#109 - Guilherme Wendler - Uma nova geração de criadores | Guilherme Wendler | Podcast do Em Busca
No episódio #109 do Em Busca do Cavalo Crioulo, Fagner Almeida recebe o médico e criador paranaense Guilherme Wendler, da Cabanha Açungui, de Balsa Nova (PR).Uma conversa sobre a entrada relativamente recente de Guilherme na criação, a construção de um trabalho próprio e os resultados que rapidamente colocaram a Açungui em evidência. Entre Freio de Ouro, FICCC e animais de sua própria marca chegando às pistas, o episódio passa pelas escolhas de acasalamento, seleção, funcionalidade e pelos desafios de criar buscando resultado sem abrir mão de uma identidade.Guilherme também fala sobre a relação entre a medicina e os cavalos, os aprendizados de quem ainda se considera um criador novo e a satisfação de competir com animais nascidos dentro do próprio projeto — muitas vezes com RP baixo, mostrando o quanto cada geração representa um novo passo na construção da cabanha.Mais do que falar de títulos, é um bate-papo sobre começar, aprender, errar, selecionar e construir uma história dentro do Cavalo Crioulo.🎙️ Mediação: Fagner Almeida🤝 Parceiros do Em Busca do Cavalo Crioulo:
Vetnil - Parceiro de quem cuida.
Bianca Cassol Arquitetura - A Alma do Campo
#EmBuscaDoCavaloCrioulo #CavaloCrioulo #GuilhermeWendler #CabanhaAcungui #FreioDeOuro #FICCC #Podcast
Fagner Almeida
Guilherme Wendler
- A construção de um campeão na criação de cavalos crioulostempo para ter um campeão·paciência e investimento·custo e trabalho árduo
- A estratégia de seleção e acasalamento em uma cabanha de pequeno porteoportunizar todos os animais·seleção interna rigorosa·acasalamentos direcionados para o Freio
- A história da Cabanha Açungui e a paixão pelo cavalo criouloorigem familiar com cavalos de corrida·primeira égua crioula·fundação da Cabanha Açungui
- A experiência de vencer a FICCC com um animal de RP baixopotencial da égua Harmonia·importância da saúde do animal·virada no Baiar
- A visão sobre a premiação do Freio de Ouro e o futuro da raçaimportância da premiação para o mercado·evolução da raça e genética·objetivo de estar na vitrine todo ano
- A influência da medicina na criação e a tomada de decisões racionaislidar com pessoas e pacientes·cuidado diferente com animais·decisões sem emoção
No meu caso, levou 10 anos, né, pra eu conseguir esse título. Pelo que a gente acompanha aí e se espelha em muitos criadores, né. Então eu acho que eu fui um homem muito privilegiado aí de ter uma campeã em 10 anos. Pergunta difícil essa aí. Nos dias de hoje, eu acho que é mais fácil, tá, está mais fácil, né, produzir um campeão. Mas no meu caso, o que eu posso dizer é que eu tenho uma égua que foi campeã levou 10 anos, né?
Nos moldes antigos, como a gente falava, Seringa tinha aí 10 anos. Hoje tu tem uma campeã da FIC.
E tem que ter paciência, é difícil. A gente tem— não pense que é só alegria, não é o mundo do Instagram, não. Envolve muita coisa, é longo o trabalho, é difícil, sem contar o custo, cara. É um trabalho difícil, é um trabalho que requer muito tempo. Como eu falei, pode ser que leve muitos anos para eu estar aqui de novo. Espero que não, mas é difícil. Então tenham paciência, se aconselhem com pessoas certas, invistam em genética boa e para aquilo que você quer para ter preenchido.
Muito bem, pessoal, de volta aqui na nossa área de convivência do cavalo crioulo na Expo Inter. E o meu convidado de hoje vem lá do Paraná, Paraná que vem tomando conta cada vez mais do cavalo crioulo. E ele já tá rindo aqui do lado. E vem lá do Paraná, Balsa Nova. E detalhe é o seguinte, normalmente eu chego aqui e digo, ah, é médico veterinário, mas não, uma família totalmente formada na medicina tradicional do Paraná. E aqui do meu lado, Guilherme Wendler. Muito obrigado, Guilherme.
Eu que agradeço, Wagner, pela estar aqui para essa conversa, para esse bate-papo, que tenho certeza que vai ser muito bacana aí para todo mundo.
Maravilha, Guilherme. Eu venho, eu venho de dois podcasts atrás aí falando sobre história, tradição, sobrenome pesado dentro da raça. E eu queria iniciar com uma pergunta para ti. Não tô dizendo que tu não tem a tradição, não tô dizendo que tu não tem nome pesado, mas o que eu quero, eu quero iniciar com uma pergunta Depois eu quero conhecer a tua história. Eu queria saber quanto tempo leva para uma cabanha construir um campeão?
Pergunta difícil essa aí. Na verdade, eu acho assim que nos dias de hoje eu acho que é mais fácil, tá, está mais fácil, né, produzir um campeão. Mas no meu caso, que eu posso dizer que tem uma égua que foi campeã, levou 10 anos, né?
10 anos. 10 anos, isso para uma criação é engatinhar, né? Pode-se dizer, com certeza, nos moldes antigos, como a gente falava, seria engatinhar. E 10 anos hoje tu tem uma campeã da FIC.
É, na verdade, se a gente for começar a dizer todo o tempo de criação é um pouco mais, mas no meu caso levou 10 anos, né, para eu conseguir esse título. Então eu acho que é um curto espaço de tempo.
Exato, exato.
Pelo que a gente acompanha aí, todo o pessoal da raça aí, e se espelha muitos criadores, né. Então eu acho que eu fui um homem muito privilegiado aí de ter uma campeã Em 10 anos.
Maravilha! Vamos aprofundar mais esse assunto, mas agora sim eu queria justamente te perguntar, porque a gente vem no contrário desses dois últimos podcasts que a gente veio falando, dos homens que estavam lá querendo testar os seus animais e vão indo, vão indo, e alguns até nem freio de ouro tem, ainda não chegaram. Mas hoje o cavalo crioulo tá um universo democrático que visa, que não é que visa, mas ele tá, se transformou num esporte, num lazer, num ambiente familiar, na tradição, mantendo a tradição e cultura. Mas ele é um mundo aberto, né, que a gente também não sabe onde ele vai chegar.
