Groundcast V#15a – Os Maiores Mitos do Rock e do Metal
Todo mundo aqui já ouviu coisas como “O Punk matou o Rock Progressivo” ou ainda que “O Heavy Metal é influenciado pela música clássica”. Nesse programa vamos desvendar esses e outros mitos sobre o rock e o metal e nessa primeira parte saiba mais sobre o que define um mito musical, se o punk é...
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- Dificuldade com Rock Progressivo· CulturaIncorporação de elementos externos·Rock progressivo italiano·Progressivo americano e space rock·Rock psicodélico e prog·Discos conceituais·Rick Wakeman e discos conceituais
- Ethos DIY Punk· CulturaOrigens do DIY·Fanzines e Beat Generation·Rockabilly e selos independentes·Folk rock e autoprodução·Punk como popularizador do DIY·Fugazi e shows acessíveis·Bad Religion e selo musical
- Seleção Brasileira de Esports· EsportesEliminação do Brasil na Copa·Neymar·Vinícius Júnior·Endrick·Tabu de jogadores de Palmeiras e São Paulo
- Técnica vs Emoção na Música· CulturaDefinição de técnica musical·Virtuosismo no rock progressivo·Pink Floyd e feeling·Dream Theater e caricatura·Math rock e técnica
- Críticas a Jogadores e Seleções· EsportesHaaland·Argentina e racismo·Mbappé·França vs Paraguai
Agora você está ouvindo Groundcast. Caros ouvintes, caras ouvintes do Meu Deus, é o nosso programa Groundcast. Estamos aqui parcialmente derrotados nesse domingo porque esse programa atrasou um pouco a gravação. Eu sou o Fábio, diretamente aqui de Santo André, tentando não lembrar do jogo horroroso que nós vimos. E do outro lado, aquele que— bom, fala alguma coisa aí, César, que eu tô aqui agora, estou até sem fala, cara.
Na verdade, assim, são 3 coisas que eu queria falar. A primeira é o seguinte: tudo bem, eu não quero ser engenheiro de obra pronta, mas eu acreditava que o Brasil ia perder mesmo. Não nas oitavas de final, mas que ia perder porque era o final digno para a história do menino Neymar na seleção brasileira.
Não, e sem contar o seguinte, eu acho que o Brasil jogando o que tava jogando chegou até muito longe, você quer saber?
Não achei não, cara. O Brasil tava jogando bem contra a Noruega, porque assim, problema é o estilo era diferente, porque o Brasil tava deixando a Noruega lá tipo de uma certa forma com a bola indo nos contra-ataques. Qual foi o problema? Porra, você chega lá, tem um pênalti a seu favor, que o juiz ainda, o ladrão lá, não ia marcar. Tem um pênalti a seu favor, o cara que é o craque do time, o protagonista, que é o senhor Vinícius Júnior, vulgo Negeba.
Negeba com teto solar. É que assim, aí já vou explicar. Negeba, por que que eu tô falando Negeba? Teve um jogador do Flamengo por volta de 2010, por aí, chamado Negeba, e que era um jogador, como é que eu posso dizer assim, habilidades futebolísticas discretas. Você entendeu? E aí basicamente o Vinícius Júnior, ele é um Negeba com teto solar, com vidro elétrico. Por quê? Porque ele é um cara que tem um pouco mais de habilidade, mas nunca foi esse craque todo aí que todo mundo, que o pessoal aí celebra.
Mas obviamente o cara jogou no Real Madrid, ganhou Champions, claro, né? Também, cara, ganhou Champions com o maior campeão da porra do campeonato. É igual o outro cara lá da Inglaterra que os cara falam tanto que Ah, nossa, finalmente ele ganhou um título. Porra, ganhou o campeonato alemão com o Bayern de Munique, sabe? É ridículo. É tipo ganhar o Campeonato Gaúcho com o Inter ou com o Grêmio. É esse o nível. Ou Campeonato Mineiro com o Cruzeiro ou o Atlético Mineiro.
Mas enfim, esse cara, que é o cara que por sinal era o artilheiro do Brasil, não bate pênalti. E o Endrick, que porra, parei de torcer pelo Endrick, com todo respeito. Até porque também ele vai voltar para o Real Madrid. E porra, se continuar desse jeito, não tá mais no Palmeiras mesmo, quero que você for. É, pô, o cara chega de cara pro goleiro ali, aí ele dá um toque de lado ridículo caindo. Cara, tem que tocar por cima do goleiro, dá uma cavadinha, a bola vai na frente do goleiro, o goleiro não vai pegar porque ele tá abaixando, é gol.
Vai lá, corre pro abraço, sabe? Beija lá sua esposa, pô. Moleque com 18 anos casa, primeira coisa que ele faz quando ele muda de país, ele casa. Percebe-se que não tem coisa normal com esse maluco. Mas é foda. Mas enfim, eu esperava mesmo que o Brasil fosse perder, né? E aí eu vou para o segundo ponto: por que que esperava que o Brasil fosse perder? Apesar de você ter, por exemplo, vários times assim que são históricos por contribuir com jogadores para seleção, como Botafogo, Santos, né, que deu— Botafogo e Santos que deram os maiores jogadores da história da seleção, né, que Garrincha, Pelé.
O Cruzeiro também. Tem dois clubes que assim Tem um tabu que não conseguiu ser quebrado ainda, que é o quê? O Brasil, ele só é campeão da Copa se tiver no elenco, junto lá da seleção, um jogador do Palmeiras e um do São Paulo. Se não tiver, não ganha. A última vez que o Brasil ganhou, tinha o goleiro titular era do Palmeiras e tinha 3 jogadores do São Paulo. Depois, se você for pegar, assim, não tô dizendo que, ah, sempre que teve jogador do Palmeiras e do São Paulo ganhou.
Tô dizendo que nunca ganhou sem. E infelizmente os tabus continuam sem ser quebrados, né? Continuam sem ser quebrados, né?
Então é, tanto que a última grande vitória eles ainda tinham jogador do Corinthians, né?
Não, mas o Corinthians, cara, o Corinthians historicamente, tirando alguns momentos, ele é inexpressivo para seleção. Inexpressivo não vou dizer não, velho. Um dos melhores times que nunca ganhou, que não ganhou, tinha como importante lá o Sócrates. Antes, né? Mas e aí eu quero deixar o último ponto, que é já para a gente ir para o nosso assunto, né? Que assim, eu só quero deixar uma frase de um grande filósofo que foi dita hoje, que é o Bueno, vírgula, Galvão, que ele me fala o seguinte: tirando esses 2 gols, o Haaland não jogou nada.
Ah, lógico, mano, tirando os 2 gols ele não jogou nada, cara. É claro, porra, é aquele negócio, é igual o Elon Musk falar, tirando, tirando meu pai e minha mãe terem transado e o meu avô ter deixado herança uma mina de esmeraldas, tudo é mérito meu, não tem nenhum mérito deles na minha vida.
Pois é, cara, pois é. Não, é tipo assim, é tipo pensar no Ayrton Senna, que, ah, ele era bom piloto, mas imagina se não foi o fato da família dele ser rica para caralho, né, dele poder treinar kart desde os 9 anos.
Cara, então, mas é que no caso do Ayrton Senna, assim, automobilismo é um esporte de rico, ou seja, não tem pobre lá. Se tiver, você pegar na história, vai ser um, dois, tá ligado?
Não, e normalmente os caras são ruins, inclusive.
Porra, bicho, é só você ver nos últimos 20 anos, é, porra, apareceu cada, cada sogueiro, e tipo, o cara só corria, você via, realmente, porque conseguia conseguiu o patrocínio para o time, que é um bagulho ridículo. Mas tipo, o Ayrton Senna, ele teve muitos méritos. Eu não vou dizer que é só o fato dele ser rico.
Não, mas seria assim, só o fato dele— não, mas é a mesma coisa que eu vou dizer assim, ah, exceto que ele ganhou 300 partidas, que ele dirigiu bem, aí só ganhou, né? É triste isso, cara.
