02/05/2026 - As dúvidas na educação de filhos
O Seus Filhos é o programa da BandNews FM sobre educação de filhos e relacionamentos familiares. Todas as semanas, Thaís Dias e Rosely Sayão repassam os principais assuntos nas relações familiares.
- Impacto em filhos e famíliaImposição de limites · Dificuldade em dizer não · Bom relacionamento familiar
- Birras infantisEstratégias para lidar com birras · Desenvolvimento emocional da criança
- Dialogo entre PoderesEstabelecendo comunicação · Escuta ativa
- Bet EducarDesafios na educação contemporânea · Relação entre escola e família
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O choro que ninguém entende. A birra na hora do mercado. Ou aquele silêncio repentino no quarto dos adolescentes. Criar um filho é viver em uma constante interrogação. Aqui no programa Seus Filhos a gente tenta descomplicar. Afinal, eles não vêm com o manual de fábrica. Hoje o nosso foco por aqui é...
é tirar dúvidas mais frequentes dos ouvintes, pais, mães, professores e até dos jovens. Esse é o programa Seus Filhos em versão ampliada. Eu, Thais Dias, sigo por aqui e junto comigo sempre, Roseli Sayão. Tudo bem, Roseli? Tudo bem, Thais. Vamos às dúvidas das nossas mães, pais, dos nossos ouvintes em geral.
Eu fiz uma seleção de temas, Roseli, dessa vez, porque são muitos os ouvintes que compartilham com a gente essas dúvidas. E eu fui tentando aqui selecionar aqueles temas mais recorrentes. E eu acho que se tem um tema que passa por todas as idades, é essa conexão entre filhos e pais. Como eu educo sem perder uma conexão com os meus filhos? Na infância, ali com aqueles primeiros nãos, né? Não mexe nisso, não mexe naquilo. Como é que eu coloco o tal do limite?
Na adolescência não é muito diferente, parece que há um ruído. De uma maneira geral, como criar essa conexão educando ao mesmo tempo? É bem interessante essa questão, porque de algumas décadas para cá, a gente criou esse receio de dizer não para os filhos, principalmente quando eles são crianças. E para adolescente também, mas aí é um receio diferente.
De onde surgiu esse receio de dizer não? Talvez da ideia de que o não provoca frustração, frustração provoca infelicidade, e filho infeliz não faz vínculo com os pais.
Não é assim, né? Os pais são autoridade para os filhos. E essa autoridade vai sendo constituída a partir mesmo do desenvolvimento do filho, da filha, e a partir do relacionamento entre todos. E olha, tem uma coisa que as pessoas fazem uma certa confusão e eu quero explicar. A autoridade é respeitada, mas ao mesmo tempo é temida.
Quando não é temida, não é autoridade. Então eu vejo muita gente de gerações mais novas dizerem ah, eu não quero que meus filhos tenham medo de mim. É para ter esse medo, por exemplo, de transgredir uma regra e saber que terá uma consequência.
Isso é o medo, não é o medo do pai, da mãe em si, mas da consequência que eles trarão, dependendo do comportamento do filho. Então é importante que a gente saiba que o que estabelece a conexão não é a ausência de não, mas é a presença que conduz o filho para descobrir a vida de uma boa maneira.
Agora, Roseli, eu também recebo muitas mensagens de pais e conversando com amigos, a gente tem um pouco dessa percepção que tem sempre aquela frase, mas você é muito chata, seja do pequenininho até do mais velho, você é muito chato, você é muito careta. E aí o pai se sente naquela culpa, a mãe, né? Nossa, mas eu sou chato, eu queria tanto ser amigo do meu filho. E tem uma diferença entre ser pai, mãe e ser amigo, né? E ser chato não tem problema nenhum.
Não, ao contrário, ao contrário, né? O pai e a mãe que exercem verdadeiramente a sua função com os filhos, são chatos. Porque o exemplo que você deu não mexe aí. Não dá para mexer aí por enquanto, você precisa crescer para depois mexer aí, né? Então nós, pais, somos chatos por excelência, devemos ser chatos. E mais, né? Nós somos representantes do passado.
