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Programa ao vivo | 3 de maio de 2026

03 de maio de 202650min
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João Claudio Cimurro conquista o visto Global Talent e agora sonha em representar a Austrália nos Jogos Olímpicos. Vida Nas Minas Australianas: Mônica Holanda troca a aviação por salários altos e desafios no outback australiano. Concerto Renascentista “Que é o Que Vejo?” é dedicado à música renascentista portuguesa e luso-brasileira do século XVI.
Participantes neste episódio4
L

Luciana Fraguas

Host
A

Ananda Roda

ConvidadoAlaudista
J

João Cláudio Cimurro

ConvidadoJudoca
M

Mônica Holanda

Convidado
Assuntos3
  • Vida nas Minas AustralianasMônica Holanda · trabalho FIFO
  • Visto Global TalentJoão Cláudio Cimurro
  • Concerto RenascentistaQue é o Que Vejo? · Ananda Roda
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SBS, a world of difference. You're with SBS Portuguese. On mobile, online and on radio. Essa é a SBS em português. No telefone, online e no rádio.

Muito boa tarde, é isso mesmo, está começando o seu programa em português da SBS Áudio, deste domingo, 3 de maio de 2026. Na sua companhia, Luciana Fraguas, falando ao vivo dos estúdios da SBS em Melbourne, terra tradicional do povo urundiri, a nação colim.

Aos 25 anos, o campeão de judô João Cláudio transformou uma vida dedicada às artes marciais na realização de um sonho, a conquista da residência permanente na Austrália. Ele recebeu o visto Global Talent e hoje tem um novo sonho, representar o país nos Jogos Olímpicos.

Moni Colanda deixou uma carreira promissora de aeromoça para fazer dinheiro no meio das mineradoras nos desertos australianos, que costumam ter salários anuais na casa dos seis dígitos. Hoje ela dirige caminhões gigantes que carregam o minério extraído durante seus longos turnos. Ela contou pra gente os prós e contras da vida nas minas.

Um concerto apresentado em Portugal chega agora ao Rio de Janeiro. Em maio, o Espaço Abu, da cidade, recebe o concerto Que É O Que Vejo, dedicado à música renascentista portuguesa. Trazemos a entrevista da alaudista e diretora do espetáculo Ananda Roda. Tudo isso e muito mais. Muito obrigada por ter escolhido ficar com a gente nessa tarde de domingo.

Segundo o governo federal, cerca de 66% das exportações australianas vem da exploração de minérios e energia. A famosa qualidade de vida material da população se deve, em grande parte, ao que é extraído no interior do vasto continente ou dos mares. Isso ainda mais evidente no Austrália Ocidental, estado que tem quase metade do produto interno bruto, o PIB, proveniente da mineração.

Não por acaso, trabalhar para as mineradoras é uma ótima opção para quem sonha em fazer um pé de meia em um tempo relativamente curto.

Há uma ampla oferta de vagas com treinamentos simples no esquema FIFO, ou Fly In, Fly Out, ou seja, voar para entrar, voar para sair. A empresa paga o transporte, geralmente de avião, até um campo de mineração, e fornece toda a estrutura aos empregados. Os trabalhadores passam um tempo internados na mina, com quase nenhuma despesa, e depois voltam para casa de folga por um período similar.

O trabalho costuma ser pesado, com turnos longos em locais de clima extremo. Para muitos, pode ser psicologicamente desafiador. A compensação é o salário quase sempre na casa dos seis dígitos anuais.

A brasileira Moni Colando é uma dessas pessoas que se acertaram no esquema FIFO. A carioca criada em Fortaleza trabalhou um bom tempo no setor de hospitalidade na Austrália e chegou a iniciar uma carreira de aeromoça. Porém, ao sair de um relacionamento, seu foco passou a ser a independência financeira. Foi o que a atraiu para tentar a vida nas mineradoras.

O caminho que ela encontrou foi ser motorista daqueles caminhões gigantes que recebem o minério extraído diretamente das máquinas de escavação. São veículos gigantes, de 5 metros de altura e mais de 100 toneladas, mas que, com a tecnologia atual, são relativamente fáceis de se dirigir.

Nessa conversa com a SBS em português, Mônica Holanda, que mora em Perth, conta como é a vida pilotando essas máquinas enormes em turnos de 12 horas no esquema FIFO. A brasileira relata os prós, os contras e dá detalhes para quem cogita tentar a sorte profissional neste mundo particular da vida australiana. Mônica, primeiramente, conta para a gente quem é a Mônica, de onde é do Brasil, quanto tempo tem de Austrália.

Obrigada. Eu nasci no Rio de Janeiro, mas fui criada em Portaleza. Estou com 42. Eu cheguei aqui na Austrália com 24. Eu consegui o meu visto pelo casamento. Eu fui casada por cinco anos, australiano, e eu consegui me tornar aeromoça. Eu trabalhei para aerolíneas pequenas aqui, que se chama Skippers e a Coban, que são aerolíneas que levam para as mineradoras.

e essa empresa aérea que fazia Perth até destinos da mineração no interior de Western Australia, é isso? Exatamente, que foi o meu primeiro contato em relação a esse mundo. Então a gente viajava levando de manhã cedo o pessoal das minas, engenheiro, geologista, todo mundo. E eu comecei a fazer meio que amizade, comecei a conhecer outras pessoas, comecei a me interessar um pouco mais, comecei a ver lá de cima do avião, aquele mundo enorme lá embaixo, e comecei a falar com algumas pessoas e comecei a ver que eles ganham muito bem.

Não só o pessoal com algum tipo de skill, mas o pessoal da cozinha, todo mundo que estava lá. Então eu comecei a me interessar. Aí estava aplicando para outros empregos, querendo crescer na área de aeromoça. Nesse tempo eu me separei.

