#106 - Eros Spartalis - Para Adestramento Aachen 2026 - Podcast do Em Busca
Neste episódio gravado diretamente do FEI World Equestrian Championship em Aachen, na Alemanha, Eros Spartalis compartilha a jornada inspiradora do paraatleta brasileiro Cléberson e seu cavalo da raça Crioula, Fronteirizo. Eros detalha como Cléberson iniciou na ecoterapia há 18 anos em Ponta Grossa, no Paraná, buscando reabilitação física, e acabou se tornando um atleta de alto rendimento no adestramento paraequestre. O cavalo Crioulo tornou-se a grande sensação do evento mundial devido ao seu biotipo menor e excelente temperamento em meio a cavalos europeus gigantes, destacando a versatilidade e a rusticidade da raça. Além de explicar o rigoroso funcionamento e o sistema de classificação funcional das provas paraequestres, Eros ressalta o papel fundamental dos centros de ecoterapia como descobridores de talentos e faz um apelo aos criadores para que olhem com mais sensibilidade para cavalos que, mesmo fora do esporte convencional, podem transformar vidas.Highlights 🐴 Sensação do Mundial: O cavalo Crioulo Fronteirizo chamou a atenção de todos na Alemanha por seu porte menor (carinhosamente chamado de "pônei") e temperamento exemplar, provando a força e versatilidade da raça na vitrine mundial. 📈 Da Ecoterapia ao Alto Rendimento: A trajetória de Cléberson começou há 18 anos com o objetivo de reabilitação motora e, com trabalho contínuo, ele alcançou o índice necessário para competir contra os melhores do mundo no paradesporto. ⚖️ Classificação Funcional: As provas paraequestres são divididas em graus (do 1 ao 5) com base na funcionalidade e capacidade motora de cada atleta, garantindo uma competição justa e adaptando as exigências em pista. ⏱️ Rigor e Organização: O nível de exigência na competição alemã é extremo, com horários cronometrados ao segundo para a entrada na pista, exigindo preparo, foco e o suporte de uma grande equipe multidisciplinar. 🤝 Celeiro de Talentos: Eros destaca que cavalos descartados de esportes convencionais podem ser perfeitos para a ecoterapia e incentiva os criadores a darem uma nova oportunidade a esses animais para ajudarem na reabilitação e inclusão social.
Eros Spartalis
- Paraadestramento em Aachen· EsportesFEI World Equestrian Championship·Eros Spartalis·Cleiton·Fronteiriço da Alu Comandante·Cavalo Crioulo
- Cavalo Crioulo· SociedadeBiotipo menor e temperamento·Versatilidade e adaptabilidade·Rusticidade da raça·Fronteiriço
- Trajetória de Cléberson e Fronteiriço· SociedadeEcoterapia·Reabilitação física·Alto rendimento·Cleiton·Fronteiriço
- Classificação Funcional no Paraequestre· EsportesGraus 1 a 5·Funcionalidade do atleta·Classificação por médicos e fisioterapeutas·Adaptação das exigências em pista
- Ecoterapia e Criadores de Cavalos· SociedadeCentros de ecoterapia como celeiros de talentos·Cavalos descartados de esportes convencionais·Sensibilidade dos criadores·Associação Brasileira dos Criadores de Cavalo Crioulo
- Logistica e Organizacao de Mundial· EsportesCronometragem rigorosa·Equipe multidisciplinar·Logística de transporte de cavalos·Aachen, Alemanha
Muito bem, pessoal, estamos aqui diretamente de Aachen, na Alemanha, no FEI World Equestrian Championship. E do meu lado, nosso convidado de hoje, Eros Espartalis. Eros, muito obrigado pelo teu tempo aqui disponibilizar. Sei que tu também tá na correria, estamos todos na correria aqui. E a gente queria te conhecer um pouco e te apresentar para o mundo criolista, que na verdade tu conhece bem e já te conhece, mas muitas pessoas não têm ideia do trabalho que tu faz.
Então a gente, vamos começar assim, ó, primeira coisa, nós estamos no Mundial Equestre e isso aqui é uma experiência única, né?
Sim, sim. Ragner, obrigado, obrigado por estar fazendo uma cobertura sensacional. Teu trabalho aqui acho que informa todo mundo que tá lá no Brasil do que tá acontecendo aqui. O Mundial é uma coisa gigante, tem de tudo aqui. E para quem gosta de cavalo, isso aqui é muito especial, é a vitrine para o mundo do que tá acontecendo. E a gente tá participando aqui com um cavalo crioulo, né, que deu muito certo já há 2 anos fazendo conjunto com um paratleta nosso lá do Brasil chamado Cleberson.
E esse cavalo foi campeão brasileiro com ele já no ano passado, conseguiu o índice, e o cavalo veio parar aqui em Aachen, na Alemanha, no maior evento equestre do mundo.
E é uma loucura porque ele é campeão brasileiro, a gente não sabe, né?
Exatamente. Tem muita gente na volta que não imagina o trabalho que é feito com os paratletas no Brasil para chegarem nesse ponto de altíssimo rendimento. Eu sou professor no Comitê Paralímpico Brasileiro, na modalidade de adestramento para equestre. Pertenço também já há muito tempo, já há mais de 20 anos, à Associação Nacional de Ecoterapia, que faz a reabilitação de pessoas com deficiência, né? E a gente consegue, através desse trabalho, aquelas pessoas que nos mostram um potencial enorme, incluir no paradesporto.
E que é o caso do Cleberson, né? Ele veio para fazer a sua reabilitação física, né? Melhorou tanto através do cavalo, se tornou paratleta e hoje está no altíssimo rendimento. Não é fácil conseguir índice para estar aqui em Aachen. O trabalho é gigante, o trabalho é muito grande. E enfim, nós conseguimos índice com o paratleta e com um cavalo que é trabalhado pela gente em casa. Então isso traz um orgulho e uma satisfação enorme.
Eu que sou um apaixonado pela raça crioula, tenho cavalo crioulo, então tá aqui com um cavalo crioulo é uma sensação diferente, isso é inédito. E o cavalo tá sendo a sensação do mundial, muita gente olhando, pônei, todo mundo só fala do pônei, do pônei. E enfim, chama atenção pela característica dele, por tudo que tá sendo apresentado aqui.
Sim. E falando um pouco do Kleber, O Kleber, ele já tá há 18 anos, né? É isso, né? Isso, ele monta já com a gente há 18 anos, especialmente contigo há 18 anos.
