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Programa do Barró - Mayke

03 de maio de 202656min
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O Programa do Barró de hoje recebe o mineiro, Mayke. Nessa falação toda tem polêmica, história, risadas e muitas outras coisas. Então, aperte o Play e compartilha também com alguém.

Assuntos8
  • Sexualidade e CastidadeRevelação para a família · Perseguição e apoio do namorado · Duplo preconceito (racial e homofóbico)
  • Trajetória de MaykeOrigem em Formiga, Minas Gerais · Mudança para São Paulo · Reencontro como homem preto e gay · Superação do conservadorismo familiar e social
  • Relacionamentos Interraciais e AfrocentrismoBusca por um relacionamento afrocentrado · Desafios de relacionamentos interraciais · Importância do antirracismo no parceiro · O privilégio branco e a responsabilidade
  • Carreira ProfissionalPrimeiros trabalhos e vendas · Sucesso na rede de óticas · Discriminação racial no ambiente de trabalho · Decisão de empreender
  • Consciência Racial e IdentidadeInfluência de Brás na construção racial · Desconstrução do racismo internalizado · Empoderamento e autoaceitação
  • Empreendedorismo e TatuagemInspiração na arte e tatuagem · Significado das tatuagens · Projeto Empoderados
  • O Papel da Fé e EspiritualidadeExploração de diversas religiões · Foco na espiritualidade e bem · Física quântica e autoconhecimento · Religiões de matriz africana
  • Esporte e Qualidade de VidaPrática de diversas modalidades esportivas · Musculação como terapia · Patins como sonho de infância realizado
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Começou, gente, mais um Programa do Barron. E nós estamos aqui, como sempre, comemorando os 10 anos do programa. Então vai ser o ano inteiro, essa palhaçada aí de 10 anos, tudo isso que eu invento todo esse tempo. Com tanta gente que já passou aqui, milhares de pessoas. Mas o Mike é a primeira vez, seja muito bem-vindo. Muito obrigado, Barron. Ele é tão forte, quase ele não consegue ver.

vai fazer um abraço e ir para lá. Mark, seja muito bem-vindo. Obrigado que você aceitou esse convite de vir aqui. A gente vai ter um bate-papo muito legal. Deixa eu até abrir aqui a paçoca, já vou comendo e conversando. E eu sei que tem muita coisa para a gente falar. Seja muito bem-vindo. Muito obrigado, Boró. É um privilégio estar aqui hoje, estar no seu podcast, poder contribuir um pouco com a minha história, com a minha trajetória. Inclusive, eu acho que é o melhor momento.

para mim estar aqui. Porque hoje eu consegui, na verdade, me reencontrar como homem, como homem preto, como um homem gay, que saiu do interior de Minas e que veio se aventurar em São Paulo e que deu certo. Tem os perrengues também, mas deu certo. Ih, já sabe como vai ser esse programa de hoje. Cheio de cortes, cheio de histórias. Isso que eu ia falar.

Muita gente sai da própria cidade naquela coisa de, olha, eu preciso me profissionalizar. Como sempre, São Paulo, Rio de Janeiro, é a cidade grande e tal. Você se assustou quando chegou na cidade grande, mas claro, já ouviu falar, já tinha visto na televisão sobre São Paulo, mas não fazia ideia mesmo que era essa loucura. Não, na verdade, São Paulo eu conhecia só por passeio, né? Visita, mas o morar é diferente.

Mas você não tem parente aqui? Tem parente. Ah, tá. Menos mal. Então, eu vinha para São Paulo desde criança. Mas eu passei. Agora, morar em São Paulo é diferente. Diferente. Na verdade, Minas... Minas... Eu sou de Formiga, uma cidade no interior. Formiga. Formiga. É uma cidade... Ela é bem conservadora.

então o conservadorismo da cidade atrapalha um pouco o desenvolvimento. Ou seja, ou você se compactua com aquela cultura, ou você acha outro lugar para você. Isso me incomodava muito. Eu imagino, desculpe, deixa eu contar, quantos anos você tem? Trinta e sete.

Então foram quase 37 anos com esse silêncio. Com esse silêncio. Na verdade, eu saí da minha cidade de Natal com 30 anos. Porque então desde cedo você já sabia quem você era. Que algo não estava certo, que eu não me pertencia. Você já sabia disso. Já sabia. Entendi. Você já tinha essa convenção. Mas também tem aquela coisa. Olha, eu não contava para alguém.

Era tudo muito camuflado, ninguém podia saber e tal. Família, né? E sofrendo, se eu contar a minha família isso, como todo mundo tem essa história. Realmente, é isso. Porque é cultural você viver mais para agradar as outras pessoas do que para você mesmo.

as pessoas julgam muito te observam muito e isso de certa forma me incomodava eu sempre quis ser o que eu quiser ser, eu vou ser porque a trajetória de cada um é uma passagem que nós estamos aqui por outro fato que a vida é tua você faz o que você quiser já começa por aí também que não é uma cidade que vai determinar o que você vai fazer mas então essa questão que você falou muito conservadora muito quadrada vamos dizer sim mas não está certo mas não está certo

Então você ficou muito tempo fechado e calado. Mas aí a hora que você despertou disso, foi quando você já veio para cá? Na verdade foi antes. Desde o início, eu sempre vivi, meu cotidiano foi no meio de pessoas brancas, onde eu estava inserido, no qual eu era um dos únicos negros que tinha. Isso para mim era normal.

Até então era normal, rolê, amizade, tudo. Até que um dia eu comecei a trabalhar em um resort lá e tinha outro cara preto. Esse outro cara preto era amigo, assim, conhecido, né, de colégio, no qual a gente pegou uma amizade. Inclusive o nome dele é até Brás. Agradecer muito o Brás, que me fez ter essa consciência, né, essa construção hoje racial que eu tenho.

A nossa produção trouxe ele aqui hoje para fazer a surpresa, pode? Lembra isso. Eu não espero nesse momento, quando eu falo isso. Olha, a nossa produção trouxe aqui, vai fazer essa surpresa, pode? Não, você aí ia ficar feliz, vai. Ia muito, com certeza, com certeza. Então ele foi uma pessoa que te incentivou e mostrou um lado de que, olha, peraí, negão, como eu, vamos ver que tem alguma coisa diferente aí que você precisa melhorar.

Tem alguma coisa errada aí. Ele com um black enorme, gigante, lindo, jogador de basquete.

E até então eu vinha alisando o cabelo, tinha todo esse cultural, poder se encaixar, talvez no meio que não é seu, mas ninguém tinha aberto os meus olhos, não tinha esse papo hoje de empoderamento lá, você não tinha acesso. E daí ele falou, cara, você é preto.

Você fica fazendo um monte de rolê que não é seu, eu coloco isso aí para fora. Aí mudou meu mindset. Aí eu comecei a perceber a realidade. E é um caminho sem volta. Quando você começa a perceber quem você é, que você é preto, que realmente o racismo está aí, escancarado. Assim...

Algumas coisas que você achava que era bom, já aquilo já não passa mais a fazer parte de você, você vai se desconstruindo. A morte, praticamente, que você era para se tornar uma outra pessoa na qual quem realmente você nasceu para ser.

Mas e a sua família, quando você chegou e falou assim, olha mãe, eu sou assim mesmo, eu quero tomar um rumo na minha vida? Ou você não falou nada? Como que foi isso? Então, aconteceu uma situação, uma determinada situação, na qual eu tive que falar, né? Na época, eu tinha telefone fixo, né? Eu tinha identificador de chamada. Eu ficava muito no telefone fixo. Minha mãe começou a desconfiar, né? Olhando o número ali e tudo.

