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Groundcast V#15b – Os Maiores Mitos do Rock e do Metal

17 de agosto de 20261h26min
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Todo mundo aqui já ouviu coisas como “O Punk matou o Rock Progressivo” ou ainda que “O Heavy Metal é influenciado pela música clássica”. Nesse segundo programa vamos desvendar mais alguns mitos, em especial sobre a língua do rock, o satanismo no metal e o que o grunge fez com o hard rock.

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Participantes neste episódio2
F

Fábio

HostAdvogado, professor de direito, teólogo
C

César

Co-host
Assuntos8
  • Mitos do Rock e Metal· CulturaHeavy Metal e Música Clássica·Rock em Português vs. Inglês·Rock está Morto?·Grunge e Hard Rock/Hair Metal·Satanismo no Heavy Metal
  • Declínio do Rock e Grunge· CulturaMorte do Rock·Juventude e Rock·Grunge·Hard Rock·Hair Metal·Nirvana·Metallica
  • Rock em Língua Não Inglesa· CulturaRock em Português·Los Saicos·Mutantes·Legião Urbana·Rammstein·Soda Stereo·X Japan
  • Influência da Música Clássica no Metal· CulturaMetal Neoclássico·Metal Sinfônico·Deep Purple·Black Sabbath
  • Satanismo no Heavy Metal· CulturaBlack Metal Norueguês·Satanismo de LaVey·Satanismo Anticósmico·Geezer Butler·Black Sabbath
  • O Grunge Matou o Hard Rock· CulturaMudança na Indústria Musical·MTV e Rock·Bon Jovi·Guns N' Roses·Kiss
  • Apostas Esportivas e Regulamentação· PoliticaPublicidade de Bets·Regulamentação de Apostas·Impacto em Países Pobres·CBF
  • Copa do Mundo e Futebol· EsportesMitos da Copa do Mundo·Tabus Quebrados·Seleções e Jogadores·Copa do Mundo
Transcrição253 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Agora você está ouvindo Groundcast. Salve, galerinha do mal! Estamos aqui com mais um programa atrasado, como sempre, diretamente de Santo André, aproveitando, ou melhor dizendo, se recuperando de uma ressaca. Eu, Fábio, o teu host, e do outro lado o César, que decididamente resolveu aderir ao abstencionismo e resolveu virar um um Straight Edge que não consome nada a não ser oxigênio e plantas, né?

?Voz B

Não, só, cara, simplesmente preguiça. Isso é triste que vai acabar a Copa. Acabando, triste.

?Voz A

Ah não, sim, enfim, final de Copa que é logo ali no dia 15, né?

?Voz B

No próximo final de semana. Agora tá ocorrendo aqui a última partida de quartas de final, né? Suíça versus racismo, né?

?Voz A

Pois é. E é como dizem, Não é porque é da América do Sul que a gente vai torcer para Argentina.

?Voz B

E não é porque, ah, tem racismo no Brasil, cara. É esse lance aí de, ah, porque no Brasil também tem racismo, é muita frase de pessoalista. É a mesma galera tipo, ai, porque o Brasil precisa vencer, porque, ai, aquele negócio da Noruega dos vikings trazia destruição. Filho, a porra do mundo se construiu em cima de destruição de espalhos. Agora os caras faz lá o Viking lá, o negócio dele, beleza, foda-se, palco deles. Para mim é pior os cara aqui rebolando igual uns arrombados brasileiros.

?Voz A

Não, fala de rebolado, cara, agora que eu lembrei, você viu lá o cara lá na reunião do PL, o cara sambando, cara? Que coisa escrota, mano.

?Voz B

É o gordo lá que fazia as dancinhas lá, e quando foi ver o cara bolsonarista lá, o pinguim dançarino.

?Voz A

É, e tipo, é muito estranha a composição da cena, porque você vê o cara, sabe O cara dança bem ainda por cima. O foda é isso.

?Voz B

Não, tipo, é como eu vi uma galera lá, não lembro quem foi, a pessoa comentar: Ronaldo Fenômeno com joelho daquele, a gente tinha mais uns 3, 4 Copas.

?Voz A

Com toda certeza, com toda certeza, bicho. Não, dá até inveja o cara daquele jeito conseguir dançar e assim com uma desenvoltura foda, cara.

?Voz B

Com certeza aquele joelho lá aguenta mais impacto do que os amortecedores que sustentam lá o Morumbi, porque tipo nas fundações tem amortecedor, mais ou menos como acontece com alguns prédios no Japão, né, que tem amortecimento lá para poder aguentar as vibrações, principalmente caso de terremoto. É, o bagulho é foda, né. E tipo, e é foda também, tipo, aí comentando Copa do Mundo, né, que aí eu queria comentar que estão caindo os tabus de Copa do Mundo, né, que primeiro foi o, não sei se você viu o economista alemão lá, que ele falou que ele descobriu a fórmula de quem é campeão do mundo.

Aí o que que ele mede? IDH, renda e mais umas coisas. E ele fala, não, porque com essa fórmula eu descubro quem que é. E ele falou que nessa Copa do Mundo a final ia ser entre Portugal e Holanda, e Holanda ia ganhar. Os dois saíram antes do Brasil.

?Voz A

Pois é, né, bicho? É que nem eu tava vendo num vídeo que falaram que vai ganhar a Espanha porque aí roda um algoritmo deles lá todo ano de Copa e faz acho que 4 Copas que eles nunca erraram.

?Voz B

É igual o economista alemão, tá? Então aí tem um outro tabu. Aí o outro pessoal pegou um histórico um pouco maior, que foi porque esse cara aí do alemão, eu acho que foi desde 2010 que ele faz essa verificação, ou 2014. E aí bateu todos, né? Não sei como que ele conseguiu bater Argentina baseado em IDH. Tudo bem. Aí beleza, aí tem o segundo tabu que aí vem desde 2002, vinha, né, que falava o seguinte: desde 2002, toda vez que o Japão passava de fase e um país eliminava o Japão, o país que eliminava esse país que eliminava o Japão era campeão do mundo, né.

Que é, o primeiro foi Turquia que eliminou, Brasil eliminou a Turquia e foi campeão, e aí foi indo e foi passando, tipo, sabe, foi passando aí até agora que o Brasil eliminou o Japão e o Brasil caiu. E não dá nem para falar nada porque o país que eliminou o país que eliminou o Japão, que no caso foi a Noruega, acabou de perder, né? Então não tem nem essa desculpa. Falaram até assim, ah, porque teve um, teve uma Copa que o Japão não passou da primeira fase.

Mas aí o país que eliminou, o país que teoricamente eliminou o Japão porque ficou à frente do Japão, ficou em segundo enquanto o Japão ficou em terceiro, esse país foi eliminado por um país que ganhou a Copa. Isso aí já morreu também. Aí tem o terceiro tabu e último, que é o Mick Jagger, né? Que eu não sei se você conhece esse tabu.

?Voz A

Conheço. Opa, o time que o Mick Jagger torce sempre perde.

?Voz B

Exato. Argentina fez, vou tomar. Então, Mick Jagger tava agora assistindo, obviamente, Noruega e Inglaterra, torcendo o país dele, né, obviamente. E a Inglaterra passou, ou seja, mais um tabu morto aí nessa.

?Voz A

Ah não, mas esse do Mick Jagger morto eu já acho foda, cara.

?Voz B

Cara, o ódio, tipo, vendo Mick Jagger, tipo, com camisa do Brasil, cara, que teve uma Copa que ele fez isso. Nossa, vontade de matar esse filho da puta. Porra, você já tá fazendo hora extra, cara, se mata. Mas dessa vez, dessa vez ele conseguiu ser feliz.

?Voz A

Ah não, isso é, cara, isso é. Não, cara, mas é foda isso, bicho, de verdade, porque assim, o Mick Jagger conseguir quebrar o tabu dele de— e isso eu achei o melhor, cara, de verdade, mano.

?Voz B

Porque imagina, tipo, tudo bem que tinha muito mexicano lá também, né? Porque os caras— e isso que é engraçado, né? Porque tanto o México quanto Estados Unidos, os caras acreditavam que iam passar, né? Ah, lembrei outro tabu que foi quebrado, que é, né, porque o Estádio Azteca foi o estádio que mais teve jogos de Copa do Mundo, né? Também porque o México sediou 3 Copas e o México nunca tinha perdido no Azteca, nunca. Nunca perdeu uma partida de Copa na série.

Perdeu justamente a única partida que ele perdeu nesse torneio, que foi contra a Inglaterra. Foi o último aí, que os últimos tabus aí quebrados até o momento. Agora vamos ver, né? Aliás, tem o— ah não, é, não tem na verdade, né? Vai continuar, porque aí pode ser que, sendo que tá assim caminhando até agora, a gente vai ter uma semifinal de Copa do Mundo aí só com campeões mundiais.

?Voz A

Então, sabe o que que na verdade eu também tô vendo? Uma coisa que eu acho interessante. Essa é a Copa do Mundo, eu acho que mais improvável em termos de resultados, porque é tudo bem, os resultados agora nas quartas, na semifinal, vai ser mais ou menos o que poderia ser. Mas cara, teve muita seleção grande caindo assim logo de cara, um jogo muito ruim também, cara.

?Voz B

Mas é porque assim, convenhamos, você tem seleções que há algum tempo estão muito ruins. Sim, por exemplo, Brasil. Brasil tá muito ruim, já tem tempo. O último grande time do Brasil foi em 2006 e não foi bem por causa de muitas coisas, tal. Falaram que foi por causa da bagunça lá na concentração e tal, os cara não tava concentrado. Pode ser também, mas aí tipo já faz muito tempo. Alemanha, depois que ganhou 2014, Alemanha teve momentos que não conseguiu passar de fase, sabe?

Alemanha já tava muito ruim assim, muito ruim. Mesmo. E tipo, por exemplo, Turquia. Turquia, os caras acreditavam que ia muito longe porque tinha jogador muito, pô, tem jogador no Real Madrid, tem jogador na Inter de Milão que foi campeã agora do campeonato italiano, sabe? E tipo, a Turquia não jogou merda nenhuma, não mesmo, sabe? A Turquia só ganhou um jogo no último jogo porque os Estados Unidos colocou os reservas porque já tinha ganho 2.

Então tipo assim, e aí aquele negócio, né, tio, é bem assim, o Essa Copa, ela tem muito resultado, entre aspas, surpreendente, porque tem muito país que tipo conseguiu pegar jogadores que tem ligação ali, não de nascimento, e conseguiu pegar os caras e falar, ô, joga aí pra gente. E os cara toparam, porque pô, porque aquele negócio, senão teria muito cara da, muito cara aí que não iria pra Copa. E que porque tipo, ah, o cara não pôde jogar na França porque na França tinha um time fechado, ou tipo o cara não foi na Holanda, entendeu?

Que tem muitos países aí tipo Holanda, Inglaterra, França, Alemanha também. Alemanha não muito, mas tem também de tipo de jogador, principalmente com ascendência africana, que joga por esses países. Aí você pega a França, França vai ter jogador lá de Camarões, Costa do Marfim, Argélia.

?Voz A

Então aí tudo já é colônia, né, cara? Tudo já é colônia.

?Voz B

Então justamente tudo já é colônia, porra. O Zidane, cara, os pais dele são argelinos.

?Voz A

Pois é.

