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Era da ansiedade: redes sociais, sim, mas há muito mais. Como lidar? l Daniela Lima no Missão Saber

11 de maio de 20261h42min
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⁠Missão Saber, o novo podcast do UOL⁠

No programa, Murilo Garavello, diretor de conteúdo do UOL, recebe uma personalidade por episódio e, a partir de livros, discute um tema escolhido.

A primeira convidada é Daniela Lima, que fala da era da ansiedade.

Acompanhe um novo episódio às segundas-feiras.

Livros

-Sociedade do Cansaço — Byung-Chul Han

-Stolen Focus (Foco Roubado, em português) — Johann Hari

-Talvez Você Deva Conversar com Alguém — Lori Gottlieb

-Como Reprogramar seu Cérebro Ansioso — Catherine Pittman e Elizabeth Karle

-Unwinding Anxiety (Desconstruindo a ansiedade, em portugês) — Judson Brewer

-Peak Mind (Sagaz, em português) — Amishi P. Jha

-As Coisas que Você Só Vê Quando Desacelera — Haemin Sunim

-O Espírito da Esperança — Byung-Chul Han

Assuntos2
  • Vício em Redes SociaisSociedade do cansaço · Sociedade do desempenho · Multitarefa · Doomscrolling · Big Tech · Yuval Noah Harari · Produto como dados · Impacto na sociedade · Transtornos alimentares · Heroine chic · Fomo (Fear of Missing Out) · Brain rot · Regulação de redes sociais · Inteligência artificial
  • Ansiedade e saúde mentalSociedade do cansaço · Sociedade do desempenho · Multitarefa · Doomscrolling · Big Tech · Yuval Noah Harari · Produto como dados · Impacto na sociedade · Transtornos alimentares · Heroine chic · Fomo (Fear of Missing Out) · Brain rot · Regulação de redes sociais · Inteligência artificial · Talvez Você Deva Conversar com Alguém · Lori Gottlieb · Evitar o presente · Ruminar o passado · Projetar o futuro · Processos de autodefesa · Comunicação escrita vs. presencial · Linguagem não verbal · Como Reprogramar seu Cérebro Ansioso · Catherine Pittman · Elizabeth Karle · Amígdala · Córtex pré-frontal · Neuroplasticidade · Exposição ao medo · Fobia · Unwinding Anxiety · Judson Brewer · Preocupação como falsa sensação de controle · Ansiedade contagiosa · Sagaz (Peak Mind) · Amishi P. Jha · Mental time travel · Mindfulness · Flexões para a mente · Aceitação da realidade · As Coisas que Você Só Vê Quando Desacelera · Haemin Sunim · Combate ao ego · O Espírito da Esperança · Byung-Chul Han · Resistência intelectual · Síndrome da Mulher Maravilha · Descanso · Presença
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E aí, você tá bom? Bão também. Eu sou Murilo Garavello, diretor de conteúdo do UOL, e esse é o Missão Saber, um podcast para quem é curioso e gosta de aprender.

E eu acho que o melhor jeito de aprender é lendo um bom livro. Aqui o livro é o começo de conversa, é o começo de um papo de bar. Hoje a gente vai falar de ansiedade. Eu separei sete livros porque esse tema é...

Tem cabeludo e tem de tudo. Tem jornalista investigativo, tem neurocientista, tem neurobiologista, tem filósofo, tem terapeuta e tem até um monge budista. E para me ajudar a percorrer esse caminho, eu tenho aqui comigo a Daniela Lima. Tudo bom, Dani? Oi, querido. Tudo bem. Vamos embora. A Daniela Lima dispensa apresentações, mas está aqui no roteiro que eu tenho que fazer, né?

Deixa assim, deixa abaixo. Quer fazer você a sua apresentação? Claro que não. Eu tô aqui, gente, o podcast é do chefe, entendeu? Então a gente fica como? A gente fica assim, ó, bem bonitinha. Vamos caprichar.

A Dani é modesta, ela é uma das melhores jornalistas brasileiras. Ela é também comentarista do All News, colunista do All. Está todo dia com furo, com novidades, com análises. A gente tenta. O Dani, você fica o tempo inteiro no zap ali, né? Eu imagino que você não está nesse episódio de ansiedade por acaso, né? Não.

Vou abrir aqui um pouco do bastidor do seu projeto, né? Sim, senhora. O Murilo, quando decidiu fazer esse podcast, deixou uma coisa bem aberta, assim, sobre o que você quer falar. Eu falei, ah, eu gostaria de falar sobre a ansiedade. A ansiedade é uma companheira minha, assim, me faz companhia há muito tempo. Se você me perguntar assim, ah, quando você se descobriu uma pessoa ansiosa, eu tenho muita dificuldade de dizer, porque eu não sei mais se eu consigo separar o que é...

a ansiedade enquanto um gatilho difícil e ela acontece também e às vezes ela é uma espécie de força motriz

da minha vida, assim. Então, eu sou uma pessoa ansiosa, ponto. Acho que é quase como uma parte da minha personalidade, eu diria, assim. É uma parte do que eu sou e de como eu vivo, sabe? E eu trabalho em cima disso, claro. Mas será que você não tá misturando um drive, um ímpeto, uma força de vontade, uma força e eu diria,

De trabalho até, assim. Talvez. Com o momento em que isso passa a ser patológico e te prejudica. Então, esse livrinho, esse aqui é um dos livrinhos, dos sete.

Você vai ler alguma coisa? Eu falei, pô, calma que eu tenho que trabalhar, né? Fazer matérias. Mas aqui, de saída, tem uma frase muito legal. Peraí, vamos mostrar o livro. Apresentar o livro? Exato. Gente, ó. Aqui, tô aqui, né? Ó, aí. Talvez você deva conversar com alguém da Lori Gottlieb.

Ela é uma psicóloga, psicanalista de formação. Chegou a ser jornalista. Atuou como jornalista. E o livrinho é bem gostoso. Bem gostoso. É basicamente ela contando um pouco da experiência dela como analista com os pacientes. E dela como analisada.

Porque em um determinado momento a vida dá uma pancada em todo mundo e ela vai parar no divã. E de saída... No caso dela, a pancada foi pesada, né? Ela perdeu o namorado com quem ela tava junto e gostava muito dele. Dois anos, assim. É, e chegou meio que do nada, né? Não foi bem do nada, mas ela não percebeu os sinais. Não quis ver, né? Não quis ver. Que é um pouco dessas armadilhas que a gente vai criando.

na própria cabeça e no próprio dia a dia. E o livro fala muito disso, né? De como ela deliberadamente não quis ver também todos os sinais que estavam ali, porque...

Preferia ficar naquele estado. Mas de saída, aqui tem uma frasezinha muito legal, né? Que conversa um pouco com o que você estava falando sobre. Ah, não tem uma confusão aí? Talvez tenha e talvez não, né? Ela diz basicamente o seguinte. Não é como se fôssemos espiar naqueles cantos escuros, acender a luz e descobrir um bando de baratas quando você olha para a sua espécie de sombra, digamos assim, né?

Os vagalumes também adoram a escuridão. Existe beleza nesses lugares, mas é preciso olhar ali dentro pra vê-la. E assim, eu vejo um pouco de... Eu não vejo... É óbvio que estar num estado de ansiedade permanente não é gostoso pra ninguém. E eu não tô falando desse pico, sabe assim? Você é ansioso? Eu sou.

Então você sabe que tem gradações. Exato, mas eu acho que tem diferenças, assim, né? Eu sou muito ligado na tomada, eu faço muita coisa, mas eu não sei se é ansiedade, porque eu fui aprendendo e acho que eu consigo, de certa forma...

aquela frase, né? a cada dia sua agonia, né? então eu acho que eu consigo fazer as coisas de uma maneira que eu não fico me preocupando eu aprendi não me preocupar demais, né? eu me ocupo na hora que é pra me ocupar, claro, sou ser humano várias vezes eu me preocupo na hora que não é pra me preocupar mas eu acho que hoje em dia é mais balanceado isso uma coisa que faz, que me dá um alerta é então eu acho que

Tem uma conversa um pouco com esse ditado que você trouxe, né? Um versículo da Bíblia, ele diz o seguinte, o amanhã trará suas próprias preocupações, que é basicamente isso do tipo, preocupe-se com, ou esteja presente no hoje, né? O amanhã vai trazer suas próprias preocupações. Uma coisa que me dá um gatilho do tipo, vou vigiar aqui, é isso. De estar muito pensando, amanhã tem que fazer aquilo, depois de amanhã aquilo, outro, aquilo, não sei o que, não, não, não, não, não, não. Esse é um processo que eu não gosto de entrar.

A gente vai falar muito sobre isso. Deixa eu até... Eu acho que está na hora da gente começar a entrar nos... Eu queria começar abordando isso de uma maneira mais estrutural. Porque eu acho que está todo mundo mais ansioso que o normal. Eu acho que a aceleração das coisas provoca isso. E eu vou começar pelo lado mais cabeçudo, o livro mais cabeçudo que a gente vai trazer hoje.

que é do sociólogo, mora na Alemanha, mas ele é sul-coreano, o Byung-Chul Han. É a sociedade do cansaço. É um livro que tem sido muito falado porque ele é muito bom. E ele traz uma coisa que é assim, a gente passou de uma sociedade disciplinar

que eu acho até que a gente foi criado um pouco nessa sociedade ainda, proibições, chefes autoritários, tem regra, você está dentro de um sistema e você tem que performar dentro desse sistema. Para uma sociedade do desempenho.

E nessa sociedade do desempenho, o indivíduo é empresário dele mesmo e a gente é dono do chicote. A gente mesmo está lá, né? Trabalha mais! Vamos! Está devagar! E aí ele diz que o problema não é a concorrência entre os indivíduos.

Mas o fato de a gente tomar nós mesmos como referência e a gente estar o tempo inteiro em concorrência conosco mesmo e querendo melhorar e querendo ir para frente, e isso leva para o burnout.

a gente tem de certa forma acontece na sociedade uma romantização de hábitos super destrutivos então é bonito você ser um workaholic

É incentivado que você seja multitarefa, uma coisa que não existe, não existe multitarefa. Você, quando está fazendo várias coisas ao mesmo tempo, o que você está fazendo é começa uma coisa, para, muda sua atenção para a segunda coisa, muda sua atenção para a terceira coisa. E quando você está fazendo essas três coisas, você está gastando energia para trocar muito rapidamente de coisas. Se você fizesse uma de cada vez, seu desempenho seria muito melhor e você se cansaria muito menos.

Mas a gente tá sempre ali dando conta de tudo, fazendo tudo. Você acha que isso ecoa com você? Você se enxerga nisso? E a verdade é a seguinte, eu não gosto dessa glamourização da ideia do... Ela não dorme, ela trabalha o tempo inteiro. E isso é uma coisa que permeia muito as conversas que eu tenho e a impressão que as pessoas têm sobre a forma como eu vivo a vida.

