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#108 Luiz Martins Bastos Neto - Evoluir sem perder a essência | Podcast Do Em Busca

19 de setembro de 20261h9min
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Como evoluir sem perder a essência do Cavalo Crioulo?

No episódio #108 do Podcast Em Busca do Cavalo Crioulo, conversamos com Luiz Martins Bastos Neto, criador da Estância Parayso, com 50 anos dedicados à criação e mais de três décadas de atuação como jurado da raça.

Herdeiro de uma família presente na Fronteira Oeste desde 1813, Luiz relembra a trajetória de seu avô e de seu pai, a histórica aquisição de La Invernada Aniversário, a chegada da genética chilena ao Brasil e as transformações que ajudaram a construir o Cavalo Crioulo atual.

O bate-papo também avança sobre os desafios do presente: a profissionalização das cabanhas, os altos custos do Freio de Ouro, a valorização comercial da morfologia, a premiação em dinheiro, o uso da tecnologia nos julgamentos e a responsabilidade de estabelecer regras iguais para todos.

Entre tradição e modernidade, Luiz defende que a raça continue evoluindo sem perder seus pilares: estrutura, volume, resistência, rusticidade, funcionalidade e qualidade racial. Para ele, o Crioulo precisa continuar levando vida de cavalo — e não se transformar em um “bibelô de prateleira”.

Um episódio sobre história, mercado, seleção, responsabilidade e o futuro de uma raça que cresceu sem poder esquecer de onde veio.

Na tua opinião, o que o Cavalo Crioulo precisa preservar enquanto continua evoluindo? Deixa teu comentário, inscreve-te no canal e acompanha os próximos episódios.

#CavaloCrioulo #EmBuscaDoCavaloCrioulo #FreioDeOuro #Podcast #Expointer

Participantes neste episódio1
L

Luiz Martins Bastos Neto

ConvidadoCriador de cavalo crioulo
Assuntos6
  • A história da família Martins Bastos e a criação do Cavalo Crioulochegada em Uruguaiana em 1813·tradição na criação de gado e ovelhas·manter o respeito e a tradição familiar
  • A aquisição histórica de La Invernada Aniversário e a genética chilenaprimeiros chilenos trazidos ao Brasil·compra do Aniversário em Palermo·impacto do chileno na função do cavalo
  • A importância da estrutura, rusticidade e qualidade racial do Cavalo Criouloperda de estrutura óssea·cavalos muito delicados·cavalo precisa levar vida de cavalo
  • Os desafios e custos do Freio de Ouro e a premiação em dinheiroreceio com premiação em dinheiro·custos elevados de treinamento·diminuição de participantes
  • A evolução da morfologia e a valorização do cavalo crioulomorfologia mais evoluída hoje·cavalo finalista versus potro campeão·influência do mercado na seleção
  • O futuro da raça Crioula e a necessidade de preservar sua essênciaevolução da associação como empresa·regras e regulamentos para todos·manter o nível de respeito e educação
Transcrição175 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Muito bem, pessoal, estamos aqui na Expo Inter e diretamente com o estúdio improvisado na nova casa de convivência do Cavalo Crioulo. E o meu convidado de hoje é o seguinte, tem um sobrenome pesado, pesado, pesado, e nada mais nada menos que— não tô querendo entregar tua idade, tá, mas 50 anos de criação e 30 anos como jurado. Tô errado ou não?

LMLuiz Martins Bastos Neto

Tá certo.

?Voz A

Luiz Neto, muito obrigado pelo tempo aqui, pela disponibilidade para a gente poder conversar. É Luiz Martins Bastos Neto?

LMLuiz Martins Bastos Neto

Exatamente.

?Voz A

É muito Martins, é muito, é muitos Bastos que a gente chega a se perder na família aí.

LMLuiz Martins Bastos Neto

Obrigado pelo convite. É que na verdade o Martins Bastos é um sobrenome composto, se usa, se usa os dois. E Neto porque leva o mesmo nome do meu avô, então se acrescentou o Neto no final do nome.

?Voz A

Agora, Luiz, esse fato do nome composto, uma vez eu tive um bate-papo com Chico, o Chico me disse que há 200 anos, não é, e não é literalmente há 200 anos atrás, não, é há 2 séculos atrás, a família Martins Bastos foi para fronteira para cuidar da fronteira.

LMLuiz Martins Bastos Neto

Exatamente. Meia hora atrás tava conversando com os amigos da área calçadista aqui de Dois Irmãos e falando justamente sobre isso. O primeiro Martins Bastos chegou em Uruguaiana mais ou menos em 1813, era um tropeiro açoriano. Então, desde essa, mais ou menos dessa data, nós estamos em Uruguaiana, que na época não era Uruguaiana, não era Uruguai, não era Brasil, não era Argentina, Uruaiana era uma terra de ninguém. E aí ele se estabeleceu ali e a partir dali recebeu a área da coroa.

E desde mais ou menos essa data a gente tá morando, vivendo e criando cavalo e gado e ovelhas durante muito tempo na região de Uruaiana.

?Voz A

É uma história, né?

LMLuiz Martins Bastos Neto

É uma história, é uma história. E para cada geração fica mais pesado carregar essa história, né? Manter esse nome, manter manter essa tradição, manter o respeito que a família tem, não é fácil, é difícil.

?Voz A

Vocês são 4 irmãos, né?

LMLuiz Martins Bastos Neto

Nós somos 4 irmãos. E eu sou, além de 4 irmãos, eu sou o neto mais velho, por isso recebi o nome do meu avô. Sou eu o mais velho dos irmãos, depois são gêmeos, que é o Chico Francisco Martins Bastos, sobrinho, e o Cláudio Martins Bastos, que mora em Uruguaiana também. E a menor, a caçula, minha irmã, que é Maria Eduarda Bastos de Gena, que é casada com Fabrício, e os dois hoje moram em Porto Alegre. Ela se formou em publicidade e propaganda, trabalha com isso a vida inteira, e os dois trabalham na Fruki. A Maria Eduarda e o Fabrício trabalham na Fruki.

?Voz A

Que é a Kika, né? Não, como é que é o apelido dela? Dada. Dada, tá certo. E o teu irmão Chico é o mais popular, né? Pode-se dizer Porque ele sempre foi, ele sempre foi, desde pequeno, isso sempre foi, porque ele foi para o lado do folclore, né?

LMLuiz Martins Bastos Neto

E aí, na verdade, o Chico sempre teve esse espírito, ele sempre teve esse perfil assim, ele sempre foi diferente. O Cláudio, por isso que eu te digo, muitas vezes me falam em signo, não acredito em signo. Eu tenho irmãos gêmeos que nasceram juntos na mesma hora e são totalmente diferentes de perfil, de tudo. Não tem nada que ver um com o outro. O Cláudio é extremamente introvertido, não vem, não sai, não sai de casa, não vai a lugar nenhum.

E o Chico é a estrela que vocês conhecem. Poucos dias tava em Barreto fazendo sucesso, daqui a pouco tá na Cordilheira, e daqui a pouco ele tá lá não sei aonde.

?Voz A

Então é, já tá declamando na internet.

LMLuiz Martins Bastos Neto

Exatamente, fazendo alguma, declamando algum verso. Esse é o Chico.

?Voz A

E tu não puxou nenhum pouco dessa veia aí?

LMLuiz Martins Bastos Neto

Eu sou não da veia, não. Na área artística não, eu sou uma mistura, digamos, dos dois. Eu sou, tenho um pouco do Chico, um pouco do Cláudio. Não sou muito de aparecer tanto assim, de como de se expor como Chico, e nem tão pouco tão introvertido e fechado como Cláudio é. Eu sou mais ou menos o meio deles.

?Voz A

Tu é um cara que, tu é uma pessoa que quando o cara não te conhece, digo eu assim, o cara fica até com medo de chegar meio perto. Tem assim mais fechadão assim, tem um jeitão mais mais fechado.

LMLuiz Martins Bastos Neto

Quem não me conhece tem um pouco essa impressão de ser uma pessoa mais fechada, mas depois passa, tranquilo, bem tranquilo.

?Voz A

Ô Luiz, teus antepassados usavam cavalo para ir de um ponto ao outro na fronteira, né? Hoje a gente usa o cavalo para buscar resultado, conquistar provas, e tu tem um perfil acho, tô falando que eu imagino, não tô falando que eu tô concretizando. Tu tem um perfil mais conservador, mais tradicionalista, né? E hoje a minha pergunta que eu deixei separada aqui, que era o que eu queria começar, é: o cavalo que teu pai procurava ainda é o cavalo que nós procuramos hoje?

LMLuiz Martins Bastos Neto

É, é o mesmo cavalo. E aí tu vai me dizer: como assim? Que exemplo tu me dá disso? Eu te dou o exemplo que o meu pai e meu avô fizeram um cavalo que se chamava Destaque da Tradição, que foi um cavalo modelo totalmente revolucionário na época. E se fosse hoje, ele seria um cavalo maravilhoso, igual um concurso de morfologia, igual, porque era um cavalo extremamente diferenciado. Foi reservado e grande campeão esteio, depois foi Grande campeão da FIC.