Daí um dia ela ligou para esse número. Eu só sei que ela ligou porque eu cheguei, conferi a última ligação e era o número... A ligação que foi feita. A ligação que foi feita e era o número da casa do meu primeiro namorado. Do carinha que eu estava namorando. Eu falei, vixe, minha mãe ligou para lá. Por quê? Passou. No outro dia, fui treinar, fui para a escola. Quando eu voltei, cumprimentei minha mãe e tal. Abri a porta do meu quarto. Tinha uma foto.

Do meu namorado com a dedicatória que eu guardava dentro do caderno, em cima do som. Mano. Sua mãe ia sair. E minha mãe lavando o louço, normalmente. Falei, putz, cara, como que pode? Agora a hora é essa. E eu nunca... Você não tinha o que fazer mesmo. Não tinha o que fazer. E eu falei, a oportunidade é essa. Se não for agora, o quê? Eu vou assumir minha mãe com 40 anos, não sei o quê. Não, é agora. E eu tinha o quê? 17.

Fui pra cozinha, né? Falei, mãe... Ok, fala. Então, eu quero te falar que eu sou gay e aquele lá é meu namorado, que tá na foto. Ela pegou a panela e já... Nossa, entrou em insultos, chorando e tal. Isso é uma fase da adolescência. Ah, então será que se você tem... Essa também é mentira.

Aí foi todo aquele reboliço. Ligou pra mãe do cara. E eles foram lá na porta. E parou a rua toda. E eles pedindo falando que era... Nem a Globo escreveu uma novela dessa, gente. Nem a Globo escreveu isso. Fala que é mentira, gente. Não, a gente se ama mesmo.

Aí que vocês começaram a confessar mais? Tipo, já jogou a bosta no ventilador mesmo, né? Agora vamos logo falar logo de uma vez. Imagina acontecendo isso, tipo, uma terça-feira, 8 horas da noite, numa cidade, tipo, não, foi o acontecimento. E os vizinhos conviteiros, tudo olhando, né? Tudo, só todo mundo. Os vizinhos sempre estão nessa hora pra ficar vendo tudo, né? Sempre. As tias drones lá sempre tinham. As tias drones.

Que sensacional, a Tia Drone. Isso, e depois ocorreu a perseguição do nosso namoro. Confiscou o celular. A gente conversava através de carta que uma amiga mandava para outra. O pai dele levava e buscava. O padrasto me levava e buscava. Porque os pais dele, então, sabia. Ficou sabendo nessa noite. Tudo bem, mas até aí não brigou com ele. Não, eles não queriam a gente junto de forma alguma. Mas e como que ele levava a carta?

A gente tinha amigas em comum. Eles estavam em uma escola e outra. Ah, entendi, entendi. Eles pediam a minha vizinha para me entregar. Cara, eu sei que isso pode ser loucura, mas foi até bonito ao mesmo tempo. Foi bonito. Foi interessante. Cara, eu estou aqui paralisado, gente. Que história maluca. Eu acho que as coisas acontecem como tem que acontecer. E aí o seu pai?

Na verdade, é padrasto, né? Ah, entendi. O meu padrasto, ele entrou na minha vida, eu tinha cinco anos, né? Mas ele não se entrometeu, não disse nada. Nossa, todo rústico, mecânico, na minha vida foi fácil, não. Ixi, imagina. Então ele também entrou nesse comboio aí. Eu não queria, por isso eu me levava na escola e buscava.

Ficou em cima. Que isso, cara? Polícia? Gente, doideira. Porque acho que entra naquela parte também, assim, né? Não que isso seja algo bom, mas eu nunca tive estereótipo. Né? Então... Verdade, que tem muito dessa coisa, né? Isso. Isso. Só vira um pouco pra cá. E aí, do jeito que você tava assim. Ah, cadê? Isso. Pra que eu ficar melhor. Mas a questão do estereótipo conta muito, né? Conta, porque eu não tive...

isso é pessoal meu, foi da minha formação, não foi porque eu escolhi. Sim. Eu sou natural. É, porque tem gente que fala assim, mas você não tem voz. É, eu preciso ter. Você não tem jeito, né? Você não faz isso, você não tem um jeito e tal. Mas é isso, por ninguém perceber a questão do seriótipo, pra você era mais fácil de mascarar isso?

Era. Por mais que você não queria fazer isso, mas... Até hoje, assim, eu chego num trabalho, alguma coisa, eu não venho expondo a minha sexualidade como cartão postal. As pessoas que elas vão saber a partir do contato comigo e minha intimidade. Eu imagino quando chega uma mulher perto, quando alguém olha, cara...

Eu imagino. Você deve rir, mas você também deve ficar com uma cara de dó. Eu fico constrangido, na verdade. É mesmo? É, porque, tipo, eu sempre tive um respeito muito grande pelas mulheres, né? Sim. Então, a mulher, ela se arruma, ela se dedica pra ir pra um evento, né? E hoje a pista, como elas mesmas dizem, tá salgada. A mulher sair do ponto dela pra ela poder chegar em você em uma balada.

E você falar, eu estou com o meu namorado aqui, elas vão no chão, entendeu? E isso para mim não é médio. Eu fico constrangido, eu não gosto. Às vezes eu vejo que vai acontecer determinada situação, eu mudo o ambiente e tal. Mas acontece muito. Sim, mas você falou uma coisa aqui agora.

Eu vi que é muito mais difícil porque você tem um duplo preconceito. Então, no caso, você tinha um duplo preconceito. Olha, já tem alguém que já vai olhar por a questão de ser preto e também gay. Sim. É uma coisa ao mesmo tempo, porque isso é muito louco. Porque é um duplo preconceito. Ou vai ser por um, ou vai ser por outro, ou os dois ao mesmo tempo.

Então você foi pensando de que, olha, peraí, ou eu saio daqui e vou viver minha vida, ou eu fico aqui nesse silêncio para sempre, fico dessa forma para sempre. Mas agora, pegando aqui uma coisa de botando fogo, e até mesmo, você também passou o rodo num monte de gente na cidade, assim, quietinho, aqueles que ficavam julgando, assim, eu não sei não, mas você é, ele está falando isso, mas também já passei o rodo aqui todo mundo. Claro, claro. Não teve muito disso, não foi queimado.

Tá todo mundo agora da cidade mesmo? O que que tem? Já passou, né? Tem isso, tem isso sim. Querendo ou não, eu sempre tive muitos amigos, sempre fui frequentar muitas festas e automaticamente acontece, né? Uma conexão com uma pessoa e outra. Aquele que você não conta pra ninguém. Não conta pra ninguém. Tem policial, teve essas coisas também.

Sempre tem, né? Primeiro que já começa lá a nossa hipersexualização, né? A gente já chama atenção sem querer. Verdade, já faz sentido. Aí você tem que tomar cuidado com o que você vai transformar isso. Então, sim, sempre acontece.

Agora você viu porque não vivo, né? Agora você viu. Ô, Mike, e aí, beleza, você veio pra São Paulo. Mas, quando você chegou aqui, você já sentiu que, olha, aqui é diferente, a cidade é grande, é uma loucura. Mas eu percebi que tem pessoas como eu, eu percebi que aqui a pessoa anda de mão dada na rua. Olha, esse casal tá junto, assim, claro, não deixa de ter preconceito também. Mas você já viu que já era um mundo completamente diferente. Sim.

