Lula e Flávio Bolsonaro transformam tarifaço dos EUA em debate eleitoral, avalia Bronzatto
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Carol
Débora
Vera
Thiago Bronzatto
- Impacto Político da Taxa das BlusinhasLula · Flávio Bolsonaro · Eleições de outubro · Crise comercial · Soberania nacional
- Relações comerciais e diplomáticas dos EUAGoverno brasileiro · Estados Unidos · Negociação técnica · Acordo de livre comércio · Lei da reciprocidade
- Retaliação iraniana e danos às operações americanasMarco Rubio · Trabalho forçado · Donald Trump · Briga pública
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6 horas e 49 minutos, tá de volta o Viva Voz. E quem tá já com a gente na linha é o Thiago Bronzato, diretor da sucursal do Globo em Brasília. Boa noite, Thiago.
Boa noite, Vera, Débora, Carol, e boa noite aos ouvintes.
Boa noite. Oi, Bronzato.
Thiago, a gente viu aí novo capítulo da guerra de acusações entre o PT e o governo. E a campanha do Flávio Bolsonaro em relação a quem tem a culpa pelo novo tarifação, Tarifação 2.0. Quem tende a levar a melhor nessa disputa?
Pois é, Vera, o tarifação dos Estados Unidos virou a primeira grande prévia das eleições de outubro, com Lula e Flávio Bolsonaro transformando uma crise comercial num debate eleitoral. Por enquanto, quem aparece levar vantagem nesse cabo de guerra é Lula, não porque o governo tenha resolvido o impasse comercial, mas que conseguiu de certa forma emplacar uma leitura mais política simples para o leitor, né, dizendo que o Flávio promoveu um tariflável, né, e ele é o grande responsável por esse tarifaço.
A pesquisa Genial Quest, que foi realizada antes da decisão do tarifaço americano, já mostrava que 51% concordavam mais com Lula na tese de que Flávio apoiou o tarifaço para prejudicar o governo brasileiro. Somente 30% compram mais a versão de Flávio de que ele tentou evitar a taxação americana, né? E além disso, 42% dizem que o episódio aumenta a vontade de votar em Lula, contra 27% em Flávio. A campanha do Flávio percebeu isso e já orientou os aliados do senador a culpar Lula usando a fala do secretário de Estado americano, Marco Rubio, de que o ego do presidente brasileiro emperrou as negociações.
E aí ficou um jogo de empurra, né? Lula culpa Flávio, Flávio culpa Lula. E no meio dessa confusão toda surgiu o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, criticando Lula e Flávio, e também a polarização, que é uma estratégia dele de se apresentar como uma alternativa nas urnas que ele vem tentando adotar sem muito sucesso. E o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, também condenou o tarifaço, mas disse que o governo Lula errou feio.
No fim, velho, eu acho que o Lula saiu na frente no primeiro bloco de debate sobre tarifaz porque conseguiu transformar a crise comercial com os Estados Unidos num debate sobre soberania e o Flávio virou um fiador involuntário da retaliação do Trump contra o Brasil. Mas se a conta do tarifaz chegar ao emprego e à indústria, aí essa disputa deixa de ser sobre quem venceu a queda de braço e passa a ser sobre quem conseguirá resolver a crise primeiro.
Bronzato, governo elevou o tom, STF também. Podemos esperar novas retaliações por parte do governo americano? Até porque tem uma outra investigação em curso que trata de trabalho forçado, que também envolve o Brasil, né?
Pois é, Débora, o governo brasileiro bateu na mesa, falou grosso. O chanceler Mauro Vieira chamou a fala de Rubio de grosseira e arrogante, né? E o Lula não poderia aceitar quieto acusação de que colocou o próprio ego acima do interesse nacional. Mas a gente sabe que na diplomacia comercial, cada frase mal colocada pode custar muito caro, né? Ainda mais tendo em vista que há outra investigação americana contra o Brasil relacionada a trabalho forçado.
Essa nova investida do governo Trump pode elevar o peso total do tarifácio de 25% para 37,5% em alguns produtos. Isso significa que o Brasil levou um soco de Trump, mas também precisa manter a guarda firme para não levar outro golpe, né? O risco é o Brasil entrar exatamente no jogo que o Trump gosta, que é briga pública, frase de efeito, e escalar essa crise. Até porque o Trump tem usado o tarifação como um espetáculo particular para aumentar a popularidade dele.
E se o Brasil responder só no grito, pode dar o que o governo americano quer, que é um enredo de disputa e mais retaliações em cima do Brasil. É claro que Lula não precisa ficar em silêncio, né? E ele precisa mostrar força e independência nesse momento. Mas é um daqueles jogos que o governo precisa parecer forte sem agir como se tivesse no palanque o tempo todo.
O Bronzato, e qual vai ser a estratégia do governo e dos empresários para tentar contornar o tarifaço?
Carol, o governo deve fazer duas coreografias. Aqui para dentro vai continuar batendo na tecla da soberania, defendendo o Pix, ameaçando aplicar a lei da reciprocidade, que pode suspender concessões comerciais e investimentos dos Estados Unidos, né? E para fora vai tentar negociar tecnicamente, produto por produto, setor por setor, até para tentar reduzir o dano que hoje é estimado em 11 bilhões de dólares com esse novo tarifácio.
Até porque, conforme o próprio governo já admitiu, Carol, seria um desrespeito com os outros setores o governo levantar da mesa de negociação e ir embora. Isso porque o tarifácio atingiu setores muito importantes, né, como açúcar, máquinas agrícolas, vestuário, papel, enfim. O governo também pretende investir em novos laços comerciais. Há uma negociação nesse momento bem avançada para fechar um acordo de livre comércio entre o Mercosul e o Canadá.
E por fim, o Planalto também sinalizou hoje numa coletiva ali falando das medidas que deve adotar, que deve lançar novas medidas provisórias, né? E a expectativa é que seja lançado ali, que seja ampliado o programa Brasil Soberano, que foi lançado já para socorrer com linhas de crédito as empresas e exportadores afetados pelo tarifação americano. O que resta saber, Carol, é se será possível transformar nesse momento o discurso de soberania em resultado econômico, porque tarifa não se derrota no palanque, mas sim na mesa de negociação.
É isso, Thiago Bronzato, diretor da sucursal de Brasília do Globo, com a gente às terças e quintas. Obrigada, Thiago, até semana que vem.
Obrigado, até mais.
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