Sim.
E eu queria conhecer um pouquinho mais a tua história, como é que O que que, como que o médico criado na cidade, como que foi, foi ir para o lado do cavalo crioulo lá em Balsanóvia?
Bom, então assim, a minha família começou com meu avô, tá? Sempre teve cavalos. Eles tinham, meu avô e meu pai tinham cavalos na época, cavalos de corrida. Tá, e não é das carreiras, é, e não era em Balsanova, era em Campo Largo mesmo, na nossa cidade onde a gente mora. A gente mora em Campo Largo, né, mas a cabanha é em Balsanova, né? Hoje é em Balsanova. E muito tempo atrás eles começaram com esses cavalos e a paixão pelo cavalo veio dali.
Então logo em seguida meu pai começou com criação de gado Nessa propriedade que nós temos ainda, que é a propriedade onde originou o nome Assungui. É onde passa um rio, né, em toda a propriedade, chamado Rio Assungui. Então a fixa veio de lá. Meu pai começou com criação de gado nessa época, e o cavalo de corrida não dava para o gado.
Sim.
Então nós éramos muito pequenos, íamos em rodeio. Meu pai sempre gostou, sempre gostou de laçada e tá no rodeio, tinha, pertencia a CTG na cidade de Campo Largo. Então a gente foi criado neste meio, né? E eu, a primeira égua crioula eu ganhei de um amigo do meu pai, que também é médico, que também é apaixonado pelo cavalo crioulo, e ele me deu essa égua de presente. Eu tinha 14 anos. E foi a primeira égua crioula que a gente da família teve, porque ia no rodeio, ia com cavalo mestiço, e não tinha preocupação nenhuma, né, com isso daí.
E inclusive na lida de gado, como a nossa região lá é uma região dobrada, a gente tinha cavalo mestiço, tinha cavalo de tração na época. Né, que puxava carroça. Isso daí a gente tá falando muito tempo, né? Sim, 40 anos atrás. Então, a partir dessa égua, eu comecei a laçar muito. Era jovem, adolescente, só estudava, e comecei a laçar. Quando eu fui para faculdade, que eu entrei na faculdade, eu não tinha o que que eu ia fazer com a égua.
Puts, eu passei fora, não passei, fui fazer faculdade em Blumenau, Santa Catarina, e pensei, 6 anos fazendo faculdade fora, não vou poder laçar, não vou mais poder fazer. E foi a partir dali que eu coloquei essa égua em cria.
Então a égua que tu ganhou com 14 anos, inclusive ela Faleceu ano passado. Que idade? Com que idade? 28 anos. E aí tu colocou ego em cria e se foi embora para— e tava estudando em Blumenau?
Estudando em Blumenau, fiz toda a faculdade lá em Blumenau, fiquei lá morando esses 6 anos. É lógico que vinha final de semana, né, andava a cavalo, ia para fazenda, enfim. E daí essa égua tava em tri, e daí eu comecei a tirar alguns produtos, na verdade muito poucos, né? Mas foi mais ou menos nessa época que eu comecei a criar. Nesse momento surge a Cabaña Sungui, então nesse momento, quando eu fui fazer o primeiro RP, que foi o RP 01, ele nasceu em 2002, se eu não me engano é 2002 ou 2003, acho que é 2002. Que daí eu tive que fazer o afixo, e daí que surgiu o Assungui.
E nesse momento que tu botou ela em acasalamento, foi um caso pensado? Eu vou botar ela, vou emprenhar ela para ter um produto, mas o outro buscou alguma genética?
Não, o que que acontece, nessa época a gente era muito amigo e é muito amigo do Lauro. Do Lauro Martins. E foi ele que nos abriu as portas ali da São Rafael, né? A gente conhecia Doutor Edmundo, Mariano, e a gente vendia gado na época, vendia, eles compravam o gado para o abate. Enfim, a gente conheceu e ficou amigo deles. E daí o Lauro conseguiu essa cobertura, mas eu não, nenhum momento eu coloquei, ah, vou colocar essa, caso pensado, para conhecer e tal.
Ali, né, o primeiro cavalo que a gente usou foi o Hércules, tá? E a gente daí ali foi o Hércules, daí o Butchá, e daí a gente foi usando os cavalos da São Rafael, né?
Sim. Mas nesse momento tu já, tu conhecia o Freio? Tu imaginava que pudesse estar aqui um dia?
Não. O primeiro ano que eu, que nós viemos para o Freio foi em 2001, coincidentemente. Foi o ano que o Carrasco ganhou. Então, e de lá para cá eu nunca perdi um freio, sempre todos os anos, sempre todos os anos aqui. Lógico, mas daí era muito novo, muito jovem, tinha sempre aquele sonho, né? Falava para o meu pai: não, um ano a gente vai ter um cavalo aqui, um ano, se Deus quiser, a gente vai ter um cavalo aqui. E mas voltando no acasalamento, eu nunca fiz o acasalamento pensando— lógico, a gente tinha, tava usando os melhores cavalos da raça que estavam do lado de casa, então Tinha noção que eram os melhores, tinha noção.
Rafael era a vitrine, referência, era referência, credenciadoras. Nossa, então, e para nós é, eu olhava aquilo lá e falava, não, vamos seguir essa linha. Então a gente acabou usando e sempre tentando, pensando, vamos vir, vamos vir. Tanto é que a gente comprou o primeiro cavalo que a gente veio para a final do Freio de Ouro, que foi em 2010, foi um cavalo da São Rafael chamado Quiosque do Pronato. Foi o primeiro ano que a gente veio com um animal nosso, né, não do nosso afixo, mas da nossa família, que a gente veio aqui para final do freio.
A tua parte do Assungi, como é que surgiu o nome Assungi? Da onde que vem o Assungi?
