Episódios de Gotas de Fidelidade Podcast

A influência pelo testemunho com @annapaula_oliv - NOVA T6 EP250

21 de julho de 20261h33min
0:00 / 1:33:29

É com muita alegria que damos início à 6ª temporada do Gotas de Fidelidade Podcast. E, para abrir essa nova caminhada, recebemos Anna Paula em uma conversa inspiradora sobre "A influência pelo testemunho".

A influência mais poderosa não começa nas palavras, mas no testemunho de uma vida vivida com autenticidade. Será um tempo de partilha, fé e crescimento que certamente tocará muitos corações.

Participe da nossa rifa: https://rifa.digital/s/QPCXykfQxHF

Participantes neste episódio3
A

Abílio Gonçalves

Host
B

Bruna

HostGestora de comunidade
A

Anna Paula

Convidado
Assuntos8
  • Misericórdia de DeusConfiança em Deus · Superação de desafios · Abertura de olhos e coração
  • Comunicação em redes sociaisDeleção e recomeço de perfil · Viralização de conteúdo · Lidar com haters
  • Oração e Transformação FamiliarOração diária e terço · Hierarquia de prioridades · Importância da missa
  • Propósito e vidaValorização pessoal · Servir aos projetos de Deus · Essência versus papel
  • Diálogo ReligiosoPerdas familiares · Estudo da fé · Sacramento do matrimônio
  • Maternidade e feminilidade atacadasEmpoderamento e independência · Feminismo e seus conceitos · Vocação matrimonial
  • Educação de Meninos e PrevençãoDiferenças de gênero na criação · Exemplo dos pais · Cavalheirismo e proteção
  • Aniversário do podcastPix Recorrente para sustentar podcast · Santidade e Fidelidade
Transcrição77 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
BBruna

É algum dos dois.

APAnna Paula

Há um caminho, há uma formação, universo em cada passo, fidelidade em cada encontro, conversão, escola de fidelidade, formados no coração ardente de Cristo. Aqui a fé se faz caminho e a fidelidade nos conduz. É no amor que nos formamos, é na fé que permanecemos. É no amor que nos formamos, é na fé que permanecemos. Escola de fidelidade.

AGAbílio Gonçalves

Eu sou Abílio Gonçalves, aqui da Escola de Fidelidade, e antes de começar o episódio de hoje eu preciso te contar uma coisa. Na virada deste ano de 2026, no nosso podcast apareceu mais de 1 milhão de vezes no Spotify, alcançando mais de 221 mil pessoas, e está gerando mais de 700 ouvintes fiéis todo mês. Isso para escola de fidelidade que nasceu pequena é gigantesco. Para a fidelidade da cruz é uma confirmação. Mas como nos ensina São Tomás de Aquino, toda graça vem de Deus e se ordena à salvação.

Por isso, ainda que fosse uma única alma alcançada, já valeria todo esforço. Se você está aqui agora, faz parte dessa história. Obrigado por apertar o play, por indicar para outras pessoas, por caminhar junto conosco. Agora fica comigo porque começa mais um episódio do Gotas de Fidelidade.

APAnna Paula

Gotas, gotas de fidelidade, gotas, gotas de verdade na tua vida. Hoje, agora, Deus vê cada hora gotas de fidelidade. Gotas, gotas de fidelidade. Gotas, gotas de verdade na tua vida. Hoje, agora, Deus vê cada hora gotas de fidelidade.

BBruna

Boa noite, sejam bem-vindos a mais um episódio do nosso podcast Gotas de Fidelidade. E hoje, de forma muito especial, nós estamos iniciando a nossa 6ª temporada. Gente, 6 temporadas já! Olha só quanta coisa nós já passamos, quanto caminho, né, já caminhamos. E graças a Deus nós estamos aqui e o nosso carisma tem alcançado muitas pessoas, tem evangelizado aí em outros países. Vocês viram no vídeo que o Abílio falou mais de 1 milhão?

Realmente já somos 3 milhões, 3 milhões de pessoas ali nos escutando. Olha só que graça!

AGAbílio Gonçalves

Graça.

BBruna

E por isso hoje nós agradecemos ao Senhor por esta graça da 6ª temporada do Gotas de Fidelidade. Vamos aos nossos recadinhos, vamos lá. Você vai pegar este link agora e aí você já vai compartilhar com toda a sua lista de transmissão, no WhatsApp, no Instagram. Já pega e compartilha porque hoje nosso podcast promete. Lembrando Se você tiver alguma pergunta, algum comentário, já deixa aqui para gente porque nós vamos ler todos. Vamos também, tem outros recadinhos.

Vamos lá, de terça a sexta nós temos missa lá na nossa comunidade, meio-dia e 15. Olha o endereço aparecendo para vocês: Setor de Mansão de Itaguatinga, Conjunto 12, Casa 3. Se colocar no Waze, Comunidade Católica Fidelidade da Cruz, dá certinho lá em casa. E Já aproveita e segue o nosso Instagram que tá aparecendo aí também, ó, @fidelidade.da cruz. Lá você vai ter todas as atualizações de tudo que acontece na nossa comunidade.

Sexta-feira de adoração, que é o dia de você chegar e descansar aos pés do Senhor, às 8:30, também na nossa capela. Quinta-feira tem atendimento de oração. Se você deseja ter ali um aconselhamento, alguma pessoa te acompanhando para te ajudar na sua vida de oração, Pronto, quinta-feira. É só mandar uma mensagem para gente que vai ter um membro da comunidade te aguardando. No domingo tem missa às 11:30 também na nossa casa de missão, e você é mais do que o nosso convidado.

E nós temos uma novidade, vocês estão vendo aqui em cima, ó, tá vendo aí? Rifa. Isso significa o quê? Nós estamos com uma rifa para nos ajudar a custear o nosso podcast, para nos ajudar a comprar materiais, para podermos melhorar cada vez mais a nossa qualidade para, para evangelização. Então você pode clicar aqui e comprar nossa rifa. O valor é apenas R$5 e nós vamos ter 3 prêmios: um air fryer, um ensaio fotográfico e também uma maquiagem social.

Então você pode concorrer a um destes prêmios. Esqueci de falar, eu sou a Bruna, sou consagrada da comunidade e é um prazer estar com vocês. Agora que eu me lembrei, eu nem me apresentei, mas vocês já me conhecem, né? Bom, vamos lá, estamos— opa, olha, a produção me lembrou que eu esqueci de uma coisa. @adivinagraça.fé. A Divina Graça é uma das nossas colaboradoras que nos ajuda a manter esta obra. Então, se você pode também nos ajudar, clica, clica aqui, ó, e vai lá e siga @adivinagraça.fé.

Nos ajude ela, que ela nos ajuda também. E você também pode ser um colaborador se você quiser, além daqui, ó, de clicar aqui Tá aqui a rifa, tá vendo que agora saiu o QR code de Faça Parte? Você vai conhecer todo o nosso podcast, tudo por onde a gente passou, desde o episódio 001 até o episódio de hoje, o episódio 250. Olha só o tanto que a gente caminhou! Então tá aí, você pode clicar também, conhecer todo o nosso podcast. E tem aí, é, os dois QR codes que vai ficar aparecendo para vocês.

O link da rifa também está nos comentários para que vocês, para ficar mais fácil para vocês clicarem, já comprar. Por favor, compre, divulgue, nos ajude a manter esta obra, porque nós vivemos da providência, e a providência de Deus para nos alcançar passa por você. Amém, amém! Vamos lá, gente, olha, tô até nervosa porque hoje a nossa convidada é muito especial. Nós estávamos conversando aqui no off o tanto que foi de Deus mesmo para que ela pudesse vir aqui hoje.

Tantas coisas aconteceram, mas graças a Deus hoje ela está aqui conosco. A Ana, seja bem-vinda ao nosso podcast! É uma alegria imensa, uma alegria mesmo te receber.

APAnna Paula

Obrigada, obrigada pelo convite, pela oportunidade, por esse espaço, por esse trabalho tão bonito que vocês fazem, tão necessário nos dias de hoje, sempre, né? Mas eu acho que atualmente a gente tem ainda mais necessidade de pessoas com essa missão de levar o evangelho, de ajudar mais almas. Então parabéns pela missão e muito obrigada pelo convite. Vamos conversar que de conversa eu sou boa.

BBruna

Ai, ótimo! Então vamos lá, Ana. Para a gente começar, eu queria que você contasse um pouquinho para a gente quem que é a Ana antes das redes sociais. Como que foi assim lá na sua infância? Você sempre foi católica?

APAnna Paula

Não?

BBruna

Como é que foi tudo isso?

APAnna Paula

Conto. Ó, eu não sou daqui de Brasília, eu nasci no interior de Goiás, numa cidadezinha bem pequenininha chamada Itapuranga. Acho que quase ninguém conhece. E eu morei lá até os 3 anos e mudei muito de cidade. Minha mãe era bancária, então a gente sempre que ela era transferida de emprego a gente ia junto. E sempre morei com a minha avó. A minha avó sempre foi muito católica, então na nossa casa sempre tinha imagem de Nossa Senhora.

A gente me levava assistir a missa às 6 horas da manhã, e ela cuidou muito dessa minha vida, dessa minha caminhada na fé. Ela me levou para fazer catequese, ela me levava, né, nas missas aos domingos. E durante a infância até esse início de adolescência eu tive essa proximidade com a igreja. Mas teve esse intervalo, né, que infelizmente muita gente tem, dali do início da adolescência até a vida adulta, onde a gente começa a se questionar, começa a não querer aceitar algumas coisas, mas também não se dá o trabalho de estudar para entender, né?

E eu fui uma evadida da igreja, fiquei aquela católica de IBGE que era batizada, tinha primeira comunhão, mas não, nunca tinha estudado a fundo. E a minha conversão, o início, né, que eu falo que a gente sempre tá em processo de conversão, mas o início mais recente foi em 2021, agora há 5 anos atrás, quando a gente teve muitas perdas na nossa família, né? Eu perdi 3 sobrinhas no mesmo ano. Uma delas era um bebezinho de 4 meses e as outras duas, 6 meses de gestação, né?

O cunhado perdeu gêmeos. E aquilo ali, eu fui me desesperando. Eu falei, meu Deus, a gente não tem controle de nada, como assim? Eu já tinha 2 filhos na época, já tava com meu marido. Ele veio de uma família católica, mas ele também aconteceu o mesmo movimento que eu. Chegou até um certo momento, ele começou a questionar muitas coisas e se afastou. E juntos nós começamos a estudar. A nossa conversão, essa questão emocional do que a gente viveu foi um ponto, mas o ponto principal da nossa conversão foram os estudos, né?

Especialmente meu marido, que é muito racional, aquele colérico raiz, né? Que pra ele acreditar em alguma coisa tem que ter assim na cara dele. Ele começou a estudar e falou, não, faz sentido mesmo, é isso aqui que é a verdade, isso aqui faz sentido, isso aqui é o correto, isso aqui é a vida que a gente leva, precisa ser ajustada. E do outro lado eu tava lá constatando que a gente realmente não tinha controle sobre nada, porque a gente viu assim bebezinhas tão pequenininhas, tão indefesas, tão ingênuas partindo.

E aí juntou essa fórmula boa de um lado e de outro, e a gente começou o nosso processo de conversão. A gente não tinha o sacramento do matrimônio até então, já tínhamos 8 anos juntos, 2 filhos, tínhamos muitos princípios, a gente já seguia muito a ideia, né, de casamento para vida toda, não tinha possibilidade de separar. A gente já tinha essas questões fundamentadas, mas faltava o tempero principal, né, que era receber essa graça.

E aí, depois de 8 anos, a gente recebeu o sacramento do matrimônio, na verdade já com 3 filhos. E a gente viu uma guinada na nossa vida em todos os sentidos possíveis e imagináveis, né. Tudo começou a dar muito mais certo, vieram muito mais dificuldades ao mesmo tempo, muito mais provações, tentações. E a gente foi se fortalecendo na fé. E felizmente os nossos filhos nos ajudaram muito nessa caminhada também, porque eles foram para uma escola católica e eles nos catequizaram muito, né?

Minha filha mais velha, ela foi me ensinando o que ela aprendia, compartilhando comigo. Ela me trazia dúvidas que eu não sabia sanar. Eu falei, pera aí que a mamãe vai estudar, aguenta aí 5 minutinhos que eu vou estudar. Então eles foram— essa transformação passou muito pela nossa família, né? A família sempre foi um valor para gente. Desde que a gente se conheceu, meu marido me conheceu, eu falei assim, eu quero casar e quero ter 5 filhos.

E eu só vou casar uma vez, não tem esse negócio, não tem como ter 5 filhos picados por aí não. Se quiser, vamos conhecer, se não quiser, você já sai fora. E aí eu quis. E agora a gente tá no nosso 5º filho, mas com certeza agora muito mais maduros, né? A gente era muito novinho, muito imaturo. Mas eu vejo o quanto a nossa vida tomou proporções maiores depois que a gente se encontrou esse rumo, né, depois que a gente começou essa caminhada e conseguimos ir além da nossa própria família, né.

A gente começou ali com amigos e depois a internet foi acontecendo. A internet foi sempre uma coisa que eu gostei muito. Eu era muito tímida quando eu era pequena, mas assim, extremamente tímida, introvertida ao máximo. Depois, na adolescência ali, eu fui mudando. E lá, um pouco antes de eu ter minha primeira filha, antes de eu engravidar dela, eu comecei com redes sociais, tinha um Instagram, ia crescendo assim devagarzinho aos trancos e barrancos.

