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‘Pedir desculpa com clareza é um dos atos mais maduros que existem’

17 de julho de 20263min
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Rossandro Klinjey faz duas correções de informações dadas durante o comentário sobre cartórios no Brasil feito no dia (16/07/26). ‘Errei, corrigi, sigo’. Ouça.

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Participantes neste episódio1
R

Rossandro Klinjey

HostPsicólogo
Assuntos2
  • Pedido de desculpas por expressão inadequadaAdmitir erro como fraqueza · Orgulho reescrevendo a memória · Diferença entre pensar e performar
  • Comunicação BrasileiraHereditariedade nas serventias · Definição de preços por lei estadual · Monopólio por delegação do Estado
Transcrição2 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
RKRossandro Klinjey

Refletir para Viver com Rosandro Klinger.

?Voz B

Hoje preciso começar por um pedido de desculpas. Na coluna de ontem falei sobre cartórios no Brasil. Errei em dois pontos factuais: a hereditariedade nas serventias foi extinta pela Constituição de 88, e os preços não são definidos pelo próprio setor, mas por lei estadual aprovada pelo Legislativo e sancionada pelo Executivo. Corrijo o que errei, mas mantenho o que é fato: cartório no Brasil é monopólio por delegação do Estado.

E o custo cartorial para o brasileiro comum continua alto demais. Dito isso, quero falar de algo maior do que cartórios. Vivemos num tempo em que admitir erro virou fraqueza, onde corrigir um ponto é lido como capitulação total, e o adversário usa cada correção como prova de que você não sabia nada, e o aliado exige que você defenda o erro até o fim. Para não parecer inconsistente. Essa lógica é doentia, especialmente na política brasileira, e a gente carrega ela não só no debate público, mas dentro de casa, no trabalho, nas relações.

Nietzsche escreveu que a memória diz: eu fiz isso. O orgulho responde: eu não podia ter feito. E acaba vencendo. É isso que acontece quando alguém não consegue pedir desculpa O orgulho reescreve a memória para não ter que se curvar, e a relação paga o preço dessa reescrita. Errar um dado não invalida uma análise, assim como corrigir um ponto não obriga a engolir o argumento inteiro. Duas coisas podem ser verdadeiras ao mesmo tempo: eu errei ali e o que disse além disso permanece de pé.

Essa distinção é o que separa quem pensa de quem performa. Pedir desculpa com clareza é um dos atos mais maduros que existem. Não porque resolve tudo, porque é verdadeiro. E verdade dita em voz alta, mesmo quando custa, tem um peso que nenhuma narrativa protegida pelo orgulho consegue ter. Errei, corrigi, sigo.

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