NerdCast 1040 - A Odisseia: Do Jeito Que Nolan Pretendia
Lambda lambda lambda, nerds! Hoje é dia de DESAFIAR OS DEUSES e falar de mais uma obra-prima do senhor Christopher Nolan, A ODISSEIA!
Neste NerdCast, Alottoni, Max Valarezo, Katiucha Barcelos, JP e Azaghal viajam à Grécia Antiga para ajudar Matt Damon, sempre ele, a voltar para casa. Vamos embarcar neste enorme Cavalo de Troia filmado em glorioso IMAX 70 milímetros, no que já é, facilmente, um dos grandes filmes do ano!
NerdCon
- Estão abertas as vendas da PRIMEIRA NERDCON! O evento acontece em 20 de setembro de 2026, no Memorial da América Latina, em São Paulo. Confira todas as informações e compre seus ingressos (com direito a meia-entrada para TODO MUNDO!), no site: https://nerdcon.com.br/
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NFL no Brasil com JP e Tour 10 Jardas
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- Odisseia (Filme de Christopher Nolan)Adaptação cinematográfica · Christopher Nolan · Homero · Tradição oral · Tradução de Emily Wilson
- Circe· CulturaTransformação em porcos · Efeitos animatrônicos · Personagens femininas no cinema de Nolan · Circe
- Culpa e vitimizaçãoPecado original do Cavalo de Troia · Arrogância e impulsividade · Consequências das ações · Melancolia do fim de era
- Chegada à terra dos CiclopesTerror e tensão · Efeitos práticos e sonoros · A escolha de não usar o nome 'Ninguém' · Odisseu e a sagacidade
- Jantar de posse de Nunes MarquesTerror Lovecraftiano · Uso da trilha sonora e som abafado · Odisseu se amarrando ao mastro
- Filme em IMAXExperiência cinematográfica imersiva · Tecnologia de filmagem e exibição · Acessibilidade e exclusão · Christopher Nolan
- A presença de DeusAtena como conflito de consciência · Ausência dos deuses do Olimpo · Mitologia grega e fenômenos naturais
- A trilha sonora de Ludwig GöranssonInstrumentos históricos e recriação · Minimalismo e textura sonora · Restrições impostas por Nolan · Ludwig Göransson
- A obra de Álvaro Labrinho LúcioInteligência e astúcia · Navegação social e política · A prova do arco · RPG de Várzea
- Odisseia e IlíadaFigura mitológica e simbólica · Design da armadura e figurino · Benny Goodman
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Landa, landa, landa, nerd! Isaque Alexandre Tondo, Jovem Nerd, ainda perdido.
Como assim?
Não voltou para casa?
A montagem do filme te deixou confuso, é isso?
Não, não, na vida.
Na grande odisseia da vida, entendi.
Na grande odisseia, exatamente. Aqui é o Max Valarezo e a partir de agora eu vou usar a Lei de Zeus para justificar tudo que eu quiser fazer em casa. Tem convidado folgado que não sabe a hora de ir embora, vou chutar para fora dizendo, pô, foi mal, só comendo a Lei de Zeus e tal.
Aqui é Caticho Barcelos e como é bom ir no cinema assistir o que é literalmente um filme épico, né, cara?
Fala, galera, aqui é o JP e já vou falar logo, texugo de Troia é maior que cavalo de Troia.
Aqui é a Zagal e o John John Burton é o novo Matt Damon e o Matt Damon continua sendo Matt Damon.
O John Burton, novo Matt Damon, porque ele é sempre o mesmo personagem.
Caralho, tava lá, não, não, não, não, não, não.
O cara chega perto do cavalo, ele transforma. Escuta lá dentro: muito bem, nerds, vamos viajar por 20 anos de Nerdcast. Olha aí, verdade, para falar. Não, não tem nada a ver, né?
Mas não tem muita ligação com jornada.
Tem, tem sim, tem sim. Foi uma longa jornada, né?
Foi uma longa jornada. A minha voz já tá querendo comer flor de lótus, maluco.
Mas a Gal não tá querendo contar daquele sacrifício que ele fez para coisa nascer.
É odisseia, emails!
Canelada!
Muito bem, daqui a pouco vamos para mais uma semana de memes e caneladas no Nerdcast. Vamos, galera! Não se esquece, dia 20 de setembro em São Paulo, no Memorial da América Latina, tem a Nerdcon, a primeira Nerdcon histórica, porque estão acabando os ingressos. Exato, exato, gente! É um evento espetacular para a gente comemorar os 20 anos de Nerdcast com a comunidade do Jovem Nerd. A gente já comemorou o Nerdcast 1000 ano fechado.
E agora o evento vai tomar uma nova dimensão no Memorial da América Latina em São Paulo. Gente, presta atenção, vá lá no site nerdcom.com.br que você pode comprar o seu ingresso, pode comprar meia entrada social, que é fácil.
A dica mais importante: todo mundo pode escolher a opção meia, caso você não seja estudante ou outras opções que dariam direito a meia. Você pode optar também pela meia, porque ela também entra como meia social. E aí você leva lá no dia um livro seu que você tem aí, um livro usado que você não lê mais, que você já leu. A gente vai doar esse livro, e ele, esse livro te deu direito a essa meia social. Então todo mundo pode pegar a opção meia, seja meia por lei, seja meia social.
Exato. Mas se quiser pegar inteira, você pode pegar inteira também.
Não vamos reclamar, na verdade.
Vou reclamar.
Agora corre, porque o almoço e o jantar já Eram.
Ah, é porque vai rolar no dia anterior, né? Lá na Rua Ancaloto, Azaghal.
Vai ser irado.
Mas já lotou isso.
Mas o evento ainda tem alguns ingressos. Então garanta o seu, porque além da apresentação de 2 horas que a gente vai fazer no teatro, né, ao vivo, com 9 Nerdcasters, vai ser incrível, fantástico. Além disso, teremos ativações do lado de fora, temos vários parceiros, a gente tá combinando coisas muito legais que vão acontecer. Em breve estaremos revelando elas. Quem já garantiu foi na confiança Confia que vem.
Exatamente. Ó, Catuxa Barcelos, Carlos Votor, Rexi Orca, Tucano Marcelo Bassoli e Didi Braguinha. Todo mundo, eu e a Zagal também, né? Aí sim, só faltava essa. A gente não tá lá. Estaremos lá na primeira edição da Nerd com a Zagal. E ó, a gente tá falando das histórias clássicas que é de Nerdcast, 20 anos de Nerdcast. A inesquecível história do tucano querendo pagar de motoqueiro, porra. Quer dizer, motoqueiro selvagem. Não só rendeu um dos maiores memes do Nerdcast, mas também uma estampa sensacional na Nerdstore, desenhada pelo Alex Almeida.
Um clássico está aqui em nerdstore.com.br. Você que tem espírito livre, que usa jaqueta de couro no calor de 40 graus, não tem medo de boi nem de lobo-guará, você quer motoqueiro, porra? Tá lá, nerdstore.com.br. Adquira a sua mais rápido possível. Tucano desceu na ladeira, tem link na descrição. Muito bom, muito bom. E olha só, Zagal, além da NerdCon, que é 20 de setembro, uma semana depois vai ter o primeiro jogo da NFL no Rio de Janeiro.
E se tem NFL, tem Tour da Jada.
JP tá aqui. JP, tu vai estar no Rio esse ano?
Não é nos Estados Unidos não, esse ano é no Rio, é o Tour da Jada, é Maracanã.
Caraca, vai ser no Maracanã o jogo, né?
É no Maracanã, cara.
E aí, como é que vai ser esse tour aí? Com certeza diferente de quando você faz nos Estados Unidos, que já que a pessoa vai para os Estados Unidos vai ficar um período maior. No Brasil é mais simples, voo local. Como é que você planejou aí?
Eu na verdade lancei um pacote que ele é mais uma sugestão de pacote, né, de 3 noites. Eu já fiz um bloqueio no hotel para ficar todo mundo junto e tal, né? Mas é uma sugestão, cada um pode chegar e sair quando quiser, né?
Porque assim, você vai estar no Rio e você tá falando de pessoas que moram fora do Rio que viajar para o Rio, etc. Exatamente.
Na ideia completa, se a pessoa quiser, porque a pessoa pode estar no Rio, não precisa ficar no hotel necessariamente, mas pode participar de tudo. A ideia completa é qual?
Bom, a ideia completa é a hospedagem toda, né? Esse é o pacote que eu sugiro: 3 noites, chegar na sexta-feira. Aí no sábado a gente vai ter uma confraternização, um jantar, um almoço, enfim, na Majorca, né?
Por favor, fica a dica, fica a dica, vai ver com a galera.
Mas tendo aí, né, ainda não anunciou oficialmente, Mas tendo um Fan Fest, alguma coisa assim, no sábado mesmo a gente vai junto para lá. E no domingo eu tenho um transporte para sair lá do hotel para o jogo e trazer de volta, entendeu? E aí na segunda-feira vai embora.
Então na sexta-feira é a chegada, né?
Chegada. O sábado é confraternização e o Fan Fest. Domingo é o jogo. E aí é isso, né? É mais simples do que um pacote na Kia.
E aí todo mundo assiste o jogo junto e tal, e aí depois cada um vida que segue.
Mas no teu pacote obviamente inclui os ingressos do jogo?
Não, aí que tá. Não, não inclui ingresso jogo, porque o esquema de ingresso, de venda de ingresso no Brasil é muito diferente do daqui. Então as pessoas estão comprando seus ingressos, né? Eu digo mais ou menos onde é que eu tô. A pessoa escolhe se quer ficar ali ou se quer ficar num outro setor com preço diferente, enfim. E a gente vai e volta junto enquanto tiver lá, enquanto no halftime, faz a festa toda, né?
Entendi. Então beleza, o ingresso é por conta da pessoa, mas de qualquer forma tem a confraternização, etc. e tal. A galera pode ir aí. Onde que a pessoa vê? Como é que ela entra em contato? O que que faz para começar agendar isso?
Vamos lá, o pacote tá lá no 10 Jardas, 10jardas.com, tá fácil de ver lá. E me manda mensagem onde tu quiser, cara, pode ser pelo email, pelo jp@10jardas.com, pode ser no Twitter, onde me encontrar pode mandar mensagem aí para a gente fazer acontecer isso da melhor forma possível.
Qual é o jogo que vai rolar no Rio?
Dallas Cowboys contra Baltimore Ravens, dois times de peso.
E não é amistoso não, é jogo do campeonato mesmo, valendo já.
Não, não, é semana 4 do campeonato. A NFL tem marcado, né, deixado claro que para ela o Brasil é— o Goodell, o comissário, ele até falou que na cabeça dele o Brasil é o segundo mercado da NFL.
Caraca!
Então eles estão botando jogos de ponta no Brasil. Se for comparar com outros que acontece, vai ter na França, o da Alemanha, os da Inglaterra, esse jogo Dallas contra Baltimore é o jogo de maior peso, né, de dois times muito rica torcida, dois times com expectativa de chegar a brigar pelo Super Bowl.
Você tá falando maior peso entre jogos que vão acontecer internacionalmente, é isso?
Internacionais, internacionais, isso aí.
Maneiríssimo, é isso. Rio de Janeiro, Maraca.
A NFL tá muito entusiasmada com o mercado brasileiro.
Porra, excelente! É isso então, gente, tudo é jada. Entra aí, 10jadas.com, 10 escrito em numerais, 10jadas.com, e você vai ver. O JP mandou, tem aí informações aí no post também, tem o email dele, o link para você já se combinar, a galera, todo mundo se encontrar. Vamos embora, deixaram isso. Se quiser ouvir os recados e e-mails do último Nerdcast, pode pular diretamente para 20 minutos e 2 retornos para casa. Eduardo Gomes, 27 anos, designer e escritor, Paraíba.
Adoro os Nerdcast científicos e esses psiloucos. Ouvi o Alexandre Azaghal junto com um papo da Ana, do André e do Altair, me deixou bastante abismado e animado a arriscar me adicionar ao assunto. Ah, eu pensei que tu ia lá no— ficou animado para ir lá no— como é que era o nome do outro?
Dallas e Caribe.
Não, tudo bem, você quiser ficar animado para ir lá, vale.
Exato.
Primeiramente, queria começar sobre A Odisseia e a tradução da Emily Wilson, que aproximou o texto para o inglês contemporâneo, argumentando que o grego homérico era, afinal, linguagem popular e oral. Isso traz uma interessante reflexão sobre como a linguagem não é complexa apenas no que se configura seus elementos, mas também na mídia em que se propaga, seja oralmente, escrita, poema, romance, prosa, cinema, etc. Além que podemos observar o processo sinuoso de adaptação entre os meios de linguagem até no que se configura o tempo.
Mas como nós, sendo escravos da nossa era, definimos como imaginamos os antigos e os seus modos, apesar de nunca termos tido contato direto? A conversa também me fez reler um dos meus contos favoritos, incitado pela feliz provocação da Ana sobre linguística e tempo. História de Sua Vida, de Ted Chiang, que foi genialmente adaptado ao filme A Chegada. No livro existe uma brincadeira com a linguagem que flutua entre tempos no fluxo da consciência da Dra.
Louise Banks. Frases como: lembro-me como será ver você quando estiver um dia de vida, mostra através dos tempos verbais como ela passa a ver a vida de uma maneira diferente, além de mostrar como a linguagem chega no seu limite de expressão ao tentar se emancipar ao fluxo do tempo. Tempo. No filme isso é adaptado de maneira diferente. Para pôr um fim nesse meio gigantesco, peço licença para entrar em um dos 3 temas que nunca se discute: a linguagem está diretamente ligada às nossas definições de sentidos para a vida, e as religiões se sustentam nisso mais diretamente do que parece.
A Bíblia cristã utiliza elementos linguísticos como arquétipos espirituais e divinos, tendo, entre aspas, a palavra como uma verdade concreta do mundo que se faz carne, o verbo, entre aspas, como a atitude divina, e a criação perpétua sendo o próprio Deus e o alfabeto Alfa e Ômega, que representa a Doutora Louise, que teve o privilégio de experimentar a abolição dos limites do tempo. No hinduísmo temos o Om e os mantras.
Não só no hinduísmo como também na eubiose.
A galera fazia isso na eubiose, salvação. Claro que eles faziam. E no Islã temos o comando Kum e o Alcorão como manifestações de Kalam Allah. E na cabala temos o Othiot, que é como um alfabeto, mas que são blocos que constroem a realidade. Para os germânicos, as runas, etc. Vivemos uma verdadeira Biblioteca de Babel. Olha aí, tá vendo como são instigantes esses Nerdcast? Vida longa aos nerds! Aí, muito obrigado, cara, muito bom.
Ingrid Ferreira, 23 anos, estudante de matemática e pedagogia bilíngue, Santo André, São Paulo. Sou estudante de Libras, a língua brasileira de sinais. Dizer linguagem é errado, pois Libras tem regras, estruturas específicas que constituem uma língua. Para começar, uma curiosidade sobre origem das Libras? Sim, ela tem origem francesa. A história é que Dom Pedro II tinha um sobrinho-neto surdo e gostaria que esse parente tivesse alguma formação de educação.
Foi aí que ele chamou o professor francês Ernest Rouet para educar seu sobrinho e criar o atual INES, o Instituto Nacional de Educação de Surdos, no Rio de Janeiro. Por isso alguns sinais são parecidos com a língua de sinais francesa. Sobre as Libras em si, nós temos 5 parâmetros: configuração de mão, como a mão ficará, localização, movimento, direção e expressão facial e/ou corporal. Tudo isso, né, não é só o movimento da mão, né?
Todos esses elementos compõem a língua. Como mencionado no programa, nas Libras não falamos soletrando, datilologia, e sim com a construção de sinais. O que foi dito sobre português sinalizado não é apenas a soletração, e sim usar a estrutura gramatical do português nas Libras. Um exemplo que eu gosto de usar é a frase tem um copo em cima da mesa, o que em Libras não faz sentido, pois por ser uma língua visoespacial precisamos primeiro sinalizar a mesa e Depois o copo sendo colocado, o que seria algo como mesa, copo em cima tem.
