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Groundcast V#14b – Os gêneros musicais estão com os dias contados?

03 de agosto de 20261h36min
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Não, a gente não morreu, querido ouvinte e querida ouvinte. Depois desse hiato forçado, estamos de volta com a segunda parte sobre o gênero musical. Nesse programa a gente fala um pouco mais sobre o assunto, explica sobre como a mistura de gêneros não é algo tão novo assim e, acima de tudo, como fazer...

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Participantes neste episódio2
C

César

Host
F

Fábio

HostAdvogado, professor de direito, teólogo
Assuntos8
  • Tendências Musicais e Convergência de Gêneros· EntretenimentoCrossover trash·Metal industrial·Rap metal·Nu metal
  • Inspirações Artísticas· CulturaBjörk·Radiohead·Tyler, The Creator·Cowboy Bebop e Aquário·The Speed
  • Música e Identidade· CulturaEstereótipos musicais·Subculturas musicais·Identidade jovem
  • Anime· EntretenimentoHokuto no Ken·Samurai Warriors·Trigun·Ghost in the Shell
  • Influência de animes antigosHokuto no Ken·Influencia Dragon Ball·Mecanicas de Yu-Gi-Oh!·Saint Seiya·JoJo's Bizarre Adventure e suas partes
  • Indústria Musical· NegociosGrammy·Playlists de streaming·Tags musicais
  • Interação entre diferentes estilos musicaisBedroom pop·Hyperpop·Jazz rap·Funk 150 BPM·Lo-fi hip-hop
  • Mídia e Distribuição de ConteúdoJiraiya·História do Kamen Rider·Sato Company·Mercado Livre Play
Transcrição247 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Agora você está ouvindo Groundcast. Pense no tempo maravilhoso onde a tecnologia flui com o que há de mais santo e de mais forte. Ouça o que um dia um dos doutores mais grandes falou: quando você forçar o seu corpo, você vai se tornar mais forte. Salve, caros ouvintes, caros ouvintes, no meio do nosso programa Groundcast. Estamos aqui em mais um dia qualquer, gelado para caramba, embora o meu quarto esteja mais quente do que lá de fora, o que eu acho impressionante dessa casa.

E aqui, gente, de Santo André, parcialmente sóbrio, Fábio. E do outro lado, aquele que vai ver o filme do Bolsonaro na pré-estreia, o César.

?Voz B

Com certeza. Bom que você pegou esse assunto aí de audiovisual, você me lembrou um negócio que eu tinha visto semana passada, até ia comentar na gravação, que não sei se você viu que tem um remake do Hokuto no Ken rolando na Amazon Prime.

?Voz A

Então, sabia que ia ter, não sabia que já tava pronto.

?Voz B

Então não, tão lançando, tão lançando os episódios, acho que lançou até o 9º, 10º episódio.

?Voz A

Então eu sabia que ia ter o remake lá do Hokuto no Ken, só que eu não sabia que ia sair pela Amazon. Início a gente já tinha saído, tá saindo.

?Voz B

E até, né, eu fui ver as críticas e tal, eu comecei a ver, né, porque tinha algum burburinho porque ele tem um CGI lá, um cel shade, né, um negócio meio estranho ali. Não é só traço de animação, mas não tá feio, não tá feio assim, é estranho, mas não é. E também, pelo menos eu vi um monte de gente Nem tanta gente reclamando da animação e muita gente falando bem, porque diz que é mais fiel ao mangá, né?

?Voz A

Ah, já é uma vantagem.

?Voz B

Inclusive ele é mais sanguinário, né? Porque, por exemplo, pô, você tem uns momentos ali já nos primeiros episódios que, por exemplo, Kenshiro vai lá, mata o cara, tipo, abre, estoura o peito do cara, você vê as costelas dos caras assim.

?Voz A

Ah não, sim, não, e tem que contar o seguinte, né? Eu não sei se você pegou para fazer isso, eu fiz, e foi, digamos assim, um estudo antropológico tecnológico muito foda. Pegar o Hokuto no Ken, o desenho original, assistir, cara, aquilo é muito datado, muito, muito datado.

?Voz B

Não, mas já era datado quando eu vi, já era datado, pô. O primeiro episódio lá que vem o maravilhoso lema, né, que aí tem o cronômetrozinho ali. Até fiquei triste porque assim, eu acho que seria um maravilhoso fanservice se no primeiro episódio eles fizessem a mesma coisa, colocasse cronômetrozinho, tipo lá o Kenshiro Ô, mas eu amo Shindeiro. E aí de repente cronômetro lá, e quando zerasse o cara explodisse. Mas não tem. Mas em compensação estoura a cabeça do cara e você vê, você vê o negócio vermelho assim, o cérebro assim saindo, entendeu?

E só que eu tenho uma coisa que eu fiquei triste, porque a minha memória me engana. Porque assim, tem alguns animes que eu tava vendo aí um tempo atrás, tempo atrás assim, quando eu vi, que aí, né, na época maravilhosa da pirataria, né, que também tá voltando, Infelizmente, que tipo, pô, se você lembrar essa época, a gente baixava um monte de coisa, né? Tipo, na sua era heroica, né? E aí a gente baixava um monte de coisa, discografia.

E aí vai baixar anime, baixava tipo, porra, 10 temporadas inteiras, dependendo do que for. Mangá, baixava todos os mangás que tivesse e baixava tipo tudo num torrent só, no arquivo só. E eu vi o Hokuto no Ken, eu acho que eu vi, cara, assim, chutando baixa até o episódio episódio número 80 da série clássica. Eu não lembrava de ter visto o Shin morrer, sabe por quê? Porque eu fiquei assustado. Porque uma das coisas desse Hokuto no Ken aí é que, cara, é que não dá graça, porque é 2 ratatatatatá e o Shin já morreu. Não tem nem 10 episódios e ele já morreu.

?Voz A

Ah, mas é meio que nem no mangá, porque é assim, o mangá do Hokuto no Ken ele é enorme, cara, não dá para adaptar tudo. Aliás, Hokuto no Ken, ele só não é o grande responsável por esses anime de lutinha, né? Porque até então eu tinha lido isso daí, que Dragon Ball e Yu-Gi-Oh, Saint Seiya, tudo isso daí era baseado no Hokuto no Ken. Mas aí eu descobri, cara, e isso eu fiquei assustado, que o JoJo é mais antigo que o Hokuto no Ken.

JoJo's Bizarre Adventure. E faz sentido, cara, porque agora que tem até série nova do JoJo's Bizarre Adventure e tudo mais, e agora que a Netflix tem toda a saga do JoJo disponível, Eu achei curioso porque é incrível, poses são até de anime, tipo Dragon Ball tem muita influência do JoJo. Sabe os Cavaleiros de Prata lá do Saint Seiya, que principalmente porque eles eram meio andróginos, é primeira série do JoJo. E eu achei incrível porque eu não tinha notado tanta semelhança.

Tem até um pessoal que só coleciona essas semelhanças de obras famosas, até obras ocidentais. Que foram influenciadas pelo JoJo's Bizarre Adventure. E eu acho legal porque esses animes agora estão voltando, né? Hokuto no Ken saiu agora pouco tempo atrás e tá bem legal até, tá? Embora a história dá umas falhadas. Que você lembra daquele Samurai Warriors que passava na Manchete? Que é que vinha na cola dos Cavaleiros do Zodíaco, que os cara tava uma armadura mó grandona.

?Voz B

Não era não sei o que lá, Spirits, que tipo Não, não, não, esse é outro, isso é outra coisa.

?Voz A

Embora o nome original, porque o nome original nem é Samurai Warrior, né? Mas aqui chegou como Samurai Warrior porque chegou junto com o Churato, com outras séries do mesmo tipo. E aí fizeram uma continuação do Samurai Warriors e eles tinham uma missão muito difícil. Samurai Warriors É assim, ele é muito ruim em termos de história. Era legal ver o anime, mas a história é ruim, é ruim para caramba. A história era uma história rasa, como shonen anos 90 era tudo muito raso, que eu diga Dragon Ball.

Eu acho que o mais profundo que a gente tinha desses shonen era o Yu Yu Hakusho, que ali você não tinha só os caras se estapeando, né? Porque o Togashi vai para um caminho diferente, tanto é que isso desgastou o cara para caramba. Mal sabia ele que ele ficaria pior fazendo Hunter x Hunter, né? Porque ele teve que parar quase um ano porque ele tava entrando num estado de estafa enorme. E assim, e antes de chegar em One Piece, que One Piece, a história, porra, em termos de desenvolvimento de história, por mais que ele desenrole muito, ele entrega boas histórias.

Mas quando surgiu Cavaleiros, embora não tenha sido um grande sucesso no Japão, gerou um modelo de shonen de homens de armadura que assim, que foi copiado pelo Shurato, que era até legalzinho. Shurato é um anime que merecia um remake inclusive, ou um reboot. Acho que um reboot seria mais legal, com uma história melhorzinha, sabe? O Samurai Warriors teve a continuação, que a continuação ela foi interessante primeiro porque ficou violento para caramba.

Os caras que levaram em consideração quem assistiu Samurai Warriors era jovem e hoje é adulto, porque é assim, os caras morrem muito fácil, o que eu achei ok, sabe?

?Voz B

Os caras são samurai, né?

?Voz A

Não, e também estão combatendo os demônios, cara. Cara, é pesado. O roteirista mata personagem coadjuvante assim que é importante para história sem dó, o que eu achei legal, sabe? Não é que nem, não é que nem você vai ver, por exemplo, o cara vai lá, salva todo mundo. Não, o negócio é meio amargo até de assistir.

?Voz B

Não é o Akira, que ela esqueceu, Toriyama lá, que fica ressuscitando o Kuririn toda hora.

?Voz A

É, exato, exato. Não tem isso. Embora rolou uma coisa meio assim no final dessa temporada lá do Samurai Warriors, né? E cara, que foi muito bizarro, porque o cara que morreu meio que morreu, tá? Ele ficou uma coisa meio Goku mesmo isso daí, porque o cara foi lá, só para resumir para quem não existiu, o cara lá, o cara ele morre numa batalha e ele vai acordar lá no céu junto dos deuses ali que estavam ali ajudando para combater os demônios.

E ainda falando que tá uma missão agora, que a missão dele começa de verdade. É basicamente isso.

?Voz B

Então é assim, ninguém tocou uma flauta para ele não? Não, certeza, certeza. O nome do cara não é Chico?

?Voz A

Não, não é. Mas poderia ser, viu? Poderia ser. Mas então, e aí só para a gente contextualizar, tudo bem, eu sou contra nostalgia, a gente até falou sobre isso. Acho que nostalgia do jeito que tá sendo colocada hoje ela é muito nociva, mas tem coisa que para você apresentar para uma galera nova eu até acho que vale. Que nem eu achei muito válido ter um remake do Hokuto no Ki, porque Hokuto no Ki é uma série de anime muito velha, é começo dos anos 90.

?Voz B

O Hokuto no Ken, o mangá mais antigo dos anos 80, fim dos anos 80, né, nem começo dos anos 90, fim dos anos 80, acho que 88, 89.

?Voz A

Então, e vem mesmo a época do Cavaleiros, época do Dragon Ball Z, no caso ali já era o Z. Então ele pegou a esteira do shonen.

?Voz B

Sim, e tem coisa que é bom você ficar, tipo, claro, não ficar igual Cavaleiros do Zodíaco toda hora fazendo remake, né, mas tipo Tipo, você ficar até mesmo, pô, você pega uma coisa que assim que não tem nada a ver, por exemplo, Morro dos Ventos Uivantes, um monte de gente que viu aí o filme gostou.

?Voz A

Então isso, adaptação já é outra história, não vou entrar no mérito de adaptação. A questão que você ter rir, então sim, não teve muito, mas cara, mas são todas adaptações, não é remake daqueles filmes antigos.

?Voz B

Tipo assim, já tinha um filme, entendeu?