Olha, saí da minha cidade... Senão se chocou. Não me choquei. Porque eu já, psicologicamente, já estava preparado para isso e queria isso. Sim. Saí da minha cidade com 30 anos. Até então, eu não vim para São Paulo direto. Eu morei mais em duas cidades no interior de Minas. Até logo após a pandemia, eu falei, cara, eu estou trocando seis, meia dúzia.

Eu não pertenço, eu quero mais. E foi daí que eu recebi uma oportunidade, um convite pra vir pra São Paulo. E eu vim, cara. E foi loucura. Com a cara e a coragem. Porque eu acredito, eu vou atrás. Vem com uma mala e um som. Nossa, eu vim com meu celular, duas mochilas e quatro parcelas de seguro. Que isso, cara. Sério. Para, para. Sério. Quando é pra ser, cara, você sente... Eu falei, eu me viro, eu me conheço.

Porque eu vim preparado, trabalhei em uma empresa de câmera de lojistas, então tinha muito treinamento com lojistas, como vender aquela parte teórica toda do corporativo. Então eu já vim com uma bagagem enorme. Cara, desempregado, eu não vou ficar.

E também nem deveria, né? Nem deveria. Eu me viro de um jeito ou de outro, eu sempre me virei. E lá vai dar certo. Daí, vim até então, né? Desempregado e tal. Consegui uma hospedagem. Consegui o primeiro trabalho na mesma semana no Facebook. Caraca! Consegui, fui trabalhar lá no Brooklyn. Venda de imóveis planejados. Fiquei 15 dias, recebi um convite para começar a trabalhar numa rede de ótica.

Até então, eu sabia vender, mas na teoria, não na prática. Mas eu tinha muita teoria. Falei, cara, agora é hora de aplicar. Entrei na rede, numa rede grande, uma loja... Como vendedor? Como vendedor, eu e mais 14 vendedores. Terceiro mês eu era o ponto da loja. Que isso, cara? Que velocidade é essa? O ponto da loja. Entregando aí por mês uns 250 mil, 300 mil.

Isso. Essa é a São Paulo que eu queria. Aqui tem a oportunidade. Mas aí, então, foi a hora que você também até se encontrou profissionalmente? Encontrei profissionalmente. Mas você não era tanto de fazer isso, mas você pegou a manhã, criou a sua técnica, a sua teoria. Isso. E deu certo. Justamente porque eu tenho facilidade de me conectar com as pessoas. E vendo a conexão. Você tem que entender a dor do cliente. Você entendendo, você dá a solução. Mas até eu chegar para falar, tipo, cara, eu quero vender.

Cara, eu fui pré-exata, isso tem nada a ver comigo, contábil, passei um tempo, depois fiz pedagogia, fiz marketing. O que é isso? E tudo que você fazia, que eu fazia, eu falo, cara, não é isso ainda, não é isso. Você estava fazendo um teste vocacional com você mesmo. Comigo mesmo. Daí em São Paulo, eu falei, cara, gostei muito de vender, é isso. Aí eu comecei a me manter aqui, melhorar também minha qualidade de vida, tudo, e até então eu estava nessa ótica, recebia convite para ir para outra.

Só que o que acontece? Eu sempre tive os meus objetivos, os meus sonhos. Primeiro, de não me limitar, de não me forçar, caber em um lugar no qual não é meu, um lugar que me diminui, seja roda de amigos, de conversa, de ambiente, de balada, seja o que for. Eu caminhei muito para chegar aqui. Eu sofri muito, então não é qualquer coisa que vai me balançar ou me derrubar. Eu sei quem eu sou. E eu falo, cara, o meu sonho...

é ter meu próprio negócio. Eu não quero mais ser CLT. Por quê? Até então eu não tinha o poder de escolha. Eu sempre vim para me virar, para me sustentar. Mas só que aqui com esse emprego, querendo ou não, já tinha minha reserva e tudo. E aconteceu duas coisas que foram a gota d'água para mim. Foi a discriminação racial que eu sofri nessa última rede de óticas.

Final de expediente, tudo. Era o ponto da loja também, vendia pra caralho. O gerente colou do lado. Falou, olha, eu não gosto de preto. Eu gosto de você só porque você vende.

Não fala assim mesmo, como se nada de vez em quando... Natória. Natória. Que isso, cara? Entende? Assim, quando eu falo esse lance, ah, quero deixar de ser CLT, não quero que soe, como soberba. Mas é porque hoje na área tem muitos profissionais despreparados e desumanizados que ocupam cargos no qual há pessoas abaixo deles que mereciam mais.

Então isso dificulta a vida do trabalhador De repente uma pessoa que pega Três ônibus, sai quatro horas da manhã Comer de marmita Deixa a família em casa pra chegar lá e ser humilhado Falei, cara Eu não preciso mais passar por isso, eu não quero Agora eu vou abrir a minha ótica Agora eu vou abrir a minha ótica Vender um triplo E ele vai lá me pedir de volta Agora eu sei vender e eu vendo o que eu quiser

Que interessante. Essa foi a primeira. Aí, daí, notifiquei o RH, né? Transferiu ele de loja, nada aconteceu. Por quê? Querendo ou não, o dono da empresa, né? Ele... Então, não foi você que foi embora. Quem foi embora foi ele. Não, ele só transferiu ele de loja. Ele chegou e te falou isso. Aí, daí, notifiquei o RH. Isso. Não fiz nada. Por quê? O que espera de um homem preto é que ele seja bruto. Que eu descesse, empurrasse o cara lá, espancasse ele. Ah, então, pronto. Não, essa pergunta não é minha.

É, notifiquei. Ah, por favor, gostei. Gostei de boa. Agora também não vou te dar esse gostinho, já que é isso que você quer. Claro, por mais que dê uma raiva. Vai ter a hora, vai ter a hora. Inclusive, a hora está sendo agora. Entendi. Expor, entendeu? Expor tantas pessoas que passam por isso e não têm essa oportunidade, né? Eu quero fazer uma gracinha aqui. Essa ótica tem nome de mulher.

Ou... Não, não fala não, não é zoeira. Atrapalhei nessa também, mas não foi nessa ou não? Não foi essa que tem o nome de mulher, né? Foi essa ou não?

trabalhei nessa também, complicado foi essa que tem o nome de mulher, mas essa que tem o nome de mulher não fizeram isso, não, essa não, essa foi bem de boa eu passei o seu amortismo praticamente todo o seu papo doideira, eu tô até brincando pra gente descontrair, mas é lógico o assunto é muito sério, então você notificou o RH o RH pelo menos fez alguma coisa transferiu ele pra outra unidade

Tinha que transferir ele para uma unidade da delegacia. Isso sim. Era gente que tinha feito. O que importa, como eu falei, a empresa é a imagem do dono. Sim. Se o dono é um cara racista, egocente, querendo ou não, vai ser a política da empresa. E isso vai ser normal lá. Cabe você saber se você quer participar, sentar naquela mesa ou não. Lógico que a gente precisa de trabalho, mas a gente não precisa ser humilhado, a gente sabe o nosso potencial. Isso é verdade.

Então, você tem que se preparar para dar o próximo passo. E hoje você deixa de ser CLT, é uma liberdade que seja diarista, que é um trampolindo, ela trabalha no horário dela, ela escolhe a casa que ela trabalha, ela tem a liberdade e ela tira o sustento dela disso.

Não é você estar ali robotizado, oito horas em pé, de social, com a mão para trás, esperando o primeiro cliente, no qual você não pode nem demonstrar um pouco da sua personalidade. A última deixa que fez eu sair foi... No início de ano, eu platinei meu cabelo. Platinei meu cabelo. Eu estava em uma loja de classe média alta.

