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Ntcast 148 – Helianderson Silva direção de arte no cinema

30 de julho de 202651min
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Nerd Tatuado - Tatuando a cultura pop em você!

Apresentamos a você o projeto ntcast o podcast com o grande Helianderson Silva onde conversamos sobre sua atuação como diretor

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Participantes neste episódio1
H

Helianderson Silva

ConvidadoDiretor de Arte
Assuntos8
  • Contos Perdidos de AlagoasSérie de Terror·Paulo Gustavo·Araraquara
  • Origem do Projeto Contos PerdidosTCC de Arquitetura·Catequese sobre a Igreja Peregrina·Pentagrama Invertido·Vitor
  • Carreira de Helianderson SilvaAssistência de Direção de Arte·Envolvimento do PT da Bahia·A Redenção de Margareth·Aconchego
  • Produção da Série Contos PerdidosPré-produção·Gravação·Pós-produção·Elenco Arapiraquense
  • Cinema e Arte· CulturaDireção de Arte·Produção Audiovisual·Arquitetura e Arte
  • programação de festivais· CulturaFeira Arte·Araraquara·Artistas Alagoanos
  • Problemas de produção do filmeOrçamento·Logística·Coordenação de Equipe·Iluminação a Vela
  • Locações de GravaçãoOlho d'Água do Casado·Bodega·Restaurante Mocotó·Aldeia abandonada
Transcrição57 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Você está ouvindo Tatu Tatu Tech, o nerd tatuado. Fala, galera nerd! Sejam bem-vindos a mais um vídeo aqui no nosso canal. Aqui é um NTCast que eu tô recebendo meu amigo, a minha amiga Lili. Como é que você tá, Elianderson? Como é que você gosta de ser chamado? Vai, me fale.

HSHelianderson Silva

Pode ser Lili mesmo, gente. Na realidade, meu nome é Elianderson, né? Mas assim, se for falar Elianderson, ninguém vai saber quem é não.

?Voz A

Lili, Lili, Arapiraca em peso conhece como Lili, né?

HSHelianderson Silva

Arapiraca, entre outros estados.

?Voz A

Entre outros estados, vamos chegar nesse momento, meu querido. Muito obrigado por estar aqui. A gente vai bater um papo sobre direção de arte, produção audiovisual e seu trabalho que vem crescendo cada vez mais. Você fez a produção da série, da direção de arte também, junto com Márcio, né, a direção de arte da primeira série de terror, vamos dizer assim, Contos Perdidos de Alagoas, a primeira série aprovada na Paulo Gustavo. Como foi que chegou esse projeto assim para você fazer a direção de arte? Como foi esse desafio que você achou?

HSHelianderson Silva

Então vamos lá, primeiro que eu sou arquiteto e eu fiz um trabalho de conclusão de curso que foi um estudo de caso de uma edificação para valorização do patrimônio histórico da cidade de Arapiraca, né? E aí especificamente fiz um estudo de caso na Igreja dos Curies, Igrejinha do Bom Fim, né? E aí, além das análises arquitetônicas, eu precisava também analisar algumas simbologias. E percebe-se o que tem na fachada, né, que tem um pentagrama invertido.

E isso virou uma série. Algumas pessoas tomaram conhecimento e aí produziu-se um roteiro, ficção, com um teor mais de terror, de suspense, que contasse a história daqui da cidade, né? Não exatamente um documentário sobre a cidade, mas que sim se baseasse na estética da cidade na década de 70 E nos costumes. Então foi feita uma pesquisa bem apurada em relação a tudo isso. Mas vamos lá, começou eu sendo o arquiteto que fiz esse projeto, né?

E depois virou uma série e fui convidado pra fazer parte da equipe, assinando juntamente com o Márcio a direção de arte da série. Eu nunca tinha feito nada do tipo, foi um grande desafio num primeiro momento, mas ao mesmo tempo foi muito gratificante. É um trabalho bem parecido com o trabalho como arquiteto, onde se dá mais oportunidade de usar de todo o talento e loucura que venha na cabeça, né? Eu estava até comentando mais cedo com um amigo que na arquitetura a gente tem que delirar, mas tem que delirar com o pé no chão.

Existe toda uma questão, né, de normas estéticas e valores e um cliente, né? No cinema a gente pode delirar e flutuar mesmo e E onde a gente, o máximo que a gente quer chegar, e isso é bem interessante. Mas então, falei, falei, meio que me perdi aqui. Mas aí fui convidado para fazer parte da equipe, assinando a direção com o Márcio. Antes de assinar essa direção, eu fui para Salvador para participar de outros trabalhos lá, fazendo assistência de direção de arte.

Então lá gravei uma outra série chamada O Reino da Bahia. Que também tá pra ser lançada em breve, o pessoal tá finalizando aí. E cursos e tantas outras coisas, até que chegasse o momento de fazer a direção de arte daqui. Foi legal, eu dei uma mergulhada na história da cidade, além da história que eu já sei, pois sou arapiraquense. Mas a gente fez muita pesquisa em fotografias, em documentos da época, jornais, pra gente entender como que as pessoas se vestiam, quais eram os— qual era o tipo de estética da época pra que a gente representasse na série.

Foi bem legal assim essa parte, esse primeiro momento que é o momento de pesquisa, ele é o momento em que a gente se aprofunda muito assim e capta de várias informações pra que depois a gente traga um resultado final.