?Voz A

Não tinha mais, tem muito filme, não tem só um, porque adaptação é outro, é outro rolê. Mas a questão de remake, o que me incomoda é que você não é, não que tá acontecendo agora, agora tá inclusive tá muito bom nesse quesito para assistir anime, é que quando você lota de remake você não produz nada. Os japoneses estão sendo mais ligeiros porque enquanto você tem remake, tá chegando anime novo. Pô, chegou o anime novo lá da autora do Fullmetal Alchemist, que tá muito bom, cara, tá muito, muito bom mesmo.

Aí eu também vi a segunda temporada do Frieren, que também tá muito legal, muito assim, e parou num ponto assim muito crítico do mangá, que o povo que leu o mangá falando que não sabe como vai ser a terceira temporada, porque é onde começa a ficar mais pesada a história. E aí você, você teve outras continuações também, algumas que eu não consegui voltar a assistir porque eu acho meio triste anime que leva 5, 6 anos para ficar pronto.

A continuação é, eu perco tesão. Eu, se fosse uma vez por ano, beleza, uma vez por ano eu até consigo acompanhar, tipo como foi o Voltron, que inclusive é uma baita história. Só que o Voltron assim teve acho que 40 e poucos episódios, ela começa lá no alto, depois dá uma caída porque fica muito ruim, pois sobe de novo e termina lá no topo. Embora a história acaba de uma maneira meio, eu acho meio bosta, tá? Até porque eu já vi o outro original, porque vira aquela coisa, o piloto principal lá ele desaparece, ninguém sabe se ele tá vivo, se ele tá morto, e aí todo mundo fica lembrando, nossa, como ele era legal, tal. E gosto de final assim.

?Voz B

E o pior assim, agora eu lembrei, o personagem aí, o que morreu mas não morreu, eu acho que não era Chico não, deve ser João Glilu o nome dele, né? É, pode ser também. E o pior é que eu tava até começando, começando a ver que tem também lá no Amazon Prime, tem um monte de tokusatsu também. Tava revendo o Jiraiya, que eu fiquei triste porque o Jiraiya não tem não tem dublagem, só tem um áudio em japonês.

?Voz A

Então, mas sabe o Mercado Livre Play? E olha que não, nem fazendo propaganda desses cara, lá tem todos esses tokusatsus dublados, inclusive o último episódio do Black Kamen Rider dublado. O que eu não entendi, porque a empresa que é responsável pela distribuição é a mesma, que é a Sato Company.

?Voz B

Exatamente. Não, a coisa que eu já achei mais estranho foi Porque tá lá Sato Company, mas fui ver o áudio, tem só japonês.

?Voz A

Mas se você for no site do canal Sato Company ou no Mercado Livre Play, tem dublado.

?Voz B

Ah, mas eu acho que eu vou ver em japonês só para—

?Voz A

eu tava vendo Jiban nessa vibe, sabe? Eu ia para academia, ia começar a fazer o cardio e assistindo Jiban.

?Voz B

Ano passado eu tava tentando ver o Jasper, mas aí também eu não continuei. Agora, como eu tenho muito tempo, né, tenho todo o tempo do mundo agora, então eu posso ficar vendo essas coisas aí.

?Voz A

Então, e lembrando também dos remakes, um remake saiu na verdade final do ano, metade do ano passado, e continua esse ano. Eu não sei se você chegou a ver lá nos áureos tempos dos anos 2000 o Trigun, que é lá o anime do Vash Stampede, que Tô ligado, mas não cheguei a ver não. Então eles fizeram um remake dividindo duas partes, inclusive, né? O Vashj, o Trigun Stampede, e depois o Trigun Stargaze, né? Que é basicamente a mesma série, só que eles dividem em duas fases.

E que é bem diferente, tá, do anime original. Não tem aquele clima debochadaço que tem no original. O negócio é bem sério e tem muita coisa nova e tal. E esse é um tipo de remake que eu sou muito favorável, porque não é um remake, é uma outra versão, uma outra versão. Algumas alguns elementos são parecidos, alguns personagens que morrem no Trigun original não morrem nesse novo. Esse eu achei legal. E a produção faz o uso de um CGI de forma que faz sentido, tá?

Não é aquele CGI que me incomoda, de fazer uma rotação ali que, cara, é esquisitaço. Isso de CGI, desses par de CGI, eu não curto. E eu achei legal. Inclusive, um camarada meu tava vendo quando tinha começado a estrear, e eu não tinha Crunchyroll nessa época, então nem liguei para isso, né? Nem, nem dei chumbo nem nada. Aí quando eu fui ver lá o Dragon Stampede, né, que inclusive o Dragon Stampede ainda tava dublando os episódios, né?

E eu gostei muito do tom, é muito diferente do original, porque meio que seria assim, o Stampede ele é antes do original sem ser antes do original, porque a dupla de repórteres ali é diferente, e o Stargazer seria dentro do original sem ser dentro do original. É meio confuso isso, mas funciona, tá? Funciona. E isso daí eu achei legal, porque o Trigun, eles mudaram o tom do Trigun. E porque o meu medo de ver o remake, eu gosto muito do Trigun, eu achei muito divertido.

É um anime de tiro, mas é muito, muito legal. E vai ter remake, vai ter um outro também. Esse tá me chamando atenção e eu espero muitíssimo que seja bom. O Ghost in the Shell vai sair acho que agora no segundo semestre, Ghost in the Shell novo. E detalhe, o traço dos personagens tá muito mais parecido com do mangá. Então, porque assim, exceto pelo filme de 95, todos os outros, todas as outras encarnações do Ghost in the Shell são muito ruins, cara, muito ruins.

Eu assisti todos os animes, filmes, filme que saiu Ghost in the Shell. E cara, nenhum deles é bom. E não é bom, cara. Você assistiu o Ghost in the Shell de 95?

?Voz B

Não, não assisti nenhum.

?Voz A

Eu acho que tem no Amazon. Sei que tem Netflix, mas acho que tem no Amazon. Assiste, cara, é muito bom. É de 95, cara, mas tá certo, a animação tá meio datadinha, tá? Primeira vez que eu vi animação, e acho que em 98, 99, ela já tava meio datadinha. Mas cara, a história é muito boa. Ainda que ele condensa muito o mangá.

?Voz B

Eu tava quase colocando aqui no outro notebook para eu ver, para eu passar os episódios do Hokuto no Ken, o antigo, para eu poder ver na TV, para poder ver em que episódio que o Shin morreu. Porque eu devo ter, porque provavelmente na hora que eu fui gravar eu devo ter perdido. Isso era engraçado, que eu ia gravar os episódios no DVD para assistir, né, e para liberar espaço no HD. E aí tinha, não sei por quê, cara, programa que eu ia usar para gravar, tinha vez que eu ia gravar, ele tipo, ele perdia um episódio.

Por exemplo, ele pegava lá episódio do 1 até o 140, mas o 127, sabe, sei lá por que diabos, na hora que ele foi colocar no DVD não coube, ele tirou 127. Ele não tirou o último nem o primeiro.

?Voz A

Olha só.

?Voz B

E aí eu ia vendo e de repente quando eu tô vendo eu falo, porra, tá faltando episódio aqui.

?Voz A

Pulou episódio porque, cara, eu acabei de descobrir que na Crunchyroll tem o Hokuto no Ken original, bicho. E animação tá muito tosca, cara.

?Voz B

Ah, mas é da hora, pô.

?Voz A

286 episódios, só anime antigo vai ter tudo isso, cara.

?Voz B

Sim, é legal, pô.

?Voz A

6 temporadas. Eu acho que vou até assistir, cara, de verdade, na moralzinha.

?Voz B

Acho que eu vou até assistir, porque igual eu ia começar a rever, eu tava começando a comprei também o The Boys para poder ver a última temporada, né, que tá lançando também episódio.

?Voz A

É isso, eu sei, mas tem aqui, cara, o Hokuto no Ken original sem precisar baixar, com uma legenda boa, né, que eu acho que é o mais importante.

?Voz B

Ah, cara, mas precisar baixar, primeira coisa, não precisa mais baixar, né, porque você pode achar sites que tem, tem streaming aí rolando enquanto não derrubarem, né. Que inclusive eu tava vendo o Haruhi num site desse, só que depois Depois derrubaram o site.

?Voz A

Ah não, claro. E esse daqui é tão true, cara, que ele vem com o nome americano do Hokuto no Ken.

?Voz B

Não, mas o pior fui eu, tipo, eu vendo lá o Hokuto no Ken e tal, que tinha algumas coisas que para mim estão diferentes, né? Tipo, o Kenshiro lá, ele viajando com a menina lá, com a Rin e com o Bartô, né? Que tipo, que no no anime original eles estão andando desde o dia 1, né? Mas nesse novo não, tem um tempo para depois eles começarem a andar, né? Tanto que ele primeiro começa a andar, o Bartô segue ele, e aí depois ele encontra a Lynn lá, que ela é presa por uns malucos lá depois que o Shin morreu. E aí ele vai lá e resgata ela, né?

?Voz A

Ah não, sim, sim, sim, sim, mas é, cara, eu vou ver então agora, antes de ver a versão do Amazon Prime, Eu vou pegar lá no Crunchyroll e vou assistir Hokuto no Ken, cara. Eu nem imaginava que tinha ali. Tem, cara, pô, legal saber disso. Do contrário de você, não vou precisar baixar e nem ficar caçando site.

?Voz B

Mas não preciso baixar porque eu tô no DVD, pô. Eu tenho case de DVD aqui, ó. Tem, puta, pior que agora pensando, cara, porque tem Hokuto no Ken, se eu não me engano o Haruhi Suzumiya tem também, tem Chobits também que Pô, agora pensando, queria dar uma olhada também, pô, era legal para caramba.

?Voz A

É Exholic também, o Exholic legal, cara, o Tex-Holic legal para caralho.

?Voz B

Exholic, se eu não me engano, tem o Exholic, tem os OVAs e ainda tem o filme também, achei tudo.

?Voz A

Você tem o Tokyo Babylon também? Não, que o Clamp nunca acabou, né, o Tokyo Babylon, porra, uma mancada isso.

?Voz B

Então, mas tem um monte de coisa. Porque até foi naquela época lá, né, daquele final do site lá, que aí além de baixar discografia e baixar DVD de música, também baixava anime, né, cara. Então tem um monte de DVD aqui.

?Voz A

E aí o nosso ouvinte descobrindo que os seus hosts aqui são uns otakus não praticantes.

?Voz B

Eu ia questionar o termo, mas eu acho melhor chamar de otaku do que de nerdola, né?

?Voz A

Não, também, olha, cara, eu de verdade é trocar 6 por meia dúzia.

?Voz B

Ah, não sei, cara, sei lá. É que também tanto faz.

?Voz A

Podia ser pior, podia ser pior, César. Podia chamar você de metaleiro, podia chamar de mamador de IP. É também verdade, verdade, mamador de IP e que vai assistir o filme do Bolsonaro. Cara, um dia você precisa ler o roteiro. Obrigado, de verdade, cara.

?Voz B

Eu não quero ler essa merda não.

?Voz A

Eu tive a curiosidade mórbida de ler esse roteiro e, cara, primeiro que ele tem um monte de erro de inglês, tá? Só para a gente poder virar o bloco, a gente já vou avisando. Aquilo ali mistura português com inglês, cara. Eu acho assim, é a pérola da mediocridade. Assim, tem tudo errado ali. O roteiro é ruim, a atuação dos cara é ruim, porque saiu o trailer e eu não vi o trailer inteiro, vi só partes, porque daquelas partes ali já me convenceu que eu não precisava ver o resto.

Tanto é que eu não sei se você viu a fala do Bolsonaro que aparece no filme, que é aquela fala assim de, traduzindo para o português, né, mostra lá, pergunta: fiquei sabendo que segundo rumores que os militares estão por trás de você. Ele fala assim: rumores são como peidos saem de cuzões. Eu queria que em inglês, sua pior, cara, de verdade, porque você fala que tem inclusive tem erros.

?Voz B

E o que me convenceu a não assistir o resto do trailer é que eu vi um trecho, com certeza que eles traduziram isso para falar que vem de big asses.