Então, essa propriedade nossa que a gente tem até hoje lá no interior de Campo Largo ela tem um rio que faz toda a divisa da propriedade chamado Rio Assungi. Então a gente deixou o afixo Assungi por causa dessa região, desse rio, enfim, que divide a propriedade lá.
E aí faz o nome da cabanha. Querendo entrar assim um pouquinho da medicina, na tua profissão, O que que a medicina consegue te mostrar mais racional que muitas vezes o criador apaixonado não enxerga?
É, eu acho assim, eu acho que na verdade, como a gente não veio deste meio, porque a gente gostava, família tinha cavalo, mas tu te apaixonou por isso. Exatamente, não foi criado com isso, não vinha de tradicional de cavalo crioulo, não vinha tradicional de competições, enfim. Então foi uma coisa que eu fui apresentado muito pequeno, e daí, dali criou uma paixão, uma coisa que eu sou até meio um pouco doentio com isso, porque agora é uma busca sempre tá melhorando e tá aprendendo.
Eu acho que eu fui muito feliz no começo. Eu tive pessoas que me ajudaram muito nessa caminhada. Então eu sou muito grato a isso, porque pessoas que me orientaram, porque a gente era muito novo, não tinha conhecimento, não vinha de família tradicional. Então a gente precisava de suporte, de um suporte, né? Então eu acho que A minha profissão hoje me ajuda, assim como a gente lida muito com pessoas, né, pessoas, pacientes, eu acho que isso eu consigo levar de uma maneira diferente para criação, sabe.
Inclusive com a equipe da cabanha, inclusive com os próprios animais, né, a gente tem um cuidado diferente, eu acho assim, sabe.
Tu consegue tomar mais decisões sem emoção? É, consigo.
Eu Principalmente na enfermidade, né? Eu acho que cavalos assim, eu já penso já um pouco mais diferente, né? Um cuidado diferente. Eu acho que isso daí me ajuda um pouco.
Te ajuda, te ajuda. E quanto a essa parte de auxílio e suporte que tu teve, vocês buscaram nos meios de amizade ou vocês buscaram um técnico, um profissional? Como é que foi esse processo de auxílio?
Na verdade, esse auxílio veio da amizade, né? Então, como eu falei aqui no começo, foi tudo lá na São Rafael através do Lauro, que foi uma pessoa que deu o pontapé inicial na nossa criação, que nos ajudou muito, né? E dali, abrindo essas portas com melhor, os melhores cavalos que tinham na época, na raça. E após isso, esse cavalo que a gente veio para o freio, a gente acabou negociando ele com o seu Carlos Maio da Santa Leontina.
E o Lauro nos levou lá, então a gente passou na campana no final de semana, que para mim aquilo ali foi o divisor de águas, né, porque a gente conseguiu enxergar como que realmente esse pessoal de tradição, de muito, muito mais tempo na nossa frente, conseguia fazer todo esse manejo. Então eu acho que eles me orientaram na época. Ó, eu faço assim, assado, eu sigo essa linha. Cavalo tem que ser para andar, tem que ser manso, tem que ter Temperamento.
Então aquilo lá, eu saí de lá nesse final de semana tonto, extasiado. Meu Deus! Eu falei, cheguei em casa e falei para o meu pai, eu falei, pai, a gente tem que tentar fazer igual. Só que passou muito tempo, né? Então isso daí, nós estamos falando de 2010 para cá, nós estamos falando aí de 16 anos, né? 15.
É muito tempo, mas dentro do cavalo é pouco, né?
Pouco, exatamente.
E isso é uma coisa que A tua realidade dentro de Balsanova, porque aqui no sul a gente tem muitas estâncias com extensões de terra, tu não tem extensões de terra. Como é que é a tua realidade em Balsanova?
A nossa realidade, diferente de todo mundo, diferente de todo mundo eu não digo, mas diferente da tradição do cavalo crioulo, a nossa propriedade é pequena. Nós lá temos 200 alqueires, a gente fala lá em alqueires, deve ser aí perto de 400 hectares, né? Sim, trabalhamos com gado, arrendamos para soja. E então eu não tenho lugar, a prioridade sempre é o gado, que é o que dá retorno, que dá o retorno, que paga a conta, a lavoura.
Então eu não tenho assim campo para ter muitas éguas. Então nós começamos com poucas, comprei muitas poucas éguas, mas Hoje estamos trabalhando aí na volta de 15 éguas na cria, né? Então eu não posso, eu cheguei no momento que, porque como é difícil e como você não pode, eu cheguei nessa longa jornada querendo domar todos os animais, porque foi um aprendizado que eu tive. Vamos criar, vamos domar e vamos botar na cria o que realmente é bom.
Né, então tu doma todos os animais, as fêmeas, os machos eu dou uma peneirada antes, mas as fêmeas eu não vendo nem.
Mas agora isso tu já fazia isso? Sempre fez?
As fêmeas eu sempre domei antes de vender, entendeu? Então eu nunca, nunca vendi as éguas potrancas, nada. Eu sempre domava porque como eu tinha um número pequeno Então hoje eu tô trabalhando com 15, mas há 5, 6 anos atrás eu tinha 6 éguas na cria, 8 éguas na cria, 10 éguas na cria. Um ano falhava, um ano perdia. Então era muito pouco, né? Então eu não precisava sair vendendo, né? Então eu ficava para domar, para ver, daí fazer os acasalamentos dependendo de cada égua, entendeu?
Sim. Literalmente, tu tem que ser cirúrgico na criança.
É, na verdade, eu sempre falo, né, na geração H ali que nasceu a Harmonia e a heroína, que eu tive a felicidade do ano passado elas estarem correndo juntas, né, uma ser freio de prata e a outra acabar em sexto, né, da mesma geração. Eu sempre falo que Eu, eu oportunizei essas éguas, né? Foi um ano que, se eu não me engano, acho que nasceram 5 fêmeas e eu tirei 2, correram. Uma foi prata, outra foi sexta. Então eu dei a oportunidade para elas, eu fiquei com essas éguas, domei, elas foram para o serviço, camperiaram, ficaram lá.
