Com tarifas, Trump interfere nas eleições brasileiras: ‘Lula vai precisar ir para o enfrentamento’
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Conversa de Bastidor com Bernardo Melo Franco. Bernardo, boa tarde, Sardenberg. Boa tarde, Cássia. Boa tarde, ouvintes. Boa tarde, Bernardo. Aqui, antes do comentário, queria apenas me juntar às homenagens ao jornalista Renato Machado, deixar um abraço para família, para os amigos, para vocês aí no estúdio, e também, claro, para todos os ouvintes que acompanharam ele muito tempo aqui no CBN Brasil. Bom, obrigado, Bernardo. E bom, tá fácil, Bernardo, reação.
Qual é a reação possível do governo brasileiro. Olha, Sardenberg, vamos deixar a economia para os especialistas e para os economistas e falar um pouco dessa repercussão política, especialmente a repercussão na campanha, né, a partir desse tarifaço. O governo brasileiro e a campanha à reeleição do presidente Lula receberam essa notícia, essas tarifas, como um ato de hostilidade, um ato de intervenção direta do governo Trump na eleição brasileira.
A gente já dizia que o Trump seria um personagem importante nessa campanha, mas talvez ainda não se tivesse a dimensão real do que ele tava disposto a fazer para interferir aqui na disputa eleitoral do Brasil. A leitura do governo brasileiro, da campanha de Lula, é que esse tarifaço ele é baixado como uma forma de desestabilizar a economia brasileira e com isso causar prejuízos à campanha à reeleição. E o que eu recolhi de impressões nessa manhã, Sardenberg e Cássia, foi de que a campanha entende que o presidente Lula agora precisa ir para o enfrentamento, precisa ir para o enfrentamento.
Ou seja, não vai haver, não deve haver da parte do governo brasileiro agora nenhum tipo de tentativa de contemporização, de retomada da negociação, até porque Embora o Itamaraty diga oficialmente o contrário, a avaliação é de que o governo americano simplesmente não deixou margem para a negociação dessas tarifas. E a prova disso seria o pronunciamento, né, a fala do secretário de Estado Marco Rubio, que falou diretamente que o presidente Lula não negociava de boa-fé, que a política econômica do Brasil seria ruim para os brasileiros e para os americanos.
E ainda num arroubo, né, de retórica, acrescentou que o presidente Lula teria colocado o seu próprio ego à frente das tarifas e por isso o Brasil pagaria esse preço. Portanto, essa é a avaliação hoje no governo federal, no Palácio do Planalto e na campanha petista. Da parte da campanha do Flávio Bolsonaro, Sardenberg, é um movimento um pouco curioso porque O Flávio na semana passada esteve nos Estados Unidos, participou ali daquela reunião com o Escritório de Comércio.
E para quem acompanhou aquela fala dele para os americanos, ficou a impressão de que o Flávio não criticou o tarifaço no mérito, apenas pediu que ele fosse postergado, que ele fosse adiado para que não interferisse na campanha eleitoral. Portanto, há também, claro, um temor da campanha bolsonarista de que esse tiro acabe saindo pela culatra, como aliás já ocorreu no ano passado quando o Trump baixou as primeiras tarifas. O presidente Lula encampou o discurso da soberania nacional e se recuperou nas pesquisas de intenção de voto.
A gente precisa, claro, aguardar agora para ver qual vai ser o efeito econômico desse novo tarifaço e como é que isso vai repercutir ao longo das próximas semanas na pré-campanha e logo mais já na campanha oficial para presidência da República. Congratulations! I mean it!
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