E eu fui chamada para trabalhar para quantas. E ao mesmo tempo, por brincadeiras, só por vamos ver no que dá, eu apliquei como kitchen hand, lavando prato, numa mineradora, que não precisava de skills nenhum, no caso. Veio essa oportunidade e era um valor bem maior do que o que eu ganhava como moça.

Então, para mim, que já vim de uma separação, foi um tap-up, né? Um mundo novo para eu aprender. E também, financeiramente, para mim, uma própria segurança. Foi uma fome que a vontade de comer, então. Você está ali naquela depressão, naquela coisa triste, na separação. Foi uma decisão até difícil, porque eu queria subir para Quantas, uma empresa ótima, ou ir para uma mineradora, que foi para a ISS, que é uma catering, que trabalhava para a BTP.

Então eu larguei uma certeza, né? Uma quantas, que seria mais prestígio, mas eu iria ganhar menos, como eu me separei, eu escolhi ficar com a independência da seleção. Na época eu acho que era em torno de 95 mil por ano. Isso há uns 12 anos atrás. Naquela época, como era moça, eu ganhava em torno de 47 mil por ano. Você quase dobrou o salário, então.

Exatamente. Eu sabia que eu ia trabalhar muito mais, mas eu queria um pouco mais de dinheiro naquele momento. Eu fui e foi ótimo. Na época é um trabalho bem mais hard work, 12 horas lá. O trabalho não para, você tem uma hora de bake, meia hora cada seis horas, fazendo café da manhã, limpando ou então para o jantar.

Então você foi para ganhar muito bem como assistente de cozinha. E era para trabalhar internado também. Tem um jargão para isso que é o FIFO, né? Tipo, você passa tantos dias dentro da mina e volta e aí você tem os mesmos dias proporcionalmente de descanso. O FIFO significa fly in, fly out. Na cozinha eu fazia duas semanas, uma semana off. E a grande sacada é que quando você está lá eles têm alimentação.

internet é acomodação, né? Então você não gasta muito, né? Imagina que tenha só com algum divertimento, ir no pub, alguma coisa assim. Se você quiser ainda, mas se não, você não gasta nada. Você tem alimentação o dia inteiro. O seu quarto tem uma pessoa que limpa. Muitos sites, eles providenciam até o sabão em pó, sabonete. Então você não gasta nada. Então é um extra que se você fosse calcular, seria quase uns 500 dólares por semana a mais de supermercado, por exemplo.

E você então começou lá como auxiliar de cozinha. Como é que você evoluiu? Eu não tinha minha carteira ainda de motorista heavy rigid, que chama. Eu tinha carteira de motorista normal. Aí, quando eu estava lá nas minas, você começa a conhecer outras pessoas. E eu fui fazendo perguntas. As pessoas foram me falando, né? Tem todo tipo de trabalho lá que você nem imagina. Tem gente que trabalha com landscape lá.

Tem gente que trabalha como dining room attendant, que é a pessoa que fica só cuidando da cafeteria. Tem gente que trabalha no bar, academia, não é só operadores, né? Eu tenho pessoal que trabalha na vila, que era onde eu ficava. Aí começando com as pessoas que viam jantar depois de trabalho, você vai descobrindo os tickets que precisa. Os tickets, no caso, são os treinamentos, né? Que eles dão um certificado. Então eu acabei tirando alguns que demoram só uma semana para tirar. Trabalhando em confined space.

trabalhando working, né, rides, tirei white cards, tem alguns mini cursos que você faz, é como se guinasse o seu currículo. Então, assim, devagarzinho fui tirando e, de repente, fiquei ciente desse trabalho de trabalhar em caminhão, que eu nunca imaginei trabalhar. Tinham várias, algumas meninas já lá, eu achava elas, assim, super poderosas, né? E elas falavam, você precisa tirar a sua carteira de heavy rigid.

E aqui só uma rápida informação de contexto, Heavy Rigid é uma das categorias da licença para dirigir caminhões pesados na Austrália. Naquela época era muito fácil tirar, hoje em dia acho que está bem mais competitivo. E o meu objetivo era, de novo, dinheiro, tentar achar uma profissão melhor, porque eu não queria ficar como kit-hand também.

Por muito tempo nas minas, era um campo com 1.500 pessoas, volume de trabalho grande. Você faz muitos amigos lá, que está todo mundo no mesmo barco, né? E ir para uma área melhor lá nas minas, porque você acaba vendo que tem trabalhos melhores do que o seu.

Quando você pergunta o que você precisa fazer esse trabalho, às vezes não precisa de quase nada. Tem um pessoal que às vezes trabalha nas minas, tipo um chefe, às vezes ele nem vê a mineração, ele só fica na vila, né? Sim. E aí você foi dirigir aqueles caminhões gigantescos. Conta pra gente exatamente o que é esse caminhão. Esse caminhão gigantesco é um modelo Caterpillar, né? É um modelo americano, totalmente automático.

O que eu dirijo é um modelo 793F, 6 metros de altura. Vem com GPS, então você só segue o caminho lá, igual um GPS normal no celular. Ele tem oito blind spots. Você tem que tomar cuidado. Lá nas minas você não é permitido dar ré sem ter um spotter. Tem que chamar alguém para te ajudar. Mas também o fato de ser simples é porque a mina...

todo o gerenciamento de tráfego é pensado para o caminhão. O meu chefe anda num carro normal em volta dos caminhões. E tem muita gente, geologista, outros departamentos que passam por um carro normal. Mas eles têm a própria rota deles. É como se fosse o aeroporto. Porque no aeroporto tem os aviões e tem os carros acessórios. Então é um ambiente muito controlado. E conta pra gente exatamente qual a função desse caminhão.