?Voz B

Que é um dos maiores jogadores da história do país, que ele é filho de argelinos. Então assim, poderia. Tudo bem que teve também algumas regras lá que a FIFA chegou a mudar em relação à mudança, né? Porque antigamente era o quê? Se você jogou uma partida oficial da FIFA por uma seleção, você não pode mudar, independente do que aconteça. Se eu não me engano, acho que agora dá para mudar. Agora você pode mudar, mas depois assim Você mudou uma vez, você não muda mais, entendeu?

Não sei se é isso ou tipo, mas aí tipo assim, ah, é que nem o goleiro do Japão, ele não é originalmente japonês.

?Voz A

Sim, ele nasceu nos Estados Unidos, se eu não me engano, e ele se naturalizou japonês para poder jogar pela seleção deles. E não por acaso é um dos melhores jogadores do time.

?Voz B

Sim, o cara lá dos Estados Unidos, o Balogun lá, que deu toda aquela treta por causa da expulsão, o cara, ele por acaso, ele nasceu nos Estados Unidos, por acaso. Porque tipo, aliás, é irônico, porque justamente aquilo que o pessoal dos Estados Unidos queria proibir, e acho que até derrubou a lei, é por causa daquilo que o cara é jogador dos Estados Unidos. Porque tipo, qual que é a história? A família dele morava em Londres, eles estavam viajando pelos Estados Unidos, tava em Nova York, só que a mãe dele tava tava grávida de 9 meses.

E aí a mãe dele tava para ter o filho ali e teve o filho em Nova York. E aí, como ele nasceu nos Estados Unidos, ele é americano.

?Voz A

É igual. E assim, a gente teve também na Copa passada um jogador do Japão que era brasileiro.

?Voz B

Então é que brasileiro, porque assim, eu não lembro isso aí, mas por exemplo, tem caras, por exemplo, tem um jogador histórico lá, participou do Tetra, o Mazinho, que há muito tempo ele mora na Espanha. E os filhos dele jogam pela Espanha.

?Voz A

Provavelmente ele casou com espanhola, porque você nascer na Espanha não se torna espanhol.

?Voz B

Não, mas é também por conta de tipo dele morar na Espanha, porque assim, depois que ele foi para Espanha, ele ficou lá, entendeu? Então não é só a questão dos moleques terem nascido na Espanha, tipo, os moleques viveram na Espanha.

?Voz A

Ele deve ser naturalizado então.

?Voz B

Então eu acho que ele se naturalizou, e aí os moleques, como eles nasceram e ficaram muito tempo lá, então eles puderam, tipo, deve ter dupla cidadania, entendeu?

?Voz A

Com certeza. Ah, cara, o mais foda é que eu tava vendo agora esses dias, ainda falando em Copa, que colocaram uns projetos de lei agora que perceberam que o caldo entornou, né? Que eles querem, por exemplo, pessoa não pode vir de fora do Brasil para poder trabalhar na seleção, para cortar logo o Ancelotti, né? O Ancelotti, que puta que pariu, que técnico bosta!

?Voz B

O que eu acho é uma burrice, não pelo Ancelotti, porque eu acho que o Ancelotti foi uma péssima escolha, mas eu Acho uma burrice isso aí. E até porque assim, e aí eu fico triste porque assim, tá, qualquer técnico que tivesse uma campanha igual a do Ancelotti, técnico brasileiro, teria sido cortado.

?Voz A

Teria mesmo.

?Voz B

Por exemplo, o Tite, ele se manteve por 2 ciclos de Copa. Por quê? Primeiro porque assim, o Tite ele chega para o Brasil, o Brasil ele tava capengando, perigando não classificar para Copa, isso para Copa de 2018. E aí, porra, o cara consegue fazer um bagulho absurdo, porque o Brasil só com a pontuação do Tite ele poderia ter sido primeiro nas eliminatórias para 2018. Tipo, foi um bagulho absurdo. Ele entrou, e o pior assim, porque ele entrou, cara, ele enganou até a mim, esse filho da puta, esse gambá desgraçado.

Eu odeio o Tite porque assim, porque o Tite, ele foi técnico assim que ele teve destaque, ele foi técnico do Grêmio, do Corinthians, e ele chegou a ser técnico Palmeiras. Pro Palmeiras ele foi uma bosta. Vai ter um arrombado, um comentarista chamado Bruno Formiga, que é um numerólogo do futebol, que pra ele vale é número. Tipo, ele fala, não, por exemplo, pra ele Neymar foi muito melhor jogador do que Ronaldinho Gaúcho por causa dos números.

Tipo, ele esquece alguns conceitos básicos. Por exemplo, o Barcelona em que o Neymar brilhou, ele não seria o Barcelona em que o Neymar brilhou se Ronaldinho Gaúcho não tivesse jogado lá. Se Ronaldinho Gaúcho não tivesse lá, talvez o Messi não seria o Messi, porque entre outras coisas o Ronaldinho Gaúcho jogou com o Messi, passou o bastão para o Messi. São, né? Aí esse arrombado, ele chega e fala, é porque os palmeirenses reclamam do Tite, mas o Tite teve um aproveitamento bom no Palmeiras.

Cara, Tite foi uma bosta, não ganhou nada. Não tem esse aproveitamento, o cara teve 60%, porra, 60%, o malemale você não passa na escola.

?Voz A

Não, e tem que contar É o seguinte, o Tite, ele além de ter conseguido melhorar o Brasil, o maior vexame foi mesmo na Copa lá no Catar, né? Mas aquilo ali foi, digamos assim, é, nenhuma seleção tava boa. O Brasil conseguiu chegar onde chegou porque o resto tava tudo muito ruim. É que nem nessa, por que que o Brasil chegou onde chegou até a Noruega? Porque o resto dos times estavam muito ruins. E o Tite, que ele percebeu, dava para você arrumar, indo com uma coisa que tinha em 2018, 2022 já não tinha mais, né?

Na verdade, 2023, né, que acabou sendo adiado para 2023 por causa da pandemia. Que assim, cara, o grande problema lá do Ancelotti, de uma série de outros técnicos, é que eles não perceberam que não dá para você enfiar só estrela no time.

?Voz B

Não, mas por exemplo, a Copa de 2022 foi 22 meses, só que ela foi deslocada para o fim do ano porque assim Como o Catar, ele fica no hemisfério sul. Não, não, porque na verdade, qual que foi o problema do Catar? O problema do Catar é que tiveram que colocar hemisfério norte porque precisava colocar o jogo no Catar no inverno, porque é deserto. E tipo, por exemplo, você pega esses países árabes, tipo Emirados Árabes, essas coisas, quando tem campeonato local, quando não é inverno os jogos são à noite, são à noite, porque não tem como jogar durante o dia porque faz 50 graus.

?Voz A

É, ah, o Catar os cara colocaram ar-condicionado no estádio, bicho.

?Voz B

Não, mas eu acho super foda.

?Voz A

Não, não, exato, eu acho incrível isso.

?Voz B

Eu acho que no Brasil você não precisava nem de ar-condicionado, é só tipo você ter o estádio coberto para você ter um momento lá que você tá no período chuvoso, você vê que tipo vai ter um jogo num lugar Tipo, tá chovendo 2, 3 dias, fecha a porra do estádio, cara. Pobre.

?Voz A

Então, que originalmente era para ser assim os estádios da Copa?

?Voz B

Não necessariamente, não necessariamente era para ser assim, mas tem várias exigências aqui. Pelo menos, por exemplo, no caso do Brasil, a questão das exigências eram exigências, questão de, por exemplo, tinha que ser arenas, ou seja, só cadeira. Você não podia ter igual tinha no Maracanã geral, que era cimento, tinha que ser cadeira. Individual numerada. Você tem que ter uma quantidade X lá, acho que eram 35, eram 40 mil lugares.

E por isso que no estádio do Corinthians fizeram arquibancada provisória. O que eu acho também que, pô, isso aí até debatia com um ex-colega de faculdade, que eu achei uma grande burrice o estádio do Corinthians ter 30 e poucos, 40 mil lugares só. Que eu acho que é a mesma burrice o estádio do Palmeiras ter 30 e poucos dos 40 mil. Eu acho uma grande burrice, que, cara, você tá numa região metropolitana de 20 milhões de pessoas, é ridículo você fazer um estádio com menos de 60 mil lugares, né?

?Voz A

Concordo. Não, e sem contar o seguinte, tanto o estádio do Palmeiras quanto a Arena do Corinthians são locais muito fáceis de você chegar.

?Voz B

Sim, cara, sabe? É ridículo, porra. Aí você vai até porque assim, assim, cara, você teria muito mais espaço para colocar camarote, outras coisas, se você tivesse mais lugares nos outros setores, sabe? E com mais pessoas você tem muito mais, não tanto no estádio do Corinthians, mas mais no estádio do Palmeiras, aquele lance de ter caldeirão, de você ter barulho, você ter a torcida local, sabe, botando medo nos caras. Porque você tem mais pessoas, tem mais barulho.

E tipo, quer queira quer não, porra, é Quem faz barulho é torcida organizada, é torcida que fica atrás dos gols ali nos setores que são mais baratos. Não é o cara que fica ali do lado do gramado onde aparece a TV. Ali fica as amantes dos dirigentes, fica as modelos que dormem durante o dia, né? Fica essa galera, entendeu? Ficam os banqueiros que fazem suruba com político. É essa galera que fica lá no meio.

?Voz A

Em cima, né, cara, no camarote. Porque você já viu como que é o camarote lá do estádio do Palmeiras?

?Voz B

Não, mas, mas eu digo assim, porque digo dos lugares que são mais caros, entendeu?

?Voz A

Então, ah não, sim, o que é caro mesmo ali são as laterais, aquela lateral ali que é perto do gramado, cara, ele é caríssimo para você acessar.

?Voz B

Sim, só as arquibancadas centrais, que justamente são aquelas que pega que pega a transmissão do jogo, da TV, que pega tipo pontapé inicial, entendeu? São essas arquibancadas. Aí é foda. E tipo, voltando lá no Tite, cara, e o Tite assim, porra, ele perdeu em 2018, chegou na eliminatória lá depois, 2000 para 2022, também foi uma campanha absurda, foi recorde, sabe? E tipo, parecia, mas no caso do Tite, cara, é, eu não coloco tanto na conta dele.

Coloca um pouco, porque qual que foi o problema em 2022? Foi chamado perde e pressiona, que é o quê? Tem um lance lá que o estilo de jogo do Tite, qual que era? Você perdeu a bola, você tinha que recuperar em 5 segundos. É Rec 5 o nome, deixando tipo assim, perdeu a bola, você tem que recuperar em 5 segundos. Ou seja, você perdeu a bola, o time ele não vai tipo volta para fazer, para tomar uma posição para tentar para defender, entendeu?

Que que ela faz? Você perdeu a bola, você já começa a pressionar alto para você recuperar a bola lá no ataque, entendeu? Já, já ir para cima. E aí foi justamente isso, porque o Brasil fez um gol lá, né? O Neymar conseguiu fazer um puta de um golaço, né? E aí o volante lá, o Fred, filho da puta, ele tava pressionando uma bola que o Brasil perdeu no ataque. Só que aí a Croácia foi lá no contra-ataque, criou-se o espaço do Fred, que ninguém cobriu, e o Brasil tomou o gol, depois perde nos pênaltis.