Comigo, exatamente. Então ele veio para fazer, como eu falei, o que nós chamamos no Brasil de ecoterapia, né? Existe um trabalho fantástico no Brasil da reabilitação utilizando cavalos, e quem toma conta de tudo isso é a Associação Nacional de Ecoterapia, que que tem sede em Brasília. Eu sou docente da associação já há 20 anos também, e o Cleverson veio buscar melhora física, melhorar equilíbrio, coordenação motora, controle postural, né?
E através disso a gente começa, através de um olhar técnico, pensar na inclusão dessas pessoas com algum tipo de deficiência em provas equestres. A exemplo do que nós temos no cavalo crioulo, né, o então chamado Inclusão de Ouro, que hoje é o Para Freio, né? O Cleberson inclusive já correu uma prova do para-freio lá no Paraná, na Cabanha Rio Bonito, e ele foi atingindo objetivos muito altos dentro do nosso planejamento de trabalho.
E a gente colocando ele para competir no Brasil, em concursos internacionais, mas no Brasil alcançou o índice com esse cavalo, alcançou o índice também com outro cavalo lusitano que ele monta, mas especialmente com o cavalo crioulo. Ele tem uma sintonia muito boa e tá aqui. A gente só agradece a todo mundo que nos ajudou a estar aqui em Aachen, né? Não é fácil e tem muita gente por trás. E eu acho que a gente tá fazendo bonito, apresentando a raça aqui no maior evento do mundo relacionado a cavalos.
Voltando um pouquinho assim, o teu centro de ecoterapia fica no Paraná, né? Tu é natural do Paraná, né?
Sou de Ponta Grossa, no Paraná, né? E lá nós temos a APEI, que é a Associação Paranaense de Ecoterapia e Inclusão Equestre. Esse trabalho já é feito lá cerca de 25 anos, fica dentro do Parque de Exposições da cidade, junto à sociedade rural, junto ao núcleo de criadores de cavalo crioulo da nossa região ali, que nos dá um apoio muito grande, né? A gente fica junto com o núcleo lá, é, fica junto com o núcleo, né? A gente tem um envolvimento e uma amizade muito boa com o núcleo, né?
Júnior de Mieto, que é uma pessoa fantástica, que nos ajudou desde a ideia da formação do Centro de Ecoterapia lá atrás, doou animal crioulo para a gente iniciar o centro, né, nos ajudou também a estar aqui. Então nós também estamos aqui representando o Núcleo Caminho das Tropas, né, e que faz um trabalho fantástico ali no Paraná. Temos a Alvorada Crioula, que vai ter agora aí em outubro, que é um evento fantástico também que o núcleo promove.
Então a gente só tem a agradecer a essas pessoas que tiveram um olhar diferente com relação ao nosso trabalho que é feito já há 25 anos com relação ao cavalo crioulo e ao para-atleta que se deu tão bem com esse cavalo crioulo em especial, que tá aqui fazendo provas junto com os cavalos de sela europeu.
O Kleber, como é que tu enxerga, quantos alunos, quantas pessoas passam por ti lá nesse, em todos esses, quantos passaram por ti lá nesses 30 anos que que tu comentou. Por que o Kleber se destacou?
É muita gente, né? Quando a gente fala em esporte de alto rendimento para pessoas com deficiência, nem todos vão chegar, né? Hoje nós temos lá cerca de 5 paratletas. O nosso centro lá também é um centro de referência do Comitê Paralímpico Brasileiro, então lá também funciona isso. E porque a gente tem esse olhar técnico voltado para o esporte e para o rendimento, né? No cavalo a gente sabe que a gente busca conjuntos, né? Não adianta pegar um grande cavaleiro e um grande cavalo, talvez não forme, né, esse conjunto.
O Cleberson montava muito bem com o cavalo lusitano, e depois que a gente recebeu esse cavalo crioulo que veio de Guarapuava, veio para trabalhar na ecoterapia, mas olhando a biomecânica do cavalo eu achei que ia dar certo para o Cleberson, e a gente começou a reunir isso e deu muito certo. Levamos numa prova, já teve um bom resultado, e a partir daí ficou o cavalo crioulo, né, que chama Fronteiriço da Alu Comandante, como sendo o cavalo número 1 do Cleberson, e o cavalo lusitano a montaria número 2.
Eu acho que ele tem uma leitura muito boa com o cavalo. O biotipo dele também, ele é um cara pequeno, né, mais magro. O cavalo também, né, o nosso cavalo, ele tem um porte menor, se a gente for comparar com os cavalos que a gente vê aqui em Aachen, né, é totalmente diferente. E acho que é isso é que encanta muito as pessoas, que tá chamando muita atenção, porque todo mundo fala: olha o pônei, olha o pônei, olha o pônei. Inclusive tem uma pessoa da feira aqui que quer saber a história do cavalo, qual é, onde ele foi criado, né, se ele tem um nome particular.
Então realmente tá chamando muita atenção aqui pela característica física e pela característica comportamental Tudo isso tem que ser observado quando a gente pensa num cavalo para um paratleta, para uma pessoa com deficiência.
Tu sabe que eu venho com um projeto, um trabalho de muitos anos aí, desde 2018, desde 2017, fora do país, principalmente aqui na Europa, com cavalo crioulo. E o cavalo crioulo, aonde ele passa, ele chama atenção, né? É uma coisa que, porque aqui tá tudo acostumado com animais do mesmo biotipo. Sempre alto, né? E ele é troncadinho e forte, então ele termina chamando atenção e muito carismático. E eu lembro muito o loiro em 2018 em Tryon, quando teve no Mundial Equestre, que na época que rédeas ainda tava, fazia parte das modalidades, né?
O loiro chamava atenção porque era toda aquela crina, todo aquele, aquele, aquele status dele caminhar e tal, ele era muito diferente. Então Me lembra, me lembra muito isso, né? Me lembra muito isso. E até a Fê fez uma postagem, né? O pônei, né?
Talvez o único pônei da competição, né? E postou, escreveu isso e postou e colocou muito fofo, né? Inclusive, porque realmente chama a atenção. Hoje a gente tava repassando os cavalos treinando e para amanhã, amanhã nós vamos ter as reprises B. Né? E aí já tinha gente, passa do lado, tem gente tirando foto, filmando, mostrando, olha o pônei, olha o pônei. É muito diferente e é um orgulho ter essa sensação de que o cavalo tem esse olhar carinhoso, diferente.