?Voz A

Sim, sim. Mas aí também tem uma coisa que você não falou. Você, quando começou a fazer o projeto de arquitetura, você morava também lá perto dessa igreja? A igreja que a gente tá falando, pessoal, é a Igreja dos Coristas. Todo mundo sabe em Arapiraca, todo mundo passa lá diariamente ver aquele, aquele pentagrama. Ninguém sabe que é um pentagrama, mas aí você morava lá perto. Esse projeto arquitetônico que você fez, foi difícil também tá concluindo ou foi fácil de fazer essa pesquisa?

Que tudo surgiu dessa sua pesquisa em uma conversa de bar com a galera, algumas pessoas da série, para chegar esse roteiro, né?

HSHelianderson Silva

Então, foi o meu TCC, né? Foi o meu trabalho de conclusão de curso. E aí eu fiz de fato a pesquisa porque Eu morava, né, minha mãe ainda mora, minha família toda pelas proximidades. Eu sempre via a igreja e eu achava a igreja incrível, esteticamente incrível, com uma composição de materiais interessante que não se repetia. Eu vi muita gente dizer que a igreja parece um banheiro também, que ela é toda de azulejo, né. E dentro desse contexto eu quis fazer a minha pesquisa para que se criasse um documento ou um um inventário, um material mesmo relacionado à valorização do patrimônio, né?

E aí eu fiz esse estudo justamente porque eu queria entrar dentro da igreja, saber as dimensões dela. Ela é uma igreja pequena no meio da cidade que só vive fechada e que tem um mistério. E até então, antes do projeto, eu não tinha percebido esse elemento na fachada. Ele passou todos esses anos e eu não tinha percebido isso. Essa informação veio quando eu já estava mesmo durante o projeto, né? E aí eu precisava fazer a análise de todos os elementos que existem entre as composições de materiais, os porquês daqueles materiais.

E dentro desse contexto também, a gente, eu, né, fiz várias pesquisas e várias entrevistas com várias pessoas que usavam a igreja de diferentes formas. As pessoas que usavam diretamente através das celebrações que acontecem lá, as pessoas que usavam porque apenas passavam, as pessoas que moravam no entorno, as pessoas que já tinham se relacionado de alguma forma com a igreja. Então consegui alguns registros também com a artista Renan Padilha, que mora lá no entorno da igreja e que tem muitas fotografias com a exposição dele que aconteceu na frente da igreja.

E aí eu tive acesso às fotografias e consegui ver quais foram as mudanças que a igreja passou também, né, mudanças estruturais. E aí esse trabalho ficou rodando por muitas pessoas, muitas pessoas sempre me perguntavam sobre essa história da igreja. Porque meio que criou um mito. Eu até falo que, gente, não é a história da igreja, certo? É uma pesquisa e uma análise de um elemento. E esse elemento— tá passando aqui o segurança da rua.

?Voz A

Não, não tá escutando não, relaxa.

HSHelianderson Silva

Ah, perfeito. E esse elemento é um elemento que trouxe curiosidade para um amigo da gente, que é o Vitor, que é o diretor da série, um dos diretores. Da série, né, chegou a ser posteriormente. Então ele viu esse elemento na igreja, ficou, se sentiu curioso, postou no Instagram. Aí eu vi a postagem dele no Instagram na época, eu disse, amigo, Vitor não é daqui, Vitor vindo de Salvador para casar com uma amiga da gente e estava descobrindo a cidade, né.

Então viu essa igreja com esse elemento, postou, e eu disse a ele que tinha uma história para contar sobre. Quando eu falei sobre essa história Vitor ficou deslumbrado e, gente, é incrível isso, como assim, tal. E na ocasião do casamento dele vieram alguns amigos dele para cá, que são diretores também, junto com alguns roteiristas. E Vitor comentou a história, o pessoal também ficou muito curioso para entender melhor a história.

Eu meio que apresentei o TCC no meio da festa. Não, gente, aconteceu isso e isso. Tá, vamos conversar depois. Pessoal voltou para Salvador, retornando da festa, né, voltando para Salvador, e já voltaram escrevendo um roteiro para série, né. Tem muitas outras pessoas envolvidas, inclusive Faustino também está fazendo parte do time, né. E é isso, foi mais ou menos essa relação. Assim, a série surgiu através esse trabalho dessa forma, né, através dessa curiosidade.

E foi algo muito, tipo assim, do nada, né, tipo um rolê aleatório, casamento, muito aleatório, porque ele sentiu, ele viu a igreja, ficou curioso, e aí ele posta no Instagram e eu vejo. Possivelmente eu poderia nem ver também essa postagem, e aí eu vejo, aí comento, e vai virando, virando, virando. E conseguimos fazer a primeira série do estado, Contos Perdidos de Alagoas, que tá chegando aí em breve. Estamos ansiosos, a pessoa tá fazendo a pós, tá um trabalho bem interessante. Eu já vi uns spoilers também, tá lindo, tá lindo.

?Voz A

Não vi mais coisas, mas tá lindo. A série foi construída, eu fiz parte da equipe de roteiro e também fiz a parte da equipe de direção de fotografia. No roteiro foi Vitor, Pedro, Lorena e eu na equipe de roteiro. E fotografia foi Daniel Talento, Rudney e eu na parte de direção de fotografia, junto com a Carla. Carla também, junto com a Carla, que fez a primeira assistente de fotografia. O desafio maior que você teve para produzir essa direção de arte Além dos elementos épicos, de momentos e períodos de antigas, o momento daquele período, qual foi mais desafios que você teve para produzir essa?

