Companheira Estelar (feat. Sophia Chablau)
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Henrique Amaro
Marcelo Cabral
Miguel
Sophia Chablau
- Marcelo Cabral e Sophia ChablauMúsica de Marcelo Cabral · Colaboração com Sophia Chablau · Música gravada em fita analógica · Vivência juvenil em São Paulo
- Companheira EstelarMúsica dedicada à mãe · Dueto com Sophia Chablau
- Banda DesenhadaInteresse recente em banda desenhada · Blake e Mortimer · Coleção Falcão · Novela gráfica
Miradouro com Henrique Amaro. Dia de recebermos o Miradouro com Henrique Amaro e ficarmos a olhar para o que de melhor se produz através dos olhos do nosso Henrique na cultura lusófona. Viva Henrique! Olá Miguel! Quando entrei aqui percebi que estavas a fazer uma busca de livros, não é?
De livros? Ah, sim, estava a fazer aí uma busca de livros de banda desenhada. Voltaram a estar na moda? Ou nunca deixaste de ter? Não, eu por acaso até um interesse, diria, recente. Deve ter para aí... Quer dizer, em miúdo tinha duas ou três coisas que eu gostava muito. Gostava muito do Blake e Mortimer, mas nunca liguei ao Tintin ou a Asterix. Nunca liguei muito. Luke a Luke não.
Não, nunca. Não me lembro de ler um álbum desses. Não me lembro. O Blakey Mortimer foi o primeiro que me chamou a atenção e talvez nos últimos 15 anos comecei a dedicar-me mais. Eu, quando era muito miúdo, havia uma coleção que era a coleção Falcão. Sim. Que era de banda desenhada, preto e branco. E eu o devorava, achava extraordinário. Hoje, olhando à distância para os livros... Eu via muito aquelas coisas da Disney.
E mais a parte brasileira, os Zé Carioca Os Mickeys, eu não sei o quê Mas nunca tive assim uma grande Se calhar foi mais com a idade adulta Que eu me relacionei mais Não sou grande fã dos super-heróis Não é não gostar Não leio Marvel, DC Comics Para mim não é escola E gosto mais daquelas coisas Mais da vida real Tu és um colecionador, não é? De
De coisas? Gostas de colecionar, não é? Não necessariamente gosto de ter coisas que gosto E no caso da banda desenhada Quer dizer, atualmente já tenho algumas centenas Mas de coisas que fui recolhendo nos últimos anos E depois agora muito com, sei lá Se calhar com o que quando falaste há pouco está na moda ou não Essa ideia da novela gráfica Sim É, portanto
onde muitas vezes a banda desenhada é mal vista, às vezes pensa-se que é uma arte para apenas juvenil, e se calhar agora ganha um reconhecimento adulto, e dá-se também um grande reconhecimento à literatura que existe, portanto, às palavras que existem.
dentro da banda desenhada que era algo que durante muito tempo creio que foi assim um bocadinho renegado para segundo plano, era bonecada para miúdos e hoje ganhou se calhar uma seriedade, felizmente ganhou essa seriedade e eu se calhar sou um bocado, não é vítima mas acompanhei ou tenho acompanhado um bocadinho isso
E hoje, aquilo que nos traz é bonecada? Não, não é nada de bonecos. Trago um músico do Brasil que eu por acaso conheci porque eu fiz aqui um exercício de memória ele chama-se Marcelo Cabral. Eu creio que o conheci num concerto do Crioulo porque ele era baixista do Crioulo nas primeiras atuações do Crioulo em Portugal.
E pronto, não sei, já não me lembro, não tenho grandes pormenores, mas trocávamos umas ideias, uma afinidade entre as músicas que ele fazia, que eu gostava também, dos músicas que ele conhecia, e ficámos um bocadinho à conversa. E depois fui acompanhando o trabalho do Marcelo Cabral.