A localização. Tinha outros também vendedores de cabelo platinado. Só que o recado chegou em mim. Que era pra você pintar? Chegou em mim que eu estava fora do dress code. E em mim, uma outra menina preta que estava usando lence. Falei, não. Eu não posso estar ganhando dinheiro pra um cara desse. Simplesmente eu não posso.

respirei, já tinha feito minha reserva, falei, a hora é agora. Isso aí. Até então, eu sempre gostei de desenhar e tudo que me chamou a atenção. Tatuagem. Sempre gostei de fazer tatuagem. Sim, até com um monte. Eu cheguei, eu vintei na cabeça, tem umas ali. E a gente vai falando aí sobre a tatuagem.

Cara, que legal. Então você mostrou que, olha, primeiro você mostrou pra você mesmo, já começa por aí. Não foi pra ninguém. Você mostrou pra você mesmo que, olha, não vai ser mais assim. Você foi determinado e conseguiu. E consegui. Isso que é o mais interessante. Você conseguiu provar pra você mesmo que você podia. Olha, não depende mais desse emprego. Porque sabe o que acontece? Muitas vezes, né, tem aquela coisa de se você for embora daqui, como você vai fazer pra você pagar seu aluguel? Sempre. Você não pode ir embora daqui.

Você não pode sair daqui. Você não pode fazer isso. E aí a pessoa fica, como que eu vou pagar? Até a hora que alguém fala assim, não, não, eu vou sim, eu vou sair sim. Eu posso até ficar na rua, mas que eu vou sair, eu vou, e que eu vou dar a volta por cima, eu vou. Não vou ficar aqui também, como você falou, não vou ficar aqui ganhando dinheiro pra...

Pra você, porque era praticamente o que você fazia. Você tinha o seu salário, lógico, tinha comissão e tal, mas praticamente quem ganhava a maior parte, é lógico que é o dono. Pro dono não fazer nada e ainda compactuar, você tá mais do que certo o que você fez e ir embora. Comigo eu vim embora no mesmo dia. Comigo aconteceu uma coisa assim, semelhante. Eu fui fazer um teste pra apresentador e tal. Vem que eu já olhei que a fila já tava estranha. Eu falei assim, tinha filhos até de famosos e tal.

E a mulher falou, eu fiz o teste e eu ouvi, só que a porta estava meio entreaberta, assim, eu ouvi. Ela falou assim, eu gostei muito desse cara, esse cara mandou muito bem. Mas não tem um outro mais clarinho, não? Não tem um outro mais claro que dá pra... Assim. Aí eu fiquei meio assim, né? Aí eu peguei minhas coisas e fui embora, porque ainda tinha uma segunda fase.

Aí diz, você já vai embora? Eu falei, vou. Peguei e fui embora, assim, não falei nada. Eu não fiquei chateado, triste, porque eu também não sou muito assim. Cada um reage de uma forma. Mas eu só fiquei pensando, eu falei, mas por que o mais clarinho? Até onde eu também caí com essa... Caiu na e-á de que, olha, agora eu entendi o que ela estava querendo dizer. Na hora eu só fiquei... Sabe quando você fica chocado?

Eu fiquei assim pensando. É na sutileza que acontece o raciocínio. Aí depois que eu percebi, eu falei assim, isso não foi legal não. Depois você para pra pensar. Aí eu fui pensando bem e tal. E aí depois eu vi quem tinha passado no teste. Falei, nossa, que bosta, era melhor eu ter ficado mesmo. Mas assim, como a gente que decide, né? Cada pessoa que faz e tal. Então, é muito louco isso. Quando você percebe de que, olha, alguém fez algo comigo que eu não tinha percebido.

com você foi isso claro, muito antes da loja você já tinha caído na real, porque se não fosse isso você tinha deixado passar batido você se acostuma com essa situação no qual não é legal não é legal, peraí que eu tô só falando com a Biri Maquina por aqui a gente não corta, tá? a gente fala nada ela tá me ligando, eu vou falar pra senhora eu estou no estúdio gravando para de ligar pronto faço isso

É assim que a gente faz. E não vai ficar cortado isso aqui não, tá? Porque aqui a gente não tem padrão, não tem frescura. Olha, muito interessante tudo o que você está dizendo e eu acho que não tem nada mais legal do que quando a gente dá a volta por cima. Calma aí, agora a gente chegou também na parte da tatuagem.

Depois de tudo isso, então, você falou... No meio aqui, você falou, ó, vou deixar de ser CLT. Então, essa foi a hora da tatuagem, daí em diante, que você deixou de ser CLT. Isso. Que você se encontrou com desenho e tal, como você falou. Sempre identifiquei muito com arte, sempre desenhei desde criança. E daí, algo que me inspirou, eu falei, não, quero ter meu negócio, quero marcar as pessoas, quero contar a história através da arte, porque tatuagem, para mim, tem muito significado. No meu corpo, todos não tem nenhuma que é de modinha, todos têm...

significado. Sim, você estava falando aqui antes de começar sobre essa aqui. Explica pra gente, vai mostrando e vai falando. Estou achando legal. Essa foi uma alta tatuagem, eu mesmo me tatuei. É uma aia, ela é o símbolo de uma samambaia, que significa resiliência. Essas aqui também são plantas africanas, que formam uma armadura.

E aqui também eu tenho o Anups, que é um deus egípcio. Eu não vou fazer ele tirar a camiseta não, viu? Vocês estão aí olhando e ele não vai tirar a camiseta. Eu fiz isso com o Eric. Com você eu não faço não, com o Eric eu fiz isso. Então eu acho que é um set, que é um set de proteção. Uma das religiões que eu passei também é coroa. Não é uma agonia de ver isso. Que significa ancestralidade, né? Somos descendentes de reis e rainhos e a gente tem que ter.

sempre isso em mente. Mas você já tinha conhecimento sobre o que você está falando agora ou foi depois com o tempo que você foi pegando isso? Desde sempre você gostou de estudar? Sempre foi de religião, de matriz africana? Sempre. Então, na verdade, essa parte de religião, não. Religião, como eu disse, por ser conservador, vai te direcionar jamais para um terreno.

vai ser coroinha entendi então eu passei por tudo isso fiz catequese, crismo, comia mantis, depois passei por igreja evangélica, três igrejas evangélicas depois passei por centro espírita Allan Kardec, candomblé gente, mas que ecumenismo é isso que ecumenismo é isso começou um culto ecumênico como eu te disse, eu sempre fui muito curioso pra me encaixar mas que não está

Ah, tá, entendi, você gostava de estudar. Até então eu percebi que a religião é um passo para você chegar na espiritualidade. Sim. A religião é para todos. A espiritualidade, você tem que querer mesmo estar um grau a mais, uma evolução a mais, porque exige mais uma expansão de mente. E hoje eu pratico, eu digo que eu pratico a espiritualidade, a partir do bem.

não tenho um Deus próprio, não tenho credito no universo, estudo muito também física quântica. Física quântica. Gosto, sabe? Me chama muita atenção. Na qual eu encontrei muitas respostas hoje para me fortalecer, para me entender como um homem. Começa do pressuposto que...

Todo mundo tem um anjo demônio, você tem que saber conviver com seus demônios também, que só existe a luz através da escuridão. Às vezes você se mutila, se maltrata por algo que você tem que aprender a conviver com isso. Quando você começa, você aprende a conviver com isso, é um passo a mais para a sua luz se expandir ainda mais.