HSHelianderson Silva

Foi muito desafiador como um todo, mas ao mesmo tempo foi muito interessante de fazer. Não chegou a ter nada tão impossível assim, né, tipo assim, tão difícil, vamos dizer assim, para mim. Eu tava super entusiasmado, então tudo era muito interessante, tudo era muito prazeroso, e sempre eu aprofundava para trazer mais questões e mais questões para que enriquecesse ainda mais essa estética do que tava sendo, do que ia ser mostrado, né?

Mas assim, eu acho que como um todo fazer cinema é sempre um desafio, né? E aí são Vários, vários departamentos, né? Eu fiz a direção do departamento de arte, mas tem todos os outros departamentos que precisam se conversar. E muitas, e muita gente opinando, e muitas falas, muitas condições. E tem a produção, e o que a gente quer não dá para fazer, e o que dá para fazer não é o que a gente quer. Então, teoricamente, esse seria o maior desafio, mas é a sistemática mesmo da produção de cinema.

É através de muita conversa, de muitas reuniões, de muitas decisões. Começa mesmo, como eu falei, delirando em todas as ideias e depois a gente vai filtrando essas ideias pra que ela se torne real, de acordo com o que o roteiro pede, O valor que é oferecido também, né? Isso é muito importante. Sempre existe um valor que é destinado para cada departamento para que a gente possa investir naquele material. Então é muita referência.

E aí a gente fica doido para tentar mostrar o máximo que a gente quer para representar uma cidade, inclusive, né? E é isso. Mas assim, mas no fim dá sempre tudo muito certo. Tudo vai se encaixando. As coisas que a gente não consegue controlar, a gente se adapta. E é isso, mas foi muito legal.

?Voz A

Sim, você falou que você participou da série lá de Salvador antes, fazer assistência lá. Você já sentiu o gostinho do set, que é totalmente tá de frente ao set junto com Márcio? Que foi no Contos Perdidos. Depois do Contos Perdidos, você já foi assumir outra série também na direção de arte em Salvador também. Como foi esse seu caminho? Conta um pouco pra gente esse início, esse meio e essa continuação do meio, que a sua história tá continuando e tá crescendo cada vez mais na direção de arte e tá bombando muito.

HSHelianderson Silva

Então, assim que eu recebi o convite, né, pra fazer a direção de arte daqui, dividir a direção com o Márcio, eu não me sentia seguro, inclusive, pra fazer uma direção de arte de uma série, inclusive com tanta importância, a primeira série do estado, né, e muitos outros profissionais. Então, tipo, não é uma brincadeira, a gente tem que... Eu disse, ops, peraí, eu acho que eu não... Como eu nunca fiz, né, eu preciso de um apoio.

Então o Márcio veio. Trousse todo o seu talento também, profissionalismo, para que a gente dividisse esse momento juntos. Só que antes de eu assinar essa direção, assim que eu fui convidado, eu fui estudar. E aí eu fui para Salvador para fazer assistência em Reino da Bahia. E de fato eu pisei no set pela primeira vez e eu fiquei abismado com tantas coisas, tantas máquinas, tantas tanto os mecanismos, tantas situações, tanta gente.

E foi uma escola importantíssima para mim, né, porque foi quando eu descobri como que seria aquela sistemática, como que seria mais ou menos o processo. Claro que tudo é muito particular, é muito individual cada produção, né, mas já dava para saber mais ou menos como é e o que eu poderia repetir deveria repetir por aqui, o que eu não deveria repetir. E aí eu fui percebendo tudo isso. E aí cheguei na direção de arte daqui, que foi incrível.

Foi um trabalho de uns bons 3 meses ou mais. A gente na direção de arte começa bem antes, porque tem muita coisa para deixar resolvido para que se comece a gravar. Quando você começa gravando, tem um tempo de gravação, a gente já tá trabalhando há muito, muito muito tempo. E depois que assinei a direção de arte daqui, aí fui convidado para assinar a direção de arte de um filme chamado A Redenção de Margareth, que foi gravado na Ilha de Itaparica, lá em Salvador.

E aí foi uma experiência também incrível, tanto na estética como em ser outro lugar. E eu já precisava representar Salvador, a Bahia, na realidade, estando na ilha na ilha de Itaparica, sendo que eu sou alagoano, né? Então, tipo, foi um— eu acho que quando você me traz a pergunta do desafio do Contos Perdidos, o desafio era só o primeiro momento, contato com a primeira vista, com aquela situação, né? Então isso poderia ser o desafio, mas mesmo assim foi muito tranquilo.

Mas eu encarei como um grande desafio mesmo representar esteticamente um outro estado quando se não é do estado. Então eu tenho uma responsabilidade muito grande nas minhas mãos, uma responsabilidade enorme nas minhas mãos. As pessoas apostaram em mim, né, também, porque poderia ser convidado outro diretor que fosse de Salvador. Então seria como quando eu assinei a direção de arte aqui, como eu sou de Arapiraca, Né? Então, para mim, tava no papo.

Eu fui fazer pesquisas, claro, para poder enriquecer ainda mais o meu acervo, né? Mas lá em Salvador foi bem interessante. A ilha, a ilha de Itaparica, ela traz umas representações visuais bem interessantes. A gente também trabalhou os foguinhos, trabalhou a coloração da própria cidade, arquitetura da cidade também, os jeitos, os costumes. E aí eu fui antes para fazer uma visita, fui duas vezes, depois passei quase um mês e meio lá na ilha, entre o pré, o durante e o pós.