Só que eu ainda falava de maternidade, falava de maternidade, de vida, né, de lifestyle, que agora é o nome chique que a gente fala. Só que como eu era muito desorientada, aquilo ali atraía pessoas estranhas, né. Eu tinha uns seguidores meio esquisitos, uma galera meio alternativa. Eu falava, gente, tem alguma coisa errada com que eu tô comunicando aqui. E aí quando eu iniciei esse processo de conversão, na época meu Instagram tinha 10 mil seguidores.

E na época, né, lá em 2016, 2017, ter 10 mil seguidores era um evento, assim, né? Você conseguia botar um link, você conseguia fazer um monte de coisa, começava a ter as parcerias. E aí quando eu iniciei esse processo de mudança de mentalidade, conversão, eu falei, eu senti no meu coração, eu preciso deletar esse Instagram. Por um lado eu falava assim, ó, mas como assim eu vou deletar? Lutei tanto para chegar nesse número, né?

Mas de um dia para o outro, alguma coisa me falava assim: confia, começa do zero, apaga isso daí. E eu fui, apaguei e apertei o excluir a conta e acabei com tudo de uma vez. E eu senti um alívio tão grande, senti uma alegria. Meu marido sem entender nada, ele falava assim: gente, mas o seu sonho era trabalhar com isso, você sempre falou que queria, e agora que você chegou nos 10 mil você apagou? Como assim não dava para recomeçar, tirar as fotos e começar de novo?

Falei: não, eu senti no meu coração que Eu preciso começar do zero, não quero mais nada que remeta a coisas que não estejam alinhadas com minha família, com meu propósito de vida, e vou começar do zero. Aí ele falou, tá bom, né, deve estar doida a menina, mas tudo bem, vamos respeitar. E lá em 2021, acho que foi 2021, que eu recomecei o perfil do zero, sem pressa.

BBruna

Junto com seu processo de início de conversão?

APAnna Paula

Junto com meu processo de início de conversão. Fui entendendo que tava errado, né, a gente vai ganhando conhecimento e vai fui identificando, eu fui entendendo ali que algumas coisas não estavam ajustadas, algumas coisas não eram legais. E falei, não, isso aqui não tem como arrumar, isso aqui eu preciso destruir. E isso fez muito parte da nossa história, né, ter que acabar tudo para recomeçar. Mas eu senti também assim, quando eu abri o Instagram, tinha zero seguidores, e a primeira foi minha mãe.

Aí eu falei, vai dar certo, não sei como, não sei quando, não sei para quê, mas um dia vai dar certo. E aí fui nessa caminhada, eu sempre gostei muito de gravar, eu sempre gostei de interagir com as pessoas, de viver essa realidade da internet. Sempre gostei das possibilidades de alcançar pessoas que você nunca vai ver pessoalmente, mas elas vão ser alcançadas pela sua mensagem. E aí eu comecei a falar mais de maternidade, relacionamento, sempre foi o meu nicho principal.

E devagarzinho as coisas foram acontecendo. E aí fiquei 2021, 2022, 2023, e ficava naquela, né, patinando. Em 2024, no finalzinho do ano, eu falei para o meu marido Agora eu vou começar uma sequência de vídeos. E a gente já tinha feito curso, investido em mentoria, tudo que vocês imaginarem. Falei, agora eu vou começar uma sequência de vídeos e vou postar todos os dias sobre maternidade, sobre tudo. E eu só vou parar quando isso aqui dá certo, só vou parar de postar todo dia religiosamente quando isso aqui der muito certo.

Aí a gente falou, ai, que legal! E aí eu fiquei novembro, dezembro, janeiro, aí conquistava ali 10 seguidores e falava, ai, que legal, 10 seguidores! Comemorava muito.

BBruna

Eu acho que eu comecei a te seguir nessa época.

APAnna Paula

E aí em fevereiro eu tava muito cansada já, né, porque eu já tinha 4 filhos nessa época e eu não parava de produzir conteúdo e não parava e não dava o retorno que eu esperava. Porque querendo ou não, eu queria uma coisa maior, porque o esforço era muito grande cuidar das crianças, trabalhar fora e gravar vídeo. Mas eu não conseguia parar de fazer. E um dia é uma história muito bonita, na minha casa antiga tinha tinha um blackout na janela, e esse blackout já era dos moradores antigos.

Esse blackout tinha um rasgadinho pelo qual passava luz, e esse rasgadinho para mim era uma menina ajoelhada. Era, eu tenho até a foto dele, é o desenho de uma menina ajoelhada, e em cima tem um outro rasgadinho que dá uma luz. E eu olhei para esse rasgado, eu falei, eu não tô pedindo certo, olha lá, Deus tá condição para eu pedir alguma coisa para ele, né? E aí nesse dia que eu olhei, reparei nesse blackout, eu já tava na casa já tinha uns meses, nunca tinha visto.

Aí eu olhei e falei, eu tinha o hábito de rezar o terço enquanto eu botava meu filho para dormir. Falei, Deus, eu sei que eu não tô em condição de pedir nada, o Senhor já me deu tanto, eu não mereço nem o que eu tenho, quem dirá o que eu vou te pedir, mas eu queria te pedir uma coisa. E na homilia tinha falado muito sobre isso também, né, sobre a gente nunca lembrar de pedir. Falei, eu quero pedir uma coisa, Se isso aqui não for dar certo, tira do meu coração essa vontade que eu tenho de gravar.

Faz eu acordar amanhã e falar assim: ah, não quero mais gravar, tô cansada, não quero mais fazer vídeo. Eu não quero que o senhor faça dar certo, eu quero só que o senhor tire de mim a vontade, porque aí eu vou cuidar de outras coisas, vou me desenvolver no meu trabalho. Tinha tido várias oportunidades, né, de crescimento. Falei: só que eu não consigo fazer as duas coisas, eu queria muito fazer isso, mas se não for esse o caminho que o senhor quer para mim, tira de mim a vontade.

Eu só quero acordar amanhã e cansar disso daqui, falar: chega, esses 3 mil seguidores aqui vão me desculpar, mas eu vou embora. E aí, nessa mesma semana que eu pedi isso, o meu primeiro vídeo viralizou. E eu comecei, eu postei esse vídeo que foi um vídeo de rotina, né, narrando a minha rotina com um jeito engraçado. Uma amiga minha do trabalho, todo dia ela chegava e falava assim: Ana, eu não consigo imaginar como é que é a sua vida, porque você chega aqui maquiada, deixa o menino na escola, daqui a pouco à tarde você tá aqui respondendo a gente, fazendo reunião online com os meninos no pula-pula, sua vida deve ser muito divertida.

Eu falei, ah, eu não sei, porque eu vivo ela todo dia, já tô acostumada, né? Ela sempre pediu muito gravar, porque eu acho que ia dar muito certo. E aí eu escutei ela e gravei um dia normal da minha rotina. E a caminho de casa, do trabalho pra casa, eu narrei dirigindo, né? Que o Detran não me escute. Dá até pra escutar os carros na primeira narração. E eu narrei esse vídeo e postei despretensiosamente. Quando foi, larguei olhei o celular, porque eu fui dar almoço para as crianças, botar um para dormir, botou para dormir, levar no balé.

Quando eu olhei, eu acho que eu tinha assim 30 mil seguidores. Eu falei, meu Deus, Natan, eu tô muito famosa! E ele ficou mais empolgado que eu. Ele ficava atualizando e me mandando print dele, amor, tá acontecendo, não acredito, não sei o quê. A gente super empolgado. E eu fiquei assim sem entender. Aí eu lembrei, aí eu falei Deus foi muito claro, né? Porque eu sou meio devagar para entender. Então ele me deu uma resposta bem assim: filha, continua, é aí mesmo.

BBruna

O antidoto, todo mundo pede, é isso mesmo.

APAnna Paula

Porque se ele me desse sinais sutis, é capaz que eu tinha deixado passar. Então ele foi, ele conhece a filha que ele tem, então ele deu um sacolejo. E desses 30 mil, ele falou, meu marido falou assim: eu acho que você vai chegar a 100 mil seguidores até o final do ano. Isso aconteceu em fevereiro. E eu falei para ele: será? Eu acho que não, não, 100 mil seguidores é muita coisa. Coisa até o final do ano, não. E no mês seguinte a gente tinha chegado em 100 mil seguidores.

Eu falei, agora que eu não vou parar mesmo, vou continuar, vou continuar. E continuei fazendo, e a coisa foi acontecendo e foi crescendo. A gente criou podcast. E aí eu encontrei a outra face da internet que eu não conhecia, né, que a gente sempre ouve falar dos haters, da galera maldosa, de quem fala mal. Mas eu nunca tinha enfrentado isso pessoalmente. E aí eu entrei numa— eu chamei no primeiro momento de batalha espiritual, e que não deixa de ser, mas o meu marido ele é sempre muito bom em trazer pra realidade, né?

Pegaram meu perfil e botaram meus vídeos em vários lugares, as pessoas falavam mal e falavam que a gente assim tinha que morrer, que essas famílias tradicionais são um desserviço e tal, tal, tal. E eu comecei a ler esses comentários, eu fiquei assim uns 40 minutos lendo, lendo, lendo, lendo, e eu comecei a chorar, chorar, chorar. Aí meu marido, por que que tá acontecendo? Por que que você tá chorando? Aí eu falei, nossa, eu nunca imaginei que as pessoas fossem vocês ser tão cruéis comigo?

O que que eu tô fazendo? Eu tô mostrando a minha vida com os meus filhos, não tô fazendo nada demais, eu não tô atacando ninguém, eu não tô falando mal de ninguém, não tô fazendo nada. Ele: mas o que que você esperava do mundo? Você acha que se as pessoas fossem boas o mundo tava do jeito que ele tá? Você acha que se a gente tivesse mais pessoas boas do que pessoas más circulando por aí, a gente precisava enfrentar tudo que a gente enfrenta?

Eu sei, mas é porque na prática é diferente. Aí ele: não, bota essa cabeça para cima, Olha o tanto de gente que você alcançou, o tanto de pessoas que estão te agradecendo pelo bem que você tá fazendo. A inspiração e a força para continuar depende de onde você vai focar. Se você for ficar olhando para as pessoas que estão falando mal, você vai passar o resto da sua vida chorando, vivendo o que você sempre quis, que você sempre pediu, que você sempre sonhou, sem desfrutar disso por causa dessa outra galera.

Então segue o baile, para de se afetar com isso e vai para frente. Aí eu falei, tá bom. E aí tive forças para continuar e A gente foi continuando crescendo e colhendo os frutos. E hoje eu dou risada dos haters, né? Às vezes isso é minha fome, meu combustível de conteúdo. Porque de fato, racionalmente, a gente sabe que uma pessoa, para se prestar a falar mal de alguém, a denegrir a imagem de alguém, ela tá com um sofrimento muito profundo, né?

Ela tá com a alma muito corrompida. Na prática, eu me abalei, mas hoje eu vejo eles dessa forma. Então eu acho que eles são os mais que precisam ser acolhidos. Então quando chega algum, eu acolho, né? Eu faço brincadeira às vezes fazer essas piadas. Mas no geral eu entendo que o meu trabalho é justamente esse. O hospital é para quem tá doente, né, não é para quem tá curado. Então eu agradeço muito todo mundo que me entrega elogios, me agradece, mas ao mesmo tempo, de certa forma, eu tô ali pelos que estão doentes ainda, né.

Então eu não tenho repulsa por essas pessoas, eu não mando sair, eu não bloqueio ninguém, eu deixo eles virem. Porque muitos deles vieram, xingaram, reclamaram daqui a Daqui a pouco eles voltam e falam, nossa, Ana, me perdoe. Uma moça me pediu desculpa essa semana. Me perdoe pelo que eu te falei, eu tava vivendo muito angustiada, projetando minhas insatisfações. Agora sim eu entendi sua mensagem e eu quero ficar aqui. Já mandei para um monte de amiga minha.

Eu falei, esse é o trabalho, né? Às vezes a gente quer afastar essas pessoas, mas elas precisam de ajuda. Então a internet me proporcionou isso, me proporcionou estar em lugares incríveis como estar aqui. Estive num congresso em Goiânia no mês passado com Doutor Jorge Rodrigues, que fala de restauração de matrimônio. Eu pude, né, dar uma— nossa, foi uma honra pra mim dar uma palestra pra terapeutas que lidam com casais. Coisas que eu nunca imaginei, eu nunca fui muito sonhadora assim.

Meu marido é muito sonhador, eu não. Pra mim tá tudo bom, tudo é sempre bom, é incrível. Parece até mentira, mas eu não sou uma pessoa que se incomoda fácil, né? Se chegasse aqui, o teto saísse voando, eu falo, ah, vamos sem teto mesmo, tá tudo certo. Eu me adapto às circunstâncias, mas Agora eu tô começando a sonhar cada vez mais, eu tô aprendendo a não ter medo, né, de alcançar coisas maiores. Porque eu tenho uma missão, hoje eu sinto isso.

Que Deus me permitiu, me deu essa resposta evidente, né, pra que eu continuasse. Porque alguma coisa, alguma pessoa precisa de mim, ou um conjunto delas. Que seja uma, que seja um milhão. Deixa eu ver ali. Tem alguém precisando de mim. E eu falo em todas as minhas orações, e todo dia que eu recebo a comunhão, eu falo: Senhor, eis-me aqui, usa como o senhor quiser. O dia que o senhor falar para, fecha, apaga de novo, eu apago de novo, não tem problema.

