6T #13 - Dos choques recentes à geopolítica: onde estão as oportunidades no setor de energia?
O que os choques globais e as disputas geopolíticas revelam sobre o futuro do setor de energia?
No novo episódio do Mind Asset, recebemos Alexandre Gazzotti, especialista em Investimento Responsável da Itaú Asset, e Luana Resende, portfolio manager da Itaú Asset. A conversa analisa como o cenário global está redesenhando o setor de energia e por que investir em energia limpa deixou de ser uma escolha sustentável para se tornar uma necessidade estratégica.
Os especialistas também discutem o impacto da inteligência artificial e da demanda por data centers na corrida por energia renovável, o fenômeno do curtailment e como tudo isso se reflete na construção e na resiliência das carteiras.
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Isa
Alexandre Gazzotti
- Transição energética e segurançaSegurança energética como novo protagonismo · Energia limpa como necessidade estratégica · Impacto da IA e data centers na demanda por energia renovável
- Tendências em tecnologia energética: BateriasSolução para deficiências de infraestrutura · Atenuação do descasamento entre geração e consumo · Melhora e barateamento da tecnologia de baterias · Primeiro leilão de baterias no Brasil · Estabilização da rede e gestão de picos de demanda
- Fenômeno do CurtailmentLimitação da geração de energia renovável por falta de infraestrutura · Planejamento de linhas de transmissão e conexão com fontes consumidoras · Curtailment como risco para previsibilidade de receita e capacidade de caixa
- Crise Energética GlobalImpacto de conflitos e sanções no Oriente Médio · Volatilidade dos preços de petróleo e gás · Energia como questão geopolítica e estratégica · Importância da diversificação energética
- Energia RenovavelCrescimento da participação eólica e solar na matriz elétrica · Avanços tecnológicos e barateamento de placas solares · Viabilidade, custo e escalabilidade de projetos renováveis
- Inteligencia Artificial e Governanca de DadosAlto consumo de energia por data centers · Demanda por fontes de energia estáveis e confiáveis · Projetos de energia renovável próximos a data centers · Operação eficiente do ponto de vista de carbono
- Diversificação de fontes energéticasAnálise geográfica, tecnológica e de infraestrutura dos ativos · Diversificação dentro do setor energético · Diversificação geográfica, por fontes e por emissor · Portfólios de investimento sustentável com foco em externalidades socioambientais
- Impacto de eventos globais no créditoInstabilidade e volatilidade no ambiente de crédito · Aumento dos custos de financiamento · Análise de robustez de contratos e exposição regulatória · Capacidade das companhias em lidar com cenários adversos
Em meio a choques no petróleo e disputas geopolíticas, a energia virou uma questão estratégica. E ela está acelerando mais do que nunca a corrida por energia renovada.
Olá, sejam bem-vindos ao MindAsset, o podcast da Itaú Asset. Eu sou a Isa, da equipe de comunicação do Itaú. Se antes a agenda de energia renovável era orientada principalmente pela pauta climática, hoje ela ganha um novo protagonismo, a segurança energética. Em um cenário global mais volátil, investir em energia limpa deixou de ser uma escolha sustentável e passou a ser uma necessidade estratégica.
E é neste contexto que o investimento responsável volta para o debate. Agora impulsionada não só pela agenda climática, mas também por eventos macroeconômicos e por uma nova onda de IA e de demanda por data centers. No episódio de hoje recebemos Alexandre Gazotti, especialista em investimento responsável na Itaú Asset.
e Luana Rezende, Portfólio Manager da Itaú Asset, para entender como esse cenário global está redesenhando o setor de energia e o que apresenta de riscos e oportunidades nos investimentos. Oi, pessoal. Bem-vindos ao Mindasset. Obrigada, Isa. Obrigada, Gazote. É um prazer estar aqui conversando com vocês sobre um tema que eu gosto tanto e eu estou bem animada para o bate-papo. Maravilha. Bem-vindo, Gazote. Obrigado, Isa. Tudo bem, Luana? Um prazer estar aqui com vocês hoje.
Bom, pessoal, para a gente começar esse papo, Gazote, eu queria entender, quando a gente olha historicamente, como é que os choques globais e crises geopolíticas moldam esse mercado de energia e se eles seguem um padrão cíclico.