Aí sim, né? É, mas é, cara, mas é também porque tipo Copa do Mundo é um é foda, porque assim, para o melhor e para o pior, tipo, junta todo mundo. E aí até lembrei um ponto bônus aí antes da gente terminar, que é foda, né? Porque apesar dos pesares, você viu o cara que sofre racismo, que é o Vinícius Júnior, tá fora da Copa, e a encarnação do racismo, que a Argentina tá lá, né? Que eu não sei se você viu o que aconteceu no jogo contra Cabo Verde.
Ah, eu vi, vi, vi.
Você viu? Porque foram duas coisas. Primeiro, os torcedores da Argentina jogando coisa na da torcida do Cabo Verde, que eles estavam acima. E tipo, isso é coisa que acontece em Libertadores normalmente. Por exemplo, você vai jogar Brasileira, essas coisas na Argentina, tem às vezes que os caras até de sacanagem coloca a torcida brasileira embaixo, que é para justamente os caras poderem ficar jogando coisa, né? E aí joga saco plástico com urina e essas merda aí.
E o segundo foi que tipo tem um streamer lá, o Speed, né, que é que é americano, que é estadunidense, né, melhor dizendo, e que tava torcendo por Cabo Verde, né, grande crime que ele fez. E os torcedores argentinos estavam falando, go back to your home, volta para sua casa. E tipo, ah, não, não, esse é o Léo. Sabe qual foi a melhor coisa que eles falaram? Os moleque argentino fazendo vídeo selfie e falando, ah, vai chorar no zoológico, mano.
É, para sorte deles, lá é É vários, e aí racismo não é crime.
É, não, então, mas isso que eu acho pior, porque assim, você viu, isso que eu acho um contraste, que você vê os jogadores da Argentina depois que acabou o jogo, os cara foram para os cara do Cabo Verde falar, porra, vocês jogaram para caralho, pô, tal, não sei o quê. O Messi chegou lá para o vozinho, falou, pô, você catou muito, tal, sabe? Porra, geralmente os jogadores que são o epítome do racismo. E tipo, quem foi racista pra caralho?
A molecada lá, os Enzo argentinos, os Lorenzo, no caso, né? Os Lorenzi, né? E em compensação, né, aí o último ponto mesmo, o outro aí que também é outro bastião aí que o pessoal, todo mundo torce a favor, que é o Tartaruga Ninja Mbappé, né? Porque, ah, ele é contra betes, então ele é maravilhoso. Chegou lá, só conseguiram ganhar do Paraguai, Porque fizeram um gol de pênalti, porque o Paraguai na sua proposta conseguiu desenvolver, que é jogar duro.
E desculpa, futebol é um esporte de contato e fazer falta faz parte do jogo. O cara que fazer gol faz parte do jogo, ganha aqui, faz mais gols. Mas ninguém disse que você não pode defender. Aí tipo, a França ganhou e era um jogo que era, e era um momento que era um ataque da França, e o Mbappé tava com a bola e o goleiro do Paraguai foi lá para tirar a bola. Aí ele foi lá tirar a bola, o juiz apitou o final do jogo, o jogador, o goleiro do Paraguai foi lá, estendeu a mão, falou, pô, parabéns, Eles passaram e o Mbappé ignorou e começou a gritar lá uns negócios.
Aí o goleiro pegou e jogou a bola na cabeça dele. Porra, tá certo, vai tomar no cu esse filho da puta, mano! Toma, vai se foder!
Nossa, mano, pois é, pois é.
Porque o Mbappé, pô, a galera assim, o que é foda é que vem outras coisas do Mbappé, porque porra, tudo bem, ele tem o posicionamento lá contra a extrema-direita francesa e tal, não sei o quê, mas ele tá longe de ser um cara que é 100%, que é a mesma coisa do Vinícius Júnior.
Ah não, mas do Vinícius Júnior ele até divulgou bet, aquele cara, mano.
É o Vinícius Júnior, o Vinícius Júnior ele é, como é que é o nome, não é representante, embaixador. Isso, ele é embaixador da Bet Nacional. Então não, mas o seguinte, porque assim, o problema com Vinícius Júnior é que assim, os caras de fora eles não sabem, por exemplo, pegar alguma coisa para devolver uma provocação. Por isso eles apelam para o racismo, porque o Vinícius Júnior provoca os caras também. Só que obviamente, como os caras já têm, como racista tem um cérebro minúsculo, o cara ele não sabe sair do lugar.
Como é igual aquele negócio do cara falar para mulher e lavar louça, entendeu? É o cara que não tem, o cara na mente dele aquilo ali é o suprassumo da genialidade. Então o cara vira para uma mulher que tá falando um negócio que ele não concorda e fala: volta para cozinha. E chamar um negro de macaco, entendeu? Mas Vinícius Júnior e o Mbappé, pô, é só ver o Mbappé que, entre outras coisas, por exemplo, pô, quando o Paris Saint-Germain, que é o atual bicampeão da Champions League, chegou o momento, quando contratou Mbappé, o dono do time chegou e falou, ó, a chave é sua, você faz o que você quiser.
E tipo, chegou o momento que o PSG, ele chegou a ter Mbappé, Neymar e Messi, Mbappé, Neymar e Messi, e eles não conseguiram ganhar uma Champions League.
Eu lembro disso. Inclusive, um dos motivos que eu lembro que o pessoal sacou o Neymar fora uma época foi por causa disso.
Sim, foi porque eles brigaram. Isso que antes do Mbappé, quem tinha a chave do clube era o Neymar, que aí tirou o Cavani, que é o uruguaio lá, centroavante, né, e tirou também o Lucas Moura, que já tinha um tempo que tava lá no PSG, e o Neymar sacaneou. Mas o Mbappé. E curiosamente, o Mbappé, que acontece, o Vinícius Júnior tem acho que 3 Champions no Real Madrid. Foi só o Mbappé sair do PSG e ir para o Real Madrid, Real Madrid não ganhou nada e o PSG ganhou 2 Champions seguidas. Coincidência? Eu acho que não. Foi, né?
Bom, então vamos para o nosso programa, vamos cortar o bloco aqui e vamos começar aqui. Esse programa tá bem legal. Olha, gente, faz um tempo que eu queria fazer essa pauta. Você já deve ter visto que os maiores mitos do rock e do metal, porque assim, cara, sei lá, esses mitos devem existir há uns 40 anos para mais. E sempre tem alguém que repete essa bosta em algum momento, seja influencer, seja fã desmiolado, seja jornalista.
Já vi jornalista falando essas bostas, que nem, por exemplo, muita gente fala: ah, mas o rock progressivo morreu porque surgiu o punk. O que é muito estranho, considerando que o prog continuou ainda com um bom tempo fazendo sucesso antes do punk se consolidar. Tem gente que fala, por exemplo, assim: ah, mas o heavy metal tem grandes influências de música clássica. Inclusive já tretei muito muita gente por conta disso. Então eu selecionei alguns dos mitos para a gente conversar.
Primeiro, explicar o que que é um mito musical. É alguma coisa que de fato tem um fundo de verdade, e isso é uma coisa interessante. Nenhum mito musical ele é totalmente mentira. O que acontece na verdade é que as pessoas elas distorcem um bocado a ideia, e aí as pessoas começam a repetir, vai para o imaginário geral e vira algo que vira senso comum. Eu lembro quando eu era mais novo, eu não sei se você passou por isso também, mas uma galera repetia muito que punk era um estilo fácil de tocar.
É que, aliás, punk é simples, né? Que é que punk, quem toca punk não sabe tocar.
É, exato, cara.
É que assim, eu acho assim, eu discordo um pouco, porque assim, eu acho que o fã ele pode ter falar as maiores barbaridades porque ele é fã.
E eu concordo, eu concordo.
E quando a gente fala de fã, fã pode ser qualquer coisa. Pode ser aquela pessoa que começou a ouvir tem uma semana e ouve e gostou de uma, duas, três músicas. Ou o cara, assim, a partir do momento que ele vai gostando mais e mais, ele vai buscando informação. Agora, o problema é jornalista falar. E isso eu acho complicado. Por quê? Porque igual a gente já falou assim até em outros assuntos, outros programas, de veículos de comunicação e até veículos especializados falando merda.
Isso não pode, porque é a profissão do cara, sabe? É a mesma coisa que eu chegar para uma pessoa lá e falar assim, ó, é, o teu computador tá dando problema, tira o pente de memória e passa a escova com pasta na memória, sabe? Que é mais ou menos isso.