E aí eu já tava amigo de todo mundo, já tô para morar em Itaparica. Então tipo, essas vivências são muito interessantes, e a estética também, que é legal falar que A Redenção de Margareth, ela se passa na praia, é uma cidade de praia, é uma ilha, né? Então você tem uma coloração de filme, de luz, né, de sol, de praia mesmo. E o Contos Perdidos de Alagoas, que a gente gravou aqui em Arapiraca, era na escuridão, era com velas, a iluminação era feita por novelas.

Então a gente tem duas estéticas totalmente diferentes. Eu até dizia, saí da escuridão e agora eu vou pra luz. E foi pra luz. Então é isso, é isso, é muito interessante na direção de arte, no cinema, que é quando você mergulha dentro de um mundo e você vive aquela estética por um bom tempo mergulhado, e aí você sai de um e vai pra outro e você diz, meu Deus, Eu tava na escuridão, agora eu tô na praia. Isso é muito bom. E aí gravamos esse, né?

Voltei da ilha, mas já tô também na pré-produção de um outro filme chamado Aconchego. Esse a gente vai gravar em breve, possivelmente lá por meados de outubro. Estamos na pré-produção e fazendo produção do Festival Primavera Cultural, fazendo as produções aí dos editais. Tem um montão de coisa vindo por lá que tá lá para a cidade também, para Arapiraca. E aí é isso, não quero mais fazer outra coisa agora, eu quero só fazer arte.

Não que eu já não fizesse antes, né? Arquitetura também é arte, né? E antes da arquitetura eu fiz circo, fiz teatro, fiz dança, fiz artes plásticas. Então eu sempre fui muito, eu sempre quis estar metido em tudo assim. Então já fui DJ também, abandonei um pouco a carreira Entendi.

?Voz A

Aí todo mundo pede para voltar, né?

HSHelianderson Silva

Vou voltar em breve, meus fãs me esperam. Mas é porque tem que centrar, na realidade eu faço tudo para provar de tudo. As pessoas também me dizem sempre que eu sou muito bom no que eu faço, vou acreditar.

?Voz A

É tão bom que eles chamam sempre. Se você não fosse bom, era um projeto, mas são vários projetos, né, velho? E já tá saindo de um, engatando outro, e tem 3 projetos acontecendo aí na sua vida. Isso é bom, velho.

HSHelianderson Silva

É muito bom mesmo, deixa a gente feliz por várias conquistas e aprendizado também, né? Porque tudo é muito novo. Já tenho assinado a direção de arte do Festival Primavera Cultural na 2ª edição, 2024. E agora o festival volta de novo com homenageados, com temas. Não sei se eu posso falar isso.

?Voz A

Com o Recurso, porque com o Recurso que foi O único projeto aprovado na cidade de Arapiraca, acho que foi com um edital maior, acho que foi Petrobras. Me corrija se eu tiver errado.

HSHelianderson Silva

Esse é o Banco do Nordeste, o único festival, o único projeto também.

?Voz A

Também acho que inscreveram num projeto, acho que da Petrobras, também teve uma boa pontuação, que é um festival muito, muito foda. É o festival que tem que acontecer Que eu acho que o poder público tem que apoiar também, a cidade tem que apoiar, porque é um festival que já está no calendário, né, de Arapiraca, e tem que ter, velho.

HSHelianderson Silva

E é um festival, tá crescendo cada vez mais, estamos na 3ª edição.

?Voz A

Travou.

HSHelianderson Silva

Oi, voltou, voltou, voltou, voltou. Então, o festival vai acontecer no dia 5 de dezembro Está em sua terceira edição. Festival tá crescendo cada vez mais, né? A gente está, nós estamos nos tornando cada vez mais profissionais e entendendo melhor como é a sistemática, mais maduros no que estamos fazendo. E aí a gente tá ganhando proporções maiores também, isso é bem interessante, importante. E aí a gente quer se firmar como um grande, um grande festival.

A gente tá crescendo cada vez mais, mas temos outros grandes festivais, tanto aqui em Alagoas como Carambola e Fasque, FIG. E a gente tem a pretensão de chegar lá nesse mesmo nivelzinho. Nesse momento nós estamos valorizando só os artistas de Alagoas, né? Festival é feito por todas as bandas, as atrações são todas alagoanas, entre DJs e bandas de diferentes categorias, né? Então reggae, rock, tem MPB, tem eletrônica. Então festival bem diverso mesmo.

E aí a gente tá nessa, tá produzindo aí, tá? E esse ano vai ficar incrível. Eu nem sei se eu posso falar nada aqui, mas spoilerzinho pequeno, spoilerzinho pequeno, vai ter um homenageado grande, homenageado aí comunidade muito importante do mundo das artes. E aí a gente chega dessa forma, trazendo uma estética definida que vai ser relacionada ao homenageado.

?Voz A

Bacana, bacana. Já captei a vossa mensagem.

HSHelianderson Silva

Eu fiz uns spoilers aí no Instagram, eu não postei nada, só— aliás, não disse nada, só postei, só postei, né? E vai ficar lindo.

?Voz A

Eu estou convidando todos desde Sim, mas você, arquiteto, hoje, hoje você olha assim para trás e diz, bicho, a direção de arte me pegou, agora vou botar minha mochilinha nas costas e vou viver da minha arte? Ou ainda tipo, não, tô com o pé no chão e vou estar nos dois?