Sim, ele segue um padrão ciclo, então geralmente toda vez que a gente tem algum tipo de conflito, sanção, ou algum problema em relação ao Oriente Médio ou nos países produtores de petróleo e gás, isso acaba trazendo um choque que impacta preços e a volatilidade das commodities relacionadas a petróleo e gás. Eu acho que esse aqui é um tema super importante, a questão cada vez mais em voga de a gente pensar na energia.
como algo não puramente econômico, mas também como uma questão geopolítica e estratégica para os países. Então sempre que tem esse choque e essas crises, leva a gente pensar na importância da diversificação disso. Então isso volta, como você comentou, a trazer para o jogo a questão da transição energética, que é não só uma questão adequada, mas também necessária nesse momento.
Perfeito. E Luana, do ponto de vista de crédito, como é que esses eventos globais impactam o setor de energia e também na gestão? Como é que esses riscos são incorporados nesse processo? Vamos lá. Os eventos globais, eles realmente trazem instabilidade e volatilidade para um ambiente de crédito.
Então, quando o investidor olha para esse cenário um pouco mais incerto, ele acaba pedindo um pouco mais de retorno para aquele risco identificado. Então, isso acaba aumentando os custos de financiamento para muitas empresas e até inviabilizando outras.
Então, na gestão, a análise vai muito além de analisar indicadores financeiros tradicionais, então a gente sempre está observando ali a robustez dos contratos, a exposição regulatória dos ativos e a capacidade das companhias em passar por cenários adversos. Então, eu costumo dizer que mais importante do que a gente olhar para foto de curto prazo é a gente conseguir avaliar a...
a capacidade daquela empresa em lidar com as adversidades no longo prazo. Perfeito. E pessoal, as pessoas hoje em dia ainda associam muito a energia renovável à agenda climática. Eu queria entender como é que esse tema tem evoluído tanto aqui no Brasil como no mundo, começando pelo Gasol.
Obrigado, Isa. Realmente, a transição energética ainda estava muito relacionada à agenda climática, uma questão de você limitar as emissões de gases de efeito estufa, você fazer a compensação dessas emissões, mas isso tem evoluído. Como a gente consegue ver no cenário atual, em um mundo mais fragmentado, essa questão do mix de energia para os países e para as empresas passa a ser muito mais importante.
Você, com um mix mais adequado e diversificado, você consegue ter mais resiliência, mais estabilidade, o que traz de novo para o jogo essa questão da transição energética e da importância de você investir em fontes renováveis como solar e eólica. Assim você consegue ter uma questão do seu suprimento de energia, muitas vezes sem depender de outros países, trazendo uma contribuição com a segurança energética dos países.
Perfeito. Sim, e é importante também a gente trazer aqui que o Brasil, ele sempre foi muito forte nas questões renováveis. Então, a fonte hídrica sempre foi a fonte mais importante da nossa matriz elétrica, mas se a gente olhar especificamente para eólico e solar, há cinco anos essas fontes representavam cerca de 11%, 12% da nossa matriz. E hoje em dia elas somam mais de 40%. Então, a gente vai ter uma matriz elétrica.
É claro que a condição climática que a gente tem no país faz com que essa realidade se torne uma verdade hoje, mas a gente não pode deixar de mencionar aqui que os avanços da tecnologia, o barateamento das placas solares, principalmente vindas da China, fizeram com que os projetos se tornassem mais viáveis, mais baratos, mais simples, mais escaláveis, o que contribuiu para a gente ver essa rápida aceleração de fontes eólicas e solares nos últimos anos.
Perfeito. Eu queria trazer agora um tema que tem ganhado bastante destaque, o curtailment. Eu queria que vocês explicassem o que é esse fenômeno e também quais os impactos para o setor de energia.
Muito bom. Bom, o corteio é quando você tem geralmente a geração de energia de fontes renováveis, como solar e eólica, limitada ou reduzida por conta de falta de infraestrutura para conseguir escoar essa energia de forma mais adequada ou ligar essa energia no Sistema Interligado Nacional de Energia.
Então, isso acontece uma questão, muitas vezes, não só por questão de capacidade instalada, ou seja, capacidade instalada está lá, as usinas estão gerando, conforme o previsto, conforme os projetos, como a Luana comentou, porém, falta um pouco de, eventualmente, planejamento em relação às linhas de transmissão e como é que isso vai ser conectado com as fontes consumidoras.