Não, agora vamos treinar. Então eu acho que no universo reduzido eu consigo oportunizar todas elas.
É isso que eu ia te perguntar, qual era o acerto que tu teve para oportunizar, para ter esses animais aqui? Porque a gente pega e olha, a gente chegar na pista aqui, nós estamos falando da harmonia, fique, bocal, nós estamos falando em animais que estão competindo aqui e tu tem RP 22, 16 correndo na pista. Então são RPs baixos e tu já tem resultado. O que que é o acerto que acelerou a cabanha, que tu considera que acelerou a cabanha, Sungui?
Então eu acho, essa é a minha opinião, né, eu acho que o acerto é isso.
Sim, mas é a tua opinião, mas ele tá dando certo.
Eu acho que é a oportunidade, porque como eu não, o meu número é reduzido eu consigo ficar com todas, eu consigo oportunizar todas, consegue dar atenção a cada uma e entender o que que cada uma precisa. Às vezes não vamos acertar. Tem ano, eu já, eu falei para todo mundo, ó, tem ano que a gente não vai conseguir porque o número é muito, a minha seleção é muito apertada, entendeu? Então tá aqui todo ano com animal diferente é muito difícil, entendeu?
Então ainda mais no ano que às vezes nasceu poucas, né? Então eu acho que essa oportunidade que você dá para cada animal, né, e o tempo para eles, eu acho que é fundamental. Eu acho que tem que oportunizar, entendeu? Sim, porque eu confesso para você, essas duas éguas, falando dessa geração que foi a primeira geração nossa que veio para o freio, não foi feito o acasalamento direcionado específico para correr o freio.
É isso que eu queria entender.
A partir de quando eu ganhei o bocal, foi um acerto, foi um acerto, não foi um caso pensado. Não, quando nós ganhamos o bocal, que foi em 2023, ali sim eu selecionei as éguas, os acasalamentos focados para vir correr o freio. Não sei se vai dar, porque vai demorar para chegar esses animais, mas A partir dali que eu fiz direcionado. Então, por isso que eu digo, essas éguas, inclusive nesse ano, a Justiceira e a Imperatriz, que são outras, outras duas gerações que eu tive a felicidade de estar aqui, também não foi um acasalamento pensado para estar aqui, entendeu?
Então é difícil, né? Mas eu acho que a oportunidade, eu volto a dizer que a oportunidade de você dar para todos Eu acho que isso faz a diferença, porque eu fico pensando, elas não eram éguas bonitas, cabras tudas, no universo de uma criação de 100, elas eram mais joemãe. Sim, sim, sim, sim, sim, elas teriam passado batido, teriam passado batido. Ah, tem um vendido antes, ah, aquela dali, ou nem teriam provado, teriam vendido antes, teriam ou domado e colocado em cria.
Isso deve acontecer aos quilos aqui dentro, porque a gente muitas vezes quantos animais bons devem existir e não devem ser provados.
Exatamente, né? Então, e a insistência, né, da gente ficar. Eu acho que hoje eu consegui, eu tenho a total, assim, noção que a equipe formada é muito importante, da doma do homem do campo, do depois do pré-treinamento, e depois para chegar no centro de treinamento e tentar vir para o freio. Então isso, e essa equipe toda é muito importante, sabe? Porque você ter o acesso, e eu tenho égua que a gente doma lá, vai doma, vai para o serviço do campo, ele já fala, não, essa não quer.
Essa não dá. Então eu acho que isso daí a gente consegue facilitar para tentar chegar aqui.
Sim. E o perfil de égua que tu, de animal que tu buscava, era esses já que tu tem, ou tu não era esse no início, o perfil de—
Não, não era isso, não era esse, não era esse, né? Eu comecei com aquela égua que eu ganhei, que era uma égua Sim, mas ali de depois de 2010, o perfil, biotipo de animal que tu buscava já não era sempre o freio. O perfil era sempre o freio, né? Tanto é que as primeiras éguas que a gente comprou, comprou mesmo, eram éguas da São Rafael. Tanto é que a mãe da Harmonia é a Suntuosa do Purunã. Então a gente acabava comprando cavalos voltados para o freio, né?
Pesquisava ali naquela época, não entendia muito, né, Fagner? E hoje também, mais ou menos. Mas eu ia ali e via o que que tava andando, o que que não tava andando, qual que era a genética, e ia buscando sempre o animal que eu freio, né? E daí, consequentemente, com o passar do tempo, a gente foi fazendo a seleção interna nossa, né? O que que dá, o que que não dá, o que que é bom, o que que é manso, o que que não é.
Sim, as avaliações, avaliações nossas de dentro. E hoje tu segue sendo assessorado por alguém ou tu já tá Vocês já estão, vocês internamente é vocês que estão tocando, internamente é nós que estamos estudando, não tem mais uma.
Não, lógico, a gente troca hoje muita ideia porque a gente, graças ao cavalo, a gente fez muita amizade, né? Então acho que a troca de experiência eu acho que é muito importante, muito válido. Então, e eu gosto de escutar muito essas pessoas mais antigas porque ele sabe muito mais do que a gente, entendeu?
Então é que na verdade eles calejaram para chegar onde daqui a pouco tu hoje tá conseguindo chegar porque eles, exato, tu tá sendo mais assertivo porque eles lapidaram toda a pedra bruta lá atrás.
E é muito mais difícil, né? Se você for parar para pensar como que era lá, nós estamos falando aí que eu vim em 2001 no primeiro freio, né? Como que era lá para trás, 80, 70? Então era muito difícil. Quando eu comecei Não existia semia fresco, né? Sim, sim, você tinha que mandar essas éguas, eu mandava para cobrir.
Então era muito, e nós já estamos falando em 2010, né, que não é tão longe.
Exatamente, que não é tão longe, né? Então eu acho que vem numa evolução, né? E hoje em dia nós estamos falando já em transferência de embrião, um mix, um monte de coisa, né?