Então, um cavalo que foi muito moderno. E o meu avô e o meu pai foram criadores muito além do seu tempo, tanto que os primeiros chilenos trazidos ao Brasil oficialmente foram cavalos trazidos por ele. Foi o Aniversário primeiro e depois o Trem Trem, a Rebocca, que vem a ser o pai do Horneiro. Então, sempre foram pessoas que pensaram um pouco mais adiante. E eu acrescento muito nisso O andar a cavalo, ser homem do cavalo, de andar a cavalo.

O meu avô montou a cavalo até os seus 80 anos, tinha suas éguas em silla, que eram éguas espetaculares. O meu pai também gostava de andar, toda a família. Uns jogavam polo, outros jogam polo. Dentro da família tem uma, tem um ramo do tio Cabeto ali, que são meus 4 irmãos 4 primos irmãos que foram grandes jogadores, foram campeões mundiais nos Estados Unidos, 2 irmãos. Eu joguei polo por um bom tempo, Cláudio, meu irmão, também.

Então o polo também são gente do cavalo, principalmente do cavalo crioulo. Então eu acho que essa seleção foi feita e eu acho que hoje o cavalo de hoje seria o cavalo que eles estariam procurando, porque foram pessoas que montaram e gostavam de cavalo bom e gostavam de andar em cavalo bom. E hoje cada vez mais o nosso cavalo é um cavalo espetacularmente funcional, um cavalo com controle, um cavalo com temperamento, um cavalo com habilidade.

E eu devo, acho que muito desse cavalo de hoje, ao ingresso do cavalo chileno. Eu acho que o chileno deu uma mexida na função do nosso cavalo e consequentemente ao freio de ouro. Antigamente se tinha uns cavalos muito mais rígidos, com muito mais aguente, que são os cavalos marcheiros hoje. Que eu também sou um grande admirador da marcha. O Pedro, meu filho, adora correr marchita, e se Deus quiser vai correr marcha. Estamos trabalhando para isso.

Então eu sou um admirador do cavalo de sela, o cavalo que tu possa montar e usar.

?Voz A

Sim. E essa vinda do chileno foi um divisor de águas, né?

LMLuiz Martins Bastos Neto

Sem dúvida.

?Voz A

Eu queria que tu pudesse contar o que que tu lembra assim dessa, da tua infância com essa com essa, com essas histórias assim vivenciadas ali em Uruguaiana com teu pai, com teu avô?

LMLuiz Martins Bastos Neto

Tu sabe que a história do aniversário eu tenho, escutei várias e várias e várias vezes, porque foi uma coisa louca assim. Meu pai, na época, as grandes exposições aconteceu Menino Deus já, mas grandes exposições eram primeiro Buenos Aires, Palermo, depois o Prado, foram muito anteriores ao Menino Deus e consequentemente anteriores ao esteio. Então se ia muito para lá. E chegaram lá e um dia tá o meu avô assistindo um julgamento morfológico e chamou meu pai, já era formado, já cuidava dos campos da família, e perguntou: Luiz Antônio, o que tu acha daquele cavalo zaino que tá ali?

E meu pai olhou e disse: é um cavalo diferente dos outros. Era o aniversário e era um cavalo de um modelo totalmente diferente dos outros. Que que aconteceu? E aí o meu avô disse, esse é o cavalo chileno. Muito interessante. Ficaram conversando ali. Depois, no outro dia, o cavalo ganhou um movimento que tinha de rédea e resolveram comprar o cavalo. O meu avô resolveu comprar. E muitos argentinos antes da compra do cavalo, malhavam muito o cavalo, dizendo que o cavalo era diferente, que não tinha nada que ver com cavalo crioulo, que sei eu.

?Voz A

Isso que eu queria, que eu queria entender, se naquela época tinha essa questão, esse questionamento aí. Não, mas isso aí não era crioulo, isso aí tinha esse questionamento.

LMLuiz Martins Bastos Neto

E na verdade existia uma, um pouco de marketing contrário ao aniversário pontualmente, porque eles queriam comprar esse cavalo. Tá, tá. E aí desdenhavam, desdenhavam para o olho. Exatamente. O que aconteceu? O proprietário do cavalo durante a noite foi ao hotel do meu avô porque meu avô mostrou interesse no cavalo. E na época pediu um absurdo em dólar pelo cavalo, mas meu avô ficou tão enlouquecido pelo cavalo e comprou o cavalo, comprou o cavalo e convidou os seus sobrinhos, que era o Flávio e o Roberto Elecheia, e o seu irmão, que era Francisco Martins Bastos, compraram o cavalo.

No outro dia chega a notícia em Palermo que na noite seria o remate, que os Bastos compraram o cavalo. Os Bastos compraram o cavalo e o seu Emílio Solané, que era íntimo amigo do meu avô, foi falar com meu avô para o meu avô abrir mão do negócio. E deixasse o cavalo ir a remate, ir a leilão. Meu avô disse: não, de maneira nenhuma. Vocês estavam falando mal do cavalo ontem, e aí o proprietário do cavalo vai e me oferece o cavalo.

Comprei o cavalo, o cavalo não vai a remate. Mas, Emílio, nós somos muito amigos, tu me manda 5 éguas para botar com aniversário. Naquela época as fronteiras cruzava ao trote em cima da ponte.

?Voz A

Ele mandou facilidade de frete também, né?

LMLuiz Martins Bastos Neto

Vinha de trem. Ele botou 5 éguas num vagão em Buenos Aires, desceu em Libres, cruzou por cima da ponte. E aí o meu avô emprenhou as 5 éguas, elas pariram, e ele emprenhou novamente essas éguas e botou de novo num vagão, e essas éguas foram para Buenos Aires. Só que existe uma lacuna aí nessa história, que não existe nenhum animal registrado no afixo Solané com filho do aniversário. Então não sei se o que que houve que não aparece, não, nos livros da Argentina não aparece.

Então essa foi a história do aniversário. Na história do aniversário foi comprada pelo meu avô, meu pai, e convidado o tio Flávio, tio Roberto Lixêa e o tio Chico para comprarem. Foram sócios do cavalo até o cavalo morrer. E realmente foi um cavalo que até pouco tempo foi um cavalo que era fora do normal, né? Fora. Eu acho que talvez, eu sempre digo isso, talvez o grande sucesso do Horneiro, que foi o grande pai com resultado da raça, tenha sido devido a trabalhar em cima de mães aniversário.

Porque o tio Flávio e tio Roberto usavam o cavalo como sócios e donos tanto quanto os outros. Então para mim foi um casamento perfeito, mãe aniversário e pai orneiro.

?Voz A

E naquela época também existia trem, né? Porque eu lembro de histórias do seu Luiz Carlos contando que tinha trem que saía de Uruguaiana, vinha a Porto Alegre trazer para exposição, né?

LMLuiz Martins Bastos Neto

Mas eu, eu com 6, 7 anos de idade, não sei se tu conhece Uruguaiana ou não, o Parcão de Uruguaiana, ali onde tem a Praça Esporte, do lado da rodoviária, Ali se carregava os animais para Esteio, cavalo, carneiro, touro, tudo se carregava ali, botava nos vagões, descia o mais próximo possível e dali se transladava de caminhão para o Parque de Esteio e anteriormente para o Menino Deus, né? Sim, era tudo de trem. E o trem, até pouco tempo, o trem-trem que foi o segundo chileno a entrar no Brasil, veio do Chile para Argentina E de Buenos Aires até Uruguaiana de trem.

?Voz A

Do Chile para Argentina vinha de trem também.

LMLuiz Martins Bastos Neto

Aí eu não sei te dizer se foi trem ou não, mas de Buenos Aires ou de parte da Argentina até Uruguaiana foi. E eu me lembro que o cavalo desceu quase morto porque lacraram o vagão e o cavalo não tinha comida. E a sorte que tinha um dos caras que cuidavam, trabalhavam no trem, botava água numa mangueira e ficava nos quadros do piso do vagão e ele tomava água ali, senão teria morrido. Desceu muito, muito magro, muito feio. Então era um meio de transporte muito usado, e inclusive o trem argentino cruzava para uruguaiana e de uruguaiana para Libras. Existiu o fluxo diário dele, era tudo tranquilo, era mais fácil que hoje.

?Voz A

É, hoje o cara não quer comprar um vinho, tu fica trancado ali, né, dependendo da quantidade. Mas E esse, o fato de não registrarem, tu acha que por que que não pode não ter registrado?