Então hoje no Brasil a gente é líder em geração de energia renovável, tem uma matriz solar e uma matriz eólica bastante competitiva por conta das questões que a gente tem aqui de ventos e de radiação solar, o que é extremamente positivo. Então acho que o que falta para o Brasil aqui é conseguir focar um pouco mais em planejamento estratégico e conseguir focar em infraestrutura também, que é o que acabou pegando nesse tema de curtailment.
Perfeito. E Luana, quando a gente fala de crédito, esse fenômeno, ele apresenta um risco ou uma oportunidade na sua visão? O Cartailment é um tema muito discutido hoje no ambiente de crédito. Ele é um risco importante e precisa ser bem dimensionado, porque ele reduz a minha previsibilidade de receita, ele afeta a minha capacidade de caixa, ele pressiona Covenants, o que pode afetar a capacidade de pagamento de muitas companhias.
Então, pensando em oportunidade, o curtailment acaba trazendo uma complexidade adicional para a análise. Então, se faz ainda mais necessário você ter um time robusto, dedicado, que consiga entender e acompanhar essas variáveis do setor que mudam a todo instante.
Muito bom, eu quero aproveitar esse papo para falar um pouco de tecnologia agora. Gazotti, inteligência artificial e data center são temas que estão bombando, a demanda também tem aumentado muito. Eu queria entender como a energia renovável se conecta com esse assunto.
Muito bom. Esse tema de data centers, inteligência artificial é muito interessante. Realmente tem ficado no foco da atenção dos investidores e das empresas no geral. E os data centers consomem muita energia. Então o que eles precisam? Eles precisam de uma fonte bastante estável e confiável de energia. E eles demandam tanta energia que é esperado que em alguns aspectos eles possam inclusive impactar o preço da energia da localidade onde eles estão.
Então, a expectativa aqui é que as empresas que estão gerando esses data centers, construindo esses empreendimentos, elas tenham ali projetos de energia renovável, como, por exemplo, solar e eólica, muito próximo aos data centers, para que eles consigam ter essa previsibilidade, ter essa energia adicional que eles precisam. E eu acho que um ponto importante aqui é o balanceamento também com a matriz energética que vai ser usada para ser uma energia de baixo carbono.
para trazer uma viabilidade da operação do data center, sem impactar custos de energia das regiões, mas tendo também uma operação eficiente do ponto de vista de carbono.
Perfeito. E Luana, aproveitando que a gente está falando de tecnologia, eu queria entender de tendências. O que a gente tem de tendências hoje envolvendo a questão energética? Bom, o setor de energia, como a gente bem sabe, ele é bem complexo, dinâmico e regulado. Então, eu acho que um tema bem interessante para a gente trazer aqui, já falando de novidades e tendências, é o tema das baterias, que se coloca como uma solução para as deficiências de infraestrutura que a gente tem no país.
e também para problemas ali, para atenuar o descasamento entre o momento de geração e o consumo de energia. Então, pensando em tecnologia, a tecnologia de fato melhorou muito e barateou muito essas baterias também. Mas eu vejo que o custo ainda é um entrave para muitos projetos, e eu entendo que ainda tem um caminho a percorrer nesse sentido.
Mas eu acho que é válido a gente lembrar aqui também que esse ano a gente vai ter o primeiro leilão de baterias do país, e eu acho que isso vai incentivar muito esse tema, a gente vai ouvir falar muito sobre ele, e certamente vai trazer muitas novas oportunidades de investimentos num futuro muito breve.
Em relação ao leilão de baterias, eu acho que é legal comentar que é uma nova oportunidade para o setor elétrico, uma nova fonte de atuação para o setor, que tende a trazer novas oportunidades para empresas que estão vindo para o Brasil, especialmente para atuar em relação aos data centers. E essas baterias e esse leilão vão contribuir extremamente de maneira positiva quando a gente pensa nesses picos de energia.
onde a bateria pode auxiliar e muito questões como, por exemplo, do curtailment que a gente viu. Então, a bateria, quando está ocioso ou quando há pouca gente usando a energia, a bateria salva essa carga para que depois, quando tiver um pico de demanda, as pessoas possam usar isso, trazendo uma maior estabilidade para a rede.
Muito bom. Queria falar agora um pouquinho de carteira, de investimento. Quando a gente fala de investimentos ligados à segurança energética, quero entender como é que uma avaliação abrangente de riscos e oportunidades se reflete na construção e também na resiliência de carteiras, começando pelo Gazote.
