Episódios de Um Assado para... com Duda Garbi

UM ASSADO PARA... NILMAR | #381

04 de maio de 20261h59min
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Esse era liso, rápido e não era fácil de marcar! Vestindo a camiseta do Inter ele me deu muita dor de cabeça, e depois ainda defendeu camisetas muito pesadas do futebol como a do Corinthians, onde foi campeão brasileiro, e a da Seleção Brasileira. Hoje eu ofereço um Assado Para... Nilmar. A resenha aqui no Assado com o Nilmar tá muito boa e teve papo sobre o Inter, Corinthians, Seleção Brasileira, passagem por times na Europa e também um assunto muito importante: Saúde Mental.Então fica por aqui com a gente e avisa todo mundo pra curtir esse baita Assado!#dudagarbi #umassadopara #futebol #podcast #nilmar #inter #gremio// Me siga nas redes sociais // Instagram - https://Instagram.com/dudagarbi Twitter - https://twitter.com/dudagarbi Facebook - http://facebook.com/garbiduda Captação de áudio & vídeo, edição e finalização: https://www.instagram.com/studioprohub/

Assuntos7
  • Carreira de AntunesInício no futebol e físico magro · Descoberta pelo Mano Menezes no Inter · Apelido 'Aspirina' · Passagem pelo Lyon e dificuldades na Europa · Retorno ao Corinthians e adaptação como centroavante · Lesões no joelho e impacto na carreira · Passagem pelo Villarreal e gol Puskás · Experiência no Catar e qualidade de vida · Retorno ao Internacional e gratidão · Saúde mental e depressão · Carreira pós-futebol e planos futuros
  • Campeonato Brasileiro de FutebolConvocação para a Seleção Sub-23 e Sub-20 · Participação na Copa Ouro e Mundial Sub-20 · Pré-Olímpico e não classificação para as Olimpíadas · Jogo da Paz no Haiti · Convocação para a Seleção Principal e Copa do Mundo de 2010 · Análise do time de 2010 e eliminação para a Holanda · Opinião sobre a convocação de Neymar para a Copa
  • Desempenho de Clubes BrasileirosRivalidade Inter x Grêmio · Corinthians 2005 e a rivalidade com o Palmeiras · O time do Inter de 2009 e a relação com Tite · A polêmica dos jogos anulados do Corinthians · A relação de Nilmar com o Internacional · A passagem pelo Santos e a dificuldade de adaptação
  • Dinâmica do Jogo da DiscórdiaA evolução tática do futebol e o esquema 2-3-1 · A importância do centroavante e a marcação · O papel do jogador na seleção brasileira · A diferença entre jogar no Brasil e na Europa · A pressão psicológica no futebol
  • Vida Pessoal e FamiliarOrigem do nome Nilmar · Relação com a família e a esposa · A importância dos valores familiares · A relação com o sogro colorado
  • Papel do Empresário em VendasA relação de confiança com o empresário Orlando da Hora · A importância de um bom empresário na carreira do jogador · A influência do entorno nas decisões de carreira
  • Apresentadores e PalestrantesExperiência como comentarista esportivo · A relação com a mídia e o reconhecimento
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Eu vou falar, ó, não tem passagem, vai ter que ir amanhã. Eu falei, não, mas se eu pôr amanhã e não der certo, vai fechar a janela e eu não vou conseguir ser transferido. Já fazendo as contas da casinha do pai e da mãe. Aí eu, tá, mas não tem? E a mulher falou, não, tem, só tem econômica. Eu, o quê? E bota na cachorreira, meu velho. O advogado todo do sítio. Camisa de seda. Sentadinho assim, ó. Não queria ir. O único jogador convocado, era a primeira vez, assim, de um jogo oficial. Conseguiu perder a conexão. Cheguei um dia depois.

Ronaldo chega no dia, Ronaldinho, Eva, os caras tudo no dia e eu lá no outro dia, chega atrasado. O guri que já não fala, discreto. Discreto, imagina a cara que eu cheguei com Zagallo e Parreira. Eu, pá, até Sicarelli veio pelo dia, eu não vi. 20 anos, 21 anos. Assumi essas responsabilidades. Pior que tu fez gol com a cara. O melhor clube de números foi eu.

Fala rapaziada, beleza? Estamos começando mais um assado para o conteúdo que vocês sabem. Toda segunda-feira, 19 horas, 7 horas da noite, tem um encontro marcado aqui no canal do Dagarby para falar de futebol e tudo que envolve o mundo da bola. Hoje a gente vai receber o ex-jogador Nilmar!

O Nilmar, craque de bola. Vai estar aqui com a gente, um homem discretíssimo. Fala pouco, mas quando fala vem coisa boa. Então, senta a cadeira aí. Ou se não, coloca, ajusta o teu fone de ouvido. Porque hoje tem um assado para Nilmar. Nilmar Avila é Copa do Mundo, é Internacional. Corinthians, Lyon, Vila Real, meu Deus do céu. Muita história. Então, vamos conversar com o Nilmar, que está voltando um assado depois de quatro, cinco anos.

Foi um dos primeiros a vir aqui faz um tempão que a gente não recebia. Então hoje tem Nilmar com a gente. Deixa eu dizer também que o assado está no canal do Dagarb na N Sports também. O canal N Sports e no Spotify. Pode entrar no Spotify. Deixa o seu like, o seu comentário e compartilha esta live. Tem os cortes também do assado no canal do Dagarb aqui. Então procura. Quer ver o assunto? Está vendo a live toda? Estou com preguiça.

Tá bom, preguiçoso? Entra nos cortes, que tem cortes também, beleza? Ó, te manda um abraço para os nossos parceiros comerciais. Marquespan, para nós o pão é sagrado. Tem Marquespan passando pela estrada do Brasil inteiro, para lá e para cá, para lá e para cá, levando pãozinho delicioso para você. Para nós o pão é sagrado. Fruc Bebidas. Fruc Bebidas tem a Pilsen, maravilhosa. Está aqui, ó, Bela Vista.

Pilsen, tá? Tudo isso é fruque bebidas, que está sempre conosco. Claro, tem água da pedra também, as águas aromatizadas, deliciosas, né? Com gás, sem gás, de limão, de frutas, ele tem de tudo. É fruque bebidas. Dom Fiorello, sal oficial do assado, além da farofa, da azeitona, tem todos os condimentos para o seu churrasco. Tudo é Dom Fiorello.

Ave Serra, nosso parceiro que coloca aqui coraçãozinho, tulipinha. Franguinho Ave Serra, hoje tem coraçãozinho para o Nilmar, para ele se deliciar neste assado. Então, Ave Serra está conosco também. A carne bovina é Las Piedras, que é distribuída por PMI Foods. Entra aí no site, tem o recuo de tela, dá para saber onde dá para adquirir a sua carne Las Piedras. Entra lá em pontos de venda em laspiedras.com.

.br, tem lá pontos de venda, e aonde você está, ele vai procurar o mais perto, tá bom? E aí tu pega a sua carne pro seu churrasco, e no final também tem cutelaria da Vila Faca, que corta todos os problemas aqui no assado. Vamos fazer o seguinte? Vamos fazer a vinheta, e a gente volta com o Neil Maravilha. Um abraço também para a rapaziada dos Acendedores Paraná, que vai acender o nosso fogo agora. Voltamos.

Agora sim, estamos aqui com ele, a fera. Vamos receber Nilmar, uma salva de palmas! Nilmar, como é que vai, meu amigo? Tudo bem. Tudo certo? Tudo tranquilo? A última vez eu estava vendo que tu veio aqui faz quase cinco anos. Tu tinha nem 40. Estou mantendo a média, então, de aparecer de 5 em 5. 5 em 5, mais que Copa do Mundo. É, tu está quase com uma Copa. Mas, meu, vou te dizer, eu acho...

Tu parou de jogar em 17. Né? A gente gravou, era 21. 21, é pandemia ali, pós-pandemia. É, pós-pandemia. Eu acho que foi a primeira vez que eu ouvi tu falar assim, assim da carreira e tudo mais, porque tu é um cara bem discreto, né, tia? Ah, na verdade é que ficou essa imagem de discreto, mas eu sou mais tímido assim.

Diante das câmeras eu era quando eu jogava muito, assim, não gostava de dar entrevista, por mais que quando a gente jogava tinha aquela coisa de dar entrevista já lá na beira do campo. Talvez por eu ter vindo da cidade pequena, do interior, eu tinha esse lado mais tímido, assim. Mas aí eu comecei a me soltar depois, mais maduro e tudo mais. Mas é mais porque eu não gostava muito de aparecer. Eu sempre brinquei que meu assessor de imprensa, minha assessoria de imprensa eram meus gols.

Só que eu vejo hoje que seria importante eu ter na época que eu não fazia gol, né? Ter alguém ali pra me dar... Mas tu tinha assessor de impressão ou profissional? Eu tive um tempo, um período aqui no Inter até, com o Marcelo. Ah, o Marcelo Campos? Isso. Grande, cara. E aí logo depois eu fui vendido, fui embora e não tive mais. Mas era porque precisava na época, muita demanda e tal de entrevista. Não como hoje. Hoje é impossível não ter, porque... Mas tu tá com assessoria hoje mesmo? Não, não.

Hoje vai tudo por ti, né? Hoje sou eu, recebo ligação ali, dou uma arquivada em algumas. Te arquivei um pouquinho também. Tá, ó. Duda, já conversamos. Agora te arquivo. Depois a gente volta a falar e tal. Mas é mais esse lado, assim, nada...

É de boa, sim. É de boa. Agora, agora, falar. Então, o Quaret, qual foi a diferença? O que te fez amadurecer ou te soltar? Ah, na verdade, não é nem porque eu não gostava de aparecer, era mais uma proteção, assim, não ficar aparecendo muito. Porque quando tu aparece muito, tu tem que, né? E às vezes, performar e garantir. Então, eu costumava, como eu via, no ambiente que eu convivia ali, dos jogadores e tudo mais, se estressando com a imprensa.

torcida e tudo mais, então eu ficava um pouco mais retraído pra não falar muito e falar mais dentro de campo, né? Então ficou essa imagem minha um pouco. Pior, meu, ficou muito mesmo, que tu falava muito pouco, assim. Porque, meu, todos os times que tu passou eram uns grupos meio... Pê-bá, pé-ra. Era bairro. Pesada, né? Pesada, era. Corinthians 2005, então? Meu do céu, velho. Bá, velho.

Não, era Roger, Carlos Alberto, Tevez. E eu falo sempre, era tudo dos jovens, mas todos os jovens ali daquele time, todos foram promessas. O Tevez do Boca, eu aqui do Inter, quando tinha surgido, Carlos Alberto, Fluminense. E todo mundo já tinha jogado em clubes grandes, né? Não, aquele time era uma máquina. Era um... Dentro de campo se entendia, mas fora era... Meu, mas tu falou que tu veio na cidade do interior. Tu é do Paraná, é isso? Eu sou do Anderantes, Paraná. 34 mil habitantes, 30 mil habitantes.

34 mil habitantes é um bairro. É um bairro. E na hora que saiu o jogador de lá, hein? Tá, como é que... Tu jogava o quê? Era futebol de salão? O salão até os 10, 11, 12 anos, mas intercalava com o campo também. O meu bairro ali tinha um campo ali que jogava. Jogava até descalço. Nem chuteira tinha na época.

No entanto, meu primeiro teste que eu fui fazer com 13 anos, eu pedi emprestado a um amigo, a chuteira. Aqui? Não, no Matsubara daí. Ah, claro, tu veio no Matsubara, né? É, vim do Matsubara. Só que antes eu fui no União Bandeirantes, que era o time da minha cidade. Mas daí treinei 15 minutos, o treinador falou pro meu pai que eu tinha que comer.

Tá brincando, velho. É, que era muito magrinho. Muito magrinho. É, na época tinha muito isso, 98, 99. Tinha muita força física, fora os que vinham lá de longe, que os caras falavam que tinha 12, 13 anos, já tinha 18. Muito, velho. Nos mundiais, o bicoou, subiu alguma coisa. Aí eu fui pro Matsubara, que é a cidade vizinha, em Cambará.

e que não existe mais o clube hoje. Aí lá eu passei no teste e joguei o infantil lá. E aí num torneio em São Paulo, eles me viram jogar. O Mano, o Inter Juvenil. Tomei quatro do Inter. Do Inter toma quatro. Quatro e me contrataram. O cara é aquele magrinho ali, o Mano me vira jogar e eu vim pra casa. A história é essa, né? É o Mano que te descobre.

Tu tá jogando contra o Inter. Contra o Inter. Joguei um campeonato em Bebedouro, interior de São Paulo, infantil lá. Juvenil era na época. E aí joguei contra o Inter, Bahia, Vitória. Tinha uns clubes grandes, né? Aí eu me destaquei nesse campeonato. E aí eu quero aquele número oito. Eu era meio atacante.

Ah, tu era mais recuadinho. Mais recuadinho ali atrás. Eu nunca gostei de jogar como 9. Eu virei 9 aqui no Inter. Aí depois eu acostumei, que o 9 não precisava marcar tanto. Então eu... Só indo pro lado do outro, velho. E aí foi que eu fixei como atacante. E aí, tá, mas assim, tu destacou de que forma? Dando passe e fazendo gol? Não, fazendo gol e velocidade. Era o meu forte, assim, tipo...

pique curto, velocidade, drible, drible com velocidade e tal. Ganhei mais do salão pra eu ter jogado do salão. Só que mais era a velocidade que eu tinha na época, já jovem, assim, que destacava perto dos outros, assim, mas eu nunca fui, tanto que eu sempre falo, minha primeira convocação pra seleção de base já foi sub-23. Nunca fui sub-15, sub-16. Sim, tu história um pouco depois, vamos dizer assim. Mas por causa do físico?

Não, também que eu não... Tipo assim, eu sempre falo, eu não tinha... Óbvio, perto dos meus amigos, mas eu era diferente. Mas eu nunca fui aquele... Diferente que eu falo, quando eu cheguei no Inter aqui, tinha cinco, seis, muito diferente de mim, sim. Tipo, tinha que ir pra seleção sub-15, o Diego e o Diogo, o Saraiva era de seleção. Ah, me lembro o Saraiva. Ah, tinha um monte de jogador aqui da base de seleção brasileira. Tinha sido campeão da Copa Araíra, os meninos.

O Carvalho, não? O Daniel Carvalho era diferente. Já era diferente que eu falo na idade... Se destacavam já.

Eu no juvenil aqui no Inter eu tinha eu, era banco. Leandrão era o titular, entendeu? Aí eu entrava, no tanto que me apelidaram de aspirina na época, porque eu entrava, tirava a dor de cabeça do treinador. Coloca aspirina, os caras falavam. E aí foi destacando assim, nunca foi... Nunca fui assim, ah, esse aqui, vamos lapidar ele. Não, eu vim comendo pelas beiradas ali. A história do aspirina é maravilhosa. Quem era o treinador que tirava dor de cabeça?

Era o Mano primeiro, depois foi o Lisca. Tá, mas o Mano te descobre e te traz. Me traz. E ele é o treinador que ia te usar. É o treinador do Juvenil, que ia me usar. E aí ele falou pro Lisca assim, ó, tem um menino que eu trouxe lá. Bom, o Lisca foi lá no vestiário me olhar, que o Lisca era da categoria acima. Sim. Falou, é aquele magrelo lá? Aí o Mano foi lá conferir se não tinha mandado o cara errado.

Ele bem magri. Ah, bem magri. Pegava 54 quilos, 50 quilos. Rapaz, velho. 50 quilos, velho. Cheguei aqui, 50 quilos. Mas assim, o cara que joga bola, né? Tipo, dedo de piá. O tranco é diferente. Pode ter 50 quilos, mas tu sabe usar o corpo e esfirmar o cavalo aqui, né? Mas eu fugia, na verdade, né? No entanto que até é engraçado. Quando eu cheguei, aí tá. E comecei me destacando ali, fazendo gol e tal.

E aí tinha o tio Ed, o Helio Carraveta, começaram a fazer um trabalho comigo de força, suplementação e tudo mais, que viram que eu tinha potencial. Aí eu lembro, depois de uns 3, 4 meses desse trabalho e tal, de força, meus pais vieram me visitar. Aí meu pai chegou no Vera Rio pra me visitar. Quando viram meu pai com 58 quilos, isso aí não vai performar. Aborta a missão, isso aí não vai engordar nunca. No entanto, eu tenho 42 anos.

Não, piora, eu dou bem magra até hoje. Mas fiz trabalho de força pra aguentar o trânsito e tudo, mas sempre sofri nesse sentido de muito contato. Mas, meu, os adversários que tu pegou, porra, as ligas que tu jogou todas eram de... Eu fui pra França lá na época, só o Lyon era um time técnico, vamos dizer assim. Que era o teu. Era tudo muito africano, jogadores naturalizados, era muito contato. Sofri muito.

pra correr do contato, fugir do contato. Mas assim, o interior do Rio Grande do Sul, nos garrochão. Não tinha VAR? Era a lenha, a lenha, a lenha. Você ia em bola e ficava olhando pro bandeiro, visando o bandeiro. O cara tá dando em mim aqui. Eu brincava com o Diego, vem pra cá um pouco. O Muricy gritava, vem pra cá, vem pra cá, tá louco? O cara tá me dando no meio desse lado aí.

