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UOL Prime #123: As engrenagens por trás do escândalo do Master e do filme sobre Bolsonaro

21 de maio de 202626min
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A revelação de um diálogo entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, reportagem exclusiva do site Intercept Brasil, revelou uma nova ramificação da investigação sobre o Banco Master.

Agora, sabe-se que o filme "Dark Horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro, era um dos investimentos mais expressivos do ex-banqueiro em sua tentativa de agradar políticos à esquerda e à direita.

A estrutura desse financiamento, porém, não está clara. Enquanto o filme recebia cerca de R$ 60 milhões de Vorcaro, a produção passava por impedimentos banais, como dificuldade para pagar uma diária de R$ 5 mil a um café em São Paulo. 

No novo episódio do UOL Prime, José Roberto de Toledo conversa com Natália Portinari sobre as engrenagens por trás do escândalo do Banco Master e o financiamento do filme da família Bolsonaro.

Participantes neste episódio2
J

José Roberto de Toledo

HostJornalista
N

Natália Portinari

ConvidadoRepórter e colunista
Assuntos4
  • Financiamento de filme sobre BolsonaroDaniel Vorcaro · Banco Master · Dark Horse · Bolsonaro · Flávio Bolsonaro · Financiamento de filmes · Investigação policial · Corrupção
  • Investigação Banco MasterDaniel Vorcaro · Flávio Bolsonaro · Ciro Nogueira · Investigações sobre Davi Alcolumbre · Fundos de pensão estaduais e municipais · Fundo Garantidor de Crédito (FGC) · Fraude financeira · Uso de dinheiro privado para beneficiar agentes públicos
  • Investigação da Polícia FederalPolícia Federal (PF) · Ministro André Mendonça · Supremo Tribunal Federal (STF) · Daniel Vorcaro · Flávio Bolsonaro · Ciro Nogueira · Sigilo bancário · Quebra de sigilo telemático
  • Podcast 'CID, A Sombra de Bolsonaro'Mauro Cid · Bolsonaro · Polícia Federal (PF) · Fraudes em certificados de vacina · Democracia
Transcrição73 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Há várias maneiras de medir o sucesso de um filme. Bilheteria, faturamento, premiação, número de streamings, até as críticas, o tomatômetro. Mas Dark Horse, o filme sobre o candidato a presidente que ganha sem que ninguém espere, que não sabe ainda como é que vai ser traduzido para o português, pode ser azarão, pangaré, vamos ver o que vem.

Não pode ser medido por nenhum desses fatores, porque nem sequer foi lançado. Mas o filme já pode ser considerado um campeão, porque ele praticamente monopolizou a opinião pública na última semana, desde que o escândalo sobre o seu financiamento veio a público numa reportagem do Intercept. E lá ficou claro que o financiamento do filme era o grande problema, por dois fatores.

Primeiro porque um dos financiadores, um dos principais financiadores que assinou um contrato para pagar nada menos do que 24 milhões de dólares para a família Bolsonaro, para que ela pudesse realizar o filme, foi ninguém menos, ninguém mais do que Daniel Vorcaro, o ex-banqueiro que está preso do ex-banco master. Mas não parou aí. O valor...

estimado da produção do filme, mais de 100 milhões de reais, é inédito na história do cinema brasileiro. Não tem nenhum filme que nem sequer chega à metade desse orçamento, nem aqueles que ganharam Oscar. Então, há duas dúvidas que precisam ser sanadas.

para a saúde financeira e criminal da família Bolsonaro. Primeiro, aonde esse dinheiro vai parar? E segundo, como os investidores pretendiam recuperar os milhões de dólares que investiram

nesse filme. Porque olhando o roteiro, lendo com grande esforço, é verdade, o roteiro do filme, fica difícil de imaginar onde o dinheiro vai ser gasto. Fora um ator americano de segunda linha, de Hollywood, e um diretor de terceira linha, não tem nenhuma outra razão para o filme custar tão caro. Então, para onde irá esse dinheiro? Tudo isso e muito mais é o que a gente vai conversar com a repórter e colunista.

do UOL, Natália Portinari. Muito bem-vinda de volta ao UOL Prime, Natália. Obrigada, Toledo. Um prazer estar aqui. Eu sou José Roberto de Toledo e este é o UOL Prime. Toda semana a gente conversa com os melhores repórteres sobre as melhores reportagens do UOL.