É mentira. É. É mesmo? Ah, um pouco, é. É. Já não foi, talvez. Do jeito como você vive, tem notícia 11 horas da noite. Tem notícia na hora que você acorda já tem coisa. Então você tá o tempo inteiro ali meio alerta, ligada. Deixa eu ver se meu zap derrubou o presidente. Não tem isso? É, mais ou menos, assim.

Já teve, eu acho, talvez. Eu tô num momento, assim, de... Na verdade, eu estou precisando redirecionar, compartimentar melhor a minha energia. Eu tô fazendo muita coisa.

E se eu não tiver uma cabeça muito focada em preciso parar uma hora e dar uma descansada, por exemplo, entra num lugar que eu, de novo, né, que eu não gosto. Por conviver com o processo da ansiedade há tanto tempo, eu entrei numa espécie de vigília constante, assim, em cima desse sentimento, dessa sensação.

Porque é isso. Como eu disse, às vezes ela...

me dá uma espécie de força motriz, mas eu não gosto de deixar ela me levar para um lugar que eu conheço muito bem e que não é agradável, onde ela passa a perturbar, de fato, a forma como eu tenho que fazer as coisas ou performar, digamos assim. Essa vigília é importante, a gente vai falar disso. Eu vou ler mais um trechinho aqui do... Na verdade, eu não li trecho nenhum, mas agora eu vou ler um trechinho dele.

Desgasta-se correndo numa roda de hamster que gira cada vez mais rápido ao redor de si mesma. Também os novos meios de comunicação e as técnicas de comunicação estão destruindo cada vez mais a relação com o outro.

O mundo digital é pobre em alteridade e em sua resistência. Nos círculos virtuais, o eu pode mover-se praticamente desprovido do princípio de realidade, que seria um princípio do outro, da resistência. Ali, o eu narcísico encontra-se sobretudo consigo mesmo.

A virtualização e digitalização estão levando cada vez mais ao desaparecimento da realidade que nos oferece resistência. Ou seja, o mundo virtual, as redes sociais, elas nos afastam um pouco do outro e fazem a gente mergulhar nesse processo egóico, no auto-chicoteamento, digamos assim. E aí a gente entra no segundo livro.

O que continua essa conversa é o livro de um jornalista chamado Johann Hari. Esse livro, eu li em inglês, chama Stolen Focos. Saiu aqui no Brasil, Foco Roubado. A tradução literal é o nome do livro aqui no Brasil. Ele passou, ele fez uma experiência.

Ele ficou três meses numa ilha do Pacífico sem acesso a celular ou a internet. Daí ele conta no livro como que foi acontecendo. Mas tinha gente, ele tinha troca com outras pessoas. Tinha gente, mas ele não conhecia ninguém. Era uma galera, era uma ilha pouco habitada, era uma galera que tinha pouco a ver com ele. Aos poucos ele vai conhecendo gente, aos poucos ele vai. E aí ele voltou.

a conseguir pensar profundamente, voltou a ter pensamento contemplativo, ler livros longos, ele percebeu o que ele pedia, né? Ele diz assim, sem foco profundo, porque é isso, quando a gente está nessa vida muito digital, muito hamster, muito, como que é? Doomscrolling, né? A gente lá, Instagram, redes sociais, exato.

Sem foco profundo, nos tornamos incapazes de fazer as coisas que nos tornam mais humanos. Eu não consigo ler um romance, não consigo escrever um artigo longo, não consigo ter uma conversa em que realmente estou ouvindo a outra pessoa. Não consigo ter pensamentos que durem mais de alguns minutos sem serem interrompidos. Estamos perdendo as capacidades que nos tornaram humanos.

E aí ele voltou desse retiro e em três semanas, vivendo normalmente, mesmo consciente de tudo isso, ele estava de volta a esse estado de dificuldade, de flow, dificuldade de profundidade, que a gente, mesmo quem está atento, sofre. Bad habits die hard.

Exato, mas aí não é só isso Ele voltou e foi entrevistado Ele disse que ele passou 3 anos Entrevistando os maiores especialistas mundiais Em atenção, foco e distração Pra entender o problema

E aí, onde ele chega? O problema se chama Big Tech. Que fizeram o seguinte, óbvio. Combinaram engenheiros de software, psicólogos comportamentais, criaram algoritmos sensacionais que...

entendem o que a gente quer, entendem melhor do que a gente o que a gente quer, nos mostram o que a gente quer e ainda fazem vários mecanismos baseados em estudos científicos para nos manterem...

Olha, boa pergunta. Eu acho que ele é britânico ou americano. O sobrenome. Nossa. Até se a produção puder tirar essa dúvida, Johan Hari, depois a gente já traz a informação daqui a pouco. Ele é britânico. Perfeito. E aí, o que ele diz é assim, que a narrativa comum...

é que falta disciplina pra gente, né? A gente não tem força de vontade suficiente, a gente, pô, você quer usar menos redes sociais? Use menos redes sociais. A culpa não é das redes sociais, elas criaram uma coisa sensacional, e você que tá usando errado. E ele fala que é ridículo.

que a distração não é um defeito de caráter, né? É um modelo de negócios mais lucrativo do século e que a gente tentar sozinho enfrentar isso é tipo você com um baldinho tentando salvar um navio que está afundando. Sabe quem escreve um pouco, quem fala, na verdade, muito sobre isso também? Até por isso que eu perguntei se ele era israelense é o Yuval Noah Harari. Sim. O Harari tem vários livros...

que tornou ele célebre, é o Sapiens, né? Mas ele tem trabalhado muito sobre...

Como nós nos tornamos o produto mais rentável desse modelo de negócio, né? Porque conversa um pouco com isso que você está dizendo. As redes, elas conhecem mais dos seus hábitos, necessidades ou mesmo desejos, né? Assim, aquela coisa que você ainda não tem, mas você...

Se você for atento ao que o seu algoritmo te mostra, você até toma... Você é surpreendido. Você fala, nossa, nem sabia que isso era para mim. Perfeito. E a gente, nós, pessoas, seres humanos, nós nos tornamos um produto. Por quê? De novo, né? O que nós passamos para eles são dados. Dados, dados, dados de comportamento. Se você pegar isso aqui... Bom, tá. Basicamente, a minha rede social é de trabalho.

Eu compartilho muito pouco de vida pessoal em rede social. E eu faço uma... Não lembro. Nunca aparece ali uma viagem legal que você dá online. Muito pouco. Um gatinho que você... Ah, não. Sim. Dos outros. Eu boto muito pouco os meus. As minhas viagens, as minhas coisas, eu compartilho muito pouco. Basicamente, ali tem meu trabalho. É...

pessoas que estão comigo no meu trabalho e tal, às vezes eu... E é muito engraçado isso, porque como está muito presente na vida das pessoas, de modo geral, os meus grandes amigos da vida toda, que são meus amigos há 20, 25 anos, eles se ressentem muito, por exemplo, de, sei lá, ter um aniversário e não ter uma postagem. Todo mundo faz uma postagem. Ai, feliz aniversário, não sei o quê. Eu faço muito pouco. Até porque, por conta da...

da natureza do trabalho não, pô da natureza do trabalho pô, hate pra caramba Murilo, querido, feliz aniversário daqui a pouco, ah, não sei o que trabalha com essa aí, essa, aquela chato, você leva um caminhão de eu costumo, desculpa aí, gente, edita aí eu levo um caminhão de bosta sem querer, entendeu? pra dentro da sua casa porque isso aqui tá com você, né, o tempo inteiro pra dentro da sua mente e aí

Exato. Então eu evito muito. O que me ajuda. Mas assim, eu era muito heavy user de Twitter, né? Antes dele virar o X. Só que virou um campo de batalha, um negócio tão brutal que eu me retirei. E aí eu fui tentar entender o Instagram. E aquilo ali é...

aquilo ali é feito para você passar o dia inteiro fazendo nada, né? Perdendo... O 2.0 que é o TikTok. Graças a Deus. Olha, eu abri uma continha lá, mas fiquei com medo, porque dizem que é o algoritmo mais bem... Sim, o Instagram tenta copiar e está sempre passos atrás, assim, né? E virou, assim, uma ultra, ultra, ultra febre, em especial entre as pessoas mais jovens. É que, assim, as redes sociais, ela... Fim do YouTube.

o impacto dessas plataformas na sociedade, de modo geral, ele é tão grande, mas ele é tão grande, mas ele é tão grande, mas ele é tão grande, que eu acho que vai levar muito tempo, de fato, para a gente conseguir mapear. Porque ele vai do indivíduo, ou seja, da forma como eu me comporto e eu me relaciono com isso e com as pessoas que estão aqui.

E como ele molda o seu cérebro, como ele condiciona o seu relacionamento com todo mundo, né? Total. Até todas as camadas da sociedade. E se a gente unir as duas coisas que você trouxe até agora, que é a sociedade da performance, né? E essa necessidade de estar ali conectado.

é uma combinação mortal e ela tá aqui o tempo inteiro, ou seja, tá todo mundo sempre no seu melhor, no seu mais bonito, no seu mais magro, no seu mais bem retocado. Então, assim, nem entramos nessa parada, entendeu? É infinito, renderia um episódio, né? Exato. Então, assim, a forma como a rede social ou essas plataformas impactam...

E aí quando eu falo nossa vida, eu tô falando no mais amplo mesmo, né? Porque é desde isso, desde a menina que tem ali seus 16 anos e que, assim, a gente voltou a falar, por exemplo, agora de transtorno alimentar, porque tá todo mundo performando, pra usar a palavra que você trouxe.

Magreza extrema. De novo. Na nossa geração, a gente viu aquela... Não sei, o Murilo está sempre assim, tá, gente? Ele está sempre assim, quer se modelir. Não, não. É verdade. Tanto que eu falei, vou botar uma golinha preta para ficar de par de jarro. Ah, tá. De preto, sim. Dá uma escondidinha, né? Mas na nossa época, a nossa geração viu aquela... Aquela...

Fase de modelos que eram chamados heroine chique. Lembra disso? Sim. Modelos muito magras. Kate Moss, etc. E assim, heroine chique não vem de heroína. Heroína, a Mulher Maravilha, vem da droga. E a gente voltou pra isso, só que...

performando beleza, saúde. E, assim, preocupante. Isso tem um impacto brutal na formação das pessoas, em especial das mais jovens, mas de todo mundo, né? Você se olha e fala, pô, aquela coisa do podia estar com dois quilos a menos, ela se torna uma obsessão permanente, porque as pessoas estão, na verdade, mostrando os ossos. Agora, orgulhosamente. E tem...

o Johan Hari, voltando para o nosso episódio aqui, tem uma conexão direta entre a ansiedade e essa distração, esse estado que a rede social provoca. O que a gente diz que é brain rot, essa dificuldade nossa de ter pensamentos mais profundos.