É nossa vida que já foi vivida, né? E o passado, o nosso filho não vai viver mais. Então a gente precisa apresentar esse passado para ele. E é isso que a gente faz, que leva os filhos a chamar a gente de careta. Chato e careta. Ótimo pai, ótima mãe.
Roseli, você sempre fala aqui para os nossos ouvintes, de uma maneira geral, com filhos de diferentes idades, conheça o seu filho. Eu abri o programa falando, olha, aquele choro que ninguém entende, a gente fica num desespero, mas aos poucos a gente vai começando a entender. Esse choro aqui normalmente é...
voltado para uma necessidade de trocar uma fralda. Esse aqui está um pouco mais ansioso, acho que precisa só de um carinho. Ao longo da vida, como é que a gente vai entendendo essas mudanças e conhecendo o filho? É estando aberto, observando? E eu imagino que é muito difícil esse conhecimento do filho, por exemplo, naquela fase de transformação da adolescência, em que nem eles se conhecem, estão se formando. Então fala um pouquinho para a gente sobre esse conhecimento dos filhos.
É, eu vou começar com o choro, né? Eu cheguei em casa com o meu bebê e ele chora. E o que significa esse choro? Porque o bebê só chora, tudo ele comunica com o choro, né? Mas aos poucos, na convivência, a gente vai descobrindo que determinado choro eu amamentei e ele sossegou. Então, aquele tipo de choro é de fome. Depois teve um outro dia que ele estava desassossegado, chorando, eu troquei as fraldas e ele sossegou.
E é importante que a gente aprenda a interpretar esse choro, mas a gente não acerta 100% das vezes. Às vezes a gente erra, mas é assim mesmo, conhecer o filho supõe essas nossas falhas de interpretação, porque eles mudam diariamente e nós também. Então conhecer o filho, vou dar um exemplo, Thais.
Eu acho que você já teve oportunidade, nossos ouvintes também, de verem um diálogo entre mãe, filho, pai, filho, em que o pai ou a mãe parecem desinteressados da conversa. Conversam assim, pro forma, só pro isso. Isso não é conhecer o filho, não é assim que a gente consegue. A gente sempre tem que estar verdadeiramente interessado naquilo que eles falam.
Para a gente pode ser uma bobagem? Pode ser, mas é pelas bobagens que a gente vai entender onde ele está se situando nesse mundo cheio de valores que nem sempre são aqueles que a gente gostaria que ele tivesse.
Agora, Roseli, a gente está falando de conhecer o filho, né? E eles vão ganhando autonomia com o passar de cada fase. Então a gente chega com aquele recém-nascido que daqui a pouco começa a balbuciar algumas coisas, engatinhar, e aí já é um pouco mais de independência, ele começa a andar. São muitas essas fases. E aí chega a fase da birra. Eu acho que toda vez que a gente fala de birra gera uma interação muito grande entre os nossos ouvintes.
Tem birra de adulto, mas não é essa que a gente está falando agora. A gente vai falar da birra da criança. É um ponto importante do desenvolvimento dessa criança e a gente precisa bancar também, aí como você disse, a autoridade de pai nessa hora. A gente precisa ter um acolhimento. Como é que funciona também o lidar com a birra?
Primeiro é preciso entender o que é a birra, né? E em geral a gente entende de um modo negativo, de tanta reclamação, de tantos lamentos. Mas a gente não deixa de passar pela fase das birras se a gente tem filho. Vai acontecer. E por quê, né? É porque a partir de determinado ponto da vida da criança, ela começa a perceber que ela precisa lutar para conquistar alguma coisa que ela quer.
E aí ela procura os recursos que ela tem e ela descobre a birra. Começa com um descontrole motor e aí dependendo muito da reação dos adultos que estão ao seu redor, principalmente pais, professores principalmente também.
ela vai encarando aquilo como uma estratégia boa que conduz a ela ter aquilo que ela quer, aquilo que ela olha. Então, na verdade, a birra é um sinal de que a criança está aprendendo a lutar por aquilo que ela quer.