HSHelianderson Silva

Então, eu gosto de fazer, eu gosto muito de fazer arquitetura. Eu faço arquitetura há muito tempo, né? E eu não quero deixar de fato, mas eu acho que a direção de arte tá me roubando um pouco mais. Por enquanto, tô ainda com alguns projetos, tô fazendo uns projetos com uns amigos, umas coisas mais artísticas, mais leves de se fazer. Com um tempo mais tranquilo, sem aquela pressão de mercado. Mas eu acredito que não deixaria de fato, não.

Arquitetura é muito importante para mim também. E na direção de arte eu tenho, eu uso muito da arquitetura, né, para fazer a cenografia. Isso é bem importante. Quando eu pensei em entrar no cinema, fazer cinema, eu pensei em fazer cenografia, porque como arquiteto eu domino os programas, os softwares, enfim. Então eu vou pra cenografia. Nunca pensei tão alto em ser um diretor de arte, nunca me passou pela cabeça, inclusive. Só que aí foi mais além, né?

Então a gente usa muito da arquitetura na direção de arte. É bem interessante também essa questão, esse similar. E é um outro caminho também que o arquiteto pode trilhar, né? Então Você pode ser um arquiteto, não tô a fim de fazer casas, não tô a fim de dar aula, não tô a fim de tantas outras coisas, que a arquitetura é um mundo de coisas, é um leque de coisas. Então eu posso também estar no cinema, né? E muita gente tá tomando muito, muito gosto, muito desejo assim pelo que está relacionado ao audiovisual, que tá ganhando cada vez mais força, né?

Assim, com a modernidade, as pessoas estão produzindo mais assim, que seja de uma forma mais amadora, entre aspas, mas mesmo assim com uma estética, com uma formatação que você vê que tem roteiro, que você vê que tem encaixe de cena, que você vê que foi pensado no figurino. E eu acho bem legal, eu vejo muita coisa no Instagram que eu digo, gente, que incrível isso daqui! Tipo, eu acho bem legal assim, é bom porque a gente explora, né, tipo, tenta, não acha que precisa ter só grandes câmeras ou coisas impossíveis e grandes produções. Não, eu vou fazer aqui com a produção que eu sou capaz de fazer.

?Voz A

No Contos Perdidos de Alagoas, a gente já falou do desafio, mas como foi para você A pré, a gravação e o pós-gravação, o desmontar set, que também tem isso na direção de arte. Não é só fazer a cena. Eu falava para Lili, dizia, olha, a fotografia, iluminação, é o que eu vou colocar na luz para aquilo ver na cena. Mas se não fosse você, é um quadro em branco. A direção de arte que pinta toda a cena, a direção de arte que dá vida, do que a gente vê, que deveria estar sendo premiado, que deveria estar com prêmio, deveria estar ganhando mais Oscars.

Que a direção de arte é o que constrói tudo que a gente, o diretor de fotografia, vai só transmitir. Eu tô menosprezando como diretor de fotografia, mas é porque é a verdade. Se eu pego uma cena do cinema e tiro todo elemento que a direção de arte colocou, é um quadro em branco. Vai ter uma luz, vai ter uma cor, vai ter aquilo, vai ter o olhar. Mas o resto é direção de arte.

HSHelianderson Silva

É, vamos lá. A pré, a pré foi estudando a cidade, né, estudando, tentando representar a cidade dentro do roteiro que tinha sido criado. E aí foram muitas pesquisas procurando artistas. Eu tenho uma preocupação também de convidar artistas para fazer parte da equipe, da minha equipe, como Pessoas que executaram o que era necessário estar presente naquela situação. Como, por exemplo, chamei Walter Almeida pra fazer, que é um artista plástico.

Inclusive, ele é dono desse quadro aqui que tá aqui atrás, que é incrível. E aí, Walter fez pintura artística de envelhecimento nas paredes, todas as técnicas de pintura pra que a gente chegasse dentro de uma estética da época e de desgaste que a gente precisava. Então tem Cristiano também, que é de Água Branca, Cristiano Guimarães, que é escultor de madeiras. E aí fez Ex-Votos, que foram peças que a gente usou também na cenografia da série.

Outros artistas populares também. Pegamos curadoria da Dom Galeria, Rafael Brandão, que é arquiteto, mora lá na Ilha do Ferro. Então a gente Faz uma curadoria interessante na ilha também para trazer alguns elementos. Entre tantos, eu comecei a citar e depois pensei, meu Deus, vou esquecer de alguma pessoa. Não deveria ter começado a citar porque é muita, muita, muita, muita gente envolvida. Quando vê todo o contexto, né, toda a produção, é muita gente.

Mas aí a pré foi de pesquisas, de buscas por artistas, de empregar arte desses artistas dentro da minha arte. Né, e idas em lojas e compras e visitas em brechó e testes de maquiagem e criação de maquiagem artística, que a produção também vai mostrar essas maquiagens mais artísticas. E aí, Jeová, que é um grande maquiador daqui, fez parte da equipe também fazendo a maquiagem. Karina fazendo figurino e seus respectivos assistentes, né?

Falando dentro desse contexto da equipe, das pessoas que participaram da equipe, eu tenho também Carla Ingrid, que é a minha assistente do coração, meu braço direito, e Vinícius também, Vini, que é de lá de Delmiro. Então a gente foi Delmiro Água Branca vinha. A gente foi convidando essas pessoas também de vários outros lugares para fazer parte, para trazer essa representação do que seria Alagoas, né? Tanto que a série carrega o nome do estado.

