NerdCast 1046 - Qual é a Pauta? Filmes Caseiros, Tomb Raider 2 e Biscoito Champagne
Lambda lambda lambda, nerds! Véspera de feriadão, semana praticamente e literalmente encerrada, hora de banhar os ouvidos com mais uma pauta mole!
Neste NerdCast, Alottoni, Katiucha Barcelos, Tucano e Rex aproveitam o sabático de Azaghal para um grande sessão de terapia, indo desde a forma correta de se cantar parabéns, mini delitos infantis e... TRETA ENTRE TUCANO E O SENHOR DA OCEANIA?!
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CITADO NO EPISÓDIO:
- Clipe filmado pelo Caquinho: Jéssica Portugal - Usa e Abusa de Mim
- Cena do Jovem Nerd em Sharknado 6 (áudio original)
- Cena do Jovem Nerd em Sharknado 6 (dublado)
- Figurino original rejeitado para Sharknado
- Figurino aprovado
- Figurino com etiqueta
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- A crítica social e filosófica por trás do filme Clube da LutaClube da Luta·Misoginia·Red pill·Mito da caverna·Matrix
- A participação de Rex em produções cinematográficas e televisivasBen-Hur·Gladiador·Record·Sharknado 6
- A importância de conversar consigo mesmo para organizar pensamentosTDAH·Funções executivas·Corpo e consciência
- A experiência de microcrimes infantis e a nostalgia de filmes caseirosBiscoito champanhe·Lego·Tomb Raider 2·Filmes de play
- A percepção cultural da morte e a relação entre corpo e almaIndígenas ameríndios·Morte·Filosofia
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Catiuxa, a gente precisa de uma colaboração aqui entre podcast. O Vortex tem muito peso nas aleatoriedades, cara.
Eu tenho uma conversa comigo mesma que é só eu jogando links completamente aleatórios aqui para pensar em um dia levar para o Vortex.
Você conversa com você mesma em voz alta também, mas no Telegram principalmente.
No Telegram, no Telegram eu converso comigo mesmo, que é pauta do Nerdcast sem pauta.
Olha isso, porra, por que que você não me trouxe aqui?
O que a gente já falou eu deixo em azul.
Ah, tá.
E aí tem as coisas Eu queria ser assim com meus pensamentos.
Eu sou que nem a Cátia, só que eu tenho medo das minhas respostas.
Caríssima, lembra da vaca caríssima? Tava aqui no meu.
Eu tenho uma conversa comigo mesmo no Telegram e tem uma conversa comigo mesmo no WhatsApp.
Pera aí, mas como é que você conversa com você mesmo no Telegram? Você tem uma outra conta? Você fica trocando mensagem com a outra conta?
Eu criei um grupo, eu criei um grupo que eu sou o único membro.
É, você cria um grupo e tira aquela pessoa, então você adiciona alguém e tira ela depois, entendeu?
Mas é a mesma coisa que você escrever no bloco de notas, porra.
Sim, pode, mas o aplicativo do bloco de notas nunca tá aberto e o Telegram Exatamente.
Meu Deus, o Telegram e WhatsApp tá sempre aberto, então qualquer coisa que eu escrevo ali é rapidinho acesso, entendeu?
Porque eu nunca deixo nenhum dos dois abertos no computador, Alexandre.
Não, aí que você, você é outra história.
Aí é outra história, aí é outro problema.
Eu sou que nem a Kátia, eu falo comigo mesmo, eu tenho medo das respostas que eu me dou.
Eu não sei se tu é que nem a Kátia, não quero dizer isso de mim, não fala isso.
Eu tinha parada de salvar a parada no Instagram, tipo aquele negocinho de salvar assim. Eu salvava no Instagram, só que eu nunca via aquela porra e ficava uma bagunça. Aí eu passei a pegar o link e jogava pro WhatsApp ou pro Telegram.
Calma aí, calma aí, Cátia. Como é que você se aborda? Você se chama pelo seu nome ou você bota como se fosse um lembrete mesmo? Existe uma conversa, existe uma troca?
Você tá falando no grupo ou na vida real?
É, não, grupo, o grupo de Telegram com você mesma.
No grupo de Telegram só coloca o link e às vezes eu coloco um termo embaixo que eu sei que eu vou usar para pesquisar.
Ah, então é um bloco de notas, vai se foder, você não conversa com você.
É um bloco de notas, mas aí eu pego, é, por exemplo, tipo, eu coloco uma matéria aí embaixo, eu coloco Pauta Enterros.
Não, beleza, é um bloco de notas. Pensei que você ia falar assim: Cate, caraca, eu vi um negócio muito bom, Pauta Enterros lembra disso.
Não, pera, calma, isso é interessante. Como é que tu fala contigo mesmo na tua cabeça? Tu se refere a ti mesmo como?
Às vezes eu me chamo pelo meu nome.
Eu me chamo pelo meu nome também, mas quando eu tô meio maluquiceira—
Você se chama pelo seu nome mesmo, Alexandre?
Por que que você acha que eu me chamo pelo quê?
Vocês falam com você mesmo?
Eu falo comigo mesmo em voz alta.
De verdade?
Isso te provoca?
Eu falo também comigo mesmo, eu também falo comigo mesmo, mas eu não me chamo pelo meu nome.
O maluco então sou eu, no caso, né?
Exato.
Eu me trato como se eu fosse uma hive mind, cara, porque eu falo comigo mesma dizendo assim: a gente tem que fazer tal coisa.
É isso, isso, isso. Mas assim, mas você não tá errada não, isso aí é psicologia, brother. Porque olha só, assim, isso é um negócio que TDAH é comum, a pessoa falar consigo mesmo, treinar diálogo. Eu treino muito conversa que eu vou ter, eu treino, eu falo comigo mesmo, tal, não sei o quê.
Eu acho que isso não é normal.
Mas aí quem é normal?
Você se chama de Alexandre, Alexandre, ou você tem um alter ego?
Não, não, não tem outro nome. Eu falo coisa assim: porra, cara, tu tem que fazer isso, essas porra.
Ah, sim, sim.
Só que eu agora tô desenvolvendo é só uma imagem que eu faço na minha cabeça para organizar meus pensamentos. Então eu tô criando uma imagem de que existe a entidade corpo e existe a entidade funções executivas, a minha consciência. O corpo e a consciência são duas paradas diferentes e nem sempre se concordam com o outro. Tipo assim, eu sei que eu tenho que puxar ferro agora segunda, quarta e sexta, e aí o meu corpo fala assim: não, você não vai, você não tem que ouvir o seu corpo, entendeu? Mas é que o corpo ele é muito mais forte, ele ganha muito mais.
Não, porque não malha. Se malhasse, era mais forte ainda.
É TDAH, as funções executivas, a dopamina fraca, etc. e tal. A gente é muito fraco, não tem isso, cumpadi.
Você não esquece de comer, de ir no banheiro, de tomar banho, então tu não pode esquecer de malhar.
Mas é o corpo que faz isso, não é a função executiva.
Não interessa, não tem que ter o corpo que manda. Quem manda é sua cabeça.
Então a minha cabeça obedece, mas o meu corpo ele é insubordinado.
Você treinou seu corpo para ser insubordinado.
Então eu sei, mas agora que eu tenho consciência disso, eu faço as conversas da consciência com o corpo e eu falo: filha da puta, tu tem que malhar hoje. E aí às vezes eu ganho, às vezes não, mas eu tô melhorando, Rex.
Mas vocês Você tem conversas com mais de uma parte da mente de vocês?
Não, não, eu tô tentando só duas, porque senão aí fica muito confuso.
Como assim? Eu converso com uma parte do meu corpo.
Ah, consegue? Não, isso eu tenho certeza que você conversa.
Meu Deus.
Calma, depende do dia que eu vou treinar, entendeu? Eu vou treinar costas, eu devo conversar com as minhas costas.
Como é que eu falo?
Eu vou treinar peitoral, vamo lá, garoto.
Entendeu?
A gente vai conversar.
Não, porque eu tenho às vezes umas discussões comigo mesmo e ao mesmo tempo que eu tô discutindo comigo mesmo, eu tenho eu mesmo tentando parar essa discussão.
Ah, então tem uma terceira pessoa. Então...
Isso aí é muito engraçado, que depende da cultura que você tá inserido, né? De você ter corpo e consciência separados. Então, outro dia eu tava ouvindo um Naruhodo, Quem Fugiu Aqui Volta Aí, excelente podcast inclusive.
Excelente.
Eles estavam falando de que indígenas ameríndios tinham capturado um europeu e os europeus tinham capturado alguns indígenas. E eles queriam saber, os dois tinham curiosidade de saber se o prisioneiro era igual a eles. Os europeus ficavam perguntando coisas, sei lá, eu não lembro exatamente como é que foi, mas para saber se eles tinham alma. E para saber se era igual, o que que os ameríndios fizeram? Mataram o europeu para saber se decompunha igual a eles, porque para eles tava junto, tá ligado? A essência e a coisa, e até o meio ambiente, tá ligado?
Sim, entendi.
Dependendo de onde você tá, a sua percepção de consciência e corpo é diferente, né?
É, com certeza.
Se é uma coisa só com o meio ambiente ou se é coisa separada.
Por isso que eu falei que essa parada que eu tô fazendo é meio que um ensaio fictício pra eu organizar os meus próprios pensamentos, é isso.
Cara, eu tava vendo um documentário sobre culturas diferentes, né, sobre processos de como lidar com a morte em vários lugares diferentes do mundo, em várias culturas diferentes, né. E você tem lugares no mundo em que a morte é tratada de uma maneira completamente diferente da nossa, no sentido de que todo ano você tira o corpo, exuma o corpo da pessoa, arruma aquele corpo perfeitamente e tem uma festa em volta daquele corpo. Então, tipo, o tratamento que que aquelas pessoas têm em relação à morte é festejar o corpo da pessoa que faleceu e trazer ele de volta para família.
Mas aí o corpo tá todo decomposto, eles fazem essa parada?
Eles fazem uma parada tipo quase que mumificação, tá?
Eles fazem um embalsamento, tá? Entendi, entendi.
É, o embalsamento faz uma mumificação do corpo e o corpo tá lá e sempre é trazido de volta numa época festiva, tipo um Dia dos Mortos. E aí você vê, para a gente isso é uma parada, caraca, bizarro, né? Assustador.
A gente não tá acostumado a pensar sobre isso, mas tipo, exatamente, né? Porque a gente foi começar Jogar Gano, eu comecei a ver várias coisas de morte, né? Porque eu jogava com a alma.
Aí eu fiquei, ah, preciso pensar sobre isso de um jeito diferente.
E aí, cara, você passa um tempo pensando sobre isso e quando você vê, você tá, sei lá, dirigindo de um canto pro outro e pensando sobre a morte de um jeito diferente. Pô, como é que as pessoas se comportariam se coisa tal, tal, tal? Ai, mas e se a morte funcionasse desse jeito? Aí se na nossa sociedade, tipo, os cemitérios não ficassem tão distantes do resto da cidade, entendeu?
Pô, eu moro em Botafogo, tem um...
Exato, tudo certamente pensa.
Tem um aqui do lado.
A nossa sociedade, principalmente pela religião, se trata a morte Quase como que, ah não, a gente tá só aqui de passagem e a morte é que é a parada. Você vai chegar lá depois. E aí, tipo, eu fico pensando nessa parada. Caralho, a tua expectativa na vida é morrer pra aí sim ir pro lugar bom.
Isso é KOTOR, cara. Essa é a alma.
Mas isso é muito individual, cara. Porque pra muitas pessoas o afterlife, né, o pós-vida, não tá associado só com o que te espera, mas o que você fez aqui também.
Sim, sim, a vida material tem gerência nessa crença.
Não é digo material, é como você vive sua vida e isso de alguma forma o quão merecedor você é demais ou não, entendeu?
Mas aí é que varia. Você tem as variações do tipo: ah, você foi uma boa pessoa, aí você merece o céu. Aí, dependendo da visão que você tem de morte, aí pode ser religiosa, sei lá, ou visão de vida filosófica também, filosófica.
Todo mundo quer o clubinho, todo mundo quer o clubinho. Se você foi bem, você vai para o clubinho dos bens. Se você for mal, você vai para o clubinho dos maus, entendeu? Todo mundo quer um clubinho. A galera quer ficar longe dos vizinhos chatos, é isso. Quero morar na eternidade longe dos Foi por isso que você se mudou, Alexandre? Olha aí!