Ele transporta o material primário tirado da terra para ser processado. Onde eu trabalho, a gente trabalha com níquel. Muita gente já viu aquela explosão que faz na terra, né? Para acessar as camadas mais internas. Então, depois que toda a bomba é explodida, eles colocam uma escavadora e aí começa a scoop, o material, que os geologistas já demarcaram.

Nisso que entra a gente. Aí a escavadora geralmente é enorme também. E coloca no nosso caminhão. E a gente faz essas viagens. Tem várias grades que chama, né? A grade 1, quando a gente já atingiu o material puro. Eles já colocam tudo no caminhão. E a gente já joga o material todo direto numa conveia. O limite eu acho que é em torno de 260 toneladas do caminhão.

Eu levo até a escavadora lá um buraco enorme que você joga, que cai num tapete, desse tapete ele começa a subir pela conveia, né? Uma esteira, né? Um terro rolante. Aí começa o processo. Cai um túnel enorme que já começa a quebrar em pedaços menores. Você consegue ver tudo isso.

Aí tem várias bacias enormes, gigantescas, você vê o vapor quente saindo. É um mundo de processo químico para chegar no níquel. Então o nosso trabalho são 12 horas, no caso 11 horas, que tem uma hora de break. A produção não para. Quantas viagens normalmente você faz nesse período de 12 horas? Acho que umas 36 viagens. Vai e vem, vai e vem o tempo inteiro.

Você tem feito isso há quanto tempo agora? A primeira vez que eu apliquei foi na época do Covid, na verdade. Que eu fui morar em Darwin, apareceu uma vaga como trainee do dump truck. Eu apliquei e me chamaram. Era duas semanas on, duas semanas off. Me deram todo o treinamento lá. No total, acho que demora uns três meses para você dirigir sozinha. Você mudou de empresa algumas vezes fazendo DTO, é isso?

Mudei. Eu trabalhei nessa empresa que foi o meu primeiro treinamento. Eu fiquei lá por dois anos. Aí depois eu apliquei para outra empresa que eu vim para a WA. Que eu sei que aqui eles pagam melhor. E tem muito mais empresas maiores aqui, né? Aí eu acabei trabalhando em gold. Quando você trabalha com ouro, o chão é muito pedregulhoso, sabe?

Então o caminhão não para de se sacudir. Tem isso também. Quando você trabalha com o enredador, você sabe dessas coisas, sabe? O ouro é muito duro, obviamente, né? Então não foi uma experiência muito boa. É muito difícil trabalhar com ouro. O dia inteiro você ficar 12 horas assim se sacudindo era muito ruim. Problema de coluna, problema ergonométrico é um problema sério também, né? Então isso é um hazard. A iron ore já é mais suave de trabalhar.

E qual é a cidade que você vai, que você fica internada? A gente chama Murray Murray. Que fica quanto tempo de Perth? Fica uma hora e uns dez minutos de Perth de avião.

as condições de temperatura costumam ser muito extremas nessa região, não é isso? Sim. Me conta um pouco dessa experiência. Você está 12 horas num lugar de temperatura extrema, também com condições extremas, né? Você está no meio de uma mina, tem muita fumaça, poeira, minério, cheiros, produtos químicos, né? Me conta um pouco dessa dinâmica desse dia a dia. Você faz isso 12 horas por dia? Essa é uma das partes boas de estar nesse trabalho, nesse ambiente, porque a gente está sempre no ar-condicionado.

E a nossa cabine, ela tem um cap pressurizer, como se fosse um avião mesmo. Então, não entra ar nenhum. Assim que você fecha a porta e ela equaliza ali todo aquele ar e nada entra e nada sai. Fica aquele arzinho. Claro que com o ar-condicionado tem um sistema também que fica filtrando o ar que entra, né? Mas nesse sentido...

A poeira, esses químicos, eles não entram. Se entrar, o caprichariz, ele anuncia. Então, em relação a gases nocivos, a gente é bem protegido. Agora, em relação à temperatura, tem gente que trabalha na mineradora no chão ali, né? Tá sempre do lado de fora do carro. Eu olho lá de cima, eu, nossa... Por exemplo, a equipe, a Blast Crew, né? O pessoal dos explosivos, eles estão sempre do lado de fora. Chega 45 graus. Eu ouvi dizer um dia que chegou quase aos 50 graus. E a noite esfria?

Ainda é um pouquinho quente, mas a noite é frio. Então tem essa mudança bem brusca de temperatura também. No inverno também é bem frio, muito frio mesmo. Acho que chega quase zero graus também. Também faz night shift. A gente trabalha de manhã e à noite. Eu faço duas semanas. Uma semana de dia e uma semana à noite. A gente pega o extremo do calor e a gente pega o extremo do frio também. Mônica, e agora me diga assim, no tempo que você está internado, nesse momento você trabalha 15 dias on, 15 dias off, é isso?

Eu queria entender um pouco a dinâmica da cidade, da vila, do alojamento. Você trabalha 12 horas, encabou o shift naquele dia, você vai para o alojamento. Existe uma vida lá, existe uma maneira de se confraternizar? O que acontece nesse período que você está descansando e que você não está dormindo? Então, no meu, tem todo tipo de pessoal lá, né? Tem gente que quando sai do trabalho sempre gosta de tomar uma cervejinha. Lá eles vendem half strength, não tem full strength, pier, não tem.

Tudo lá é bebida fraca. E tem um limite. Você pode só tomar, eu acho que é uma por hora. E eu acho que por noite, só podem ser bebidas por pessoa. Bem mais controlado. Tem outros lugares que não são. Mas tem gente que todo dia tá no bar. Na minha rotina, o meu tempo é super contado. Porque eu sei que dormir é essencial. Não tem negociação em relação a isso. Se você vai ficar cansado, você sofre. Porque é um dia muito longo.