Ficar mais reluzente, você se aceitar quem você é. Não a partir da opinião dos outros, ou ficar se esforçando, diminuindo para caber em lugares que não são seus. Desconstruir é legal? É legal. Mas é bem perigoso. O meu conceito é que a desconstrução ocorra até a parte que não interfira na sua essência.

porque a essência é o que você traz de berço, quem você realmente é. Quando você vê que está perdendo essa essência, o seu brilho vai junto. E sabe quando você vai se encontrar de novo. E às vezes a gente vende isso por bobeira, por bobagem.

É interessante isso. Eu te falei, Guilherme, que isso aqui ia ficar sério, muito sério. E você sente que a religião te deixou mais livre com toda a sua vida, até mesmo em questão da sexualidade? Sim, sim. Na qual eu me firmei, que eu mais me encontrei, foi as religiões de matriz africana.

A partir disso, o que me libertou muito foi estudar mais espiritualidade no todo. Não só um pedaço, mas a visão geral de tudo. O porquê disso e tal. E eu fui montando a minha bagagem. Um pouquinho disso, um pouquinho daquilo. Porque quando você fica muito na crença, na religião, ela te limita.

te limita. E você pode estar perdendo experiências de evolução, de tudo, na qual você poderia estar bem melhor simplesmente para ficar ali limitando. Algumas são consideradas como seitas. Hoje eu não frequento nenhum lugar, não vou no terreiro. A espiritualidade existe em mim. Medito em casa. Você não frequenta. Tem a guia de proteção e tudo mais.

É a primeira vez que eu sou alguém falar isso. Está interessante. É em casa. É em casa. O universo, o seu Deus, existe dentro de você. Então, para você conectar, você pode conectar em qualquer lugar.

Eu penso assim. Entendi, mas em questão de orixás e tal. Sim, já cultuei, né? Tenho os meus, inclusive, né? Sim, sim. Meu protetor é Xuxo, gosto muito. Entendi. Né, tenho. E eu sei que existe em mim, mas eu não me vejo, tipo, toda sexta-feira ter que ir no terreiro, sei lá. Entendi, entendi. Essa forma de... Essa conduta de... De regra, de... Entendi. Não me faz bem.

Claro, você respeita. Eu respeito. Mas, olha, comigo eu prefiro fazer da minha maneira, da forma qual eu estudo, acredito e tal. É isso mesmo. Cara, que interessante. É a primeira vez. Vocês já falaram aqui, Guilherme, naquele outro podcast? Como que chama o podcast? Você falou que tem aqui?

Estrela de Zamba e Saravá Podcast. Eles gravam aqui e falam bastante também sobre tudo isso. Muito interessante. Agora a gente vai fazer uma troca. Eles vêm aqui e aí a gente conversa também mais sobre isso que eu achei interessantíssimo. E com tudo isso, você chegou aqui em São Paulo, fez tudo isso que você está falando agora, mas é onde entra a libertação total sua em questão de, olha, hoje eu posso dividir minha vida com alguém.

Não sei se eu estou sendo inconveniente, se é isso que eu estou pensando, mas ele é seu namorado, marido, alguma coisa. Marido, somos casados. Legal, legal. Eu imaginei que fosse isso. Então, por isso que eu estou entrando nesse assunto. Mas e a hora que você entendeu de que, olha, eu era aquele menino que estava lá, estava escondido, todo mundo falou um monte de coisa. Mas aqui eu entendi que a vida mudou. E agora eu posso ter alguém para estar comigo, para caminhar, para fazer foto aqui também, fazer vídeo. É isso, hein?

Quando você entendeu isso também? De que, olha, além de tudo, eu me encontrei até mesmo em questão de se abrir para um amor, de se abrir para estar dividindo a vida com alguém. Sim, sempre gostei de me relacionar. Sempre gostei de caminhar a dois. Inclusive, eu sou grato por todas as pessoas na qual caminhou comigo, que me fez me reconhecer, fazer eu chegar até aqui. Sou grato, aprendi muito, ensinei muito.

Não guardo mágoa nem nada, mas esse momento, quando você começa a se encontrar, eu não estava procurando mais um parceiro, um amor. Até então, que essa construção... Você nem tinha cabeça para isso na hora, né? Eu estava muito fundamentado a ter um relacionamento afrocentrado. E estava me limitando.

Por que me limitando? Eu acredito assim... Eu tenho uma página também de empoderamento preto, né? Lógico que você posta foto com seu parceiro branco, ela tá palmitando. Ah, sim. Mas o que ocorre? Atrás do palmitar existe uma história. Primeiro que eu sou um cara gay. Eu não vou gerar filhos. Então não vai ter o clareamento da minha raça. Começa aí.

É, faz sentido, é verdade, é verdade, é verdade, faz sentido isso. Segundo, eu chamo... Ah, não sei se você fosse ter um filho e a mãe fosse... É, é. Branca, aí sim, mas eu entendi o que você está falando. Nesse sentido, eu entendi. Segundo o quê? Eu amo a nossa cor.

Eu amo a nossa etnia. Então, hoje eu me relacionei com outros caras pretos. Sim. É diferente de uma pessoa que nunca se relacionou com outra pessoa. Sim. Ou aquele que fala assim, para, de preto já basta eu, né? É isso. Eu não vou querer falar com outro preto pra quê? Se eu já sou preto. Tem gente que fala muito isso, viu? É isso. Então, eu rompi essa barreira e procurei conteúdo, cara. Eu quero ter uma pessoa do meu lado. Sim.

Que a gente compartilhe todas as mesmas ideias, que a gente tenha o nosso mundinho e que me faça crescer.

E eu também faço ela crescer. E nessas idas e vidas, eu tropecei muito. Quando eu falei, não quero mais, não estou procurando mais. Apareceu. Mas isso, claro, como você falou, não quer dizer que se fosse, também vamos supor que fosse uma pessoa preta, você ia se relacionar de qualquer forma? Ia me relacionar. Mas só que o encontro foi com ele. É. E aí... Foi com ele no momento. Tinha que ser ele. Ele estava... Não, não fiz isso.

Olha, é a primeira vez que eu derrubei aqui. Acontece, vai. É, durante todo esse programa, eu não fiz isso nenhuma vez. Alguém tinha que ser o primeiro, e foi você o escolhido. Não fica nervoso. Não, tem problema não, pode deixar. Não, porque eu achei isso muito interessante. E não molhou não, né? Não molhou não. Vou ter que dar o iPhone 17 para ele agora. Agora pronto, acabou. Vou ter que dar o 17. Então, porque tinha que ser ele mesmo, né, no caso.

Tinha que ser, assim... Eu parei de procurar por estereótipos, por tudo, mas por conteúdo, por essência... E a gente não se importar com o que os outros vão falar, né? Importar. Eu tenho que me conectar com a pessoa. Eu nunca fui de colocar um estereotipo. Ah, gordo, magro, perfil fitness. Não. Eu tenho que me conectar. Porque a beleza abre caminhos. Mas depois, para sustentar, você tem que ter conteúdo.

Sim. Então eu não quero um cara padrão, estretipado do meu lado, mas não tem conteúdo nenhum. Não consigo conversar, falar de vários assuntos que eu quero com a pessoa. Entendeu? Então o QI também conta. Sim, sim, conta muito. É que, como você falou, olha, eu vou dividir, eu vou me abrir para ter uma vida com alguém, mas alguém que some, não alguém que soma. Não alguém para fazer nada.