Há uma ligação profunda entre ansiedade e perda de atenção que raramente discutimos. Quando nossa atenção é constantemente fragmentada, nunca completamos os ciclos cognitivos que nos dão sensação de controle. Ficamos num estado de perpétua incompletude. Mil tarefas começadas, nenhuma terminada, a sensação crescente de que estamos sempre atrasados, sempre perdendo algo importante. Tem também o fomo, né? Então, a gente está sempre ali e isso gera.

ansiedade, isso gera o tema desse episódio e aí ele coloca uma coisa que está em vários outros lugares também que o ambiente sempre vence a força de vontade individual a longo prazo tem um outro episódio desse podcast que a gente fala sobre como que a gente cria hábitos melhores

E o poder do ambiente é brutal. A nossa força de vontade vai só até a página 2. E aí ele chega nesse negócio. Nossa cultura ensina que se você não consegue focar, é sua culpa. Você precisa de mais disciplina, mais força de vontade e mais esforço. Mas imagine dizer isso a alguém que foi picado por uma abelha enquanto está tendo uma reação alérgica. É só ter mais força de vontade, não cosse. A tensão humana está tendo uma reação alérgica ao ambiente que construímos. E aí ele termina o livro...

propondo um movimento coletivo para exigir dos políticos e das plataformas mudanças estruturais. Porque a sociedade inteira está adoecendo e tem meia dúzia de pessoas ficando muito ricas, bilionárias, cada vez mais bilionárias, e os governos não reagem. Vai virar trilionário. E as sociedades não reagem e está cada um aí, ah não, vamos olhar do ponto de vista individual, e a gente vai fazer isso. Daqui a pouco a gente vai falar como que nós nos defendemos. Porque também, você acha que é...

provável que aconteça essa reação, a gente vê os nossos governantes apalermados com... querer enfiar dinheiro no bolso, enfim. Você sabe disso melhor do que ninguém. Não é nem isso. Sabe o que acontece? Como todo processo de vício...

E o que a gente tem hoje é vício nessas plataformas? Todos nós em um maior ou menor grau. Tem um dia que você passa sem abrir? Não, porque ela é extremamente útil. O que se discute aqui não é proibir, é regular, né? É ter, sei lá, limites e coisas que são proibidas. Mas e o que acontece? Como todo processo de vício, tentando concluir meu raciocínio, né?

Você passa a defender aquilo em alguma medida como se fosse quase que uma tarefa de vida, né? E eu acho que até que as pessoas todas entendam que elas se colocaram deliberadamente, todos nós, eu não estou me apartando disso, né? Nós nos colocamos numa prateleira global e viramos produtos, assim, em todas as nossas... ...

E aí é muito doido, porque vai das suas fragilidades até as suas preferências políticas, por assim dizer, né? E que isso passou a ser valorado, até que as pessoas entendam que, na verdade, elas não estão ganhando, elas estão sendo vendidas, né?

A gente vai ter um longo processo. Os países na Europa, por exemplo, já tem agora uma... A França fez uma regulação para menores de 15 anos em rede social, porque eu acho assim, para quem está em formação, de fato, o impacto é brutal. Se a gente voltar a pensar no exemplo mínimo aqui da magreza extrema, né? Isso é um processo indutor mesmo de ansiedade permanente, porque...

A rede social, além de tudo, ela pode te render tanto um processo de encastelamento num grupo no qual você se sente adequado, o que te impede de fazer esse contato com o diferente, que pra mim é a grande graça da vida, né? Sim. Da troca, quanto te manter num processo de sensação de inadequação permanente.

Então, são dois extremos, assim, que claramente não levam a um lugar, um estado pensando em cabeça, né? Em saúde emocional, claramente não é bom. Eu acho que vai levar um tempo, assim, porque existe uma confusão muito grande, né? Trata-se...

é liberdade de expressão não é assim que a coisa funciona não é, e a gente tá eu acho que esse momento também essa aceleração das coisas com a inteligência artificial agora é um absurdo absurdo os governos vêm muito depois é quase como se fosse uma característica dada do momento que a gente vive dessa velocidade

Não tem sociedade que consiga chegar a consensos mínimos e que gerem nos políticos a mobilização necessária para regular em tempo hábil o funcionamento. E não é só, é de encontrar um consenso, é isso que você falou, a palavra-chave, consenso, consenso mínimo, porque ainda que se proponha...

A sociedade está tão fragmentada e tem entendimentos tão diferentes a respeito de como elas usam e de como elas são usadas pelas redes sociais. Você não consegue gerar...

movimento mesmo, pra levar aquilo adiante. E pior, quando às vezes tem propostas de legislação, muitas vezes elas são rápidas, não compreenderam direito, então também corre o risco de inibir, desenvolvimento de coisas interessantes, então é complexo. E detalhe, né? O risco é você fazer uma coisa.

pra hoje, e amanhã ela já tá obsoleta. Exato, fica obsoleto, tem consequências impensadas, né, é muito difícil. A gente tá vivendo um processo de transformação que, pra mim, assim, é inédito. Eu não acho nem que a Revolução Industrial tenha sido tão transformadora quanto isso. É maior que a Revolução Industrial. Eu também não tenho dúvida.

E é uma coisa em cima da outra, né? Já tinha a revolução da internet, aí celular, aí as redes sociais cada vez mais fortes, aí inteligência artificial. Voltando ao Harari, ele não tem smartphone. É. Ele tem um companheiro, né? Ele é casado, e é uma espécie de gestor, e este sim tem, mas ele é tão... Coitado, acaba tendo duas vezes.

Ele carrega, mas também como é que um cara como o Harari vai pensar muito se ficar no celular, não vai pensar profundamente. E ele fala que é a única, é a primeira vez na história da sociedade que há um experimento científico com 6 bilhões de pessoas, né? Basicamente o mundo inteiro, tá?

Pois é, e aí você ainda vai acrescentar isso à máquina e tudo que ela pode. Esse último livro dele é muito interessante, chama Nexus, renderia um episódio inteiro também. Bom, a gente falou da estrutura. Como a estrutura, por causa de tudo isso que a gente disse, provavelmente não vai ter uma solução tão rápida, né? Vamos voltar para o indivíduo. Coitado. O indivíduo e seu baldinho dentro do navio afundando. Exato.

Se você chegou animado nesse podcast. Não! Prometo, no fim desse episódio traremos soluções. Esperança. Ou caminhos. Esperança. Traremos esperança e caminhos pra você começar a tentar despiorar. Talvez.

Vamos falar desse livro? O que você mais gostou desse livro? Aqui? É, esse. Que é a abordagem da psicologia, né? Você deveria conversar com alguém. Uma das coisas que eu separei aqui pra falar dela é...

que a gente tenta evitar o presente, né? A maioria das pessoas que vejo sofre de uma versão do mesmo problema. Estão vivendo em outro tempo. Ou estão presas no passado, ruminando sobre o que poderia ter sido diferente, ou estão projetadas no futuro, ansiosas sobre o que pode dar errado. O presente, o único lugar onde a vida verdadeiramente acontece, é o lugar que mais evitamos habitar.

Esse é um processo clássico do ansioso, né? Sim. Esse é um processo classicaço do ansioso. Remoer passado, é foda, né? Bom, eu sou canceriana, né? Eu sou câncer com ascendente em virgem e a lua em câncer. Então, assim... O que isso quer dizer? Eu não entendo nada. É, então... Aquela rancor é o meu sobrenome, tô brincando. Tem uma coisa... Ah, é? Você guarda-mágo? Eu tenho isso. É um trabalho permanente, assim, pra...

Se é aquela que seis meses depois você vai falar. É, porque naquele dia você me disse. Não, ainda tem o pior, né? Porque eu não vou falar, né? Se eu falo, ainda tá bom. Se eu falo, ainda tá bom. Se eu falo, tá ótimo. Gente. Se eu não falo. Isso é uma espécie de ruidade. Não, cara. Tem uma coisa que tem nesse livro, aquela de novo aqui, ó.

São processos de autodefesa, eu acho. Ela fala muito sobre isso aqui, sobre como às vezes as máscaras, as piores máscaras que a gente exibe, elas são, na verdade, fruto de um processo de autodefesa, né? De coisas com as quais você simplesmente não dá conta de lidar naquele momento, e aí você adota um comportamento XYZ, né? Eu tenho uma coisa horrorosa, assim, que é...

Eu faço terapia, né? Há muitos anos. Duas vezes por semana. Duas vezes? Duas. Eu faço análise. A minha analista... Oi, Celina. Beijo. Ela acompanha tudo. Já está comigo a Celina há sete anos. Agora, nessa nova fase, mas eu faço análise desde os 19.

E uma coisa que eu tentei muito tratar, porque nesse processo de, digamos, autodefesa, porque chega uma hora que você fica, eu no caso, né? Aí eu vou projetando pra fora, tá vendo? Pra dar uma afastada pra falar a coisa de uma maneira mais honesta. Chega uma hora que eu fico tão incomodada que eu simplesmente aparto.

Você fecha a chave do cofrinho que tá ali com todas as... Então tem pessoas que eu de fato abandonei no caminho. Sem muita explicação, assim. Te magoaram e você não consegue mais lidar com aquilo. Não é um processo de um dia pra noite, mas é uma coisa... Eu trabalho muito hoje pra poder falar. Quando alguma coisa me incomoda.

Porque, via de regra, a minha tendência sempre foi, tipo... Uhum, tá.

E aí, anota assim num caderninho. Tá ali tudo, né? Anota num caderninho. Mas isso fica voltando pra você? Ou você consegue deixar ali guardado ou não é que tá guardado? Ele tá sempre voltando pra sua consciência. Não, é porque se tiver uma segunda anotação, eu retomo, né? Entendi. Já soma pra aquela e reforça. E aí, durante algum tempo na vida, eu cheguei uma hora e falei Ah, chega, eu não quero mais lidar com essa pessoa aí, tipo...

sem muita explicação, o que é horroroso, né? É uma forma de...

sei lá, punir o outro de uma maneira que às vezes talvez ele nem compreenda, sabe? Então hoje o meu trabalho inteiro é pra falar. E graças a Deus, há um bom tempo eu tenho conseguido fazer isso. E aí uma vez que você fala e que esse passado, assim, é importante, e eu também aprendi isso, não acumular. Porque essa coisa de ficar ruminando lá atrás, às vezes na sua própria cabeça a situação cresce.

Sim. De um jeito, que quando você vai colocar ela pra fora...

ela está desproporcionalmente maior e mais lesiva. Aquela relação, seja de trabalho, seja você com seu companheiro, seja você com seus amigos, né? Seja você com seu time de futebol. E tem uma coisa que é assim, em qualquer relação, muitas vezes a maneira como você guardou aquilo não leva em consideração totalmente a perspectiva do outro, as informações que vêm do outro.

Se guardou uma mágoa que nem era tão forte, que nem precisava ter virado uma coisa tão pesada se você tivesse compreendido melhor, né? Então, assim, claro, tem vezes que a pessoa deu uma mancada e deu uma mancada a ponto final. Mas tem outras que, às vezes, é falha de comunicação ou é você não entendeu a intenção da outra pessoa e se entendesse, não teria pegado tão pesado pra você, né? É, conversar é um hábito. E detalhe, isso é outra...

Juntando, tentando juntar tudo, né? É outra coisa que a gente tá deixando de fazer, né?