De manhã cedo você tem que acordar para tomar café da manhã ou pegar sua comida para o dia. Eu tenho que estar no ônibus às 5h30 da manhã. Isso quer dizer que eu acordo às 4h30, mais ou menos. Boto meu uniforme, eu vou lá para a cozinha, volto para tomar o meu café da manhã, eu pego a comida do dia, porque a gente não volta para almoçar, né? Então você tem que levar sua comida numa tupperwarezinha. Tem de tudo, tem comida quente, tem comida fria, sanduíche, tem muita comida pronta já, só pegar.

Aí você faz a sua marmitinha e você vai para o ônibus para começar às 6 horas. Nos escritórios da produção, vai ter geladeira que você pode deixar a sua comida lá. É como se fosse um refeitóriozinho. Aí de lá você deixa a sua comida e vai direto para o meeting de produção. Aí você vai encontrar com o seu chefe e o chefe vai falar para você o que vai ser o dia. Quase a mesma coisa todo dia. Aí de lá a gente vai para o caminhão, vai trabalhar o dia todo.

A gente para geralmente umas 5h20 da tarde. Eles estão parando os caminhões. O despete, né? Que é o que controla a comunicação da mina. Todo mundo no ônibus às 5h45. Para chegar na vila às 6h em ponto. Tem gente que vai direto beber. Eu geralmente vou direto para a cozinha, jantar. Vou para a academia. Uma academia enorme lá. Acho que a academia foi um milhão de dólares enorme. Dependendo do dia eu lavo minha roupa.

que geralmente tem a lavanderia perto dos quartos. Tomo meu banho para estar na cama nove horas no máximo. Mas assim, é possível socializar? As pessoas fazem amigos lá?

Tem, depende do sátio. O meu sátio é um pouco mais calminho. Quando eu era, por exemplo, trabalhava na cozinha, eu socializava bastante. Eu acho que o meu trabalho é um trabalho mais solitário, né? Mas tem trabalho que o pessoal tá muito mais unido ali, fazendo trabalho junto, então você socializa muito mais. Mas tem, o pessoal vai pro bar, fica começando a ter altas horas, às vezes faz churrasco, tem piscina, campo de futebol, pra jogar tênis.

Entendi. E aí você faz 15 dias disso e aí você volta e você tem 15 dias de descanso, que você consegue fazer várias coisas. Curti. Você gosta desse esquema? Você tá feliz? Me conta quais são os prós e os contras do esquema FIFO ou FIFO. Se não tiver filhos, eu acho que é bem positivo, que é o meu caso.

ter o seu tempo sozinha. Para mim, eu acabo indo para a academia bastante lá. Eu acabo tendo uma rotina que, para mim, é uma rotina bem positiva, sabe? Me traz até uma estrutura mais para quando eu volto. Eu me alimento muito bem, porque tenho uma alimentação muito boa, tenho todo tipo de fruta. Então, eu aproveito bastante isso, sabe? Ser operadora é um trabalho que eu gosto muito. Eu nunca pensei que fosse dizer isso, mas eu gosto de operar máquinas. É muito interessante você operar, principalmente máquinas grandes.

Você vive de aluguel? Você já comprou a sua casa? Já, eu consegui comprar minha casa por causa desse trabalho. Porque às vezes não compensa você pagar duas semanas de aluguel. Como funciona o esquema das pessoas aí? Tem de todo tipo. Tem muita gente, por exemplo, que mora na Ásia.

Porque faz anos que eu quero fazer uma reportagem com gente que mora na Ásia e trabalha em Minas. Sim. Eu nunca achei um brasileiro. Você conhece algum brasileiro com isso? Não conheço. Eu conheço um australiano que ele mora sete anos na Cambodja. Ele nem para aqui. É, porque é muito mais barato, né? É claro. Sim, lá você vive como um rei, né? É. Esse tipo de pessoa que vai se dar bem nesse tipo de profissão, na sua opinião?

Eu acho que é a pessoa que tem algum gol financeiro, porque é a melhor maneira que você tem para ter um salário alto. Eu fiz comunicação social no Brasil, publicidade. Eu não consegui fazer meu trabalho aqui. Então eu fiquei muito em hospitality. Eu não consegui um trabalho que eu ganhasse 100 mil por ano. E eu tinha essa ambição de juntar grana. E eu não estava vendo muito futuro ali. E também não como era moça. Então eu vi como uma saída para eu ter uma reserva maior de dinheiro.

para talvez conseguir comprar uma casa, foi a maneira que eu achei, foi ir para as minas. Porque os salários lá são todos acima de 100 mil. E uma última pergunta, uma coisa que a gente sempre acaba perguntando, porque a gente sabe que acontece em muitos lugares. Você sendo uma mulher, você falou que não é a única, tem várias mulheres que são DTO. Você já sofreu problemas de machismo? Como é ser mulher num ambiente de mineração que é tradicionalmente mais masculino?

Eu já senti um pouquinho, assim, que como tem muita mulher assumindo esses trabalhos, mas é mais, assim, o medo deles perderem o posto deles, né? Por exemplo, na BHP, eles têm uma política de praticamente 50% de ser mulher. E tem muito cara que não gosta. Então, assim, já teve um cara que ele falou pra mim, tava todo mundo com medo de perder emprego, ele falou que eu não tenho que ficar com medo. O senhor já é garantido, você é mulher.

Tipo, né, eu não fiz por merecer, né? Eu tô ali pela cota e não é assim, não foi legal.

Sim, mas existem políticas, então, de minimizar problemas como esse? Tem, eles são bem em cima de bullying, preconceito de gênero, preconceito de cor, pelo menos as maiores também, né? Tem todo um departamento de health and safety, né? Que lida só com isso. Tem meetings para relembrar, né? Que a empresa quer colocar que não é aceitável. Mas eu acho que está mudando. Eles estão se acostumando já.