Obrigado, Isa. Realmente, acho que o importante, quando a gente pensa na construção de portfólios mais exilientes e sustentáveis nesse tema de energia e de centralização, é muita questão de você conseguir olhar de uma maneira diferente para todos os ativos, olhar a questão onde ele está localizado geograficamente, qual é a tecnologia que aquele ativo está usando, qual é a infraestrutura que está em volta daquele ativo, ou seja, aquilo que a gente estava falando do curtailment.
ele está próximo de linhas de transmissão, ele está próximo dos polos consumidores daquela energia. Então, acho que tudo isso, quando você olha de uma maneira agregada, você consegue trazer uma visão de diversificação dentro desse próprio setor energético para aquele portfólio. No geral...
A Luana, que é a nossa especialista em energia, acho que ela consegue dar mais detalhes, mas quando a gente constrói os portfólios de investimento sustentável da Itaú Asset, e todos esses temas já são considerados ali, além da diversificação também entre setores, que também é um tema super importante.
Um dos temas bem importantes para a gente zelar pela qualidade da carteira é, de fato, olhar para a diversificação. Então, essa diversificação pode ser geográfica, em que a gente olha para cada uma das regiões com suas especificidades, com seu clima, com a sua infraestrutura, além de olhar para a diversificação por fontes, então, a gente observa eólica, hídrica, solar, biomassa, e além da diversificação por emissor.
Então, quando a gente consegue incorporar todas essas variáveis, a gente passa a ter um portfólio robusto em que ele não fica única e exclusivamente dependente de um único fator. Então, a ideia aqui é que a nossa carteira ande bem, faça chuva ou faça sol. Perfeito. Gassot, você até pincelou um pouquinho aqui de dentro da Itaú Asset, mas eu queria entender como é que essa temática e todo esse contexto se traduz nas estratégias de investimentos sustentáveis aqui dentro.
Obrigado, Isa. Bom, com certeza. Acho que a gente tem essa visão de diversificação, mas os nossos portfólios de investimento sustentável, hoje, em especial os de crédito, eles têm um foco na geração de externalidades socioambientais positivas para a sociedade e para o meio ambiente.
Então a gente tem portfólios hoje de investimento sustentável que focam exclusivamente no investimento para a geração dessas externalidades, focando nos setores de saneamento, educação, saúde, energia renovável, que é o que a gente está falando aqui.
moradia popular e gestão de resíduos. Então, esses portfólios têm realmente uma diversificação muito grande de empresas dentro desses setores, o que traz aqui uma maior estabilidade de retorno para o cotista, mas, ao mesmo tempo, ele também tem o foco em gerar externalidades socioambientais positivas pelos investimentos que a gente está fazendo. Então, eu acho que aqui a gente acaba gerando um círculo virtuoso.
entre o investimento nas empresas e a atividade que essas empresas estão fazendo, gerando esses pontos positivos para a sociedade e para o meio ambiente. Muito bom. E, Luana, como é que essa abordagem se materializa hoje no dia a dia dos portfólios de crédito? A sustentabilidade é extremamente importante para crédito, e ela vai muito além de olhar demonstrações financeiras, contratos e amarrações. Além da rentabilidade da carteira, a gente usa ela muito por qualidade. Então...
a gente quer ter empresas que consigam passar por eventos adversos. Então, eu costumo dizer que a sustentabilidade e o crédito se encontram justamente nesse ponto, que é encontrar oportunidades de investimento que sejam consistentes no longo prazo. Perfeito. Luana Gazotti, foi um prazer receber vocês aqui. Obrigada pelo papo sobre um tema super esclarecedor também para os nossos investidores. Obrigada, Isa. Obrigada, Gazotti. Foi um prazer participar. Até uma próxima.
Obrigado, pessoal. Eu queria convidar os espectadores a conhecer o site da Itaú Asset Management, onde a gente tem todas as informações sobre os nossos produtos de investimento sustentável, tem os nossos white papers, tem muita informação bacana para vocês conhecerem. Mas obrigado, Isa. Obrigado, Luana. Foi um prazer estar aqui com vocês. Obrigada, pessoal. E os links também vão estar disponíveis aqui na descrição desse vídeo.
E se você gostou desse episódio, compartilhe com quem também se interessa por investimentos. E para você que já nos acompanha, até o próximo episódio.
E aí
Itaú Unibanco
Investimento Responsável