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#107 - João Alberto Dutra da Silveira - QUANDO O FREIO NAO ERA DE OURO | - Podcast do Em Busca

11 de setembro de 20261h21min
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João Alberto Dutra da Silveira é médico-veterinário, produtor rural de Jaguarão (RS) e uma das figuras fundamentais na construção do Freio de Ouro.Ao longo de 26 anos de participação nas diretorias da ABCCC, atuou em áreas importantes como Provas Funcionais e Marchas, além de presidir o Conselho Deliberativo Técnico.No final da década de 1970, integrou o grupo responsável pelas primeiras experiências funcionais realizadas em Jaguarão e coordenou a elaboração do primeiro regulamento das provas que dariam origem ao Freio de Ouro.Neste episódio #107, João Alberto resgata histórias, personagens e bastidores de uma época decisiva para a raça Crioula — quando o Freio ainda não era de Ouro.

Participantes neste episódio2
W

Wagner

Host
J

João Alberto Dutra da Silveira

EntrevistadoMédico-veterinário, produtor rural
Assuntos6
  • A criação do Freio de Ouro como ferramenta de seleção da raça CrioulaFreio de Ouro·Provas funcionais·Luiz Carlos Albuquerque·Fernando Afonso·Coronel Baiar
  • A origem das provas campeiras em Jaguarão e a busca por um cavalo crioulo funcionalCTG Ricão da Fronteira·Jaguarão·Provas campeiras·Cavalo crioulo
  • A evolução e adaptação das regras do Freio de Ouro ao longo do tempoRegulamento·Andaduras·Montar e desmontar·Velocidade
  • A contribuição de figuras chave para o desenvolvimento e expansão do Freio de OuroCoronel Baiar·Luiz Carlos Albuquerque·Flávio Bastos Telechea·Eudócio Correia·Tonico Fagundes·Wilson Aguiar
  • O impacto do Freio de Ouro na raça Crioula e a visão de futuro para o cavaloSeleção da raça·Família·Mercado do cavalo·Atividades equestres
  • Os desafios e a improvisação na organização das primeiras edições do Freio de OuroComunicação·Infraestrutura·Segurança·João Roberto Azevedo
Transcrição160 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Muito bem, pessoal, estamos com mais um podcast do Em Busca, diretamente aqui, ó, da área de convivência, da casa de convivência do cavalo crioulo, inaugurada recentemente aqui durante essa nossa expoenta. E o meu convidado de hoje, eu vou dar só um breve, uma breve apresentação antes de dar um oi para ele. Porque ele, esse convidado, ele, bom, quando o freio ainda nem era de ouro, quando o freio ainda nem era de ouro, eles já estavam movimentando as coisas.

Meu convidado de hoje é médico veterinário, produtor rural de Jaguarão, teve 26 anos de participações em diretorias da ABCC, passando por provas funcionais, marchas e pela presidência do Conselho Deliberativo Técnico. Esteve no grupo ligado às experiências funcionais iniciadas em Jaguarão no fim dos anos de 1970 e foi coordenador do primeiro documento de regulamentação das provas que deram origem ao freio de ouro. João Alberto Dutra Silveira, muito obrigado, prazer, meu querido, por esse momento.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Prazer, espero poder contribuir e ser apto a responder às tuas perguntas. Mas primeiro gostaria, Wagner, de manifestar a satisfação deste ambiente que nós estamos hoje, né? E o presidente realmente resgata, realiza o resgate que ele queria fazer de termos o convívio, áreas para conversar, para sentar, para descansar, né? O novo polevar voltou àquela efervescência da juventude, é verdade, então, cavalo crioulo. Então eu acho que nós estamos, antes de qualquer coisa, eu quero cumprimentar o André por essa conquista da família crioulista de um ambiente familiar.

A nossa base é o cavalo crioulo. Mas o trabalho do cavalo crioulo está sustentado pelas famílias que criam cavalo crioulo. E aqui as famílias estão no seu ambiente de recepção da PCC extraordinário. Parabéns!

?Voz A

Que coisa boa, né? Coisa boa a gente poder desfrutar e no ambiente onde a família também se sinta bem e queira estar no convívio conosco.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Claro. Então hoje nós temos o lugar que atrai Quem quer ver a prova, depois termina a prova. É, os nossos jovens que estão agora começando a Supercopa têm depois na noite a oportunidade de confraternizar, de fazer amizade, fazer relacionamento, namoros, né? E junto conosco, todo mundo integrado nesse ambiente do cavalo crioulo que está extraordinário. Mais uma vez, parabéns!

?Voz A

Que coisa boa, João! Queria voltar no tempo lá, e antes de existir Freio de Ouro, eu queria entender o que que vocês faziam com aqueles cavalos.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Bom, eu acho que é muito oportuno a tua pergunta. A nossa raiz, a nossa base do ambiente de cavalo e Jaguarão é o CTG Ricão da Fronteira, uma entidade gaúcha tradicionalista criada em 1954, né, portanto tá com 72 anos, aonde fazíamos, fazíamos, fazemos e seguiremos fazendo as nossas provas campeiras. Em determinado momento, e uma Particularidade: Jaguarão tem uma prova campeira em janeiro. As provas campeiras tradicionais sempre foram as de setembro.

Em setembro, o clima não nos permitia muito tempo, então era um desfile, uma jineteada, concurso de argolinha, que era a prova característica, Concurso de rédea com baliza. Bom, a partir de 1965, que é o centenário da nossa data da epopeia heroica, esse Jaguarão, 27 de janeiro de 1865, houve uma escaramuça militar oriental em Jaguarão. Para ver se as tropas que estavam cercando Paysandu voltavam para defender a fronteira. Nós tivemos sucesso, repelimos as forças locais com a comunidade, repeliu essa invasão imediatamente no mesmo dia, 27 de janeiro de 1865.

E a partir de 1965, no centenário, que foi inaugurado, praça com o Arco do Triunfo. E nós temos esse título, Cidade Heroica, dada pelo Império, Ato Régio do Império, tá, assinado por Dom Pedro II. O CTG tomou assim as festividades dessa data, que hoje o Exército Brasileiro a reconhece como uma data nacional. Fez uma invasão no Teletônico. Mas aí, desde 1865, CTG toma-se a comemoração. E aí tem que fazer festa no verão, sexta de manhã e de tarde, sábado de manhã e de tarde, domingo.

Então começou uma discussão de que provas fazer. Então daí surgiu a prova de potro, que depois evoluiu para 21 dias. A prova de ponto de 21 dias. Foram criadas as prestezas campeiras em equinos, presteza campeira em bovino, provas genuinamente discutidas com os homens de campo, os capatazes de estância, que começamos a fazer. E tinha, é interessante, existiu um capataz que é da Estância Bandeira, que é do fundador do CTG, depois o filho patrão, o neto que é o Zé Carlos, também patrão do CTG, dizia assim: mas não dá para fazer essa prova com baliza porque tá tudo amestrado.

Que ele queria dizer adestrado. Então resolvemos fazer prova com outros obstáculos, tá? Nesse ínterim 70 e começou em 65, isso. Na década de 70, o Fernando Afonso, que era um sujeito muito provocador, o médico veterinário com uma larga expansão, zootecnista, técnico da ARPA, criador de Hereford, criador de Ronde Marche, criador de crioulo, disse: tchê, estamos mal, o cavalo crioulo não ganha as provas. Então o cavalo crioulo não ganhava as nossas provas campeiras.

Cavalo crioulo não era o cavalo que eu amadrinhava. Cavalo crioulo não era. Eu tinha um baio meio mestiço, Cabos Negro, que largava ele, eu ganhava concurso de rédea, de rédea atada. Esse, tamo mal. Cavalo crioulo não. Nesse estamos discutindo isso, o cavalo crioulo não ganha as provas lá. Veio os chilenos em 76. Tá, eu tinha convivido com Araia Gomes por orientação do Dr. Nils Bastos. Eu levei uma carta ao Araia Gomes quando fui na minha viagem de núpcias a Santiago, reiterando o convite dele trazer os cavalos na Expo Inter.

Foi 75, eu casei em junho de 75, para que ele trouxesse na Expo Inter de 76. Cavalos. E a filha do Araia foi quem me conduziu, eu e minha esposa, do hotel até a casa do Araia, que era num bairro. Lá tivemos uma aula de zootecnia fantástica. Eu, um jovem de 25 anos, recebido pelo Araia Mouras, que era já reconhecido como o maior zootecnista depois do Emílio Solané no cavalo crioulo. 9 anos jurados de Palermo, 9 anos jurado de Palermo, que tinha vendido o aniversário para o Dr.