E o cara tem que aprender, na verdade, que nem o cara, sei lá, que anda de skate, aprender a cair. Você tem que aprender a apanhar, né? A apanhar, é. E cavava muito também na época, né? Ainda bem que não existia o VAR, porque não dava pra cavar. Tinha uma malandragem assim, tinha que sair da marcação, senão era muito pegado. O gauchão, os campos pesados, Deus do céu. Sofria muito. O zagueiro na época não era igual hoje, que o zagueiro tem que sair jogando, é.

Só lenha e bico. Era lenha e paulada pra frente. Mas, meu, também depois tu pega e treina. Eu lembro o time de 2009, que é um time máximo do Inter. Claro, tinha Itaí, saído e voltou. Mas aquele time lá, eu nunca tinha visto um time que lenhava tanto. Ah, mas também Bolivão, Álvaro, Indião e Marcão. Era quatro zagueiros. E depois tinha Edinho e Guiazul. Magrão.

Eu olhava, Dali, eu e o Alex no ataque. Era isso aí. E aí a gente, pá, eu sempre falo, o melhor time que eu joguei no Inter, assim, taticamente, tecnicamente, pegar os jogadores que estavam todos nos seus melhores momentos, e que a gente precisava marcar menos. Guia Azul marcava por três, era impressionante. Impressionante. Tá, vamos chegar, depois eu quero o Duz, não é legal, velho? É muito bom essas histórias, velho.

Porque aquele time de fato era muito bom. Até o Tite hoje em dia mesmo, depois de vários times que o cara já treinou, ele ainda lembra do time de vocês ali, que era... É, que foi a fase que ele estava tendo a oportunidade de... Porque depois que ele saiu do Corinthians ali, saiu com aquela imagem do Corinthians e tal, e o Inter foi aquele time, foi o time que deu... Reergueu ele. Reergueu ele.

E foi onde eu mais aprendi, taticamente, assim, tipo, até ali então, eu... Mas ali você tinha passado por Europa, tinha passado pelo Corinthians. Tinha passado, sim, é. Mas nunca tive um treinador com tanta paciência técnica, tática e, tipo, de lidar humanamente, assim. Claro, o Muricy no início foi, mas o Tite era mais estudioso nesse sentido de, tipo, explicar o que ia acontecer e acontecia no jogo e tudo mais. Aí deve ser eleito. Eu já entrava sabendo o que tinha que fazer e tal.

Isso aí, ponto. Mas, meu, no início ali tu falou o Mano e depois o Lisca. O Mano e depois o Lisca, isso. Eu tive o André Luiz também, no Juvenil. Foi o zagueiro do Inter. Você viu o André Luiz? Você é outro? Ele era treinador. Ele foi o meu segundo treinador depois do Mano e depois foi o Lisca nos juniores daí. Daí foi o ano que eu... Que tu começa a subir.

que aí eu começo a subir. Na verdade eu subi. Deixa eu botar um churrasco ali, porque senão vai... É importante, é o assado, até agora... Até agora nada, olha aqui, deixa eu te dizer, hoje nós vamos ter uma picanha, hoje nós vamos ter uma picanha, já separei aqui, depois vai lá, então tem algumas tiras de picanha, mas antes a gente vai abrir com um coraçãozinho aqui da avicerra, deixa eu colocar, ó, ouve, ouve. Eita, nós. Dá pra ouvir aí? Que nível. Que nível, meu velho, ó.

Não, então, tu vem pouco podcast, mas quando vem tem churrasco. Ah, isso, é. Porque senão não tem graça. Pior que meus amigos vão ver e vão falar assim, Bah, o Nilmar só foi porque tinha comida. É, até pra te dar uma engordada, meu. Pra poder te ajudar. Tá, aí eu quero entender o início ali, tá? Dentre os treinadores. Aí tu começa a jogar com o Lisk, é isso? Não, aí o Mano... Foi meu primeiro ano de juvenil, quando eu cheguei aqui em 2000.

Aí eu fiquei no banco, ele jogava. Aí no ano seguinte, foi o André Luiz, era meu ano de juvenil. Aí eu já comecei a jogar mais.

no juvenil, aí foi a Copa Santiago, a Riva, comecei a jogar mais.

E aí depois, no ano seguinte, que foi daí 2002, aquele ano que o Inter quase caiu, que era o meu primeiro ano de juniores, que era com o Lisca. Ah, entendi. Foi aí que eu me destaquei nas finais do campeonato ali do Alchão, de juniores, que eu acabei jogando. Eu iniciei o ano titular, aí me machuquei, e aí fiquei sem jogar o ano todo praticamente, sempre no banco com o Lisca. Até porque pela idade, eu era o primeiro ano de juniores, aí jogava sempre os mais velhos, estava no último ano, tinha aquela coisa. E aí na final, contra o São José...

Não era nem contra o Grêmio a final dos juniores foi. No Beira-Rio, o Lisca me colocou como 10 do time para jogar. Era Diego e Diogo, aí eu um pouco mais atrás ali. Resumindo, na final eu fiz dois. E aí o Inter tinha acabado de contratar o Muricy.

que tinha acabado, escapado o rebaixamento, aquele final de ano. É, daí eles reformulam. E aí reformulam, infelizmente, o Michael Ibrelato sofreu um acidente. Aí o Inter acabou ficando sem um atacante também. Aí eu lembro até hoje que a final foi no início de dezembro e a gente estava se preparando para estar em São Paulo. Era o meu primeiro campeonato televisionado que meus pais iam assistir, porque passava na Rede Vida, acho. Uma coisa assim na época.

Eu lembro que eu fiquei triste ainda, que falaram, tu vai ter que fazer pré-temporada em Bento Gonçalves, profissional, tu vai subir. Eu, pá, no primeiro campeonato, era o sonho de jogar a Taça São Paulo. Eu não joguei uma Taça São Paulo. Pá, cara, isso é loucura, velho. Eu não joguei uma Taça São Paulo. Porque, meu, hoje em dia tem jogador que joga três. Três. Não joguei um. Era meu primeiro ano de júnior ali que eu ia jogar.

Tinha 17, foi 18. Aí fui pra pré-temporada com o Muricida aí. Eu, o Ismael Raul e o Michel, que era um lateral direito que veio do São José.

desse campeonato 2002 e aí eu lembro que a apresentação foi antes da virada do ano, aí no início de janeiro fui pra Bento, aí na pré-temporada dei a vida paixão, tiro de mil, oito, nove tiros de mil eu no primeiro grupo nunca fiz isso em quatro anos de base no Inter pela oportunidade da minha vida aí no último amistoso na pré-temporada eu bem, bem, bem eu

panturrilha. Estourei. Aí fiquei 40 dias, assim. Aí começou o gauchão e eu não ia começar a titular, não podia jogar. Aí voltei, depois de 40 dias, tipo assim, titular. Tava tendo oportunidade, porque o Daniel Carvalho e o Cleide Xavier estavam na seleção de base. Ah, tá. E aí abriu brecha. Aí eu, pá, o Muricy chegando me deu oportunidade, aí estourei. Aí foi que teve o Grenal no Olímpico com o Diego e o Daniel Carvalho, aquele lá, eu tava machucado. Ah, sim, sim, sim. Eu não tava nesse Grenal.

Por causa disso, da lesão. Claro, que eles chamam do Grenal da Virada. Isso, é. Que o Daniel Carvalho faz o gol. E aí eu tava fora e voltei. Aí já voltei no banco pro André... Lembra do André... Não vou falar André Cachaça, mas Cachaça. Sim, sim, sim. Mas é, André Nelly. É, sim, sim, sim. O centroavante. O centroavante. Aí que eu acabei virando centroavante. Porque daí ele se machucou, ele aprontou aí, mandaram ele embora. Aham, isso aí. E aí o Muricy coloquei o de nove. Aí ficou Daniel Carvalho, eu e o Diego. 2003.

E esse é o ano que vocês vão na Sul-Americana e o Inter... Não, 2003 é o ano que a gente... Não, que passa do Grêmio numa Sul-Americana. Não, 2003 jogamos nada, Sul-Americana. Então, esse é o ano antes. Em 2003 a gente jogou o Brasileiro e chegamos em... Aqueles últimos seis jogos, eu e o Daniel Carvalho foram para a Seleção Sub-20. Ah, e aí o Inter não foi para o Realtador. São Caetano de 5. Tá, São Caetano de 5, na última rodada, né? É, 2003 foi o ano da reestrutura, da construção e tal.

4 é que o Inter vai pra sua americana. Porque eu já não tava. Fui vendido aí. Tu chama atenção na seleção lá porque tu vai junto. É que em 2003 eu surgia ali depois desse Grenal ali. Comecei a jogar. Dois meses depois eu fui convocado pra Sub-23. E o treinador era o Ricardo Gomes. Que era do Juventude, né? Sim. Ele deve ter me visto jogar no início da minha carreira. Entanto que eu vou pra seleção Sub-23 com 18 anos.

anos de diferença. E aí chegou lá, Kaká, Robinho, Diego, Thiago Mó, só os caras. Campeão brasileiro do Santos em 2002 e outra metade do time era o cruzeiro de 2003 do Luxemburgo lá. Máquina. Máquina, Draceno, todo mundo. Michael. Eu lá no meio dos caras. Três meses de profissional. Cara, foi muito rápido. Por isso que eu falo, foi tudo muito rápido. Era de bandeirantes e três anos depois estava na seleção. Disputando a Copa Ouro, que todas as seleções eram a principal.

Só o Brasil mandou nós, mandou o Sub-23. E como é que vocês foram? Chegamos na final. O time era bom, né? Era uma caramba. Porra. Que massa. Porra. Porque há dois jogadores que só jogavam na Europa na época. O Everton, atacante, do Borussia. Sei. E o Thiago Mota, do Barcelona. O resto era tudo Brasil. O Kaká, Brasil, São Paulo, Robinho, Santos, Diego. Eu acho que esse é quando o Kaká jogava com C ainda. Faz tanto tempo. O Kaká surge no São Paulo. Não, não estão vendo esse não.

O Marta te dizendo, o KK surgiu no Brasil. Não, não. Não, sabe? Foi 2001, 2002 ali na Copa. O KK foi campeão mundial em 2002. Ele surgiu em 2001 ali. 2001. Mas ele surge com C. Aí depois ele vira com K. O meu é 2003.

E aí foi que eu tava no meio dos anos 2003, eu já na seleção, sub-23, os caras todos ali. Foi tudo muito rápido, hein? E aí como é que é o jogo contra o São Caetano? O Muricy perde vocês? Perde, tipo, cinco jogos. Na verdade, ele não ia nem me perder. Só o Daniel Carvalho era do sub-20. Eu era do sub-23. Só que chegou nas finais ali do brasileiro ali, o Palmeiras tava... O atacante da sub-20 era o Wagner Love.

e aí o Palmeiras não liberou ele, não era obrigado liberar, uma coisa assim, tava disputando pra subir não era profissional e aí o Branco tentou, se eu não me engano o Robinho, o Santos, o Santos não liberou foi tentando alguém, o Branco era o diretor técnico no Sub-20 eu na Sub-23, aí me liga Nilma, Sub-20 eu ah, quero ir

Seleção, não me preocupar, tô na 23, quero ir na sub-20, vou também. Mundial. No entanto que eu chego no Mundial, eu chego tipo 15 dias depois que o time já tava lá em Dubai. E deram a 10 ainda. Caralho, velho. Moral. Era só um campeãozinho. Ah, vocês ganharam daí? É, mas é. O time era bom, Daniel Carvalho, eu, o Gladiador no ataque.

Dagoberto, Daniel Alves. O time era bom pra caramba. Uma coisa que eu já percebi é que assim, o futebol começa muito cedo pra vocês. E aí vocês se encontram lá na frente por seleção principal. Mas na base vocês já jogaram com todo mundo? Já jogaram com todo mundo.

Chega lá, de repente tu tá lá no Corinthians, tu pegou o cara já... Já conhece, já... Isso é legal. Os outros países tem muito isso. O Brasil ainda distou um pouco. É também o tamanho do país. É, mas tem muitos jogadores que tu vê que jogou seleção de base que depois não conseguiu nem jogar profissionalmente. Desaparece, é. O Brasil tem muito isso. Muito cara, velho.

Mas, tipo, cara, tu falou uns caras assim que eu nem imaginava que tinham jogado, tipo, Daniel Alves. Sim, era logo, vixi. Sub-20, campeão mundial junto, sub-20, em cima da Espanha, de Niesta. É, olha aí, ó. Viu aí, tu cruzou o Niesta com uma final de sub-20. Cruzou o Niesta, final sub-20 lá atrás. Quem fez o gol do nosso título foi o Fernandinho. Olha aí. Não, a seleção era...

É, mas a seleção também reúne os caras que geralmente eles acabam dando alguma coisa lá na frente. Não todos. Não todos, né? Olha todos os caras que tu falou. Todos jogaram a Copa do Mundo. Todos jogaram. Inclusive tu, né? Inclusive tu. Vai lá. É diferente de tudo, hein?

Joguei Champions League pelo Lyon, pelo Villarreal. Tá, mas tu tá fazendo uma timeline interessante. Tá, daí tu tá lá na Sub-20. Só explica o negócio do Inter. Do Inter foi que daí, 2003, a Copa Ouro foi em junho, julho ali, julho. No meio do ano. Joguei a Copa Ouro lá, perdemos a final. Pro México e tal. Voltei e ainda jogamos o brasileiro. Joguei até novembro ali. Aí quando chegou dezembro, início de dezembro, foi essa convocação pro Mundial Sub-20.

Que daí eu acabei indo porque não tinha atacante. Beleza. Aí foi. Fui, aceitei. Fernando Carvalho me liberou. Fui. Só que daí fiquei fora dos seis últimos jogos ou cinco últimos jogos. Imagina, eu e o Daniel Carvalho eram dois atacantes titulares. Ficou só o Diego no ataque. Pô, coitado do Diego. E aí ficou o Diego, o Jefferson Feijão e... E quem que era o outro? Ah, não lembro, Guarnela. Resumindo, aí não conseguiu entrar entre os cinco. Daí foi pro último jogo com o São Caetano e acabamos perdendo.

E aí o Inter não cacucou pra Libertadores ano seguinte. Foi daí que teve a Sul-Americana. Aí que teve a Sul-Americana. Aí foi a Sul-Americana em 2004. Só que aí tu é vendido pro Lyon. Não, aí jogamos a Sub-20. Campeões. Volta do Sub-20 em dezembro. Campeonato eliminatório.

das Olimpíadas, pré-olímpico. Puta merda. Resumindo, fiquei na Sub-20, saí da Sub-23, a Sub-23 apresentou em dezembro e a gente estava no Mundial Sub-20. Depois do Mundial veio eu, Daniel Carvalho, Dudu Cearense, para apresentar na Sub-23 para jogar o pré-olímpico. O fatídico pré-olímpico, que a gente tinha metade do time era do Santos, metade do Cruzeiro esse 2003, do Santos 2002, e a gente não classificou para a Olimpíadas.

Lembra a cena do Robinho e Diego lá, com quem abaixou as calções? Claro, abaixo de calção, não sei o que. Foi no Chile. Seleceu moleque. Isso, no Chile. Nosso time era muito bom e não classificando. Final de 2003, início de 2004. O que aconteceu com essa seleção? Pirou? Não, não pirou. Não encaixou, né? Daqui a pouco, sei lá.

Mas tinha um outro rival muito bom também? Tipo, que tu lembra, assim... Ah, a Argentina. Que devia ter uns caras bons também. Todos os caras da nossa idade ali. Paraguai, acho que entrou no nosso lugar. A gente empatou, perdeu o último jogo. Uma coisa assim que a gente não conseguiu classificar. E aí foi uma pressão. Era início de 2004 isso aí já. Então foi tudo 2003 pra mim. Foi o ano de...

Tu quase nem ficou no Inter, jogou em seleção o segundo semestre inteiro. Aí fui para a Olimpíada de Nauquas Camos, aí foi em 2004 que começou o gauchão de novo, ganhamos de novo. Gauchão, aí que eu fui vendido no meio de 2004.

Ah, tá vendido na metade do ano. Só que antes de ser vendido, em um ano da minha carreira, o que aconteceu? Eu fui pra Sub-23, final da Copa Ouro, perdeu, fui pro Mundial Sub-20, campeão, ganhamos. E aí, 2004 ali, três meses depois que acabou o gauchão, um mês, dois, dois, dois, dois, dois, dois, dois, dois, Barreira, Jogo da Paz no Haiti.

Ah, me lembro do Pela, Ronaldinho, o Pela. O Pela não liberou Dida, Cacá, os caras. E aí foi eu, do Brasil, jogando pelo Inter. Imagina eu com a maquininha fotográfica escondida assim, o Pá, Ronaldo, Ronaldinho, Alberto Carlos. Cara, me lembro. Foi eu, o Roger do Fluminense, estava no Fluminense.

Fernando Henrique goleiro, acho que foi esse também. Falei esse também. Porque o Dida não foi. Tipo, uns 3, 4 jogavam no Brasil e o Parreira convocou, imagina? Pá, jogo da paz no Haiti. Ronaldo, Ronaldo. Cara, me lembro dos caras chegando num... Um ano depois de profissional, eu tava lá num tanque de guerra. É isso aí, num tanque de guerra vocês chegando. Que experiência. Ah, que loucura. E aí eu tava lá no meio... Que dei para a guerra, né? Para a guerra, porque era o time de 2002 campeão. Isso.

Para a guerra pra ter esse jogo. Que loucura isso, velho. Veio lá no meio. Lá com a maquininha, fotógrafo escondido. Eu louco pra tirar foto. E não tirou? Tirei, ó. Ah, bom. Agradeço ao Roberto Carlos até hoje. Ele que me introduziu lá. Ah, o Eric Carlos te ajudou. Me deu uma camisinha do Real Madrid e tudo. Ah, que cara.