Lava as memórias, como eu já vi alguém falando, inclusive. Lava as memórias.
Ou não indo tanto assim, mas indo para um negócio, né, tipo falar para você, falar, cara, sabe, porra, você quer estar seguro para navegar na internet? Coloca 3 antivírus, coloca 3 antivírus, porque você tá garantido.
2 firewall, né, cara? Mete 2 firewall. Se um é bom, por que não ter 2?
Exato, porque aí você tem dupla proteção. É igual você ir no postinho, a enfermeira falar para você usar 2 camisinhas.
É, exato. Se uma protege, 2 então. E vai ter aquele afobado ainda que vai colocar uma terceira, que é para garantir.
Assim, não, às vezes ele vai colocar a terceira, acho que é para ter calibre ali, né? É igual aquele cara lá do, não sei se você lembra lá do, caralho, qual que é o nome do filme? O Gigolô por Acidente, o policial, lembra?
Lembro, cara.
Não, porque minha mulher, problema é que não é que ele é pequeno, ele é fino.
Não, e o Gigolô por Acidente falando isso, a dublagem é maravilhosa inclusive, parece um lápis. Deu, fala que parece um lápis. Na dublagem virou parece um lápis. E cara, é fantástico isso, de verdade é fantástico, é fantástico, de verdade é fantástico. E a gente vai desmentir um pouco desses mitos porque tá documentado. O mais triste é que todo mito, é claro que nós vamos abordar mitos que são muito autoevidentes que são mentira, do tipo que o Marlin Manson Arrancou as duas costelas pra fazer boquete dele mesmo, que tem gente que acredita até hoje.
Não, esse aí, cara, esse aí eu acho que é igual aquele que o Marilyn Manson era o Paul da série Anos Incríveis. Não tem como a pessoa em 2026 acreditar nisso.
Não, ou ainda o Alice Cooper que matava os pintinhos lá com uma plataforma de espinho, sabe? É o tipo de coisa que percorre o imaginário das pessoas assim de forma surpreendente. E a gente não vai citar porque isso é autoevidente que é falso, né, cara? Não precisa ter mais. Se bem que numa época que tem gente bebendo detergente, cara, é, não, mas é que assim, já foi desmentido por outras fontes e tal. Então, cara, não é que é tão ridículo que é impossível ser verdade, tá ligado?
Porque saúde das costelas não faz sentido, porque o cara fazer o autobuquete, a costela não vai atrapalhar Cara, das costelas sim, mas de pintinho já teve.
E eu vou ser muito liberal no uso do termo, produtora de conteúdo em São Paulo que vendia conteúdo de lingerie com bota matando bicho. É São Paulo. Então assim, eu não vou dizer que um roqueiro drogado não fazia uma porra dessa escondido.
Não, esse era mais plausível, mas ainda assim, cara, é muito surreal porque é o tipo de coisa que não tem foto. No caso, Alice Cooper. Não há uma foto dele fazendo isso, porque se ele tivesse feito, algum fã desmiolado teria gravado com aquela câmera portátil.
Não sei, não sei, não sei. Pode ser que não teria. Por exemplo, do Jimmy Page usando peixe eroticamente com mulheres. Tem filmagem disso?
Tem foto?
Tem foto? Tem foto? Mas quem tirou a foto? Foram eles que tiraram a foto?
Não é possível. Inclusive, é uma assim, as fotos explícitas eu não sei se tem disponível, mas as fotos de que o evento aconteceu existem.
Ah não, tô falando do ato, tem que ser do ato.
Mas deve ter, cara, mas deve ter, sabe?
Não, não foto de alguém falando, olha, aconteceu. Mas aquele negócio, ele não negou, ele não nega. Então por isso a gente fala que é verdade.
Exato, exatamente.
Cara drogado, então quer saber.
Mas os que a gente vai citar aqui são coisas um pouco maiores e menos particulares porque são mitos espalhados à exaustão. E aí eu queria começar, já que já falei sobre isso, que o punk é um estilo mais fácil de tocar. E eu me pergunto, aonde que o punk é um estilo mais fácil de tocar, bicho? Heavy metal, dependendo do que você vai tocar, é tão fácil ou mais do que punk, cara.
Eu acho que depende o que você define como fácil, porque assim, se o fácil for, ah, porque que os acordes são mais fáceis, porra, tudo bem. Mas tipo, a gente tem que lembrar o seguinte: a música é formada por vários elementos. As notas, o conjunto de notas ou acordes é um dos elementos que faz parte. Você tem um acorde, você tem ritmo, né? Ritmo é muito importante, pô. Principalmente você pega baterista, as coisas em punk geralmente é um negócio que é mais rápido, né?
E frenético, cara. E é frenético o negócio. Uma coisa que as pessoas que falam isso considera é que como você consegue fazer uma bateria rítmica em 1 minuto sem soar descompassada? Porque é muito rápido que ele faz isso.
Sim, não, e é um negócio que é assim, pô, é um tipo de música que, cara, é cheio de energia. Não tem como você fazer um ritmo, um tipo de música cheia de energia com uma bateria que vai lá tipo Tipo, sabe? E sem contar que, pô, não tem como a bateria estar num ritmo frenético, a guitarra tá lá, 1 e 2 e 1 e 2, tem que estar no mesmo, no mesmo compasso, né? Então assim, depende o que que você define como fácil. Se você for pegar simplesmente acorde, cara, música não é só acorde.
E se vamos pensar por acorde simples, e se a gente for pensar em acorde simples, Motorhead tem poucos pouquíssimos acordes. E é muito longe de dizer que Motorhead é uma banda simples em termos de musicalidade.
E tipo, cara, ainda mais por mais que você é power chord e tal, cara, porra, você pode até falar, ah, mas punk não tem solo, cara. E daí, porra, não é porque tem solo que, pô, tem um monte de música até em metal e outras coisas que não tem solo, mas você tem partes ali que são extremamente complexas.
Sim.
Então não sabe. E aquele negócio, porque aí tá até uma grande coisa, né? Porque, por exemplo, você pega— por que que muita gente se decepcionava algumas vezes pegando algumas bandas de show ao vivo? Porque, pô, você via nas gravações uma coisa, uma energia, então não sei o quê, que às vezes o cara, um ou dois caras, ou até a banda inteira, tava toda chapada na porra do show e os cara não conseguiam tocar.
Sim. Não, e assim, ó, uma coisa que é importante da gente colocar como você também pôs, a música não é só acorde. O punk, inclusive, uma das coisas que o punk é muito bom é na parte rítmica. Tanto que o fato deles não terem solo obriga eles a terem uma parte rítmica muito bem trabalhada. A bateria, muitas vezes uma bateria gruvada, é muito comum, principalmente quando você vai pegar Ramones, Clash, o hardcore. Pô, hardcore vai enfiando mais coisa.
Então quando a gente vai pensar no punk, a gente vai pensar em bandas pós-Sex Pistols, né? Mesmo o próprio Sex Pistols, que é uma banda relativamente simples, ainda assim não é uma coisa tão fácil quanto a gente imagina. E a questão assim, ah, 3 acordes, pronto. Os próprios punks falavam que a música deles qualquer um podia fazer. E aí o pessoal acabou pegando aquele ethos do faça você mesmo da forma mais torta possível, porque não é isso que significa.
O que na verdade o punk queria era dar aquela cutucadinha no fato de que o rock tinha ficado muito complexo, sabe? Tinha ficado muito, muito complexo.
E até uma corrente de academicismo, né? Sim, que chega num ponto que você acha que, pô, o cara tocar rock, o cara tem que ir para um conservatório.
É, e o O que o punk fez, que na verdade isso é importante, é lembrar que o rock ele é um estilo simples, ele é um estilo de pessoas comuns, ele não é um estilo daquele cara que passou a vida inteira enfurnado num conservatório, pegou a porra de uma guitarra e acha que é o Vivaldi.
Ou o cara que foi pra Berkeley lá e conseguiu uma graduação ali, porra, sabe? E também outra coisa, né, que não precisa ter um instrumento de milhares de dólares para tocar, né?
