Episódios de Pura Caffeina: para apaixonados por café

EP 77 - SHOT! Clubes de assinatura de café: será que é para você?

28 de setembro de 202620min
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Se você tem dúvidas se assina ou não um clube de café, vem cá que esse episódio do Podcast Pura Caffeina pode te ajudar.

Se você tem alguma história sobre assinatura de café, se quer indicar alguma marca ou tem dúvidas, é só comentar aqui ou no Instagram.

Beijoooo e bons cafés!

Participantes neste episódio1
G

Gi Coutinho

HostVendedora de café (antiga)
Assuntos4
  • A proposta dos clubes de assinatura de cafés especiaiscomodidade e curadoria·conhecer produtores e regiões·aprender sobre o universo do café
  • A experiência de Gi Coutinho com pré-pago de cafés especiaisPura Cafeína Delivery·curadoria de cafés·inspiração em pré-pago de bebidas
  • Vantagens de assinar um clube de café especialser surpreendido com sabores·ampliar repertório sensorial·acompanhar a safra do café
  • Para quem a assinatura de café não faz sentidoquem bebe pouco café·quem gosta de escolher tudo·quem encontrou o café da vida
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Pura Cafeína, o podcast que traduz o mundo do café para quem quer ir além da primeira xícara. Salve, salve! Eu sou a Gi Coutinho e este é o Pura Cafeína. Passa um café, porque a conversa já tá começando. Oi, oi, oi! E aí, tá tomando um café agora? Tô curiosa para saber qual é. Se você se lembrar, posta aí um story ouvindo esse episódio do Pura Cafeína, me marca, me conta. Que café tá te fazendo companhia? Ou onde você tá? Tá indo pro trabalho?

Ou tá indo viajar? Tá lavando louça? Que bom, posso te fazer companhia. E ó, hoje eu vou falar sobre uma saudade que eu tenho. Eu já fui vendedora de café e um dos produtos mais legais que eu tinha no Delivery Pura Cafeína era um pré-pago de cafés especiais. É, pré-pago, tipo de crédito de celular. Você pode chamar de assinatura de café? Pode. Funcionava assim: você entrava no site Pura Cafeína, né, que eu tinha ali um e-commerce quando eu vendia café, e comprava um plano para receber café por 3 ou 6 meses.

E podia escolher se queria receber esse café de 15 em 15 dias ou uma vez por mês. E ainda dava para escolher a quantidade que você consumia, para não estragar café. Então, se você queria um pacotinho de 250 gramas, gramas a cada envio, ou meio quilo de café por envio, 500 gramas. A curadoria era feita por mim, era por minha conta, e essa sem dúvida era a parte mais divertida, já que o meu negócio era um negócio pequeno em tamanho, embora famoso, né?

Muita gente ainda fala que tá carente, tá órfão até hoje. Eu sinto, gente, saudade de vender café, só não é um negócio viável mais para mim. Bom, eu conhecia as preferências de cada cliente. Isso era incrível, era muito legal surpreender as pessoas com sabores diferentes de cafés especiais, com territórios produtores diferentes, com processo de secagem diferente. Tudo isso influencia no sabor que você vai sentir na sua xícara de café.

Juro, o pré-pago Pura Cafeína é das coisas mais legais que já rolaram por aqui na minha história. E se você é uma marca e quer copiar a ideia de pré-pago, pode copiar, tá? Vale a pena. Afinal, gente, tudo é inspiração, né? Tudo circula, a gente joga a ideia ali para o universo e isso vai se reconstruindo de outras maneiras. Nesse rolê de pré-pago de pacotinho de café, por exemplo, minha inspiração à época foi a pessoa mais citada nesse podcast desde o episódio 1.

Ela está no episódio 1, Flavinha. Do Dili ou Coffee Shop. Quando eu trabalhei na extinta Cafeteria da Flávia, ela tinha um pré-pago de bebidas: espresso, cappuccino, macchiato, por aí vai. Então, se a sua bebida preferida era um espresso duplo, você ia lá, comprava, sei lá, 10 espressos duplos, pagava de uma vez e ganhava na hora um espresso duplo. Então é o famoso pague 10, leve 11. Era tipo isso, sabe? E o grande trunfo era que na próxima ida à cafeteria a pessoa não precisava pegar fila para pegar o café, para fazer o pedido ali e pagar.