Natália, você vem cobrindo o escândalo máster já há algum tempo. Em algum momento você imaginou que você estaria escrevendo sobre produções cinematográficas? Olha, deveria ter imaginado, porque era o que faltava realmente, a façada audiovisual do projeto Vorcaro realmente. Foi a primeira vez que apareceu esse segmento realmente na cobertura.

Muita gente me pergunta, vem cá, eu nunca tinha ouvido falar nesse tal de Dark Horse, nesse tal desse filme e tal. Isso era um segredo ou era uma coisa que em Brasília se falava, mas ninguém levava a sério? Não era um segredo, já tinha algumas notícias sobre a produção do filme.

Mas eu acho que, como, enfim, era uma obra ali que tinha militantes trabalhando naquilo, não se deu muita atenção como um grande projeto audiovisual. Realmente porque ninguém tinha noção do orçamento que isso envolvia, né? Eu acho que a partir do momento em que se soubesse que a família Bolsonaro estava investindo essa quantia no filme, isso já teria chamado atenção, já teria despertado ali alguma investigação para entender a origem do dinheiro, mas isso até agora...

Não tinha rolado, exceto por algumas reportagens pontuais do próprio Intercept, que falavam disso desde dezembro do ano passado, quando já tinha notícias ali sobre esse envolvimento da produtora, da Karina, da Gama, que é a produtora do filme, com um contrato com a Prefeitura de São Paulo. Então o Intercept já vinha cobrindo isso. Tem que fazer esse asterisco aí, dar o crédito para eles, que realmente eles puxaram a lebre aí desse problema.

Também me perguntam, inclusive jornalistas estrangeiros, mas qual que é o mal, qual que é o problema? Afinal de contas, até agora, aparentemente não tem nenhum crime, porque o dinheiro seria um dinheiro privado e não seria dinheiro público. Qual que é o pepino, digamos assim, que a família Bolsonaro está com dificuldades para descascar?

Então, quando a gente está falando do caso do Master, em muitas ocasiões a gente está falando do uso de dinheiro privado para beneficiar agentes públicos, autoridades, cuja contrapartida não é muito clara. Por quê? O Vorcaro tinha esse modo desoperante de despejar dinheiro em todo mundo. Então, em qualquer pessoa que ele visse...

que tivesse ali uma influência, que pudesse ajudar ele de alguma forma, nem que isso não estivesse claro ainda como. Ele apostava muito nas pessoas, ele queria ter uma rede de influência maior possível. Claro que quando a gente fala de crime de corrupção, Toledo, a gente tem que ter essa comprovação de uma contrapartida. Isso é que os investigadores vão ver como que aconteceu essa negociação, o que estava em jogo, se tinha uma insinuação ali de que poderia...

ajudar o Vorcário eventualmente numa investigação criminal ou não, porque a gente está falando de uma família que concorre ao posto da presidência do país. Então, o poder deles é imensurável. A gente tem, por exemplo, se lembrar da Lava Jato e do Lula, tem questões ali que foram colocadas quando ele já não estava na presidência, quando ele era ali uma pessoa que poderia voltar ao poder de alguma forma.

Então, como que essas pessoas podem ser corrompidas? Então, esses debates todos vão ser feitos dentro do processo para tentar entender a extensão dessa influência do Vorcário e o que isso significa. Agora, você que vem cobrindo esse tema já há bastante tempo, me explica uma coisa. O Vorcário fabricava dinheiro, porque ele não tinha dinheiro de verdade. Os ativos...

podres que ele colocava nos fundos que ele criava eram quase fundos falsos, né? Porque eram títulos que não valiam nada e que ele conseguia encontrar compradores que esses sim aportavam dinheiro de verdade. E boa parte das pessoas que compraram, melhor, das instituições que compraram esses títulos podres foram fundos de pensão de funcionários públicos estaduais, municipais. Esse dinheiro não é público?

É, isso é importante também de a gente dimensionar e entender do que a gente está falando, né? Quando a gente fala da fraude do Master, tem uma parte, sim, que você pode considerar que existiu ali uma fraude contra os investidores do banco, né? Contra as pessoas que colocaram dinheiro no banco. No caso dos regimes de aposentadoria dos servidores públicos, são os próprios servidores públicos que aplicam aquele dinheiro ali. E aí, pessoas que têm cargos, que têm indicações de cargos públicos.

acabam fazendo uma má gestão desse dinheiro e colocando esse dinheiro no master, sendo que isso nem deveria acontecer, porque para um RPPS, que chama esse regime de aposentadoria, para comprar um CDB de um banco que promete muito além...

do que a média do mercado, sabendo que o limite do FGC, do Fundo Garantidor de Crédito, que garantia, que era o colchão, era 250 mil, e que esses institutos, necessariamente, eles iam tomar um tombo se acontecesse alguma coisa para o banco.