Luiz numa cena sui generis. Ele diz: olha, eu não entendo como que o criatório brasileiro, uruguaio e argentino usa reprodutores só pela sua morfologia, não testa os cavalos, não anda nos cavalos. Não, já nos sacudindo para isso. Bom, traz aqui o trio buitre, búzio azul, chacal e horneiro. E nós compramos numa parceria grande, 10 criadores, já compramos o chacal. Quando compra o chacal, compramos chacal, nós passava a ter a ferramenta para fazer o cavalo crioulo ganhar as provas.

E aí começamos nesse movimento. Quando já estamos com a primeira geração domada, Chacá e Sombra, do Luiz Carlos Albuquerque, o Luiz Carlos apresenta um projeto. O Luiz Carlos, eu digo hoje que ele é o filósofo contemporâneo rural que nós temos. Guarda isso, nós vamos estudar muito os seus ditos, as suas ensinamentos, e ele nos apresenta um projeto de avaliação misto. Vamos fazer uma prova em que vai ter a nota da morfologia e vai ter a nota do desempenho funcional.

E ele nos apresenta o projeto dizendo assim: olha, eu estudei porque o cavalo tal, o cavalo tal, para nós preservarmos a raça, é 1 para morfologia e 1,5 para função, para nós não perdermos esses anos todos de seleção que se tem.

?Voz A

Mas só fazendo uma contextualização, ele não ganhava a prova porque ele não tinha mobilidade?

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

O meu pai dizia, e muitos antigos diziam, que o cavalo crioulo não atacava uma ovelha maniada. Tá, o cavalo, nós tínhamos dois cavalos. O cavalo bonito, cavalo crioulo bonito da época, que era com pescoço forte, com uma paleta grande, estilo argentino, não atacava uma vaca. Tínhamos já o cavalo lá invernado aos 5 Celsius, que o seu Dirceu Pouso usou um termo fantástico, tinha formigamento cerebral, tinha um excesso, excesso de excitação.

Então tu não conseguia dominar aquele cavalo. Então nós tínhamos dois extremos: um cavalo extremamente ágil, cavalo extremamente rápido nos seus movimentos, mas que tinha uma dificuldade de flexão, de coordenação de movimentos, tá? E um cavalo que era bonito, mas volta a cavalo, uma vaca. Certo, o cavalo do campo. E ainda na Argentina tem hoje, que eu vou te dizer agora. O cavalo do campo do Rio Grande do Sul era tração e mestiço, tração e mestiço.

Usava um determinado período o cavalo de tração, depois tu usava um determinado período o cavalo puro-sangue. Esse era teu cavalo. Que é o cavalo cola curta, escrito bem na Argentina, na Argentina, na coisa e tal. Hoje, hoje no Brasil, cavalo é o cavalo crioulo. Lá ainda existe esse cavalo mestiço, crioulo ainda não dominou o território.

?Voz A

Sim.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Então é essa preocupação, né? O Luiz Carlos nos trouxe uma ferramenta, e com essa ferramenta aqui que nós vamos formar o cavalo que vai ganhar. Bom, e o fato de que realmente não tínhamos cavalo, vamos contextualizar melhor. Feita essa apresentação, ele convida, ele mostra esse projeto para o Fernando Afonso e para o Baiar. Então esses 3 homens são os formadores da exposição funcional. Eles nos chamam para nos convencer desse processo.

?Voz A

Eles são os cabeças, eles são os cabeças.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

A ideia, a zootecnia é deles caras, que usou um militar espora de prata, que era com a equitação clássica, coronel, do coronel Baiar, e o Fernando Afonso, que era um homem de combate, de discussão, de debate, de divulgação de ideias. Então ele é estudioso, ele juntou esses dois e aí formou um trio para apresentar esse projeto. Assim fizemos as 3 primeiras exposições, que chamamos exposições funcionais. 78 a primeira, 79 a segunda, 80 e 81.

A de 81, a de 81 estourou com a presença do presidente Figueiredo. Levamos ela para um contexto já nacional. Bom, e ela foi se aprimorando com a participação do jurado e do secretário Flávio Teixeira. Aí vem o nosso filósofo. Doutor Luiz Carlos Albuquerque. Essa ideia, para ser vendida, nós precisamos chamar alguém de renome, alguém que seja ouvido em qualquer ambiente. Doutor Flávio Telochê, jurado internacional de Aberdeen, jurado internacional de Congredado e jurado de Cavalo de Ouro.

?Voz A

Um jogador de xadrez, o senhor Luiz Carlos.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Trouxe, foi a opção de um cara organizado de secretaria, Doutor Roger, que é do Ministério da Agricultura, que é um cara organizado, fala a palavra. Tanto que isso que tu dizia, o Roger tem até hoje, né, catálogo e as notas das primeiras provas funcionais julgadas pelo Flávio. E o Flávio veio julgar as provas, nunca vai esquecer isso. Porque não tínhamos o cavalo prior na montaria das estratégias.

?Voz A

Sim, sim.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Então ela alavanca esse processo, tá? Alavancado esse processo, aí, pô, não é baliza, pá, não é baliza, tá? Mas o que que vai ser? Pá, lá no fundo do parque tem carqueja. Aí fui lá de Jeep, arranquei as carquejas com papai. Então ficou chamada de gozação, a exposição das carquejas, porque o obstáculo para evitar o cavalo menstruado, né, não era mais a cana, era a carqueja no chão.

?Voz A

Sim.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

E depois evoluiu para o fardo de peira, depois evoluiu para a bolsa de lona. Bom, e esse processo foi se aprimorando. Me lembro que a prova, o princípio básico Era 3: movimentos, a figura, velocidade, a prova de campo, e manejo com gado, o aparte. Aí, prova de campo, vamos fazer contra o arame, porque o saudoso Flávio Teixeira fazia uma festa campeira na Paineiras, que era o aniversário do saudoso Neco, o filho dele, Flaventones, e corriam contra um arame, um boi contra o arame.

Só que o parque não tinha arame. Nós vamos correr o boi contra o arame e derrubar o arame? Não tinha. Aí, então vamos fazer, vamos fazer como se faz numa parte. Bota um chinuelo lá, aparta aqui e leva. A prova de campo é uma imitação Numa parte antiga que tu deixava um sinuelo a 60, 70, 100 metros do rodeio e levava o gordo para lá. E vinha com capataz e levava o gordo para lá, conduzindo ele. Daí evoluiu para paleteada, mas o princípio básico, prova de campo e de velocidade do cavalo contra o boi, era regra, era regra.

E aqui fica uma ao corpo técnico que tá trabalhando hoje, era regra: não pode encostar antes dos 30 metros. Tinha que só encostar para depois fechar. Não sei, não sei nos jinetes de hoje se nós fizemos isso, se vão conseguir encostar, mas não podia. Iniciamos essas provas, tá? E fizemos provas em Ribeirão Preto com um Nelore, um gado, e não podia pechar antes dos 30 metros. Pode decidir, regra limitante, antes de 30 ela pode pechar.

Bom, aí fomos evoluindo da prova de figura. Fernando Afonso tinha uma égua filha do Chacal fantástica, fantástica, uma gateada, agora me foge o nome dela, domada pelo Venney Carvalhos. Essa égua fazia tudo a galope, tudo a galope. Aí veio a discussão, mas pera aí um pouquinho, mas tem que trotear, tem que tranquear. Então depois foi introduzida as andaduras.

?Voz A

As andaduras não iniciou, ela foi adaptada depois.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Foi adaptada depois.

?Voz A

Mas esse adaptado depois é reuniões de avaliações em campo.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Engenhoso de avaliações. E outro aspecto que também não existia, o montar e desmontar. Tivemos uma prova em Jaguarão que tava o BT Ópio, o cavalo tordilho maravilhoso e o mimoso da tradição, e dois irmãos, um do Doutor Luiz, que era o Cátio, e o outro, o, perdão, o Cátio do Flávio e o Pocho do Doutor Luiz. O potro, meu moço da tradição, um colorado oveiro pequeno, Benício, enlaçou e gritou para o potro. Fazia parte da prova, né, naquela época, laçar.