LMLuiz Martins Bastos Neto

Eu seria muito, eu acho que eu seria muito irresponsável de dar uma opinião para uma cabanha, para uma pessoa que foi tão importante para raça, que foi quem fundou a raça, quem originou, quem foi até a Patagônia buscar os cavalos com os caciques e selecionar cavalo. Eu não sei realmente o que aconteceu, mas foi isso, uma, isso é um fato, um fato.

?Voz A

E o porquê se fala, né, acho que deve ter muitos registros perdidos, né, de antigo, né?

LMLuiz Martins Bastos Neto

Com certeza teve. Antigamente eram livros, e livros e papel se estraga, molha, borra, muitas coisas acontecem, né? Sim. Apesar de eu ser meio antitecnológico, eu gosto muito do papel. Papel não esquece, a cabeça esquece. E o celular às vezes tu perde, às vezes apaga, quebra, estraga, ou nem olha, né?

?Voz A

Porque às vezes tá ali tudo, agora que eu precisar eu olho. A gente termina nem olhando, nem olhando, nem olhando. E essa é uma das coisas assim, essa, esse, tu participou do CDT, tu foi coordenador do CDT 2 anos, né? 2 presidências, né? Não 2 anos, 2 gestões, né?

LMLuiz Martins Bastos Neto

Eu fui presidente do CDT por 2 gestões. Primeiro, a primeira gestão do Henrique Teixeira, E depois na gestão do dado, Sunyé. E anteriormente eu fui convidado pelo Zé Laitano para ser presidente do CDT. E por um motivo que tava familiar naquele momento, meu pai já tava doente, eu tava com outros problemas cuidando de propriedades, não tinha. E naquela época, hoje ainda, mas antes era mais, a tua disponibilidade para associação era muito grande, viajava todo fim de semana.

Então naquele momento eu agradeci o Zé e não aceitei por situações de trabalho mesmo, de responsabilidade. Depois quando o Dado veio, aí me disse, olha, tu vai comigo, vai comigo. E se tem duas pessoas que eu não posso nunca negar nada dentro da raça é o Máriozinho e o Dado, que são como meus irmãos, não são de sangue mas são de coração. Então são pessoas que eu não posso nunca, e me botaram dentro da raça, me formaram muito do que eu sei, eu aprendi com os dois.

Então realmente são duas pessoas que eu não poderia nunca deixar na mão. Mas, e durante outros anos, vários anos seguidos, eu fui membro do Conselho Técnico. E então participei durante muito tempo dentro da associação, talvez mais de, como membro de algum cargo dentro da associação, principalmente Conselho Técnico, mais de 20 anos.

?Voz A

Tio, tu por todo esse processo que tu conviveu dentro da associação, hoje a gente tá vivendo outros momentos, né? E como é que tu enxerga essa evolução da associação assim, antes de nós entrar em evolução do cavalo principalmente?

LMLuiz Martins Bastos Neto

Tio, eu acho que tem coisas que são realmente espetaculares, né? Essa estrutura que hoje a BCC disponibiliza aqui, hoje eu não acredito que tenha outra raça que disponibilize tanta qualidade de pista, de estrutura, pista de aquecimento, ter teto na pista, toda essa estrutura de convivência, inclusive de comercial que a BCC proporciona, é espetacular. Eu tenho algumas coisas que eu tenho um pouco de medo, tenho um pouco de medo.

Sinceramente, eu tenho um pouco de medo. Essa parte da premiação em dinheiro, eu tenho um pouco de medo em relação a isso.

?Voz A

Ela tava na pauta, mas lá para baixo, mais para o final. Mas já que tu tocou no assunto, acho que a gente pode—

LMLuiz Martins Bastos Neto

Eu tenho um pouco de medo porque eu acho que tudo que tem dinheiro, envolve dinheiro, é mais fácil das coisas serem corrompidas, tá? E eu Eu tenho um pouco de receio em relação a isso. O presidente André me perguntou qual era a minha opinião. Eu disse para ele há um tempo atrás e vamos ver. Eu acho que essa situação das bets que tem aí para outros esportes, eu acho que vai passar por alguma situação daqui para frente. Eu acho que é um pouco controlada porque tá causando muitas dívidas no país inteiro e eu acho que onde tem jogo, tem aposta. Eu tenho meu medo, tenho meu medo.

?Voz A

É, assim, na realidade a gente não teria aposta aqui, né? Isso seria— mas eu te entendo, eu te entendo. A questão da premiação, ela na teoria não entra como aposta, né?

LMLuiz Martins Bastos Neto

Não, não, eu sei disso, mas vai consequentemente. Eu acho que talvez venha isso.

?Voz A

A gente chegou a ter, né, 2023, 2024, essas bets, né? Patrocinando. E uma das coisas que foi solicitada era que não abrisse apostas, né, sobre o cavalo. E até numa das reuniões que eu participei das reuniões, a gente teria apostas assim como se houvesse apostas, teria que ser num lado positivo, não de um lado, ah, perdeu um boi de um lado, quem vai perder um boi? Não, sabe, seria uma aposta, quantas placas 10 pode sair durante a andadura. Um exemplo, né?

LMLuiz Martins Bastos Neto

Eu vou, eu tenho um exemplo que eu acho que é muito simplista para tudo que envolve, no caso, a minha opinião, né, da premiação em dinheiro. Eu tenho um cavalo e tu tem outro cavalo, e o meu, nosso jinete é o mesmo, é o Pedro. Chega sábado ou na sexta-feira de noite, nossos dois cavalos estão bem, colocados. Chega o Pedro para mim, me disse: e aí, seu Bispo, tudo bem? Tudo bem. Como é que vamos fazer a premiação amanhã se nós ganhar alguma coisa?

Aí eu digo para o Pedro, digo: Pedro, a premiação é minha, eu pago o teu salário, o teu treinamento, ou que tu me cobra todo mês certinho, e a premiação é especificada por proprietário do cavalo. Então eu não tenho nada para te repassar. Aí o Pedro vai e fala contigo, que também tem um cavalo, te dou a metade da premiação, te dou a metade da premiação. Se por mais profissional que seja o Pedro, ele vai botar um pouco mais de atenção no cavalo, que ele vai ter uma rentabilidade maior, ele vai ganhar uma premiação em dinheiro, é interessante para ele, ele vive daquilo.

Eu não tô dizendo que seja ilegal para o Pedro, mas no subconsciente do Pedro isso vai ter um peso, não tem como não ter, entendeu? Mas eu tô te dando um exemplo muito mais simbólico e de um pouco que eu vejo a situação. Mas sei lá, vamos ver, vamos ver como é que vai acontecer.

?Voz A

Eu não tenho que avaliar o primeiro ano e depois, se tiver que dar um passo para trás, eu até perguntei, eu até perguntei para o Doutorzinho, como nós chamamos, me ligou um dia perguntando a minha opinião bem, mas temos atraso.

LMLuiz Martins Bastos Neto

Eu disse para ele, a gente, nós temos grandes patrocinadores hoje da raça, quer dar um prêmio, dá uma caminhonete zero quilômetro para o ganhador dos machos e um ganhador das fêmeas com a marca da BCC na porta. Nunca vai vender aquela caminhonete, aquela caminhonete vai ficar para o resto da vida, ele vai andar nela. E eu acho que é muito mais simboliza muito mais a premiação e não dá o dinheiro em si. Mas é uma, isso é uma minha opinião, uma opinião minha particular, simplista, e que eu inclusive comentei isso com ele.

?Voz A

Sim, mas é a visão que a gente vinha falando, uma visão de mais tradição, mais conservador, e com receios que são pertinentes, né?

LMLuiz Martins Bastos Neto

É, mas a partir de quem implantou o antidoping dentro do cavalo crioulo foi na nossa gestão, no Conseltec. Sim, sim, mas eu digo, então quer dizer, dentro do conservadorismo se deu um passo importante para o, aí tu busca tua veia familiar que foi lá e buscou Eu acho que, eu acho que as coisas novas são importantes, mas eu acho que tem que estudar um pouco elas antes de fazer e botar em prática.

?Voz A

Mas pelo fato assim que nem se fala muito que pode fomentar mais o freio, tu—

LMLuiz Martins Bastos Neto

Eu acho que essa é, para mim, esse é o objetivo que a diretoria procura, bem claro.

?Voz A

Acredita nisso? Que possa o ciclo aumentar, os números de credenciadoras, o número de credenciadora não, os números de participantes nas credenciadoras.

LMLuiz Martins Bastos Neto

Se isso conseguir, se esse objetivo, que eu acho que eu acredito que seja o objetivo da diretoria, ok, conseguiram. Porque eu sinto isso, o número, a diminuição de participantes, mas eu acho que o grande motivo da diminuição realmente são custos. E eu te falo por mim, criador, o ano passado meus dois primeiros animais que eu coloquei para treinar chegaram à final do Freio de Ouro, 100% de aproveitamento, uma égua e um cavalo. Se eu não tivesse sócios, eu não teria treinado esses animais, porque com o meu trabalho, com a minha renda, eu não tenho como manter um cavalo em treinamento.