Canelada!
Muito bem, Marcelo Massoli, vamos falar mais uma semana de vez da Canelada.
Onde é que tu quer?
Vamos azagar o sabático, hein? Vamos aqui substituindo.
Ah não, ele tá voltando, ele tá voltando.
Olha ele!
Primeiro, Marcelo, quero falar de ketchup Heinz Zero.
Heinz Zero?
É, Heinz Zero. Sabe aquele joguinho de celular de você esmagar doce? Ah, sim, você esmaga o doce. Então aí a Heinz fez um joguinho para fazer o jabá, porque é Heinz Zero, é o Crush the Sugar. Olha aí, muito bom! Aqui é aquela brincadeirinha de você juntar os 3 açuquezinhos, você não tá moleiro quando você zerar o açúcar. Então tem link no post para você olhar, porque tem um bônus. Se você completar, né, zerar todos os açúcares, você ganha um cupom de 20% de desconto você experimentar o ketchup Heinz Zero, que tem 0% de adição de açúcar, 25% menos de sódio, só 5 calorias por colher e 100% Heinz.
Isso que é importante, né, saber. Se fosse zero mais 70% Heinz, você ia perguntar: para, o que que tem nesses 30%? Não é 100% Heinz, Marcelo? Então vai conhecer o Crush the Sugar, pega o desconto, já prova o Heinz Zero para você ver uma opção nova para sua mesa. Tem link aí no post. Siga as redes sociais da Heinz Brasil para conferir o Crush the Sugar. E a Nerd Call está chegando, Marcelo Massoli! Você estará lá, não estará lá?
Com certeza.
Olha só, gente, é isso! Estaremos lá com Iron Studios. A galera vai poder ver o Ozobi. O Ozobi tá vindo, tá vindo! Vamos ter notícia semana que vem. Mas olha, teremos o Ozobi, que é o tabuleiro que você vai poder ver, né? A gente vai ter gente para explicar o jogo para você, que você não viu, você vai ver de perto. É a caixa industrial mesmo da fábrica. Não é protótipo, produto final, é a caixa final. Exatamente. A gente até hoje fez outros eventos com as obras que a galera viu, mas viu protótipos, né, das minhas coisas.
Você vai ver o final, finalzão, vai ser muito maneiro. Olha só, e além disso teremos sorteios gostosos de estátuas lá no estúdio.
Olha só, é isso mesmo. Inclusive eu separei, Alexandre, duas peças aqui emblemáticas, entendeu? Então em uma das sessões a gente vai premiar com a Vampira 1 para 10 de X-Men 97.
Meu Deus, Marcelo, é sério isso? Ai, separa uma para mim, por favor.
E na outra seção, a Jean Grey 1 para 10 de X-Men '97. Então tem a favorita do Gambit e a favorita do Wolverine.
Então aí fica nessa, cara. É isso. Então se você estiver numa das seções, você também pode levar para casa uma estátua da Iron Studios 1 para 10 de X-Men '97. Vampira e Jean Grey estarão lá. Olha, vai levar para casa.
E tem também, fiquei Fiquei sabendo que tem cadeira premiada. Então nas sessões também vai ter lá um jeito de— vai ter um sorteio de acordo com a cadeira que você tiver sentado, né? A mecânica eu não sei como vai ser, que aí é da produção. Não conta a mecânica ainda não, mas também tem peças lá que a gente mandou também para fazer parte deste kit.
Gente, dia 20 de setembro no Memorial da América Latina em São Paulo, a NerdCon vai ser foda demais! Vão ser ver duas sessões de duas horas cada de Nerdcast ao vivo. Você é um ingresso por sessão, né? Então a primeira sessão, aqui comprou ingresso, já está esgotada, já faz tempo. E a segunda sessão está com ingressos à venda. Ainda dá tempo então, ainda dá tempo, ainda dá tempo para você, ó, vai concorrer a estátua da Iron Studios aqui.
Mas é muito maneiro, o ingresso também vai te dar um kit com um monte de mimos maravilhosos da Nerdcon. Você pode pagar meia escolhendo a meia entrada social. Exatamente, é só você levar um livro em bom estado para doar no dia que você paga meia.
Vem uns pins, né?
Tem uns pins, uns kits de pin, tem adesivo, tem o dado da galera do Mago dos Dados, tem o D20 exclusivo da NerdCon, que o número 20 vezes 20, né? O double damage é a mãozinha do Vida Longa e Próspera, né? Olha isso aí, vem com a caixinha personalizada, o livreto de sabedoria, pérolas, migalhas de sabedoria do Senhor K. Não é pérolas, migalhas. Contente-se com as migalhas.
São pérolas, mas são migalhas.
São migalhas, exatamente. Tudo isso vem no kit com o seu ingresso. Você chega lá, ó, paga a minha entrada social, leva o livro lá, você dá o livro e você recebe o kit quando você chegar lá. E vai ser muito maneiro, porque além da nossa sessão de Nerdcast ao vivo, a gente vai ter o pré-show do Marcelinho nas duas sessões. Vai ser muito maneiro, tu vai poder conversar com o Marcelinho lá ao vivo no palco. Vai ser muito maneiro. E, cara, um monte de atrações no foyer.
Vai ter Juan Caloto, você vai poder, ó, lançando a birita, o Moonshine oficial. De Widow Woods do Nerdcast RPG Western. O Ancalote estará vendendo lá o lançamento, vai levar para casa, vai levar mochila grande.
Fiquei sabendo que vai ter no camarim para a gente ficar tomando antes também, com moderação, vai ter.
Mas olha, vai ter Príncipe Vidani com JNEC lá fazendo vinhetas ao vivo para você. Pô, não é só Marcelo Bassoli que tem essa vinheta maravilhosa aqui, ó. Você vai poder pedir para o Vidani fazer, você vai levar para casa personalizada sua vinheta sonora maravilhosa, cara. Muita coisa na roda dos artistas, você vai poder comprar quadrinhos, print, pegar autógrafo com Fábio Aburro, com a Karen Soarelli, Jambô vai estar lá, vai ter sessão de RPG, cara, vai ser um eventaço, vai ser um evento, 7 Kings e xaralá, de food truck para você provar, você que nunca provou, cara.
Vai ser o momento de conexão muito foda com a comunidade Jovem Nerd. É um evento para comunidade Jovem Nerd. A gente tá comemorando esse ano 20 anos de Nerdcast, cara. Então não é pouca coisa não, cara. Vai ser muito especial. Vai lá porque tem coisas que só acontecem ao vivo, Marcelo.
E vai ficar por lá.
Olha aí, nerdcom.com.br. Entra lá, compra o seu ingresso. A gente se vê dia 20 de setembro. E se você não quiser ouvir os recados 11:30, o último Nerdcast. Pode pular diretamente para 30 minutos e 25 pautas anotadas. Quero agradecer os 10 que doaram sangue, salvaram vidas. Felipe Bastiani, Lemer Fachin, Cauê Foro, muito obrigado, galera! E pedido de doação de sangue nominais são sempre urgentes, para Isadora Alves Gomes no Hospital Copadólio, no Rio de Janeiro, e outro para Aline Braga Rodrigues no Grupo Pulsa, em Barro Preto, Belo Horizonte.
Quem puder ajudar é sempre urgente, vai lá nesses lugares, tem informações aí no post. E doa sangue, tira uma selfie, manda aí para nerdcast@gmail.com, que a gente toda semana gosta de agradecer, estimular a galera a doar sangue, porque você salva vidas. Muito, muito obrigado, galera! Thiago Peixoto, 31 anos, especialista em RH, não falou a cidade.
Vamos lá, pera aí, ó, Alexandre, antes da gente começar aqui, antes do email, eu só queria dizer, Brasil, I'm devastated, porque eu esqueci, a gente esqueceu, né? Não fui só eu, a gente esqueceu nosso— era uma, era um bando, né? Não era uma, um grupo de Nerdcast, era um bando, tinha muitas pessoas, e a gente esqueceu dois filmes que eu queria pelo menos citar aqui.
Ah não, vai te esticar aí o 99, tá bom, vamos lá.
Deixa eu só citar aqui, é dois filmes que eu gosto muito inclusive. O primeiro é O Troco.
Sim, caraca, muito bom!
Payback, Mel Gibson.
Do you see me reaching for my fucking wallet? Caraca, cara, é o quanto eu gosto desse filme, cara, que eu não acredito.
É muito foda. Maria Bello, Lucy Liu. Puta, esse filme é foda demais.
Exatamente, falecido Mel Gibson.
Tem a cena do isqueiro que ele pede um isqueiro pro cara, aí o cara bate assim, ele fala: porra, não tenho, né? Aí ele: então pra que que você serve? Mata o cara. E um filme que é excelente, que chama Um Domingo Qualquer.
Nossa, é de 99!
Al Pacino, técnico de futebol americano. Cara, esse filme é demais! Ele dá um discurso no vestiário lá num dado momento que é fantástico.
É famoso.
Então assim, ó, se vocês não viram esses filmes também, galera que fez lista aí, né? Eu vi que a galera fez lista de todos os filmes que a gente citou e tal, acrescentem esses dois aí porque vale a pena demais.
Porra, bom demais, vale muito bom, muito bom. Bom, Thiago Peixoto fala aqui, ó: há anos penso em mandar e-mails para diversos podcasts, mas um último sobre cinema de 1999 tocou em um ponto que eu acho realmente necessário falar: o final de Clube da Luta.
Olha aí, certo?
Eu assisti o filme na adolescência, em 2011, e como todos os meus amigos, achei a história incrível e via no Tyler Durden uma figura anárquica e inspiradora, um símbolo de todos os sentimentos caóticos que o adolescente de classe média cronicamente online sente. Alguns anos depois, eu li o livro e achei tudo muito esquisito, com descrições explícitas de Tyler Durden nu, suado. Ele conhece o narrador na praia de nudismo, não no avião.
E o final diferente e tudo mais. A conclusão óbvia era: o filme era melhor. Porém, uma coisa que mudou todo o meu entendimento do filme foi, anos depois, perceber que o meu melhor amigo na época, e que vivia pelos preceitos do Clube da Luta, Seja lá o que significa isso, né?
O que quer dizer isso, né, cara?
Estava o tempo todo imerso nessa cultura red pilada da internet.
Isso aí misturou Matrix junto também, então aqui já veio.
É foda. Foram anos ouvindo ele replicar os discursos de 4chan, expressões que hoje entendo como detestáveis, tratar mulheres tal qual um incel. E eu passava mais pano que o pica-pau no navio por achar que aquilo não era nada demais, só bravata de adolescente caótico e neutro.
Tudo menos neutro.
Né, meu amigo?
É que é foda quando é um grande amigo, né?
Tu fica assim, puta, é difícil.
No começo é difícil, aí tem uma hora que você larga a mão mesmo, mas não é, pois é, demora, às vezes demora.
Pois bem, com tudo que aconteceu da pandemia para cá, acabei entendendo tudo de ruim no discurso dele e vendo como isso fazia parte de uma cultura extremamente misógina e tóxica até para nós homens, e me afastei dele. Olha, é isso, essa parada aqui todo mundo fala, inclusive as mulheres, que o patriarcado ele fode todo mundo, incluindo os homens também. Esses homens, esses red pillar, essas galera, essa galera é uma galera toda fodida pelo patriarcado.
Eles nunca se sentiram plenos, bem. Eles estão sempre puto com alguma coisa. Não sabe, eles não conseguem entender que essa cultura destrói eles também, cara. É a cultura destrutiva para a humanidade como um todo, cara. O patriarcado, cara. Puta que me pariu. E o oposto do patriarcado não é um mundo onde as mulheres dominam os homens com a mesma toxicidade que os homens dominam as mulheres.
Não é.
É um mundo de igualdade. É verdade, gente, pelo amor de Deus. É isso, cara. Mas aí, bom, aí vocês perguntam: o que esse grande parêntese tem a ver com o cultuado filme de 1999?
Tudo.
Quando você lê o livro com esses assuntos atuais na cabeça, misoginia, red pill, etc., fica muito mais gritante como ele é uma sátira justamente dessa visão de mundo que sempre existiu. As descrições homoeróticas que o narrador faz do Tyler Durden são culto a— ele bota entre aspas— os homens alfas cheios de testosterona, né? E o final é ironia máxima de tudo isso: ao longo do livro, o narrador diz que o Tyler sempre gostou de fazer bombas com parafina, mas o narrador achava parafina péssima porque nem sempre explodia.