Você só pedia já e carimbava num cartãozinho que aquele café já tinha sido consumido. Era um sucesso. Bons tempos, saudosos tempos. E aí outro dia uma amiga me perguntou: Gi, eu quero tomar um café melhor, mas você não vende mais café e eu não sei se vale a pena assinar um clube de de café, uma assinatura, ou simplesmente comprar quando, toda vez que acaba, porque aí eu esqueço de comprar. E aí eu percebi que essa dúvida ela é muito mais comum do que parece, já que muita gente não quer só a comodidade de ter seus grãos entregues em casa, mas também ter o trabalho de curadoria, né?

Eu particularmente acho um luxo você ter uma curadoria, alguém que escolha os cafés que você vai provar. Então hoje eu quero conversar justamente sobre isso: clubes de assinatura de cafés especiais. Ó, então vamos lá, eu não vou dizer qual é o melhor clube, não é sobre isso. Eu vou explicar para quem faz sentido assinar e o que você deve prestar atenção quando for escolher uma assinatura. Antes de explicar o que é e como funciona uma assinatura de café, eu quero te fazer 3 pedidos.

Você sabe, né? A relação que a gente tem aqui já tem uns anos, né? Podcast Pura Cafeína no ar é uma relação de intimidade entre a gente. Você me deixa entrar na sua casa, no seu trabalho, me leva no seu fone de ouvido quando tá no ônibus, na bike, no trem, no metrô. Como dizia Rincon Sapiência: lotação, busão, metrô, trem, carona. Isso sem falar quando você viaja, me bota no som do no meu carro, enfim, eu tô sempre aí levando informações sobre essa nossa paixão em comum que é o café especial.

Então, nessa nova fase do podcast Pura Cafeína, eu quero te fazer esses pedidos bem especiais para mim. Primeiro pedido: que você compartilhe com pelo menos uma pessoa esse episódio, combinado? Já manda logo no WhatsApp, sabe? Dá aí compartilhar e manda lá Bom, segundo pedido é que você avalie esse podcast dando estrelinha, 5 estrelas, por favor, tá? A gente merece. E o último, então, importante quanto, é que você comente para eu saber que você tá me ouvindo, saber dessa um pouco mais sobre essa nossa conexão.

Aceita meu convite? Então, bom café e muito obrigada! Bom, bora para o nosso tema central. Muita gente aqui pode conhecer clubes de assinatura, mas muita gente pode nem saber como funciona, e eu descomplico. Os clubes de assinatura surgiram para aproximar mais as pessoas do café especial. Hoje pode parecer normal encontrar um café de qualidade pela internet, mas nem sempre foi assim, né, gente? Tem umas ciladas por aí, né, Bino?

Café velho, café que não é café especial realmente, café torrado há muito tempo, e por aí vai. Enfim, durante muito tempo, se você não morasse numa cidade com muitas cafeterias, como Curitiba, São Paulo, que são cidades que contam com muitas cafeterias especializadas e também com torrefações bem legais de café especial, era muito difícil conhecer cafés diferentes. A gente tem Minas Gerais, por exemplo, que é o maior produtor de café do mundo.

Minas, mesmo tendo muitas regiões produtoras ali dentro, às vezes você tem acesso a café do sul de Minas, mas você acaba não tendo— ou do Cerrado Mineiro, mas você não tem ali como provar um café das matas de Minas, da canastra e por aí vai. E aí os clubes de assinatura ajudaram muito a mudar esse cenário, né, e a diversificar esses cafés que chegam para os consumidores em casa. A ideia é simples: em vez de você precisar pesquisar, escolher e comprar um café novo todo mês, se você quiser provar, alguém faz essa curadoria por você.

E eu acho sinceramente, gente, isso é muito legal. Você recebe o café na sua casa com uma frequência definida, normalmente uma vez por mês, e a cada entrega tem a chance de conhecer um produtor, uma produtora, uma região, um processo, uma torra diferente. Você conhece histórias diferentes. Isso também é bem legal. Geralmente não vem só o pacote de café. Muitos clubes enviam fichas sensoriais, caderninhos até para você anotar as notas que você sente naquele café, um postal com a foto ou a história do lugar ou de quem produziu, o que tem por trás daquele café.