Não interessa os números. Se eu tiver indo por um caminho errado, se eu tiver entregando uma coisa que não é boa, se eu tiver fazendo qualquer coisa que seja contrária à sua vontade, você sabe que eu sou meio lenta, então me manda mensagem clara falando apaga esse perfil hoje. Eu apago sem medo, assim, sem nenhum receio, porque eu aprendi isso. Que confiar em Deus é sempre a melhor resposta que a gente vai ter, né? Não adianta você querer planejar, eu quero assim, eu quero assado, eu quero ficar muito famosa, eu quero fazer tal coisa.

Não, eu quero ser um instrumento que mostra que é possível ter uma vida completamente normal atendendo a esse chamado, né? É isso. Acho que o nosso, a minha missão, que acabou contagiando toda a minha família, é lembrar das pessoas que seguir a Deus é algo normal. A gente não precisa virar um personagem. Total. Eu acho isso muito bonito, né, ver essa— às vezes a gente coloca as coisas como muito distantes. De fato existe uma distância, nós somos muito pecadores, a gente sempre tem uma distância da santidade, mas ela sempre tá ali, né?

A caminhada é onde a gente tem que estar. Não adianta só porque tá longe eu vou desistir da caminhada. É porque tá longe que eu tenho que apressar o passo e seguir naquele rumo. Então a internet me permitiu isso. Hoje eu vivo uma grande alegria. Como eu disse, hoje não tem nada de ruim. Hoje eu vejo comentários ruins, eu dou risada. Comentários bons, eu fico muito feliz. E vamos seguindo em frente. Essa é a minha história com a internet.

BBruna

Coisa boa. Esses dias eu tava vendo um vídeo do Padre Paulo Ricardo que ele fala que um santo é um pecador que não desiste. Então a nossa santidade tá ali, né, em buscar todos os dias, em tá ali dando passos, ainda que minúsculos, mas tá dando esse passo. E dentro disso, Ana, dessa busca pela santidade, falando de você como mulher, em algum momento em todo esse processo você acabou se perdendo um pouco nesta sua visão como mulher, na sua autoestima, na sua identidade, ou sempre foi muito claro para você?

APAnna Paula

Na verdade, eu fui me encontrando. Por muitos anos eu achava que essa busca seria por um lado, né, de querer ser amada, de querer que os olhos tivessem voltado isso para mim. Eu tive uma história muito difícil com meu pai, então isso impactou muito na minha vida como um todo. E eu cresci com essa história, né, que era bom ser amada, que era bom que as pessoas me desejassem de alguma forma, não só na forma de mulher, né, na forma de ser humano.

Queria ser referência, queria que as pessoas me admirassem pelos meus feitos acadêmicos, queria ser reconhecida pelo meu sucesso profissional, até que eu encontrei a maternidade. Ali eu falei, era isso, né? E eu acho que é isso que a gente sente quando a gente se depara com a nossa vocação. De fato, a gente não sabe qual é, mas quando a gente se encontra com ela, eu acho que não sobra mais dúvidas, ainda que tenha dificuldades, né?

Não é que já que a minha vocação é maternidade, é o matrimônio, nada dá errado, dá sempre tudo certo. Muito pelo contrário, é um monte de perrengue, mas a gente se sente encaixado, como o bloquinho da criança lá, quando ele se caixa, acabou. Pode ter muito parecido, mas quando é a peça certa— então na maternidade o meu brilho, minha vida, e antes da minha conversão isso já aconteceu. Quando eu engravidei da minha primeira filha, eu falava para o meu marido, a minha barriga toda torta, pequenininha, que primeira gestação eu quase não tive barriga, mas eu me achava uma coisa linda.

E é uma amiga falou um dia, você não tem medo do seu marido te largar, né? Porque acontece muito dos maridos se separarem da mulher na gravidez. Porque a mulher fica assim, fica assada. Eu falei, só se ele for louco, porque eu tô maravilhosa, eu estou grávida de uma bebê maravilhosa, você não tem noção. Aí quando ela nasceu, mesma coisa assim, eu me senti aquela palavra que hoje foi infelizmente muito deturpada, mas eu me senti empoderada ali na maternidade, no casamento.

Aquilo ali serviu em mim de uma forma. Então eu nunca me perdi como mulher, mas eu me encontrei, eu entendi o meu valor, eu entendi o meu valor perante os homens, perante a Deus, perante a minha família. Aquilo ali, nossa, foi feito para mim. Eu não me vejo de outra forma. Eu nunca sonhei com isso, né? Quando era criança, eu não tinha essas pretensões de casar, ter filho. Queria ser professora. A gente pensava muito no lado profissional.

Infelizmente, fomos educadas, né, muitas de nós, para isso. Você tem que casar, não pode depender de homem. Você tem que crescer, não pode depender de homem. Tem que trabalhar. E eu fiz tudo isso, mas quando eu entrei no eu saí de uma família, quando eu encontrei o meu marido, e ainda que não convertidos, a gente já vivia muitos princípios, né, muito, muito da verdade, porque a igreja nada mais é do que esse compilado da verdade.

Não tá inventando a roda, ela tá só mostrando que aquilo ali que é o certo. Então, de alguma forma, a gente já se encontrava com esses princípios, mas eu, na maternidade, no matrimônio, eu só me reafirmei como quem eu era de fato. Eu vi que tudo que tinha ficado para trás era muito mais propaganda enganosa, né? Alguém me fez acreditar que aquilo ali ia ser bom. Diferente de viver a maternidade, de estar imersa nisso aqui e falar, cara, isso aqui foi feito para mim mesmo, é aqui que eu me realizo.

Muita gente me pergunta, mas você não tem um tempo para você? Eu falo, mas o tempo todo é para mim. De certa forma, eu tô vivendo quem eu sou o tempo todo, eu tô alegre, é ali que eu queria estar mesmo. Hoje, 5:30 da manhã, eu tava dando mamar pra uma, o outro acordou falando que a fralda vazou e não sei mais, aquele vucu-vucu. Eu falei, eu olhei, pensei, dei risada sozinha. Eu falei, isso aqui que eu queria mesmo? Não queria tá dormindo mais.

Ainda que dormir mais seja gostoso, seja bom, eu não queria de fato. Pode parecer que eu queria no momento de cansaço, os meus prazeres podem apontar pra que eu queria, mas quando eu busco a verdade dentro de mim, a verdade é que eu não queria. Eu queria aquelas crianças naquele horário falando, mãe, vamos me ajuda com isso, me ajuda com aquilo. A outra pergunta: mãe, cadê meu livro? Onde eu coloquei? 6 da manhã lá em casa é um horário bem agitado.

E hoje eu vivo isso com essa completude, sabe? De é aqui que eu quero estar. Se eu pudesse escolher, se Deus parasse o mundo e falasse assim: minha filha, você não vai para o inferno por isso não. O que que você queria? Você quer mudar alguma coisa? Fica à vontade. Eu não mudaria nada, mas nenhum vírgula, nenhum, nenhum, nenhum. Porque eu sinto isso, cada desafio, cada alegria é ali que eu tinha que estar mesmo. Então, como mulher, nunca me perdi nessa caminhada.

Eu só fui me encontrando. E aí eu fico sempre esperando o próximo capítulo, né? Acho que vou me encontrar mais ainda daqui pro resto da vida. Que coisa boa!

BBruna

Quando a gente fala de se encontrar e se encontrar na maternidade, se encontrar no matrimônio, hoje em dia é algo que, como você falou, né, as palavras estão muito deturpadas, como empoderamento. E essa questão da Independência mesmo. Hoje muitas mulheres, né, justamente já conquistaram ali as suas coisas, os seus trabalhos e tudo, e o feminismo tá muito ali em cima das mulheres de uma forma assim muito acirrada, digamos assim.

Imagino que você tenha muitas seguidoras solteiras também e deve receber perguntas sobre isso também, né, como enxergar a maternidade, o matrimônio e a beleza disso tudo ainda estando dentro dessa independência, né, tendo que trabalhar, tendo que, né, conquistando as suas coisas. E como ter dentro, depois que entra no relacionamento, como enxergar a submissão ao matrimônio da melhor forma, da forma positiva, da forma verdadeira?

APAnna Paula

Eu recebo muitas jovens, né, isso é uma coisa Tanto é que eu me alegro muito de poder inspirar pessoas tão jovens que ainda vão trilhar. Eu queria muito que alguém tivesse me guiado nessa época. Infelizmente eu não tive. Eu, para mim, o maior perigo do feminismo, o que que eu vejo? Ele entrou, fez uma bagunça e saiu. Porque hoje, se você pergunta o que que é feminismo, ninguém sabe. Você fala assim, você é feminista? Não, eu não defendo o aborto, eu não defendo isso, feminismo, eu sou feminista.

Aí a outra fala, não, mas eu defendo o aborto, eu defendo isso mesmo. O que que é o feminismo? Ele virou uma fumaça, ninguém sabe definir. E o que não tem definição causa maiores estragos ainda, porque qualquer um pode avocar pra si, qualquer um pode falar que tá agindo em nome do feminismo. E aí você fala, é bom, é mal, é a favor, é contra? Ninguém tem uma definição. E eu tenho muito medo disso, né? Já descobri que tem as feministas da nova onda, da velha onda, debaixo da onda, em cima da onda.

Quando você não consegue tocar no inimigo, ele tá em todo lugar. Então aí é perigoso ao extremo. Muitas pessoas falam, né, a gente deve todos os nossos direitos ao feminismo. Pera lá, isso entrou de uma forma muito bagunçada. É fato que o papel da mulher na sociedade, aí não tem uma imposição da igreja, não tem imposição de ninguém, na sociedade ele foi um papel que foi ficando confuso, né. Existiu ali a Revolução Industrial, a mulher tava dentro de casa, daqui a pouco tinha que sair de em casa e quem vai cuidar dessas crianças mexeu muito com o nosso papel.

E diante de uma dor verdadeira veio uma solução falsa, diante de uma dor verdadeira da mulher que já não podia mais desempenhar o seu papel em casa, que foi obrigada a trabalhar. Eu acho incrível quando as pessoas falam que a mulher lutou para trabalhar. E eu imagino as mulheres lá na Revolução Industrial tendo que deixar seus filhos em casa, levar seus filhos para trabalhar desesperadas, para hoje a gente tá falando que alguém foi lá e exigiu que a gente precisa trabalhar.

Espera aí, tem que conhecer um pouco de história e tem que ser um pouco honesto, né, minimamente honesto nessa narrativa de qual foi o papel da mulher. Então hoje a gente tem uma nova configuração, hoje a gente tem uma vida para acontecer. A maior parte dos casais precisa de uma renda vinda de dois lugares. É raro o casal que consegue se manter com a renda só do marido, com a renda só da esposa. Então a verdade é que muitos de nós têm que trabalhar.

Isso não é ruim, né, o que eu falo, Os atos são os mesmos, o que a gente precisa ajustar são as nossas motivações. Então uma mulher, ela pode trabalhar, ela pode estudar, claro, ela deve. Eu sou pós-graduada, eu tenho mestrado, eu fiz um monte de coisas, só que a minha energia é para minha família. Então eu não tenho um trabalho, uma renda para ter um plano B. Se meu marido resolver me largar, eu vou sustentar essa galera como?

Não passa isso pela minha cabeça. Minha cabeça passa: eu vou ter uma renda, eu vou me Eu vou digitar, eu vou trabalhar com internet para oferecer mais e melhor para minha família. Porque todos os recursos são nossos, os recursos materiais, os recursos espirituais, os recursos humanos. Todos nós estamos trabalhando para nossa família. Então meu marido tá mais na parte de trabalho externo, eu tô mais na parte de trabalho interno, mas tudo que eu ganho, tudo que eu aprendo, tudo que eu me especializo, tudo isso eu coloco a serviço da minha família.

Então não tem nada de errado com a mulher trabalhar a mulher estudar, mas desde que a cabeça dela esteja no lugar certo. Porque se a gente faz essas atitudes, se a gente tem essas questões com o objetivo de ter uma certa segurança, não tem jeito. A nossa cabeça, o nosso sistema nervoso, ele funciona assim: ele vai dar atenção pro que você manda ele dar atenção. Então aqui, você nunca viu uma Pajero Full na sua vida, mas se a gente começar a conversar sobre Pajero, você vai pegar seu carro, vai sair ali e vai começar a ver.

Ih, começaram a vender Pajero ontem! Não tinha pajé na rua, mas agora tem. Por quê? Porque a gente colocou isso no radar. Está no nosso radar, o nosso sistema de atenção ele começa a captar isso no ambiente. Se tá no meu radar, não, eu preciso de trabalhar porque se meu marido me largar, se meu marido me largar eu preciso ter uma renda, a gente começa a ter atitudes compatíveis com o que a gente acredita. Então a nossa mentalidade ela precisa mudar.

Às vezes as ações não vão mudar tanto, você vai continuar trabalhando, você vai continuar estudando, você vai continuar se especializando, fazendo a faculdade, enfim. Só que quando você começa a colocar isso a serviço da sua família, você tem mais energia, você não tem esse medo, né? Quando a gente consegue se entregar de verdade, se doar de verdade por uma coisa que é realmente boa, que é a família, a gente não tem medo de acontecer algo.