?Voz A

Não, fala que vem assim, é rumors. Eu vou falar do jeito que eu sei correto, tá? Não tá assim no roteiro, mas rumors are like farts, they come from assholes. Detalhe, detalhe, eu vi um trecho do trailer que eu tava zapeando por aí, ele foi gravado em Minas. Você imagina os caras em Minas, os figurantes, falando em inglês, no inglês estilo Joel Santana com sotaque mineiro.

?Voz B

Não, mas o bom que mineiro já tem, já tem, já tem termo junto, termo que os dois usam, pô. Todo mundo usa o Y.

?Voz A

Mas é engraçado, cara. Mas não vai passar no Brasil porque não tem Disney, não tem Cine. Provavelmente deve lançar em alguma plataforma aí tipo Brasil Paralelo, né? Univer Vídeo, é alguma coisa do tipo assim. Porque enfim, então vamos virar o bloco, gente, que já falou muita bobagem para uma primeira introdução. Assim, gente, no último programa, né, nós falamos sobre Será que o gênero musical morreu, né? A gente começou a falar bastante sobre o que é gênero musical.

Inclusive, recomendo que vocês escutem, porque tá um papo bem legal. Como que o mercado enxerga o gênero musical? E a gente falou, se eu não estou enganado, que também de como que o gênero molda as identidades. O gênero musical cria identidades. Inclusive, eu quero voltar desse ponto para depois a gente debater se realmente gênero musical morreu ou não. Porque assim, eu acho que é muito forte algumas imagens de que a gente fala de alguns tipos de fã.

Inclusive, eu quero também emendar isso daqui com uma outra coisa que eu vi há uns 15 dias, que eu queria ter falado no outro programa, eu esqueci. Tem um cara lá no Instagram, eu não vou lembrar o nome dele, eu, porque o post dele passa várias vezes na minha timeline, mas ele falou uma coisa que tem muito a ver com essa ideia de estilo também, e que eu queria colocar aqui para debater, que é o seguinte. Ele falou o seguinte, que qual que era o problema com os influenciadores de rock e metal?

Porque assim, resumindo o que ele falou, tá, porque é um vídeo muito bom inclusive, ele fala o seguinte: por que que todos eles são parecidos com aquele filme Wayne's World, que no Brasil virou Quanto Mais Idiota Melhor. E quando o cara falou aquilo ali, eu percebi o seguinte: eu não vou citar nomes aqui, até porque a maior parte deles eu detesto, tá? Eu acho que eles fazem um desserviço muito grande, do tipo assim: que banda faria ele?

Ele é um 10/10, mas que banda? Mas ele curte nu metal, vai para quanto? Ah, cara, eu acho uma babaquice muito grande.

?Voz B

Ah, eu, o único que eu lembro assim, eu não lembro nem nome, mas eu lembro de ter visto alguns vídeos. Foi um maluco que perguntava, que fica fazendo aquelas perguntas, ah, que banda que não sei o quê tal, que banda que você eliminaria da Terra?

?Voz A

É exato, exato, é o mesmo cara, já te aviso, é o mesmo cara que fez esse que eu falei, é o mesmo cara.

?Voz B

Então, e é um bagulho que eu fico puto, não é nem pelo cara, mas é porque eles entrevista as piores pessoas do planeta, né, que é uma resposta pior que a outra.

?Voz A

Não, mas a resposta, ô César, nessa questão aí, ela é proposital, é para gerar esse tipo de descontentamento e buzz. Porque você pode ter certeza que ele não grava só com essas pessoas, ele foi engajamento, é hate bait. E eu não engajo essas coisas, não comento, eu passo direto. Porque assim, quando a gente fala de estilo, a gente fala de identidade. Então, por exemplo, Se alguém fala, olha, eu sou gótico, você espera alguma coisa e você sabe que essa pessoa provavelmente escuta.

Então, geralmente, e o que ela não escuta, tá? Mesma coisa, é falado do metaleiro ou do headbanger, que seja, você sabe mais ou menos o que ele escuta. Se o cara ainda fala que, olha, ele é fã de black metal, você espera alguma coisa do fã de black metal. E são estereótipos, para o bem ou para o mal, tá? Porque Estereótipo, ele reduz muito, ele simplifica muito os rolês, mas eu não posso dizer que o estereótipo ele é mentiroso por completo.

Porque, por exemplo, o jovenzinho de 16 anos que curte Iron Maiden provavelmente é um jovem que vai com cabelo de banda, tem cabelo comprido, é muito possivelmente vai de preto para escola. Isso é para todo mundo? Não, mas possivelmente vai ser. Para uma parte significativa. E tá tudo bem, tá? Porque é uma expressão de estilo também. Estereótipo, ele vai ser verdadeiro enquanto a gente pensar na média. No indivíduo muda muita coisa.

E aí, o que me irrita muito, aproveitando essa fala que o cara teve, o que me irrita muito em perfis que fazem isso que você acabou de falar é: beleza, você quer fazer esse tipo de coisa. Quanta gente vai começar a gostar e se identificar com o estilo a partir disso? Eu sempre vou me questionar porque por exemplo, Massacreixa. Nossa, Massacreixa é uma merda, tal, porque— mas, cara, muita gente foi para o heavy metal por conta do Massacreixa.

Muita gente foi, foi na zoeira, achou engraçado e foi atrás de outras bandas. E é legítimo isso.

?Voz B

E Massacreixa é zoeira, cara.

?Voz A

Não, não, eles são assumidamente zoeira, eles têm uma produção para ser zoeira. Agora, esses caras me incomoda muito porque eles criam o estereótipo do metaleiro Como se fosse sério, sabe? É metaleiro, do fã de rock, não é que não é sério, mas é um deboche proposital. Propostalmente aquilo é feito para ser forçado, embora muitas vezes eu duvido se seja forçado, porque eu já conheci fã que era pior que o cara do Massacreixo, tá bem?

Eu já conheci. Quem já frequentou rolê de metal já conheceu esses tipinhos. Mas isso que eu quero entrar é o seguinte: gênero musical, identidade. Gênero musical, ele gera uma expectativa. E o que eu percebo hoje da galera mais jovem é que você não pode esperar muito disso, porque, por exemplo, o cara hoje que escutar o Maiden, no dia seguinte ele pode estar indo lá ouvir um funk pornográfico, às vezes até na mesma playlist. Exato, playlist.

O cara que gosta de Guns N' Roses é fã de trap, e aí ele não tem uma identidade. Quando a gente pensa no gênero musical como fator de identidade, a gente tem que pensar que a gente vai lidar agora com dois problemas, né? Primeiro, só curtir a música não te torna mais membro daquele grupo. Antigamente, na nossa época, era mais fácil. Você escutava rock, você era roqueiro, cara.

?Voz B

Apesar que não, né? Porque depois chegava num ponto que tipo chegava o quiz, né? Porque, por exemplo, o que mulherada—

?Voz A

gente, tivemos um probleminha técnico aqui.

?Voz B

Aparece com a camisa de bandinha, de repente os caras perguntam por que roupeu o apêndice.

?Voz A

Ô César, repete, porque deu uma travadinha aqui no seu e depois foi tudo de uma vez.

?Voz B

Tá bom, posso repetir?

?Voz A

Pode, pode repetir.

?Voz B

Então, porque assim, porque por exemplo, igual a mulherada hoje reclama que, por exemplo, ela aparece com a camisa de uma banda e perguntar, mas qual que é o tamanho da hemorroida do guitarrista? Quantos dias o baterista ficou internado porque rompeu o apêndice dele? Entendeu? E isso acontecia com a gente também, quando, porque por exemplo Você ouve rock, beleza. Se tinha aqueles que eram uns truques, chegava: não, mas você conhece mesmo ou você só pôs?

?Voz A

É, não, sim, tinha isso também.

?Voz B

Não é só ouvir, ouvir é o primeiro passo.

?Voz A

Então sim, não, sim, exato. Mas é isso que eu tô falando, quando você diz: ó, eu escuto Iron Maiden, não é o, principalmente no caso de rock metal, mas porque outros estilos não pegavam tão pesado, mas assim Se você curtia, sei lá, Black Sabbath, vou pegar só das bandas mais conhecidas, tá, que as underground o rolê é outro. Imagina se você não conhece todas as fases, formações, vocalistas, principalmente os principais ali, que é o Ozzy, o Dio e o Tony Martin.

?Voz B

Não, e o pior é o seguinte, você tem a sua favorita também.

?Voz A

Não, exato.

?Voz B

E não pode falar que os dois. Você tem que ter, você tem que escolher um lado.

?Voz A

Exato. Ou você é fã do Ozzy ou você é fã do Dio, porque ninguém lembra o Tony Martin. Olha que o Tony Martin é bom vocalista, viu? Ele que segurou o samba por muito tempo.

?Voz B

Até porque não, mas aí ninguém lembra também porque na época do Tony Martin era Tony Iommi e Friends, né?

?Voz A

Era por aí mesmo.

?Voz B

Tinha época que o único membro original era o Iommi. Não tinha nem o Giza, nem o BioID.

?Voz A

Sim, a volta deles veio bem depois, e isso antes do Ozzy. Mas assim, a gente tem aqui a questão de identidade, e esse jovem é difícil ele se prender nessa identidade. Isso não quer dizer que não tenham identidades hoje, agora até mais forte. Se você imaginar que o new metal tá voltando, eu não duvido que a molecada volte a consumir heavy metal, como se consumia antes. Então já começa a ter gente que segue uma identidade, mas identidade ela é mais maleável, vamos dizer assim.

Não é difícil, por exemplo, um fã de Iron Maiden gostar de algum trap, ou sei lá, a mocinha que dança até o chão lá na festinha da escola, chega em casa e vai ouvir um Welcome to Hell do Venom.

?Voz B

Sim, não, então, cara, é porque até mesmo a forma que a gente, que as pessoas consomem música, a gente já falou aqui, questão da lógica dos streams e tal. E tipo, até essa questão aí, o consumo de música hoje em dia é playlist. Então aquele negócio, e muita gente que vai ter a playlist, que assim, a playlist ela, ela tem uma coisão muito mais em relação, por exemplo, aquilo que a pessoa ao ouvir, ou alguma atividade que a pessoa está fazendo, do que temática, né?

Por exemplo, você vai ter metal para puxar ferro, sim, ou o cara vai colocar lá tipo playlist de dores de corno, e aí o cara coloca lá Chitãozinho Chororó e Sonata Ártica, que inclusive faz um par maravilhoso, tem que concordar. Dor de corno, porra, é claro, Sonata Ártica e Chitãozinho Chororó.

?Voz A

Eu concordo plenamente, eu concordo plenamente, concordo plenamente. E aí chegamos no seguinte, né, que foi inclusive da onde veio a minha ideia para esse programa, que quando o cara tava, tinha comentado lá que não existe mais aquela coisa do gênero único, né? Por exemplo, isso aqui é rock, isso aqui é heavy metal, isso aqui é power metal, porque ele falou que hoje as bandas passam por um processo que ele não esse nome, esse nome que tá no Sou Eu, de hibridização.

Quer dizer, os gêneros, a distância entre os gêneros fica um pouco menor. E só que, só que qual que é o problema com essa coisa de achar, nossa, artistas misturam para caralho? Gente, isso é velho para um caralho. Quando a gente pensa em, inclusive eu até mesmo vou dizer, durante uma boa parte, o que faz a década de 80 ser muito nostálgica para muita gente é que se misturava mais do que se fazia nos anos 2000, por exemplo.

?Voz B

Sim, então, e sem contar de colaborações também, né, cara? Principalmente na década de 90 tem bastante. Sim, fim de 80 e 90, né, pô? A gente tem um estilo que nasceu de parcerias, né, que é mistura de metal com rap.

?Voz A

Sim, quando você tem o pessoal do Anthrax com o Public Enemy e o Aerosmith com Run-DMC, chega o Biohazard e faz um crossover.