É engraçado porque ele começou a praticar skate Ele é da Lagoas, mas fez parte da sua juventude já em São Paulo E há muito essa escola do skate em São Paulo Muito mais do que em Portugal Aliás, no Brasil Hoje não há sequer, não é? Muito mais no Brasil, até que em Portugal Por exemplo, tens o Chorão, o músico que faleceu O músico do Charlie Brown Jr. era um grande skater Eles falam em skatista
O Marcel Cabral começou a andar de skate aos 8 anos, aos 12. Não era profissional, mas andou lá perto, competiu mesmo internacionalmente. E é engraçado ele trazer um bocadinho dessa... Há uma sonoridade que é muito skate rock, não é?
Sim, conforme os sítios onde tu estejas, mas sim, o rock está muito associado ao skate. Depois o hip-hop, se calhar se fores para os Estados Unidos, o hip-hop também aparece muito. Mas há uma escola, vá lá, da música do rock independente, muito ligado à escola do skate. Do rock independente, do hardcore, do punk, muito ligado à cultura skater. O Marcelo Cabral traz um pouco disso para este seu novo disco. Ele é baixista.
Ele começou na guitarra, depois tornou-se baixista Acompanhou a maior parte dos discos que fez com outros E ele é um colaborador de muita gente no Brasil Basicamente como baixista E este disco é um reencontro dele com a autoralidade E também com a guitarra E tentou, de algum modo, ele já tem feito Já tem dois ou três discos a solo A solo e em colaborações com outros músicos que foi É claro que ele já tinha feito É claro que ele já tinha feito É claro que ele já tinha feito É claro que ele já tinha feito
foi trazendo, mas tudo coisas muito experimentais. E aqui há um reencontro, vá lá, com a canção, com a sua voz, que foi algo que eu me surpreendi, que eu não conhecia, assim porque ele não era muito de cantar as suas canções, porque fiquei muito surpreso com a voz dele. É um disco que tem muitas colaborações externas, entre elas uma música e uma vocalista, uma compositora do Novo Brasil, que eu gosto muito, que é a Sofia Chablau, que participa em três ou quatro temas.
Foi um disco gravado todo em fita analógica, portanto não há aqui processo digital, o disco está carregado de textura e ele tentou trazer para este disco um pouco a sua vivência juvenil de São Paulo, anos 80, 90 e de algum modo também não copiar aquilo, não replicar aquilo que já tinha feito no passado. Eu gostei muito do disco, é um disco muito recente.
Como estamos, ou melhor, como ontem foi dia da mãe, eu decidi trazer aqui um tema que eu, quando comecei a ouvir, e ouvi duas ou três vezes a canção, talvez seja aquela que está mais próxima, vá lá, de um universo de música popular brasileira. O resto do disco se calhar é um bocadinho mais eletrificado e até mais próximo do meu gosto pessoal. Mas esta canção é muito bonita, chama-se Companheira Estelar. Parece que é algo dedicado à mãe do próprio.
e traz a Sofia Chablau, uma das vozes convidadas para o disco, com quem ele faz uma espécie de dueto. Portanto, Marcelo Cabral trazido para o Mirador de hoje.
Pãozinho na chapa e um café. Só quero um cantinho pra ver o domingo se estender. É dia das mães. Vejo o roseral. Trago nas retinas um rosto lembrando a solidão.
Deixo outra vida pensando surgir nova ilusão. É dia das mães. Vejo o Roseral, não me sinto tão mal. Espanta a boca, salivar, esperando o café. Preciso um pouco de calor pra me reivindicar.
Toco um pãozinho na chapa e um café Só quero um cantinho pra ver o domingo se estender É dia das mães, vejo o roseral Trago nas retinas um rosto lembrando a solidão
Deixo outra vida pensando surgir nova ilusão. Pede é das mães. Vejo o Roserá, não me sinto tão mal. Espanto a boca, salivar, esperando o café. Preciso um pouco de calor pra...
Sob o sol avalador