Gritou para o potro: apeia e tira o laço! E eu tô do lado do potro como coordenador da prova, cavalo e potro não posso. Se eu apear, eu não monto. Esse cavalo só me deixa montar na cocheira e vai embora. Então levamos para reunião de avaliação. Olha, temos que introduzir o montar e desmontar. Então isso foi uma evolução. Outra passagem fantástica que eu já contei várias vezes: eu criava, meu pai criava, era administrador, gado cruzado com normando.

Então todo gado tinha um pouquinho de gômpora. Aí eu tô lá em Jaguarão, uma prova, papá, e era comum, nossa prova era em abril, e às vezes dava uns abril quente. E o pessoal de Uruguaiana usava bota com a bombacha remangada, o joelho de fora, beleza? Remangava. E aí veio o Wilson Souza, olha aqui, patrão, olha o meu joelho aqui dos tocos de bopa, as vacas me cornearam o joelho. Eu acho que não dá, não dá aspado. Então regulamentamos só mocha.

Foi uma sequência que foi andando. Como segue andando hoje, evoluindo conforme as observações e os andamentos, né? Então, antes, voltando à tua pergunta básica, né? Por que isso? Para tornar nosso cavalo bom. Nosso cavalo não era bom.

?Voz A

Esse era o fundamento, o cavalo, essa era a regra, o objetivo era esse: o cavalo não era bom.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Que fosse bom. Eu há pouco, agora nós temos um movimento cultural muito grande lá, tradicionalista, que é a Rinconada. E eu fui na segunda Rinconada escolhido patrono como figura amadrinhadora. Rapaz, eu fui amadrinhador muito tempo, mas eu aprendi a amadrinhar com um cavalo crioulo F1 chileno, que era o Latino do Trevo, que até hoje o pessoal fala, era histórico. Meses. Então a satisfação que nós conseguimos já no F1 ter o cavalo, isso que nós buscávamos.

Por isso que podia ganhar as provas, ganhava rédea, amadrinhava, ganhava laço, ganhava. Então construímos esse cavalo de montaria. Então o cavalo hoje, que eu vou dizer assim, hoje o freio de ouro, a prova, a prova superou a sua essência inicial, que era melhorar o cavalo de campo. Isso hoje tá padronizado, cavalo de campo tá bom. Então agora é a prova para discutir mesmo qual é o cavalo que tem melhores condições. Então este foi o objetivo, né?

E o Centeno, como é que nasceu o Freio de Ouro? Centeno nos convocou Em 81, na primavera de 81, olha, em 82 nós vamos comemorar os 50 anos da BCJ. Como que vamos marcar o Jubileu de Ouro? Eu tenho a cópia dessa carta, o original era do Gilberto Centeno. O Ricardo Vieira, tal qual o Luiz Carlos, criou o projeto da Funcional. O Ricardo, naquela época, era muito comum ter um prêmio que de 3 anos consecutivos ou 5 anos alternados ficava com prêmio.

Merece. O Ricardo criou essa ideia, olha, Jubileu de Ouro. Então vamos dar essa prova de Jaguarão que ele chama de funcional, vamos dar no nome de Freio de Ouro. Eu fui contra, não é, não é uma prova de rédea, não é. O Ricardo é um zootecnista fantástico, sujeito de uma inteligência parva, era técnico da Arca, supervisor da Arca. E ele dizia assim: meu jovem, não seja ignorante, isso é uma figuração, isso freio de ouro para o teu jubileu de ouro, mas é essa prova completa, que problema tem?

Mas não é freio, não é concurso de rédeas. Meu rapaz, te acalma. Aí nos comecei Quis que dessemos o nome dessa prova. E ela realmente veio, Gilberto já contou isso, para ser um ano. Só que a aceitação foi tão grande que ele pediu licença. Gilberto Zatoni é um sujeito de uma educação extraordinária, de uma capacidade de buscar consenso sempre. Aí ele foi visitar o seu Dirceu e diz: olha, o senhor aceita que continue o freio de ouro?

Porque o senhor também é o primeiro. E pode ser único. Isso eu disse, não, o que eu quero é a raça, vamos seguir fazendo. Então é essa sequência aí.

?Voz A

Eu ia lhe perguntar porque eu sabia de uma história do seu Pons, que ele abre mão dessa premiação de ser o único campeão para dar sequência na—

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

testemunhado pelo Gilberto, tá escrito. Ele foi pedir licença ao seu direção para dar continuidade a essa planta.

?Voz A

Agora, o senhor falando aqui, o senhor vinha falando, há uma carta. Aí eu tinha, nós tínhamos os 3 cabeças ali que tinham que promover, nos convencer. Mas hoje eu fico pensando nos dias de hoje, né? Hoje, como é que eu fiz com o senhor? Seu Jô, o senhor tá aqui no parque ainda? Tô, tô aqui. Vamos ali gravar? Vamos, vamos gravar. Só que nessa época não existia um WhatsApp, não existia uma internet. Como é que funcionava? Porque vocês tinham que ter planejamento para isso. Vou te contar um segredo.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Eu tinha uma Olivetti portátil, batia a máquina, batia a máquina, passava para BCC e pedia autorização para o Wilson reproduzir aquilo e passar circular.

?Voz A

Mas esse passar para BCC era uma carta pelo correio que demorava 5, 6, 7, quantos dias para chegar?

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Logo em seguida teve fax. Já se usava o fax. Acho que em 80 já se usava o fax, eu acho, entendeu? Mas aí saía circular, e a circular era escrita, às vezes levava uma semana para chegar. Então tu tinha que marcar em maio ao redor de julho, entendeu? Sim, a comunicação era essa. Mas eu acho uma coisa fantástica, tá? Aí vamos lá, eu, João Roberto, como coordenador da primeira missão que organizou o freio, o segundo freio, não, o primeiro freio.

Primeiro freio foi muito empírico, tá? É muito empírico porque nós não sabia direito o que ia fazer. Chegamos aqui no parque e vamos olhar a pista que tem para fazer, a pista de ovinos. Então vamos ali falar com Alvinho Azevedo, que era presidente da Arcos. Olha, tu nos empresta Olha, empréstimo terça-feira, tem os remates, a pista tá livre. Aí fomos fazer a prova na pista. Capela Santa, ele veio e disse, pô, para com a prova porque desvaziou os remates. Só de uns remates, nós tava já lá.

?Voz A

A ideia era emprestar porque a pista não ia estar sendo usada.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Aí ele criou lista, né? Eu digo, o senhor ouviu? O senhor espera um pouquinho, deixa terminar essa pra gente ver o que que vai fazer. Aí ele seguiu olhando aí, disse assim, Não, não para não, segue, tá muito bom. Mas foi totalmente empírico. Aí já para o segundo ano nós íamos visitar o parque. E diga-se de passagem, na primeira comissão o esteio, o esteio campeiro era o João Roberto Azevedo, pai do Dado, filho do seu Alvim, né?

João Roberto era um sujeito que era jinete, era domador, era um gaúcho pleno, reconhecido, primeiro filho de proprietário que montou na Rural de Bagé em 66 e tal. Era muito forte, mas ele que era de Bagé. Então eu peguei o João Roberto, viemos olhar aqui, e lá aqui ainda tem hoje a sala, fala isso, Rivacinha, Esperoto, é uma antiga pista. Não sei se tu conheceu as antigas pistas que tinham aqui. Vale a pena olhar ali.

?Voz A

Eu devo, devo, na verdade devo conhecer, mas não devo associar, entendeu?

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Porque era essa estrutura do galpão hexagonal, fora assim do galpão, né, do galpão. Lembra disso? Parede de concreto, os caninhos e corrente na volta. E nós fizemos a primeira prova de bandeira ali. Com um caminhão do lado, o desembarcador desembarcava, entrava e saía. Caminhão descarrega e o outro carrega. E o João Roberto, não, vamos botar mais corrente aqui porque o próprio público vai segurar o gado, faz a cerca maior. Aí, primeira que nós corremos aqui, a prova de campo, já eu já montei, concorri em 84.

Nós saímos da pista de areia para pista central, saímos da pista de areia, abrimos a cerca e botamos areia em cima da lajota ali e fizemos a cancha da paleteada sem cerca nenhuma, beleza? Com a mesma ideia, o público vai ser a cerca, tá? Aí na véspera eu sou chamado no gabinete secretário da Agricultura. Vou descarregar o gado, meus colegas veterinários, olha, não tá autorizado a descarregar o gado, tem que ir lá no gabinete secretário.

Secretário Doutor João Salvador Jardim e Governador Jair Soares. Tia, eu vim de lá, acho que eu tava moribundo. Quando eu passo pela frente da ABCC, sai o Flávio Teresilho. O que que houve? Quero que descansei. Estão me chamando lá, eu vou contigo.

