CASOS SOBRENATURAIS PERTURBADORES: O QUE TE ASSOMBRA? #205
Neste episódio do Plugado Podcast, Carlos Mafia recebe Thiago de Sousa, do canal O Que Te Assombra, para um papo que vai te deixar com a luz acesa.Lugares assombrados, maldições, encosto, obsessor, noivas fantasmas e os túmulos mais famosos do Brasil. E uma pergunta que fica: o que você trouxe no corpo da última vez que foi a um cemitério?Aperte o play, fique Plugado e não se assuste!Carlos Mafia: https://www.instagram.com/carlosmafia/ Thiago de Souza: https://www.instagram.com/oqueteassombra/Plugado Estúdios: https://www.instagram.com/plugadoestudios/Plugado Podcast: https://www.instagram.com/plugadopodcast/ @OQUETEASSOMBRA
- Lenda do Chiquinho em Borda da MataPacto com o demônio · Padre Sintra · Exorcismo · Basílica de Nossa Senhora do Carmo
- Incêndio do Edifício Joelma e as Treze AlmasEdifício Joelma · Incêndio de 1974 · Cemitério São Pedro · Lenda urbana · Almas benditas do purgatório
- Cemitérios e históriasCemitério da Saudade de Campinas · Missas dos mortos · Distanciamento da morte · Tradições familiares
- Caso ET de VarginhaAparição de ETs · São Tomé das Letras · Inquérito militar · Turismo ufológico
- Lenda do Chaguinhas e o Bairro da LiberdadeLargo da Forca · Revolta de 1821 · Independência do Brasil · Heroísmo negro
- Tipos de entidades sobrenaturaisAlma penada · Fantasma · Noiva fantasma · Encosto · Espírito obsessor
- Experiências sobrenaturais pessoaisParalisia do sono · Shadow people · Medo do sobrenatural
- Túmulos mais visitados do BrasilAyrton Senna · Mamonas Assassinas · Chico Xavier · Milagres e devoção
- Lugares sagrados e milagreirosNecrópole do Vaticano · Ossos de São Pedro · Menino da Tábua de Maracaí · Turismo religioso
- Maldições e lendas urbanasBoneca da Xuxa possuída · Casarões mal-assombrados
O cemitério, na verdade, é o maior contador de histórias das cidades, porque todas as histórias passam por ali. Foi em túnel assombrado, casa abandonada, cemitério. Chegou a ver algo? Vi. Uma massa escura, como se fosse alguém com um terno preto. Se você pudesse conversar com algum morto, quem seria? Ele tinha feito uma promessa de que se ficasse rico, ele tinha prometido a primeira filha como noiva ao demônio.
É um pacto com o diabo, o ditado, né? Podre de rico era o cheiro dos ricos que apodreciam dentro das igrejas. Vem daí esse ditado? Vem daí esse ditado. O sobrenatural tem uma linguagem, um magnetismo único. Ele pode ser religioso, ele pode ser no entretenimento, o sobrenatural tem esse poder. E aí um coveiro vive uma experiência muito estranha. Ele tem a percepção de que essas sepulturas, essas 13 sepulturas, emanavam gritos muito agoniados, reproduzindo
pouco que eles teriam vivido no Joelma.
Fala, galera, eu sou o Carlos Maff, e estamos aqui para mais um episódio do Plugado Podcast. Hoje um episódio especial, vamos falar de casos de assombração, de histórias de cemitério e muito mais. Tenho a honra de receber, pela segunda vez no canal, do meu lado direito, Tiago de Souza. Salve, salve. Obrigado, meu. Prazer estar aqui agora com você. Já conversei com você. Já veio no Unisológico. Um episódio muito legal, especial de Halloween. Foi super legal.
Aí o Niso é sensacional e poxa, tava faltando mesmo. Batei um papo. Peguei o contato com ele e falei, pô, vamos fazer mais uma vez, falar de assombrações. E a gente tem feito, né, essas histórias com Luciano Milite, Daniel Pires, contando casos reais de... seja de assombração e coisas que assustam e as pessoas têm gostado bastante e ninguém melhor do que você pra contar essas histórias. Você que tá no cemitério direto, né? Direto.
Eu tenho feito um périplo nesses lugares e por onde essas histórias ocorreram. E não só histórias de assombração, me interessam muito as histórias de assombração, porque eu acho que elas têm uma conexão com a história regular de cada cidade. Se a gente não tem um grande trauma, não tem um acontecimento marcante para aquela comunidade, não tem história de assombração. Mas a gente tem uma mudança também no perfil desse tipo.
de história com o avanço de outras culturas. Então, hoje a gente tem discutido até muito isso com o Luciano, inclusive eu falo muito disso, porque o Luciano é um cara que identifica muito um tipo de folclore digital. Quer dizer, pastas... Não me interessa muito esse assunto.
eu ainda gosto mais da prática da conversa de tomar um café na cidadezinha escutar aquele veinho conta a história, a história que arrepia igual a gente acabou de ouvir algumas aqui eu ouvi algumas aqui então essa é a história que me interessa mais do que as tripastas, essas coisas de internet não que elas não tenham valor e não mereçam ser observadas também à luz disso, porque a internet também é um palco de debates de propagação então
de informação, de histórias, mas eu gosto mesmo do cafezinho, do cheiro de café, do medo ali com a poeira subindo, a noite iluminando as coisas, eu adoro isso. Você falou de cultura, você acha que no mundo, ou no Brasil especificamente, o contato com a morte, ele vem de uma forma tardia. Por que eu estou te falando isso? O primeiro...
A primeira pessoa próxima que eu perdi e que eu realmente fui num velório, fui num cemitério, foi aos 14 anos. E quando eu tive... Foi um tio muito próximo, eu amava muito meu tio, o tio Naldo. Não faleceu simplesmente, foi...
Nele, né? Não vou nem falar a palavra aqui porque o algoritmo não gosta. Entendi. Uma morte traumática. Muito traumática. Pra quem não tinha perdido ninguém, e ainda você vai... Arrancado, você teve que ir arrancado. Foi arrancado da gente, né? E por conta de uma discussão ridícula que foram lá e acabaram com ele. Então eu tive esse contato tardio, e aí a partir disso, que eu fui no cemitério e tal, é... E aí
Eu não fui preparado pra aquilo. Então, quando eu cheguei em casa, eu lembro quando eu voltei a primeira vez de um cemitério, minha mãe falou, tira toda essa roupa. Porque você pode trazer alguma energia, você pode trazer alguma coisa que vem de lá. Então, a minha mãe também, ela não tinha muita experiência com esse lado. Foi muito traumático pra toda a família. Você acha que essa distância, essa falta de...
educar, talvez seja essa a palavra, educar uma criança sobre o que é o mundo além do que a gente vive, faz com que essas histórias de assombração, coisas do tipo, se proliferem de uma forma muito mais forte? O que você falou, tem um monte de coisas que a gente pode separar para debater. Primeiro é que um trauma como o que vocês viveram, ninguém está preparado. Então, por mais que exista algum preparo, algum contato com...
culturas que abordem o tema da morte de forma mais natural, uma morte traumática, ter uma pessoa arrancada da gente, como houve com a circunstância do seu tio, ou um acidente. A gente nunca está preparado. Então, até quando a gente se prepara, é muito difícil quando esse momento, de fato, se consagra. Mas acho que a gente se distanciou mais da morte ao longo do tempo.
O cemitério sempre foi um lugar de frequência social. Muita gente ia ao cemitério pra visitar seus entes queridos, pra professar sua fé. Vale lembrar que hoje a gente tem uma mudança até no perfil da frequência de religiosos no cemitério. Eu observo muito...
o aumento de pessoas mais ligadas a Umbanda, a Quimbanda. Mas antigamente a gente tinha muitos católicos indo em igreja. O cemitério que eu mais vou, que eu mais estudo, é o cemitério da Saudade de Campinas. Todo domingo tem uma missa na Capela de São Miguel.
Uma missa dos mortos. Vários cemitérios pelo Brasil têm missas às segundas-feiras, que são as missas das almas. Segunda-feira é o dia tradicionalmente escolhido para ser o dia das almas. Então, sim, acho que a gente se distanciou muito. Não era algo cultural, até porque a nossa religiosidade sempre foi muito influenciada pela cultura religiosa católica. E os católicos não têm um problema nem com a morte, nem com os mortos.
Existe a expectativa da ressurreição na essência da liturgia. Jesus de Nazaré morre e renasce e ressuscita Jesus Cristo. Então nunca há esse problema com o contato nem com o morto, nem em orar em lugar de morto. Vale lembrar que as igrejas eram os lugares oficiais de sepultamento.
da igreja católica por muitos, por séculos. Então, se a gente fizer uma visita... Igreja dos ossos, né? A gente tem Évora, a gente tem várias outras igrejas que têm esse aspecto, mas que têm sepultamentos mesmo, né? Hoje a gente tem mais de sacerdotes, de bispos, ainda há criptas em igrejas, mas...
Se você for para Minas Gerais, por exemplo, tem igrejas que tem lá, os barões, as pessoas que pagavam as indulgências para ser sepultado dentro de igreja. O ditado podre de rico. Podre de rico era o cheiro dos ricos que apodreciam dentro das igrejas.
que quem tinha mais recurso... Vem daí esse ditado? Vem daí esse ditado. Puta, não sabia disso. É, uma das origens desse ditado é isso, podre de rico, é podre de rico, porque ele ficava muito próximo, ele era sepultado num lugar que tinha a frequência de muita gente, muita gente sentia o cheiro de sua carne apodrecendo perto dos altares, então é daí que vem a expressão.
Mas acho que a gente se afastou mesmo. Acho que você tem razão, a gente se afastou desse... A morte também foi colocada como um castigo, porque como a gente vive uma vida muito materialista, quando você morre, você perde tudo que você construiu. Se você só construiu isso, quando você morre, você perde tudo. Se você construiu afetos, laços, laços fraternos, evidentemente tão desgraçados, fica lembrando cedo. Mas a gente fica mais tempo aqui e a gente...
acaba gerando um patrimônio que atravessa só essa ideia patrimonial, financista ou materialista. Mas você acha que com os antigos era diferente esse tratamento? Por exemplo, eu te dei uma visão do que a minha mãe fez. Minha avó já era mais além, não fica repetindo o nome do morto. Tinha umas coisas assim, umas histórias da vovó. Essa é tradição, né?
Não tem problema também. Acho que está tudo bem. Eu acho isso lindo. Eu não acho que isso seja um problema em si. Acho que isso é tradição. Isso é bonito também, porque esse era um mecanismo de defesa que sua avó acreditava ser eficaz para você, para a sua vida, e que a gente não faz hoje. Seu avô e sua avó hoje não contam mais nada. Os nossos morreram. Mas os jovens não buscam mais os avôs e os avós.
para exatamente enfrentarem as suas demandas cotidianas. Então, eu acho isso lindo. Só vou falar isso para você, eu acho maravilhoso. Concordar ou não, não sei. É dela, entendeu? É o jeito dela de enfrentar. É o jeito dela de enfrentar esse medo. O medo de ficar sem a pessoa. Ou então, o medo de ser assombrado por aquela pessoa. Isso é maravilhoso. Você acha que teve...
uma queda nisso, né? Você falou, antigamente tinha até as cerimônias que eram realizadas no cemitério, aí tem uma queda, e você vivendo isso, organizando passeios em cemitérios, você acha que tá apontando pro alto agora pra ter um hype de, pô, será que o cemitério é legal mesmo? Vamos lá. Eu acho que sim, porque o cemitério, na verdade, é o maior contador de histórias das cidades, porque...
Todas as histórias passam por ali, sejam pelos sepultados, sejam pelo protagonismo desses sepultados em grandes passagens da cidade. Então, o cemitério está com um acervo de histórias à nossa disposição, e não apenas de histórias, mas de...
conjuntos escutóricos, de memória religiosa. A gente tem tudo no cemitério. Tem esse lado também que é legal, que a gente não higieniza um passeio, porque a experiência sobrenatural, pra além da experiência sobrenatural religiosa, ela também tá presente. Eu falei que se eu ver um fantasma, talvez eu não volte mais no cemitério.
Mas brincadeira à parte, quem vê um fantasma, por outro lado, resolve uma das questões existenciais mais presentes na humanidade desde que ela identificou sua consciência, que é existe vida após a morte. Isso, se a gente tiver essa certeza, olha, acredito que...