Aí, quando o narrador segura a mão da Marla e espera a explosão, nada acontece. Então ele se toca que o Tyler, como sempre, usou parafina. Isso é o autor, aí ele diz, na minha visão, dizendo: essa cultura misógina e machista é uma idiotice de gente burra.
É, cara, esse filme assim, é por a gente comentou, eu lembro, a gente comentou acho que na primeira parte dos anos 90 que existiu um problema, deve existir ainda, né? Mas assim, ele comentou aqui que ele viu também na adolescência e tal, né? Às vezes quando a gente vê um filme antes dele tá pronto, da gente estar pronto para o filme, exato, a gente pega, ou a gente não pega a mensagem, ou a gente pega ela de uma forma ruim ou superficial, essas coisas.
Ainda mais quando é filme sátira, nem sempre a gente entende essa sátira, né? Mesmo aquele final, se você for pensar, é uma crítica também. Quando as coisas explodem, que eles explodem os centros financeiros, como se você explodir o prédio de um banco você tivesse acabando com o capitalismo.
É grande merda, não vai acabar com a parada, né? É uma revolta contra o sistema completamente distorcida, né? Você vai destruir um prédio, tu vai achar que vai acabar com a parada? Não vai, brother, tu é burro.
Exatamente. Então a ironia tá aí também, né, em mostrar que nem eles tinham uma ideia direito de sabe como fazer a parada, né?
Então não, pois é. Mas assim, o final do filme, como você interpretou, mesmo as bombas não falhando, é justamente ela tem uma outra camada de entendimento que você trouxe, né? Tipo assim, ingênuo da sua parte, mesmo que você tá destruindo um prédio, é isso, é a mesma coisa que a bomba não explodir, né? É uma luta inútil contra o sistema, é um enxugar gelo de gente que não entendeu o que tá acontecendo ao seu redor, né? Só tá reagindo, né?
Aí ele continua aqui: com essa constatação, eu passei a achar o filme, mesmo que uma obra de arte audiovisual incontestável, algo que subverteu a mensagem final do livro por fazer com que o plano do Project Mayhem funcionasse, o que faz com que o filme de certa forma agrade mais o público que deveria ter se sentido ofendido, algo próximo de admirarem o Homelander. Então, mas aí, como eu falei, você pode até interpretar, né, essa parada de, ah, não adianta nada nem destruir os prédios, porque para o filme, para uma obra audiovisual, os prédios caindo no final é muito impactante.
E a frase é boa com a música guitarra, você me conheceu num momento muito louco da minha vida, ou o cara tá derrubando prédio, sabe?
É uma adaptação, né?
É uma adaptação, é impactante, mas você não precisa— a mensagem do final do livro não precisa ser necessariamente subvertida por causa disso, entendeu? Você pode manter.
É porque, de novo, é o que a gente acabou de falar, não quer dizer que porque os prédios explodiram que o projeto funcionou, tipo assim, que funcionou.
Exatamente, funcionou para quem?
O que que resolveu, né? Qual problema foi resolvido?
É exatamente, só na cabeça de maluco dele, cara. Exatamente.
Alexandre Lavrador, 42 anos, analista de sistemas e CEO do Flogão.com.
Olha aí!
Depois do último Nerdcast, fiquei pensando em uma interpretação que talvez explique porque tanta gente ainda parece não entender Matrix completamente. Olha o Platão aí, lá a gente falou que não tinha Platão, olha alguém, ele veio. Segundo Platão, talvez a Matrix seja o mundo real. A ideia parece absurda à primeira vista, principalmente porque estamos acostumados a interpretar o filme pela oposição entre o mundo verdadeiro e a simulação.
Mas Platão era um idealista. Para ele, o mundo material, aquilo que tocamos, experimentamos pelos sentidos, não era a realidade mais verdadeira. A verdadeira realidade estaria no mundo das ideias, das formas perfeitas e abstratas. A cadeira real é a cadeira que está na cabeça do artesão.
É aquele negócio do o que que é a cadeira. A cadeira é um monte de— você, né, junta um monte de madeira, por exemplo, fazendo cadeira de madeira, né? Aí cola e prega juntas, e aí você forma cadeira. Mas aquilo não é uma cadeira, né? Aquilo são materiais arrumados de uma forma que para a gente tem uma função, né? Então a cadeira não existe no mundo material. A cadeira é uma ideia, sim, entendeu? É isso que é foda. A cadeira é uma ideia, e aí a gente espelha essa ideia materializando ela com madeiras, com materiais, com, né, com matéria, né?
Então, mas a cadeira jamais existirá no mundo real se ela não existir antes no mundo das ideias, né? Essa é a parada. Se é que eu entendi aqui o Platão de balcão de bar.
Não, acho que é exatamente isso aí. E é uma cadeira porque você enxerga ela como uma cadeira, né?
Sim, perfeitamente, com certeza.
A Pequena Sereia enxergava o garfo como um pente, né?
Um pente. Exatamente, exatamente.
Zion seria literalmente a caverna de Platão, um mundo com explicações absurdas feito de projeções do mundo real, na Matrix. Morpheus representa a fé cega na caverna. E aí vem a parte engraçada: toda vez que eu tento explicar essa interpretação para alguém que, na minha opinião, ainda não entendeu Matrix até hoje, a pessoa tenta me calar, me interromper, ou simplesmente diz que estou viajando, o que é exatamente o que acontece no mito da caverna.
Olha aí, a gente podia ter feito isso, né? Ficar viajando, podia ter feito isso.
Caralho, é uma mó viagem esse cara.
Platão descreve pessoas presas, acostumadas a enxergar apenas sombras e convencidas de que aquelas sombras são a realidade. Quando alguém sai da caverna, conhece outra realidade e volta para contar o que viu, os outros não querem ouvir. Pelo contrário, rejeitam a ideia e podem até querer eliminar aquele que tentou mostrar algo diferente. Então, talvez a maior ironia seja essa: quando tento explicar que, filosoficamente, Matrix pode ser o mundo real, as pessoas reagem exatamente como os prisioneiros da caverna.
Ou seja, talvez eu seja apenas mais um maluco tentando explicar Matrix para pessoas que ainda estão olhando para as sombras na parede. Abraços, Sou fã desde 2009, fui vítima da campanha, conte do Nerdcast para 3 amigos.
Ô, que beleza! Caraca, nós estamos juntos demais! Valeu, meu xará! Porra, muito bom!
Mas, cara, o grande lance de Matrix é exatamente isso, faz 27 anos e a gente ainda fala do filme. É, cara, descobre coisas e tem ideias e cada um, enfim, é muito rico mesmo, cara.
É uma parada, é um clássico até no cinema, cara. É isso. Agora um email do nosso especial de 20 anos de Nerdcast, onde os nerds mandam aqui sempre uma história onde o Nerdcast, né, fez parte da vida da pessoa em algum momento desses 20 anos. A gente tá adorando ler essas histórias. Esse é da Natália Barbiero, 37 anos, analista de comunicação em São Paulo capital. Olá, pessoal de Jovem Nerd! Eu e meu esposo Diego somos super fãs.
Abraço, Diego, de vocês! E queria registrar esse carinho nos 20 anos de Nerdcast. Obrigado! De jeito. Foi ele que me apresentou o programa quando ainda éramos apenas amigos, e no começo eu achei que não ia gostar, mas alguns Nerdcast de história depois eu já estava conectado com esse universo, adorando ouvir o podcast.
Olha o xaveco do cara, xaveco Fernando Piquet, xavecando com o Nerdcast, brother.
Olha, tô te vendo. Minha paixão se consolidou com os episódios com a participação da portuguesa Senhora Jovem Nerd, como o de Dia dos Namorados, um dos meus preferidos, e o Isso é coisa de fodido, meu Deus do céu. Nas últimas semanas acompanhamos as histórias incríveis de ouvintes, mas queremos representar aqueles que foram impactados nas pequenas coisas. Várias de nossas falas, principalmente entre eu e meu esposo, remetem a vocês, como correr atrás do ônibus lembrando a história da Avenida, dizendo: corre, fodido!
Que beleza! Ou ainda apostar na Mega-Sena sonhando com os milhares do senhor K. Ai, que gostoso isso, gente! Eu também, a gente a gente vê um filme ou qualquer coisa assim que marca a vida para sempre. Outro dia a gente tava, ele tá falando com outro dia, não, acho que foi ano passado, ele tá falando com o Satomelo, né, por causa do Alto 2, né, que ele tava lá na CCXP, etc. E aí eu tava lembrando que a Andréia até hoje, até hoje chama, né, quando chamava principalmente a cachorra da época de a minha cachorrinha.
Sabe, era uma coisa muito foda, cara. Denise Fraga, nunca esquecer. Então a gente leva essas coisas para vida. Muito legal que ela tem essas coisinhas, né, de cash.
É, mas cara, outro dia a gente falou, né, do falha na Matrix, né, que a gente tava brincando aqui até no filme. Mas tem frase na de cash, tipo, mesmo outro dia quando perderam a minha mala no aeroporto, eu fiquei pensando, puta, viajar e se foder mesmo.
Viajar e se foder. Tem coisas que marcaram Bom, aí ela continua aqui. Além disso, o Nerdcast nos permitiu conhecer outras pessoas que fazem diferença em nosso aprendizado, como o Átila e o Altair de Souza. Ah, sim, com certeza. Temos uma filha de 3 anos que se chama Gisele. Olha aí, uma das primeiras referências de que lembramos ao pensar em nomes foi por conta da Pícola. Olha aí, obrigado, gente.
Caraca, tipo a Calice, né? Já tava inspirando nomes.
Olha aí, muito bom. Pensamos em muitas outras possibilidades, mas no final venceu aqueles que ambos gostavam. Já tinha ouvido vocês dizerem tantas vezes de forma tão carinhosa. Ó, que amor, gente, né?
Se fosse raiz mesmo, chamava de pícola.
Desculpa, mas aí apelido é muito único, né? Mas um beijo para Gisele de vocês. Ah, olha só, obrigado por fazerem parte da nossa história, despertarem novos conhecimentos, interesses e nos divertirem em momentos difíceis ou tediosos. Vocês merecem todo sucesso do mundo. Temos orgulho em acompanhar essa incrível Trajetória. Muito obrigado, vocês que merecem. Esse ano comemoraremos 7 anos de casados. Parabéns! No dia 21 de setembro, olha, o dia seguinte da NerdCon. E decidimos que o nosso presente conjunto será ir na NerdCon.
Olha aí, rapaz!
Ah não, eu quero dar um abraço em vocês, gente, pelo amor de Deus.
Muito legal!
Já compramos os ingressos, estamos ansiosos. Que venham muitos anos de sucesso, aprendizado e risadas com vocês. Ai, um beijo! Adorei, adorei, gente! Obrigado mesmo, um beijo A gente se vê lá, gente. Não esquece, já tá vendo segunda sessão, tá vendo em nerdcom.com.br. Vai lá que vai ser um dia muito, muito especial. Quero ver vocês lá, gente. Beijos!
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Everything we do, we do it right.
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Sobre o que o Alexandre falou, eu depois vou passar para vocês o link. Eu achei bem interessante que eles fizeram um estudo com certas crianças para tentar entender como é que funcionava a preguiça de cada um, a vontade de não querer fazer certas coisas e tudo mais. E aí o que eles fizeram foi tipo assim: se você fosse o Batman por um dia? E aí eles botaram as crianças com roupinha de Batman, coisa e tal.
É real isso, né? É um efeito.
Realmente se dedicar a fazer as coisas por vontade própria, porque para eles, eles não estavam fazendo como se eles fossem o Paulinho e o Pedrinho, eles estavam fazendo como se eles fossem o Batman. Então eles criavam uma determinação na cabeça deles deles para fazer aquilo acontecer.
É, acho que eu vi isso, pode crer.
Então, Alexandre, quando você quiser malhar, vire o Batman.
Olha aí, é simples.
Segunda, quarta, sexta, tem que acordar falando Batman.
Tem que falar consigo mesmo falando a gente, tem que considerar seus vários lados.
Tem que ser um grupo, tem que ser, porque senão fica muito individualizado, né? O corpo, eu tenho que bajular o corpo.