?Voz A

Aí tu te engrandeceu.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Aí já me engrandeceu, eu tinha 30 anos. Aí eu digo, olha, tô bem calçado agora. Chegamos, tava o governador, tava discursando. Imagina a manchete do Jornal da Zero Hora: Bovino atropela criança no parque. Assassina hoje. Hoje não nos deixariam fazer. Aí, na sorte, quando nós entramos assim, o Flávio bate no ombro. Tinham sido colega de colégio, de ginásio aqui em Porto Alegre. Aí muda o assunto. Flávio, que prazer! Olha, governador, diz uma coisa bem para mim.

Eu sou responsável, né? Mas claro, Flávio, então pode deixar, fica tranquilo que nós vamos fazer a prova e coisa e tal, tá bem? Pode autorizar lá, portão. E eu volto às costas, saiu a prova. E aí, quando nós saímos, diz o Flávio assim: você tá vendo a minha responsabilidade? Eu assumi. Agora tu vê o que que tu vai fazer. E agora, que pressão, hein? Aí volto ao campeiro, ao experiente, ao João Roberto, e ele diz: João, te garanto que não anda 10 metros.

O boi que escapar não anda 10 metros. Eu vou formar o meu esquadrão de segurança. Aí ele montou, tinha o Rego Dirceu, que é uma figura, não tinha uma perna, era um gaúcho extraordinário, todo jeito daquela região lá de Pedras Altas, Herval, Pelotas. Montou uma equipe com Tatu, com Marco Aurélio, com Hermínio Pinheiro, de laço na mão. Uns 4 homens de laço na mão, a pé, e uns 4 homens a cavalo esperando. Graças a Deus, o público foi a cerca, funcionou, não saiu nenhum boi.

E o único caso que teve foi na mangueira, que realmente pulou um boi. E aí o Flávio Antônio, o meu cunhado, que eram os que estavam na segurança, tinha, quando o boi caiu no chão, já caiu agarrado. Pronto. Então, claro, até evoluir, nós fizemos prova na antiga área de inseminação da cria, prova na mangueira do leite, fomos fazendo até evoluir para isso que nós temos hoje, extraordinário, que tem uma passagem cômica que ainda ontem relembrava uma Elizabeth Lemos Nossa ex-presidente.

Aqui onde tá o restaurante era o galpão da suinicultura. Aí teve uma peste suína e Associação Brasileira de Suínos resolveu proibir suínos porque tem uma alta capacidade de contágio em exposições. Suíno tem que ficar reservado no lugar ambiente, a suinicultura profissional, né? Então acabou. Ficou esse lugar aqui meio ocioso e tal. E aí o Tonico teve a felicidade de, olha, acho que para lá nós vamos e vamos fazer a sonhada Cidade do Cavalo.

Então vamos fazer essa pista, que foi, André, um ato maravilhoso reconhecer o trabalho de João Carlos Guerra, que nunca apareceu, mas era engenheiro da área da construção, né? Se dedicou, fez dreno, fez uma pista Extraordinário. E aí eu encontro o Dr. Luiz de Assis, meu filho, saudosa memória, patrono da raça crioula, uma figura extraordinária que muito contribuiu para regulamentação. Quando eu fui fazer a primeira reunião de avaliação para nós discutir como iríamos pontuar, diga-se de passagem, o primeiro feito foi feito: este aqui é o melhor para mim, aquele é o melhor para ti. E pronto, foi da ideia do Dr. Luiz que me passou um regulamento.

?Voz A

Mas não tinha nota, vocês não tinham nota?

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Não, isso aqui é melhor de 92. A raquete da nota é de 92.

?Voz A

A escolha era esse é melhor para mim, esse melhor para mim, tá?

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Teve um freio, meu amigo, que o BT Ouvido ganhou, que cada jurado tinha um melhor. Tá bom. Aí, Doutor Luiz, quando eu vou para a primeira reunião de avaliação, olha, vou te dar um regulamento aqui, tá, da paleteada argentina e do concurso na renda chilena. Me mandou os documentos para suporte. Ele disse, olha aqui, dá nota aqui, dá nota ali. Serviu para eu fazer? Não, não, nada de caquete. Isso foi regulamentado, nota em 85. Regulamentamos a nota em 85, a raquete veio em 92.

A nota tu dá para o secretário, e na maioria das vezes trabalhava lápis. Não, não, a nota, vamos corrigir depois. Não preciso corrigir porque passou um que é melhor, eu já dei 7, agora como é que eu vou fazer?

?Voz A

Ah, claro, tá. Tu podia dar uma regressiva nele para manter aquele raciocínio ainda do melhor.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Automatização da nota veio com a raquete.

?Voz A

E a raquete, porque ela ficava explícita, aí ficava explícita e publicizada.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

A gente foi em 92, fizemos 10 anos sem nota explicitada no momento. Depois saía a planilha com a nota, se divulgava sempre a planilha com a nota ao final, ao final. Não tinha parcial, não tinha divulgação das notas pelo aplicativo. Isso de R$2.000, merece, tá? Então aí o Doutor Luiz assim: filha, tu sabe que na estância o pior lugar é no chiqueiro, e vocês não me levaram para o chiqueiro, estão me levando para trás do chiqueiro. Para trás do chiqueiro. E hoje tá aí, tá?

?Voz A

E outra história que tem fantástica também, eu tava falando com o seu Tonico Sotunic conta essa passagem do que ele tinha, não, que ele tinha um compromisso com o governador de não, de ninguém se machucar naquele ano. E aí ele fala sobre, ele comenta sobre que ele tinha gente na espera que parecia um goleiro assim, se saltasse ele saltava junto para agarrar o boi.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Então, sem falar da história que foi politicamente longa de ter essa área, né, de ter o comodato dessa área.

?Voz A

Sim, tá.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Eu lembro que o Rigoto veio entregar um freio de ouro aqui e foi bem recebido assim. E esse contrato já tava irritado, esse vinha aqui, falava com Paulo Demolino, não, mas tá lá, não, tu é assinado, não tá assinado, não tá assinado, cedência da área, comodato. Aí eu vi que tinha, tava de locutor, vi que tinha uma boa receptividade. Eu digo, vereador, levante o troféu, que é o agradecimento por ter assinado a cedência da área. Agora nós temos a nossa área aqui no parque.

Aí levantou, foi emocionado e tal. Terminou, ele subiu lá em cima. Que que é isso aí? Não, não, tem que assinar. Ah, tá bom, vou assinar então. São jogadas que construíram isso tudo que tá aí, né?

?Voz A

Agora, o seu Flávio naquele momento não era muito a favor de ter vindo para cá, né?

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Essa mudança para cá foi um grito de independência e de uma visão muito própria do local, isolada, que ninguém queria. Sim, né? Turico teve essa luz assim de dizer, bom, vamos para lá, que lá nós vamos crescer, vamos ter a nossa área. Tanto que recém agora, e aí mérito da atual diretoria, recém agora se restabelece à noite. Sim, à noite era lá na frente e lá era mais central. Aqui, quando veio para cá, ficou vazio isso aqui.

?Voz A

As pessoas não chegavam aqui, não chegavam aqui porque ficou explícito.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Agora com esse boulevard aí voltou a nós termos um espaço da juventude, da música. Então vão se acomodando as coisas e eu quero— tu não perguntou mais nada, né?

?Voz A

Não, mas é que eu tenho mais história para lhe perguntar, porque o senhor depois, o senhor ainda se tornou— eu tinha anotado aqui, ó— por 10 anos se tornou locutor do Frente de Ouro.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Essa locução foi fantástica, não era Não era noção, era condução. A pessoa precisa entender que naquela época nós tínhamos uma dificuldade do QI do jinete. Então, não, é sério, se discutia. Não, não, e tu cuida a seriedade do processo. Como é que eu vou prejudicar a cabanha A da B porque os dois têm um cavalo igual, mas um jinete da A é muito mais esperto? Do que o jinete da B. Então nós passamos a conduzir o freio. Agora faz a costura, agora sai para o faro da direita, agora entra no 8.

?Voz A

Literalmente guiando, literalmente conduzia.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Agora uma esbarrada para lá, agora outra esbarrada para cá. Olha a raia, olha a raia. Era conduzido. Tanto que quando eu voltei não fui 10 anos, que eu fui prefeito em 89 e saí. Aí entrou o Mário Fernando. Aí em 92 eu tô pesado de campo, sem embocadura nenhuma, e o Máriozinho e o Manoelista, tu vai ter que vir que o Mário Fernando tá com problema e não vai. Aí existiu, não, não, não.