Foda. E no caso do Ancelotti, cara, por exemplo, você pega, você vê, porra, é tipo, eu não sei se chegou a ver o jogo da Noruega agora, pô. Esse eu vi, acho que eu só vi o segundo tempo, cara, porque justamente você vê assim, a Noruega ela jogou do mesmo jeito que jogou contra o Brasil, tentando tocar a bola e tal. Só que o que aconteceu, a Inglaterra foi para cima dos cara, tipo, os cara ia cobrar contra-ataque, praticamente só os caras que estavam, tipo, os 2 zagueiros que ficavam dentro da área, que estavam desmarcados.

Porque não, você não pode, quando você vai cobrar tiro de meta, você não pode invadir a área. A área só pode ter jogador do time que tá cobrando tiro de meta. Tirando isso, todos os outros jogadores estavam marcados, coisa que o Brasil não fazia. Aí a Noruega pegava a bola, o Brasil cobrava, ele ficava atrás da linha da bola ali esperando a Noruega vir, porque a Noruega ficava tocando. A Inglaterra não pressionou, tanto que os 2 gols lá que fez foram 2 gols lá de tipo de pressão.

Teve um lá de rebote também, porque incrivelmente tudo o especial do goleiro da Noruega foi contra o Brasil, porque ele falhou algumas vezes hoje, tá vendo?

?Voz A

Não conseguiu recarregar a barra de especial, né?

?Voz B

É lógico, né? Porque não tem como, você usou especial, você tem que jogar, continuar jogando tempo para carregar, né? Aí não tinha como.

?Voz A

Não, cara, mas é, não. E aí também tem o seguinte, que é uma coisa que eu falo desde a Copa de 2014, é difícil de você montar um time. E agora, inclusive, agora que foi a outra parte da lei também, que o que que foi comentado, que é o mesmo problema que tem nas outras Copas, você tem a Copa, quem monta o time é patrocinador, não é o técnico. E o patrocinador só patrocina jogador bosta.

?Voz B

Não, e o pior que não é nem patrocinador, cara, empresário.

?Voz A

Então, e agora vem a segunda parte da lei que eles querem colocar ali, de proibir publicidade de bet em jogo da Copa.

?Voz B

Mas como assim? Porque não tem como, porque assim, é uma coisa que acontece o seguinte, Fabrício, quando, por exemplo, é a mesma coisa que acontece com a Rede Globo. Quando a Globo transmite um jogo, as únicas marcas que podem ser citadas, tal, são marcas que patrocinam, que pagam direitos para Globo, que tem horário, contrato comercial com a Globo. Por isso que, por exemplo, a Globo, grandíssima filha de uma puta, chamava o estádio do Palmeiras de Arena Palmeiras, sendo que o Palmeiras é um dos exemplos aí do Brasil de ter sucesso com naming rights, que era Allianz Arena e agora vai ser no Arena.

Nubank Arena, sei lá qual que vai ser o nome, mas vai ser o Nubank agora. Só que a Aliens não tem contrato com a Globo, então chamava de Arena Palmeiras durante esses filhos da puta. Que, por exemplo, o pioneiro nisso, que de fazer naming rights, foi o Atlético Paranaense, quando lá em 2000 e pouquinho era, chamava o Arena lá da Baixada de Kyocera Arena. Só que não pegou porque transmitia porra dos jogos da Globo Os cara falava Arena da Baixada, filho da puta, desgraçado.

?Voz A

Não, e aí, mas por que que eles estão colocando isso daí? Porque o que saiu, que inclusive gerou escândalo nesses últimos tempos, é que agora você tem um dono de bet escolhendo jogador. Inclusive o que pegou muito, e é claro que eu acho que é teoria da conspiração, mas eu não duvidaria se isso fosse verdade.

?Voz B

Por que que quando for escolher para bater o pênalti É, não, mas não é. Mas sabe por que que não? Porque assim, só se proibir propaganda, por exemplo, para quem transmite. Porque assim, quem, por exemplo, no estádio, da mesma forma que a Globo, por exemplo, quando ela transmite, ela não fala a marca que não tem contrato com ela. Geralmente, por exemplo, quando tem uma Copa do Mundo, só pode colocar a marca ali no estádio quem tem contrato com a FIFA.

?Voz A

Não, sim, mas inclusive, mas aqui no No caso dos jogos que teve aqui na Copa do Mundo, você não tem quase anúncio de bet por lá.

?Voz B

Tem, tem, tem, tem. Aí tem um problema, tem uma empresa chamada ADI Predict. Essa empresa, ela foi fundada acho que foi 6 meses antes da Copa começar, que ela é patrocinadora da Copa. Inclusive isso deu rolo, isso deu rolo recentemente, vai dar rolo, vai dar rolo, está dando rolo, eu acho mesmo.

?Voz A

Sim.

?Voz B

Eu não sei, tem um pessoal questionando aí fora do Brasil, porque, cara, é uma empresa que é bet, mas não é bet, né? Porque ela disse que você pode, como é que eles dizem, você pode prever acontecimentos. Ele não fala apostar, porque apostar é, porque ele fala aí que não é aposta, porque, por exemplo, você pode apostar lá, ah, quem que vai ganhar a eleição na Colômbia, entendeu? Mas bet, isso aí já tinha na Copa de 2022. Sim, sim, isso aí já tinha, tinha empresa que fazia isso.

?Voz A

E não, você tem que, por exemplo, lá quem que vai bater o pênalti, quem que vai bater o escanteio, em quantos minutos vai marcar o gol, tinha coisa desse tipo, cara.

?Voz B

Não, mas tudo bem. Mas por exemplo, e isso aí tinha essa empresa aí, tinham outras empresas que já faziam isso, entendeu? Já em 2022, e que tinha outras coisas sem ser esporte e não tem joguinho, não tem tigrinho, por exemplo. Não é aposta, mas pelo menos assim, pelo menos é uma aposta menos filha da puta. Porque se você vai, você aposta em quem vai ganhar e vai perder, você perde dinheiro. Assim, você apostando sem eu falar para você, olha, ó, a Espanha ela tá empatando com Cabo Verde, mas tem uma aumentada aqui, ó. Se você não tem aumentada, você tá, você tá com um produto que é prejudicial.

?Voz A

Mas tipo, cara, ele usa, então é quase ser como a nossa loteria esportiva nesse sentido, inclusive.

?Voz B

Sim, sim, é moralmente questionável, mas ninguém coloca uma arma na tua cabeça, ninguém te coage a apostar, tirando mega da virada, quina de São João, essas coisas.

?Voz A

É, exato.

?Voz B

Ainda assim, não concordo, é uma zona mais cinzenta, né?

?Voz A

Entendeu?

?Voz B

É isso. E não sei por que, por exemplo, teve um outro cara lá, é o Luiz Carlos Rauli, ele apareceu na tribuna. Só que aí eu não acho que não teve projeto de lei ele defendendo que só jogadores que jogam no Brasil fossem convocados para ser isso.

?Voz A

Então eu também vi isso, eu também vi isso nessa lei, tá vendo esse pacote aí?

?Voz B

Não, é uma merda. Porra, para, para. Primeira coisa que assim, convenhamos, bicho, tem muita coisa que deputado tem que se preocupar. Brasil não é Suíça. Na Suíça o cara pode se preocupar com essas porra, no Brasil não.

?Voz A

E sem contar o seguinte, cara, que precisa ter alguma regulamentação para essas coisas todas. Eu sou super a favor. A questão é, não é hoje que isso acontecendo, não é hoje. Isso vem acontecendo há quase 20 anos, pelo menos.

?Voz B

Não, bem mais. Porque assim, por exemplo, uma das coisas que deveria ter, e teve até CPI que não deu nada, é transparência nos contratos da CBF.

?Voz A

Sim.

?Voz B

Porque a CBF, CBF teoricamente ela é uma entidade privada sem fins lucrativos, mas que lucra para caralho. E assim, ela usa a imagem da seleção do país, ela usa a imagem do país, ela usa símbolos nacionais e ela lucra com isso. Então assim, se ela faz esse uso e ela não tem fins lucrativos, o mínimo que ela deveria ter, como é um interesse nacional, é ter contratos transparentes, que aí a gente vai lá lá atrás, que é quando foi assinado o contrato com a Nike e o problema do Ronaldo Fenômeno, sim, da convulsão dele em 98.

Por quê? Porque pelo contrato, por exemplo, aí já vindo mais para frente, para a gente não ser muito, muito pré-histórico, pelo contrato que tem com patrocinadores, não só a Nike, tem algumas exigências de contrato. Por exemplo, você ter amistosos na Europa, por exemplo, a seleção brasileira faz amistoso em Londres só, cara. Tô fazendo amistoso em Londres. Aí de repente, ah, não vai jogar em Londres, vai jogar na Coreia do Sul.

Porra, não faz um jogo no Brasil. Quando faz é pela eliminatória, porque você é obrigado a jogar no teu país, né? Não dá para você pegar e jogar contra o Peru lá na Inglaterra, né? Felizmente ainda não dá para fazer isso, porque se deixar os cara vão fazer. Porque é o seguinte, e olha que ainda assim, né, porque ainda quando joga no Brasil nas eliminatórias, muitos dos jogos os cara jogam tipo no no Maracanã só, que a outra dá sacanagem, que é outro problema também.

?Voz A

Esses contratos não transparentes é a primeira coisa que precisava olhar, porque sendo transparente a gente tem que cobrar.

?Voz B

Não, sendo transparente, primeira coisa, você já começa a, tipo, por exemplo, o pessoal da CBF já começa a tomar porrada, porque assim, se tiver alguma cláusula no contrato que, pô, você tem que fazer X jogos com adversários que o patrocinador escolhe e tendo alguns jogadores de nível, o patrocinador fala que é o nível top, já tá errado. E tipo, a galera já vai bater na CBF, já vai começar a bater na porta da CBF, vai querer entrevistar o cara da CBF, vai entrevistar os caras lá do, os dirigentes de outras federações, fala, pô, vocês sabiam desse negócio aí da seleção?

Ou se vocês sabiam, por que que vocês votam no cara que assinou essa merda, hein? Por que que vocês não falam na Ah, vocês não sabiam, porra, sabe? Vocês nunca se questionaram sobre isso? Então assim, eu acho que esse tipo de coisa, talvez é transparência, tal, e esse tipo de coisa sim. Ou por exemplo, ah, você não ter, quando vai ter transmissão de jogo, você não ter propaganda de bet. Tudo bem. Só que o problema de bet é que assim, que o problema de bet não é só na Copa do Mundo, cara.

Todos os times da Série A do Campeonato Brasileiro são patrocinados por casa de aposta. Parece piada, igual, por exemplo, tinha uma empresa de aposta que qual que era o comercial dos caras? Ah, agora tudo tem bet. Aí tinha a Bet Faria, aí tinha bet mas não sei o quê, entendeu? E os caras faziam piada para depois falar, ah, tem a nossa bet que tal, não sei o quê. E tipo, é isso, cara. Tem um monte de empresa que apareceu aí de fundo de quintal, e é quase parecido com esquema do PCC lá com as fintechs, de fintech que era do PCC, sabe?

Então Então assim, nisso o cara tem que ter. Porque, por exemplo, se eu não me engano, eu não lembro se é nos clubes ou é para liga, mas lá na Inglaterra os caras tiraram patrocínio de bet, entendeu? E lá os caras não têm um problema do nível que tem no Brasil. Os caras cortaram para Premier League patrocínio de bet, cara.