Mudamos muito o jeito de viver. Total. Sabendo que existe outra coisa. Sabendo que a gente não precisa exaurir tudo aqui, porque haverá um outro momento. E também de que a gente vai levar para o outro lado as consequências de tudo que a gente fizer. Me causa espécie, pessoas que se dizem muito espiritualizadas, vivendo como vivem, ou pregando o que pregam. Porque se você acredita de verdade que vai ter julgamento...
que vai ter uma apuração, vai estar lá o barbudo com a cadernetinha ali falando, ó, lembra aqui que você fez isso pra passar perna em um? Lembra aqui que você deu o tomé em outro? Se você acredita mesmo nisso, eu acho que o nosso comportamento seria outro. Porque um dos motivos...
da religião, que eu acho que religião é muito mais caminho do que fim, é o que a gente trilha pra chegar em algo bom, tanto faz o que você escolher, é esse comando ético também, de você ter valores importantes, de você ter valores humanitários, obras ligadas a isso. Então, eu acho isso é a parte bonita da religião. O fanatismo é terrível.
Mas essa parte eu acho legal. Mas vamos lá, as pessoas querem ouvir histórias assustadas, o pessoal quer ter medo. O que você já vivenciou de mais assustador nesses passeios aí? Ou recentemente alguém te contou uma história em um desses passeios ou não, nas suas investigações mesmo? Cara, que realmente você fala assim, porra, você é cético, né? Eu sou bem cético. Eu acredito muito que se existe um sobrenatural, ele é discreto. Ele não é o que todo mundo fala. Eu acho que a gente precisa estar em silêncio.
A gente precisa estar concentrado, a gente precisa estar observando, ter atenção com as coisas que acontecem no seu entorno, não em aflição, não desesperado. Quer dizer, história pessoal com medo? Tem algumas. Você tem? Pessoal? Pessoal. Uma que é... Vou começar da origem. Muita gente me pergunta, eu vou em túnel assombrado, casa abandonada, cemitério.
E a pergunta, qual foi o lugar mais assustador que você já foi? O meu é o meu quarto. Pra mim não tem lugar mais assustador do que o nosso quarto. Primeiro porque a gente, na hora que deita no travesseiro, todas as nossas aflições alcançam a gente. Porque se tá paradinho ali, elas vêm todas. Mas... Não é bem o quarto, né? É a sua própria cabeça. É a sua cabeça, é.
É verdade, é só a própria cabeça. Mas eu vivi uma experiência muito ruim em uma semana, mais ou menos, quando eu era adolescente ou quase perto da fase adulta. Devia ter uns 16 anos, assim. Mas foi uma semana. Foi terrível, foi tenebrosa, que eu tive praticamente a semana inteira paralisia do sono.
E rolava uma coisa meio escalada. Então, no primeiro dia, eu vi algo no meu quarto. E não sei se você já viu paralisia do sono. É uma condição que a gente fica... Por conta do sono REM, né? Rapid Eye Movement. Você tem um descompasso entre os comandos motores do cérebro e a sua consciência. Então, você fica meio acordado. Mas não consegue se mexer.
E aí foi uma semana que eu tive isso e escalava. Então, no primeiro dia eu só tive essa sensação horrível. Segundo dia, a sensação de alguém me observando. Terceiro dia eu vi alguma coisa. E essa coisa ia se aproximando ao longo dos dias até sentir toque. Até no último dia ter isso. E foi muito ruim, muito ruim.
E eu, embora não seja um cara de origem cristã, minha família não é uma família de religiosos, nada disso. Mas, porra, esse dia, depois dessa semana, eu rezei bastante. Onde está o seu Deus? Eu fui buscar ajuda. Não quero mais sentir isso, não. E já tive outros eventos depois, ao longo dos tempos, mas muito poucos.
E nada parecido com essa semana. Talvez isso tenha sido a primeira vez que eu tenha vivido algo muito estranho e sobrenatural. Chegou a ver algo também? Vi, vi. O que você viu? Vi uma massa escura, como se fosse alguém com um terno preto. Terno. E de longe ele ia se aproximando. A gente no universo mais ficcional...
do sobrenatural chama de shadow people, que são essas figuras escuras, sombrias, que você não consegue identificar o rosto, mas que elas estão ali, às vezes se mexendo, às vezes se aproximando de você. Essa foi a coisa mais tenebrosa que eu já vivi. Mas quando eu fui para a borda da mata em Minas Gerais, e é isso que a gente está falando de agora, mais do curso do projeto Que Te Assombra, eu fui atrás de uma história que eu achava que era uma história que tinha um recorte meio cômico.
Porque é a história de um demônio. Dá até vontade de rir que é a história de um demônio, ou do capeta, que apareceu por lá, que chamava Chiquinho. Então, começar do fim, começar da minha busca ao Chiquinho. Eu fui pra Borda da Mata, que é uma cidade maravilhosa. Uma cidade linda.
Comecei a perguntar pras pessoas, vendo se eu conseguia. Eu já sabia qual era a história, mas queria ouvir de alguém de lá. Até pra ver se aquilo era, de fato, uma história de lá, né? E todo mundo meio que evitava. Não, não dá. Não, tô indo. Não, não conheço direito. Nossa, que estranho. Ninguém... Todo mundo fala muito dessa história, né?
E aí fui numa padaria, e aí uma senhora que trabalha na padaria me contou a história, e, poxa, me tratou super bem, contou tudo que ela sabia da história, inclusive onde ficava a casa onde tudo ocorreu, porque houve uma desinfestação demoníaca.
Tudo bem, eu tô acabando lá, tomei o café, comei o pão de queijo, a hora que eu tô indo embora, um casalzinho que tava sentado do lado falou, poxa, Tiago, você vai até a casa onde aconteceu a história do Chiquinho? Eu falei, eu vou. Você não quer passar antes na igreja e conversar com o reverendo? Era uma igreja evangélica.
Putz, cara, até passaria com o maior prazer do mundo, só que vou voltar ainda pra minha casa, vou voltar pra São Paulo, eu preciso ir rápido, senão vai escurecer e tal. Ainda tinha que ir no cemitério, que eu ia visitar o padre aqui.
participa dessa história e tal. Ele falou, pô, tá bom, seria legal você ir pra conversar com o Reverendo. Meio que dando um toque, falou, mano, não vai atrás disso aí não, cara. Vai falar com o Reverendo, esquece, tá bom. Fui lá, gravei meu vídeo. Aliás, gravando o vídeo foi uma situação muito estranha. Eu tava gravando o vídeo diante do busto do Padre Sintra, atrás da Basílica de Nossa Senhora do Carmo, que é linda.
E aí veio um senhorzinho, um velhinho. Eu não tinha falado com ele, nem... Ele veio rindo assim, com uma carinha. Ele falou, você está contando a história do Chiquinho? É? É? Eu falei, estou. E saiu assim. Nossa, credo. Bom, aí beleza.
Fui pra casa onde supostamente tudo tinha acontecido. E me falaram, ó, você vai atravessar um lugar que chama Ponte de Pedra, não é longe da ponte e não sei o quê. Tá bom, aí eu fui, cara, e não achava casa. Tinha, assim, quatro casas, eu passei uma vez, voltei, passei, tentei achar, parava e nada, nada, nada, nada. Até que eu já tava desistindo de ir, tava começando a escurecer e vi um senhor saindo de uma fazenda. Aí parei ele e falei, pô, por favor.
que fica essa casa onde aconteceu o negócio do Chiquinho. Ele falou, cara, você vai voltar, vai começar a descer uma ladeira. Quando você começar a descer a ladeira, você vai perceber que as árvores vão começar a se fechar.
a temperatura vai baixar. E a hora que você chegar no vale, vai ter uma porteira do seu lado esquerdo e é a porteira da fazenda. A casa não existe mais e não existe mesmo. Foi demolida, mas é ali. Falei, tá bom, muito obrigado. Aí ele falou, mas você vai lá agora? Falei, vou, por quê? Ele falou, não, o Chiquinho voltou. Ele falou, o Chiquinho voltou. Outro dia, o rapaz que mora lá achou que tinha ladrão de gado na fazenda. Ele disse que ainda é uma fazenda de gado.
E ligou pra polícia, aquela polícia ambiental que cuida de Minas. E eles foram, o policial ficou cinco minutos e falou, isso não é assunto de polícia não, você chama o padre. E foi embora. Ele falou, não, o Chiquinho voltou. Eu falei, bom, eu vou. Agradeci ele. E, cara, eu tinha passado umas cinco vezes no mesmo lugar. Não tinha acontecido nada do que ele tinha me falado. E a partir dessa...
dessa indicação que ele me deu, eu senti tudo. Então começou a descer, eu vi as árvores se fechando.
começou a baixar a temperatura, tava um dia lindo, tava começando a escurecer. Começou que sou psicológico. Nossa, alugou um triplex na minha cabeça. E a hora que eu cheguei embaixo, eu vi a porteira, a hora que eu tô chegando embaixo, parece que, juro por Deus, nunca aconteceu outra coisa do tipo. Entrou uma frase na minha cabeça assim, mas você é insistente, hein? E aí eu desci meio, porra, esquisito, né?
fiz um registro rápido e fui embora. Esquisitaço, muito esquisito. Fui para a minha casa. E a história do Chiquinho qual é? Para entender por que eu fiz isso tudo. Em 1953, um fazendeiro que morava nessa fazenda, muito rico, dono dessa fazenda, entrou na Basílica de uma Senhora do Carmo desesperado.
chamando o Padre Sintra, falou, padre, você precisa ir na minha fazenda, estão acontecendo coisas muito estranhas lá. No começo, os bichos ficavam agitados, depois a gente começou a ver vulto, depois a gente começou a ver os bichos agitados com vulto e com xingamento.
Até que a gente viu uma figura lá, muito estranha, não conseguimos decifrar o que é, mas é algo que não é desse mundo. Falei, tá bom. O padre Sintra foi lá, realmente, o padre com toda a sensorialidade dele, experiência dele, viu que tinha algo estranho, fez uma bênção, ficou tudo bem. Parou, nos dias que se sucederam, nada aconteceu. Passado alguns dias, esse português tinha uma filha de 14 anos, ela estava no quarto.
E, de repente, abre a porta do quarto, entra o diabo, o próprio diabo. E fala, oi, eu sou o Chiquinho.
vim te levar, vim levar o que é meu. A menina saiu correndo, gritando do quarto, falou pro pai, toca, todo mundo ir lá de novo, falar com o padre Sintra. E aí ele explicou a história, esse português. Ele, na verdade, tem duas versões da história, mas uma das, a história mais propagada é a de que ele tinha feito uma promessa de que se ficasse rico.
daria a primeira filha que alcançasse a vida adulta e esses 14 anos era uma data, por mais que nos assuste isso, era uma data meio cabalística muito ligada à idade da menina ficar menstruada e entrar na fase reprodutiva, era isso virar moça, então ele tinha prometido a primeira filha como noiva ao demônio é um pacto com o diabo eles fizeram, e aí beleza uma história pesadíssima o padre Sintra o padre Sintra
nunca tinha passado por isso, ele avisa um padre que chama Belchior, esse padre era um padre capuchinho italiano, tinha participado de exorcismos em Roma, já tinha manejado o ritual romano de...
de exorcismo, e ele fala assim, então eu vou lá ver, e ele foi até a fazenda e de fato falou, pode pedir autorização para o bispo de Pouso Alegre, que fica perto, porque a gente vai precisar fazer o ritual romano de exorcismo lá, tem mesmo algo demoníaco por ali.
E eles vão no dia 23 de abril de 1953, essa é a data marcante para a cidade, e começam o procedimento, ou esse ritual romano de exorcismo.
O Chiquinho tinha uma característica muito maluca, ele não incorporava ninguém, mas ele se materializava. Então ele se materializa e começa a discutir com os padres e começam a brigar em línguas, falando em línguas estrangeiras, aramaico, latim, o padre Belchior falava essas outras línguas.
até que, passadas muitas horas, todo mundo já muito cansado, o padre Sintra fala, você é brabão mesmo, Chiquinho? Então beija meu crucifixo. Ele fala daqui. Pegou o crucifixo e quando ele coloca na boca, queima a boca dele. E ele dá um berro tremendo. Dizem que é um berro que acorda muita gente, acorda a cidade quase. E aí...
a hora que ele se recompõe, ele fala assim, vou embora, vocês ganharam, mas quando você morrer, eu vou voltar. E aí tem dois momentos que são importantes históricos. Primeiro é que em 1999, houve uma reforma na Basílica de Nossa Senhora do Carmo e pegaram o livro tombo para anotar essa reforma, porque isso é feito, toda vez que tem uma alteração, uma reforma, você precisa anotar no livro histórico, do livro tombo da...
das igrejas, essas mudanças. E quando pegaram esse livro tombo para anotar a reforma, estava lá o relato inteiro do padre Sintra sobre esse processo de exorcismo. E o outro momento, que também é histórico e importante nessa história, é 2003, quando o padre Sintra, que a esse tempo já era Monsenhor Sintra, morre.