Essa manobra em si já é super arriscada, jamais deveria ter sido feita por qualquer pessoa que tivesse um cargo público, mas aconteceu. Isso é uma responsabilidade que tem que ser apurada e, de fato, tudo se conecta. Quando a gente fala de fraude do master, o dinheiro ali era o mesmo.

Inclusive, o Vorcar, o cedo verbo que você achou, despejava dinheiro em políticos, ele justamente estava esperando uma contrapartida de influência em vários setores, desde a aprovação de emenda à Constituição, até que pressionassem os gestores desses fundos de pensão para colocar dinheiro no banco.

Exatamente, e quando a gente fala também do Flávio Bolsonaro, a gente tem que lembrar que ele é um senador, exercício, então ele tem uma função pública ali, e, por exemplo, tramitou pelo Senado ali a proposta, a tal da emenda master, proposta ali pelo Ciro Nogueira, presidente do PP, ex-ministro do Bolsonaro.

que era para aumentar o limite da FGC de 250 mil para 1 milhão. Essa proposta poderia ter sido levada adiante no próprio Senado. Então, dar dinheiro a pedido de um senador não é uma coisa corriqueira, não é uma coisa que não deva ser investigada como, enfim, todos os outros políticos estão sendo investigados.

Salvo engano, só para citar dois estados cujos pensionistas tiveram prejuízo com o Master, estão o Amapá, do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o Rio de Janeiro, pelo qual Flávio Bolsonaro é senador, não?

Perfeitamente. Então, são dois estados governados pela União Brasil. Tem relações políticas com as pessoas do partido ali no Senado, tem relações com a direita, né? São coisas todas que se conectam e isso também é uma parte da apuração da Polícia Federal. Quem foram os políticos que estavam por trás dessas operações, desses aportes?

No Amapá, a gente tem uma pessoa ali, um apadrinhado do Davi Alcolumbre, que era tesoureiro da campanha dele. Então, a gente sabe que um cargo desses, lidar com essa quantidade de dinheiro, não é à toa que a pessoa vai para lá. Ela para lá porque é um nome de confiança dos políticos que comandam o Estado.

Vamos então mudar um pouquinho o foco para a questão da maneira como o filme foi financiado. Até onde eu entendi das leituras das reportagens, há duas versões, pelo menos duas versões, se é que não tem mais, do próprio lado dos executores do filme.

Porque diz o Flávio Bolsonaro, diz o dono de uma das produtoras, que sim, o Vorcário assinou um contrato para financiar o filme, um contrato, se não me engano, de 24 milhões de dólares, que fez um primeiro aporte de 12 milhões de dólares, e que, portanto, ele era sócio do filme, ele era investidor do filme. Mas a produtora americana, do diretor de origem iraniana, especializado em filmes religiosos, e que, portanto, ele era sócio do filme.

E o Mário Frias, deputado federal, ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro, que é produtor executivo do filme, o Vorcaro não tem nada a ver com o filme. Muitas versões conflitantes vieram à tona quando as pessoas envolvidas também em fazer o filme se desesperaram um pouco com a notícia que saiu.

tentaram explicar o que estava acontecendo. A Karina da Gama, que é a dona da produtora, ela deu uma entrevista para a Globo falando que o Vorcaro bancou 90% do filme, que o filme estaria em 13 milhões de dólares.

e que o Vorcaro teria coberto aí 12 milhões, que dá 60 milhões de reais, que é os valores das transferências ali que tinham sido reveladas pelo Intercept. Se isso é verdade ou não, Toledo, eu acho que é muito importante a gente ter muita desconfiança desses valores e entender assim, por que isso passou por um fundo nos Estados Unidos? Indo para lá, de lá foi para onde? Qual é o regime fiscal que isso estava sujeito exatamente? Porque fazer uma produção audiovisual é...

você precisa ter um registro, contratar gente, não é uma coisa muito trivial, né? Se você for rodar aqui no Brasil, tem que ter registro na Ancine, tem que ter autorizações, enfim, é um projeto formal, né? Então, por que esse dinheiro passou por lá, voltou para cá? Quanto dinheiro, de fato, estava envolvido?