Algumas marcas enviam mais sobre o processo de produção do café e sugerem até métodos de preparo uma receita específica para aquele café, para enaltecer as notas sensoriais que ele vai ter. Então, além de tomar café, você acaba aprendendo mais sobre esse universo, sabe? Eu gosto muito de fazer uma comparação de clube de assinatura de café com clube do livro. Quando você assina um clube literário, você abre mão de escolher exatamente qual livro vai ler naquele mês e confia na curadoria de alguém, né?

Com café é a mesma coisa. Você aceita ser surpreendido. Às vezes chega um café que você jamais compraria por conta própria, e é justamente aí que mora a graça. Você sai da sua zona de conforto, amplia seu repertório sensorial. Isso também é diversão e educação sensorial, né, gente? Pode não gostar? Pode. Já aconteceu comigo? Sim. Mesmo estudando café, eu tenho os meus momentos só de prazer, né, gente? Que eu sento ali para ver uma seriezinha ou para tomar um café da manhã com o Pablo, aquele café de todo dia.

Então tem café que eu devoro, Aquele café que chega, a gente fala, nossa, esse daí não vamos congelar para durar, porque a gente já vai devorar. Já fica aquele pacote enroladinho para não entrar ar e preso com prendedor, às vezes até de roupa, do lado do moedor de café, porque aquele café que você vai fazer muitas vezes, que ele cai bem o dia todo. Então tem café que eu devoro, mas tem café que eu provo, aí eu não gosto tanto, mas eu acho interessante, aí eu levo nos meus cursos para compartilhar isso com outras pessoas.

Também tem café café que eu gosto muito e quero compartilhar com os meus amigos. E aí eu fico fazendo saquinhos escritos ali com amostra para presentear as pessoas. E tem alguns que eu realmente não gosto, hedonicamente falando, pessoalmente, mas tecnicamente estão muito bons, muito bem feitos, e eu acabo presenteando amigos e amigas que eu sei que gosta daquele perfil sensorial. Então tem essa graça de ter também cafés diferentes Vindos de uma curadoria todo mês, né?

Legal apresentar sabores novos para quem a gente gosta. Eu acho que esse é um dos maiores valores de um clube de assinatura. Não é só receber café em casa, mas também descobrir cafés que talvez nunca cruzasse em seu caminho se você tivesse escolhendo apenas pelo rótulo, apenas pelo hábito de comprar sempre o mesmo café. E aí, tão curtindo saber mais sobre clube de assinatura de café? Ó, outra vantagem dos clubes de café especial é acompanhar a safra.

O café não nasce o ano inteiro. No Brasil, a safra é anual. Então, a florada maior do café é em setembro. Essa flor do café cai e começa a nascer um fruto. Esse fruto, ele passa pelo que a gente de enchimento. Então ele vai enchendo verdinho ali, né, aumentando o tamanho, enchendo do quê? Da polpa, da semente. Ele vai crescendo no pé até ele ficar maduro. Quando ele tá maduro, dependendo da variedade do café, ele vai ficar vermelho.

Dependendo da variedade, ele vai ficar amarelo. E aí ele vai estar pronto para ser colhido e para ser beneficiado depois de colhido, lá para maio, junho, julho, dependendo da região. Então você já virou o ano. Aí a prova desses cafés vão ser feitas nos meses seguintes, e por aí vai. Então você terá aí café para um ano, uma safra, né? Por isso que a gente fala que a safra vigente é, por exemplo, 2026/27. Depois vai ser 27/28, porque você vira o ano, né, com aquele café.

Gente, é assim como manga, uva, caqui, tudo tem época, né? Café também tem. A diferença aqui é que a semente dentro desse fruto, ela vai ser beneficiada, selecionada, separada, e esse café ele vai ficar armazenado em condições propícias para ir sendo torrado aos poucos. Então você vai recebendo cafés aos poucos, dependendo do mês começam a aparecer cafés recém-beneficiados de determinadas regiões, meses depois chegam outros lotes, lotes bem pequenos, às vezes até edições limitadas, outras fazendas, outros perfis sensoriais de outros territórios produtores.

Então quem assina um clube acaba acompanhando um pouco desse, digamos, calendário agrícola, sabe? Quase sem perceber. E vai sentindo também o frescor desses cafés, o frescor de uma safra nova, o frescor de um lote que acabou de ser preparado e vai chegar na sua casa. Hoje o mercado de café especial oferece várias opções de clube de assinatura. Cada uma tem ali a sua proposta, mas a lógica é muito parecida. Você recebe cafés selecionados periodicamente e deixa essa curadoria nas mãos de alguém.