Então, quando a gente traz pessoas de quase que todos os lugares, a gente consegue dar essa diversidade que se precisa para cena, né? Tem várias outras pessoas na equipe também, entre ajudantes, assistentes, diretor de objeto, produtor de objetos, enfim, muita gente, muita gente. Não deveria ter começado a citar, vou esquecer, gente.

?Voz A

É muita, foram mais de 200 pessoas, foram mais de 200 pessoas.

HSHelianderson Silva

Muita, muita gente mesmo.

?Voz A

A série, antes de começar, ela fez cursos gratuitos na cidade de Arapiraca. Foi ministrado 5 cursos onde a gente produziu, a gente fez teste de elenco com elenco arapiraquense. Todo elenco era arapiraquense, né? Teve o Henrique. O Henrique teve uma entrevista aqui, você já deve ter assistido.

HSHelianderson Silva

Que é de lá de Salvador, né? Que é Luciana Souza. Souza e o Gabriel Findet. Mas o resto de Arapiraca, mas o resto de Arapiraca, acho que tem outra, alguém, algum dos atores que é de lá de Maceió, né?

?Voz A

Uma parte de Maceió, mas foi a série feita a leitura de texto aqui em Arapiraca, foi a primeira série que trouxe todo o elenco, a grande sua parte da maioria de elenco, A área pela criança, abriu essa oportunidade. A gente ligava para os atores: venha fazer o teste, venha fazer o teste de elenco. Foi, teve preparatório de elenco, curso com a Luciana Souza gratuito, curso de direção, curso de fotografia, iluminação, a gente, direção de arte, maquiagem gratuito.

A gente viu, a gente trouxe a série, não se só só se preocupou na produção. A gente também quis profissionalizar a galera de Arapiraca, a galera que vem vivendo do cinema. Quem quis participar abriu essa oportunidade, foi na Uneal, foi muito interessante.

HSHelianderson Silva

Isso, dentro da pré, né, como estávamos falando ainda, esses momentos pré, durante e depois. Durante a pré também aconteceram esses cursos, como você mesmo falou aí. E do curso a gente também colheu algumas pessoas para fazerem parte da equipe, né? Então, além, tipo assim, você faz, aprende, entende os contextos, entende como que é o cinema. Muita gente que nunca participou de um set, então tava tendo oportunidade de entender a sistemática e de até fazer parte, né, depois.

Então teve a pré, aí teve, aí começaram as gravações. Né? As gravações foram mais ou menos 15 dias, não foi? Acho que foi uns 15 dias. Na pré também a gente começa a fazer uma busca por locais onde que a gente vai gravar essa série, né? Tipo, quais são os lugares que a gente pode explorar da cidade que sejam fiéis a uma época também, para que a gente não tivesse tantas intervenções? A gente sabe Carapiraca não dispõe de conservação da estética dos prédios.

Então, tipo assim, as coisas aqui são mais descaracterizadas. Então a gente teria uma época para representar. E onde que a gente iria representar essa época, né? Pensou-se em muitos lugares, se fizeram várias visitas a locações. E aí a gente chegou em uma comunidade, Olho d'Água. Ai, me ajuda!

?Voz A

Olho d'Água do Casado, não é tanto.

HSHelianderson Silva

É Olho d'Água do Casado, eu acredito que é mais ou menos ali por trás do Morro da Maçaranduba. E encontramos umas pessoas maravilhosas, muito dispostas a contribuir mesmo, e ofereceram as suas casas de fato, assim, literalmente. Para que a gente pudesse entrar e trabalhar e usar e gravar. Enfim, emprestaram vários elementos que foram usados na cenografia também. Então gravamos nesse lugar, né, gravamos em outras locações também da cidade, como na própria igreja, na fachada.

?Voz A

Você lembra quantas velas foi usada para gravar a série?

HSHelianderson Silva

Ave Maria, foram muitas velas, muitas, muitas, muitas velas. A gente tinha uma estimativa na época, é porque agora eu esqueci, mas tipo assim, foram muitas velas, foram de 1000 velas, mas muito mais, 5000, acho que mais. Assim, eram caixas e caixas de vela. A gente usou muita vela na cenografia porque no roteiro a gente optou em representar a Piraca sem eletricidade. Sabemos que na década de 70 já existia eletricidade aqui, sim, mas a gente preferiu representar sem, pela dramaticidade, pela estética que isso iria trazer, e esse desafio de fazer uma iluminação à luz de velas para o cinema.

E aí eram muitas velas acesas em várias em vários cenários e a gente precisava ficar mantendo essas velas dentro do tamanho que elas estavam pela continuidade, né? E aí é tipo um desafio você controlar o tamanho da vela, a vela vai se derretendo, né? E aí a gente tem que ter esse cuidado também. Depois eu me arrependi, eu disse, gente, para quê?

?Voz A

A vela tá aqui, aí a continuidade da vela tá aqui. É o sol, né?

HSHelianderson Silva

Ficar trocando isso, a gente tem que ficar trocando a todo tempo. Meio que as de cima descia porque as de baixo já estavam menores do que as de cima. E aí tinha todo esse cuidado de— e que me queimei várias vezes, as minhas roupas todas pingadas de vela. Tipo, essa parte da vela foi complicada, um sofrimento isso. Mas assim, gravamos em outras locações, gravamos em uma casa que eu precisei transformar toda a casa. Era uma casa abandonada, abandonada de fato.

?Voz A

Sim.