Sério, meu? Ah, me deu. Eu tava como um fã, mas junto com os caras. Aí fomos pro jogo, chegou lá, era um campo sintético, sério. Um calor desgravenado. E eu me olhava pro Ronaldo, pros caras, os caras, pá, o que eu tô fazendo aqui? E eu, pá, minha chance, pai. E começa o jogo, os haitianos lá, dando a vida, correndo, os pés esquentando. Chega no intervalo, o Ronaldo fala pro Parreiro, ó, tipo assim, me tira disso aqui, né? Não aguento mais. É, já joguei. E eu, pá, pai, vai ser eu.

Entrei, Duda, e ó, fiz um gol ainda. Acho que não sei da zero, foi? Eu lembro que foi uma goleada. Eu entrei, falei que tem que fazer um gol, rapaz. O Juninho Pernambucano não passou lá. Aí eu fiz um gol no Oitiano. Tá lá, vou na seleção principal.

Meio dos caras, tirei foto. Até o Lula, presidente lá. Tava todo mundo. Presidente Lula, um monte de gente do governo, do vestiário. Foi muito legal. Baita experiência. Uma tristeza no Haiti, putz. Não, eu me lembro. Virou até um documentário que fizeram depois. Tanque de guerra nos pegou no aeroporto. Eu lembro que o Ronaldinho Gaúcho era o principal figura. Ele fez um golaço. Fez um golaço, ele jogou goleiro.

Mas eu tava lá, falei, os caras vão pedir pra sair, deixa eu? Entrei, tava em um ano de carreira, eu já tinha ido pra principal. Cara, que loucura, em um ano de carreira, tu sai da reserva do juvenil. Reserva do juvenil, Júnior.

Pra jogar em três seleções, acaba nem classificando e joga o cara. Eu fui pro jogo da paz, joguei. Aí depois desse jogo, teve dois jogos da eliminatória, uma convocação principal. Aí machucou o Luiz Fabiano ou o Adriano, alguém machucou e o Parreira me chamou. Aí eu fui pra um jogo da eliminatória, não entrei. Fui até cortado aqui no Brasil. Depois teve um amistoso na Alemanha, porque cortava, né? Mas pelo menos treinei com os caras.

Que já é bem... Já era, imagina, 2004, moleque novo. Aí fui vendido pro Leon. Aí que sai a venda. Bom, mas eu, meu, também, já tava citado. Ô, meu, por gentileza. É, vamos comer, né? Vamos comer também. Fala, fala, fala. Ah, agora você lembra, me lembrando assim, né? Nem lembrava tão rápido assim. Hum! Um ano, velho. Um ano. Aí fui vendido pro Leon. Que é um caso interessante também.

Porque era meu segundo ano de profissional, tinha ido pra seleção, era o Golden Boy aqui falando. Ah, era o Golden Boy, isso aí. Entendeu? Bah, recebi o ursinho das gurias. Tinha as Cacazete e tinha as Nilmarzete. Não, ô, ô, ô. Tu aproveitou, vou te dizer, velho. Bah, tá louco, velho. Eu lembro que tu era o xodó, né, meu?

Mas não deu pra aproveitar muito porque é. Não, eu conheci minha mulher já ali em 2004. Já conhece a tua esposa até hoje. Em 2004. E aí, resumindo aí, em 2004 eu destaquei com essas convocações e tudo mais. Aí o Leão veio contratar o Cris, zagueiro. Lembro. Aí foi um jogo inter-cruzeiro. O Bernard, que era o Bernard, o artilheiro do Leão lá, que era o diretor, que vinha fazer contratações junto com o Marcelo de Jean. Foi um jogo do Cruzeiro pra contratar o Cris, zagueiro.

Que lá já tinha o Caçapa brasileiro, o Juninho pernambucano, tá? E tinha o Elber centroavante no Lyon. E era uma máquina o Lyon, né? Falou, já ganhou quatro. O meu foi o PSG hoje, assim, né? O que eu joguei lá foi tetra. Resenharam depois mais sete seguidos. Juninho... Era...

E aí os caras vieram ver o Cris e foi um jogo Inter e aí eu me destaquei nesse jogo. Depois eu fui descobrir. Aí joguei bem Cruzeiro e Inter lá no Mineirão e tal. E aí o cara levou, o Bernardo levou o Cris zagueiro pro Lyon. Aí uma semana depois o Elber, centroavante, machucou no Lyon. E faltava dois dias pra fechar a janela de transferência. Aí o cara precisou contratar um atacante. Aí o cara, ó, acabei de ver um lá no Brasil lá. Moleque é uma flecha. Fale a pera e tal, já foi pra seleção e tal, promessa.

Busca? O Winter morto, tadinho, Fernando Carvalho desesperado pra pagar salário. Vem, vem, vem. Já tinha vendido o Daniel Carvalho pra Rússia. Mas me dá esse dinheiro aí, leva o gol. Ah, me liga, eu tava em Belém do Pará. Ia jogar contra o Remo, o Paissandão, com esse Copa do Brasil, o brasileiro, tava lá em Belém, me liga, ó. Proposta do Leão, pai. Só pra te avisar que eu te vendi, tá? Vai, na época tinha uma... ganhava uma graninha aí, uns 15% aí, né? Vai, era o pezinho de meia, pai. Vai, pingou molhadinho pra ti. Eu vou?

Não, não tem passaporte, não. O advogado do Inter vai no aeroporto. Vai fazer tudo pra ti. Vai te encontrar em São Paulo, tu já vai. Eu sem roupa, nada. Ah, sim, velho. Só tava dois dias pra fechar a janela. Tinha que fazer o exame médico e... Aí chega no aeroporto, não tinha passagem. Bate. O advogado, não tem passagem, vai ter que ir amanhã. Eu falei, não, mas se eu for amanhã e não der certo, vai fechar a janela e eu não vou conseguir ser transferido.

Já fazendo as contas da casinha do pai e da mãe. Pô. Aí eu, tá, mas não tem? E a mulher falou, não, tem, só tem econômica. Eu, o quê?

Que bola na cachorreira, meu velho. O advogado todo assim, camisa de seda. Sentadinho assim, ó. Não queria ir. Eu falei, não, vou. Meu empresário foi no outro dia. Tu não? Eu falei, não, vou. O advogado, fui 12 horas até Paris com ele emburrado do meu lado, assim, com o joelhinho.

O joelhinho pegando na frente, assim, ó. Nunca tinha andado de econômica na vida. E eu nunca de executiva. O que é isso? Você executa de business, business. Eu, que isso, advogado. De terno toda. E eu, de agasalho do Inter. Ah, soltinho, levinho. Falei, vamos na cachorreira, brincadeira cachorreira. Vamos. Aí fui. Bem bilhete, 33A. Um cara nem fudendo que eu vou sentar aqui. Aí fui.

Cheguei lá, fiz o exame, tudo, passei no exame. Foi tudo muito rápido. Por uma lesão do... Tinha panturra lá que já tinha miado. Já tinha miado. Aí fui, cheguei lá, peguei o Elber ainda recuperando. Ah, que cara, baita ser humano. Caçapa, que é meu irmãozão, que foi o meu pai lá quando eu cheguei. Pô, até tava esses dias treinando. Tá, me ligou, falei com ele, mas eu tava fora viajando. Falei, bah, eu ia te pagar um churrasco, peixe. Chomele de peixe. Ele foi um pai pra mim, né?

Peguei ele, Cris, Juninho, o Elber mesmo no início. Tipo, eu tinha 19 anos. Puta, moleque. Aí fui como o Golden Boy. O dia que fui vendido, eu fui convocado pra seleção. Cheguei lá, apresentei, fiz esse exame e voltei pra seleção. Ah, o principal. Com barreiras, a galho. Aí voltou de business. Aí sim, pai, de business. Ah, tu não sabe outra história essa de... Fui convocado. Vou voltar de business, seleção. Pega voo. Ah, não tem que ir pra Frankfurt. Chega em Frankfurt, vai pro Rio. Beleza.

Cheguei em Frankfurt, Duda. Primeira convocação minha, depois do Haiti, esse, que era a eliminatória, foi até aquele jogo que a Sicarelli foi no... Com o Ronaldo, lembra? Lembra esse jogo? Sentou do ladinho dele. Esse jogo. Chego em Frankfurt na conexão, perco a conexão. Ah, não. O único jogador convocado, era a primeira vez, assim, de um jogo oficial de eliminatória. Conseguiu perder a conexão. Cheguei um dia depois.

Ronaldo chega no dia, Ronaldinho, Eva, os caras tudo no dia e eu lá no outro dia, chego atrasado. Um guri que já não fala, discreto. Não fala discreto, imagina a cara que eu cheguei com Zagallo e Parreira. Eu, pá, até Sicarelli veio pelo dia, eu não vi. Pô, até Sicarelli veio cá, Eduardo, qual é que é, tia? Não, mas deu Parreira pro final, sei o que aconteceu e tal, tava assinando contato. Mas foi que eu, pá, sério, fiz, tô toda louca.

Aí, resumindo, aí aconteceu, eu cheguei lá na seleção, fiz esses jogos, aí quando voltei pro Lyon...

Me estreia. Em um ano, tudo isso aí aconteceu na minha vida. Me estreia, 0x0 o jogo, eu entro faltando 15 minutos, eu... Dois gols. Dois? Dois, fiz dois, faltando 15 minutos. Isso não é minha estreia. Ah, os caras acharam que tinha que contratou o Neymar. Acho que era o Neymar da época.

Mas era o Nil... Não, mas Tomil, tu surgiu assim, meu cara. No jogo seguinte eu nem entrei no jogo, Dudu. Porque os caras fazem essas coisas na Europa, né? Tipo assim, joga agora, mas depois dá uma descansada. Não dá uma merda descansada. Aí com os três atacantes lá, o Sidney Govú, o Thoomil Thore e o Malouda... Tu não pegou? Eram da seleção francesa, então os caras... Tinha hierarquia, óbvio, os caras jogavam... Tinha capaz de chegar.

Só que eu, imaturo, queria jogar, tipo... Imaturo não, eu acho que tu correntemente queria jogar, né, Tiago?

Aí eu entrava todos os jogos, jogava no titular, um não e tal, tive dificuldade ali e tudo mais. Depois de um ano, veio o Corinthians, por isso que eu voltei. Com a cabeça de hoje eu não voltaria, tipo, sabia que a minha oportunidade ia chegar e tudo mais. Tinha cinco anos de contrato. Mas foi isso. Mas também assim, meu, lá no Lyon, tu não pegou o Benzema em algum momento? Quando ele tava surgindo, eu saí.

Não, eu fiz esses dois gols no Campeonato Francês e depois na Champions, fiz quatro gols na Champions League pelo Lyon. Chegamos na quarta e final. Porque o time era bom, porra. O time era bom. Vocês ganhavam de todo mundo, cara. Só que daí eu não tive essa sequência de ser titular, de jogar.

Muito imaturo, né? Querendo jogar, pela empolgação. Golden Boy, seleção, barreiras, a gala. Mas não tem ninguém pra te orientar. Diz, meu, segura as pontas. Sim, teve. Ixi, Juninho, Cris, Caçapa. No entanto, quando o Corinthians apareceu lá, o Cris que jogou no Corinthians falou, tu é maluco. O que tu vai fazer lá, tá louco? Fica aqui, caralho. Fica aqui, tu vai ter oportunidade e tal. Tu é novo ainda. Porque o teu salário devia ser bom lá, né? Faz cinco anos, pô.

Mas o Corinthians veio pagar o que eu ganhava lá e mais um pouco ainda. Era outro também. E aí, imaturidade. Ah, mas não me arrependo, não. Foi uma baita experiência ter vindo. Mas com a cabeça, óbvio, não voltaria. É, na verdade, aquela vinda pro Corinthians surpreendeu porque tu recente é ido. Mas não por ser o Corinthians. Né? Porque, tipo assim, a barca era boa. A barca era boa. Até o meu lado eu ter ido pra seleção ali e não fui mais pra seleção depois de sofrer pro Lyon.

Aquele ano não tava jogando. Ah, então tu ficou meio... Eu fiquei, pá, putz, eu tava indo pro Parreiras da Galo, tava gostando de mim, me colocava e tal. Claro, ele queria com o Adriano, Luiz Fabiano, Ronaldo. Sim, é a época do quadrado mágico, que era uma loucura aquele time lá. Mas ficava aquilo na cabeça, se eu estivesse jogando, ia ser visto e tal. Aí Corinthians veio, aí eu vou encarar. No entanto, eu não era nem a primeira opção do Corinthians.

Ah, em termos de contratação. Contratação, porque eles precisavam de um nove. E eu sempre, assim, eu nunca gostei de jogar de nove. No entanto que os meus melhores momentos foi dupla. Eu e Tevez, eu e Alex aqui no Inter, eu e o Giuseppe Rossi atalhiano no Vila Real. Dois atacantes. Nada de me deixar lá... Hoje eu ia estar morto. E aí, o Giuseppe não está hoje. Jogar onde hoje?

Porque hoje é 2-3-1. Se eu fosse novo, eu ia ter que jogar na ponta, marcar lateral, Duda. Que jeito. Mas pra te ver, velho. Cara, isso é um baita assunto pra dizer, meu, não aguento mais ver esse esquema. Culpa do Guardiola. Culpa do Guardiola. Todo mundo acha que tem o Messi ali, entendeu? Porra, velho. Não dá. Depois de volta, porque esses dias o Nilmar comentou o Grenal lá e foi um jogo horrível. Dois times ruins jogando. Pra não dizer coisa pior. E é o maldito esquema do 2-3-1 com os caras abertos lá. Tira.

enfim, mas vai, tu ia morrer de fome hoje em dia, sério mesmo, velho ou tu ia ser o centroavante enfiado lá, na época ficava 2, 3 jogos sem fazer gol, os caras matavam, hoje atacante pode ficar 10 jogos, mas se ele desarmar é tudo número, se ele marcar

É verdade. Tu recompor-se, tu fechar a linha. É, pior que a verdade. Naquela época lá não existia isso. Aí voltei pro Corinthians como nove. Na primeira apresentação minha, no primeiro dia da apresentação, os caras me deram um bonezão da Gaviões, lá da 12. E a primeira pergunta do cara, sorte que o meu empresário me avisou, eles vão te perguntar. Eu falei, Marco, o Corinthians precisa de um nove e o meu empresário fala que tu veio pra fazer gol.

Eu falei, como assim eu vou falar pra não sei quantos milhões de corintianos que eu vim pra fazer gol?

Nunca fui artilheiro em lugar nenhum. Fazia gol, mas nunca fui... Fazia jogada e tudo mais. Primeira pergunta do cara. Eu sou o 9, eu vim fazer 9. Eu vim fazer gol. 21 anos. 20 anos, 21 anos. Assumei essa responsabilidade. Aí fiz gol pra cara. O melhor clube de números foi esse. 60 jogos, fiz 32 gols no Corinthians.

Caralho, um gol a cada dois jogos. No Campeonato Paulista eu joguei 13 ou 14 jogos, se eu não me engano, e fiz 19 gols, 18 gols. Ah, tá brincando, velho. 2006. Fui o melhor jogador do Campeonato Paulista, artilheiro e seleção do campeonato.

E aí em junho, quando eu estourei o joelho, eu tinha 24, 25 gols. Era o artilheiro do ano já, tipo assim. Eu tinha feito 5 gols na Libertadores em 2006 e mais 19... Metade do ano eu tinha 25 gols. Rapaz, filho. Foi que eu estourei o joelho, foi o meu melhor momento. Tinha 21 anos também, time bem. Eu entrosei com o Tevis ali rapidinho também. E era dois atacantes também. E era bem difícil entrar. Aí tinha Carlos Alberto e Roger pra me dar passe pra gol. Cara, esse time...

porque ele... Pai, eu já gravei com o Carlos Alberto pra dizer que os caras se odiavam. O Tarja, vixe. O Tarja brigava todo treino. Eu chamo ele de Tarja. Porque, meu, os caras não se davam, mas dentro do campo era um negócio, assim...

Na época tinha muita vaidade nesse sentido de ser jovem, já ter sido considerado todos os ídolos, promessas e tudo mais. Todo mundo ganhava muito bem. Na época era muito bem, eu ganhava mais que eu ia ganhar no Lyon. Imagina, quando é que um grupo brasileiro pagaria mais na Europa? Hoje, hoje tá pagando. Mas na época era impossível. E pagava em dia, tá? Muitos falam aí, pagava em dia.

Era a MSI, né? Olha aqui. Só pra dizer. Que nível, pai. Que nível. Aqui, ó. Conversando, né? Aí é gaúcho. Conversando. Uma picanhazinha da mais clássica do mundo. Delivery chegou rapidinho. Ah, rapaz. Isso aqui é Las Piedras. Se quiser sair pra procurar uma dessa aqui, deixa eu só te cortar aqui, ó.

Os caras falam assim, corta a menor para os caras. Você precisa tirar a gordura. Quer tirar a gordura? Não, tá louco? Aí é assassinar, cara. É, exatamente. Você já virou gaúcho já. Há horas. 26 anos aqui já. É, já nem sabe mais como é que é o Paraná. Mas é isso. Não, mas, ô meu, o...

Eu estava conversando com o Roger, esse dia eu fui lá em casa, ele veio comentar um jogo, o Vilani me mandou uma mensagem, Duda, a gente quer comer um churrasco, mas não quer ir nos... Não é assim? Ah, tu faz um churrasco para nós. Eu falei, não, eu faço, de boa, eu me dou bem com o Vilani.

