRISPR, mas de outras técnicas que hoje já são ou padrão ou a revolução de algumas áreas da medicina.
A gente vai falar muito disso e aí eu queria... Bom, o livro ele conta desde a história do nascimento da biotecnologia, né? Mas o livro ele é de 2022 e essa área tá, né? Como tudo da inteligência artificial tá avançando a galopes exponenciais. E aí eu vou falar de coisas, algumas estão no livro, mas a maioria é desse relatório aqui.
E uma coisa que ele traz, que eu acho que é muito interessante, no livro a Amy falava de biologia sintética. E agora ela já passa a falar de biologia programável. Porque basicamente o DNA, o RNA e as células, eles podem ser projetados, testados e iterados como código de computador. Então a biologia, de certa forma, chama convergência, está convergindo com a engenharia.
né então na verdade o DNA nosso é um HD extremamente potente e tecnológico na verdade é uma loucura mas tem gente hoje utilizando a linguagem de DNA para armazenamento de informações que não tem nada a ver com a biologia
Exatamente, é tão avançado o negócio que a própria tecnologia está emprestando para fazer coisas. Aprendeu como aquilo armazena informação e está usando isso, porque armazenar informações é um grande problema do nosso tempo. A gente produz tanto e não tem mais aonde colocar isso, estocar essa informação. Então essa é uma forma sensacional da evolução de estocar informação. Então o setor tecnológico está aprendendo com isso. É uma maluquice.
É uma maluquice, mas quando ela fala em sintético, biologia sintética, é aquilo que a gente conseguia fazer fora, assim, no laboratório, fora do organismo humano. Hoje a gente consegue, de fato, programar algumas coisas. Então existem estudos de intervenção genética na gestação.
Porque você já sabe que aquela criança tem aquela mutação, aquela história. Então tem gente já olhando para isso, para tentar fazer com que o desenvolvimento dessa criança já não aconteça com essa vulnerabilidade. Tem uma coisa que a Amy fala no livro, que é a possibilidade, e já aconteceu, teve um caso na China, eu acho. Já pensou a hora que a gente puder, já pode?
Criar super bebês? Sim. Então eu já vou fazer o código genético do bebê para ele nascer lindo, maravilhoso, incrível. Existe uma linha que é a linha da ética, né? Que ela é muito difícil, sempre muito borrada, assim, né? Dependendo da cultura, dos seus valores e de tudo mais, isso é muito difícil.
Mas se você pensar na parte assim, nós vamos ajudar as pessoas a serem mais saudáveis ou vamos salvar as pessoas de doenças que antigamente eram... Eu vou dar um exemplo aqui que não é exatamente essa coisa da edição in loco, nem vivo, mas existe uma terapia chamada CAR T-Cell.
Era a primeira coisa que eu ia falar aqui. É mesmo? Ah, então fala. Talvez fosse melhor você. Eu vou fazer uma metáfora aqui, né? A carticel, ela retira células T do sangue. Não, eu vou falar diferente. É como se fosse um míssil guiado e não uma bomba de fragmentação que você coloca no sangue, ele vai lá e ataca a célula cancerígena. É isso?
É, na verdade você estava explicando bem. Você retira do paciente as células de defesa dele, um tipo de célula de defesa que é essa célula T, que é responsável por fazer esse ataque. E em laboratório você edita essa célula, você entrega para ela. Porque essa célula T, ela agride o câncer, mas ela agride o organismo também. Não, não. Na verdade essa célula é uma célula de defesa. Então se entrar alguma coisa que ela reconheça como não sua,
um vírus, uma bactéria, qualquer coisa, ela vai atacar isso. Essa é a missão. A célula cancerígena, embora ela seja sua, ela não é aquela célula padrão normal. Então, muitas vezes, essas células T conseguem identificar como uma célula que não devia estar ali, e aí ela ataca, mas ela fica um pouco confusa.
né porque ela é minha e não é minha ela é minha e não tá no padrão então essas reações às vezes elas não são nem tão eficientes por conta dessa dualidade ou às vezes elas são é pouco a direcionadas exatamente porque é também é seu então aonde que ela vai atacar ela vai atacar porção que parece distópica ou enfim é é
É um momento um pouco difícil. E aí fica uma resposta ineficiente. Se ela não fosse ineficiente, a gente não tinha câncer. Então aí como que faz? Você tira a célula T? Então você tira essa coleção de células de defesa, esse tipo de célula T, e aí em laboratório você entrega para essa célula a informação específica sobre aquele câncer. E aí tem uma coisa muito legal, porque antigamente a gente falava de câncer, por exemplo, como uma entidade única.
Não importava onde ele fosse. São muitos, né? Depois a gente começou a entender que dependendo da localidade onde aquele câncer aparecia, ele tinha uma característica diferente. Hoje a gente entende que mesmo dentro do mesmo sítio, tipo câncer de mama, você não consegue falar em um tipo de câncer de mama. Você tem já reconhecidos vários tipos diferentes genéticos de câncer de mama.
Tem a ver também com as características da pessoa, né? Que ainda tem isso. Então, assim, a gente vai descobrindo cada vez mais camadas nessa história. Mas hoje a gente já sabe que cada tipo desse, por exemplo, responde melhor ou pior a determinada terapia que a gente tem. E isso tem avançado também de uma maneira muito rápida.
Por que eu comentei isso? Porque na hora que você pega essas células daquele indivíduo, a informação que você vai dar para aquelas células não é uma informação genérica, é uma informação sobre o câncer daquela pessoa. É uma medicina individual, né? De precisão, que é o que a gente chama, medicina de precisão. Então a gente ensina essas células exatamente qual é o alvo que elas vão atacar e você devolve essas células para as pessoas. E aí deixa a biologia fazer a parte dela.
Então essas células vão voltar para o organismo humano e aí vão reconhecer esses cânceres, esses tumores e vão atacar essas células cancerígenas. E a gente tem visto resultados históricos em vários cânceres, principalmente os cânceres de sangue.
não tem em todos os hospitais, é caro? Caríssimo de ser feito, a gente ainda aprende um pouco sobre isso, embora esteja mais popular, não é que às vezes dê errado, mas é que a gente controla um pedaço dessa história que é essa edição, mas quando volta para o organismo humano...
Aí é a biologia da pessoa que está atuando ali. Então, às vezes, aquilo pode trazer algumas reações que são complexas. Então, você precisa estar em um ambiente muito capacitado para executar uma terapia como essa, porque você tem que dar para o paciente...
todo o amparo pra ele passar por aquele processo. Tem uma coisa que você tá dizendo que eu acho que é importante pra quase tudo que a gente vai falar aqui, que é assim, uma coisa também é você fazer isolado, né? No teste, no laboratório. A outra é aplicar a complexidade dos seres humanos. Sem dúvida. E um monte de fatores diferentes.
Inclusive a equidade que a gente comentou. Sim. Porque se é uma terapia cara e eu preciso de um hospital capacitado, de pessoas capacitadas, de tecnologia para fazer, eu não consigo ter isso em todos os lugares. E isso é de uma desigualdade, de uma iniquidade muito grande. A gente vai falar disso. Então, assim, para encerrar essa história do CAR T-cell, ele é tão revolucionário que eu vou até contar uma história pessoal aqui. A minha mãe foi diagnosticada com mieloma múltiplo.
Em 2007, mioloma múltiplo é um tipo de câncer da medula óssea que produz o sangue.
E isso vai causando algumas alterações, tanto na medula dos ossos, não tem uma cirurgia para fazer, né, porque está espalhado nos ossos todos. E a terapia que a gente tinha quando a minha mãe foi diagnosticada, que foi em 2007, era ainda uma coisa quase que pré-histórica, assim. A gente dava altas doses de corticoide com talidomida, não sei se todo mundo vai se lembrar dessa droga, que, enfim.
eu não lembro não lembra a talidomida no seu na sua nossa conversa muito doido é a talidomida ela no seu desenvolvimento no seu lançamento é a gente ainda não tinha uma indústria é uma de acompanhamento né do desenvolvimento das drogas é de uma maneira bastante próxima como a gente tem que as agências de
regulação né então a talidomida é um desses exemplos em que as drogas foram colocadas no mercado sem o devido cuidado então elas eram indicadas para diversas coisas e gestantes tomaram bastante talidomida e a talidomida é teratogênica que a gente fala que ela causa má formação fetal
Então houve uma geração dos filhos da talidomida, uma coisa dramática, trágica na história da medicina, em que as crianças nasciam sem braço, em perna e tal. Por que foi isso? Eu vou te dizer que eu acho que talvez tenha sido, não sei, década de 60. E por que a gente falou de talidomida mesmo? Porque isso era parte do tratamento que acontecia inicialmente para o mieloma múltiplo lá atrás.
que tinha pouca eficácia, tinha uma expectativa de vida de no máximo 5 anos e tal. São efeitos colaterais que se consegue determinar no começo. 2007, tá? 2007. Corta pra 2026. A gente hoje tem CAR T-cell pra mieloma múltiplo e as pessoas em estágio avançadíssimo de doença, muitas vezes fora de possibilidade terapêutica, estão aparentemente regredindo essa doença a ponto da gente começar a falar em cura.
E eu perdi minha mãe há um ano e meio. Ai, meu Deus. E isso é dessas coisas da tecnologia e da medicina que você fala assim. E eu tenho certeza que muita gente que está ouvindo a gente vai pensar, vai ter essa sensação se fosse um pouquinho mais rápido ou se a gente conseguisse tal coisa. Então, tudo muda muito rápido, muito rápido.
E o que eu estou querendo dizer com isso é que essas mudanças tão rápidas, elas estão chegando cada vez mais à vida da gente de verdade aqui. Então quando ela fala em biologia sintética, fica parecendo que é uma coisa fora do contexto, futurista. Não é futurista, é agora.
E a gente está falando de biologia programável numa terapia dessa. É que o que acontece com toda a evolução da tecnologia é que ela é uma evolução assimétrica. Sim. Já existe, já estão fazendo, mas daí até... Daí é chegar, né? Acesso é um caminho, né? Exatamente. E mesmo depois, o acesso é uma coisa, mas a democratização do acesso é uma outra etapa completamente.