Não, você não trabalha com essa hipótese, você vai trabalhar sempre pelo bem da sua família. Então eu hoje trabalho de 50 mil coisas, né? Tô de licença-maternidade, mas eu sou servidora pública, eu trabalho com a internet, trabalho com coisa, ajudei meu marido na empresa dele, fiz o marketing dele muitos anos nas horas vagas, que eu não sei nem quais eram. Mas é isso. E a pessoa ocupada é quem a gente procura, né? Tem até um vídeo que meu marido mandou muito legal: ninguém procura o desocupado, é por isso que ele tá desocupado.

Porque a pessoa que tem atividade, você sabe que ela é uma pessoa com a qual você pode contar. A pessoa que tá aqui gravando podcast como vocês, né, numa segunda-feira à noite. Eu sei que se eu precisar de uma coisa, eu vou falar com vocês, porque vocês trabalham, vocês estão aqui colocando seus dons a serviço, vocês não estão enterrando seus talentos, vocês estão multiplicando. Diferente de uma pessoa que eu já sei que não faz nada da vida, eu jamais vou ligar para ela, mesmo sabendo que ela tá com disponibilidade.

Então, na vida matrimonial, na vida adulta como um todo, a gente precisa estar buscando fazer as coisas, né? E quando a gente tá dentro de um relacionamento, a gente faz em prol daquele Daquela família que já começa antes dos filhos, inclusive, né? A união desse casal começa a família. Então a gente vai trabalhar, vai estudar, vai se especializar em prol daquilo ali. Não como uma alternativa, deixa eu me resguardar aqui, né? Se der ruim...

Não, não é essa mentalidade correta. Então não há nada de errado. Muitas vezes o feminismo fala assim, ah, a igreja quer que as mulheres fiquem dentro de casa, querem ficar com as mulheres fazendo seus bolos. Não tem nada a ver com isso. Eu inclusive não sei nem fazer bolo. As feministas iriam ficar horrorizadas se elas soubessem das minhas zero habilidades culinárias. Mas é isso. E assim, como eu disse no começo, essa falta de definição do que é o feminismo tem gerado muita confusão.

Tem muita gente que acha que dá para ser católica e feminista, cristã e feminista. Por quê? Porque a definição de feminismo ela tá vaga. Então eu acho que qualquer um pode se encaixar, né? E ao mesmo tempo as pessoas maldosas, que existem muitas, usam essa brecha para enfiar tudo que é coisa, começar a achar que o relacionamento é o inimigo, que a família é inimiga. E quando eu falo feministas, eu até evito falar esse termo porque são mulheres, são só mulheres.

Muitas vezes estão sem informação, muitas vezes estão com a informação errada, muitas vezes têm pautas muito válidas, mas que estão sendo discutidas em um âmbito ruim. Então a gente precisa acolher essas pessoas, né? Como eu falei, as pessoas que pensam diferente de mim são as que eu mais quero acolher. Primeiro que eu quero entender como elas pensam, mas eu quero que elas também entendam como é o meu raciocínio. Por que que a gente tá acolhendo essas pessoas?

Porque que na verdade muitas coisas que falaram são mentira, né? A igreja exclui, a igreja quer que a mulher não faça nada. Isso é absurdo. A mulher é só mãe. Quando alguém fala assim, você é só mãe, eu falo, meu amigo, você sabe o que que significa? Que é só mãe, você sabe que esse nome só não cabe nessa frase. Então a gente diminuiu uma coisa que era gigantesca achando que alguém está nos diminuindo ao querer nos dar essa possibilidade.

Poxa, isso é gigantesco! Se tem alguém lutando pelo meu direito de ser só mãe, tá maravilhoso. Essa pessoa tá lutando pelo que realmente importa. Então essa suposta liberdade que essas ideias, né, foram sendo disseminadas, na verdade são a real prisão dessas mulheres, porque elas começam a se desvirtuar daquela essência, achar que elas têm que trabalhá-la. E muitas mulheres estão nessa, né? Por que que eu não gosto tanto de trabalhar?

Por que que eu não sou aquela workaholic? Por que que eu não tô querendo crescer? O que que tá de errado comigo? Não tem nada de errado. Muitas vezes é a femininidade que tá gritando dentro da gente, que quer florescer, mas que hoje dá medo. Dá medo de você falar assim: ah, eu quero casar, ah, eu quero ter filhos. Alguém vai falar assim: nossa, que retrógrada você, minha filha, você não quer fazer faculdade. E é o conselho que eu sempre dou: a vocação, ela encontra, ela nos encontra caminhando.

Também não dá para a gente paralisar. Eu recebi uma mensagem dessa: Ana, me ajuda a convencer minha mãe que eu não quero fazer faculdade porque minha vocação é matrimônio. Falei: você tá noiva? Não, não conheço ninguém. Eu falei: então vai fazer sua faculdade, vai fazer sua faculdade. Não é assim que funciona. Você não fica lá sentada assando bolo e botando bolo na janela ela e senta lá e espera. Você vai viver a sua vida, você vai ser uma pessoa interessada, interessante, e que um dia vale a pena casar com você, e você vai ver alguém que vale a pena casar com ele.

É assim que a coisa funciona. Você não para sua vida e decide aos 17 anos que a sua vocação é o matrimônio e que por esse motivo você não vai terminar o ensino médio, você não vai fazer faculdade. Não, não é assim que funciona. Então essa visão também precisa ser alinhada. Muitas meninas acabam se inspirando, né, nessas pessoas que estão no Instagram, e eu me incluo entre elas. Apesar de eu sempre falar que eu acho muito estranho alguém dizer que eu não defendo que a mulher estude, logo eu que tanto estudei, nunca defendi isso e jamais defenderei.

Mas sempre vou defender que tudo isso seja colocado a serviço da família, que jamais isso caracterize uma individualidade, porque nós não somos chamados a isso. Ainda que a gente nunca nesse caso, mesmo assim, nós não somos chamadas individualidade, nós somos chamadas a comunidade, a doação, a florescer onde a gente for plantada. Agora, onde é que a gente vai ser plantada, que é o mistério. Talvez você seja plantado no matrimônio, talvez você seja plantado numa vocação diferente, e lá você tem que florescer, mas sempre para colocar a serviço.

A gente nasceu para ser sozinho, né? Sozinho a gente morre rapidinho, não sabe fazer nada, não sabe plantar, não sabe colher, não sabe cozinhar uma coisa. A gente nasceu para ter essa complementariedade, né, que é tão bonita. Então a gente precisa uns dos outros. E esse caminho que fomenta a individualidade, ele sempre é um caminho ruim, independente de qual seara a gente esteja falando.

BBruna

Sim, isso é uma verdade. Nós somos chamados à santidade e a levar o outro, né? Tanto que o Senhor mandou de dois em dois, né? Então nós precisamos do outro. E o depender do outro, seja para coisa simples, às vezes nem dentro de um relacionamento, mas o depender do outro vai gerar em mim um ser mais humilde para aquilo também, né? Pedir ajuda, aprender a pedir ajuda. E às vezes aquela pessoa que foi criada assim tendo que se virar sozinha por muito tempo, aprender a pedir ajuda depois é um processo, mas é possível, é um processo possível.

E eu queria que você comentasse um pouquinho para gente, como você falou, né, sobre essa questão da feminilidade mesmo. Você hoje tem filhas e filhos, e é diferente a criação para menina e para menino. Então a menina precisa ali, né, olhar, ter aquela questão mesmo da princesa, e o menino não. Menino, ele já é mais vida louca. Eu sou professora crianças, então eu vejo muito isso assim entre as crianças. A menina às vezes vai ser bem mais assim, o menino já é: calma, não é assim que você trata sua coleguinha, ela é uma menina.

APAnna Paula

Solta o cabelo dela, pelo amor de Deus.

BBruna

E dentro da sua casa, como que é essa diferença assim? Eu sei que os meninos eles vão se espelhar muito também no seu esposo pela forma como ele te trata, para eles tratarem as irmãs, né? Mas como que é isso?

APAnna Paula

É, os meninos são os príncipes, assim, especialmente no trato comigo, né? Meu marido brinca que eu sou a rainha da casa. E aí, de vez em quando, eu acordo, eles fazem assim. Eu acho uma graça. Agora, a arte de educar meninos e meninas é uma coisa recente pra mim. Porque quando eles são muito pequenos, as diferenças são muito menores, né? É todo mundo muito pequenininho. Você vê ali que tem uma tendência diferente, que o menino já vai batendo os carrinhos ali desesperadamente.

E a menininha tá lá com seu bebezinho. E assim foi com todo mundo na minha casa. Mas aí quando eles chegaram ali nos 6 anos é que foi pra mim a idade de corte que eu vi realmente que eles são muito diferentes. Então a gente busca muito educar pelo exemplo, que eu acho que é uma das formas mais fáceis e mais difíceis ao mesmo tempo, porque você precisa ser aquele exemplo. Mas uma vez que você se forje, e ter filhos pra mim também foi uma grande escola nesse sentido, de entender quais virtudes estavam faltando em mim, e que são muitas, me ajudar a ser esse espelho.

Ao mesmo tempo, a gente dá aquela referência concreta, né? Porque uma coisa é você falar sobre a virtude da ordem, você falar sobre a temperança, você falar sobre a fortaleza, que é de fato necessário ser falado. Outra coisa é você viver. Outra coisa é o seu filho te ver tendo calma diante do caos, né? Não gritar, não explodir. E lá em casa eles nunca viram e nem envolver. Ninguém explodir desse jeito. Meu marido é colérico, então imagina, para ele a luta é muito maior.

Para mim não explodir é meu tranquilão, eu não explodo bem. E para ele não. E ele é extremamente comprometido com essa, com esse exemplo. Então os meninos, nós incentivamos a que eles percebam o quanto eles precisam proteger as irmãs. Então comprei uma caixa de leite, minha pequenininha mais nova, ela é muito forte, né? E ela se acha o Hulk. Então ela falou assim, deixa que eu pego, mãe, eu vou pegar essa caixa. Aí o Heitor, não, você pode se machucar.

O Heitor é meu mais velho. Você pode se machucar, eu vou carregar. E ele foi lá e pegou e tudo assim. E ela ficou meio brava com ela. E lá a gente tem esse trabalho, né, de eu também sou uma mulher muito ativa, eu treino, eu tenho força, mas quando meu marido tá em casa eu não sei fazer nada, não sei fazer. Aí eles falam, mamãe, mas você sabe, você consegue. Eu falo: não, papai tá em casa, papai vai fazer. Mãe, mas você sabe trocar o pneu?

Eu falei: bicho, sei mesmo, mas é o papai. Papai tá aqui, papai quem faz. Para que essas coisas fiquem claras, é óbvio, não significa que eu não posso fazer essas coisas, né? As pessoas às vezes confundem muito o poder e o momento, mas eu tô ali numa escola, né? As oportunidades educativas que a gente tem no nosso dia a dia enquanto pais, elas são infinitas. Então em cada gesto eu busco mostrar para eles essas diferenças para que fique muito consolidado que existe uma função masculina e uma função feminina na sociedade, na vida, na família, em tudo.

Ao mesmo tempo, não significa que eles não entendam a possibilidade de uma mulher trocar um pneu. É possível. Mas se eu sou um homem e eu estou vendo uma mulher trocar o pneu, eu preciso agir, eu preciso falar assim: não, não pode deixar. E eu acho muito engraçado que a gente contratou um senhor para cuidar da jardinagem lá da casa nova que a gente mudou, seu Emanuel. E é muito bonito ver o quanto— é bonito e é triste ao mesmo tempo, né?

Ver o quanto ele é cuidadoso e o quanto esse cuidado se perdeu. Então outro dia eu tava sozinha com todo mundo numa correria, alguns doentes e outros não, e ele tava lá em casa. E aí tocou a campainha e era um zelador do condomínio. Ele foi lá comigo, ele me acompanhou. Ele não deixou eu sozinha. E aí ele foi, conversou, ele: não, é porque hoje ela tá um pouco ocupada, mas eu vou ajudar. Porque era para recolher o lixo, né? Ele falou: a senhora não botou o lixo lá fora?

Eu falei: nossa, moço, eu já vou botar daqui a pouco. Ele: não, eu vou ajudar você, eu vou ajudar a senhora a fazer isso. Aquela cordialidade, aquela gentileza, aquele cavalheirismo que hoje em dia a gente não vê. Eu inclusive tava grávida, com 4 crianças, grávida da minha última filha, pedi um Uber porque o nosso carro deu problema. E o Uber recusou levar a gente. Tava num lugar assim vazio ali no final ali do pistão, um lugar perigoso, era fim de tarde, e ele se recusou.

BBruna

Só por conta das crianças.

APAnna Paula

Aí ele falou assim, eu não vou levar. Eu falei, moço, mas são crianças, você quer que eu faça o quê? Que eu divida no Uber? São crianças, mas conta como pessoa. Aí eu falei, não é possível. Aí meu marido tava viajando, ele ficou desesperado que não tinha o que fazer, até que eu chamei um Uber Black né? E aí vem um carro maior e fez todo mundo lá dentro, não dei nem oportunidade pro motorista falar nada, viu? Mas você vê que não existe essa cordialidade.

Às vezes eu chamo o motorista que é mais antigo, não tem reclamação, tem só diversão. Ele fala assim, meus netinhos são iguais seus filhos, qual que é o nome deles? Não tem essa preocupação. Claro, a gente tem— o Detran, se tiver assistindo essa live, eu já vou levar uma 51. A gente tem que seguir as regras de trânsito, viu, gente? Não tô falando para não seguir não, mas em casos extremos É importante que a gente tenha essa hierarquia de bens, né?