Todo mundo quer tirar uma foto com o cavalo. A gente tá surpreso na realidade com o que ele tá fazendo aqui, que tá sendo a sensação, né, na meca do hipismo aqui. Enfim, a gente tá muito feliz.
Agora, isso aqui é literalmente um outro mundo, né? Sim, literalmente um outro mundo. O processo para chegar até aqui, tu disse que ele teve, ele foi campeão brasileiro. Esse processo, o Mundial Equestre, que antes era o WEG, né, que era o World Equestrian Games, ele acontece de 4 em 4 anos. E esse processo desses 4 em 4 anos, porque independente de ser para equestre O nível aqui é muito alto, muito, é muito alto. Então como é que foi, como é que é esse processo de chegar até aqui?
Então a primeira coisa que a gente fala, né, estar aqui não é fácil, né. A gente tá aqui com o que tem de melhor no mundo relacionado a cavalo, em todas as disciplinas, né. A gente tem aqui salto, adestramento, atrelagem, volteio, né, e a parte do para-equestre, né. A gente já fez e teve uma felicidade muito grande há 30 dias atrás, participar de um concurso na Itália, onde a equipe do Brasil ficou em segundo lugar competindo com Itália, Áustria, Espanha.
Enfim, lá nós fomos muito bem. Mas quem é do cavalo sabe a dificuldade. Às vezes o cavalo tá na pista de aquecimento ali do lado, tá relaxado, tá fluindo muito bem na mão do cavaleiro. A hora que entra aqui dentro, tudo se modifica. Tem muita informação para o cavalo aqui e a gente vê que os cavalos realmente mudam o comportamento, né? E nas provas do Brasil não é diferente. Então o Klebinho vem desde 2022 fazendo concursos. Ele tem que subir de estrelas também.
Então entra lá em uma estrela, duas estrelas. Hoje tá nesse nível de três estrelas, que é daí quem consegue competir em jogos equestres mundiais ou a nível de Paralimpíada, né? E o Brasil é um país que mais cresceu no paradisporto nos últimos anos. Foi feito um trabalho muito grande através da Confederação Brasileira de Hipismo para fomentar o paradisporto. A única modalidade que nós temos em Paralimpíadas e Campeonatos Mundiais para pessoas com deficiência é o dressagem, quer dizer, é o adestramento para equestre, né?
E o Brasil hoje tem muitos paratletas, aí são cerca de 40 paratletas. E quando nós temos os concursos internacionais ou nacionais, a gente movimenta tudo isso. Hoje, a maioria dos concursos são feitos em Indaiatuba, na Casa CBH, e vem gente do Brasil todo. Né, do Paraná, do Rio Grande do Sul, de São Paulo, muita gente do Rio de Janeiro. E aí começam as peneiras, né, de quem tá fazendo mais nota, de quem tá fazendo bons conjuntos.
E aí depende do treinador de cada estado até chegar no momento de uma convocação para vir representar o Brasil nesses jogos. Então não é fácil. O Brasil tá aqui com 4 cavaleiros no para-equestre. Que são excepcionais cavaleiros com cavalos que são muito bons, né? Eu acho que a gente tá num caminho muito bom. A CBH tem, a Confederação Brasileira de Hipismo tem pensado muito a médio prazo e longo prazo para que o Brasil tenha cada vez mais para-atletas com um nível de equitação muito bom, cavalos que possam se apresentar e representar bem o Brasil.
Como você tá vendo aqui, Taqui e Aachen é o que tem de melhor no mundo a nível de cavaleiros e cavalos. Então a gente já se sente honrado de ter sido convocado para estar aqui, né? Aqui é o palco, já é uma vitória chegar aqui, porque a logística de tirar um cavalo lá de Ponta Grossa do Paraná e fazer chegar aqui na Alemanha não é fácil.
Essa logística com certeza não é fácil e ela deve ser O custo disso é muito caro, né, Eros?
Sim, envolve uma série de coisas, envolve custo, envolve uma equipe multidisciplinar que toma conta de tudo isso, né? Então a gente tem a sorte lá no Brasil de estar construindo tudo isso, né? Como eu falei, a Confederação Brasileira de Hipismo, ela tá com um olhar muito especial para isso. Então a gente tá aqui com médico fisiatra para acompanhar os paratletas, né? Que tem as suas particularidades em virtude da deficiência, né?
Médico veterinário para colocar, né, todo o apoio necessário para os cavalos que estão aqui. O pessoal da parte administrativa, groom, né, tratadores, treinadores, enfim, tudo isso faz com que a coisa aconteça, porque não é fácil você tá acompanhando, está com o cavalo exatamente pronto no horário para aquecimento. Aqui tudo é muito cronometrado, né? Então é o horário de pôr o pé no estribo, é aquele, não é um minuto para frente nem para trás.
Você tem X minutos para aquecer o cavalo, depois o atleta deu, deu, entra na pista e faz a apresentação, né, passa aí pelo crivo dos juízes internacionais. Então não é fácil. A gente tem hoje, através de projetos, né, do Comitê Paralímpico e da Confederação, a oportunidade de realizar esse sonho de trazer cavalos que os atletas montam lá no Brasil aqui para competição, né, através desse olhar a médio e longo prazo que a confederação tem colocado.
Tudo isso pensando no rendimento e no melhor aí para os nossos atletas, visando o resultado lá na frente, né.
Esse negócio da cronometragem do tempo aqui é fantástico, né, porque às 14:26 ele vai entrar, às 14:26 ele tá ingressando na pista. Exatamente, não tem nenhum segundo a mais e nenhum segundo a menos.
Não, isso tem a ver muito com a organização. Isso aqui é muito organizado. A gente fica realmente impressionado com tudo que acontece aqui, com a limpeza dos locais, com a funcionalidade de tudo isso aqui. E as equipes têm que estar prontas. Então, para estar pronto, para uma equipe, né, de 4 cavaleiros estar pronto nos seus horários, também tem um planejamento por trás, tem um trabalho de bastidores, de horário. Então todo mundo acorda muito cedo para o cavalo, para preparar os cavalos para estarem prontos né, aquecidos e para entrar na pista, porque aqui tem que ser dessa forma.