Cara, isso é muito maneiro, cara. Você vê, é o mesmo sentido, a mesma compreensão, mas a construção é completamente diferente. Seria muito pra falar em um email só, pois são muitos aspectos de uma língua viva e tão representativa pro povo surdo. Que aliás, né, ela muda com o tempo também. Tem gíria, maneirismos, coisas que saem de moda, que entram.
Eu acredito que sim, sou ignorante nesse sentido, mas com certeza.
É muito maneiro, porque a língua é viva, afinal.
Pouco tempo atrás não existia farmaral.
É, como será agora? Puta, como é que é farmáutico em Libras, cara? Caraca, muito bom!
No próximo Oscar de Pijama a gente vai descobrir.
É verdade! Caso tenha interesse em aprender Libras ou conhecer mais sobre, podem acessar o Instagram do grupo de pesquisa da qual faço parte, que é o @gruposueli, Grupo Surdos e Libras. Lá vocês encontram diversos materiais adaptados em Libras e um e-book gratuito de Libras para iniciantes. Pô, animal, cara, muito bom. Mas demais é isso, amo o trabalho de vocês. Se estou na universidade pública é por causa de vocês que me ajudaram a estudar de forma leve.
Ô, obrigado, minha, muito bom, Igrid, tamo junto demais. Agora um email dos nossos 20 anos de Nerdcast comemorando as histórias dos nossos queridos fãs. Jéssica Dalsim, 45 anos, doutora em educação, Santa Maria, Rio Grande do Sul. Olá, nerds desse Brasil, Varonil, e todos os outros cantos do mundo. Tudo bem, Jéssica? No ano da graça de 2004, eu estava recém-casada E da graça de quem? Da graça do Senhor. Essa é a parada. Tu não sabe isso?
O nome?
Ah, tá.
A frase é: no ano da graça do Senhor. Sim, mas às vezes foi um ano engraçado só.
2004 foi engraçado. Bom, eu tava sem casar e meu marido quis me mostrar umas histórias em quadrinhos engraçadas que simulavam reality shows com heróis, mais especificamente uma paródia de The Osbournes com a família Skywalker. Ah, eu estava lá agando. Nossa, isso é muito antigo. Caraca, Jéssica, tamo junto demais! Chorávamos de rir. A gente tinha a Casa dos Heróis e os Skywalker, que era o Big Brother Star Wars. Essa época, o início do Jovem Nerd mesmo.
Chorávamos de rir com as referências de quem criava e sabia bem o que estava fazendo e para quem. E a conexão foi imediata. Que legal, cara! Lembro da ocasião em que o Alexandre Otoni criou a primeira vaquinha virtual conhecida na internet brasileira, muito antes de qualquer plataforma. Muito tristemente comentou sobre o estado mental que estava em decorrência da piora de saúde de sua mãe. Era vaquinha porque a que a gente tinha explodido toda a parte elétrica da casa, lembra?
Que a casa de vocês tava em obras, e aí nessas obras deu uma merda na elétrica.
Exato. E a gente tava passando uns perrengues, minha mãe tava penhorando um monte de coisa, perdeu dinheiro, penhorou lá, tinha uns brincos da minha avó, penhorou por R$700, que a gente tava precisando pagar conta daquela época, e perdeu os R$700 na rua indo para casa. E aí, cara, foi sinistro. E aí era época desse perrengue, e aí, pô, teve uma que ajudou a gente, foi muito legal, obrigado. Pô, consertou a parada. Obrigado, obrigado, gente.
Caraca, eu não acredito que você lembrou disso, cara. É bom, enfim, ainda por cima tá com problema em casa, é essa parada, era elétrica. E com isso pensava em deixar tudo e parar de produzir o material para o Jovem Nerd, pois era realmente desanimador. E paramos em 2004 por uns 7 meses assim, 10 meses, sei lá. O Jovem Nerd chegou a acabar em 2004, depois voltou, não aguentamos. Eu e meu esposo colaboramos com R$10. Ah, meu Deus, não acredito, Jéssica, vocês são demais, obrigado!
Engraçado, gente. Que incrível, cara. Pô, a gente tem que se ver. O que foi possível na época. Penso que valeria hoje uns R$50. Éramos recém... Meu Deus, que amor vocês, gente. Recém-casados. E o Alexandre respondia sempre todos os nossos emails. Conversávamos com ele como se fosse um primo que mora longe. Caraca, gente, que foda esse email. Tive até um email lido na primeira ou segunda leitura de emails do Nerd Connection.
Olha aí.
Na mensagem, eu contava que achava engraçado que a minha filha, na época tinha 2 anos, veio me dizer que, abre aspas: parte do que ela mais gostava do Superman, Superman era quando, ah, Superman era quando o planeta Krypton se explode. Que coisa fofa! E o Alexandre comentou: 2 aninhos, essa sim é uma jovem nerd! Ó, caraca, muito bom! Me lembro do quanto comemoramos o prêmio IBEST e o orgulho alheio desses primos, entre aspas, que ela colocou.
E tem tanta coisa mais que foi se criando um nó entre nós e vocês, mesmo à distância. Escrevi a minha monografia especialização sobre o case Jovem Nerd de sucesso e mandei para vocês uma cópia, que o Alexandre respondeu agradecendo ao receber. Meu esposo, o Evandro Bertol, fez parte da arte final do Independência ou Mortos. Salvou, inclusive, né, Azaghal? Porque tava super difícil da gente terminar. Nosso padrinho de casamento, Vilmar Rossi Júnior.
Nossa, o mundo dá muita volta, maluco.
Caraca, brother! Seguidamente ilustre para o Jovem Nerd. Vilmar é demais, cara. Aí tá todo mundo junto, de pequeno, cara, né? Tudo se conhece essa comunidade, Azaghal. Todo mundo se conhece. O padrinho da nossa filha, Fred Rubim!
Nossa, caraca, maluco!
Ilustrando também. Caraca! E se eu hoje estou na Radiofobia desde 2018 junto ao nosso querido Léo Lopes, é porque conheci via Jovem Nerd.
Que loucura!
Caraca, que coisa incrível! Muito obrigada, meus queridos. Parabéns! Se todo mundo vive a vida pensando em deixar um legado, acho que posso dizer com Algum nível de certeza que vocês conseguiram. Não tem como zerar a vida mais do que isso. Ô meu amor, saúde com carinho, Jéssica Dalsin, Evandro Bertol e minha filha Helena. Olha aí, caraca, maluco! Helena agora super nerd, era uma jovem nerd, agora tá com certeza. Ô caraca, Helena, já foi ver?
Já tá morando sozinha nessa brincadeira, Helena.
Eu acho que já tem idade para morar sozinha, né?
Ou tá sustentando os pais.
Um beijo para vocês, meus amores!
Vocês se ligaram que tem um estúdio de cinema que a logo é Qual o seu?
Ah, aquele TSG, TGR, sei lá o que que é.
É TSG, se eu não me engano. E para mim é muito, eu juro que não é para parecer, olha para mim, eu conheço a Odisseia, mas tipo toda vez que eu olhava assim, ó, que legal, é o final da Odisseia.
Caraca, você sabia? Nunca, nunca. Eu sempre ficava, quem é esse arqueiro? What the fuck, que coisa horrorosa aqui.
Eu vou explicar porque que eu sabia, eu vou explicar porque eu sabia. Quando eu era criança tinha um programa de TV que eu adorava que se chamava Wishbone. Não sei se vocês conhecem esse programa.
Não.
Que ele era um programa educativo que passava na TV Cultura, mas que lá dos Estados Unidos era do PBS, então era educativo. Max, é muito diferenciado. A Cátia conhece também, era um cachorro que ele ficava sozinho em casa e era um cachorro que sabia ler. Então, para ficar passando tempo enquanto os donos não voltavam para casa, ele derrubava um livro da biblioteca da família e era sempre um clássico da literatura. E aí cada episódio era reencenando um clássico da literatura, só que com o doguinho vestindo as roupas do protagonista.
Então era tudo live action, então era um cachorrinho de verdade usando roupa do Robin Hood, usando roupa do Sherlock Holmes.
E aí tinha ideias, né, sério, top ideias, top ideias.
E aí tinha um episódio da Odisseia.
E aí tem a cena do cachorrinho puxando o arco e a flecha, e a flecha voando entre os machadinhos e tal. E aí eu conheci essa imagem por causa do cachorro que lia livros.
Então tu começou em uma adaptação, maravilha!
Exatamente.
Então, mas aí a Odisseia escrita pelo Homero, que, né, sabemos que é só uma figura, né, incógnita, né, não é uma pessoa, não é um autor que nem Tolkien era o autor de Senhor dos Anéis.
Ele provavelmente é um grupo de pessoas, né?
Vou até usar Senhor dos Anéis como assim um comparativo. Seus Anéis é o original. Você pega o livro original escrito pelo Tolkien, esse é o original. A Odisseia que a gente tem em texto não é o original, porque aquilo vem de tradição oral, né? Então, em algum momento, essa tradição oral, esse contar de histórias mitológico da época de 3.000 anos atrás, foi consolidado em forma de poema e etc. E esses textos foram sobrevivendo.
Existia até outros. Quando você fala de Guerra de Troia, existia até outros textos e poemas sobre essa época da Era de Bronze, etc., mas muito se perdeu no incêndio da Biblioteca de Alexandria, mas a Odisseia atravessou, né, milhares de anos até hoje nós estamos aqui falando. Mas então o texto que a gente tem, tem toda essa confusão de, ah, mas isso aqui é historicamente acurado, é fiel ao texto, é, não é, a linguagem da gente não tem original.
É, mas uma coisa que também é importante comparar, que você trouxe aí o negócio do Senhor dos Anéis, é que dado, né, resguardando o bom senso, a Odisseia ela é baseada na vida real, né, no sentido de que não é uma ficção, eram contos, né, as histórias do dia a dia, né, e das lendas e tudo mais. Mas não era ficção, uma história que alguém escreveu com arcos de início, meio e fim, né, assim.
Mas é tão baseado em elementos reais misturado com elementos mitológicos quanto histórias bíblicas, entendeu? Não, com certeza. Êxodo ou de Sansão, sabe, toda essa de Davi contra Golias. Isso são histórias que são formas de você encaixar na moralidade da época, etc.
Mas é que não foi uma pessoa que escreveu, sentou escreveu, tentou escrever. Não é O Senhor dos Anéis, que é uma hora totalmente o mundo ficcional. Não, é baseado no mundo real, só que claro, com a visão daquela época da galera.
E é da compilada da versão de várias pessoas, ela é uma junção de várias versões para chegar assim ao longo do tempo.
E isso a gente tá falando que ainda tem assim sei lá quantas traduções até chegar até a gente. Então é tudo muito misturado aí, até chegar na versão do Nolan, até chegar na versão do Nolan. Então umas 84 mil traduções aí.
Quantas versões o Nolan deve ter feito da versão dele, inclusive? Inclusive, né?
Sim, acho que pouco, acho que pouco. É caro o filme, não é possível.
Ô Max, você sabe mais ou menos quantos filmes? Porque de 30 em 30 anos tem um filme da Odisseia.
Então, cara, é uma coisa curiosa, na verdade. O próprio Nolan fala isso sobre a criação do filme dele. Primeiro que é interessante a gente lembrar que o Nolan quase teve oportunidade de fazer um filme adaptando o poema do Homero mais de 20 anos atrás. Porque eu não sei se vocês sabem, mas quando a Warner tava querendo fazer aquele filme de Troia com Brad Pitt, um dos diretores cotados foi o Nolan. Só que aí depois eles deixaram ele de lado e foram para o E ele ficou com isso na cabeça ao longo desses anos de, tipo, fazer uma adaptação de Homero e tal.
E aí, depois de 20 anos e com muita experiência já fazendo blockbuster gigante em Hollywood, e também agora sendo o cara que venceu Oscar por causa de Oppenheimer, ele sabia que ele podia fazer basicamente o que ele quisesse nessa indústria. Então ele lembrou dessa história e, pô, vou fazer aqui A Odisseia. E uma das coisas que ele comenta é que ele falou assim: curiosamente, Hollywood nunca fez uma adaptação de A Odisseia em grande escala, de enorme blockbuster.
Você tem vários filmes que foram feitos ao longo dos anos, mas os mais famosos, sei lá, tem um do Kirk Douglas. Só que apesar de ser o Kirk Douglas, é um filme feito na Itália, por exemplo. Você teve outros filmes que tiveram uma escala menor de orçamento. Então você nunca teve épico hollywoodiano de enorme orçamento do estilo, sei lá, Os Dez Mandamentos do Cecil B. DeMille, ou então um Lawrence da Arábia do David Lean, sabe?
Sim, sim, Cleópatra, né?
Isso. Então o Nolan descreveu isso como uma, abre aspas, uma estranha lacuna na história do cinema, de não ter uma grande adaptação hollywoodiana de Odisseia. E ele pensou, ah, Se pá, eu posso ser o cara que vai corrigir essa lacuna aí. E aí, ele pensou nisso.
Isso é bem a cara dele, isso é um filme de Nolan mesmo, cara. Eu vou te dizer, quando eu vi esse filme pela primeira vez, eu acho que ele veio, ele se implantou na minha mente como uma semente germinada. E cada dia, cada discussão que eu via sobre o filme, essa semente ia crescendo e formando galhos. E agora tá dando frutos, cara. Então eu acho que eu tô cada vez mais gostando desse filme. E eu quero debater com vocês aqui pra ver se eu gosto mais ou se eu tô nolanizado só e essas paradas.
Eu tenho visto valores nas discussões que eu não tinha visto na primeira vez que eu vi, sabe? E tô cada vez mais empolgado com o filme.
Cara, eu tô completamente odisseizado, sendo que eu nunca fui o maior fã do Nolan. Então isso diz muito sobre o filme, na minha opinião, sabe?
Inclusive tentamos trazer o Leonel, que é um hater de Nolan, mas não conseguimos. É tão hater que não foi ver o filme.
Eu falo isso por ser um hater, né?
Mas o hater normalmente vai.
Melhor hater de Nolan do que hater de Homero, né? Com certeza.
Pelo menos.
Nossa, é muito específico a pessoa ser hater de Homero, né?
Sabe que tem uma parada que a galera que curte muito mitologia grega, essas paradas todas, eles dizem que a Odisseia não é dos melhores poemas, tipo assim, de 5º a 10º, entendeu? Não é top 5 da parada. Sim, sim, talvez explique até porque eles filmaram pouco.
Mas é também isso aqui, que é, você tá falando de uma história de 2.700 anos. Para você adaptar qualquer história, você tem que sempre transmitir para uma linguagem que possa ser entendida, né? E esse filme tem um pouco de cada coisa. Tem coisas que você vê assim, não, quem sabe, sabe. E o Nolan não fez questão de explicar, de dar na colherzinha para todo mundo.
Isso para mim foi um ponto negativo do filme.
Mas tem outras partes que ele explica até demais, né? Negócio da Lei de Zeus, ele fica batendo na tecla.
Mas é porque assim, eu sempre parto do princípio que uma obra artística, né, assim um filme, um livro que seja nesse sentido narrativo, né, ele não pode considerar que o espectador tenha conhecimento prévio, né? Diferente de um quadro, uma coisa assim, né? Uma escultura. Mas quando vai contar uma história, você não pode esperar que eu tenha um conhecimento prévio dessa história, que eu só tô vendo ela se mover, sabe como é? E aí eu tenho, eu sei algumas coisas dessa história, algumas coisas que a gente já conversou no passado, algumas coisas a gente falou recentemente no trailer office.
É isso que eu sei. Eu não sei a fundo, nunca li, nunca me interessei, nunca pedi para o ChatGPT resumir para mim, nada assim.
Amém! Principalmente quem são essas pessoas, sabe?
Ah, ponto de fato ficou perdido assim. Então eu não li, eu não li dessa vez. Eu tô aqui como não leitora, que é inclusive uma posição maravilhosa, deveria fazer isso mais vezes. Tô muito feliz. Mas eu acho que apesar de você ficar meio perdido com alguns dos nomes, não precisa tanto você saber exatamente o que é aquela pessoa, porque as coisas que a gente precisa entender, eu senti que elas foram explicadas. Mas talvez eu tivesse mais, mais noção assim de alguns.
Ah, mas por exemplo, Batman, Batman da Odisseia, eu fico, mas o quê?