É, o punk priorizou muito essa coisa de que o que importava mais era a música. E nisso o punk é muito genial, porque o punk lida com limitações. Você fazer uma música de menos de 2 minutos é muito difícil, é muito. Tanto que o grindcore, que vai levar isso a extremos de 10, 15, 20 segundos uma música, é a prova de que É muito difícil você ter coesão em menos de 2 minutos. A maior parte das bandas punks, você tem disco de hardcore, eu tava ouvindo muito esses tempos o disco do Nuvoláscora, o disco inteiro tem 26 minutos e acho que são 12, 10 faixas, 8 faixas, alguma coisa assim, cara.
Eu lembro, tinha umas da época lá de revistas de rock metal, porra, você pegava compilações ali de grindcore que eram 98 músicas. É, sim, em um CD, 98 músicas, sabe? Tipo, mas fala, mas aí o cara vai lá, toca, fala duas frases, acabou, cara. Eficiência. Desculpa, você precisa ser um Camões, você precisa fazer um Lusíadas para passar uma mensagem.
Sem contar que como você condensa tudo isso, o cara que fala isso não tem ideia de como compor música A ideia de que você tem que ter um começo e um fim para tua música. A composição é baseada muito nisso. Como que eu começo e encerro uma música em 30 segundos? Lembrando que ela tem que ter coerência, tá? Uma coisa que o punk e o Ramones, ele é muito bom nisso, nesse sentido, é que você tem que ter consistência. Tanto é que o pessoal falava, ah, mas o Ramones era uma banda, piripororó.
Bicho, o disco de covers dos caras coloca em evidência que técnica não faltava para eles.
Sim, porra. E os caras fazem assim versões que, porra, você vai falar que a versão de Heavy Weather in the Rain é ruim ou simples, né?
Não, os caras têm muito cover ali. Ó, você pega o finalzinho do Ramones lá no Mundo Bizarro, as músicas inclusive são maiores a partir da— muito antes eram maiores, mas no Mundo Bizarro você pega a própria Poison Heart, a Poison Heart que flerta com pós-punk, que flerta com a new wave, é uma música que tem uma linha de vocal mais trabalhada, uma linha melódica mais profunda. Então não dá para dizer o punk é um estilo fácil de tocar, cara.
É difícil tocar punk bem. Eu comparo tocar punk com tocar violão. Tocar violão é um instrumento relativamente fácil de aprender a tocar. Tocar bem é outra história. Tocar bem muito difícil você começar. O punk é assim, você, qualquer estilo você pode aprender a tocar. Inclusive o punk, para muita gente que tá começando a tocar, é uma excelente porta de entrada, porque você não precisa lidar com quebras de tempo. Embora o punk vai fazer isso depois de um tempo, tá?
O Black Flag é meio troll nisso aí, vai lidar com poliritmia, vai lidar com compasso quebrado. Alguns punks também vão começar a lidar muito com compasso quebrado, mas o próprio Husker Doo, quando lança o Zen Arcade, já faz umas experimentações meio bizarras. Mas assim, cara, e tanto punk não é simples que o Kurt Cobain é muito influenciado pelo punk lá de Seattle. Nevermind tá muito longe de ser um disco simples, mesmo estruturalmente tá muito longe.
Aí, aproveitando que a gente tá falando de punk. Vamos pegar então o segundo ponto polêmico, que é o do-it-yourself foi criado pelos punks. A gente ouve muito isso, tem livro que fala que esse ethos do-it-yourself foi criado pelo punk, e na verdade existia antes deles. Quando você tinha lá os fanzineiros da década de 1930, ou a Beat Generation dos anos 1950, já faziam fanzine literário, e era fanzine feito com colagem, com cópia reprográfica.
Então já existia do-it-yourself com esse pessoal. Aliás, fanzine do it yourself é uma coisa que o punk pegou da literatura dos beatniks, que era uma outra influência que eles tinham também para composição de música. Que por um acaso, beatnik também é um cara que falou foda-se as normas, mas eles criaram uma coisa ainda mais abstrata, ainda mais difícil de trabalhar. E aí no rock começou com o rockabilly, porque o rockabilly dependia muito de selo independente.
Porque qual que era o problema na década Principalmente 1960, no rockabilly. Se você não fosse um grupo grande, você não tinha espaço em lugar nenhum. E rockabilly é um estilo que estourou nos Estados Unidos essa época. Então você não tinha espaço para todo mundo.
Sim, até porque era um estilo que saiu do alternativo para o mainstream. A gente tem que lembrar que gravadora é gravadora, não dá dinheiro. Gravadora investe, gravadora ela coloca dinheiro naquilo que vai gerar dinheiro, né? Não vai ser um, vai ser um negócio assim, tipo, o cara não vai pegar 400 bandas para uma estourar e ele, e ele ter o investimento dele de volta. Ele vai pegar a banda que ele vai falar, não, isso aqui vai, e o resto se mata aí.
É, na verdade, a gente não tinha nessa época uma ideia de indústria fonográfica como nós teríamos na década de 80, 1980.
Tudo bem, mas, mas, por exemplo, é que a gente tem aí, por exemplo, essa ideia de indústria, a gente ainda não tinha. Ou seja, o que deixa tudo pior, porque, pô, porque, por exemplo, a indústria você teria num ponto assim que você teria menos, como posso dizer, praticamente assim quase vários nichos, você teria uma gravadora lá, ou pelo menos você pegaria os grandes selos, eles tinham selos menores para abarcar as músicas um pouco mais de nicho, como aconteceu alguns momentos com com thrash, com hard rock, que era muito hardcore depois de um tempo, que eram muitas gravadoras, o quê, eram selos que aí você olha, a Geffen, pô, a Geffen era o braço de uma gravadora que era enorme, da Atlantic, se eu não me engano.
Então assim, tipo, cara, é aquele negócio, era tipo aquela questão, a segunda linha era gravadora que era segunda linha que pegava essas as músicas de nicho. Antes não tinha nem isso, não tinha. Exato.
Não, e sem contar o seguinte: existia uma indústria fonográfica, que a gente for pensar, até o Adorno já falava disso lá na Dialética do Esclarecimento, mas não existia uma indústria fonográfica no molde que nós iríamos ter na década de 80, principalmente década de 70. Ela já existe, mas é diferente ainda, porque esses selos menores, eles viram tipo um celeiro de artista. Se alguém vingar ali, a gravadora grande puxa. Foi o que aconteceu com Nirvana.
O Nirvana era da Sub Pop, chegou, eles iam produzir o Nevermind, a Sub Pop falou: olha, a gente não tem dinheiro para produzir vocês, vamos levar você lá para Geffen, que é uma gravadora que tinha acabado de ser lançada, só que é uma gravadora de A&R, mas era filiada a uma gravadora maior. Então eles tinham dinheiro, tinha estrutura, inclusive até para o Bativique poder trabalhar com eles. Que já era um cara pica nessa época, antes de montar o Garbage.
Então assim, você tinha isso aí, década de 40, década de 30, não tinha como fazer, ainda mais porque a gente vai ter também a Segunda Guerra Mundial, a gente vai ter uma série de rolê aí. Mas rockabilly, blues, blues do interior dos Estados Unidos, que vai se transformar no blues rural, que é um estilo muito interessante inclusive, ele vai precisar de gravadoras independentes. Então são gravadoras menores que não são afiliadas com ninguém e consegue lançar.
E você tem a Sun Records, a Chess Records, que vão conseguir lançar isso. E eles vão muito daquele ethos do do it yourself. Não são gravadoras que exigem um contrato de royalties tão pesado, até porque não tem certeza se esse artista vai vingar. Ao mesmo tempo em que parte dos custos de produção são custeados pelos artistas. E vamos lembrar. Produção era muito cara nessa época. E em 1960, o folk ganha um revival nos Estados Unidos, folk rock.
E o próprio pessoal do folk rock começou com essa ideia de, olha, vamos nos produzir, vamos a gente mesmo distribuir os nossos discos, vender nos shows, que era uma prática muito comum com o pessoal do folk rock, até por conta de muitos artistas assim do discurso nas músicas, né?