Você paga pelo conhecimento de quem fez essa seleção, e isso é chique. Agora, deixei aí muita gente com vontade de fazer assinatura de café. Acho que até para dar de presente para alguém, né? Mas claro que eu vou botar o dedo na ferida, né? Tem que ter uma acidez alta de vez em quando, né, gente? Sou eu, de Coutinho, pura cafeína. Sério, eu também acho importante dizer que eu gosto muito dos clubes de assinatura, mas nem sempre eu recomendo, não é para todo mundo.

Porque como quase tudo no café, a resposta é depende, né? Se você toma café todos os dias, gosta de experimentar sabores diferentes, como eu tô contando aqui e tem curiosidade para conhecer novos produtores, provavelmente você vai aproveitar muito essa experiência. Mas existem alguns perfis de seres humaninhos aí para os quais a assinatura não faz sentido. O primeiro é quem bebe pouco café. Se um pacote de 250 gramas dura 2 meses na sua Talvez não seja a melhor escolha você assinar um clube, certo?

Café especial é um produto fresco. Quanto mais tempo ele fica parado, mais vai perder ali as características sensoriais que fazem daquele café um café especial. Então esse café vai começar a oxidar, vai ficar velho. Aí você vai falar: mas piriri parará pororó, eu vou congelar os grãos, porque eu vi até a Jicoltinho Pura Cafeína falando que se eu congelar os grãos ele demora mais ali para oxidar, congelar e eu tenho moedor em casa.

Meu amor, você sabe como que tá meu freezer de café em casa? Não, você não vai congelar tanto café assim. Pode parar, eu estou te desinfluenciando, tá? Você não vai assinar um clube de assinatura de café. Para quem eu também não indico? Tem aquela pessoa que gosta de escolher tudo, que gosta de ter um controle, né, do que vai provar. Tem gente que adora entrar no site da Torrefação, ler a descrição com calma, ver quando aquele café foi torrado, como ele foi colhido, ler a história ali mesmo quando a torrefação oferece isso, quando a cafeteria, a marca oferece.

E isso já faz parte da diversão dessa pessoa, e quem sou eu para acabar com a sua diversão, né? Nesse caso, talvez a graça esteja justamente nessa escolha e não em receber uma surpresa em casa. Tem gente que não gosta de surpresa também, né? Principalmente surpresas sensoriais. E existe um último perfil: quem encontrou o café da vida. Sabe aquela pessoa que diz, eu gosto desse café e não quero outro? E tá tudo bem, gente. Nem todo mundo busca novidade.

Tem gente que busca constância, busca aquele sabor já conhecido, e aquilo dá um aconchego. E assinatura nem sempre entrega isso. Embora em alguns clubes você consiga definir quais as notas sensoriais te agradam mais, tá? Mas tem gente que gosta de comprar o mesmo café com o mesmo perfil sensorial. Lembra que lá no começo eu falei que eu já fui vendedora de café? Então, quem comprava o Sítio São José, por exemplo, café produzido lá em Jesuane, a Mantiqueira de Minas, torrado pelo Luiz Pereira Vilela, amigo querido, que só tem cafezão, queria sempre o Sítio São José.

Não queria novidade. Então, talvez, realmente, fazer uma assinatura e receber essas aventuras novas todo mês não seja pra você. No fim das contas, um clube de assinatura não é uma obrigação pra quem gosta de café especial, mas é uma experiência bem gostosa. Se a ideia de descobrir cafés novos te anima, pode fazer, porque eu acho que vai fazer muito sentido na sua vida. Mas se você prefere repetir um café que já conhece e ama, talvez comprar diretamente na sua torrefação favorita, na sua cafeteria, já seja assim uma escolha muito mais acertada.

Eu gosto das duas coisas. E olha, gente, depois de tantos anos provando cafés especiais, eu aprendi que não existe também certo e errado, né? Existe sim a parte técnica, certo ou errado tecnicamente falando, mas quando o papo é café aí na sua casa, existe o jeito de tomar café que faz sentido para você, o sensorial que faz sentido para você. Agora eu quero saber, você prefere ser surpreendido por um café novo todo mês ou é do time que encontra ali um favorito e continua fiel a ele?

Quero saber, me conta aí nos comentários e não esqueça de mandar esse esse episódio para aquela pessoa que ama café. Um beijo, um ótimo café para você e até o próximo episódio do Pura Cafeína.