A PF está investigando isso, como está investigando qualquer transferência ali, né, que tenha saído do Master e do Vorcaro para beneficiar políticos. Então, isso tudo vai ter que ser esclarecido através da investigação, justamente. Você não vai poder olhar e falar assim, ah, não, beleza, a versão no momento é essa e, ok, vamos nos satisfazer com isso. Acho que a gente vai ter que ter uma resposta para essas perguntas, né?

Natália Portinari, eu sempre faço a mesma pergunta para você toda vez que você vem aqui. E quando essa novela termina? Porque dia sim, dia também sai um vazamento novo, sai um diálogo novo, uma revelação nova. Agora saiu, por exemplo, que o...

Flávio Bolsonaro visitou o Vorcaro preso, estava preso em casa, mas estava preso com tornozeleira eletrônica. Quando você acha que a investigação da Polícia Federal vai, digamos, maturar e virar denúncia? Mas não responda agora, só depois do intervalo.

No dia 3 de maio de 2023, o Tenente Coronel Mauro Cid foi surpreendido ao abrir a porta de casa e dar de cara com a Polícia Federal. A PF cumpriu seis prisões e 16 mandados de busca, numa operação sobre um esquema de fraudes em certificados de vacina contra a Covid-19.

Eu realmente fico surpreso com a busca e apreensão com esse motivo. A partir daquele dia, o nome de Mauro Cid, ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, entrou em todos os noticiários do Brasil.

A mudança de ordens compete prestar o serviço de assistência direta e imediata ao presidente nos assuntos de natureza pessoal e regime de atendimento permanente e ininterrupto. Como é que um cara sabe tanto sobre os bastidores de um esquema que poderia colocar em jogo a nossa democracia?

Quem é esse homem que aceitou as missões mais absurdas em nome do governo Bolsonaro? Essas e outras perguntas a gente responde em CID, A Sombra de Bolsonaro, um podcast original Wall Prime, disponível no Wall, no YouTube do Wall Prime e em todas as plataformas de podcast.

Então, Natália, eu tinha te perguntado antes do intervalo, quando que esse negócio matura? Olha, eu acho que a gente está diante de uma investigação que é muito diferente daquele padrão que a gente viu um pouco na Lava Jato, que era o cara que surgia com uma delação bomba.

que ia resolver todos os problemas, e era a delação do fim do mundo, a delação disso, daquilo, e o que todo mundo esperava era uma lista de nomes, de quem recebia e tal. Não é muito bem assim que a operação está se desenrolando.

A gente tem uma delação muito lenta em termos de negociação, uma dificuldade muito grande da PGR e da PF para discutir com os advogados do Vorcaro quais são os fatos que devem constar na proposta. Então, muita dificuldade de fazer com que eles coloquem, de fato, essa história, por exemplo, do Flávio não estava na proposta. A história do Ciro Nogueira, que foi revelada também numa operação da PF, que ele recebia dinheiro, não estava na proposta. Então, como é que a gente vai ter uma projeção que ele recebeu?

Se tem uma investigação em andamento, que é uma investigação da PF que segue rastro de sigilo bancário, quebra de sigilo telemático, para olhar uma mensagem, olhar um celular, fazer uma busca e apreensão, isso demora anos, pode demorar uns dois, três anos. Então a gente está falando aí de um cenário, Toledo, eu vou me arriscar a fazer uma previsão, eu odeio fazer previsão, mas eu acho que no começo de 2027 a gente ainda vai estar falando de Banco Master.

E desse caso específico do filme, porque tem uma outra questão, né? No áudio que o Flávio Bolsonaro gravou e deixou lá como prova documental dos seus feitos para o Vorcaro, ele trata o filme como uma arma eleitoral. Ele fala, você sabe o que a gente pretende com esse filme, o impacto que a gente quer que ele tenha. E o lançamento seria na reta final da campanha presidencial, entre agosto e setembro.

Por si só, não poderia ser considerado um crime eleitoral, porque é propaganda fora dos horários previstos pela justiça eleitoral. E quem vai julgar isso é um presidente de um tribunal superior eleitoral que foi indicado pela família Bolsonaro, Cássio Conká. Como é que esse embrólio, esse capítulo especial da novela deve se desenrolar na sua opinião?