É conversar. Porque é tudo na... Mentira, pô. Mentira. Mensagem. O tempo inteiro. E a palavra escrita... Você acha que a conversa presencial... Faz toda a diferença. Claro que faz. Faz toda a diferença. Faz mesmo. Entonação, cara.

Você percebe a brincadeira e já ficou, né? Já guardou um negócio. Nossa, como que ele me diz isso? Entonação. A palavra escrita, ela é de uma impessoalidade. E aí, o que acontece? Ela amplia muito o poder do receptor da mensagem. E de como aquela pessoa está. Explico. Se eu mando pra você...

Tem gente que interpreta carinhas, emojis, né? É difícil, é difícil. É muito difícil pra mim. Tenho muita dificuldade. É mesmo, você não entende? Pô, eu fico meio... Não sei, assim, eu gosto muito daquela carinha... Assim, eu não sei, porque eu acho engraçadinha, mas acho que quase ninguém entende não sei, cara. Pra mim... Não, mas é verdade. É muito difícil. Teve um episódio meu com a Dani.

Eu tava na China, teve um dia eu mandei um negócio pra ela que era tipo era um era desse tamanhinho assim aí ela entendeu desse tamanhão assim, ficou braba comigo aí depois a gente precisou conversar direito pra ela pessoalmente, melhora, porque de novo né? Mas eu tô na China, o que eu vou fazer? Claro!

Mas como eu disse, a palavra escrita amplia muito o poder do receptor. O que eu quis dizer, depende muito de como eu tô naquele dia. E veja, não é que ele me escreveu na China num dia qualquer. Estavam prendendo um ex-presidente da República. Eu tava trabalhando desde 5h50 da manhã. E ele também. Muito, né? Então, de novo, né? A entonação faz muita diferença. E eu acho que...

As big techs, as plataformas, elas tiram muito isso. Aqui tem uma... Voltando ao livro. Sim. Tem uma coisa muito legal dela falando. Toda vez que um paciente entra na minha sala, eu sei que eu vou saber metade da história.

porque tem o ponto de vista dessa pessoa e tem um exercício constante, ela brinca, dos analistas, que é de pensar o que será que ela está omitindo, mentindo ou deliberadamente deixando para trás. E uma outra questão que ela aborda aqui também é a diferença da sessão, da conversa presencial, porque tem uma troca de energia.

A linguagem não verbal. A linguagem não verbal. Como essa pessoa se senta, se ela sacode o pé, se ela bate a mão, se ela tá ali o tempo inteiro gesticulando muito. Isso tudo ajuda aí, descascando um pouco essa cebola, pensando em uma espécie de várias camadas, né? Até você chegar, de fato, naquilo que te incomoda.

Porque tem sempre o... Isso também aparece no livro. Esse livrinho é legal. Achei bem legal. Também aparece no livro que é... Geralmente você vai buscar ajuda quando você tem um acontecimento chave. Que...

de alguma forma te obriga a querer tratar de certa... Emergencialmente. Uma questão que é de frente. Quando, na verdade, a análise, a terapia é pra tratar questões ou buscar entender melhor questões de fundo. Sim. Né? Sim. Você tem o problema que é uma espécie de gatilho.

que te leva a querer conversar com alguém. Tem essa passagem, o Murilo citou aqui, que é a coisa do namorado, e é muito bom que você não tem o nome dele aqui, ele é o namorado, quando o cara simplesmente vai embora dizendo que, bom, eu não quero conviver com uma criança, e ela tem um filho, e eles iam casar. Então, ainda tem essa coisa do processo de rejeitar.

A criança, você é pai, deve ser um negócio... É exatamente isso. Eu não sou, tipo, um hambúrguer com batata frita, você quer só um hambúrguer e deixa meu filho, não é uma batata frita, né? Como assim? Então, mas ela conta assim um pouco, então ela vai na sessão, ela busca um analista, ela sendo analista busca um analista, passa muito tempo falando deste término, até entender que este término é um...

Você fica ali remoendo por que você está escolhendo o sofrimento. É uma pergunta que ele faz até que ela começa a olhar as questões de fundo. Por que isso te incomoda? Aqui tem uma parada que eu me identifiquei muito e que acionou vários gatilhos na minha vida, inclusive processos ansiosos também. Porque ela está nos 40. Dos meus 39 para os meus 40 anos que eu fiz agora,

porra, eu dei uma porque é uma coisa que aparece é que ela fala, já vivi metade da minha vida o que eu vou fazer com o resto? encaixa nessa ideia eu tô trabalhando pra não chegar tão longe é muito mas conversa muito com isso que você disse eu já vivi, ela fala no livro, já vivi metade da minha vida ou seja, pensando no passado e o que eu vou fazer com o resto?

agoniada com o futuro e o presente.

Tem uma coisa que ela diz, que aí a gente volta também diretamente mais para o episódio, que a ansiedade tem uma função. Ela nos diz que algo precisa de atenção. O problema não é a ansiedade em si. O problema é quando tentamos silenciar o mensageiro sem ler a mensagem. Quando você medica ou distrai a ansiedade para baixo, enfim, embaixo do tapete, sem entender o que ela está tentando te dizer, ela só vai gritar mais alto da próxima vez.

quando eu falo desse quem tem processos ansiosos vai conseguir identificar aqui assim quando eu falo que eu funciono muito bem sob pressão, eu acho é uma parte importante do que eu sou e de como eu, pra usar a palavra da moda, performo, funciona muito bem sob pressão, isso é bom e isso é ruim

Porque o ansioso também é um grande procrastinador, né? De certa medida. Você já podia ter feito antes, mas só vai fazer a famosa deadline do jornal. Eu preciso confessar, eu terminei esse roteiro 10 minutos antes de entrar no ar. Ele falou que terminou no táxi. Então assim, de novo, né? Em alguns processos eu consigo conviver com esses...

Hábitos ruins, porque, porra, seria muito mais legal se a gente tivesse uma vidinha planilhada e conseguisse fazer... Irreal, irreal. Irreal. Mas seria legal, né? Meu sonho é acordar e... Eu tenho um amigo muito engraçado, que ele falou, hoje eu acordei cedo pra me atrasar com calma.

É uma ótima definição. É mais ou menos isso. Mas, quando eu entro... Então, assim, esse é o processo de ansiedade, digamos assim, que inclusive leva essa coisa de... A gente conversou um pouco sobre isso. É muito contraditório, mas é real. Como eu sei que ou acho que no fim das contas vai dar certo, empurro mesmo.

Entendeu? Empurro mesmo E faço na hora No rush, naquele Mas veja, enquanto você empurrou Você não tá ansiosa com aquilo Porque se você tivesse, você já ia pegar pra fazer Você sabe que a hora que chegar A hora você vai dar conta Mas você faz com que sentimento?

O que? Deixar pra depois? Não, não, não. Quando você faz. Mas daí não é ansiedade. Aí é pilha, é terminar. Você tá executando. É pilha? Mas você tá executando. Você não tá ansiosa. É pilhado. Claro que tá. Então, mas eu acho que você tá misturando. Não tô. Duas coisas. Uma é a ansiedade. Porque ansiedade é quando você tá... Você não tá fazendo nada pra resolver. Quando você tá fazendo... Não necessariamente. Aí não é ansiedade. Aí é pressa.

Não, porra, você podia ter, veja, o processo todo, eu considero um processo todo muito complexo, que é, o ansioso, ele cria armadilhas para si, ficar preso no futuro.

Mas você tá preso, você fica ali. Eu vou ter que fazer, vou ter que fazer, vou ter que fazer. Porque essa é a ansiedade, a ruminação. Vou ter que fazer, vou ter que fazer. Sim, e eu já podia estar fazendo. Entendi. Mas eu sei que eu vou fazer, porque na hora que eu tiver que fazer, eu vou ter que fazer, porque eu vou entregar. Então, mas aí o que você tem que fazer é parar de pensar que tem que fazer, você bota um horário ali. Muito simples, cara. Claro.

20 minutos antes, eu sei que eu resolvo em 20 minutos, não vou nem me preocupar, porque a hora que chegar... Não acontece. Entendi. É um processo quase de... Masoquismo. Masoquismo. É verdade. É real oficial. É real oficial. Agora, assim, e tem uma coisa... E com isso eu tenho lidado. Eu lido muito, trabalho, inclusive, na terapia, tenho me esforçado pra ser uma...

Uma pessoa, não direi nem mais organizada, mas assim, por que não? Porque, né? Irreal. Mas...

Que dê vazão às coisas, né? Por exemplo, dias muito agitados são dias em que eu acho que eu vou muito bem, entendeu? Porque eu tô ali o tempo inteiro no rush, assim. Você não precisa esperar que vai fazer. Você tá fazendo, fazendo, fazendo. Então, você tá presente no momento. Sim, então. Nesses dias, sim. E aí você não tem ansiedade. O que eu vigio muito quando eu tô...

macerando o que ainda não aconteceu. É, a ruminação. É. Agora nós vamos entrar numa outra fase do episódio, que é a gente vai nos socorrer dos neurocientistas. Então vamos explicar um pouquinho mais as coisas, né?

O livro que eu vou falar agora foi escrito por Catherine Pittman e Elizabeth Carroll. Ele se chama Como Reprogramar Seu Cérebro Ansioso. E elas dizem que existem dois sistemas que geram ansiedade. Uma é da amígdala, que ela reage emocionalmente, rápido e sem lógica.

A amígdala é o nosso sistema de alarme, é a fuga ou o enfrentamento, é aquela coisa, teve uma vez que uma cobra me picou, toda vez que eu senti qualquer indício de cobra, aquilo já vai me dar um, já vai encher o meu cérebro de adrenalina e de coisas para eu reagir, daí nesse momento eu estou tomado ali. Essa é uma das coisas em geral, está ligada a medo.

E tem um outro processo de ansiedade que é o do córtex, que eu resumiria como ruminação, que é pensa, imagina, interpreta angústias do passado ou do futuro. Então são duas coisas diferentes. Vamos falar primeiro, porque elas são as que melhor trataram disso e elas inclusive, nesse livro, explica como são os processos neuroquímicos, como que transmite uma coisa a outra ali num nível que eu não vou entrar aqui.

mas quem tiver curiosidade, é um livro, ele desenha para você entender.

Então, basicamente, a amígdala é o nosso sistema de alarme. E é um sistema de alarme que é muito antigo. Muitos chamaram isso de cérebro reptiliano. Ele existe não só nos seres humanos. Antiguíssimo. Ele não entende razão. Ele aprende puramente por experiência e associação de padrões. E ela assume tudo.

Ela assume o controle da gente quando ela sente que as coisas estão saindo do trilho. Ou quando ela acha que as coisas estão saindo do trilho. Então, muitas vezes a gente tem o gatilho de ansiedade, o gatilho pânico é a mesma coisa. Quando ela sente uma ameaça e aí ela para tudo. Ela ununda a corrente sanguínea e o cérebro com hormônios de estresse, como cortisol e adrenalina.

e bloqueia as vias neurais de comunicação com o córtex pré-frontal. Ou seja, o centro lógico é bloqueado da tomada de decisão. Aí ela até diz, né? Tem uma metáfora. Argumentar com uma amígdala que está completamente banhada em cortisol é o equivalente biológico a tentar acalmar um alarme de incêndio que está tocando de forma ensurdecedora lendo o manual de instruções em voz alta para ele. Tipo, não vai funcionar. Não vai funcionar.