Sim, época de música antiguerra e e tal, um monte de coisa. Então, que selo tradicional nenhum, pô. Tal país lá, por exemplo, todos os Estados Unidos indo para guerra no Vietnã, aí vai ver Atlântica e vai lançar um cara que tá falando que a guerra é uma merda.
Não que não tenha, mas uma coisa é você ser um artista consolidado, que o que você falar, a grana não tá nem aí, tá bem que vai vender e tá pronto.
Eles seguram assim, mas ainda assim você não vai ter, porque ainda você pegando artista grande, os caras são chapa branca.
Sim, muitas vezes. Sim, embora ele também tinha um discurso antiguerra depois de um tempo, viu? Mas ele era muito chapa branca.
Ah, mas depois de quanto tempo também?
Inclusive, uma coisa do Elvis que é muito curiosa, que quando eu fui fazer aquele podcast solo sobre a história do rock, é que ele por muito tempo foi uma voz muito forte na luta pelos direitos dos negros, da qual ele agradecia muito pelas músicas que ele roubava.
Ah não, então, mas aí que tá, ele já fez muito mais do que o Led Zeppelin, que só roubava e pronto.
Não, ele, se eu não me engano, até alguns shows que ele promovia, que era dele antes dele ter aquela fase de drogas e tudo mais, ele chegava a contar com artistas negros na banda. Tem, teve uma revista para negros que falava que uma das coisas boas do Elvis Presley é que eles tinham, ele tinha aberto o mercado para que artistas negros pudessem entrar, coisa que o Led Zeppelin nunca fez, eu concordo.
Tinha um filme do Elvis, agora não lembro qual que foi o filme, cara, que mostrava uma parada assim, que acho que teve um show que ele foi fazer na TV, aí acho que os caras reclamaram lá, que acho que até contou um Hank, só não lembro qual que é o nome do filme.
Ó, tá aí um filme que a gente pode ver para ressuscitar o Pipoca.
Ah, não sei, a gente pode ver isso aí, tem um monte de coisa que a gente tem que ver também, a gente pode dar uma olhada nisso, mas é isso.
A gente dá uma pesquisada, não tem problema. Porque assim, eu concordo, e é claro, o Elvis tem muitos problemas. Ele era chapa branca, ele era apoiador dos republicanos durante muito tempo, ele se omitiu muito em muitos discursos, principalmente quando o pau tava torando nos Estados Unidos, ele se fez desentendido. Mas ele, ao mesmo tempo, ele era um cara que tinha uma presença muito forte com a ideia de falar, olha, Negro produz música boa, eu me influencio por tais pessoas.
Muitas dessas pessoas ganharam créditos nas músicas dele quando a gravadora deixava, né? Porque não era ele que decidia essas coisas.
Cara, é que no fim, assim, figuras históricas nunca são incontroversas, porque ninguém é 100% bom e 100% ruim.
Sim, até a gente, até a gente Não é 100% bom, ruim.
Ninguém é lauful good nem chaotic evil, entendeu? Parece chaotic evil, dá para ser, mas não.
Chaotic evil nós temos um monte. Caótico e mau, meu amigo, Trump tá aí para isso.
Lauful good ninguém é, entendeu?
Só o Juliano Celote.
Mas não, não, tô falando se a gente pegar em outras coisas, por exemplo, música e tal.
Ah não, sim, sim, mas assim, ó, E também vai ter uma linha de artistas experimentais europeus, principalmente a galera do situacionismo, que é um movimento de arte pós-moderna que vai começar a ter uma produção faça você mesmo, porque eles rejeitam isso, muito influenciado pelos frankfurtianos inclusive. Eles rejeitam a ideia de cultura massificada. Então, para evitar isso você tem uma produção que ela é uma produção em menor escala, ela é uma produção com controle criativo maior.
Porque quando você tá afiliado a uma gravadora, você não tem controle criativo da maior parte do que você produz. O do it yourself era essa ideia: você não precisa depender de uma gravadora para começar a lançar suas coisas. Só que que acontece? Foi o punk que popularizou essa estética, essa ética do it yourself. E ele fez uma coisa que nenhuma dessas outras pessoas, desses outros movimentos fizeram: ele deu uma organização para coisa, ainda que não fosse objetivo deles.
Porque agora você tinha toda uma rede de pessoas que produziam cultura, que distribuíam cultura, pessoas que tinham acesso a essa cultura E isso se transformou numa identidade do próprio punk, tanto que todos os estilos derivados do punk guardam um pouco dessa essência do it yourself de alguma forma. Umas mais, outras menos, outras amplificam isso, que nem o pessoal do pop hardcore. O Fugazi, na época que a banda tava na ativa, se recusava a fazer show que fosse mais de $5 a entrada.
Até hoje mesmo, por exemplo, tem o Bad Religion que tem o seu selo para lançar outras bandas, né?
Sim, inclusive muita banda pequena passou a ser lançada pela gravadora do Bad Religion. A Vena, por exemplo, tá na gravadora deles e dão um puta suporte. Eu acredito que agora a gravadora deles já é uma gravadora maior, mas a ideia do começo da gravadora Bad Religion era para poder lançar as coisas deles sem precisar se submeter a uma lógica de gravadora. E eu não vejo a gravadora do Bad Religion fazer boicote ou moldar um artista, que nem fazer a Nuclear Blast, cara.
Eu acho Nuclear Blast uma gravadora fantástica pelo tamanho de artistas que tem no seu rol, mas todo artista que entra no Nuclear Blast fica com timbre de música igual, sabe? Você pega, por exemplo, o Ark Enemy quando entrou no Nuclear Blast, todas as músicas ficaram muito parecidas. O Monspell quando entrou no Nuclear Blast, que agora tem gravadora dele, do Fernando Pessoa, do Fernando Ribeiro. O timbre era muito parecido. Os Valbard lançou o último disco pela Nuclear Blast, o timbre ficou igual.
Então assim, tanto que eu até falo com os amigos, existe um chamado timbre Nuclear Blast. E entre os meus amigos músicos, a Nuclear Blast ela é conhecida por estragar bandas, cara.
Então é que é foda, né? Porque assim, a gente até falou em outros programas que até o negócio da indústria fonográfica mudou. As gravadoras, elas não colocam mais dinheiro como colocavam. Então, para mim, não faz sentido você deixar tanto da, assim, você deixar tanto da parte criativa a gravadora opinar, entendeu? Porque aquele negócio é, a produção musical, ela reduziu o custo de uma forma que se você tem uma banda lá, tem 4, 5 pessoas, vocês não estão lutando para não morrer de fome, nome.
A partir do momento vocês conseguem se juntar e falar, cara, a gente, né, que a gente vai no estúdio e grava uma demo, mas a gente faz do jeito que a gente quiser. Agora vem um bunda mole aí, vai lá e falar o quê que a gente vai fazer? Pô, não, o cara vai tocar para gente por acaso?
Não, é que nem o pessoal do Dimmu Borgir reclamando da gravadora, porque o Dimmu Borgir tá em gravadora de metal e a própria gravadora do Dimmu Borgir falou, olha, vocês estão aqui, a gente quer músicas menores. E os cara fala: não, nosso público não é o público do TikTok. O que estão certos, é diferente. Eu comparo o Dimbórgir, embora eu tô ainda para ouvir o disco novo que eles vão lançar ainda esse ano, se é que ano lançaram, mas é uma postura muito diferente do Ghost, por exemplo, quando entrou numa gravadora grande.
O Ghost, ele virou uma banda de gravadora, porque assim, é improvável que a banda ser do jeito que ela tá. Pega o primeiro disco, que é o disco bem consistente, o Infestissumam. Inclusive é um baita disco, acho um baita disco. De repente os cara começa a abraçar tudo quanto é estilo. Tudo bem, eu sei que tem banda que faz isso, mas é muito perceptível que eles têm uma estética musical que é uma estética musical para internet. Você vê, o TikTok mesmo abraçou várias músicas do Ghost.
Por que que abraçou? Porque virou música que você pode fazer um recorte de um minuto da música que ela funciona. Você não consegue fazer isso com o Dimo Borg, por exemplo.
Sim, e num timbre ali que é um timbre amistoso, né, não é algo dissonante, que combina com esses videozinhos.