O Agamenon? Quem é o Batman?
É o Agamenon? Tá falando do antigo?
Não, É isso, o cara da super armadura, né?
É porque fica confuso com o Robert Pattinson no filme, né?
Eu fico, eu, Aquiles? Não, não é o Aquiles, que o Aquiles já foi, já assisti história.
Mas você sabe que isso é seu lado nerd querendo saber mais, não? Tipo assim, ah, ele não tá me falando quem é esse cara.
Já me incomodou muito. Eu achava assim, esse filme me pegou, eu não odiei o filme, né? Isso que eu tô falando, mas ele me incomodou, eu desgostei de muitas coisas. Então essa de não saber quem era quem, ficar, sabe? Ah, pera aí, ela é a Lupita? Eu sei que é Helena de Troia porque eu já vi e tal, mas sabe qual é?
Eu ficava muito perdido.
Não, mas eu concordo com a Cate, cara.
O Agamenon, por exemplo, você não precisa saber a história do Agamenon, você bate o olho e sabe o importante, que ele é o chefe da porra toda.
É tipo isso, ele é o chefão da porra toda. E a mesma coisa com a Zendaya, que eu tava tentando avaliar isso. Ele realmente, ah, ele não fala que a Zendaya é Atena, fica meio que clichê.
Mas a gente sabia. Então, mas eu sabia que ele ficava biroleibe de Atena no olho dele.
Mas assim, se você parar pra pensar, se você vai desinformado, ela funciona também como não sei quem é, é uma visão, porque que no final ele vai, conecta com a imagem da moça que foi executada na frente dele, que ele carregou a culpa. E aí você, ah, tá projetando essa imagem e tal. Então meio que não interessa. Que nem o Dustin Hoffman quando conversa com a Joana d'Arc, o filme do Luc Besson, na prisão, quando ela vai ser executada, né?
E ela faz aquela autoanálise, tipo assim, será que eu ouvi a voz de Deus? Será que eu tô numa missão de Deus? Será que eu sou só maluca? E você não precisa explicar quem é o Dustin Hoffman. Ela é uma conversa com a própria consciência. E a mesma coisa que acontece ali esses seres mitológicos que vêm participar da história. Porque na verdade o que importa é que tem tantos contextos de época, né? Ele tenta explicar algumas coisas, né?
A parada da Lei de Zeus, a hospitalidade, etc. E o mundo mudou tanto de lá pra cá que o mais importante acho que é o Cerny dar a volta pra casa, dar a viagem pra cá. E acho que é isso que fez essa história ficar viva por tantos anos, por tantos milênios, né?
Ele lidou muito bem com a questão dos deuses. Pra mim é um dos pontos altos da parada. Ele lidou muito bem. Porque a própria Atena, que é a única que aparece de verdade, né?
É, porque o resto é a Calipso, é a ninfa, etc. Não é a deusa, deusa do Olimpo, né?
Exato.
É, dos deuses que apareceu foi a Atena. E ela pode ser entendida, para mim ficou melhor entendê-la como um conflito de consciência dele. Isso você tá falando, que ela não era ela ali, era um conflito de consciência dele. Como ele é devoto dela, ele de alguma forma veio. E aí que o Gil, que ele lidou muito bem com o negócio dos deuses, os deuses realmente não precisavam aparecer. Eles estavam ali só como aquela parada da falta de explicação sobre pros fenômenos, que é o negócio da mitologia grega.
Que são as vozes de... Porque quando ele fala com a Atena: Por que os deuses não falam em formas que os mortais entendam? E ela fala: Quem não entende trovão, fogo, sorriso de uma criança, uma boa colheita?
Os deuses eram a forma de explicar esses fenômenos. E é assim que eles aparecem no filme. Porque não faria o menor sentido fazer uma montagem aí, uma adaptação com uma guerra entre os deuses, pô.
Não, peraí. Faria sentido. Mas pra essa versão do Nolan Eu concordo totalmente contigo, funciona perfeitamente.
Eu acho que não tá, eu acho que não tá, não pense, Jackson.
Meu argumento na verdade nem é esse, sabe?
Eu acho que a gente hoje tá muito mais ansiando por uma história de conflito de pessoas do que essa parada sobrenatural, entendeu?
Então a gente tá, a gente tá de fato ansiando muito mais por isso, mas eu acho que é muito mais porque a gente vive em uma sociedade em que o normal é o cristianismo, e o cristianismo ele é muito ligado a essa parada da fé, mas da não presença dos deuses no dia a dia, né? Então a mitologia é completamente diferente. Diferente do que era a mitologia grega. Então a cultura muda completamente. Eu acho que o Nolan queria fazer funciona perfeitamente.
É exatamente esse é meu ponto. Eu não digo que um é necessariamente melhor do que o outro.
Então deixa eu te dar um ponto. No filme ele escapa lá da Charlize Theron porque ele recobra a consciência de toda merda que ele fez. E aí ele recobra e vai. Na mitologia foi Atena que pediu para Zeus intervir e ele mandou Hermes lá para negociar com a mulher. Era isso que eu queria ver.
É, pois é, exatamente. Eu acho que seria um filme completamente diferente.
Eu gostei demais do filme como ele ficou, mas ele é uma adaptação, não é adaptação, a versão diferente disso, né? Como se ele pegasse essas coisas que pra gente não é muito natural pra gente olhar essa cultura grega de presença dos deuses no dia a dia, que a galera tava o tempo inteiro: ah, é porque Zeus tá puto aqui comigo pessoalmente, ah, é porque Zeus ficou com a minha mulher, e aí aconteceu não sei o quê, né?
Exato, Zeus tava descendo ali pra, né, pra zoar a vida da galera. A lei de Zeus é porque Zeus usava muito essa lei, usava, cara, todo dia ele tava chegando lá.
Exato, porque o putanheiro, a galera conhece o putanheiro, Moca.
Essa questão da ausência dos deuses do Olimpo e tudo mais é uma coisa que o Nola, ele fala que ele debateu internamente. Ele conta que ele, quando tava escrevendo o roteiro, ele considerou fortemente colocar de fato os deuses do Olimpo, mostrar tipo Poseidon saindo do mar, o Zeus tacando raio e tal. Só que depois ele ficou pensando, cara, eu não quero fazer isso, eu quero mostrar como se fosse a perspectiva de um grego que tá ali no chão mesmo assim, sabe?
Porque vira farofa. Como é que é aquele filme que o cara grita release the Kraken?
Foi a refilmagem do Furia de Titãs.
Aí vira Furia de Titãs, cara, que é uma farofada.
E se você lembrar, o Jasão e Argonautas também, clássico de 63, era assim: você tá com o Jasão navegando, vê lá todas as medusas, esqueletos gigantes e tal, mas aí volta e meia vai pro Olimpo e os deuses estão lá debruçados em cima de um tabuleiro discutindo e mexendo peça, sabe? E aí fica esquisito, entendeu? É outra parada, né?
Eu acho que tem jeitos de fazer uma coisa que funciona, mas assim, independente de ter ou não esse jeito de fazer uma coisa que funciona, que não fica uma farofada, não é essa versão. E eu acho que essa versão, para o que ela se propõe, ela entregou um negócio que funciona bem demais. Até isso realmente, de assim, ah, ele tá constantemente assombrado pela Atena, mas ele tá assombrado pela Atena ou ele tá assombrado pelas memórias de Troia, do que ele fez em Troia?
Aquela imagem tão forte da sacerdotisa sendo assassinada na frente dele, né, que perdeu a cabeça, como a estátua da Atena também perdeu a cabeça. Então funciona perfeitamente. Fica essa coisa que se encaixa muito bem nessa sociedade que é tão adaptada ao cristianismo e a esse novo tipo de fé e cultura, né, em relação aos gregos. Funciona perfeitamente, a gente consegue se imaginar naquela situação. Mas ao mesmo tempo ele não foge da esquisitice, porque, cara, não sei como é que vocês se sentiram, mas quando apareceu o Cíclope, o Polífemo, caraca, eu tremi na cadeira.
Eu fiquei, cara, o filme é tenso, o filme te deixa tenso o tempo inteiro, né?
Mas ele não foge da esquisitice, ela tá lá.
Eu não tava nessa conexão, infelizmente. Eu fiquei maluco.
Nessa cena, cara.
Inclusive achei os efeitos de Jason nos Argonautas melhores do que—
você tá maluco?
Aí eu não gostei do Ciclope, cara, lá do—
isso achei um dos monstros mais fodas que eu já vi.
Não, não, visual dele, mas todo rolê lá não me pegou.
Meu Deus, é porque ele faz queijo, tu não gosta?
Que isso?
Eu até achei admirável o negócio do queijo lá.
Ele era pacífico, ele fazia queijo, ele nem matava as cabras.
Meu problema não era o Ciclope, o visual dele e tal, achei maneiro e tal, mas como eu conhecia essa parte da história, eu fiquei, né, sabe?
Porra, cara, mas aí eu mostrei o aplicativo aí, só mostra o quê? O negócio do ninguém, cara. Aí que ia ser farofa para a galera. Tem essa cena, tem uma, se você não viu a gente fazendo trailer office, né, no texto tem uma brincadeira de, parece uma piada, mas hoje em dia ressoa muito como piada para gente, porque ele fala, primeiro ele negocia, tenta negociar, né, eles até mencionam isso no filme, né, vamos conversar com ele, ó, já passamos porque ele já explodiu o olho dele.
Isso me incomodou um pouco no momento que ele virou só um monstro para eles, entendeu? Que não, porque não era só um monstro na história, né?
Então é, mas aí tudo vai depender de como que ele quer, o que que ele quer passar para gente a respeito daquela ameaça no tempo em que nós estamos absorvendo informação como nós estamos. Se de repente ele começa a conversar com ele lá, ele não sei o quê, porque eles embebedam ele, eles ficam bebendo, eles davam vinho lá e antes de ferir eles, eles embebedam ele, ele fica bêbado, aí dorme, aí eles vão e espetam o dele. Mas assim, ele mesmo falou, eu pensei em fazer o negócio do nobody, né, que eu não sou ninguém, né, que ele pergunta qual é o seu nome.
Aí o Odisseu Ulisses fala, eu sou ninguém. E aí tem outros ciclopes, tem outros gigantes na ilha, e quando ele tá, né, sendo ferido, etc., ele fica gritando, ah, estão me matando! E aí os outros gigantes perguntam, quem está te matando? Ninguém, ninguém está me ferindo, ninguém está me matando. Aí ele dá, então tá. Aí o próprio Nolan falou assim, cara, não dava, ia quebrar a cena, ia quebrar a tensão da cena, ia todo mundo ia rir.
E tipo assim, eu não quero dirigir as pessoas para isso. Então seja o que for que aconteceu com a linguagem e a cultura nos últimos 2000 anos, ele achou que isso seria algo que distrairia o público da emoção que ele quer passar para gente, que é de terror total, cara. O grito desse ciclope, caraca, eu arrepiei! A galera tá filmando no cinema e postando para galera, que nem rolou com aquele, com o Batmóvel lá do The Batman lá. A galera tá, você, gente, se você perdeu, se você não lembra Tá aqui, ó, tá aqui o grito, que nem a galera, tá aqui o ronco do Batmóvel. Porque foi uma experiência aterrorizante.
Nossa, cara, eu arrepiei até o último fio de cabelo da cabeça. Foi inacreditável o trabalho de desenho, edição, de mixagem de som nessa cena. Muito impressionante, cara.
Não é, cara? Até alguns momentos altos demais, até fazer, calma, cara, baixa um pouquinho aí também.
Sabe o que me pegou? É que a ideia dessa cena é que o Ulisses lá, o Odisseu, ele vai ganhar na malandragem, na inteligência, na sagacidade. E aí a sagacidade dele é representada por botar palha nas costas. Puta, cara, isso me matou, tá vendo? O cara cria ovelha, quero proteger todas as ovelhas do Ciclope, faz lei de ovelha, e o cara toca numa palha e fala: ah, isso aqui é lã de ovelha, com certeza.
Porra, cara, isso eu não entendi o que que era palha nas costas.
Ele tá fingindo que era uma ovelha saindo, que era ovelha, porque eles andavam agachados, o dedo do Ciclope roçava ali, por ele não sentir que era uma ovelha.
Da visão, né? O olho dele tinha sido furado.
Isso, ele já tava cego ali.
Ué, então agora é ver se ele vai parecer uma ovelha ou não.
Não, porque ele tá sentindo o que que tá saindo, porque ele tinha que deixar as ovelhas saírem e tá filtrando a saída tocando. Só que aí, ah, essa palha aqui é ovelha, deve ser ovelha, não tá hidratada.
Porra, cara, não tá hidratada!
E ele não sabe contar também, né? De repente as ovelhas se multiplicaram.
Não, mas ainda saber contar, coitado, né, cara? Uma ovelha passando do lado da outra, ele, calma, será que foi 3?
Será que foi 2?
Mas eu entendo isso aí que o Azaghal falou, porque realmente Realmente é uma hora que demonstra a sagacidade do Odisseu. Ele, ah, eu tô, vou inventar aqui uma historinha, vou fazer tal coisa. Inclusive depois, quando ele sai e fala, não, meu nome é Odisseu, e lembra, seu desgraçado, tá? E dá uma flechada lá no olho dele. É legal porque você pensar, ele é esperto, ele já tava salvo, não precisava passar por nada disso, mas ele é tão orgulhoso, ele vai colocar o próprio nome, ele vai fazer a coisa errada.
Então tem uma palavra para o que ele é, é merdeiro.
Ele é um cara insuportável, ele é tipo argentino, cara. Ele é jogador da Argentina, esse cara, meu irmão. Então assim, eu saí do cinema odiando o Odisseu, odiando assim.
O caralho, que cara sofreu pouco, não tinha que ter voltado não.
Porque na história real ainda, né, na história real que eu digo, no conto, ele ainda esnoba o cachorro. Ele é pior do que no filme.
Ele não olha para o cachorro porque ele não queria ser reconhecido.
E aí o caralho, o cara, porque assim, algumas qualidades que a gente poderia observar nele é inteligência e tal, né. Ele teve a ideia do Cavalo de Troia, beleza. Mas nessa hora ainda tiraram isso dele. Ele é só esse cara impulsivo no final das contas, né?
Aí também depende da versão, porque o Cavalo de Troia em algumas versões é uma inspiração da Atena para ele.
Ele é só o Ghost Rider, né?
O filho, um babaca! Nossa, cara, olha, a galera se fodeu ali em Ítaca quando o garoto herdou.
Olha aquela auréolazinha de coroa, né? Por que que ela é babaca?
Nossa, cara, o cara veio do pai tomar facada lá e o pai fala: espera aí, que isso, Super-Homem 2.0? Não, não vem não, eu aguento. Ah não, cara, porra, não é possível.
É, tem uma explicação para isso, porque o Robert Pattinson ia ser um cara muito mais legal.
Olha, eu vou falar, o cara treina. Aí ele é o meu professor, eu vou pegar o barco, eu vou fazer acontecer uma lutinha de nada ali no depósito de arma.
Ele ficou, ah não, cara, ali era para valer, ele é herdeiro, rapaz, cresceu no mel, tava treinando.
Tem um monte de herdeiro que é jogador de tênis, você ganhando troféu para o Brasil.
No jogador de tênis, que é.
Mas a explicação para isso é que ele não poderia matar os caras, porque aí ele tá descumprindo a tal da lei de Zeus. Então ele não pode matar os hóspedes. Então o Odisseu matou a galera porque, né, ele nessa versão ele ia embora de qualquer jeito. Ele sabia que não ia ficar ali, porque se o filho dele mata algum, ele não ia poder ficar também, entendeu? Essa foi a ideia da parada.
Então é legal, é sobre essa parada do exílio dele, etc. Tal, que é uma versão do Nolan, que para mim foi o arco que quando eu saquei eu falei assim, nossa, isso é legal para caramba! E eu não tinha percebido isso a primeira vez que eu vi o filme. E por isso que ele bate tanto na tecla da parada da hospitalidade, né, que é uma moralidade, é uma moralidade frágil também, porque, né, você tem que tratar os hóspedes porque você tá com medo dele ser poderoso, né, o deus disfarçado, né, e não por ser bom, né.