?Voz B

Sim, e faz todo, não, e o Biohazard, aí você tem uns caras que pegam mais assim na temática e na cadência, que é o Suicidal Tendencies, por exemplo, que ele já fazia isso muito antes, qualquer collab.

?Voz A

Sim, é muito, mas eu até gosto de falar sobre eles porque assim, em tese eles são uma banda de crossover trash, mas cara, eles são muito diverso que isso, porque é muito louca a mistura. Voivod fazer umas coisas assim também. Aliás, a gente tá falando de misturas, ó, metal anos 80, coisa dos 90, tem muito metal com mistura, muito rock mistura. Voivod, que misturava com circuito industrial, tem o próprio Insiders Tendencies, tem o Biohazard, tem o— deixa eu ver aqui mais— tem o Body Count, que Ele entra naquela questão de ser o rap metal, né, que eles chamavam.

?Voz B

Então, então, sem contar aquela questão que assim, da mesma forma que o rap com metal e crossover, você tem vários estilos que surgiram depois, o próprio metal industrial.

?Voz A

Sim, ele é uma criação dos anos 90, metal industrial.

?Voz B

Sim, porque você pega lá às vezes algumas coisas que tinham até elementos de dance, tecno com metal.

?Voz A

Sim, ó, você começa com o God Flash, que vai ter influência lá do dos primórdios do industrial. Entra depois o Skrull, que é uma banda cristã inclusive, que eu descobri esse tempo. Aí tem o Filter, pô, Filter é do caralho. Aí depois vai ter uma grande explosão porque lá na Alemanha a galera entra numa onda de bandas de metal, que muitas vezes são consideradas como metal, que vai misturar com eletrônico. Quando entra o Rammstein, onde entra o— me fugiu o nome dos carequinha lá, do Eisbäcker, Aí depois chega nos Estados Unidos, você vai ter o Ministry, que vai sair do synth pop para virar metal pouco depois do Godflesh entrar na cena.

Aí tem o Fear Factory, que já vai para um lado mais metal, mas um som bruto, sabe, brutal mesmo.

?Voz B

E talvez se pegar de efeito assim um pouco mais longe, só que aí já indo para alternativos, tem o Static-X também.

?Voz A

Sim, pronto.

?Voz B

Muita batidona assim, bem, bem industrial. E sem contar que também, pô, você tem muito também de muita parcerias dessa é por causa do cinema. Por exemplo, você pega a trilha sonora do Spawn, que é uma mistura de música eletrônica assim pesadona com metal.

?Voz A

Você tinha lá o Slayer com o Atari Teenage Mutant Ninja Turtles, por exemplo, que aliás Uma boa banda de um cara muito bosta, que é o Alec Empire.

?Voz B

Na verdade são duas, né, duas bandas de caras muito bosta.

?Voz A

É verdade, verdade. Ler também. Ah, mas o Kerry King ainda é Reserva Moral, então não, cara. As parcerias aqui são coisas muito bonitas, cara. Peguei aqui para dar uma olhada, ó. Você tem o Filter, que eu acabei de citar, com Crystal Method, que é uma parceria muito improvável. O Merlin Manson com Snickers Pimps, que é um grupo mais dançante, Sneaker Pimps, né, que ele é um grupo de um grupo bem eletrônico. Aí você tem o Orbital com Kirk Hammett, o Both House Suffers com o Moby, cara.

Isso daí eu acho que o cara que pensou essa parceria tava cheirando cola, mas é muito legal a música, tá, é muito bom. Você tem o Metallica com o DJ Spook, né, então você imagina thrash metal com trip-hop. O Prodigy com Tom Morello, o Slayer com o Danny DeVito, no que o César já citou, o Stab and Waste With Ink. Cara, é muito boa essa trilha, de verdade. Ah, do Mortal Kombat também, se a gente for falar de trilha sonora com essas pegadas, Mortal Kombat também tem.

?Voz B

É que Mortal Kombat tinha muita coisa original, né? Por exemplo, a do Spawn não, do a maior, o grosso da trilha são essas parcerias, né, cara?

?Voz A

Sim. Então, e aí a gente pode dizer que era uma banda disso e aquilo, mas os próprios anos 90, começo dos anos 2000, tinha muito dessas coisas. O próprio nu metal é um gênero nascido de mistura. A gente pode dizer que os estilos ficaram mais duros de 2000 até 2015, 2015, mais ou menos, para média?

?Voz B

Eu acho que não. Eu acho que na verdade eles eram duros antes. E aí na década de 90, que inclusive MTV foi, foi um canal que fez com que isso misturasse, porque entre outras coisas é um negócio que colocava um monte de gente que não tinha nada a ver tudo junto, entendeu? Em várias ocasiões, não só nas premiações, entendeu? Então tipo era era um, assim, era um ambiente favorável para esse tipo de mistura.

?Voz A

Concordo, né? Eu concordo plenamente, concordo. E acrescenta ainda mais, César, ainda mais no começo dos anos 2000, que MTV perde força, você passa e você começa a ter aquela questão do MP3 e tudo mais. Aí você começa a ter uma consolidação. Não que não existisse essa coisa como a gente situava, quer dizer, tem que ser true e tudo mais, mas você pega um ano 90 90, que foi um período de muita experimentação. Muito gênero experimental nasceu nos anos 90: post-rock, post-metal, math rock, jazz metal.

Essas coisas tudo é cria dos anos 90, subdivisões do death também. Sim, death metal técnico, death metal europeu, death metal americano, death doom, quando surge lá Cathedral. Aí você vai ter no começo dos anos 2000 o slam, né, que é o death metal mais devagar e mais influência de hip-hop. Aí você vai ter o jazz death metal com Eiffel Duaf e coisas do tipo. E nem vou falar da subdivisão de black metal porque aí a gente vai gastar um programa inteiro.

Black metal é um estilo que subdivisão surgiu muito. E porque eu tô falando que esses anos 2000, até mais 2015 isso ficou meio parado, porque você começa a ter uma reação a essas misturas todas e a gente tem uma impressão de que heavy metal sempre foi heavy metal, rock sempre rock, e não é bem assim. Então essa coisa de gênero híbrido sempre existiu. O que acontece agora é que é o seguinte: o gênero puro, ele é mitológico. Não existe rock puro, não existe metal puro.

Todo metal ele flertou com alguma coisa que não era metal em algum momento da carreira? A gente fala, fala a verdade do Iron Maiden. O Iron Maiden flertou com muita coisa que não era metal, cara.

?Voz B

Assim, é até porque, por exemplo, a gente fala de rock, cara, ele é um gênero que assim, ele surge num lugar, num conceito específico, né? Evolui do blues lá dos negros dos Estados Unidos e aí de repente ganha o mundo. Então assim, cada lugar que vai, vai ter ali, a pessoa ela vai puxar elementos da cultura local dele e tal, vai ter. Por mais que em alguns momentos possa não ter isso, por exemplo, até no Brasil tinha uma grande— quando surgiu o rock aqui tinha uma grande, uma grande celeuma, né?

Porque de um lado você tinha os paladinos da virtude, que era o pessoal da MPB, e os vendidos, que era o pessoal do rock. Não vou defender também o pessoal 100% do rock, porque muita dessa galera nova rock era rico, né? Então convenhamos, né?

?Voz A

E deve também, viu, César?

?Voz B

Não, não, tudo bem. Até porque MPB, convenhamos, né, é um samba domesticado, né, embranquecido.

?Voz A

Em muitos casos sim, em muitos casos é.

?Voz B

Não, praticamente em quase tudo, né? Tirando quando o pessoal começou a fazer as misturas. Aliás, MPB não, digo bossa nova, desculpa. Bossa nova é isso. MPB tem outras coisas, bom me corrija.

?Voz A

Porque na verdade, se a gente for falar de gênero no Brasil mesmo, é tudo nascido de hibridização. Então a ideia de que um gênero musical foi sempre puro, aí eu vou colocar algo que vai ser meio polêmico: só banda medíocre consegue tocar gênero puro durante muito tempo. Nenhuma banda vai ser 100% aquele estilo, Motorhead, que era uma banda quadradassa nesse estilo, é, consegue ser igual por muito tempo?

?Voz B

Cara, melhor exemplo, Black Sabbath. Porque assim, tudo bem que a gente comentou e tal e chegamos num denominador, num ponto que a gente falou, pô, Black Sabbath ele não é metal, né? Ele fazia um proto-metal. E não são os únicos criadores do metal, mas em algum momento chegaram a tocar metal. Mas por exemplo, você tem um um monte de estilos que nascem do Black Sabbath. Você tem o Master of Reality, gerou um estilo.

?Voz A

Sim, por exemplo, não é o doom metal, é inteirinho Master of Reality, a batalha do Candlemass, do Pentagram, do St. Vitus. Aí você vai pegar lá a fase do James Dio, aquilo ali é power metal já. Aliás, vocês pode falar de Black Sabbath heavy metal mesmo? Mesmo é a fase do Dio. Aquilo ali sim é heavy metal, heavy metal para caralho, inclusive riff de heavy metal e tudo mais. Até porque o Black Sabbath também vai dar origem ao Stoner, em certo modo, no Metal of Reality e no volume 3, por conta das influências lá de rock psicodélico, que o Stoner é meio isso.

Volume 4. Então assim, nós temos— o que acontece agora é que antigamente, quando a gente falava o surgimento de um gênero musical, a gente tinha toda uma subcultura que nascia dele, né? Por exemplo, vai surgir o power metal, existe uma subcultura de fãs de power metal, inclusive com estereótipo. Por exemplo, o cara do fã de heavy metal quase inegavelmente é um cara que gosta de fantasia medieval. É regra para isso? Não, tem muita gente que eu conheço que gosta de power metal e detesta fantasia medieval.

Mas o fã padrão vai ser o cara que gosta de fantasia medieval, é o cara que que vai ser fã de Senhor dos Anéis, vai jogar RPG.

?Voz B

É aquele cara que recebe 30 cantadas por noite porque sempre chega um cara lá, oi gatinha, porque vê o cabelão do cara lá e acha que é mulher, e quando vai ver é um cara. É exato, é um cara que gera muita inveja em muitas mulheres porque tem cabelo melhor que muita mulher, inclusive.

?Voz A

Exato. E em nenhum momento esses caras vão ser chamados de viado, Olha que coisa engraçada, né? Nenhum deles vão se chamar de viado, porque isso é ser macho para caralho. Então agora a gente tem uma coisa que é um pouco diferente. Na verdade, isso é assim, toma, desde o final dos anos 90. Esses novos gêneros não geram subculturas completas. Ele vai gerar, na melhor das hipóteses, algumas cenas. E essas cenas são coisas interessantes porque elas vão juntar as pessoas muito mais pela identificação com aquilo ali do que um código de vestimenta, um código moral.

Claro que isso daí mais cedo ou mais tarde pode virar uma subcultura, mas é meio difícil porque a gente vai ter, por exemplo, você tem até o chamado bedroom pop, que eu descobri recentemente esse gênero, e é interessante porque bedroom pop seria mais ou menos o que a Billie Eilish tinha feito primeiro disco, sabe, que ela fez no junto com o irmão. Aí você vai ter o Hyperpop, que é o pop com música experimental. Então é o pop que não é pop.

Aí você vai ter o Jazz Rap, que é muito legal isso daí. O funk 150 BPM, que vai gerar uma cena. E isso é legal porque a partir de agora a hibridização dos gêneros, as microcenas desses gêneros, elas vão ser muito mais dispersas densas e muito mais efêmeras. Em muitos casos, algumas vão durar e virar gêneros musicais mesmo. Por exemplo, hip-hop já é um gênero musical hoje, ele é um gênero. O bedroom pop, o bedroom shoegaze, já são gêneros que estão se consolidando.

Funk 140 BPM já nem quase ninguém mais fala disso. Então virou uma divisão do funk, mas não é, não gera uma cena disciplina, uma cultura dentro daquilo ali. Só que esses microgêneros, eles têm uma vantagem, eles têm muito mais espaço para experimentar. Coisa que aí você disse muito bem, os gêneros anos 80, 90, eles eram gêneros muito duros. Então a experimentação era uma coisa muito bem-vinda, porque as pessoas estavam cansadas daquilo.