Então você não vai ver, por exemplo, não vai ver o Behemoth, o Dimo Borg, o Credo. E olha que Credo é uma banda bem comercial nesse sentido, com algo que é mastigável para uma estética de Reels, de TikTok, de Shorts, você não vai ver, não pega. E então quando a gente tá falando sobre gravadora grande, tem esse problema. E cada vez mais a gravadora grande ela quer um produto que ela não pode perder dinheiro. O mais triste que esses selos grandes, gravadoras grandes, não são pessoas que estão morrendo de fome, são pessoas que já tem muito dinheiro.
Eles não vão perder muito dinheiro investindo no artista menor. Ele só precisa valer a pena ser produzido, porque você colocar um artista no mercado é um tiro no escuro. Ele pode vingar. Ghost mesmo, o Ghost por acaso ele vingou, sabe? Não é um artista que chegou, não é uma Sabrina Carpenter que foi moldada para vender. O Ghost inclusive era da gravadora do Lee Dorian, que era do Cathedral. Por acaso Vendeu. Por acaso as pessoas gostaram daquela parte teatral.
O Angine Potrini mesmo, que a gente, uma garota minúscula, deu sorte para os caras. Inclusive os caras lotaram um show que foi mais maior que o show do Steve Wonder.
Então é porque, cara, a música é várias coisas. Da mesma forma que tem aquela música simples que você gosta, também você gosta de algo mais elaborado, algo que envolva não só a parte musical, também a parte de performance. Não tem espaço para tudo. Só que o problema é que, por exemplo, depois do fenômeno Guns N' Roses, gravadora nenhuma queima dinheiro com artista. Só que aquele negócio, tem coisas que, pô, realmente não dá para você chegar lá e falar, cara, eu quero um estúdio com 4 pianos de cauda, sabe, do século 18, eu quero, sabe, eu eu quero 50 kg de cocaína pura, sabe?
Não dá para você começar a fazer as exigências assim, tipo dar dinheiro lá, ficar pedindo dinheiro, falar não, cara, eu vou pegar o, eu vou gravar no Abbey Road, eu vou ficar uns 5 meses lá, eu vou dormir dentro lá. Tipo, o cara vai tomar no seu cu, não vou te dar dinheiro para você fazer essas merda. Não dá para o cara pegar, por exemplo, o cara, o produtor, e falar, cara, vai usar um timbre de guitarra só, um timbre de guitarra só. Sou o quê? Sou o Ramones, caralho?
E olha que nem eles faziam isso. As timbragens de música deles mudam de acordo com a época, inclusive. É muito louco isso.
Mas eu digo dentro do mesmo disco, digo dentro do mesmo disco, porque, pô, tem artistas que tipo que tinham mais coisa em relação à guitarra e teve produtor que já fez coisa assim. É que eu não lembro se foi o Van Halen, quem que foi, mas eu lembro de ter visto entrevista dos cara falando, fala, porra, o cara vira para mim falar que eu vou usar um timbre de guitarra, um timbre de guitarra. Aí você vê o cara, por exemplo, em show, o cara tocando historicamente, gravando, o cara tem pelo menos 4 guitarras, tipo, com configurações diferentes.
Aí você vai falar, pô, é um cara que tem 4 guitarras diferentes, que normalmente usar 3, 4 guitarras, o cara tocar um timbre só, ridículo.
Não, exato. E sem contar o seguinte, Muse sofre muito com isso, porque tem disco que é muito claro do Muse que o produtor falou, deu uma limada nos caras, tanto que eles vão ficando menos técnicos com o passar do tempo. Aí, continuando a seara do punk, e esse é meu favorito: o punk matou o rock progressivo. Falou o seguinte, ah, o punk surge lá em meados da década de 1970 e fez com que o prog rock caísse, porque as pessoas achavam que que o prog rock era muito chato.
E na verdade isso é uma mentira. Primeiro porque o prog continua a existir. O que aconteceu é que os cara do prog perderam a mão, porra, cara. E eles tavam fazendo disco de 2 horas. Você pega o Close to the Edge ou o Tales of a Photographic Ocean, são discos enormes. E a pessoa não tava querendo aquele disco com uma música de meia hora.
Nem todo mundo tem saco para ouvir King Crimson também.
Exato.
Nem quem gosta geralmente tá no humor para ouvir King Crimson todo dia.
Não, o King Crimson eu ainda entendo, porque o King Crimson nunca foi uma banda gigantesca. O Robert Fripp, ele é bem grande nesse sentido, mas o King Crimson, ele é uma banda, até para o prog mesmo, com toda a fama que tem, uma banda nichada. Quem estourou mesmo foi Pink Floyd, o Rush, o Yes. Essas bandas estouraram. O grosso do prog mesmo era uma coisa, sei lá, do problema. A questão é, o prog, quando tava em alta, qualquer banda de prog tinha um público legal, era um público que tornava o rolê sustentável.
O problema é que o prog rock, com exceção do Pink Floyd, porque o Pink Floyd ia num caminho diferente, já tava perdendo a mão. Então os discos estavam ficando longos. Primeiro que eles eram longos. Segundo, esses discos, eles exigiam mais vinis, então eles eram caros para ser comprados. Então já começamos por aí, era uma música longa, era uma música cara para você consumir. Você já tinha o rock clássico que também tava perdendo força, porque década de começo da década de 80 quase nenhuma dessas bandas dos anos 70, anos 60, tava aguentando mais. Os discos tão bem ruins inclusive.
E também aquele negócio, né, porque Como você tinha cada vez músicas mais longas, sim, já com prog já eram poucas as músicas que tocavam no rádio por serem músicas longas. E aí você fazendo músicas mais longas fica pior ainda. E aí você já começa a perder dinheiro com royalty, sim, para a própria gravadora, né, para a própria gravadora, e em consequência para banda.
Então esse é um outro problema. O prog, ele era sustentável porque ele tinha uma cadeia de shows, de venda de material físico, música ficou muito boa. Porque royalties, pô, você pega o Tales of Topographic Ocean, que eram 4 vinis, cara, você não tinha royalties suficiente para 4 músicas. Então, porque as músicas não são pagas pelo tamanho. A música de 1 minuto, uma música de meia hora, o valor dela é o mesmo para indústria em termos de royalty.
Talvez até um pouquinho mais pela quantidade de pessoas envolvidas, mas ainda assim não é muito diferente. O Spotify mesmo não muda o valor de ser uma música mais longa ou mais curta, o valor da reprodução é o mesmo. Isso aconteceu também que o público começou a se cansar desses excessos. O prog, ele tem um problema que na verdade é uma coisa que assombra o prog até hoje. O disco de prog, para quem não é fã de prog, é difícil de entrar, com exceção do Pink Floyd.
É igual música de guitarrista, tipo, quem ouve guitarrista sabe, é um público muito limitado.
Não, e sem contar o seguinte, o prog, ele na verdade perdia muito espaço para música disco. Essa sim fazia muito sucesso na época, tanto fazia sucesso e ficou um bom tempo fazendo sucesso que vários grupos de rock fizeram músicas disco. O Queen fez, o KISS fez, eu sei que tem o David Bowie, tem um disco inteirinho de música disco.
O negócio falando que esse, pô, hard rock, que mercadologicamente era muito mais forte, muito mais pujante que o prog, teve que, teve dificuldade por causa disso.
Sim. E as pessoas queriam músicas que fossem mais dançantes também. Década de 70, como década de 80, as pessoas não queriam aquelas composições que você tinha que pegar, vestir um terno, uma gravatinha, caixinha, abrir seu vinho, um fraco, um fraco, verdade, fraco, colocar o teu vinil, que ia ter que ser ouvido em caixa valvulada porque não podia ser de outra, e também porque não existia outro tipo de caixa na década de 70. Deitar no seu sofá ou no seu divã, abrir um vinho tinto de pelo menos 10 anos de envelhecimento para começar a apreciar enquanto você degusta aquele vinho que você não sabe a diferença dele para um chapinha de R$8.
E a vizinhança tinha que estar em silêncio.
Exato, tem que estar em silêncio porque você já curtia a experiência nas caixas de som, não podia ser no fone de ouvido. Então assim, não dá, cara. Música, tudo bem, eu gosto muito de música longa, eu sei que o César também curte, mas a questão é que as pessoas não viam mais sentido naquilo.