?Voz A

Agora é só dar o nome do boque, o cara vai voltar de novo no mesmo formato.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Claro, não era para conduzir a prova, então foi conduzida. Olha, tá na hora de ensilhar! Imagina, tudo que tem hoje era eu e o Baixinho.

?Voz A

E você ouviu, o senhor gritava lá: vamos ensilhar esses bocudos aí!

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Saudoso amigo, companheiro desde a primeira, né, o Macedo, Macedão, na pista, na campeira. Não tínhamos gadinho, rapaz, não tínhamos gadinho. E o Adãozinho que era o chefe dos funcionários, carregando o fardo para cá, tudo no grito pelo microfone. Adãozinho, agora monta a pista! Adãozinho, agora!

?Voz A

A coisa muito mais empírica ainda, né?

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Mas era a condução de todo o processo.

?Voz A

Mas cada um sabia o que que tinha que fazer. Mas essas reuniões assim, que nem a gente teve uma reunião agora há pouco que a gente tá gravando dentro da Expo Inter. Então nós recentemente, só estamos a 2 dias da final do freio, recente nós tivemos uma reunião para alinhar, para conversar como é que seria a abertura do sábado.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Então essas coisas, cara, tudo vai agir de noite, um dia antes, tá, é abertura.

?Voz A

Mas uma conversa não era uma reunião?

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Não era reunião, tinha comissão. Tinha reunião e aí levava para o presidente. Uma coisa fantástica, que sempre os presidentes deram autonomia para as comissões, embora as comissões não pudessem nunca, né? Hoje tem um vice-presidente de cada área, não tinha autoridade nenhuma para dar a policiazão final. Você decidia, levava para o presidente. Algumas coisas mais drásticas, o presidente reunia a diretoria, formalizava. Mas teve um fato na história que eu acho que contribui muito para isso.

Foi lá no início nós termos criado o Conselho de Avaliação. Quem tinha direito ao Conselho de Avaliação, participar do Conselho, ele é aberto. Cada ano o conselho mudava o quórum porque participava o proprietário que correu e os jurados e a comissão. Então hoje assim, tu um ano tu discutia, no outro ano tu não classificava, tu não tava no conselho de avaliação. Sim, o conselho de avaliação era rígido.

?Voz A

Quem, quem teve envolvimento direto, teve envolvimento direto.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Isso nos permitiu abrir o leque. Isso, por exemplo, nos permitiu ter um Antoninho Bastos, que é o cara de lavoureiro, criador de aperdim, administrava um negócio grande, mas ele vinha para as reuniões de avaliação e contribuía. Sim, Antoninho Bastos é o responsável pelo Trote 08, dos 15 pontos da funcional. O trote é 8. Sim, porque, porque é a doadora que mais chega. Contribuição dele montado a cavalo, montado a cavalo, uma mangueira.

Olha a minha sugestão para todo mundo. Então havia, com isso nós abrimos o leque, entende-se, que tivemos muitas cabeças pensantes contribuindo, entende? Vem um negócio, eu me lembro quando nós tiramos as duas mãos da rédea Tá, eu fiz prova com duas mãos na rédea, principalmente com a mão de baixo, que é assim, sabe? Tirei 15, meu mérito máximo, tirei 15 numa prova de mangueira em Uruguaiana, no Latino, fazendo coisa. Aí os cara tinha concentração demais, papapá, vamos tirar as duas mãos da rédea.

E o Carlos Nogueira tava aqui, chileno, foi que me vendeu o Chacal, que era o Jean do Araia, ficou de mal comigo. Estão fazendo isso contra mim. Tio não tinha que contradizer contra mim. Sim, né? Então, quer dizer, havia sempre muitas cabeças pensantes para um objetivo comum, que era o cavalo bom. Cavalo bom.

?Voz A

E essa evolução, a gente cada ano tinha uma evolução, cada ano.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Sim, sim, sim. Só que tinha uma regra, né? Tudo que se aprovava era para o próximo ciclo.

?Voz A

Aqui continua isso, continua na teoria, continua hoje, né?

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Isso ficou uma regra. Uma cláusula pétrea, né? Porque tu tá trabalhando, toda coisa. Porque a gente conseguia fazer as reuniões de avaliações de novembro, teórica, né? E as de campo em abril, abril, maio, a gente conseguia fazer as de campo. Então tudo que tu aprovava era para o ciclo seguinte.

?Voz A

Sim, mas, Seu João, em que momento o senhor, até na própria narração, locução ali, Chegou em algum momento que tu te despertou assim, ó, nossa, isso aqui deixou de ser uma, uma, a nossa camperiada e tá se tornando um espetáculo? Isso em algum momento chegou a despertar isso em vocês?

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Não, eu acho que o momento mais marcante foi quando nós convidamos em 85 o professor de zootecnia chileno Eduardo Porti para ser jurado, que foi problemático. Esse julgamento é o tal que eu digo que teve 3 resultados. Nós levamos mais de meia hora depois de terminar o freio para anunciar, porque a gente teve que fazer uma média. A média, então tá, então tu me dá o teu primeiro, segundo, terceiro, bota no papel aqui, tu me dá o teu médio e eu vou ver, fazer um cruzamento para sair E ele nos deu uma palestra lá em cima, no pavilhão onde era a churrascaria, lá em cima, que é a Casa do Gaúcho.

Era o único auditório que nós tínhamos. E ele disse textualmente assim: cavalo chileno hoje, tô te falando em 85, tem uma morfologia resultado da prova que nós fizemos. É um cavalo dianteiro, um cavalo com pescoço elevado, tendendo à inversão pela prova, que não pela tacada, pela prova que nós fizemos. Este conjunto de provas que vocês estão fazendo vai lhes revelar futuro cavalo de raça. Então ele foi, cravou isso que é hoje a ferramenta de seleção.

Aí eu falei, acho que nós estamos fazendo. Aí começaram realmente as cabanhas a usar o efeito horneiro, o efeito chacal, né? Quero cavalos bons, provados funcionalmente, reproduzir Aí vem o nobre, depois vem o sargento, que é um segundo passo, né? Pequeno sargento, que é um cavalo que ganha morfologia e ganha freio, né? Aí começou a consolidar o processo, né? Então, mas ele nos alertou lá em 85 que nós íamos selecionar o cavalo que nós queríamos, com seu comprimento, com a sua linha de pescoço, com a sua cabeça, com sua posição, anos posteriores, porque nós estávamos fazendo um trabalho que precisava disso.

Sim, então aí começou, né? Isso veio se consolidar lá por 90, lá por 90 aí se consolidou a prova como ferramenta e começou a diminuir a corrente que era contrária, porque teve uma corrente contrária, como tudo que é processo novo. Ah, é um processo mais caro, é um processo mais difícil, é processo, a morfologia tu em 6 meses, 1 ano, tu tava pronto, apresentava, botava na cria, pronto, deu. Agora não, aí vamos deixar amadurecer.

O Scarles bateu muito, né, na ideia de não apurar doma, de não respeitar a formação do cavalo, que é lenta.

?Voz A

Ele como um bom zootecnista, né, consolidou aos 5 anos e tal.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Mas aí então veio consolidando esse processo, mas a partir de 90 ele já tomou essa linha aí, essa linha de que realmente era uma ferramenta de seleção.

?Voz A

E quanto ao tema da evolução, Cada ano isso evoluía, conforme a gente vinha falando. É, um ano tirava a mão da rédea, outro ano aumentava, foi dado uma nota maior para andadura, vamos incorporar andaduras que não se tinha.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Hoje a gente tem a mangueira, era um ponto só, sim, pois evoluiu para 2 pontos, para 2 notas, e aí foi evoluindo todo, foi uma sequência de evolução.

?Voz A

Na verdade, o regulamento ele é um regulamento muito bem constituído porque até hoje não conseguem mudar. Não consegue, é um telefone muito bem pensado, né? Mas ao mesmo tempo a gente tem espaço ainda para evoluções dentro da prova?

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Eu acho que uma evolução seria cortar essa tirada de velocidade do boi. Eu acho que nós perdemos a prova de velocidade dentro dos princípios, tudo bem. Se não querem mais, aí muda um princípio. Princípio básico é que o freio era para ver a velocidade do cavalo contra o boi. Se eu pego o boi na boca do brete, acabou a velocidade.