Então, mas pera aí, também tu tá querendo a nobreza da galera que é de lascar, né?
Não, não, eu sei, mas eu tô falando que isso a gente tá falando de moralidade que é algo que é móvel, que é fluido na humanidade, né? Mas a razão dessa moralidade é a mesma da galera que vai na igreja e teme a Deus, que tem medo, não faz merda porque tem medo que Deus condene, etc.
e tal.
Mas é, as religiões, elas são muito isso, né?
Um guia de moralidade para as pessoas, que é baseado em fantasia, mitologia, esse tipo de coisa, né? Baseado nas emoções das pessoas, na verdade, para justificar as emoções das pessoas e como elas reagem à sociedade. Mas enfim, mas o fato é que ele bateu muito nessa tecla e fala para caramba da lei de Zeus, a lei de Zeus e tal, que era essa hospitalidade que você deve, né? Primeiro que é um plot device importante, porque, né, o cara chega, o viajante disfarçado de mendigo tá lá, entra no salão dos reis e tal.
Se você não estabelecesse esses bicultura, a gente não ia conseguir entender como é que deixaram o cara entrar ali no meio de um monte de nobres e etc. e tal, né? Na cultura medieval europeia que a gente tem, o mundo é dividido em castas e a pessoa nunca teria acesso àquilo. Então beleza, ele não só estabelece essa paradoxalidade para você entender como que a história vai terminar, né, do jeito que ela termina, mas Eu achei muito foda de que a ideia é que o primeiro, tipo assim, o pecado original, entre aspas, ali dessa história está na própria ideia do cavalo de Troia, do Odisseu, que rompe pela primeira vez a lei de, tipo assim, rompe claramente a lei da hospitalidade, a lei de Zeus, que é: ele entregou um presente que falaram mentira dizendo que era um presente de Atena, né?
Tipo assim, em homenagem à Atena, ganhar na guerra. E ele trai essa confiança da hospitalidade, porque eles levam isso pra, né, o cavalo pra dentro da cidade e erguem o cavalo em frente ao Templo de Atena. E eles traem a lei base de convívio. Então, quando ele quebra aquilo, o mundo, a civilização inteira quebra. E se repete em Ítaca, com todos os caras lá cortejando a mulher dele e tal, não sei o quê. É o pecado original. Acabou a hospitalidade.
Agora os seres humanos se enganam, se matam, se traem. Ele carrega essa culpa desse fabricador original dele ter quebrado as regras primeiro.
O exílio dele é todo o sentimento de culpa por todas as merda que ele fez, de não ter dado os funerais para todo mundo ao longo do caminho, né? Isso fica também martelando na cabeça dele, é toda culpa que ele carrega.
E uma coisa que eu gostei na história foi eles serem o povo do mar. Exato, isso é realmente bom.
A gente que traiu isso, a gente que se destruiu, sabe, por dentro. Troia provou que vocês não conseguem ganhar da gente, vocês estão 10 anos aqui nessa praia, seus merdas. E ele vai que um jogador argentino e engana e trapaceia e se joga no chão, chama o juiz e não sei o quê. Por favor, é exatamente, o Zagor não tá errado, ele foi o Messi da vida, cara, entendeu?
Nessa parada, se a gente tivesse gravando isso aqui antes da final da Copa, impressionante, né? A gente ia estar secando muito, a galera ia ouvir, falou, ó, perdeu por causa do Nerdcast.
É porque ganhamos um novo comparativo do pecado original dos transgressores da hospitalidade dos deuses.
A próxima versão vai ser o Maradona de Troia.
O pecado original é a mão de Deus do Maradona, né?
Porra, brother, exato! Aí a civilização acabou, cara, acabou o esporte.
Mas isso que você tá falando também é muito legal, porque tipo o filme também tem essa ideia da melancolia do fim de uma era, porque a Guerra de Troia é meio que tido como um dos momentos finais para simbolizar a Era de Bronze, né? Então você tem a melancolia de um cara que trouxe o fim de uma era mesmo e que ele tá tentando entender qual é o legado que ele vai deixar para a próxima era e não sabe a resposta. Ele não vai viver para ver isso, então ele só pode— tanto que o filme termina com aquele discurso dele falando tipo, ó, os nossos erros vão ser esquecidos.
Então ele só pode projetar o que que vai acontecer com a história dele, né? Então tem essa melancolia de fato do tipo, ó, é o fim de uma era mesmo, e agora só me resta eu lidar com os meus próprios demônios e tentar criar minha própria redenção e tal.
Então você pode até extrapolar dizendo que esses 10 anos que ele levou para voltar para casa é porque ele não queria voltar para casa com tudo isso nas costas. E é por isso que a galera num determinado momento se rebelou, porque entenderam que, pô, eles não iam É coisa dele.
Ele fala, ele fala que eu não sei se eu quero voltar para casa, né? Como se ele não quisesse se encarar entendendo tudo que mudou com esses anos que ele tava fora.
Achar lá, você não fala isso para ele. Você não voltou porque você não quis.
Aliás, no texto ele não tá louco de flor de lótus com o Apocalipse, né? Porque ele meio que juntou duas ilhas numa só, e né, os comedores de lótus era outra parada.
Tiraram todas as coisas do Odisseu ser um transão que tá o tempo inteiro transando com ela.
Exatamente.
Aí coloca, ai, porque a Penélope tá lá em casa tecendo o negócio. Aí toda noite ela desfaz, ela está esperando Odisseu. Aí você pensa, ai, mas tudo bem, porque o homem é tão bom, né, que ele tá transguardando por ela.
Não, putanheiro!
Caraca, ele deve ser convencido de sair dos cantos, porque tipo, ele passa um tempão lá transando com a Cersei, um tempão transando com a Calypso. A pessoa, ei, na boa, Odisseu, já deu aqui, vamos para casa dele. Ah, é verdade, esqueci lá minha esposa.
Porra, o cara foi comprar cigarro para caralho, demais, demais!
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Eu gostei muito de ver o interior do cavalo de Troia.
Ah, maneiro, né?
Eu achei muito maneiro essa perspectiva, né? De primeiro eu achei uma sacanagem, eu achei que o Elote Page ia aparecer realmente 5 segundos no filme. Eu falei, caralho, que sacanagem, maluco! Aí depois ele volta no final, maneirão.
É maneiríssimo, é muito bom.
Mais 7 segundos depois, mas foi maneiro.
Essa cena, cara, eu gosto dessa cena por alguns motivos. Eu gosto, eu gosto muito da abordagem do Nolan em relação ao Cavalo de Troia. Durante muito tempo, quando eu tava vendo o filme pela primeira vez, eu tava estranhando assim, por que que tem esse ar de melancolia e tudo meio para baixo e tal?
Caraca, olha a frase do Max: durante muito tempo, quando eu estava vendo o filme pela primeira vez. Que realmente o filme é longo para caralho, a ponto dessa frase ser possível.
Durante muito tempo, enquanto eu estava assistindo o filme pela primeira vez, eu entrei no cinema, tava sol, eu saí, já tinha chovido e voltado a ficar sol.
O Max defendendo o personagem inteiro dele mesmo lá dentro.
Exatamente, cara. No final do filme eu já tava influenciado pelo Max do começo do filme, assim, sabe? Mas o que eu tava pensando era tipo, ok, essa melancolia toda. E aí quando tem no final, a gente vê esse negócio da culpa do Odisseu e tal, eu acho muito legal porque aí você revê o filme com outros olhos, tudo que veio antes, né? E aí eu fico pensando, pô, o Cavalo de Troia. O Cavalo de Troia, ele não é apresentado no primeiro momento como aquele artefato glorioso e tal.
Ele aparece pra gente como uma ruína torta afundando na areia. Então é a decadência mesmo que é trata a visão que o Odisseu teve da invenção dele. Tipo, aquilo não é uma grande arte manual, aquilo é um negócio desonroso mesmo. Então o jeito que o Nolan enquadra e coloca isso na cenografia, eu já acho massa. E tem essa cena aí deles dentro do Cavalo de Troia, é massa porque é claustrofóbico, é escuro, não é nada muito também assim glorioso, né?
E aí cria uma tensão que inclusive me remete muito a uma cena de Dunkirk, aquela cena que estão todos eles se escondendo dentro do barco também.
É verdade, é basicamente um eco dessa cena que não fez antes, né?
E é mais de estresse pós-traumático, né? Mais um flashback para ele ter nas próximas temporadas.
É verdade.
Agora, essa cena nos leva a uma irrealidade do filme, né? Porque quando abre a parada lá e desce a pessoa, não era para ter sido assim. Primeiro, era para ter descido uma quantidade de excremento alucinante, né?
Tava tudo no rabo.
Não, não, ficaram 3 dias lá dentro, sei lá, porra.
Tem que fazer uns cortes mortos assim.
Não, os Sentinelas e um Alguma coisa errada pelo cheiro, mano. Que porra é essa?
Mas é por isso que eles colocaram o cavalo meio em pé, cara, porque do umbigo para baixo do cavalo tava segurando xixi e merda ali no rabo.
O rabo tava lotado, que eles fizeram um rabão para apoiar o cavalo.
Achei legal isso deles falarem do cheiro que tava lá dentro. E gostei também porque todas as outras ideias que a gente teve do Cavalo de Troia, pelo menos muitas, né, das que a gente assistiu, é irado lá dentro, pô. O momento de você se conectar ali com seus amigos, é a broderagem, é o esquenta, né, jogando Achei massa também aquela hora que o cara dá uma espadada para testar se tem gente dentro e eles têm a preocupação de limpar o sangue para sair limpo. É muito legal aquilo.
Caraca, isso eu não peguei, eu vi só tapando a boca do cara.
Ele tapa a boca do cara, vem com pano assim e dá uma limpada. Alguém limpa porque se saísse com sangue, né, acabou.
Claro, faz demais.
Eu vi também uma pessoa apontando que na hora que eles saem de dentro do cavalo, eles saem com as pernas meio bambas porque eles estavam há tanto tempo naquela posição que tava tipo dormente.
Sim, isso eu percebi, achei bem maneiro, principalmente o Matt Damon, o que já é de se esperar. Essa cena tem uma curiosidade do John Burton, né? Porque o Matt Damon sai com as pernas bambas e o John Burton não sai perna bamba, ele sai pânico já, né?
Ele ficou na água gelada e ele ficou tremendo, que ele não conseguia mais segurar, que ele ficava—
e o Nolan falou, vamos sair um pouco, vamos, né? Ele falou, você não vai me quebrar, Nolan. Ele falou em entrevista, eu vou ficar aqui, você nunca vai poder me quebrar. Ele tava, esse cara virou o Punisher, é isso, esse cara não consegue voltar do Punisher.
É impressionante.
Na sequência dessa cena, quando abre os portões e você vê o Agamenon lá em pé, é muito teatral, né? E eu confesso que no trailer Eu achei bizarro, pô, o cara parece que tava vestido a roupa do Batman e aí não sei o quê, mas com o tempo eu comecei, eu lembrei de uma das histórias que mais me marcou de quadrinhos do Batman, era uma história que contava a visão dos moradores de Gotham, dos bandidos, do policial, da senhorinha, sempre era um conto de uma pessoa e em algum momento ela teve um encontro com o Batman.
E cada vez que o Batman aparece em cada conto desses, as pessoas veem ele de uma forma. Então o cara que é bandido vê ele como um monstro, sabe, uma parada assustadora, monstruosa, sombria, demoníaca, etc. A velhinha vê o E como a gente tá falando de uma história que é uma lenda, né, que é um mito da antiguidade, etc., e ela começa a ser contada por um bardo, né, tipo assim, a história de bardos, é a história das lendas dos grandes heróis e deuses, etc., os seres humanos que fazem parte dessa história também estão sob o efeito da narrativa, da canção, do bardo, etc.
Então a gente não tá enxergando com as câmeras da realidade de dentro daquelas contos, que é um pouco o caso do filme Troia, né? Eles não têm menção de Deus, não tem. Até quando Aquiles morre, não morre bem por causa da flecha no calcanhar, entendeu? Eles meio que tentam fazer uma parada mais realista, que é uma coisa que o Nolan trouxe para o Batman, né, de pé no chão, realidade. Mas eu acho que ele se libertou um pouco disso trazendo essas figuras não só na presença dos deuses e dos monstros, etc., mas dos seres humanos importantes.
Então, como o JP falou, você nem precisa saber que esse é o Agamenon, que esse é o cara que Era o irmão do John Bertle, né, no filme do Menelau, porque foge, que era o casado com— obrigado, 15ª série tá aqui ainda. Eu sabia que o JP não ia decepcionar. Mas tipo assim, que a história é essa, né? A Helena era casada com John Bertle, né, que é o irmão do Agamenon, que é o puta filha da puta do rei dos reis. E ele vai para guerra não para, né, tipo recuperar, né, a esposa do irmão dele, etc.
Ele já até mencionou no filme, é uma desculpa porque ele quer controlar as rotas comerciais. Então qualquer Qualquer desculpa serve, etc. e tal. Então a gente não precisa saber disso, mas como o JP falou, você olha pra esse cara e você sabe: esse é o chefe da porra toda. É assim que os soldados, é assim que o Odisseu Ulisses enxerga ele. O cara chega e ele é uma presença inquestionável, cara. O cara parece que tá ajoelhado na frente dele, e aí depois ele se ajoelha.
Ele fala isso pra mulher dele, pra Penélope, né? Não é possível negar o que ele me pede.
Isso, porque todo mundo foi pra guerra se foder lá em Troia né, por 10 anos por medo dele mais do que qualquer outra coisa, entendeu? Ele falou, então vamos, a gente obedece.
Eu entendo, mas eu, para mim, aquela roupa tem umas paradas, aquela armadurona ali, eu entendo todas essas paradas, mas me tirou demais, demais da parada, sabe? Porque era realmente, pensei que era um Batman, cara, assim, um Batman, sabe, desses variantes.
É, não, eu entendo, é surreal.
Sei lá, nem é Menelau o nome dele, qual o nome dele? Agamenon Absolute. Eles precisaram colocar essa diferença, né?
Colocar a diferença muito grande entre ele e o resto da galera, que de fato é um gap de aura gigantesco entre ele e qualquer outro soldado ali. É até assustador. Mas realmente é um figurino que é muito desencaixado da ideia que a gente tem ali. E também porque é desencaixado dos outros figurinos que eles colocaram bem simples, fica uma vibe meio Batman mesmo, né, cara?
Quer ver outro que me tirou demais também? Os gigantes lá de armadura. Nossa, cara, aquilo me ejetou do filme. É como se eu tivesse, sei lá, vendo uma esquete do Porta dos Fundos.
Eu achei a criança, a armadura lá da criança, eu achei isso.
Cara, primeiro achei ela... Agora, eu sei que eu tenho uns problemas, porque eu fiquei, caralho, eles estão de armadura jogando buraco e conversando, esperando acontecer alguma coisa de armadura. Isso já me deixou meio incomodado. Tá todo mundo de armadura, mas beleza, finge que essa é a guarda. Mas primeiro, a armadura, ela era estranhona, ela parecia de borracha, sabe qual é? Era esquisito. A cena toda deles sendo perseguidos e batendo, eu achei, caralho, eu fiquei com muita saudade dos Cavaleiros que Dizem Ni, de verdade.
Caraca, eu tava pensando neles aqui agora, cara. Muito bom.
Eu só ficava imaginando, nossa, se fosse os Cavaleiros que Desenvolvem o Terror, ia ser outro aqui nessa ilha, malandro.
Porra, seria muito bom ter uma Odisseia do Monty Python, nunca aconteceu isso.
Porra, isso seria fantástico!
Eu entendi por que esses gigantes depois de um tempo, porque realmente causa um estranhamento, mas eu acho que é pra ser desencaixado mesmo. É pra você olhar aquele desencaixe e ficar, que porra é essa? E aí tem toda aquela coisa que é repetida várias vezes, ah, porque a nossa era de bronze está acabando. E aí ele chega lá e ele encontra aqueles caras caras que estão vestidos de ferro, né? E aí esses caras atacam eles imediatamente e eles humilham todo mundo que tá junto com o Odisseu.