Então, pra pegar na minha mão e falar, putz, aqui não deu certo. Beleza, vai lá, tenta de novo. Se começa assim, gente, agora assim, não deu certo. Eu acho que é melhor você fazer uma outra coisa. Não, olha, não deu certo, tudo bem, vai lá, tenta de novo. Vai atrás. Isso que é o importante, independente, como você falou, de ser uma pessoa branca ou uma pessoa preta. E você falou algo muito interessante, que é a primeira vez que eu acho que eu falo isso.

O meu pai era branco. Meu pai já faleceu, infelizmente. Meu pai branco, toda a família do meu pai branca e toda a família da minha mãe negra.

E a minha mãe, claro, muitíssima apaixonada, nordestina. Meu pai também é nordestino. A gente nasceu aqui em São Paulo, mas meus pais são nordestinos. E aí ela casou com ele, viveu o maior amor da vida dela com ele e tal.

Mas a minha mãe não pensou por esse lado de que, olha, eu tô com um homem branco, eu posso ter uma filha branca e... Que a minha irmã, a Ângela, a gente até brinca assim, que ela é praticamente branca mesmo. Sim. Mas ela não se importou com isso, de que, olha, eu tenho que necessariamente, por ser preta, ficar com alguém preto. Eu tenho que ficar com alguém que, primeiro, me respeite e que vá crescer junto comigo.

Mas hoje é difícil de ter pessoas quebrarem essa barreira. Porque muitas vezes a gente... A pessoa até quer alguém. Puxa, aquele cara ali é branco, ele me interessou. Mas aí se eu ficar, o que todo mundo vai dizer? É isso. Aí sim, eu tô falando de pauta, de empoderamento preto. Todo mundo vai me julgar porque eu tô com um cara que é branco?

É isso. Então tem muito disso, né? E até você entender de que, mano... E saber lidar com isso. É, né? É, limita, assim, total. Muito mesmo. E o interessante também, se você for relacionado com uma pessoa branca do seu lado, que ela seja, no mínimo, antirracista.

E a obrigação dela. Claro. A obrigação dela. É, mas também se não fosse, nem teria nada certo, né? É, porque tem muitos que vão pela imagem do branco salvador. Sim, sim. Ai, vai me salvar daqui. Não, falando bem rasgado. Puta, olha que corpo, olha que gostoso, não sei o quê, né? É isso. Então, no mínimo, e a obrigação dela. Vai pelo nudes, né? Tem gente que vai pelo nudes. Tem gente que vai pelo nudes, né? No meio dele é terrível. Pessoalização é terrível.

E daí... Eu estou te falando porque não é ao vivo, olha aí. Essa pessoa, a obrigação não é sua de letrar ela racialmente. Ela que tem que procurar os meselas. Sim. Sim. Então, qualquer imprevisto, qualquer situação que acontecer ali no cotidiano, se ela tem o privilégio hoje na sociedade de ser uma pessoa branca, entrar e sair de qualquer lugar, ela deve usar esse privilégio a seu favor também.

Sim. É uma troca. Sim. Você tem que ter essa consciência. Cara, e você não quis sentar aqui mesmo. Ia ser legal agora, né, Guilherme? Você quis ser assunto, ia ser legal. Não, agora o primeiro só diz sim ou não. Já teve olhares, coisas que você percebeu isso? Já que vocês estarem andando junto? Inúmeras vezes, principalmente os ambientes, os lugares que nós perguntamos. Você percebeu que já estava com o olhar racista para eles? Já percebeu isso?

Vem cá, senta aqui pra gente falar. A gente vai no comercial e volta. Vou contar uma situação. E vai com outro microfone. Pode, fica à vontade. Uma das primeiras foi... Nós estávamos no shopping, no Boulevard. Pegamos o elevador. Estávamos de mão dada. Entrou uma senhorinha. Falou... Nossa, você arrumou um namorado preto até bonito. Ela disse, na sua frente? Meu Deus. Essa sim.

É uma das coisas, né? Tem até pessoa que vai caçando mais a cabeça. É constante, você tem que se blindar, tem, sabe? São várias camadas que, para você ter hoje um relacionamento tanto afro-centrado quanto interracial, são várias camadas, não é fácil hoje. Principalmente quando você se expõe também em rede social e tudo. Sim, sim. A relação do... Hoje eu sou administrador da página Empoderados, e eu comecei esse projeto lá na minha cidade com um grupo de amigos.

Já tem um tempo. Já, já tem um tempo. Foi daí que reuni os amigos, chamei o fotógrafo e tiramos nos pontos turísticos. Foi um bom na cidade. Não tinha ninguém com black, ninguém usando roupas africanas. A partir daí, liberou um pouco a consciência da galera.

Você já fez a revolta do malês. Isso aí. Você já fez a revolta do malês lá na sua cidade. Eu dei a semente e saí. Vai demorar germinar, então. Mas germinou. É isso. Que interessantíssimo. Que interessantíssimo. Em relação ao corpo e tudo, que até mesmo você posta, se expõe e tal, na rede, foi por causa também de, olha, eu tive um dia um estereótipo assim, hoje eu gosto, você tem prazer em dizer, olha, não é questão de exibir o corpo.

mas de mostrar para você mesmo que eu tive uma mudança. Eu posso sim também ter o corpo que eu quiser, até mesmo uma questão de saúde também, que é o que mais envolve tudo isso.

Então, a musculação entra na prática de esportes, né? Sempre gostei muito de esportes. Ele anda de patins, viu, gente? Ando de patins, corro, faço trilha, jogo vôlei e musculação. Essa parte do corpo eu encontrei na musculação como uma terapia, na verdade. Então, pilhadão e tudo do dia a dia. Chego lá, desconto nos ferros, puxo muito ferro, sai mais leve. Automaticamente, você ganha um shape com isso. Você ganha aquele corpo.

E, cara, se eu me esforço de segunda a sexta, tô lá treinando, tô quase morrendo.

eu tenho que mostrar aquilo que eu ganhei também, de uma forma que não seja vulgar. Sim. Que não seja vulgar. Meu corpo, eu estou bem com ele, beleza? Mesmo se eu não tivesse esse corpo, se eu estivesse com outro corpo, se eu estivesse bem, toma, é meu corpo. Você está gostando, está seguindo, beleza? Obrigado. Se não gostou, essa rede, esse perfil é meu. Então, essa forma vai para a saúde. A estética é voltada para mim.

sabe? Eu não sou aquele cara que acabei de sair da academia, treinei, mandei treino de peito, vou sair, tipo, com o peito, a amostra, pra todo mundo ver, não, ela é minha, entendeu? Eu tô com a minha camisa, sai em alguns momentos, algumas festas, tira a camisa e tudo, me expõe mais no Instagram, até porque a chave pra você ganhar seguidores, existe várias coisas, essa é uma das... Ah, eu imagino, eu imagino. Eu uso a hiperssexualização, ao meu favor, claro.

É claro, também não vai alguém falar que não faz isso também. É, todo mundo nosso, tipo, os peixinhos, né? Não faz isso. E ele tá com o seu biscoito aí todos os dias, né? Ele tá aí com o biscoito dele todos os dias. Cara, aí é verdade. Se um faz, o que você também não pode fazer, né? Qual o problema? Ela não tem a sua maneira. Poxa, não tem aquela mulher que...