HSHelianderson Silva

E aí a gente precisou fazer algumas intervenções estruturais na casa no primeiro momento e depois ambientar toda essa casa para que ela virasse um cenário com— era uma casa que era feita por vários cenários dentro dela. Então a sala era cenário, quarto era cenário, a sala de jantar era cenário. Então meio que— meio não, né? Eu precisei montar uma casa toda e era um cenário de 360 graus assim. Eu acho que isso foi muito importante para fotografia, quando a gente fala da direção de arte, que é muito importante a fotografia também absurdamente importante, trazendo esses enquadramentos, né, dando destaque no que eu coloquei, porque eu poderia encher de coisas e o plano ficar lá aberto e ponto.

Não, mas aí Daniel, juntamente com vocês todos, tiveram a preocupação de ir lá, de chegar perto, de caminhar, de pegar as perspectivas. Eu usei cores distintas nos ambientes para que você pegasse em perspectiva aquele lá no fundo de uma cor, aquele na frente com a outra coloração que se conversava e que ainda se engrandecia quando se trabalhava a iluminação, né? Então a fotografia incrível também de valorização, né? É bom quando se tem essa relação de amizade e de profissionalismo com os diretores de fotografia, as pessoas da fotografia, porque aí sempre dá uma conversada.

Ei, amigo, veja isso daqui que eu coloquei, eu quero muito que você dê um destaque, isso é muito importante, porque aí fala mais, fala muito sobre o roteiro também, engrandece ainda mais o que tá sendo apresentado em cena. Às vezes é um elemento pequeno, mas representa muito naquele local, tá lá, foi tudo muito bem pensado. Né, tudo, toda arte ela é muito bem pensada. Inclusive, como a casa era todo um cenário, né, a gente sempre pedia para que as pessoas tivessem cuidado enquanto estavam andando pela casa, porque você tava andando pelo cenário, né.

Então muita gente para gravar, muitas equipes no momento do gravando. Então para que se tivesse esse cuidado também com o cenário, né. Tudo, tudo lá é muito bem pensado, tudo é muito bem posicionado, tudo antes da finalização de começar a gravar. A gente tem um pre-light, né, que aí que a gente vai definir todas essas questões para que fique tudo muito bem amarradozinho para quando for gravando. Então tudo é muito, muito importante, não pode mexer ainda, não pode.

?Voz A

Não, e também interessante é isso que você falou, que construir uma casa. A casa já tava construída, abandonada, teve que pintar a casa. Eu acho que depois da gravação, uma semana depois, tava previsto para casa ser demolida, né? Que aquela casa não existiria mais. Que eu acho que uma pena, que aquela casa deveria ser feita um monumento para, tipo, ali o pessoal já usou, tá em um curta, já usou. É uma casa que é massa para filmes, né?

HSHelianderson Silva

Isso, a casa ela tá dentro de um terreno que hoje que na época já, na realidade, já seria um terreno transformado em loteamento residencial, algo do tipo assim. E aí eles iriam mesmo derrubar a casa, possivelmente iam manter por algum tempo como depósito mesmo, como base da obra, né? Toda obra precisa ter um lugar para ser meio que um canteiro assim. E mas eles iam derrubar, tanto que eles deixaram livre para que a gente pudesse fazer a intervenção que a gente precisasse.

Na questão de quebrar paredes, o que fosse necessário. Mas a casa já apresentava uma estética muito, muito boa para o que a gente precisava. A gente fez, fez uma, a gente quebrou algumas paredes sim para fazer uma transformação, justamente para que a fotografia se comportasse tipo assim melhor, né, desse mais oportunidade para fotografia gravar melhor o que tava lá em cena. A gente fez um ajuste, e aí fizemos alguns ajustes em portas também, nas janelas.

Fizemos um grande ajuste no telhado também, que possivelmente iria até desabar. Aí a gente precisou fazer essa intervenção, e até bem interessante, porque dentro dessas questões das locações A locação, ela vai nortear a gente para que a gente faça intervenção ou não, porque às vezes ela nos serve muito e às vezes ela precisa ser mexida. E aí, quando não serve, a gente também não insiste, né? Enfim, quando se fala de locações também, quando estamos dentro desse contexto durante a gravação, né, a gente trabalhou com umas 8, umas 7 locações ou 8, mais ou menos.

E aí, quando você fala em desafio, um outro desafio que eu tô encontrando agora, os desafios durante a gravação, era que teve uma locação específica que era uma bodega. E essa bodega a gente tinha que gravar só durante só um dia. A gente só tinha um dia para gravar nessa bodega. Porque era uma locação de um espaço que de fato funcionava e a gente precisaria deixar, não usar tanto o tempo, né, do rapaz, do dono. E aí a gente um dia antes foi fazer uma montagem, né, e fazer um estudo de como que a gente iria transformar essa bodega em uma bodega em outra época no momento do almoço.

A gente começou a gravar pela manhã e a bodega era da década de 70. E aí eu já havia ensaiado com a equipe antes uma formatação, um jeito onde coreografado inclusive, que cada um ia pegar tal coisa e ia ser para que tudo andasse. Durante o almoço foi feita essa mudança E quando todo mundo volta do almoço, a gente já tem uma bodega, a mesma bodega, só que em outra época, no caso, na atualidade. Então isso foi bem interessante assim, porque tipo, a gente precisa trabalhar bem as locações e tem essas mudanças de locações.

Ao mesmo tempo, eu precisava estar no set e estar nas locações porque seriam gravados logo mais à frente. Então meio que você tem que se virar em 2, em 3, em 4.