Não dá para mandar, ó, espera um minutinho aí que nós vamos— não tem isso, né? Não é o momento de errar. E tudo isso faz com que, né, todo mundo fique apreensivo, os atletas também, os cavalos também. É muita informação, como a gente tá falando hoje. A gente viu várias coisas acontecer aqui no cenário da prova. Então é muito telão, é muita iluminação.
Flamarion ontem, né?
É, o Flamarion ontem teve, né, o cavalo Deu uma furtada para o lado, se assustou com telão, né? Se assustou com telão. Então a gente fala assim que para que a coisa aconteça aqui, de naquele momento o atleta tá muito bem e o cavalo tá muito bem, e tudo isso aconteça de uma forma muito tranquila aqui dentro, não é fácil, né? Então ter algum resultado aqui não é fácil. A gente tem que comemorar muito de estar aqui. Aqui é o palco, é a vitrine para o mundo.
Então ter conseguido o índice, né, e estar aqui, eu acho que já é uma grande vitória. Estar com um cavalo crioulo é particularmente uma vitória para raça, para gente que gosta de cavalo crioulo, que sabe da funcionalidade. É fantástico pensar que a gente tá aqui com um cavalo crioulo lá da nossa região dos Campos Gerais.
Não, isso acho que não tem, não tem que questionar, né? Eu tive a oportunidade de, de trial, né, em 2018, aonde tinha o Loiro, e tive o SJ Rodopil na Normandia, que deu um problema, não pôde ingressar em pista, foi desqualificado antes de ingressar. Só que uma das coisas que me deixa muito chateado é o fato de não aparecer cavalo crioulo na listagem da organização. E isso é uma coisa que a associação tem que se mexer, porque a chance de estar— é a vitrine do mundo aqui equestre, e o nome do cavalo crioulo não tá presente.
Agora, dessa vez, nas outras vezes entrou como Off Stud, se eu não me engano, certo?
Aqui entrou como raça espanhola.
Então assim, a chance de ter um nome no maior evento mundial Nós não temos, pela terceira vez, pela terceira vez. E se eu não me engano, em Kentucky teve também cavalo crioulo no rédeas, só que aí eu não sei como é que foi, não sei como é que tava saindo a descrição de raça. Mas as outras duas eu lembro que não, que não estava.
Eu acredito que seja um trabalho burocrático, né, de papel.
Já peguei o caminho, já peguei o caminho, já passei. Mas é uma coisa que, poxa, acontece de 4 em 4 anos. Nós já estamos falando em 12, né?
Aqui várias pessoas já vieram perguntar, né, é um cavalo de raça espanhola? É um cavalo de raça espanhola porque entrou como um cavalo de raça espanhola, né? Mas eu acredito que a Associação Brasileira dos Criadores de Cavalo Crioulo vai olhar com carinho, de repente junto à FEI, e organizar isso. Porque a gente vê a versatilidade do cavalo, né, que pode ser utilizado em várias modalidades, em várias disciplinas. A exemplo do que tá acontecendo aqui no para-adestramento de forma inédita.
Né? E seria muito interessante, a gente ficaria mais feliz de falar, olha, é um cavalo da raça crioula que tá aqui. A gente sabe, né? Mas de repente quem tá aqui olhando não imagina, né, o tamanho que é a raça crioula no Brasil, em especial no Sul, mas no Brasil todo hoje nós temos cavalos crioulos, né? Nós temos muito cavalo crioulo na Itália, né? A gente teve uma publicação agora na Itália, especialmente na Alemanha. Exato.
É o segundo maior registro da Europa, é Alemanha.
Então eu acho que é importante isso para que a raça, né, vá ganhando o mundo, né. A gente veio para cá e a gente tava com uma expectativa, falando, pô, o que será que vão pensar do cavalo, né? Porque no adestramento e no paradestramento é muito comum cavalos com 1,70 de cernelha, 1,75, 1,80, cavalos muito altos. E aí nós chegamos com o nosso crioulo aqui de 1,40m de cernelha, dessa grossura, mas com uma biomecânica de passo fantástica, um temperamento fantástico, com muita coisa acontecendo do lado e ele só olha, só cuida.
E enfim, tá fazendo boas apresentações. Amanhã a gente tem mais uma prova com o Cleberson e com o Fronteiriço, e a gente espera trazer mais alegrias ainda para a raça.
Uma das coisas que me chamou atenção ontem aqui também, ontem, hoje, né, durante as provas é que não se aplaude, né? Se faz o aplauso na linguagem de sinais, né?
É, os graus baixos, os graus 1, 2 e 3, que fazem as provas somente ao passo ou passo e trote, se utiliza, né, não bater palmas, não fazer barulho, que o cavalo pode se assustar, né? Enfim, e aí não se utiliza dessa forma. Inclusive, no telão, logo que acaba a prova, já aparece, né, a mensagem ali para as pessoas fazerem esse tipo de saudação, né? Nos graus 4 e 5, as pessoas podem bater palma normalmente. É um cuidado que a FEI tem com relação à segurança dos paratletas.
E outra coisa que também chamou muita atenção, que eu tive a oportunidade de andar ali pelos estábulos ali, é a quantidade de ferramentas diferentes, né? Sim, que é principalmente os carrinhos, né, esses elétricos. Para mobilidade é uma loucura isso.
Então nós temos muitos paratletas, né, que não andam, não deambulam, e aí necessitam de equipamentos especiais. Então você pode ver ali a quantidade de cadeiras de rodas diferentes, elétricas, de tamanhos diversos para cada tipo de pessoa. E é uma coisa interessante que a gente treina para que os cavalos se acostumem com isso, né. Então é muito comum a gente ver às vezes a pessoa com uma cadeira motorizada ali levando o seu cavalo para duchar ou para gramear, né, enfim.
Então o cavalo vai se acostumando com isso e a quantidade é enorme. Então o corredor das baias, das cocheiras, além de muito material equestre, né, que a gente deixa no corredor ou dentro do quarto de sela, ainda tem toda essa condição das pessoas com deficiência para ajudar no seu deslocamento, porque aqui tudo também é um pouco longe, né? Se a pessoa quer se deslocar, ela vai com a cadeira dela, enfim, né, com adaptação que ela tem para poder rodar aqui dentro, né, para os restaurantes, para as cocheiras, para as pistas, né?
Então essa é uma característica, acho que muito bacana, das provas do Para Equestre, onde as pessoas não imaginam que vão ver tanta coisa diferente.