E aí tem uma coisa, que essas memórias emocionais da amígdala, elas são mais persistentes que a memória cortical. E aí o que acontece? Tem muitas coisas que você esquece. Você não sabe por que você está tendo aquele sentimento.

e esse é um perigo você não sabe por que que eu tô por que que esse lugar me deixou ansioso é, e aí a gente volta na necessidade de ir descascando a cebola as camadas da cebola porque que a gente fala tanto em

de infância, ou deveria, falar de infância, memórias antigas, experiências antigas, no processo de análise. Porque isso ajuda a tentar entender um pouco onde é que estão esses gatilhos.

que logicamente você não vai conseguir e se você tiver pista, aí esse tem uma cura bem, que não é fácil mas é objetiva então ela diz

Assim, basicamente a gente precisa de exposição ao que a gente tem medo. Porque existe a neuroplasticidade. Perfeito. E quando a gente se expõe ao que a gente tem medo, ela diz que neurônios que disparam juntos se conectam juntos. Então, é como se a gente fosse ressignificar a amígdala querida. Meu sistema de alarme que tanto me protege, né? Esta situação não tem problema. Então, se você tem medo de avião...

Você tem que voar no avião. E aí você tem que parar, prestar atenção no que você está sentindo.

e mostrar que não tem medo. Olha, o avião decolou, não aconteceu nada. É fácil de falar, mas não tem outra maneira. Porque se você ficar só botando, criando argumentos ou lendo coisas que o avião não tem problema, não vai adiantar nada. Não adianta você falar, não, é muito mais fácil você morrer de carro do que morrer em acidente de avião. Não adianta. Mais gente no elevador do que no avião. Exato.

Você tem medo de aranha. Tem que deixar a aranha ali perto de você. Você ficar ali, enfrentar aquilo e passar-se uma coisa. Ah, tá bom, se eu ficar essa distância aqui, a aranha não vai vir. A aranha não vai picar, não vai acontecer. É um pouco simplificando, é um pouco esse negócio. E aí é isso que ela faz. Vamos para uma explicação um pouquinho mais.

Embora você não possa apagar facilmente a memória emocional formada pela amígdala, pode desenvolver novas conexões nela que competem com as que levam ao medo e ansiedade. Para fazer a amígdala criar essas novas conexões, você precisa expô-la a situações que contradigam a associação entre um gatilho e um evento negativo. Se você mostrar à amígdala novas informações inconsistentes com o que ela vivenciou antes, ela fará novas conexões em resposta.

a essas informações, né? Então é um pouco esse o caminho pra essas coisas mais... Redesenhar, né? Esses gatilhos mais instintivos, né? Eu diria. Eu acho muito interessante, porque... É...

reagir nesses momentos de irracionalidade e ela tá explicando técnica e fisiologicamente porque eles são irracionais, né? É muito ruim. É muito ruim. É um sofrimento absurdo. Desencadeia um processo depois de vergonha, sabe? Alto comissão. Você já passou por isso?

Ah, provavelmente já, cara. Com certeza. É, quem nunca. É, quem nunca. É, sei lá, se a gente for pensar, assim, em processos da vida... Eu não tenho fobia. Você tem fobia de alguma coisa? Nem eu. Ah, eu tenho coisa que eu não gosto, que é cobra. Mas já passou cobra na minha frente, assim. Sonho com cobra pra mim é o que eu acordo mais morrendo, assim. Mas isso eu nunca mais tive. Não sei.

Mas já teve muito. Acho que é porque quando eu era pequeno, meu avô tinha um sítio e sempre os mais velhos... Não vai lá que tem cobra. Não vai lá que tem cobra. Então, cobra pra mim era... Aquele perigo em mim.

você não tem o que fazer, porque se o adulto que em tese é quem entende do riscado e está ali pra proteger e você sabe que eu acho que isso passou olha, eu nunca tinha pensado nisso, eu li o livro agora eu pesquisei de novo o livro porque eu li esse livro faz uns 3 anos passou sabe como? um dia eu vi meu pai matar uma cobra outra vez a cobra passou na minha frente e não fez nada virou uma coisa que você fala assim não é uma anaconda que vai surgir e vai te abocanhar você conseguiu ressignificar

Você fala, ela vai passar ali e tal, né? Então, a fobia... A exposição à situação e ressignificar. Acho que aconteceu isso, de certa forma. Fobia eu não tenho. Talvez assim, como eu reagia lá atrás, emocional e irracionalmente a determinadas situações e que hoje eu consigo...

racionalizar e passar por elas com mais do que tranquilidade e classe.

Adorei, classe. Mas foi um trabalhão. É isso. Bom, agora vamos na coisa que é mais presente, que eu acho que a gente fala mais quando a gente está falando de ansiedade, que é a ansiedade, a ruminação. E aí a gente tenta entender, pensar melhor, analisar.

E não resolve. A ruminação só fortalece o circuito da ansiedade. Ela faz o caminho neural ficar mais forte. E ela diz aqui, o córtex cria ansiedade por fusão cognitiva. A gente acreditar absolutamente na verdade do que está só no nosso pensamento. E aí... Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend Friend

Eu vou entrar em outro livro que vai mais ou menos nessa linha, chama Unwinding Anxiety, do Judson Brewer. Aqui ele chama Controle a sua ansiedade ou... Ah, pô, o título em inglês é tão mais legal. Não, é, eu preciso, eu tenho... Deixa eu ver aqui, eu pego aqui. Enquanto você fala. Eu tinha, ele sumiu daqui do meu hotel. Unwinding Anxiety.

Você já põe em português que ele vai dizer como chama. Esse Brewer, ele é desconstruindo a ansiedade. Esse livro é bem legal também. Ele é um psiquiatra neurocientista da Brown University. E ele fez décadas de pesquisa clínica. E claro, ele criou um app que resolve seus problemas. E melhora em cinco vezes a cura da ansiedade.

Eu não testei esse app, tem um pouco de ceticismo quanto a esse tipo de coisa, mas talvez funcione, porque o que ele traz aqui faz bastante sentido. Ele publicou vários artigos a partir de ensaios randomizados com resultados todos validados.

Ele teve ataques de pânico na residência médica dele e é por isso que ele é psiquiatra e foi estudar isso. E aí o que ele diz é que a preocupação oferece uma sensação ilusória de controle. Então a gente acha que quando a gente está... Quando a gente está...

mapeando os perigos, etc, a gente tá no controle da situação e a gente tá blindado de alguma maneira contra o que vai acontecer. Não, o que vier eu tô preparado. E isso só gera ansiedade, obviamente, não te... Não, e é tão mentiroso. É uma sensação tão mentirosa.

No fim das contas, controle zero. É aquela coisa assim, né? Ele fala que é um teatro interno de desastres pra tentar estancar a angústia de não saber o que vai acontecer amanhã, né? Uma falsa sensação de controle. Só que aí o que ele diz é que essa falsa sensação de controle ela é quase como se fosse uma recompensa pelo seu hábito. Então olha o insight que ele tem.

Eu tive um momento de iluminação quando percebi que uma das razões pelas quais tantas pessoas não conseguem ver que tem ansiedade é a forma como ela se esconde em maus hábitos. Ansiedade se alimenta de outros comportamentos que, por sua vez, perpetuam mais ansiedade até que tudo espirala fora de controle. Muito obrigada, porque agora você está lendo exatamente o que eu estava aqui tentando explicar com o meu comportamento procrastinatório.

Mas pode voltar. Ansiedade é em si um hábito prejudicial e hoje é uma epidemia. E ele diz isso, que ele...

pegou, e esse é o insight dele, né, que é o loop clássico dos hábitos. Então você tem o gatilho, o comportamento e a recompensa. A recompensa é isso, você achar que você está planejada e preparada. Querido telespectador e ouvinte, tá vendo? Tecnicamente tá bem explicado aqui o processo que eu tentei descrever mais cedo, que ele achava que era confusão, não é? Tá vendo? É isso. Muito obrigada. Eu não sei se eu concordo, mas tá bom, vamos lá.

então é isso, a gente confunde pensar nos desastres possíveis como resolução de problemas a preocupação vira um escudo ilusório e ele põe uma outra coisa

que a ansiedade é contagiosa. E isso é muito verdade, né? A gente conversa com alguém que está ansioso ou está com medo de alguma coisa, é aquilo ali. A gente sempre vai para a média de quem está com mais medo. Então, nossa, mas será que para entrar no voo só o passaporte funciona? Não. Precisa ter também o visto, o certificado de vacina, precisa ter o carimbo de não sei o que.

Nossa, eu não tenho carimbo, e agora? Aquela coisa, quem já não viveu isso, né? E aí tem uma pessoa que já viajou 200 vezes, que sabe que só o passaporte resolve, mas aquele senhorzinho que está viajando pela primeira vez deixa um monte de gente em pânico, né? Porque a ansiedade é contagiosa. E aí ele até, ele fala que isso a gente ocorre no... em Wall Street também, né?

O índice de volatilidade, também conhecido como o índice do medo. Então, eu não vou ainda falar em solução. Vamos continuar falando, explicando um pouco melhor e dando mais elementos. Agora a gente vai para outro livro.

Que em inglês é Peek Mind. Em português chama Sagaz. Da Amish Jha. Da Universidade de Miami. Esse livro é sensacional. Se você for ler um livro só desse episódio, eu recomendo esse. Talvez o... Acho que esses outros dois também.

Mas esse aqui eu gostei muito. Ela diz o seguinte, que entre 30% a 50% do tempo que a gente está acordado, a gente está no que ela chama de mental time travel. A gente está ou no passado ou no futuro. Nossos olhos não são apenas espectadores, mas são...

projetores que estão o tempo inteiro criando uma segunda história em cima da imagem que temos diante de nós, né? Então, metade do tempo que a dona Daniela Lima tá olhando pra mim, ela não tá prestando atenção muito em mim. Nesse caso, eu tô. Ela tá criando uma... Não, nesse caso, eu tô. Ela tá criando uma história, né? A gente faz isso o tempo inteiro. Faz muito, mas eu... Então, esse pra mim é o pior processo de todos. Eu consigo... Eu trabalhei muitos anos pra lidar com a minha amígdala.