Como aliás as pessoas também estão cansadas hoje, porque Hoje nós já até comentamos isso alguns programas atrás. Por que que o Anjinho de Poitrine conseguiu ter hype sendo uma banda esquisitaça de propósito musical, de aparência? Por quê? Porque as pessoas querem algo novo.

?Voz B

Sim, é que porque, aliás, as pessoas querem algo, é que na verdade até a evolução, né? Porque se a gente for ver há 10 anos atrás, mais ou menos, aliás, mais de 10 anos, né? Por exemplo, teve aquela coisa que que foi aquela parceria do Lou Reed com o Metallica, que saiu um negócio estranho, só que a maior parte das pessoas não gostou. Hoje já, hoje já seria recebido de alguma forma diferente, provavelmente.

?Voz A

Eu tenho minhas dúvidas, porque aí entra num problema que também a questão de por que que a hibridização ela não é uma coisa tão simples, porque ali as pessoas ouvem o Metallica, elas esperam algo do Metallica, mesmo sendo uma banda que nos anos 90 em diante cagou para o mercado musical.

?Voz B

Eles cagaram, mas não, eles não cagaram para o mercado musical, eles cagaram o, como é que eu posso dizer, tipo, eles meio que cagaram para aquela, aquele negócio de tipo, a gente é uma banda de thrash metal. Falaram não, tinha uma banda de rock, a gente toca, a gente toca, sei lá, sei lá, o que vende mais, o quem se sinta melhor, sei lá.

?Voz A

É tanto que eles fizeram, tanto que quando eles gravaram o Load, eles estavam muito numa vibe de grunge. Aliás, fase essa que o Bruce Dickinson também tem uma fase grunge na carreira dele, que aliás é um baita disco, que é um baita disco, cara. Skunk Works, porra.

?Voz B

E é até porque aquele negócio é porque é grunge com aviação, né? Você tem um monte grunge de música lá que fala de aviação, que era na época que ele tava se interessando por isso, né, depois que ele veio se tornar piloto. E é, se bem que o Metallica, ele é um misto, né, porque no caso do Metallica no Load era grunge, e depois das sobras do Load é country, né.

?Voz A

A mala-sede mesmo lá do Load é uma série, o Nothing Else Matters, tem um pouquinho country, country também.

?Voz B

Unforgiven 2, verdade, que é country assim, porra, 100%.

?Voz A

Aí você tem um Bon Jovi que na carreira solo vai investir num rock country durante uma época. Ah, você pega aquela, o disco Blade of Glory, cara, ele é um meio termo de hard rock com country, também era trilha sonora do filme, né? Então, e aí a gente tem essa ideia de que gênero, nossa, antigamente os gêneros eram puros. Não, nunca foi, cara. Bandas que eram muito puras são bandas medíocres. Toda banda que tem algum renome passou por fases em algum momento da tua vida que trocou um pouco a sonoridade, mesmo que seja dentro do próprio estilo.

E aí a gente pode pegar como exemplos mais próximos da gente o Sepultura e o Angra.

?Voz B

Eles transitaram, é que na verdade tanto Sepultura quanto Angra, eles pegam elementos da música brasileira e incorporam na— é que o Angra ele experimenta em alguns momentos isso, né? O Sepultura ele faz muito, ele tem isso muito mais como, ou tinha isso muito mais como bússola dos caras no começo lá, né? Até culminar no Roots, né?

?Voz A

E o Angra até o Hollyland, porque depois— não, minto, até o Tap of Shadows.

?Voz B

É, na verdade foi o foi o Holy Land, o Temple of Shadows, né? Porque se você pega antes, você tinha muito mais influência de música, música erudita europeia, né?

?Voz A

É, você pega o Fireworks, tem influência disso. Aliás, Fireworks é basicamente metal europeu. Aí você vai ter o Rebirth, que tem muita influência de música brasileira, tem até uns maracatu no meio. Aí você vai pegar o Hunters and Prey, que já é mais europeu. Aí você pega o Temple of Shadows, que é o ápice Depois só disco com influência europeia. Tem o Aqua, que é horroroso. Aí você tem todos os Scullione, que são todos discos.

?Voz B

É que você já começa com o Angels Cry, é música europeia.

?Voz A

Sim, embora Angels Cry tem um forrozinho no começo, né?

?Voz B

Ah, sim, sim, tudo bem, pode até ser mesmo isso.

?Voz A

E mas assim, é bem, não é que nem no Hollyland que ele incorpora o melhor lá. Dili, eles ainda estão encontrando um caminho. O Sepultura tinha muito uma proposta de oferecer coisas do Brasil, principalmente no Chaos Age e no Roots, né, que são, que é o binômio que eles— mas assim, o Sepultura é uma banda que vai flertar com hip-hop, vai flertar com rock alternativo, vai flertar com pop em alguns momentos, com a fase do Derrick. Então assim, essas bandas vão experimentar outras coisas.

?Voz B

E até porque aquele negócio, uma banda que simplesmente ela de repente ela fica num momento assim muito cristalino, assim muito tipo, ah, eu faço só isso, ela acaba sendo meio que esquecida, vira banda de nicho. Porque tipo assim, ela não vai ter tanto alcance, vai ter meia dúzia de gente que vai gostar ali, que gosta daquilo ali especificamente, enquanto Inclusive igual, por exemplo, porque a gente lembrar aí que, se eu não me engano, a gente fez o primeiro Groundcast Pipoca lá, que acho que foi do Detroit Rock City, que os caras zoam isso inclusive, falando que os caras odiavam disco, não sei o quê, e falava que eles nunca iam fazer um disco, um álbum disco, sendo que eles fizeram depois.

?Voz A

Fizeram. Ah não, e não só isso, eles fazem um álbum disco e depois fazem um algum prog com o Helder.

?Voz B

E na década de 90 eles fizeram um disco grunge antes do acústico.

?Voz A

Sim, sim, que é muito bom inclusive.

?Voz B

Sim, não, e o KISS é o melhor exemplo, porque assim, o KISS faz qualquer coisa para ganhar dinheiro. Se deixasse, se deixasse, por exemplo, se os caras ainda tivessem energia, era capaz do KISS fazer tipo, sei lá, um disco de covers do Calcinha Preta, se isso fosse dar dinheiro.

?Voz A

Ah, não é só você ver, ó, o Creator mesmo. A gente fala do Creator, pô, o Creator fez 2 discos de gothic rock. Sim, porque era uma época que o Emílio Petruzza tava só escutando isso. Tanto tem até em Diorama com participação do Tilo Wolf, do Lacrimosa. Então assim, a gente tá falando de hibridização, não é algo novo. Aí você vai ter a galera do gothic metal que vai apostar na música eletrônica, que você vai ter o Paradise Lost com disco eletrônico, o Tetra de que 2 discos eletrônicos, o Madden Bride, que vai arriscar um pouquinho isso lá no disco, o pessoal não vê muito bem, é um disco muito bom também.

Então assim, essa questão a gente sempre teve. Só que aí existe uma crítica para questão de hibridização, quando diz assim, ah, se você mistura de tudo você não chega a lugar nenhum. Diz que você tenta agradar todo mundo, não agrada ninguém, que a fusão pode ser sem critério, que pode virar ruído. Mas sabe o que eu penso do pessoal que critica muito essas bandas que misturam coisas. Será que não é essa a ideia da banda? Você realmente—

?Voz B

isso, então, é que eu acho que assim, é que depende também assim, porque é um negócio muito— porque assim, entra nesse ponto aí que você falou, que assim, será que não é o que a banda quer? Porque, por exemplo, eu posso pegar coisas assim que contrastam muito e colocar de uma forma forçada. Por exemplo, forçado eu digo assim, por exemplo, eu coloco de uma forma não harmônica, talvez eu queira fazer isso, meu intuito seja gerar incômodo, né?

Meu intuito seja isso, seja fazer algo baseado na dissonância, não na consonância entre as coisas, entre os elementos. Mas muitas vezes assim, isso acontece de forma involuntária porque as pessoas não sabem misturar as coisas. Concordo. Então eu acho assim, eu concordo com quem reclama quando você tem uma mistura que é sem critério, quando você mistura só misturar, porque tem gente que sabe fazer isso.

?Voz A

Não, e às vezes é só misturar para misturar que a pessoa quer. Mas eu entendo que você tá falando porque a gente pensa num dos casos que para nós é bastante crítico, que é o SM do Metallica. Eu acho que esse é um caso que assim, é bonito o disco, pô, é um disco bonito, bem gravado, é bem produzido, mas as coisas não entram. Você tem um pessoal de música erudita que só tá fazendo a base para banda.

?Voz B

Não, nem base, eles estão fazendo um arranjo que não conversa com o que a banda tá tocando.

?Voz A

É diferente do Scorpions quando faz a versão sinfônica das músicas deles, eles incorporam a orquestra. Tanto você vai ter lá Like a Hurricane versão com orquestra, cara, é maravilhosa.

?Voz B

Fica até maior.

?Voz A

Fica até maior. Malmsteen, quando vai gravar com a Filarmônica, porra, o Malmsteen escreve a peça inteira para conversar a guitarra com a orquestra.

?Voz B

Cara, na verdade a gente tem que falar do Deep Purple, que foi o primeiro que fez isso.

?Voz A

Sim, que é muito bom também. Então quer dizer, essas coisas de hibridização, elas funcionam. Eu só Eu assim entendo quando a coisa parece que não dá liga, quando você pensa que assim a pessoa não teve um trabalho de as linguagens conversarem. Então nisso a gente chega no seguinte, que o gênero musical ele não morreu. Olha que delícia, o gênero musical ele não morreu porque eles ainda organizam o mercado, mercado ainda gira em torno disso, quer queira quer não.

Por mais que algumas bandas sejam muito difíceis de vocês colocarem um rótulo, Você ainda precisa dele para poder organizar o mercado. Aí você tem os prêmios como Grammy, que em cima de gênero musical, o Grammy Latino, o VMA, o Eurovision. Então não dá para a gente dizer o gênero morreu. O que vai acontecer, vai ficar cada vez mais difícil de você jogar uma banda no demantelar da caixinha apenas. E é isso que a gente até comentou da polêmica do Grammy, dos indicados a disco de rock, ou foi performance de metal, performance de metal, que foi o Knocked Loose que ganhou.

Não, foi o Turnstile, né? Isso, aquela banda punk lá que não tem nada de metal, cara, tem nada de metal, que o mais perto que chega é punk, é um hardcorezão e com um monte de coisa. E aí a pessoa falando, ah, mas Spirit Box podia ter entrado, cara. Nem Spirit Box entra, cara.

?Voz B

Spirit Box tava mais perto. Todos os outros que estavam lá são de gêneros assim não muito— tem um outro que tem um gênero bem definido, mas todos eram mais adequados do que o Turnstile.

?Voz A

Ah, mas com certeza eu não achei ele tão estranho se fosse o Spirit Box, porque metalcore tá mais próximo do metal do que hardcore.

?Voz B

Não, e também porque, convenhamos, para uma coisa mais tradicional, metalcore é metal.

?Voz A

Sim, sim. E na verdade metalcore ele é metal. Sim, por mais que muito metaleiro brigasse, o Metal Archives abriu uma seçãozinha só para metalcore, porque metalcore é metal. Não tem, não tem como conversar. Levou muito tempo o pessoal assumir isso, mas até porque banda de metalcore estão na mesma cena das bandas de metal, mas mais separada. É só você ver pelo show lá de despedida do Ozzy, você tinha banda de metalcore lá, tinha lá o Labour of God.

E dizer que aquilo ali não é metal, Slipknot é metal, por mais que não seja o metal que o metaleiro espera, é metal. E também acontece o seguinte: como se organiza playlist tag em streaming se você não tem gênero? O que vai acontecer é que você vai ter muitas muitos tags às vezes para uma banda, né?

?Voz B

E às vezes você tem os rótulos que a própria banda ou cena cria, né? Sim, por mais que não façam sentido nenhum.