A gente tem hoje pessoas vivendo no século 22, quase pessoas que ainda estão no 19. E a gente falando ainda de ter saneamento básico. É, exato. É um pouco essa característica. Aí tem outra coisa maluca que estão fazendo, que é programar micróbios. Eles usam cepas de E. coli.
para detectar a inflamação intestinal. Mas a E. coli, por exemplo, é uma bactéria que é super companheira nossa. Ela é uma bactéria que vive no nosso intestino já naturalmente. Aliás, não sei se todo mundo se lembra mais ou menos disso, mas a gente tem uma população de micro-organismos no nosso organismo que é maior do que a nossa população de células.
humanas, né, então a gente vive num comensalismo ali, é isso, essa é a nossa interação com o ambiente, né, ela não é só externa, ela é interna também, e esse equilíbrio interno também garante a nossa saúde, a nossa longevidade e tudo mais.
Então, a ideia deles é essa, você pegar alguma coisa que já existe ali dentro, ela já está lá, você não está colocando nada novo. A E. coli já é grande parte ali da nossa população do intestino. E aí você a utiliza como um detector e um dispensador de...
medicação ou de tratamento ao mesmo tempo isso é absolutamente genial se você pensar é incrível tem uma outra coisa que é bem interessante que o pessoal tá tentando pensar é eu vi alguns artigos sobre isso é bom aparentemente a gente não vai conseguir nunca acabar com a população de mosquitos e eles têm a sua função sim ecológica logicamente é então por que não utilizá-los
Para quê? Para entregar proteção, por exemplo, para alguma doença ou alguma coisa. Ao invés de você, ao invés dele carregar micro-organismos de doenças e ele transmitir isso, por que talvez ele não pudesse transmitir coisas positivas? Então veja que a criatividade humana... Nossa, pode ser põe vitamina no mosquito? Sei lá!
Qualquer coisa, né? Então, assim, a criatividade, ela é gigantesca, a capacidade que a gente tem, os filtros que a gente precisa utilizar para transformar isso em realidade, eles também são cada vez mais importantes de serem definidos, então, o que é possível, ele precisa ser tão importante quanto o que é ético, o quanto que é justo e tudo mais, para que isso, de fato, se transforme em alguma coisa que seja positiva, com resultado positivo para a saúde pública. Mas você vê o...
né? O tanto que se abre aí à frente da gente. É, então, eu tenho mais alguns exemplos aqui, né? Eles também, órgãos de laboratório, isso está sendo testado absurdamente, né? Pega as células-tronco e você cria camadas de músculo cardíaco, tecido hepático, organóides, né? Prontos pra transplante. E aí tem um estudo.
ou uma experiência que ainda não está concretizada, mas o plano é construir um coração em duas semanas. Não é tão simples assim. A gente fala, fica parecendo que é só você sentar no laboratório que sai. A gente ainda não consegue, principalmente essas coisas mais complexas, não conseguem ser mimetizadas.
é a ponto de substituir em as tecnologias que a gente tem hoje mas certamente a gente tem gargalos no cuidado humano que são por exemplo o transplante de órgãos você depende de um doador para fazer isso transfusão de sangue você depende de um doador para fazer isso então essas esses gargalos eles são identificados e com a inteligência artificial você consegue cada vez mais encurtar
Caminhos. Você não está, sei lá, transformando alguma coisa completamente nova, mas você encurta caminhos com a capacidade de processar informações. Então, esses gargalos, eles são identificados, melhor identificados.
E aí, essas tecnologias estão sendo empregadas para tentar superar esses gargalos de uma maneira mais coletiva. Essa que é a ideia. Muito interessante. É, muito. Eu acho muito interessante. Se a gente for ter essa conversa aqui... Se a gente for ter essa conversa daqui a 10 anos...
Tá aí, eu estou me convidando pra daqui a 10 anos a gente falar sobre isso de novo. Espero que o programa ainda exista. Eu quero muito olhar pra trás, pra gente falar assim nossa, olha onde a gente está. Porque em 10 anos, essa janela que a gente está trazendo aqui, ela vai ser completamente diferente.
Aí, outras coisas, né, do ser humano brincando de criar vida, estão modificando animais, né? Como você falou do mosquito, estão criando gado sem chifres, porcos resistentes a vírus, né? Aí nesse caso, claro, pra produzir mais alimento. Cabras capazes de produzir proteínas do leite humano, pra dar pra bebês, né? Galinhas que botam ovos que não desencadeiam alergias.
É uma loucura, porque a gente tenta fazer isso enquanto espécie, a gente tenta fazer isso há muito tempo. Desde Mendel, que cruza, que a gente é o pai da genética, que vai cruzando coisas para ter resultados específicos. E as tecnologias foram facilitando e barateando isso.
Já se faz isso com grãos há muito tempo. Então, assim, a gente ainda entende quais são as repercussões disso, né? Porque para isso a gente de fato precisa de mais tempo. Mas eu tenho um filho de dois anos e meio, dois anos e sete meses. Eu fico pensando assim, para ele vai ser natural.
uma uma um leite de ovelha com tal coisa ou uma galinha sei lá que faz qualquer outra coisa que não seja aquilo que a gente aprendeu né e que a gente observou a vida inteira então essa essa capacidade de programar a biologia que é né voltando para o que ela diz ali no livro ela tem uma uma chance uma capacidade de mudar completamente a realidade em que a gente vive
tem medo aí vai eu tenho malvado e isso cachorro que é um leão meu cara é assim tem tem tudo neste nível é desde desde as ameaças é e populacionais até infelizmente porque a tecnologia avança mais na nossa mural bom bom
num ritmo maior do que esse. E mais do que a nossa capacidade de criar leis e regulamentos. Isso. Isso aí é até a tangibilização dessa moral, né? Mas a nossa moral...
É, é, é. O debate mais filosófico, se depender da moral, a gente está perdido. Está, está, está numa situação difícil, porque a gente ainda não superou, por exemplo, a gente vê isso, ideologias de absoluta estupidez, tanto biológicas quanto evolutivas, como a teoria da eugenia, os preconceitos raciais, os preconceitos de gênero, né, que a gente vê acontecendo tanto aí. Então, você imagina essa capacidade, essas ferramentas tão incríveis na mão de gente que não tem.
tem esse escrupulo, né? Exatamente esse é o medo, né? É, esse é sempre o medo. Eu falei do cachorro que vira leão, mas é um pouco, é uma metáfora, né? É, é. Bom, eu acho que o último caso que eu ia contar aqui, desses mais práticos, né?
do Instituto Babraham, que conseguiu reverter o envelhecimento de células da pele em 30 anos. Isso é muito louco também. Essa é uma outra área, que é a área do envelhecimento em si, porque lembra que eu comentei como é que as proteínas são feitas? Quando a gente envelhece, a gente envelhece como um todo. A nossa capacidade de executar essas funções...
ela também vai sofrendo aos poucos com a exposição ao ambiente, né? E aí, desde a energia solar até a alimentação e poluição e outras coisas, nós vamos sendo atacados desde que a gente nasce, tá certo? Então, essa nossa briga, ela também é com o ambiente que nos cerca, em vários níveis.
E aí quando a gente vai envelhecendo, a gente vai aos poucos perdendo essa capacidade de renovação dessas proteínas, porque não é que você não produz uma proteína e ela vai com você até o fim da sua vida. Ela tem um tempo de vida, ela é degradada, ela é substituída, essa é a nossa máquina de todos os dias.
E quando a gente vai envelhecendo, a gente vai tendo mais dificuldade de fazer isso nessa velocidade necessária. Então esse é um campo, que é o campo do envelhecimento, que é um dos grandes focos do uso da tecnologia hoje. Porque não é só o envelhecimento com as...
questões, sei lá, de fácil identificação, como envelhecimento de pele ou coisas desse... A gente está falando de maior chance de determinadas doenças, de envelhecimento do nosso sistema imunológico e com isso a gente ficar mais vulnerável a um monte de coisa. Então, tem um campo gigante pra isso, mas está muito longe ainda por favor de ser uma realidade. Falo isso por quê? Porque tem gente, eu brinco que eu chamo de esgotossfera, tá?
Que é esse pessoal que só produz coisa esquisita. Tem um campo dessas pessoas que já vendem, isso já tem tempo, né? Célula-tronco para rugas ou célula-tronco para o envelhecimento. E não existe nada ainda, absolutamente nada, que a gente possa empregar nesse sentido. Seja estético, seja funcional, ainda não tem.
inclusive esse estudo é de 2022 de lá pra cá não se avançou tanto. É, porque é muito complexo né? E veja, aí tem um caso que eu acho que é bem interessante da gente contar, que o líder dessa pesquisa, chama Wolf Rake, ele hoje trabalha pro Jeff Bezos
né ele deixou o brabo rancel babra que é o instituto que onde ele fez essa pesquisa e agora ele tá no autos leves cambridge instituto aí chama eu recalerte é um laboratório de longevidade fundado pelo jeff bezos com bilhões de dólares né então ele trabalha uma empresa privada de longevidade aí a gente entra numa nova etapa dessa conversa que assim será biologia prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio prédio pr
Quem que vai fazer isso? São as grandes... As Big Tech. E aí quando a gente fala de Big Tech, acho que tem uma coisa interessante de abordar. A Deep Mind, em 2024, o Demis Hassabis, que é o cofundador e ele é o CEO ainda do Google Deep Mind, o Google comprou a Deep Mind anos atrás.
E o John Jumper, que é o diretor de pesquisa, eles ganharam o Nobel de Química em 2024, porque eles desenvolveram o Alpha Fold, né? Que agora já tá no Alpha Fold 3. Então a gente volta pra aquela historinha que eu tava contando, de como é que o DNA vira RNA, que vira proteína. Por muito tempo a gente soube, sabia desse processo, mas qual é a forma que aquela proteína vai ter quando ela sai desse processo, quando ela nasce?