Essa conversa que a gente tá do corpo, da mente, será que o médico ele separa em mais partes? Sei lá, ah, este aqui é que nem o Talher Danda, né? Tipo, esse aqui é o meu baço, este aqui é o meu pâncreas. Esse aqui é o meu rim.
Gente, eu falo frequente— nossa, hoje é meu diagnóstico, né? Eu falo frequentemente com a minha coluna, pô, hoje em dia, que eu digo assim, ô, vai ficar tudo bem. Às vezes eu dou umas batidinhas assim nas minhas costas, aí eu fico, calma, calma, tá tudo bem. E eu fico falando para mim mesma assim, não, não, não machucou não, tá tudo bem.
Meu Deus, esse Nerdcast ia ser sem pauta, mas é pauta psiquiatria, né? Não são todos que o trauma não faz, né? Mas, cara, é real.
Agora que você falou, Tucano, eu tenho um trauma com leg press, por exemplo.
É, com toda razão.
Você já contou isso publicamente?
Ah, não, eu acho que não.
Não, acho que não também.
Você tá pronto pra contar isso publicamente?
Ué, por que não estaria?
Porque você falou na época, não conta pra ninguém essa porra!
Não, porque eu não sei.
Você acabou de dizer que tem trauma.
Vamos lá, vamos lá, eu vou explicar o porquê. É porque eu nunca gostei daquela coisa de autopiedade, entendeu? Tipo assim, você se machucar e ficar filmando você machucado em casa, tomando vacina, remédio na veia. Eu sempre achei isso meio over um pouco, entendeu?
O Rex virou as pernas do lado do avesso, do lado contrário, no leg press, maluco.
Não, que exagero, Alexandre, não foi isso não, pô.
Virou corupila? Virou corupila?
Seguinte, eu tava fazendo o leg press e aí eu já tava com os dois joelhos bem machucados, mas eu, né, me automedicando, não façam isso, crianças.
Não façam isso.
É, eu tava usando muito anti-inflamatório pra não sentir dor.
Ai, cara, nossa, que demais.
E aí quando eu fui fazer o leg press e eu desci o peso, o tendão do quadríceps patelar da perna esquerda estourou por completo. E aí todo o peso foi pra perna direita e estourou todo da direita na sequência, então foi... Ai, que dor, que dor. Só que eu não senti dor nenhuma, eu só vi meu joelho fazendo assim, dando um estalo, um estalão. E aí a máquina desceu e bateu na trava, né? Aí eu falei, puta merda, desloquei o joelho, né?
Pensei. Aí eu fui tentar ficar em pé, não conseguia. Cheguei no hospital, fizeram ultrassom lá comigo e falaram que foi rompimento total dos dois.
Nossa Senhora.
Aí eu ia operar no dia seguinte. Aí eu operei, fiquei um mês internado no hospital.
E aí falou, não fala pra ninguém, não fala pra ninguém que eu tô no hospital.
Fiz fisioterapia por um ano e meio.
Um ano e meio? Já tem um ano e meio?
Já tem dois anos, agosto agora fez dois anos. Cara, o Rex tava guardando você Segredo, vou te contar, hein.
Ele sabe, ele é bom.
Eu sabia porque o Rex contou para mim, para o Dave, na época, mas falou, não, cala a boca, eu não posso ser visto como fraco.
Porque na época a gente tava trabalhando, tinha aquela coisa de viagem acontecer e tudo mais. E eu falei, cara, não vou conseguir porque eu tô com as pernas paradas aqui.
Tu virou um tiranossauro Rex, é isso.
O Rex, qual o peso que tava? Você sabe?
Você nem era muito não, cara, eu tava com 520 kg.
Vai se foder, Rex, vai embora daqui. Ah, Rex, você é muito. E ela não é muito não, era meia tonelada.
Eu conto eu conto para vocês é pouco. Eu conto para a galera da malhação assim, cara, só com isso, porra, já levantei 700, porra.
Pelo amor de Deus.
Então evita a galera da malhação, cara, porque eles que estão fazendo isso.
Caraca, quieto!
Por que que tu tá tomando anti-inflamatório com dor e indo treinar? Tu não tem mais idade de ser burro não, Rex, não pode não.
E o meu corpo não me obedece. Será que ele não me obedece? Eu tenho que induzir ele me obedecer, entendeu? Você tá sentindo dor? Não vamos sentir dor. Foi aí que eu me fodi.
Cachorro, medo pelo Rex, que é o seguinte: eu tenho tantos medos pelo Rex, eu não consigo te dizer. Eu vou dizer qual é a minha esperança e depois qual é o meu medo. A minha esperança é que o Rex, esse cara de academia que é completamente fora da curva da cultura geral de academia, sabe qual é? É verdade, não precisa nem explicar, é o Rex, é o nosso Rex, o nosso nerd, o nerd mais forte do mundo. Essa é a minha esperança. O meu medo é que existe um outro Rex que a gente não conhece, que é o Rex da academia, e que esse Rex É o Rex, entendeu? Com a máscara.
Será que a gente não conhece ou será que a gente só tá querendo fingir que não conhece?
Momento psicologia, tô querendo ver se eu vou—
porque não é possível.
Entramos na parte do fragmentado, né?
Exatamente. Caralho, nerdcast fragmentado, brother.
Eu vou levantar aqui meus Bob Goods e vou fazer teste Rorschach aqui com vocês agora. Academia é um negócio feio.
Eu tô procurando aqui, tô tentando achar aqui também algum distúrbio para eu nem me enturmar com vocês.
Eu tô muito, eu tô muito, cara.
Agora que você falou, Tucano, eu tenho um distúrbio de imagem, por exemplo.
Distúrbio de imagem?
Distúrbio de imagem.
Como assim?
Vigorexia?
É, por exemplo, eu me olho e eu falo assim, cara, não tô o suficiente, não tô grande o suficiente, não tô com a massa o suficiente.
Puta merda.
É, cara, porque a gente se vê todo dia, então tipo assim, a gente não tem a diferença.
Sim, é um transtorno alimentar.
Vigorexia.
Ah, é?
Você não se enxerga como você é. Não, não é um transtorno alimentar. Vigorexia não é um transtorno alimentar. Não, não Vigorexia é um transtorno de imagem.
Você é um transtorno de imagem, sim, mas muitas vezes enxerga daquela forma.
Por exemplo, é mais associado inclusive à alimentação.
É verdade, o transtorno alimentar é ortorexia, que normalmente vem junto com a vigorexia.
É verdade, é uma constelação.
Transtorno alimentar nenhum não, eu como que nem um boi todo dia, 4 refeições, 5 refeições por dia.
Não, você não tem transtorno alimentar. Você mostra a sua comida pra gente, a gente que fica com transtorno, porque a gente fica transtornado de fato.
Por que que a gente tá com a pauta tão bad vibes, né, cara?
Eu abri o meu grupo aqui comigo mesmo, não tem nada bad vibes. Tem tipo assim: Arara fecha registro hidráulico e deixa terminal de ônibus sem água. Não é triste isso? Não é para ser triste.
Isso é pauta do Vortex?
É, tá falando sério?
Festa em Santa Catarina promete sugar daddies ricos, mas homens não aparecem, mulheres ficam no prejuízo.
Ai, caraca, tá tendo uma escassez de sugar daddy no mercado, galera.
Eu tenho uma boa também aqui na minha pauta, que é: vocês cantam o parabéns para você em 3 tempos ou em 4 tempos?
Como assim? Como é que é a diferença?
Canta, canta aí você.
Parabéns para você nessa data que muitas tardes, tem gente que canta parabéns para você, para você a verdade.
Eu canto em 4, acabei de descobrir. Esticando as últimas sílabas.
Eu já tive nessas variações, mas acho que a gente sempre que puxa vai no compasso de 4 tempos.
Caraca, eu vi umas pessoas cantando Parabéns para Você totalmente diferente um dia desse. Eu tive um impulso assassino, cara.
Como assim? Você ouviu assim no 3 compassos?
Não, não, não era. Eles tipo mudaram a música do Parabéns para Você e por algum motivo naquele momento aquilo me revoltou. E por que vocês Por que que os caras são tão diferentes?
Não, mas tem outras variações sem ser a da Xuxa.
Não era o chegou a hora de apagar as velinhas?
Isso aí é do Carequinha.
Vamos cantar aquela musiquinha.
Ah, é verdade.
Essa música é do palhaço Carequinha.
Parabéns, parabéns pelo seu aniversário.
Parabéns.
Caraca, que flashback, puta merda.
Caralho, Tucano.
Que os anjos digam amém.
Tem uma parada dessa aí.
Cara, pra mim a melhor música de parabéns É daquele filme do Novo Ano do Imperador, lembra? Aquela assim: feliz aniversário, que tudo seja azul, tu é muito gente fina.
Pera aí, mas isso precede o Novo Ano do Imperador? Isso foi colocado na localização da dublagem. Essa música existe também, uma variação do—
eu só conheci pelo Novo Ano do Imperador.
Não, a Ágata cantava isso desde sempre, eu acho.
Eu tô maluca?
Porque ela deve ter visto o filme Novo Ano do Imperador.
Não, não, mas eu acho que desde antes, brother.
Vocês não conhecem a Domínia?
Ela deve conhecer qualquer coisa de música.
Eles são hipnotizadores. Amores de criança, né? Tá, caraca. Hoje eu sinto que cresci bastante, hoje eu sinto que estou muito grande, sinto mesmo que sou um gigante do tamanho de um elefante.
É que hoje é o meu aniversário. E quando chega meu aniversário, eu me sinto bem maior, bem maior, bem maior.
Ei, que música legal, cara!
Não é legal essa?
Eu nunca ouvi.
Mas não vai pegar.
Não é que não vai pegar, já pegou. Só não pegou porque você passou da idade.
É verdade.
As crianças adoram.
Não, mas você tá ouvindo, olha só, mas tá tocando nas festas de aniversário da comunidade toda?
Não, palavra cantada é antigo, né, cara? Palavra cantada é pré-BIPA, é pré-BIPA, não pegou, pegou na época, é pré-BIPA, pegou na época.
É que você pode dizer que pegou, aí eu tenho um outro nível de comparação do que que é uma nova música de aniversário pegar, porque é uma lenda que eu não sei se é verdade, mas dizem, é uma lenda que eu ouvi, a Xuxa tava fazendo seus discos de ouro, até disco de ouro, Sullivan Massada, A gente já sabe, os maiores compositores, os maiores dessas músicas do Brasil fizeram a carreira da Xuxa musical, só disco de ouro, de platina, o caralho.
E aí a lenda, que deve ser lenda mesmo, não deve ser verdade, mas a lenda que diz é que nos bastidores foi assim: porra, surgiu uma ameaçada, os caras são fodidos, tudo que eles fazem com a Xuxa é ouro, é ouro, os cara não tem como errar, os cara não erra. E aí tipo assim, só existe uma parada que esses cara não conseguem fazer mais sucesso, que é tipo fazer uma música que faça mais sucesso que o Parabéns Pra Você. E aí foi assim, eles: challenge accepted!
E aí Cara, eles fizeram o Parabéns da Xuxa e essa porra enterrou por toda a década de 80, 90, 2000, enterrou a música nas festas de criança, o Parabéns original. Podia até ter o Parabéns original, mas aí alguém me dava play no DVD, no cassete, e aí começava a música da Xuxa e todo mundo cantava.
Pera, qual que é o Parabéns da Xuxa?
Hoje vai ser uma festa, hoje é o seu dia.
Se para você o parâmetro de pegar ou não é a Xuxa, então nada pegou, nada pegou. Nem o Carequinha. É só parabéns para você e a Xuxa.
Carequinha foi um ensaio, porque o Carequinha saiu um pouco da bolha, que a gente nem lembrava. Lembrava da música e não lembrava que era do Carequinha. A da Xuxa dominou, não tem nada igual.
Não, mas não tem igual a Xuxa, não tem.
É, da Xuxa tem até hoje, cara. Até hoje ainda tem aniversário de criança que toca a Xuxa. As crianças cantam.
As pessoas nem sabem quem é a Xuxa, mas estão cantando parabéns dela.
E ainda tem um lobby do Guaraná, tá? Que eu tenho certeza que ele fosse, é bolo e Guaraná. Fala Guaraná, porque todo mundo bebe Coca-Cola. Fala aniversário, associa com Guaraná. Tem certeza que essa porra foi também encomendada.