E todo mundo passa a ver o Chiquinho novamente. Em bailes, em carnaval, em boate, em discoteca. Circulando entre as meninas. Falaram que ele era bonito. Mas todo mundo ficava muito impressionado com o tamanho do pé. Porque era um pezinho de cabra. Parecia um sapatinho de pé de cabra. Ia dançar. Ia ser uma historiona de lá. E foram as duas coisas. A minha paralisia do sono e essa do Chiquinho. Foram as coisas mais apavorantes que já me aconteceram. Amém.
Mas, tô falando muito, né? Mas também vivi uma situação muito estranha esse ano, quando eu fiz o circuito inteiro do ET de Varginha. Esse ano, 30 anos da aparição do ET de Varginha. E eu passei o dia em Varginha e tem uma atmosfera diferente, aquela região inteira. O povo é maravilhoso, fui super bem tratado.
por todo mundo, foi incrível. Só que eu fui dormir em São Tomé das Letras depois. Que também tem toda uma aula. Mística tremenda, história de globisomem pra caramba em São Tomé, muito disco voador, muita bruxaria, muito...
Muitas feiticeiras, né? Tem uma coisa mística muito forte, né? Muito... Que virou algo tuístico, né? Super. No final das contas. As pessoas exploram isso mesmo. Sim. Mas em Varginha também eu tive uma... A hora que eu cheguei em São Tomé das Letras, eu tive uma coisa estranha. Varginha é maravilhoso, né? A história do ET é... Mas o que que teve lá? Eu fui nos 30 anos do ET, né? Fui exatamente nesses dias.
E eu passei por lugares que, por exemplo, eu fui no lugar onde o ET foi visto pelas meninas, pelas duas irmãs e pela amiga, que tá fechado. Não tá mais aberto pro público, né? Um terreno tá fechado, vai ter até alguma coisa.
a prefeitura adquiriu o terreno, mas eu fui em todos os pontos de Varginha. Mas você não foi tentar reconstruir a história? Eu quis fazer isso, eu quis exatamente esse caminho. Eu cheguei em Varginha, então eu passei por um entroncamento de estradas, porque o primeiro cara que viu o ET era um piloto de ultraleve, que acho que chamava Carlos também.
E ele estava indo para um encontro de pilotos e vê algo caindo. E na hora ele não conseguiu identificar o que era. Ele vai até o lugar da queda. Ele achou que era uma aeronave. Quando ele chega, ele diz que o exército estava lá. E um soldado abordou e falou, some daqui. Não tem que estar aqui, ninguém tem que estar aqui. Eles estavam recolhendo alguma coisa. Passa um tempo.
Essa nave ou uma outra nave parecida é registrada, é vista em uma fazenda, voando muito baixo. Alguns relatos, principalmente de um casal que viu passando na janela, diz que parecia muito um ônibus flutuando em cima, evidentemente era a referência que eles tinham, um ônibus, passando muito baixo. Isso no dia, na madrugada que antecedeu a aparição principal.
Na tardezinha, no começo da manhã, no começo da tarde, foi visto acho que três da tarde o ET de Varginha. Começo da tarde.
Há uma movimentação numa fazenda que atrai a atenção das pessoas e eles avisam e veem pessoas fardadas. A gente falava que era bombeiro entrando numa mata, escutam disparos e saindo com dois sacos de dentro dessa mata. E aí, finalmente, há esse contato das meninas com o ET às três e pouco da tarde.
Era um dia que anunciava uma chuva tremenda em Varginha que caiu depois e quase destruiu a cidade. Todo mundo fala que foi uma chuva atípica naquela tarde para a noite. Tem o caso do Marco Elixeres. Eu fui até o cemitério visitar o Marco Elixeres também, que foi o soldado que...
em tese, segundo relatos, teria abordado uma das criaturas e agarrado ela. E depois de algumas semanas teve uma septicemia e morreu muito estranhamente. E eu fui no zoológico, porque no zoológico, depois de meses, em abril, a gente está falando de janeiro de 96, em abril.
houve outra visagem desse ET de uma senhora que todo mundo fala que era uma mulher muito séria, uma funcionária do cemitério, que numa confraternização pertinha, saiu para fumar um cigarro e viu a criatura. Nesse zoológico, alguns bichos morreram, bichos que não tinham indício nenhum de...
terem sido envenenados, porque cada um tinha um tipo de alimentação. Então, assim, a história inteira de Varginha é muito pesada para a cidade, mas ela é explorada também turisticamente, porque no zoológico tem... Aqui apareceu...
O ET, no centro da cidade, tem uma nave espacial, um descovador. Eu fui até o hospital, onde supostamente os ETs foram atendidos, onde há aquele famigerado filme, que alguém fala que tem uma gravação. É até te perguntar isso. Você acredita que realmente existiu ou existe uma VHS que tem documentado? Seu alguma coisa aquele dia lá. Olá, o etrano?
Não sei o que. E assim, tem uns relatos de quem atendeu esse chamado. Que é estranho não ter, na verdade, né? Nada a documentar. Tem um inquérito militar, mas que ele é inconclusivo e aí, e a desculpa é que tudo gira em torno de um de um cara que chamava mudinho. Que ele ficava agachadinho e que... Mas agora...
uma mobilização daquele tamanho de militares. Tem gente que até fala que a revisão dos caminhões do exército, ali tem a ESA, a Escola de Sargentos das Armas, e esses caminhões normalmente faziam mesmo a revisão em Varginha.
Mas era muita coisa pra... Era muita coisa. Mas pelo que você foi a campo... Você é cético. Mas assim, te faz acreditar que realmente teve algo ou... Sem dúvida. Alguma coisa aconteceu. Não tenho dúvida de que aconteceu. Porque, por exemplo, eu falei com um cara... Não é uma teoria conspiratória que fala assim, não, vamos criar.
coisa. Vamos criar isso aqui, somar essas pessoas, aí eu tô teorizando ao contrário, né? Eu conheci um cara super legal, ele até me autorizou a falar se ele trabalhava, ele coordenava o zoológico de Varginha, inclusive, o Marcão Tip Top, e ele fala
que ele não sabe o que, ele até tem uma teoria de que eram intraterrenos, na verdade. Sim. Porque lá também... Que na VHS falaram que pareciam intraterrenos. O Ali contou aqui. O que acontece? Lá existe essa... A gente está muito perto, 60 quilômetros de São Tomé.
E tem muita essa ideia de cavernas, de ligações, de criaturas estranhas que saem das cavernas. Então, todo mundo falava isso. E os teóricos da conspiração dizem que essa suposta nave que caiu em Varginha estava indo para São Tomé das Letras. A direção que ela seguia era essa.
Então caiu, ninguém sabe. Tem gente que fala que foi atacada por caças em outros países e que aí ele caiu aqui ou aqui mesmo. Vai longe a história. Vai embora, né? E não cessa, né? E não cessa. Mas alguma coisa aconteceu naquela cidade. E foi um fato tão marcante que mudou completamente. Varginha era uma cidade muito conhecida por ser um porto seco.
de café. Então, os cafés eram beneficiados em Varginha pra ir pra ser, pra vir pra Campinas, ir pra Santos. Cara, mudou. Quer dizer, hoje Varginha é a cidade do ET. Tem o museu do ET em cima, que não tem nenhuma relação imediata com...
como um spot, né? Como um hotspot de aparição dele. Mas fica no alto de uma... E explica tudo, quer dizer, alguma coisa aconteceu. E tinha um histórico, nos anos 70, de aparições em Varginha mais acentuadas. Já tinha histórico? Tinha, não teve um caso de Varginha. Esse não foi o primeiro caso em Varginha. Nos anos 70 teve uma grande movimentação de OVNIs na cidade, que foi registrada, inclusive, pela imprensa.
Eu tô falando porque nesse museu tem a matéria na época. Mas é sensacional, quer dizer, é uma história que ganhou um espaço no mundo, né? Essa atmosfera que você sentiu lá, que é algo diferenciado, você já sentiu algo parecido em algum dos cemitérios que você já visitou pelo mundo? Ou até mesmo em algum... Em alguma...
cova ou em alguma dessas como que é o nome desses sepultamentos mausoléus tem alguma relação com a energia ou é totalmente diferente? eu não sou um cara religioso ou então convertido a alguma religião eu virei
Devoto de Santo Expedito agora. Adoro a história dele. Acho que é uma mensagem importante. Santo Expedito é um santo que... Ele é o santo contra a procrastinação. E tem tudo a ver com a minha fase de vida. De você precisar fazer. De deixar para hoje. Ele pisa no corvo que é o demônio. Que fala, crass, amanhã. E ele está com o crucifixo escrito hoje. Então ele vence a procrastinação. Acho que isso para mim...
Tem me ajudado bastante na minha vida. Mas eu não sou um cara religioso, não fiz crisma, não fiz nada disso. Eu fui num lugar que me marcou muito, que foi a necrópole do Vaticano.
Embaixo do Vaticano, embaixo da igreja de São Pedro, da Basílica de São Pedro, tem uma antiga necrópole que era contígua a um circo de Calígula. Então foi ali que foi construída a Basílica. Círculo de? Calígula. Do lado, um circo de Calígula, porque sempre houve em Roma esses círculos de... O pão em circo que a galera fala, muito marcado pelo...
pelo próprio Coliseu, mas sempre houve, né? Morte, disputa, luta. E aí, ali há uma necrópole que servia mesmo às pessoas até que morriam nesse circo. Os romanos não enterravam em cemitérios como a gente, né? Os coemitérios, que significam dormitórios, não existiam ainda. Eles tinham as catacumbas.
E os romanos eram incinerados, não era exatamente uma cremação, mas é um tipo de cremação.
E quando eu fui na necrópole agora do Vaticano, que é um lugar meio inacessível, é difícil ir, não porque... Pô, eu sou fodão, não é por isso. É porque eles têm 10 grupos de 12 pessoas por dia. Então são 120 pessoas, tá certo? A conta tá, né? 10, 12. 120 pessoas ruins de matemática. Tá fácil essa.
essa tava fácil, mas eu sou ruim de bater o ar então são 12 pessoas por dia cada um desses grupos com uma língua, então você escolhe o grupo, se tiver no seu dia o grupo português vazio, você vai se não tiver, você não vai, ou então você fala, tá, eu quero ir em alemão aí você não vai entender nada, é um padre alemão então a gente deu sorte de conseguir ir no dia, mandar o e-mail e ter no dia que a gente podia ir, então etimol
a gente andou por toda essa necrópole, que fica embaixo da basílica, e o fim desse passeio é diante dos ossos de Pedro.
Pedro, o apóstolo, Pedro, o primeiro papa. E aí o padre fala, ó, aqui, independente do que você acredita, de que religião você é, a gente sugere rezar um pai nosso. E foi o pai nosso mais forte que eu já rezei na vida, porque eu estava a um metro dos ossos de Pedro, o apóstolo. Muito fortes. Para mim é muito forte. Quando você começa a entender a história inteira, tudo que esse cara passou, tudo que ele viveu, para o cara que...
jantou com Jesus, andava junto com Jesus de Nazaré. Muito forte. Então, essa foi uma coisa impactante para mim. Outra coisa muito impactante em cemitério foi...
em Maracaí, que eu fui visitar um milagreiro de cemitério que chama o Menino da Tábua de Maracaí, que é um garoto que nasceu com uma síndrome cromossômica, provavelmente, que fez com que ele não desenvolvesse da cintura para baixo. Então ele ficou do tamanho de uma criança de 3 anos, mais ou menos, a vida inteira, ele viveu 45 anos e nasceu no dia 31 de agosto de 1900, morreu no dia 31 de agosto de 1945.
viveu a vida inteira em cima de uma tábua de lavar roupa em rio, sem roupa, bebendo água e leite. Só isso, 45 anos, ele já fazia alguns milagres em vida, mas quando morreu foi sepultado com a tábua e tudo no cemitério de Maracai.