É, é bem interessante, assim, essa perspectiva de tentar entender isso do ponto de vista de como impactaria as eleições. Bom, primeiro, devo dizer assim, em defesa da família Bolsonaro, que o filme, ele é, assim, é complicado de dizer que alguém seria convencido.

ou manipulado eleitoralmente por aquele filme. Mas, assim, diante dessa hipótese, talvez a gente possa analisar se um produto audiovisual poderia ser lançado como não sendo um gasto de campanha.

Se ele for, por exemplo, transmitido junto com a campanha, se ele fizer parte dos esforços de campanha, se ele for incorporado à campanha, ele não é um gasto eleitoral. Acho que essa é a discussão também, não só... O pai está preso em casa, mas preso e, portanto, proibido de falar, aparecer, mas o Jim Caviezel, o ator que o interpreta no Dark Horse, vamos usar o termo.

Não, né? Então, eles certamente vão criar uma confusão dizendo, não, o Bolsonaro está proibido, mas o ator não está. Então, põe aí na propaganda eleitoral. Sim, é uma outra espécie de poste eleitoral, o poste eleitoral hollywoodiano. É interessante a ideia. Não sei qual é a consequência.

Eu li com muito esforço para chegar até o final o roteiro do filme, sétima versão, não sei se foi filmada, mas como ela é muito recente, imagino que tenha sido, eu não consegui achar onde gastar essa dinheirama toda. Porque é um filme que tem um número reduzido de protagonistas, né? O Flávio tem falas, mas são quatro falas.

ridiculamente pequenas, não apenas no tempo, por exemplo. Então, são poucos atores, só um realmente famoso. E não tem nenhuma grande produção, não tem CGI de grande monta, não tem, assim, mobilização de grandes multidões, enfim. Será que eles não estão reservando uma parte do dinheiro para, digamos, aspas, divulgação, ou seja, investir ali em... Até comprar ingresso, né? Quando o filme for lançado, sei lá.

O que eu apurei até agora é da situação financeira do filme Dark Horse. É o seguinte, fiz uma matéria na semana passada falando que eles tiveram problemas ali para pagar a diária de um café que eles alugaram no centro de São Paulo para fazer uma gravação ali, de uma cena ali na rua.

E eles não conseguiram ali arcar com 5 mil reais que tinha de gasto. Aí, diante disso, conversando com algumas outras pessoas, consegui falar com uma pessoa que acompanhou aquela tratativa dessa diária. E ele me falou o seguinte, que na verdade naquele momento, em dezembro de 2025, eles estavam sem dinheiro, que o Jim Caviezel chegou a vir para o Brasil e sair dois dias antes do previsto, porque não tinha dinheiro para pagar as diárias do Jim Caviezel.

Então, qualquer que seja a fonte desse dinheiro ou a receita que estava ali rolando na empresa naquele momento, tinha secado. O que isso significa em termos contábeis? É como eu estava falando, a gente não faz a menor ideia, mas o pato é. A produtora, a Karina, aqui no Brasil, estava fazendo cenas aqui no Brasil, envolvendo gastos no Brasil, e ficou sem dinheiro, sendo que tinha ali rolado antes.

milhões de dólares ali para o fundo, 60 milhões de reais para o fundo. Bom, daqui para frente, se a investigação avançar e houver maiores indícios de envolvimento direto do Flávio Bolsonaro, essa investigação já está no Supremo. Vai precisar de alguma intervenção do judiciário, autorização, coisa que valha?

Sim, porque uma coisa que ficou muito clara desde o começo desse inquérito do Master é que qualquer autoridade que aparecesse e que a PF fosse seguir diligências específicas a respeito de uma autoridade com foro, isso precisaria ser peticionado à parte para o ministro André Mendonça. Por que isso foi esclarecido logo de cara e ficou negociado?

Claramente entre a polícia e o ministro, por conta dos problemas com o relatório que foi apresentado sobre o ministro Dias Toffoli. Esse relatório apresentado ali pelo Andrei Rodrigues, diretor da PF, gerou uma indisposição muito grande no STF e...

Foi uma das questões ali, que é o seguinte, olha, quem vocês forem investigar, beleza, investiguem todo mundo. O recado do gabinete do André foi esse. Investiguem todo mundo, vocês são livres e têm que investigar todo mundo. Agora, tem que passar por mim para a gente não ser pego de surpresa com essa investigação virando um trambolho, uma coisa fora de controle e a APF atuando de formas que acreditam ali que não estariam dentro do procedimento legal.