Mônica, queria agradecer demais essa conversa e ter sucesso para você. Obrigada. Para muitos imigrantes, conquistar a residência permanente na Austrália pode ser um processo longo e desafiador. Mas, em alguns casos, talentos distintos podem abrir caminhos. E foi exatamente isso que aconteceu com o brasileiro João Cláudio Simurro.

natural de São Paulo. Com apenas 25 anos de idade, ele mora na Austrália há três, ele encontrou no judô não apenas uma paixão, mas também uma oportunidade de construir uma nova vida aqui no país.

Depois de apenas um ano vivendo em Gold Coast, o João decidiu aplicar para o National Innovation Visa, ou Talento de Inovação Nacional em Tradução Livre, uma categoria que reconhece pessoas com habilidades excepcionais em áreas como esporte, artes, ciência e inovação.

Este visto já foi conhecido como talento global e também como talento distinto. Após dois anos de espera, depois da aplicação, veio a resposta e a residência permanente foi aprovada devido ao seu talento comprovado como atleta na área de judô.

E algo de muito interessante também é que além de atuar como atleta profissional e preparador físico, o João também dá aulas de artes marciais para dublês que trabalham em cenas de ação em filmes produzidos aqui na Austrália.

Eu sou Felipe Canale e eu te convido agora a ouvir a história deste atleta de alto nível, além também de conversar brevemente com a mãe dele, a Alessandra de Castro, de 48 anos, que obviamente está sentindo muito orgulho do seu filho.

Você tem apenas 25 anos de idade e já conquistou o visto de talento distinto. O que passou pela sua cabeça quando você recebeu essa notícia? Eu vou dizer para você que eu sou muito grato por isso e, de certa parte, sortudo, por ter a oportunidade de aplicar esse visto. E uma coisa interessante é que eu estava trabalhando nesse visto desde que eu tinha 5 anos de idade.

que foi quando eu comecei o judô, que foi assim que eu consegui o visto do Distinguished Talent Visa, foi pelo judô. Então, digamos que eu estava trabalhando nesse visto aí por 20 anos e eu não sabia, né? E com relação ao que passou pela minha cabeça, eu vou te dizer que passou um filme. Passou um filme porque foram vários momentos difíceis nesse período, não só...

desde que eu estou na Austrália, mas antes de vir para cá, que foi quando eu estava construindo minha carreira no judô, que foi o que me possibilitou esse visto. E a sua visão, a sua percepção do país, mudou alguma coisa depois que você conquistou a residência permanente?

É engraçado que a minha visão no país mudou um pouco. Eu me senti mais parte dessa cultura, do país em si, do fato de saber que eu não tenho mais preocupação, que eu não vou mais ter que sair do país por algum motivo, que eu literalmente faço parte e mereço estar aqui, e é como direito meu.

E você falou quase agora que começou a fazer judô aos 5 anos de idade. Me fala um pouco sobre como foi o começo dessa trajetória e por que você decidiu seguir esse caminho profissionalmente.

É, então, eu comecei com cinco anos de idade, primeiro aninho da escola, onde o meu professor é Wagner Montesano, mas eu lembro claramente que desde essa época, por algum motivo, não me pergunte porquê e como, eu já tinha essa sensação de que eu tinha que fazer certo, eu tinha que fazer direito.

E teve uma situação específica que ele dava um troféu para um único aluno no ano inteiro, que era o aluno que mais se destacava. E eu lembro que um amigo meu recebeu esse troféu no nosso primeiro ano de judô, alguma coisa assim. E eu pensei claramente, eu lembro, eu era muito pequeno, mas eu lembro disso, que no outro ano eu tinha que ganhar esse troféu também. E aí talvez isso trouxe um foco diferente para mim desde o início.

Eu diria que isso foi a centelha que virou essa chama de hoje em dia. É engraçado como algumas memórias, desde quando a gente é pequeno, ainda permanecem. E aí depois isso foi se desenvolvendo, que com 10 anos eu fui para o clube hebraica lá de São Paulo, que é comandado pela família Minakawa, que foi a família que construiu não só o meu lado competitivo, mas o meu lado profissional.

de caráter também, eles foram os meus grandes mentores em termos de carreira. E eu fui sempre querendo melhorar, sempre querendo melhorar, eu acho que todo atleta vai entender o que eu estou querendo dizer, que quando a gente continua firme em algo, a gente tem sempre essa vontade de melhorar e querer cada vez ser mais profissional.

E boa parte disso também se atribui à minha mãe. A minha mãe, ela é uma das pessoas que eu mais admiro no mundo e ela foi uma das pessoas mais guerreiras, criando a gente sozinho. Proporcionou tanto coisas básicas e necessárias que a gente precisava, mas também estava sempre, sempre, sempre me motivando no judô, me dando suporte, todo tipo de suporte possível.

Então isso lembra como é importante a presença dos pais no decorrer da construção da carreira dos filhos, até mesmo quando começa desde pequeno, no caso de um atleta.

Muito linda a relação que você tem com a sua mãe. Eu sei que você tem um irmão também que mora no Brasil com ela. E eu gostaria agora de perguntar diretamente para a dona Alessandra, que é a sua mãe, como foi criar dois filhos sendo mãe solteira no Brasil?

Apesar de algumas dificuldades que tenhamos passado, as minhas lembranças são muito boas, porque éramos e somos muito unidos, nós três. Sempre priorizei a educação deles, então muitas vezes não podíamos fazer tudo, mas o pouco que fazíamos era muito bom, sempre estando juntos.