?Voz A

Então diz isso, tentar resgatar aquela volta dos 30 metros ali, só cercar e depois não apertar ele desde a saída.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Isso é o único que tem de diferente do que nós Pensamos lá no início, lá no início, tá? Eu acho que eu não te contei que a prova de mangueira que se consolidou foi um casuísmo. A nossa prova era uma parte que jamais iam poder trazer.

?Voz A

Chegava a estar 3 gados, ter 3 reis dentro da mangueira.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Era uma parte no campo. Aí choveu, choveu, choveu, tem que trazer para mangueira. Sim. E aí o seu Odócio era um rematador, um viveiro rural, que era o homem mais campeiro que nós tínhamos. Ó, vou fazer como na feira, entra 3 bichos, comprou um, aparta. Só que com a porteira aberta, quando virava de lá não tinha gaúcho. Aí o Sérgio Souza Soares, fechava a porteira, aparta, mas com a porteira fechada. Aí saiu à prova de baleia. Não interessa.

Eu acho que o resto tudo tá contextualizado os princípios básicos de docilidade, agilidade, submissão. A velocidade, eu tenho dúvidas se o processo hoje realmente não está prejudicando a avaliação da velocidade. Se o pé achou na saída, não sei se tu é mais ligeiro do que eu, nós já pegamos aqui. Sim, aí estamos fazendo força, que é bom também, é bom porque a força do cavalo, conter Entendeu? Mas o único processo que está diferenciado é o da velocidade.

Não estamos medindo hoje a velocidade, que foi um dos princípios básicos lá no início. Tudo bem, não precisa mais medir a velocidade, tá bem, então tá, então segue assim. Mas se há dúvidas, que eu as tenho, né, respeito da opinião contrária, Eu acho que a velocidade pode ser aprimorada como um fator de buscar uma diferenciação.

?Voz A

Sim. E a gente segue buscando o mesmo cavalo que se buscava antigamente lá?

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Sim, sim, não tem dúvida, não tem dúvida. Boa andadura, docilidade. Essa boa andadura foi que nos diferenciou do formigamento lá, daquela loucuragem. Claro, ágil em cavalgada. Não tinha comodidade, mas muito explosivo. Acho que está consolidado na raça.

?Voz A

Essa segue tendo o mesmo princípio, então isso não muda?

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Não.

?Voz A

Eu queria, com esses nomes da história que o senhor citou bastante aí, eu tinha separado uns aqui que eu queria perguntar para o senhor, e eu queria só citar o nome deles.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Ótimo.

?Voz A

E o senhor falar alguma coisa deles.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Graça.

?Voz A

Começaria por Coronel Baiar.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Coronel Baiar era a nossa Bíblia. Por exemplo, assim, que que é ajuda? O que que é ajuda e o que que é contenção? Então, por exemplo, tu botar um tento na cola, que fizemos prova, o cara contenta na cola porque o animal Para não mosquear, tá? Isso não é ajuda, isso é contenção, é proibido. A gamarra, a equitação clássica é com gamarra. Gamarra é o sustentador que impede de levantar a cabeça, tá? Ah, mas a focinheira não é contenção, é ajuda.

Não, ajuda a espora e o rebenque. Não, mas eu acho que não. Então parei um pouquinho. Coronel Baiar, estamos lá na Nazaré, o Chico e o Luiz, um monte no melhor cavalo e outro monte no pior cavalo. Aí o Chico montou no pior cavalo, Chico Bastos, atropela para esbarrar, coloradinho, atropelou, cavalo não esbarrou. Traz ele aqui agora. Passou um tento pela argola do freio, no focinho apertado, agora atropela.

?Voz A

Tá aí.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Não é ajuda, é contenção. Então o Paiar era a nossa Bíblia, era a palavra final, entendeu? Ele, como homem culto, ele esperava muito quando ele perguntado Ele dava a regra, a lei da equitação. Então foi o sujeito fundamental para equitação. E quando ele criou a— como é que era o desempate? Como é que era a prova de domingo? Que separei 10, separei 8, vou ver qual é o melhor. Faz isso, faz aquela muça livre, faz isso. Não, isso não dá porque tu atrapalha o queiro do cara. Quando era assim, o cara mais inteligente ganhava.

?Voz A

Claro, aí ele não selecionava o cavalo, tu selecionava o caminhão que tava jogando com ele em pelotas.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Tia, vamos fazer uma prova que além de atender os nossos princípios, atende o princípio básico da raça, que é resistência, velocidade e resistência, que foi a Baiar Sarmento, que essas Não existe nenhuma prova de equitação hoje que peça isso, né? 6 atropeladas em curto espaço de tempo ali.

?Voz A

Então, que momento entra o Lito nessa história?

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Era jurado com ele em Bagé, em Pelotas, quando chamaram os cavalos para final. Amanhã vai ser a final.

?Voz A

Sim.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Aí todo mundo tinha final, vai ser escaramuço ali. Não.

?Voz A

E aí eles determinam isso, fizeram essa prova.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Botaram Manuel Luiz a fazer a prova que eles tinham desenhado mateando de madrugada no hotel, entendeu? Então essa é a figura do Baiá, o professor de equitação que teve paciência de lidar com a nossa ignorância, entendeu? Esse é o homem que nos mandava encurtar o estribo, que nos mandava posicionar melhor no cavalo.

?Voz A

Ele era o instrutor ali.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Era o instrutor.

?Voz A

Muito bem.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Figura-chave.

?Voz A

Luiz Carlos, Seu Luiz Carlos.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

O mentor, o mentor, tá? Esse homem precisa ser ouvido por quem quer criar cavalo. Ele é um zootecnista de formação profissional e que teve a lucidez de conviver via cartas com Emílio Solané e com o Dr. Luiz Martim Bassos. Os caras estudou em Uruguaiana, ouviu muito o Dr. Luiz, ouviu muitos princípios da raça, discutiu via correspondência com Emílio Solané. Então é uma Bíblia, uma Bíblia zootécnica da raça.

?Voz A

Eles trocavam cartas semanais assim, né? Periódico, mas era muito periódico, né?

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Ficou surpreso que um estudante passou uma carta e ele respondeu.

?Voz A

E aí, a partir daí, começaram a ter informações, que era o amigo virtual hoje.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

É isso aí, verdade, verdade.

?Voz A

Flávio Bastos Telexeia.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

O Flávio era um homem de uma visão extraordinário. Ele tinha 4 adjetivos que era muito difícil. Primeiro de tudo, era um técnico na essência da palavra, tá, que não fugia da pergunta, fosse ele um adolescente, fosse um adulto, tá. Segundo, era um homem de uma memória extraordinária, não esquecia um pedigree, não esquecia um lance. Na vida. Terceiro, era um homem de a cavalo, jogava polo e era exímio campeão, homem campeão. E quarto, tinha poder econômico.

Então ele juntava, juntou 4 atributos que contribuíram com a raça. E foi de uma humildade de ir para uma reunião de avaliação e montar e dizer, para mim esse é o trote bom. E não, esse trote é ruim, então vamos discutir. Quer dizer, ele desceu no plano zero conosco, jovens, para discutir e definir regras. Foi um ícone para nós, foi um homem muito responsável e tinha uma bondade, uma vontade de que o cavalo bom tivesse em todos os lugares.

Nós temos uma passagem com ele em Jaguarão que eu me permito contar aqui porque mostra o seu valor, né, e o quanto ele cria cavalo bom. Ele encontrou um amigo, filho de um colega criador de Aberdeen, que comprou um reprodutor aqui, e esse cavalo na prova funcional disparou. Eles vão fazer um favor, fazem-me fazer um favor. Não usa esse cavalo. Como é o cavalo que eu comprei? Eu vou te mandar um cavalo. Ele mandou para Jaguarão.

BT enganou o pai que ele tava usando as filhas do engano com horneiro, era a base dele, BT engano.

?Voz A

E ele mandou para o cara não usar mais o cavalo.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

O cara recebeu o cavalo, usou e tal. E ele tinha um colega de turma dele, Jaime Ferreira, que era da Tiro Chico. Diz: tia Jaime, quantas éguas tu mandou? Eu vou recolher o cavalo no mês que vem. Que cavalo, Flávio? Eu mandei o BT Engano aí, avisei para ele. Que o cara ficou constrangido, recebeu o cavalo e não avisou para nós, que era para todos nós avisar. Sabe o que que o Flávio Telechea fez? Mandou uma carreta buscar o BT Engano e carregou 24 éguas de Jaguarão.