Cara, é que aquele negócio, problema assim, é que a música, música, ela acaba ficando enfadonha, sabe? Ela não vai para lugar nenhum. Você percebe que o cara ele vai esticando ali por esticar.
É, e sem contar que esse modelo tava começando a cair em desgaste. E aí o punk vai surgir nesse contexto em que as pessoas já estavam cansadas do prog e já tinha, só que o punk também concorre com a música disco, porque o punk é dissonante, é uma música ríspida, é um visual agressivo. Então também não tava fácil para ele. Só que ainda nessa crise do prog rock nós tivemos alguns, digamos assim, algumas coisas lançadas muito interessantes.
O Rush lançou o Hemispheres e o Permanent Waves no auge do punk rock, inclusive dois excelentes discos do Rush, principalmente o Permanent Waves. Eu acho um muito bom. O Genesis, que já entra no new prog, é uma banda muito bem-sucedida, principalmente fase Phil Collins. Então quer dizer, o prog não morreu com o punk, pelo contrário, o prog teve que mudar. O Yes teve que parar um tempo e voltar lá com aquele disco lá que é o número de catálogo deles, que tem uma proposta mais pop, mas ainda é prog rock, ainda é uma música complexa.
E o Marillion também começa como uma banda de prog com músicas longas, inclusive. Você pega o escritor e tem um segundo disco lá que eu não lembro agora o nome, que são músicas longuíssimas, e faz sucesso porque é uma música longa, mas que as pessoas veem sentido naquilo ali. Aliás, eu acho o Marília uma banda muito agradável de ouvir porque não tem aqui, tudo bem, é técnico, mas não tem aquele excesso, não tem aquela coisa, não é pedante, que inclusive é uma coisa que o prog metal durante muito tempo, principalmente nessa fase dos anos 2000 até 2015, passou por um mar de bandas muito ruins, o prog metal, porque todo mundo queria ser Dream Theater.
Até o Dream Theater queria ser Dream Theater. E eu acho um problema, porque você tinha um monte de banda igual, o que é contraditório, porque prog não é para ser um estilo uniforme, ele é, o prog ele não é uniforme, prog ele é amplo demais. Só que você tinha, não, só para concluir, todo mundo quer ser Dream Theater e Quando não tinha técnico suficiente, tu não queria Sinfonia X, que era o outro polo, eram músicos bons, mas não tinha um nível de tecnicidade nas músicas igual Dream Theater.
E cara, como foi chato esse período! Conheço amigos meus que não ouviam prog por causa disso.
Mas diga, é complicado, né? E tipo, a graça do prog é justamente assim, que é um estilo que permitia que você juntasse várias coisas que normalmente não estariam no rock para agregar na música. É mais ou menos, se você pensar igual, por exemplo, mal comparando, igual Sepultura pegar Birimbau e colocar num disco de metal, porra, é, sabe? Ou por exemplo, você pegar o Angra, fazer uma porra de um power metal com chorinho. Sim, é você agregar para fazer um negócio diferente.
Agora vai todo mundo copiar o Dream Theater, aí não tem como, porque não é todo mundo que é o do John Petrucci, né?
Não, às vezes, cara, eu falo isso para a galera que eu conheço que é fã de Dream Theater, eles ficam muito putos. A molecada que faz math rock é muito mais técnica do que qualquer membro do Dream Theater no auge. Isso não é mentira, mais técnicos e mais criativos. Então assim, cara, porra, o prog rock sofreu disso. Aliás, Gentle Giant foi uma banda que começou a entrar em excesso, teve que fazer um disco pop, nunca conseguiu se recuperar.
E o prog, ele é o público, virou as costas para o prog, imprensa virou as costas para o prog. Só que o público fiel do prog, as gravadoras continuaram investindo. Tanto é que você teve essa década dos 80, você continua tendo as mesmíssimas bandas na ativa, você continua tendo Rush, você continua tendo Yes, o Genesis, o Marillion, King Crimson, que King Crimson só parou agora porque os cara aposentaram, porque pô, Floripa tá com todos os anos possíveis, né?
E aí, já que nós falamos de progressivo, outro mito é rock progressivo é rock com muita técnica. E eu acho complicado porque eu lembro que eu vi, eu não lembro se foi o cara lá do canal do Thiagson, mas foi um cara assim que falou que um dos grandes problemas é você, quando você diz que o rock com técnica O que ele quer dizer com isso? Porque toda música exige técnica para ser tocada. Toda música exige muita técnica para ser bem tocada. Até o pop rock exige.
Todo instrumento exige técnica. Não tem nenhum instrumento que você pode pegar e falar, ah, eu vou fazer qualquer merda aqui, porque a música vai ser uma merda.
É, exato. Então assim, o pessoal associa talvez o técnica com complexidade e virtuosismo, o que também é mentira. Nem tudo no prog rock— aliás, o Pink Floyd é um grande exemplo disso. É um grupo de músicas muito técnicas, mas com virtuosismo bem baixo.
Sim, porra, cara. E isso que é foda, porque, por exemplo, você pega principalmente um dos que, sei lá, talvez digam que seja o maior solo ou melhor solo do Pink Floyd. É um solo cheio de feeling, não é técnica, não é fritação, sabe? É emoção. Por exemplo, você pega Comfortably Numb, muito falam que é o melhor solo.
Puta, eu amo essa música, cara. Você pegou um exemplo legal. A gente pode falar até todo do The Wall. Comfortably Numb é uma música de pouquíssimos acordes no disco.
Não, então, e é uma música de muito sentimento, do feeling, sabe? E justamente quando você fala de técnica, nunca ninguém fala de emoção, é de recursos ali, de técnicas de guitarra, técnica de baixo, técnica de bateria, não sei o que lá, é troca de, troca de compasso, sabe?
E aí a gente tem que pensar, o Pink Floyd não é uma banda que os músicos são ruins, muito pelo contrário, porra. Os músicos ali, mesmo o Syd Barrett, que era um drogadito, ele era um músico bom. A questão que o pessoal começou a associar com virtuosismo por causa daqueles excessos lá do auge do prog. King Crimson, Yes, Gentle Giant, o Genesis nem tanto, que o Genesis já surgiu num contexto de ser um grupo de prog mais pop, que é o new prog.
O Genesis ainda foge disso, tanto que o Genesis para muita gente nem é rock progressivo, ser meio um supergrupo, né? É, tem uma cara muito de grupo de pop rock, de AOR, sabe? O que não deixa de ser verdade, porque eles vão um pouco para esse lado também. E aí, qual que é a ideia de ser rock progressivo? É o rock que não se limita ao rock. Tanto não se limita que se você pegar o prog dos anos 70, os cara vão para caminhos que são muito loucos.
Você tem o pessoal do ragga rock lá com o Magikarp, que começa a incorporar da música indiana, instrumentação indiana, inclusive muito influenciado pelo Beatles, né, lá do Sgt. Pepper, que eles têm um pouco dessa influência.
Você tem, e não se limitam também na questão de gravação, né, que por exemplo você pega igual Pink Floyd lá gravando em Pompeia.
Sim, é, não, o Yes usando os ruídos do estúdio como parte da composição. Quando você pensa no prog, o prog em essência ele é eu vou incorporar elementos além dos elementos tradicionais do rock. O rock já tinha se cristalizado como estilo nessa época. Você pega o progressivo italiano, pô, progressivo italiano tem muita pérola. Você tem o Antônio Rex, que o cara que na época ele era o Iacola, né, que tem umas coisas meio de filme de terror.
Aí tem o, já que filme de terror também, temos o Goblin, né, que Puta que me pariu, cara!
Qual que é o nome da música, cara?
Que começou fazendo com uma banda montada para fazer trilha do Suspiria, do Suspiria não, acho que foi do Profundo Rosso, do Dario Argento. E aí os cara viram que deu tão certo que continuaram, tanto que agora tem 2 Goblin, né? Um do Simonetti e o outro de um outro cara, porque eles brigaram ali, ficaram com— é tipo o que aconteceu com com várias bandas que ficaram com banda, tipo Queensryche, que são duas bandas agora, é mais ou menos, né?