Tá, o ano que vem eu tenho duas éguas treinando para correr o ano que vem. Se eu não tivesse sócios, essas éguas não estariam em treinamento. Eu não tenho condições de bancar isso com o meu trabalho, que eu sou do agro, eu sou do trabalho com gado, a minha produção e meu trabalho não, não me permite isso. Então eu acho que o grande motivo da diminuição de animais é o custo elevado do treinamento, do veterinário, do ferro, do frete, da inscrição, de todo o pacote que envolve o treinamento e a competição no freio.

Sim. Se a diretoria com essa premiação lograr que aumente o número de participantes, eu acho que aí, ok, aí conseguiram um objetivo. Sim.

?Voz A

E onde é que tu acha que, por exemplo, vamos lá, olhando, eu sempre Eu sempre, quando eu te pergunto, eu gosto que tu faça associação sempre do tempo que tu conviveu, né, que tu teve aquela experiência com teu pai, com teu avô, e das histórias e do teu início de criação. 50 anos de criação não é hoje, e o cavalo dos 50 anos até hoje mudou muito, mudou muito. Hoje a gente fala em empresas, hoje uma cabanha é uma empresa, né, uma estância é uma empresa.

Não que antes não fosse, Mas vamos lá, associação antigamente, com todo respeito e todo carinho, ela era uma reunião de amigos. Hoje associação já não pode ser mais tratada assim, sem dúvida nenhuma.

LMLuiz Martins Bastos Neto

Vi várias reuniões, várias conversas de mate com meu avô, com meu pai, com tio Antoninho, que foi um grande jurado e um grande criador, que se reuniam no escritório na segunda-feira de manhã para conversar. Eu sempre falava isso assim quando eu comecei a participar diretamente dentro da diretoria da BCC. Eu digo, vocês têm uma ideia poética ainda da BCC, que era o seu Bilisário, o Luiz, o Ângelo, o Chico, Flávio, Roberto, o Lito Sarmento, Bilisário Sarmento, Carlos Mário, pessoal do Jaguarão.

Não é mais assim, entra muita gente, muita gente de fora e tu tem que botar regras. E essas regras têm que ser cumpridas, porque antigamente o que um homem daqueles falava e todos concordavam era lei, terminava, era fio de bigode, era falar. Associação ficou muito grande hoje. Se tu não tiver ato, tu não tiver regulamento, tu não tiver leis a ser cumpridas, bom, aí não existe controle mais, né? Não existe. Eu vejo dessa maneira, eu vejo dessa maneira.

?Voz A

E aonde é que tu, em que momento tu acha que o cavalo deixou de ser um Não digo deixou de ser, mas ele, o cavalo hoje, ele é um projeto. Em que momento tu acha que virou isso? Porque é que nem tu fala, para mim, quando tu fala, ah, é veterinário, é ferreiro, é jinete, é frete, é planejamento, isso é projeto.

LMLuiz Martins Bastos Neto

Eu tô falando um projeto, sem dúvida, e um projeto que não é barato hoje em dia. O custo de um cavalo assim, tirando por baixo um ano de treinamento de um cavalo com tudo que tem direito, sem nenhum problema grave veterinário, digamos, tu vai gastar aí, sei lá, R$70.000, R$80.000.

?Voz A

É que se tu botar mesmo no papel, tu arrepia antes, né?

LMLuiz Martins Bastos Neto

Exatamente isso. Então tá, e tu tem, se eu tenho sobrando e é o meu prazer, tranquilo, vamos lá. Tem gente que Viaja 3 vezes por ano para Europa, outros, mas é questão de prioridade de cada um. Eu tô nisso aí, isso aqui tá dentro do meu sangue, tá na minha genética, senão não teria como. O que eu gosto de fazer, meu prazer hoje com cavalo, chama paleteada. Eu faço talvez mais de 30 anos que eu corro a final de paleteada. Comecei com meu filho correr, o Pedro, meu filho, foi o primeiro, a criança mais nova a correr uma final de paleteada.

Correu com 11 anos. Esse ano ele tá com 14, corre a terceira, correu o final com 11, final com 12, final com 13, vai correr com 14, se Deus quiser. 4 anos de final de paleteada. Esse é o meu prazer, é a maneira que eu tenho de usufruir do cavalo. Quando essa chave mudou? É uma boa pergunta.

?Voz A

Porque assim, ó, quando que passa de ser evolução e daqui a pouco ser um exagero, entende? E eu não tô falando mal, porque hoje nós estamos, o freio de ouro é a cereja do bolo, sem dúvida, né? E eu tava na Alemanha agora, e aí tu chega, as pessoas, ah, eu trabalho muito com cavalo crioulo, cara. Cavalo crioulo, cavalo do freio de ouro. Ah, eu sei, aquele que faz que faz às vezes barrada, que faz isso, que tu entende? Opa, pera aí, sabe? Então a gente é visto. O freio é a ponta do iceberg, né?

LMLuiz Martins Bastos Neto

O freio, na verdade, hoje o freio para mim é a prova mais completa de seleção, né, de cavalo. Não tem outra igual. Então a caixinha, como acredito que não sei, que não tenha outra raça que aguente fazer o que o nosso cavalo faz nessa sequência em tão pouco tempo. Sim, acho que ganhamos muito com a qualificação de pista. E então acho que isso tudo ajudou. Mas se tu assim, ó, me apertar quando é que essa chave virou, sinceramente eu não sei te dizer, porque veio numa sequência, né, veio numa evolução.

E essa evolução, junto com a evolução, vem outras coisas Boas e ruins, boas e ruins, exatamente. Mas pontualmente eu te dizia, não, não sei, não saberia te responder.

?Voz A

Eu vou te dizer uma coisa, tinha morfologia, você foi árbitro da morfologia. Eu, cara, eu engatinho dentro da raça crioula perto da tua história, tá? Eu tenho 15 anos de raça crioula, tu tem muito mais do que 50. E que tu vem de lá, de trás. Quando que numa morfologia a gente ia brigar com imprensa invadindo pista para entrevistar? Tu viu?

LMLuiz Martins Bastos Neto

Não, eu sofri isso porque eu era árbitro, tava na mesa, e durante todo o tempo tinha agenda na minha frente. Eu digo, por favor, eu tenho que estar observando, porque se acaso me chamam para uma decisão nesse nível já nos grandes campeonatos, eu digo, tem que estar 100% ligado. Claro, mas é uma, eu acho que, e a morfologia não era badalada, né?

?Voz A

Vamos combinar que a morfologia não era badalada. Nós tínhamos a morfologia como um jogo de tênis ali, aquele jogo silêncio, chato, né? Com todo respeito, mas quem gostava, quem gosta muito, e a gente tá ali brigando com imprensa, pelo amor de Deus, sai daqui, vai para o canto, vamos ali, vamos respeitar. Ano que vem nós vamos ter que fazer estrutura diferente para para imprensa não invadir.

LMLuiz Martins Bastos Neto

E eu vou te fazer uma pergunta então, agora eu vou te devolver a pergunta. Não, não, nós temos a prova mais completa de seleção, nós temos a prova mais difícil de chegar, de ganhar. E por que que um cavalo finalista no domingo, um cavalo que passou para o domingo, hoje em dia passou para o sábado, muitas vezes vale menos que um putrilho que foi campeão incentivo numa exposição importante.

?Voz A

Mas isso aí é tu que tem que me responder, não eu. Aí é que tá. E aí eu quero te perguntar isso: quando que o mercado— eu tenho que, ó, o mercado alguma vez empurrou a raça para algum lugar que tu não gostaria? Eu separei uma pergunta dessa aqui para ti. E aí eu acho que vem de encontro com o que tu tá me falando, ou tô equivocado?

LMLuiz Martins Bastos Neto

Não, tá certo. Só que aí que eu te digo, eu acho que A nossa prova é tão complexa e tão difícil de chegar que muito criador tem medo de investir e não chegar. E probabilidade não chegar é muito grande. Em compensação, na sua cabeça, ele vai— vamos dar um exemplo— vai na Alvorada, no Paraná, que eu tive o prazer de julgar por duas vezes, que para mim é um espetáculo de exposição. Espetacular. Um futrilho grande campeão da Alvorada, a probabilidade dele valer mais que um cavalo que ficar nos 10 da final do freio é impressionante.

Por quê? Porque ele vai sair dali, ele vai botar para um centro de treinamento, eu vou levar para sua casa, que tem um cabanheiro que ele contratou, e dali a um mês ele tá competindo, dali a 6 meses tá competindo, dali a um ano tá competindo, dali a 2 anos ele tá esteio. Se tudo correr bem, se ele fizer um processo bem feito. Então, e o freio de ouro foi feito por pessoas que montavam a cavalo, que gostavam do cavalo bom. E talvez parte desses novos investidores hoje não sejam essas pessoas que montem a cavalo, mas que gostem de estar lá, de conviver, do convívio com a família criolista, com a turma do crioulo, mas de estar lá na foto, aparecer na foto, que no freio não é muito fácil. Eu acredito que seja por aí a explicação.