Começou a fazer milagre, o pessoal começou a buscar ele, porque já fazia alguns milagres em vida. E nos anos 70, a prefeitura de Maracai resolveu fazer uma festa para ele, porque era tão grande a devoção, tinha tanta gente, principalmente no último final de semana de agosto, que é a data do aniversário da morte, começou a encher. Esse dia eu fiquei muito tomado também, porque eu nunca tinha visto algo que...
aos olhos do mundo, seja tão insignificante, falavam milagreiro de cemitério. Não é a festa de Aparecida, que é Nossa Senhora Aparecida. Era um milagreiro de cemitério, que eu estudo, eu valorizo, mas eu e mais três caras no mundo, mais ninguém. E eu ver tanta gente viajando pra Maracai. É uma cidade que tem mais ou menos 12.600 habitantes e na festa do menino da tábua vai pra 65, 70 mil. E é um menino milagreiro, não é reconhecido pela igreja como santo.
e que faz muitos milagres e eu fui até brincando, eu fui cobrir pro Eli Correia que saudade de você exatamente maravilhoso o sucesso do rádio é isso é contar a história dos outros histórias que estão no cotidiano mas eu fui cobrir pro Eli Correia e foi muito legal porque eu fiz 4 entrevistas no final
uma de um cara que saía de Aparecida para vender item religioso na festa de Maracai uma pessoa da... não era exatamente da Secretaria de Turismo mas que trabalhava com turismo religioso em Maracai falou da importância da festa
Um cara que era daqui de São Paulo, que o pai da esposa dele, o sogro dele, que já tinha morrido, era devoto do Menino da Tábua e todo ano ele ia com a esposa na festa do Menino da Tábua pra homenagear o sogro, porque o sogro tinha pedido pra eles não deixarem essa devoção morrer. Então ele ia com a esposa até lá e uma senhora que tava com câncer de mama, que o pessoal recomendou, falou, ó, vá lá, peça pro Menino da Tábua e... E...
você vai ser ajudada, ele vai, enfim, vai... Cara, a gente não realiza, às vezes, tudo que envolve um acontecimento como esse. Principalmente pra gente que não tá no cotidiano disso. É impressionante a força do turismo religioso e como isso dialoga com esse sobrenatural que me interessa, que é o sobrenatural do cotidiano, não é o sobrenatural do espetáculo. Tudo que eu falei pra você é coisa vivida...
Pé no chão, entendeu? Ali, com gente. Não é uma história de internet. Que uau, você viu o que aconteceu na casa, não sei de quem, lá em Boston, em Massachusetts, não sei o quê. Não, cara, é aqui do lado. É ali, é a cura que a pessoa está procurando. E encontra, ou não encontra, mas o cara que morre e que transmite isso para a filha, como a tradição da sua avó.
Por isso que eu falo, a tradição dela é linda, porque ela fazia isso pra te proteger. Porque ela achava que aquilo ia te fazer bem, não ia te fazer mal. Isso é maravilhoso, cara. Fora que a gente falou da sua avó, né? Olha, a partir dessa experiência, eu não sei quantas vezes você lembra da sua avó em algum podcast, por exemplo. É, pouco. Pouco. Pouquíssimas. Em cinco anos de podcast, talvez. Poucas vezes. Umas três vezes, não sei. Umas três vezes.
O plugado mudou, e não só de endereço. Agora, além do estúdio audiovisual, temos espaço para eventos corporativos de até 32 pessoas. Em parceria com a Agência, estamos na Berrinha, grande centro corporativo de São Paulo. A gente produz vídeos corporativos, podcasts criativos, faz lives e agora também temos um painel de LED fixo de 8 metros de largura que nos permite criar diferentes cenários e atmosferas. Estamos prontos para receber seu encontro corporativo e produzir seus conteúdos.
Esse é o plugado. Novo espaço, mais possibilidades e a mesma essência. Vem produzir com a gente.
Mas é porque esse tipo de assunto tem um componente afetivo muito forte. Te leva, te transporta pra esse lugar. Mas você acha que esse componente afetivo é o que torna essas histórias mais propícias?
um interior no qual as pessoas tem essas lendas urbanas e tal esses ambientes eles são mais propícios a essas histórias se propagarem do que por exemplo a gente aqui num centro comercial na maior capital da América Latina na uma das principais avenidas aqui na Berrine
dificilmente você ouve falar esse tipo de história. Por mais que tenham várias, se você parar pra conversar com as pessoas, mas não se propaga, né? Esses ambientes, eles são mais propícios pra isso? Interiorzinho? Eu acho que...
Eu não sei. Por exemplo, aqui em São Paulo, a gente tem uma história que nós, eu falo sem falsa modéstia, que a gente ajudou muito a propagar a história, por exemplo, do Francisco José das Chagas, o Chaguinhas. Que é do Joel? Não. Que é a do Bairro da Liberdade. O Bairro da Liberdade chama a liberdade por conta do Chaguinhas. O que aconteceu?
Ali onde é o Largo da Liberdade era o Largo da Forca, e por ali ficava um cemitério, que até hoje está lá. Até hoje está lá porque, em 2018, quando um empresário chinês foi fazer as fundações do que seria a sua loja, ele achou nove ossadas, levou um puta susto.
achou que era um lugar de desova, em vez de juntar tudo, ele não sabia a história do lugar, em vez de juntar tudo e jogar fora, como muita gente fez, porque sabia que ali era um cemitério, ele ligou para as autoridades do município que foram até lá e identificaram ali uma área de interesse arqueológico.
o cemitério continua lá. E o processo devocional do Chaguinhas dialoga muito com isso. Por quê? Chaguinhas, em 1821, portanto, um ano antes da independência do Brasil, se insurgiu com outros militares, porque nesse período, o Brasil ainda, fazendo parte do reino de Portugal, tinha dois exércitos, um exército só de português e de descendente de português, e um exército de brasileiro, que era de indígena e de negro forro.
Então havia uma diferença abissal de tratamento. Esses caras surgiram porque fazia cinco anos que eles não recebiam soldo.
E também não tinham um equipamento condizente com a atividade militar. Bota. Tanto que era chamado de exército dos descalços. O cara, pô, bota furada. Imagina, indo pra combate assim. Era o jeito que os portugueses deixavam o nosso exército verdadeiro. Esses caras se insurgem em Santos, porque o Chaguinhas era cabo do primeiro batalhão de caçadores de Santos.
Eles tomam vários fortes na Baixada Santista, ficam dez dias segurando essa revolta, e são suprimidos, morre um monte de gente na Baixada Santista, e ele e Cotindiba são trazidos para São Paulo para serem mortos de maneira exemplar.
para mostrar o que acontecia com quem se atrevia a intentar contra a coroa portuguesa. E aí eles passam a última noite deles de vida, dia 19 de setembro de 1821, no que hoje é o velário da Capela dos Aflitos, que está sendo restaurado.
Eles passam a última noite lá, dia seguinte são levados para o partíbulo, 20 de setembro, colocam no partíbulo cotindiba, soltam a forca, a forca funciona perfeitamente bem e mata o cotindiba. Vão colocar nos chaguinhas a mesma forca, quando solta a forca arrebenta.
O pessoal, uuuh, por que será isso? Toda execução tinha um clérigo que participava. Que ocorrências como essa eram indicativas de que Deus não queria matar aquele cara. Então ele falava, ó, pode interromper a execução, Deus não quer que mate esse cara. Não é hora dele. Não é hora dele. Vão falar isso pro comando do exército, o cara fala, não, não, esse aí tem que matar.
bota outra corda lá. É sim, quer ver o que é? Vamos tentar de novo. Soltaram de novo. O que aconteceu? Arrebentou mais uma vez. O povo que gritava clemência passou a gritar liberdade. Liberdade, liberdade, liberdade, liberdade. Os portugueses falaram não, esse cara tem que matar. Reforçaram uma tira com uma tira de couro a forca, soltaram e aí tem duas versões. Uma de que a forca arrebentou pela terceira vez, a outra que depois de um tempo soltaram ele e mataram ele apaulado.
Então o bairro da liberdade o bairro da liberdade o bairro da liberdade o bairro da liberdade o bairro da liberdade o bairro da liberdade o bairro da liberdade o bairro da liberdade o bairro da liberdade o bairro da liberdade o bairro da liberdade o bairro da liberdade o bairro da liberdade o bairro da liberdade o bairro da liberdade o bairro da liberdade
Você tem uma história que está sendo contada hoje, com mais energia, com mais vontade, que revela que não apenas ela era uma região que tinha um cemitério, que continua lá, era uma região que era de frequência de negro e de indígena.
e não de japonês apenas. E tem essa história mística que oferece ao bairro um tipo de encantamento muito forte, que é de você ter uma devoção de um cara que podia ter... Porra, a gente agora, em abril, celebrou...
Tiradentes. Uma história muito parecida com a de Tiradentes. Por que de Tiradentes a gente conta e essa a gente não conta? Será que era porque ele era negro? Essa era a razão maior da gente não contar a história do Chaguinhas? Por que ele não é um herói nacional? Ele exigiu equipamento pro exército brasileiro. Não pro exército português. Ele brigou com o exército português. Um ano depois, os portugueses ou...
eram absorvidos pelo Brasil que nascia ou era expulso daqui. Quer dizer, o cara fez isso um ano antes da independência do Brasil. Por que a gente não sabe a história desse cara? Não sei, é de São Paulo. Então, na verdade, eu acho que o cotidiano frenético...
às vezes nubla a nossa visão ou então começa a cobrir de camadas de concreto ou dessa loucura do dia a dia que não deixa a gente ver. Mas elas estão aí, as histórias. Diferente do interior, talvez, que as pessoas tenham mais tempo. É, uma vida mais pacata. Mais pacata.
Tem tempo pra contar causos, né? Contar histórias, passar de pai pra filho. Exatamente. Às vezes você tá na loucura, né? De simplesmente, pô, precisamos produzir, precisamos ganhar dinheiro, né? E aí essas histórias vão... Vão se perdendo. Vão ficando de lado. E você vai se tornando mais cético, né? Completamente. Até porque o que você tem como busca na vida é o material, é o concreto. Não é isso.
De você falar... Eu gostei muito do exemplo que você usou da sua avó, por isso que eu tô falando toda hora. Porque esse, pra mim, é um indicativo de muito cuidado, de muito carinho. É muito bonito isso, eu acho. Uma tradição familiar. Não adianta eu vir aqui e falar pro Cefa, cara, imagina, se preocupa. O cemitério é um lugar de boa. Um monte de gente fala, tira, porque tem as bactérias, não sei o quê. Não adianta eu falar isso contra um comando que a sua avó deu pra você. Essa sabedoria dela. E ela deu pra você com um componente muito forte.
de segurança, que ela fez isso pra te proteger. Era o jeito que ela tinha pra te proteger dessas coisas que ela identificava lá. Ainda falando de São Paulo, o Joelma é um dos casos muito famosos, né? O que que você tem do Joelma? O Joelma tem algumas atualizações agora.
Muito boas, principalmente sobre uma das histórias que decorreram disso. Bom, Joelma, para quem não sabe. Edifício. Edifício Joelma, no dia 1º de fevereiro de 1974, mais ou menos 8h45 da manhã, a partir de um curto-circuito no ar-condicionado no 12º andar. E eu falo isso porque o Joelma tem seis andares.
de garagem, então ele começa a ser ocupado mais no alto, e o que dificulta as pessoas, o que faz com que ele seja muito mais povoado, e o que faz com que também a dificuldade das pessoas, principalmente pra cima do 12º andar, tivesse pra fugir. Sim. Então, começa um incêndio, o prédio... Centro Antigo de São Paulo, né, pra quem não conhece. Isso. Há dois anos...
de 1974, houve o incêndio do Andraus, que também era um prédio emblemático, de vanguarda arquitetônica, que pegou fogo também de forma muito agressiva, inspirou o filme Inferno na Torre, um filme americano, porque as imagens foram muito fortes, um dos maiores incêndios do mundo na época, morreram 16 pessoas, que é bastante gente.
E aí quando o Joelma é inaugurado, muita gente fala, mas e aí, vocês estão prontos para o incêndio? Se tiver um igual... Imagina que tá... E na verdade foi um fracasso completo o enfrentamento do incêndio do Joelma. Quase 200 pessoas morreram, tem 181 mortos. É muita gente, 181 pessoas mortas de uma vez. É muita gente. Não tem IML em São Paulo hoje se morrerem 181 pessoas. Não tem.
É muita gente em qualquer tempo. Esse aqui para acidentes aéreos, assim, né? É isso. Talvez o maior incêndio de São Paulo tenha sido a queda do avião da TAM, os dois, né? O Fokker e o segundo, né? Mas tirando o acidente aéreo, não existe esse número no Brasil. Boate Kiss. De uma vez só, né? Boate Kiss.
É isso, mais de 200. Então, mas a gente está falando também de outra época, a gente está falando de 74. Enfim, não dá para a gente comparar tragédias, todas são monstruosas. Mas aí o que acontece? É um trauma tão grande para a cidade que tudo no entorno fica meio maculado com essa atmosfera. Então a gente tem histórias sobrenaturais na Câmara dos Vereadores, porque os corpos foram levados para a garagem da Câmara dos Vereadores.
E tem a história das treze almas, que talvez seja a mais famosa do Joelma, e que também dialoga com uma outra coisa, que é um processo devocional de milagreiro de cemitério, que é o meu objeto de estudo em cemitério é milagreiro. As treze almas foi o seguinte, treze pessoas depois de um mês...
do incêndio, não foram reclamadas no IML, não foram reclamadas porque também não foram identificadas. E aí a municipalidade precisa tomar providência, eles levam esses corpos em duas etapas para o cemitério São Pedro, que é o cemitério da Vila Alpina, que era o cemitério novo à época. Se não me engano, o cemitério São Pedro foi inaugurado em 71. Então era um cemitério novo, tinha espaço. Eles levaram essas pessoas, sepultaram lá.