A estratégia não é boa para nós? Para nós não é, mas para a criança é, porque é o que ela tem nesse momento. Então, a gente tem que, primeiramente, acolher, sem dúvida. Por dentro, a gente precisa sentir orgulho. Olha, os nossos filhos estão crescendo e estão aprendendo a lutar pela vida.
Em segundo lugar, achar alguma estratégia que funcione naquele contexto que ajude a criança a esquecer o motivo da birra. Porque, olha, passa um minuto, a criança já não sabe mais por que ela está gritando.
Ela esquece, mas acontece que todo o movimento corporal da birra se retroalimenta. Então a birra vai crescendo como a agressividade, sabe? Numa espiral. Então é interessante uma contenção firme, mas amorosa.
Às vezes funciona o bom humor, às vezes não funciona. Às vezes funciona uma distração totalmente fora do texto, às vezes não funciona. É paciência para passar por essa fase, Thais. Até a criança ter condições de descobrir outras estratégias que vão funcionar melhor para ela.
Roseli, muitas vezes a estratégia usada é a tal tela. Ah, eu vou dar o celular um pouquinho, o game um pouquinho, porque aí ela se distrai e sai dessa espiral de ansiedade, né? De agitação. É o caso, Roseli?
Ah, não, não. Principalmente agora que a gente sabe de todos os prejuízos que a tela pode provocar na criança pequena, que é a criança que faz birra, né? Não vamos nem comentar também a birra do adolescente, que eles têm aprendido a usar isso também, né? Mas, olha, uma criança de cinco, seis anos, quatro anos, numa tela, principalmente numa tela pequena, como...
como o smartphone, como o tablet, prejudica fisicamente, biologicamente, a postura vai ficando difícil para a criança aprender depois a ter uma boa postura, a visão é prejudicada, tudo isso está comprovado. Fora o fato de que, vendo aqueles vídeos rápidos, que eles são ótimos para distrair a criança,
ele aprende a não prestar atenção durante muito tempo em alguma coisa. Olha que interessante, a gente dá tudo isso para eles e depois a gente reclama que eles não conseguem prestar atenção numa coisa só. Não, eles aprenderam a não prestar atenção, a não ter foco. Vamos navegar! E com foco na educação dos filhos, Roseli, qual é a sua dica?
Eu vou sugerir para os nossos ouvintes a exploração de um site que é de uma revista destinada principalmente a pais e mães. A revista é Pais e Filhos. O endereço é exatamente esse, paisdefilhos.com.br.
Não tem um artigo específico. Olha, tem de tudo. Fala sobre família, sobre criança de várias idades, sobre gravidez, sobre o bebezinho que acaba de chegar em casa. Olha, dá uma boa exploração. Inclusive, eles fazem seminários que são muito interessantes. Vale a pena essa exploração.
Hoje o programa Seus Filhos é voltado para tratar dos assuntos que mais geram dúvidas nos nossos ouvintes, que mais geram interações aqui pelo nosso e-mail, também pelas nossas redes sociais. Apesar de ser um programa que é voltado na maioria das vezes para trazer esclarecimentos para os pais,
A gente tenta sempre abrir espaço para os filhos. E por isso agora vamos trazer temas que costumam ser abordados pelos jovens, mas que também trazem lições valiosas para as pessoas de todas as idades. Pais, professores que estão sempre ali interagindo, os avós, os tios que sempre mandam mensagem. Vamos mergulhar nesse universo digital, nos conflitos de quem está crescendo. Tentar também ampliar o diálogo entre as gerações. Vem com a gente por aqui no programa Seus Filhos.