?Voz A

E ao mesmo tempo tu vende o sonho, né?

LMLuiz Martins Bastos Neto

Vende sonho, porque aí um potro é um potro, né?

?Voz A

Um potro é um potro. E se tu chegar ali com um cavalo que foi para o domingo, o máximo, o mínimo que tu tem que fazer se tu comprar ele é chegar no domingo de novo. Ou sábado, né?

LMLuiz Martins Bastos Neto

Exatamente isso aí.

?Voz A

E ali tu vende o sonho e que tu pode.

LMLuiz Martins Bastos Neto

E um boi perdido, tu tá fora.

?Voz A

Quantos cavalos bons deixaram de ser campeão por um boi perdido?

LMLuiz Martins Bastos Neto

Um detalhe, detalhe muito importante, um detalhe é muito importante. É realmente é uma prova muito complexa e muito competitiva e difícil chegar, é difícil. O meu avô, com todos os seus anos de criação, teve 2 freios de prata, nunca ganhou um ouro. E aí é difícil, né? Muito, porque ele no começo ele dizia: meus cavalos não são a bandeira do divino que vão todos os anos. Ele tinha na cabeça dele que os cavalos dele corriam um ano, dois anos no máximo, e parava, ia para cria.

?Voz A

E isso tá diferente hoje, né? Muito mais, porque tu olha só, a gente nunca na história teve Posso estar equivocado, mas eu não lembro. Daqui a pouco tu pode lembrar de 2 freios de ouro voltar para defender título. Antigamente não existia grandes campeões voltar para defender título, não existia isso. E aí vamos assim, ó, mas assim, eu não tô querendo te botar na fogueira, tá? Hoje nesse formato que tá, tu é contra, a favor?

LMLuiz Martins Bastos Neto

Isso depende de cada um. Não sou ninguém para falar, mas tem cavalo que foi campeão da FIC que poderia vir disputar a final da morfologia e não veio. Eu particularmente, eu, Luiz, se eu tenho um cavalo meu que foi grande campeão de esteio, o único degrau que eu tenho para subir com ele é a FIC. E se ele chega a ser grande campeão da FIC Aposento ele, carreira está encerrada. Talvez vá correr um freio se tiver condições, ou vou botar ele na reprodução e vou ofertar o sêmen dele para América do Sul, que hoje Uruguai, Argentina e Brasil e Paraguai circula sêmen por todos os lados.

Eu sinceramente não sei se eu colocaria Mesma coisa um cavalo meu ganhador do freio de ouro. Se eu chegar num freio de ouro, eu como proprietário não boto o cavalo para correr de novo.

?Voz A

Pelo mesmo pensamento, pelo mesmo pensamento.

LMLuiz Martins Bastos Neto

E o freio mais ainda, porque o freio é mais difícil. Qualquer, digamos assim, um jurado, um trio de jurado gosta mais do meu cavalo que gostou, deu menos nota, mais nota, já vai ser a diferença para ele ganhar ou não ganhar. Um boi perdido E com boi ninguém combina nada. Para ganhar um freio, tu tem que passar por duas mangueiras e por duas paleteadas. Tu não combina com boi. Então é uma situação muito, muito delicada. Eu, né, isso é minha opinião, ganhei um freio, ganhei uma grande campeã da FIC.

?Voz A

Mas tu acha, por exemplo, ópio, a índia chega aqui, ela se torna freio de bronze, ela perde o brilho dela?

LMLuiz Martins Bastos Neto

Acho que não, porque para mim os 4 ali é detalhe.

?Voz A

Mas se ela não ganha um metal, ela já, já ganha um chequezinho de dúvida.

LMLuiz Martins Bastos Neto

De dúvida não, mas de arriscar uma coisa que não precisava. Eu sou muito seguro para mim, as coisas todas na minha vida, eu tudo que eu faço na minha vida eu tento o máximo de segurança possível. Eu não sou de arriscar, não gosto muito de arriscar. Sim, gosto de jogar mais, mais certo, como tu diz, eu sou um cara mais tradicional, mais conservador ali.

?Voz A

Vamos no que a gente já sabe, já tem.

LMLuiz Martins Bastos Neto

Exatamente.

?Voz A

E hoje tu tá com, tu tá com um macho aqui, né? É um trovador, né?

LMLuiz Martins Bastos Neto

É, cachimbo trovador. Correu ano passado, entrou no bocal. Esse ano correu aqui a Sul. Entrou e agora corre a final. Esse, teoricamente, esse ano ele encerra a carreira dele. Veio, fez bem, porque é um cavalo funcionalmente muito bom, muito bom.

?Voz A

Trouxe ele de novo porque acha que ele tem condições de ir mais longe.

LMLuiz Martins Bastos Neto

Exatamente, tem condições. Tive, tenho sócios que queriam competir com ele de novo, e eu sou companheiro dos meus companheiros, até para chorar, como eu digo. Quiseram correr, vamos correr de novo. Então ele vem por isso. A égua do ano passado, que correu ano passado, não correu esse ano, foi na reprodução. O meu sócio quer correr ela de novo ano que vem, e aí eu vou correr ela de novo ano que vem. E mais uma outra égua nova, que não, que é inédita ainda. Mas eu sou—

?Voz A

mas o teu sócio, ele tem que ser num perfil parecido com o teu, né? Porque se ele for mais investidor, ele vai querer estar sempre no— vai te contrariar, né?

LMLuiz Martins Bastos Neto

Não, até pode, mas é como o caso da minha égua, que o ano passado ela correu e chegou na final, e esse ano ela tá na reprodução. Ele não cogitou de nós corrermos ela esse ano de novo, só que aí há 2 meses atrás ele me ligou: Tchê Luiz, vamos correr agachado ano que vem de novo? Digo: Tchê, se tu quer correr, vamos correr, eu sou teu companheiro, não tem problema nenhum. Pipoca, né? Pipoca. Vamos correr, vamos correr, não tem problema nenhum.

O Pedro que vai ter que esperar um pouco mais para montar nela, fazer a paleteada dele lá.

?Voz A

E tu acha que, tu acha que a gente corre risco de estar selecionando demais para pista?

LMLuiz Martins Bastos Neto

Não, esse risco eu não tenho.

?Voz A

Esse cavalo de hoje que tá aqui hoje, ele aguentaria mesmo a mesma coisa que o cavalo lá de antigamente de tu quando criança aguentaria no conto?

LMLuiz Martins Bastos Neto

Se ele fosse criado, tivesse tivesse a mesma criação que aqueles tivessem, acho que sim.

?Voz A

Mas ele não tem, não tem, mas ele não tem.

LMLuiz Martins Bastos Neto

Então não acho que, acho que não.

?Voz A

E tu acha que um cavalo desses da tua época lá quando criança poderia competir frente a frente com desses aqui hoje? Quando faria frente?

LMLuiz Martins Bastos Neto

Quando eu criança, talvez, talvez não ia ter a morfologia que tem os cavalos de hoje, porque a nossa morfologia hoje é muito mais evoluída que daquela época. Mas em termos de aguente, eu acho que os cavalos antigamente tinham muito mais aguente, até mesmo por todo o processo. Levavam vida de cavalo durante muito tempo. Hoje em dia, se tu não te nasce um bicho bonito, a égua já fica num poteiro perto das casas comendo uma raçãozinha, ele também.

E dali já vai para o incentivo, e do incentivo ele já vai para outro incentivo para poder comer melhor. Então ele é muito, muito mais, digamos assim, confinado hoje que antigamente. Mas também tenho muito claro que nós não temos mais as distâncias de antigamente e nem a exigência que tínhamos de trabalho que tínhamos antigamente. Então acho que as coisas se adaptam muito a isso, termina compensando, né?

?Voz A

E o fato de tu, de tu mora praticamente, acredito que teu campo seja quase pedaço tanto argentino, pedaço no Brasil praticamente.

LMLuiz Martins Bastos Neto

É nosso, era fronteira, nosso campo é na fronteira, bem na fronteira, bem na fronteira, literalmente.

?Voz A

Muita influência argentina, principalmente a região de Uruguaiana.

LMLuiz Martins Bastos Neto

E vocês também, nós temos muito.

?Voz A

E o cavalo argentino, ele é um biotipo já diferente do nosso.

LMLuiz Martins Bastos Neto

Eu acho, eu acho que a Argentina geneticamente ela tem cavalos em condições de competir com os nossos cavalos igual para igual. E que a Argentina não tem, para mim, é a tecnologia que o nosso cavalo tem hoje em dia, entendeu? Então são muito mais tradicionais ainda. Eu acho que a Argentina hoje é o Brasil de 60 anos atrás. Em termos de criação, em termos de doma, em termos de todo o processo de equinocultura.