Então ontem nós conversando, nós conversamos com o Fernando Gravina aqui, e o Gravina diz: hoje tu atravessa a rua, e nós literalmente atravessamos a rua, a gente tem 3 2, 3 veterinários aqui com um seminário, um botijão, que tu leva os principais ganhões da raça para casa. Agora assim, tô voltando para o Paraná, tô levando.
Então ficou muito mais fácil, né?
E aí tu imagina lá atrás que tu, quando a gente conversa com João Alberto, ele fala: nós tinha que mandar uma carta para a gente marcar alguma coisa em julho, nós tinha que mandar uma carta em maio, né, para poder se comunicar.
Eu lembro, eu lembro na época que a gente começou lá, que assim, como a São Rafael era muito próxima e a gente tinha como referência, eu lembro que eles tinham Sociedade do Carrasco, que é o Fábio Camargo da Boa Vista, e o Muchacho com o pessoal da Malfer, chegava caminhões de ervas para cobrir. Sim, né? Não existia isso de pegar o cavalo, coletava, envia seme congelado. Então a gente ia lá Esse caminhão lá tá chegando aí 40 éguas, 20 éguas, 30 éguas, tudo para cobrir.
Então era muito mais difícil, ficavam lá, né, na estância, ficava lá até depois voltava tudo. Então hoje em dia eu acho que facilitou muito, né?
Sim.
Sem contar que a raça evoluiu, a genética evoluiu. Então eu acho que pontualmente você consegue usar cada cavalo para cada época.
Sim, é, mas ao mesmo tempo tu tem 15 éguas, né, como tu fala. E você errar hoje representa 5, 6 anos fora de stay.
É, sim, sim.
Ao mesmo tempo que tá aí, a gente volta para o lado bom do cara que tem 70 egos, que daqui a pouco ele nem vai testar uma boa. Mas se ele errar um lote que ele botou errado, ele tem mais 60 para achar.
E sem contar, não é só o erro, né, assim, do acasalamento, porque tem um processo para chegar até o freio. Exato, sentiu, não deu, cortou.
Sim. Ah, eu tenho 3 éguas prontas aqui, mas eu tenho uma. Se eu errar, se essa aqui sentiu alguma coisa, tô fora total também. É só no ano que vem.
Exatamente.
E como é que lidar com essa? Porque tu já chega em cima, né? Tu já chega, já chega finalista de bocal, já chega ganhando FIC. Como é que tu trabalha isso aí daí agora?
Ah, é difícil, né? Porque quando você tem resultado positivo, você sempre quer ter, né? Então esse ano mesmo eu só tenho uma regra: não me tiro. Nasceram, foi um ano que nasceram 6, 3 fêmeas e 3 machos. Das 3 fêmeas eu só domei essa, porque uma nasceu com problema, a outra não deu e não sei o quê. Eu falei para o Fabrício, ó, Fabrício, é É o nosso tiro. Não tem plano A, não tem plano B, não tem plano nenhum.
É esse o plano A, é o mesmo do B e do C.
Exatamente. Então é muito difícil, né? Sim, vai dar, não sabemos, né? Então eu acho que essa— eu sou bem ciente, sou bem ciente que a gente vem uma fase muito importante da cabanha com resultados extremamente expressivos, mas que vai ter ano que vai estar aqui, né? Então é difícil, né, o nível que tá isso daí hoje em dia, a competição, a prova. Eu acho que a evolução, eu tenho ciência de que vai ter um ano que vai dar um ano, um, dois, três, né?
Não sei quantos, mas eu tenho a ciência disso, que é muito difícil, é muito difícil.
E agora, pensando, pensando nisso e pensando em futuro, pensando no cenário atual que tu já deve estar planejando, como é que tu, como é que tu, como é que tu vai trabalhar? Por exemplo, tu vai trabalhar buscando formar famílias ou tu vai trabalhar testando pedigrees? Como é que tu vai fazer essa tua, esse teu processo para frente agora?
É que Eu, sabe, eu acho assim, ó, que como eu trabalho com número muito reduzido de éguas, é difícil você formar uma família só, sabe? Lógico que dessas éguas minhas ranqueadas eu vou ter que fazer, né? Sei, não tem como abandonar essa genética, essa família dela, né? Então A minha ideia, né, é construir uma manada desse número reduzido de éguas comprovadas, né, éguas tanto na morfologia quanto na função. Lógico que a gente sabe que é muito difícil, mas hoje eu já tenho 4, né, finalistas.
Então eu acho que eu vou trabalhar em cima dessas éguas. Né? Então, falando da Harmonia, eu tenho Harmonia, tenho uma irmã da Harmonia, né, que já está em cria, tem uma sobrinha dela que vai para o Fabrício. Então eu tô trabalhando nessa família. A própria Harmonia já tem 4 produtos. Então a Imperatriz, a mesma coisa, tenho 4 filhas. A Imperatriz, eu tive a tristeza da mãe dela não reproduzir mais. Enfim, então parou nela. Então ela que vai dar sequência agora, né?
Da própria heroína, que foi a sexta do ano passado, tem um produto para nascer esse ano, tem irmãs dela. Então eu vou trabalhar nessa família, nessas famílias, né? A Justiceira, eu tenho a mãe dela, tenho 3 irmãs. Então eu vou trabalhando nessas famílias aí, que a gente acabou comprovando aqui em Estêncio.
Claro, claro. E ao mesmo tempo, qual é a maior dificuldade que tu tem na região que tu tá para formar? E tu, primeiro que tá, tu também não consegue fechar muitas famílias porque daqui a pouco tu te fecha em sangue, te complica, né? E questão territorial, como é que, como é que tu, que que as dificuldades que tu tem por estar no Paraná, por estar na Embalsa Nova, tu enxerga que tu tenha dificuldades por isso?
Ah, eu acho que não, sabe?
Eu acho que por área territorial não.
Não, daqui a pouco, se a gente tivesse uma propriedade um pouco maior, trabalhar com um número um pouco maior de éguas, né? Porque a cobrança nossa é muito, é muito alta, né? Tem que estar com a régua muito alta para tentar estar aqui todo ano, né? Então eu acho que daqui a pouco eu não vejo isso como uma dificuldade, né? Mas eu vejo que Se a gente tivesse um espaço maior, daqui a pouco poderia trabalhar com mais éguas, né? Porque é o seguinte, né, às vezes as pessoas perguntam, ah, mas por que poucas éguas?
