Uma em cada quatro mortes por doença do coração estaria ligada aos ultraprocessados
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Cássia
Luis Fernando Correia
Milton
- Risco cardiovascularDoenças cardíacas · Ultraprocessados · Estudo American Journal of Preventive Medicine · Congresso Internacional de Obesidade · Eduardo Nilsson · Bruno Halpern
- Politicas PublicasImposto sobre bebida açucarada · Rotulagem clara · Restrição de publicidade · Desertos alimentares · México
Saúde em Foco com Luiz Fernando Correia. Muito bom dia, Doutor Luiz Fernando Correia. Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes.
Bom dia, doutor.
Hoje o senhor nos traz mais um estudo a propósito do consumo de ultraprocessados. É isso, Milton. Foi divulgado ontem no Congresso Internacional de Obesidade, na Cidade do México, né, que começou ontem. E aliás, nesse congresso tem um dado importante também a gente registrar: toma posse o novo presidente da Federação Mundial da Obesidade. E é um brasileiro, Doutor Bruno Halpern, aí de São Paulo. Enfim, e o estudo que foi divulgado e foi publicado junto no American Journal of Preventive Medicine traz um número assustador, Milton. 1 em cada 4 mortes por doença do coração estaria ligada aos ultraprocessados.
Foi uma análise de modelo matemática feita pela Universidade de Montreal e com a participação de os professores da USP, Eduardo Nilsson, que é da USP, da Fiocruz, também assina o trabalho. E os números que eles conseguiram no Canadá em 2015, deixa eu ver, que tá algum tempo já, né, mas os ultraprocessados já eram 43% de todas as calorias consumidas pelos adultos. E o estudo mostra que matematicamente isso levaria seria responsável por entre 23 a 38% das mortes cardiovasculares até 2019 eram atribuídas a esse consumo.
Então, cortar o consumo pela metade conseguiria evitar 8 mil mortes. Essa mesma modelagem matemática, Milton e Kassia, já tinha sido feita para o Brasil pelo professor Nilson da USP, que estimaram o seguinte: 19.200 mortes prematuras 74.900 novos casos atribuídos a ultraprocessados e cerca de 22% dessas mortes prematuras por doença cardiovascular entre adultos brasileiros estaria ligado ao consumo de ultraprocessados. Então não é uma questão só de estímulo à obesidade, aumento de doenças crônicas como diabetes e alterações de assíntoma metabólico.
A gente tá vendo a consequência disso. Então, na modelagem matemática da USP, redução de 10% no consumo, a gente conseguiria evitar 2.100 mortes por ano. Se essa redução chegasse a 20%, 4.100, obviamente. E uma redução de 50% evitaria cerca de 9.900 mortes. Agora, tudo isso são estudos matemáticos, porque não tem como você controlar exatamente o que que as pessoas comem. É muito difícil fazer esse tipo de análise. Ninguém vai chegar e dizer, olha, você vai só comer ultraprocessado e o outro não vai comer, porque isso não seria uma coisa nem ética.
Mas enfim, para fazer esse tipo de análise você sempre depende do relatório, ou seja, do relato da própria pessoa. O grande problema é a gente discutir por que que o ultraprocessado domina o ambiente alimentar nos países. Por que que é mais barato você comer ultraprocessado Ou você inclusive encontrar ultraprocessado. A gente já fala no que a gente chama de desertos alimentares, ou seja, regiões nos países aonde você precisa deslocar muito para conseguir comprar comida de verdade, né, comida saudável.
E qual é, isso tem que ser transformado em política pública, tem que se discutir imposto específico para ultraprocessado, uma rotulagem mais clara, Restrição de publicidade. E a gente tem alguns exemplos importantes, quer dizer, o próprio México, onde está acontecendo esse congresso, instituiu um imposto de 10% sobre bebida açucarada. Só isso diminuiu o consumo de ultraprocessados em 6%, porque é aí que estão com uma concentração perigosa: bebida açucarada, carne processada.
É isso que a gente tem que discutir, gente. A gente tem que entender por que que é tão difícil, por que que é, onde se encontra a desigualdade socioeconômica com esse problema alimentar que é o consumo de ultraprocessados. Por que que a gente não consegue instituir fontes de disponibilidade de alimento saudável para população mais vulnerável?
Essa é uma discussão que tem que ser feita, e é uma discussão que é muito bem feita em alguns podcasts, como o Além do Peso aqui da CBN, com o Dr. Luiz Correia, podcast que você encontra nas nossas plataformas, nos principais agregadores. Tem um episódio que o Dr. Luiz Fernando Correia conversa sobre esse assunto com a Rita Lobo. Eles falam bastante de comida ultraprocessada e das alternativas, né, doutor, para sair desse mundo dos alimentos ultraprocessados.
Exatamente, Cássia. Lembrar que a gente teve agora a informação que veio do congresso, do congresso da ASCO, Congresso de Oncologia Clínica, que aconteceu em Chicago, onde mulheres que vivem em regiões onde você tem um deserto alimentar desse, ou seja, onde você não consegue comprar comida saudável, tem um desfecho muito pior do câncer de mama, inclusive com desfecho de morte maior do que daquelas que têm acesso à comida de verdade.
E você lembrou bem da Rita Lobo, que teve, foi, conversou comigo no podcast, E ela fala uma frase que acho que é lapidar, gente: vamos descascar mais e desembalar menos. Fazer comida dá trabalho? Dá. Fazer comida com comida natural dá trabalho? Dá. Exige programação, exige que a gente consiga ter acesso a essa comida mais saudável, né, as fontes de comida mais saudável por um preço melhor e não seja tão caro. Agora, vale a pena, porque no ponto de vista da saúde a gente tá vendo as consequências dramáticas do avanço dos ultraprocessados.
Muito obrigado, Doutor Luiz Fernando, e um bom dia. Bom dia para você, Milton, Cássia e todos os ouvintes.
Obrigada, doutor.