?Voz A

Porque, por exemplo, eu nunca vi o Spirit Box falando que eles tocam metal. Só que olha que engraçado, Jinjer, por outro lado, já é considerada metal. E se nós pararmos para pensar, eles estão mais ou menos na mesma linha, Spirit Box e Jinjer, ainda que o Jinjer seja mais técnico. Mas o Ginger tá mais próximo, tá na mesma linha do pessoal do Spirit Box. E Ginger você tem menos contestação de que aquilo é metal do que o Spirit Box. E o Spirit Box também tá mais próximo do metal do que o Turnstile.

?Voz B

Também, porra, meu peido tá mais perto do metal do que o Turnstile, sabe?

?Voz A

Então quando a gente tá falando sobre isso, a gente tá falando principalmente de que TAG ainda organiza playlist, ainda organiza premiação, embora vai ficar cada vez mais difícil da gente conseguir fazer isso. Eu vejo muito isso por causa de algumas bandas e alguns movimentos que têm surgido de novo. O grunge gaze, que é o shoegaze com grunge, que não é nenhum nem outro.

?Voz B

Eu acho que não fica tão difícil, sabe por quê? Porque aquele negócio, como você tem você tem várias bandas que pegam vários elementos, muitas vezes o que você vai fazer é tipo, cara, é uma banda que abraça vários estilos.

?Voz A

Não, sim, vamos ter isso aí também. É que nem o caso da Vena, né? Eu acho que o caso dela é um dos mais emblemáticos nesse sentido, porque ela é originalmente uma banda de metalcore, mas é metalcore só em uma ou duas músicas. Porque tem música dela, cara, que pega muita influência de metal industrial, muita coisa do nu metal. Agora tá numa pegada quase death metal em algumas coisas. Então a gente não consegue dizer. E o pessoal cascava muito dela, inclusive ela fazia muito vídeo zoando os cara falando que ela não era metal suficiente para fazer o que ela fazia.

E tem todos os elementos de metal extremo, tem guitarra distorcida no tem uma dança mais baixa, tem até visual mais extravagante, você tem vocal gutural ali. Só que ao mesmo tempo tem pop, ela tem muita melodia pop ali no meio. Então hoje é mais complicado de você colocar numa caixa, e o público ainda se identifica por gênero. A gente vê muito isso com a galera do K-pop. Embora K-pop seja um gênero, um guarda-chuvão para muita coisa, então você pega um BTS, você pega um Blackpink, você tem coisas bem diferentes.

?Voz B

Ah, tem, tem, mas é também porque, pô, você tá comparando aí artista masculino com feminino.

?Voz A

Então, mas quando a gente fala de pop, por exemplo, Michael Jackson e uma Madonna são mais próximos musicalmente falando, até pelas influências de música negra que a Madonna pega lá nos anos 90, do que você vai ter, por exemplo, de dois grupos de K-pop. E tudo bem, tá, não é um problema isso, porque K-pop não é exatamente um gênero, K-pop é mais uma tag de bandas coreanas.

?Voz B

Não, é, o K-pop é mais uma cena.

?Voz A

Sim, é mais uma cena, é tipo um idol no Japão. Sim, exato. Aliás, na verdade é a versão coreana dos idols, na prática acaba sendo isso. Só que não é só para, só que não é só para homem, né, para mulher também.

?Voz B

E tipo, porque é mais ou menos você pegar igual pop nos anos 90, você ter pop masculino e feminino, que por mais que tivesse tipo, ah, é um grupo de pessoas que canta e faz coreografia, era algumas coisas diferentes até em temática, coisa do tipo.

?Voz A

Mas você conseguia ter alguns detalhes ali. E também a gente pensa que gênero ele valida gosto musical, porque quando você escuta uma banda, a não ser depois de uma idade, tipo a nossa idade, depois dos 40, que isso passa a ser irrelevante, é, você espera que uma banda de um estilo X produza uma música Y e você vai atrás de músicas Y. Então, por exemplo, vai, eu gosto de Gamma Ray, eu vou procurar o Halloween, eu vou procurar o Bloody Guardian, eu vou procurar o Rhapsody of Fire, vou procurar o Angra.

Aí depois que eu já cansei dessas bandas maiores do gênero, eu vou atrás do Firewind, eu vou atrás de um Freedom Call, e vou indo cada vez, mas tudo dentro dessa sonoridade Y. Powerwolf. Então a gente vai tudo numa sonoridade mais ou menos assim. Isso para quem quer descobrir banda nova é muito interessante, porque você já procura alguma coisa que é segura. E por que que eu falo depois dos 40 a gente meio que ignora isso, porque a gente perde o tesão de ficar procurando banda por estilo, né, cara?

?Voz B

Depende, tem gente que continua sempre ouvindo a mesma coisa.

?Voz A

Então, mas você percebe que ela não procura coisa? É isso que é um detalhe importante.

?Voz B

Inclusive assim, tem gente que fica muito contente, pô, porque igual, por exemplo, citei o Powerwolf, para mim foi uma surpresa. Tipo, eu vendo assim algumas coisas, eu vejo tipo, caramba, banda nova de power metal. Sim, nova entre aspas, Os caras, não sei quanto tempo que esses caras têm, mas eu chuto que deve ter menos de 15 anos, deve ser uma banda de menos de 15 anos. E tipo, você olha e fala, porra, power metal ainda, cara, sabe?

Eu fiquei surpreso. Nem digo se eu gostei ou não gostei, porque sinceramente nem ouvi tanto, mas eu fiquei surpreso quando apareceu.

?Voz A

Não, sim, sim, sim. E também você tem a questão dos microgêneros, né? O microgênero também cria cenas para si. Você tem o lo-fi hip-hop, que já nem é mais microgênero, cara. Lo-fi hip-hop já é um gênero sozinho. Eu descobri, fazendo essa playlist, que existe um gênero musical chamado dark academia, que são músicas sombrias para você estudar, tipo música clássica.

?Voz B

Tem? Daqui a pouco você vai colocar música para dormir também, é barulho, é barulho de chuva para dormir.

?Voz A

Não, cara, mas eu— mas o pior é que eu também achei que era zoeira. Eu fui pesquisar, existe mesmo uma ideia de que, ah, para você poder estudar, sabe, então tem um tipo de música específico que é colocado. Aí tem o funk, que eu acho que assim é ao mesmo tempo uma das coisas mais estranhas que você pode ouvir, e é muito coisa de jovem, cara, porque o funk que o pessoal acabou descobrindo é uma mistura do— ele é um gênero derivado do hip-hop e que ele era usado para fazer trilha de vídeo do TikTok.

Tanto que aí você vai ter subgêneros dentro do funk, né? O drift funk, que é aquele que é pesadão. Tem o Brazilian funk, que é você misturar isso com funk. E uma pessoa que faz muito isso é aquela Bibi Babydoll. E normalmente o funk tem aquelas temáticas meio geek, meio nerd aqui no Brasil. E também tem o shadow funk, que é o funk mais lento e distorcido, que é o que o pessoal usa naquele vídeo de maromba. Sabe aquelas coisas de música slowed e tal?

Vem bem daí. Também essa ideia. Aí você tem o sertanejo universitário, que também é um microgênero.

?Voz B

Aliás, só uma coisa aí, você falou do punk, agora eu lembrei que eu vi esse, eu vi o vídeo falando um negócio, eu fiquei muito indignado, que aí os caras falando, olha como é que tá o soft power do Brasil, começa assim. E aí falando, porque mostra um vídeo da Rússia mostrando lá um lançamento, acho de um um míssil, sei lá, um míssil novo dos caras. Aí fala, ó, o soft power do Brasil tá tocando funk, funk, com, e aí com funk lá, o cara cantando no fundo.

E aí fala, olha aí, ó, olha a música que os cara escolhe para o lançamento do, a ponta de uma arma que os cara tão fazendo. Eu falei, não, mano, não é possível, não é possível, cara.

?Voz A

Ah, quando você descobre que a BBB Babydoll pegou o primeiro lugar na Ucrânia Você colocaram humorista como presidente, cara.

?Voz B

Ucrânia não é referência.

?Voz A

Não, mas só para você ver o poder dessas músicas brasileiras. Aí depois descobre que essa região da Rússia, da Ucrânia, é cultura brasileira, faz muito sucesso por esses países.

?Voz B

Não, assim, eu não questiono, eu não questiono que a cultura brasileira ela alcança como qualquer cultura, igual, porra, você vai ver o cara lá em Juazeiro do Norte, o cara vestido de Akatsuki debaixo de um sol de 40 graus, caralho. É isso, é o cara achando que é um Musashi com dois cabos de vassoura nas costas, sabe? Isso em Chique Bahia. Então assim, eu não duvido que a cultura ela ultrapassa barreiras e ela pode, você pode ver manifestações culturais nos lugares mais remotos.

É que o meu ponto é que, cara, você falar de soft power brasileiro e fala desse bagulho, cara, eu me sinto envergonhado. E aquele negócio, lembrar que Ucrânia elegeu o Danilo Gentili como presidente.

?Voz A

César, mas veja bem, eu ainda prefiro que esse seja o nosso soft power, porque a nossa vingança contra muita bosta que a gente pega de outros países e lova com sussiluxo, cara.

?Voz B

Eu acho que a nossa vingança seria, por exemplo, não fosse aquele maldito imbecil de fralda do cachorro empalhado, era mandar um monte de gente de direita para Argentina. Só que eles não podem ir para lá porque lá os cara come burro.

?Voz A

É verdade, verdade. Ou às vezes os dois, né, cara?

?Voz B

Não, não, não, que o problema é que que eles estão comendo não no sentido bíblico. Então, mas pode ser, eles deixam de existir.

?Voz A

Então, mas pode, mas antes do sentido bíblico, mas antes do sentido não bíblico, pode ter sentido bíblico para maciar a carne.

?Voz B

Não, não pode, porque eles estão proibidos de ir para lá.

?Voz A

E aí tem uma outra coisa também que é legal, é que o gênero musical ele protege artistas menores porque Por exemplo, surge um artista novo de thrash metal, ele já sabe para onde que você quer que ele vai, para qual playlist ele vai, quem vai ser o possível ouvinte, quem é, como que a imprensa vai divulgar. Porque isso aqui é importante para a gente. Quando a gente sabe qual que é o gênero de um artista, normalmente quando a gente recebe pré-release vem para fãs de, e aí você tem uma série de bandas que, por exemplo, você vai pegar uma banda de thrash metal.

Thrash metal por si só já é um gênero bastante complicado Porque você vai pegar um Nevermore, você vai pegar um Metallica, e são bandas assim muito distantes entre si. Então agora você tem aquela coisa, ó, os para fãs de Nevermore, de Voivod, de Anthrax. Então quer dizer, você já direciona da banda pequena. E a gente pode concluir o quê com isso, certo?

?Voz B

Que na verdade gênero musical não vai morrer, ele não vai morrer quando a música for só Exato.

?Voz A

Aí assim pode matar gênero. Mas, e o engraçado é que aí vai virar um gênero que a música de IA, literalmente lixo, né? Exato. E a questão é que o gênero musical ele se torna hoje uma coisa menos fixa, vamos dizer assim. Hoje você ser uma banda de rock não diz muita coisa sobre você. É diferente, por exemplo, quando você fala que o Rolling Stones é uma banda de rock, você já tem mais ou menos uma ideia do que você espera deles.

Agora, quando você diz que o Spiritbox é uma banda de metal alternativo, não diz nada, diz nada para o ouvinte. Tanto é que a gente já tem até alguns artistas que são artistas multigêneros. Eu até separei aqui alguns, não sei se a gente vai comentar todos, mas Coloquei uma lista bem interessante, ó. A Björk, que era uma, começou com pós-punk, depois virou o que ela virou. Porque você consegue definir qual o estilo da Björk?

?Voz B

Eu não consigo. Eu consigo, música que não ouço. Esse é o estilo da Björk.

?Voz A

Sim, sim, sim, porque o César é aquele cara que não pega, não é pego pelo hype, né?