Cara, mas só que o Roger tá junto. Eu falei, ah, que problema. Que problema. Pode vir. Não, cara. E aí ele contando as histórias desses Corinthians e tal. E ele falou, cara, na verdade ele era difícil de lidar. A galera não era muito parceira mesmo. Mas o Roger sofreu ali também. É, ele contou. Ele contou, mas assim que também não dá pra falar. Sim, é. É que ele vivia outro meio também. Nossa, assim. Tipo assim, que daí tinha...

Eu sei porque eu fui parceiro de quarto dele. Primeira semana que eu cheguei lá, me colocaram pra concentrar com ele.

Aí os caras, tá maluco? Vai ficar com o Roger no quarto? Eu não entendi porque o Roger ficava sozinho no quarto, ninguém podia ficar com ele no quarto. Aí tu entendeu depois. Aí depois fui entender. Só que eu tranquilo, gente, porque hoje o Roger é dos poucos amigos meus do futebol. Ele vem aqui também, me liga, tomei café com ele esses dias. Vou pro Rio, falo com ele e tudo. Querido. Resumindo, o Roger é carioca, eu sempre falo pro pessoal.

Gente, ele é carioca, dá da conta, mas carioca, vocês sabem como que é um carioca, entendeu? Então esse lado dele carioca de C...

Aí aflorava no ambiente que os caras tinham, tipo, toda a gente, cada um, cada um. Mas jogava. Mas ele e o Carlos Alberto de fato se batiam. Ixi, demais. Ah, o Carlos Alberto e o Carlos Alberto e o Tevez. Não, foi o Carlos Alberto e o Tevez num dia. Não, tu tava naquele treino. Na treta. No Marquinhos, é verdade. Coisa?

Não, não tava. Cheguei depois. Mas, cara, tem umas imagens até hoje, às vezes rola. É o Teves e o Marquinhos, né? É, o Teves e o Marquinhos. O Marquinhos é o cara da base do Corinthians, meus negros. Tá aí na mão, mas assim, na mão, velho. Na mão, mano. O Teves é muito competitivo também. Coisa do Argentina também, igual o Dali aqui também, no treinamento. Não tem rachão, não tem brincadeirinha que a gente tem brasileiro ali. Não, e outra, tinha o Masquerano também. Masquerano, o Teves, o Seba. Isso. O Seba lá.

E depois veio o goleiro... O... A ver no ano seguinte, não era nesse ano, não. Não, não, não. O Cebado Mendes é o zagueiro. Mas teve um goleiro que veio depois, mas é chileno. Não me lembra desse goleiro. Não sei como era o Tevez, me conta. Tu chegou primeiro dele ou ele chegou primeiro?

O Corinthians 2005 iniciou com Passarela. Passarela, Daniel. Passarela, depois veio o Tite, se não me engano. Aí quando o Tite caiu, eu vim. Tá. Daí eu cheguei no entanto que eu peguei o Interino, que era o Márcio Bittencourt. Corinthians líder e o... E no entanto que a minha estreia foi um jogo que foi anulado. Do Edilson Pereira. Ah, tá. Corinthians e São Paulo. Na minha estreia, dois minutos de jogo, o Roger passa e eu 1x0.

Tive sorte com a estreia. Cara, tu faz gol de duas na estreia. Roger me passou e eu, tu, gol 1x0. De biquinho assim, tá? Aí o São Paulo vai e me vira o jogo. Perdemos 2x1.

Esse foi um dos 11 jogos anulados. A gente perdeu esse jogo e depois quando a gente foi fazer o jogo de novo, a gente empatou. Daí vocês ganharam um ponto a mais. E aí contra o Santos que tinha perdido, empatado, a gente jogou e ganhou. Uma coisa assim, quando São Paulo ganhou, fizemos 4 pontos de 1. Foi os 3 pontos de diferença do título que precisava. Só que foi provado que...

Mas o Edilson tinha apitado esse jogo aí. Ele apitou esse jogo, entendeu? Esse jogo a gente perdeu. Entendi. E aí teve que retomar esse jogo. Acho que a gente ganhou e empatou depois na volta, se não me engano. Só sei que dos dois jogos do Corinthians que foram anulados, a gente tinha feito um ponto. E aí anulou, fizemos quatro. Entendi. E aí a diferença do título foi três pontos. Aí tu refez os gols na volta? Eu fiz com o Santos, só que o jogo do Santos que foi anulado eu não tinha jogado o primeiro.

Entendi. Eu fiz contra o Santos, depois contra o São Paulo, não lembro qual jogo foi. Sei que naquele brasileiro aí no final eu fiz sete gols. Tá. No segundo turno ali. E o Teves foi o artilheiro, o melhor jogador do campeonato, arrebentou. É, eu lembro que ele jogou um gol. É, arrebentou. E aí 2006, que daí eu fiz a pré-temporada bonitinho e tal, foi um ano que eu arrebentei no Paulistão. Tipo assim, em números dizendo, de gols. E tu tava no Inter e Corinthians? Tava.

Foi um a um. Foi um a um, né? O gol do Sobbs. E a cavada de pênalti do Tim. Do Tim. É difícil pro Nilmar, meu, porque ele tem que... Bah, legal, você jogou. Ele tem que transitar assim, ó. Ele fica carregando uns pratos assim, ó, pra falar. Bah, você jogou. Mas, louco, porque ele quer encarar o Loco Costa. O Fábio Costa, a gente chamava de Loco Costa. Bah, meu, ele vinha e lenhava. Ele jogava com uma trava desse tamanho, Duda.

Eu acho que podia, eu escondia, não sei, uma trava de chuteiro desse tamanho. Finalizar as treinas de finalização, ninguém driblava ele. A gente batia tudo de fora da área. E o Antônio Lopes, que chegou depois, vai, encara o goleiro, driba, vai, vai. Vai encarar o goleiro lá, o Fábio Costa, tá louco? Ah, ele era louco mesmo, né? Ah, bicho, era bom demais, tá louco.

E aí o Tinga foi querer encarar ele, né? Foi encarar ele e tomou. Esses dias até eu gravei com o Edilson. Eu gravei com ele. Eu gravei quando saiu a série. Tá, mas não era ele esse jogo. Esse jogo era o... Não, não, esse jogo não. Esse era o Márcio Fezende. Esse era o Márcio Fezende. Ele estava encerrando a carreira. Isso. Só que aí... Essa é uma loucura. Esse erro não tem nada a ver com o problema do Edilson. Misturaram tudo. Só que aí mistura as coisas. O que eu acho?

Eram os dois melhores times daquele ano, era nós e o Inter. Não, disparado, era bem parelho. Tanto que empatamos o jogo. O erro grave foi esse pênalti. Agora, a anulação dos jogos não foi tendenciosa só para o Corinthians. Coincidentemente, teve dois jogos que a gente... Retoma aí. Retoma aí. Só que como foi provado judicialmente lá com os áudios, elas escutam e tudo mais.

Ficou muito entrelaçado com esse lance do Tinga. Que, na verdade, o Márcio Rezende era o cara, mas ele não tinha nada a ver com a tal da noção dos jogos. Nada a ver com a noção dos jogos. Ele só errou nesse jogo. Mas ele foi muito mal nos jogos, os caras falam. Ele foi mal, é. Ah, mas na época era assim. Eu cresci, né? Corinthians e Flamengo tendo esse... Favorecimento. Favorecimento, inconscientemente. Óbvio que não tem que ser, mas tá jogando lá no Pacaembu, com 30 mil pessoas lá gritando. Ah, não, esquece. O cara quer sair dali...

É, às vezes o cara errou, mas não teve tendencioso ou algo do tipo assim. Foi erro mesmo. Esse é um assunto delicado pra ti, não? Não, assim, tipo, pra mim foi de boa, assim. No entanto que eu tenho uma visão a respeito disso, de ai, tu faz gol, não comemora. Eu sou meio radical quanto a isso.

Muito jogador, respeito tudo, mas pô, estou jogando no Corinthians, se eu fizesse um gol contra o Inter, com todo respeito eu tenho com o Inter, mas quem está me pagando, o cara faz gol e, como é que eu te dou um soco aqui? Eu sou um amigo. É só um amigo, é, só um amigo, o cara está chorando lá e é só amigo. Então não chuta no gol, não quer fazer gol, não joga. Eu sou meio radical contra isso, então, para mim de boa, sim. Claro que hoje o meu clube é o Inter, pelos meus filhos, por tudo que eu vivi aqui e tudo mais.

Mas não tive que passar por isso, não. Mas que bom, né? Porque, meu... Aqui é diferente. É, porque, porra... Não, eu até te pergunto isso, porque, assim, não colou em ti a parada de estar no Corinthians na época e ser colorado, entendeu? Tipo, dá pra ver isso, porque tu sempre respeitou muito o...

A situação, né, tia? Só que daqui a pouco eu falo isso, mas também entendendo que eu não vivi o que meus filhos vivem. De meu filho ter, minha filha ter nascido e uma hora que não dá cimento, meu sogro apareceu com a carteirinha do Inter pra eles, lá na maternidade, lá no INSS.

Então a criança, o atleta que nasce aqui, vive, é gremista ou colorado, a ver que a pouco dentro dele tem um sentimento familiar maior do que o meu. O meu foi um sentimento... E até uma pressão da família também. A pressão da família. O meu foi um sentimento de 15 anos. Eu cheguei com 15 anos aqui. O meu pai era São Paulino. Eu era São Paulino até 12, 13 anos. Sim. É mais a gratidão, né? É, tem a gratidão. É, e tipo assim... Mas esse negócio de não comemorar gol contra um time e tal, isso aí eu acho... tá?

Não existe. Não, porque, cara, se tu parar pra pensar, tipo assim, é bem isso. Imagina, amor, é o prazer do nosso esporte, é o gol, é um sentimento, tu tem, fazer um gol, não tem como tu explicar o que é. Aí tu, pô, tu faz não poder comemorar. 30, 40, 50 mil pessoas, tá louco.

É difícil de entender. É, não, não tem como. Tá, que bom que tu não precisa provar nada pra ninguém. Mas a pressão em casa hoje existe do teu sogro, né? Bicho, tadinho. Tá sofrendo nos últimos anos. Tá bom. Também que ele pegou uma fase boa comigo ali. É, exatamente. Porque depois tu já tava em 2009, tu já tava com ele. Quase, tua esposa. 2004, minha esposa. Sim, mas eu digo no Inter, quando tu volta. Ah, sim, quando eu volto ali, final de 2007, ali, o pé...

Mas pega um título, pega vários granares... Até um fato engraçado em 2004, quando eu comecei a namorar a minha esposa sem ele saber, dele colorado doente, a minha esposa disse que tava vendo um jogo com ele, eu errei um gol, uma coisa do tipo, ele... Puta, meteu a boca em mim, minha mulher fala até hoje, não podia falar nada. Ih, guri de merda! Ih, guri de merda, é isso aí. Aí fui vendido, aí minha esposa foi pra França comigo, depois de seis meses, aí ficou um ano lá.

E aí voltei final de 2007, aí sim que eu convivi com... Então quando eu voltei, eu fiquei quatro meses no apartamento dele morando, que eu tinha vendido o meu apartamento, estava alugado o meu apartamento daqui, aí até eu comprar outro, sabe? Aí ele viveu a melhor fase minha no Inter de 2008 ali. Cara, ele deve ter vivido um sonho, né? Tipo, ter um guri que está jogando dentro da tua casa, tipo assim, é, ele só cumpria.

Porque ele escuta até hoje rádio. Hoje diminuiu, mas escutava muito rádio. Não tinha tanto imprensa como hoje também. É que hoje, além de ter, tem os influenciadores. Isso. Aí, às vezes, ele vinha me falar alguma coisa. Não, não, não. Não fala nada, não. Não quer nem saber, não. Não, que nem o Dali. O Dali sabia todo mundo que falava dele ou não. Claro, o Dali. O Dali, a da entrevista, sabia como era o nome do repórter. Eu só sabia a voz dos caras. Não tinha a fisionomia do cara.

O gringo era embaçado. Mas o meu, mas assim, tu pegou umas fases boas ainda, né? Ah, eu peguei. Não, fala assim. Tu não pegou crise nenhuma na tua carreira, pelo que eu tô lembrando. Santos, de repente, finalzinho. Ah, finalzinho ali, mas tipo... Ah, eu peguei. O que que tu pegou? Não, o quê? Peguei o Corinthians com a saída da MSI ali. Tá, mas vocês ganham em 2005. Isso, aí em 2006, Libertadores, a gente perde aquele jogo contra o River lá nas oitavas, que a torcida invadiu, uns 40 minutos de segundo tempo, invadiu o Pacaembu, nem terminou o jogo.

É que o Corinthians... Do nível de eu não poder voltar pra casa, ficar até duas da manhã no vestiário. É, Corinthians era assim na época. Não, ainda é. A gente teve que sair da cidade. Nós vamos pro Curitiba, ficamos uma semana ou dez dias fora de São Paulo. Ah, brincando. É, não, é... É até triste. Ultimamente a gente tem visto aí reunião com torcida e aquilo. A galera foi na minha época, existia.

De entrar dentro... Ah, teve uma época no Corinto, os caras entraram limpo no timão, com rodim, sabão e pó e jogavam assim no nosso pé. Eu só olhava onde tá o Seba, que era grandão, e o Marinho. Lembra o Marinho? Lembra o Marinho? O Marinho jogou no grego. Só escondia atrás deles, foi isso. Esses caras vêm pra cima de mim. Ah, mas ninguém aí, era só essa pressão psicológica e tal, que os caras acham que vai intimidar e tal, mas isso é tudo política, tudo...

A gente sabe como funciona, porque não tem como os caras entrar dentro do centro de treinamento. Mas até os caras ficam na porta ali e dão em um bar. Ah, até perigou. Isso aí tem que rever, porque é impressionante. É um sinistro.

Eu ia até estar falando com um jogador e aí ele me disse, olha, às vezes eu não jogo e quando eu não jogo eu torço tanto para nós ganhar, porque eu só quero poder sair para jantar com a minha família e no supermercado. Não dá para andar hoje em dia. Meu sogro sofria mais quando eu jogava no Inter com todo mundo de rádio ligando para ele, para eu dar entrevista.

E eu não gostava muito de dar entrevista. Ele era o assessor de imprensa do Genro. Não remunerado, ele falava. Eu falava, não, toma um vinhozinho. Ele adora vinho. Eu te dou um vinhozinho, se você tomar. É uma assessora aí. Mas isso aí. Mas foi legal essa parte familiar, assim, tipo... De jogar perto, assim. Ah, devia ser ótimo, meu. Mas aqui, tu volta pro Inter por quê e como? Ah, essa gratidão que eu tenho foi, tipo assim, óbvio que eu...

o início foi aqui e tudo mais, mas essa volta minha de 2007, que foi o clube que me reabriu as portas, porque eu estava praticamente um ano sem jogar. Sim, da lesão. Porque eu tive a primeira lesão ali em 2006, no meio do ano, nesse meu maior momento da carreira e tudo mais. E aí, início de 2007, no Campeonato Paulista, eu voltando da lesão de seis meses, cirurgia no ligamento, no terceiro jogo...

Uma imaturidade minha, hoje eu vejo isso. O Corinthians tinha contatado o técnico Leão, aí o MS City ainda é embora. E aí o Leão chega e eu jogo os três primeiros jogos deles, 90 minutos. Voltando de lesão. Aí no quarto jogo, contra o mesmo Palmeiras, um clássico, eu rompo outro limite. Resumindo, eu fiquei seis meses sem jogar, joguei três jogos, aí rompi o outro. E aí fiquei mais seis meses. Um ano sem jogar. Aí como que eu arrumo o contrato depois de um ano sem jogar, com 22 anos, 23?

E apareceu algumas oportunidades pra ir, mas tudo se encontrar de risco. Aquela coisa já tava começando a surgir, porque o menos sem jogar em dois joelhos, ele vai saber como que eu vou voltar. E aí o Inter abriu as portas pra gente de novo, falou, ó, vem pra cá e tal. Tá, mas assim, ó, a primeira lesão, ela se consolidou bem? Bem! No entanto, que eu tive a segunda, acredito eu hoje, vendo que eu me preocupei tanto com um joelho só que o outro, ok, bem...

Enfraquecendo? Não, enfraquecendo, mas não cuidei tanto de fortalecer os dois. Eu fazia os mesmos trabalhos, mas eu tava tão preocupado com a cirurgia do primeiro que o outro, como tava bom, eu treinava, normal, equilibrando tudo, mas acho que daqui a pouco sobrecarregando, jogava o peso muito pra um joelho só na volta, que é normal.

E o gatilho da lesão, como é que foi? Sozinho também. Ambos? Os movimentos, ambos. Adiantei a bola assim, cortei pra dentro, o pré ficou preso e só girou. Na hora eu já sabia que era cruzado. Tu consegue ver hoje uma lesão? Na hora. Só pelo movimento. Movimento, assim. Já vê. E não te dá uma lembrança da tua? Dá.

Só que no calor do jogo, eu não lembro de sentir dor. No primeiro momento, sim, o Stark sente dentro, assim, mas... Parece que dá pra ir, mas não... No primeiro a lesão minha, eu voltei pro campo.