Agora, Eros, a gente tem aqui grau 1, grau 2, 3, 4, 5, né? São 5 graus. Eu queria que tu explicasse para nós, o grau 1 e 3 são os mais—
1, 2 e 3, as pessoas que não têm—
1 ou 3, né?
Isso. Então os graus, eles são colocados para as pessoas através de uma classificação funcional. Só quem pode fazer essa classificação funcional são médicos ou fisioterapeutas que têm um curso, quer dizer, eles têm que ser habilitados para isso. Hoje no Brasil Nós temos uma médica fisiatra, que é a Doutora Luana, que é classificadora funcional, e nós temos 4 fisioterapeutas que são classificadores funcionais também. A confederação pensou nisso atrás, fez curso, formou gente.
Então é a partida para entrar no ParaEquestre. A partir dessa classificação funcional que é feita, não é visando a deficiência da pessoa e sim a funcionalidade, quer dizer, o que ela é capaz de fazer. É que é determinado um grau. E aí a pessoa ela vai ser grau 1, 2, 3, 4 ou 5. A partir desse grau nós sabemos o que ela tem que fazer em pista. Então os graus que são 1 são as pessoas mais comprometidas fisicamente, né, a gente pode falar assim.
Elas vão trabalhar e vão fazer as reprises com o cavalo somente ao passo. Grau 2, passo e trote. Grau 3, passo e trote com mais trote, né. Grau 4 vai fazer passo, trote e galope. E grau 5, passo, trote, galope e trabalho lateral. Então, de acordo com a funcionalidade da pessoa, ela vai desenvolver, né, andaduras diferentes nas suas reprises em pista.
Que na verdade, assim, o Kleber, a gente vê, ele é grau 1, mas ele tem uma dificuldade de se locomover. Ele não tem, ele tem a firmeza em cima do cavalo, mas ele não tem todos os comandos, ele não consegue dar esses comandos, né?
Exatamente.
Mas ele, por exemplo, ele tem os braços e tem as pernas. A gente pega o Riscala, que é grau 5, e ele não tem as pernas, por exemplo, e tem alguns dedos que ele também não tem. Só que ele usa prótese e ele tem uma mobilidade muito melhor, funcionalidade muito melhor. Então, para quem olha, às vezes é difícil de entender, né? Sim. Mas agora tu explicando, faz esse sentido todo.
E é para isso que existe a classificação funcional, para tornar né, a prova ela ajusta, né, eles têm que competir em nível ali de igualdade funcional, né. Então é interessante essa visão que você colocou, e é difícil, entendo, para as pessoas que são leigas, né, olhar e falar, poxa, mas por que que aquela pessoa tá fazendo, né, um grau 4 ou um grau 5? Então tem a ver muito com a funcionalidade, né. E a função, e os graus, elas, eles podem mudar também, os paratletas, né.
Então, por exemplo, algumas doenças, né, que a pessoa é uma doença progressiva, que de repente a pessoa vai perdendo o movimento com o tempo. Ela de repente começou lá sendo grau 5, ah, passou 2 anos, né, aquela doença de repente piorou a funcionalidade da pessoa, de repente ela vai fazer uma reclassificação funcional, ela pode ser colocada como grau 3, por exemplo, né, como ela pode subir também. Ah, era um cavaleiro grau 2 e poxa, melhorou muito a sua funcionalidade, ele pode se tornar um cavaleiro grau 3.
Então depende muito da visão dos classificadores, isso acontece nos concursos, então pode acontecer essa mudança de graus também.
Interessante isso, né? Agora, Eros, a parte da ecoterapia, ela pode ser, ela pode ser, não, ela pode se dizer que ela é uma porta de entrada para o esporte equestre?
Pode, são coisas totalmente diferentes. Então terapia é uma coisa, esporte é outra. Mas eu uso uma frase nos cursos lá no Brasil, por aí, enfim, eu falo assim que os centros de ecoterapia eles são potenciais celeiros para o para-equestre, né? Então se a gente tiver dentro de um centro de ecoterapia, né, pessoas que tenham essa visão mais técnica e conseguir olhar naquela pessoa com deficiência que tá fazendo a sua reabilitação para melhorar a sua saúde física, mental, a parte motora, enfim, lá na frente falar, poxa, de repente pode se tornar um paratleta, né?
E aí buscar junto ao Comitê Paralímpico Brasileiro ou junto à CBH, né, para que os profissionais façam uma visita, olhem, digam: não, realmente essa pessoa tem um potencial a ser explorado, né. Então eu uso muito esse termo, que os centros de ecoterapia são potenciais celeiros para o esporte de alto rendimento para pessoas com deficiência. Basta ter um olhar técnico, entender a modalidade, né? E eu fico muito de olho, por exemplo, quando tem lá o para-freio, né?
Por exemplo, de repente, poxa, quem tá montando lá muito bem nas provas do cavalo crioulo, de repente trazer para o adestramento para equestre. Já sabe o que é cavalo, né? De repente já executa manobras, passo, trote, galope, faz as andaduras muito bem. Quer dizer, já deu um passo à frente para que a gente possa trabalhar de repente no adestramento para equestre.
E o exemplo do Kleber, por exemplo, o Kleber, ele era do cavalo ou ele foi em busca de terapia?
Boa pergunta. Então ele foi em busca de terapia, ele não era do cavalo, não conhecia, né? Então durante lá 7 anos ia fazer apenas a ecoterapia semanalmente dele, né? E melhorou muito, né? Ganhou controle de tronco, ganhou força, ganhou equilíbrio. E aí a gente começou a colocar em provas, né? As primeiras provas que ele fez foi a prova do Para Enduro, né, lá no Paraná. A gente tem a honra e a satisfação de falar que a gente foi pioneiro nessa modalidade já desde 2012.
Então tocar cavalo para frente, percorrer longas distâncias, né? E os paratletas no Para Enduro fazem 5, 10 e 20 km, né? Muito semelhante ao que acontece na marcha, mas com uma quilometragem menor, o que já é bastante coisa para eles. E ele indo muito bem e se divertindo, que é o mais importante. Eu digo sempre lá para os meus paratletas que tem que vir, tem que se divertir, tem que fazer bem, tem que ter o compromisso, a responsabilidade do treino, mas tem que fazer bem para pessoa, ela tem que estar bem nesse meio, né?
E depois, quando a gente começou a perceber que teria uma possibilidade de colocar nas provas do adestramento para equestre, que são muito técnicas, né? Enfim, a gente colocou e ele começou a subir de estrelas e deu certo. De hoje a gente tá aqui, né?