Voltando um pouquinho aqui, né? Então, esse processo mais de reação instintiva, eu diria figadal, né? Assim, me sinto, de certa forma, vitoriosa, digamos assim, porque, de novo, né? Eu sou muito emocional. Conseguir chegar numa frequência onde...

eu reajo melhor a determinadas situações, mas me foi muito caro, é um processo do qual eu me orgulho muito, e ele me foi custoso, racionalmente custoso. Hoje, o meu principal desafio é esse, é controlar as...

o vício da minha cabeça em projetar uma série de cenários, todos eles catastróficos, do maior ao menor grau, sobre o que pode acontecer amanhã se... acontecer qual coisa? Se acontecer tal coisa. Se acontecer tal coisa. Então, enquanto você está fazendo isso, sabe o que acontece? Tem uma metáfora que ela usa que eu achei sensacional. A metáfora da coxa de retalhos. É como se cada momento que a gente vive e...

fosse um pedacinho de uma coxa. Então a gente está tomando um cafezinho, passarinho, fazendo lá, as coisas que estão acontecendo ao nosso redor. E quando a gente time travel, quando a gente entra nessa noia, você já imaginou que metade desses retalhos

Não estão lá, porque quando a gente está sequestrado, a gente não está vendo. Muito bom essa expressão, muito boa. A gente não está captando. E daí ela diz assim, essa manta toda esburacada, que mal consegue te cobrir do frio, é a vida que sobra quando a viagem no tempo mental rouba a nossa presença. Então, essa é como se fosse, eu acho que a gente vai chegar nisso depois, o antídoto é a tensão. É isso. Esse é o...

Ruminar o passado, catastrofizar o futuro, é o principal mecanismo de sequestro da atenção sob estresse e é exatamente o que acontece na ansiedade. Vamos para as soluções. Agora seus problemas vão acabar.

Ele vai vender cogumelos do sol aqui agora. Vamos embora. Ah, gente. Bom, o nosso amigo Judson Brewer, ele tem a técnica que ele chama de Bigger Better Offer. Ou seja, uma oferta maior e melhor.

Pra você desarticular o hábito da ansiedade, né? Ele diz que você tem que usar três marchas. A primeira marcha é mapear os loops de hábito. Ou seja, a primeira coisa é tomar consciência. Perfeito. Qual é o gatilho? O que faz eu começar a ficar ansiosa? Qual o comportamento e qual o resultado? A segunda marcha é...

atualizar o valor da recompensa percebida do comportamento ansioso. Ou seja, em geral, você acha que quando você se preocupa e você mapeia o futuro, você está se prevenindo e se estudando. Você está mais preparado. Então você precisa olhar e falar assim nossa, quantas vezes o futuro não teve nada a ver com o que eu me preparei.

Nossa, perdi tempo quando estava me preparando, né? E a terceira marcha é substituir o hábito ansioso por uma oferta maior e melhor. Uma recompensa mais atrativa do que aquela falsa ilusão de controle. Aí ele diz que...

Algo mágico acontece quando você presta atenção de verdade, sem fazer suposições ou usar a experiência passada como guia, e vê que um comportamento não é recompensador agora. Você começa a se desencantar com ele. Quando o valor muda, o córtex órbito frontal reorganiza a sua hierarquia de recompensas e move o comportamento menos recompensador para baixo da lista. Você vê e sente claramente que não é tão recompensador quanto lembrava.

E aí, o que ele diz é que a chave é a curiosidade autêntica. Que quando você tem curiosidade sobre o próprio pânico, você desativa o ciclo defensivo do cérebro. Pra mim, o processo é muito esse. Eu investigo muito e eu vigio muito. Por isso que eu falei, eu entrei num processo de vigilância permanente.

Pra tirar a minha cabeça desse... E é meio isso mesmo. Você fala, ah, de novo, tô pensando no futuro. Não, vou fazer outra coisa. Fora, exatamente. Não, cara, isso aqui... Isso aqui, sinceramente, perda de tempo. Exato. Até porque as grandes... E isso é uma coisa muito louca, né? As grandes pauladas que a gente toma da vida... Geralmente elas estão no campo do imprevisível, sabe? Assim... Agora eu quero um exemplo. Quanto uma paulada que você toma da vida. Nossa!

Porra. Ah, várias, assim. Mas... Pensou em várias e achou que não era bom contar. Não, vou trazer. Vou trazer a morte da minha avó. Por exemplo. Quando foi? Minha avó morreu quando eu tinha... 21 anos. É.

Morava em Brasília. Minha avó, minha avó materna, Dona Eunice, era uma mulher, engraçado, a minha mãe teve uma relação terapia, né gente? Aquela avó, até me ajeitar na cadeira que se você está só ouvindo, eu voltei para a minha posição de acolhimento interno.

A minha mãe teve uma relação com a minha avó muito diferente da que eu tive. A minha mãe... A minha avó foi uma mãe muito seca.

então ela teve seis filhos, minha avó tinha até a quarta série do ensino fundamental ela trabalhava como costureira evangélica meu avô era um traste, segundo eu também tive uma ótima relação com ele, ele foi um grande avô e aparentemente um pai muito duro muito difícil

Então ela foi meio que pioneira, inclusive porque se separou, se divorciou num ambiente muito inóspito, onde ela passou a sustentar essas seis crianças com o trabalho dela como costureira, numa cidade que não era dela, ela tinha migrado de Aracaju para Brasília, porque meu avô era pedreiro, então ele foi para trabalhar na construção da cidade.

Num ambiente onde a separação, imagina, na década de, sei lá, 60, uma mulher se separar de um cara dentro de uma igreja evangélica e tal. Então, minha avó foi uma mãe, eu acho que pelas circunstâncias, uma mãe muito dura. Comigo, ela foi um... Mais do que um doce, minha avó era muito inspiradora pra mim. E a minha avó sempre me botava pra frente.

Então ela era uma coisa de, vai, minha filha faz. Eu acho que ela não tinha mais o peso. De nada. Né? Porque sua mãe cuidava de você. É. E ela podia te passar mais experiência, amor. Deve ter aprendido um monte com esse trauma todo, né? Total.

E ela sempre foi... É isso, assim, era vai, minha filha faz. Vai, minha filha faz. Vai, minha filha faz. Entendeu? Vamos pra frente. Ela passou a adoecer... Então, ela teve uma... Uma das lembranças que eu tenho, assim, mais tenras da minha... Meu início da... Final da adolescência, início da vida adulta. Minha avó teve um AVC, né? Um derrame. E perdeu o movimento do lado...

direito. Então, a gente fazia uma espécie de rodízio, né, pra poder fazer os exercícios da fisioterapia com ela, e ela recuperou 90%. Depois começaram os problemas cardíacos, etc. Então, era uma correria, né, a gente recebia um telefonema de madrugada, íamos correndo, descia com ela no braço e tal, levava ao hospital, mas ela sempre voltava.

Um dia eu fui pra casa e tal, tava dormindo, o telefone tocou, a minha mãe decidiu não me acordar. E quando eu acordei, o mundo já não tinha mais ela. Nossa. E... Então, assim, por muito tempo eu fiquei remoendo o fato de que eu não me despedi.

Gostaria de ter me despedido, mas ela teve um infarto, né? Não foi uma... Não ia dar pra... Tá vendo? E se eu tivesse acordado? E se eu tivesse falado? E se eu tivesse falado? E isso me pega num lugar muito...

É muito dentro, entendeu? Eu queria ter falado com ela, eu queria... E é uma coisa que pega muito a minha mãe também. Quando eu faço coisas das quais ela tem orgulho, ela fala, eu queria muito que a sua avó estivesse vendo. O que, sabe? Então é essa figura, assim, que tá ali, essa foi uma grande paulada da vida. E até hoje ela... Ó. Tá dentro de você. É, ela me pega. Me pega muito. E eu, por muito tempo, é... Remoí...

esse não a Deus, esse não tchau, de todas as formas possíveis, tanto olhando para o passado, como projetando, como teria sido essa conversa. Sim. Mas será que talvez isso até seja um luto, né? Talvez se a gente vá até para uma outra... Total. É um trauma, mas não é...

Bom, vamos para outra solução aqui.

A Amishi, que é aquela do Sagaz, ela fez um longo estudo com marines americanos. Nossa. É, porque eles eram um dos mais ansiosos, assim, né? Claro, o cara tem que estar em estado de alerta permanente, né? Em estado de alerta permanente. E ela conseguiu resultados muito bons, e aí é disso que ela fala no livro, e aí a receita.

O livro dela é 12 minutos de treinamento de atenção plena todos os dias. Mindfulness. E aí o general Piat, que era meio como se fosse o parceiro dela nesse estudo, e depois eles adotaram isso na...

no exército americano, deu um apelido muito interessante, que é flexões para a mente. Então, do mesmo jeito que você faz exercícios, você precisa exercitar a sua mente. E aí ela diz que a repetição muscular, a flexão, a repetição muscular desse exercício neurológico acontece no exato segundo em que a mente percebe que viajou no tempo. E aí, com intenção, o indivíduo puxa a tensão de volta para uma âncora física, tipo a respiração.

É esse ato de reconduzir a atenção que altera a massa cinzenta do cérebro. Então, e aí ela ensina algumas maneiras de se meditar, mas tem a mais simples de todas e que está à mão de todo mundo, que é...

Você fica 12 minutos só olhando. Ela tem um conceito muito interessante, que é... Ela diz que a nossa atenção é como se fosse um holofote. Então, a gente tem um foco de luz, assim. E você direciona o foco de luz para dentro de você, eu incluí.

o foco de luz pro resto do ambiente também, então eu adoro ouvir os passarinhos, ouvir as coisas que estão, né, ou prestar atenção na respiração, como que a barriga sobe e desce com a respiração, e aí o que acontece sempre, invariavelmente, vai vir, tenho que fazer isso hoje.

Vai vir, nossa, tive uma ideia pra isso, pra aquilo, pra aquilo. Não, e daí você não se julga, você não se pune, simplesmente, nossa, o foco foi pra lá. Foco volta, corpo, passarinho, o que que tá acontecendo agora. Passa três segundos, a mente macaco vai pulando pra outro lugar. O que que você faz? Volta pra onde tava, porque aí quanto mais você exercita...

Faz esse exercício, mais você consegue ter a sua mente vazia, mais pronto, você está para estar no momento para conseguir não ficar ansioso. Esse é o elixir para todos os males, assim, né? Então...

Ela diz, mindfulness é o antídoto para a simulação incansável da nossa mente. É para você abrir os olhos e ver o que está de fato ali e não o que você construiu. E ela diz que abandonar as narrativas é um processo contínuo, que exige que você se torne consciente repetidas vezes do que está acontecendo ao seu redor e dentro da sua mente.

E aí, durante o dia, quando você não está meditando, você precisa ter uma metaconsciência, que é prestar atenção à sua atenção. Então, essa imagem do holofote, onde eu estou? Onde o holofote está? E você vai ver, puto, o holofote está lá para o nada. Não, pera aí, opa, holofote, pessoa que está aqui, passarinho, o entorno, né? Então...

Ela diz que a gente precisa... Pare de travar uma guerra interna contra as circunstâncias reais. Simplesmente aceite-as. É o que é. E deixe claro, isso não significa que você esteja de boa com a situação. Não tem nada a ver com o seu julgamento sobre o que aconteceu. Significa apenas que você está aceitando a realidade. Abandone a narrativa. A sua avaliação dessa situação é apenas uma história. Não é a única. Siga com o fluxo.

Continue, siga em frente. Fique curioso com o que o seu próximo momento vai trazer.