?Voz A

Mas o Uruguai, ele era um pouco assim e ele virou a chave, né?

LMLuiz Martins Bastos Neto

Virou a chave para a parte que nós estamos olhando, que é a parte funcional e morfológica. A parte de marcha não. A parte da marcha segue muito tradicional e muito, digamos assim, conservadora. Os marcheiros são ferozes, são muito ruins, e tem que ser rústico, né? O cavalo que corre 750 km em 15 dias a pasto e água, não tem outra maneira de fazer isso. E eu gostei muito, inclusive me lembro, gostei muito da marcha de Jaguarão no ano passado, que a égua filha do Colibri chegou.

Isso aí também quebrou um pouco de paradigma da situação, entendeu? Ah, só os marcheiros, só as linhagens marcheiras chegam sozinhas. Não, uma égua que foi finalista morfologia finalista do Frey, chegou em terceiro ou quarto lugar na marcha. Isso aí é uma quebra de paradigma.

?Voz A

Mas será que daqui a pouco é porque a gente não testa? A gente sempre fica naquela imagem. Exatamente. Deve ser por isso, né?

LMLuiz Martins Bastos Neto

Exatamente por isso. Eu, o Pedro, meu filho, correu a marchita, ficou em terceiro lugar em Uruguaiana, uma água praticamente tirando a pura, e não ficou mais na frente porque ele nunca tinha corrido, não tinha o tempero de tocar mais ou tocar menos, segurar mais, segurar menos. Eu disse para ele que chegasse em terceiro com a tega sobrando. Então eu acho que é um pouco conservador, foi conservador, não quis apostar, não quis apostar, ele não quis apostar.

É isso aí. Então acho que tem, o Uruguai tem muito essa parte extremamente tradicional que é a parte marcheira, tá?

?Voz A

E tu acha que a gente cria cavalos diferentes hoje?

LMLuiz Martins Bastos Neto

Acho que não podemos, acho que não podemos criar. Acho que não podemos criar, e eu vou te dar um exemplo.

?Voz A

Não, acho que a gente também não pode criar, mas eu tô te perguntando se hoje tu acredita que a gente tem que ter a seleção mais para uma coisa que para outra, seleciona mais para uma coisa que para outra.

LMLuiz Martins Bastos Neto

Mas eu vou te dar um exemplo que para mim, eu digo, dei os parabéns para ele. Há 20 dias atrás nós estávamos correndo uma paleteada, uma credenciadora paleteada uruguaiana, e o Caco Souza estava correndo uma dupla de paleteada tentando classificar para final de Uruguaiana, com a Ipiranga e com a outra égua que correu a marcha ano passado. Duas éguas selecionadas para marcha, focadas na marcha, correndo parelhada. Eu digo sempre, tô quebrando paradigmas, não, cara, correndo nas duas éguas, duas éguas bonitas.

Que uma outra coisa que o Caco fala, que eu acho que ele tem muita razão, Caco Souza, cavalo marcheiro não precisa ser feio. É questão de seleção. E as duas éguas são muito bonitas, as duas, tanto Ipiranga como a outra égua, não me lembro o nome agora, correndo. Duas éguas lindas correndo a paleteada. Quer dizer, tem doma, é questão de treinamento, é questão de ajustar. Então eu acho que é questão de foco e de seleção, selecionar para uma coisa ou para outra coisa.

?Voz A

Sim. O que que tu acha que nós estamos perdendo, que o cavalo de antigamente tinha e hoje não tem mais, e que a gente perdeu isso?

LMLuiz Martins Bastos Neto

Que eu acho que nós estamos perdendo um pouco é de estrutura óssea. Eu acho que isso é uma coisa que nós estamos perdendo. Nós estamos começando a ter cavalos muito delicados, e eu acho que um pouco disso é por criação, criação mesmo. Cavalo tem que correr, tem que ficar solto grande parte do seu tempo, tem que levar a vida de cavalo. Eu acho que parte dessa falta de estrutura, eu acho que um pouco entrou com algumas linhagens chilenas, linhagens mais modernas, que é o perfil, né, do chileno já ser mais, mais fininho, né, mais fino.

?Voz A

E outra coisa, é um cavalo que hoje a seleção do Chile é dentro de uma meia-lua É que mais ou menos aquilo que eu tava falando, o fato de tu tá próximo da Argentina, não são cavalos mais grossos, né, eram cavalos mais— hoje os cavalos estão todos mais harmônicos, mais desenhadinhos, né. Os cavalos antigamente eram mais feito a facão assim, né, a gente tinha, grosseiramente falando, né, era mais bruto assim.

LMLuiz Martins Bastos Neto

E também tem um outro detalhe da estrutura e dos cavalos da Argentina, né, Aí volta o que eu tava te falando, eles criam os cavalos como criavam antigamente. Os cavalos da Argentina, muitos cavalos que tu vai ver vão estar soltos. Ah, é inverno, eu vou levar numa exposição na primavera lá. Tá solto num potreiro com -1, -2, mas em compensação estão comendo o pasto de uma das melhores terras do mundo, que é a província de Buenos Aires.

Grande parte da das cabanhas que levam a Palermo estão na grande província de Buenos Aires. Pampa seca, pampa úmida, um pouco Corrientes, entre rios, mas o grande volume tá na província de Buenos Aires, que aí nós estamos falando a qualidade de solo incomparável com outras do Brasil, no caso, que isso também é diretamente envolvido na estrutura e no tamanho, no volume dos animais.

?Voz A

E o que que tu acha que nós precisamos preservar hoje? Parando hoje, a gente já tá perdendo um pouco dessa estrutura. O que que tu, que que tu, na tua cabeça, não, a gente precisa cuidar para não perder tal coisa?

LMLuiz Martins Bastos Neto

Eu acho que nós temos que cuidar, particularmente eu acho que nós temos que cuidar principalmente qualidade racial, qualidade do nosso cavalo. Às vezes fica muito bonitinho e muito delicadinho. E aí nós estamos perdendo a essência do cavalo crioulo, que é estrutura, volume, resistência. Eu acho que nós não podemos perder os pilares básicos da raça. Não podemos, dentro de, não podemos ter um bibelôzinho que de prateleira, que não saia de dentro de uma cocheira, que não leve vida de cavalo, que em algum momento, por mais que tu tem uma criação bem feita, Em algum momento do ano aquele animal tem que levar vida de cavalo, tem que soltar ele, tem que tirar os ferros, tem que largar para o campo e ele tem que ficar no campo.

Isso aí para saúde dele é importante. Muitos cavalos estressados que a gente vê hoje nas nossas competições, tanto morfológicas como funcionais, pouco, um pouco, muito pouco, eu acredito, é genético. E muito é por estresse de confinamento, de confinamento, de estar preso numa cocheira muito tempo, preso desde pequeno, preso sempre dentro de uma cocheira, não leva a vida de cavalo, não solta nunca, não fica solto, não corre, não retoça, não rebolca, não. Eu acho que isso a gente não pode perder.

?Voz A

Isso aí é uma das coisas, eu andando bastante assim fora do país e enfim outros lugares aqui, até dentro do Brasil mesmo, a gente vê Tem lugares que o cavalo é criado como pet, né? É um pet, é um pet, é um pet.

LMLuiz Martins Bastos Neto

E eu acho que essa essência nós não podemos, porque nós chegamos até onde chegamos com o nosso cavalo. Qual era a principal marca do nosso cavalo? Rusticidade. Então, cavalo selecionado pela natureza, como talvez seja um mustang americano. Sim, entendeu? Então nós não podemos, acho que Obviamente as coisas têm que se atualizarem, têm que se adaptarem, mas eu acho que a essência de qualidade racial e rusticidade, aguente do nosso cavalo, não podemos perder. Sim.

?Voz A

Tem alguma característica? 30 anos como jurado, ao mesmo tempo que 50 anos como criador que a gente tava falando, né? Então tu foi passando por um processo de evolução. Tu teve que passar por um processo de evolução ao mesmo tempo, né? Por mais que você sempre tinha um passo à frente, tu também passou por um processo de evolução. E tu como jurado tinha alguma característica que tu valorizava e hoje não valoriza mais? Não, não. Tua linha de raciocínio e pensamento é sempre buscando as mesmas coisas.

LMLuiz Martins Bastos Neto

Exatamente. Para mim são básicas, né? Aprumo. Uma casa sem estrutura, sem a base, sem, sem, não existe, né? Ela cai, ela quebra. Então, para mim, aprumos é extremamente importante, linha superior, firmeza de lombo, por mais que o nosso cavalo seja de sela, para mim é extremamente importante, e qualidade racial, expressão de cabeça, orelha. Uma das coisas que eu acho que nós estamos perdendo, que nós temos que nos preocupar, é tamanho de orelha.