Porque ao contrário do Rodolfo, o Riscala, ele era do cavalo, já era cavaleiro, teve esse incidente assim, e aí terminou seguindo com o cavalo. Na verdade, recuperou ele de novo, né? Trouxe ele para vida de novo, né?
Ele já tinha nessa vivência, né? Acredito que seja teoricamente mais fácil porque, né, já montava, né, já era cavaleiro, enfim. Mas eu acredito que as pessoas que vêm para o cavalo, né, e principalmente quem tá na volta, né, e essas pessoas geralmente têm uma equipe multidisciplinar que acompanha, tem fisioterapeutas, tem profissionais de educação física, tem psicólogos, né, que estão ali dando um suporte. E aí entra a figura importantíssima de repente do treinador de cavalo que possa ter um olhar técnico apurado e falar, poxa, mas esse indivíduo parece que leva jeito para o cavalo, esse indivíduo acredito que tem um bom potencial para colocar em provas.
A exemplo do que é feito na ABCCC com relação ao parafreio, né? Então tem que ter um olhar específico e falar, poxa, acho que ele tem condição, né, de fazer uma prova de fardo, acho que ele tem condição de fazer andaduras bem feitas, né? E a partir daí, mais uma vez, o bom olho, né, do bom treinador é qual é o conjunto que nós vamos escolher para esse indivíduo, qual é o cavalo que nós vamos, né, escolher para esse indivíduo. Não pode ser qualquer cavalo, né?
Os cavalos têm que ter características físicas, comportamentais, biomecânicas, né, muito bem definidas para aquele indivíduo, né? É o que nós falamos de formar um conjunto, né? E às vezes formar conjunto não é fácil, né? Um cavalo que às vezes não deu certo com um vai dar certo com outro. E aí é que a gente entra nesse cenário, tentando alinhar tudo isso.
Agora, com essa questão que tu fala do cavalo, de porque na verdade tu não seleciona a raça, seleciona o cavalo, seleciona o animal que possa te favorecer na terapia e futuramente no esporte.
Perfeito.
O cavalo crioulo tem condições de nos dar mais oportunidades como essa?
Eu acredito que sim. A gente tem a oportunidade lá no sul de ter muito cavalo crioulo e muitos centros de ecoterapia utilizam cavalo crioulo, principalmente em virtude da estatura, né? É um cavalo que nos permite fazer manobras caso a gente precise no praticante ali que não tenha controle de tronco, né? Então a gente tem essa facilidade. Tanto é que quando eu vou dar curso em outros estados, né, em Minas ou no Nordeste, o pessoal sempre fala, pô, não tem um crioulo lá?
Não tem um crioulo para trazer aqui para gente, porque o cavalo tem essas condições, essas características para terapia. Se a gente voltar o olho para o esporte, e aí mais uma vez entra a visão ali do bom treinador, eu acho que a gente consegue muita coisa. O cavalo crioulo é extremamente funcional, adaptado. Nós fizemos uma viagem longa lá do Brasil, tirei o cavalo de Ponta Grossa, foi para São Paulo, de São Paulo para o Rio, né, do Rio aí foram 14 horas de voo até Luxemburgo.
Luxemburgo, França. França, Itália. A gente competiu na Itália, o cavalo voltou para França. Da França veio para Alemanha. Ó, fiz todo o trajeto aí e o cavalo tá inteiro lá, né, e gordo. Então quando a gente fala em rusticidade da raça, essa adaptabilidade que o cavalo tem, é fantástico a gente ver isso, né, que o cavalo já percorreu nesses últimos aí 50 dias aí, tantos estados, tantos países. E dessa forma o cavalo, a gente percebe, né, que tá muito bem aqui.
Sim, sim. Agora eu queria fazer uma pergunta para ti assim, porque 35 anos, né, tu me falou lá no início, né, 30 anos, por que que tu foi para esse lado da ecoterapia? O que que te levou para esse lado?
É, pessoal pergunta muito isso aí, né? A minha família sempre teve cavalo, mas era cavalo para trabalho, né, no campo, enfim, inclusive na tração animal, sempre teve cavalo. Depois eu fui para o Exército, né, fiquei como oficial do Exército aí durante 10 anos, e no Exército eu conheci esse trabalho de reabilitação com cavalos, né? Eu sou profissional do esporte, da área de educação física, mas desde criança envolvido com o mundo do laço, com CTG, com rodeio, e depois com uma visão mais técnica que o Exército me trouxe sobre cavalo.
Pensei, por que não ter essa oportunidade em Ponta Grossa? Então, na região dos Campos Gerais, o nosso centro é pioneiro com ecoterapia. E as pessoas perguntavam, você tem alguém na família com deficiência? Não, não tenho, né? Mas eu acreditei em juntar coisas que eu acho fantástico, que é aquilo que o cavalo pode nos proporcionar, ter o cavalo, né, e fazer um trabalho com propósito, que é reabilitar pessoas com deficiência. E isso já tá acontecendo aí há quase 30 anos.
Nosso centro lá é um centro de referência, forma outros profissionais para trabalhar com ecoterapia. E eu só vejo e só tenho a agradecer que foi um acerto muito grande, porque a gente não imagina onde o cavalo pode nos levar, né? Já há mais de 10 anos a gente dá curso na Europa, principalmente em Portugal, no Brasil todo. E quando a gente vê que o que a gente faz lá na reabilitação pode se tornar, através do esporte, que é o caso do Klabin, melhorar a vida das pessoas de uma forma fantástica, eu acho que a gente atinge um objetivo.
Hoje muitos para-atletas recebem bolsas, né, bolsas municipais, estaduais, federais, principalmente quando chegam no nível que o Cleberson tá, ele tá entre os 20 melhores atletas do grau dele do mundo, né. E aí quando a gente coloca essa questão de bolsas, a gente ajuda muito a parte financeira dessas pessoas. E aí sim eu vejo que eles conseguem, né, ter uma vida melhor. A gente fica muito feliz, muito grato de ver tudo isso. E principalmente que o cavalo é que tá proporcionando tudo isso.
A gente não imagina, né, quantas coisas boas o cavalo pode fazer, né, na ecoterapia, na reabilitação, a inclusão nas provas, né. A gente mesmo às vezes, pô, tá estressado, tá no escritório lá trabalhando um monte de papel, né, projeto para resolver. Calma, vai lá, enfia um cavalo, vai dar uma volta volta melhor. Então isso muda muito a gente, né? E esse ambiente, ele é muito favorável para que as coisas boas aconteçam e permaneçam.