E aí você tem um Goblin, cara, e o Goblin não parece nada com progressivo, o resto do progressivo europeu. Ou você tem o progressivo americano que vai surgir nessa época também, o pessoal do Jefferson Airplane, que já não é exatamente prog, mas entra no chapeuzinho prog ali em algum momento.
Acho que talvez o Electric Light Orchestra também.
Ô, entra muito, cara! E eles já vão uma linha um pouco mais de sintetizador, um pouquinho de krautrock ali. Você tem também a galera do space rock, influenciado muito pelo primeiro disco do Pink Floyd. Do— eu sempre me esqueço do nome assim quando eu tô— quando preciso falar do primeiro disco do Pink Floyd. Que é o nome compridão, agora esqueci, mas uma hora eu vou lembrar esse nome, que é o Piper of the Gates of Dawn. Obrigado, Piper of the Gates of Dawn, que é um disco muito mais atmosférico.
Aí você tem uma linha do prog rock que é só de músicas com ideia de espaço, de atmosfera. E você teve um revival disso depois, nos anos 2010, que você tem, por exemplo, Yuri Gagarin Tem um grupo lá da Finlândia que me fugiu o nome também, que é essa coisa de space rock. Você tem rock psicodélico, pô, que é também em partes vai flertar com prog. Tanto que você vai ter o psychprog, cara, é foda. Aí quando a gente fala de rock progressivo ser complexo, a gente tá falando de uma parte só do rock progressivo.
Não que ele não seja, tá? Ele vai ser, mas não é uma regra. De que ele vai ser hipertécnico. Tanto é que a técnica, ela é uma consequência da composição, ela não é a composição em si. A música, ela é complexa porque ela tem como resultado ser complexa, não porque ele decidiu, olha, para fazer prog eu tenho que ser complexo, que esse é o mal do prog metal em muitos casos, inclusive. Tanto é que o prog, ele vai por um caminho diferente, ele é ambicioso, o prog.
O prog, ele quer o seguinte, olha, eu tenho uma ideia, eu quero fazer um conceito. Tanto que muito disco do prog rock tradicional são conceituais. O Pink Floyd tem o The Wall, o King Crimson tem, eu acho que o Wake Up Poseidon, Gentle Giant tem alguns discos que são conceituais, o Yes tem vários discos conceituais. Então assim, a ideia era você ter um disco que fosse um conceito. Lembrando, conceito no sentido de ser um disco voltado para alguma coisa, buscar referências.
Aí que vai entrar música erudita, vai entrar ficção científica, o Pink Floyd principalmente.
Que aquele negócio, né, por exemplo, se um cara ele vai lá, pega uma banda, ela vai fazer um disco conceitual baseado na história do Rei Arthur, o cara ele vai pegar instrumentos da época ou instrumentos que pareçam integrar junto com instrumentos de rock, com tudo para fazer algo, e vai fazer letras que remetam a ela.
Aliás, baita disco esse, viu, César? Porra, Knights of the Round Table do Rick Wakeman é um puta disco, cara.
Puta que me pariu! Nem lembrava disso aí, nem lembrava. Veio na minha mente assim, nem.
Knights of the Round Table do Rick Wakeman. Embora tem também o Rick Wakeman, inclusive ele incorpora muito isso, porque o Rick Wakeman tem o Knights of the Round Table, Tem o do Viagem ao Centro da Terra, que eu não lembro agora qual que é o nome do disco, também é uma baita pedrada. Tem o Alan Sparson, que tem um lado mais cinematográfico, mais literário também, porque, ô, ele vai gravar um disco inteirinho baseado em Edgar Allan Poe, o Alan Sparson.
Então assim, eles vão trazer coisas de outra, vão trazer letra de literatura, letra de filosofia, quebrar aquela fórmula de verso e refrão. Às vezes você não vai ter nem verso.
Às vezes a música tem só de relacionamento.
Ah, você vai ter que dizer, porque é um grande exemplo de quebra dessas coisas, é você pegar Óculos Poucos do Focus. Aquilo ali não tem, aquilo ali tem um solo, um único solo que não serve para porra nenhuma, é só para quebrar a música em duas.
Serve, pô, lógico que serve, porra. Óculos Poucos é foda para caralho.
Não, ele é muito foda, mas é justamente o fato de que as coisas ali elas um propósito maior. Tanto que o solo que tem ali no meio da música, inclusive é muito louco, é muito repetitiva, mas ela tem um iódel dentro dela, que é super difícil de cantar um iódel. Tem um solinho, só pode dividir a música em dois momentos, e é foda, cara. Não tem refrão, não tem verso, não tem ponte, nem bota nenhuma.
Tem solo, tem interlúdio, tem.
E aí você tem Bandas que exibem pouca técnica. Você tem o Pink Floyd, que nós já citamos, o Van der Graaff Generator, que pô, é caótico aquilo ali, mas não tem— eles são técnicos, mas você não vê aquela punhetação. O Soft Machine, que o Soft Machine já é mais experimental, mas ele também entra no balé do prog rock. Agora você tem bandas que são virtuosas, que o pessoal pega muito como exemplo, mas não são os únicos que você tem.
O Yes, o Emerson, Lake Palmer, Dream Theater, o Gentle Giant, que já terminou. Aqui a técnica é uma ferramenta para expressar algo, tá certo? Essas bandas vão exagerar. Dream Theater, por exemplo, é uma banda que é caricatura de si mesma. O Dream Theater faz anos que eles são uma caricatura. Aliás, o Dream Theater é um exemplo de você falar por que que prog rock, prog metal é um estilo ruim em muitos casos.
Porque é um estilo que as pessoas abandonam.
É, tá certo que agora você tem bandas de prog metal que são muito boas porque não seguem fórmula Dream Theater, inclusive bandas mais emocionais, bandas que são muito técnicas. Inclusive você tem o Pineapple Thief, que é uma banda hiper técnica, que toca uma banda muito pop, um vocal muito pop, principalmente masculino.
E sem contar que O próprio Dream Theater já foi muito mais emocional, cara.
Já, você pega Another Day, cara, puta, é uma baita música. O Dream Theater, ele se tornou uma banda que caiu no mesmo erro do Yes dos anos 70, do final dos anos 70, é você começar a enfiar trocentas tecnicalidades e aquilo não conversar com as pessoas. Porque não tem problema de ser super técnico, técnico. Pô, math rock, você tem caras que são, porra, mano, é difícil de você precisar o quão bom eles são. Só que aquilo ali é fácil conectar, porque aquilo ali é uma exibição técnica com o propósito da música, não como a finalidade dela. Não é finalidade da música ser técnica.
E sem contar que muitas vezes são músicas que são técnicas, mas soam como simples. Quando você ouve, parece que é um negócio simples, mas quando você vai ouvir Sim, se você prestar atenção, se você vai esmiuçar aquilo, aí você vê que, porra, não é, não é simples.
E, cara, exato. Sem contar que o prog, depois de uma época, ele começou a ir para lados ainda muito experimentais. Você tem o Zoo, que é das bandas de prog que inventa língua, tipo Magma, o Rock Opposition, tipo bandas que começaram a quebrar com a estética de prog e ir para gêneros inclusive flertando com noise e com essas coisas. Então o prog não é só técnica, cara. Prog é romper com os limites do rock. O punk vai depois absorver esses rompimentos com outros estilos, o pós-hardcore, o punk experimental.
Então o prog ele é muito mais uma forma do que um estilo hipertécnico. Bom, Tá ficando meio longo o programa, eu acho que vamos cortar para uma parte 2, né, como nós fazemos ultimamente. César, deixa nossos contatos aí para os nossos ouvintões.
Bom, você aí, depois que você parar de chorar aí por causa da seleção, por causa do menino Ney, que a seleção não joga para ele, né, ao contrário dos outros ídolos das outras seleções, das outras estrelas, você pode procurar lá o Groundcast Brasil no Instagram, o Groundcast no Facebook. Você pode acessar o groundcast.com.br, ou se você quiser falar alguma coisa diretamente, você pode mandar um email para o contato@groundcast.com.br.
E é isso, gente, um grande abraço para todo mundo nesse dia de 2 a 1, e nos vemos no próximo programa.