Isso sempre foi muito difícil de ser determinado, porque depende das forças químicas de interação entre aqueles átomos que estão ali e tal. Então aquilo tem que ser feito de uma maneira muito fiel à sua receita para que aquela forma aconteça. Mas a gente nunca conseguiu prever essa forma e entender, por exemplo, se uma mudança na receita, qual seria a mudança na forma?
equivalente na proteína então se eu mudar uma palavra na receita o que que vai mudar naquela proteína essa é a grande pergunta é porque isso gera doenças no ser humano lá na frente né e o que o pessoal do de mãe fez foi isso eles criaram uma forma de primeiro entender como é que isso acontecia e agora de prever como é que isso acontece
e é daí que veio Nobel ninguém nunca tinha me explicado tão tão simples legal então assim é isso então se agora eu consigo ler uma receita e prever o resultado daquilo é imagina o tanto de campo que não abre para essas edições ali dentro dessa dessa ideia o meu medo todo você tocou nisso
Isso é muito caro, isso é muito sofisticado e governos de uma forma geral tem tido outras prioridades, e é natural, outras prioridades sociais, econômicas, enfim, qualquer coisa, mas tem valorizado pouco esta frente de conhecimento. Então isso está majoritariamente restrito ao poder privado das grandes corporações.
E tem uma coisa, é uma loucura, porque o Google, inclusive, ele disponibilizou resultados, né? Diz aqui que 3 milhões de pesquisadores em 190 países tiveram acesso. Os dados estão abertos, né? Então, os poderes públicos poderiam incentivar pesquisas e...
Aí a gente fala já de modos de parceria com as coisas também, né? De compartilhamento de risco, isso é uma outra longa história. Mas o que é importante aqui é, tudo bem, as pessoas tiveram acesso a isso, ok. Mas tiveram acesso a tudo, é a minha primeira pergunta, né? Até quando esse acesso... Quem é que vai determinar isso? Não tem ninguém tão bonzinho. Como é que isso vai ser produtizado em algum momento? Porque certamente existe uma... Não tem ninguém tão bonzinho.
Então, você falando de produto, entra numa coisa que você já falou aqui, né? Que a inteligência artificial, ela está acelerando exponencialmente os processos de tentativa e erro, né? Isso. E agora a gente está assistindo uma corrida armamentista das grandes farmacêuticas do mundo para produzir fábricas de ar, né?
Porque, na verdade, aquele laboratório que o cientista testa as coisas ali está entrando em completo desuso. Porque hoje você coloca as IAs para fazer esse processo de tentativa, erro, volta, testa de novo.
Algumas dessas etapas estão sendo substituídas. A gente ainda não tem como dizer que isso está em desuso, mas algumas dessas etapas... Vai cair em provavelmente. É muito possível, é muito possível. Algumas dessas etapas já são eficientemente substituídas ou então exponencialmente potencializadas. Então, por exemplo, descoberta de novas moléculas, novos medicamentos. Para a gente criar hoje... Bom, os antibióticos têm cerca de 100 anos.
É nada. Na história, é ontem. Até 100 anos atrás, 110 anos atrás, se as pessoas dessem uma topada na rua e aquilo infeccionasse, ela podia morrer daquilo. E era isso, a nossa expectativa de vida era muito menor, enfim. Hoje, 110 anos depois, a gente está num outro momento, que é a resistência antimicrobiana, quer dizer, os antibióticos que a gente tem funcionam cada vez menos.
é possível que daqui se a gente não conseguir uma solução daqui a 10 anos você volte a dar uma topada e possa morrer disso é a gente tá resistência antimicrobiana é um dos uma das grandes ameaças da saúde global há muito tempo e por que eu tô citando isso porque para desenvolver
O antibiótico hoje não sai por menos de um bilhão de dólares em pesquisa. E ainda assim a gente não consegue criar novas classes de antibiótico, a gente consegue criar uma variaçãozinha daqui ou dali que pode beneficiar mais um paciente X ou Y, mas a gente não tem novas coisas. Então a gente hoje vê infecções que eram facilmente tratáveis serem cada vez menos tratáveis. Infecções sexualmente transmissíveis, por exemplo.
que aí você traz outras camadas, mas enfim, por que eu estou falando isso? Porque uma das grandes dificuldades é você testar novas moléculas, então assim, antigamente você tinha que ter lá o coitado do químico e a sua equipe enorme, fazendo mil experimentos para trocar um radical daquela molécula, um negócio, hoje não, hoje você pega a inteligência artificial e ela ajuda muito nesse processo, quer dizer...
Se eu mudar este carbono e botar uma outra coisa, o que vai virar essa molécula? Qual é a forma que ela vai ter? Qual é o possível resultado que a gente espera que ela tenha? Então fazer isso, veja, com milhares de moléculas para tentar achar uma específica para tal doença ou para tal tratamento, é hoje uma coisa muito mais fácil de acontecer.
Então, e é justamente esse é o... As grandes farmacêuticas, elas estão... Quem que dá poder computacional? As Big Tech. Então, a gente vê a Rocha e a Lili em parceria com a NVIDIA. A Sunoff está com o Google e também com a AWS. A GSK está com o Imperial College de London.
muito investimento de venture capital, então a gente vê essa corrida justamente para ter poder computacional, para ter tecnologia, para acelerar esses testes. É, porque elas construírem isso por elas é meio que reinventar a roda, e é um custo gigantesco. Então, para chegar até a gente, olha o nível de mudanças em todas as esferas que são necessárias acontecerem. Mas, de novo, é...
A gente precisa, enquanto cidadão, você não vai saber nunca de tudo que está acontecendo, tá bem? Mas a gente precisa ter uma noção que é a da regulação. Quem está olhando para isso? Como está olhando para isso? Se todo mundo vai ter acesso a isso? Porque no final das contas, os avanços vão acontecer cada vez mais rápido, mas eles vão chegar cada vez a menos pessoas.
E a sensação que eu tenho é que cada vez a regulação está mais atrasada, até porque é muito difícil, as coisas andam muito rápido. Mas é que a IA, de repente, tem que chegar na regulação também. Não é? Nossa, boa. E aí, facilitar a vida dos analistas, das agências, dos reguladores. Mas precisa ter investimento. Um, precisa ter investimento e dois, precisa ter independência.
A gente não falou nada disso, né? Isso é muito sensível. E a, não é uma... A gente fala inteligência artificial, fica parecendo que é uma coisa autônoma. E eu não sei se todo mundo tem essa noção. E a, não é uma coisa autônoma, né? E a, é um modelo que prevê qual vai ser o próximo passo a partir daquilo que você ensinou pra ela. Então, se eu ensinei lixo...
Ela vai raciocinar... Gabadinho, gabadial. Exatamente. Ela vai produzir a partir daquilo, não vai sair uma flor. Se eu ensino a esse modelo a reproduzir a sociedade que a gente tem hoje, que é o que acontece, o que ela vai produzir é reproduzindo aquilo que ela aprendeu. Então ela vai reforçar estereótipos, ela vai reforçar coisas negativas.
Imagina você ter um processo regulatório que depende de uma coisa que exponencia os seus defeitos também. Então, é preciso que a gente pense na IA, também no seu desenvolvimento, como uma coisa mais que demanda da nossa atenção. Sim.
quando a gente fala dos... Ah, tem só mais um caso fofo aqui. Que é um australiano chamado Paul Cunningham, de Sydney. Ele sequenciou o DNA da cachorra dela que tinha o tumor do tamanho de uma bola de tênis.
E ele usou o chat GPT, o AlphaFold, para criar uma vacina personalizada de mRNA para a Rose, chama a cachorra dele. Aí a Universidade de Nova Gales, lá na Austrália, fez o sequenciamento e produziu a vacina. E aí diz que ela tomou a primeira vacina em dezembro de 2025.
E em março o tumor tinha diminuído 75%. Vira essa coisa que eu aqui, né? Se eu tiver um pouquinho de dinheiro, um pouquinho de capacidade, eu já consigo. Isso é tão doido, porque primeiro, obviamente que isso não está disponível, isso não é assim. O fato dele ter conseguido isso não se reverte numa ferramenta disponível.
É sempre importante lembrar essas coisas. Foi só pra cachorra dele. Foi pra cachorra dele. Foi pra uma cachorra, pra cachorra dele. E eu não sei se essa história me comove mais pelo amor incondicional pelo bicho, porque eu também sou essa pessoa. Eu acho que se eu tivesse no lugar dele, eu também teria feito a mesma coisa. Ou se pelo início dessa democratização de ferramentas que são tão sofisticadas. Então você imagina, eu falei, o sequenciamento hoje, total, ele custa, genético, ele custa 100 dólares.
então assim é a 100 dólares é um custo alto não é nada perto do que já foi e aí você com o seu computador você sobe esses dados para o chat EPT ou para o prof a fold você obtém a receita para para aquela medicação no caso para essa para essa vacina terapêutica né que era o caso é acho um parceiro que vai executar isso e foi
a gente assim é de novo a gente tá falando isso agora 2026 2036 quando a gente se olhar de novo e fala assim você lembra daquele caso talvez você esteja fazendo alguma coisa parecida com isso no quintal da sua casa e isso é é uma que aí entra uma coisa que a em web aborda acho que nesse relatório que é
Como que os sistemas públicos de saúde lidam com essa medicina cada vez mais individualizada, cada vez mais com cidadãos autônomos e assimetria? Porque tem pessoas que estão lá curando câncer sozinhas, talvez, daqui a um tempo, né? E o sistema público como fica?
Há uma dissociação de longo prazo entre medicina e saúde pública. A medicina foi sendo alvo da tecnologia ao longo do tempo, mas isso não foi se traduzindo em saúde pública de uma maneira direta e proporcional.
e a gente precisa achar essa ponte. A medicina vai ficando cada vez mais cara, cada vez mais sofisticada, cada vez mais precisa, mais individualizada. Só que como é que você coletiviza isso? Como é que você dá a todos a chance de ter acesso a isso? É isso que você tenta fazer todo dia de uma certa forma. Exatamente. Então, assim, é muito difícil, porque economicamente isso é praticamente impossível.
no desenvolvimento que a gente tem hoje seguindo o modelo que a gente tem hoje então a ideia você tá tentar desenvolver ferramentas que desde o seu início tragam este conceito de equidade entende é possível ou vai ter sempre vai ter senão eu vou sair daqui vou pedir demissão mas a tendência que o gap aumente ou não acredita eu acho que esse gap pode reduzir mas isso é intencional
A gente precisa agir intencionalmente. Se tiver disponível para todo mundo, ninguém vai ganhar dinheiro para caramba. E se você deixar a coisa acontecer, esse gap vai aumentar cada vez mais, não tem dúvida. Mas intencionalmente é preciso que a gente redirecione este desenvolvimento. Não significa abandonar a medicina de precisão, não é isso. Mas é fazer uma coisa que eu gosto de pensar que eu faço, que se chama saúde pública de precisão.