Eu preciso entender que uma mulher grávida com 4 crianças, ela precisa ser acolhida, ela precisa de ajuda. E se pra isso eu preciso correr o risco de levar uma multa, que seja assim. Eu preciso colocar as coisas na posição que elas precisam ocupar. Isso lá em casa é uma coisa que a gente passa muito pros meninos. Então, ah, eu tô cansado, mas eu preciso ajudar minha mãe. Eu estou Sei lá, machuquei meu dedo, mas eu ainda consigo fazer alguma coisa.

Então esse dedo machucado não vai me impedir de ajudar o irmão que precisa. Os meninos têm que proteger as meninas. Então a gente vai em uma festinha, meu filho mais velho é muito bom nisso, alguém perturbou o juízo da irmã dele, ele vai lá, vai lá e fala assim, ó, não mexe com a minha irmã não, não pode. Ele pode, né, os outros não. E eles têm essa convivência que é muito harmônica, considerando a média, as pessoas que eu conheço, né.

As pessoas sempre me falam isso, eles não brigam? A verdade é que não é representativo do nosso dia. Se eu fechar o olho aqui e lembrar do nosso dia, eu vou lembrar de raros momentos deles brigando. São mais momentos de interação. E claro, interação humana gera atritos. Eles têm os seus atritos, eles querem fazer uma coisa, um quer um outro, quer outro, enfim. Mas eles resolvem muito bem. E a gente sempre busca, o meu marido sempre é muito enfático com com os meninos, né?

Em mulher não se bate. Às vezes o meu filho mais novo bate, ele tem 2 anos, coitado, bate em alguém e fala: em mulher a gente não bate de jeito nenhum, não interessa. Ah, mas pai, mas ela me bateu. Ela, ele fala assim: ela pode, ela pode te bater, você não pode bater nela. Ele falou que não tem, aí isso é injusto. Ele falou: não, isso é muito justo. A justiça é dar a cada um o que lhe é devido, e a você é devido casca grossa para aguentar puxar a porrada da sua irmã, e a sua irmã é delicada, e para ela é devido poder te bater e você não revidar.

Então lá em casa eles são criados para entender essas fragilidades, porque ele usa muito exemplo. Ele falou assim, já pensou se o papai resolvesse bater na mamãe? Papai é muito mais forte que a mamãe. Aí eu falo muito também no exagero, mas ele dá essa concretude para as crianças, essa perspectiva, né? Não é que os homens sejam superiores, nem que as mulheres sejam superiores. Nós temos essa igualdade quando o assunto é dignidade humana, mas a cada um de nós, enquanto homem e mulher, foi dado dons diferentes.

Ele falou: papai não tem a menor noção de como que a mamãe faz para orquestrar todos vocês aqui em casa, para que eu chegue e esteja tudo funcionando, vocês estejam jantando nessa calmaria. Ao mesmo tempo, a mamãe não tem essa obrigação de sustentar a nossa família em todos os sentidos, né? Ficar tranquila, saber que eu tô lá fora cuidando de tudo. Até as portas de casa, meu marido que fecha. E eles falam, mas por que que você já não fecha logo a porta, né?

A gente vai dormir, você fecha a porta. Eu falei, não, porque seu pai fecha a porta, o pai confere, seu pai ele é a segurança da nossa casa. Então ele vai de porta em porta ver se tá trancado. Assim que ele confere tudo, ele sobe, vai dormir comigo, porque essa é a função da proteção. Então crianças têm muito essa necessidade da concretude, né? Então eles olham lá e falam, é, realmente essa é a função masculina, tá muito claro na cabeça deles que essa é a função masculina.

Masculino. E a mamãe é a figura da feminilidade, é essa delicadeza que guarda em cima a força, mas que não tá brigando para ser mais forte que o papai. Ela tá ali muito feliz que tem um papai e fazendo uma coisa que ele não sabe fazer. Então a gente busca muito criá-los como são meninos e meninas, com essas perspectivas muito bem definidas. Então eu fico muito feliz quando eu vejo esses resultados, né, do mais novo querendo carregar o leite uma coisa para outra, ou ela chamando ele para fazer alguma coisa que ela não consegue.

E trabalhando muito isso de pedir ajuda, especialmente com as meninas, né? Porque como são meninas fortes, são meninas inteligentes, é um cuidado que a gente tem que ter para que ela lembre de pedir ajuda, para que ela lembre que ela não tem que fazer tudo sozinha, mesmo que às vezes ela tenha condição. É legal que a gente compartilhe as nossas necessidades, porque é muito bom se sentir útil. E quando eu peço ajuda eu tô permitindo que o outro sinta essa utilidade, né?

Então a gente passa muito isso pra eles, especialmente a minha mais velha, que é muito colérica também. Ela gosta muito de resolver todos os problemas do mundo. Eu falo pra ela, calma, respira. Nem tudo você precisa resolver, nem tudo você vai conseguir resolver. E pedir ajuda é importante, né? Ela vê muito meu marido não pedindo ajuda, né? Ele tem também essa veia de querer resolver tudo, mas também foi uma escola pra ele. Eu falei, ó, preste atenção que você também é exemplo, né?

Então às vezes você precisa aceitar uma ajuda. E aí você vai mostrar para ela que não tem nenhum demérito em aceitar ajuda, muito pelo contrário. Às vezes é um benefício maior para quem ajuda do que para quem é ajudado. Então essa é a nossa luta para cuidar bem que os dois, que os dois não, né, que esse tanto de gente, os dois gêneros cresçam ali com essa clareza de papéis, sem hierarquia propriamente Entendendo que mesmo tendo igual dignidade, eles têm papéis muito distintos.

BBruna

E apesar de você já compartilhar com a gente ali como que é a sua rotina, eu queria que você contasse um pouquinho mais de como que é a rotina com as crianças em relação também à sua vida de oração, o seu momento de rezar. Eu sei que vocês rezam, né, com as crianças. Então como que é assim além do que você mostra para gente, né? Como que é para você?

APAnna Paula

A minha rotina de orações, já tem 5 anos que eu rezo o terço diariamente, né? Mas já rezei de várias formas. Umas eu me orgulho, outras nem tanto. Já rezei dirigindo, Detran de novo, mas tá certo. Já rezei dirigindo, já rezei botando criança para dormir, e aconteceu um movimento muito interessante. Teve uma época ali, uns meses, que eu Eu falei, não, eu preciso rezar bem, eu preciso me concentrar, eu preciso ter esse momento. E não tinha, e eu acabava nem rezando.

Então, de tanto querer essa perfeição, essa coisa ideal de acender minha velinha, de poder ter esse momento, eu acabei por muito tempo— não chegou a meses, né, mas algumas semanas— de ficar assim sem fazer as minhas orações por essa falta, né, de possibilidade, esperando demais o tempo certo. E eu percebi que o tempo certo é o tempo que eu tenho ali. Então eu comecei a rezar às vezes só com o filho. Nem todos eles estão ali disponíveis no momento, às vezes tem que fazer tarefa.

Aí o meu filho mais velho, ele tem muito essa— não é uma predisposição, mas ele gosta muito de tudo que é religioso. Ele tem na escola, todo mundo comenta, ele é muito encantado pela Eucaristia. Ele fala, mamãe, mas que gosto tem? Como é que é? Você escuta alguma voz? Aí ele escuta, bota a mão na minha barriga assim, Jesus fala, será, dentro na barriga desde pequenininha. Ele tem muito isso. Então às vezes ele me chama para rezar o terço, né?

Ele fala, mãe, vamos rezar o terço agora? Os menores estão dormindo, a Lara tá fazendo a tarefa dela, vamos rezar eu e você? Então ele tem me ajudado muito nisso. Mas eu busco todos os dias ouvir a homilia, que era uma coisa que eu ficava pensando, será que tá certo? Eu tô aqui treinando e o Frei Gilson tá falando, será que é bom? Mas é bom, é sempre bom ouvir a palavra de Deus em qualquer circunstância. Então eu ouço muito no carro, eu me organizo, como a minha rotina é muito corrida, né, como eu disse, eu abro o olho, tem alguém me chamando.

Não é o despertador, é alguém assim: mamãe, eu tô precisando disso, eu tô precisando daquilo, papai tá lá embaixo fazendo café da manhã, você precisa me ajudar. E já começa nessa loucura. Nesse momento que eu abro os olhos, a minha oração é silenciosa. Falo: oi Deus, bom dia, obrigado por mais um dia. E tô correndo aqui. E ao mesmo tempo, a gente também não pode se perder nessa correria, né. E eu percebi muito que era isso, uma questão de hierarquia.

Não teremos tempo para fazer tudo nunca. Se tá tendo tempo para fazer tudo, tem alguma coisa errada, alguma coisa não tá fazendo. Quando tá sobrando tempo, você chega no final do dia e fala, ai, não tem nada para fazer. Você já estudou, você já fez suas orações, você já se aprofundou em algum tema? Duvido, não tem como. Vida de adulto é essa correria. Então a gente precisa encontrar. E aí eu comecei a fazer leituras, e eu também tinha esse preconceito.

Eu vou ler uma página, o que que serve uma página? Mas serve demais para muita coisa. Então às vezes eu leio no Kindle, eu leio no livro mesmo de físico, 1, 2, 3, 4, 5 páginas no máximo, alguém me chama, mas eu li, né? Eu fiz aquela leitura espiritual. Eu ouvi o Frei Gilson enquanto eu tava treinando ali, ouvi a homilia do dia e eu prestei atenção. E o meu terço, às vezes ele acontece quando eu tô com a minha pequenininha amamentando, às vezes acontece quando eu tô no carro, mas o importante é que ele acontece, né?

Então minha meta é acontecer. Quando eu consigo, quando tem ali esse respiro, dá tudo muito certo, minha pequenininha dorme, não chora mais, aí eu acendo a minha vela, faço a minha oração, consigo ter esse momento mais especial. E é muito bom, né? É gratificante. Mas ao mesmo tempo eu fui me desprendendo dessa sensação de que eu tava fazendo pouco caso. Eu falei, Deus conhece meu coração, ele sabe que não é pouco caso, ele sabe que eu tô tentando.

Ao mesmo tempo que a gente não tem que buscar a perfeição, a gente não tem que se acomodar a fazer as coisas de qualquer jeito, né? Então eu tô sempre nessa, nesse equilíbrio entre encontrar o momento ideal, mas também não deixar passar por não ser o momento ideal. E a gente sempre vai às missas pelo menos duas vezes na semana, né? Toda sexta e todo domingo, porque tem missa na escola das crianças e me ajuda demais. Já levo, já fico para missa.

E eles me cobram de missa diária, eles queriam muito, né? Eles falam, ai, mamãe, a gente tem que ir na missa, poxa, por que que a gente não vai? E é uma coisa eu também me cobro. Eu cheguei a fazer, grávida ainda da minha última filha, a gente conseguiu ir umas 2 semanas na Missa Diária e foi maravilhoso. Assim, coisa, é muito diferente a sensação de você poder ter a comunhão todos os dias. Mas hoje não é a nossa realidade e a gente também não adianta sofrer por isso, né?

Eu falo assim, Senhor, me ajuda a chegar nesse objetivo, mas enquanto eu não chego, eu vou caminhando. Mas é muito, é muito gostoso sentir o vazio quando você não faz, porque você percebe que aquilo de fato se encaixou na sua vida. Então às vezes dá 11 horas da noite, eu terminei todos os meus afazeres, eu falo, meu Deus, não rezei o terço. E aí eu vou falar, ai, que bom que eu tô sentindo falta, né? Que bom que eu percebi o valor disso aqui.

Então eu vou fazer essa caminhada. Para mim foi muito importante. Como tudo na religião, eu sempre falo, a gente pode começar por obrigação, não tem problema. O que a gente não pode é continuar fazendo só por obrigação, né? Então às vezes eu ia missa porque tinha que ir. Até eu entender o que era, até eu viver bem, demorou. Mas quando aconteceu, acabou. Agora eu entendo o valor daquilo ali. Não tem como eu faltar missa porque eu tô em algum lugar, que eu tô viajando, não tem como, porque eu já entendi o que que tá me esperando.

E aí esse processo a gente vai vivendo. Então começar por obrigação não é nenhum problema para mim, pelo menos, mas ficar por obrigação é um problema porque a gente não se Então você entrou na religião, ah, porque minha mãe mandou, porque alguém falou que eu tinha que ir. Tudo certo, o seu papel agora é entender por que que você tá ali. Porque se você entender de verdade, você vai continuar. Só vai sair quem não buscou entender, quem foi por obrigação e ficou satisfeito em continuar nessa obrigação.

Porque quando você vai entendendo, aí você tem vontade, você tem desejo, você fala assim, caracas, é ali que eu tenho que estar mesmo, deixa eu dar meu jeito e eu vou nessa missa. Então a gente viajou, acho que tem uns 2 anos, a gente foi pra praia, pra Maceió. Deu domingo, a família toda vestida pra praia. E a gente vestido de roupa normal. Aí todo mundo, ué, vocês não vão pra praia? Aí meu marido, não, a gente vai na missa. A gente descobriu que tem uma missa aqui do outro lado da rua.

A gente vai na missa rapidinho, depois a gente vai. Aí ficou aquele climão, né? Todo mundo sem graça. Nossa, é mesmo, né? Acho que a gente vai à noite. Acho que vamos deixar a perna da cama.

BBruna

Eu não ia não, mas agora eu vou ter que ir.