Carregou 24 éguas de jaguarão. Cada um de vocês vai mandar 2 ou 3 éguas e eu vou levar para botar para o betingano aqui em casa. Essa era a figura do Flávio Teixeira, entendeu? Era o cara que aceitou a venda de cobertura. Às vezes cobertura começou em jaguarão porque tinha um cara que trabalhava no escritório rural que era um veterinário de puro-sangue, tá? E disse, olha, Cavalo crioulo tá, o cavalo puro-sangue vende cobertura, por que crioulo não vende?

Falei, pá, que boa ideia, vou vender, vamos implantar, vamos implantar, pá pá pá. Vendeu o maior número de coberturas e comprou o maior número de cobertura, quer dizer, o cara que tava aberto a contribuir para o processo. Sim, fantástico, fantástico. Criou o remate raça em função, primeiro remate produzido, fizemos no Jockey Clube. Eu levei a minha RP-12, ele montou nela de Impelo para ajudar a vender. Esse era o Flávio Teixeira, cara extraordinário, extraordinário, inigualável.

?Voz A

É muito. Aí o senhor vem me dizer por que que eu não pergunto, só eu tô falando. Mas não tem como perguntar, olha as histórias, o cara fica aqui sentado.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Mas é que boa oportunidade. Quero falar que tu não vai me perguntar de Eudócio Correia.

?Voz A

Como não? Olha o próximo. Olha o próximo, olha aí.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Então, o Dócio Correia, o Dócio Correia, o Dócio Correia era um tropeiro, tropeiro domador, e era capataz de local de feira. Aí o uruguaio Carlos Marte, por sinal era meu tio-avô, parou de arrematar e passou para ele, tá? E aí ele fez o capital dele como arrebatador, como— mas era um homem campeiro porque tinha sido criado no campo domando e coisa. A origem dele era essa. E ele era o homem que nos dava: isso aí dá para fazer, irmão.

Falava, irmão extremamente educado. A minha mãe tá com 98 anos, diz até hoje: eu nunca vi o seu Odócio falar com uma mulher de chapéu na cabeça, sabe? E aí hoje tu tá dando entrevista chapéu na cabeça.

?Voz A

Agora eu tô meio mijado aqui por tabela, mas é porque a gente tá na frente das câmeras, né? Até ele peça desculpa, mas é porque tem que tirar o chapéu para falar.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

E o seu Odócio era uma figura, além de ser um homem extremamente elegante, mas não comprava cavalo sem montar. Então convidamos ele para ver o Chacal e ele veio. Praça São Rafael era novo, eu era estudante aqui, tinha sido estudante, conhecia Porto Alegre, então morava, tinha um apartamento aqui. Depois, já formado, 76, fui pegá-lo no Praça São Rafael e me atrasei com o trânsito. Aí chego, ele tá uma informação técnica. O chaleco, novidade.

O homem gaúcho antigo usava casaco. Os homens antigos gaúchos, quando faziam o terno, já faziam do mesmo tecido a bombacha. Então era o colete do terno, casaco do terno e a bombacha, o mesmo tecido do terno. E ele tá num traje marrom, bota marrom, menso branco parado na frente de Plaça São Rafael e de passo, ó, nossa, me atrasei meia hora. Pai, irmão, matou todo mundo, passava e dizia, que gaúcho elegante! Essa era a figura. Veio, montou no Chacal, aprovou, tá?

E tem umas cenas fantásticas, ele e o filho dele, nós éramos guri, mandamento dele, né? Lá teve uma presteza camperequina A presteza campeira equina era, vinha uns potros de 5, 6 anos, era iniciar a doma como se iniciava antigamente. Como é que se iniciava? Junta os potros, patrão escolhe, olha, tu vai pegar aquele, e o auxiliar do domador enlaçava, o capataz da estância enlaçava, e o domador se apresentava para ensilhar. E nós fizemos vários anos essa prova na bacia, 2 homens só, tá aqui o potro.

E aí veio uns potros meio forte, ele percebeu que o cara disse: esse cara não vai, esse cara não vai enfrentar essa prova, esse cara vai fazer bobagem. Dito e feito, o cara laçou um potro tordilho de quase 500 kg e virou. Quando ele laçou, virou, né? Quando tirou o laço, não acompanhou. Nós tínhamos 6 concorrentes de laço armado esperando a sua vez, e ele com o laço nos tentos só disse assim para mim: irmão, defende a ponta da avenida porque o cavalo vai embora. O animal sai por aonde ele entrou. O animal sai por aonde ele entrou.

?Voz A

Campeiro, né?

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Vai para lá e defende. Tinha isso, os caras saíram rebolando o laço, ele saiu com a rédea nos dentes, desatando o laço dele, foi o primeiro a laçar e laçou o cavalo. Esse era o Seu Odócio Corrêa, o homem mais campeiro que tivemos em Jaguarão e tinha condições de nos ensinar, nos orientar, foi quem nos orientou a amadrinhar, foi quem nos deu respaldo quando começamos as provas, né, porque ele era, então nós tinha dois, Um experiente e um professor, Baiar e Odócio.

Eram os dois parâmetros que deram base e sustentação para essa formação. Trabalho teórico do Luiz Carlos, zootécnico, e esses dois homens com a prática. Eu era o capataz de campo, era o guri mais perto ali, um capataz de campo, né? A minha propriedade, meu pai, a 10 km do sindicato. Então sempre a gente provava lá primeiro, mesmo lugar onde eu conheço lá. Aí nós provávamos lá, levava o gado de lá depois. Naquela época ia tropeando lá, era mais perto. Então tive a felicidade de ser aluno desses dois mestres.

?Voz A

Sabe, o senhor falou uma coisa aqui agora, a gente tava conversando ontem e nós estávamos falando, dando spoiler aqui já, a gente tava falando sobre o Tanido Buenasso. E eu perguntei para ele, esse jurado, que depois a gente vai falar, assim, para ti ele é o cavalo perfeito? E ele tá assim, ele só não é perfeito porque eu não montei nele. E aí vem de encontro com o seu dócil.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

O Flávio tinha um dito extraordinário, né? Sentar no meio das minhas pernas, não posso dizer que é bom.

?Voz A

Tá aí, ó, vem daí então.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

A gente tá no meio da minha espera, não posso dizer que é bom.

?Voz A

Seguindo com os nomes aqui, falar, seu Tonico Fagundes.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Tonico Fagundes foi nosso companheiro a partir da segunda gestão, não foi parceiro na gestão do Gilberto Centeno, que foi a primeira que eu coordenei. Aí quando fizemos a segunda comissão de provas, já na gestão do Maneca Viana, que é o homem da Brasileira, foi o cara que difundiu a raça e tal, eu pedi ao Luiz Antônio Bastos, com quem eu tinha uma convivência muito boa, éramos técnicos do Normando, digo, me dá alguém de Uruguaiana para ser.

E já o Tonico Fagundes. E eu já tinha jogado um torneio de polo com o controlei com o Fábio, já tínhamos sido parceiros, excelente professor, professor, então o cara, então era um cara que tinha capacidade de organizar a discussão, tinha tanto que depois me sucedeu na comissão de provas funcionais, né, era um homem de um trato espetacular, de uma educação muito boa, com uma experiência forte de administração, de cavalo, de aparte, de Então contribuiu muito, contribuiu muito com a solidificação do regulamento, mas principalmente a contribuição dele foi com a visão da expansão.

Jaguarão brigou com Tonico Fagundes quando resolveu que as classificatórias eram itinerantes, e aí o pai da criança perder a prova em casa. Mas vem aquele sentido do bem comum da coisa quando ele cria as credenciadoras, né? E depois quando ele cria a raquete. Então o Tonico é responsável pelos 3 passos fundamentais da expansão: a credenciador, o cara não precisa ir longe, fazer na sua região, via como é que tava, tinha uma vez, tinha duas, tinha três.

Depois da classificatória feitas por regiões itinerantes, que levou uma vez ficava mais barato para outra, mas fica mais barato para outra, que fica mais perto de casa, tá?

?Voz A

Terceiro, ela disponibilizava para todos, né? Deixava mais fácil.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

E quarto, abriu a pista norte, entendeu? Então foi o cara de visão, muito rico, foi o cara que viu o futuro da raça. Se o Doutor Luiz disse que nós devemos dizer chocosamente conosco que nós devolvemos ele para trás no chiqueiro, o Tunico tirou a funcional, prende ouro da roda de mate e levou para o Brasil. Esse foi ele, quer dizer, o que o Maneca queria, que passasse nos brasileiros, é que nós fossemos Foi Tonico que saiu, Tim, do carro dele por aí afora com a bandeira da BCC, com Wilson atrás.