Chegou a concluir o jogo? Não, voltei e estava frouxo no meu joelho. Aí naiventei. A primeira bola que veio, soltinho o joelho. Caralho, velho. Aí na segunda eu nem quis voltar. Eu falei, já estourou. Aí tem aquela coisa do merda. Vamos fazer o exame, vamos ver. Gaveta, eles chamam de exame de gaveta. Não, mas amanhã tem exame de imagem. Aí no imagem, já sei como que é. Na primeira ainda eu tinha dúvida. Tomara que seja só um menino. Sim, pode abrir aí que já sei o que aconteceu.

E aí foi que o Inter me deu a oportunidade de voltar. Aí eu vim, final de 2007, ali, nos últimos dois jogos do Brasileiro. Era o Abel, já era um Paul Inter 2007 que estava reconstruindo, porque depois da conquista de 2006, o time de 2007 não fez uma boa campanha. Sim, tem várias críticas naquela... E aí que eu iniciei em 2008 lá em Dubai, a pré-temporada.

Tá, esse é um assunto que eu queria... Acho que a outra vez que tu veio aqui a gente não falou. Que teve a Copa Audi e foi... Não é a Audi, a que eu fui. Claro, meu, em 2008, que tu faz o Audi bike. A Copa Dubai. A Audi foi uma outra depois. Ok, mas é a Copa Dubai que pega a Inter de Milão. A Inter de Milão, a Jax, eram os campeões... O campeão da Champions que tinha sido... Não, era campeão italiano, campeão... Era a Inter de Milão ganhou a Champions League. Era o campeão alemão, o campeão... É...

Não, aquele foi antes. Campeão alemão, campeão italiano, o último campeão mundial, que tinha sido o Inter. Ah, tá. Porque era 2006. Aí foi 2008. Os convites foram meio assim, sabe? Os campeões lá. E aí pegamos o Inter de Ibrahimovic, Júlio César, Maicon. Cara, que louco. Porque assim, meu, não existe uma parada hoje em dia de... Por causa do calendário, né? Tipo, o Mundial.

Puta, agora eles inventaram vários mundiais, tem o Mundial ali no meio do ano, depois tem a Copa do Mundo, depois tem a Copa, não sei o que, então não tem mais conta. Então essa época, assim, tu viu, esse era um jogo meio aleatório, era Inter e Estúdio, cara. Inter e... Isso era Estúdio, cara. Era, né? Era Estúdio. Inter e... Inter e Inter. E, cara, foi uma loucura. E aí eu me lembro, cara, tu faz um gol de bicicleta, velho, que é um negócio, assim, tu busca ela lá no alto, velho.

Já foi, eu fiz uma preparação boa quando eu voltei no final de 2007 ali. Eles não deixaram eu voltar a jogar por causa da segunda lesão. Aí 2008 já estava no início da pré-temporada, estava bem. Era o meu melhor momento, assim, fisicamente, né? Foi o ano 2008, porque daí eu tive tempo. Voltei numa cirurgia, em vez de seis, eu voltei em oito meses. Fiz uma preparação pré-temporada e tudo mais. O time era bom também, né?

E aí, das preparações do time que veio a ganhar. E aí foi um baita experiência. A gente veio pra temporada lá em Abu Dhabi. Dubai e Abu Dhabi ali. Ficamos lá quase um mês. E aí teve esse campeonato. Claro, que os times vêm da Europa, eu sei que em dezembro os caras acham um saco ter que jogar. Sim. Porque tá no meio da temporada, os caras tão mortos e tudo mais. Só que depois eu joguei com o Júlio César na seleção, com o Maicon, com os caras tudo, né? E eles falaram também no vestiário. Gente, vocês...

O sul-americano é a vida deles esse jogo. No entanto, quando eles saem 1x0, eles empatam o jogo. E aí vocês viram o jogo. Aí a gente vira o jogo. Claro, não joga com aquela mesma sensidade, mas o cara era muito bom, muito diferente. Se os caras jogando a meio pau é... É louco, eu olhava assim quem tava me marcando, Materazzi, falei, vai vir uma cabeçada aqui. Ai, meu Deus.

Ele tinha acabado de dar cabeçada, velho. Foi em 2006 da cabeçada, velho. Eu troquei a camisa com ele. Desse jogo aí. Desse jogo. Aí foi uma falta lá, o Fernandão bateu, acho que o Alex, o Fernandão bateu, o Marcão deu de cabeça pra dentro da área.

E tu busca a criança lá na... Julio César, o goleiro. Era. Mas tudo eu joguei na seleção. Não, mas olha, é um gol, acho que... Cara, só não é o gol Mabrunho da Caieira, porque depois tu resolveu driblar até o Bandeirinha. Porque senão, cara, aquilo aí foi... Ah, é pra colocar no DVD, eu falo. Ah, tu tem uns golzinhos. Tem que colocar no DVD. Ah, ia me vender fácil hoje, só com o melhor momento. Não, ô Nymar, falando sério, velho. Hoje a gente vê futebol.

Cara, assim, tem uns moleque aí que ganham um milhão, um milhão e meio, que não jogam uma perna do que tu jogava. Ah, mas... Cara, uma perna do que tu jogava. Quando eu joguei também, falava... Falava o que o cara antes... Mas, meu, tu jogou muito... Sempre foi assim, vai ser cada vez mais os nomes. Legal que tem isso, a parte financeira hoje, tudo. Tristos do passado aqui, né? Os mais ainda... Mas mesmo assim, tem uns dos passados que falam que pra época ainda eles ganhavam...

Muito bem. Considera pela população, pelo ser trabalhador e tudo mais. Não, e até pela economia da época. Economia da época, isso. Se conseguisse ter uma vida absurdamente boa, como todos... Só que hoje eu falo sempre que os atletas hoje têm mais acesso à conscientização de saber que dinheiro não aceita desaforo. Não adianta ganhar milhões e...

Me lembro que muita gente achava que tu poderia ter tido uma carreira mais foda ainda se tu tivesse feito escolhas melhores. Já devem ter te dito isso. Escolhas melhores ou ter tido outros empresários. Muitos falam isso até hoje. Cara, e o que tu acha disso? Ah, fica no si, né? O si vai sempre... Eu também penso que se eu não fizesse os dois gols na final de juniors ali, eu não iria pro Bolsonaro. O si não... O si não...

E outra, no futebol, escolhas. Acho que só Neymar, Ronaldinho, só esses caras Messi, esses caras podem ter escolhas. Nós, assim, normais, vamos dizer assim, por mais que eu tenha um talento e tudo mais, a gente vive muito no automático e nas oportunidades.

Aqui no Inter foi tudo, ó, o Inter precisa vender. Vou pro Lyon, eu preciso ganhar meu dinheirinho. Vamos. Eu não podia na época falar, não, eu não quero ir, eu quero ir pra um time maior. Não tinha esse, tipo assim, o meu entorno, umas costas quentes, vamos dizer assim, uma coisa garantida. Ah, o Robinho ficou dois anos no Santos. Sim, mas o Robinho sempre foi Robinho. O Neymar ficou no Santos mais tempo. Porque o ideal seria eu sair depois de 20 anos, jogar aqui no Brasil um tempo, depois.

Se eu ficasse no Inter mais tempo e continuasse para a seleção, poderia ter ido com um time maior e tudo mais. Mas eu fui tipo aquela coisa que eles falam. O cavalo passou, eu montei. Grana. As decisões não é só do jogador. Claro que a última é, mas tipo, empresário, família. No entanto, eu sempre digo, em todo lugar que eu falo. A única decisão que eu tive minha, sem ouvir ninguém até mesmo, nem minha mulher, meus filhos, nada, ninguém, foi de parar de jogar.

Foi a única que escolhi? Só eu que escolhi. Se fosse perguntar pra alguém, eu tinha que ter continuado, tinha que ter voltado. Foi a única na carreira. É que tu termina de uma forma abrupta. E muito difícil, né? Que foi o teu caso, o teu quadro de depressão ali. Mas minhas vendas foi assim, foi tipo mais ocasiões, oportunidades, grana. Mas como é que se dava a escolha, por exemplo, pra ir pro Qatar?

Ah, o cara... Assim, momentos. O Lyon foi a oportunidade do clube minha de fazer uma grana. Depois, pra eu ir pra Espanha, era um sonho de eu voltar pra Europa e me firmar. Porque eu tinha aquela coisa... Pô, fui pro Lyon, fiquei só um ano, não joguei, eu quero voltar a jogar na Europa um dia. Aí foi pra minha oportunidade de ir pra Vila Real, uma baita de uma venda pro clube também, naquele ano de 2009.

E aí, querer jogar no campeonato que pra mim foi um de um melhor, joguei e gostei, que é o Campeonato Espanhol, que tu joga mesmo de verdade, o cara que o francês jogava, mas não era um... favorecia o meu estilo de jogo. E aí depois foi a escolha de vida, o Qatar e o mundo árabe foi mais... Grana mesmo. Grana mesmo e também o estilo de vida familiar, assim, como eu sou muito tranquilo, resguardado, tipo, caseiro, o mundo árabe foi o melhor lugar que eu vivi.

De jogar uma vez na semana, de treinar só de noite, de ver meus filhos crescer, de poder levar eles na escola e buscar. O Brasil esquece.

Se é quarta e domingo, viagem, concentração, pressão. Lá tu tem uma qualidade de vida, mas profissionalmente foi horrível, assim. Jogar pra 100 pessoas, 200 pessoas. É, isso ainda é interessante. Tu se automotivar. É uma briga interna grande. Não, e assim, ganhando bem e tendo que se automotivar pra poder jogar pra meia dúzia de gente. Um cara que já tinha jogado Copa do Mundo, já tinha jogado Deus do Mundo. E a cobrança interna é absurda.

Eles acham que tem que fazer chover. Tu escuta cada coisa lá no mundo árabe. Eu te contratei para fazer um gol por jogo. Gente, um gol por jogo, só o Cristiano Ronaldo no Real Madrid. E outro, se eu fizesse um gol por jogo, eu estava na Europa ainda. Eu estava aqui.

Não ia querer estar aqui. Não ia querer. E na minha época só contratava atacante os times. Hoje ainda mudou. Hoje estão levando até goleiro pra lá. Estão levando zagueiro. O teu time era fraco, é isso? Não, a maioria dos times é três estrangeiros e sete locais. Sim, claro. Não é um país grande que surge um monte de talento e tudo mais. É difícil jogar. Eles falam que é fácil, não é fácil.

É, porque eu também, eu conversei com o Ramiro, que ficou, o Ramiro, né? Ficou um tempo lá. Cara, ele disse, meu, juro por Deus. Eu tinha colegas de coisa. Trabalhava no aeroporto. Isso, era taxista. Não, tinha moleque, pautava no treino. Imagina aqui no Intergame, um jogador não vir treinar hoje, vem só amanhã.

O que eu ficava apavorado é o seguinte, cara, eu conversei com o Raminos, o Raminos é campeão de Libertadores, jogou no Corinthians, jogou em times muito grandes aqui, vai lá e, cara, com todo o respeito, mas tem um colega dele de trabalho que está fazendo obra, que está fazendo taxista. Trabalho no governo. Trabalho no governo. Isso aí, tinha uma coisa de governo. Falei, cara, como é que...

Sim, tem um amigo meu que joga com ele até hoje, ele faz avião hoje na Qatar Airways. Imagina, cara. Treinava comigo e jogava comigo. Mas não é possível isso, não pode, cara, sabe? É louco, é uma briga. Quem é muito competitivo, assim, ou vaidoso, não aguenta ficar lá.

É, porque... Porque tu não tem reconhecimento, que tu, né, por mais que é... Aqui, tu sai na rua, te reconhece, tu tem o ego, quem tem o ego, assim, muito elevado... Sim, muito inflamadinho, vai sofrer, porque lá tu é mais um e... E deu. E deu.

Lá é, tipo, o brinco era, na minha época, né, era o Playstation deles lá, tipo. Eles só queriam... Queriam, é. Era um entretenimento mesmo. E eles tinham ganhado pra sediar a Coffa do Mundo, né, 2012. Uau. Eles ganharam pra sediar em 2022 agora. Foi 2022? Foi 22, tu surpreso? 22, isso. E aí, eles tinham... Aí, tipo, levou... Era o Raul, que tinha jogado no Real Madrid, tava lá.

Nossa, velho, Raul. Aí fui eu. Eu e brava. É, Raul tava lá, tava eu. Aí depois veio o Chave no outro ano. O Chave, né? Sim, claro, pô. E eles levam sempre uns figuras, assim, conhecidas, mundialmente, pra levar, igual agora, na Arábia e tal. Chambonava. Tem vários caras agora, Bezema. Bezema.

Mas é isso, é grana e profissionalmente é difícil. E o meu, o teu empresário, eu não me lembro dele ter outros jogadores. Não, ele teve bastante, só que a relação que eu tive com o Orlando...

Ele foi meio que um segundo pai pra mim, que eu cheguei aqui com 15 anos de idade, eu não tinha empresário, foi meu pai que fez meu primeiro contrato aqui no Inter. Não precisa ter noção na época. É, isso é muito... É bem diferente isso. E aí um dos meus melhores amigos era jogador dele, e o Orlando tinha trabalhado no Inter já de captação de atletas e tudo mais. Então ele aproveitou essa oportunidade que ele já conhecia, que ele falava com os pais dos meninos que vinham lá do norte, do Brasil todo.

E ele viu uma brecha e começou meio que auxiliar, saiu do Inter e tal, começou a trazer meninos. Não, trazer meninos pro Inter, pros clubes, da base. Só que ele era tão, tipo assim, parte humana, que foi uma das relações que eu mantive com ele, que eu não tinha... Ele foi meu empresário durante toda a minha carreira. Eu não tinha nenhum documento assinado com ele até hoje. Uma procuração, um contrato. Então era uma relação de, tipo, de pai, segundo pai pra filho, de confiança.

E ele sempre me valorizou muito, tipo, os contratos que eu fiz jogando, claro, foi graças aos gols, tudo que eu fiz, mas ele sempre me valorizou muito, tanto que ele desgastava muitas relações com os clubes de pedir grana, no sentido contratual, ano de contrato. Ele era muito... E meu primeiro contrato profissional, quando foi me chamar pra celular, o Fernando Carvalho, quem é do empresário? Ah, o Ordon da Hora.

Ele me viu jogando na base e foi lá pro presidente e falou, ó, tem um menino aí e tal, ele ganha 400 pilas por mês. Aí todo mundo já ganhava 800, sabe pra você ver como que era? Sim. Eu ganhava 20 pilas lá no Matsubara, lá de ajuda de curso. Pra ti já tava... 400 pra mim era mais que o salário mínimo do meu pai e da minha mãe. E aí os caras tudo já ganhavam tipo 800 pilas, o dobro que eu ganhava. E aí ele foi lá pro presidente e falou, ó, aumenta o salário do menino, tem um menino na base, bom.

Aí foi criando essa relação com ele. Aí quando eu fui fazer o contrato profissional, ele...

Falei, Orlando da hora, presidente, vai falar por mim. Falei pro meu pai. Aí foi lá e falou, ó, Nilmar vai trazer os pais pra cá, no contrato eu quero um apartamento pra ele. É um apartamento meu que tinha até pouco tempo atrás, tava alugado. Ai, me deu. Mas meu pai e minha mãe não vem, não. Vem outras coisas pra ter um apartamento.

Batei de coisa. O importante. Foi essa a relação com ele. Ele perdeu muitos jogadores por esse lado na palavra. Ah, da confiança. Que no fim da conta nem precisava atinar. E o jogador é malandro. Não é malandro, é necessidade. Muita gente em cima. E o meu pai teve muita gente oferecendo casa, dinheiro. Até pra mim mesmo.

pra eu assinar contato. Sim, tu não. E ele, olha, vai te dar, mas vai tirar lá na frente. Então, eu cresci com isso na cabeça. Mas tu tem uma boa base familiar, né? Tive, mano, não tive. Tipo assim, eu falo, ah, não passei fome, nada. Uma família humilde, meu pai foi chefe de garçom a vida toda, minha mãe foi enfermeira.

Mas nunca faltou nada em casa. Mas eu digo de valores, assim. Ah, de valores muito. Isso, que é errado, que não é. No entanto, todos os meus amigos bebiam, fumavam. Eu nunca fiz nada disso durante a carreira toda. Agora eu comecei a tomar um vinho. Eu até brinco em casa, porque eu me arrependo. Eu morei na França, na Espanha, no Berster. Não conseguiu aproveitar. Eu tomava Coca-Cola. Tomava refrigerante. Não conseguiu aproveitar. E aí comecei a beber agora, com 35 anos.

Depois que eu parei de jogar, tomar um vinhozinho, apreciar e tal, nada demais também. Sim. Mas por gosto, assim, tipo, os pais não fumavam, não bebiam também em casa. Mas eu tive esse lado, assim... Mas é que esse lado da família faz com que tu... Pai! Não faz com que tu tivesse essa relação com o teu empresário, entendeu? Sim. Tipo, meu... E muitos não entendiam, tipo, assim...

É, acho que a opinião pública eu não entendi, tá ligado? Tipo, quem é esse cara? Quem é esse cara que consegue ter um Newmar, velho? É o tamanho do Newmar, sabe? Essa é uma coisa que ficou mesmo. Não, só grato até hoje, vai, tá louco. Vivemos muitas coisas. E tu ainda tem contato com ele? Tá. Mas ele tá no meio do futebol? Tá, ainda segue. Tá lá pra Bahia, lá de Ilhéus. Ah, é?

Fazenda dele lá. Tá bem. Mas ele tem esse lado mais... Meninos, garotos, de descoberta e tal. Ah, ele lida mais com a base mesmo. Ô meu, e como é que... A gente falou dos gols, né? Como é que foi aquele gol? O que tu te lembra lá dele? Do gol que tu diria, meu Deus do mundo. Ah, o primeiro jogo do Brasileiro, 2009. Foi o primeiro jogo contra o Corinthians que eu ia fazer.