Eles são o passado, eles são jogados para trás e tratados mal porque eles são visitantes naquela ilha. E agora, porque eles questionaram essa regra da hospitalidade, eles estão chegando em um canto e sendo tratado com hostilidade pelos estranhos, porque os estranhos são o futuro. Por isso que eles estão vestindo ferro.
Mais um paralelo com a equipe da Argentina, não é bem-vindo lugar nenhum que chega.
É, mas eu vi que no poema original eles não estão de dura não, tá? Eles só são gigantes lá que ficam jogando pedra neles. Então foi uma escolha para fazer essa alegoria mesmo.
Uma vez que eu entrei nessa parada de justamente do mito, a gente tá exagerando aqui as coisas para a gente entender a importância, a estranheza e a ameaça das coisas, né, que estão à nossa volta. Então as coisas têm que ser um pouco não convencionais, diferente do que a gente tá acostumado a ver.
Porque isso me cria uma discrepância com a narrativa do Nolan, que sempre é para o mais real, para o mais realista.
Se você comparar com Troia, quem faz o Agamenon no Monroi é o Brian Cox, sabe, do Succession. E aí ele é um cara normal, sem ter já— não, beleza, pode ser um rei, é um cara sinistro, poderoso, tem porte, etc. Mas olha o monstro que é o Agamenon desse filme comparado, nada real, absolutamente mitológico, sabe. Então quando eu vejo os gigantes, tudo bem, o garoto parecia que saiu do episódio de Chapéu Limpo e de cosplay, mas roupas todas parecem cosplay mesmo.
O Rex faz melhor.
Mas, cara, com menos recurso. Mas então, mas a gente sabe quem é o Nolan e a gente sabe que tem recurso para caralho. Então a escolha, ele quis fazer a padaria nítida para os caras.
Vamos, é isso. Do mesmo jeito que o Agamenon também, que ele é um símbolo, ele não é uma pessoa. Gente, gente, quando é que a gente vê o rosto do Agamenon?
Exatamente.
Na hora que ele volta, ele tá de costas. Não tem, não tem. Ele é um símbolo.
Inclusive é muito doido porque a gente não vê nem o rosto. E vocês viram quem faz o Agamenon, o ator que faz o o Agamenon, ele é o Benny Safdie, que é o diretor e ator. E ele é o irmão do Josh Safdie também, que é o que fez Marty Supreme. Enquanto o Josh Safdie fez Marty Supreme, o Benny Safdie, que é o Agamenon, ele fez o The Smashing Machine, Coração de Lutador, com o The Rock e tal. Então, ah, sim, sim, como diretor, como diretor, exatamente.
Então esse cara também, né, exatamente, ele atuou em Oppenheimer também.
Então ele é isso, ele é ator e diretor também. Só que aí nesse caso ele realmente nem aparece o rosto dele e tal, ele poderia ter aparecido, mas não, tipo, é muito uma decisão muito consciente do Nolan de não querer mostrar mesmo e tipo, e de fazer esse cara parecer realmente algo que é um mito e não uma pessoa. E eu acho que isso dialoga muito com o que o Odisseu fala no final, assim, do tipo, do que que vai ser esquecido dessa história, né?
No próprio tempo dele já tá sendo esquecido, tipo, quem é Agamenon, o homem. Ele já virou algo maior do que o homem, sabe? E em relação ao design da armadura dele e tal, eu entendo que para muita gente isso pode tirar do filme e tipo, justo. Mas no meu caso eu acho legal porque para mim graça de ver a Odisseia do Nolan não tá tanto em ver a Odisseia que eu já conheço, mas sim ver a Odisseia que só o Nolan consegue fazer. O que que tem aqui que é do Nolan?
E então quando eu vejo um Agamenon com aquela armadura e eu penso no Batman, eu acho do caralho. Porque porra, sim, isso aqui é a Odisseia do Christopher Nolan. E eu acho que a construção imagética, de direção de arte, de estética, também tá aí pra ele construir, deixar esse carimbo autoral dele. Então se uma das coisas que fez ele virar o Christopher Nolan é o Batman— não tô dizendo que ele pensou conscientemente no Batman, Mas se a gente lembra, eu acho do caralho assim, sabe?
Porque é isso, é tipo, eu gosto da ideia de você bater o olho e reconhecer que aquilo é uma parada do Nolan, entendeu? Então para mim, eu penso muito mais por essa veia do autoral e não tanto pelo o que é às vezes realista ou historicamente correto e tal. Mas também entendo quem sente que isso tira do filme.
Outra coisa que eu gostei é John Leguizamo. Achei foda.
Pô, ele é bom demais. Ele é bom demais, cara.
Ele é bom ator, mas eu não, eu fiquei com penimba do personagem.
Sério?
Porque ele joga os cachorros, joga um monte de filhote de cachorro do peixe, brother.
Pô, mas aí eu entendi perfeitamente, essa galera era assim, a vida passava.
Os espartanos jogavam bebê do peixe, maluco.
Exato. Mas pô, eu acho que ele, cara, ele quebrou um princípio que para mim era grande, era o princípio do demolidor. O cara que fica cego, ele tem que ter os outros sentidos melhores. Ele tinha que ter reconhecido o Odisseu pela voz, pelo cheiro dele, pelo Pelo cheiro dele, loucura, tá?
Jogou os cachorros fora, herdou um cego fraco.
Não, para com isso, brother, ele tá velho já, cara.
Forte argumento, tá, do JP. Isso aí é interessante porque tem várias cenas nesse filme que eu fiquei pensando do jeito que a gente pensa hoje em dia sobre pessoas e sobre memória, né? Porque, por exemplo, quando o Tom Holland senta na cena do banquete e aí alguém Ela vira para ele assim, nossa, obviamente os nomes dos personagens, né? Ai, porque você é a cara do Matt Damon. Eu fiquei, será? Mas é o jeito que funcionava a memória na época.
Não existia fotografia, não existia nada. Aí o cara volta depois de 20 anos. Não sei se eu reconheço a voz de qualquer pessoa com 20 anos, mas também eu não sou uma sábia cega, né?
Não, não, ninguém ia reconhecer o cara, ele é só o cachorro.
E até porque na história, no poema, ele volta disfarçado mesmo. Ele pede para transformar ele numa outra pessoa, num mendigo lá. Então visualmente não seria possível reconhecer ele.
Eu acho que eles fizeram isso bem, tá? Porque ele tava bem diferente, ele tava com uma barba gigantesca, ele se queimou ali também muito no sol.
É que tava de capuz, ficou de capuz de passo-lago ali.
Agora aquela cena dele ser reconhecido pela cicatriz é maneira, que a mulher reconhece ele pela cicatriz da senhora que tava com os pais dele.
Pô, achei maneiro isso.
Ela é a única que reconheceu ele, né?
Muito legal isso.
Tipo, disfarce que ele tivesse, aquilo era indegável, né? E diga-se de passagem, na história esse é mais um exemplo do Odisseu Merdeiro, né? Porque ele sofre, é que é assim, machucado porque ele vai caçar um javali. Aí ele tá posicionado para dar uma flechada no javali, mas achou que tava fácil demais. Aí ele faz aquela brincadeira que ele faz com o arco de fazer um instrumento musical para chamar atenção do Jabali se é uma luta justa, entendeu? Aí você fodeu.
Ele é merdeiro mesmo, cara, não tem como defender não.
Ele é arrogante, cara, ele é insuportável.
Jamais seria amigo.
E é claro que essa história, além de ter esse significado de voltar para casa, etc. e tal, e ter todas as interações com ninfas, monstros e etc.
e tal.
Eu acho foda de que isso virou uma obra Nolan, que é um cara que sabe misturar temas densos com pipoca de cinema, sabe? Transforma num espetáculo de cinema e fazer as pessoas irem assistir. Eu fico feliz que uma história densa, importante como essa, ganhou essa nova luz, até da discussão, até para dizer, ah não, mas o cara fez errado. Até coisas que a gente tá fazendo agora, outros podcasts, outras pessoas pela internet. Eu acho ótimo que a gente trouxe uma história tão antiga, que faz tão parte da história da humanidade assim, de volta à luz para ser discutida.
O filme é uma adaptação, ele vai escolher uma coisa ali, outra que a gente pode achar erro, que esse acadêmico achou que não deveria ser assim, aquele achou que tudo bem. Tem aquele negócio da tradução, né, que ele se baseou numa tradução super recente, acho que de 2017, né. Ele disse que ele estudou diferentes traduções para o inglês, mas essa recente aí provavelmente é a da Emily Wilson, que ajudou bastante, polêmica inclusive, que embasou muito bem a sua escolha por trazer termos mais modernos no inglês, né, que ela fez a tradução para o inglês, né, dizendo que tipo, gente, não faz diferença inglês antigo 150 anos atrás que se usa em Game of Thrones, assim, inglês pomposo, etc. e tal, o sotaque britânico que, né, ah não, vamos fazer uma série sobre Roma que vai ser falada em inglês, então todo mundo tem que ter sotaque britânico para parecer um inglês mais, sei lá, original, antigo, etc. e tal.
Tudo isso é a gente jogando com a percepção do público que vai consumir aquela obra, né.
Inclusive ele coloca um rapper para ser o bardo.
Exato, justamente, foi muito legal isso, porque se a história precisa só de contexto já, você tinha que viver naquela época 2.700 anos atrás para entender. Então ela não precisa existir hoje, porque a gente não vai entender, a gente não vai trazer nada dela e não vai tirar nada dela para gente hoje, né? A história existe para gente hoje, não é para preservar um texto antigo, é para apresentar ele a quem vive hoje, na cultura de hoje. Então acho excelente essa mistura disso com Nolan.
É não só para isso, né, mas também para facilitar a repetição de uma história, a discussão dessa história, que no final das contas foi o que fez ela ser imortal. Porque se ela não fosse fácil de ser repetida, conhecida por muitas pessoas, ela teria sido perdida nas areias do tempo aí também.
Eu tenho visto muitas opiniões de pessoas que estão voltando ao cinema e vendo de novo e chorando, até principalmente na cena que para mim é a cena mais foda do filme, que é do canto das sereias. Mas foda para mim, que me impactou pessoalmente, sabe?
Mais um exemplo do Edição Merdeiro, né? Porque ele se amarra, porque ele quer ser o único a ter escutado.
É, não, exato, ele quer ouvir, ele tal. Ele fala: eu aguento, vamos lá. Ele é, ele quer ser o fodão, etc. e tal.
Olha, eu tô cada vez mais com JP, tá?
Mas é muito, cara, absurdo.
Mas assim, eu, se fosse aquele maluco lá, o primeiro, o imediato dele, eu tinha socado a cera no ouvido desse filho da puta.
Tu vai?
Não, eu vou te amarrar, eu vou te amarrar e vou botar a cera.
Exato, eu não quero ficar aqui, tipo assim, vou ficar rindo ainda. Exato, dá um telefone de cera nele assim, porque Porque assim, primeiro, acho foda ele tapar os nossos ouvidos. Claro que a gente não pode escutar o canto da sereia. Aquilo é a parada mais lovecraftiana que a gente viu no cinema. Tipo, fazendo paralelo, porque isso, né, precede muito Lovecraft. Mas a ideia do terror que você não tem como explicar, porque ele depende da sua experiência e sua percepção pessoal e intransferível.
Então, cara, quando o nosso ouvido é tapado pela cera, cara, e só fica com a trilha sonora, né, os sons abafados dos gritos dele, você vê aquelas sereias e o cara tirando Aí pulando, etc. Enquanto ele descreve a experiência da percepção dele, é como se fosse aquela coceira deliciosa que você quer sentir e quando você vai coçar ela tá embaixo da sua pele e você não consegue. Isso vira o terror, um terror! Que incrível, cara, essa descrição!
A gente tava falando antes do trabalho de som na cena do Ciclope quando ele tem o olho perfurado, não sei o quê. Essa pra mim é a outra cena que pra mim é um dos pontos altos do trabalho de desenho e mixagem de som do filme porque é um trabalho muito complexo. E além do mais, o efeito emocional é muito foda, porque tipo, quando tapou os ouvidos de todo mundo, inclusive nós da plateia, né? E aí eu fiquei frustrado e fiquei, porra, sério que ele não vai deixar a gente ouvir?
E aí quando eu me peguei pensando isso, eu falei, porra, genial! Porque eu fiquei com muita vontade de ouvir o que as sereias estavam cantando. E aí eu falei, sim, é justamente isso sobre essa cena, é sobre isso. A cena é sobre isso, é sobre como é tentadora essa canção das sereias e tudo mais. Então Então tipo, o fato de você não ouvir só te deixar com vontade de querer ter mais vontade ainda de ouvir as sereias. E essa ter sido a minha reação imediata emocional assim, sabe, visceral.
Tipo, eu achei, pô, genial isso por conta dessa escolha de som. Porque ele poderia ter colocado as sereias cantando alguma coisa, alguma melodia, e só mostrando a reação, mas a gente não ia ter legal, não ia ser legal pra gente.
Aí você ia ter que acreditar, então tem uma magia.
Exatamente. Então o fato de você ficar na ânsia de você querer ouvir também, puta, Eu achei isso foda, eu achei isso muito incrível.
Exato, ele deixa você querendo ouvir, cara.
Em compensação, ele faz muito gráfico, né, a Circe transformando os caras nos porcos.
Porra, mas eu adorei.
Essa foi minha cena preferida, cara.
Essa cena merece uma discussão à parte, porque puta que pariu, tirou meu trauma do Valquíria virando porco.
É verdade, o Azaghal carregava esse trauma. Olha, tranquilo.
Verdade, o cara foi curado. Sofreu pouco, Valquíria.
Essa cena, pra mim, primeira coisa, a gente bate muito nessa tecla, né, do realismo do Nolan e tudo mais. E uma das coisas que eu ficava pensando antes desse filme sair é como vai ser o Nolan realista fazendo cenas de fantasia, né? E aí, beleza, a gente já, essa altura já tinha passado pelo Ciclope e tudo mais. Aí chega essa cena da ciência se transformando eles em porcos e é tudo efeito prático assim, tipo de verdade assim, a parada na sua frente, sabe? O movimento, você tem a textura, você tem tudo ali na sua frente, ela moldando.
Era animatrônico, né? Ela moldava, etc.
Era animatrônico. E tipo, e o Nolan conta que eles quiseram fazer de um jeito que não fosse muito pré-roteirizado, tinha que ter uma certa maleabilidade de como ia ser feito, porque eles queriam dar espaço para atriz, a Samantha Morton, para ela meio que na hora fazer os movimentos que desse na telha. Ela tem um certo espaço de improviso assim nos movimentos de moldar. E porra, você fazer, dar essa liberdade com efeito prático não é fácil, cara.
Então não é fácil. E ela engoliu essa cena.
Puta que pariu, porra, foda demais!
Para mim é a melhor parte do filme, foi a parte que eu mais gostei.
Uma das coisas que eu acho, apesar de eu ter falado no começo aqui, eu nunca fui o maior admirador do Nolan. Uma das coisas que eu sempre tirei o chapéu para ele é que o cara pelo menos sempre se desafiava a fazer coisas diferentes, gêneros diferentes e tals. E aí ele foi fazer Oppenheimer, que era uma cinebiografia, e agora fazendo uma fantasia. E aí no meio de um filme de fantasia o cara me inventa uma sequência de terror. Aquilo é uma cena de terror total.
Aí eu fiquei assim, caralho, agora eu quero muito ver o Christopher Nolan fazer um filme de terror.
Ele quer também, né?
Tô esperando, porque agora ele provou que ele consegue fazer, sabe?
Porque a padre começa meio sinistra, é tudo esquisito, né? Quando eles estão subindo, aí eles falam assim, ó, a gente vai sem você porque você é um merdeiro. A galera abriu o olho foda, galera. Agora vai, caralho! Agora partiu casa! Aí eles começam a subir, tem um monte de fera, leão, tigre, bicho de boassa olhou para eles. Já é estranho, né? Já cria uma— que porra é essa? Aí a mulher tá sozinha, eles entram. Aí ela fala assim: não, chega aí, tem comida à vontade, só deixa as armas e as armaduras do lado de fora. Eles olham, tem um cemitério de armaduras.
E eles—
aí eles: não, então beleza, normal, terça-feira, terça-feira.