E dona Alessandra, obrigado por conversar com a gente diretamente do Brasil. Eu gostaria de te fazer só mais uma pergunta. O que você sentiu quando o João conquistou um visto de talento distinto?

Com cinco anos, o João me pediu para inscrevê-lo no judô na escola. E desde então não parou. Não só não parou, como a vida dele foi total dedicada ao judô. O aperfeiçoando e o talento aflorando. Se destacando no Brasil e fora. E o visto foi uma grande conquista. Fico muito grata à Austrália por reconhecer o talento do João. Com certeza, né? Essa é uma grande conquista.

João, voltando agora para você, quais foram os principais títulos e conquistas que você conseguiu nesse esporte e que você acredita que tenham pesado positivamente na sua conquista do visto?

pelo menos para parte de atleta, era de reconhecimento internacional. E eu tive a oportunidade de representar o Brasil em algumas competições internacionais. Eu fiz parte da seleção brasileira de base, na época que era júnior. E eu fui para alguns países, e um desses países, que foi na Alemanha, eu consegui ficar em terceiro lugar numa competição bem dura.

E esse foi um dos títulos que eu tive internacionais, eu já fui campeão sul-americano também, um pouco mais novo. Enquanto eu estava no Brasil, também tiveram vários títulos nacionais e estaduais, principalmente eu vindo de São Paulo, que é um dos estados mais concorridos. Eu acho que isso traz um peso também, porque o Brasil é uma potência no judô, tem muitas medalhas olímpicas, é muito forte, muito concorrido. E aqui...

Na Austrália, assim que eu cheguei, eu fui campeão estadual, mesmo lutando com atletas fortes e já conhecidos aqui. Então, eu acho que isso, algumas competições aqui dentro do país, da qual a maioria, eu consegui alguns títulos, e isso também trouxe pontos positivos para a aplicação.

E o processo de aplicação para o visto de talento distinto é conhecido por ser bastante rigoroso, né? Porque você faz a aplicação e enquanto você aguarda a decisão final da Austrália, você tem que continuar atualizando aí o seu portfólio. Como foram aí os seus dois anos de espera? Teve alguma diferença entre o primeiro ano e o segundo ano?

Assim que eu fiz a aplicação, eu fiquei um ano competindo, treinando firme. E nesse um ano eu fui campeão de quase tudo. Foi bom, assim. E aí, um pouco depois, eu fui para um treinamento no Japão. Eu fui convidado pela seleção australiana para ir para esse treinamento. Estava super animado. Era um dos meus maiores sonhos ir para o Japão, fazer um treinamento lá.

Só que lá é um muito, muito alto nível. E aí eu machuquei meu ombro. Eu falei, não quero saber, tô machucado, mas eu preciso fazer isso. É muito importante pra mim. Eu fui pra essa viagem com o ombro lesionado. Não consegui aproveitar tanto esse treinamento. E pra piorar, no meio do treinamento, eu lesionei meu joelho. Ele deslocou em vários pedaços. Em várias direções, assim. Voltou rápido, mas foi horrível. E eu rompi meu ligamento cruzado anterior e o meu menisco. E eu tive que fazer uma cirurgia.

E eu já estava com o visto aplicado. E uma das coisas interessantes é que para esse visto, você precisa continuar fazendo updates e mostrando para a imigração que você continua na área. Você tem que mostrar que você continua agregando para o país para esse visto que você está aplicando. E foi uma dificuldade muito grande, porque a recuperação para essa cirurgia é de um ano. Então, eu passei literalmente um ano sem competir. E foi interessante porque eu virei, parei e pensei, eu não posso deixar de continuar fazendo os updates, porque o meu visto depende disso. E eles precisam saber que eu continuo na área.

E como que você conseguiu, nesse segundo ano de espera, mesmo contundido, você foi apto de continuar atualizando o seu portfólio? Tive amigos da qual estavam do meu lado tantos alunos e tudo mais, e eles falaram, não, vamos continuar tendo as aulas. E eu continuei dando as aulas, vários seminários, vários eventos, cartas de pessoas importantes para continuar fazendo update do visto.

Então eu fiz várias atividades que eu estava agregando na área, mesmo sem estar atuando como atleta. Foi desafiador, mas foi bom porque a gente conseguiu superar isso. E me fala uma coisa, por que você escolheu a Austrália para desenvolver a sua carreira em vez de algum outro país que tenha uma tradição mais forte no judô?

Isso aqui é uma ótima pergunta. Eu tava lá no Brasil, eu tava indo bem até na minha carreira. Eu me classifiquei pra seletiva olímpica, que os melhores atletas do país vão pra essa seletiva pra literalmente integrar a seleção sênior, né? Era meu primeiro ou segundo ano de sênior, eu ainda era jovem.

Mas por algum motivo eu estava numa fase de transição da minha vida mental, relacionada à minha carreira. Me fez sentido mudar de país. E eu meio que não escolhi a Austrália, na verdade. Eu vim por conta da minha ex-namorada, que ela já tinha os planos de vir pra cá. E coincidiu com a fase que eu estava na minha vida, do tipo, eu acho que eu quero uma mudança. Eu quero ir pra um lugar que eu vá me desafiar. Eu pensei que...

E dependente de onde eu esteja, eu vou fazer dar certo as duas coisas que eu mais amo, que é a minha carreira como personal trainer, que é treinar atletas, treinar pessoas, entregar saúde para as pessoas, que eu acredito muito que essa é uma das minhas missões nessa terra, e o judô, que é a minha grande paixão, que foi o que abriu portas para mim em todos os ambientes que eu sempre estive, e é incrível.

eu posso até tentar fugir dele e eu não consigo. Então eu tinha claro de que vindo para a Austrália, eu conseguiria exercer as coisas que eu mais amo. E além de você ser um atleta de alta performance, você também atua como preparador físico e também como um preparador de dublês para o cinema aqui na Austrália. Como é que surgiu essa oportunidade e como que o judô contribuiu para esse tipo de trabalho?

