‘Dentro do Estúdio’: Jimi Hendrix no Olympic Studios, em Londres
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João Marcello Bôscoli
Nando
Tatiana
- Velodromo OlimpiadasJimi Hendrix · Olympic Studios · Eddie Kramer · Glockenspiel
- Gravação de 'Little Wing'Little Wing · Glockenspiel · Gravação rápida
- Efeito Phasing em 'Bold as Love'Bold as Love · Phasing · Estéreo · Eddie Kramer
- Jam session com Stevie WonderStevie Wonder · BBC de Londres · Jam session
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Sala de Música com João Marcelo Boscoli.
Fala, João Marcelo, boa tarde!
Boa tarde, Tatiana! Boa tarde, Nando! Boa tarde, ouvinte!
Vi um negócio no Instagram hoje Está bonito na foto, bacana, né?
27 de agosto, 10 horas da noite, sala de música especial 9 anos no Blue Note São Paulo, certo?
Quem vai participar, João?
Eu, você e a Tatiana, por enquanto.
Tá bom, estaremos lá.
Espero que tenha alguém na plateia, né? Será que vai ter, João? Acho que sim, né?
Tatiana, a gente vai ficar buzinando daqui até o dia 27.
Vai, ou seja, ou seja, vai ter gente, né?
Até porque terão ingressos para ouvintes.
Então terão, a gente vai doar.
CBN é uma mãe, vai ser legal.
Preparem-se. João, você gosta de Hendrix? Qual?
Gosto bastante.
Qual?
Bom, vamos para o estúdio. O Jimi Hendrix. A gente vai para um estúdio chamado Olympic Studios em Londres. Vamos para os anos 60, final dos anos 60. É um estúdio, Tatiana, que gravou o David Bowie também, além do Jimi Hendrix. Sei que você gosta muito do Bowie, não gosta? Eu amo. E a gente também amanhã vai falar de outra banda que gravou nesse estúdio, Rolling Stones. Você também gosta de Rolling Stones, não gosta? Gosto. Então é um estúdio muito importante.
Eric Clapton, Prince, B.B. King, Ella Fitzgerald, Queen, Ray Charles, Björk, enfim, Adele. É um estúdio muito importante. Então o que eu quero fazer hoje é trazer a gente para dentro do estúdio, porque eu vi, revi na verdade, uma entrevista do engenheiro de som do Jimi Hendrix o Eddie Kramer, ele contando algumas coisas interessantes, né? E aí, claro, a gente pode falar muitas coisas sobre a guitarra do Hendrix, o jeito dele cantar, a composição, mas hoje eu queria me ater a esse depoimento do Eddie Kramer, que tava lá contando, por exemplo, como ele construiu, né, ali na hora, tomou uma decisão musical ali na hora e gravou muito rapidamente um instrumento que é o glockenspiel, né, que é um instrumento de percussão que dá notas, né.
Ele é, são os lingotes de metal que você toca uma baqueta que às vezes a ponta de metal, às vezes a ponta de feltro. E nesse caso foi uma ponta de metal, ficou um som celestial assim. Então eu queria que vocês ouvissem, né, e prestassem atenção. Claro, tá no primeiro plano, guitarra, baixo, bateria, voz, né. Adiante. Mas esse instrumento aí eu vou contar na sequência como o Hendrix, dentro do estúdio, descobriu esse estúdio— perdão, descobriu esse instrumento.
E segundo Eddie Kramer, em 5 minutos gravou, né, o que a gente vai ouvir. Vamos lá, Little Wing, Jimi Hendrix.
Em 5 minutos ele fez o quê mesmo, mais precisamente?
Então vamos lá, ele estava gravando essa música. Segundo o Eddie Kramer, o Olympic Studio é um estúdio que muita gente gravava em períodos, né, períodos de 6 horas, 12 horas. Então era gravação de maneira contínua, né, todo tempo. Então tinha ali sobrado, né, ainda uma certa bagunça de instrumentos da gravação anterior, e tinha esse glockenspiel, esse instrumento em cima de uma bancada. O Hendrix chegou, pegou e falou, o que que é isso, né?
Aí o Ed falou, é um glockenspiel, você toca com a baqueta assim e tal. Aí a música já tinha sido gravada, né, a base. E aí ele tocou assim, etc., e falou, meu, pode microfonar.
Nossa!