APAnna Paula

E é maravilhoso ser essa pessoa, né, que constrange para o bem. Então ficou todo mundo comendo sua melancia assim: não, a gente vai, a gente vai. Você viu lá se tem a 7? Eu falei: tem, tem sim. Ah não, a gente vai na da 7, claro que a gente vai. Então a gente virou essa pessoa, né, da família. Isso é muito bom. E os meus filhos, e criança não tem filtro, né, então eles já falam assim: ué, vocês não vão na missa não, vovô? Aí o meu sogro quase entala com pão de queijo.

Não, a gente vai, claro que a gente vai. E aí é muito bom contagiar as pessoas nesse sentido, né? É uma coisa que se encaixou e a gente foi percebendo. É aquilo, a verdade é como a gente entrar num lugar muito iluminado e entrar no quarto escuro. No primeiro momento você não enxerga nada, mas tá tudo ali. E à medida que a sua pupila vai contraindo, você vai ganhando habilidade de ver o que já estava ali. Então A religião não inventa nada, ela só te tirou da claridade.

Você tá ali se adaptando de modo que quando a sua vista se adaptar por completo, você vai falar: nossa, tava tudo aqui mesmo, olha só que coisa incrível! Como que eu não tava enxergando?

BBruna

Essa beleza de ser católico é de ter alguém ali, né?

APAnna Paula

Ai, é muito bom, gente! Não tem explicação.

BBruna

Ontem eu tava pensando exatamente sobre isso porque Apareceu para mim algumas fotos do Papa. E aí eu falei, meu Deus, como é bom ter o Papa!

APAnna Paula

Meu, como é bom ter alguém! Que angústia, né, quando tem a transição, quando tá naquela fumacinha, que pelo amor de Deus, você fica lá esperando.

BBruna

Nossa, alegria! Foi aquela fumaça branca, saí correndo, gente, a fumaça branca, fumaça branca! Quase como chá revelação, né?

APAnna Paula

Chá revelação premium.

BBruna

Tem assim, deixa eu lembrar vocês, ó, ó, produção me lembrando, lembrar vocês aqui, ó, da nossa rifa. Apenas, calma, para onde que olha? Para cá. Apenas R$5, R$5 a nossa rifa. Você vai estar concorrendo a uma air fryer, você vai estar correndo. Há um ensaio fotográfico e olha, a fotógrafa é maravilhosa. E há uma maquiagem social que a maquiadora também é maravilhosa. Gente, olha só, apenas R$5. Já entra aí, ó, e compra. Olha o Padre Wesley: boa noite, Padre, sua bênção.

Olá, boa noite, Deus os abençoe. A Bruna está particularmente lindíssima. Ai, thank you so much, Simone! Que convidada maravilhosa vocês estão me recebendo! Eu sou com a Mari. Ah, seja bem-vinda, Ana linda! Jéssica também com elogios. Ana, minha esposa, sua fã. Manda um beijo para ela.

APAnna Paula

Ela chamou Ana também, tem dois N's. Do Anderson. Ela mesmo. Eu amo quando os maridos pedem assim uma mensagem para esposa. Eu falei, você ganhou um prêmio, viu?

BBruna

Que maravilha de podcast! O Thay é o nosso fundador, fundador da nossa comunidade. Nós somos chamados à individualidade.

APAnna Paula

Nossa, já me falaram dele. Vamos ter que se conhecer ao vivo, viu? Porque já me falaram dele essa semana umas 3 vezes, pessoas diferentes. Me contar.

BBruna

Sexta-feira, 8:30, pode ir lá na comunidade.

APAnna Paula

Pois pronto, bateria lá cheia de criança. Pode ir!

BBruna

A Nátaly também é da comunidade. Que podcast! O Abílio: o que você faz para manter a sua identidade real sem virar refém de um personagem?

APAnna Paula

Já vai responder agora? Essa é uma pergunta incrível, porque muitas vezes nós somos seduzidos muito facilmente pelas coisas, né? Então números nos seduzem, pessoas que gostam da gente nos seduzem. E o tanto que a gente é afetado pelas críticas também é medido pelo quanto a gente é enaltecido pelos elogios, né? Quando você se sente demais porque alguém te elogiou, você acaba se afetando muito. À medida que eu fui me dessensibilizando das críticas, eu eu também fui me desapegando dos elogios.

Eu fui entendendo que não é porque alguém acha que eu sou isso, que eu sou aquilo, que eu sou de fato, nem para o bem nem para o mal. Então a Ana da internet, ela começou 100% original. Eu falo isso, né, 100% eu ali mostrando a minha rotina. Daqui a pouco as pessoas iam criticando, eu ia mudando. Ah, mas eu acho que você não deveria fazer isso. Será que talvez então vou mudar aqui? Não, mas eu acho que aquilo ali você não deveria fazer.

E eu fui ali tentando me encaixar sem mudar muito, mas mudando alguma coisa. Até o dia que eu falei assim, mas pera aí, vocês não precisam gostar de mim também não, entendeu? Eu sou desse jeito, eu faço essas coisas, eu tenho esses erros, e eu faço questão de mostrar os meus erros, especialmente os que eu já superei, para ser um testemunho, para ser uma forma de inspiração. Mas não tem como a gente se sustentar muito no personagem, não tem como.

E eu até tava falando para a Bruna antes de começar, né, podcast é a minha modalidade preferida vida de geração de conteúdo, porque aqui, como é que você sustenta uma máscara falando uma hora sem parar, sem pausa para respirar, igual eu tô fazendo aqui? Então me ajuda muito a que as pessoas me conheçam de fato, porque eu fui muito taxada de perfeita, né? Virou até um meme nas minhas redes, a senhora perfeita. Só que a perfeição que as pessoas enxergam vem da minha alegria de viver a minha vida, porque minha casa tá bagunçada, meus filhos estão descabelados, eu tô sem maquiagem de rotina, não tem nenhuma produção, nenhum roteiro.

E as pessoas acham que aquilo é perfeito, porque de fato é. Porque a perfeição é isso, é o grau máximo de excelência que você pode esperar de uma situação. O que que eu posso esperar de uma casa com 5 crianças? Bagunça, eventualmente. O que que eu posso esperar? Às vezes eu tô com a cara de cansada no fim do dia. Não é o fim do mundo, é tudo muito normal. Então, quando eu me desapeguei de agradar essas pessoas E nisso, a internet foi uma grande mãe pra mim.

Porque ela me ensinou a ser odiada com tranquilidade. Eu tinha muito receio de não ser amada, né. Como eu falei, minha história de vida teve seus perrengues ali. E eu buscava muito por essa aprovação, por esse amor. Quando eu me libertei e falei assim: Ai, não acontece nada se alguém me xingar, que maravilha! As pessoas podem falar mal de mim, elas podem compartilhar meu vídeo me odiando e eu vou continuar viva, que maravilha!

Foi para mim libertador, porque agora eu tenho total liberdade de ser quem eu sou e de ter essa consciência de, como eu falei, toda comunhão pedir para Deus me direcionar mais do que as pessoas que me elogiam, mais do que as pessoas que me agradecem, muito além disso, para que Deus me bote no lugar certo. Só que mesmo assim é um cuidado diário, porque, por exemplo, eu tô ali, cresci muito rápido, né, ganhei muitos seguidores, e aí recentemente eu compartilhei uma coisa que as pessoas não gostaram.

Aí eu perdi assim uns 3, 4 mil por um segundo, uma fração de segundo. Eu falei, nossa, não deveria ter falado aquilo. Daqui a pouco eu voltei, eu falei, o que eu falei tá alinhado com os meus princípios, tá alinhado com os meus valores, tá alinhado com o que eu entendo que Deus quer para minha vida, tá alinhado com a minha família, não ofende a quem eu amo, tá certo. Que essas pessoas que foram, que um dia elas possam voltar e aprender.

Mas se não é o momento delas, que elas vão mesmo, pode ir, tá tudo certo. Os números não me prendem mais. Então eu ficava muito nisso, ai, o vídeo tem que viralizar, tem que bater não sei quantas visualizações. Aí outro dia eu postei um vídeo que deu muito menos visualizações do que de costume, mas aí veio o comentário de uma moça, Ana, esse vídeo transformou minha vida, era o que eu precisava ouvir. Nossa, Deus tocou seu coração pra você fazer esse vídeo, porque ele me deu uma resposta tão grande.

Eu falei, pronto, é isso que eu precisava entender. Que às vezes vai ser um vídeo que vai ter pouquinha visualização, mas que atingiu as pessoas certas. E eu não tô aqui pra me colocar a serviço, eu não falei, meu combinado com Deus não foi esse. Enquanto o Senhor puder me usar como instrumento, eis-me aqui, me usa do jeito que você quiser. E eu toda missa, na hora lá do ato de contrição, eu peço desculpa e falo assim: e leva aquilo que é valioso pra mim, mas que não deveria ser.

Que muitas vezes são esses números, muitas vezes é esse apego em querer viralizar, em querer crescer, em querer a todo custo. Isso ainda mora dentro de mim algumas vezes, e eu peço todo dia: Deus, leva. E aí, quando aconteceu essa debandada, eu falei: olha ele levando, olha ele testando se a bonitinha vai cumprir o combinado. Eu falei: não, eu vou continuar fazendo, não interessa o que aconteça. Ah, vai? Então deixa eu tirar um monte de gente de uma vez para ver se você aguenta esse susto.

Aí eu dei uma tremida, mas eu falei: não, eu aguento. Porque olha quem ficou, olha quem tá chegando também. Muitas pessoas novas chegam e enfim se beneficiam daquilo de alguma forma. Então o principal segredo para manter a identidade é não querer agradar e ter esses valores muito claros e fazer essa pergunta em todo conteúdo que eu produzo: isso aqui gera algum bem para pessoa? Às vezes o bem que vai gerar dá uma risada, né? Que narração esquisita, eu não entendo nada que você fala, você fala muito rápido.

Às vezes é isso que a pessoa precisa precisava. E ao mesmo tempo, mesmo nesses vídeos supostamente de humor, as pessoas estão vendo uma família nos dias de hoje, um casal jovem que tá casado, que tá feliz, que tem seus filhos, que tá indo à missa. Quase todo vídeo de rotina meu é final de semana, então eu sempre faço questão de falar: fomos à missa, voltamos da missa. Tem valores implícitos ali que estão sendo, né, infundidos na cabeça de quem ouve.

Às vezes a pessoa tá ouvindo por entretenimento, ela tem uma visão de mundo completamente diferente da Mal sabia ela que eu tô fazendo uma certa implantação de informações ali. E elas vão vendo que vale a pena viver desse jeito, né? É um dos meus objetivos também, que as pessoas olhem e falem, nossa, vale a pena isso daqui. Porque às vezes nós na religião acabamos sendo muito cansados, né? Não, ai, meu Deus do céu, minha vida é um sacrifício.

Eu falei muito disso na palestra. O meu matrimônio é meu caminho da santidade, porque isso aqui é uma cruz que eu tô carregando. Deus me deu esse negócio aqui para eu carregar, mas eu Vou carregar. Essa é minha coisa. Eu falei, não, gente, é o presente que Deus nos deu. Tem nada de cruz. A cruz é outra coisa. Ele nos deu o presente da companhia, né? O pobre do Adão tava lá sozinho. Ele falou, vou te dar uma companhia. Ele não falou, vou te dar um castigo, toma ali uma chibata.

Não, ele falou, vou te dar uma companhia para que você não fique só. Não é bom que o homem fique só. E às vezes a gente leva. E aí uma frase linda que eu escutei numa formação para evangelizar alguns dos meus muitos filhos. Foi o seguinte: muitas vezes a sua vida é o único evangelho que a pessoa vai ler. Que evangelho que você tá passando para ela? Falando de Deus, mas ao mesmo tempo vivendo uma vida triste, onde todo mundo que te encontra você tá mal-humorado, onde a sua vida é sempre muito difícil?

A pessoa vai olhar e fala assim: eu vou ser católica, vou nada, negócio ainda dá certo não. Para quê? Mesma coisa quando falar: como é que eu vou converter meu marido? Eu falo para ele, eu tento evangelizar. Nossa, você tá perturbando o juízo dele, ele não vai querer ser católico jamais. Ele vai olhar e falar assim: esse aqui quer ser católico, ficar lá danhando o ouvido dos outros? Não quero. Então a gente tem que ter essa leveza, essa alegria, né?

Nossa missão como cristãos, e não é falso, não é fingir que a gente é alegre, pelo contrário, é mostrar que é muito bom seguir a Jesus Cristo, é muito bom, é muito gostoso, é a melhor vida que a gente pode ter. Quando a gente demonstra isso, as pessoas falam assim, tem alguma coisa ali, eu acho que eu quero ser igual essa pessoa, eu acho que eu quero viver, eu quero, eu quero estar sorrindo assim o tempo todo também, eu quero ter essa vida, 5 filhos e tá feliz no podcast segunda-feira, eu quero isso daí para mim.

Então a gente tem essa missão, pessoal tá aqui desde sabe Deus que hora trabalhando e não sabe que horas que vai parar e tão feliz e sorrindo. Pera aí, tem alguma coisa ali. Então essa é a nossa missão de evangelização, claro, com palavras com atos, mas com essa alegria de viver que deixa esse ar de mistério. De que será que tem de tão bom nesse negócio católico que esse pessoal tá tudo feliz? Onde você vê, eles estão felizes.