Eu conheci um meu amigo, o nome dele é Aaron Dexter, ele é dublês de cinema aqui na Austrália, bem conhecido, e ele fez uma aula particular comigo, de judô. Ele é um entusiasta de artes marciais, todos eles, todos os dublês aqui são entusiastas das artes marciais, na verdade eles são meio que obrigados a fazer aulas para entenderem e aprenderem todos os tipos de luta possível para poder...

é fazer nos filmes. Eles têm que estar preparados a qualquer momento, porque eles não têm tempo para treinar. Eles têm que simplesmente saber fazer as coisas. Então, parte do trabalho deles é investir em aprender cada vez mais as artes marciais. E ele gostou bastante da primeira aula que a gente teve, a gente continuou tendo outras aulas, e ele começou a convidar cada vez mais outros dublês. E hoje em dia a gente tem uma turma com vários e vários dublês fazendo aula de judô, e é um judô diferente.

Não é um judô tradicional, tá? Eu me permito sair um pouco desse lado tradicional, com todas as regras, justamente porque a gente tem que otimizar um lado mais estético para eles. Então é como se eu ensinasse um pouco do que o judô tem a agregar.

na área deles, que é transformar os golpes bonitos de judô bonitos na câmera também. Então a gente faz um judô diferente, da qual é bem plástico, bem atrativo com relação aos movimentos, então eu pego bastante os movimentos bonitos do judô. E como que você enxerga o cenário do judô no Brasil e na Austrália? É muito diferente? Eu vou partir desde o início, que é a minha teoria.

que é lá do começo da vida da pessoa, que é na escola. E é muito cultural. A gente vê aqui na Austrália os esportes coletivos, esportes com bola, muito forte aqui. E a gente não vê muito judô nas escolas. E é uma loucura, porque lá no Brasil, cada bairro que você for, pelo menos, vai ter uma escola que vai ter judô.

E, por consequência, faz com que tenha bem mais praticantes. E o tamanho em si da modalidade no país é maior. Então eu diria que essa é a maior diferença do Brasil para a Austrália. É bem maior em termos de quantidade. E que, por consequência, acaba virando... A quantidade em si faz com que o ambiente fique mais competitivo e o nível acaba sendo maior. Tem muitas, muitas, muitas medalhas olímpicas.

Já com relação à arte marcial em si, por algum motivo, eu sinto que lá no Brasil a tradicionalidade, a cultura japonesa, ela ficou um pouco mais forte. Então, eu sinto que muitas coisas com relação à tradição japonesa, coisas que a gente faz durante o treinamento e tudo mais, por algum motivo lá no Brasil é mais forte. Mesmo aqui sendo, aqui na Austrália, sendo mais próximo do Japão. E aqui tem ótimos atletas, ótimos coaches australianos e também...

Coaches que vieram de outros lugares. Então a imigração é importante não só no judô, mas também para o país como um todo, porque agrega em diversas áreas e traz pontos positivos de diferentes partes do mundo. Então eu vejo muito potencial na Austrália porque tem muita boa vontade em melhora. É o que eu estou sentindo no momento.

E você está vivendo uma fase incrível no esporte. Mas olhando para o futuro, quais são os seus próximos passos? Agora que eu tenho o permanent visa, eu vou precisar do passaporte. Se eu for precisar do passaporte, é daqui a mais de um ano que eu vou conseguir representar o país em uma Olimpíada. Se eu vou poder competir em competições internacionais, lá fora, na Europa, na Ásia.

E conseguir pontuação internacional, porque só com pontuação internacional eu consigo representar o país em uma Olimpíada. Então é mais ou menos nesse ponto que eu estou no momento. Esses são os meus objetivos. João, parabéns novamente pela sua conquista. Foi um prazer poder falar com você e brevemente com a sua mãe. E pra gente encerrar a nossa entrevista, o que você falaria pra alguém que está pensando em começar a fazer judô?

como que esse esporte pode influenciar positivamente a vida de uma pessoa? Nossa, essa pergunta aqui é muito boa. Obrigado por perguntar, porque o judô é uma arte marcial centenária já que impactou o mundo todo. E não pelo fato de ensinar as pessoas a se defenderem ou pelo fato de ser uma modalidade bonita, mas por ser uma modalidade que carrega uma filosofia de disciplina e boa conduta. E para mim isso é uma das coisas mais importantes, principalmente no mundo de hoje em dia.

Então o judô, ele é uma arte marcial e sim por ser uma arte mesmo, não é simplesmente uma luta. Já para as crianças, ou para quem for pai, mãe, então coloque seus filhos no judô. Ele vai estar desenvolvendo não só as capacidades motoras, mas também as capacidades...

como caráter, disciplina, boa conduta. E é isso um dos princípios que o judô carrega. Tem isso atuado nas minhas costas, que é prosperidade e benefício mútuo. As pessoas entenderem a importância da paz e prosperar de forma pacífica. E benefício mútuo. No judô a gente não consegue treinar sem ter um parceiro para a gente nos desenvolver. E na sociedade é a mesma coisa. A gente tem que entender que é sempre tudo. Deveria ser como uma via de mão dupla, desde que esteja entregando positividade.

Um concerto conhecido em Portugal que chega agora ao Rio de Janeiro. Sob a direção da alaudista Ananda Roda, o espetáculo será apresentado por um quarteto formado por Tiago Vaz, percussão e voz, Teodora Tomasi, flautas doces e arpa, Irene Brigitte, vocal e pesquisa e Ananda Roda, alaudi e direção. O projeto oferece uma imersão no patrimônio musical quinhentista. Ananda Roda falou à Rádio MEC.