É, acho que era. Foi contra o Corinthians o gol. 2008 eu joguei. Foi o primeiro jogo no Pacaembu, minha volta lá no Pacaembu. Depois tinha jogado lá. E... Ah, era. Eu tava num momento muito bom meu, assim. De ter retomado depois da cirurgia ali em 2008. Eu fiz aquela temporada boa ali com o Inter e tal. Tinha esse campeão do Sul-Americano e tudo. Perfeito gol do título.

E aí era a minha primeira oportunidade de poder jogar um brasileiro inteiro, assim, vamos dizer. Em 2008 a gente jogou, mas aí quando chegou na parte da United Sul-Americana, a gente começou a não jogar tanto e jogar mais Sul-Americana. E aí era a oportunidade de eu falar, vou fazer um campeonato brasileiro bom, porque... Queria o Inter sem ganhar o brasileiro há, sei lá, já era 30 anos já.

E aí foram pra esse jogo. Eu lembro que o Ronaldo não jogou esse jogo. Que é o ano que o Ronaldo tava... O time na estádio tava cheio. Era o mano treinador do Corinthians e tal. Que é o cara que te descobriu. Cheio de significado do jogo. E aí era o ano nosso. Tipo assim, ó. Deu o campeonato sul-americano ano passado. Esse ano vai ser o brasileiro. O Inter aumenta igual... É o brasileiro. Só que a gente tinha um time pra chegar. No entanto que chegou.

Aí fui pra esse jogo, tava começando... Aí foi aquele lance lá. O Dali me deu um passe pra gol lá no meio-campo. É uma virada, né? E aí tu recebe lá na ponta direita, tô certo? Um passe pra gol lá no meio-campo, tá lento. Aí tem uma assistência para o Dalesandro, só que se derrubou oito. Oito, isso aí, é. Aí eu fui, o Thais também levou a marcação ali, cruzou, depois eu vendo no vídeo eu vi que ele cruzou e levou um pouco a marcação também. Mas vai acontecendo natural, assim, tipo...

Na hora que eu vi, eu tava ali dentro da área, eu não caí, quase que eu caí ali numa tesoura ali que eu levei, aí consegui, me desequilibrou e... Já conheci o Pacaembu, né? Tinha jogado um ano... Tinha as referências? E aí foi que, parça, depois eu ia na TV e tu vê que foi difícil, assim. Então, normalmente passaria a bola, não ia, né? Não sou tão fominha, nunca fui tão fominha, assim, mas naquele lance lá eu fui. Cara, o...

O lance vai acontecendo naturalmente, né? O jogador, quando pega uma bola assim, ainda mais vocês que querem fazer o gol, tu só tem o olhar fixo pro gol, né? Tu só quer mirar o gol. E aí as coisas vão acontecendo e a jogada vai se construindo naturalmente. É assim que funciona um lance mágico. Eu, como atacante...

Toda a minha carreira era entrar dentro da área. A gente cresce aprendendo isso. Entra na área. Porque se eu entro na área, perde aquele ímpeto do zagueiro de... De te dar uma... É, vai ser pena. Vai ser, no entanto, que eu consegui driblar com a esquerda ali, puxei a bola e ninguém tocou em mim, porque... Tem, é. Dentro da área, tu tem vantagem em cima do zagueiro. Só que pra chegar na área, eu tava longe. Sim, porque tu pega ela lá no ponto direita, velho.

E aí tu vai vindo, vindo, vindo, vindo, vindo. E no finalzinho, eu dou meio que uma tropeçada e aí consegui me equilibrar.

Daí a finalização também, já tava meio que sem força também, porque muitas jogadas ali, até durante toda a minha carreira que eu fazia do meio de campo, chegava já meio que sem força, porque desgaste e tudo mais, nunca fui um cara que ia conseguir finalizar bem ainda.

Meu, esse gol, ele abre o Jornal Nacional, velho. Ah, Jornal Nacional, ganha placa, tudo. Aí foi o que... Aí saiu pro mundo todo e tudo mais, aí... Aí veio o Wazes tocar aqui no Gigantinha, aí o cara, quero saber quem que é o... Ah, tá brincando. Juro, tem uma matéria. Quero saber quem que é o...

o menino do gol. Aí me tiraram dentro, treinando, tipo, os caras lá no campo, porque o Gallagher lá... É o Leon. É, um dos dois ali. Olha como que eu sou. Minha mulher é fã deles, eu nem sabia. Ou eu e o Leon. Na formatura dela, a música que ela entrou lá e tal. Era com os caras. Aí sai no jornal eu com os caras. Ela, como assim? Eu sou fã deles. Tanto que agora eu fui pra Buenos Aires e assisti o show deles. Ah, sim, a volta deles. Mas foi lá.

E aí me levaram lá no camarim deles Pra tirar foto que ele queria Que era o torcedor do Manchester Os dois foram viciados Me levaram lá Com roupa de treino do Inter Eu tenho uma foto com eles Tá brincando, velho Tu tem essa foto? Eu tenho, me manda Apareceu agora de novo Porque eles voltaram Eu até encerrei a carreira dos dois Fiz os irmãos brincar

A culpa foi minha. A culpa foi minha. Nunca mais teve show dos caras. Tava brincando. Os caras queriam te conhecer, velho. Por causa do gol, velho. Por causa do gol. Cara, mas tu não chegou a ganhar prêmio da FIFA no final do ano com esse gol? Aí fiz esse gol, joguei mais cinco jogos só do brasileiro e fui vendido. Tá. Do Vila Real.

Aí chega no Villarreal, sai a votação do gol... Puskas, quer dizer. Puskas, é. Aí mandaram lá pro Villarreal me liberar pra ir pra FIFA, lá no premiação. Eu entrei entre os 10. Porra! Aí, não, deram pro Cristiano Ronaldo um chute de fora da área. Mas porque o Messi levou o melhor do mundo aquele ano... Chequeiro. Dos 10 gols, o meu nem era o mais bonito. Mas era o mais bonito, eu acho, que o chute do Cristiano Ronaldo. Foi um chute, um chutasse de fora da área, lá no ângulo. Mas isso ele...

todo ano. É, eu falei, gente, esse gol pelo amor de Deus, dá pra nós aqui, os mortais. Aí deram pra ele o Puskas. Aí na real nem me liberou pra ir pra... Nem fui pra premiação. Então ficou entre os 10 pelo menos. Sim. Ficou entre os 10. Aí tem uma votação aqui no Brasil, o melhor gol do brasileiro, eu perdi aqui no Brasil. Mas deram a votação da torcida. Ah, sim. Aí ganhou um do Palmeiras no meio. Acho que foi o Diego Souza. Ah, aquele que ele dá um foguete no meio do...

É que é um gol legal, mas assim, do Cristiano Ronaldo não podia ser. Eu nem vi, não sei nem qual era, mas eu tenho certeza que o teu foi uma pancada. Não, mas teve gol de bicicleta de fora da área, muito mais bonitos. Mas ali, na época, o Messi ia ganhar, não sei qual que era, a bola de ouro dele. Não, a 18ª bola de ouro. 18ª, mas concorria. Tava lá o golzinho. O Villarreal, como é que você não libera o cara pra ir? Não, nem vai, não ia ganhar nada, ia fazer o que lá? Ia gastar dinheiro com o Terno e...

Não, tem que pagar passagem. Geralmente é país que tem as coisas. Sei lá onde é que é. Porra, sacanagem. Tá, mas esse gol também te leva pra Copa, tu acha que não? Ah, eu acho que o que me levou pra Copa foi a minha temporada de 2008 aqui no Inter, naquele time da Sul-Americana ali. Que daí o Dunga começou a me levar. E aí 2009, com a minha ida pro Vila Real também, que eu cheguei bem lá e tal.

Daí eu comecei a ir, tipo... E também, o que me levou a Copa foi as oportunidades que eu tive na seleção, tipo, quando o Robinho e o Luiz Fabiano não jogavam, jogavam o Adriano e eu ali.

Eu fazia gol. Entrava, fazia gol. Aquela coisa, do aspirina. Aproveitava as oportunidades. Tirava a dor de cabeça do Dunga. Tinha coisa de dois cartões amarelos, jogava e não podia jogar. No entanto que eu fiz três gols num jogo de eliminatórios contra o Chile. Tava sempre lá. Tava sempre ali. E aí o Dunga gostava do meu estilo de jogo e tudo mais. Tu gostava do Dunga, né?

Muito, tá louco. O treinador que mais protegeu um grupo que eu joguei, assim, tipo... Todos protegiam o de si, mas, tipo assim, ele protegia até demais. Sobrecarregava ele. É. Só que pro jogador, sério, nunca jogava tão confortável com essa questão de...

Tipo, faça o que vocês verem. E deixa as costas minhas largas. E era a larga do ano. Baita ser humano. Baita treinador. Até hoje. Jorginho também. Baita cara. Foi triste aquele ano no Itacopa. Foi um ciclo que ele construiu ali. E ele também levou, não a culpa, mas ele foi o responsável por mudar uma coisa que em 2006 aconteceu. É, que foi a... E aí jogaram tudo em cima dele.

Porque era, não é bagunçado, mas era... Não, era bagunçado. Desde que eu falo, 2006 foi uma vara. Era muito aberto. Foi bizarro aquilo. Em seleção brasileira, a marca é muito forte. Meu Deus do céu, onde a gente ia jogar, era impressionante. Independente de quem estava lá como jogador, era algo fora do comum.

Copa do Mundo, em termos midiáticos, assim, de imprensa, gente do mundo inteiro querendo acompanhar a seleção. Ah, tá louco. É a maior marca que existe. É a maior marca, né? E ele foi responsável a cortar muitas coisas, muitos vícios que existiam ali, então, pra ele foi...

Em termos táticos. Ah, ele perdeu quatro jogos em quatro anos, se eu não me engano. Não, e a eliminação de vocês, que eu já conheci... Foi o melhor primeiro tempo da Copa. Vocês jogaram muito. Teve um gol anulado que ele até veio aqui. Ele falou, Duda, pega o jogo. Tem um gol que o japonês... Ele até contou que ele reencontrou o japonês. Depois o japonês veio comentar. Ele fingiu que não conhecia porque estava com tanta raiva do japonês. Porque o japonês anulou um gol. O japonês, enfim, o árbitro, né?

Legítimo. Se tu pega de novo, legítimo. E aí seria 2x0. Não, o primeiro tempo foi um baita... Mas Copa do Mundo é isso. Eu falo sempre. A melhor seleção que chegou pra Copa foi a Espanha. Perdeu o primeiro jogo e ganhou todos os jogos de 1x0 só. Inclusive a final. Quando Copa do Mundo, o emocional, tem aquela coisa... É muito rápido, né? Muito diferente. Muito rápido, meu. Se os caras se fechar ali...

Mas aquela vez lá, meu, porra, eu já conversei com vários caras, inclusive o Felipe Melo ultimamente até. Ele disse, Duda, não tem, assim, cara, é do jogo. É do jogo, ó, tá louco. Não tem, não existe um pago. Se quiser, fui eu mesmo, caguei, é isso aí. Tá louco, né? Eu sempre falo, o Felipe tá louco. Deram as cinco pra ele, ele assumiu lá e assumiu a titularidade, jogar na seleção, Duda, não é fácil, mano. A gente tá vendo hoje aí. Nos clubes, os jogadores são um e chega na seleção. É muito difícil a seleção.

Tu não tem tempo pra treinar, tu tem que ter raciocínio muito rápido dentro de ali pra tu se entrosar com um cara que joga em outro estilo de jogo, com outra liga, mas o meu, tu tinha uma característica muito diferente do cara que era titular, né?

Ah, era, é. Eu jogava mais aberto ali. Na verdade, eu era banco do Robinho. Ah, tá. E o Graffiti? O Graffiti, na verdade, o banco era o Adriano durante toda essa trajetória ali. Se eu não me engano, o Graffiti, acho que... Ele entra... Ele só entra direto pra Copa, porque ele tava arrebentando na Alemanha, né? É. Tanto que ele teve um gol também com o Correio Opuscas. Ah, me lembro. O do Calcanhar. O do Calcanhar.

E aí o Adriano acabou não indo pra convocação final. Foi quando ele veio pro Flamengo, daí... Ah, ele é campeão brasileiro 2009. 2009, é. E aí não foi, o grafite foi. Era eu, o grafite e o banco. O branco era... Mas eu sempre, tipo, o Robinho tá suspenso e tal, eu entrava e jogava. Tanto que o jogo que eu fiz três gols, eu entrei no lugar dele, que ele tava suspenso, e o Adriano no lugar do Luiz Fabiano. Só que o Robinho e o Luiz Fabiano estavam muito bem na época.

Os dois estavam... Era, não. Fabuloso. Um ano antes, lá na Confederação, isso lá arrebentou também. Bah, me lembro dessa...

Era muito bom esse time, velho. Era, coletivamente, era muito bom. Tipo, o Dunga montou um... Acho que a Copa América ganharam também com o pé nas costas, velho. Sim, não, o time era coletivamente, assim, o estilo de jogo, o jeito que jogava era... O Kaká também chegou meio cansado na Copa, tadinho, sofreu muito. Ele tinha uma lesão, acho. Uma lesão em clubes, que ele sofria muito. E ele era o melhor do mundo ainda. Ele era o melhor do mundo, tinha sido a maior contratação do Real Madrid até a chegada do Cristiano Ronaldo. É, é isso aí.

Cara, tu frequentou um Vechar. O mais teste que eu vivi durante toda a minha carreira foi depois desse jogo contra a Holanda. Tu olha pra um Gilberto Silva, um Lúcio, esse cara foi o campeão mundial. O olho lacrimejando de tristeza. Porque tava muito perto pra chegar, tipo...

E vocês tinham um time, de fato, competitivo. Eu acho que o melhor de nome era o 6. Porque era Ronaldinho, fenômeno. Ah, não, sim. Era um absurdo. Mas como coletivamente... O 94 ganhou coletivamente. Claro, tinha Romário, igual esse. Tinha um Kaká melhor do mundo ali, um Robinho pra desenquistar. Mas acho que de 10, meu, ele coletivamente foi o que melhor jogou. Porque, assim, 18 era muito bom, mas não... ...

Aí o 14, cara, chegou aos trancos e barrancos ali do Brasil. Chegou mais porque era o Brasil. 18 era muito bom time, mas, cara, nenhum momento diz assim, porra, velho, andou. 2022 acho que era um time bom também. Ali foi uma rateada ali. Agora, o 10, meu. Cara, o 10 ele merecia ir mais adiante. O Mike contava bem, o Júlio César. Os caras tinham sido tudo campeão da Champions League, da linta de Milão. Mike, o Júlio César, o Lúcio. O Lúcio. O Pá. Jogava demais.

Deus me livre. O Felipe Mello, ali, de 5, assumiu a posição de um jeito que... Era isso aí. Aí o vestiário, bom, não tem nem o que falar. Ah, tristeza absurda. Foi o jantar mais triste, assim, depois da eliminação, foi esse.

Como é que se termina daí, assim, a curiosidade mesmo? Termina, vai vestir, ah, beleza. E aí o que acontece? Rapaz, eu falei, eu tô indo pro meu clube. Nada, só pro hotel e no outro dia a gente voltou pro Brasil. Aí chega no Brasil, voltou todo mundo. Chega em São Paulo, aí cada um vai pro teu, a CBF já destina os voos. Eu lembro que tinha um voo particular pra vir o pessoal do Sul.

Mas eu não vim com o pessoal do Sul, porque eu fui para a minha fazenda de lá. E aí tem mais uns diazinhos de férias. Eu estava na Europa, e o Vila Real me deu mais 15 dias de férias. Minha filha nasceu na semana seguinte. Mas você não veio para cá para nascer. Nasceu, porque você estaria lá. Não, ela nasceu dia 21, a gente saiu dia 4, dia 5, demorou uns 10 dias. Mas você esperava ser convocado, não foi uma surpresa.

Não, eu esperava por 2009 ali, tipo, final de 2008, 2009, por eu já ter ido pra Copa de Confederações, por eu estar jogando em eliminatórias, eu estava no grupo, toda a convocação eu estava presente, estava fazendo gol também, mas até a convocação final ninguém me falou nada. Nada? Nem liga e diz assim, ó, qual é a terra? Zero. Pra mim, não. Nem o Dunga falava. Eu estava lá na Espanha, né?

O cara sente, né? O último amistoso que fui convocado lá, que foi na Inglaterra e tudo mais. Eu cheguei até a última aqui, pelo amor de Deus. Agora não vai me deixar fora. É o amor de Deus. Até saiu o nomezinho lá. O N demora pra caramba. Sim, alfabética. Reuniu maior gente lá na minha cidade pra acompanhar. Foi mó legal. Muito legal. Cara, isso deve ser... A realização, eu sempre falo, a Copa do Mundo, seleção é...

Tupac, quando tá teu nome lá, convocado pra Copa, tu lembra do mesmo trabalho que eu fiz na escola lá, teu sonho? Ser jogador de futebol, jogar na seleção. Hidro, Romário, tipo assim, quando eu tinha 10 anos, Copa de 94. Passa um filme na cabeça, caralho. Só que daí hoje eu vejo o tamanho que é, porque quando tu tá lá dentro, nem tem essa noção. Quando eu cheguei na Copa, eu vi aquele ônibus assim, ó.