Onde eles vão, eles estão simpáticos, ajudando as pessoas, fazendo o bem. Não estão aí batendo boca. Eu acho que isso atrai muito. Isso é uma crítica que eu tenho a algumas pessoas que às vezes estão muito bem intencionadas na internet, mas estão lá batendo em todo mundo, xingando todo mundo, ficar criticando a vida de todo mundo, você é um pecador, você é isso, você é aquilo. Eu tenho os meus receios porque eu falo, isso aí afasta muita gente, né?

Você tá ali querendo falar só para quem já tá no seu caminho, é bom também, mas que tal falar para mais gente? Que tal atingir pessoas que estão desviadas da verdade e você vai poder ajudá-las? Nossa, isso é bom demais, você saber que você pegou uma pessoa que tá vindo por um caminho e trouxe ela para outro. Isso é muito gratificante, né? Eu acho que essa é a nossa missão. Então é a clareza da nossa identidade permite justamente que a gente transite entre diversos mundos, como é o mundo da internet, que é um mundo meio esquisito, que tem um monte de coisa errada.

Mas quando você tem essa clareza de quem você é, você segue, né? As coisas vão acontecendo, você vai sendo bombardeado. O pessoal das bets vai me fazendo oferta, eu falei, não tem vergonha não? Você já virou meu perfil para me propor uma indecência dessa? Porque é indecente, né? As ofertas financeiras financeiras. E muitas pessoas estão passando por momentos difíceis e eles se aproveitam dessa vulnerabilidade. Mas aí, quando você tem essa clareza de quem você é, você vai vendo que muitas vezes são os nãos que você vai dizer que vão te manter no caminho certo, né?

E às vezes a coisa é tentadora, às vezes, ai, meu Deus, com esse dinheiro eu trocava de casa, trocava de carro. Mas é muito claro, quando você tem seus valores, você fala assim, não, não tá, isso aqui não tá em negociação. Fazer algo que vai danificar a vida do outro que vai prejudicar a alma, não tá em negociação, então não vou fazer. Essa clareza me ajuda muito a ser uma coisa só, né? As pessoas me encontrarem na rua e verem a mesma Ana que elas veem lá, falando mais devagar, é claro, né? Se eu falar rápido aqui, ajeita. Isso é o que mais me ajuda.

BBruna

E me perguntaram, falaram assim, Bruna, ela é a mesma coisa igual é da internet? Eu falei, gente, é!

APAnna Paula

Uma vez inclusive a gente da comunidade, tu foi pregar num retiro da minha crise. Gente, como foi lindo! Nossa, que trem maravilhoso aquilo ali! Eu queria toda semana.

BBruna

Aí eu tava até falando pra Júlia que tava aqui, eu falei, ah, porque inclusive eu fiz uma pregação, tudo é a mesma coisa. Ela tava normal, gente, a camiseta, calça jeans, igual gente normal.

APAnna Paula

Nossa, foi maravilhoso aquele retiro! Nossa, que bênção, que incrível, entendeu? Saí de lá assim, cheguei, falei para o marido, ele, e aí, foi legal? Falei, não, foi legal não, foi muito bom. Queria que você tivesse ido, eu sou super curiosa para saber o que que tinha acontecido lá. Eu não sei explicar, foi muito bonito, foi muito emocionante assim.

BBruna

E Ana, o que que você gostaria de falar ou tem para falar para quem tá começando agora na internet ali, tendo, né, com tudo isso, né? Vai vir os haters, vai tanta coisa, mas o que que você poderia falar assim que seja aquele principal?

APAnna Paula

O difícil da semeadura é a gente nunca saber quando a planta vai sair do chão. É muito difícil plantar, é muito difícil regar, mas às vezes o próximo ato era o decisivo. Então assim, todo dia eu fiz o vídeo exatamente sobre isso, todo dia alguém desiste. Todo dia alguém desiste. O nosso único trabalho é que não sejamos nós a desistir hoje. E aí eu repito isso amanhã, eu falo: hoje eu não vou desistir. Aí o dia nasce, eu falo: hoje eu não vou desistir.

E a gente precisa fazer, porque é muito triste, né, você imaginar que você parou aqui e o próximo ponto era o ponto que a árvore ia germinar, e você parou, você desistiu. Eu poderia ter vivido isso, eu poderia não ter postado aquele vídeo, poderia não ter dado continuidade, porque o vídeo foi um start assim, nossa, mega start, né, um começo que muita gente sonha. Mas ele não se sustentou sozinho, eu precisei fazer, sei lá, 800, já deve ter feito 1000 postagens depois daquela, porque eu não parei.

Eu vi ali uma oportunidade e muita gente falou assim, ah, quando viraliza você ganha ali um pouquinho de seguidor e tal, mas vende um curso aí pro pessoal. Eu recebi vários conselhos, né, desses. Eu falei Eu falei, não, é que eu tô criando uma coisa maior. Eu sei que eu não vou parar aqui, mas eu sei que eu não vou parar aqui porque eu vou plantar, plantar. E agora eu continuo plantando. Eu tenho sonhos grandes, né? Como eu falei, eu comecei a sonhar agora, tô neném de sonho.

Eu não tenho medo de sonhar. E meu marido já é muito sonhador. Ele fala, você vai lá no Inteligência Limitada, você vai lá não sei aonde, o Fidel vai te chamar e o Brasil Paralelo vai te chamar. E eu fiz um trabalho com o Brasil Brasil Paralelo, ele falou, tá vendo? Eu falei para você que eles iam te chamar. Já se prepara porque eles vão te chamar lá para o negócio e vão gravar o especial de Natal.

BBruna

E eu dou risada, né?

APAnna Paula

Eu dou risada bem desacreditada. E ele fala muito sério, ele fala, amor, você não entende que é uma questão de tempo. Porque você— e não é uma questão de tempo só porque você é boa, é porque você não vai parar, você vai continuar fazendo e vai continuar fazendo e vai continuar fazendo. E a gente não sabe onde tá. A gente às vezes fala assim, eu quero acertar a veia, né? Você não sabe onde tá a veia. Você precisa continuar. E às vezes é mais simples do que parece, é só não desistir naquele dia, né?

Então as nossas expectativas precisam estar ajustadas. Não adianta a gente querer ir do zero ao cem em um dia. E hoje eu agradeço a Deus todos os dias por ele não ter me feito crescer em outra época, porque eu não ia aguentar, né? Hoje, com essa maturidade que eu tenho, com a religião me estabilizando, com meu casamento, com meu marido, é muito mais fácil lidar. Mas imagina a Ana lá de 2014, que tinha uns 10 mil seguidores. Se ela tivesse alcançado tudo que eu alcancei, se ela tivesse recebido a chuva de críticas que eu recebi, eu ia ter enlouquecido, eu ia ter pirado, eu ia ter falado: Deus me livre, isso aqui não é para mim.

Mas só hoje eu pude ter essa força. Então Deus dá no tempo certo, porque ele sabe que a gente tá preparado. Não adianta eu querer tudo sem saber se eu aguento. Então é confiar mesmo. Às vezes é muito frustrante você fazer um vídeo, esse vídeo não dá certo, aí você faz outro vídeo, você bota todas as suas expectativas. E eu sei porque eu vivi isso muitos anos. Eu falava assim, esse vídeo aqui vai ser o vídeo do ano, vai ser muito bom.

Aí dava 3 curtidas. E quando eu de fato entreguei, e aí eu fiquei assim fazendo essa sequência de vídeos e fui crescendo aos pouquinhos, né? Como eu disse, tava 10 seguidores, Eu falava, meu Deus, tô muito famosa! Mas eu não desisti diante dos desafios, diante das frustrações. E eu acho que esse é o segredo para todo mundo, porque não existe receita. Não adianta. Eu sei que tem muita gente que dá curso, muita gente me pede inclusive, né?

Ai, Ana, o que que eu falo? Assim, eu sempre falo a mesma coisa: o que que você faz é não desistir. Porque eu não dei certo porque eu fiz um vídeo de rotina, eu dei certo quando eu não desisti e continuei fazendo. Então não tem muito segredo, a gente tem que tentar, não ter vergonha, não ter medo do que vão te chamar de blogueirinha para tudo que é lado. E aí você fala assim: já tá me seguindo? Já compartilhou com o WhatsApp das tias, da família, tudo?

Acho bom que sim. Então é isso, é ter essa convicção de que as coisas vão dar certo, mas você não sabe quando, né? Que você tá plantando, você tá semeando, você não faz a menor ideia do dia que você vai germinar, menos ainda do dia que você vai colher. Mas uma coisa é certa, se você parar de semear, esquece, nunca vai ter esse resultado. Então é confiar mesmo, viver esse mistério e ser feliz em cada parte do processo. Eu fui muito feliz fazendo esses 1 milhão e 422 vídeos que eu devo ter feito na vida.

Eu fui muito feliz, eu aprendi em cada um deles, né? Eu cresci um pouquinho, eu aprendi a editar mais rápido, eu aprendi a correr contra o tempo, eu fui ficando mais habilidosa em gravar, em falar, melhorei minha oratória, melhorei minha capacidade de me expressar, mas foi fazendo. Jamais a gente vai ficar melhor em uma coisa que a gente não faz. Não adianta sentar e falar assim: eu quero aprender a cozinhar. Como? Assistindo vídeo no YouTube, assistindo MasterChef.

Eu passo 24 horas assistindo, não é? A gente tem a impressão que vai dar tudo certo, que vai ser igualzinho. Você vai para cozinha e fala assim: alguma coisa eles não falaram naquele vídeo, algum detalhe pularam, eu tenho certeza. Porque a prática, ninguém vai superar a prática, né? A conexão entre a sua cabeça e a sua mão ali para cozinhar. Então assim, na cozinha e na vida, nada vai superar a prática. Então, ah, como é que eu melhoro meus vídeos?

Gravando, gravando, gravando e gravando e gravando e gravando. Eu olho os meus vídeos lá atrás, eu dou risada de alguns, outros eu acho legal, falo, nossa, falou bem isso daí, né? Se fosse hoje em dia, não sei se eu falaria dessa forma, mas a maioria é fechatório, né? Meu Deus do céu, coragem! Aí recentemente eu fiz um desafio, gravei um vídeo em inglês, eu não falo inglês.

BBruna

Eu ia falar disso agora!

APAnna Paula

Mas pra mim, o próximo vídeo eu vou gravar cantando, né? Já vou avisar em primeira mão aqui, o próximo vídeo eu canto zero. Vou quebrar até taça se eu cantar. Porque é uma coisa que eu tenho muita vergonha, mas assim, se você fala assim, anda, canta rola essa música e tal, eu já fico travada, morro de vergonha. Mas eu vou superar essa vergonha fazendo o quê? Gravando vídeo. Gente cantando. Porque o que que de pior pode acontecer?

Eu servir de entretenimento. E servir de entretenimento é maravilhoso, né? Vai fazer o povo rir, tá tudo bem. Então essa é uma coisa que eu quero ensinar para as pessoas a não terem a vergonha que eu carreguei comigo por muitos anos. Porque o que de pior pode acontecer? Alguém rir da gente. E se alguém rir da gente, a gente tá sendo entretenimento para o irmão, tá tudo bem.

BBruna

Tem mais algum comentário, Ana? A gente já tá quase indo ali para o final, mas tem algumas últimas perguntas que eu gostaria de fazer, que é: disso tudo, de toda a sua história, de tudo que você passou, o que que, onde você mais enxerga a misericórdia de Deus atuando?

APAnna Paula

Nossa, em tantos lugares, né? Até difícil. É tudo misericórdia, como eu falei. Eu tenho uma frase: se eu me consertei, qualquer um conserta, né? Eu falo sempre para o meu marido, ele fala: que horror! Pô, tá parecendo que você era uma pessoa horrível. Eu falei, não é, é porque eu era uma pessoa muito desorientada. Então Deus conseguiu me orientar em cada detalhe, em cada convicção errada que eu tinha na minha trajetória na internet.

Veja só, a internet é um meio muito fácil de se perder. Eu falei, já pensou que tristeza eu chegar nos meus 34 anos e tá fazendo dancinha do TikTok? Era uma possibilidade real para mim por muito tempo. Eu era essa pessoa que tava ali querendo crescer na internet a qualquer custo, né? Já pensou se acontecesse um trem desse comigo? Eu olhar para trás e falar, meu Deus, que vergonha! Ou não, ou é pior, eu não ia olhar para trás com vergonha, que eu acho que é muito pior do que olhar, né?

Às vezes a gente tem vergonha do passado, mas isso é ótimo, significa que você saiu de lá. O duro é você olhar para o seu passado e não sentir nada, falar assim, ah, tava certo, tava tudo bem. Então a misericórdia dele foi em abrir os meus olhos para o que era certo, em ajudar a que eu encontrasse pessoas na minha caminhada que também me ajudassem nisso. A escola dos meus filhos, a qual sou muito grata, né? A minha comadre que tava ali assistindo, a Simone, ela é de lá, é mãe de um aluno, de 3 alunos lá.

Então ali me apresentaram pessoas maravilhosas. O meu marido ter caminhado comigo, porque a gente sabe o quanto é pesado, né, quando um só inicia essa— não é impossível, muito pelo contrário, mas é muito mais pesado. Eu não precisei viver esse peso porque que a gente conseguiu caminhar junto. A misericórdia me alcançou de ter vindo de uma família completamente bagunçada e ter conseguido construir uma família completamente alinhada, né?