Ela aposta o tempo todo com uma maquiagem, com isso, aquilo. Ela quer o público dela e ela ganha com isso. E se para você está bom assim também, qual o problema em tudo isso? Dessa forma. Legal. E o esporte também, você sempre gostou de praticar? Sempre gostei. Desde o colégio, sempre fui para campeonatos, participei, conheci várias cidades do interior de Minas. A gente tinha o time já formado. O esporte me disciplinou muito. Ele me ensinou a ser mais...

resistente a determinadas situações, que seja de pressão, que seja de alto esforço. Então, ele me tornou mais resistente. E eu gosto disso, além de ser desafiador. Então, eu comecei no vôlei, joguei futebol também, joguei basquete e futebol americano, joguei também. E eu trouxe o esporte para a minha vida. Essa doutrina do esporte, a partir da disciplina, a disciplina te dá poder.

Sim, sim. Porque tudo que você faz com disciplina, você aperfeiçoa isso. Aperfeiçoando, ela vai te dar o poder. Você vai sempre estar querendo mais, revolução, mais. É isso. Então, o esporte eu não tiro da minha vida.

Legal, isso é muito bom. E claro, também qualidade de vida, né? Qualidade de vida. Que você vai estar exercitando também o teu corpo e tudo. E é muito importante praticar. Mas o patins foi uma loucura. Você também desde adolescente já fazia isso? Patins era um sonho de infância, na verdade. Queria muito ter ganhado um patins na infância. Mas minha mãe achou, homem patinar não dá certo. Ela falava isso? Sim, porque ela falou, não, um dia você vai. Mas eu sabia que no fundo era isso.

Porque a sua mãe é uma coisa mais de mulher. Então, né? Ah, sabe o que o povo pensava isso?

Até hoje, até hoje. Não, cara, não pode ser não. O patins. O patins. O patins. Não, não, você alugou um triplex na minha cabeça aqui agora. É, o patins, cara, até hoje. Que isso, cara. A gente tem essa... É ridículo isso, né? É muito. E daí eu falei, porra, eu falei, meu primeiro salário eu compro patins. Demorei bastante tempo, inclusive eu fui ter um patins aqui em São Paulo. Faz o quê? Três anos que eu patino, né?

Poxa, você veio realizar isso só agora, depois desse negócio de adolescente. É, porque antes eu não tinha tempo também, né?

E eu vejo muito isso, a sua qualidade de vida está associada... Não está associado, lógico, o dinheiro te dá poder, te dá acesso, mas, para mim, riqueza é tempo. Você tem tempo. Tempo de fazer uma atividade física, tempo de se cuidar, tempo de não perder a metade do seu dia num transporte público. Isso é um privilégio. É um privilégio. Então, assim, dos poucos privilégios que a gente tem, isso é um privilégio. Sim, sim. No qual, por mim, foi adquirido. Eu não nasci com ele.

Sim. Cara, que loucura. E hoje a sua família te vê como?

Você tem contato? Tenho contato. Tipo assim, beleza, você saiu revoltado, mas... Assim, eu quero ir pro mundo, mas você ainda, claro, mantém contato com a sua família? Vai na sua cidade ainda visitar? Vou, vou na minha cidade, inclusive. Como que é, depois de tudo isso, como que você foi na sua cidade? O olhar e tudo das pessoas. Inclusive, até comentei com o Pedro. Fazia muito tempo que eu não voltava. Quando eu voltei, parecia que a cidade tinha diminuído. Tava tudo em miniatura. As ruas menores, tudo pequeno.

Porque eu tive a concepção de algo maior. Eu entendo, lhe dizer, é aquilo. Sim, sim. Então, tipo...

Falei, caralho, parecia que as coisas eram maior, a balada que eu ia. Olhei... Falei, tá estranho, né? Tá estranho, cara. E, tipo, essa tranquilidade ali, esse comodismo me incomodava. Eu sempre gostei de ter igual. Eu tô em São Paulo, tem várias opções. Se eu quiser sair na quarta, na quinta, tem o que eu quiser, a qualquer momento, qualquer esquina. Sim, sim. Essa pluralidade. Você pegar o metrô do lado e ter uma freira, do outro lado um heavy metal, é lindo de se ver. É verdade.

Aqui nesse programa é a mesma coisa. Não é o metrô, mas é a mesma coisa. Não é o metrô, mas é a mesma coisa. Só não veio a freira ainda. Mas eu vou fazer isso. É verdade, deu uma boa sugestão. Deu uma boa sugestão. As pessoas não estarem preocupadas com quem é aquela outra pessoa. Está cada um vivendo, correndo e vivendo o seu mundo.

Me vê no segundo. Mas ainda estou aqui com a cabeça do negócio do patins. Eu ainda estou. Cara, se para você for uma loucura tudo isso, você imagina para uma pessoa trans, então? Agora você também me fez pensar nisso. Cinco vezes, a ideia é mais difícil. Imagina se fosse um homem trans. Numa cidade como essa, num tempo como esse.

Tipo, a mulher, no caso, olha, agora eu decidi... Decidi não, me encontrei como um homem trans e eu quero... Caraca, eu imagino isso. A maioria sai, a maioria sai da cidade. Sim, mas eu estou dizendo o sofrimento ali pra... É muito. É muito. Você chorou muito? Cara, chorei. Escondido, sem ninguém saber, sem ninguém ver. Muito, muito, muito.

Chorei até conseguir me libertar. Vários traumas criados, várias coisas. Mas também que eu não podia julgar os meus pais, julgar a minha família, porque eles também vieram dessa matriz. Dessa forma, dessa conduta. O que cabia a mim era mostrar para eles que, mesmo com a minha orientação sexual, eu sou um cara tipo...

que atinge, eu tenho meu trabalho, eu tenho minha renda, eu viajo, e que não é nenhum crime que você está fazendo, que você está sendo, não é nenhum crime isso, que você vai ter que ser preso por ser quem você é. Sim, isso ia me limitar e muito.

Sabe? Eu imagino. E, sério, eu não gosto. Eu gosto de liberdade. Eu gosto de estar evoluindo cada dia mais. Cara, que doideira. Que bate-papo muito legal. E foi muito aleatório. A gente não combinou nada aqui. Ninguém mandou e-mail, ninguém falou nada. A gente não combinou. E você sente que hoje, com tudo que você está contando aqui agora, alguém vai estar ouvindo, vai ter essa coragem de também pôr para fora? É isso? Olha... De não basta nesse sofrimento?

Eu espero, porque se volta anos atrás e eu assistisse esse podcast vendo um cara no qual...

me representa, que tem o mesmo aspecto, que tem a mesma história, iria me posicionar, iria me dar um gás a mais. Até então, estou aqui não é para destacar quem eu sou, mas é para fortalecer outras pessoas que também têm essa trajetória para passar, têm esses traumas para romper.

Que cabe só a pessoa, infelizmente. Você vai olhar ao redor, ninguém vai acreditar em você. Ninguém vai te falar, pô... Não, todo mundo vai querer que você continue na sua bolha. Para você sair da bolha, você tem que olhar para fora. Você quer ser grande, você tem que andar com gigantes. Sim. E ser controlado por essa bolha. Por essa bolha. Tipo, a cidade onde eu nasci, mais da metade...

é de direita. Já começa aí. Pensando no lado político, também tem isso. É uma cidade de fazendeiro, coronel. Entendeu? É uma cidade histórica também. Acaba sendo. A cidade mais antiga já está chegando com seus 200 anos. Acaba sendo uma cidade histórica. Então, aquela cultura ali, até o monopólio empresarial.

que ocorria na época, acho que ainda ocorre ainda, porque chegou poucas redes lá. Tem tudo isso, tem tudo esse contexto. Pessoas extremamente conservadoras. Entendi. Ah, você é o filho de quem? Ah, você é reconhecido pelo seu sobrenome, é o filho de fulano de tal. Então, eu tive... Mas a gente está em 2026 ainda, é isso? Infelizmente.