E ele pegou e gravou isso, né? Esse é o depoimento do Eddie Kramer, falou que aconteceu assim. Então Achei interessante, né, porque além de ser muito vivo, né, tudo que você ouve do Hendrix muito bem gravado já, e o jeito que ele tocava, ele e o trio todo, né, tocava como uma banda mesmo. Tem esse lance da genialidade dele de estar ali, pegar um instrumento, né, que é usado para normalmente para outro mundo, né, musical, e trazer para essa música, né?
Leroy fala das nuvens e tal, ele achou que isso teria algo celestial. Diz que ele passou uma vez assim, tocou e gravou, gravou uma segunda vez assim, a música relativamente curta. Ele sacou o que ele faria e fez o take ali em alguns minutos, né? Segundo ele ali na entrevista, 5 minutos, né? Não sei se é uma força de expressão, mas que seja em 10, né? É muito bonito ver o talento ali dentro do estúdio. Outra coisa legal que ele contou nessa entrevista, Tatiana, Fernando e ouvinte, é uma outra gravação, Bold as Love, no mesmo estúdio.
Eles estavam começando a trabalhar com estéreo, né? E até então a música mono, né? Então o estéreo traz algumas possibilidades sonoras, né? E uma delas, né, o Eddie Kramer tava fazendo umas experiências com as fitas e ele chegou numa sonoridade que pode ser chamada de phasing. Mas isso nesse momento não é muito importante, né, só um nome. O importante é a gente ouvir o som que o Hendrix ouviu pela primeira vez. Ou seja, estavam começando a trabalhar em estéreo e acharam uma maneira, né, um efeito que o estúdio produziu, ou seja, uma era onde o estúdio deixa de ser apenas um lugar onde você grava uma música exatamente como você tá tocando, para um momento onde você transforma o estúdio no instrumento musical também, que acrescenta cores, harmônicos, efeitos na gravação, e passaram a ser usados como um instrumento musical mesmo, como uma ferramenta criativa.
Nesse caso, eles chegaram no efeito que esse phasing, né, através das fitas, Vocês vão ouvir, vocês vão sentir, né, um efeito difícil de descrever e fácil de sentir. E o Eric Kramer falou que ele falou, ó, Jimmy, a gente achou um negócio aqui, dá uma ouvida nisso, né. E aí ele deu um, apertou o play da máquina, e ele tava sentado do lado do Eric Kramer. Quando ele ouviu aquele som, disse que ele se jogou no chão assim, deitado de lado em posição fetal, com as duas mãos no rosto.
Tipo em êxtase, né? Gritando assim, dizendo, levantou e falou, cara, o que que é isso e tal? Ele falou, ah, é um efeito e tal. Falou, cara, eu quero isso em tudo. E aí colocou não só na guitarra dele, mas colocou na bateria, colocou na música toda, e passou a ser um efeito, uma coisa muito utilizada na obra dele, claro. E em outros álbuns que o Eddie Kramer gravou no futuro e virou uma marca, né, um jeito, um determinado efeito usado até os dias de hoje através dos plugins.
Então, Bold As Love é o ponto exato onde dá uma parada, vem a virada de bateria já com efeito. Nesse momento, o Hendrix se jogou no chão do estúdio com as duas mãos no rosto em posição fetal e saiu, segundo o Eddie Kramer, gritando assim de prazer, né.
Imagina a cena! Vamos lá, vamos ouvir. Muito legal, João! Tem mais uma?
É só uma saideirinha aí, é um trechinho curto. Bom, sempre lembrando, né, que o Jimi Hendrix tá sempre com Noel Redding no baixo, Mitch Mitchell na bateria, né. Eddie Kramer grava e Chas Chandler é o produtor. Um trechinho aqui do Jimi Hendrix na BBC de Londres, mesma cidade, outro estúdio, com o Stevie Wonder, 16 anos, tocando a bateria numa jam. E a gente se despede com essa jam session. Muito obrigado, Tatiana.
Muito obrigado, Nando. Obrigado, Pitty. A gente vai estar amanhã, estaremos juntos. Ah, você vai falar do disco novo? Vou fazer essa lição de casa então também.
Vamos ouvir uma música, né? E depois a gente faz, a gente cesta, né?
Tá bom, legal, legal, legal, legal. Beijo, beijo, até amanhã. Beijo, até amanhã, 5 horas em ponto.