?Voz A

Pior que tem, viu? Pior que tem é que é diferente, é que é diferente. É que assim, eu sei porque Só para a gente poder encerrar aqui, a gente poder começar o programa, eu tava vendo brasileiro falando lá na Irlanda, falando o seguinte: aqui no Brasil a gente discute que bet é um problema, fora do Brasil, lá no Reino Unido principalmente, o pessoal acha, é muita aquela mentalidade de aposta quem quer, sendo que já é um problema de saúde pública.

A diferença é que isso aqui é o que impacta muito em bet. Aqui nós estamos falando de um país muito pobre, então a pessoa vai jogar porque ela tem pouco dinheiro, mas ela tem esperança de, sei lá, multiplicar essa grana e comer uma coisa melhor no dia seguinte, por exemplo, vai pagar uma conta. Eu já conheci gente que jogava para pagar aluguel. Então assim, lá, não que Irlanda não seja um país pobre, é um país pobre, mas não é tão pobre quanto o Brasil nesse sentido, na média, sabe? Tanto é que você vai ver que ela é um fenômeno que pega muito em país pobre.

?Voz B

Mas então, mas por exemplo, você pega na Irlanda, eu acho que na Irlanda já tem um problema, mas acho que é mais naquela parte que fica fora, na parte independente.

?Voz A

Eu já não sei, falava lá que era questão do Reino Unido isso daí, a discussão é da Irlanda do Norte, que é do Reino Unido. Porque assim, cara, essa coisa de bet precisava ter um controle, porque País pobre é onde você vai ter mais bet. Por que que bet pega na Índia, por exemplo? É um mercado grande da Índia também.

?Voz B

Então, porque justamente, cara, e é, e por exemplo, na verdade bet já começou um negócio chato, porque por exemplo, não sei se você viu esse comercial, para a gente não estender muito, teve um comercial que teve na Copa de 2014, não sei se você lembra, que naquela época já tinha a preocupação com bet, que tipo tinha os molequinhos lá discutindo quem que ia ganhar a Copa do Mundo, né? Aí os molequinhos falando, ah, meu pai falou Brasil.

Não, vai ser Brasil porque não sei o quê. Não, vai ser Argentina, vai ser Inglaterra. O molequinho tá lá cabisbaixo. Aí chegam para ele e falam, o que que foi? Não, é que meu pai ele pegou todas as economias que tinha lá para eu fazer faculdade e apostou que a Alemanha vai ser campeã da Copa do Mundo. Só que a Alemanha já foi, a Alemanha vai 7 a 1 no Brasil, o que deixou um filho da puta japonês muito rico, que ele apostou que a Alemanha ia golear o Brasil.

E o cara ganhou ali, tipo, acho que 10 mil para 1, uma porra dessa, tá ligado? Tipo, esse cara encheu o cu de grana. E tipo, pela lógica da porra do comercial, o filho da puta lá se deu bem porque pegou todas as economias no momento ali que a Alemanha era cotada Mas não era tipo a mais cotada para ser campeã do mundo, e foi, entendeu? É foda.

?Voz A

Não, concordo. Então vamos virar o bloco e começar o programa.

?Voz B

Bom, antes da gente ir para o nosso tema aí do episódio, Tem uma notícia esportiva bombástica. Eu acabei de perder por nocaute para um lutador de Aruba, de Aruba, UFC 329.

?Voz A

Pois é, cara, meu, é engraçado, bicho. César Almeida, e o cara é de São Paulo. Pois é, e tá até meio carequinha já. Ai, cara, não, essa foi demais.

?Voz B

Bom, após o início de Após o início de confronto, aparelho Cezinha acabou surpreendido por um direto, foi brutalmente nocauteado.

?Voz A

Não teve pena de você, hein, César?

?Voz B

Força, Cezinha! Nós somos muito mais fortes que isso.

?Voz A

Bom, semana passada no outro programa nós falamos de mitos do rock e do metal, e inclusive até coloquei mais alguns aqui para a gente poder comentar. E aí nós paramos quando se falava de rock progressivo e técnica. Agora eu quero colocar um mito aqui em pauta, que de tempos em tempos um roqueirão, roquista, ou que equivale, inclusive já me gerou muitas discussões na internet, que fala que o heavy metal se influencia por música clássica, principalmente heavy metal descende música clássica.

?Voz B

É como se um Lorde punheteiro, pois é, não.

?Voz A

E ainda vai dizer que o heavy metal é Beethoven e Bach com distorção. É o filho rebelde da música erudita.

?Voz B

Não, tem gente que fala que esses caras ainda eram os rockstars da época, né? Tipo, fala que eles são que os caras tipo Axl Rose também foram, também são.

?Voz A

Já pensou, cara, o Beethoven de shortinho, de shortinho de funkeira, bicho?

?Voz B

Porra, imagina sei lá, por exemplo, porra, quem que seria lá para tocar?

?Voz A

O Paganini, vai.

?Voz B

Não, Paganini não. Por exemplo, me diz um compositor desses aí fodão francês.

?Voz A

Chopin. Embora eu não lembro se Chopin era francês mesmo. Deixa eu até pesquisar aqui. Eu acho que era, mas eu não vou lembrar. Frédéric Chopin. Não, ele era polonês.

?Voz B

Polonês, é. Imagina. Não, porque é que é foda, né? Porque, por exemplo, por exemplo, sei lá, imagina o Mozart ou Bach tocando em algo equivalente ao Palácio de Versalhes. E aí ele tá hospedado no palácio porque ele vai tocar lá para a corte. Aí de repente ele pega lá, ele pegando candelabros e quebrando as janelas, os vitrais, jogando pela janela, sabe, botando fogo nas cortinas.

?Voz A

Pois é, cara, não, eu acho assim muito curioso, porque assim, a galera tem uma ideia muito errada do que que é a música erudita. A música erudita, se a gente for pensar em termos muito gerais, era música da galera que tinha dinheiro, a partir do século 17 principalmente, que é onde a gente vai entrar lá no Barroco, onde é mais ou menos parecido com que a gente vai ter de música clássica, que a gente música clássica hoje.

?Voz B

E aquele negócio, dependendo da localidade, conceito de música assim, se você for pegar, basicamente era só isso, né? Porque malha a malha, o que você tinha, por exemplo, popular, eram cantigas, era mais tipo a forma como as pessoas contavam histórias.

?Voz A

Não, mas você tem uma tradição de música não câmara, mas assim, essa coisa, essa divisão, ela acontece mesmo depois lá na Renascença. Antes não tinha uma divisão muito clara disso, tanto é que a música medieval ela é uma música que vai chegar a ser música de corte lá na mudança, lá no humanismo europeu. Mas você não tinha lá durante um bom tempo da sociedade europeia, da Idade Média principalmente, você tinha a música que não era música da igreja, que em alguns casos vai se chamar de música profana, mas esse rótulo ele não é muito preciso, até porque a classificação de profana também não é medieval.

O mais interessante é isso. E você vai ter a música coral, onde você tem o canto gregoriano, o canto tonal, uma série de tradições que você tem na igreja. Então você vai ter toda uma musicalidade popular. Inclusive o Guilherme de Machaut vai começar a trabalhar com polifonia. Então você não tinha uma música clássica. E também porque a ideia de cantiga é uma ideia de que você tinha que ter música com alguma coisa para cantar junto, e essa coisa para cantar junto era poesia.

No século 16 é que você começa a ter uma separação mais clara dessas coisas, e é no Barroco e é no neoclassicismo que você começa a ter de fato o que a gente hoje chama de música clássica, que na verdade o Coete seria música neoclássica. Tudo bem, não vamos entrar nesse mérito aqui, porque música clássica seria música do século 16, seria música barroca. Não, que não, uma música renascentista. Só que o que acontece, bicho, isso daí é um contexto muito europeu, é tradição europeia isso.

E o rock não surge na tradição europeia. Aliás, o metal até surge, vai, com o Black Sabbath. Mas o rock, ele é de tradição de música negra, de música de escravizados, desescravizados. E quando chega na Inglaterra, o pessoal pagava um puta de um pau para esses negão tocando para caralho. O Ozzy mesmo era muito fã de blues. Tanto é que você pega, me corrija se eu estiver enganado, eu acho que é no Master of Reality, que você tem músicas de blues do Black Sabbath, uma pegada mais blues.

?Voz B

Não só Black Sabbath, não só Ozzy, né, pô. Beatles também, os caras eram fãs. Led Zeppelin.

?Voz A

E é a base de blues, o blues chamado blues elétrico, né, que é o blues com guitarra. Que você tem lá riff, bend, pentatônica. E aí você começa por aí. E o blues, ele tem uma influência muito maior lá nos músicos populares da época antiga, daquela coisa toda, os espirituais também, em menor grau. E aí você tem o Black Sabbath, vai se influenciar pelo blues principalmente, porque o blues, ele, a influência, ele é escola para toda essa galera do começo do rock, do metal.

O Ayomi falava que os riffs dele eram inicialmente riffs distorcidos rápidos e desacelerados de blues, o que é verdade. Blues tinha muitas dessas coisas, principalmente quando você começa com a distorção ali. Aí o Led Zeppelin vai fazer os trocentos plágios lá de bluzeiro americano. E também, se a gente for pensar, você vai ter muita referência ao jazz depois de um tempo, porque são músicos procurando influências de musicalidades que não são exatamente de música erudita, de música de câmara.

E onde que entra isso? Onde que a música clássica entra no metal? Porque ela ainda vai ter um pezinho lá no rock progressivo, que ela vai entrar ali no rock progressivo. Primeiro nós temos o Blackmore. Blackmore é um fãzaço de Bach, de Vivaldi. Tanto ele é fã disso que ele utiliza muitas referências. O John Lord também, que ele inclusive era o único que era estudado ali do Deep Purple na época, o único cara que era formado em música.

O Blackmore foi estudar e formar muito tempo depois, mas os caras ali tem uma base de música erudita muito forte. E o que é engraçado, porque você quase não repara isso nos trabalhos iniciais do Deep Purple.

?Voz B

Então você é começo ali, não, só vem depois ali naqueles que são os clássicos.

?Voz A

Sim, o Machine Head você nota, realmente Highway Star tem uma estrutura de música clássica ali muito foda, no do John Lord e Ritchie Blackmore. Até porque são os mais estudados ali da banda, porque o resto nem é tão bom assim nesse sentido. Aí você vai ter uma praga, eu tenho que dizer que é praga mesmo, embora tenha bandas muito boas nesse estilo, que é o metal neoclássico, que é o grande responsável por essa molecada achar que rock, que metal principalmente, é um herdeiro direto da música erudita. Por que, César, que o metal neoclássico é essa praga?

?Voz B

Porque os caras assim, muitos inclusive, né, o que que caracteriza esse estilo? Muitos guitarristas punheteiros que ficam punhetando música clássica, obras clássicas inclusive, né, como o famoso Flight of the Wounded Bumblebee, né. Porque qualquer punheteiro de guitarra que seja digno, o que que ele vai fazer? Ele vai pegar um metrônomo, vai colocar lá, vai colocar o metrônomo ali ali no 200, no 12, né? Vai colocar no máximo e vai tocar essa porra, mesmo que seja.

?Voz A

E olha que nem a melhor música do Hashimani 9, a Flight of the Bumblebee.

?Voz B

Não, mas é porque justamente o lance não é o melhor, o lance é o que que eu posso ser mais punheteiro, entendeu? Porque, por exemplo, se você pega lá, por exemplo, vamos pegar um exemplo aí mais recente, você pega aquela Through Fire and Flames lá do DragonForce, a música aqui em si, se você for pegar, ela soa muito mais difícil do que ela é difícil para ser tocada. Só que justamente porque ela tem essa aparência de ser difícil, e também pelas macaquices lá que o Herman Lee faz, né, tipo, ele inverte a mão ali, né, para tocar, né.