Roseli, a gente falou aqui agora nessa reta final muito sobre diálogo, sobre conhecer Você falou da importância de estar atento quando o filho fala E eu queria começar exatamente trazendo essa ideia do diálogo com os nossos filhos Porque muitas vezes a gente fala, eu falo e ele não me escuta Ou eu falo e ele não quer interagir comigo Principalmente ali naquela fase da segunda infância até a adolescência
Como é que a gente estabelece esse diálogo? E vamos falar também com esses jovens, né? Como é que eles enxergam esse diálogo dos adultos? Também há uma certa confusão aí em torno da palavra diálogo, né? Porque para muitos jovens, e eu ouvi isso deles, diálogo é quando eles conversam com o pai, convencem os pais a aceitarem o ponto de vista dele, o interesse dele. Mas isso não é diálogo, né? Isso é persuasão.
O diálogo supõe as ideias de mais de uma pessoa, duas ou mais. Aí é diálogo, né? E quando é que o diálogo avança? Quando as ideias se comunicam entre si e daí parte o nascimento de uma nova ideia, a partir de duas diferentes.
Então, o diálogo dos pais com os filhos, é difícil começar com os pais. É mais fácil a gente começar a dialogar com os filhos quando eles trazem alguma questão. E sempre eles trazem, né? Eles sempre têm uma pergunta, que às vezes a gente se incomoda com a pergunta que eles fazem.
Eles sempre têm relatos de acontecimentos escolares, ou às vezes eles têm sentimentos que eles não entendem muito bem e querem conversar com os pais. E muitos pais deixam de aproveitar essas oportunidades para estabelecer o diálogo.
Então a gente não consegue estabelecer de cara, né? Olha, é um treinamento recíproco, porque tanto os pais quanto os filhos precisam aprender essa estratégia de um usar a ideia do outro. Porque hoje, no mundo adulto, Thais...
Quando alguém está tentando conversar com outra pessoa, ela termina de falar uma coisa e ela já está pensando naquilo que ela vai falar depois. Isso impede a escuta.
a escuta daquilo que o outro está falando. Então é isso que a gente precisa prestar atenção nos filhos. A gente consegue dialogar quando a gente consegue escutá-los. Roseli, mediadores são importantes? Porque ainda há, para muitas famílias, temas que são tabus. Então às vezes eu quero tratar de uma questão, eu sei que aquilo é importante para o meu convívio com o meu filho, para o crescimento desse jovem que vive ali comigo, mas eu não sei como começar essa conversa.
E às vezes parece careta mesmo. Senta aqui, vamos conversar sobre iniciação sexual. E aí o jovem, não, não quero falar sobre isso. Como é que esses mediadores trazem aí essa oportunidade de conversa?
Olha, em geral, é importante a gente procurar um mediador que se comunique com a idade do nosso filho. Então, por exemplo, tem de 6 a 10 anos, mais ou menos, nós temos uma literatura dirigida ao mundo infantil que é maravilhosa e trata de todo tipo de assunto, dos mais delicados aos mais banais. Do sono, sim, a criança não quer dormir cedo.
Tem livros que falam a respeito disso. Hoje fala-se, e a gente escuta muito, falar de feminismo, machismo. O que é isso? Tem livro que ajuda o pai e a mãe a conversarem com os filhos a esse respeito. Na adolescência, é mais fácil dialogar com alguns deles por filmes, mas outros adoram a leitura. Vamos ler juntos isso aqui?
Até amanhã a gente lê essas páginas aqui, depois a gente conversa sobre a ideia que o autor traz para esse protagonista. Então, os mediadores são isso, olha, passear juntos, fazer um programa juntos e, em geral, um programa que ele não faça por conta própria. Nenhum grupo de adolescente se reúne para ir...
ao museu, por exemplo, ou à apresentação de uma orquestra de música clássica. Então, esse é o tipo de coisa que os pais podem fazer para começar essa aproximação por meio de um mediador.