O cavalo tem esse dom, né, de mudar a vida, não só na ecoterapia, mas eu digo das pessoas, das pessoas. O cavalo, tudo, o cavalo me oportunizou muitas coisas, e uma delas é, por exemplo, tá aqui hoje.
O cavalo, ele é fantástico, né? Eu brinco lá com o pessoal, né, apesar de trabalhar com cavalo 24 horas por dia, esse ano eu não consegui preparar cavalos para mim para descer para esteio no freio do proprietário e tá me fazendo falta, porque a gente tá no compromisso de preparar o cavalo que veio aqui para o Mundial e porque é trabalho, né. E vejo lá os meus amigos, todo mundo, né, viajando, fazendo uma prova ali, uma prova aqui, já estão falando agora da final do Freio do Proprietário, né?
E eu não vou descer porque não tive tempo esse ano de preparar cavalo, e me fez falta isso, a gente montar, né, para que a gente possa estar ali desfrutando desse momento tão bacana que a raça oportuniza para quem é proprietário de cavalo. Mas para o ano que vem, se Deus quiser, vou estar lá de novo, lá com conjunto lá.
Mas igual te esperamos lá, né? Se não pode com cavalo, pelo menos para prestigiar os amigos que tiver por lá.
E é o que eu falo para os paratletas, né? A gente pode ir para uma competição, como estamos aqui no evento Equestre Mundial, e chegar lá e dar tudo muito certo, e a gente ir super bem, e a gente vai ficar muito feliz. E a gente pode ir para uma competição, isso pode acontecer com os paratletas ou com a gente mesmo, né? Chega lá e de repente o cavalo não andar bem, não foi uma boa apresentação, enfim, né? E a gente tem que voltar para casa e fazer o churrasco da mesma forma.
Né, e agradecer por ter tido a oportunidade de ir lá competir. É muito difícil, que quando a gente tá no alto rendimento, a gente percebe que é cada vez mais difícil dar tudo certo naquele dia, com cavalo, com competidor, com a gente, né. Tem outros fatores em volta que podem modificar naquele exato momento da prova e a coisa não sai como esperado. E tem que voltar para casa e fazer um churrasco e agradecer por ter vindo, né. Eu acho que isso é especial.
Fora a bagagem, a experiência que tu volta e tu leva contigo e tira proveito de alguma coisa. Sim. E eu não falo só de ti, falo de mim. Tá aqui, eu tô, eu tô aqui desde o dia, desde o começo, nem lembro o dia que eu tô aqui, mas já faz mais de 10 dias que eu tô aqui. E aqui já nesse, no processo aqui, já mudaram coisas que para mim já são importantes, porque agora a gente começa a entrar num nível que qualquer coisinha que muda vira uma baita de uma chave.
Exatamente.
Então com certeza tu sai daqui, vocês voltam, não é, não vai ser a mesma coisa Clebinho, não vai ser a mesma coisa pro Fronteiriço, não vai ser a mesma coisa pra ti. Então o fato de voltar daqui, independente do resultado, o resultado é o resultado, o processo todo é o que importa.
O processo importa muito, a gente tem que vivenciar o processo, né? E mais, vamos além, né? Voltar diferente e através dessas experiências que nós estamos tendo a oportunidade de vivenciar isso aqui, porque É para poucos isso aqui, né? Voltar para o Brasil e tentar transmitir da melhor forma possível para que outras pessoas possam atingir outros níveis também na equitação, no cavalo, né? Através disso que a gente tá vivenciando aqui, e a partir disso colaborar para que as pessoas cresçam e evoluam tanto na equitação como nas provas.
Enfim, isso aqui é uma baita história, é uma baita vivência tá aqui e a gente só tem que agradecer, né?
Verdade. Agora, para a gente chegar, encerrar, eu não vou te ocupar mais, porque eu sei que tu tá cheio de coisa para fazer. Mas assim, ó, que que tu deixaria de recado, aconselharia? Tem muitas dificuldades. Vocês tiveram apoio do núcleo, né, lá atrás, que abriu as portas para vocês. O que que tu deixaria de mensagem hoje para que pudesse desenvolver mais esse trabalho dentro do Brasil, principalmente dentro do cavalo crioulo?
Certo. Olha, eu acho que uma das coisas que a gente tem que pensar é não desistir nunca, né? Se tu tem uma ideia e acha que a ideia é boa, é válida, é colocar essa ideia em prática, né, de forma muito profissional. Não desistir nunca. Problema todo mundo vai ter, barreira todo mundo vai enfrentar, né? As pessoas vão criticar, vão falar que não dá certo, mas o tempo mostra, né, se você realmente tava no caminho certo com tuas ideias ou não.
Nós tivemos pessoas que acreditaram na gente lá atrás, né, quando a ecoterapia no Brasil ainda tava iniciando. Os médicos não sabiam o que era ecoterapia. Hoje já conhece mais. O Brasil é o segundo país do mundo que mais escreve cientificamente sobre ecoterapia, né. Então, através disso, não desistir nunca, né? Agradecer muito, acho que é uma coisa impressionante. Parece que quanto mais a gente agradece, mais pessoas estão na nossa volta nos ajudando, né?
E aí a gente consegue ir mais longe. E eu sempre falo uma coisa que é importantíssima, né? É ter uma equipe que some e acredite, né? Vocês estão aqui fazendo um trabalho de equipe. Nós estamos aqui com uma equipe enorme fazendo um trabalho com os paratletas aqui. Eu só tô aqui porque lá na minha casa tem uma equipe enorme, ia te perguntar isso, que ficou trabalhando lá, né, fazendo os atendimentos. Nós atendemos em média 115 praticantes por semana, é muita coisa, né?
Então tudo tem um trabalho em equipe, tem uma visão multidisciplinar e interdisciplinar. E a gente só tá aqui porque isso tá acontecendo também nos bastidores. Então a vitória de trazer o cavalo crioulo para cá, a vitória de trazer o Cleberson para cá, não é minha. A vitória é de todo mundo que ajudou. Como eu falei lá no começo, né, o Núcleo Caminho das Tropas, através do Júnior Demiátris, nos ajudou. E ajudou lá atrás, talvez nem ele lembre que ele doou uma égua lá atrás, mais de 20 anos atrás, para começar um trabalho, né.