Ananda, o concerto se chama Que é o que vejo? De onde vem esse nome? Qual a proposta por esse título do concerto? Pois, muito bem. É Que é o que vejo é precisamente uma das canções que nós...

Vamos tocar, que está presente em um dos cançoneiros que nós vamos apresentar. É um cançoneiro de Elvas. Tanto que é escrito até com o que é com H. O português antigo da Renascença. Então ela é também uma das canções que vamos tocar.

E por ter esse nome que tem essa força, a gente escolheu que fosse, então, o nosso nome, que é o que vejo. Perfeito. E é um nome, inclusive, que traz uma reflexão muito profunda, né? Que é o que vejo, não é? O que está à nossa volta, a nossa realidade. Eu adorei o título da música e o título do concerto também. Agora vamos falar sobre o quarteto, Ananda. Vocês atuam em Portugal com repertório de música antiga, é isso?

Exatamente, não só em Portugal e na Itália, porque eu vivo aqui no Porto, Irene também, mas a Teodora vive em Itália, em Trieste, e o Tiago vive na Galícia, então a gente é um pouco itinerante, mas é um repertório voltado para a música ibérica e é isso.

E qual o repertório dessa apresentação que vocês farão aqui no Rio? Muito bem. É um compilado de músicas dos cancioneros, portanto músicas profanas, com músicas seculares, com músicas litúrgicas, músicas de igreja. E elas são todas feitas com base, inspiradas no livro Sospiro, do Tiago Matias, que esteve no Rio, inclusive, em março.

ele fez uma entabulação dessas obras, quer dizer, ele fez um arranjo para a Viruela, que é o meu instrumento, e a partir disso nós nos reagrupamos usando as fontes originais com as entabulações do Tiago. Então, por exemplo, iremos tocar Vénita Sospirar, que é super famosa, inclusive o José de Anchieta fez uma versão.

ao divino com essa música. Então, é uma mistura de músicas litúrgicas com músicas sacras, com música popularesca da época. Perfeito. Ananda, qual o maior desafio na hora de apresentar um concerto com um repertório tão antigo como esse que vocês vão apresentar?

Eu não sei nem por onde começar, mas a gente tem que começar do começo, que é o que ninguém vê, que é a pesquisa, que é o pensar em como agrupar, que especialmente a Irene faz o trabalho.

de linguística, né? A Irene, na verdade, é italiana, mas ela mora aqui no Porto. E ela faz essa reconstrução de como seria o falar do português antigo, né? Quer dizer, mas de certa forma é um trabalho Frankenstein, sabe? Porque a gente tem pressupostos e que a gente, então, vai reagrupando e vai criando caminhos sem, na verdade, ter certeza absoluta de nada, né?

Então, a gente começa daí, das fontes originais, analisando a letra, analisando a polifonia, quando polifônica, e a partir daí a gente vai performando juntos, dentro de, claro, de uma linguística, uma idiomática dos instrumentos.

e de consensos históricos. Então, assim, é tudo muito difícil. E o que vocês vão ver no palco é a ponta do iceberg, porque é um trabalho gigantesco que é feito há muito tempo. E também tem afinação, é muito difícil. O próprio tocar, o clima no rio, acredito que vai ser muito quente, os instrumentos sofrem com isso.

Tudo difícil, mas é maravilhoso porque é muito gratificante a gente se perceber, conseguindo tentar fazer esse resgate. Mas a gente entende que são reconstruções dentro de consensos e que a história é, de certa forma, uma coisa viva.

Então pode ser que daqui a alguns anos alguém veja diferente e possa mostrar justificativas para fazer, o que também é muito interessante. Sim, outros novos olhares. Agora, Ananda, vocês também se apresentam em Niterói e haverá uma palestra por lá no Centro de Artes da UF.

Sim, exatamente. A palestra é da Irene, que é o que vejo a variedade linguística dos cancioneiros portugueses. Essa palestra vai ser às 17h30, um pouco antes do concerto. Sim, o concerto acontece às 7h da noite.

Às 19. Muito bem. Exatamente. E essa variedade linguística dos cancioneiros, por quê? Porque como os cancioneiros foram compilados em vários momentos dentro da Renascença, começo do período barroco, foram várias mãos a fazerem. Entende? Então tem diferenças ortográficas, tem diferenças de escrita, da música. Então, por isso a variedade linguística. Porque só dentro dos cancioneiros já tem várias formas de escrever.

Então, provavelmente de se falar.

Perfeito. Olha, uma oportunidade imperdível de assistir esse quarteto, apresentando o concerto Que É O Que Vejo no Rio de Janeiro e em Niterói. Portanto, fica o convite, não é, Ananda, para os nossos ouvintes, assistir o quarteto com o concerto Que É O Que Vejo, no dia 5, no Centro de Artes da UF e dia 6, no Espaço Abu, não é isso?

Exatamente, ambos às 19h. Os ingressos podem ser comprados pelo Simpla. A gente vai ficar muito honrado de termos lá. Vocês vão ver a Arpas e Flautas e a Duf, que é uma percussão portuguesa muito singular. E esperamos vocês.

Obrigado, Ananda, que sejam muito bem-vindos já ao Rio de Janeiro para esses belíssimos concertos que farão aqui no Rio, no Espaço Abu e em Niterói. Obrigado, viu, Ananda, pelo carinho. Obrigada, Elcina, estamos ansiosos. Muito obrigada a todos.

Bom, eu vou ficando por aqui na sua companhia Luciana Fraguas. Voltamos na quarta-feira ao vivo, sempre ao meio-dia. Para você uma excelente tarde de domingo, uma semana fantástica pela frente, muita saúde, muita paz, que o resto a gente corre atrás.

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