Trump no cenário internacional: ‘um jogador de pôquer que vive do blefe’
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Wálter Maierovitch
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Muito bom dia, Walter Fanganello Maiorovitch.
Bom dia, Milton. Bom dia, ouvintes, e boa jornada, Cássia.
Muito obrigada, Maiorovitch.
Bom dia. Estamos conversando aqui, vimos sua imagem também na tela para aqueles que podem nos acompanhar no YouTube, podem nos acompanhar lá no Globoplay nesse momento e você estava lá com cachecol agora, arrumando o cachecol por causa do frio em São Paulo nesta manhã. E você que acordou cedinho até com a surpresa da notícia, não surpresa porque já era esperado, com a notícia do novo tarifaço de 25% dos Estados Unidos. Saiu como era esperado, o anúncio foi feito com as suas isenções e as exceções que estão no caminho, e um anúncio também do governo brasileiro de que deve aplicar a lei da reciprocidade.
Qual a reflexão que nós devemos fazer aí do ponto de vista do direito comercial, do direito internacional?
Olha, Milton, em primeiro lugar, nós temos que ver um cenário internacional e ver a postura do presidente Donald Trump. Ele é um sujeito, ele é um, aspas, um jogador de pôquer que vive do blefe. Então tem hora que ele pisa no freio, tem hora que ele dá cavalo de pau, Ou seja, ele não mantém constância. Se a gente olhar o cenário internacional, Milton, Cássia, a gente vai ver o quê? Há menos de 48 horas, atenção, menos de 48 horas, ele recuou com relação a outro, aspas, tarifaço, a cobrança de pedágio no Estreito de Ormuz.
O que que ele queria? Ele falou, olha, os Estados Unidos irão garantir a navegação comercial, a passagem pelo estreito com suas tropas, e nós vamos cobrar por essa proteção 20% com relação às mercadorias que vão por lá passar. E ele recuou com isso. Por quê? Por duas razões. E aqui não se trata bem de reciprocidade, mas de anúncio de reciprocidade. Quer a Arábia Saudita, quer os Emirados Árabes, por seus representantes, evidentemente, falaram o seguinte: olha, nós não começamos a guerra, nós não fomos avisados da guerra, e de repente, num cenário que nós fornecemos para o mundo inteiro de passagem comercial de petróleo, de gás, você vem com essa de 20% de pedágio, quando o próprio acordo feito com o Irã, aquele acordo preparatório, estabelecia lá que no local haveria o quê?
Haveria um controle por todos, inclusive com a presença norte-americana. Tá no artigo 5º daquele memorando de intenções, Milton. Bom, e o que que fez o Trump diante disso? Mas o que que vocês vão fazer? Aí veio a resposta dos Emirados Árabes e dos sauditas, no sentido de que nós vamos usar e nos preparar para uma via comercial alternativa. Nós vamos deixar o Mar Pérsico e vamos pelo Mar Vermelho, sair da Arábia Saudita pelo Mar Vermelho.
Não vamos mais usar isso, vamos aproveitar o Golfo de Adem. Quer dizer, e aí o Trump se desesperou. Então pôs o pé no breque e suspendeu a tal de pagamento tarifário, o pagamento, aspas, alfandegário. Então ele vai e vem. E a lei de reciprocidade é importante, ela é que nós temos no Brasil para nossa proteção, inclusive proteção na área econômica, para soberania nacional. O que que ela é? O que que ela tem essa natureza dela, onde ela tem apoio?
Ela tem apoio no direito internacional, no direito dos povos, que o direito internacional público é o direito dos povos. Então, a lei de reciprocidade e evidentemente a Organização Mundial do Comércio, onde o Brasil deverá mostrar claramente que na balança comercial há 15 anos quem ganha muito mais, mas muito mais, são os Estados Unidos e o Trump no Lula poderá dar um tiro no pé. Mas isso tudo revela, e não é da minha área, que a política está falando mais alto do que a lógica e do que os grandes acordos.
Em cima disso também, Milton, teve agora o 14 de julho, a grande parada que a França promoveu e espantou todo mundo, com todo o apoio da Europa, apoio forte da Europa, e mais, desfilou uma uma tropa, uma tropa da Ucrânia. Então, para quê? O que que se mostrou aí? Mostrou que a ameaça do Trump, ameaça do Trump, atenção, no sentido de que iria interferir na OTAN e os Estados Unidos sairiam da OTAN, da Aliança Atlântica, e os Estados Unidos estão criando via Trump, ameaçando, na última reunião da OTAN se viu isso.
O que que eles fizeram? Se uniram ali E veio o quê? Veio a resposta, aspas, a reciprocidade, que a Europa vai se armar, a Europa vai colocar antimísseis e vai desenvolver e vai entregar à Ucrânia, não vai ter expansão russa. No momento em que o Trump evidentemente via CIA foi informado que no mês de maio, na grande parada do Putin, o que que aconteceu? Até o Putin deu as caras um pouquinho só, porque ele é um paranoico, né? Ele tem medo de morrer, de ser assassinado.
Então tem todo esse cenário onde felizmente nós temos a tal de reciprocidade, que na realidade às vezes é um contra-golpe no fígado, né?
E um rápido comentário, seu Maiorovitch, sobre um outro assunto: a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro alegando o seguinte para Alexandre de Moraes do Supremo, que não tinha conhecimento de que aquela carta do Jair Bolsonaro seria lida e colocada em redes sociais pelo filho dele.
Na realidade, na realidade, e a OAB ficou— como é que vai ficar a OAB agora, hein, Cássia? Que coisa, hein? A OAB falando: então ele estava em defesa de prerrogativas no exercício da advocacia. E ele dizia que era porta-voz. Porta-voz do proibido é uma coisa assim a ser pensada, né? Milton, já pensou? Eu sou porta-voz, mas eu não posso falar aqui porque eu tô proibido. Então não é porta-voz do nada, mas uma situação muito difícil vai ficar porque foi deixada na mão.
O próprio pai tá dizendo que não autorizou. Se não autorizou, houve violação por parte do advogado de regra de confidencialidade. Quer dizer, bom, mas para quem acredita em Bolsonaro, isso também não é surpresa. Mas o ponto E agora eu só vou falar com você, só vou falar com você, Milton, e pedir para Cássia fechar os olhos. O que, perdão, fechar os olhos não, fechar os ouvidos. Os olhos para não ficar vermelha, se escutar. É que é mais ou menos o seguinte: o que que o Bolsonaro fez?
O pai, o pai ficou com medo agora do Moraes de repente tomar uma medida e mandar ele de volta para Papuda, se bem que as condições humanitárias não vão permitir isso, mas ficou com medo, com receio. E, Cássia, ouvidos fechados, que eu vou dizer uma frase latina muito usada que representa aquele que tem medo, que foi o que o Bolsonaro se expressou: qui esfinteris habet, timorem possuit. Quem tem, tem medo, né, Milton?
Um abraço, Walter Fanganello Maiorovitch. Até mais.
Até. Tchau, Cássia. Abração.