Porque é o seguinte, entenda comigo, se eu trabalho com 15, eu fico com todas as fêmeas até eu domar, não é 15, é 100. Sim, sim, sim, porque é 15, daí é 15 de 1 ano, 15 de 2 anos, 15 de 3 anos.
Mas somando mais as éguas, mais o que você fica, se tu tirar 5 por ano, deu, entendeu?
Então agora chegou no momento que assim, nasceu aquele determinado número, a gente tem que vender um determinado número também, porque senão a gente não vai conseguir comportar, né?
Sim, é o quebra-cabeça que tu tem que ir montando.
Não pode ficar com tudo também, né? Então essas éguas importantes eu vou ter que vender uma hora. É, então a gente tem que ir fazendo e fazendo essas famílias que deram certo e tentar vender também.
Sim. E falando na Harmonia especificamente, ela é uma égua que lá no Uruguai tu pulou quantas posições? Não foi 14 posições? Ó, saiu 14º e foi 14 posições, eu acho que ela ganhou, né? Não me lembro agora, mas foi um número expressivo assim de postos que ela foi subindo. Tu naquele momento lá, quando tu foi para FIC, que que eu queria, tua cabeça quando tu foi para FIC, eu vou lá representar o Brasil e fazer bonito com a minha Ego. Tu imaginava que tu podia dar uma beliscadinha, alguma coisa?
Eu te confesso que a gente sabia do potencial da Ego, mas assim, imaginar que ia ganhar, eu não imaginava. Porque eu já tinha ido para FIC só para assistir, um animal nosso nunca tinha ido. Tanto é que sim, a Harmonia foi o primeiro, né?
Então só, perdão, qual é o RP da Harmonia mesmo?
26.
26, imagina.
E eu sempre falo que chegar numa final do Freio ou chegar numa FIC, enfim, Todo mundo é merecedor, cara. Eles passaram por uma seleção, que tá ali, credenciadora, classificatória. Então tudo pode acontecer, eles são merecedores. Ganha, ganha quem estiver melhor, melhor de saúde, melhor no dia. É um atleta, né? Então eu acho que todo mundo tinha chance, mas a gente sabia do potencial da Égor. Né? Então a minha preocupação sempre foi, eu falava para o Amadeu, que é o veterinário, Amadeu, como é que tá a saúde dela?
Tá bem, tá bem. Não, você tá bem, então nós temos chance, porque a gente sabe do potencial dela. E daí cheguei lá, aquele frio, aquela chuva, falei com o Fabrício, a égua, ele tava com ela e tava com o Cavalo da Taimana, não tá bem, tá bem. Então você tá bem, vamos para cima, tudo pode acontecer. Então daí veio na morfologia, de todas as provas delas da morfologia, ela saiu mais ou menos na nota que a gente achava, um pouquinho menor, foi a menor nota dela morfologicamente, mas tava dentro do esperado.
E daí Fomos para tudo ou nada, né? Então naquele momento a convicção veio depois do Baiar, né? Sim, porque eu sempre falo, tem que estar rondando, tem que estar rondando, tem que estar no bolo, tudo pode acontecer.
É que o gado define tudo, né? E aí depois qualquer erro de um pode te botar lá em cima e o teu erro pode botar lá embaixo.
Exatamente, tudo pode acontecer, né? Então eu sempre falo, tem que estar no bolo, que tá rondando o pelotão de cima, né, para dar tudo certo. Então, e foi isso que aconteceu, né? Ela vinha ali na primeira fase, acho que ela ficou em quinto ou sexto, depois no primeiro dia acabou em quarto e ficou quarto. Daí fez uma mangueira boa e continua em quarto. Daí foi no Baiar que ela subiu ali naquele momento.
Então vocês viram, aqui dá para, aqui nós temos chance de ser campeão.
Ela fez um Baiar numa pista que tava complicada porque choveu muito, pesada, né, difícil a pista, pista pesada, pista difícil. E realmente ela fez um baiar para aquela nota que ela tomou, né. Então eu acho que ali, quando ela assumiu a ponta, e na paleteada também tudo podia acontecer, o gado não tava indo, é tudo difícil, né. Mas graças a Deus conseguimos essa vitória tão importante.
E nesses momentos assim que tu tá lá Tu disse que tá, falou com Fabrício, perguntou como é que tava a égua e tal. Tu fica muito em contato com o jinete ou deixa ele trabalhar e deixar quieto? Como é que é o teu perfil de criador com o profissional?
Eu passo, dá um oi, eu procuro não ser chato.
Tô aqui então.
É que é difícil, né? Pomba, você tá ali, eu procuro não ficar perguntando muito, mas eu vou lá todo dia dar um abraço e dar um oi, dar um apoio.
Eu acho que vim te desejar sorte. Como é que tá as coisas aí?
Eu acho importante, mas também a gente, eu, Tutu, não ser tão invasivo assim, né? Eu acho que se a gente é uma equipe, a gente tem que entregar para equipe, confiar na equipe, que tanto é que eu confio muito neles. Então eu acho que tá tudo certo. Mas eu vou dar um 8 também, só para marcar território. Tô aqui, ó.
Exatamente. E depois de vencer assim, tu fica com aquele pensamento? Porque a gente vê muito criadores mais antigos, né, dizendo que o cara ganhou lá, acha que sabe tudo agora. Como é que fica o teu? O cara fica com algo assim, ó, agora eu já tô sabendo tudo. Como é que é o teu teu perfil nesse, nesse?
Eu sou muito pé no chão, sou muito realista. Eu sei que a campanha vem no momento importante, mas é muito difícil. Eu sempre falo, é muito difícil, né? Todo mundo quer estar numa final todo ano, todo mundo quer, mas chegar aqui é muito difícil, envolve É um monte de coisa, como eu já tinha te falado, mas eu sou bem realista, sou bem pé no chão. Pode ser que eu leve mais 10 anos para ter um animal no freio, 20 anos, sei lá quantos anos.