Nós temos observado muito em julgamentos que nós estamos Bom, olha que a perfeição desse cavalo que foi o grande campeão aí argentino. As orelhas desse tamanhozinho. Sim, e isso foi uma das coisas negativas que o chileno trouxe para nós. Chileno trouxe muitas coisas boas, principalmente os mais antigos, porque até hoje o chileno hoje no Chile tá muito diferente do que era o chileno de 50 anos atrás. Eu acho que o chileno trouxe muitas coisas boas: habilidade lateral, explosão, docilidade.

E acho que trouxe algumas coisas que vieram para, digamos assim, prejudicar, entre aspas, a nossa morfologia. Tem que ligar um alerta, que para mim a linha superior, a prumos e orelha, essa para mim são 3 coisas que vieram com os chilenos mais modernos, que nós temos que nos preocupar, tem que ligar um alerta.

?Voz A

E tu acha que o cavalo, o cavalo chileno hoje teria espaço hoje junto? Nenhum, nenhum. Tu acha que não se encaixaria mais?

LMLuiz Martins Bastos Neto

Não, eu acho que tu voltaria, voltaria não, tu rasgaria teus livros. Como então? O negócio, o Mago, tu pode ser até o radical. Nós não temos mais as bases de éguas que nós tínhamos antigamente para usar esse cavalo. Nosso cavalo hoje é o cavalo mais bonito da América do Sul, tá?

?Voz A

Mas a gente, ele não teria mais espaço por ele ou pelo que nós criamos, pelo que se tornou a raça crioula hoje?

LMLuiz Martins Bastos Neto

Eu acho, eu acho que ele não teria mais espaço, porque o nosso cavalo hoje, e é isso que eu tô dizendo, nós não temos mais as éguas estruturadas, volumosas, de osso grande, um pouco mais tendência a quadradas que hoje. Nós não temos mais essa base para eles trabalharem. Tu vai me dizer, ah, tu não traria um cavalo chileno do Chile para trabalhar aqui, para usar aqui? De maneira nenhuma. Traria alguma égua? Sim, traria alguma égua.

Traria alguma égua para usar nos nossos cavalos, para os nossos cavalos polirem e usarem alguma égua chilena para trazer um sangue novo aberto. Mas eu, reprodutor, trazer do Chile uma égua, te dá 1, 2, se for premiada, ganhar 1,30. Exatamente, ou 160. Sim, entendeu? Então eu acho que o reprodutor chileno, vamos dizer, quanto tempo faz que você vai no Chile? Sei lá, faz 20 anos no Chile. Naquela época já não tinha, naquela época não tinha.

Naquela época o cavalo mais bonito que eu vi no Chile foi aquele cavalo tostado que os Petros eram, que veio, correu o freio com o Jardel aqui, e era um bicho dentro da fila, do meio para cola, morfologicamente falando. Funcionalmente não se expressou tanto. Então, que que nós queremos trazer alguma coisa de lá para cá? Vamos ver, vai no lugar buscar um cavalo, mas sem dúvida eu vou na Argentina, sem dúvida. Tem sangues lá que nós não temos ainda aqui e tem qualidades raciais que nós estamos perdendo um pouco aqui, que dá para ir lá e buscar.

E tá o nosso grande campeão aí para quem quiser ver. A hora que é a qualidade de cabeça, de orelha, prumos do cavalo, equilíbrio. Então, dizer, para mim, o cavalo tinha que ter sido premiado na FIC, mais premiado que foi. Para mim, ele ganhou de bem querido o High Stakes, na minha opinião, né?

?Voz A

Ele, para ti, hoje seria o cavalo quase perfeito?

LMLuiz Martins Bastos Neto

Se eu pudesse escolher um cavalo para comprar, para mim, perfeito se eu montasse nele. Aí eu diria que ele seria perfeito, sim. Morfologicamente sim, morfologicamente sim. Para mim é um cavalo quase perfeito. Para mim, quer dizer que seria o cavalo que eu gostaria só se eu montasse nele. Aí eu até diria assim, é o cavalo que seria o cavalo perfeito.

?Voz A

Tu sabe que, bom, tu sabe com certeza, eu fui, tive uns 2 anos atrás, eu tive a experiência de conhecer a gameleira, o marchador.

LMLuiz Martins Bastos Neto

Sim.

?Voz A

E o jurado, ele experimenta o cavalo, né? Ele faz as andaduras no cavalo.

LMLuiz Martins Bastos Neto

Tu sabe que uma das provas tão exigentes que nós temos hoje na América do Sul é o julgamento do Cavalo de Polo em Buenos Aires. Não sei se tu tivesse o prazer de assistir.

?Voz A

Nunca tive.

LMLuiz Martins Bastos Neto

Vale a pena.

?Voz A

Nunca tive a oportunidade.

LMLuiz Martins Bastos Neto

O Cavalo de Polo, ele entra desensilhado, depois ele entra montado. O jinete escaramuça, faz vários oitos numa pista de piso ruim, esbarra, vira, corre, esbarra, vira, corre, esbarra e faz oito, para, rodeia, troca de mão, troca de pata. E aí os finalistas são novamente montados pelos jurados e feito o mesmo trabalho. E o cavalo de polo vai de 100 a 10, sim, sim, corre a 200 por hora, para, vira, vai na bola. É um cavalo, é um cavalo muito, que eu acho que por eu ter sido, por entender um pouco do esporte, por ter jogado, é um cavalo que eu tenho uma admiração.

Eu tenho, tinha uma cria pequena de polo que até Ainda tô domando as últimas crias porque realmente é um cavalo que me interessa muito. Sim. E acho super interessante, como tu falou, o jurado montar. E antigamente montava, né? Não sei, lá atrás, primeiro que os jurados jogavam a cavalo, montado a cavalo. Qualquer credenciadora, Jaguarão, Uruguaiana, Bagé, Pelotas, jogavam montados. E se tinham dúvida, os próprios jurados montavam nos cavalos e escaramuçavam os cavalos. Obviamente que hoje não existe forma nem maneira nem como fazer isso.

?Voz A

Não teria possibilidade de fazer isso.

LMLuiz Martins Bastos Neto

Não teria mais. Eu acho que foi muito importante naquele momento. Hoje eu acho que já seria uma outra fase.

?Voz A

Bom, eu acho que se a gente deixar aqui, é bom de ficar conversando porque vai resgatando história, vai contrapondo o cenário atual que a gente vai tendo. Uma das minhas últimas perguntas era sobre a opinião da premiação, tu me respondeu ela lá no início. Eu queria te perguntar mais uma situação como jurado. Tu, como é que tu enxergaria um futuro VAR dentro do Freio de Ouro?

LMLuiz Martins Bastos Neto

No freio?

?Voz A

É.

LMLuiz Martins Bastos Neto

Lá atrás se tentou botar uma câmera na saída do tronco da paleteada para ver quem é que tava encurtando, quem é que não tava cortando o boi. Eu acho que com a tecnologia de imagens hoje, não sei se não seria. Aí vou ter, vou ter que dar uma opinião de um conservador, como tu disse. Talvez eu preferiria um VAR que a premiação em dinheiro, porque eu sou muito correto.

?Voz A

Eu não, não, eu sou um cara, na verdade, tu não queria nem o VAR, mas se tivesse que escolher, não, não.

LMLuiz Martins Bastos Neto

O que que eu acho do, porque que eu acho interessante o VAR? Porque o VAR pode evitar alguém ser prejudicado, e eu sou, eu sou radicalmente contra alguém ser prejudicado. Eu sou um, procuro na minha vida inteira ser um cara extremamente honesto e reto. Então, para mim, tu quer me ver passar mal é alguém sendo prejudicado injustamente.

?Voz A

Tu já teve alguma situação tua que tu penalizou e depois tu viu, poxa vida, eu penalizei, não era, e naquele momento eu achei que era, e te arrependeu?

LMLuiz Martins Bastos Neto

Até posso ter ido junto, ter errado, como acho que o jurado, o jurado, o melhor jurado é o que erra menos, na verdade, porque todo mundo é um ser humano e tá para para errar. Eu acho que devo ter em algum momento errado. Algum colega deve, pode ter me ajudado. Nós somos 3 ali. Tu viu? Não, eu não vi. Vamos penalizar? Não. Se tu não viu, eu vi. Maioria vence. 2 viram, não viu. Então isso para mim também é uma coisa que eu gosto muito dos 3 jurados, porque É muito rápido, as coisas são muito rápidas, muito.

Todo mundo, muita gente critica, julgamento de fora, mas nunca entrou lá dentro pegar uma placa, tu olhar uma pechada, olhar, visse o cavalo não reagiu, se pegou bem no lugar certo, venceu o boi, leva a mão na placa, puxa a placa. Isso é muito rápido, tu tem que estar com o olho afiado, tem que estar treinado, tem que estar com regulamento na cabeça. Então eu até Não é que eu seja contra o VAR e contra a premiação. Eu prefiro, inclusive, eu prefiro até o VAR porque eu acho que talvez seja uma maneira de não haver injustiça. Basicamente isso.