Somos 200 milhões de torcedores. Tipo assim, uma mensagem assim, tipo, o país tem 200 milhões, meu Deus, tem 200 milhões acompanhando nós aqui e tal, o que é responsável por isso. Só que hoje eu vejo que é o responsável, mas na hora ali tu tá tão no automático que... E aí depois, quando tu para de olhar, que tu vira torcedor, como é que é o Nilmar vendo Copa do Mundo? Ah, vendo Copa, eu... Tipo assim, vendo, tipo assim...

Tu vira um torcedor mesmo, tu passa a se olhar meio com o olhar ainda de jogador. Não, olha, com o olhar de jogador, torcedor esquece. Acabou isso. Nunca mais consegui. O primeiro jogo que eu fui na arquibancada, quando eu parei de jogar aqui, que foi um jogo do Inter, eu falei assim, tem um caso, ou com o meu sogro, não sei pra quem que eu falei, agora eu sei porque a torcida corneta tanto. Daqui de cima é muito fácil.

Eu passo ali, eu falava assim comigo. Porque não passou ali? Sim, o cara tá olhando, tá lá no raio de arena, muito difícil. Por isso que esses caras são diferentes. Eles têm a visão que a gente tem lá na arquivancada, eles têm lá dentro do campo. Isso aí eu entendi, tipo assim, agora eu sei porque a torcida reclama tanto, porque parece tão fácil aqui de cima, aqui de fora. O cara passou o fogo, era só dar no lateral. Mas esse até eu faria, eu lembro, eu levei um desse quando eu jogava. Eu fico quieto, é, até eu faria.

Agora eu posso falar. Eu fiquei tão bom depois que eu parei de jogar que eu nem sabia que eu era tão bom. Não. O cara melhora. Aquela brincadeira do Nilmar ou fulano. Os caras são melhores que todo mundo. O próprio Tinga brinca com você. Falou. Se eu tinha que falar...

Melhor? Perguntava pra Inglaterra, melhor de algum. Você é quem que era o jogador? Falei, sou. Depois cheguei em casa, falei, como que eu sou? O cara tá posando na Premier League. O cara é artilheiro da Premier League. Ah, o Igor Thiago. O Igor Thiago. O Igor Thiago. É que eu não tava acompanhando muito, né? Eu, não. Igor Thiago, Nilmás. Sim, ó, o cara meteu um monte de nome que eu era pior. Falei, um, eu tenho que falar que eu sou melhor aqui.

Pra ficar, o vídeo vai ficar só eu. Pô, tá louco? Os crianças nem sabem quem sou eu. Eu, Nilmás, eu fui ver. O cara é artilheiro do campeonato em inglês.

Exonosou melhor. Exonosou melhor. A gente sofreu, tá louco? Eu cresci. Acostumado a ver Ronaldo, careca. Agora não estamos vendo aí Luiz Sabiano, Robinho. Sempre teve essa... Agora o Luiz Sabiano e o Robinho estão fazendo falta, entendeu? Agora o Neymar é o Neymar. Eu brinco, falo agora. É igual o Neymar, a galera tem má vontade com ele. Daqui 10 anos vão falar. Meu Deus. Meu Deus, que saudade do Neymar. Falar nisso, tu levaria o Neymar para a Copa? Tá louco.

Duda, eu só não levaria o Neymar? Aí, alguém disse eu. Não, tu é o Neymar, pô. Se a gente tivesse o gol em 2002, a gente tinha Rivaldo, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho. Aí tu deixar o Romário de fora?

Por mais que eu fiquei bravo na época, que eu sou o meu maior futebol romário, tu vai entender. Agora, como, a seleção não encontrou um cheio de jogar ainda. Tu tem o cara que é o maior artiller da história. Ah, não tá bem fisicamente. Assim, são sete jogos só. Ah, muitos falam, ah, ele tem que... Ele vai querer jogar. Ah, todo jogador quer jogar. Só que eu acho que é um pecado a seleção ir pra uma Copa do Mundo hoje.

Ganhar uma Copa que a Argentina fez. E o maior artilheiro da história está fora desse elenco, sendo que pode levar 26 jogadores. E ele está fora com... É um prêmio para ele o Brasil ser campeão e o Neymar está junto. Eu levaria. Fácil. Não levar o Neymar, leva nenhum ar aqui.

Leva eu! É muita cara, aí tem que perguntar se ele quer ir. Muita gente fala, óbvio, tem esse lado também. Mas ele é jogador profissional quando tá jogando, o cara quer tá lá. Óbvio, porque eu não tenho nenhuma dúvida que ele quer. Só que tem muita má vontade com ele aqui no Brasil, nós brasileiros, assim, tem muita má vontade com ele. Pra mim, depois de Ronaldinho Gaúcho... Não tem. Não tem. É um fenômeno. Infelizmente, ele tá sofrendo com lesão e tudo mais. Mas o cara quando é gêmeo, se adapta.

Ronaldo chegou no Corinthians ali fora de forma, conseguiu. O Ronaldinho Gaúcho chegou no Atlético Mineiro também, tô achando que não ia, conseguiu fazer o diferente. Acho que também um pouco da parceria no Santos tá um pouco difícil pra ele jogar, né? A parceria não é das melhores. É, na seleção. Já vai ter os caras que já estão no casco lá, tipo, o Donaldo fisicamente dizendo. Sim, sim, sim.

Eu levaria, podendo levar 26. Tipo assim, não tá uma lista, pá, vai ficar gente de fora. Igual foi em 2002. É. De Jauminha de fora, Alerta de fora. Não, eu tenho a mesma opinião que tu. Cara, são 26. Dá pra ir. Dá pra ir. Não, e outra. O Rodrigo tá operado, né? O Rodrigo lecionou ainda. Agora o Estevam é um aliado. Não sei como é que vai estar. Então, tipo assim, dá, acho que dá. Acho que dá, não tem. Não, eu levaria. Eu sou fã dele. Pra mim, o moleque é fenômeno.

O meu e tu, falando em Neymar, o que o Santos é para ti como representação? O que o Santos significa?

Eu, tipo assim, infelizmente, o torcedor Santista quando me vê assim, tem sempre o mesmo pensamento, até que o meu mesmo, que pena, tipo, que eles queriam me ver jogar e, tipo assim, era o melhor momento da minha vida, tanto financeira, óbvio, mas profissional, no sentido de, tipo assim, era os últimos, devia jogar mais dois, três anos o máximo de futebol. Tava com 33 ou 34 anos, já sabia que, tipo...

que tava acabando. Que tava acabando por tudo que eu vivi com 21 anos, que foi as duas lesões no joelho, depois tive mais dois ministros, então foram quatro cirurgias no joelho. Eu sabia que eu não ia aguentar mais de 37 anos, igual hoje, 40 anos, por causa que eu tive lesão. Se eu não tivesse tido lesão, meu biotipo aguentaria. Podia estar jogando agora.

Mas essa é um tipo assim, como eu posso dizer, por mais que foi triste, foi uma lição de vida, que a gente não pode tomar decisão por impulso ou por influência dos outros, porque foi o momento que eu saí do mundo árabe dizendo, eu vou ficar um mês para ver o que eu vou fazer da minha vida, porque no último ano lá no mundo árabe foi tenso.

E aí eu chego no Brasil, fico dois dias sem contrato só. No terceiro dia, Santos liga, me oferece um salário excelente, e aí vai abrir mão dessa fortuna, um ano e meio de contrato. E aí eu aceito ir, mas no meu interior dizia que, tipo, dá uma segurada, vai se preparar primeiro. Mas o gatilho mental começa na Arábia? Começa.

Meu último ano lá foi tenso. Os caras queriam me vender, me liberar pra abrir vaga. E eu falei que não sairia. Porque quando eu saí daqui, eu já falei, eu sei como funciona lá. Depois de um ano, vocês vão querer liberar vaga, me emprestar. Aí apareceu a oportunidade pra eu sair. Só que, tipo assim, era pra ganhar 30% do valor que eu tinha de contrato pra receber lá ainda. Eu falei, ah, me paga meu contrato. Sim. Aí me afastaram.

Colocaram treinar separado. É, não tem nada que tu jogou na seleção, nada. Poucos sabem disso.

Ah, aguentei muito. Os caras te deixaram ser parado. Como se tu fosse um qualquer. Qualquer, nada. Se desilisou humano essa coisa, mas não tem nada disso lá, não. Você só te interessa quando você tá dando resultado. E olha que eu dei resultado, hein. Não fiz um gol pro jogo, mas queria. Mas, tipo assim, tinha jogado 30 jogos e feito 19 gols. Porra, mano. Muito bom. E aí, esse cara queria me liberar.

E aí foi aquela pressão, eu falei, não, eu vim pra cá, eu tenho contrato, aí... Mas tua família tava junto? Bem, ou melhor, na minha vida.

Fora do campo foi o melhor ano. Daí que eu curti a família. Mas o que acontece com o gatilho mental pra te poder ter entrado num caminho ruim? O lado profissional de me cobrar nesse sentido. Pô, joguei a Copa do Mundo. Fui pra seleção. Frequentei os melhores. Os caras estão cagando pra mim aqui. Será que eu sou podre? É isso que te passava?

O shake do cara, o diretor lá, que era o bamba do meu tio, foi lá no meu embarcamento falar comigo. O que ele falava? Pra eu ir. Pra eu ir embora, pra liberar. Ah, tipo assim, o cara deu, ninguém vai te querer aqui, rapaz. É. Assim, eu falei assim, eu fui, cara, eu falei, eu vou ir embora. Meu contrato tá aí, você tem que pagar. Eles deixavam, ia dar o terceiro mês, eles pagavam o mês o meu salário. Isso treinando separado. Aham. Aham. Mas pagaram tudo depois. Depois conseguiu. Achei.

Na hora que a FIFA bate, é óbvio. E aí foi nesse meio tempo, eu aguentei mais seis meses, eu aguentei, tipo assim, até o dezembro, aí no meio do ano apareceu a oportunidade de sair, eu falei, eu vou sair, mas não vou sair, por exemplo. No último contrato, que eu vim pra cá já sabendo, avisei eles de sair, que seria assim, tá? Aí me deixaram separar de novo, mais seis meses. Fiquei treinando todo dia, eu ia treinar. Caramba, rapaz. É, realmente, é.

E aquilo foi me consumindo, tipo... Só que eu voltava pra casa, era a coisa mais feliz do mundo. Meu filho, minha filha, tava num colégio maravilhoso, vivendo muito bem em Dubai. O pessoal do clube também me tratava bem, tipo assim, funcionário. É tudo estrangeiro lá, só que tem a ordem maior. E até que deu pra eu...

Acabou o contrato, tudo vindo. Pro pagar depois. E aí foi que eu acabei vindo pro Santos ali já fora de forma. Aí pra me condicionar, desgaste físico, mental. Aí foi até que um dia depois de um jogo, eu paralisei todo lado do corpo. Sem saber o que era. E eu me cobrava muito comigo antes. Depois comecei a fazer psicólogo e tal. Sim, depois eu entendi. Aí fui ver que era algo químico, que faltou.

Eu fiz dois dias de exame lá, não achavam nada que eu tinha. Eu achava que eu tava tendo um AVC. Paralisou no sentido de... Formigar tudo, assim, é. Tipo, velho, tá dando alguma coisa em mim. Tinha nada. E o coração? Batimento do coração. Batendo forte? Mas não era nada. É louco, não é?

E aí me deu uma depressão, porque seis meses de ficar deitado no sofá e chorava, não tinha força pra treinar, pra brincar com meus filhos. Que horror, né? Tá bom, quem sofre é a família, né? Que não entende. E eu comigo mesmo, assim... Mas tu também não entendi? Não entendi nada. E era, tipo, cresci num meio machistão nosso do futebol, de vergonha de falar, porque se eu tivesse buscado ajuda ali, quando tava no final de Dubai e tal, ou até mesmo quando fui pro Santos ali, que eu, pá, não tô se sentindo bem, tô sentindo alguma coisa ruim.

É falta de informação nossa, eu acho. Não se falava. Hoje se fala. E também o...

Como a gente, como jogador, a gente é tipo o super-herói da família, de todo mundo, a gente tem até vergonha de mostrar fraqueza e todo mundo. Ainda mais porque é um cidadão, tu fala pra um cara hoje no Brasil, nosso país pobre, o cara que ganha milhões aí, a depressão, como assim? Eu era um que pensava assim? Sim. Entendi. Então eu guardava isso muito comigo, até o dia que estourou fisicamente, aí eu apavorei, porque aí, sabe, eu vou cuidar de mim.

E aí o teu cuidado foi... Eu não conseguia ver futebol, eu não queria atender ninguém. Eu só falava com quem...

sabia o que eu tava sentindo, que me confortava. Tipo, o Muricy foi um que me mandou mensagem, ligou. Aí tu respondeu. Porque o Muricy sentiu mal também, sentiu o coração com o futebol lá e tal, sentindo. Teve um problema também que afetou e tal. O estresse e tudo mais. Aí eu me sentia confortável, confiante que a pessoa tava me entendendo. Mas, tipo, até mesmo minha esposa ou filho, assim, vinha brincar e tal, eu não queria muito e tal.

É difícil entender. Sim, imagino, pô. E sofre muito quem tá em torno, mano. Tem além de quem tá a família em volta.

Mas aí foi, seis meses que eu não consegui ver futebol, falar com ninguém. Aí depois do sexto mês eu comecei a... Eu já comecei a ir pra academia, já ir pra escola, que liberava endorfina, ajudaria e tudo mais. Comecei a me medicar também.

E aí fui retomando a normalidade. Aí quando fui ver, eu tava tão bem. Que eu não queria juntar jogar. Eu brinhei, não. Eu tava tão bem que eu não quis nem jogar mais. Aí deu, chega. Aí que eu... Mas aí deu a pandemia, entendeu? Ah, tá. Aí dá pra... Aí tá, tipo, aí 19 ali, aí 18 eu fiquei nesse momento de... Sim, porque tu sai do Santos em 17. Final 17 eu comecei ali. Uhum.

Foi ali em setembro, outubro de 2017. Tá, mas como é que é a tua saída do Santos? Eu tinha mais um ano de contrato. O Santos queria que eu ficasse recuperando. E não queria rescindir. Eu que, tipo assim, pro meu tratamento, com a conversa que eu tive com o psicólogo, o que me causava mais incomodação era eu ter o contrato com o Santos e eles estão na expectativa de eu voltar. Sim. Isso aí me atrapalhava muito. Tipo assim, não, eu tenho que recuperar, eu tenho que voltar. Sim. Aí não tinha força, tinha dor no corpo, tinha tudo, pra você imaginar.

Tudo psicológico. Claro. Aí, juro, o dia que eu falei pro advogado, falei, não, vamos rescindir. Aí depois, quando eu recuperar, a gente conversa, volto. Tô preocupado. E eu com o contrato, tudo. Passou uns um ano. Ah, parece que eu tirei um caminhão das minhas costas, assim. É quando eu rompi o contrato. Ufa. Tipo assim, ninguém vai me ligar mais, ninguém vai me cobrar mais, deixa eu me recuperar. Aí eu fiquei em São Paulo aí esse ano ainda. Morando lá, que os filhos estavam estudando. Aham. E aí foi que eu...

Comecei a melhorar, melhorar, melhorar. E nunca mais bateu nada, meu. Graças a Deus. Porque dizem que é uma luta diária, assim. É. Não, mas hoje eu me conheço. Hoje eu sei quando eu tô meio pra baixo, assim. É que a medicação que eu tomo é pra me deixar no normal. Sim, como é químico, a medicação te regula. Regula. E hoje eu sei quando eu tô mais pra baixo, quando eu não tô...

Eu consigo já me conhecer, me entender e tudo mais. Tipo assim, não é uma coisa mais... Um tabu pra mim. Antigamente, eu não quero nem falar sobre isso. É vergonha. Então, a primeira vez que tu veio aqui... Tanta gente que me vê na rua, assim, que eu procuro e que tá passando por isso. Tá difícil. Ah, é muita gente.

E é difícil pra cá. É difícil. Não sair deve ser muito difícil. Tu não tem... Tu não vê um... Tu não vê o túnel. Tu não vê o final dele. É muito louco. É muito louco. Tem coisa que só sentir. É igual o calor do Catar. Só estando lá pra sentir. É igual isso. É só... Difícil tu explicar assim. Que é que não tem... Mas tu falou que a endorfina ajuda. Tá. Aí voltar... Porque tu não volta a jogar bola.

Não. Então, tipo assim... Voltei pra academia fazer um exercíciozinho que eu tava... Jogar um beat tênis. Aí foi, comecei a brincar de beat tênis, jogar tênis, fazer esporte. Porque vocês, porra, passaram fazendo esporte e disputando a vida inteira, né? É, tu vai entender. Desde 10 anos de idade, tu tá... É, tu tá se disputando, porra. Competindo, tu... Se cobrando. Então, hoje, uma das coisas que, assim, melhorou é tu não precisar dar satisfação, vamos dizer assim.

Ah, não é dar satisfação. O meu vínculo determinado ali com o Santos me deu, tipo assim, é satisfação, vamos dizer. Porque eu tinha uma pressão comigo mesmo, nem o Santos tinha comigo. Eu tinha comigo, tipo assim, porque eu sempre fui um cara responsável, cumpri ordem, horário. Sabia que o Santos naquele ano estava num momento político horrível, financeiramente. E era uma chance de jogar no clube do nosso rei e tudo mais. Tinha essa vontade. É, o Santos é muito grande.