?Voz A

É, quando a equipe tá montando ou desmontando um set, outra já tá montando outro set, porque amanhã já tem gravação, ou no mesmo dia, na mesma diária, que são 7 horas, tem outra gravação, né?

HSHelianderson Silva

Isso, isso mesmo. A gente estava no set, mas ao mesmo tempo tem outra parte da equipe que estava na locação montando, e a gente tem uma data específica para montar, para gravar. Então tem que ser tudo muito bem organizado. Para que essa sistemática caiba e não fique alguém, aliás, algum dos campos em falta. Por exemplo, tinha que ter gente no set, tinha que ter gente montando, não tinha outra opção assim. Tinha que estar eu e o Márcio direcionando. Então é uma sistemática que a gente vai fazendo para tudo se encaixar.

?Voz A

E também teve a gravação do porra Coevo, né? A gente gravou também no Coevo, foi à noite, tinha também um horário, começar um horário para terminar, equipe reduzida, no centro da cidade, num restaurante chique, que é a abertura da série.

HSHelianderson Silva

Isso, isso mesmo, a gente também gravou no Coevo. E aí já existiam as regras diferentes da casa que seria destruída. Nós tínhamos o Coevo, que é um restaurante termo aqui da cidade, e que a gente tinha essas limitações de tempo, né? Teria que gravar de tal hora, desculpa, até tal hora, e tinha que entrar com todo o cuidado porque é muita maquinária que entra, e câmeras, e tripés, e entre tantas outras coisas. Então já não podia fazer tanta intervenção artística, então Diferente da casa que a gente pintou, quebrou no coelho, a gente só iria colocar elementos que somassem ao que já era a estética do restaurante, muito linda, que casava muito bem com o que a gente precisava, né?

Então são esses desafios, porque além de tudo a locação vai fazer com que você defina essa ambientação, defina essa movimentação artística que você vai dar nela, né? E os limites, né? Por exemplo, o bar era amarelo, amarelo não me servia. E mas a gente não podia pintar, nem tínhamos esse tempo e não podíamos também pintar, né? Então a gente precisa adaptar-se. Aí é quando a ambientação, a cenografia vem para se unir ao que é oferecido.

Não vamos brigar, não vamos não gravar, vamos gravar sim, mas vamos nos adaptar e melhorar. E aí vem o teu artístico da coisa, né? Tem que dar um jeito, tem que resolver.

?Voz A

E também por falta de recurso, né? Ah, é um bar, qualquer canto pode ser um bar. Não, mas o recurso é menor, a gente não tem tanta grana. Mesmo ser uma série de R$1 milhão e meio, faltava dinheiro para terminar essa série, né? Tem isso, né?

HSHelianderson Silva

Isso é muita gente, são cargos, como você mesmo falou, a quantidade de pessoas já é que 200 ou mais, eu acredito que somada bem mais do que isso, assim, todo mundo que fez parte mesmo em vários campos. Mas aí é isso, muita, muita gente trabalhando, muita situação para dar conta, muitas coisas que saem do controle, porque tipo às vezes você programa uma coisa Mas aí aquilo sai do controle, como por exemplo chuvas que encaramos, chuvas fortes, encaramos helicóptero, barulho de helicóptero, encaramos igrejas, barulhos fortes.

Então tudo isso faz com que pare, precise dar uma pausa ou não grave. E aí tem que encontrar uma outra estratégia porque não pode de fato parar, né? Na realidade tem que tem que repensar outra estratégia. E aí tudo isso envolve dinheiro, né? Tipo, todas as estratégias elas estão relacionadas a quanto que a gente tem para investir, né?

?Voz A

E cada dia que se perde é uma grana alta porque tá produzindo, porque não é só filmar, tem equipe, o aluguel do maquinário, é almoço, é logística, é tudo, né? Cinema é você ver lindo, se você perde um dia você perdeu uma grana. 50, 60 mil, uma grana. Lili, a gente tá chegando ao final do nosso podcast. Queria perguntar a você, um papo maravilhoso. Lili, obrigado por ter participado do podcast. Comenta, fala aí as suas redes sociais, como é que a galera pode lhe achar, lhe encontrar.

HSHelianderson Silva

Vamos lá, eu tenho dois perfis. Eu tenho um perfil profissional que é elianderson.ar, @arca, e aí vocês vão encontrar os meus projetos de arquitetura, algumas postagens de trabalhos que eu estou fazendo nesse momento envolvendo arquitetura e aderação de arte. E eu tenho meu perfil profissional, meu perfil pessoal mesmo, que é @soheliandersson, e aí lá vocês encontram a minha vida pessoal, só que eu não posto nada, eu sou bem parada de rede social.

Mas aí podem seguir lá, é bom ter seguidores. Eu vejo tudo, na realidade eu só não posto nada, aquela Eles estão espionando por aqui, galera.

?Voz A

Eli Anderson, muito obrigado, foi maravilhoso nosso papo, gente. Você que tá acompanhando aí, vai estar na descrição as redes sociais do Eli Anderson, também vai ter a indicação dele. Se ele não mandou, eu vou cobrar um vídeo dele para a gente postar no TikTok, no Instagram do Nerd. Gente, muito obrigado, que a força esteja com vocês. E galera, valeu, muito obrigado, Lili. Valeu, obrigado de verdade.

HSHelianderson Silva

Valeu, valeu, amigo. Valeu, galera. Valeu.

?Voz A

Obrigadão, boa noite, galera, e fomos!

Ntcast 148 – Helianderson Silva direção de arte no cinema | Castnews Index — Castnews Index