As pessoas naquela época eram muito solidárias, então eles foram orar por aquelas almas, porque não tinha ninguém para rezar por elas, eram pessoas que não tinham sido reclamadas. E aí um coveiro do cemitério vive uma experiência muito estranha. Ele tem, numa ocasião, a percepção de que essas sepulturas, essas 13 sepulturas, emanavam gritos muito agoniados, reproduzindo um pouco.
o que eles teriam vivido no Joelma. E aí ele intuitivamente joga água em cima das sepulturas e elas param de gritar. O pessoal dizia que essas pessoas teriam morrido e sido encontradas dentro de um elevador, abraçadas e completamente fundidas.
pelo calor, o que não é verdade. Tanto que eu tenho os atestados de óbito das 13 almas, duas delas... Você foi atrás disso, Dono? Fui. Caraca. Duas das pessoas que morreram no Joelma, duas dessas vítimas que compõem as 13 almas do Joelma, nessas três sepulturas, morreram de politraumatismo. Provavelmente se jogaram.
do prédio e não morreram queimadas, carbonizadas. Então eles não morreram dentro de 13 pessoas, até porque quem for ou quem já foi no edifício Joelma, que hoje mudou de nome, eu não falo porque eles mudaram, porque eles não querem ser lembrados. Não cabe 5 pessoas lá dentro, não ia caber 13. E lá só morreu uma menina.
uma senhora que era ascensorista no elevador. E ela foi enterrada no túmulo da família. Então, o que aconteceu? A partir dessa história também, que acabou ganhando ares de lenda urbana, do choro sendo emanado de sepulturas, e o cara joga água.
Isso acabou se somando com esse processo devocional e criada uma nova tradição para devotos que vão lá pedir ajuda para as treze almas do Joelma, fazendo uma correlação muito interessante delas com as treze almas benditas do purgatório.
que aí sim é um tipo de mitologia católica, não tem nenhum texto, as 13 almas, mas dizem que essas 13 almas, na verdade, eram 13 soldados romanos que participaram da Via Cruces, da crucificação de Jesus. Nossa, aí foi longe. É, mas a galera identifica isso. E aí eles se convertem depois da morte de Jesus. Eles participam daquilo e falam, meu Deus, você acabou de matar o filho do homem.
E eles se convertem, então dá uma amenizada nos pecados, mas, pô, você matou o JC. Não dá pra ir pro céu direto. Então elas ficam no purgatório e de tempos em tempos podem visitar os vivos pra resolver seus problemas mundanos. E tudo isso, cara, em São Paulo, entendeu? É isso que é legal. Aí virou um dos túmulos mais visitados do Brasil. Sem dúvida. Será que é o mais ou não?
É um deles, sem dúvida. Vamos listar aí. O Ayrton Senna deve ser um... Bastante. O Ayrton Senna muito. Em São Paulo, vamos lá. Ayrton Camargo também. Não tem tanta visita. Eu acho que... Que é um cemitério no Morumbi ali com o nome... E é um cemitério particular. É, eu passei lá na frente esses dias, eu nem sabia que existia. Eu acho que a Ayrton está no Getsemane. Isso, esse nome. E acho que o Ayrton Senna... Eu não sei o que é esse... O Getsemane? É. É um cemitério particular.
Mas é um nome que tem algum... É o nome bíblico, é o nome ligado a isso. Deve ser um cemitério importante aqui. O Senna tá no Morumbi. E é impressionante quando tem Fórmula 1. O que tem de estrangeiro visitando o Senna. E tem uma curiosidade do Senna. A família é evangélica, o Senna era evangélico. Mas tem gente que fala que o Senna faz milagre.
E eu até procurando algumas pessoas, um cara que não é que é fã do Senna, tá? É devoto do Senna, me falou que o Senna ajudou ele a adquirir um carro, porque ele só tinha negativas do banco. Quando ele precisava muito do carro para trabalhar, ele é motorista, precisava muito de um carro.
Ele tinha perdido o outro carro dele, precisava financiar um carro, não conseguia, estava sem emprego, não conseguia aprovação de financiamento, nada, até que ele pede pro Senna, noturno, e consegue a partir disso. Cara, eu tenho esse e-mail, ele contando cada etapa, cada momento de angústia e o pedido de ajuda pro Senna.
ele falando o que eu sei. Porque é legal, eu já tinha escutado isso. Mas a gente também tem que ter a responsabilidade de não contar essas histórias assim, a torta direita. Principalmente tem um cara que escreveu sobre isso, quer dizer. E eu sei que a família evangélica, talvez não queira, não é um tipo de...
acontecimento que dialogue com o que eles acreditam e professam. Então a gente tem cuidado com isso, até poderia fazer isso. Estou falando acho que a primeira vez, ou a segunda vez que eu falo isso aqui publicamente. Mas é muito interessante esse acontecimento, né? Que ultrapassa, atravessa a condição da admiração pelo atleta, pelo cara. É um endeusamento, né? Um endeusamento dele, quer dizer, um cara que teve uma medida prática de um pedido.
de uma situação muito difícil, ligado também a um elemento do cotidiano do Ayrton Senna, que é um carro. Quer dizer, o cara não foi pedir um apartamento. Sim, não foi pedir um milagre para salvar a filha dele. Foi pedir um carro para trabalhar, para não sei o quê. Eu achei isso muito bonito. E aí, voltando ali nos mais visitados, talvez o dos Mamonas também. Mamonas, bastante visitado.
mas eu acho que agora teve um período maior, porque a gente teve uma época, por isso que para falar de mais visitados, a gente tem que fazer um recorte cronológico, né? A gente teve poucos túmulos visitados durante a pandemia. A gente tem um aumento muito grande.
de busca dessas personalidades, porque também, se por um lado é interessante a gente falar disso, aumentar o fluxo de pessoas para proteger os lugares, tem muita gente se aproveitando disso para fazer conteúdo estranho, que eu não gosto. Teorias bizarras. Teorias, tem um monte de...
de oportunista também nesse universo. E vira comercial também, né? Super. Tem gente que faz propaganda, Entuno. Tem gente que faz propaganda com a imagem, o nome da pessoa que tá morta. Propaganda? É, cara. É a coisa mais maluca que tem, assim. A gente ainda não discutiu isso eticamente, de maneira séria. Por exemplo, tudo que a gente faz...
Faço com autorização, converso com a administradora, falo com as pessoas que cuidam dos cemitérios. Todas as abordagens são muito respeitosas, com muito decoro, não tem essa finalidade. Eu pesquiso isso. Faço parte da Associação Brasileira de Estudos Cintiais. Pra alguém falar, esse cara aí tá só explorando essa galera. A gente tem pares que analisam os trabalhos acadêmicos que a gente produz. Eu escrevo livro, mas tem gente, cara, que tem uma coisa muito estranha, assim, com...
com a exploração desses espaços. Mas voltando só para os mais visitados, acho que tem isso, e a gente tem outros espaços de enterramento, de morte, de memória, que não são considerados, mas que deveriam ser. Por exemplo, a Cripta da Sé. É uma cripta, onde tem vários sacerdotes importantes da Igreja Católica de São Paulo sepultados. A gente tem o Monumento Mausoléu Soldado Constitucionalista de 1932, no Ibirapuera.
gigante, é o maior do Brasil um dos maiores do mundo, um dos maiores espaços um dos maiores mausoléus do mundo é o nosso mundo tem uma história absurda anualmente ainda é lembrado disso mas pouca gente sabe mais de 700 pessoas estão enterrando vai fazer uma corrida no...
No Ibirapuera, não sabe que lá tem. Passa lá todo dia e não sabe. Passa lá todo dia. Então você pega um túmulo muito visitado, no Rio de Janeiro, por exemplo. O da Clara Nunes. Verdade. Super visitado. A gente tem em Recife, eu fui agora, Menina Sem Nome, a Milagreira. Muito visitado. A gente tem vários túmulos pelo Brasil que também são muito visitados. Do Chico Xavier, deve ser também. Muito visitado. Super visitado.
muito visitado. A pessoa vai lá, será que normalmente é com o propósito de pedir uma ajuda? Normalmente sim. É igual ir numa igreja que eu vou pedir uma ajuda pro além. Eu vou no túmulo do Chico Xavier porque, cara, ele tá lá. Os restos mortais dele devem estar lá, então se eu for lá, ele vai me ajudar de alguma forma. Esse é o pensamento? Exatamente isso. Mas essa prática é quase intuitiva.
a gente tem os processos, primeiro, de devoções familiares ao longo da nossa existência. Quando o ser humano começa a adquirir consciência e começa a entender o fenômeno da morte, ele começa a zelar pela memória de quem foi. Tanto que esse momento era um momento... Existia um senso de que aquilo podia ter, em alguma medida, uma possibilidade de continuidade, que até os homens das cavernas...
quando começaram a sepultar, não os homens das cavernas, mas os seres humanos, os primeiros homens sapiens, eles começaram a sepultar as pessoas com alguns utensílios, porque eles podiam precisar disso em outro lugar. A gente vê isso depois de forma mais acentuada, mais consciente, mais ritualizada com os egípcios. Eu fui num cemitério...
em Álvares Machado, que é pertinho de Presidente Prudente, que é o único cemitério japonês do Brasil. Japonês e japonês. Tem um brasileiro sepultado lá, que é um cara chamado Manuel, que foi defender um japonês numa briga e morreu junto com o japonês. E aí a comunidade japonesa de Álvares Machado perguntou para a família se queria que eles sepultassem lá. Eles aceitaram, mas foi o único. E aí é muito interessante. O Obon, que é o Festival dos Mortos dos Japoneses, e aí é muito interessante.
levava muito tempo para ser organizado. E quando os japoneses vieram para o Brasil, eles foram muito exigidos na lavoura. Talvez tenha sido o grupo étnico, depois dos escravizados, depois dos africanos, mais exigidos trazidos para cá, porque também houve exploração de indígenas aqui. Mas os japoneses foram muito exigidos quando eles vieram.
E aí eles não tinham tempo para organizar o festival do Bon. No primeiro ano que eles estavam aqui, eles fizeram e demorou muito. Eles perderam tempo de trabalho. Então o que eles decidiram fazer lá em Álvares Machado?
No segundo domingo de julho, eles criaram um festival chamado Shokonsai, que significa convite às almas. Eles fazem uma celebração durante o dia com música, comida, teatro, jograi, cultura japonesa o dia inteiro. No final do dia, eles acendem com lanternas o cemitério, cada uma das campas, cada um dos túmulos, das racas, que se chama raca, o túmulo japonês.
para as almas irem embora. Então eles convidam as almas para passarem o dia com eles, seus ancestrais, a ideia ancestral está imediatamente ligada ao espírito de quem já foi. Eles convidam, eles passam o dia juntos, celebrando, comendo, celebrando a cultura, as tradições, e depois eles assentam para eles irem embora, e no ano seguinte eles trazem de volta. Então...
A ideia de culto a ancestrais, culto a ancestralidade, é muito mais difundida do que a gente imagina ou que a gente tem contato. A gente tem isso muito com a nossa cultura católica, né? Porque o Brasil era católico, tinha como religião oficial o catolicismo até a promulgação da república. Então até 1889 a gente era só católico. É... é...
coisa de onde eu vim, da minha criação, ter medo de cemitério ou é muito comum? Porque eu sempre, dessas experiências que eu tive em cemitério, sempre perguntado se você teria coragem de dar um rolê aqui, fazer um passeio, depois da meia-noite aqui, sozinho, no meio dessa escuridão toda aqui, eu sempre falei não, nem a pau, não tenho coragem. Não sei nem porquê, né? Mas...
talvez por pensar que o cemitério seja o lugar onde as almas vão no final do dia, sei lá não sei qual a explicação exata, mas confesso que até hoje eu teria medo de dar esse rolê sozinho no cemitério não sei se é o lance afetivo e tal mas é comum as pessoas terem esse medo, você já teve medo? Nunca tive
Teria medo de ir sozinho em algum lugar específico? Eu nunca tive. Zero? Estou falando com exercício, porque eu faço isso, né? Faço e levo outras pessoas. Eu acho que assim, o cemitério, ele é um aparelho sanitário importante. O cemitério é um aliado da cidade, ele não é um inimigo da cidade. A gente precisa dar um fim digno pras nossas carcaças. Pro que sobra da sua avó, da minha avó, do meu pai, da minha mãe, do seu pai. A gente precisa dar um fim digno pra isso.