E aí, infelizmente, não consegui. Até hoje eu tô mais amador, entendo. Quando não é pra ser, é um legado que eu levo. Tudo tá escrito, o que era pra acontecer, aconteceu. Tinha que ser comigo, daqui a pouco você vai com outro, então... Mas é isso, é uma infelicidade. E tu já voltou a Santos? Não voltei a Santos. Minha família ficou em São Paulo na época também. Até hoje eu não voltei. Nunca mais foi lá? Nunca mais, é.

E como é que tu acha que seria se tu voltasse lá? Ah, eu tenho gratidão ali com o Rosan, que me preparou, o pessoal da fisioterapia, quando cheguei, me deu atenção, psicóloga, Ju, os jogadores ali também, todo mundo foi muito carioso comigo. O Elano, que estava lá também, que eu tinha jogado com ele na seleção. Tá, todo mundo me ajudou, sim. Não voltei mais por oportunidade mesmo.

Mas voltaria, assim, hoje tranquilo. Na época, meu Deus do céu. Imagino pra... Antes era algo... Você não tinha culpado, mano. É, muito louco. E a terapia te ajudou demais, né? Muito. A química, o remédio e a terapia. Porque o trabalho mental precisa ser... Mas, meu, isso é uma parada que se fala pouco, né? O jogador...

O futebol, em geral, é uma pressão tão grande com ele mesmo e com o clube que, se não tem um trabalho mental de verdade, tu pode ter um negócio químico e nem saber. Nem saber, muita gente já não sabe o que está acontecendo. Até eu mesmo, eu consigo passar por aquele momento mais difícil ali, daqui a pouco teria tido algo e se não me afeta fisicamente...

Meio que empurrar com a barriga. Não, e poderia te afetar... Afetar futuramente, né? Futuramente, sabe? O negócio... Hoje tu joga bola, né? Porque a gente tava falando... Jogo brinco, brinco, brinco. Cara, tu desfegra... É. Jogo brinco, brinco. Não, eu sinto saudade, vixe, muita. Principalmente das quartas e domingos do jogo agora, de treinamento dia a dia. Mas o dia era muito pesado. O que era pesado era concentrar, não? Não, pra mim o mais...

Que viagem... Pra mim o mais pesado era... Não, jogar no Brasil, óbvio, mas era...

Preparação em início de temporada. Por ter tido quatro cirurgias no joelho, eu sofria muito em me condicionar. Tá. Do jeito que eu gostaria de estar. Tipo, se eu gostava de... Sim, tu queria estar voando, né? Eu demorava mais do que antes das cirurgias. Tá, tem tudo a idade também, mas que eu fiquei refém de fortalecimento, coisa que eu sempre odiei. Tipo, sim, odiei no sentido... Não gostava muito de academia. Uma academia força, né?

Força. Não gostava muito de fazer força. Só que eu precisava. E hoje mais ainda.

Tanto que hoje pra eu brincar, eu tenho que fazer meu reforzinho. Duas vezes na semana eu faço ali, bato minha bolinha, jogo meu tênisinho.

Porque tu segue jogando bola em eventos, essas coisas assim, né? Brinco, é. E tu segue dando caneta e tudo mais. Porque esses tempos eu vi uma coisa... Às vezes sai o lancezinho. Ah, agora arrisca agora. Ah, agora arrisca. Não tem ninguém pra vaiar ali. Os caras só estão pra aplaudir. Agora é tudo bonito. Agora tu é crack. Tu jogou pra caralho. Esquece. Agora nunca errou gol. Nunca errei gol.

Mas errou pouco o gol, na verdade. Ah, acho que errou. Errou muito, tá louco. Meu, deixa eu só te perguntar um negócio. Cara, a gente falou da carreira, das escolhas, não sei o quê. E aí, como é que tu acha que um jogador pode se preparar para uma pós-carreira?

Ah, hoje tu tem mais acesso e mais informação, né? Do que na minha geração tinha. Por mais que eu cresci no futebol ouvindo a história dos jogadores que jogou em seleção, em grandes clubes, que tinham falido, que tinham feito coisas erradas. Então eu sempre tive esse medo, né?

Tem investido e errado Tem investido e errado As pessoas que se aproximam da gente Porque nós vemos de classe média baixa Sem estrutura E outra, a gente não é Eu sempre comparo, a gente não é jogador da NBA Que é obrigado a fazer faculdade Tem um nível intelectual um pouco maior Porque os jogadores da NBA Os caras são obrigados a estudar Que é legal, isso é muito legal A cultura é totalmente diferente

Na Europa, na França, em Leão, os jogadores ganhavam o dinheiro deles e ajudavam ali a família. Nós não, a gente ganha o nosso dinheiro primeiro, ajuda... Todo mundo. Muito. É, depois pra tu conseguir fazer teu pezinho de meia. Mas aí a maior preocupação hoje do atleta é o entorno. As amizades, quem se aproxima, é procurar aproximar de pessoas que vão te agregar em algum sentido. Porque hoje tem acesso a tudo. É muito fácil. É muito fácil. Hoje é... Ainda mais aqui no Brasil ainda.

É, esse dia eu estava conversando, o Tinga falou, cara, o jogador de futebol no Brasil é a única profissão que está obrigado a ajudar todo mundo. Não existe, o médico não é obrigado, o empresário não é obrigado. Agora o jogador, se tu não ajuda o familiar, tu é ingrato e tudo mais. Não, e o estacionamento também de CT, o que ganha 50, 101 milhão é o mesmo carro.

É verdade, velho. Você anotou isso? Sim, porque o cara quer estar na... Quer estar, é. É o sonho. É bem complicado esse negócio. Por isso que o negócio financeiro, os caras... Não é brincadeira, velho. Se tu não te ligar, porque a profissão de você está acabando muito cedo. Muito cedo. Então, como é que se faz? Tu nunca pensou em ser nem treinador, nem diretor, nem nada dentro do mundo? Não, e nem me preparei para parar também. Quando eu parei, eu falei, e agora?

Fui parando aos poucos, né? Fui parando dentro de mim, mas sem expor nada. Ah, vou tentar. Aí recebi a ligação. Vem pra cá, vem pra lá, vem aqui, vamos treinar, vamos recondicionar, dá ainda pra jogar. E no fundo eu, tá, eu vou fazer o quê com o meu parado? Eu me culpava, até hoje eu vou culpar, preciso arrumar um emprego. Mas tá, e aí? Eu me preparei pra quê? O que é que eu sei?

E como é que tu lida com isso hoje? Tu tá estudando, estudou, quer fazer o quê? Não, esse ano que eu tô meio pensando em me ocupar nesse sentido, porque, tipo, ah, eu tenho meus negócios lá no Paraná, pô, de gasolina, tenho fazenda lá. Cinto. Então, empresário. Isso, é. Eu tô preenchendo empresário agora. É, hoje é empresário. Às vezes, o que não interessa aí, jogador, no plano, né? Se não empresário. Pra ter um atendimentozinho, mas...

Ex-atleta profissional. Curar uma filinha, de repente. Um ex-atleta profissional, às vezes um empresário. Depende do... Mas é mais voltado a isso, algo que eu gosto, assim. Mas de campo eu nunca gostei muito. Não tem perfil pra campo. Ah, eu quero ser um treinador, eu quero ser um auxiliar técnico. Tá fora. Eu tava pesquisando pra fazer um curso, alguma coisa de gestão esportiva, algo do tipo, assim, mais relação humana, assim, sabe? Sim, claro, e pô.

Pela experiência que eu tive de vivência e tudo mais. Tu fala bem, tu tem boas experiências, ou seja, tu tem todas as ferramentas pra poder lidar com pessoas, isso é certo. Tem que ver se tu sabe lidar, né? Mas a teoria parece ser boa. Mas depois que eu descobri o sábado e o domingo, quem acabou comigo?

20 anos que eu não sabia o que era sábado e domingo. Aí os caras, por que você não voltou a jogar? Ah, me apresentaram sábado e domingo. Minha folga era só na segunda. Era bom, né? Pior, velho. Não, meu, tu acha que não, mas assim, cara, tu passa a te acostumar mesmo.

É, eu falo brincando assim, não é vergonha. Eu trabalhei também, eu trabalhava com a mesma rotina de... Porque cobria você. Depois que eu passei até o final de semana, eu disse, cara, eu não quero mais. Eles falam para mim, eu falo, gente, eu não quero nada com futebol. Eu falei assim, a melhor parte do futebol eu peguei, que é ser atleta de futebol. Porque tu tem tudo na tua mão. Por mais que é sacrificante, é dedicação, mas tu tem lá.

E tu ainda foi de alto nível. Tu pegou a primeira fratineira. Tem a tua passagezinha no avião. Eu aprendi a comprar passagem e eu parei de jogar. Imagina. Tem alguém que faça pra você.

Desculpa, tu não ter tempo. E tu tem um tratamento, né? Tudo na mão, velho. Tudo na mão, velho. Agora eu entro lá no Zafir, olha o valor da bolachinha dos crianças lá. Antigamente, eu entrava. O mais engraçado, quando eu parei de jogar, primeiro mês eu chegava no mercado aqui, os meninos do carrinho não levavam o carrinho no meu carro. Deu um mês, acostumaram comigo, até hoje eu tenho que levar o carrinho e devolver lá dentro do mercado.

Não, Nilmar! Ô, seu Nilmar, deixa que eu levo. Ah, eu até pensei mal, tem que voltar a jogar. Vai, pô, vai. Não sei nem quem tu é, rapaz, vai. Mas, meu, esse negócio de não saber o que é, esses dias eu tava conversando com o Dunga aqui.

E aí eu perguntei se para ele batia, Falcão até, perguntei isso, se para ele batia o fato de, às vezes, não ser conhecido ou reconhecido, porque as gerações batam. As gerações, os amigos do meu filho nem sabem. De 10 anos, nem sabem. Não sabe nem quem foi o Nilmar. Sabe por causa dos pais.

Porque chega na festa ali, o cara tá... Ah, mas faz, termina aí. Não, a pergunta... E ele... E ele disse, cara, não culpo, né? Eles respondendo, não culpo. Mas assim, mas eu acho que é função, né? De quem comunica e tal, não deixar a história terminar, né? Mas eu não posso eu ficar me falando de mim, né? Eles falaram... Olha, o cara, olha, eu sou foda, lembra de mim. Ah, mas porra, eu sei que o Dunga foi, que eu, pô, até passo reverência, como diz o Farid. Mas, pô, é...

vai chegar um momento que, cara, pode ser que os caras não saibam que tu foi, jogou tudo que tu jogou, entendeu? E é difícil, eu acho, né? Pra um cara que teve todo esse reconhecimento... Ah, é, tem um egozinho nosso, assim, que é legal quando tu é reconhecido, mas ao mesmo tempo eu entendo as gerações, o tempo passa.

E eu sempre brinco, ainda bem que hoje em dia existe a internet. Tu pode já dar um Google lá e... E dar os teus gols. E ver lá os gols. E se errar, colocar um Y, um W do Neymar, fica melhor aí nos gols, brinco.

E por ter um nome diferente, pra mim, facilita. Eu peço algum aplicativo aí pra mim, e te achar Nilmar. Se eu pedir no aplicativo, é até uma sobremesa. Ah, porque o cara viu que era tua. Tem esse lado bom, entendeu? Sim, é o único, não tem outro Nilmar. Nilmar? Só tem tudo. Ah, tu não é aquele jogador. É, sou eu mesmo. O mais engraçado é, no futebol, eu levo meu filho e venho as criancinhas. Ô, tio, tira uma foto, amigo. Nem sabe quem sou eu. Aí, o pai mandou. O pai é colorado, entendeu?

O pai manda o filho, vai lá. O pai é louco pra tirar foto. Ele tem vergonha. Veterano. Eu brinco com as crianças. O papai falou que era o Neymar. Vocês acharam que era o Neymar. Pior que teu nome é parecido com o Neymar. Deve confundir muito também. A história mais engraçada foi no aeroporto, em São Paulo.

E o pessoal lá tirando foto comigo, um monte do sonário do aeroporto, corintiano, doente, tava mal que eu não tinha parado de jogar. Sim. Tinha saído do santo e tal. Tirando foto comigo e passou uma senhora mais de idade, assim, atrasada pro voo e voltou correndo, assim, perguntou pro moço, quem é o cara? Falou, ó, Nilmar. Aí ela voltou, pelo amor de Deus, tira uma foto, meu neto, só fala em você. Caralho, seu neto só fala em mim. Quem já tem seu neto?

Resumindo, o cara falou Nilmar, ele entendeu o Neymar. Aí ela tirou a foto comigo. Não, ele vai ficar muito feliz. Obrigado, Neymar. Eu, ai, meu Deus. Que decepção das crianças. Imagina ela chegando pro netinho dela. Ai, encontrei o Neymar no aeroporto. Tava cheio de gente em cima dele. Era tu? Era eu. Assim, ó. Fala, netão. Tadinho, eu fiquei com vergonha de falar que eu não era o Neymar. Não, essa hora deixa ela ir. Vai, deixa. Vai, deixa. Qualquer outro dia que até fazeu vontade de botar o moicano.

Fazer alguma coisa. Sabe quem é o meu é o Nilmar, né? Meu pai, Newton, e minha mãe, Marisa. Nil de Newton, Mar de Marisa. Ah, mentira. Não, tem uma desculpa, pelo menos, porque não pode ser criatividade para colocar Nilmar no nome de uma pessoa. Ah, tá mistura esse criado. Meu irmão Fabrício e minha irmã Tatiane. Tudo normal. Aí eu, o caçula, eles inventaram. Vamos juntar os nossos nomes? Nil de Newton, Mar de Marisa, Nilmar. E virou Nilmar, velho.

E tem outros Newmar? Hoje tem. Por causa de ti? E tem um até mais velho que eu vi um dia. Não sei como. Ah, tem um que nasceu antes. É. Mas por minha causa tem alguns ainda. Ah, imagina. Alguns colorados ou corintianos devem ter nascido. Se pegar a idade vai estar ali por volta de uns 18, 20 anos de idade.

Quando tu arrepender, bom, ali no Corinthians, ali em 2005... Ah, hoje eu tiro foto, é, eu era criança, maior que eu, sim. Sim, eu tinha 20 anos quando jogava no Corinthians. É, exato. Os caras são com 15, 16... Já maior. Cara, estamos ficando velhos, velho.

Tá bom, só melhora. Ficando velho, olha aqui. Só melhora. E se te convidasse para comentar a Copa do Mundo, tu ia? Tu gostou de ser comentarista ali no Prime? Eu gostei. Eu fui, tipo assim, no primeiro... Quando eu fui em 2019, se não me engano, ou 20, ou 20, não se lembro. Ah, tu já tinha sido? Eu fiz a Champions lá, pessoal da TNT. Ah, boa, meu.

Tava lá. E aí foi uma baita experiência, assim, e o pessoal deixa muita vontade e outra, o linguajar nosso de futebol é diferente, né, tipo...

Imagina, eu fiz um jogo lá com... Quem foi? Ah, em 1960, o... Mauro Betch. O Mauro Betch. Ah, ele é muito títico, boa. Em 1960, rapaz, isso aí. E o cara sou um fenômeno, enciclopédia. Ah, tá louco. Saída era risada o dia que eu fiz. Mas eu achei legal, tipo assim, o pessoal me deixou muito à vontade agora mesmo que eu fiz. Quando eu fiz lá também me deixava muito à vontade. É diferente, óbvio.

E é um negócio que eu gosto, meu curta. Foi legal, bacana, assim. É, comentar de vez em quando pode ser uma boa possibilidade. Mas vai ter que se atrabalhar final de semana, velho. Ah, não, tranquilo. Mas é todo dia, assim. Não, é uma vez que outra. Aí tu vai, né? É bom, vai. Minha mulher descobriu isso, ela vai mandar, que ela não aguenta mais de vez em quando. Ela fala assim, nossa, saudável da concentração.

Tu não quer ir, tu não quer concentrar aí para os teus jovens de final de semana. Tu não quer ir. Olha aqui, meu, deixa eu te dizer uma coisa. A gente tem uns parceiros, a outra vez que eu estou aqui, a gente não tinha tantos parceiros. Agora tem e não é pouca coisa. Por exemplo, a cutelaria Dávila.

Vai dar uma faca artesanal. Mas assim, ó... Comecei a fazer churrasco porque eu parei de jogar. Então agora tu vai poder cortar as carnes que eu te apresentei aqui, ó, nesta dávila. Essa dávila é artesanal e tem garantia vitalícia, meu velho.

É a mesma que eu estou usando aqui, então o Nilmar vai levar para casa. Obrigado, hein? Uma dávila. Obrigadão. É tu que está fazendo, não é teu sogro que faz. Ah, eu? Tá louco? Comecei a aprender agora. Comecei a aprender. E aí a Dom Fiorello, além do sal, que é nosso parceiro aqui, também tem uma farofinha e também tem uma azeitona. Cara, essas azeitonas são maravilhosas, então já vou passar aqui para o Nilmar. Coisa linda, obrigado.

Da Dom Fiorello, tudo aí. Prontinho, pai. Só falta a carne agora. Ah, não. A carne é...

Uma frase.

Entre em laspiedras.com.br e busque em onde comprar o ponto de venda que tu vai achar ali. Cara, muito bom. Obrigado, meu. De coração. Adorei. Então, assim, te encontro em 2031. Na Copa. É de 5 em 5. Na Copa, na Copa. Só não sei de qual ano. Tu não vai me arquivar de novo. Guarda aí. Então a gente volta no próximo assado. Mil maravilhas!

A gente volta no próximo comentários, likes e etc. A gente volta lá. Tchau.