Não duvido, cara, não duvido.
Não, porque Guaraná, Guaraná, você não precisa falar qual é a marca. Se você fala Coca, é a Coca.
Não, eu sei, é Guaraná, pode ser qualquer, é, pode ser o xarope. Caraca, é um absurdo que eu esteja aqui acreditando no lobby e você tocando não.
Alexandre, você lembra do Guaraná Skol?
Ou, caraca, verdade, quase não.
Era uma garrafa tipo uma garrafa de cerveja, só que long neck assim, pequenininha. Aí tinha Guaraná Skol, Guaraná Brahma, Guaraná Taí. O Guaraná Taí eu lembro, era o único que tinha uma garrafa diferentinha.
É, tinha duas toneladas de açúcar, né? E o Guaraná Antártica vinha escrito champanhe, não sei por quê, porque ele parecia um champanhe. É isso, ele era aquela, era produzido em Champanhe?
O que é isso?
Qualquer coisa.
É porque o champanhe não tem esse nome por causa da região.
Denominação de origem controlada e garantida.
Exato. Guaraná Champanhe, que porra é essa, cara?
É porque o biscoito champanhe, né, tio? Biscoito champanhe também.
Biscoito champanhe tem champanhe. Eu vi lá em champanhe. Eu fui em Reims.
Não, sério? Tem, sério.
Mas em champanhe todos os biscoitos são champanhe.
Não, mas os biscoitos champanhe do nosso pavê no Brasil nem fodendo tem o champanhe original.
Não, mas ele é baseado, é a mesma coisa, é o tipo champanhe, que é um tipo ruim de biscoito, é um tipo ruim de biscoito.
Você é uma detratora do biscoito champanhe?
Só, cara, ele parece muito gostoso. Eu acho que o único jeito que ele brilha é em tiramisu.
Tem um ponto importante.
A diferença que faz é a cafeína que faz a diferença. É isso?
É, eu acho que ele tem uma textura esponjosa boa para tiramisu especificamente.
Inclusive, o que eu ia falar, originalmente o pavê com bolacha Maria, então champanhe é Tiramisu.
Ah, mas eu já comi muito pavê com biscoito de champanhe.
Mas eu lembro que o biscoito de champanhe era usado para fazer o pavê só em época muito especial assim, tipo assim, ó, deixa o pavê pior, cara.
Exato, mas fica muito mais gostoso com biscoito Maria. O lance do biscoito de champanhe é que ele vem em uma época especial em que as coisas prometem ser gostosas, que são as festas de fim de ano. E aí ele vem em uma caixa que é muito bonita e muito arrumada. Aí você abre e ele tem uma embalagem, tipo, ele não parece um biscoito comum. Ele vem dentro daquelas embalagens de plástico que ele parece um produto prêmio, sabe? Tipo, ah, divididinho assim, de, sabe, tem várias linhas assim dos biscoitos e tal. Aí você tira, come, e ele é qualquer cor, é pô assim, ele, né?
A Cátia lembrou bem, porque eu lembro que vinha pouco. Você tinha que, para fazer um pavê, você tinha que comprar tipo umas 4 caixas para fazer.
Era carão, tipo, é caro. Porque para mim, sabe qual é? O biscoito de champanhe, ele finge ser o que aqueles biscoitos amanteigados e que vivem naquelas caixas que na verdade são caixa de costura, são na realidade de lata, né? Exato, aqueles biscoitos de lata, eles entregam o nível de sabor que a estética do biscoito de champanhe promete, na minha opinião.
Você acha? Ah, você tava esperando? Você espera um biscoito amanteigado de lata quando você vê um biscoito de champanhe?
É, eu espero uma coisa que tipo eu coloco na boca e penso, na verdade eu acredito, você espera um biscoito gostoso, mas vem um biscoito que é tipo, é, pô, cara, eu tô muito sozinho no biscoito de champanhe aqui, hein. Ele meio que não tem gosto de nada, o açúcar em cima dele é muito grande, meio que machuca a boca também às vezes.
Pô, eu Eu já sabotei vários pavês porque quando foram fazer eu já tinha comido biscoito de champanhe todo.
Mas aí é que tu não entende, porque tu tá ligando a memória do sabor do biscoito de champanhe à tua memória da adrenalina do roubo. Não tem como tu separar as duas coisas, entendeu? Porque a alegria do microcrime durante a infância é uma coisa, uma memória que não dá para tu.
Verdade, o microcrime da infância.
Tipo, pessoal falar não pode comer massa de bolo crua e você come, irado. Nossa, meu Deus, melhor coisa.
Pô, microcrime de infância, esse é um bom tema. Eu sempre fui um certinho do caralho e sempre que eu saí do lugar do certinho eu me fodi instantaneamente. Então eu demorei muito, por isso que eu comecei a beber só depois dos 40, essas porra e tal, e todo o resto. Então eu era o cara que tinha muito medo de Fazer merda tudo.
Mas sabe qual era o teu problema? Quando você fazia merda, você indicava que você tinha feito merda.
Exato, porque eu era um— exato, era um noob.
Você entregava no olhar, cara.
Então eu obviamente não tinha o streetwise de fazer merda e sair fora. Não, eu era que nem a garota lá que foi dançar break na Olimpíada, basicamente isso. Essa era a minha, entendeu? Até no documentário dela Aí que saiu. Saber mais dessa história que você não quer saber mais.
A história dela é maravilhosa, linda história.
Mas aí esse dia foi o dia que eu fui no Fashion Mall em São Conrado, no Rio de Janeiro, assistir a estreia de Exterminador do Futuro 2, 1992.
Olha aí, isso é bom, isso é bom.
Eu tava no Star Ipanema, eu tinha 12 anos, 12 anos, é, tinha uma fila do cacete para comprar ingresso, porque tu não comprava ingresso, né, criança, você não comprava ingresso na internet, você ia lá na bilheteria e comprava o ingresso. Aí tinha uma puta fila do cacete para comprar ingresso, tava eu, Meus amigos e tal, com os pais também e tal, levaram a gente, né, saudável. Isso é meu futuro, 2 crianças de 11 anos, 12 anos, é isso.
Como vai demorar? Tinha uma loja de brinquedo ali na frente. Aí vai, a gente pode ir na loja de brinquedo? Vai, sim, só vai para lá. E quando vocês saírem, a gente vamos ficar fazendo hangout na loja de brinquedo, vendo os brinquedos. E aí eu tava vendo um monte de Lego, que eu era apaixonado por Lego, não sei o quê, Lego. E aí Lego sempre foi caro, né, sempre foi plástico indexado ao barril do petróleo, então sempre foi caríssimo, etc.
E aí eu ficava lá sonhando que eu tinha uns leguinhos que era só aquelas caixinhas pequenas, que era só um carrinho, sabe?
Pera aí, pera aí, tu não me falou que o Lego é caro porque ele era de plástico? Ah, tô brincando, culpa do petróleo.
Que plástico barato é isso?
Não, porque não é isso, não é por isso que é caro.
Ah tá, não é? É, eu sei, eu tô brincando, não é por isso que é caro, é caro por causa do balanço trimestral. É aí, querendo ser malandrão. Grão, com muita vontade de ter aquele Lego, sabendo que não tinha como. Eu ia buscar minha mãe lá e vem aqui comprar. Ela tava na fila assim, não tem. Eu tava, sabe, com aqueles casacos que tem um bolso na barriga, um bolso duplo na barriga, que tu mete a canguru, as duas mãos, e as duas mãos se encontram.
Canguru, exatamente. Era tipo um moletom desse. Com meu amigo eu cheguei, peguei a caixa, e aí eu meti tipo assim, como se tivesse— uau, olha só que radical que eu sou! Peguei a caixa daquele carrinho e meti dentro do bolso canguru, e eu fiquei olhando para ele assim. E aí eu juro por Deus, eu não tô mudando a história, a história foi exatamente assim. E aí eu, como sabia que era um guri tuxa que não podia fazer merda, já senti o meu pico, maior pico de adrenalina na minha vida.
Meu Deus, cara, tô todo suado.
Não é aquele meme lá do Jordan Peele pingando suor? Aí eu olhei para ele e eu juro, alguns segundos depois eu tirei a caixinha e eu falei assim: não. E aí eu botei de volta na prateleira. E aí quando eu olhei para o lado, tava a vendedora, pô, olho de Sauron em cima de mim. Meu Deus, instant karma, cara.
É, mas ela pode olhar e não fazer nada, turma, um robô.
Aí ela tava com a cara de puta, ela fala assim: onde está seus pais?
Interessa, não tenho pai.
Então, se eu tivesse Streetwise, eu ia mandar essa, né?
Se eu tivesse pai, você acha que eu tava roubando Lego aqui, caralho?
Exato, puta que pariu.
É muito difícil mentir sobre profissão, cara.
Mas é aí que o bom mentiroso entra, entendeu?
Eu: não, não, a gente tá ali do outro lado, minha mãe tá ali, eu juro que é na fila do Exterminador do Futuro. A gente vai ver, tipo assim, eu só vi aqui, volta lá para os seus pais. Aí eu vou, cara, eu voltei humilhado, tipo assim, fiz o walk of shame, sabe?
Shame, bum, burum, cabeça baixa.
Eu fui pego na minha própria honestidade, eu fui pego pelos pensamentos escusos. É um crime de pensamento, rapaz.
Minority Report, a mulher agora eu lembrei aqui que você estragou o Natal de uma de uma criança. Você e o Mário estragaram o Natal de uma criança.
Você lembra disso? O encanador?
O Mário é nosso amigo de escola que nunca passou no Nerdcast, então ninguém conhece ele. Mas era eu, Carlos e Mário.
É porque eu não quis perguntar que Mário, porque é demais também, né? Eu preferi chutar algum.
A gente tava num cinema, tinha acabado de lançar, era lançamento, tinha acabado de lançar Tomb Raider 2.
Nossa, eu vi o pôster agora, tá?
Távamos na sala de cinema, assistimos o filme, acabou o filme.
Nem lembro que filme era, mas eu não lembro do filme também.
Era uma senhorinha, uma velhinha, uma senhorinha, vovó sentada do nosso lado e ela tinha um saquinho de presente com ela. Aí acabou o filme, a gente ficou ali um tempo conversando, tava rolando o crédito, acendeu a luz do cinema, a velhinha levantou, foi embora e ficou o saquinho de presente.
Deixou o Tomb Raider para trás.
Aí foi a discussão entre nós três do que fazer.
A gente ficou esperando para ver se ela voltava. Não, ela vai voltar. Aí quando acabou, né, os créditos, assim, nada. Tipo, o cara já tava vindo limpar e mandar expulsar a gente.
Aí vocês pensaram o quê? Não, já demos chance para essa idosa, agora se Eu não fui rápido o suficiente.
Vamos embora. A gente saiu e foi adrenalina máxima até chegar no carro.
Eu fui voto vencido, tá? Porque eu falei, vamos deixar isso aqui, não vamos levar, coitado, deixa aqui para deixar nos achados e perdidos.
Por favor, a vinheta. Esse é o Jovem Nerd, tá?
Mas eu fui cúmplice, eu fui cúmplice, eu não fui o mastermind.
Mas olha só, se você deixar ali, Alexandre, alguém do seu lado também não ia encontrar a pessoa, entendeu?
Mas aí não seria ele, não seria ele.
A gente ficou debatendo o valor da frase achado não é roubado. A gente deu chance.
Essa frase já levou muita gente a fazer coisa errada.
Minha mãe falou: achado quando você sabe quem é o dono não é achado.
Exato, não é. Exato, a gente roubou.
Ficou passando na minha mente Natal da criança, sentada lá, avó: meu neto, eu comprei o que você queria.
E o que era afinal?
Era o Tomb Raider 2.
Era Stalker 2, o jogo, o jogo.
Ah tá, a caixa de jogo CD, mídia física e tal.
E aí é mais complicado, era um jogo, era a caixa física. Não sei se eu teria tido a maturidade de deixar assim.
Não tinha outra opção na época, na época só tinha caixa física.
Joguei para caralho Stalker 2.
Vocês se lembram daquela época que você chegava no cinema, você gostava tanto do filme, você queria ver mais uma vez o filme, aí vinha um flanelhento tirar e você mandava aquela assim? Então é porque eu perdi o começo do filme, eu posso ficar para ver o começo?
Flanelinha, que tu tirava.