?Voz B

É assim, sim, porque aquele negócio, eu ouço coisas diferentes aqui, tem coisa que não tem como ouvir, cara. Sim, não vai. É igual Radiohead, cara. Radiohead é uma música lá que preza, o resto não.

?Voz A

Então, o Radiohead é outra banda também que oscilou entre estilos. Ele começa com rock alternativo lá no primeiro disco, depois vai para outros gêneros, principalmente música ambiente, música experimental, quando ele grava o Kid A. Que é o, assim, o Kid A disputa com o OK Computer em qual é o melhor disco do Radiohead, porque enquanto o OK Computer é mais rock, Kid A é mais experimental, mais ambiente. Tanto é que nesse momento, quando lançaram Kid A, a imprensa falou: Radiohead é Radiohead, acabou.

Aí tem o Tyler, The Creator, que começou como, eu conheci inclusive como artista de hip-hop. E hoje faz música que é pop, praticamente música de TikTok. Hoje o Telecreator, que é uma pena, eu gosto muito do Telecreator no começo, hoje eu já acho que tá meio, meio chato até. O Igor, que eu já entrevistei o Gutierrez, que imagina um death metal com música barroca, com breakcore e também com canto operístico. Isso é o Igor. E aí de repente o Gutierrez deixou, resolveu pegar lá a Patrick, né, que é a galinha de estimação dele, e botou para tocar uma sonata.

Esse é o cara. Tem uns Yngwie Malmsteen que vai fazer black metal com música afro-americana. Aí tem o Electric Cowboy, que eu descobri um tempo atrás, que eu até sigo essa banda no Facebook, no Instagram, não, no Spotify, porque eles são chamados de partycore pelos fãs, mas Sabe o que é legal, cara, do Electric Cowboy? É que é uma banda que mistura gêneros porque eles não estão nem aí. Sim, é uma banda que não se leva a sério.

Então não se levar a sério permite também não levar o gênero musical a sério, cara.

?Voz B

Então, que uma das coisas que aí depois eu fui ouvindo Electric Cowboy e tipo, e ouvindo mais vezes, até gostando, é você ver os videoclipes, cara. Que, por exemplo, eles têm uma versão daquela a música dance lá é Every Time We Touch, tá ligado? Porra, você vê o videoclipe, você lembra muito aqueles videoclipes tipo romântico da década de 90 de boy band.

?Voz A

Então não, e é bem por aí. Eu acho Electric Cowboy, primeiro porque o nome é um trocadilho muito sacana, né? Electric Cowboy, que não é cowboy, mas é pronúncia muito parecida. E assim, é muito engraçado, cara, porque assim é uma banda, e às vezes dentro de uma mesma música eles oscilam entre estilos.

?Voz B

Não, é, na verdade, o cerne dos caras é esse mesmo, né? Que, por exemplo, você pega igual Everytime We Touch, você tem tipo um metalzão com dance, pô. Você tem um disco dos caras que é mistura com techno.

?Voz A

E sabe o que é o mais engraçado do Electric Cowboy? Em teoria não era para funcionar desse jeito porque tudo jogado.

?Voz B

Sim.

?Voz A

E E aquilo que eu falei da banda, quando você falou, ah, a banda mistura as coisas, não tem coerência. O Electric Cowboy não tem coerência e é por isso que eles são geniais.

?Voz B

Não, não, não, o que eu falei de jogado, de não tem coerência, assim, é a pessoa colocar um monte de coisa por colocar um monte de coisa. É igual, por exemplo, eu lembro que você comentou um negócio assim que eu mandei, que eu mandei no Instagram o vídeo lá, não sei se você vai lembrar, que foi um, que que que a mulher fazia? Porra, o que que era que a mulher fazia? É que você não vai lembrar porque é um bagulho de receita, mas que eu mandei lá, que deixa eu ver aqui rapidinho, 2 minutos.

Ah não, você comentou de outra coisa, mas beleza. É porque assim, é que os caras misturam assim, tipo, é você colocar coisa que não tem, sabe? Sei lá, é como você fazer um yakisoba, você colocar feijão preto e linguiça.

?Voz A

Mas é mais ou menos isso que o Electric Cowboy faz. E é por isso que sou legal.

?Voz B

Então, mas o que eu tô falando é o seguinte: você fazer isso, você fazer, você ter uma, sabe, é você não colocar coisa só porque é moda, só porque—

?Voz A

ah não, eu não entendo. Eu tô falando de cowboy porque ele é exatamente antítese daquilo que você falou, mas entra muito no que você concordou comigo. É a proposta da banda ser assim, parecer que é só jogado.

?Voz B

Então, mas é aí que está, é porque é uma coisa que é pensado. Não é uma coisa que, ah, eu vou colocar porque é isso que as pessoas estão ouvindo.

?Voz A

Não, e no caso deles até poderia ser, mas é tudo um deboche tão grande, num pastiche tão grande que funciona.

?Voz B

Não, mas pior que não é, porque assim, porque se você pegar, você fala, cara, você quer ouvir tipo um dance da década de 90 numa versão metal? Tipo, a maior parte, se você pegar 10 pessoas, 7 pessoas vão falar Não, nem fodendo. Mas depois que a pessoa ouve, ela fala, cara, era isso que eu precisava ouvir.

?Voz A

É, tem isso. Aí nós também temos a Pop, né, que nós já comentamos várias vezes no programa, que o caso dela é muito interessante porque ela era uma YouTuber que fazia um conteúdo já bastante duvidoso, porque era esquisito o conteúdo dela. E era mais esquisito que uma mina muito branca com cabelo branco na época ela fazia os vídeos.

?Voz B

Ela era adolescente ainda, né?

?Voz A

Exato. Ela não tinha expressão no rosto dela, fazia, falava sem expressão nenhuma. E aí de repente, e ela começou a gravar disco de pop, né, muito disco de pop. Aí de repente ela deu uma virada de chave, mudou o visual, ficou um visual meio black metal e decidiu fazer metalcore, metal industrial.

?Voz B

Não, pior que antes dela mudar o visual ela já começou a tocar metal. É que tem o Ai Desagria, essas coisas, ela ainda tava com a mesma cara. Inclusive, pô, tem uma música maravilhosa que é com Creed, que ela tem essa cara, só que você vê que— e o disco Ai Desagria, inclusive, muito disso, porra. Tem, por exemplo, tem uma música lá no videoclipe que tá ela lá toda branquinha, tal, não sei o quê, de repente tá chovendo sangue na cara dela.

?Voz A

Nem esse contraste eu acho maravilhoso.

?Voz B

Aí, e Inclusive, só queria colocar um ponto, que uma das coisas mais maravilhosas da Pop é que, por exemplo, não sei se você lembra que tinha uns vídeos no YouTube de crianças reagindo, por exemplo, reagindo a tecnologia antiga. Por exemplo, pegar uma criança e colocava ela para usar um telefone antigo. E tipo, os caras dessa série pegavam os vídeos da Pop, aliás, pegava a Pop inclusive, e as crianças tinham medo da Pop, cara. Era maravilhoso, porra, mano, era muito engraçado.

?Voz A

Aí tem que a gente não pode deixar de citar aqui, ó, Babymetal. Porque, mas o Babymetal é mais um daqueles produtos que só japonês poderia produzir, né? Porque qual que é o interessante? Essas misturas de idol com alguma coisa existe no Japão de quilo. Tem idol com industrial, tem idol com math rock, que é muito bom inclusive. E aí decidiram fazer com idol e heavy metal. A diferença é que eles apostaram numa propaganda muito agressiva e furou a bolha, porque fora do Japão o pessoal começou a falar, porra, isso aí é genial!

Eu acho genial. Eu não gosto do babymetal, eu acho muito chato como metal, mas eu tenho que— mas eu dou meu braço a torcer, eu tiro meu chapéu, que é um trabalho genial.

?Voz B

Ai, eu gosto de algumas coisas. E assim, porra, a partir do momento a pessoa ela Ela chega, ela sobe no palco com o deus do metal, que é o Rob Halford. Eu não posso falar nada de uma banda, dos cara desse. Ah não, o cara fez uma coisa dessa, desculpa. Se Rob Halford aprova, quem sou eu para desaprovar?

?Voz A

Tem isso também, tem isso também. Ainda já estamos da Vena, né, que é uma artista lá de Auckland, na Austrália, Nova Zelândia. E assim, ela começa com metalcore, mas tem indie, tem eletrônica, tem rock alternativo, tem metal industrial, tem performance, tem clipes que ora tem um apelo pop, mas com alguma coisa grotesca. Então é difícil de classificar o som dela, eu acho dificílimo hoje. E eu queria citar que eu descobri semana passada, eu não sei se você já ouviu um grupo chamado Deez Pitts.

?Voz B

Tava ouvindo agora. Tava ouvindo, coloquei numa playlist aí, eu tava ouvindo que algumas semanas atrás teve duas coisas aí que apareceram para mim, que aí até coloquei na playlist para começar a ouvir, que um deles foi o The Speed.

?Voz A

Então eu confesso que eu tinha muito preconceito com The Speed porque, e isso que empresa musical às vezes é uma merda, né, e eu me incluo nisso porque eu faço parte disso, vocês têm que saber divulgar as bandas, gente. Você começa a ripar muito a banda e não explica exatamente qual que é a da música, a impressão que eu tenho é, até pela própria posição da banda, é mais uma banda com umas mina ali que faz um som meio, meio pica-murcha.

Eu fui escutar, cara, eu fiquei impressionado com o seguinte, cara, como que uma banda com som tão esquisito como The Speeds consegue fazer sucesso do jeito que eles fazem? Porque o som deles não é um som fácil de ouvir, porque muda os andamentos da música, no meio da música. É, tá tocando, sei lá, um baita new metal e de repente faz um jazz. Que porque o The Speeds é desses, cara. The Speeds tem assim, é muita coisa às vezes numa música só, mas funciona.

O mais legal é que funciona. Diz aqui na classificada, no Wikipedia, que elas tocam grunge, punk e heavy metal. Cara, teu cu, meu! Teu cu, cara, não tem só isso, bicho, não tem, cara. Você escuta muita influência. Por que diz que o Deespit se influenciou pelo Flashwater, que é uma baita banda inclusive? Outra banda também que é difícil classificar, o Deftones, o Mudhoney, o PG Harvey, o Nirvana, Avril Lavigne, o Black Sabbath, Iron Maiden, Megadeth, o High on Fire.

Porque assim, cara, como que você coloca uma banda pop que toca sludge. Tem música do The Spits que é sludge, numa pegada assim bem lentona, bem, bem pesada, e vende, cara. E aí, qual que é o estilo de The Spits? Eu não sei, cara. Porra, eu não sei, eu não tenho a menor ideia de qual estilo delas, porque não dá, cara. É muito difícil de classificar. E é uma banda que, porra, as mina tem seguidor para caralho, tem desde tem bastante underground de artista famoso que segue elas.

E eu fiquei assim, eu fiquei um tempo ouvindo aquilo ali, eu fiquei pensando, cara, como que uma banda assim tem tanto sucesso? E você, César, o que que você achou quando você ouviu o Despiste?

?Voz B

Ah, cara, ainda tô tentando ter uma opinião, né, porque eu tava ouvindo ali, que aí que até tava, que apareceu assim para mim, apareceu o Castor Red e depois o Despiste. Aí eu olhei assim, primeiro não dei nada, aí comecei a tentar ouvir, mas ainda não tenho uma opinião formada não, ainda tô ouvindo.

?Voz A

Eu fui ouvir um disco do The Speeds depois que apareceu para mim, e apareceu para mim por acaso, tá? Não fui procurar The Speeds, apareceu naquelas indicações da semana, sabe, do Discover Weekly, né? Fui ouvir, falei, e ainda apareceu na playlist de experimental. Falei, caralho, mano, é que banda estranha essa! E eu gostei, cara, eu gostei gostando de Speed. Eu não esperava, porque do jeito que era falado de Speed, parecia que era uma coisa meio pop rock.