Oferecer às pessoas coletivamente aquilo que elas precisam, quando elas precisam, toda vez que elas precisam, de uma maneira que seja custo-efetiva, que seja possível de ser mantida pelo sistema de saúde e que traga o maior benefício possível para todo mundo. Isso é claro, prepara as pessoas para receber essas intervenções mais personalizadas, porque não adianta eu ter um CAR T-CELL.
se a pessoa não come não adianta eu ter edição CRISPR se a pessoa vive numa área altamente poluída sem um saneamento básico entende então assim essas coisas não são aplicáveis daí você pensa na elitização deste processo e no fato de que essa se a gente deixar isso correr dessa maneira é o nosso futuro ele tende a ser bastante difícil para todo mundo
pra todo mundo. Exato. Inclusive a Amy Webb, no livro, coloca vários desses what ifs, como vai ser. Por exemplo, impacto no ecossistema do homem criando, porque pode ter efeitos não planejados, pode ter... A gente já falou aqui de terror biológico, quem tem dinheiro, quem não tem.
E se a população mundial começa a viver muito mais, imagina como a gente faz com os sistemas de previdência, porque eles estão baseados na ideia de que as pessoas morrem e saem da folha de pagamento. E a gente tem cada vez uma taxa de natalidade menor. Exato. E os empregos, como que ficam? Imaginou você ter o CEO lá com 95 anos e não quer sair do caralho?
Isso vai forçar, eu acho, a gente a de fato rever o que significa longevidade. Não, a gente vai chegar lá. Eu só queria mais uma coisa sobre pensar esse caminho, agora um livro mais filosófico. É o Homo Deus, do Yuval Noah Harari, ele escreveu Sapiens e tal. E depois ele escreveu esse livro, eu achei muito interessante, porque...
Então basicamente o que ele coloca é que a gente está talvez entrando numa nova era da humanidade, um novo humanismo, né? Por quê? O corpo humano ele ficou hackeável. Cada vez a gente pode fazer upgrades no corpo humano e é uma coisa que está no relatório da Amy, que a gente não vai abordar muito aqui, mas cada vez o corpo humano também vai ser um pouco ciborgue, porque ele é...
em Hans e de qualquer melhor tradução é fugiu agora é não é aumentado é aumentado né amplificado talvez por devices e por coisas então tem uma pena meio mecânica que você coloca os meios é uma
tipo uma calça, né? Que você consegue com ela andar muito mais rápido, sem impacto, né? Tem N coisas sendo desenvolvidas que estão tanto dentro quanto fora o corpo humano tá se modificando. E ele coloca uma coisa que eu acho interessante que é que a morte virou um problema técnico.
Não é um destino inevitável, né? A gente, a longevidade, virou uma ambição política, científica e econômica, né? Mas eu acho que essa é uma preocupação que todo mundo tem que ter. Eu só quero pontuar uma coisa para não deixar passar. Quando você fala que o nosso organismo é hackeável, eu entendo e tenho certeza que todo mundo vai entender.
Mas eu só vou dizer que isso ainda não acontece. Você não pode ir no consultório da esquina achar e cair na lábia de um picareta que vai te dizer que vai hackear o seu organismo. Por favor, porque isso já tem, tá? Aqui a gente tá pensando um pouco no futuro. E esse livro é de 2015, né? Tem gente que fala de hackear, enfim, é picaretagem. Eu só queria deixar claro. Essa conversa é muito louca, né? É muito louca.
Tem coisas que não existem, tem coisas que existem só no universo muito restrito, tem coisas... É, que ainda são muito do universo da pesquisa, ainda, né, de uma coisa sendo estabelecida. Mas tem uma coisa que é fundamental no que você falou, que é o seguinte, que todo mundo tem que ter de novo essa preocupação. Eu não sei se todo mundo sabe, mas a cada pergunta que você faz pra IAR, se você dá bom dia e ela responde...
A capacidade computacional que ela precisa para fazer aquilo exige, porque esses computadores, esses supercomputadores, esses data centers, eles precisam de resfriamento. Então, a conta meio de padaria é, a cada pergunta que você faz, a gente gasta cerca de uma garrafinha de água para resfriar esse computador, esse sistema. Então, quanto mais a gente usa e há, mais a gente usa os nossos recursos naturais.
Por que eu estou falando isso? Porque a gente tende a explorar cada vez mais os recursos desse planeta e ele não é uma estrutura irresponsiva.
Então como infectologista, o que eu te digo é o seguinte, trabalho com saúde única, que é o conceito que usa, que entende saúde animal, saúde do planeta, saúde ambiental e saúde humana como absolutamente conectados. Então quanto mais a gente explora esse planeta sem o devido respeito ao seu equilíbrio, mais a gente se expõe a coisas que a gente ainda não conhece. Pois é.
Então, ah, estou super tecnológico, mas apareceu um bicho qualquer, como apareceu recentemente, por isso que eu falei lá no começo, uma nova pandemia não é sobre si, mas sobre quando, é porque a gente continua explorando sem lucidez os recursos desse planeta.
Então tem exploração de recursos, tem criando coisas que a gente não sabe onde vão parar. Exato, tem a elitização ao acesso a essas tecnologias, então a gente vai deixando pessoas cada vez mais vulneráveis a esses efeitos do que a gente faz. Aí você fala assim, mas o que a gente vai fazer da vida, né? Como é que a gente sai dessa história? Há uma exploração lunar não é à toa, já tem gente falando sobre data center na lua. Não, é o Musk.
A questão da resfriamento, do resfriamento, é muito mais fácil, você consegue... Então assim,
É muito doido. A gente está falando... Eu acho que... Mas está de fato tudo conectado. E a gente vai assistir isso ao longo desta vida. E isso se modificar e chegar e se devolver para a gente. Então... Mas a gente está muito nessa doidice. Eu acho que é bom. Agora vamos entrar em uma nova fase do episódio. Que a gente vai pôr o nosso pezinho no chão.
Enquanto esse futuro vai chegando e a gente vai vendo toda essa maluquice, o que a gente pode fazer hoje para melhorar a nossa qualidade de vida, né? A gente está falando aqui de viver mais, etc. E aí eu vou entrar em alguns livros. O primeiro se chama A Revolução dos Músculos, da Gabrielle Lyon, de 2023.
É um livro que eu li já faz alguns anos, eu fui retomar agora, que eu gostei, porque eu acho que ele traz algumas coisas que são importantes, mas esse livro, ele é muito vendedor, ele é Seus Problemas Acabaram, Compre Meu Protocolo, e aí eu fui pesquisar.
Esse livro se chama Forever Strong. Veja a promessa, né? Forte para sempre. É assim que chama. E aí ela tem uma linha, um ecossistema Forever Strong. Ela tem o Strong Medical, que ela atende a um consultório particular.
Para ricos e famosos, atletas de elite, etc. Ela tem uma comunidade particular paga chamada Forever Strong. Você paga uma assinatura para ter acesso aos recursos e orientações à distância, etc. E aí, claro, ela tem podcast, ela faz palestras corporativas, que notes pagos, né? É um pouco a maneira... A fórmula, ela é muito parecida sempre. E a gente tem que conseguir... Isso, acho que é uma das...
uma das ferramentas que a gente precisa ajudar as pessoas todas a desenvolverem todas que é o senso crítico com relação às informações EA dissociar isso dos Brandings exato das marcas então é o conceito de que você precisa de seus músculos para ter qualidade de vida no momento e qualidade de vida enquanto quando você envelhecer isso é muito bem conhecido estabelecido pela nossa vida há bastante tempo
Então, o músculo te dá estabilidade, evita queda no futuro, ele te dá autonomia e isso melhora tanto a sua saúde mental quanto a sua capacidade funcional na velhice. Então, isso de fato ajuda a pensar em prolongar a longevidade, porque evita problemas que podem interromper sua vida mais cedo e também te dá qualidade de vida lá na frente.
daí é isso a virar uma solução mágica e universal para todo mundo monetizado em vários né vários setores isso é uma outra história mas aí a mensagem de que ter uma boa capacidade muscular fazer aí a gente volta para o basics básico do universo que ninguém gosta de ouvir
Precisa fazer exercício físico, precisa comer bem, se alimentar, né? Precisa dormir. É isso. Mas como essa verdade é um pouco difícil de engolir, as pessoas vão dourando essa pílula até chegar numa coisa que é super vendável, que é a solução mágica das coisas, né? E que, enfim, nunca funciona dessa maneira. Então, ela fala algumas coisas aqui que eu queria que você comentasse. A primeira coisa que ela diz é que ela vê um erro.
É um erro... Hoje tem muito, muito, muita dica de saúde e soluções mágicas. Na sua rede social o tempo inteiro aparece alguém falando isso, falando aquilo. E ela diz que há um foco na perda de gordura, mas não há um foco no ganho de músculo.
E que muitas vezes ela vê dietas de restrição calórica, né? Longas sessões de cardio e tal. Ela fala um negócio aqui. Se você fizer apenas aulas de zumbi e pular a musculação, os quilos que você perder sempre incluirão gordura e músculos. É.
Então, ela enfatiza a necessidade de treino de força. Sim. E isso, de novo, é bem estabelecido cientificamente. Que é preciso que você... A gente tem uma pressão estética muito grande, né? Do corpo magro. Mas o corpo magro não é necessariamente o corpo forte. E aí eu acho que é essa a reorientação, né? Em termos de saúde. É preciso um corpo forte, não necessariamente um corpo magro ou hipermagro, como a gente tem esteticamente como valor.
E ela diz que o treino de força, ele traz aumento da sensibilidade à insulina, redução da inflamação crônica, melhora do perfil lipídico, fortalecimento ósseo, prevenção da osteoporose, claro, básico, né? Melhora da cognição.