Caralho, você esteja num drive-in, né, cara?
Perdemos o contato com os textos antigos, né, cara?
Mas isso era uma parada que era muito comum na época, cara. A gente assim entrava no cinema, o filme começado. É, eu lembro, eu lembro isso nitidamente. Eu ainda assisti Robocop 2, eu entrei no cinema no momento que ele é destruído, fui assistindo o filme, e aí logo depois eu falei, ah, eu não vi o começo, vou ver o começo. E aí eu vi ver o filme de novo.
Aconteceu isso comigo e com a Bárbara no A Própria Carne, né? A gente teve que ver em duas vezes.
Mas vocês viram primeiro a segunda metade?
Não, não, vimos o começo, na verdade.
Ah, tá. Ah, porque vocês tiveram que revezar por causa dos gêmeos, é isso?
Então, porque os horários que tinham, por exemplo, o primeiro horário era acho que 2 horas, aí dava para deixar eles na escola e ver. Não, era mais tarde, era umas 3 horas, só que aí não dava para ver até o final que eu tinha que buscá-los. Mas tinha um outro horário que era mais cedo, alguma coisa assim. Eu conseguia ver o começo, mas não conseguia ver o fim. Então eu vi o começo numa sessão, é, e na outra sessão eu vi o final do filme.
Não acredito, sério! Que incrível, porra! Isso, isso tem valor, vai.
O famoso parte 1, parte 2.
Olha aí, o rapaz, o estagiário, não queria deixar a gente entrar. Aí a gente explicou, ele foi chamar o presidente, quase que a gente perdeu, né, a parte que, que, né, cronometrado.
Tu não falou, tu não sabe com quem você tá falando. Eu sou amigo dos produtores do filme.
A Bárbara explicou para gerente, e a gente tinha comprado outro ingresso, né. Ela falou assim, pô, por que vocês não avisaram para mim que eu deixava vocês entrar de graça? Mas deu certo, deu certo.
Mas você comprou, tu não foi na pré-estreia?
Não dá, não dá, tem os gêmeos, né.
Não dava, né. Ah, vocês viram em Santos, é isso?
Em bebês.
Ah, obrigado, vocês compraram 2 ingressos, que gracinha. Que graça!
4, né?
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Já que a gente tá falando de cinema e que o Azaghal não tá aqui justamente por causa de cinema, que ele tá nesse momento que estamos gravando, ele tá em Londres porque A Própria Carne foi exibida no Fright Fest. Uma puta honra! Uau, parabéns do caralho! Em Londres, é um monte de brasileiro, pô, abraço para todos os brasileiros foram assistir lá. E os gringos que estavam, sabe, ainda tava contando aí por alto.
Será que ele levou o coelho rosa com a coleira, com cadeado, que ele filmou no no hotel dele.
Pois é, nossa, que negócio creepy, cara. Eu teria coberto esse coelho com um lençol, com toda certeza.
Já que o Azaghal tá aqui e o Tucano tá, eu quero perguntar uma fofoca que tem a ver com filmes do seu amigo produtor de cinema, que teve como sua primeira, né, participação em uma produção cinematográfica, Masters of Fighting, filme de play que vocês fizeram. E aí eu lembro que o Tucano me contou que nessa época vocês estavam empolgados para ficar fazendo esses filmes e tal, e que por causa dessas tretas de filme de play, o Azaghal ficou tipo 3 meses sem falar com você.
É verdade.
Eu quero aproveitar aqui, já que não tem a versão dele aqui, eu quero só a sua versão, que tá valendo.
Na verdade é o seguinte, a gente fez o Cocaine, que é o filme baseado em Tanguy Cash, feito no Play do Irado com a câmera do Christian Pateta. O Azaghal não foi porque a gente gravou num domingo, e domingo era o dia que ele ia almoçar no aeroporto com os pais. Lembra que ele tinha essa parada, né? Que ele às vezes é almoço na casa dos tios, ou então ia para no aeroporto almoçar, tal, não sei o quê.
Exatamente, era um programa, Almoço no Aeroporto.
Ele não participou. E eu gravava filme com um cara que era da minha sala, porque nessa época eu tinha me tirado da sala dele, né, por causa de bagunça, tal. Era 7ª série.
Ele passa rápido pelo assunto.
Não, por causa de bagunça. Você viu? Nota de rodapé.
Eu gravava com o Fábio, né, que queria ser cineasta, tal. Ele tinha câmera, tal, não sei o quê. Eu gravava com com ele também. O Azaghal começou a se interessar por essa parada, né, de fazer filme e tal, não sei o quê. Aí eu falei assim, pô, então no próximo filme tu já marca aí, avisa os teus pais, a gente vai fazer, vai ser um de skate na ladeira da Bulhões de Carvalho, uma competição de skate. E aí você participa, tal, não sei o quê.
Ele, pô, legal. Aí ficou empolgadação. Chega no dia, esse Fábio fala, gente, eu não vou poder gravar. E a câmera era dele. Não vou poder gravar. Aí eu comecei a ligar para todo mundo para desmarcar. Eu era o mensageiro, né? Falei, David, não vai ter, mas não vai ter o filme. Ele, por quê? Falei, não, o Fábio não vai poder.
Mas se fuder, pá, desligou o telefone na minha cara e me culpou porque não teve o filme. Atirou no mensageiro, atirou no mensageiro, fudeu pra caralho, fuzilou o mensageiro.
A fúria dele só foi aplacada quando ele comprou uma Handycam. Lembra que tinha aquelas câmeras Handycam? Comprou uma Handycam e a gente passou a gravar com a câmera dele. Aí a gente começou a gravar no prédio dele, aí a gente a gente gravou o Masters of Fight, né, que foi o primeiro.
Eu amo a ideia de vocês fazendo um filme de skate, cara.
São muito bons, cara. Masters of Fight.
Mas, Tiago, qual era o enredo do Masters of Fight? Você tem? Você lembra do enredo?
Masters of Fight era um clone de O Grande Dragão Branco, né? Era um comitê.
Comitê.
E aí vai chegando as crianças, um de kimono e outro de colete, né?
Era um UFC mesmo. É, era um comitê, é isso.
Vocês ainda têm essas fitas?
Então, acho que a Zagá achou, não vão? É, o Marcelo não achou?
Ele achou e digitalizou. Eu acho que ele não mostra porque não tem autorização das outras pessoas, né?
Vai que, sabe, eu tenho que digitalizar. Acho que eu tenho aqui, Alexandre.
Pois é, eu gravava, fazia filme de play com o Carlos. Teve a maravilhosa frase que a gente era meio que polícia-ladrão e o Carlos tava fazendo a polícia e vindo, né, cercando a gente e tal. O Carlos E aí ele aponta e chegou apontando a arminha de brinquedo pra gente. Vocês não têm saída, fujam! Aí acabou o filme porque a gente ficou meia hora chorando de rir dessa merda. E a gente, Carlos, não improvisa, Carlos, porra!
Cara, lança uma dessa, o gênio da comédia, vocês...
Tem uma cena que levou, sei lá, horas na minha cabeça pra ser feita, que era a gente tentando acender um pavio pra fazer, que tipo um dos filmes era Missão Impossível. Aí tinha a gente tentando acender o pavio dentro da sauna e escura.
Sauna? Onde é que tinha sauna?
No meu prédio.
Ah, no teu prédio, Leblon, do cara tinha sauna?
E aí era acender o pavio para fazer a cena de abertura do filme.
É verdade, do Missão Impossível.
Onde vocês arranjaram um pavio?
A gente arrumava as coisas, era Copa do Mundo, você arranjava tudo.
Eu e meu irmão, a gente chegou a fazer um filme desses também, que a gente gravou, que a gente tinha uma camerazinha também, gravamos, que a gente fez o Assassino Cereal, que era um cara que matava as pessoas com uma caixa de, de, de Corn Flakes, sabe?
Excelente, é.
Cara, e eu, Magrivel Celinho, o Dudu, os primos reunidos assim, todo mundo gravando um filme. Eu tenho isso guardado até hoje, só que isso nunca verá a luz do dia.
Eu tenho aquelas fitas que são mini VHS ainda.
Duas fitinhas pequenininhas, aquelas fitinhas desse tamanhinho assim, cara.
Mini VHS. Cara, mas teve uma vez que eu editei uma vez um desses filmes que a gente fez, tipo Máquina Mortífera, e eu fui inserindo, tu lembra disso? Que eu fui inserindo, que eu tinha dois videocassetes. É, ele foi editor com dois videocassetes.
É isso, mas era assim mesmo, era assim que fazia.
Editava, editei com os videocassetes e fui inserindo cena de filme. Aí tipo uma cena de explosão, eu botei a cena do prédio desabando do Máquina Mortífera 3.
É, lembro, lembro.
Caraca, isso deve ter na época isso deve ter sido tão foda quando você assistia isso aí era tipo meu Deus cara a gente é a gente tá em Hollywood pô acabou.
Exato porra.
Eu tenho duas passagens na produção que tenho orgulho até hoje. A primeira é: vamos fazer uma cena de assassinatos de um cara sendo jogado pela janela. Aí beleza, eu fiz curso técnico de cinema para melhorar minhas aptidões, era lá na Lapa, eu tinha que descer pelos arcos da Lapa ali de madrugada, não, mas 11 horas da noite, tá ligado, quando acabava o curso. Aí beleza, como é que vamos fazer? Gente, primeiro a gente pega o Marcelinho, 2 caras seguram ele e vão correndo para direção da janela.
Aí beleza, agora vamos fazer a câmera subjetiva como se fosse o Marcelinho indo até a janela. Aí fizemos, gravamos, tal, não sei o quê. E agora o gran finale, vamos lá para baixo que a gente vai jogar o boneco. E aí pegamos a roupa que tava o Marcelinho, que era, ele tava de moletom de capuz, botamos uma bola de basquete no capuz, jogaram um Judas lá de cima, enchemos de enchimento, né, de almofada e jornal nos braços. Calços, o casaco e a calça, e amarramos o tênis junto, né?
Aí fomos com a câmera lá para baixo e demos ok para o pessoal de lá de cima jogar pela janela.
A bola não saiu? Para ele não perder a cabeça no meio da primeira vez, a bola saiu.
Aí imagina os vizinhos vendo isso, cara.
Então ele tinha um cordão aqui assim, né? E aí a gente apertou mais assim, deu um nó, e aí foi e não saiu a bola. Só que dessa segunda vez, no 6º andar, tinha uma senhora tomando chá no meio da tarde e E ela viu, o corpo caiu.
Meu Deus!
E a velha quase infartou.
Nossa Senhora!
E a mãe do Júlio, do irado, era síndica do prédio.
Ah, claro!
Ela na janela gritando, Júlia!
Meu Deus!
Podiam ter aproveitado o berro da mãe pra botar na cena com o corpo caindo.
Júlia!
Exato, boa, Tereza!
Mas aí ia ter que mudar o nome do personagem, ia dar maior trabalho.
E a outra era o prédio que a gente gravava. O prédio todo era da família desse cara que era da minha sala, né, do Fábio. E aí no primeiro andar morava a avó, no segundo morava ele, no terceiro morava o tio, tá ligado? Então o prédio era todo da família, na Joana Angélica. Aí tinha a cobertura que não era um apartamento, era assim, tipo, tinha uma laje, tinha uma área ali que era aberta. E aí a gente tava fazendo um filme que eu era o vilão e E aí, uma hora, eu sequestrava um dos personagens lá. Era o Paranormal Hunters.
Caramba!
Eu era tipo um Jason, tá ligado? Beleza, só que eu tava com uma pistola de chumbinho segurando um cara em cima da laje. E eles embaixo, nessa parte aí, que era a área comum do prédio...
Era uma pistola de chumbinho ou de espoleta?
Pera, porque tava segurando um cara com...
Não, chumbinho, chumbinho. Não é possível, cara! Isso é perigoso!
Era um pistolão assim. E eles estavam com espingarda de chumbinho.
Mas você tava segurando o cara como se ele fosse refém, é isso?
Isso.
E os caras embaixo apontando para mim e falando: solta ele, solta ele!
E eu lá em cima com o cara aqui assim, né, de refém, gritando assim: sai todo mundo daqui, senão eu vou jogar azeitona na cabeça desse filho da puta! Meu Deus do céu, caralho, brother, tá louco!