?Voz A

E por exemplo, se tu tivesse julgando, tá, e aí tu levanta a placa lá, tu levantou um 9, tô dando qualquer exemplo, e aí o VAR acionou lá e para rever, tu te sentiria Ofendido, ofendido, fui contrariado.

LMLuiz Martins Bastos Neto

E porque tu é um cara mais da antiga, então tô perguntando pelo sentido de, de, não, no momento que, bom, o VAR contrariou, aí eu vou olhar, né, também. E eu, se eu não sou um cara bitolado, tapado, eu vou ver, não, realmente eu errei, você acerta o VAR.

?Voz A

E o VAR numa paleteada ajudaria muito, né, principalmente na saída e nas raias.

LMLuiz Martins Bastos Neto

Para mim é a prova Eu sou corredor de vaca, meu esporte é apareteado, eu corro todo ano. Eu, para mim, é a prova mais difícil de julgar e é a que define o freio, porque 2 jinetes, 2 cavalos e um boi é muito fator ao mesmo tempo. E não é que tu, eu vou dar nota para o de cá, para o de lá, não.

?Voz A

Tem que olhar os 2 ao mesmo tempo, é muita, é uma fração.

LMLuiz Martins Bastos Neto

Por isso Mas deve ter assistido alguma reunião de avaliação, alguma discussão, alguma atualização do jurado. Tem empareteado, passam 10 vezes, não, mas vamos ver de novo, mas vamos ver de novo. Lá tu não tem isso, lá tu não tem vamos ver de novo.

?Voz A

É os segundos que tu enxergou e deu, né? Maravilha. Para nós encerrar, se o teu pai hoje tivesse aqui contigo caminhando dentro desse parque pela Expo Inter, ele ficaria orgulhoso do cavalo que nós construímos?

LMLuiz Martins Bastos Neto

Sem dúvida, sem dúvida. O meu pai foi o primeiro presidente do primeiro Conselho Técnico da associação, quando não tinha, quando surgiu a primeira vez o Conselho Técnico, meu pai foi presidente. Meu pai foi vice-presidente da BCC por várias vezes e nunca quis ser presidente. E aí tu me diz, tu almeja ser presidente? De maneira nenhuma, não tenho nenhuma vontade nem perfil para ser presidente da BCC. Eu acho que o presidente da BCC, além de ser uma pessoa que tenha tempo e dedicação para isso, ele tem que ter seu lado político.

E como tu bem me disse, eu sou uma pessoa que põe um pouco de respeito até me conhecer. Eu não tenho muito esse lado político, eu não sou um cara muito político.

?Voz A

Melhorou bastante, a vida ensina a gente.

LMLuiz Martins Bastos Neto

Não tenho, não tenho essa, não tem essa intenção de um dia ser presidente nenhum. Então com certeza meu pai seria, teria muito orgulho do que ele ajudou a construir e chegar onde chegou.

?Voz A

Eu tive a oportunidade de conversar com a Beth, com Tonico agora, gravar, e ele, e eles, e os dois, né, a Beth, o Tonico, o seu João Alberto também fala do tijolinho, né, que cada um colocou. E teu pai tá dentro dessa, desse tijolinho aí de construção. Porque hoje, como a gente tava comentando antes, hoje a associação ela virou uma empresa, né? Ela se tornou algo gigantesco. E eu não sei se— te pergunto, faço a mesma pergunta: tu tem noção da onde o nosso cavalo pode chegar?

LMLuiz Martins Bastos Neto

Não tenho noção, sinceramente não tenho noção. Eu acho que nós avançamos muito, principalmente em estrutura. Muito, muito, muito. Não sei se nós temos tanta coisa para melhorar, digamos assim, hoje em dia. Talvez daqui 5 anos eu esteja me dizendo: estamos correndo um freio de ouro lá nos Estados Unidos. Tu imaginaria isso? Não imaginaria, sinceramente não. Eu acho que nós evoluímos muito, muito mesmo. E eu acho que talvez as coisas daqui para frente comecem a estabilizar um pouco mais.

Eu acho que não tem, não vejo muita coisa para evoluir tanto assim que chame tanta atenção. Pequenas coisas sim, mas uma grande evolução eu não enxergo, talvez por ser conservador, como tu disse.

?Voz A

Mas a gente vem lá, se tu pegar 50 anos atrás, tu vem, a gente vem, a gente evolui Como a vida, né? Como a nossa vida, como a tecnologia, como isso aqui. A gente vem evoluindo devagarinho, só que chega num momento que a gente dá umas viradas de chave assim, que é muito rápido, né, a evolução que dá.

LMLuiz Martins Bastos Neto

Exatamente. Eu acho que nós já demos essa. Eu acho, pode ser que eu esteja completamente enganado, mas eu acho que nós demos já essa virada de chave.

?Voz A

Isso aqui pode vir uma outra coisa que a gente nem imagina, né?

LMLuiz Martins Bastos Neto

Nem imagina. Eu acho que até o computador fez as mudanças apurarem mais, ficarem mais rápidas, demorarem menos tempo para evoluir. Quanto tempo nós tivemos com o telefone a— sim, sim, sim, até chegar, foi, foi, começou o telefone digital, fixo, mas digital. Aí depois um louco aparece com celular lá que era um tijolo desse tamanho. Hoje tu tem um computador aqui dentro que eu, por exemplo, não uso um terço da capacidade que tem esse telefone.

Então eu acho que a evolução— e aí nós estamos falando uma coisa que tem biologia, né, não é matemática— eu acho que nós demos um pulo muito grande em termos de estrutura e organização. A associação tá muito grande e ela cada vez mais tem que ser tratada como empresa, e ela cada vez mais tem que ter regras e regulamentos. Para ser cumprida, senão não tem como. Eu sempre digo, aonde passa um, tu abre a porteira, passa um boi, passa uma boiada.

A regra é para todo mundo igual, não pode ter diferença. Ah, porque o fulano e voltando, não é para todo mundo. E olha aí quantos cavalos RP04, 01, 03 estão aí competindo na parte de cima da morfologia e na parte de cima do freio. Ah não, porque é do fulano, por isso que toma nota. Não existe mais isso há muito tempo. Na minha, no meu entender, não existe mais isso. Então talvez eu não veja essa grande evolução que tenha mais para acontecer com o nosso cavalo, acho eu.

?Voz A

Essa, e a essência que se tinha antigamente se mantém ainda, ou ela se modificou, mas ela se mantém? Essência familiar, essência de, de como é que tu enxerga isso?

LMLuiz Martins Bastos Neto

Eu acho que o cavalo ainda é um bom meio para criar um filho. Família, trazer a família, tem nível, tem nível para tua esposa dar, para o teu filho dar. Eu acho que nós temos, mantemos um nível de respeito e de educação importante para família e para criação de um filho. Eu acho que se mantém muito disso, mantém muita essência. E aí, como tudo que é lugar, num clube não tem, tem o João e tem o Pedro, tem Tô evocado com o Pedro, né?

?Voz A

Porque eu tô, eu tenho um, é, eu tô mexendo contigo, entendeu?

LMLuiz Martins Bastos Neto

Então eu, em tudo que é lugar, tu separa o joio do trigo. Tem competidores que sabem competir e tem educação, outros que não sabem, e esses naturalmente vão se excluir, vão se excluindo aos poucos, e entra outros, e entra outros, e vão saindo. É o circuito, o circuito, mas eu acho que a base, a base se mantém, a base dos criadores e competidores se mantém.

?Voz A

E para um criador novo, para nós encerrar, vou te deixar também agora para nós encerrar. E para um criador novo, qual é a dica que tu daria para quem tá entrando na raça, para quem tá entrando, para quem tá começando na raça?

LMLuiz Martins Bastos Neto

Se assessore bem, estude os assessores antes de contratá-los. Tem muita gente boa, muita gente séria. Muita gente competente para te auxiliar e não deixar tu errar. Porque se tu cair na mão do mercado, provavelmente, se tu for persistente, tu até pode ir. Mas tem muito criador que entrou e tomou 2, 3, tem muito surfista que entrou e tomou 2, 3 ondas na cabeça, saiu fora e desistiu de surfar. E outros persistentes não, mas talvez um que entrou com um amigo que já era surfista, não, vamos entrar aqui.

Entra por aqui, sai por lá, cuida a onda, pega aqui, não pega lá. Eu acho que te assessora, tem muita, muita gente competente, com conhecimento e com conduta e seriedade para assessorar novos criadores técnicos e não técnicos.

?Voz A

Sim, sim, maravilha. Te agradeço pelo prazer. Muito obrigado, muito bom conversar contigo.

LMLuiz Martins Bastos Neto

Eu sempre às ordens, quando precisar é só pegar o grito.

?Voz A

Valeu, muito obrigado.

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