Proteção contra Alzheimer, redução de ansiedade e depressão, aumento da densidade mitocondrial. É tudo cientificamente estabelecido ou tem coisas que a gente está extrapolando? Bom, eu não sou da nutrição também, nem da educação física, eu vou te falar da minha linha de conhecimento. Eu acho que todas essas coisas são estabelecidas, umas com um pouco mais de evidência, outras com um pouco menos. Mas é muito claro, por exemplo, que principalmente se você pensar naquilo que mais mata...
O que mais mata hoje? Doenças oncológicas, doenças cardiovasculares, doenças metabólicas, tipo diabetes, e suas complicações e interseções. A obesidade é um fator que permeia muitas dessas circunstâncias, então se você melhora a sua capacidade muscular...
De fato, você melhora a sua resistência à insulina, a sua sensibilidade a essa substância. Você consome mais glicose por esses músculos. Então, você, de fato, se protege mais dessas doenças metabólicas, o que vai se refletir em várias outras coisas. É quase que um efeito dominó.
Tem a questão da osteoporose, tem a questão, existem estudos sim falando sobre aumento de massa muscular e melhora de cognição, mas de novo, isso também tem um limite, isso é bastante questionável em vários níveis, não é que você vai fazer musculação que você vai sair por aí um gênio. Essa tradução é muito importante de ser feita.
O fato é que há uma proteção global da saúde da pessoa. Então, se há essa proteção global, toda ela vai funcionar melhor a partir da melhora desse funcionamento orgânico. Tem outra coisa que ela traz, e o próximo livro traz também, que é, ela acha que, em geral, talvez as pessoas comam menos proteína do que elas deveriam. Isso é um problema. Isso é um problema. Você concorda? Não. Não? Não.
Isso virou um mercado, né? Isso virou... Não é nem a venda da proteína, mas antes disso, a produtização da falta da proteína.
Então todo mundo hoje acha que come menos proteína do que deveria. Então há uma barrinha aqui, um suplemento ali, um negócio ali. Isso não é para todo mundo, não é necessário para todo mundo. Isso precisa ser individualizado. Então quando ela fala assim, hoje consumimos menos, isso é complexo de ser dito. Porque fica parecendo que é uma questão comportamental ou de acesso ao nutriente.
se refere, e o outro livro também, eu acho que a recomendação básica que é 0,8 gramas por quilo do paciente, né? Que ela disse que deveria ser o dobro, que esse é um nível pra você... Como que é? Não é... É pra não ter problema, não é pra você ganhar músculo.
Então, isso também é extremamente discutível e isso é individualizado, isso é muito importante. Idosos, por exemplo, tendem a ter uma perda muscular maior e eventualmente uma ingestão menor de todos os nutrientes, de uma forma geral. Perde fome, perde sede, enfim, esses reflexos todos.
essas pessoas podem e merecem ter uma abordagem diferenciada se você é um atleta de elite e tem um consumo enorme Claro que você vai precisar disso é mas eu que faço o meu exercício de segunda a sexta e sou mãe e tenho filho tá eu preciso disso
Então deixa eu te perguntar. A minha alimentação é suficiente para... Veja só, é que é o seguinte, quando a gente pensa que a solução para uma eventual falta de proteína é você suplementar proteína e não você pensar que as pessoas precisam ter globalmente uma alimentação melhor...
Você está criando e alimentando o mercado, não as pessoas. Eu entendo. Entende? Entendo muito. E quando a gente individualiza, eu vou aqui egoístamente pensar em mim. Eu gosto de comer proteína, né? Tem várias fontes diferentes que eu não preciso de suplemento porque eu como muito.
Quando eu sei se eu estou comendo muita proteína ou não, existe isso? Ah, tá, over proteico? Existe. Qual que é o sinal? Existe. O consumo... Eu estou preguiça de ir no nutricionista. Precisa? Não precisa, né? Então a gente vai começar por aí, né? Você me ajuda. Precisa aí. Não, o que eu quero dizer é o seguinte. Tudo que é em excesso ou em falta para a gente, habitualmente, é problemático.
Tá bom? Partindo desse princípio básico. O excesso de proteínas pode levar a diversos problemas, inclusive a insuficiência renal. Porque a gente tem tanta proteína que o rim não consegue mais filtrar aquilo de maneira adequada, obviamente de forma crônica, ele não vai conseguindo mais fazer isso, e você pode perder função por uma coisa que você provocou em você.
Da mesma forma como hoje se vende vitamina D como se fosse a cura para todos os males, vitamina D também pode levar a problemas renais importantes, problemas hepáticos, então se você quer fazer alguma coisa diferente daquilo habitual.
Procure um profissional para te acompanhar. Para de ser preguiçoso. É mais ou menos isso. Aí eu quero deixar de ser preguiçoso, né? Se você está sentindo alguma coisa, se você tem algum sintoma que te incomoda, procura alguém. Mas se você está bem em equilíbrio ali e você quer fazer alguma coisa, procura alguém competente. Que esse é o grande problema. As pessoas hoje, o mercado cria necessidades que você não tem.
E a resposta para essas necessidades falsas são terapias, protocolos próprios, coisas que simplesmente não tem nenhum embasamento. E o único benefício daquilo é para o bolso de quem lhe vende. Então isso é muito sério.
Eu acho muito, você vai não gostar do próximo e vai gostar do outro. Vamos lá. Eu vou falar de um livro que eu acho que virou muita gente que se interessa por isso, deve ter ouvido falar, ele se chama Outlive. O autor dele se chama Peter Atia. Ele é outro desses caras, médico, influenciador e tal.
Eu acho que esse livro é menos vendedor que o outro. Ele não tem uma solução mágica. Mas foi um best-seller, né? Foi um best-seller. E eu acho que ele foi um best-seller porque ele surfou esse zeitgeist, né? Da humanidade que não quer envelhecer. Zilhões de conteúdos de saúde. E ele tem, pro leigo, ele parece alguém que estudou pra caramba. Ele tem uma densidade, ele explica bem. E ele não tá tentando vender nada. Claro que depois ele surfa de outras maneiras.
Mas ele não está ali, ele não tem um protocolo dele, ele não tem uma...
E aí eu achava, nossa, quanta coisa legal. E ele pega todas essas partes. Ele não pega uma coisa que o nosso próximo pega e você vai gostar, que são as relações sociais, são outros aspectos. Mas sono, alimentação, dieta, ele pega, ele fala bem. Só que aconteceu uma coisa com esse amigo nosso. Ele estava fazendo tanto sucesso.
que em janeiro deste ano, a CBS News anunciou a contratação dele. Ele ia estar numa TV enorme americana, só que o nome dele apareceu... Um pequeno detalhe, né? Um pequeno detalhe, apareceu no Epstein Files mais de 1.200 vezes. Ele era amigo do Epstein.
E tinha uns e-mails, né, que eu não vou repetir aqui, mas tinha palavras chulas, ele se referindo... Eu não vou repetir, eu estou coçando, mas eu não vou repetir.
é dele pediu desculpas disse que ele desculpava não tinha nada dele na criança tal pedofilia não tinha não apareceu não tava envolvido mas mesmo assim foi suficiente para ele ser cancelado ele nunca chegou a ir ao ar na CBS como como membro da equipe né mas eu acho que o
que o livro tem coisas interessantes, eu não sei, aliás, você acha que dá pra separar o autor da obra? Como que você enxerga isso? Ou não? Cancela ele, vamos pular. Bom, primeiro que... Não devia nem estar aqui no podcast. Nossa, não é que eu tô indo embora? Não, eu acho que a gente...
Enfim, precisa lidar com as informações que existem, é o que você falou, o cara foi citado lá milhares de vezes e tem um comportamento no mínimo questionável, não está teoricamente associado ao crime propriamente dito, a gente não sabe, mas enfim, o que aconteceu foi suficiente. É difícil você separar a mensagem do mensageiro, né?
Mas se a gente tentar fazer isso, não com o que ele disse, mas vamos tentar entender se existe embasamento técnico, científico, para chegar à conclusão que ele chega ali e coloca ali, vamos fazer um outro caminho para chegar nas mesmas informações, elas existem. Então, você pensar em melhorar o seu sono, alimentar o seu cérebro de coisas importantes, cuidar dos seus músculos, enfim, todos esses pilares, eles têm lógica.
Qual é o meu problema com isso aqui? É que ele sai dessa informação básica e você torna este acesso quase a essas informações específicas como necessidade para a saúde. Então você tem que controlar o seu sono através do seu relógio ou do seu anel. Você está antecipando o próximo livro. Você parece que você escreveu ele. Você vai adorar o caso.
Eu só queria trazer duas coisas que ele falou que eu acho que são bacanas e que sintetizam um pouco. Que eles adoram cunhar termos. Medicina 2.0, 3.0. Mas é a medicina de atuar na prevenção e não na doença. E ele cunhou uma coisa que eu acho que é interessante também. Ele chama de os quatro cavaleiros do apocalipse. Você citou aqui os quatro cavaleiros do apocalipse. Que é a doença cardiovascular. Ocológica.
é câncer, Alzheimer, disfunção metabólica, e que quase todas têm a mesma receita para você evitar, né? Que é tudo isso. Pelo menos em grande parte, né? Em grande parte, claro. Em grande parte, bom, aí tem uma coisa que eu vou falar muito rapidamente. Existe uma suscetibilidade genética.
que tá lá né no nosso DNA mas a transformação dessa suscetibilidade numa realidade depende de muitas outras coisas então o nosso DNA ele não é determinístico muito pelo contrário é o que a gente chama de epigenética quer dizer
Como é que a gente... Inclusive o ambiente muda, Daniela. Muda tudo, né? Isso é modulável e a gente aprende todos os dias como é que isso é. Por exemplo, hoje a gente sabe muito mais sobre poluição, a gente está aprendendo mais sobre microplástico, como é que faz e interfere isso tudo. Então, enfim, isso é sempre uma evolução. Por que eu estou dizendo isso? Porque, de fato, se a gente atuar naquilo que a gente consegue, que hoje a gente não consegue fazer isso...
populacionalmente em termos genéticos e talvez até tivesse pouco impacto mas a gente consegue falar para as pessoas faça um exercício físico melhora sua alimentação né qualifique tal coisa tente dormir diminua o estresse sim essas coisas sim elas têm um imenso impacto em diversas condições sim
Inclusive nessas quatro que foram mencionadas aí. Não há garantia cada organismo individual. Mas há uma resposta clara de redução de risco. Não significa que você não possa desenvolver um Alzheimer aos seus 90 anos de idade. Mas talvez você diminua a chance disso acontecer ou postergue que isso aconteça lá na frente.