Eu encarnei o marginal e comecei a gritar, tá ligado? Aí mesma coisa, a mãe do cara vai lá em cima, fala assim: gente, o que que vocês estão fazendo aí? Caralho, brother, é a cena final, mãe, a cena final! Aí fala assim: gente, a polícia tá embaixo, chamaram chamou a polícia. Meu Deus, explicaram, são as crianças.
Cara, a gente usava aquelas armas de bolinha de plástico, que na época não tinha que ter aquela identificação da ponta.
A Parabellum, né, que era pistola, e tinha o 38 Magnum, que era do Rambo, lembra?
Que tinha aquela espoletinha, ele era de espoleta com bolinha dentro.
Todo mundo Eu queria ser a arminha do Rambo, cara.
Fazia só o barulhinho, era massa aquilo ali, ó.
Nossa, eu e o David ficava horas de tarde fazendo sangue, tá ligado? Pra ver qual sangue ficava mais perfeito.
Mais natural. Caraca, vocês eram cineastas mesmo, né, pô?
Na época que eu tava fazendo a faculdade de cinema, que eu fui pra faculdade de cinema, aqui no meu prédio, aqui na minha casa, eu abria aqui pra fazer filme. Então, tipo, mesmo que não era da minha turma, uma porrada de produção que eu fui participar, que eu me meti pra, tipo, ah, vamos gravar lá.
Um dia qualquer, dá pra galera ver um dia qualquer que o Carlos faz o taxista que é sequestrado, né? Não é isso?
Eu tenho esse vídeo, tu não tá?
Acho que o Garcia Júnior, tu gravou com o Garcia Júnior, brother, essa porra.
Eu ia ser o diretor do filme, só que aí no dia que ia acontecer o filme, que a gente tinha um táxi que a gente tinha conseguido com a produção, a gente tinha conseguido gerador de graça, tinha conseguido um monte de coisa, a locação de gravar dentro do Península, que tinha uma área de estrada de rua que dava para ficar tranquilo, era uma área fechada, tinha conseguido um pedaço de mata para filmar, tudo de graça. E aí no dia da gravação, o cara que ia O ator principal ligou falando, não posso ir.
É, esse é o problema de ser tudo de graça, né. O cara não tem compromisso nenhum.
Mas isso foi uma coisa divina, do cara não ir. Porque entrou o melhor substituto possível.
Eu virei o ator principal.
Ah, é maravilhoso.
Eu virei o taxista da história, que era a história de um taxista que pegava duas garotas que eram aviãozinho. E aí se metiam com um policial que levava elas pra um descampado. E aí eu gravei, cara, dessa época eu gravei esse filme, gravei... Eu gravei, cara, a abertura da GDAICON de 2017 com o pessoal aqui em casa. Caruso. Aí, porra, porrada de gente de cosplay de Star Wars aqui em casa, andando pelo prédio. Aqui no prédio eu fiquei conhecido como o cara das pessoas estranhas.
Se chegasse qualquer pessoa aqui no prédio, qualquer pessoa alternativa diferente chegasse aqui no prédio: ah não, ah, não sei qual é o apartamento. Ah não, é lá para apartamento do Carlos, pode ir. É tipo, já sabia que era para cá.
É Mansão Foster, é isso, cara.
Eu gravei uma porra, gravei muitos curtinhas na época que eu tava ainda na faculdade com o pessoal de terror, que a gente tinha um canal chamado A Hora do Grito.
Pois é, mas e o teu filme de que filmou no hospital abandonado lá?
Isso, várias merdas.
Eu tô nesse filme, o Rex tá nesse filme.
Tu tá nesse filme? Nem lembrava.
Ele tá nesse filme, cara. Esse filme foi foda. A gente gravou no hospital abandonado, que era— hoje ele é o Gloriador, que é o antigo hospital.
Vocês vão ficar me contando fofoca pela metade, é isso? Eu quero ver.
Eu vou mostrar, vou mostrar. Tem uma parada que eu vou mostrar, e esse dá para ver na internet. Eu tava na casa de um amigo meu que é produtor musical, né? Eu tava lá na casa dele, a gente tava tipo uma festinha, tudo mais. Ele recebe uma ligação de uma amiga dele perguntando para ele, isso num sábado: cara, você conhece alguém que possa fazer um videoclipe para uma cantora? Ela tá aqui no Rio, ela é de Portugal, ela tá aqui no Rio, ela quer fazer um videoclipe.
Só que ela quer, vai embora na terça-feira.
Isso era sábado. Aí eu pensei, amigo meu virou para mim, cara, isso aqui, isso aqui, isso aqui, o que que tu acha, cara? Sei lá, me manda o contato dela. No dia seguinte conversei com ela, o nome dela era Jéssica Portugal, que era uma cantora de fado que virou a Melita de Portugal.
Meu Deus, cara, e o nome dela é Jéssica Portugal, Jéssica Portugal, para dizer que ela é de Portugal, né?
Não poderia ser mais óbvio.
Que também é uma cantora em Portugal que é mais famosa, que cantava em final de evento de Big Brother lá em Portugal. E aí tava as duas aqui, as duas já saíram na Playboy de Portugal, e no dia ela quis mostrar que tinham saído na Playboy de Portugal.
Olha o Carlos, cara, meu Deus, o jeito que o pessoal começava o diálogo nos anos 90 era muito estranho.
E aí, e aí ela simplesmente virou e falou, olha, eu vou embora na essa terça-feira, a gente teria que fazer o clipe na segunda. Você acha que consegue? Você acha que dá? Eu falei, eu olhei, conversei com uma amiga minha aqui para me ajudar. A gente pegou, dá para fazer, vamos fazer. Aí, claro, né, na segunda-feira de manhã começa a cair um temporal no Rio de Janeiro, cara. Isso foi 2012.
Nossa, eu tava pensando em outra época.
Então, não, isso é recente, isso é recente.
Então chegou em 2012, disse, oi, eu posei para Playboy.
Foi isso?
É, não, isso foi só quando a gente já se encontrou para gravar, que tava ela, a Irmã e a filha da irmã. Aí ela mostrou pra gente a Playboy.
Legal, ok.
Ela anda com o portfólio dela, né?
Tipo assim, é parte dela, é parte da história. E cara, a gente fez um videoclipe em 12 horas e é vida. E aí ela foi pra tudo.
Como é que é o nome dela?
É Jéssica Portugal. O clipe é Usa e Abusa de Mim.
Caraca, Carlos, tô procurando a Playboy dela. Nossa, olha, tem umas cenas quentes aqui, Carlos.
Porra, no ao vivo era pior.
Depende do que você considera quente, é tudo uma questão de ponto de vista.
Cara, deu merda porque Que ela não tinha acertado isso com o produtor dela. Quando chegou lá, eu descobri que beijo na boca é um tabu em Portugal.
O quê?
É, aparentemente beijo na boca.
Eles fazem o quê no lugar de beijo na boca?
Eu não sei. Beijo na boca é tabu. Tinha que cortar as cenas de beijo, diminuir a participação de beijo na boca. E aí, tipo, a gente teve que cortar coisa pra caramba. Ela errou a música várias vezes enquanto tava cantando.
Não parece não que teve que cortar beijo. Eu tô vendo um beijo bem grande.
Não, não, a gente deve estar vendo a edição do clipe aqui no No Brasil, para Portugal pode ter sido diferente.
Teve que cortar.
Enquanto ele tava falando, a gente teve que cortar a beijo das palavras. Nossa, a mulher pisando descalça aqui, cheio de coliformes fecais essa água, meu Deus, cara.
Mas você viu o biquíni que ela tava? Teve uma hora na cama, cara, a gente tava gravando, tinha duas câmeras que a gente tava usando. Tipo, eu tava na câmera que tava do alto e tinha uma outra câmera que tava embaixo pegando de lado. Teve uma hora que esse biquíni ele só salta, tipo, numa parte ali estratégica. Volta, ele vai para o lado assim.
Ah, tipo banheira do Gugu?
É tipo banheira do Gugu.
Não, mas pera aí, aí é isso? A história que você vê um peito, é isso?
Se cortar os beijos, se cortar os beijos desse clipe, a música vai ter que ser só o refrão, gente.
Exatamente.
Não foi um peito que pulou para fora.
Ah, foi a Xuxa que pulou para fora?
É, foi o outro beijo que pulou para fora.
A Xuxa cantando parabéns para você dela.
Teve também uma vez que eu e o Dave, a gente escreveu um roteiro de comédia meio Monty Python, que na verdade era uma sucessão de cenas nonsense, tá ligado?
Sim, um sketch.
Não era um sketch, era como se fosse uma história, mas ela não fazia muito sentido. E aí uma das cenas a gente queria que tivesse o ED-209 do Robocop aparecendo.
Essa história, o robozão.
É, a gente escreveu o roteiro pelo telefone, né? Aí escreveram lá caderninho, cada um na sua casa. E aí, porra, ia ser irado se nessa parte tava tocando a música do Em Algum Lugar do Passado do Christopher Reeve. E se nessa parte aparecesse o ED-209 aí, porra, mas não dá para fazer. Aí vamos tentar, vamos. Aí a gente foi para o play dele e aí fizeram uma estrutura de arame quadriculada assim, amarrando os arames e tal, não sei o quê.
E em cima, o ED209 é preto, né, como se fosse um vidro. Era caixa de papelão que a gente abriu e depois foi recortando e pintou com spray preto. E a parte de baixo era feita de papel alumínio forrando a estrutura de arame. E tinha um buraco para botar as pernas, porque as pernas eram de gente. Caraca, tinha um buraco também, tinha um buraco do lado para a gente botar, que era as metralhadoras, a gente fez a metralhadora para encaixar no braço, mas as pernas era para ser de gente mesmo.
Só que se vocês pegarem uma imagem do ED-209, as pernas deles são ao contrário, tipo a perna do Rex depois do leg press. E a gente teve a fenomenal ideia de falar assim, porra, é só a gente ficar ao contrário e a gente ir andando de costas. Aí, porra, perfeito! Então Então era a parte de cima era um robô, né, do AD209.
Embaixo era uma criança de bermuda, as pernas ao contrário, andando de costas, andando para trás, andando de costas, né.
Aí o problema é que a metralhadora a gente tinha que botar a mão para trás. Exato, já tava tudo programado para não ficar para frente e ficou para trás. Mas esse filme não foi para frente, a gente não conseguiu gravar.
É porque vocês estavam de costas, eu digo, e para frente.
Antes da gente conseguir fazer a gravação, não ficava no apartamento dele, né? Porque era gigante o negócio. E aí ficava no Play. E aí jogaram fora.
É, o cara jogou fora. Por que essa aqui? É porque era lixo, um monte de lixo do Play.
Ninguém sabia o que que era. É lixo, joga fora.
Brinquedo aqui das crianças, vamos jogar fora.
Aí perdemos, perdemos.
Cinema Nacional é difícil, compadre.
Não valorizam, cara.
Não valoriza, exatamente.
Mas nessa época a gente tinha muitas ideias criativas, cara.
A gente tá falando aqui de um monte de coisas cinematográficas e o Rex tá quietinho. Porque o Rex já participou de filme, pô. O Rex tá brilhantemente, interpretou o Velázquez, o capanga. Velasco, Velasco, Velasco, o capanga lá do primeiro Expendables, maravilhoso, quando eles filmaram no Brasil.
Meu primeiro filme foi internacional, olha aí.
Incrível, cara.
O cara nasceu para Hollywood mesmo.
O do Alexandre também, né?
O do Alexandre também.
Também.
É verdade, foi o Charquinado, cara.
Verdade.
Caraca, cara, muito bom.
Qual é o Charquinado? Charquinado qual é? O 4 ou 5?
O 6, o 6, o último, para enterrar a franquia. É o pior. É muito bom isso. Eu nunca vi esse filme, só vi a cena.
É o que tem viagem no tempo, não é?
É o que teve viagem no tempo, cara.
Como é que um filme com viagem no tempo e tubarão pode ser ruim, Alexandre?
Parece impossível.
Não tem como.
É tubarão só não, é um tubarão tornado.
Não, o que torna essa minha participação mais incrível é a minha dublagem em português, que é maravilhosa, cara. Eu não sei quem é o dublador, mas eu queria muito conhecer, dar um abraço nele, porque ele é incrível. É muito foda, cara.
A dublagem salvou o filme, Alexandre?
Não, nem nada salva esse filme.
Nem a presença do cara de Barras do Baile, né, do Steve.