Tipo, ele tá tocando lá com o braço segurando normal, aí de repente ele gira a mão ali, ele coloca a mão de cabeça para baixo e fica tocando ali também para fazer um two hands, que não é um two hands, né, cara. Não, não, não é nem para fazer two hands. Que tipo ele tá fazendo aquilo com a mão normal e de repente ele inverte e faz a mesma coisa, entendeu? Ele toca as mesmas notas, só que ele inverte. Em vez dele tocar, por exemplo, a nota que ele tava tocando com mindinho, ele toca com o indicador.

O que ele tava tocando com indicador, ele toca com mindinho. É a mesma coisa. E tipo, tá tudo bem, vale tudo, tranquilo. Tem cara que pode pegar e ficar girando a guitarra na correia lá também, de vez em quando tocar com a boca.

?Voz A

Pode, pode pode tocar usando as duas mãos no braço, né?

?Voz B

Ah, mas tudo bem. Mas, por exemplo, o Dimeito tocava com a boca. Vamos, sabe, vale tudo, vale, ou sei lá, importante fazer o show. Mas, tipo, mas tem uma galera que, tipo, né, que a graça é ficar tocando coisa que pareça difícil, né?

?Voz A

Eu tinha um amigo meu na época que eu primeiro veio de RPG, que eu fui conhecer o cara, o Felipe. Ele falava que ele odiava metal neoclássico porque ele falava o seguinte: metal neoclássico é você pegar uma música que não é tão complexa e você fazê-la parecer complexa porque você acelera. E é isso muito que o Malmsteen faz, inclusive. Não que o Malmsteen não seja um guitarrista bom, ele é bom para caralho, influência para muita gente inclusive.

Mas é o Malmsteen que vai criar muito essa moda de, ah, olha como eu sou fodão porque eu toco isso daqui. Não que você não tenha banda de metal neoclássico boa, boa banda de rock neoclássico no geral, Pô, eu acho muito admirável. Se você pegar o Polyphia, por exemplo, que é cria dessas coisas do metal neoclássico, do rock neoclássico, tá, mano, ok. O Animals as Leaders vai um pouco nessa vibe também, só que eles vão para um lado técnico da coisa.

Mas você dizer que a Musqueirodita tem influência, cara, é uma influência muito pequena. E a terceira influência, que aí, aí na verdade é Às vezes é pior ainda que o metal neoclássico, que é o maldito do metal sinfônico. Eu gosto muito do sinfônico, tá, gente? Metal sinfônico é um estilo legal. Só que você não acha que aquelas orquestrações todas são um trabalho hiper artificial? É um cara pegando lá o Kontakt, tendo medo de plugin, e orquestrando com aquilo ali, gente.

?Voz B

É, você não vai achar que você tem lá no Nightwish, lá só porque tem violoncelo, violino, aquilo é música clássica.

?Voz A

Não é exato, não é muito, muito longe.

?Voz B

Aquilo lá não é música erudita. Não é porque é tocado com instrumento erudito ou que é usado para música erudita tradicionalmente que se está tocando música erudita. Porque obviamente, da mesma forma que eu posso, igual muito guitarrista, o cara pode pegar e tocar uma peça de violino na guitarra, que é o que essa galera faz geralmente de metal neoclássico, não quer dizer que eu tô, você tá aí, você tá tocando música clássica. Clássica, tudo bem, mas não é por isso que a guitarra é um instrumento clássico.

Da mesma forma que se você vai tocar um chorinho no violino, não tá, não quer dizer que chorinho é música clássica também.

?Voz A

Exato. Na verdade, é mais música clássica você tocar uma peça do Paganini na guitarra, como o Malmsteen faz, do que você tocar o Underlush na Twish, por exemplo. E tudo bem, tá, gente? Inclusive, eu acho muito legal metal sinfônico de trazer uma uma instrumentação que não é típica do rock, do metal, para ele. Pô, você pega Black Metal Sinfônico, pô, tem umas ideias muito legais ali. Tudo bem, 90% do metal sinfônico é plugin, tá, gente?

Não se engane achando que os caras contratam orquestra, tá? Até porque é muito caro fazer isso. E tudo bem, tá, gente? Tudo bem, eu acho muito legal isso.

?Voz B

E aquele Aquele negócio, você tem, principalmente quando, por exemplo, o pessoal rouba ideias de outros estilos para colocar na música. Ou por exemplo, o próprio Blackmore lá em Highway Star, ele usa a nota pedal lá que você tem muito em concerto lá, às vezes de piano, né, de você pegar, você tem uma nota que você fica repetindo e você vai, você vai mudando ali o tema, ele vai girando, só que você tem uma nota que fica constante ali. E você vai alternando. Isso é legal para caralho.

?Voz A

E na música faz diferença aí, Highway Star, viu? Faz uma diferença do caralho.

?Voz B

Sim, tudo bem que dizem que ele não toca do jeito que a partitura lá, que é dito que é tocado, mas aí já são outros 500. Diz que ele não toca assim ao vivo, que é outra coisa. Mas é muito legal você pegar ideias, principalmente você pegar ideias de alguma, de outros estilos, de outras coisas assim, e você agregar para música, principalmente música popular. Mas isso qualquer estilo faz, não é só metal, não é só rock que faz também.

?Voz A

Aí vamos lá, esse aqui foi polêmica há um tempo atrás. A gente demorou, a gente perdeu o timing para falar sobre isso, mas é algo que também é muito recorrente. Acho que desde que eu escuto rock e metal eu escuto isso. Acho que você também, César. Rock só fica bom em inglês. Cara, eu acho isso Isso é de uma burrice quem diz isso, de uma falta de vergonha na cara, porque assim, primeiro, de onde que surge essa ideia? E é uma ideia bem bosta.

E eu vou dizer os argumentos que já vi utilizando para defender essa ideia. O rock surge nos Estados Unidos e se prolifera principalmente na Inglaterra, país de língua inglesa. Então, em tese, seriam estilos típicos de país de língua inglesa, correto? Tal qual a gente imagina pagode. Pagode você não imagina cantado em outra língua que não seja português. Tinha até um grupo de pagode japonês que é horrível. Beleza, beleza.

?Voz B

Não, não é horrível. Não, pô, legal.

?Voz A

Não, não, não é legal, cara. Não é legal.

?Voz B

É legal, é legal, Fábio. A gente tem que começar a reconhecer o esforço das pessoas.

?Voz A

Não, o esforço eu reconheço. Inclusive, como músicos, eles são muito bons, tá? O grupo de pagode japonês.

?Voz B

Exatamente por isso que é legal.

?Voz A

O esforço eu reconheço, reconheço demais. Mas assim, por que que eu falo que esse é um argumento meio bosta? O rock como estilo deixou de pertencer a alguém graças a essa universalização que o estilo teve. É diferente, por exemplo, de um blues, que é difícil cantar um blues em português. Ele existe, tá, mas é difícil cantar em português porque ainda tem muito da identidade americana ou identidade do interior da Inglaterra, que são dois estilos de blues diferentes, inclusive.

Inclusive. É difícil você imaginar um country cantado em português, tanto que o nosso sertanejo não tem nada a ver com country. Um folk rock já é um pouco mais fácil de imaginar em português, mas ainda é difícil, porque são estilos que têm muito, ainda muito arraigados em culturas de língua inglesa. Mas o rock não, cara. O rock, graças muito ao soft power desses países, virou estilo de muito lugar. E historicamente ele se liga para outras coisas, A nossa Tropicália inclusive ela era contra o rock justamente porque enxergava no rock um símbolo de dominação americana.

Até o momento que, acredito ser verdade, claro, até o momento que eles mesmos começaram a se usar dos elementos do rock. Então rock ele virou um grande caldeirão. E vamos lembrar que rock, assim como muitos outros estilos, deriva de música negra.

?Voz B

E olha que no caso da Tropicália o problema não era nem assim questão de rock, né? Tipo, os caras eram contra o uso de instrumento elétrico. É os de guitarra, de guitarra, porque não era algo típico nosso. Exato.

?Voz A

E que depois eles trocaram de ideia, porque muitos ali passaram a usar também. Sim, somente Caetano Veloso. Mas a questão é que isso voltou o debate no ano passado quando teve aquela mina lá da banda Ginger and the Peppers, que ela fala, que ela falou, o comentário dela foi assim, ó: sou só eu ou o rock só fica melhor em inglês?

?Voz B

Essa arrombada, ela qual foi o país.

?Voz A

Então aí depois puxaram a capivara dela, viram que ela é americana.

?Voz B

Aí também, né, pelo amor de Deus, né, porra. Ó, é a mesma coisa que você pegar alguém dos Estados Unidos e pedir para dar uma aula de geografia.

?Voz A

Não, e aí o que acontece é o seguinte: ela é uma pessoa que mora no Brasil. O rolê dela me parece que é assim: os pais dela são brasileiros, ela nasceu nos Estados Unidos, morou um tempo lá, foi para cá, um rolê meio o Soupla, tá ligado?

?Voz B

Ah não, mas Soupla ainda é diferente, porque o Soupla nasceu aqui, foi para lá, morou lá e depois voltou.

?Voz A

Tanto é que ele não foi alfabetizado em português, o Soupla, assim como essa moça também do Gingers and the Peppers não foi alfabetizada em português. Mas aí você tem que ter noção do seguinte: esse pensamento dela é um pensamento de muita gente no Brasil até hoje, porque pensar, mas é difícil fazer rock em português, cara, não é. É que a gente não está acostumado.

?Voz B

Sim, e um dos grandes pontos inclusive, que eu não lembro se você ouvia isso quando era adolescente, ouvia muito, que aí os caras que não gostavam falavam, ah, mas você nem sabe, o cara tá chamando sua mãe de puta aí, você tá ouvindo aí, tá curtindo, vai se ferrar.

?Voz A

Não, sim, tem esse papo também. Ah, é só você ver a quantidade de fã que fica revoltadíssima com o Roger Walters tendo posicionamento político, ou a galera roqueira cinto de castidade que reclama que funk fala de putaria. É, exato, exato. E aí o que que acontece? Tem muita banda legal que não canta em inglês. Eu listei algumas aqui, mas se você conseguir lembrar de alguma, porque nós temos aqui, ó, o primeiro grupo de garage punk, né, o Los Psychos.

Inclusive eu vi um vídeo do do canal lá do Trank falando um pouco do Los Saicos, porque ele era punk antes de surgir a ideia do punk. Tanto que acho que duraram só um disco, a banda acabou rapidinho inclusive. Aí tem os Mutantes, que inclusive era uma das bandas favoritas do Kurt Cobain. Mas Mutantes é influência para muita gente fora do Brasil, os cara cantam em português, gente. Mutantes, inclusive o disco de estreia dos Mutantes ficou sendo um dos melhores discos mundo numa lista aí que eu não vou lembrar qual que é.

Aí tem a Jovem Guarda e o Renato dos Bluecaps que faziam muita versão de músicas estrangeiras, mas que você não identifica que é estrangeiro. Ô cara, aquela música lá do É Proibido Fumar, ela é uma versão de uma outra música.

?Voz B

Sim, e aquele negócio é porque a Jovem Guarda ela tinha duas vertentes, né? Tinha a tradução e quando a letra eles achavam que não era boa tinha a versão, né? Que, por exemplo, tem o biquíni de bolinha amarelinha.