Não, não acredito. Sou muito grato ao universo, que eu tive uma educação também de ouro com a minha mãe, sabe? De conduta, de integridade, de tudo. De como se vestir também. Desde criança ela falou, você tem que se vestir duas vezes melhor. Você vai entrar no carro, é duas vezes melhor. Um cara preto hoje sair para ir em um shopping.

Colocou uma bermuda e um chinelo, você pode ter certeza que está pedindo segurança para ir atrás de você. Sim. Seu dress code hoje conta demais, infelizmente. Sim. Tem um peso diferente para nós. Sim. Olha, muito bom. Cara, quero muito agradecer. Muito obrigado que você veio compartilhar tudo isso. Mas antes de sair de fora, fala mais sobre o seu trabalho, o que você quiser divulgar agora em questão da tatuagem e tudo. Você deixou alguma coisa anotada para você falar?

Era isso? Não, aqui foram só alguns... Só não sei o que quiser dizer. Mas eu acho que eu falei todos.

aqui, ó. Ah, ele deixou um... Olha aí, Guilherme, olha só. Pela primeira vez alguém deixou um tópico do que queria falar. Não, o que você quiser falar, você fica à vontade. Eu vou dizer, acredito que eu vou dizer. Você deixou anotado. É, eu vou... Você falou o que você queria? Faltou aqui, algumas coisas. Ah, então fala do signo, gostei, vai. Então, signo, eu sou de peixes, né? Peixes. Piciando com ascendente em touro.

Meu Deus, você tá falando com alguém que é de escorpião. E eu tô super certo, porque são signos de água, né, inclusive. Ah, verdade. Eu tenho tutorial de escorpião. E você acha que o câncer se dá bem com o escorpião? É um choca, né? Choca.

É loucura, né? É o ascendente dele. Ele é de escorpião com câncer. Não, estou dizendo assim, uma pessoa é de câncer e se relaciona com o outro que é de escorpião. É isso que eu estou dizendo, assim. Isso é de um choque um pouco. Olha, são dois extremos, né? Porque o câncer é mais melancólico, mais sentimental, mais carinhoso. Escorpiano é mais mistério.

É mais sensualidade Mais aquela coisa assim Mas pode dar certo Pode dar certo Daqui a pouco a Márcia é sensitiva Chega aqui A gente já começou assim Daqui a pouco ela chega aqui Gostei, você sabe disso mesmo Você entende dessas coisas Eu não entendo nada E peixe é muito mutável Parece muito com a minha personalidade Quando eu estou bem, estou aqui Mas quando eu me recolho é porque algo ocorreu

Me recuo para o meu mundo e volto quando eu já tiver resolvido os meus problemas internos. Então, quando eu sumo, os meus amigos sabem, as pessoas mais próximas de mim. Eles mandam um oi, demora para responder. Eu estou aqui, galera. Uma hora eu vou aparecer. E é isso. Cara, que sensacional. Olha, a gente vai para o final. Olhando para essa câmera, o que você vai dizer para você mesmo daqui a 10 anos?

Quando for 10 anos, você vai assistir e vai ouvir o que você falou para você mesmo. Vamos lá. Então, continue. Você está no caminho certo.

As maiores barreiras que você tinha para vencer, você já superou. Só você sabe as dores e as conquistas na qual você carrega e só vai. O mais difícil já passou. Agora tudo vai fluir. Faça o bem que ele volta em dobro para você. Eu te vejo dez anos no mais forte, mais bonito, mais feliz e mais realizado.

É isso. Muito bom, muito bom, muito bom. E olha, foi muito legal tudo isso que a gente conversou, mas você sabe que sempre vai ter alguém que vai ficar sempre falando, esses caras estão chorando demais. Ah, não imagina, isso não aconteceu não. Tudo que você contou aqui foi mentira. O que aconteceu na ótica é tudo mentira, viu? Não, não, não aconteceu não. Imagina, você acha que isso acontece aqui no Brasil?

Imagina, a gente tá chorando. Ai, que chororô, que mimimi, que chatice, hein? Não, não, não. Isso não aconteceu, não. Tudo que a gente falou aqui foi tudo inventado. Foi tudo um roteiro, né? Mas se a pessoa nunca passou por essa situação, que direito ela tem de julgar a opinião de uma pessoa que já passou? Exatamente. É por isso que eu até falei com ele. Ele falou assim, você percebeu? Porque é a pessoa que tá sempre com você.

Então, você acha que ele também ia estar inventando isso agora? Que é uma pessoa branca.

E você acha que ele ia estar inventando isso aí também. Então, sabe, tem muita dessa coisa de, ah, você só leva gente preta, você só fala dessas coisas. Ultimamente estão recebendo mensagens assim. Não tinha isso antes. Embora eu sempre fiz o programa do jeito que eu faço, mas não teve isso antes. Agora que está começando a vir uma onda, eu falei, ah...

Só porque falou, vai ter de novo. E quem reclamar, o Mike vai vir de novo. Eu ainda trago mais pessoas ainda. A gente gosta de poder. Quando a gente faz isso mesmo, essa coisa de empoderamento aí, você traz um outro aqui, traz uma outra mulher também, vai ser perfeito. Vai ficar um homem e uma mulher aqui pra falar sobre isso. E vai ser ótimo, vai ser muito bom. Vai ser muito legal. E eu muito obrigado, viu? Você participou com a gente.

Mas antes de tudo, as redes sociais, quem quiser seguir, quem quiser acompanhar, saber, fala da tatuagem, fala tudo das redes aí.

Atualmente estou atuando como tatuador. Tem a página também. Vocês podem seguir. M7ArteTattoo. Meu pessoal é Mike NoBreak. E tem a página também de Empoderamento Preto, que é Empoderados.br.

dá uma forcinha lá, deixa seu like, você compactuou com esse vídeo, com as minhas experiências, segue, ficarei muito grato, e é isso, vamos fazer o bem para receber em dobro, aumentando a luz do próximo, eu acho que esse é o segredo do universo.

É o segredo do universo, tá vendo? Segue aí, gente. E que esse do empoderamento já tá chegando a meio milhão de seguidores. Então, ajuda, vai ajudar mais, né? Volta pouco, né? Pra bater. Volta pouco pra chegar nos 500k, né? Volta pouco.

muito obrigado esse foi mais um programa do Barró que a gente está aí nessa de estar falando com muita gente durante esses 10 anos da comemoração dos 10 anos e olha, lembrando que a gente também está aí participando de alguns eventos também durante esse ano a gente estava no Point Black

Agora, nesse mês de abril, a gente estava aí no nosso Churras com o pessoal aí do Catinguelei. Então, cada mês, a gente vai comemorando aí os 10 anos do programa em alguma festa, em algum lugar, hein? Depois eu vou falar com você e pra você participar também. Você gosta muito de coisa eletrônica, sim? Gosto, muito. É, eu percebi. Você é amigo do Erico porque deve ser isso mesmo. Eu falei, por que você não vira logo DJ? Vira DJ logo, faz essas coisas.

Pra também, daqui a pouco é a próxima coisa que você vai querer fazer, né? Quem sabe?

Não sei, do jeito que você estuda aí, que você vai inventando as coisas. A Lara ainda falou que ele quer dar ideia. Então apaga isso aí. Apaga essa ideia aí. Esse foi mais um programa do Barro. Vai dar mais trabalho, né, assim. Um programa do Barro. Valeu, até a próxima. Obrigado, Mike. Valeu, hein. Obrigado, Barro.

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