Do Steve, exatamente. Verdade, cara. Os caras estavam fazendo um filme muito nas coxas, na hora, sabe? A cena que eu tô envolvida num barco, que eu sou um ajudante lá do capitão pescador e tal. E eu pesco a cabeça da robô Tara Reid. Que roteiro fascinante, não é maneiro? É porque ela era uma bomba nuclear também, claro. E aí eu pego a cabeça, e aí quando vocês verem essa cena, as mãos que estão segurando a cabeça da Tara Reid não são as minhas mãos, na mão de um outro cara, porque eu não fiquei segurando a cabeça da Tara Reid.
Modelo de mão, ela tava lá, mas ela nem olhou na minha cara. A parada mais bizarra que eu tenho uma foto que eu vou pedir para o Pedrinho botar aí no link do post, que era o meu figurino. Que eu tinha um trailer lá com meu personagem, a Zinara, então. E aí tinha uma roupa lá, ó, essa é tua figurino. Aí eu me vesti, aí me botaram numa van, me levaram até o set, que era tipo 5 minutos dali. E aí quando eu cheguei na frente do diretor, o diretor olhou para mim e falou assim, ué, mas o que que tá acontecendo?
Aí ele falou assim, ele é o pescador, né, cara? A roupa que eu tô é uma roupa de turista perdido em Vice City, Florida Man, maluco. E o cara tipo assim, isso na Marinha? O cara, gente, vocês viram essa foto? Uma ridícula. Tipo assim, eu falei, eu só trabalho aqui.
E mandaram vestido.
Aí ele falou assim, porra, gente, leva ele de volta. O diretor não foi escroto não, ele foi, ele foi assim, gente, leva ele de volta, pelo amor de Deus, bota um figurino de Marinha. O cara é pescador, cara, pelo amor de Deus. Aí eles voltaram, aí eles arranjaram, espera aqui. Aí eles arranjaram lá uma outra roupa, voltou vestido de Pasquim, tipo. E aí ele falou assim, tudo bem, por favor, só não tira as etiquetas que a gente vai devolver. Ou pegou indo para Ross, sei lá.
Podia ser um pescador excêntrico, cara, com senso de moda diferenciado.
Ai, cara, não, olha só, o filme era tosco, mas os caras exageraram na tosquera.
Gente, eu vou ser honesto, tá? Eu já fiz muita direção de arte que eu falei isso: galera, deixa a etiqueta, que a gente pegava muita coisa emprestada, que é isso.
Mas aí o que eu quero saber é o seguinte, tô falando dessa minha pequena passagem aqui pelo cinema mundial, mas o Rex, que também é um cara de cinema e produções, que já participou aí de novela também, né? Tu pode falar, tu tem uma parada aí maneira para vir, tu já pode falar?
Pode, não, posso falar, posso falar.
Olha só, eu quero todo mundo, olha, eu não acredito que eu vou falar isso, mas assim, mas é por um bom motivo, gente, é por uma boa causa, todo mundo ligado na Recó, todo mundo, porque vai estrear Ben-Hur e Rex é o gladiador número 1.
Eu sou o gladiador número 1, eu me dei o nome de Unus.
Olha só, o Rex tem falas. Você é o capanga do vilão, não é?
Sou capanga do vilão, tenho cena.
Chega até a bater no Ben-Hur, pô.
Chego, bato no Ben-Hur.
Você bate no Ben-Hur? Você pode dar spoiler já?
Legal.
Posso?
Você já morreu? Você vai morrer?
Não, não morri ainda, cara.
Não morreu ainda?
Provavelmente eu vou ter um final horroroso, porque tipo assim, quando eles me selecionaram para ser o vilão, era eu mais um outro ator, né? E aí eu tava concorrendo com ele para fazer o Gladiador 1 ou 2. O 1 tem fala, o 2 só bate, só obedece. E aí eu consegui pegar um, então foi legal.
Então você tem fala? Você tem fala?
Tenho, tenho.
Porra, tu sabe uma? Você pode falar uma fala, cara?
As falas são bobas, é tipo assim, é tudo bem curtinho assim. Tem uma cena que o cara vai passar por mim assim, eu falo Vai lá, se diverte com ela, umas coisas assim, velho.
Não interessa, cara, isso é sucesso, puta merda.
Tipo assim, quando eu pego o Ben-Hur na crocodilagem, assim, bem coisa carioca, né, crocodilagem. Que o diretor queria fazer uma cena que era tipo assim, o cara vai passar por mim pra chegar no vilão, né, e eu não deixo. Só que, cara, é o Ben-Hur, o cara é um lutador foda. Tipo assim, ele falou, pô, até ele fala assim, cara, se ele tiver na minha frente, eu vou saber derrotar ele. Aí eu dei uma ideia pro diretor, mas olha, tem uma cortina aqui, eu posso ficar aqui atrás quando ele passar.
Aí eu falei, eu entro no batalhão, Soco aqui o in dele e dou um chute na canela pra ele cair de joelho. E aí dá pra encaixar o enforcamento certinho. Aí o diretor de dublê que tava lá, que é um amigão meu também, o Valtinho, que já trabalhou comigo inclusive no filme que eu participei agora, que foi o Corrida dos Bichos, eu também tô. Aí o diretor viu e falou, cara, vamos fazer o que ele falou, gostei dessa ideia, funciona. E aí eu faço essa cena de pegar o Ben-Hur pelas costas. Então eu dou porrada no Ben-Hur.
Você coreografou a parada?
Eu dou uma facada no Ben-Hur, tipo Gladiador.
Porra, cara! Cara, isso aí, puta, Rex!
E no episódio do começo eu sou o gladiador que não morre, eu mato inclusive um gladiador bonitão, que foi assim quando eles escolheram o elenco.
Aí, Rex, por favor, a primeira senhorinha que te bater no supermercado você conta pra gente, por favor.
Eu tô torcendo pra apanhar de uma velhinha, cara.
As pessoas vão ficar com raiva de você, do seu personagem?
Vão, vão, com certeza.
Ai, legal, legal, legal.
Caraca, cara, eu não posso perder isso, cara. Puta, cara, estreia que dia?
E vamos fazer o Watch Party, é sério. Não, outubro que dia?
Porque provavelmente eu tô no Primeiro episódio, porque os primeiros episódios, porque é aquela cena da arena, né, que tem a corrida de biga, que não sei o quê, e tem a luta dos gladiadores. Aí são 4 gladiadores. Aí estavam pedindo assim: queríamos um gladiador para fazer o Núbio, queríamos um grande gordo, precisa de um gladiador bonito e um gladiador forte. Eu falei: bom, pessoal, já tem o Rex, vamos escolher o Rex para ser o fortão, né?
Gladiador 1, vai lá. E aí eu mato o bonitão. Aí ficou uma mulher na plateia lá, o cara falou assim: nossa, eu quero conhecer aquele bonitão depois, que não sei o quê. Aí eu mato o cara, a mulher chora lá no palco e tal.
Olha que coisa incrível! Você tá dando muito spoiler. Tu pode dar spoiler aí, compadre?
Até sair pode, pode.
Até sair essa sexta que vai sair nas caixas.
Ah, limpa tudo, segredo, gente. Querem assistir mais Ben-Hur na Record?
Esse é o primeiro episódio, seu primeiro episódio.
Mas eu sou aquele vilão meio que assim mauzão assim, sabe? Que o cara manda fazer as coisas e eu faço assim: pega ela, leva para o quarto lá do cara, tira as roupas dela, que não sei o quê, umas coisas assim.
Ah, cara, nossa, tomara que o Ben-Hur te bate bem sangrentamente.
Puta merda, desgraçado!
Puta, cara, que maneiro!
Ou eu me converto, né? Eu posso ser o cara que acha a iluminação depois.
E é a Record.
Mas é uma novela ou é a minissérie, cara?
Eu acho que vai ser novela. Novela, novela, porque eles estão gravando há um bom tempo para ser só considerado série, entendeu?
Sério? Porra, é que você então— a galera, galera, todo mundo escrevendo para Record: pô, o Gladiador número 1 é o melhor personagem, tem que ficar até o final da novela, por favor.
Tem que ter um spin-off.
Espin-off do Gladiador número 1, ia ser o Rex.
Gladiador número 1, puta que pariu. Aí, Record, porra.
Eu vou ser honesto com vocês, né? O pessoal tava gravando uma cena ali, aí botaram uma armadura em mim, que não sei o quê. E eu conheço o diretor de arte lá, que é o Tom, que é um cara muito gente boa. Eu sempre falo assim, pô, Tom, eu sei que aqui o pessoal pede pra gente tá mais bem vestido, pô, mas me deixa mais, né, seminu, né? Olha aí, filho, eu não posso, eu não posso.
O pessoal olha depois.
Calma, Rex.
Aí tem uma cena que eu gravei, que de repente eu fui ver depois assim na câmera, na camerazinha, né? O frame deu parado com a capa assim, com a faca na mão esperando para dar apunhalada no Hélio. E aí eu tô parado ali, cara, quando eu olhei no frame eu falei, gente, eu tô grandinho!
Fiquei orgulhoso de mim. Tá bom, que bom, que bom, cara.
Esse foi o meu orgulho número 1. O segundo orgulho foi que um cara passou para mim e falou assim, vem cá, cara, você tá usando uma armadura por cima da armadura? Eu falei assim, não, caralho, é teu peitoral, irmão!
Falei, é, eu nunca vi isso na vida.
Ai, rapaz, é a experiência realmente de gladiadores, né?
Tipo, o cara tá organizando assim, pô, tá com peitoral massa, pô, achou? Pega aqui.
Eu sou o Unus Pectus, né? Peitoral aí, ó.
Que bonito, cara.
Ó, pensa que você podia ter feito Jesus em Ben-Hur.
Será que ele poderia mesmo? Vamos pensar se ele poderia.
Eu poderia ser o Jesus das Filipinas. Já viu como é que é o crucifixo do Jesus das Filipinas? Coloca Procura no Google aí Jesus das Filipinas.
Cara, por que que tudo nas Filipinas é tão legal?
Que que é o Jesus da Filipina?
Algoritmo foi para as picas hoje, né?
Puta que pariu, cara! Mas tá em outubro, em algum dia de outubro, é isso?
É em outubro. Se você entrar no site da Repórter, lá já os anúncios e tudo mais.
Ah, para ter você? Já tem você acaso? Você não aparece ainda? Não, ainda não, ainda não.
Eu sou gladiador 1, gente, eu sou gladiador 1. Eu fico muito chateado com essa vida de ser forte, sabia?
Não, voltamos para terapia aí, Tucano. Voltamos para terapia.
Vamos explicar por quê, por favor. Vocês vão me entender. Eu queria entender porque toda imagem que as pessoas têm de pessoas fortes, elas são vilãs. Eu só sou chamado para fazer capanga, segurança mau, policial mau. Parece que não existe um cara grande bonzinho, cara.
Mas tem doendo, tu tem que começar a bater o pé, compadre.
Ele quer começar por tiro no jardim de infância, não é assim?
É, não. Não, tu tem que começar fazendo os estereótipos mesmo, aí depois tu vai ganhando um outro shape.
Olha aí, primeiro tu tem que ter um filme que tu é uma babá, e aí depois tu faz os outros personagens com mais nuance.
Ó, vai ter uma produção de Ben-Hur, Império Romano, essa porra toda, Jesus, o cacete, corrida de biga. Aí tu vai ser o senador, brother? Tu não tem como encaixar no senador romano, brother. Tu tem que ser o capanga, pô.
Descendo o Deitor, entendeu?
Mas calma, tem papéis bons para gigante gentis como você. A gente vai chegar lá.
Não existe, não existe. O mundo só vê pessoas musculosas como pessoas vilãs e más, cara.
Eu já aceitei.
Eu falei isso para minha mãe. Eu falei, mãe, vou abraçar isso, entendeu? Já que é para ser mal.
É que assim, eu desejo forças nesse momento. Deve ser muito difícil ser muito forte e ter a coluna super estável assim.
Ah, vai chorar no chuveiro com Fiuque, vai! Puta que pariu, vai chorar! Você ouviu?
Se juntar eu e o Fiuk, a gente tem Velozes e Furiosos brasileiros. Ele drifta.
Caraca, meu Deus do céu!
Caraca, brother!
Não, não dá ideia.
Este Nerdcast foi editado por Radiofobia Podcast.
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