Até porque essas coisas não são isoladas. Doença cardiovascular, placas dentro das artérias, elas contribuem para a redução de fluxo no cérebro, por exemplo. E isso vai ter um impacto específico nesse metabolismo, sabe? E aí você junta com a diabetes, que também intoxica as células por excesso de glicose circulante ali naquele sangue.
Se você conseguir, é dominó. Você segura, você dá um peteleco nessas peças daqui e você tem um resultado lá na frente. Sim. E aí a gente vai entrar num livro que eu tô lendo ainda. E eu tô lendo não é só porque eu deveria ter acabado antes do episódio, mas eu não consegui.
Mas ele é sensacional. Tô gostando tanto que eu tô grifando e tal. Eu vou trazer algumas coisas dele. Ele chama Eat Your Ice Cream. Ou seja, coma seu sorvete. Ele é do Ezequiel Emanuel. Ele foi publicado, começou a vender na loja em janeiro desse ano, lá nos Estados Unidos. Então ainda tá longe de ter uma edição em português. Esse Ezequiel Emanuel, ele é um oncologista e bioeticista. Ele ajudou a escrever e aprovar o Affordable.
Care Act, né? Que expandiu o acesso à saúde pública para milhões de americanos. E ele, logo no começo, ele já vai na veia contra o Peter Atchia e o Outlive. Ele coloca aqui, como diz um autor popular, nosso único objetivo é viver mais e viver melhor. Sobreviver por mais tempo que os outros. Aí ele fala, nosso único objetivo? A vida não é uma competição em que a medalha de ouro vai para o mais velho.
Nosso objetivo não deveria ser sobreviver ao maior número possível de pessoas. Em vez disso, o objetivo deveria ser viver uma vida saudável e plena. Bem-estar é apenas um meio para chegar a esse fim, não um fim em si mesmo. E ele critica, arrebenta o que ele chama de indústria do bem-estar. Essa noção que você precisa de 100 pílulas por dia, testes de sangues mensais, coaching de bem-estar. Não precisa.
E é muito doido, porque isso vai contra todo o nosso entendimento até, né, que a gente tem hoje. Essa visão mecanicista pura do organismo como uma máquina que você precisa entender as suas engrenagens e fazer essas engrenagens funcionarem melhor.
não é uma coisa nova obviamente a aliás no início da medicina a visão era mecanicista né como é que isso funciona hoje a gente entende que isso não funciona assim não é dessa maneira essas essas relações são muito mais sofisticadas do que essa simplificação besta da indústria dessa indústria que é colocada mas tem uma uma uma questão que eu acho que é
crucial nessa história é que fica difícil para as pessoas entenderem a sofisticação que a medicina vai chegando e a traduzir isso por tantos filtros que não seja um filtro tão simples como esse. Se eu tomar as pílulas vai dar certo, ou se eu fizer, é difícil. E as pessoas cada vez vivendo mais, a gente já está vivendo muito mais do que no século passado, por várias intervenções diferentes.
Mas eu concordo, você falou que vai concordar, eu concordo mesmo. Não adianta você viver mais desse jeito numa cultura estrita de performance. Então, mas eu vou fazer um contraponto, porque eu concordo inteiramente com tudo isso e eu simpatizo muito mais com ele do que com o Peter.
Ainda mais depois de saber de tudo isso. Não, não, mas assim, porque eu sou um pouco esse cara que quer melhorar, e esses livros, eu não sabia que musculação era importante. Eu, apesar de que era tão importante, e mesmo dieta, tem algumas coisas ali, do que comer, do que não comer, etc. Eu acho que acaba sendo, você tem acesso e você tem um pouco de espírito crítico.
acho que eu tenho ele acabou me ajudando um pouco sem dúvida mas esse Eat Your Ice Cream quando sair vai ser muito melhor guardem-se você tem toda razão e a gente falou isso no começo da nossa conversa sobre o acesso à informação de qualidade porque não é só você ter acesso à informação mas é de como que ela é traduzida pra você
Então se você apertar o livro da Revolução dos Músculos, se você torcer... Tem coisa que sobra ali, né? Você vai achar que... Mas é uma informação muito mais simples do que ela é apresentada. Pois é. Por isso que é legal o Dr. Drauzio, né? Eu sou muito fã dele, né? Não, o Dr. Drauzio... Porque ele traduz de um jeito... Se você for ver boa parte daquilo, se eu fosse, né? Sim. O Dr. Drauzio não escreveu um livro desses. Ele tinha que ter escrito.
O Drauzio é uma coisa, um personagem desses que eu acho que é muito pouco valorizado, inclusive, porque a atuação dele em saúde pública, na comunicação, provavelmente salvou muito mais vidas do que muitas intervenções que a gente hoje considera por aí. Porque é isso, acesso à informação de qualidade, com capacidade de mudar comportamentos, ela é um determinante social de saúde.
Olha que bacana, você falou de comportamentos, né? E ele tem uma ênfase, porque ele falou que você precisa de seis coisas pra viver melhor e ter uma qualidade de vida melhor. Três são as que a gente já falou, exercício, alimentação e sono. Ele fala bastante de sono. Eu não cheguei lá ainda, mas...
Eu já dei uma pesquisada e eu vi que ele falou de sono. Mas tem três coisas que ele traz que são comportamentos sociais e psicológicos. E ele diz que tem muito mais impacto até do que os outros, né? Aí ele coloca, a primeira coisa é don't be a schmuck. Schmuck é otário, babaca, idiota, assim, né? Ou seja...
Fumar, assumir risco, ter essas coisas, ter prudência. Que te expõem, te deixam mais vulnerável. É, exato. Ele fala que os comportamentos sociais e psicológicos têm muito mais impacto na longevidade que os físicos. E aí ele diz um pouco do que a gente está dizendo aqui.
Nas famosas zonas azuis do mundo, são as zonas onde os habitantes rotineiramente chegam aos 90 até os 100 anos, eles não andam por aí obcecados em fazer ajustes constantes no que comem, tomar suplementos, malhar feito loucas e monitorar passos, frequência cardíaca, glicemia, minutos de sono. Simplesmente se concentram nas coisas que enriquecem suas vidas com sentido e conexão.
O bem-estar deve ficar em segundo plano, uma parte inconsciente do seu estilo de vida, não uma obsessão. Longevidade e bem-estar não são tudo. E aí ele diz dos comportamentos sociais e psicológicos que valem mais a pena, primeiro, don't be a schmuck, ou seja, não seja um otário, um babaca, não faça coisas que podem te prejudicar, como fumar, ele diz imprudências, tem uma série de outras coisas.
Mas aí tem uma coisa que eu quero aprofundar um pouco, que é falar com as pessoas, cultivar relações familiares e de amizade. Essa é uma coisa, ele coloca aqui...
três estudos muito longos. O The Harvard Study of Adult Development, que começou em 1938. Eles monitoraram pessoas e depois monitoraram pessoas novas e ele continua desde então. O Chinese Longitudinal Health and Longevity Study.
e um outro estudo sueco com 17 mil adultos por seis anos, e todos concluíram com diferentes ângulos de abordagem que relações sociais frequentes prolongam a vida. Acho que um dos maiores desafios que a gente tem hoje em termos de... Bom, primeiro que há 50 anos, mais ou menos, a OMS define saúde não como ausência de doença.
Essa é a primeira coisa. Então, não é só não estar doente. Ser saudável não é só não estar doente. É ter essa qualidade de vida neste nível também. Social, interrelacional e tudo mais. E hoje um dos nossos maiores problemas é a solidão.
Exatamente onde ele fala. Que tem um monte de outros estudos, ele traz, né? Que a solidão mata enquanto as relações sociais promovem até 50% mais tempo de vida. E ela mata por vários mecanismos, né? Primeiro porque ela leva um declínio cognitivo maior, o que diminui a capacidade de cuidar de si, enfim. E existem outros mecanismos que estão sendo desvendados.
E aí isso me lembra de duas histórias que acho que foram bastante popularizadas relativamente recentemente sobre o Japão, que tem uma cultura de respeito aos idosos muito diferente daquelas que a gente tem nas bandas ocidentais, primeira coisa. Mas essas matérias jornalísticas mostraram que os idosos no Japão estavam cometendo crimes para poderem ir presos.
Para ter amigo na prisão. Para serem cuidados de alguma forma, porque eles não tinham essas relações, estavam sendo mais abandonados, enfim, do que culturalmente isso acontecia. E também havia aumentado muito o índice de suicídio nos idosos.
porque eles não viam razão para estarem vivos mais. Então a gente passou esse tempo todo aqui falando sobre viver mais, viver mais, como é que você melhora a sua performance, como é que você faz... E aí você chega nesse resultado, que ali no caso deles é uma mistura de genética com a constância nos hábitos, que é uma coisa muito mais importante, a gente não falou, né? Muito mais importante do que intervenções pontuais, na alimentação, no cuidado com saúde mental e tudo mais.
E aí você chega aí nos seus 90 e tantos anos e não vê razão de estar aqui. Exato, né? Mas eu acho que tem uma coisa que ele enfatiza aqui e que a gente tem discutido muito na nossa sociedade. E ele traz de uma forma muito contundente, né?
Telefone celular e mídias sociais estão nos emburrecendo. Eles estão deixando a gente mais solitários. E nos afastando. Nos afastando. E isso é muito claro. Porque quando a gente fala de amizade, eu não sei se acontece com você, mas tem tantas vezes que você poderia ir para algum lugar, encontrar alguém, fazer uma coisa. E aí você fala, vou ficar aqui vendo uma série, vou ouvir um podcast. Não, o meu podcast tem que ouvir, tá? Eu vou.
eu vou entregar aquilo, né? Eu sou uma pessoa que tem dificuldade em falar o telefone. Eu também, cada vez mais preguiça. É a mensagem, eu mando mensagem, eu posso mandar um áudio, mas é aquela coisa de você parar e fazer, pra mim, é... e a gente vai fazendo um esforço maior pra encontrar as pessoas, né? É, cada vez mais... Programa, faz... Você tem que combinar e as pessoas...