É direito seu querer cremar ou não. É, isso que eu ia falar. Será que a maior dignidade seria cremar? É um direito. É uma escolha. Minha avó quis ser cremada. Sim. A minha avó quis ser cremada. O meu avô, que era marido dela, não quis. Eu acho que eu prefiro... Já deixei isso avisado, né? É um direito, mas você pode sepultar também as cinzas. Você não precisa perder esse contato. Você pode cremar e depois ser sepultado. Não, mas o meu vai ser jogado no mar.
Eu já falei pra família. Tá tudo bem. Tá tudo bem. Uma praia que tem a onda. Tá tudo bem.
Quer surfar até o último segundo, instante. Mas a gente tem, então, que o cemitério é um aparelho... A gente teve, cara, a gente sepultamos 700 mil pessoas na pandemia. E se não tivesse cemitério, como é que ia ser? Teve país igual a Bélgica, que colapsou. Aqui, o serviço funerário de várias cidades, de todas as nossas cidades, seguraram um BO imenso.
Então, o cemitério precisa ser cuidado nessa dimensão, precisa ter não apenas fiscalização, mas também trato sanitário, estratégias para não tornar o cemitério um risco biológico, para o necrochurrui avançar lençol freático. Claro que precisa, mas, cara, como tudo na vida, a gente precisa cuidar, entendeu? Mas ele é um parceiro nessa dimensão. O cemitério é um lugar de despedida.
onde a gente exercita os nossos rituais de luto, que a gente fala pouco e cada vez menos. A gente não se livra de alguém que morreu. Então você fala, pô, pra mim em velório tem que ter 15 minutos, pra que ficar sofrendo? Tem um sentido ficar sofrendo. Tem um sentido pra você assimilar aquele acontecimento.
Você vê que a pessoa partiu. A sua cabeça processa aquilo. O seu psicológico processa aquilo. As pessoas não são apagadas da nossa vida, como se não... Tem que viver o luto, né? Viver o luto é importante pra você seguir em frente. Pra você continuar com força de honrar aquelas... A história de quem já foi, literalmente. Porque senão você vai falar, não consigo falar disso. Choro, fico três horas, não consigo falar do meu pai porque não fui, não quis, não quis... Tchau.
As pessoas também, né? Não, eu não vou porque eu não vou conseguir. Ah, eu não gosto. É, não gosto. A minha esposa perdeu, eu nunca perdi meus pais, meus pais ainda estão comigo, mas minha esposa perdeu a mãe. E ela era uma dessas pessoas que não gostava de ir no velório dos outros. Ah, não gosto, não quero, me sinto bem, vou lembrar de quem era do jeito que era bom, tá, joia? Essa era a frase dela. E quando morreu a mãe dela, ela falou, eu não imaginava...
como era importante você receber o abraço de alguém querido, de alguém que dividiu experiências com a minha mãe, que era a mãe dela que morreu. Ela falou, eu nunca mais vou deixar de ir no velório de alguém, porque eu vivi a importância disso. Aconteceu recentemente com os primos da minha esposa que não foram no velório da avó. Ah, não, não quero ter essa visão dela, quero ter...
Eu não entendi, mas cada um na sua. Tudo bem. Aqui a gente não julga nada. Estou falando que é importante. Às vezes para a pessoa não é importante. Mas ter à disposição isso é importante. Veja, não é se você vai ou se não vai. É aquilo estar à sua disposição se for importante para você. Isso é. Então o cemitério também é. E ele tem outras dimensões que são as que eu quero acrescentar.
a esse repertório sanitário e de rituais de luto, que é o patrimonial, que a gente dialoga com conjuntos escutóricos, assinatura de grandes artistas em obras de arte que preenchem muitos cemitérios, que às vezes são roubados, que são vilipendiados.
A gente acessar biografias de pessoas que tiveram vidas virtuosas, que protagonizaram seus tempos e espaços. A gente acessar as histórias de assombração, porque elas também são um patrimônio, não apenas do cemitério, mas das nossas comunidades, que são experiências humanas, que traduzem um monte de coisa. Uma história, por exemplo...
no cemitério da Consolação, que é do coveiro, que morreu durante o sepultamento de uma parente do Matarazzo. O mausoléu do Matarazzo é o maior da América Latina em um espaço cemiterial, é imenso, de uma forma muito grande, monumental, e morreu o coveiro. E aí, a partir disso...
Dizem que se você quer encontrar um túmulo e não sabe onde está, você toca seis vezes o sino da...
da capela e ele aparece pra você e te leva até o túmulo que você tá procurando. E é interessante, porque o sino tocar seis vezes é o jeito de chamar coveiro mesmo. Então, criou-se uma tradição com um elemento do expediente do cemitério. Eu acho essa história muito legal por isso. O jeito de chamar coveiro antigamente, hoje tem o WhatsApp. Antigamente, tocava seis vezes.
E o coveiro tinha que ir lá atender esse cliente. Se fosse cinco, ele não iria. Se fosse cinco, não vai. É outro. O cara toca seis vezes, ele vai lá e atende. E você vê, é uma história de assombração que traz a memória de quando usava o sino do cemitério como um instrumento de comunicação. Você falou de assombração, né? Assombração.
alma penada, encosto, espírito obsessor, qual que é a diferença entre esses? E o que que você já teve mais próximo ali de você falar, não, não, isso aí pode ser que exista mesmo. Pode ser que exista.
Bom, a alma penada, na verdade, eu vou usar um conceito romano. Os romanos acreditavam muito que as almas ficavam perto dos corpos. Aliás, é por isso que orar no lugar onde o morto está sepultado era uma prática que até hoje a gente tem.
isso está na origem da gente ter, por exemplo, a tradição de construir uma capela dentro do cemitério. Tem também a proibição de sepultamentos dentro das igrejas, que aconteceu e começou a ser implantado pelos países em 1801, aqui no Brasil, a partir de uma carta régea de João VI, e aí vai seguindo. Deve ter toda uma história nisso. Caramba!
Construir uma capela e falar, não, mano, o morto precisa de... Você fala, pô, será que precisa mesmo? Mas por que eu tô falando isso? Porque quando você reza, pelo menos essa era a crença da época, quando você rezava, os romanos pensavam que se você reza no lugar do morto, e não precisa ser um morto com um corpo lá, podia ser o cremado.
A alma fica ali perto, ela não desgarra e não vira uma alma perdida, não vira uma alma penada. Penada. Penada. O fantasma, ele tem uma outra obsessão. O fantasma, ele fica no ciclo...
maluco no looping de tentar cumprir uma tarefa ou então de saciar um desejo ou de cumprir uma missão, por exemplo, noiva fantasma por que existe noiva fantasma? Há muita história de noiva fantasma pelo Brasil e pelo mundo a noiva fantasma só existe porque pensou-se coletivamente num tempo que o propósito de vida de uma mulher era o de se casar com um homem e o
E a menina tendo... Realmente era, né? Isso, interrompido no curso desse acontecimento. Então, a moça que está na estrada, indo casar e bate num caminhão e morre. Sim, atropelada na porta da igreja. Ela é vista na estrada. A moça de Paranapiacaba, que era apaixonada pelo filho do inglês, do engenheiro inglês, e quando ele fica sabendo que o filho ia se casar...
com uma brasileira, no dia do casamento, tranca o menino num porão, ela fica esperando, morre de vergonha das pessoas que estão lá no casamento dela, que não acontece, ela se joga de uma ponte, e a partir disso, vem a névoa de Paranapiacaba, e cobre todo mundo. Cara, isso é 100% em razão do looping que ela entra...
pra tentar ou pra lembrar de que sua missão não foi cumprida, ela tá nesse apego ela tá tão próxima, né? de concluir aquela meta, aquele objetivo o encosto o encosto é aquele espírito obsessor que fica perto de você e tenta te manipular pra saciar uma vontade dele então o cara que bebe fica, ah, não sou eu, é o meu encosto que quer beber, que o cara ficou com esse apego tão grande o cara foi um homem
desse vício na matéria que fica ali fazendo o cara tentando o cara pra ele beber pra fumar cigarro muito próximo dele práticas ligadas a vícios no geral, os obsessores muito, ou então de inveja então eu lembro do Alexandre daquela novela A Viagem nossa, aquilo lá me dava medo aquela novela foi aterrorizante hoje não tem mais novela espírita
Eu tinha medo daquilo lá, meu Deus do céu. Interessante isso, né? As nossas novelas, no tempo que elas formavam opiniões, então traduziam as direções religiosas, culturais, né? Eu acho que o maior problema das novelas hoje é exatamente esse descolamento da cultura popular. Eu acho... A melhor novela da história pra mim é Roque Santeiro, que tinha um lobisomem.
Eu sou apaixonado por lobisomem até hoje por causa da novela Roque Santeiro. Tinha o professor Astromar, que era o Rui Rezende, e até hoje eu sou doente por lobisomem. Já participei de caçada de lobisomem, já escrevi livro de lobisomem por causa da novela Roque Santeiro. A novela espírita. Por quê? Gente brasileira, o espiritismo na França, que é onde está enterrado Kardec, de onde era Kardec, ninguém sabe quem que é Allan Kardec.
No Brasil ele é muito mais conhecido, muito mais famoso. E daqui derivaram várias outras lideranças espíritas muito fortes. Bartuíra aqui em São Paulo, Dr. Bezerra de Menezes no Rio de Janeiro e vários outros pelo Brasil, lideranças espíritas importantíssimas.
Agora, maldições. Maldições de lugares, de objetos. De alguma forma dá para crer em algum desses? Por exemplo, casas mal-assombradas, casas que têm essas histórias de maldições. O que é a sua visão? Eu acho que elas estão ligadas a essa atmosfera do apego. É, deixa eu completar. Tem maldição de casa.
de pessoas, né? Você tem uma maldição, ou até maldição de objetos em si, uma boneca, como no filme e tal. Vamos lá. Então, eu vou começar de uma boneca, pra gente traduzir isso. Uma boneca, ela pode ser amaldiçoada na origem. Então, vamos lá. Uma história que eu acho maravilhosa de boneca amaldiçoada na origem. Em Sorocaba, pertinho aqui, tem a história da Xuxa possuída. Já ouviu falar a história da Xuxa? Já ouvi falar.
Você sabe a história? Mais ou menos. A história é a seguinte. Uma menininha queria muito uma boneca da Xuxa. Isso aconteceu em 89. A boneca da Xuxa é de 87, a original. Essa história se passa em 89. Quer dizer, passa muito tempo. Essa criança quer de qualquer jeito. Passa anos querendo a boneca da Xuxa. A mãe fala assim, ó. Só se eu pedir pro capeta, porque eu não tenho dinheiro. Ou é que eu não tenho grana pra isso? A menininha fala, é.
Tá bom. E aí, no dia seguinte, misteriosamente, a mãe consegue o dinheiro pra comprar a boneca da Xuxa e compra a boneca da Xuxa pra filha. Ela não tinha nada contra, só não tinha grana pra comprar. E compra a boneca da Xuxa pra menina. E aí, passa um tempo, a menina começa a reclamar que a boneca da Xuxa começa a bliscar ela.
belisca, belisca, ela reclama e aparece com marquinha, a mãe fica brava, vai na escola, fala, ó, tem alguém beliscando minha filha aqui, e fala, pô, ninguém tá fazendo isso e tal. E aí tem duas versões, uma que um dia a mãe presencia a boneca da Xuxa, porque a boneca da Xuxa também começou a ganhar novas formas, então ela começou a ficar com o seio maior, começou a ficar com o rosto um pouco mais...
com cara mais demoníaca, e aí a mãe ficou preocupada e levou para o padre. E aí diziam que essa boneca tinha sido levada para o Museu Sacro da Catedral de Sorocaba. E tem uma outra versão de que a boneca... Uma menina num bairro que, se eu não me engano, chamava Bairro São Bento.
em Sorocaba, se eu não me engano. Quer dizer, transformaram essa área do Chucky. Não, foi antes do Chucky. Ah, foi antes? Opa, foi antes. A da Xuxa é anterior, a do Chucky. Não foi inspirada, né? Nada. Foi antes. Então, o que que aconteceu? Mas olha só o boato, o que levou esse boato. A população
tentou invadir a igreja pra matar, pra queimar, pra linchar a boneca da Xuxa, que pra todo mundo tava lá. E o padre falou, gente, pelo amor de Deus, não existe isso, não tem nada aqui. Falou com jornalistas, falou com... vão pra casa de vocês.
estão com muito tempo, vão arrumar o que fazer, porque não tem boneca nenhuma aqui. Então, a boneca foi amaldiçoada porque ela nasce de um pacto, ela nasce de um desejo demoníaco. Mas você pode ter outro tipo de maldição de lugar, por exemplo...
no casarão que há em Sorocaba, que era de um coronel muito ruim, muito mal, que esse muito ruim, muito mal, você associa imediatamente ao fato dele ter sido escravagista e torturava muito seus escravizados, suas escravizadas, então todo mundo identificava ele como um cara ruim.