?Voz A

Sim, que nossa! Inclusive, é muito curioso porque eu peguei a versão original para ouvir. É, a nossa versão é muito melhor, a letra, cara, é muito melhor ritmicamente falando. Só que em inglês é um trocadilho que soa muito sexual, e aqui no brasileiro eles conseguiram apagar isso.

?Voz B

É que no Brasil ele fica um negócio um pouco mais pueril, né?

?Voz A

Não, quando do—

?Voz B

não que seja ruim, porque assim, na época encaixava bem.

?Voz A

Sim, considerando que era uma época que as pessoas— é porque quando pega a música lá que ela vai falar do biquíni de boa, porque o título é realmente uma tradução literal da música original, do It's a Bit Between You and Yellow Polka Dot Bikini.

?Voz B

E a ideia da música é a mesma, Continua mesmo.

?Voz A

Só que assim, é It's a Bitchy Tweeny Winnie Wellow Polka Dot Bikini. Isso aqui é quase um trava-língua, cara. E no caso, ela é uma música que conta uma história, que a gente chama em inglês novel song. E no Brasil virou outra coisa. Pô, essa música é mó famosa lá fora e teve trocentas versões essa música do It's a Bitchy Tweeny Winnie Wellow Polka Dot Bikini. Porque assim, é muito estranho, porque traduzindo Traduzir esse título aqui é uma tarefa meio ingrata, tá?

O Itsy Bitsy Teeny Weeny Yellow Polka Dot Bikini. Porque seria alguma coisa assim, itsy bitsy teeny weeny é para dizer que é muito pequeno, é de jovem, de adolescente. Então seria assim, um biquíni de bolinha amarelinho bem pequeno, bem pequeno.

?Voz B

Amarelinha, bem pequenininha, é minúscula.

?Voz A

E vai falando que, e conforme ela vai tomar o banho, vai tomar banho de mar, a água tira e ela vai ficando envergonhada, ela vai ficando azul, vai ficando com frio por causa da biquíni quando ela vai tomar banho. É foda, cara, é essa história. É porque ela vai tomar banho de mar com aquele biquíni pequenininho, ela começa a ficar com hipotermia.

?Voz B

Qualquer biquíni que ela for tomar banho de mar, ela vai ficar com frio, caralho, sabe?

?Voz A

Então, mas o lance da canção é justamente esse, acontece história. E aí depois veio para o Brasil e virou isso. E cara, é muito difícil você associar isso com a versão original, que tem história e tudo mais, inclusive deu bobeola. Aí você tem a Legião Urbana, o Titãs, o Cazuza, que definiu muito que a gente, o que algumas pessoas vão chamar de Barry Rock, né? Raul Seixas, porra, Raul Seixas, um grande fazedor de versões antes de começar as músicas próprias.

?Voz B

E Raul Seixas, cara, porque assim, o cara mistura, chegou a misturar rockabilly com forró.

?Voz A

É, é.

?Voz B

Então assim, e você vai me falar que, e o pior que, pô, se você pegar as músicas que ele cantava em inglês, as em português são muito melhores.

?Voz A

É, não, no começo, quando ele trabalhava lá no estúdio inclusive, aí você tem o Rammstein, que é uma das bandas que eu mais detesto na minha vida, mas o Rammstein tem uma coisa que eu admiro muito neles. Foi um dos primeiros grupos alemães a fazer sucesso sem cantar em alemão, sem cantar em inglês, desculpa.

?Voz B

E é foda porque os caras cantam assim praticamente só em alemão.

?Voz A

A única música que não é cantada em alemão é a America, porque tem um trecho cantado ali em inglês.

?Voz B

Mas ainda assim ela é cantada em alemão e inglês.

?Voz A

É, exato. Tem espanhol, eles têm música, mas eles não têm inglês. Então assim, só pelo Rammstein já conseguiria ter uma ideia de que rock em português fica bom, cara. Fora do inglês fica bom. Aí aqui eu peguei o exemplo do No Adesivo, Herói do Silêncio e o Soda Stereo, que foram grandes nomes de rock em seus países. Somente o Soda Stereo, que é dado como a maior banda argentina, e a Argentina tem uma carência muito grande de boas bandas assim de grande destaque.

Tem também o J-Rock, que porra, não dá para falar de Dylan Gray e X Japan sem falar de duas das maiores bandas que cantam em japonês. E eu falo isso, cara, porque eu acho o X Japan genial, porque eu acho que nem eles esperavam que eles iam conseguir estourar tanto fora do Japão. Foi a primeira banda japonesa que não cantava em inglês que conseguiu algum destaque fora do Japão.

?Voz B

E até fica legal também uma coisa que eu antigamente falava mal, que é o cara misturar japonês e inglês.

?Voz A

É, não, você tem até caso de misturar japonês e inglês e até francês, no caso das coisas do Mana, o Maud'ismoir, o o Malice Missa. E assim, a questão do japonês soa legal. Então, e a gente pode ter vários exemplos. O Alcest fez sucesso cantando em francês, inclusive primeira banda francesa a conseguir fazer algum sucesso cantando em francês, coisa que nem o Gojira conseguiu, porque o Gojira canta em inglês.

?Voz B

Então, e aí vamos, vamos para uma coisa mais recente. Quando cantou na abertura da Olimpíada em francês, pô. Exato, uma música. Exato, um baita heavy metalzão cantando em francês e um puta, e um puta tema de rock que é matar monarquia.

?Voz A

Exato. E aí, gente, quando a gente fala, nossa, mas rock fica melhor em inglês, isso daí não é verdade. O que você pode argumentar, o que que acontece isso, é que primeiro a gente tem uma hegemonia muito forte, Inglaterra Estados Unidos depois da Segunda Guerra Mundial. Então inclusive o krautrock surge na Alemanha muito com 3, inclusive bandas alemãs que cantam em alemão. Depois que vai mudar um pouco esse discurso, o Kraftwerk mesmo sai um pouquinho disso.

E aí as gravadoras aqui no Brasil, elas privilegiavam— aqui na pesquisa deu de 1970, mas eu vou chutar que até o começo dos anos 2000 ainda era bem assim, menos, mas ainda era bem assim, de privilegiar artista que cantava em inglês. E César, você tá com algum alguma coisa que tava enunciado aqui, cara.

?Voz B

Eu ia dar uma olhada aqui porque eu não sei se é o cooler do notebook ou se tá chovendo.

?Voz A

Bem, manda bala, depois eu vejo. Depois na gravação vocês vão ouvir um barulho esquisito aí.

?Voz B

Eu acho que é chuva, comecei a ouvir até um trovão aqui. Eu coloquei uns negócios para secar no varal.

?Voz A

E também o que acontece, e aí eu tenho que dar um mérito, é mais fácil você encaixar qualquer porcaria no instrumental em inglês. O inglês é uma língua que privilegia sons muito fracos. Você tem a questão de entonação no inglês, é uma questão esquisita. Não é que nem alemão é muito marcado, japonês tem uma fonética muito marcado, o português tem a marcação das tônicas, o inglês ele tem o stress, vai muito de sobe e desce.

?Voz B

As línguas ali mais eslavas Lá, tipo, sérvio parece tipo idioma dos Minions também.

?Voz A

Então é mais difícil de você conseguir casar qualquer coisa. Mas aí não é mérito só do rock. Você não consegue fazer nenhum funk se a letra não tiver melodicamente bem estruturada. E olha que funk muitas vezes só o batidão para dar ritmo no bagulho. O rock não, o inglês não, cara. O inglês, e eu falo isso como professor de inglês, tá? É uma língua que melodicamente ela é muito ruim. Isso é uma vantagem para o rock, porque você não precisa lidar com rima, não precisa lidar com assonância, com a literação.

Então é um pouco mais fácil nesse sentido, mas não quer dizer que seja tão mais difícil fazer em outras línguas, não. Aí vamos comentar algo que vira e mexe aparece alguém dizendo, e a gente pode trocar rock por metal nessa aqui, que dá no mesmo, que é o rock está morto. E agora vem numa vertente que eu tenho ouvido nos últimos tempos de que a juventude não se interessa mais pelo rock. Eu acho engraçado isso, que os maiores shows internacionais no Brasil, boa parte deles é de rock. Ah, vai ter show do Slayer, cara, o show do Slayer vai ser no estádio.

?Voz B

Ou pior, né, dizem que não tem banda nova de rock, só banda antiga.

?Voz A

É, eu tinha que ter colocado isso, cara, eu esqueci de colocar esse mito de que nesse banda boa nova de rock.

?Voz B

Porque justamente que a pessoa ia falar, ia falar, você ia falar, ah, o Slayer, pô, o Slayer tem 40 anos, caralho.

?Voz A

Mas assim, quando você diz o rock está morto, inclusive até tem uma reportagem que tava falando que agora na segunda-feira vai ser o Dia Mundial no Brasil do Rock, que é o dia 13 de julho, que só se comemora no Brasil essa data, que, ah, você não tem mais a preferência da molecada pelo rock que saiu do mainstream. Cara, eu ouço esse papo desde o final dos anos 90, não é de hoje, tá? O rock caiu, declínio do gosto popular. Cara, um monte de estilo musical, principalmente aqui no Brasil, caiu do gosto popular causa do lobby do sertanejo lá, do pessoal do agronegócio.

?Voz B

E sem contar que o mainstream, quer queira quer não, ele é cíclico. Exato.

?Voz A

Tanto é que o pessoal fala, ah, mas o rock tá morto, porque teve a questão do hip-hop, teve o funk, teve público pop, o público do rock tá ficando muito velho. Isso tudo é verdade, tá? Isso tudo é verdade. É ausência de bandas grandes do estilo, também é verdade. Falta você ter um novo Metallica, falta você ter— o que foi, César?

?Voz B

Ô da Suíça, porra!

?Voz A

Tá vendo? A gravação é isso aí mesmo.

?Voz B

E tá chovendo aqui para caralho ainda por cima.

?Voz A

Queria que tivesse chovendo aqui, mas enfim. Aí o pessoal fala, beleza, que tudo indica que o rock morreu. Não. Primeiro porque nós estamos voltando a ter fenômenos de grandes bandas de rock. Ano passado foi o Slipknot. Slipknot faz shows enormes para muita gente. E aí você teve retorno do Linkin Park com nova vocalista. Hoje os cara foram fazer show duas vezes aqui no Brasil em estádio. System of a Down vai fazer show onde? Em estádio.

E olha que o último show do System of a Down no Brasil foi no lugar pequeno. Antes deles voltarem.

?Voz B

O Slipknot também fez o festival do Slipknot lotado.

?Voz A

O The Town, que é um evento super chapa branca, lotado. Você vê a Pop, pois é, a Pop que faz o show dela foi no Cine Joia, mas cheio também. E olha que foi numa quinta-feira.

?Voz B

Não, mas teve show dela no Morumbi também, mas aí foi festival. O dela foi festival, ou ela abriu para o Linkin Park, foi festival.

?Voz A

Porque um conhecido meu tava lá, tava junto com o Bad Omens nesse evento, não sei, no ano passado, é que foi pop, Bad Omens, um monte de gente lá. E assim, cara, mas assim, porra, pop você tem eventos grandes que estão voltando com força. Então assim, cara, dizer que o rock morreu porque ele saiu do mainstream é complicado. Ah, mas porque falta bandas grandes, nós temos Bad Showman, temos Slipknot. Este ano tivemos uma gratíssima surpresa com a Jhinder Patrine, cara.