Não só a gente, a outra pessoa também está na mesma coisa. Será que eu vou na série? Você vai ao restaurante e as pessoas estão lá. Uma sentada do lado da outra, cada uma com seu telefone. E aí ele tem um estudo que eu acho que é legal trazer. 520 estudantes foram divididos em três grupos. Todos os celulares estavam no modo avião.
O primeiro grupo, o celular estava virado para a mesa, de ponta cabeça aqui, né? O segundo grupo, o celular estava no bolso. E o terceiro grupo, o celular estava em outra sala. E aí, eles tinham que resolver problemas de matemática enquanto prestavam atenção numa sequência randômica de letras. E um outro exercício que esses três grupos fizeram, tinham que resolver pequenos problemas, tipo completar um padrão, assim, você expõe o negócio, né? E... E aí
Quem você acha que teve o pior desempenho? Quem estava com o celular aqui? É importante, todos os celulares estavam no modo avião, ou seja, o celular não fez nada. Mas é só a presença. A presença do celular emburreceu as pessoas. É, porque divide a sua atenção, né? Mesmo que não esteja ali funcionando, isso faz essa... Só ele está ali, você...
Então, assim, virou uma muleta emocional e um detrator aí nesse funcionamento cognitivo. E pior, cada vez mais parte. Existe hoje um contramovimento das pessoas, ainda muito incipiente, obviamente, das pessoas que usam aqueles celulares, os tijolões lá das décadas de 90, para você não ter essa interação toda.
E é um paradoxo, né? Porque ao mesmo tempo que te dá uma janela para conhecimento e para comunicação com o mundo inteiro, te embota de forma que você não tenha essa relação real, de vida real. Exato. E para a gente, a gente brinca, vê, e a gente compensa, mas o idoso tem mais dificuldade de compensar isso. Pelo analfabetismo digital, por não se incorporar tanto nesse processo, por ter a dificuldade habitual, natural, né? Do processo, então...
Então a gente está criando, e não é só no idoso, o idoso é um exemplo mais agudo disso, mas a gente vê o reflexo desse isolamento na saúde mental de adolescentes, né, hoje, e isso se expressa também na capacidade cognitiva, no aprendizado e tudo.
E se reflete em várias camadas, né? Por exemplo, eu li reportagem essa semana sobre adolescentes que, meu, simplesmente não conseguem em um ambiente social tomar a iniciativa de conversar com a menina. Tem um monte de adolescentes que nunca beijaram, tem vinte e poucos anos. E nada conta quem não quer beijar, mas assim, é por... Vai perdendo o traquejo social e dá medo disso. E é tão doido porque...
Não, dá medo não. Crescer, crescer, crescer. Sim, mas a gente já vê reflexos disso. O movimento Red Pill, e a vó, vamos falar... É muito fruto disso. Porque a inabilidade social daquele sujeito não é reconhecida. E aí, ao invés dele reconhecer aquilo e, enfim, tentar aprender ou fazer alguma coisa, ele coloca na mulher a responsabilidade pela própria frustração.
Então, assim, a gente está falando sobre coisas que parecem aleatórias, mas elas são todas interligadas, né? Todas interligadas. E a gente está criando, então, dessa forma, uma sociedade que, teoricamente, deveria evoluir para uma situação muito mais plena para todo mundo, e a gente não está sabendo lidar com o reforço que a tecnologia faz nas dificuldades que a gente tem. Olha que eu já repeti isso quantas vezes nessa nossa conversa. Exato, exato. Então, é quase que uma coisa fracassada.
E até tem um outro episódio desse podcast, eu gravei com a Daniela Lima, a gente fala sobre ansiedade. E a gente falou sobre isso o tempo inteiro. A gente sozinho tendo que lutar contra a corrente. Não, a gente precisa de ação governamental, a gente precisa de coisas mais efetivas. Porque a nossa força de vontade, ela tem limite, o ambiente molda a gente. Molda em muitas coisas, certamente.
E aí tem uma coisa interessante desse livro, a última as coisas que eu vou falar dele. Olha que eu só cheguei na metade, então esse livro eu gostei. Ele fala do pai dele, o pai dele era uma pessoa muito sociável, que viveu até os 92 anos, super lúcido, etc. E ele tinha quatro conselhos pra você conversar com estranhos, né? Seja um iniciador de conversas.
deixa a curiosidade guiar a conversa, faça perguntas e se aprofunde. E você não é tão frágil assim, ser menosprezado ou esnobado por alguém que não machuca você de verdade, né? E não tem nada a ver com você, é a pessoa que não tá num bom dia. Aí eu falo, puta, isso pra mim é tão foda, eu sou meio tímido, né? Sair conversando com todo mundo, né? Mas é aquilo, não precisa ser uma mudança radical da vida, né? Esses pequenos aprendizados que a gente vai fazendo. in
indubitavelmente melhora a sua qualidade de vida, né? Claro. Ele fala, toma iniciativa, converse com as pessoas do barista ao caixa do supermercado, passando pelo fiscal que recolhe sua passagem no trem. Conversar com o desconhecido faz bem a você e a pessoa com quem você está falando também, né? Então, tomar a iniciativa de conversar é um ato de generosidade, ele diz. E consigo primeiro, né? Até...
eu acho que tem uma coisa que a gente culturalmente também aceitou que é o acúmulo de informação ser um determinante de valor pessoal quanto mais alguém sabe quanto mais alguém sabe sobre aquele assunto tá e ok é interessante é legal é mas não existe valor em conhecimento estagnado
Se ele não virar, você precisa, sabe? E você só consegue fazer isso se você interagir com pessoas. Se você interagir. É a única forma que a gente faz isso acontecer. E aí ele diz aqui que tem outros valores, né? Essas interações sociais breves parecem reduzir a sensação de estar sendo ignorado, deixado de lado ou excluído.
cumprimentar e agradecer pode fazer com que ambas as pessoas se sintam conectadas, vistas, valorizadas, né? E quem sabe, pode até render algumas amizades de verdade, né? Essa conexão social. Eu admiro muito pessoas que são desse jeito, assim, né? E eu tenho que ser um pouquinho mais, mas pra mim é difícil. Meu filho é assim, sabe? Meu filho, a gente vai ao mercado, meu filho cumprimenta...
Todo mundo, dois anos e meio, você imagina, ele tá no carrinho e dá joia. Oi, moço! Mineiro de tudo. Oi, moço! Melhor o dia da pessoa, né? Total, né? E dele que ele se sente ali, de fato, ele é enxergado, da pessoa que recebe esse carinho. Então, assim, a gente precisa, de fato, retomar o valor da interação real entre as pessoas. Acho que isso é fundamental.
Ele fala aqui das redes sociais. Apesar do nome enganoso, as redes sociais são antissociais e, portanto, contrárias ao bem-estar, como resumiram alguns pesquisadores. O uso das redes sociais pode prejudicar as relações presenciais, reduzir o investimento em atividades significativas, é isso, você não vai encontrar a pessoa porque você está na rede social, aumentar o sedentarismo ou incentivar mais tempo de tela.
levar ao vício internet, corroer a autoestima por meio de comparações sociais desfavoráveis. Então, menos rede social, pessoal. E aí a gente entra numa coisa que até o Peter Atchia...
Aquele, cancelado. Ele diz, lá no livro dele, ele relata que ele teve uma jornada de trauma muito forte, que ele teve dificuldades da infância e tal, e que a Esther Perel, disse ele, Esther Perel é aquela que fala do sexo no cativeiro, ela também tá em outro, é uma psicóloga bacana.
Por que você quer viver mais se você é tão infeliz? E eu estou usando isso porque a gente vai entrar no último livro do dia, que se chama Ikigai, são dois, acho que são espanhóis, eu devia ter visto, mas não vi. Hector Garcia e Francesc Miralles, 2016. Ikigai é um conceito japonês, que é difícil de traduzir, mas seria alguma coisa como a felicidade de estar sempre ocupado.
E é espanhol mesmo, a produção me confirmou. Ikigai é a nossa motivação para acordar pela manhã. Eu achei esse livro muito bacana. Eles vão para Okinawa, que é uma ilha japonesa, com a maior concentração de centenários do mundo.
E aí são cinco maiores lugares, né, que tem uma das zonas azuis principais do mundo. Okinawa no Japão, Sardenha na Itália, Loma Linda na Califórnia, Península de Nicóia na Costa Rica e Icária na Grécia. E aí eles dizem que três dessas cinco regiões são ilhas. E isso não é uma coincidência. Por quê? Porque a escassez de recurso e o fato de ser uma ilha faz as pessoas terem...
uma cultura de cooperação. Coletividade, né? Coletividade. E aí, em Okinawa, tem um conceito que se chama Moai, é uma estrutura social, ela é uma espécie de remédio. Esse Moai começou na época de dificuldade agrícola, as pessoas meio que se juntavam para sobreviver.
e é uma instituição social que eles relatam, é central na vida de Okinawa. Cada membro contribui mensalmente com uma quantia e o grupo se reúne regularmente para jantar, jogar xadrez, conversar, e o excedente financeiro é redistribuído entre os membros de forma rotativa. E aí ele diz que lá os idosos andam pra caramba, porque eles fazem tudo a pé.
E ele falou, não tem nenhum idoso lá que fica levantando peso. O movimento que caracteriza as zonas azuis é suave, contínuo e integrado ao cotidiano. Caminhar em vez de dirigir, jardinar, cuidar da horta, subir escada, ter amigo. É tudo e todos eles têm essa...