Dizem, por ser um cara muito ruim, muito avarento, ele deixou um tipo de tesouro escondido dentro dessa casa. E o que acontece depois que ele morre? Ele não vai embora da casa. E o que acontece hoje nesse casarão? Ele está completamente abandonado.
ninguém vai lá, ninguém consegue, não tem um destino para aquilo, a não ser o abandono. Porque você pode ter lugares que tem um fantasminha aqui, tem outro fantasminha ali, mas você tem outros lugares que as coisas simplesmente não acontecem, não se desenvolvem, não vão para outro lugar, fica simplesmente relegado à ruína, que é exatamente o que aconteceu em Araraquara. Então, eu acho que tem essas duas espécies. Uma que nasce demoníaca já mesmo.
E a outra, que a partir do apego de alguém, acaba se tornando amaldiçoada. E aí o terceiro de pessoas. De pessoas amaldiçoadas. Eu gosto muito da maldição do lobisomem. Só que toda hora tento falar do lobisomem aqui.
O lobisomem tem algumas maldições que são hereditárias. Essa do lobisomem, por exemplo. O sétimo filho homem de uma linhagem de outros seis meninas, se não for batizado pela primeira filha, vira lobisomem. Essa é uma história muito legal nossa.
uma variação de que pode ser o sétimo filho homem de uma linhagem de outros seis homens. Então, o sétimo filho homem de uma linhagem de outros sete. E essa tradição é tão curiosa, tão curiosa, que na Argentina tem o padre Nazgo presidenciar, que obriga...
não estou falando retoricamente, obriga o presidente da república ou a presidente da república batizar o sétimo filho de uma família que acaba descendendo de uma família que tem outros seis meninos em sequência. E para as meninas, obriga, por lei.
É lei. E a gente tem também as meninas na Argentina, a sétima filha de uma linhagem de outras seis meninas, também há essa obrigatoriedade, mas ela vira uma bruxa e o menino vira um lobisomem. Então tem as maldições. Claro que na lei não fala que é por medo de virar lobisomem, mas originalmente eu acredito que passe um pouco por isso também, porque...
Essa cultura do sétimo filho, eu acredito que venha de uma tradição guarani, que vem do Paraguai, vem do sul do Brasil, que diz que o sétimo filho, que é homem, o sétimo filho de Querana e Itaú, que são entidades mitológicas, é um lobisomem, é o Luizon. Uma das origens do nosso lobisomem aqui...
que é muito vasta, muito plural. Eu acredito que venha do sul do Brasil, que seja Guarani, que acredita ao sétimo filho desse casal, que é uma prole amaldiçoada por Jaci.
que é um dos lobisomens que a gente tem. A gente falou do Chuck, e se você pegar mesmo, faz muitos anos que eu assisti. 88. Mas eu lembro muito bem daquela cena no qual ele tá transferindo, né? Que ele faz com os dedinhos assim. É, que ele tá lá, aquela cena noturna assim, tá transferindo a alma dele, né? Você lembra bem desse filme? É um dos filmes mais apavorantes da minha vida, até hoje.
E agora acabaram com o Chuck. Você viu que teve uma redição. Ah, mas depois cagou tudo, né? Não, mas agora teve uma redição que ele, na verdade, é um erro de programação, de uma inteligência artificial. Que ele vira... Acabaram com o espírito, cara. E virou um filho do Exterminador do Futuro, né? É. Na verdade, se tirar o espírito maligno do Chuck e falar que é um erro de programação, é o Exterminador do Futuro. Faz o que?
Mas você já ouviu alguma história de transferência de alma? Mais ou menos isso que ele faz ali. O que eu soube de transferência de alma, não. Tinha uma bonequinha no cemitério de parelheiros.
Que existia uma mística de que ela andava, era de uma menininha, e de que de noite ela andava pelo cemitério. Então a gente não sabe se ela andava porque ela é conduzida ou se era incorporada. Eu não sei por quem, não vou falar. Imagina uma coisa super dolorida para a família, né? Sim, total. Então eu não sei, mas tinha essa mística, tanto que hoje ela desapareceu, ela não está mais lá, mas ela circulava ali por dentro, ali pelo cemitério.
Não sei se era incorporação ou se era... Se você pudesse conversar com alguém que já foi, com algum morto, quem que seria? Puts, grilo. De qualquer tempo, assim? De qualquer tempo. Poxa, tem tantos legais, né? Tem tantos. Vou tirar da minha família. Gostaria muito de conversar, por exemplo, com o bisavô.
o avô dos meus pais. Tanto o avô de parte de mãe, o bisavô, meu bisavô de parte de mãe, meu bisavô de parte de pai. Eu queria muito conhecê-los. Um porque era paraibano e acabou ficando lá. E o outro por ser italiano, ter vindo para o Brasil num contexto que ninguém sabe direito, é curioso. Mas, putz, assim, de personalidade.
Será que o Churchill seria legal para entender como foi administrar uma segunda guerra contra os nazistas? Caraca, isso é fenômeno. É, eu acho que um cara assim, uma passagem Alexandre o Grande, tem umas figuras, Tutankhamon.
10 minutinhos com o cara, ia ser muito legal, eu acho. Uma figura... Cleópatra. Se fosse uma figura religiosa. Religiosa. Você foi mais pra figuras históricas, né? Religioso. Eu queria falar com o Judas.
Eu estava lendo essa Páscoa o Evangelho de Judas. E a partir do Evangelho de Judas, há uma leitura de toda a situação que houve entre Jesus de Nazaré e os apóstolos.
E esses manuscritos, eles ficaram escondidos muito tempo e foram muito destruídos. Mas a partir dessa ótica, Judas não traiu Jesus. Jesus pediu para Judas fazer tudo o que ele fez. E eu acho que essa figura, eu queria muito saber se ele era um traidor mesmo, ou se ele foi um cara que, segundo o evangelho de Judas, só Judas sacou tudo o que Jesus estava fazendo aqui.
E ele quis se libertar. Então não foi uma traição, na verdade. Ele sacou o quê, especificamente? Ele sacou que Jesus queria ir embora. Que Jesus é o Espírito Santo incorporado em uma figura terrena. Sim, um homem. Num homem. E ele falou, eu preciso ir embora. Ele não podia simplesmente se matar, evidentemente.
E falou, vamos lá, me ajuda a fazer isso. E falou, pô, mas como é que eu vou fazer isso? Eu não vou te matar. Nossa, a teoria da conspiração. Não, mas está no... Esse é um livro que foi publicado pela Netgeo, muito legal, e agora já tem outras publicações. E foi, acho que em 2006 ou 2007, que encontraram esses manuscritos, e eles foram traduzidos.
talvez Judas você é mesmo esse cuzão aí que todo mundo fala ou não, vim pra sua barra e vai me corre 10 minutos pra você me convencer você não é esse cuzão aí temos o título do episódio, eu queria ver Judas eu queria conversar com Judas quero conversar com Judas queria conversar 5 minutos com Judas não tem o café com o senhor, tem café com Judas aí já vem os evangélicos xingar a gente aqui
Ah, eles... Tá tudo bem, pô. Eles pagam lá com cartão alguém, mas não é. Eu também acho que esse lance de evangélico, existem várias denominações e pessoas incríveis, né? É legal a gente lembrar, porque parece que é tudo doidinho da Praça da Sé e tal. Tem muita gente preparada, inteligente, teólogos importantíssimos. E tem, claro, os aproveitadores, mas isso também é típico de todo lugar, né? E aí
Na verdade, o que eu conto aqui pra galera que vem normalmente, com tantas pessoas que eu tenho conversado da área de espiritualidade, religiosidade e do sobrenatural, quanto mais eu ouço essas histórias, mais eu me afasto de religiões.
Religiões, eu estou enxergando cada vez mais como projetos de manipulação de massa, de pessoas e tudo mais. Historicamente é muito interessante, porque a gente tem em vários momentos históricos uma...
separação, isso, olha a inteligência dos caras de antigamente, eles viram, eles, lógico, eram muito tendenciosos, porque eles se valiam da outorga divina para serem monarcas, para serem reis, né? Mas eles começaram, depois de um tempo, querer se afastar da igreja também.
Porque a igreja tinha muita influência. E a gente tá fazendo esse caminho contrário, né? A gente tem hoje, cada vez mais afunilando nossa vida pública pra critérios religiosos. E eu acho isso um equívoco tremendo. Porque, cara, a gente precisa ser livre pra acreditar no que você quiser. De verdade, pra todo mundo, no que tiver afim. Pra mim, religião é caminho, não é fim. Você não vai entrar numa religião e pronto, estou salvo. Não, cara.
Você pode ser da Umbanda, você pode ser evangélico, você pode ser católico, você pode ser da Kimbanda, budista. Se você for um merda, você vai ser um merda do mesmo jeito. E outra, salvo do quê? Salvo de nada. Porque outra coisa também que eu acho legal, eu tava falando disso com o Kudane outro dia, que pra mim, o legal é você não fazer o que você faz ou então levar a sua...
ter sua conduta pautada pela promessa. Moral e ética. Pela promessa. Porque faz porque tem que fazer. Faz porque aquilo é de verdade. É sincero. Não é porque você vai passar por um julgamento e vão te dar um acesso. Não é pela promessa de paraíso. Não precisa, cara. Faz pelo que... Porque é o certo. E outra coisa, né? Pra mim, espiritualidade é prato de comida na mesa.
de quem tá com fome. Pra mim é isso. Como assim? É saúde. Você é legal, você é espiritualizado, é blessed, é zen, é o que é? Você leva uma marmita pra um cara que tá com fome, você ajuda um orfanato, você ajuda uma obra, você faz alguma coisa, você não faz, você trata bem quem te serve, você não faz isso, mano, você pode falar o que você quiser pra mim, que eu não acredito em nada do que você fala. Nada.
Nada zero. Pode... Tá ligado? Cara, se você não fizer isso, pra que serve? É estéreo. É só falação. É só textão de Facebook.
só textão de rede social cuida bem dos seus filhos, das suas crias trata bem seus pais claro, isso aí, honra e dignifique as pessoas, do seu entorno abraça quem precisa de um abraço, enxerga quem está invisível, eu acho que isso aí está muito acima de qualquer religião então assim
fiz o catecismo, né? Tem ali uma... Tem essa origem católica. Tem uma origem católica e tal. Eu gosto do catolicismo. Mas eu nunca... Depois de uma certa idade, você começa a enxergar muitos pontos falhos, né? E aí você fala, puta, deixa eu ver outros caminhos e tal. Não de frequentar outras religiões, mas...
a partir do podcast eu tenho acesso a muitas pessoas e aí você vai vendo, puta, mas isso aqui não fecha a conta, isso aqui não fecha a conta nenhuma fecha mas não é pra fechar, porque ela é uma estrada que leva pra algum lugar quando fechar a conta é quando a gente juntar os pés se não juntar os pés, você nunca vai saber o que acontece, a gente só vai ter certeza quando morrer
Mas você agora pergunta a minha, você tem percebido um aumento muito grande do interesse nesses temas? Porque a minha impressão, não sei se é porque eu vivo numa bolha de cemitério e a gente está o tempo inteiro se deparando com esse interesse das pessoas, mas me parece que há uma busca maior no universo digital de temas como esse. Com certeza. Spiritualidade. E isso, para mim...
é interessante porque traduz o vazio do mundo. Traduz, para mim, esse desencanto que a gente tem vivido. Essa busca pelo sobrenatural, pela afirmação das suas próprias crenças e convicções, tem muito viés.
de confirmação que a gente faz. Eu sei, eu acredito, é verdade. Tem muito esse jogo. Eu vejo isso, não à toa. Nosso episódio mais assistido do canal é um episódio com o Wagner Borges falando justamente de espiritualidade sem puxar sardinha para religiões.
desmistificando mesmo, e é algo que eu percebo que as pessoas, né, a partir de uma forma um pouco mais cética de ver, e até leiga, né, esclarecendo dúvidas reais que muitas pessoas se identificam, as pessoas vêm buscar no canal, que não é um canal de espiritualidade, mas eu, de uma certa forma, eu tento traduzir o que eu vejo no meu entorno, que são as dúvidas que a maioria das pessoas tem. E você não fica pregando pra convertido, literalmente. Não, pelo tratzo, tratzo,
Eu tô quase pregando pra... Fuja das religiões. Não tô pregando isso, né? Mas assim, eu vejo que, pra mim, independente de religião, tudo isso que a gente falou, de você ser um cara ético...
digno, moral, saber tratar as pessoas é muito mais importante do que qualquer religião. Então, assim, eu falo brincando com as minhas filhas, vou virar o anti-religião, mas não, não vou virar esse cara. Você já vai estar criando uma religião. Igual o ateu, né? O ateu, ele tem tanta fé de que não existe o além que ele prega pra você venha para o ateísmo. Pô, você tá pregando de qualquer forma.