Eu uso muito, no meu caso, jornalista, né? Reportagens. Então, às vezes, eu quero falar sobre proteção, autoproteção, né? Então, eu mostro uma reportagem que trata dessa questão. Vamos conversar? Como é que vocês percebem isso? Como é que tem sido na vida de vocês? E funciona. Acho que funciona muito bem essa... A ideia real, né? Aconteceu de verdade. Então, eu preciso entender um pouco melhor. Agora, Roseli, eu ouço muito a frase na minha casa. Assim, perdeu no argumento, né, mãe?
volta e meia o Bento fala pra mim, mãe, perdeu no argumento e agora vai na autoridade e a gente tem medo de colocar na autoridade, então a gente vai num argumento que muitas vezes não convence de que a gente tá certo e de que aquilo precisa ser feito quando a gente perde no argumento, Roseli vai na autoridade mesmo?
Eu adorei isso aí, eu já ouvi de outras formas, mas essa eu nunca tinha ouvido. É isso, né? Tenta convencer com argumentação uma criança de cinco anos a comer aquilo que ela diz que não gosta. Não há argumento, não há, eles são melhores do que nós nos argumentos.
tenta discutir política com um adolescente que se interessa por isso. Os argumentos deles são muito melhores que os nossos. Então, quando se trata de uma decisão ou de uma escolha que os pais fazem pelos filhos, aí é na autoridade mesmo, não tem jeito.
Roseli, eu ouço muito desses jovens, né? Quando a gente entra na questão das telas, eles falando, olha, mas vocês querem proibir as telas, mas a gente vive nesse mundo. Eu vou ser excluído da conversa, eu vou ser excluído do que está bombando, que não é mais bombando, que eu já descobri que eu estou ultrapassada, né? Que está farmando aura, mãe. E é muito difícil...
você realmente não se colocar no lugar desse jovem, dessa criança, desse adolescente, você fala, poxa, realmente, está todo mundo vivendo essa realidade, ele se sente um pouco excluído. Como é que a gente faz uma espécie de dosimetria, né? Para entender e para ir liberando aos poucos, ou não ir liberando. Como é que funciona isso, hein? Eu acho que uma boa tática, Thaís, é tentar perceber, observar o filho, como é que ele vive no mundo público.
Como é que ele se porta na escola, a gente sempre fica sabendo. Como é que ele se porta na rua quando a gente sai junto com ele? Porque a internet é um espaço público. Será que ele já tem condições de preservar a sua intimidade estando no espaço público? Quando ele sai para andar de bicicleta, por exemplo, numa praça ou num parque, ele sabe que tem algumas coisas que ele não vai falar, nem pensa nisso.
diferente. Eles acham que tem coisas que podem ser faladas e eles pensam nisso. Então, eu creio que a melhor maneira é conhecer o filho, conhecer todas as conquistas que ele já conseguiu alcançar em termos da autonomia. Muitas conquistas ele ainda terá de batalhar para conseguir. Então, é assim, avaliar.
a idade dele cronológica, a maturidade emocional e de convivência, e aí sempre tutelar. Se acha que é a hora que é possível permitir que ele fique mais tempo na internet, você precisa saber onde ele vai, com quem ele conversa, o que ele fala e o que ele escuta, e o que ele vê também.
Roseli, lembrei de uma música agora do Renato Russo, do Legião Urbana, que fala assim, você diz que seus pais não te entendem, mas é você que não entende seus pais. E hoje tem viralizado muitos vídeos de pais falando assim, eu não entendo nada do que os meus filhos dizem ou escrevem.
Eles mandam uma mensagem e eu fico olhando, tentando decifrar aquele código que está ali, ou mesmo numa conversa. Então são várias gírias novas. E é engraçado porque quando a gente é muito novo, a gente fica tentando se comunicar com o pai, olhar para essa linguagem que o pai tem e falar essa linguagem. Depois quando a gente cresce, a gente tenta se comunicar com o filho nessa linguagem dele. Eles vão crescendo, a gente vai tentando chegar nessa linguagem.
Como é que a gente se aproxima? Dá para chegar no meio termo? Ou sentar mesmo? Traduz para mim o que você está dizendo. É possível isso? A primeira coisa que eu quero dizer é que eu acho que isso é uma evolução, Thaís. Porque assim, em termos conceituais...