Natália, eu sei que você é uma boa pessoa e não vai pensar da mesma maneira que eu, mas toda vez que eu vejo um vazamento envolvendo a Polícia Federal, e não tem muitas outras fontes possíveis de onde essa história pode ter vazado, né? Já que quem detém o celular do Vorcaro é a Polícia Federal, e quem tem acesso é a Polícia Federal e o ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal. Me ocorreu assim, será que...

A história não foi vazada para criar um fato consumado e constranger o ministro André Mendonça a validar algum pedido da PF especificamente relativo a Flávio Bolsonaro? Vou fazer uma interpretação disso que você disse e responder que se foi essa a intenção, não é uma boa ideia. Pelo perfil do ministro André Mendonça, de fato, ele ser pressionado externamente por isso é uma coisa...

que só se voltaria contra a intenção de fazer essa pressão. E eu digo isso exclusivamente fazendo uma análise da personalidade do comportamento dele, tá? Acho que não cabe a gente ficar tentando adivinhar ou opinar sobre quem passou informações, mas eu acho que, se é essa ideia, não sei se era uma boa ideia.

A gente não sabe, a investigação está em curso, é uma investigação sigilosa, e a gente, na verdade, tirando o mérito do Intercept, que conseguiu revelar a história e continua revelando outros trechos da história, não há perspectiva dessa, digamos assim, da versão oficial vir à tona, de uma forma de um relatório da Polícia Federal, por exemplo.

Inclusive a PF vai ser provocada a responder sobre isso, nem que seja para dizer que não encontrou nada, ou para dizer não, encontramos indícios aqui disso e tem que prosseguir dessa determinada maneira. Então a PF já está num processo ali de conversar com o ministro para negociar como que vai ser feita essa investigação. Como eu estava falando...

Tudo passa pelo gabinete, não em termos de assim, ah, eu tenho que autorizar porque só vai ser investigado quem eu quiser que seja investigado, entendeu? Não é isso. É mais uma questão de dar ciência e notificar, assim. Por enquanto, tem funcionado dessa forma.

E qual é a pergunta que você gostaria de conseguir descobrir a resposta imediatamente? Claro, a gente quer saber toda a história, como começou, como foi financiada, etc. Mas tem algum foco específico que você está buscando agora?

A grande questão que se coloca é por que que essas pessoas dessa empresa, dessa Go Up Entertainment, que não tinha nenhum passado ali, nenhuma experiência numa produção desse porte, foram colocadas para fazer uma produção audiovisual com um orçamento desse tamanho? Por que que eles, que são uma empresa muito pequena, está lidando com essa quantidade de dinheiro? Acho que essa é uma pergunta bem interessante, assim, que eu me faço.

Muito boa pergunta, Natália Portinari. Muito boa. Espero que você consiga respondê-la para nós depois discutirmos a resposta aqui no All Prime mais à frente. Muito obrigado, Natália, mais uma vez pela sua participação. Espero que você volte em breve. Obrigada, Toledo. Sempre um prazer.

Natália Portinari, as pessoas vão querer ler mais sobre o que você já escreveu sobre esse assunto. Onde elas podem encontrar? Podem procurar minha coluna no UOL, Natália Portinari, e no índice lá da minha coluna tem todas as matérias sobre esse assunto.

Muito bem, não deixem de fazer isso. Lembrando que quem assina o UOL pode ler tanto as colunas indispensáveis da Natalia Portinari como as colunas de todos os colunistas exclusivos do UOL, além de todas as reportagens investigativas do UOL Prime. Os assinantes têm acesso também a descontos.

no cinema, no teatro, festivais de música e muito mais. Tem também acesso ao Wallplay. Assine em assine.wall.com.br Bom, e obrigado a você que ficou com a gente até agora. Eu sou José Roberto Toledo e faço a apresentação do Wall Prime. Conversei hoje com a repórter e colunista do Wall, Natália Portinari. O roteiro é da Clara Reilstab. A operação de vídeo é do Roger Melo.

A montagem é do Lucas Zacarias. A coordenação é da Lígia Carriel e da Laura Kapeljushnik. Trilha sonora original foi composta pelo João Pedro Pinheiro. A coordenação de operações é do Danilo Esperandil e do Eduardo Bonavita. A foto de capa do podcast foi feita pela Daniela Toviansky. O podcast é um produto do All Prime e a gerência geral é do Irineu Machado.

A supervisão é do Murilo Garavello, diretor de conteúdo do UOL. Até o próximo episódio.