?Voz B

E o pior é o seguinte, só você ver no Grammy, quando você tem performance de rock, hard rock, metal, tipo, você vê várias bandas. Você tem Metallica, você tem Judas Priest, tem, mas não é só isso, você tem banda nova.

?Voz A

Você tem Spiritbox tocando e fazendo um baita sucesso, tocando para muita gente também.

?Voz B

Sim, mas só vê o último Grammy, né? Você tinha lá Babymetal, Electric Cowboy, a Pop junto lá com Noctiluz, Spirit Box.

?Voz A

Não, e lembrando, tem Noctiluz. E a gente tá falando falta de bandas novas. Ah, mas eu não gosto de banda. Mas aí é um problema teu, é um problema teu.

?Voz B

Ah, eu não conheço, eu não conheço. Aí foi um problema. Você não conhece, problema seu, tá acontecendo. Se você só vê o que aparece na novela ou se só gosta das mesmas bandas de 30 anos atrás, é um problema Se você só ouve Transamérica.

?Voz A

E aí a gente até pode citar umas bandas novas, é público grande. Wet Leg, que eu achei uma grande surpresa, inclusive Wet Leg, as meninas estão mandando muito bem do Wet Leg. O Fontaine de Sique recentemente também se posicionou, recentemente não, faz um ano, se posicionou como pró-Palestina. M The Sniffers, o Idols, que é uma banda relativamente grande agora, o Idols. O Elo tem gente que tá indo para um lado mais rock, tipo a Billie Eilish, Olivia Rodrigo, que aposta num som bem estilão Paramore, o Tyler, The Creator, que tá colocando elementos de rock, o hip-hop sampleia muito rock.

E olha que engraçado, já decretaram a morte do rock várias vezes. Ano 60, quando o Elvis foi para guerra, quando o exército foi para guerra. Aí nos 70, o disco matou o rock porque ninguém ouvir rock, só queria ouvir disco. Aí nos anos 80, o synthpop matou o rock, porque agora todo mundo queria ouvir Human League e Depeche Mode. Lembrando que o Depeche Mode inclusive zoava muito com rock, a ponto de depois posteriormente colocar guitarras, e eu achei isso maravilhoso.

Aí anos 90, o grunge matou o hair metal, e aconteceu mais ou menos, mas assim, o rock teve hegemonia cultural até metade dos anos 90. Depois outros estilos estímulos ganharam força até por conta da própria mídia. E o rock tá tão morto quanto o jazz, tá? Mas você continua vendo gente tocando jazz. Acho que o jazz, nesse sentido, tá até mais morto que o rock, porque você já não tem mais grandes nomes do jazz. Mas jazz tá mais presente que nunca.

É curioso imaginar isso. Aí outra coisa que às vezes aparece, ainda mais que a gente tá numa época pré-eleição: heavy metal é Antagonista, heavy metal é do mal. Poderia ser, eu gostaria que fosse.

?Voz B

Algumas bandas até são, porque convenhamos, né, rock crente, pelo amor de Deus.

?Voz A

Então você sabe que o Candlemas teve muito problema quando surgiu a banda, porque os caras achavam que era banda de white metal por causa do nome. Aliás, todas essas bandas de doom clássica, San Vitos, Candlemas, é tudo nome de crente isso aí, cara, porque Candlemas é Candelária, né? Português. Candelária é um termo cristão. Santo Vítor, que é o São Vítor, e Santo Vítor, aliás, né, Santo Vítor. E assim, cara, os cara do Black Sabbath tudo cristão, inclusive o Geezer Butler.

Ele era, ele é o mais, era mais cristão da banda, e o ocultismo era só para dar uma cor ali para banda, cara.

?Voz B

Então é aquele negócio, é um bagulho que os caras, pô, porque você pega na época, os caras viam filme de terror, filme de terror, o que que tinha muito lá? Ocultismo.

?Voz A

Ô, filmes da Hammer, cara. Os filmes da Hammer eram muito calcados em ocultismo também. E aí você tem uma estética de horror que eles usam muito. E claro que a gente até pode dizer que ser anticristo dava dinheiro. E aí você tem o Alice Cooper e o Kiss, que usavam do que a gente vai chamar de shock rock, né, que é uma coisa teatralizada. E teatro é exagerado para caramba. O Iron Maiden vai usar temas do apocalipse, mas geralmente só vai lidar com isso daí quando o processo de dicção entra.

E é claro, só que a gente tem exceção, bandas que são satanistas. Por exemplo, black metal, somente a vertente lá da Noruega e da Suécia, uma galera é satanista, mas é um satanismo muito diferente desse que você vê em banda de hard rock, é muito mais sério.

?Voz B

É que para eles, a questão do satanismo, aí eu lembro que até quando era adolescente tinha uma galera que ela sempre tem um maluco que curte essas merda aí quando você é adolescente, né? Sempre tem alguém. E aí vem a pessoa lá e fala: não, mas satanismo não é que eu adoro o satanismo, é o culto do individual, é você é o seu Deus. E aí vai lá todas as ideias e tal.

?Voz A

Então sim, e sem contar que o satanismo, tal qual o cristianismo, tem vertentes. Você tem o satanismo individualista, que é o do Lavey, que é esse, que é o que a maior parte das bandas que segue isso de alguma forma, inclusive gente como Marilyn Manson e tal, que ela foi acreditada em Church of Satan. É o satanismo individualista. Existe satanismo ateu, que na verdade Satã é uma forma de você se opor ao cristianismo, mas não que ele seja um sistema de crença.

Tem o satanismo propriamente dito, e aí eu acho que tem uma parcela de bandas lá da época do Inner Circle que seguia isso. Tem o satanismo anticósmico, que aí é a galera mais barra pesada que Inclusive lá na Suécia isso é muito mais forte com o Dissection e o Aten, que segue essa linha mais anticósmica. Tem o satanismo do Crowley. O Fernando Ribeiro era muito adepto disso no começo do Munspeil, depois ele largou. Então você tem uma galera que é.

O problema é que essa galera, sei lá, representa 1% das bandas de metal que existe. E mesmo essa galera, a maioria que É, você nem vai ver isso no trabalho deles. Você vê às vezes num símbolo, numa vestimenta, numa postura. Você não vê direto, é difícil, é difícil. É tal qual o próprio pessoal que é cristão, dificilmente você vai ver ele expor nas letras. Eu até mesmo vou dizer, banda realmente satanista é mais rara do que banda de white metal.

Eu acho que é mais fácil você encontrar uma banda de white metal com uma banda genuinamente satanista, o que não é nenhum problema. E por último, que a gente ouve muito falar isso, que o grunge matou hard rock e o hair metal. Porque não sei se você vai lembrar, César, quando o Nirvana lançou lá o Smells Like Teen Spirit, geral daquelas bandas de AOR, aquelas bandas tipo Ratt, começaram a cair nos tracismos. A pior fase do KISS é nessa época também.

?Voz B

Aliás, o KISS foi abraçar o grunge, pô, e ficou estranhíssimo, inclusive. Ah, mas eu acho legal, cara, achei legal.

?Voz A

Eu gosto muito mais da fase AOR deles lá com Heaven's on Fire, mas que ainda é KISS do que a fase grunge que dura acho que 2 discos, né?

?Voz B

Não, foi um só, porque foi esse disco e o acústico que ressuscitou a banda.

?Voz A

Aliás, é um disco muito bom, acústico do KISS.

?Voz B

Sim. E aí depois eles vêm com Psycho Circus lá já perto do ano 2000.

?Voz A

E qual que era o problema do hair metal, do hard rock? As pessoas estavam cansadas já disso.

?Voz B

Não, e as bandas mesmo, os caras já estavam tudo ficando fodido, tipo, com um monte de problema com polícia, com droga, banda separando.

?Voz A

Ah, é só você ver o próprio Kiss, os caras resolveram tirar a maquiagem e fazer aquilo ali pra tentar dar uma revitalizada no disco, é menos teatral inclusive. E aí você começa a ter algumas bandas que nos anos 90 as pessoas já estavam de saco cheio. O Errant, o Slaughter, Winger. Puta, que Winger é uma banda muito ruim, cara. Eu conheço um cara que ama essa banda. E se existe algo dentro dessa linha glam hard rock ou glam metal, o que que você queira chamar disso, que eu acho insuportável, além do Asia, né, mas do Asia ainda tem músicas boas, é o Winger, cara.

Winger é muito— e o Winger meio que assim foi forçado porque é uma banda que pegava muito do que o Dokken fazia, do que que o Poison fazia, do que o Ratt fazia. Só que, mano, ninguém queria mais ver uns cara vestido igual um transformista, pô.

?Voz B

Porque aqui pega o próprio Pantera.

?Voz A

Sim, porque anos 90, cara, você— e não que você não tinha espaço para essa coisa performática, tinha, sempre vai ter, mas não deles, sabe? O deles tava muito ruim, aquela coisa, aquele andrógeno caricato, tal. E também a indústria musical queria, a gente precisa de um novo hit, porque tá entrando Madonna, tá entrando Michael Jackson, tá entrando um monte de artista pop. O hip-hop tá começando a ganhar peso, a gente precisa crescer.

Sim, o R&B crescendo muito, inclusive um pouco da Whitney Houston e até da Mariah Carey nesse sentido. E eles queriam uma grande nova uma nova banda, sabe? Precisou de um som novo, porque todas essas bandas aí, elas eram uma reciclagem de coisa que era muito boa nos anos 60, anos 70, nos anos 80. E aí surge o grunge. Que que o grunge faz? Ele é esse novo som que a galerinha tava esperando. Só que as pessoas vão deixar de escutar hard rock e glam rock, glam metal, por conta disso?

Tanto é que você tem o Bon Jovi que E lançou carreira solo nessa época, inclusive, e adotou um visual mais country. Fazia hard rock, mas tinha um apelo country no jeitão dele, e vendeu horrores, cara. Porra, o Blades of Glory é uma das grandes músicas dos anos 90, a música fenomenal Blades of Glory, que inclusive é trilha de filme, um dos grandes discos, né? Porque o disco dele era a trilha sonora do filme, sim, lá do Top Gun, né?

?Voz B

Não, do Blades of Glory.

?Voz A

Então, porra, mano, Foda isso. Aí você tem o Guns N' Roses lançando o Use Your Illusion em 91, que vendeu muito também, que foi lançado no mesmo mês do Nevermind. Então você imagina que mês horroroso em 91, em setembro, Nevermind e Use Your Illusion sendo lançados juntos.

?Voz B

Ainda que foi duplo.

?Voz A

Sim. E esse foi o disco que fez o Guns N' Roses alavancar a carreira no meio do grunge.

?Voz B

E o Guns, ele só lançou tanta coisa, ficou no auge, porque o Axl Rose começou a coçar o saco, né? É.

?Voz A

E também você teve o lançamento do Black Album do Metallica nesse mesmo ano, que é um dos discos mais vendidos daquele ano. Vendeu mais que Nirvana, vendeu mais do que Guns N' Roses, vendeu mais qualquer banda na época. Eu só, eu só não me arrisco a dizer que vendeu mais que os artistas de pop pop, porque eu acho que 91 você não teve nenhum grande lançamento de pop em 91.

?Voz B

É o disco que fez o Metallica ser o que ele é hoje.