A Sociedade Rural dos Campos Gerais. Então Tudo isso é muito importante e a gente não imagina talvez onde isso vai chegar, né? Então tá sempre, acho que, pensando em fazer as coisas da melhor forma possível e agradecendo a gente vai muito longe. Viemos parar aqui em Aachen, na Alemanha, Campeonato Mundial, né, com atleta de Ponta Grossa, com um cavalo da região dos Campos Gerais, da raça crioula, que tá sendo a sensação do mundial.
Só tenho te agradecer e te parabenizar pelo trabalho que tu faz.
Eu que agradeço.
Espero que teu trabalho, Clebinho, Fronteiriço, inspirem mais pessoas e que possam, que isso chegue a mais gente, né, que possa atingir mais pessoas para ter mais oportunidades, não só do cavalo crioulo, digo isso no geral, né. Porque eu tive uma vez conversando com a Josi falando sobre inclusão ainda naquela época, que a maior dificuldade era conseguir um cavalo. E que isso inspire as pessoas, porque pode estar aqui no Mundial, pode, né?
E que não seja esse o motivo, mas olha a oportunidade que isso pode dar, né? De tu ajudar e ainda conseguir levar a raça para o mundo e poder chegar num lugar como esse aqui que a gente tá hoje, que é Sensacional.
Os criadores com esse olhar sensível, né, eu acho que vão poder ajudar muita gente. Às vezes é um cavalo que era do esporte, não serve mais para o esporte, mas talvez dê certo para ecoterapia. Ou é um cavalo que ele nem imagina que dê certo para de repente algum paratleta. E aí estamos falando de todas as raças, né? E é o que a gente busca. É uma dificuldade, não é tão simples assim achar bons cavalos quando a gente tá falando de alto rendimento.
Mas de repente um cavalo que tá lá no criatório, na cabanha, né, que de repente não está sendo utilizado, né, por algum motivo, enfim, que for um cavalo que passe por uma avaliação, pode estar ajudando muita gente. Eu acho que é desse olhar que a gente precisa, e fazendo dessa forma a gente vai estar ajudando muita gente. Acho que esse é um objetivo bacana para alcançar dentro da raça, através de projetos sociais que visem, né, esse bem-estar.
A gente sabe a importância e a força que a raça tem, e um exemplo disso é a prova do parafreio, que tá lá para mostrar não a deficiência das pessoas, mas para mostrar o potencial que aquelas pessoas têm para estar montando cavalo. E eu acho que isso é importante.
Uma coisa que eu ia te perguntar antes, esqueci: que idade tem o Fronteiriço?
Fronteiriço tá com 14 anos, né? E aí já estão perguntando sobre Los Angeles 2028, se ele vai ter idade boa para estar lá na prova. A raça crioula é uma raça que, né, que vai muito longe, né, com relação à idade, né. Então tá com 14 anos e tá muito bem. Era cavalo que fez paleteada, era cavalo que correu credenciadora do freio. Inclusive teve jinetes que montaram nele aí e falaram, pô, mas esse cavalo veio parar aqui, cara. Eu montei esse cavalo numa credenciadora, não acredito que esse cavalo tá aqui e que vai para o mundial, né.
Então às vezes o cavalo ele não dá tão certo para algumas coisas e em outras vai dar muito bem. Cabe a gente adaptar, cabe treinar de forma diferente, e é o que tá acontecendo aqui. A gente tá sendo a prova viva que tá dando certo.
Uma idade ideal para os cavalos de prova aqui, não só de prova, mas para ecoterapia no geral?
Para ecoterapia a gente pensa sempre em cavalos mais velhos, machos castrados, que já tenham né, um temperamento formado, né. Cavalos aí com 12, 14 anos são, né, cavalos bons de idade. Mas nós temos também experiências de cavalos mais jovens com uma cabeça muito boa e com uma biomecânica muito boa também, com 5, 6 anos sendo utilizados, né. E na ecoterapia para o cavalo vai ser excepcional para o cavalo também, porque vai trabalhar, né, muito ao passo, né.
Então quer dizer, vai ser bem tratado, vai ter local bom para dormir, cocheira boa, e vai caminhar o dia inteiro, que é a atividade física que a gente precisa fazer, né? A nossa atividade física diária. E aí o cavalo vai muito mais longe. A gente tem tido aí e visto, né, cavalos com 20, 22 anos na raça crioula sendo utilizado em centros de tecno terapia, estão muito bem, né? Então acho que é importante a raça pensar nisso, os criadores pensar nisso, falar: poxa, tô com um cavalo aqui que de repente, né, tá lá no fundo do campo, não tá servindo para nada, talvez seja um excepcional cavalo de ecoterapia, após passar por uma avaliação de um profissional e falar: não, realmente esse cavalo aqui acho que dá certo, vamos treinar ele para ser um cavalo terapêutico, né?
Então eu acho que estender esse olhar é importante. Cavalo que veio para gente, o Fronteiriça, ele veio para ecoterapia, e através do nosso olhar, pôxa, mas esse cavalo tem características muito boas, biomecânica fantástica, vamos ver se de repente dá certo para o Clévis. Deu, e o cavalo tá aqui na Alemanha, né?
Maravilha. Eros, Projeto então Los Angeles 28.
Vamos tentar, né? A gente não para nunca. Te agradeço muito pela oportunidade de estar aqui falando sobre cavalo, né? Um assunto apaixonante, né? A gente vive disso. Falando, pô, tem aqui na Alemanha, dentro do Mundial, eu acho que vai ficar realmente registrado para sempre, falando de cavalo crioulo, né? De pessoas que são fantásticas, que mostram para o mundo o que elas são capazes de fazer aqui diante das lentes, das suas lentes, né?
E a gente fica muito feliz de poder estar contribuindo para tudo isso. Eu me coloco à disposição de todo mundo para estar ajudando todos de uma forma ou de outra, para que todo mundo consiga atingir o seu objetivo, seja no centro de ecoterapia, seja nas provas equestres, seja nos cursos por aí. Eu sempre me coloco muito à disposição. Eu acho que tudo isso que a gente aprende aqui a gente tem que levar para lá e transmitir da maior forma possível.
E eu quero te agradecer pela oportunidade muito especial de estar aqui nesse momento.
Eu que te agradeço mais uma vez.
Valeu, show!
Vamos por mais, abraço!