Então essa é a... Você já meditou? Já meditei. É um processo que pra mim é muito difícil. Por quê? Eu me frustro com o fato de que eu não consigo ficar, sabe? Perguntaram pra um mega sábio, não sei se era alguém próximo do Buda, assim, tal. Perguntaram pra ele... Do Buda não, desculpa. Do budismo, né? É um super líder religioso.

Qual que é o maior tempo? Não, deixa errado mesmo, errei. Agora eu vou, né? Então, eu não sei mais onde eu li isso, mas que um super sábio, assim, monge, perguntaram pra ele qual o maior tempo, eu acho até que é nesse livro, não tenho certeza, qual o maior tempo que você conseguiu ficar sem pensar em nada? Aí ele falou, seis segundos? É. Ou seja...

esquece, vai mesmo vai mesmo viajar e aí você volta e aí esse processo meio que ele me frustra porque eu adoraria alcançar o como chama gente, pelo amor de Deus eu li tanto livro sobre budismo quando eu tava tentando de fato assim, incorporar a meditação no meu dia a dia, no meu cotidiano e aí

Só que, de novo, acaba virando uma espécie de gatilho. Eu falo, eu não consigo, não consigo fazer isso. Ai, que nervoso. Ai, não sei o quê. Por que eu tô pensando nisso agora e tal? Então, o meu processo acabou sendo um pouco diferente. Porque eu trabalho muito com respiração, de fato. Muito mesmo. O tempo inteiro, inclusive.

Tem aquelas, né, quando a coisa tá muito... A atenção à respiração é uma coisa que me ajuda muito. Quando eu tô acompanhada, eu gosto muito de regular a respiração.

Respirar junto é uma coisa que me faz muito bem. Isso faz bem mesmo. A respiração é muito isso. Ela mesma fala no livro que assim, 12 minutos... E por que 12 minutos? Porque eles testaram outros... Se você fizer mais, melhor. Mas 12 por dia já resolve. Se você fizer isso frequentemente, você já vai ter resultados muito bons. Mas ela diz...

Vale a pena em qualquer momento. Então aquela história assim, pô, você acabou de sair de um call meio carregado. Vai escrever? Vai fazer alguma coisa?

Se você respira quatro, cinco vezes, tira 40 segundos. É ridículo, parece ridículo, mas não é. Olha pela janela, olha a paisagem, olha o passarinho, olha pra natureza. Também ajuda você a esvaziar a mente e voltar. Inclusive quando eu tô muito nervosa, eu faço, né? Tampo. Ah, você faz o... Faço. Alterna a narina, puxa por uma, solta, volta, não sei o quê. Pra Nayama.

ajuda, me ajuda. Então, é um trabalho que eu faço muito, é o da respiração, e é um pouco do processo que ela traz no livro, que é essa vigilância. Eu, de fato, estou atenta a essas armadilhas. É, então... Atenção sobre a atenção. É uma atenção. Você olha onde está meu holofote, né? Agora, e eu vou... Isso aqui não me serve.

Precisa ser uma tomada de decisão. É muito louco. E é fácil, na real. Quer dizer, né? Quando você entende... O difícil é tornar hábito, né? Exatamente. Aí você vai ter que assistir o outro episódio nosso, com a Poliana Félix, que a gente fala sobre formação de hábitos. E esse é onde está me pegando. Porque eu já tive várias fases de meditar e atualmente está difícil.

Porque eu não encontro tempo, porque eu fujo, tem armadilhas mil aí que a gente acaba... Mas tá te fazendo falta, você acha? Faz, eu acho que tem uma coisa que é tanto tempo pensando na atenção que alguma parte disso tá dentro de mim, mas não o tempo inteiro. Perfeito. Eu sou ser humano, então várias vezes eu falo, putz, tô de um jeito meio ruim, então...

Tira alguns minutos, vai no banheiro, vai lavar o rosto, respira, né? Você percebe que você tá em um estado não bacana, ou de ansiedade, ou de muita pilha, ou de... E aí você... E você sabe o que eu passei a fazer também nesse processo de vigilância? Então, além de tomar a decisão de ir ativamente...

Voltar o meu foco pro presente, né? Pro que eu realmente preciso fazer, pro que eu realmente tenho que lidar, praquilo que está ao meu alcance agora. Né? Além disso, do trabalho de respiração, eu tenho uma... Tomei a decisão de me permitir descansar.

Então, aí você vai entrar perfeitamente, parece até que a gente combinou. Não combinou. Não combinou. Tem mais dois livros, mas a gente vai mudar um pouquinho de chave, vai continuar mais ou menos. Tem um livro muito bacana. As coisas que você só vê quando desacelera. Ele se chama Haimin Sunin. É um dos monges budistas mais famosos da Coreia do Sul.

E aí, o que ele diz? Que o mundo exterior não é intrinsecamente agitado. É a nossa mente que fica congestionada. Tudo parece ameaçador, urgente ou excessivo. E quando você desacelera, o mundo passa a parecer mais habitável.

Então, ele diz que antes de tentar dominar tudo que está lá fora, tentar dominar o que está dentro. Boa parte do nosso sofrimento vem da confusão ou da fusão entre eu estou sentindo isso e eu sou isso. Perfeito.

em vez de lutar contra a raiva, inveja, ansiedade ou tristeza, ele sugere observá-las até que elas mudem de forma. Então é um pouco isso também. Nossa, eu tô bravo, por que será que eu tô bravo? O que será que tá acontecendo dentro de mim? Então ele diz, ele sem entrar em neurociência, nada, ele diz que a dor não faz

Mas a ruminação piora e cristaliza o sofrimento. Total. Aqui tem uma, nesse livro que a gente já falou aqui, talvez você deva conversar com alguém, tem um episódio em que ela está relatando uma sensação, né? E irritada com o sentimento em si, né? Com a existência do sentimento.

E aí os sentimentos, o analista diz, os sentimentos, eles são o que eles são, não o que você gostaria que eles fossem. Exato, você precisa encarar a realidade. É isso, assim, e se render a essa... Acho que quando você fala de observar, tem isso, né, de você tentar entender o que, por que eu estou incomodada com essa pessoa, por que eu estou incomodada com essa pessoa, eu? Né, eu, o que que em mim...

tá falando, né? Além disso, que tem um pouco de se reconhecer como humano mesmo, né? Assim, às vezes eu me cobro muito...

Uma, a minha analista, ela fala muito, é Madre Teresa de Calcutá. É, né? Então, veja só o que ele diz, que a gente precisa combater três ideias narcísicas. A primeira, as pessoas não pensam tanto em você quanto você acha que elas pensam, né? Então a gente acha que a gente tá no centro do palco o tempo todo, tá todo mundo olhando a gente e não tá.

Nem todo mundo precisa gostar de você. Fato. Você não vai ser uma anonimidade, né? E grande parte do que a gente faz, no fundo, é interessado. Então a gente quer ser bom, a gente quer ser generoso.

Até para ser reconhecido como tal. É, mas no fundo, no fundo, a gente tem o nosso auto-interesse. É egoico também, claro que é. Então, no fundo, bom, o budismo é muito baseado no combate ao ego. Total. E aí, por fim, ele diz assim...

Desacelerar não significa abdicar de ambição, produtividade ou compromisso. Significa interromper o automatismo, o piloto automático que impede você de ver pensamentos, dores, relações e escolhas com clareza. Ao diminuir o ritmo por um instante, você deixa de ser arrastado e passa a perceber. E aí ele tem uma coisa...

parece uma pedagogia da delicadeza que ele fala assim reparem no céu, na comida no rosto dos outros, no próprio corpo no silêncio entre os sons porque a gente é meio como se a gente

achasse que a nossa vida são só os eventos importantes. Então, por exemplo, eu estou gravando um podcast com você, depois eu tenho um almoço, entre o podcast e o almoço, eu vou ter um período que eu vou me transportar. E aí é como se ele não existisse, né? E ele diz, é sua vida, tanto quanto o podcast ou o almoço.

né, e eu acho muito, muito interessante, assim, né, a vida não são só os picos. E aí, pra che, estamos chegando no fim, outro livro do Byung-Chul Han, que se chama O Espírito da Esperança, pra terminar com, deixando esperança pras pessoas, né. Aí,

Ele diz que a gente precisa encarar o abismo de olhos abertos, porque a verdadeira esperança só floresce no próprio desespero. E aí ele convoca todo mundo, né? Que a rota de cura requer coragem, e depois eu falo da convocação. Sentar no sofá, colocar a ansiedade sentada logo ali do lado, olhar para ela sem julgamento moral, munido apenas da curiosidade investigativa de um cientista, e perguntar, E aí

Qual é a correspondência que o carteiro trouxe pra mim hoje? O que você tem pra me ensinar hoje, minha amiga ansiedade, né? E aí ele convoca pra um ato de resistência intelectual. Em vez de preencher cada milissegundo de silêncio tentando maximizar a produtividade, experimente um tédio profundo, imenso e silencioso. Nossa, isso é muito pra mim. É. Eu quero preencher cada milissegundo com um livro, com alguma coisa, com... Eu preciso aprender, preciso, né, até...

essa essa ânsia de maximização de auto chicote então a gente acaba o livro meio começando de onde a gente, o livro no episódio voltando de onde a gente começou você sabe que essa decisão e de novo, são movimentos mesmo acho que isso é importante assim é e

Tomar a decisão não significa que você vai alcançar o... 100% do tempo, né? 100%, exato. Mas se amanhã for 55% em vez de 52... Bom demais, gente. Eu tomei a decisão de me permitir descansar, assim. E não me chicotear por isso. Não achar que eu deveria estar fazendo... Porque esse é um pensamento... E ele me ocorre muito.

Você sabe que eu tô tão doente, entre aspas, que até quando eu vou dormir, não. Porque eu sei que o sono é muito importante. Então, é o radical do sono. Não tá na hora de dormir. Ela já dorme, já... E aí, às vezes, eu tomo um pinto das pessoas que são próximas de mim. Fala, você não vai ler nada. Você não vai fazer nada. Você vai descansar. Você não vai fazer nada. Fica sem fazer nada. Então, eu preciso ler e reler. De novo.

Não, cara, sério, incorpora, assim, é um direito, é mais do que um direito, é necessário, sabe? É necessário. Depois que eu entendi que... É... Vou entregar tudo que eu tiver que entregar, vou fazer tudo que eu tiver que fazer, vou dizer que tá demais pra mim quando tiver, porque eu tenho uma outra síndrome, que é a Síndrome da Mulher Maravilha, né? A gente tem que dar conta de tudo, tem que fazer tudo, tem que performar.

Tem um fundo também que é a missão Você quer fazer, você quer entregar Tem, mas eu acho que mais do que isso Tem uma coisa de suprir a expectativa É saindo Voltando aqui um pouco Vamos fechar o nosso círculo Completamente Porque essa imagem Que a profissão projeta Da pessoa que não para Da pessoa que não dorme, da pessoa que está sempre ligada Ela cria uma Em mim Friend

a ideia errada de que esperam isso. Então, devo performar isso. Durante um tempo foi assim. Só que eu entendi que entrego mais, entrego melhor e vivo melhor me dando espaços de respiro, o direito de, no final de semana, se eu não vou trabalhar, eu não vou trabalhar mesmo.