Eu sei como é difícil, mas a gente vai tentar trabalhar para todo ano tá aqui, né? Ou pelo menos todo ano tá participando, tentando, indo em exposições, indo em credenciadora, tentando uma classificação. Então eu acho que Vamos estar trabalhando para isso. Sim, se vamos chegar, não sabemos, mas eu sou bem realista que é difícil, mas que a gente vai cada vez mais tentar estar aqui e seguir aprendendo, e seguir aprendendo. Eu acho que o aprendizado, e muda, né?
Você vê aí, a gente muda, os animais cada ano tem uma genética diferente. Cada ano tem animal que tá se comprovando mais, cada ano tem um número expressivo de um determinado animal. Não digo só no freio, né, porque a busca de um cavalo só, né, cavalo bonito e funcional. Então a gente tem que caminhar junto, né, tem que caminhar conforme a evolução do mundo, né. É isso que eu penso. Sim, não dá para, não dá para se desgarrar muito, não dá para ir para um lado só.
Eu acho que O cavalo é um, né? Então a gente tem que tentar achar o cavalo ideal, um cavalo bonito e funcional que a gente consiga usar nas nossas éguas, né? Sim, eu acho que essa é a busca, né? Sim.
E o quanto a— eu perguntei também para os mais tradicionais, a gente tem umas, algumas respostas diversas assim quanto à premiação. Teu pensamento como um criador novo, investidor, porque tu é o perfil do investidor, né? Tu é a pessoa que entrou, gostou, se apaixonou e investe na raça. Qual a tua visão perante a premiação do Freio de Ouro?
Eu acho que é muito importante, né? Eu acho que a premiação vai dar um up, digamos assim, principalmente para a turma que quer investir, né? Você comprar um cavalo, vim ganhar o freio e não ter uma premiação como as outras raças têm, né? Eu acho que, porque na verdade é só essa modalidade nossa, né, a morfologia, as seletivas, né? Porque o laço, sim, sim, tem premiações astronômicas, né? Então eu acho que vai impulsionar bastante, principalmente o mercado, principalmente as cabanhas.
Eu acho que isso daí vai dar uma emoção maior para o cara que compra, que quer vir participar e quer ganhar. E inclusive eu acho que a maneira como foi feita essa premiação é muito importante, do funcional e da melhor etapa, do craque funcional. Isso daí eu acho que vai dar um plus maior para todo mundo, eu acho. Não é só por cavalo que vai ganhar, mas enfim, o compitente que está aqui competindo.
A gente tem, não que eles são contra a premiação, não que são contra a premiação, Mas os mais tradicionais têm receio de que possa, e tem algumas, não é confusão, mas tem um medo de que se leve para o lado da aposta. Tu que vem para, tu que vem da linha da carreira.
É, mas na verdade eu vou te dizer bem a verdade, todo quando você muda alguma coisa, a gente fica para isso. A pista coberta, todo mundo, isso daí é natural, isso daí é natural, a gente fica Ah, mudou um prêmio. Eu te confesso que quando falaram, o André falou, putz, será? Como é que vai ser? A gente fica apreensivo, lógico que fica, né? Mas eu acho que explicado e trabalhado, vamos tentar.
E se não tentar, não vai saber se vai dar certo.
Exatamente. E a pista coberta foi uma, esses depoimentos que todo mundo tá falando, todo mundo era contra. Né? E hoje você pega essas pessoas que eram contra, hoje conversa com elas, todo mundo é a favor.
Sim, sim, entendeu? Pena que não foi feito antes.
Exatamente. Então eu acho que o caminho é por aí.
Mas pode, a gente não falou, né? Eu não comentei, mas hoje tu tá dentro da diretoria, né? Tu tá como vice-presidente de núcleo. Sim, a gente passou batido, a gente não comentou isso, mas tu vivendo internamente associação Existe a avaliação de dizer assim, ó, pessoal, ficou agressivo demais. Porque se tu parar para analisar, o prêmio é expressivo, né? É muito alto. Tu não tem mais como dar volta para trás. Dá volta para trás no sentido, tu começou com 1 milhão e meio, 1 milhão e 400, não vai poder mais premiar 500 mil.
Tu vai ter que arrancar dali para cima, né? É uma visão que a gente tem meio geral assim. Mas uma avaliação de diretoria, pessoal, pá, foi agressivo demais, nós perdemos um pouco, vamos dar marcha para trás e vamos reestruturar. Existe uma possibilidade de se analisar o cenário?
Eu acho que é tudo uma avaliação, né?
Eu acho que é uma imposição.
Exatamente, a gente vai ver, vai ver como é que vai funcionar. A ideia é todo ano, né? Sim, sim, entendeu? E que assim consiga e seja para o resto da vida. Mas eu acho que a gente tem que ter a noção que se não der, se tiver alguma coisa, algum problema, recua, né? Eu acho que, eu acho que é por aí, né?
Tem que ter essa, não pode ser uma coisa tão, até porque envolve muita coisa, claro, muita gente, muita gente, não só uma tradição, mas um Um mundo inteiro, um universo inteiro, né, uma comunidade inteira. Bom, Guilherme, assim, ó, para a gente ir encerrando, eu queria que tu me dissesse assim, ó, se hoje tu tivesse que começar de novo, tu começaria do mesmo jeito que tu começou? Se sim ou se não e por quê? E queria que tu deixasse assim, ó, assim como tu começou, que ao mesmo tempo a gente enxerga 2010 como ontem, né, já são mais de 15 anos, mas no cavalo, a gente sabe que é ontem.
Eu queria que tu dissesse, ó, alguém que tá iniciando agora, qual é o conselho que tu daria?