Vamos fazer a prova lá, vamos fazer a prova aqui, vamos fazer a prova. Então é imensurável a contribuição do Tonico na expansão do processo.

?Voz A

Sim. Próximo nome: Wilson Souza.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

O cara que fazia, que fez o que 20 fazem hoje. Tio Baixinho era de uma paciência, era de uma simplicidade e de uma condição de relacionamento que ele conseguia tratar com todos os JNECs, conseguia harmonizar. Nós não tinha radinho, era um alto-falante atrás do galpão.

?Voz A

Peraí, peraí, peraí, do Wilson Aguiar, esse? Eu falei Wilson Souza, perdão. Não, Wilson Aguiar, Wilson Aguiar, Wilson Aguiar, tá?

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Seu Wilson, o Wilsonho. Esse cara foi um incansável organizador de prova, condutor de bastidores Tá, o que hoje um faz, porque tu é responsável pela pista, porque tu é responsável pela técnica de supervisão, porque tu é responsável por os animais, tudo isso era uma única pessoa, Wilson Nier. Esse baixinho foi de uma dedicação tremenda, de uma paciência extraordinária. Tinha que ser secretário da avaliação. Tinha que fazer ata da avaliação, tinha que pegar e tabular o serviço técnico.

Esse cara foi extraordinário. Tenho orgulho de estar com ele ali na Calçada da Fama, tá? Meu colega veterinário, meu querido amigo, tá? Que tenhas muita saúde, Vilson, para poder usufruir de tudo isso que tu fez. E eu resumo assim: era um para fazer o que 10 fazem hoje. E ele fazia muito bem feito, com carisma extraordinário. Tinha que embretar o gado, era tudo com ele, era tudo com ele. E fizemos 10 freios assim.

?Voz A

Que loucura, né?

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Loucura.

?Voz A

E hoje olha quantos tem dentro da BCC para fazer.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Olha, até o estacionamento dos caminhões nós tínhamos que ver, porque olha, botaram o carro no desembarcador, viu? Os malhados tirar os carros. Coitado. Era fantástico, fantástico.

?Voz A

Teria algum outro nome que eu não citei aqui que o senhor gostaria de mencionar?

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Macedão, Macedão, meu primeiro companheiro de prova. Era um homem que exigia regras, pedia regras, me cutucou muito para que nós tivéssemos regras e assumiu aqui a Campeira muito tempo. Era o segundo homem Com quem que nós fazíamos o freio? Com Vilso lá e o Macedo embretando o gado e carregando o gado e descarregando o gado. Quero render a minha homenagem. E hoje ele teria satisfação gorda de ver aí um filho no escritório rural, o caçula já também concorrendo o freio, e o Zeca, o jinete extraordinário.

Macedão foi uma base, um pilar fundamental no meu trabalho no início dos 10 primeiros meses.

?Voz A

Que maravilha! Eu queria comentar de Jaguarão, que tu disse, ah, saiu, o Jaguarão comprou abrigo, Tonico comprou um abrigo com Jaguarão, né? Mas se a gente for falar, Jaguarão tem, Jaguarão inicia muitos movimentos, e ela é como mãe, ela tem que criar para o mundo. Ela não pode ficar para ela.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Essa, essa regra, né, da natureza de que os filhos são do mundo. Qual os pais que não tem a dor quando os filhos se afastam?

?Voz A

Perfeito.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Resta a compreensão depois, que eu acho que ela foi totalmente redimida quando homenageamos o Tunico lá, reconhecendo todo o trabalho dele, do Oswaldo Pouso, né, na consolidação do freio, na coragem que ele teve. E foi recebido, né, por nós todos e homenageado, né, por esse trabalho magnífico dele.

?Voz A

Para nós ir para perto do encerramento, João, tua família hoje é toda ligada ao campo, né? Tu tem 3 ou 4 gerações já no campo.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Meus filhos concorreram aqui, né? Minha filha concorreu aqui, né? A minha filha que não concorreu hoje é quem vai coordenar a abertura, é ligada ao cavalo. Hoje a patroa junto com o William, patrões do CTG, né? Eu tenho 7 netos 5 vão estar aqui, estão aqui. Quer dizer, o nosso envolvimento para o cavalo, eu crio cavalo para ter cavalos para os meus netos andarem. Eu não comercializo cavalo, eu tenho cavalos na produção resumida, né, para que as minhas noras possam andar a cavalo, para que as minhas filhas possam andar a cavalo.

Para que a minha filha, que tem uma escolinha de iniciação à equitação, possa ter meus cavalos para dar aula, né? E nós vivemos com a satisfação de montar em cavalos bons, mansos, criados em casa.

?Voz A

Que maravilha!

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Esse é o meu prazer. E o meu Moro tá mais famoso do que eu. Moro da Rinconada. Maravilha!

?Voz A

Para a gente fechar aqui, João, aquele Charlades Souza, não falamos nele, não falamos sobre o Charlades Souza.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Eu, quando comentei contigo, considero que o Vilso é o alavancador do Ginete Apresentador. O Vilso foi o cara que entendeu que valia a pena o CT, que valia a pena trabalhar com várias marcas e que valia a pena viver a apresentação do cavalo. Então o Vilson, além de ter sido um exímio jinete, um excelente apresentador de cavalo, vencedor de vários freios, para mim ele abriu o horizonte do centro de treinamento. Ele foi um exemplo para isso, que é hoje para nós o ícone, o jinete a ser igualado, né?

Sem a cultura que hoje tem nos nossos jinetes, sem a escola americana que hoje os nossos jinetes introduziram junto com a equitação gaúcha, hoje a nossa equitação— eu digo que hoje nós temos a escola do equitador do cavalo crioulo que é um misto das três escolas, da Índia, né, da Racional e da Americana, que esses jovens criaram, né. E o Vilson, sem esses recursos, chegou tanto quanto eles. Então é realmente um cara que foi muito inspirado, muito especial, e merece aí o nosso reconhecimento como jinete padrão da raça. Maravilha. Bonito.

?Voz A

Para a gente encerrar, olhando para trás e olhando tudo que se tornou o Freio de Ouro hoje, o que que ainda, o que que ainda existe daquele sonho de vocês lá atrás? O que que ainda existe nos dias de hoje?

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Nada. Tudo superou o sonho, tudo superou. Eu tive a felicidade de, o ano passado, assistir junto com o Coronel uma prova 5, 6 cavalos, tava uma hora tomando mate lá no Freio de Ouro do ano passado. Eu digo, olha aí, coronel, a prova que o senhor criou, olha aí, te garanto que nunca imaginamos que tivesse tantos cavalos para fazer. Então não tem, não acredito que alguém tenha projetado esse crescimento, não acredito. Isso foi, tornou-se de uma dimensão que nunca imaginamos.

E hoje o processo tem continuidade, nós alargando o horizonte dos concorrentes. Hoje se realiza, hoje cresce com a prova infantil, com a prova juvenil, com as diversas categorias. Então é isso, hoje o cavalo crioulo hoje tem condições de abraçar toda a família, proporcionar toda a família, quem quer comercializar tem espaço. Quem quer criar morfologia tem espaço. Quem quer competir com a família tem espaço, tá? E hoje nós tomamos conta do mercado do cavalo, porque nós temos um cavalo que serve para qualquer uma das atividades equestres.

Só que só o crioulo bota a família junto. Só o crioulo bota a família junto. E esse é o nosso básico, a nossa solidez. É certo, nossa raça, que é um cavalo para servir a família, é um cavalo que a minha esposa anda, que os meus netos andam, que os meus filhos andam, e que tem condições de fazer uma apresentação aqui, né, nesse palco maravilhoso. Muito obrigado.

?Voz A

Agora, uma coisa é certo, né, o propósito que vocês tinham lá foi concretizado, que era melhorar os animais.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

E aí tá, né, Sem dúvida nenhuma, foi consolidado totalmente, como queríamos demonstrar.

?Voz A

Muito obrigado pela aula.

JAJoão Alberto Dutra da Silveira

Prazer grande, satisfação. Muito obrigado pela atenção e pelo carinho.

#107 - João Alberto Dutra da Silveira - QUANDO O FREIO NAO ERA DE OURO | - Podcast do Em Busca | Castnews Index — Castnews Index