Mas, cara, as minas fazem sludge. Como que você vai pegar um estilo que é um nicho do nicho do doom e botar para o grande público? Então, Speed é outro exemplo de algo que mistura 300 coisas, inclusive mais até que o Electric Cowboy, só que o delas é levado a sério.

?Voz B

Não, então é porque eles, elas misturam outros elementos, outras coisas, é outra metodologia. E aquele negócio aqui, para mim o algoritmo é diferente, né? Para você, para você algoritmo é, você tem as playlists e tal. Para mim apareceu no YouTube, entendeu? Para mim, para mim algoritmo é YouTube e Instagram, porra. É lá que aparece essas coisas aí às vezes.

?Voz A

É, não, eu acho engraçado porque eu descobri muita coisa no YouTube também um tempo atrás, principalmente muita coisa de português. É curioso porque como que os algoritmos trabalham, né? As informações elas são gerais, né? A gente vai gerando informação e meio que todo mundo tem mais ou menos as mesmas informações, mas o Spotify interpreta de um jeito, o Instagram interpreta de outro jeito, o YouTube interpreta de outro jeito.

Tanto é que muita banda independente eu conheci no Instagram, muita banda diferente eu conheci no Spotify. Muita banda de gêneros muito nichados eu conheço no YouTube.

?Voz B

Não, então, que aí o Instagram inclusive até parou de me, assim, tá me oferecendo mais agora, por exemplo, pessoas que tocam outras coisas, né? Por exemplo, apareceu até para mim lá uma pessoa lá tocando instrumento de sopro, né? Umas coisas assim mais ou menos estranhas que aí eu comecei a seguir, mas não aparece mais aquele tipo, aqueles links para playlists do Spotify.

?Voz A

Eu também tô sentindo falta, cara.

?Voz B

Igual foi o que me levou a redescobrir E aí começar a ouvir a pop.

?Voz A

Eu descobri um grupo, na verdade um projeto de um cara que foi parte do 90 Nails, que é o Micro Macro, por causa de umas playlists, playlist de música eletrônica estranha. E eu descobri um projeto de dark ambiente também pelo Instagram, né, que é o Instagram que me levou, me levou a redescobrir a pop, né, numa parceria com Com Bad Homies.

?Voz B

Exatamente, com Bad Homies, né, que aí depois me levou a ficar, a ouvir a Pop depois aí nessa nova fase.

?Voz A

É, eu meio que comecei a dar mais atenção para Pop quando eu vi a participação dela com o Health no Dead Flowers, que aliás o Health também foi outra banda que eu descobri pelo Instagram por causa de uma música que eles fizeram em parceria com o Nine Net News. É claro que o pessoal do Instagram sabe que eu gosto da Net News para caramba. Então, mas isso daí é só para a gente ver que classificar a banda é uma coisa muito difícil, muito, muito, muito difícil hoje.

Não para todas. Eu acho que assim, hoje o artista quer experimentar mais, ele quer fazer outra coisa para não ficar naquela que ele é década de 70 até década de 90. Se você perguntasse para um artista qual estilo você toca, ele não saberia dizer. E acho que a gente tá meio que voltando para isso, porque eu não consigo dizer qual que é o estilo do Electric Cowboy, eu não consigo dizer o estilo da FK Rain também, porque embora seja metalcore a base, não é exatamente o metalcore.

Eu não consigo dizer exatamente o gênero musical sei lá, do, é, do Witch Club Satan, que em tese é uma banda de black metal, mas não é só black metal. Eu tava ouvindo esses dias também, inclusive uma pessoa que eu achei muito legal nessa gente começar a ver a galera mais jovem, uma baterista de black metal que é a Bafi. E eu acho os vídeos dela muito loucos porque no começo eu consegui, comecei a seguir ela quando ela tava bem no comecinho, e um monte de marmanjão reclamando: nossa, como pode uma mina de cabelo rosa tocando black metal?

?Voz B

Não sei o quê.

?Voz A

E ela tá com foda-se e tá fazendo Black Metal pesadão, cara, bruto. Só que a mina toca de pijama e cabelo rosa.

?Voz B

Eu vi um negócio assim parecido hoje no Instagram, que era tipo um carinha, né, tipo negro, né, tipo. E aí, e aí eu vi, tinha um comentário, ah, nem ferrando que um Yuri Tard negro vai tocar, vai conseguir tocar a essência do do melhor do Gojira. Aí tá o cara lá, tipo, né, negro, o cara negro, né, americano, com a guitarra assim com as personagens de Yuri, né, de anime assim, né. E a guitarra é as cabeças assim de personagem de anime, né, tipo. E o cara tocando Gojira, pô.

?Voz A

É que eu acho que esse cara nunca deve ter visto um vídeo do Animals as Leaders, né, cara.

?Voz B

Ah, mas aí também, cara, o povo Não, eu também acho, pô.

?Voz A

Mas ela não vai tocar a essência do Gojira, cara. Você pega o guitarrista do Animals as Leaders, cara, é um negão que toca para caralho.

?Voz B

Sim, o Tozinho, a base lá, o cara é fodido.

?Voz A

Não, não, assim, não é fodido, é pouco, cara. Porra, primeira vez que eu vi The Best Leaders, eu achei meio ruim, cara, mas falei, deixa eu dar mais uma chance, porque, pô, tem uma galera legal que tá tocando com ele em show. E eu falei, cara, esse cara é assim, é absurdo o modo como ele toca, porque é muito técnico, tá? É muito técnico. Só que ele entra naquele técnico que ele é tão exagerado que funciona muito bem por conta disso.

E só que ele não tem firula. É uma coisa que eu gosto no Modus Lider, é complexo, é técnico, mas não é firulento igual Dream Theater, porque o pessoal O pessoal deve imaginar muito que a gente não gosta de Dream Theater porque a gente fala mal o tempo todo, o que não é verdade. Eu gosto bastante de Dream Theater, eu não gosto do firulagem do Dream Theater.

?Voz B

É, cara, é que tem muita coisa ali que é só, sabe, jogar para torcida. É, ah, eu sei que, eu sei que o cara que tá no show, muitos dos caras são os caras que vão nas minhas clínicas de guitarra, então eu vou ficar fazendo uns negócio que é só difícil por ser difícil.

?Voz A

É, não, e até pode ser só difícil ser difícil, mas faz algo que não mostre que é só técnica. Senão você vira igual o Malmsteen.

?Voz B

Malmsteen é um cara muito foda, as peças clássicas dele são muito boas, mas cara, eu acho que fica pior que o Malmsteen, porque dá para ser pior que o Malmsteen, dá para ser o Michael Angelo Batio, que o cara é fodido, o cara é fodido, toca muito, só que tipo é nada nada, sabe? Não tem uma música que você lembra, é tipo isso, que o cara já teve projeto, outros projetos lá, tipo, tipo o C4 e tal. E cara, sabe, no fim não tem nada assim que você fala, nossa, que é memorável.

?Voz A

Eu pego muito pelo Animals as Leaders nesse sentido, cara. Animals as Leaders tem cara que tem, você ouve aquilo, ele sabe, Animals as Leaders não é só uns negão que sabe tocar bem para caramba. Animals as Leaders é uma banda com personalidade.

?Voz B

E também porque assim, se você for chegar num ponto de fazer o negócio difícil, porque é difícil, daqui a pouco ela só vai ficar tocando escala exótica, subindo e descendo escala, e vira um Dragon Force. Dragon Force ainda pior que isso.

?Voz A

E sabe o que me entristece? Se bem que agora o Dragon Force é, talvez eu até me dê o trabalho de ouvir agora, porque eles vieram com uma proposta que eu achei muito bacana, chamaram lá porque agora A Alice, a cola branca. É, não, e você sabe que então a gente tá falando de hibridismo, cara. Você quer coisa mais coxinha que o power metal dos cara do DragonForce? E os cara chamaram uma vocalista de metalcore para cantar com os caras.

Eu acho genial, cara, porque porra, você tira daquele metal outra coxinha que são, que os fãs de power metal também são uns cara meio bosta nesse sentido. Ah, não sei o que que estiver gutural é feio. DragonForce colocou gutural ali e vai ser isso.

?Voz B

Chamou a mina que é muito mais macho que todos os caras da banda junto.

?Voz A

É, exato, exato. E eu achei legal isso, de verdade, eu achei legal. Mesmo sendo fã nem da Alice nem do DragonForce, eu achei legal quando eu vi essa notícia, porque mostra que até o power metal mais coxinha, mais chapa branca branca, que é o Dragon Force, até ele tá fazendo coisa diferente, cara. Então a questão de hibridização, ela é o que salva artistas da mediocridade. E isso quer dizer que você é obrigado a misturar? Não, você pode fazer o feijão com arroz, que ele funciona, ele alimenta, sabe?

Ele alimenta. Você não precisa o tempo todo comer, sei lá, uma lasanha de palmito pupunha com camarão dourado na manteiga de garrafa, com um pouco de ciboulete e molho de queijos. Não precisa ser assim. Você pode muito bem, o arroz com feijão ele é bom, ele sustenta, ele é acessível. Só que chega uma hora que a gente não aguenta mais comer só arroz e feijão, né, bicho?

?Voz B

Então é aquele negócio, né, tipo, mesmo que você vai tocar um estilo, sei lá, um heavy metal tradicional, tem gente que ainda ouve. Sim, você pode, se você, por exemplo, se você fizer um negócio minimamente autêntico, vai ter gente que vai gostar. Se você tocar um hard rock, tem gente que vai pegar e vai falar: não, não quero mais. Você tem espaço.

?Voz A

E isso, isso não quer dizer que você é menor. O que acontece é que a gente não pode cair na ilusão de achar que gênero musical é algo puro e que essa pureza, que nunca existiu, vai acabar. E é isso que eu acho legal do do que o vídeo do cara falou para levar para discussão. Porque o cara falava que o gênero musical tava acabando porque você não tinha mais banda que tocava só um estilo. E na verdade isso nunca existiu. Nenhuma banda grande, só para a gente repetir o que a gente já falou, nenhuma banda grande faz isso. Até o Queensryche fez coisa diferente quando tava no fundo do poço.

?Voz B

Aliás, até mesmo se você pensar, pô, você pega o próprio Metallica, o Metallica Ele começou com uma banda de thrash, hoje toca heavy metal, e já tocou hard rock, já tocou outras coisas, tipo, sabe, isso acaba sendo evolução, as bandas acabam agregando outros elementos, outras coisas, até porque os caras eles ouvem coisas diferentes, e às vezes o cara ele fala, porra, eu quero fazer coisa diferente, igual o Yes faz um disco comercial, pô.

?Voz A

Sim, mas é um comercial estilo Yes. Destaque, não é um disco também, é comercial, mas não é exatamente comercial em termos de composição.

?Voz B

Convenhamos, não é, não foi hoje que criaram que bandas se vendem, né? Sim. E justamente a banda dita como vendida é aquela banda que de repente ou ela atenua aquilo que ela toca, ela simplifica para ficar mais mais acessível, ou ela incorpora elementos que não tem a ver com aquilo que ela faz.

?Voz A

Sim, sim. E é isso, gente. Espero que tenham gostado do programa. Se vocês quiserem entrar em contato com a gente, nós vamos, nós estamos disponíveis no Grão de Cast em quase todas as redes sociais possíveis, menos no Instagram, que aí é Grão de Cast Brasil, porque tem um @baralho que já pegou nome de Groundcast e nem usar mais da conta.

?Voz B

Só posta, só tinha postado shitpost, mas a gente não pode pegar o nome, a gente não tem alcance suficiente para dar strike no cara e pegar o nome, né?

?Voz A

É, exatamente. E temos o contato @groundcast.com.br para quem quiser entrar em contato conosco, quem quiser dar um page view lá, que eu espero que muito em breve eu consiga retornar com os textos do Groundcast, que eu tô sentindo falta, mas sempre tem entrevista, sempre tem alguma coisinha ali. E é isso, meus queridos ouvintes, um grande abraço para todo mundo e vejo vocês no nosso próximo programa.