?Voz A

Exato, é o disco que fez o Metallica alcançar um público assim com funk, que ainda era thrash metal, mas não era mais só thrash metal. Foda, eu acho foda. Então dizer que o rock, que o hard rock, que o glam metal, que o metal morreu por conta do grunge é mentira. O grunge concentrou a parcela de mais jovens que não viam nada de interessante nessas bandas que estavam meio caídas. A gente até comentou lá na antiga encarnação do Grande Cast que o AOR foi um erro.

O AOR foi uma sobrevida do hard rock para tiozão. E quem na verdade mexeu com essa coisa do hard rock, do glam metal, foi MTV, porque MTV deixou de tocar essas bandas. E não porque ninguém queria mais ouvir, MTV simplesmente falou: não vamos tocar mais essa bosta.

?Voz B

Aliás, Igual a própria MTV pegou muito tempo aí, por exemplo, você pega no Brasil, não tocava pagode, que era uma coisa que tocava em todos os sites.

?Voz A

Mas é por escolha estilística dos caras, os caras não gostavam e falou não, não tocava pagode, não tocava funk, samba parecia uma vez ou outra lá, mas eles não eram editorial. Na verdade, a MTV tinha um gosto muito focado em rock, hip-hop e pop americano.

?Voz B

É que na verdade era muito, muito coisa herdada da MTV Estados Unidos, era muito formato, né?

?Voz A

Sim, MTV só começou a ter um formato mais diverso foi quando começou a ter a derrocada dela também, não por causa disso, que fique bem claro, em 2000, que aí entrou uma nova editoria e começou a abraçar ritmos mais brasileiros. Aí você começou a ter pagode, começou a aparecer funk, mas não muito momento, porque o funk não tinha estourado em São Paulo.

?Voz B

E ainda que, por exemplo, aí você tem grandes momentos aí, como por exemplo o acústico lá do Zeca Pagodinho, né, que é muito bom, muito.

?Voz A

Mas aquele acústico ali é de chorar, cara.

?Voz B

A qualidade de música envolvida ali é impressionante, porque é uma galera que os músicos lá que estão junto com os caras são os pica, né?

?Voz A

Não, é fantástico, ô bicho. Você ter o acústico com Zeca Pagodinho que você tem um grupo de sopro, grupo de metais, porra. É o acústico dos acústicos brasileiros, é um dos melhores, é muito completo. Você teve acústico também, se eu não me engano, teve do Arte Popular também, que também foi muito bom.

?Voz B

Eu acho que teve de outros, de pagode chegou a ter também, só que aí já foi mais tipo para o fim da MTV mesmo.

?Voz A

Porque inclusive a gente precisa algum dia, mas vai ser uma série de programa porque é muita coisa. Comentar dos bons acústicos MTV.

?Voz B

Na verdade, a gente tinha que falar do MTV, né, já que o programa que a gente falava sobre isso desapareceu.

?Voz A

É, eu preciso refazer essa pauta, cara, só que dessa vez eu vou fazer mais sério a pauta e vai ter uma linha do tempo, vai ser bom, mas não garanto para hoje.

?Voz B

Bora! Eu tive umas ideias em relação a isso. Na verdade, era, na verdade, a gente fazer um meio que explodir, fragmentar, por exemplo, pegar, falar uma vez só do Rock and Roll.

?Voz A

Bom também. Então, falar da MTV envolve a gente falar da MTV enquanto emissora. A gente vai— isso daí dá uns 3 programas pelo menos. Falar de algumas particularidades da MTV Brasil. Tivemos Rock and Roll, tivemos os programas, a premiação, nossa premiação era muito interessante, mais interessante que a dos Estados Unidos, inclusive, nesse sentido, porque isso tinha nossa cara. Falar que foi a primeira emissora a ter um programa de de sexo, voltado para questão de sexualidade, com um médico lá que é o Jairo Bauer.

Foi a primeira emissora também que começou a trabalhar, a transformar o videoclipe numa coisa mais artística. MTV que criou a cultura do videoclipe, que também é um outro assunto, que é só a cultura do videoclipe merece um programa só para ela, que é muito legal. Que o clipe antes era só uma para você colocar no intervalo ali um jornal. Então não existia produção para aquilo, até o momento que chegou um senhor chamado Michael Jackson e resolveu produzir igual um filme, como se fosse um mini documentário, mini filme.

?Voz B

Aliás, o filho da puta que chega no mesmo disco lá, aí em um dos vídeos ele simplesmente faz um filme, faz um filme. Não, ele vai fazer na verdade um curta, né, um curta, né, que é no Thriller.

?Voz A

E curiosamente Thriller é curta que depois vai virar um filme. A ideia do Thriller, que é um filme tosquíssimo, cara. Aliás, esse vale um pipoca, cara. Puta, esse vale um pipoca. O filme do Michael Jackson.

?Voz B

Não, não, não, mas o filme do Michael Jackson é baseado no Smooth Criminal.

?Voz A

Não, sim, mas você percebe que ele reaproveita muita coisa desses videoclipes também, na estética e tudo mais. Smooth Criminal, pô, Smooth Criminal também é algo que é multi plataformas, né? Porque vai virar filme, vai virar jogos. E os jogos também eram bem ruins, eram muito ruins.

?Voz B

Ah não, pô, gostava pra caralho.

?Voz A

Eu gostava, cara, mas eu fui jogar de novo, tanto do Mega quanto do Master. Meu amigo, que jogos ruins!

?Voz B

Não, não, não, Fábio, mas não dá, porque a gente não consegue mais jogar os jogos de antigamente. Eu tentei jogar, eu não consegui zerar Alex Kidd que eu comprei lá do PlayStation, não consigo.

?Voz A

Mas qual Alex Kidd? O DX?

?Voz B

Não, Alex Kidd em Miracle World, que ele não tem com Master System.

?Voz A

Então é porque tem o DX, que é o remaster desse jogo. Venci ele, inclusive.

?Voz B

Aliás, não sei se é isso, mas é o Alex Kidd em Miracle World.

?Voz A

Eu não consegui terminar porque eu comprei na Steam. Puta, cara, eu penei para chegar no final. Penei.

?Voz B

Até porque os cara coloca até tela nova, né?

?Voz A

Sim. Então, na verdade, no DX não tem exatamente tela nova. As telas são refeitas, e então você tem áreas que você pode explorar que são novas. Os passos onde você vai são praticamente os mesmos.

?Voz B

Não, tem uma tela, tem uma tela lá que aparece que é nova. Por sinal, a tela que eu não consigo passar é a da—

?Voz A

é que você tem que voar, é que você pode voar.

?Voz B

Não, porque de voar, inclusive, porra, tem uma lá de voar que é foda, que é só umas bolinhas vermelhas aqui. Sempre você morria no começo, você perdia o helicóptero Aí você tinha que ir por baixo, sempre era assim. Isso aí é uma lá que é no solo, mas tipo, eu não lembro qual que é o nome, que tipo, cara, não tem equivalente no Alex Kidd. Tanto que quando você vai ver, por exemplo, porque esse Alex Kidd dá para você ver na versão remasterizada, né, que foi refeita lá, na versão original, e tipo, na versão original você olha e fala, cara, isso aqui é um catadão, isso aqui não é possível, tem nada com nada.

?Voz A

Então eu vi esse Alex Kidd Mas inclusive tem outra coisa que é diferente, a tela da lancha é um pouco diferente, que eu amava aquela tela, aquela coisa, eu conseguia passar de uma vez sem bater, eu ficava mó feliz porque era difícil fazer isso, mas é mais fácil do que a de voar. As do peticóptero eram muito difíceis de chegar no final, cheguei uma vez em uma delas no final, e ainda por cima aquele arrozinho que aí você pode trocar, né, agora nessa versão você pode escolher, quer um ramen, você quer então o bolinho de arroz, o hambúrguer, porque o hambúrguer é da versão americana, né?

O curioso, olha como que é curioso, o Alex Kidd da versão japonesa, Alex Kidd da versão americana, aquele bolinho que ele come no final é diferente, porque na versão americana é o hambúrguer, na versão japonesa é o mochi, é o bolinho do mochi. E aí, e aqui você pode escolher, ah, você pode até escolher se você quer dublagem americana, dublagem japonesa, é uma Alex Kidd bem legal, mas eu concordo. Concordo, é, a gente, o ritmo era diferente, não tem nem fala.

Tem alguns sons, tem alguns sons porque você tem algumas animações agora em algumas partes do jogo, é bem pouquinho na verdade.

?Voz B

Esotero era quase nada do jogo, tem hora que parece um cachorro lá também que não tem nada a ver, não tinha no original, mas é legal, eu gostei dele, que eu não consigo terminar. Então foi o Max Kid, não foi o único que eu tentei, teve um outro jogo, eu não vou que eu lembro agora que eu tentei jogar também, que eu sinto muito.

?Voz A

Eu tentei jogar Castlevania original, Castlevania 4. Putz, eu jogava aquilo todo dia. Eu não passo da primeira tela, cara. Mas entra muito mais assim, mas ainda continua achando que é um baita jogo. O problema do Moonwalker, né, do jogo Walker, que aliás a gente pode até fazer isso, falar um sobre o filme do Michael Jackson, aproveitar e falar do jogo e tal, fazer pipoca. Acho que seria legal falar desse filme, porque o jogo do Moonwalker na época ele já era visto como um jogo ruim, mas ele era divertido para caralho.

?Voz B

E depende também do Moonwalker, né? Porque você tinha um Moonwalker do Master System e do Mega Drive, os dois são diferentes.

?Voz A

Sim, inclusive eu gosto mais do do Master System porque é mais simples. O do Mega Drive eu não curtia muito não, só que no Mega Drive ele era mais variado. Sim, inclusive a primeira tela é muito cópia do Altered Beast, a primeira tela do Moonwalker.

?Voz B

Aliás, até É, se eu não me engano, na tela do cemitério era para tocar Thriller. Tocaram, só que aí acho que deu algum problema de direitos, e aí os caras mudaram.

?Voz A

Não, não, não foi problema de direito. O problema é porque não tinha capacidade para tocar aquela música.

?Voz B

Não, não, foi problema de direito. Foi, cheguei a ver aí recentemente, porque teve algumas edições. A primeira edição saiu com a música e os caras recolheram lá o que não tinha sido vendido e lançaram sem.

?Voz A

Porque, mas A gente pode discutir isso aí num outro momento. Bom, e a gente acaba aqui com as nossas lendas do rock, esses mitos do rock, a parte 2. E bom, se você quiser entrar em contato com a gente, é só você ir no Groundcast na sua rede social favorita, exceto no Instagram, que é @groundcastbrasil. Temos o groundcast.com.br lá no site, você tem o contato@groundcast.com.br para entrar em contato com a gente. E César, deixa uma mensagem de paz e esperança nesse final dessa semifinal, essas quartas de final após o resultado Suíça versus Argentina?

?Voz B

Cara, eu queria, só que eu não consigo. Primeiro porque, né, ainda estão jogando aqui, faltam 2 minutos e meio para acabar. A Suíça tá heroicamente empatando com a Argentina, só que expulsaram o jogador da Suíça. E eu também não consigo porque tem uma notícia triste sobre Copa, que tipo tem um jogador que era da África do Sul, Jayden Adams, tinha 25 anos, que aí ele morreu, acho que de ontem para hoje, só que ainda não sabem qual que foi o motivo da morte.

?Voz A

Então, gente, depois dessas notícias edificantes, nos vemos no próximo programa. Um grande abraço para todo mundo.

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