Que com os nossos defeitos a gente tá caminhando para o que realmente importa. Então é quase um milagre a minha história, né? A minha mãe com meu pai não foram nem casados e minha mãe já tinha 32 anos, que naquela época já era velha jovem para ter filho, né, hoje em dia. Eu acho jovenzíssima, gostaria de deixar claro. Minha mãe tinha 32 anos quando eu nasci, sem— ela não tinha expectativa mais de casar, de ter nada disso. Ela já tava vivendo a vida dela, de repente aconteceu.

Então eu já sou assim uma quase uma probabilidade de 0,0001, sou eu. E ainda assim, tantas circunstâncias desfavoráveis, eu ter conseguido ter uma vida estabilizada e hoje poder passar essa mensagem para outras pessoas. Gente do céu, se não fosse a misericórdia, não sei o que seria de mim na minha trajetória inteira. Mas principalmente por ter me blindado de cair nessas armadilhas de fazer tudo para ficar famosa na internet, de topar qualquer coisa, de me envolver com coisas erradas, não só para minha alma, mas para alma de outras pessoas, né.

Então a misericórdia me acompanhou em cada passo, em cada decisão, tudo. No meu trabalho eu pude viver um momento ali de Regime híbrido, numa impossibilidade. Eu aceitei assumir um cargo comissionado e não tinha nenhuma possibilidade deles deixarem que eu trabalhasse de casa meio período, não tinha. Mas eu falei que o não eu já tenho, então vou falar, olha, eu aceito desde que eu possa trabalhar presencialmente de manhã e eu possa trabalhar remoto à tarde.

Mas eu já fui sabendo que eles não iam aceitar. E de repente o meu chefe vira e fala, tudo bem, pode ser. E eu falei, meu Deus, Meu Deus, não acredito! Falei, meu marido, eu falei, você acredita que eles aceitaram? Ele, ué, que bom, né? E assim eu pude ficar com os meus filhos, que era minha prioridade. Eu pude começar esse projeto digital, porque estando em casa eu tinha mais facilidade. E comecei do jeito que dava também, né, gravando a rotina, porque eu não tinha muito o que fazer.

A rotina tinha que acontecer, eu só fazia uns registros ali, aqui, ali. Então assim, foi, eu literalmente muitas inúmeras vezes coloquei o pé E Deus colocou o chão depois. Eu pisei assim no ar em muitas situações, no meu trabalho, nesses conflitos. Será que eu continuo com a internet? Será que eu largo mão disso? E aí eu fui me arriscando, me arriscando, me arriscando, me arriscando. E as coisas foram acontecendo. Então essa confiança, né?

E a misericórdia tá justamente aí, me ajudar a confiar. Porque a gente sabe o quanto é difícil confiar, o quanto a gente quer ter controle, o quanto eu quero ter tudo organizadinho, poder fazer as coisas no meu tempo, no meu jeito. Poder participar do podcast quando eu tiver a minha filha dormindo a noite inteira e tiver tudo bem. Só que a gente começa a entender que não é assim que funciona. Diga seu sim primeiro, bote seu pé primeiro e vai.

Às vezes você vai cair um pouquinho, né, dar aquele frio na barriga, mas daqui a pouco o chão te alcança, não vai ter maiores danos se o que você tá fazendo tá alinhado com o que realmente é verdadeiro, é belo e é bom. Então essa misericórdia de compreender essas coisas. De não querer ser obcecada pelo controle, de não querer esperar circunstâncias ideais. E eu falo, Deus me ajudou a enxergar isso, né? E eu pedi para ele de formas muito explícitas, né?

Pelo amor de Deus, eu sou muito sonsa, o Senhor me ajuda, me bota aqui um raio na minha cabeça e fala assim, querida, tá certo. E ele respondeu assim muito generosamente, nossa, de forma muito imerecida. Eu tenho consciência de que eu não mereço o quanto quanto Deus foi generoso comigo nessas respostas, nessa tranquilidade que ele colocou no meu coração. Em diversos momentos tive questões de saúde com as crianças, tive questões, vários desafios, e ele falava: fica tranquila, fica tranquila que vai dar certo, vai dar certo, confia.

E eu só confiava. E as pessoas: meu Deus, como é que você não tá enlouquecendo? Eu falei: ah, tô bem, tô aqui, tô confiante. Então essa principal misericórdia é essa, né, de me abrir os olhos, abrir meus ouvidos, abrir meu coração e me ajudar a estar onde eu deveria estar, com a tranquilidade de uma filha confiando no pai. E ele sabe que eu não tive um pai de fato na terra que me mostrasse o que que é poder confiar, né? Hoje eu vejo minhas filhas pulando lá do telhado no meu marido, eu falo, meu Deus, como pode isso?

Mas elas têm essa confiança, elas sabem que ele vai estar lá. Elas não têm assim a menor dúvida. Não passa na minha cabeça, passa, pelo amor de Deus, se essa menina cair aí vai quebrar um não faz isso, mas na delas não tem a menor dúvida que o papai vai estar lá.

BBruna

Não tem outra possibilidade.

APAnna Paula

Não tem outra possibilidade. E eu não tive esse pai aqui na terra, né? Meu pai, graças a Deus, tá vivo, maravilhoso, mas ele não participou da minha criação. Então eu não pude pular em ninguém. E quando eu me encontrei com Deus de fato, eu sinto isso, eu posso pular. As pessoas falam, tá doida? Você vai pular daí dessa altura? Eu falo, não vou, porque alguém vai me segurar. De alguma forma ele vai me segurar. E ele tem segurado todos os dias. E nossa, tem sido maravilhoso, graças a Deus.

BBruna

Uma das nossas baluartes na nossa comunidade é Santa Teresa de Calcutá, e aí ela disse que a misericórdia de Deus é como esse oceano e que nós somos como uma gotinha nesse oceano, mas que sem essa gotinha ainda faltaria algo. E hoje, qual que é a sua gota de fidelidade? Qual que é a sua gota nesse esse oceano de Deus?

APAnna Paula

Nossa, a minha— a gente falou muito aqui de individualidade, de me encontrar, né, a minha gotinha de contribuição, que na verdade não é contribuição puramente, é uma retribuição. Eu me sinto sempre retribuindo, tudo que eu faço, tudo que eu falo, tudo que eu ajudo as pessoas, eu me sinto retribuindo. E Deus me permitiu entender justamente essa parte, né? Eu sou uma gotinha, eu tenho importância. Então eu preciso dar valor do mesmo jeito que Deus me reconheceu como pessoa ali, me ajudou a enxergar.

Então eu preciso me valorizar como ser humano, e não com essa história de amor próprio, né? De, ai, eu preciso estar em primeiro lugar. Muito pelo contrário, a minha função nesse mundo precisa ser eu preciso todos os dias me reconhecer como útil para os projetos de Deus. Então ele vai me usar de diversas formas, ele vai me colocar em diferentes lugares, e eu preciso me dar esse valor, esse valor de que eu não posso desistir, não posso simplesmente falar assim: não, eu já não quero mais, não quero mais fazer isso, não quero mais gravar vídeo, não quero mais ser mãe das crianças.

As pessoas falam assim: ah, você não tem vontade de um dia tirar um dia para você e não ser mãe? Eu falei, como assim eu vou tirar quem eu sou? Essa é minha identidade, é quem eu sou. A maternidade, o matrimônio, essas coisas aderiram à minha essência. Elas são, elas me descrevem hoje. Então não tem possibilidade, eu posso estar na China que eu vou continuar sendo mãe, vou continuar sendo esposa, eu vou continuar sendo tudo, porque é quem eu sou. Não é um papel que eu exerço.

BBruna

Não tem como te descrever sem isso.

APAnna Paula

Não tem como me descrever sem isso. Não é uma função apenas, é essência. E hoje eu me vejo isso, eu vejo essa pessoa que ao mesmo tempo é tão pouco, que é só uma pessoa no meio de bilhões de pessoas, mas que eu enxergo, claro, obviamente não com os olhos de Deus, né, mas eu consigo entender melhor o que que é aquela coisa de que Deus pensou em cada um de nós. Eu consigo ver que ele de fato me criou para que eu fosse somada à possibilidade desse oceano, porque se tirar todas as gotinhas não tem mais E ao mesmo tempo que uma só parece não fazer falta, mas faz, porque a composição ela é de fato de pouquinho em pouquinho.

E às vezes a gente deixa de fazer um pouquinho por achar que aquilo ali é ínfimo, mas não é, porque a junção do nosso pouco é justamente o que forma a humanidade, o todo para Deus. Então me perceber tão pequena e ao mesmo tempo tão especial me faz ter esse senso esse tipo de retribuição, essa gratidão, essa entrega, e poder viver bem essa missão às vezes meio confusa, né? Às vezes eu falo, Deus, mas é aqui na internet, o senhor tá vendo isso daqui?

O senhor tá vendo o que eu tô falando? É isso aqui mesmo? Eu falo, é, minha filha, é aqui mesmo, fica aí, continua, né? E aí eu recebo todo dia, por algum motivo, pessoas completamente diferentes me mandam essa mensagem, Ana, não pare. Tem dia que eu tô mais cabisbaixa, acho que as pessoas percebem, né? Eu apareço menos, fala, Ana, não sei o que você tá passando, mas não desista, não pare. Foi falando, não vou parar não, mas obrigada, né?

Continua mandando essa mensagem porque de repente num dia eu tô meio assim. Mas é isso, é ter essa noção, esse senso de pertencimento, saber que não é sobre aqui, o que eu faço aqui vai repercutir na transcendência, né? Então os olhos estão na transcendência ao mesmo tempo que os pés estão aqui. Então Eu preciso continuar caminhando, eu preciso continuar fazendo meu trabalho, mas sabendo que tem algo muito maior lá do outro lado e que eu sou parte, uma pequenininha parte de algo muito maior do que eu.

Então meu trabalho, meu projeto, a minha missão, tudo que eu falo, tudo que eu faço precisa estar a serviço de algo que não acaba aqui. Então ter essa consciência pra mim é o que move minha vida hoje, é o que me coloca no eixo que eu tenho que estar.

BBruna

Eita, amém, gente! Que podcast maravilhoso! Ana, muito obrigada. Nossa, assim, se a gente pudesse ficava aqui.

APAnna Paula

Eu também, você viu que o ritmo aqui, eu tô fingindo que não tem uma bebezinha, deve estar se zuelando aqui agora, né? Mas tá tudo bem.

BBruna

Ai, muito, muito obrigada mesmo. Deus te abençoe. Conta com a comunidade porque você precisar, se tiver precisando de oração, olha, para gente. Olha, reza aí por essa intenção que a gente reza.

APAnna Paula

Muito obrigada mais uma vez pelo convite. Parabéns mais uma vez pelo trabalho de vocês. Assim como eu disse, a gente sempre precisa de pessoas com essa missão, mas nesse momento do mundo que a gente tá vivendo é ainda mais necessário. Parabéns pelo seu trabalho, você é muito querida, né? E concordo com a moça que comentou que hoje você está particularmente Ai, gente, eu tô para ficar vermelha de vergonha. Mas é isso, precisar de mim também, sempre que quiserem me convidar, meu nome tá aí. Meu nome é pronta, né?

BBruna

Mas vai ficar no lobby. Nós temos uma oração final que nós sempre fazemos aqui, aqui no podcast. Vai aparecer ali, aí a gente pode dividir. Eu faço uma parte, você faz outra, tá bom? Em nome do Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

APAnna Paula

Pai misericordioso, Deus todo-poderoso, tu que és a fonte da luz e da sabedoria, concede-me um coração ardente, fiel e sedento da tua vontade para compreender as tuas obras e responder ao teu chamado à perfeição.

BBruna

Jesus crucificado, servo sofredor e Filho de Deus, desejo permanecer aos pés da tua cruz, ao lado da Santíssima Maria, sua mãe e diante de suas dores cultivar um amor filial a Deus e perseverar na vivência da tua palavra.

APAnna Paula

Espírito Santo de Deus, Consolador fiel dos aflitos, derrama teus dons durante minha jornada evangélica e fortalece minha decisão de prosseguir com coragem ao encontro dos sofredores e pequenos, anunciando o evangelho com alegria.

BBruna

Ó Santíssima Indivisível Trindade, que é essencialmente dom de si, é amor em sua realidade original, eterna e infinita. Fortalece-nos para testemunhar e viver a comunhão à tua imagem e semelhança.

APAnna Paula

Nossa Senhora das Dores, rogai por nós. São Tomás de Aquino, rogai por nós.

BBruna

São João Apóstolo e Evangelista, rogai pela comunidade católica Fidelidade da Cruz, por todos da Escola de Fidelidade, pelo mundo inteiro.

APAnna Paula

Amém.

BBruna

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém. Muito obrigada todos vocês que nos acompanharam até aqui. Mais uma vez, é uma alegria muito grande ter vocês conosco. Lembrando da nossa rifa que tá bem aqui, apenas R$5 para você nos ajudar a manter esta obra. Por favor, nos ajude, compartilhe também. Este foi mais um episódio, o episódio 250, o episódio início da 6ª temporada do nosso podcast Gotas de Fidelidade. Nós vamos ficando por aqui, mas segunda-feira que vem nós estamos aqui te esperando. Um beijo e até segunda-feira. Tchau, tchau, tchau!

Anunciantes2

A Divina Graça

Colaboração para manter a obra
external

Comunidade Católica Fidelidade da Cruz

Rifa para custear podcast
external
A influência pelo testemunho com @annapaula_oliv - NOVA T6 EP250 | Castnews Index — Castnews Index