Isso é muito importante. A não ser que aconteça alguma coisa assim, tipo que obrigue o Murilo a me ligar da China, mas, né, que acontece às vezes. Foi num sábado. Foi num sábado. Foi num sábado. Foi, né? Foi. Era sábado. Não é todo dia que vai um ex-presidente preso, né? E...

Mas, assim, essa coisa de... Cara, eu preciso... Às vezes, nossa, hoje eu vou sair daqui... Falamos muito mesmo, hein? Eu vou sair daqui, vou almoçar e tenho uma entrevista às três. Entre o meu... Vou almoçar e essa entrevista, o que eu vou fazer? Como eu vou preencher o meu tempo? Talvez eu descanse. É ótimo. Talvez eu deite no sofá com a minha gatinha. Ouço uma música boa. Boto uma música. É isso. Sabe?

E provavelmente a entrevista vai ser bem melhor do que seria, porque você vai estar atenta, vai estar presente, porque isso acontece também. A gente fica tão de uma para lá que a gente tem uma quantidade física limitada de energia, de atenção, por mais super-homem que a gente seja, você fazendo uma entrevista cansada...

Você não vai performar. Mas é uma palavra, Murilo. Virou uma coisa. Virou uma coisa. Virou uma sociedade de performance mesmo. Está dentro da gente. E você sabe que, mesmo nas nossas relações pessoais, eu tenho uma grande amiga, a Renata, e eu estava numa fase que eu estava fazendo...

tava com tantas janelas abertas ao mesmo tempo na cabeça, isso é recente, tem uns, quase um ano, com tanta janela aberta na cabeça, que eu simplesmente estava alheia, alheia nesse momento aqui que eu tô conversando, e às vezes ela tava me contando uma coisa importante, ou eu tava contando uma coisa importante, e eu já não lembrava, e eu contava duas vezes a mesma coisa. Eu faço isso o tempo inteiro, as pessoas ficam magoadíssimas comigo.

Cara, a memória desse cara é de peixe, mano. Por quê? Por quê? Porque é isso, assim. São tantas janelas abertas, né? E aí um dia ela me falou. Eu falei, cara, eu tô muito doida, porque...

combinava as coisas, e aí quando eu vi, eu tinha 1.759 compromissos ao mesmo tempo, e aí aquilo ia me fazer, obviamente, ficar mais angustiada, nervosa, ansiosa, porque eu queria dar conta de todos, já não lembrava mais, era surpreendida por coisas que eu havia combinado, olha, uma loucura. E aí um dia eu fui conversar com ela, eu falei, cara, eu tô muito doida, eu marco as coisas, não lembro, quando eu vejo que eu tô com um monte de coisa empilhada, ela falou, na verdade, você tá alheia.

Eu não sinto você, faz muito tempo que eu não sinto você presente. E eu me senti, assim, a pior pessoa do mundo. Porque ela é uma... Eu vi isso dos meus pais também. Ela é uma pessoa muito presente. E isso foi muito importante pra mim. Eu falei, cara, deu.

Se eu tô com você, eu tô muito prestando atenção em você, no que você tá falando, na forma como você se sente. Eu quero estar presente. E é tão legal ter pessoas que estão presentes do seu lado. Porque a presença é um ato de amor, né? Total. De valorizar, né? Eu tô aqui, tô inteiro pra você. E é muito legal receber isso também, assim. E é...

De ter, assim, 100% de atenção, eu tô no detalhe, assim, sabe? No detalhe, de conseguir dizer o que é que você tava usando no dia XYZ dos pés à cabeça, assim. Porque a pessoa tá ali.

Ela está mais até focada em você do que nela. O que eu acho, assim... É a coisa mais legal, né? Incrível. Belíssimo, sabe? Então, essas decisões todas me ajudaram e me ajudam muito a lidar melhor hoje. Bem melhor com esses processos. A minha atenção ao presente... O presente...

Ela está, assim, em absolutamente todos os estágios. Da minha vida emocional à minha vida profissional. Mas é aquilo ali, é aquele momento, é aquele tempo. Sim. Ele não existirá, então eu tenho que aproveitá-lo. Exato. E o que foi, foi. Não posso mais mudar nada, não posso fazer mais nada. Isso está sendo bem legal. Muito bom.

A gente termina de falar de ansiedade, mas não acabou o episódio ainda. Porque eu quero saber um livro que você leu e que você recomenda. Tipo, os melhores livros da sua vida. Ou recente, ou... Enfim. Um livro que a Dani daria de presente pra quem tá acompanhando a gente. Nossa!

Putz, eu tenho tanta dificuldade. Eu gosto tanto de ler. Se a gente fosse pensar em jornalismo, tem um livro bem legal, inclusive virou filme, que conta um pouco sobre a investigação que levou à prisão do magnata de Hollywood, que era um...

um assediador, conto mais, chama Ela Disse. Chama-se She Said. She Said, eu disse. É um livro com as duas jornalistas do The New York Times. E aí você fala, nossa, militância. Tem um pouco. Tem um pouco. Por que não pode? Mas...

comunica muito com um trabalho de excelência, assim, que... De jornalístico de excelência, de apurar e de costurar muito bem, convencer as pessoas a falarem, né? Total, e de ter um cuidado da redação, né? Da chefia, de ter um envolvimento, um processo de revisão, de checagem. Pô, Murilo, nos dias que a gente tá vivendo hoje...

de tempo real e tal, aquilo é um sonho. Ter uma infra onde você tem tanta gente atenta àquele trabalho, àquela informação, e elas também com tempo para fazer. Nossa, é um sonho. E é tão bem feito, tão bem apurado, que sobra muito pouco espaço para refutar.

É muito bom. Não é simplesmente convencer as pessoas a falarem. É uma investigação toda que embasa e que o cara tá preso. É, tá.

E assim, acabou gerando um grande movimento, inclusive um efeito rebote. Então conversa um pouco com os nossos tempos, eu acho. Acho que vale a pena. Não é exatamente um livro novo, mas ele também não é um livro tão antigo. Ele deve estar aí nos cinco anos. Acho que saiu mais ou menos ali na pandemia, né? Alguma coisa assim, eu li na pandemia. Nossa, é engraçado, né? Eu lembro até...

Onde eu tava, ouvindo ele, assim, correndo no teto do prédio. Dando voltas em um negócio minúsculo. Não, a pandemia para os ansiosos, Nossa Senhora. E falando em livro de vida, assim, aí é isso. Eu vou cair naquele lugar mais comum de todos. Mas, assim, eu sou muito apaixonada por Gabriel Garcia Marques e 100 Anos de Solidão.

É um livro que eu já tive em várias versões. Eu já li várias vezes. Eu volto a ele muitas vezes. Você gostou da série? Eu não assisti. Por quê? Porque eu não queria... Ah, é? É. Eu não queria...

E muita gente brigou comigo, porque disse que era muito bem feita e tal. Eu não queria corromper a... Olha que loucura. Mas aqui é esse grau de apego que eu tenho a esse livro. Ah, você não quer com um rosto e nenhum dos personagens? Eles têm rostos pra mim, assim. Eu não queria me...

É isso, assim, me contaminar ou ver de uma outra forma e tal. É um livro que eu revisito muito de tempos em tempos. Ele é um livro muito rico. Muita gente deve conhecer por óbvio. Se você não conhecer, é uma história de uma família, mas é uma história de uma família grande e ao longo de muito tempo, 100 anos de solidão.

Então, vira e mexe, é muito engraçado que com o passar do tempo você vai se conectando com personagens diferentes, assim, né? Eu já tive paixões por vários desses personagens e a última, meu último grande amor no livro é uma personagem chamada Amaranta. Quem quiser... Então, é um livro que eu revisito de tempos em tempos. Que livro você tá lendo? Esse aqui foi o último.

Já começou algum? Não, acabei o outro. Cara, tá meio ridícula a minha vida literária. Eu tô, desde o início desse ano, tentando corrigir um erro grosseiro de caráter, que é a Helena Ferrante, né? Não tinha lido nada dela. Então, eu tô terminando, finalmente.

Minha Amiga Genial, que é o primeiro de quatro livros dela, que eu vou... Já estão todos lá, mas tá na sequência. Sabe uma coisa que me alimentou em termos de leitura? É polêmico, né? Eu achei legal. Edward Lewis, é... Anne, me ajuda.

Porque são livrinhos pequenos. É um estilo de contar histórias, né? Muito fácil de ler, né? Muito fácil de ler. Não, você mata em um voo.

É uma delícia. Quer dizer, eu gosto, né? Tem gente que não, porque eles contam a própria vida, basicamente. Quase que uma autobiografia e falando de personagens que são próximos. Tem um episódio inteiro do podcast de autoficção com a Tati Bernardi. Ela é gênia. Ela também é uma própria escritora que conta tudo. É um pouco esse o mote do episódio.

O centro dela causou uma mobilização imensa, né? E a Tati tem uma coisa ali também. Ela tem uma coisa muito corajosa, né? Que é de expor o incômodo dela. Então precisa se despir muito, né? Se abrir muito.

Com o fato de que muita gente considera... Faz um julgamento horroroso, sabe assim? Sobre o trabalho. E aí tem toda essa coisa de... Olhar pra isso, expor isso. No final das contas, mandar uma belíssima de uma banana, né? Eu sou... Fã. Beijo. Que livro você não recomenda? Pô, eu não tenho... Não faria isso, jamais. Pô, eu fiquei lendo e era ruim. De algum autor estrangeiro.

É... Sabe por quê? Mesmo os livros que eu tive muita dificuldade, assim... Em algo... Eu... Eu não me dou por vencida, né? Então, por exemplo, eu tinha muita dificuldade com o Saramago. Muita. Porque o estilo de escrita dele... É... É um negócio muito doido, né? Ele não usa parágrafo, cara. É...

Eu adoro. Então, é aceleradaço, né? E ele exige uma atenção permanente de quem tá lendo. Você precisa estar com o livro. Não é aquele livro que você vai ler na praia, assim, vai passar uma amiga, você vai bater um papo, voltar. Não é.

Manchete, Dani Lima não recomenda a Sara Márcia. Não, pô, pelo amor de Deus eu ia dizer exatamente que mesmo, e não foram poucas as obras, né, por exemplo tem o ensaio sobre a cegueira pra ficar num grande livro célebre e tal mas o Evangelho segundo Jesus Cristo, caralho quando eu peguei pra ler eu falei Jesus amado, o que que eu vou fazer com esse moço aqui e o livro é foda então b

Lute. Aquela, né? Leia. Muito bom. Obrigado, Dani. Você é sempre uma simpatia. Acho que foi legal. Bom, agora é o Ardimbor. Semana que vem a gente volta com outro episódio. Abraço pra todo mundo.

Era da ansiedade: redes sociais, sim, mas há muito mais. Como lidar? l Daniela Lima no Missão Saber | Castnews Index — Castnews Index