Sou ateu, graças a Deus. É, ateu, graças a Deus. Então eu vejo isso, uma grande... Eu não diria que é um hype, mas muitas dúvidas que antes as pessoas buscavam com os líderes religiosos.
e que cada vez mais líderes caem, né? Líderes picaretas, e as pessoas ficam cada vez mais descrentes, e aí tentam de alguma forma não se prender às religiões. É mais ou menos isso que eu vejo, que eu percebo. E eu acho que tem uma coisa também interessante, que é um pouco assustador para mim, que é um pouco da mobilização da espiritualidade para o lugar do coach.
Teoria da prosperidade. Teoria da prosperidade. E tem a outra teoria hoje, que é a teologia da prosperidade. É a teologia da prosperidade. E tem a teologia da dominação, que aí tira de Jesus a potência e coloca em Davi. Davi era um cara bastante controverso em suas práticas, em seus comportamentos.
E que todo mundo fala, bom, se ele está aí é porque Deus quis que ele tivesse. Então coloca um pouco dessa ideia de imposição.
Dois lugares, né? Então eu tô aqui porque foi Deus que... Você fez sucesso, porque Deus quis que você fizer. É uma loucura isso pra mim. Não faz o menor sentido. Você tá aí porque você trabalha pra caramba. Acabamos de perder o Oscar, né? Que todo mundo falava mão santa. Não tem nada de mão santa. Tem mão que treina pra caramba. Que trabalha pra caramba. Que investe tempo. Ele é incrível, né? Sensacional, cara.
Puta cara. Uma grande perda. Fizemos um especial recente. Somamos os dois episódios que a gente fez com ele. Pô, várias histórias inspiradoras. Eu joguei com ele, cara. Meu tio morreu esse ano também. Minha tia foi casada com o Marquinhos. O Marcos Abdala Leite.
O Leite Abdala, agora eu não lembro. Mas era o Marquinhos do basquete, foi o primeiro draftado da NBA da história. E também não aceitou jogar a NBA porque seria obrigado a não jogar mais pela seleção. Assim como o Oscar. Então, e eles foram campeões do mundo juntos, com o Sírio, tudo.
E a gente fez um jogo uma vez em Campinas para arrecadar recursos para um outro jogador chamado Adilson. Estava passando por uma dificuldade econômica e tal. Foi um jogo em homenagem a ele e todos os recursos foram destinados a ele. E o Oscar jogou. E eu joguei no time contra o Oscar. Joguei no time do meu tio.
E eu lembro que eu fui marcar o Oscar e ele falava, pô moleque, vai marcar alguém da sua idade e tal, puta, e jogava pra caralho, era uma coisa impressionante, assim. Não tinha medo, né? Confiante, confiante. Ele errou as cinco primeiras bolas e fez as outras 15 depois. Mas assim, errou as cinco primeiras, qualquer pessoa normal fala, parei. Não tô acertando nada, não. Vai, vai, e depois ele não errou nunca mais.
Sensacional. Impressionante. Cara, a gente tem aqui no Plugado uma playlist que a gente alimenta com uma música de cada convidado. Então a gente sempre pergunta qual a música que de alguma forma tem uma ligação afetiva, que te traga uma memória afetiva, que a gente que pode dizer que é a música da sua vida pra gente alimentar a nossa playlist. Vou pegar no meu tema. A música da minha vida acho que é Rocketman do Elton John. Mas até aproveitando... Uma música. Vou falar do nosso tema. É Banana Boat Song. É A CIDADE NO BRASIL
que é uma música, quando eu descobri o sentido eu achei muito mais legal lembra Os Fantasmas Se Divertem? sim a música não lembra
lembra? essa música é divertida no filme, aparece numa cena em que todo mundo é incorporado e dança com os espíritos na casa mas essa é uma música que é de um canto escravo, jamaicano dos caras que carregavam os barcos de banana pra mandar pra Inglaterra e eu achei muito louco quando eu descobri isso
E eu só descobri isso porque eu assisti um filme de terror, que é um filme divertido de terror, mas que me ensinou a origem dessa música. E que parecia uma música super divertida pelo contexto, mas que traz um pedaço da história importante, que tem um significado muito grande, que era da tristeza do escravo de ter que ficar carregando a noite inteira os barcos de banana para serem exportados. Eu aprendi a partir de um filme de terror. Da tristeza?
Da tristeza deles. Ou será... É, mas eles eram escravos, né? Não vou dizer que... Não, a tristeza. Eles passavam a noite, eles queriam ir pra casa. Não, não, eu ia falar assim, não, o cara tava trabalhando, então esse cara era escravo. Não, não, não tava trabalhando. É, o cara tava sendo... Era obrigado a fazer aquilo. Então ele jogava as bananas e tinham tarântulas, às vezes, dentro das bananas, então o cara às vezes jogava no lombo aquele puta cacho, picava ele e dor e... Caraca. E é uma música super...
O momento dessa música legal foi que o Henry Della Fontes, lembra o African Age, que tem até um documentário super legal, que é o Lionel Rich organiza a gravação para aquela música We are the world, we are the... Que tem Michael Jackson, Bob Dylan, um classicasso.
Eles cantam brincando com o Wendellafonte. Então essa é uma música que também dá pra ver nesse momento. Era uma música que eu conheci por causa do Be Your Juice. Você me falou de musical relacionado com um filme de horror, terror. Recentemente eu assisti Pecadores.
eu fiquei muito impactado com aquele filme é muito legal, cara, os caras uniram ali várias vertentes ali cara, surpreendeu espírito vampiro, a parte musical que é sensacional, a trilha sonora absurda e, puta, o blues ali e você vê que legal você decifrou o filme e é um filme de vampiro o sobrenatural tem uma linguagem que tem um magnetismo único o
Ele pode ser religioso, ele pode ser no entretenimento, ele pode traduzir as experiências das pessoas no cotidiano. A gente falou de tudo isso hoje aqui, em pouco mais de uma hora. Tudo a partir de uma linguagem sobrenatural. Sobrenatural tem esse poder. Pecadores é um filme que se você...
observar ele de maneira rasa é um filme de vampiro. Se você avança uma camada, você vai ver que ele traduz um período histórico muito marcado americano. Se você avançar mais um pouquinho... Divisão social. Se você avançar mais um pouquinho, você vai ver que ele fala de apropriação cultural. Se você avançar... Você vai indo, cara. Você fala...
várias camadas. Caceta, velho. Do que que a gente tá falando? A gente fala de dobra do tempo, a gente fala de divisão dimensional do tempo. Quando a música conecta todos os tempos, o futuro, o passado, e aquilo é espiritual. É um filme de vampiro. Não à toa, né? Foi indicado.
Mas o recorde de indicação, para mim, já é a tradução de tudo que a gente falou hoje aqui. Que o sobrenatural é uma linguagem que serve a muitos propósitos. Sim. E pode ser muito melhor explorada. Muito melhor. Aliás, eu acho que a gente fracassa. Não, no Brasil principalmente. No Brasil. Porque a gente não entendeu ainda que o nosso terror não precisa ser colonizado pelo terror americano. Por uma razão muito imediata, para mim.
O terror americano, a base cultural religiosa americana é protestante. E para os protestantes, aqui não é nenhuma crítica, é uma base cultural religiosa. Para os protestantes, tudo é meio demônio. Para a gente não é.
Então, a nossa aptidão é a do realismo fantástico. Tudo meio demônio. Sempre o demônio. Sempre o demônio. Pra gente, não existe isso. Você não vai falar que o saci é demônio. Você não vai falar que o lobisomem é demônio. Você vai falar que a alma penada é demônio. Não é. São outras figuras. Por isso que a gente tentar absorver tudo dos americanos pra tentar construir o nosso a partir dessa ótica deles não vai funcionar. O bom nosso é o realismo fantástico.
É a inserção do sobrenatural, é a novela Roque Santeiro, que contava uma disputa política, um processo devocional de mentira, Roque Santeiro, que era um santo de mentira, que ele tinha fugido, não tinha morrido, o lobisomem tá ali, as paixões, as tramas humanas, tudo isso nesse... o brasileiro é bom nisso. É, eu tô amadurecendo a ideia.
de transformar num roteiro de um curto ou de um longa, a partir dessas histórias que eu tô ouvindo, tô começando a... porque dá pra ser muito melhor explorar. Dá. Por exemplo, no Pecadores, né? Você falou dali de se aprofundar. Pô, aquele momento que ele sai do caminhão ali e entra, aí depois ele... meu, o plano sequência é que ele vai pra outra loja, né?
E aí depois volta e eu falei, caramba, é porque ele deu esse rolê na primeira vez que eu assisti, né? Não entendi. Falei, pô, desnecessário. Ele quis colocar o movimento de câmera. Mas não, ele tava representando ali a divisão que tinha entre o lado negro e o lado branco ali, que foi aquela passeada que, cara, de uma forma mágica ali do diretor. Aí é a arte, né? É, ele mostrou ali, pô, existe o lado.
preto, existe o lado branco pra você poder comprar. Entenda isso, entenda como era. Entenda esse contexto. O tempo inteiro era isso. É imersivo, né? E o cara que é vampiro, ele não é o branco tradicional da clã. Ele é o white trash também. Ele é o cara que também é marginal. O irlandês também era o marginal nesse contexto. Ele não era o proprietário que era da clã, que tava indo matar os caras, contando o filme de boa parte. Mas é isso. É o trabalhador ali, né? O cara mão na massa mesmo.
Muito foda. Pô, obrigado. Dá pra fazer mais episódios até falando de cultura de filmes mesmo. A gente poderia fazer um desse. Mas você vê que legal. A gente falou da linguagem dele. Pra mim, assim, quando eu assisti o... E o nosso próprio filme, o filme O Agente Secreto, também tem uma figura
que é uma criação mitológica do Recife, que é a perna cabeluda, que também tá no contexto do filme, mas que também tá no contexto. E que também fazia parte da perna cabeluda, também fazia parte do cotidiano da cidade. Então é legal. Tem matérias ali, aquilo ali é inspirado mesmo, tem? Na verdade, assim, a perna cabeluda, ela foi criada por um jornalista. Aham.
que ele conta, tá? Que ele não tinha muita notícia. E aí eles meio que criaram lá. E depois começaram as ocorrências de aparição da perna cabeluda pela cidade. A perna cabeluda nasce perna fantasma da Tiúma, que é um tipo de região próxima, não é exatamente no Recife.
meio que um distrito mais próximo e aí começa a aparecer e o primeiro relato dela mesmo ela aparece numa casa de um cara e essa perna cabeluda chuta o filho dele e a empregada doméstica e aí, eu acho que ele chama Raimundo Carreiro é o jornalista que...
se apresenta como o pai da perna cabeluda, mas muito nesse sentido. Não tinha nada o que falar, a gente precisava de uma matéria pra ter impacto e pumba. Deu impacto. Foi muito. Mas eu já fiz minha crítica aqui ao Agente Secreto, achei, cara, muito arrastado. O cara tem muitas críticas, assim. Dava pra fazer em 40 minutos, a galera fala. Por mais que a atuação do Wagner Moura realmente digna e tal, mandou bem, mas, puta, mano, muito arrastado. Tem várias críticas que eu já fiz aqui.
Eu acho legal que tem algumas coisas também de mitologia, né? O gato que olha pros dois lados. Que é meio assustador, né, aquele gato ali? É, super. Não, tem várias coisas. Não, a direção de arte é muito legal. A estética, a fotografia é boa. Eu acho...
Que a gente tem filmes que... Se a gente tivesse toda a força do marketing, da propaganda que foi feita, por exemplo, Cidade de Deus, para mim, é uma obra-prima. Porra, para mim... Cidade de Deus é uma obra-prima. Cidade de Deus. É uma obra-prima em todos os outros. Até eu ainda estou aqui.
Puta, esse eu nem tive paciência de ver. Ah, é legal. É? É legal. Eu acho que é legal e... É, pelo contexto. Pelo contexto, tudo, mas assim, o Cidade de Deus, pra mim, é uma obra-prima do cinema. Fernando Meirelles, eu quero muito trazer ele aqui. Ele é incrível, né? Ele é super legal.
Já tava cuidando pra começar. É isso aí. Pô, obrigado, velho. Imagina, cara. Foi um prazer, cara. Tô aqui sempre. Maravilha. E obrigado a você que tá aqui até agora. Gostou das histórias? Se inscreva no nosso canal. Deixe seus comentários. E até o próximo Plugado Podcast. Grande abraço. Valeu.