E eles começam a comer de uma forma compulsiva e bizarra. Bizarra, né, agressiva, né, assim, eles começam a sugar. E aí, caraca, aí essa parte para mim é mais aterrorizante. É a parte dela transformando, é a conclusão irada da cena assim, né, esteticamente. Mas o terror para mim tá quando eles estão lá, que eles não conseguem parar de comer, e ela tá, porque ela, a magia dela é tudo, né, não é só a transformação, né.
Exato. É, a amiga nossa vomitou.
Isso você falou, Davi, é muito bom porque mostra que o Nolan não é só tipo, ah, ele soube fazer uma imagem perturbadora que ela transforma. Não, ele conseguiu conceber toda essa sequência como se fosse, cara, se você pegar aquilo e isolar, vira um curta de terror muito bem feito, muito fechadinho.
Para mim seria ótimo, teria adorado, era 10/10. Se fosse o filme e chamasse assim: e aquele dia que o tio foi com a galera numa casa lá, bruxa?
Mas quando chega a galera na casa dela, isso é uma coisa que assim eu senti demais vendo o filme, cara. Imagina, ela tá sozinha na casa e na hora que ela abre a porta aí ela vê todos aqueles caras que ela até vai para trás assim assustada, né? E eles falam: não, não, a gente, ninguém vai te fazer mal, vai te fazer mal. E eu fiquei, cara, é impossível essa cena não ter sido construída de propósito para você ficar sentindo esse frio na sua barriga, de tipo assim, tu vai mesmo confiar que essa galera não vai te fazer mal?
Faz quanto tempo que esse pessoal tá no mar sem ver uma mulher? Tem todos esses caras, esses guerreiros fortes, armados, armadurados. Tu é uma mulher sozinha dentro dessa casa. Eu também não confiaria, sabe, de jeito nenhum. Não dá para você simplesmente acreditar, não, essas pessoas aqui são guerreiros nobres, eles jamais me fariam mal. Então essa sensação de inquietude, de insegurança, ela tá lá desde o início. Só que o que acontece é que no meio da cena ela vira, porque você imagina que ela tá insegura, que ela deveria ter medo, e aí de repente é o contrário.
Eles começam a ver as armaduras ali no chão e, pô, tem um negócio esquisito. Aí ela vai fazer comida, então beleza, então alimenta aí a gente. Tão genial essa virada, porque ela é ao mesmo tempo tão brusca e tão sutil. É muito elegante, cara. Essa cena ela foi uma aula, uma aula. E foi uma das coisas mais legais do filme também, porque foi mais uma dessas vezes que você tem um choque de depois de passar por muitas coisas meio realistas, por mais que sejam levemente absurdas, você chega em uma coisa que é tão fantástica que você volta a descolar, entendeu?
Parece que o Nolo tá o tempo inteiro tentando colocar o seu pé no chão só para você sentir o friozinho na barriga de novo quando você descola.
Para quem gostou da Circe, tem um livro de 2018 da Madeline Miller que é uma fantasia mitológica chamada Circe, e é meio que conta a história da perspectiva dela, entendeu? Enfim, não só esse evento, mas enfim, a história da Circe fala Sabe por que que ela depois namorou com Odisseu, com Ulisses? Já não sei, eu não sei, temos que ler.
É, na história parece que tem isso, né? Eles não vão embora correndo, ele fica lá um tempão pegando ela.
Não, é tão melhor do que isso, JP, porque assim, a passagem que eu li, cara, que situação! Pelo amor de Deus, Odisseu, como tu escondeu teu mau caráter, seu desgraçado! Ele tá lá falando com ela, ele: não, porque obviamente ele não fala assim, né? Mas não, porque transformei a galera em porco, mó pai e tal. Aí ela: não, então vamos ali deitar comigo. Aí ele: não vou. Depois de fazer isso aqui, você tem audácia de me pedir para ir para cama com você?
Só posso aceitar se você disser que não vai fazer nenhum feitiço em mim. Então é como assim tu pode aceitar ainda, pô? Todos os seus amigos viraram porcos. Aí ele: não, mas tudo tem limite também, não é como se fosse dizer não.
Exato, velho.
Meu medo é por mim mesmo.
Amigos, amigos, negócios à parte.
Aí fica tipo um tempão, eu não sei quanto tempo ele fica, mas ele fica, sei lá, um ano, é um mês, tudo passa um ano, né? Ele passa tipo um ano transando com ela lá, aí depois: não, gente, já Mas aí ele comeu os amigos nesse período também?
A versão do Homer Simpson comeu. A versão da Odisseia dos Simpsons, ele começou comendo o Lenny.
Eu não sei se ele comeu, eu acho que ele não comeu, mas o que eu sei é que na versão original, que tem aquela cena que ele atira com arco e flecha naquele cervo que tá passando, né? E aí a gente depois vê que é um cara porque ele se transforma de novo em humano. Mas pelo que eu entendi no poema, a gente nunca sabe se é um humano e se não é, e eles comem um bicho lá. Então é como se ficasse essa, sabe?
Virou beleza. Eu disse, eu quero um torresminho. Ele, pô, claro, tem cerveja.
Ele aceitaria qualquer coisa. Meu Deus, cara, é muito fácil ver o que aconteceu e transar com a mulher.
Vocês estão reclamando que ele é merdeiro? Imagina se ele fosse merdeiro e transão no filme.
Puta, ia ser incomodável.
Mas eu achei maneiro ele, o viado lá, se transformar numa pessoa. E aí depois eu fiquei imaginando que tipo de pessoa serão os outros, né, que a gente viu no caminho, né? É porque a tropa dos argentinos virou tudo porco lá, do Dordicírculo. Eu fico imaginando, o Zouquinha era o cara que virou um leão. Ou a mulher, né, no caso. Mas ali parece que eram mais ameaças masculinas, né.
O leão dócil, né.
O tigre e tal. Eu fico imaginando que tipo de pessoa era essa que ela resolveu até preservar e deixar lá, né.
O maneiro é que quando ela transforma... Ele convence ele a transformar os argentinos de volta em seres humanos. Meu Deus do céu. Tem argentino gente boa, gente, pelo amor de Deus. Então quando ele decide transformar lá, né. Ele convence ela transformar a galera em ser humano, ela fala assim: tá bom, de volta para os seus disfarces. Isso é foda, é a coroação dessa cena.
Essa parte, o filme é absoluto cinema total.
O Dave falou que todo mundo era homem, tinha uma mulher bicho, né, que era o Corvo. O Corvo, ele é irmã dela.
Mas é maneiro porque ela na verdade tava mostrando a forma verdadeira de cada um ali, né. Então essa que é a interpretação dela, né, é que Que é isso. Agora você vai se disfarçar de ser humano, né? Mas eu sei quem você é de verdade.
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How do you say where's the restroom in Spanish? ¿Dónde está o banheiro?
Hey Meta.
Is a hot dog a sandwich? Technically, no. Spiritually, yes.
Hey Meta, what should I do with my life?
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Eu queria puxar uma coisa que a Cát trouxe aqui e até pedir sua opinião, Cát, que é essa cena da Circe. Ela acho que é um dos pontos altos do filme de uma coisa que nunca foi o ponto forte do Nolan, que é as personagens femininas. Porque ele é muito criticado que as personagens femininas dele são frágeis. Vagas, são, não tem a mesma riqueza de complexidade dramática que os homens e tals. Eu sinto que ainda tem isso nesse filme, mas eu senti pelo menos que ele melhorou em alguns aspectos.
E para mim, a Circe é um exemplo e a Penélope é outro. A Circe, a forma como ela é trabalhada, pelo que você mesma falou, tipo, essa cena já começa trazendo um pouco esse medo da mulher estar cercada por um monte de homem que ela não conhece. Então acho que já começa a trazer um pouco talvez de uma visão um pouco mais empática da experiência feminina. E depois também, quando a gente começa a conhecer ela um pouco melhor e ela vai se apresentando, se justificando e tals, então eu vejo que a Circe talvez possa ser um exemplo de melhora do Nolan nesse aspecto. Mas eu queria ver o que você acha, Cátia.
Eu acho que ele melhorou, sim. Eu acho que ele teve um material muito bom para trabalhar aqui. Eu me, assim, eu me decepcionei um pouco com a Penélope porque eu achava que ele ia trabalhar ela bem melhor, porque ela é uma personagem muito interessante, cara. O lance todo da Penélope com o Odisseu é que eles dois são gêniozinhos, sabe? Eles são muito espertos e eles conseguem fazer o impossível dentro das próprias circunstâncias.
Então ele tá longe fazendo essas coisas impossíveis no mundo, né, dessa maneira heroico, que a gente considera heroico do jeito que a gente usa essa palavra hoje em dia. Mas a Penélope tá em casa conseguindo fazer o impossível, que é navegar por esse caminho complicadíssimo da estrutura social que não permite que ela ocupe um trono, mas ao mesmo tempo conseguindo ganhar tempo para não tomar essa decisão. Eu acho que isso foi colocado de um jeito muito mais superficial do que poderia ter sido colocado, apesar de que várias cenas da Anne Hathaway ela também engoliu. Aquela cena que ela fala que tá há 20 anos sentada no trono foi muito legal.
Sim, foi foda mesmo.
Muito legal, mas eu acho que poderia ter sido até melhor. Nossa, ela mandou demais, demais!
Ela garoteou, ela garoteou.
O quê?
Isso é básico, não se bota um vampiro dentro de casa, né?
Final meio fã de Crepúsculo original.
Então é uma história muito maneira porque ela fica lá enrolando um monte de red pill por 10 anos, maluco.
É, mas não é só ela enrolar essa galera, porque o problema não é só essa galera, é tudo. É você conseguir manter essa delicadeza da lei de Zeus. O pessoal tá todo lá, mas você tá mantendo essa corte funcionando, mas ao mesmo tempo ela também tem que tomar certas decisões, ela tem que fazer algumas coisas. E ela também se mantém muito nobre nessa espera dela pelo Odisseu, e o tempo inteiro ela tá querendo se sentir segura a cada passo que ela dá.
Eu acho que a gente sente muito mais esse lado da Penélope, dela ser inteligente e de planejar cada um dos passos dela, quando é citado por cima esse lance da tapeçaria que ela tá tecendo.
Não mostra ela desfazendo, né? Não mostra ela desfazendo de noite.
Não só não mostra ela desfazendo, quando essa cena é colocada lá e é citado esse artifício, é justamente quando o artifício é contado por outras pessoas, porque alguém tava espionando. Então ela foi tipo meio que traída, feita de otária ali, entendeu? Mas é um artifício muito inteligente, uma das coisas mais legais da mitologia é essa história da Penélope. Que massa essa coisa dela dizer: não, gente, eu vou só acabar isso aqui, mas eu vou tecer com fios muito finos e eu vou à noite quando ninguém tá vendo, eu vou desfazer.
É muito legal. Eu acho que foi colocado de um jeito ali muito como se fosse, abre aspas, fácil descobrir o que ela tá fazendo. E também no final, quando ela vai fazer aquela prova para dizer: ah, eu vou escolher quem vai casar aqui comigo, mas vocês vão ter que fazer essa coisa aqui, que é essa tarefa. Aí legal, porque você pensa assim, pô, essa mulher ela é muito esperta, ela sabe exatamente o que ela tá fazendo. Ela sabe que ou ela vai descobrir que o Odisseu tá aqui, ou que ela vai mostrar para todo mundo, como é apontado pelo roteiro de um jeito muito direto, que eles são objetivamente inferiores ao Odisseu nesse ponto que ela tá provando.
Então é muito legal isso aí, mas eu acho que poderia ter sido colocado um pouco mais essa coisa impossível que ela fez lá em Ítaca por 20 anos, cara. Mas eu concordo, eu acho que ele levou evoluiu sim. Eu acho que assim, aquela, né, foguete não terrebro lá na Holanda aqui para frente é um experimento genético também, né?
Porque você juntou a inteligência da Penélope com a sagacidade do Odisseu, mas deu um bundão que é o filho deles, né?
Então, mas o problema é que o Odisseu desse filme não tem sagacidade, né?
Ué, como não tem sagacidade?
Não tem, cara, não tem. Botou palha nas costas, saiu do negócio, deu flechada, o cara fala, caralho, por que que você fez isso, maluco? Deu flechada no olho do bicho agora, fudeu a gente.
Aí o espírito merdeiro sendo mais forte, cara.
Exato, é isso aí, arrogância dele.
É, mas ele poderia ser mais sagaz mesmo e ele poderia ser mais carismático também, né?
Mas aí a escolha do ator, né?
Não, não é. Tadinho, tadinho, não é isso.
Matt Damon sagaz e carismático?
Aonde?
Qual filme?
O Good Will Hunting.
Não tem sagacidade Eu acho que o nosso querido Ludwig da trilha sonora tá armando aí um 4º Oscar antes de fazer 42 anos de idade.
É engraçado porque eu até vi lá o negócio que você mandou e tal, achei maneiro, né, você vai explicar aí. Mas no filminho, a trilha sonora não me pegou em nada.
Então, pois é, mas eu acho que é porque ela, a gente Acho que tá batendo uma barreira familiar e ele tá tentando romper essa barreira familiar.
Mas pode ser também porque eu achei muito bem feito sound effects do filme, mas é tão barulhento em algum momento.
Caralho, é louco!
E por que que o Nolan adora fazer esse negócio de botar um diálogo e um barulho absurdo atrás que você não consegue ouvir o que as pessoas estão falando?
Caralho, quando?
Caraca, eu não tive essa percepção na tempestade, por exemplo, é um momento que enfim. É impossível entender o que eles estão falando, cara. Aqui não tem legenda, Max. Aqui é um sofrimento.
First world problems.
Ele botou uns estrobos de luz tão forte, cara, que não—
o Almôndega e a Fernanda, essa nossa amiga, passaram mal.
Teve fotofobia, chegou mal em casa por causa das pisca-pisca da parada.
A trilha sonora do Goransson, ela pelo contrário, para mim me pegou justamente pelo quão diferente minimalista. Toda a textura dos sons é completamente diferente, elegante, né?
Porque ele foi catar— não quero fazer orquestra— ele foi catar um monte de instrumentos anciões mesmo, que até que não existem mais. Tentaram reproduzir, fazer aquela flauta dupla, é aulo, né? É um instrumento que não existe mais, mas que faz esse som duplo que a gente tá ouvindo agora. É meio que um tom que se repete bastante no filme, muito foda essa melodia. Mas assim, eles falaram, a gente não tem registro desse instrumento, a gente não sabe como ele soa, e a gente tá reproduzindo esses instrumentos.
Então a gente tá tentando chegar o mais próximo possível e tal. Mas assim, eu acho isso muito maneiro porque tematiza a coisa. Eu lembro muito bem de ver com muito bons olhos a trilha sonora do Michael Guiaquino do Lost, que ele fez a percussão toda com fuselagem de avião, essas paradas e tal, para criar uma identidade sonora que rime com o que a gente tá vendo na tela. E apesar da gente tá falando de fantasia, não tem obrigação nenhuma de ser historicamente acurado, porque a gente até mesmo quando a gente fala de história das armaduras, dos personagens, da etnia dos atores, etc., a gente tá falando, gente, essa história de fantasia, negócio lá de Helena de Troia, de Cenêgra, etc.
Gente, Helena Guerra de Troia, a Helena nasceu de um ovo. Zeus desceu como um ganso, engravidou a mulher, a mulher botou um ovo e aí nasceu a Helena de Troia.
Eu não entendo essa galera que reclama desse tipo de coisa, cara, porque é uma ficção, cara, não é nem história, né? Se você vai fazer um filme sobre Império Romano e botar o Terry Crews como Júlio César, fica meio assim, mas porra, exato.
Mas inclusive o elenco foi muito bem escolhido. Quem escolheu, cara, não tem um ator ruim filme assim. Não, mas os caras que estavam com eles, o Pattinson, excelente, cara, excelente no papel dele.
Muito bom, ele é bom demais, né?
O legal do Pattinson nesse filme é porque assim, uma das coisas que eu sinto muito nos outros filmes do Nolan é que a direção de atores dele é meio monótona, no sentido de que meio que todo mundo performa de um jeito muito parecido. E esse filme poderia cair nessa armadilha, mas aí ele vai e coloca o Robert Pattinson, que faz um jeitão de escroto meio maluco também. É uma performance que não destoa acima do que a gente tá vendo, mas se destaca, cria variedade dramática, sabe, entre os personagens.
