160 - O inconsciente não é neutro: psicanálise, poder e marcadores sociais
O que acontece com a psicanálise quando ela se recusa a encarar os marcadores sociais como parte constitutiva do sujeito? E o que ela perde quando insiste em ser uma clínica do universal abstrato, desencarnado e des-historicizado?
Neste episódio do Psicanálise e Cultura, falo um pouco da parte da experiência de supervisão clínica realizada com a psicanalista Gabi Braun no Neppa para interrogar um dos pilares mais caros à técnica psicanalítica: a neutralidade. E mostra que, longe de ser um "não lugar", o setting analítico é atravessado por gênero, classe, raça e tecnologia — e que a escuta que não dá conta disso corre o risco de repetir as violências que deveria acolher.
Com referências a Ferenczi, Fanon, Neusa Santos Souza e outros, o episódio propõe uma psicanálise implicada, que não tem medo de se sujar, que reconhece o inconsciente como também social e que convoca o analista a descolonizar sua escuta. E ainda: letramentos raciais, de gênero, de classe e tecnológicos como ferramentas clínicas indispensáveis para uma prática mais verdadeira.
Uma conversa sobre o mal-estar contemporâneo e sobre o que a psicanálise ainda precisa aprender — ou desaprender — para continuar sendo um espaço de transformação.
Palavras-chave: psicanálise, neutralidade, gênero, classe social, tecnologia, descolonização, Ferenczi, Fanon, Neusa Santos Souza, clínica contemporânea, Neppa, supervisão clínica, marcadores sociais.