Se a gente pensar, a gente foi desenvolvendo tecnologicamente para superar determinados obstáculos, mas a gente se apegou tanto a essas soluções que a gente esqueceu do básico do nosso funcionamento. Nós somos bichos. Seres sociais. E como espécie, nós precisamos interagir com o nosso ambiente, nós precisamos interagir com os nossos pares, nós precisamos interagir com os outros animais.
e a gente é e compreensivelmente né a gente foi aumentando o número da nossa espécie foi precisando de recurso disso daquilo mas é a gente entende que a receita ela é muito simples na verdade ela é de bons hábitos levados de forma crônica para a vida então é todos esses livros que a gente tá falando que né são hipers
trazem uma sofisticação uma ideia da performance disso daquilo é se você de fato decantar isso tudo que presta é isso e que ninguém quer ouvir
Faz exercício físico, ainda que seja você caminhar, porque nós somos bípedes, somos feitos para isso, evoluímos para isso. Caminha, movimenta o seu corpo de alguma forma que lhe faça bem, que lhe dê prazer. Combina com seu amigo para caminhar junto com ele.
vai fazer vai caminhar vai vai dançar vai sabe fazer alguma coisa que te interesse ao ar livre vai interagir respirar um ar puro vai fazer alguma coisa né nesse nível se alimente bem não tô dizendo lá não tô nunca na vida vou tomar um refrigerante eu vou fazer não sei o que ela não é isso também somos seres é é
Não vou dizer dúbios, mas nós temos essa questão do equilíbrio. E tá tudo certo. E o Emanuel fala esse do Eat Your Ice Cream. E é justamente por isso que ele fala, tome seu sorvete. E ele diz o seguinte, uma amiga chegou perto dele e falou assim, ai meu, putz, eu tô aqui tomando refrigerante dietético, que vergonha na sua frente e tal. Ele falou, meu, desde quando você tem que tirar nota 10?
na saúde. E você veja que isso também abre portas para uma demonização de um monte de coisas que a gente vê hoje e que são ridiculamente prejudiciais à saúde mental e à saúde física das pessoas. Então você falou do refrigerante dietético, mas tem gente transformando pão e leite?
em ameaças nutricionais, você não pode porque inflama, cara, não tem nenhuma base para isso. Então assim, alimente-se bem, é claro, evita o ultra industrializado, não significa que você não possa, mas privilegie aquelas coisas que a gente já sabe que são mais saudáveis, os alimentos frescos, aquelas coisas que você pode cultivar na sua própria casa muitas vezes, algumas pessoas têm mais chance disso, mas tenta fazer isso.
Tenta dormir, tenta ter uma qualidade de sono e de estresse manejável que te seja positiva. E tudo isso individualmente é muito difícil, já é muito difícil de você fazer. O radicalismo disso, então, é hiper prejudicial. O básico bem feito, ele já é difícil. E é importante que se diga que ele precisa, para acontecer de uma maneira coletiva, de uma política pública que funcione.
Então não adianta eu dizer para a pessoa assim, olha, toma mais água quando ela vai ao mercado e o refrigerante é mais barato do que o que ela paga pela água.
ou o salgadinho é mais barato do que a fruta para criança levar para a escola. O bocaritos é sempre mais barato. Exato. Então, assim, isso é política pública. Eu não posso dizer para a pessoa, e aí a gente pode viajar para muitos outros exemplos, a obesidade hoje, o tratamento dela é um desses, mas eu não posso dizer assim, ah, faça tal coisa quando isso esbarra numa questão de subsistência.
Dela, quer dizer, ou eu compro o salgadinho porque é mais barato e meu filho pode levar alguma coisa para comer, ou eu vou comprar tal coisa que vai tirar do outro filho a chance de comer alguma coisa. Sim, sim. Então, é nessa interligação que a gente também precisa funcionar como coletividade. A gente precisa entender o que é bom para todo mundo.
E eu acho que a coletividade é também a gente ser menos individualista, fazer amizades, né? Então acho que a gente já deu várias receitas aqui. E no fundo, o mais importante do que viver 120 anos é viver bem. Mas eu queria que você saísse do muro. Será que a gente vai viver 120 anos? Certamente!
não, isso não tem muro, pra mim não tem muro eu sempre falo eu falo e eu falo e aí meus filhos tiram um sarro de mim porque eu tô falando isso desde que eu li o livro a gente vai viver 120 anos eu falo pra minha filha, você vai viver várias vidas proporcionalmente a gente vai viver e isso não é uma coisa de agora, né? a gente já aumentou, já triplicou provavelmente a nossa expectativa de vida
nos últimos, talvez nos últimos 200 anos, a gente tenha duplicado, nos últimos 100 anos isso já teve um aumento gigantesco. Brasil, se eu não me engano, e desculpa se eu estiver falando algum dado relativamente incorreto, mas até o começo do século XX, a gente tinha uma expectativa de vida, principalmente por conta de doenças infecciosas, tuberculose e outras.
de 40 anos, 50 anos era muita coisa, né? Hoje a gente já tem uma expectativa aí que gira em torno dos 80. Então, com esses avanços, sim, o ser humano vai ter rapidamente a chance de chegar ao 120. Mas quem vai chegar ao 120? Exato. E a que custo vai chegar? Com que capítulo? Não, e essa chance não vai ser igual para todo mundo. Não vai.
E o não ser igual para todo mundo não vai ser por qualquer outra razão que não a nossa capacidade coletiva de compreensão do que é ética e do que é espécie desse nosso senso moral. E é por isso que a gente tem que transformar essa ideia, que parece uma ideia mais abstrata, em algo fundacional.
Então se eu vou fazer uma IA hoje para tal coisa, ou se eu vou buscar uma solução para tal coisa, incorpora isso na sua base e não espera para ver como é que ela vai refletir isso lá na frente, porque a tendência é que isso se dilua e que o resultado não seja bom para todo mundo.
Então vamos chegar no 120? Vamos. Alguns com mais recurso, com mais condição financeira, oportunidades específicas vão chegar antes e mais rápido, com mais qualidade do que outras pessoas. Mas mesmo esses vão precisar entender por que eles estão fazendo isso.
Tomara que a gente tenha mais gente preocupada com a coletividade, assim como você. Vamos ver se precisa dessa ideia, a gente ajuda a germinar. É isso aí. Antes de acabar, tem um quadro final do programa, que esse é um podcast sobre livros, né? Então eu queria que você recomendasse para o nosso público um livro que você leu desses, assim, da vida. Nossa. É.
Nossa, a gente falou tanto sobre futuro e longevidade e tecnologia. Pode ser totalmente nada a ver com isso. Eu sou uma pessoa que gosta de olhar para trás, sabe?
Eu amo clássicos. É, eu olho pra trás. Primeiro porque, assim, pra mim é difícil escolher livro, tá? Mas eu acho que quando a gente olha pra trás e entende o que a gente já passou e de onde a gente veio, fica mais fácil a gente entender os obstáculos atuais e os futuros pra eles não serem... Eu amo história. Eu também. Amo história.
isso me faz ir para todas as literaturas possíveis, brasileira, clássica, portuguesa, enfim, todas elas, russas, enfim, mas eu vou falar de um livro que não tem nada a ver com isso que eu estou dizendo, mas olha para trás, tá? Olha para trás para a gente entender. Ele se chama The Demon Under the Microscope. Ele é a história de como a gente desenvolveu os antibióticos, como é que a humanidade conseguiu chegar na ideia.
Primeiro de que existiam micro-organismos depois que eles causavam doença, depois que era possível de alguma forma interferir com isso, até o desenvolvimento de fato do primeiro antibiótico e a evolução disso para frente. A peste negra era o demônio, né?
Não, gente, a gente tem mil coisas, né? Ele passa, ele se concentra mais nessa parte da descoberta em si, do processo da descoberta em si, e ele é muito fácil de ser lido. Eu só não sei se tem versão em português, tá? Isso aqui é trágico, mas a gente pode buscar. Mas ele é um livro extremamente interessante, e que eu acho que...
mostra para gente que esses ciclos eles vão se repetindo né e que se a gente aprender com o que aconteceu fica mais fácil para todo mundo não achou versão em português não ai droga
é mas é muito bom quem quem tiver a condição vale a pena ele é super interessante eu acho que amplia um pouco até a visão que a gente tem sobre a tecnologia né como é que isso aconteceu como acontece as dificuldades e e as adoções e como isso muda completamente a forma que que a humanidade vive assim não está no livro você tá lendo é olha eu vou te falar que eu
Tem um livro que eu... Que eu não sei, acho que as pessoas não vão gostar.
que ele se chama mosquito. Mosquito? É, o mosquito é o animal mais perigoso do mundo. É quem mais mata, ele é o mais letal. Quem mais mata. Ele é o mais letal. E aí, por essa lente dessa afirmação, ele montou uma história dessa interação humana com o ambiente, com isso tudo, e ele vai mostrando como é que isso moldou, inclusive, fatos históricos da nossa existência. Mas não sei se é para todo mundo.
eu acho legal, eu acho ele muito bom que livro você não recomenda, leu e não gostou ou nem leu e já não gostou eu tendo a não gostar dessas ideias prontas assim, eu já nem honestamente eu já nem transito muito por esse lado não
Mas essas coisas que se baseiam na ignorância das pessoas e com isso constroem impérios sobre elas, isso me incomoda muito. Eu gosto de livros que façam as pessoas desenvolverem o seu senso crítico, que você aprenda e que você passe a pensar melhor e mais autonomamente quando você acaba ele. E não seguir alguma coisa como uma receita de bolo aí no final. Então, eu tendo a...
eu julgo pela capa, já aviso assim, eu olho pro título, eu falo tipo Forever Strong, eu já falo, ai gente que Hanson, sabe, Hanson ascendente em preguiça, é mais ou menos isso, então eu não chego muito nessa parte não. É, mesmo a revolução. É, tipo essas coisas que são assim dramáticas, sabe, quase como se a pessoa não pudesse escapar daquilo se ela quisesse estar na crista da onda, né, isso eu já sei que já vai me irritar.
E isso aí me irrita. Se tem uma coisa que me irrita, é esse tipo de coisa. Não dá, não. Luana, foi um prazer. Uma conversa que eu gostei muito. Espero que as pessoas também gostem, né? Acabamos. Agora é hora de ir embora.
eu agradeço a você a oportunidade e eu acho muito legal que a gente tem espaços que combinem isso uma conversa leve, tranquila com dicas interessantes e livros, eu já vou não todos, mas tem um outro que você trouxe aqui que eu não li eu vou dar uma olhada porque eu gosto muito disso, então eu só te agradeço agradeço a todo mundo a gente vai num num
disseca livro nenhum, vai passando pelos livros, e algumas a gente até põe pra falar mal mesmo uns provoca, outros muito bom, obrigado valeu, valeu, semana que vem a gente volta com outro episódio do Missão Saber tchau