Na entrada da adolescência, eles conseguem perceber que eles precisam se afastar dos pais, se afastar emocionalmente, no sentido de obter a própria vida sob controle pessoal e não mais controle dos pais.
Para não viver nesse mundo em que os pais controlavam tudo, eles inventam uma linguagem. Isso é absolutamente esperado. O meu susto foi quando 10, 15, 20 anos, nos últimos 20 anos, a linguagem era idêntica dos...
pais e dos filhos na adolescência. Isso para mim ficou um pouco assustador, porque eu pensava assim, esses filhos não querem essa busca da própria vida? Eles querem continuar sob a tutela dos pais? Então, quando começou a surgirem essas novas gírias, que têm uma relação muito intensa com a internet, com o espaço virtual, né?
Eu falei, finalmente, eu pensei, chegou a hora de uma geração se rebelar. Então, assim, eu acho que a gente tem que pesquisar o significado, mas não acho que a gente deva adotar essa linguagem com eles, porque vai parecer artificial e será artificial, né? Mas a gente precisa entender o que ele está dizendo, e ele certamente vai entender o que nós dissemos sem usar essas gírias. Me conta uma história.
Para melhorar, Roseli, esses diálogos, essas conversas, tem dicas chegando?
Ah, tem dica. Nós falamos agora há pouco dos mediadores, né? Então eu procurei um livro que vai ajudar pais de crianças que precisam e até querem saber a respeito de algumas palavras, algumas ideias que eles ouvem, porque criança hoje está carregando o mundo adulto nas costas, né? Então tudo eles ouvem, tudo eles sabem. Então eu escolhi um livro que primeiro os pais devem ler, mas o livro é dirigido para a criança.
Mas é bom que os pais leiam primeiro, depois eles leiam para os filhos, com os filhos, para ajudar. O título do livro é Diálogos Feministas Antirracistas e Nada Fáceis com as Crianças.
Diálogos feministas, antirracistas e nada fáceis com as crianças. Essa é a indicação da Roseli para você que nos acompanha, não só para os pais de crianças, como ela disse, tem sempre pontos fundamentais que são ditos, que são mostrados em livros infantis. Esteja aberto a esse aprendizado também.
Seguimos juntos no programa Seus Filhos e hoje falando sobre os temas que mais geram dúvidas, participações dos nossos ouvintes. E agora o nosso foco vira para dentro das salas de aula. Ser educador hoje vai muito além de ensinar conteúdo.
Eles mediam esses profissionais conflitos, eles tentam entender realidades diferentes, lidar com as pressões que nem sempre estão nos livros. Nesse bloco a gente também abre espaço para tirar dúvidas dos profissionais da educação que sempre interagem conosco aqui no programa Seus Filhos. Vamos falar sobre os desafios da capacitação constante, da relação, nem sempre fácil, entre escola e família.
Tem sempre um tema urgente para a gente tratar dessa questão, informação, acolhimento, a quem dedica a vida a formar os nossos jovens, as próximas gerações. Esse é o nosso foco a partir de agora no programa Seus Filhos. Roseli, é um tema urgente a gente falar sobre a formação dos nossos professores. É um desafio muito grande educar nos tempos contemporâneos. E é educar, como eu digo, na sala de aula mesmo. Você que vem acompanhando esse trabalho há muitos anos...
Qual é a principal linha de diferença que você observa? Olha, Thaís, primeiro eu quero deixar clara uma coisa. Quando a gente fala escola, a gente não está falando de professores. A gente está falando de uma instituição, de uma organização que tem regras, normas, burocracia.
que tem diretores, dirigentes, e que sempre precisa também aceitar o que vem de cima, que nem sempre é o que a escola quer. Então, quando a gente fala de escola, a gente fala de todo esse... Como é que eu diria? De tudo isso que está lá, antes dos professores.
A escola, por exemplo, tem a obrigação de formar os seus professores.