Você realmente sente que tá vendo indivíduos levemente diferentes e tal. E não é todo filme do Nolan que eu sinto que ele consegue fazer isso.
Então, sobre a Helena, eu fiquei um pouco confuso numa hora lá, até eu entender que era ela e a irmã. Ela tava fazendo o papel das duas num certo momento. Aquilo me deixou um pouco confuso.
É isso, é original também do filme, né?
É, pois é. Mas no momento inicial não me toquei, fiquei confuso. Depois eu entendi que eram irmãs gêmeas.
Inclusive ela fala que é irmã gêmea.
Mas voltando na música, eu acho que o Ludwig, ele foi um movimento arriscado. Eu passei a valorizar, apesar de no dia que eu vi a primeira vez, eu, a música não me marcou tanto. E só quando eu comecei a rever as cenas e relembrar, a cena que marcou, a música que marcou, obviamente foi na parte tocando as sereias, porque ele, né, ele deixa a música lá em primeiro plano. E é uma música melancólica que eu achei linda, etc. Mas assim, depois, mais uma vez, foi uma semente, foi germinando.
E aí essa estranheza passou a ser valorizada na minha cabeça, entendeu? Falei assim, não, pera aí, mesmo porque aí eu voltei, pô, o Govis, quando foi fazer a trilha sonora do A Própria Carne, ele foi inventar uma parada de pegar uma corda de violoncelo, tacar num violão, corda de aço dele e tal, que ele começou a fazer aquele som. Esse som eu gosto Agora que você tá ouvindo a trilha sonora da própria casa, tá vendo? Que faz uma música meio arrastada, arranhada, tensa, né, incômoda.
E eu achei isso brilhante, né? E eu acho que o Ludwig, esse cara, o cara tem 3 Oscars, tem 41 anos, cara. Ele é uma força da natureza, cara.
É porque também é isso, ele também trabalha muito bem com o que o diretor pede. Porque essa parada de não ter orquestra foi uma imponência do Nolan. O Nolan falou pro Viggo, assim, ó, não usa orquestra. Porque em filme de capa e espada sempre a trilha sonora é essa trilha sonora orquestrada, e ele queria fugir dessa tradição. Então ele impôs a limitação. E aí a genialidade do Göransson é tipo, beleza, eu tenho essa limitação, que que eu vou criar?
E aí vem essas ideias de pegar instrumentos daquela época e reproduzir, e também trazer instrumentos de sopro de bronze para remeter à Era de Bronze.
É pesquisa e recriação, né? Eu tô totalmente contigo, Max, totalmente. Assim, eu acho que a ele, apesar de não ter tipo um tema orquestral que a gente vai ficar na nossa cabeça e vai marcar, ou disser por isso, assim, para mim funcionou perfeitamente porque me colocou muito dentro de várias cenas. Eu acho que me faz sentir as cenas melhor. Eu acho que esse cara é um gênio. E é exatamente como a Zagal falou no começo do episódio, que a gente fica falando, ah, porque é fantasia, então não tem nenhum compromisso com a realidade.
A fantasia não é exatamente fantasia, né? É uma epopeia. Então é um pouco diferente essa ideia de você fazer esse trabalho de pesquisa histórica de recreação, ou então de criação em cima do que se sabe da história, faz total sentido e eleva muito a experiência do filme, né?
E é massa porque mostra como o Goransson é esse cara que consegue se adaptar muito bem ao que a história pede, né? A gente pensa muito no que ele fez com Pecadores mesmo, assim, de como ele conseguiu misturar o orquestral com os acordes de blues e colocar a guitarra específica de metal, não sei o quê. Então é isso assim, tipo, não é um compositor que tá interessado em só fazer mais do mesmo do que ele gosta de fazer. Não, ele consegue entender muito bem o que que a história pede, o que que o diretor precisa, e vai atrás de instrumentação, arranjo de um jeito diferente, criando essas paradas.
Que é isso, sabe? Acho admirável ele não querer fazer um negócio super chamativo, um negócio mais minimalista, mas que vai marcar a gente por conta da textura do som e tudo mais.
Então, pô, e o Nolan, cara, assim, eu sei que meu pai, Leonel Caldela, né, não gosta muito do Nolan, beleza, mas Nolan gênio, não tem jeito, porque ele sabia o que tava fazendo quando com a restrição do Ludwig. Ele sabe que quanto mais restrição você coloca, melhor ele vai trabalhar dentro do curralzinho ali que ele tem, sabe?
Exatamente.
Cara, muito bom.
Esse filme, ele carrega esses desafios todos de uma forma, né, mitológica e obviamente metafórica. Histórica, né, o que mais serve para gente hoje. Eu acho que é por isso que ela atravessa tantas gerações e gerações e gerações, porque ela tem aplicabilidade, né. Não só a coisa de querer voltar para casa, de retornar ao seu lar, de lutar por isso, do você contra o mundo e etc., mas até os desafios e as consequências pela arrogância dele, etc. e tal.
E uma das metáforas maneiras é que gera uma expressão derivada, né, da mitologia grega, entre Scylla e Caríbdis, né, que são aqueles dois monstros que tem ali naquele estreito lá, que no mapa seria ali na Sicília e etc., que de um lado você tem um monstro que é um redemoinho, né, um monstro marítimo, redemoinho, que vai engolir, engole tudo que chega. E do outro lado, né, que é descrito assim, não é muito longe, é tipo assim, é a distância do voar de uma flecha, né, entre um e outro.
E outra é a Scylla, que é esse monstro de várias cabeças e etc., né, como se fosse uma hidra. E é uma expressão metafórica para você tá entre dois males e escolher. E chuva de pica, basicamente, é você escolher qual dos males que você vai, né.
É tipo a expressão que usam aí nos Estados Unidos, né, que é o between a rock and a hard place.
Eles usam muito isso também.
Ou você perde 6 pessoas ou você perde todo mundo, né.
Já que você tá puxando expressões, a da flecha também, se fosse em Minas, ia ser um tirinho de espingarda.
Mas assim, não tem como evitar, né? Você tem que escolher, né? E eles escolhem, né, obviamente passar pela Sila, que é o monstro que senão eles seriam engolidos. Porque a ideia é a seguinte: escolha o jeito que você vai morrer, escolhe como você vai se foder. Porque ela vem, né, as cabeças dela vem pescando todo mundo ali e tal. Mas eu acho muito foda como essa história, essas metáforas podem se transformar de mil formas. E mas é legal beber de uma fonte tão antiga, né, de você vê, cara, para mim a experiência é: o ser humano é ser humano, não interessa hoje, 3.000 anos atrás, brother.
A gente tem contextos culturais, históricos diferentes, etc., mas assim, o core, o núcleo desses problemas, das soluções e da consequência dos nossos atos, emoções, etc. e tal, ele é perene. E acho fantástico como isso sobrevive, né? Como isso é— a gente tem em comum com essas pessoas que viveram tantos milhares de anos atrás.
Dito isso, Os gregos extrapolam, né, cara?
São exagerados, teatrais, o caralho. Mas é, cara.
Nossa, muito, cara.
Mas o JP, eu até trago a mitologia grega para descrever o mundo que a gente vive dos bilionários, que são como deuses no Monte Olimpo, intocáveis, imortais, olhando de cima para baixo e decidindo os destinos.
E vaidosos para caralho.
Vaidosos, exato, demais. Entendeu? Criminosos, entendeu? Mas olham de cima pra baixo e movem as peças e decidem. Esses mitos contam a história da humanidade até hoje, cara.
O próprio filme é muito sobre isso assim, tipo, eu acho que uma das graças do Nolan fazer aqui é dar uma reavaliada nessa ideia do que que é a Odisseia, né? Então a gente tem essa ideia, a Odisseia é essa grande jornada, uma grande aventura, um negócio glorioso e tudo mais. Só que a visão que ele traz é justamente, tá, mas o que que tem de muito humano aqui mesmo, né? Então tipo, pô, tudo que a gente já falou sobre a culpa do Odisseu, pô, acho que é uma das coisas mais legais do filme, porque que é isso assim, é você, é o Nolan querendo dar uma subvertida no sentido tipo, beleza, a gente criou essa imagem da Odisseia como uma grande aventura gloriosa e brilhante, não sei o quê, mas e se no fundo, na verdade, o Odisseu não fosse esse cara super orgulhoso do que ele fez?
E se ele fosse esse cara praticamente deprimido com os atos dele? E se essa jornada, na verdade, foi melancólica e traumatizante? Então é um jeito de trazer um coração humano muito forte para essa história e colocar mais o pé no chão mesmo, apesar de ter os elementos de fantasia. E pô, vindo de um cara que ficou famoso por trazer uma dose de realismo, eu acho que o realismo do Nolan também tá aí, de você tentar encontrar a essência da angústia humana que tem ali.
E que no final tenha esse final agridoce do Odisseu pensando, cara, isso vai ser apagado pela história, só vai sobrar a glória. Tipo, ele não fala com essas palavras, mas ele fala, os nossos erros vão ser esquecidos. Então é isso assim, tipo, o lado mais humano mesmo, os nossos erros, as nossas falhas, o nosso, nossa complexidade tridimensional, isso vai ser apagado. A gente vai virar tipo figuras muito mais simplificadas nas histórias que vão ser contadas.
Mas é por isso que é tão importante arte, é por isso que a arte ela é uma resistência no final das contas da erosão do tempo mesmo, porque o que ele fala no final acaba sendo isso. No final a gente só vai ter as canções, porque é isso aí que vai perdurar. É assim que a gente consegue levar para as pessoas essa ideia de que os erros que eles estão cometendo agora, a gente cometeu os mesmos erros. Então talvez se as canções chegarem antes a eles, alguns desses erros possam ser evitados.
E eu acho que para sempre esse filme vai ser falado como a Odisseia do Nolan, assim como a gente até hoje fala o Batman do Nolan. Exato, porque ele traz também tipo o espírito da narrativa do Nolan, que é tipo, aí sai esse cara, o Matt Damon tá perdido, não sei o quê.
Inclusive Inclusive, até a Segunda Guerra Mundial é a Odisseia do Nolan com o Batman do Nolan.
Mas é exatamente isso. E ele traz essas coisas que são importantes para ele como autor, porque ele é um diretor autor demais, ele é muito autoral. E traz também o espírito do nosso tempo no estilo de comunicação, traz o espírito do nosso tempo nessas coisas todas que o Max tava falando, porque é isso aí que toca a gente hoje. Porque o que toca a gente é uma coisa que a gente consegue conectar com a nossa vivência. Pensando por esse lado, ele colocar muito o pé no chão nesse filme, deixando as lições principais muito claras aí para galera.
Inclusive, para quem não ficou claro, ele tá discutindo em todas as entrevistas possíveis. É muito legal também, é muito legal.
O triunfo deles em Troia tem muitas perspectivas diferentes. Se você parar para pensar, né, quando o Telêmaco tá lá conversando com Menelau, ele tá contando a glória da invasão do Cavalo de Troia, né?
É uma mais uma hora do flashback, mas também mostra a desgraça, né, que ele vira a cara da Helena para mostrar que ele enfiou-lhe a porrada depois, né?
Exato. É, mas ele tá se mostrando como conquistador ali, né? Tipo assim, eu Fui lá, eu vejo a gente fez, passou esse perrengue, e aí eu peguei a minha mulher de volta e ainda puni ela. Ele tá assim, é isso, eu conquistei. A versão dele, a perspectiva dele é de conquista. E quando o Odisseu chega em casa, a perspectiva dele é de completa derrota.
Mas também, né, lá vai, lá vai, cara, ficou 10 anos passando a pica e toda a paia. O cara volta com toda vantagem, ele teve que se fazer de coitadinho. Voltou, olha, não sabe o que que eu passei dentro daquele cavalo, fiquei debaixo do Ptolomeu que come feijão. Caralho, não tem como, cara, chegar com toda vantagem. Mais de 10 anos depois.
Tem que contar muita história triste mesmo. Aonde você passou esses 10 anos?
Pô, tu não faz ideia, foi uma merda. É bruxa, é flor de lótus, é gigante, é ciclope, foi só desgraça. Ganhei um saco que só tinha vento. Puta, viu?
Fodi demais. Senti falta do saco de vento. Puta merda, adorava.
Tanto que a gente achou que ia ter no trailer, né?
A gente acha por causa da tempestade. É verdade, né? Só que ele foi, ele meio que deu um crunch ali no final, né? Ele deu um crunch nas ilhas, porque a ideia é que eles só guardam o vento para quando tiver a hora de usar. E aí a galera fica maluca, não quer abrir, acha que tem tesouro e tal, brigam e tal. Aí os ventos escapam para tudo quanto é lado e eles se fodem, todo mundo morre, né? E só sobra ele lá na última ilha. Aliás, Cachucha, você tá anos no mar, você cai na ilha da Charlize Theron, precisa de flor de lótus?
Calma, não estou julgando, não estou julgando. Porque eu estou julgando não só as escolhas, porque é muito forte você cair no L sozinho com a Charlize Theron, pelo amor de Deus.
Mas tava tocando Calypso todo dia, gente, tava tocando Joelma todo dia.
A Lua me traiu. Não, não, foi você que traiu a Lua. Não me venha com historinha não.
O Hades eu achei incrível. Eu tava assim, meu Deus, como é que vai ser o Hades? Como é que ele vai entrar no portal Ele vai descer, mano.
Meu cabelo apagou, tônica, agonia, já tava do balacobaco.
É o melhor dos ads, né?
Vamos reconhecer, o melhor.
É aquela praia vulcânica, né, que eles foram filmar na Islândia. Isso é muito maneiro. Para mim foi perfeito. É isso, e a galera surgindo da areia também, achei bem maneiro, sabe?
Sacrifício, achei bem maneiro.
Isso, simples, cara. É isso, não precisa enfeitar o pavão demais não, cara. Cara, porque a ideia, os gênios mortos. E cara, quando chega o Sinon, é um puta enfrentamento dele com ele mesmo também, né? Sempre, né? Ele tá sempre com essa culpa, né? Porque ele vem questionar: porra, você não me falou! E aí ele falou assim: mas a gente precisava mentir para você acreditar.
Conversinha, né, cara? Conversinha. Aí depois ele chega lá mandar WhatsApp pelo Antinous, que vai para o inferno, para dizer: não, fala aí para galera que eu vou sim lá prestar as honras deles, não sei o quê. Quando chegar lá no inferno, avisa que eu tô lembrando, tá?
Meu Deus, eu achei muito maneiro também o Agamenon aparecer daquela forma, tipo assim, nossa, como é que você tá aqui?
Ele ficou, né?
Caralho, que porra é essa, bicho? Irado que ele tá ainda visto, né, no Hades como morto, né, como um espírito, ainda com a mesma figura mitológica que ele tinha na cabeça do Odisseu, né? Ele vê ele de armadura e achei maneiro porque vai criando foreshadowing pro final, que olha, eu fui traído. Chega disfarçado, sabe? Você é um cretino do caralho.
Olha, cara, eu vou te falar, não tem como gostar do Odisseu, não tem, não tem. Você gosta de ser até errado, cara. Passa de novo 10 anos esfregando a pica na areia, 10 anos sem parar, e aí o cara volta para casa de desconfiado da mulher dele, não sem fazer um exame de sangue, esse filho da puta.
Então, mas isso que é, não é para a gente gostar, porque a gente sempre tem que torcer para alguém, não precisa. Isso é uma história antiga, moralidade, lembra? Moralidades fluidas e tal, é tudo uma merda.
Lembre-se, é uma história, essa cidade leva a gente a querer torcer para o cara. O cara é o cara que vai voltar, tá tentando voltar para casa, é a maldição ideia, né? Na concepção de uma história, a gente procura sempre o herói.
Mas quando ele chega e ele vai, arqueia lá o arco dele e tal, e manda o berço, a gente tipo, aí tem nele no templo.
No templo ele mandou bem, quando os cara vão lá matar o filho dele e ele pega a espada, ele luta com os cara, taca fogo em tudo, achei maneiro. Ah, do arco todo mundo já tava esperando por aquilo.