Bom, eu começaria tudo igual de novo, faria do mesmo jeito. Eu acho que é escutar as pessoas certas, né, os amigos de verdade, os amigos que o cavalo proporciona para nós e seguir o caminho que você quer para tua criação, né? Então eu acho que essas pessoas que eu citei são pessoas que foram fundamentais na nossa jornada. Eu tenho hoje o Máriozinho como um admirador, então foi uma pessoa que Então me espelhei por tudo aquilo que eu vi, vivenciei, e por tudo que ele me explicou.
Então eu acho que a pessoa que tá querendo começar uma criação, não uma competição, né, estamos falando de uma criação para determinado esporte, enfim, o que que é na raça, se aconselha com pessoas mais experientes que você e pessoas que te orientem, você ache aquela ideia ou aquele aprendizado coerente com a tua criação, entendeu? Eu acho que é por aí, porque tudo o que eles me falaram eu botei em prática hoje. Tô falando hoje, tempo atual.
Levei 20 anos, 15 anos para isso acontecer, né? 16 anos. E eu vi que aí é por aí mesmo, tem que domar, tem que ter bicho com andadura, tem que ter bicho manso, com temperamento. Tudo isso que eles me falaram lá atrás eu tô vendo que hoje é muito importante, né? Um bicho que aceita, um bicho que esteja aqui, que seja competitivo, tem que fazer toda a base bem feita e ele tem que ter todas as características que você busca na tua criação. Para ser competitivo.
Buscar, tem que buscar suporte, tem que buscar e escutar.
Eu gosto de escutar muitas pessoas, principalmente os mais velhos, principalmente todo mundo, porque às vezes é uma coisa que cada um fale, sabe? Pode ser que seja uma bobagem, para um lado sai para o outro, mas não, você fala, putz, interessante. Eu ontem, por isso que eu gosto de vir para cá, Ontem eu tava conversando com uma pessoa sobre pastagem, sim, não é sobre nutrição, sim, sabe? Então, putz, eu faço assim, experimente fazer assim, na minha região dá assim.
Então, putz, falei, vou tentar. Então eu acho que a gente tem que escutar as pessoas, né? As pessoas ajudam, as pessoas certas na hora certa. Para dar tudo certo.
Sim, mas e o conselho que tu daria para quem entra na raça achando que já vai sair, já vai chegar campeão? Porque ao mesmo tempo tu teve trabalho, tu escutou as pessoas certas, tu teve, como tu diz, eu tive um acaso, um acaso não, não foi um planejamento sair campeão, mas que essa pessoa tem que ter paciência, né? Tem, não é, o processo é lento. Como que que tu diria para isso?
Eu acho assim que hoje na minha época eu não tive. Hoje em dia existem vários técnicos, né? Na nossa época, lá na nossa região, eu nem me lembro. Há 16 anos atrás, 20 anos atrás, quando eu tive, que eu ganhei essa égua, aí agora de 96, hein? Então eu não me lembro quantos técnicos existiam no Paraná, mas eu não tinha essa informação com técnico para me orientar na época. Não tinha, não tinha nada, não conhecia, não vinha desse meio, como eu expliquei.
Hoje em dia eu acho que os nossos técnicos hoje, né, tem vários técnicos muito experientes, muitos são criadores. Eu acho que tá muito mais fácil, eu penso, né. E sem contar da parte que a ABCC oferece com esses técnicos, existem os criadores, né, tradicionais, que foi como eu me espelhei, né. Então eu acho assim, O criador novo tem hoje que seguir uma linha do que que ele quer na sua criação, pegar essas pessoas certas, né, escutar essas pessoas certas.
E tem que ter paciência porque é difícil. A gente tem— não pense que é só alegria, não é o mundo do Instagram não, é perrengue, é testemunho. Morte, égua que não pega cria, é potrilho que morre, é cavalo que senta.
Essa conta a gente nunca faz, né, porque ela não aparece.
Ela não aparece. Eu, nesses 16 anos, eu tive o ano passado um cavalo com laminitis. Olha, eu aconselho e digo para vocês que é uma tristeza imensa. Eu nunca tinha tido, sabe. A gente vê um sofrimento diário, sabe. É uma tristeza. Ninguém sabe disso, né. Ah, tá aqui. Ah, envolve muita coisa, é longo o trabalho, é difícil, sem contar o custo, cara. A gente tem que falar do custo, que hoje em dia tá cada vez mais caro você manter e gastar, e é ferro, e a comida, e é feno, e é funcionário.
E é, então é difícil, não achem que é fácil, é difícil, mas é uma paixão. Eu amo muito o cavalo crioulo. Então a gente trabalha, eu trabalho diariamente para isso, para tentar acertar cada vez mais. Mas é um trabalho difícil, é um trabalho que requer muito tempo. Como eu falei, pode ser que leve muitos anos para eu estar aqui de novo. Espero que não, mas é difícil. Então tenham paciência, se aconselhem com pessoas certas. Uma vista em genética boa e para aquilo que você quer para ter produção.
E dentro dessa tua, pode ser muito, muito tempo que eu possa voltar a esse topo ou não, mas onde é que tu imagina daqui 10, 15 anos a Xinguinha? Onde é que ela, como é que ela, como é que ela vai estar no teu planejamento?
No meu planejamento, Fagner, a gente tem que estar aqui todo ano. A vitrine nossa é freidora, né? Então, só que pelos X, o ganhar, como eu falei para você, tudo pode acontecer. Todos são merecedores por estar aqui, mas só o fato da gente estar aqui, o planejamento é estar aqui dentro. O objetivo nosso é estar aqui na Expo Inter todo ano, seja na morfologia, um ano na morfologia, um ano no freio, enfim, é estar aqui, tá na vitrine, tá na vitrine.
Esse é o objetivo. Então eu vou trabalhar, e a gente vem trabalhando para isso. Como eu falei, é difícil, vai ter ano que não vai ter, mas objetivo nosso é estar aqui.
Maravilha, Guilherme, muito obrigado.
Eu que agradeço aí pela oportunidade, espero ter contribuído e ter ajudado aí. Muito obrigado e parabéns aí por todo o teu trabalho aqui na BCC.
Obrigado, eu que agradeço a tua disponibilidade e compartilhar um pouco da tua história aí com a gente.
Valeu, abraço, brigadão!