Porque ser professor de uma disciplina, a gente aprende na faculdade. Mas ser professor de uma disciplina naquela escola, a gente aprende naquela escola. Porque cada escola é diferente. É diferente em relação à população que a frequenta, à comunidade em que ela está inserida, aos colegas que vão trabalhar em equipe. Então, a escola, a obrigação da escola fazer essa formação permanentemente.
Então é preciso ter uma reunião semanal. Ah, mas toda escola tem. Eu conheço muitas reuniões semanais de muitas escolas e tudo que eles discutem são questões administrativas daquela instituição. É nota, é falta, é laudo, sabe? Não é isso. A reunião deve ser uma reunião pedagógica, onde os professores conseguem colocar suas dificuldades, e todos temos, né?
Quando a gente se vê frente a uma turma de alunos, a gente enfrenta muitas dificuldades, por mais bem formado que a gente seja. E é possível daí ouvir outras vozes a respeito de outras experiências que são dos colegas, né? E também uma condução teórica, metodológica, para algumas questões que possam surgir. Então, o que é diferente do contexto de hoje, de algumas décadas atrás? Isso.
O nosso público mudou muito, o público escolar, que frequenta a escola. E a escola não mudou quase nada. Então, o que acontece? A escola não se adaptou a essa nova população que vai para a escola. E quando eu digo nova, é outra formação e também é um público muito maior, muito mais ampliado do que tinha antes.
Então é preciso que, além da formação dos professores, que a escola tenha disponibilidade para perceber as nuances dessa formação e entender uma coisa. Nós temos muitas notícias de violência contra professores, de alunos contra professores.
Muitas, né? Eu sempre me assusto com isso. Mas aí a gente precisa pensar. Esses alunos vão para a escola, ficam passivamente na escola, precisam assistir a todas as aulas, fazer a prova quando a escola determina. Isso na maioria das vezes, não é em todas, né? É preciso que a gente comece a escutar o aluno.
e aprender a fazer com que ele seja um participante ativo do seu processo de aprendizagem. Então, muita dessa violência contra a escola, e aí os personagens mais próximos são os professores, é uma rebeldia que a gente entende, porque o aluno não tem voz na escola, quase nunca.
E Roseli, você falando, eu fiquei aqui pensando, você já começou assim, a escola é a instituição. E você tem a instituição família também, que é uma questão mais ampla. No meio disso...
as duas pontas que estão ali conectadas com cada um desses aspectos, o aluno e o professor. Porque nesse confronto, quem está ali no meio, na prática, no dia a dia, recebendo toda essa carga, são essas duas pontas, o aluno e o professor. E eles ficam muito reféns dessa relação que cada dia mais parece que tem um ruído, um ruído que provoca uma dificuldade de comunicação. O que você diria para essas duas pontas, tanto para os alunos quanto para esses profissionais?
É bom lembrar que os alunos, quando chegam na escola, eles trazem toda a bagagem da família deles, mesmo quando eles não falam nada da família. E o professor, quando entra numa sala, ele traz toda a bagagem da sua formação e da sua falta de formação, da ausência de lugar próprio naquela escola.
Então, é uma comunicação muito sutil essa que acontece. Quando o filho chega em casa, a filha chega em casa e diz, ah, eu vou precisar fazer um trabalho e eu vou me reunir na casa de fulano, você precisa me levar e me buscar? E a mãe ou o pai reclamam disso, ah, essa professora, esse professor, não tinha mais nada que inventar?
Isso é absorvido pelo aluno e transparece na comunicação dele com a professora. Então seria bom assim, olha, que a escola respeitasse mais as famílias, cada uma delas do jeito que é, não querer mudar a família, porque a gente não consegue, e que as famílias respeitassem a escola. A escola que o seu filho frequenta e que essa família pode...
tentar ter uma atitude mais ativa nessa escola, mas não em relação ao filho dessa família, em relação ao ensino que essa escola pratica, para todos os alunos. Roseli, ouvindo você falando e pensando um pouco naquela conversa anterior que a gente teve sobre diálogo, eu fiquei aqui pensando nesse trabalho de um conhecimento também emocional desse jovem.