Não, mas ele não é, mas é legal, a gente foi tudo preparado para ele dar aquele tan, Cara, é isso, foi do caralho! Ludwig juntou trilha sonora com os acordes, cara, maluco! Isso, a internet só faz isso. Você já viu o cara, tipo, o cara tá todo de capuz e a mulher não consegue abrir o pote? Aí dobra o cara, ele abre o pote, aí ela reconhece. Cara, tão fazendo isso com violão agora, o cara só afina o violão assim, cara. É, isso é feito no Olan, cara. O cara consegue fazer isso.
A cena do arco eu achei maneira por causa do Patson, porque os cara ficam tudo tentando, não consegue, se tremilicando todo, cagando nas calças. Faltou isso, inclusive, alguém dá um peidinho, né, fazendo força e tal. E aí ele é o último e ele fala, não vou tentar não, porque não quer parecer fraco.
Exato.
Eu não quero, a gente já sabe que não vai funcionar. Aí beleza, então escolhe aí um de nós.
Exato, ele é covarde, né? Ele não vai se—
mas que não quer assumir a covardia. E aí depois na luta ele não luta, ele fica: olha a lança ali, olha a espada, pega o escudo.
Meu Deus, é muito bom, pô, ele narrando.
É muito bom, cara, eu achei maneiro.
Uma cena muito, muito esperada, né, do plot dele voltar e dele arquear e flechar, né, através de lá dos 10 machados e tal, que tem várias muitas interpretações diferentes. Tem um filme antigo que era na verdade as argolas da parte de baixo do machado. Os machados estão de cabeça para baixo.
E aí era um grau de dificuldade maior, né?
Mas esse do machado vazado, né, achei muito maneiro.
A ideia foi boa, né? Não, mas ali o filme é fazer uma cruz, né?
Ah, eles estavam fazendo cruz. Não, machado vazado é da logomarca lá do—
eu gostei da ideia da cruz dos machados, achei maneiro, cara.
A cena toda é maneiríssima. Você tem aquele callback dele tá dando o acorde lá com a corda. E quando o cara começa a falar, não termina, brother, porque a flecha já tá na garganta. Aí é o caralho, toda essa cena do desespero, as portas fechando e tal.
Agora, o negócio de você realmente tem coisas que você não pode delegar, né? Esconde as armas, porra, no andar de cima, tio. Caralho, meu irmão, esconde fora, não deixa aqui, cara. Porra, que preguiça do caralho!
Ele delegou, ele subdelegou a parada.
E o maluco que foi trancado no quarto, ele tava com vontade. Aquele cara, parabéns, eu contrataria o cara daquele.
Ele vestiu a camisa, puta, ele era tenacioso, ele era tenacioso, maluco, cara.
Eu vou levar essas armas de um jeito ou de outro, meu irmão.
Maluco, botou um rádio genérico, né?
Aí depois tem aquele diálogo dele com a Penélope, né, que ele começa a falar: mas e se ele voltasse para casa e ele não fosse mais a mesma pessoa? E se ele voltasse e tivesse— que é o momento em que a gente é exposto a todos os temas que foi, me colocou até ali, mas de um jeito um pouco mais literal.
O cara tá dizendo que tá com cólon, gente, é isso. O cara tá falando, eu tô mijando puja aqui.
Eu acho engraçado que isso aí ele não cita, né?
Essa parte ele não, ele só pode deixar quieto.
Nenhum momento ele diz assim, e se ele não fosse o mesmo marido fiel? E você deixou ele embora aqui?
Exato.
E se ele tivesse renovado?
E se ele tivesse passado 7 anos jambrolhando a Charlize?
O cara chegou lá com 2% de gordura corporal só do cardio, cara.
Exatamente.
Quem precisa de Deus transando quando se tem esse cara aí, né, na Terra, né?
Exato, porra. Caraca, brother, ele entregou o que Zeus ficou devendo aí nesse filme, né? Pois é, cara, Zeus tava dormindo nesse filme, tava de cara.
Ele tava, caraca, brother, mas ficou orgulhoso dele.
Deixou ele imortal, porque o cara tomou facada, lançada, flechada, e o cara sobreviveu, mano.
É, exatamente, foi, navegou para o oeste com a Galadriel.
Falando aqui do menino Telemaco, não é possível que o moleque que é filho do rei, filho da rainha, não tem uma moral para falar: traz o cachorro para dentro. Não é possível, cara. Que porra é o cachorro do meu pai? Vai ficar dormindo aqui na praia? Ah não, cara, esse garoto é detestável. Detestável.
Ninguém na família, salva ninguém nessa família.
Nossa, não é só a mãe. A mãe é uma sofredora que tem que aturar esses dois merda.
Mas teve alguém que mandou a real para ele, não foi? Que falou, pô, isso aqui só tá acontecendo porque, pô, o povo não vai te seguir, tu é muito bundão para o povo te seguir, né? Alguém mandou essa real para ele.
Foi o Antino, eu acho, que é aquela cena que ele diz, ah, você tá aqui esperando um papaizinho que você nem conhece.
É porque ele não tinha moral, eles Iam tirar ele do esquema.
Uma vez que ela casasse com alguém, ele tá fora.
Então, mas o cara não tem moral porque ele é um merda. Porque você pode impor sua moral, né?
Eu não sabia fazer muito bem isso.
Aí o cara, o cachorro vai lá para fora, ele, ai, ai, que puta, o que que eu vou fazer agora? Porra, meu irmão, não é possível.
Só que o lance do cachorro não dá para defender, cara.
Não é indefensável mesmo.
Quando o cachorro der aquela tremida no rabo, aquilo é gatilho para caralho.
Não, fiquei com nó na garganta. Puta que pariu, emocionante para o cachorro.
Não, cara, eu olhei para baixo ali, tá? Eu admiro muito a força de vocês que assistiram olhando de frente.
E eles falaram que o cachorro foi um puta à toa mesmo, que tá todo mundo chorando lá no dia da gravação.
Era o cachorro mesmo?
É, o cachorro fez aquela parada toda, cara.
Não, eu ouvi falar que inclusive o Nolan tá criando esse cachorro há 25 anos, né? Que o cachorro morreu na cena para usar como efeito prático.
Abandonou o cachorro. Pelo menos o cachorro não viu o Nolan, aí só viu na cena final.
Isso porque ele mesmo jogou pelo peixe com os outros, né? Ele escolheu a dele.
Mas assim, a gente tava com dúvida se ele ia falar com o cachorro e ele fez ele falar cachorro, né? Porque no texto ele não fala com o cachorro, ele ignora o cachorro para não ser reconhecido. E aqui ele voltou e falou cachorro. Então, Azaghal, pelo menos uma coisa certa, né?
Ele é 100% cuzão, no filme ele é 99, aquele 1%, 1%, pai de dog, pai de dog. Pelo menos gosta de cachorro, velho.
Tem todos os defeitos, mas gosta de cachorro. E ainda torce para Argentina.
Olha, a mágoa não some, né, cara?
É o Odisseu da Moca.
Odisseu da Moca, coitado do Matt Damon, cara.
Pô, Max, tu já viu quantas vezes?
Só uma.
Ah, porque é tão longa, né?
Exatamente.
Caralho, como vai já?
Exatamente. Eu sinto como se tivesse visto 3 vezes já.
Caraca, brother. Olha, mas eu vi opiniões diferentes. Tipo, Andréia falou aqui que foi super lento o filme para ela, e eu já vi pessoas na internet, para mim eu não Eu não senti nada, eu não senti passar o tempo, eu não senti passar o tempo, cara. Mas assim, tem percepção diferente.
Você achou longo?
Pois é. Então você vê que louco, né, cara? É muito de percepção mesmo.
Não senti passar o tempo e é porque eu tava com vontade de fazer xixi. Então eu tava convivendo com o desespero e ao mesmo tempo com medo de perder alguma coisa, que era várias coisas acontecendo ao mesmo tempo.
Cada um gostou de ceia, na verdade.
É verdade.
Mas o Nolan empregou, né? Acho que isso é uma coisa que Acho que deveria ser falado assim, que o Nolan, a galera critica muita coisa dele, mas é muito massa que tá todo mundo falando de cinema. É muito massa que depois de vários meses aí, anos até, do pessoal dizendo, ah, porque o jovem não tá mais nem aí para cinema, que é uma coisa que depois que começou a diminuir o público da Marvel, o pessoal fala, ah, porque a nova geração não gosta de cinema.
Gosta, gosta de cinema sim, eles querem apreciar a arte sim, a gente tá falando sobre isso sim. E cara, vale muito a pena ver esse filme no cinema.
Os cara tão fazendo sessão de IMAX às 6 da manhã e tá lotando.
É incontestável que ele leva as pessoas para o cinema. As pessoas querem ver o que ele fez. Eu quis ver da primeira semana, gostando ou não. Eu quero saber do Nolan, quero saber o que que ele tá fazendo, né? O cara que tem esse status, né? E assim, não é que, ah, eu não achei o melhor filme do mundo, ah, nunca mais vou ver o Nolan. Próximo filme que ele for lançar, eu tô indo no cinema. Ele leva as pessoas para o cinema.
Exato.
E não é só que ele leva as pessoas para o cinema, ele consegue levar as pessoas para o cinema por conta do nome dele, cara.
É diretor superstar, nível James James Cameron, porque, por exemplo, Avatar era só James Cameron que dava entrevista. E aqui o elenco deu entrevista, beleza, que é super estelar o elenco, mas o Nolan é feature de entrevista em um monte de programa. A gente vai receber só o Nolan.
E eu acho que ele é uma boa pessoa para ser entrevistado, principalmente nesse momento que a gente tá com— é um momento delicado para arte, para discussão sobre arte. Ele é um diretor muito autoral. Todo mundo fala que ele tá todos os dias no set o tempo inteiro, que ele é muito mão na massa ali, e ele tá o tempo inteiro pensando em como fazer efeito prático em tudo, como usar técnicas novas de filmagem para colocar as coisas funcionando do jeito que ele precisa.
Toda essa discussão dele filmar a Odisseia toda em IMAX, né, é uma coisa. Ai, porque não tinha, não dava para ele fazer isso antes por causa do barulho da câmera. Não, mas a gente vai dar um jeito aqui. O pessoal criou uma nova tecnologia para dar para filmar as cenas que ele quer.
Eles enclausuraram com uma caixa acústica, né, cara?
Isso é muito massa, é legal. Existe esse lado excludente também de, ah, só existem só 40 salas do mundo que estão passando do jeito que o Nolan quer.
Eu não fui ver do jeito que o Nolan queria porque eu não fui no 70mm, fui no IMAX. Achei o IMAX aqui, mas não era o 70mm. O mais próximo fica 4 horas daqui, em Fort Lauderdale. Mas assim, eu vou falar um negócio aqui, para quê? Eu não tenho olhos, eu não tenho olhos para entender a cara do Matt Damon daquele tamanho.
Sério, eu vou dizer, eu não tenho olhos olhos treinados para entender a diferença de você ver a parada aqui toda filmada em IMAX e o negócio que teve um scale para trás, que eu gosto de, que é o Dolby Atmos.
Então é uma tela grande, não tem a proporção IMAX, mas é uma tela grande com som Dolby Atmos. Para mim é a melhor sala que tem aqui em Holanda. Não é IMAX, não é IMAX, mas é, eu vi no IMAX, eu fui ver numa sala IMAX e tal, mas eu, puta, esse filme eu tranquilamente poderia ter visto nesse cinema que é mais perto da minha em casa, que é melhor, eu considero melhor do que o IMAX, que esse IMAX aqui especificamente, porque pela proporção, pelo que tá sendo mostrado, eu sei lá, um Duna, eu acho que pela grandiosidade das cenas, a magnitude do que acontece na parada, né, das guerras, eu acho que até faz mais sentido.
Esse filme, eu ficava, essa cena aqui dos caras cagando dentro do Cavalo de Troia, será que precisava realmente ser em IMAX?
Eu também não consigo tanto distinguir isso.
Tem a testa franzida da Zendaya assim quando tá falando com ele assim, é, mas era muito close de rosto.
Caralho, vai com IMAX para isso aqui? A cena da bruxa do filme dos Trapalhões, a gente precisava ver IMAX?
Mas é o artesanato, é o artesanato. Tu vê uma pessoa pegando e colando filme com a mão. É as salas que estão sendo exibidas realmente em filme, em rolo, e a galera assistir fica, ah, caraca, é muito diferente. A gente vê, sei lá, a imagem tremendo um pouquinho e tal. Acho que a gente tá entrando cada vez mais nesse momento em que a gente vai perceber essas imperfeições, como essas marcas humanas.
Então eu fui ver um filme numa sala que era 70mm, mas não era IMAX, que era o Projeto Hail Mary. Eu falei, olha, sala 70mm!
Mas não foi filmado em 70mm, foi até um upscale.
Eu achei horroroso assim, você viu upscale, porque fica ficando, como a Catiúcha falou, a imagem ela tem aquele leve, mas aquilo me incomodou absurdamente. No passado a gente via todos os filmes assim e era tudo ótimo, mas agora como a gente tá acostumado a ver filme digital, que não tem isso mais, quando isso vem— eu não sei como é a sala IMAX, tá, gente, a 70mm no caso eu não fui ver, mas quando eu vi esse filme, o Projeto Mary na sala, 70 minutos, depois eu sei assim, caralho, meu irmão, não foi 100% não para mim.
Enterra o passado, né? Mas cara, eu não tinha essa curiosidade de atualmente ir atrás de uma sala para assistir desse jeito. E hoje em dia eu tenho. E com certeza um dos grandes responsáveis por isso é o Christopher Nolan, porque quantas vezes ele fala sobre isso, quantas histórias a gente vê das pessoas que foram assistir nos 8 cinemas que tem no planeta que dá para assistir do jeito dele e que parece ser muito legal. Eu tenho essa curiosidade.
Então acho que isso também é mérito dele, trazer essa paixão pelo humano mesmo mesmo lá no meio dessa arte, por essa, essa coisa manual, pelas pessoas que são contratadas para fazer parte desse processo, que a gente nunca fica sabendo nem o nome delas, nem qual é a delas, nem nada. A gente como público é massa também, é legal que essas outras coisas sejam valorizadas. Eu acho que é muito crédito para o Nolan isso aí, tá?
Total. E não só isso, é também, é tipo, é criar hype de novo com a ideia de você ir ver um filme numa sala de cinema mesmo assim, em tempos de estúdios de streaming querendo lançar um filme no cinema só para poder passar no Oscar e aí ficar na sala de cinema duas semaninhas para depois você ver em casa. Você tem um cara como Nolan, que é um dos mais respeitados, um dos nomes mais cotados da indústria, mas ele tem essa primazia toda para pensar na experiência da sala de cinema. Porra, é algo muito importante em tempos pós-pandemia.
Aí ele consegue fazer com que o filme vire discussão mesmo, né? Quando o filme vira meme hoje em dia, né, pessoal fica fazendo negocinho Isso aí é o filme valendo, né?
Repercutir total, nem que seja justamente para criar os memes da galera, tipo, rodando o filme na tela da geladeira inteligente. Estou vendo A Odisseia como se fosse no Alankiri.
É isso. E, cara, eu fico com ódio também no meu coração quando eu vejo essas salas de cinema mostrando tudo que foi filmado e eu sei que eu vou assistir só um recortezinho no meio. Eu fico, ai, que isso é muito excludente, tá? Porque, cara, eu nunca tive a oportunidade de ir numa sala dessa. Para assistir do jeito que o Nolan quer. E eu acho que assim, não sei quando é que eu vou ter essa oportunidade.
Então dá raiva, mas também cria discussão, mas também dá vontade de ver no normal.
Exato. Mas eu acho que é porque você quer se aproximar o máximo possível da melhor experiência que você consegue. Isso é massa.
Eu acho que meio parecido aquele negócio, você vai tomar um vinho de porra $20 e de $2.000, entendeu? No final das contas é um vinho, pô.
Depende da garrafa também.
E aí, pronto, né?
Se for a terceira garrafa, não faz diferença mais o preço do vinho.
É vinho argentino, depende muito. Este Nerdcast foi editado por Radiofobia Podcast e Multimídia.
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