Desse espaço de diálogo que é a escola, mas até isso está sendo cerceado, né? Porque a escola, que era aquele espaço de amplo debate sobre qualquer assunto, de diálogo aberto, franco, de esclarecimento, de algumas questões que até eram tabus em outros ambientes, e a escola agora vem sendo muito cobrada para não tratar de algumas questões. E aí o professor...
Fica refém, como você disse, de uma pressão de fora, de uma pressão dessas instituições. Como lidar, nesse caso, com essa necessidade que a sociedade está colocando de cercear o debate? Quando a escola consegue ouvir os seus professores,
Facilita ao professor ouvir os seus alunos e identificar conflitos, tanto com os alunos quanto com o que eles trazem de fora, porque os alunos trazem coisas de fora, né? Então, toda vez que surgir esse conflito, seria necessário trabalhar e sempre, Thais, sempre, eu preciso muito que os nossos ouvintes entendam.
Todo assunto é assunto que deve ser tratado na escola. Todo e qualquer. É morte. É, a morte acontece na vida. Tem teorias a respeito disso, então deve ser tratado na escola. Tem conhecimento.
sistematizado a respeito disso, como tratar com as crianças, com os adolescentes, deve ser tratado na escola. As emoções, mesma coisa. Política, não se trata de fazer apologia a partir dos políticos, mas de ajudar os seus alunos a entenderem o que é política. Ou seja, não apenas em época de eleição, mas no dia a dia a gente vive política.
Então, todo assunto é assunto para a escola. Ah, mas a escola tratou de um assunto que em casa a gente não considera adequado. Então, a gente não fala disso. Mas seu filho é diferente, ele está ouvindo a esse respeito. E se ele não trata disso na escola, que tem base para tratar isso, ele vai na conversa de notícias falsas, de opiniões pessoais, achando que aquilo é conhecimento.
Vê e curtir! Nesse programa especial para tratar dos temas que mais geram participação dos nossos ouvintes, profissionais de educação, pais, família de uma maneira geral, os jovens também, Roseli, a gente está trazendo dicas ampliadas, vamos dizer assim, que ajudam numa reflexão sobre essas relações. Qual é a dica de filme ou de série que você traz agora?
Hoje eu trago a dica de um filme que tem um toque de comédia e um toque dramático também. É a história de uma família que logo de cara mostra pra gente que não é aquela família margarina que a gente idealiza, né? É um homem que perde a sua esposa, ela morre, ele tem três filhos, e a partir daí, no dia a dia, ele começa a perceber que tá difícil para os filhos e para ele, e ele resolve mudar de vida.
E aí ele, em busca de uma mudança de casa, ele acaba comprando um zoológico. E vai enfrentar o desafio de fazer esse zoológico funcionar junto com os filhos. É bem interessante dar boas discussões entre pais e filhos, bons diálogos. O título do filme é Compramos um Zoológico.
Compramos no Zoológico a indicação para você que nos acompanha por aqui no programa Seus Filhos. E lógico, fica o nosso convite para você sempre interagir conosco através do nosso e-mail seusfilhos.com.br ou também nos acionando pelas redes sociais ou arroba arroba Thaís B Dias, Thaís com H
O programa fica disponível para você acompanhar no nosso canal no YouTube, também nos principais tocadores de áudio e no site da Band News FM.
Quero agradecer a produção do Eduardo Frumento e a sonorização do José Antônio de Araújo. E o nosso beijo especial, carinhoso para vocês, nossos ouvintes que sempre participam, mandando as dúvidas, mandando opiniões, percepções, sugestão de temas. Manda para cá para você também participar conosco, agradecendo muito essa interação. E o meu beijo especial para a minha companheira de todas as semanas por aqui, Roseli Sayão. Um beijo para você e na semana que vem tem mais.
Tem mais, toda semana tem mais. Um beijo de volta, Thaís, e muito carinho gostoso para os nossos ouvintes. Continue ligado, porque os seus filhos você só ouve aqui na Band News FM. Você ouviu Seus Filhos na Band News FM.
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